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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

PMDB condiciona aliança com PT em 2010 a acordo nas eleições deste ano

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Raymundo Costa - VALOR

A eventual aliança entre PT e PMDB em 2010, como quer e tem defendido o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, precisa passar no teste das eleições municipais de 2008, segundo avaliação feita na cúpula pemedebista. Para o PMDB, Lula e os petistas estão atrasados em relação a PSDB e DEM e precisam abrir logo negociação em torno de quatro praças que considera decisivas para para o futuro da aliança - São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador, não por acaso, as capitais dos quatro maiores colégios eleitorais do país.

O PMDB está atento ao desembaraço com que PSDB e DEM já tratam das eleições municipais. O partido acompanha especialmente a situação de Belo Horizonte, onde o governador mineiro Aécio Neves ensaia uma aliança tucano-petista com o prefeito Fernando Pimentel. É o tipo de entendimento que terá repercussão sobre a eleição de 2010, se for concretizado. Os pemedebistas acreditam que têm alternativas para a capital mineira, mas só depois da posse da nova direção do PT, na próxima semana, a conversa entre os dois maiores partidos do país deve ser retomada.

Uma dessas alternativas é o nome do ministro das Comunicações, Hélio Costa, uma vez que o petista mais bem posicionado nas pesquisas para a prefeitura, o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), é cotado para disputar o governo do Estado, em 2010, ou até mesmo a Presidência da República, na sucessão de Lula - Patrus é o responsável pelo sucesso do principal programa social do governo, o Bolsa Família. Além do PMDB, o próprio ministro do Desenvolvimento vê com apreensão os movimentos de Fernando Pimentel em direção aos tucanos.

Patrus não tem comentado as articulações tucano-petistas, mas o Valor apurou que o ministro defende, para Belo Horizonte, a mesma aliança que Lula prega nacionalmente: a do PT com o PMDB. Incomoda a Patrus, também, o fato de Pimentel tratar da aliança com o governador Aécio Neves como um fato consumado, já que ele, Patrus Ananias, não se dispõe a se candidatar a prefeito. Passa a impressão, segundo os correligionários do ministro, de que ele está confrontando a cidade que já governou (1993-1997).

A rigor, Patrus Ananias não teria nada contra uma aliança com Aécio, mas julga prematura qualquer decisão, pois, de antemão, descarta quadros do PT e a própria aliança nacional com o PMDB. Além disso, argumentam os aliados de Patrus e os pemedebistas, desde já estabelece a candidatura de Pimentel ao governo estadual, com o apoio de Aécio, sem levar em consideração a candidatura de Patrus ao posto. A direção nacional do PT também vê com desconforto a aliança.

Para os dirigentes do PMDB, o que existe atualmente entre os dois partidos é uma aliança político-administrativa que pode se transformar numa aliança eleitoral em 2010. “Mas para haver 2010 é preciso haver antes 2008″, nos termos de um integrante da cúpula partidária. Um exemplo de empenho do governo que deve ajudar na composição eleitoral, de acordo com os pemedebistas, será a nomeação de Miguel Colassuono para uma diretoria de Furnas, prometida mas ainda não efetivada pelo governo. Isso ajudaria a compor o PMDB de São Paulo em torno da candidatura petista da ministra do Turismo, Marta Suplicy.

Marta e o PMDB entraram em conflito nas eleições de 2004, quando Marta, que então disputava a reeleição, decidiu-se por uma candidatura puro-sangue: ela vetou uma coligação com os pemedebistas, que ofereciam para vice o deputado e presidente nacional do partido, Michel Temer.* Marta optou pelo nome de Rui Falcão e perdeu por pequena margem. Ainda hoje há quem atribua a derrota para José Serra à ausência do PMDB na chapa. Os pemedebistas não têm grande bancada na Assembléia Legislativa ou na Câmara Municipal: sua força está no tempo de televisão do partido, que é medido em relação ao tamanho da bancada federal.

Na avaliação feita pelo PMDB o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aprendeu a lição de 2002: um dos motivos da derrota do tucano José Serra, em 2002, teria sido a displicência com que FHC tratou da coligação com o antigo PFL, hoje DEM. Na época, o combinado era que, se o PSDB tinha o presidente, PMDB e PFL dividiram as presidências da Câmara e do Senado. O acordo foi rompido quando Aécio Neves, então deputado, atropelou a candidatura pefelista na Câmara (No Senado, elegeu-se Jader Barbalho e os pefelistas foram alijados do comando das duas casas).

É isso o que explica, segundo o enredo pemedebista, o empenho redobrado que tanto FHC quanto Serra procuram na aliança com o DEM do prefeito Gilberto Kassab, na disputa paulistana - se não der certo, não poderão ser acusados de ter “roído a corda”, como foram no início dos anos 2000. É algo que Lula precisa ter em mente em relação ao PMDB, segundo os mais experientes integrantes da sigla.

O próprio PMDB tem problemas para resolver, como demonstra a situação do Rio de Janeiro, terreno há anos sob o controle da oposição a Lula. Primeiro no governo do Estado e na prefeitura. Por enquanto, só na prefeitura, onde Cesar Maia (DEM) cumpre o segundo mandato. Com Sérgio Cabral (PMDB), o governo estadual é agora um aliado incondicional de Lula, mas não conseguiu viabilizar um nome para a sucessão na capital. Pior ainda: não domina a máquina partidária, reduto do ex-governador Anthony Garotinho. O PT também não dispõe, até agora, de um nome viável eleitoralmente. Mas os pemedebistas acham que é possível se encontrar uma solução competitiva, quando Lula efetivamente assumir as articulações.

Em Salvador, uma situação clássica: o atual prefeito, eleito pelo PDT mas atualmente filiado ao PMDB, é João Henrique. Ele é candidato à reeleição com o apoio do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. Mas o PT também tem um candidato posicionado na linha de largada: o ex-líder na Câmara Nelson Pellegrino, que foi candidato nas eleições passadas e perdeu por boa margem. Ocorre que agora o PT comanda o governo do Estado, com Jaques Wagner, e Pellegrino vislumbra a possibilidade de uma sorte melhor nas eleições de outubro. A tradição do PT é de concorrer com candidato próprio, sem levar muito em consideração o aliado de governo. A Bahia será um teste decisivo para definir se a aliança PT-PMDB tem fôlego para se manter além dos palanques municipais, até a sucessão de 2010.

* Esta versão da história não corresponde aos fatos, porém foi amplamente divulgada e tida como verdadeira por muitos. Nunca foi proposto o nome de Michel Temer para vice da Marta em 2004. O PT-SP e o PMDB-SP tinham fechado um acordo eleitoral que tinha como contrapartida a participação do PMDB, com duas secretárias, no governo municipal. Posteriormente o PMDB, por decisão de Orestes Quércia voltou atrás, rompeu o acordo e solicitou o cargo de vice, que o PT não aceito porque já tinha escolhido Rui Falcão como candidato ao cargo. LF

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Esplanada: Cargos por apoio em SP

CORREIO BRAZILIENSE

Acordo para reforçar a candidatura de Marta Suplicy à prefeitura paulista é o trunfo do PMDB na disputa com os petistas pelos postos de Minas e Energia


Gustavo Krieger
Da equipe do Correio
Márcio Fernandes/AE - 12/2/07
Quércia defende a candidatura própria do PMDB em São Paulo, como forma de pressionar o Planalto

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A disputa pela prefeitura de São Paulo é o trunfo do PMDB para conquistar os cargos que disputa com o PT no Ministério de Minas e Energia. Os petistas querem o apoio dos peemedebistas à candidatura da ministra do Turismo, Marta Suplicy. Esse acordo depende de dois interlocutores. O deputado Michel Temer, presidente nacional do partido, e o ex-governador Orestes Quércia, que controla a legenda no estado. Temer é o encarregado de negociar os cargos. Seu principal objetivo é a diretoria internacional da Petrobras, cobiçada pela bancada do partido na Câmara. Quércia luta para emplacar no governo o ex-prefeito Miguel Colassuono. Ele já foi cotado para um cargo no Ministério da Agricultura, mas perdeu a disputa para o PT. Os petistas também barraram a indicação dele para a secretaria-executiva no Ministério de Minas e Energia. Agora, a briga é por uma diretoria da Eletrobras.

Nas conversas dos últimos dias, os dirigentes do PMDB informaram ao governo que a negociação dos cargos terá reflexo direto na articulação por um acordo em São Paulo. “Se o PT continuar atacando todos os nomes que o partido apresenta não haverá clima para negociar um acordo eleitoral”, diz um dirigente peemedebista. “Se a coligação não funciona no governo, porque funcionaria na campanha?”, questiona.

O PMDB é estratégico na disputa em São Paulo. Na capital, o partido transita entre o PT e os adversários do PSDB e DEM. Um acordo da legenda com qualquer um dos lados pode desequilibrar a eleição. Em primeiro lugar, pelo tempo que o partido acrescentaria aos espaços nos programas do rádio e televisão. Em segundo, por sua estrutura na capital.

Negociações
Até aqui, a legenda negocia com todos os lados. Orestes Quércia já recebeu enviados do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), do prefeito Gilberto Kassab (DEM) e do PT. Quem o procurou em nome de Marta Suplicy foi o prefeito de Araraquara, Edinho Silva, presidente estadual do PT. Quércia não se comprometeu com ninguém. Mas na conversa, reclamou muito do PT. Disse que o partido atropela acordos e não respeita os aliados.

A irritação de Quércia já fez com que ele adotasse um discurso crítico em relação a Lula. Isso não fez com que ele interrompesse as negociações para nomear Colassuono. A primeira negociação foi para que ele assumisse a presidência da Ceagesp, estatal ligada ao Ministério da Agricultura. O cargo ficou com o PT e a articulação transferiu-se para o Ministério de Minas e Energia.

Um acordo com os tucanos ou com o DEM é uma operação complicada. Afinal, o partido tem cinco ministérios no governo Lula. A direção do PMDB pressiona Quércia a evitar o confronto. Por isso, nos últimos dias o ex-governador passou a defender o lançamento de candidatura própria. É uma forma de manter a negociação em aberto e pressionar o governo.

Como não conseguiu emplacar nenhum dos cargos desejados essa semana, o PMDB decidiu resguardar-se e esperar até depois do carnaval. Nesse momento, com o Congresso reaberto, o partido espera estar mais forte na negociação. A eleição de São Paulo aumenta esse poder.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Ofensiva de DEM por Kassab irrita Alckmin e aumenta divisão tucana

Raimundo Paccó/Folha Imagem
Rodrigo Maia: tom duro ao entrar na reunião,
trocado por suavidade depois de conversar com o prefeito paulistano


César Felício e Cristiane Agostine
VALOR

A demonstração pública de apoio ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), dada pelo governador paulista, José Serra (PSDB), na segunda-feira, acalmou a cúpula do DEM, mas elevou a agressividade de aliados do ex-governador Geraldo Alckmin, possível candidato tucano à disputa da capital. A reação divide-se entre críticas aos integrantes do DEM e o combate interno: os aliados do ex-governador lembram que Serra não é o único presidenciável tucano e portanto não haveria razão para o partido desistir da candidatura própria neste ano para favorecê-lo em 2010.

Momentos antes de entrar na reunião do conselho político do partido, presidida ontem por Kassab em um hotel de São Paulo, o presidente da legenda, deputado Rodrigo Maia (RJ), foi enfático ao dizer que o partido "não tem problema de ir para a disputa", mas que uma divisão agora "pode abrir espaço para o PT na Prefeitura de São Paulo e depois na sucessão do presidente Lula". Rodrigo Maia reforçou a candidatura de Kassab e disse que em maio o prefeito paulistano estará "à frente de Alckmin nas pesquisas".


A declaração de Maia provocou irritação imediata. "Considero natural Serra ir ao encontro de aliados, mas totalmente anti-natural as declarações da direção do DEM que visam impedir o PSDB de ter chapa própria em São Paulo. O Geraldo tem respeitado a vontade do DEM de ter candidato", disse o deputado Edson Aparecido (SP). "O Serra não esconde sua preferência por Kassab, mas as bases querem o candidato mais forte para fortalecer o partido em 2010, e não uma aliança para fortalecer o projeto de um presidenciável. Até porque Serra não é o único pré-candidato a presidente", comentou o deputado Silvio Torres (PSDB-SP).


Serra e Alckmin encontraram-se pouco antes do Natal, mas tiveram uma conversa protocolar, sem debater a sucessão municipal. Segundo relato de um tucano que procura manter a eqüidistância, a relação entre os dois nunca esteve tão ruim. Na avaliação dele, o apoio a Alckmin é majoritário nas bancadas federal e estadual do PSDB.


O conselho político do DEM discutiu por três horas às portas fechadas. Após o fim da reunião - e do discurso do prefeito paulistano - o tom de Rodrigo Maia foi muito mais ameno e conciliador. "A discussão (sobre o fim da aliança com o PSDB) deve ser feita no momento adequado, depois que todas as tentativas e discussões com o PSDB se encerrarem. Enquanto isso não ocorrer, temos de lutar pela aliança que tem sido vitoriosa em São Paulo", declarou.


Rodrigo Maia minimizou o impacto nos acordos DEM-PSDB em outros Estados, com uma eventual ruptura entre os dois partidos em São Paulo. "São poucos os Estados que essa aliança está tão amarrada como em São Paulo."


Porta-voz da reunião, o prefeito Kassab foi comedido em seus comentários. "Os entendimentos para manter aliança são mais importantes que os projetos pessoais. Jamais algo que é natural, que é minha candidatura à reeleição, será colocado como entrave à manutenção da aliança", disse o prefeito.


Pai do presidente da sigla, o prefeito do Rio, Cesar Maia, brincou com Kassab e disse que tem recebido muitas mensagens eletrônicas com pedidos para levá-lo como candidato para disputar o governo municipal do Rio. Demonstrando menos preocupação sobre a aliança com o PSDB, Cesar Maia reforçou a tese de Alckmin para 2010, no governo de São Paulo, e Kassab em 2008, conforme defesa já feita pelo presidente de honra dos tucanos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Não há nenhuma razão para que uma disputa entre nós fortaleça o adversário. Porque obviamente no primeiro turno só quem sairá fortalecido de uma candidatura PSDB e DEM será Marta Suplicy. Não há nenhuma razão para Kassab não ser candidato. Chapa vitoriosa: Kassab hoje, Alckmin amanhã", disse o prefeito.


Antes de integrantes do conselho político concederem entrevistas, ao fim do encontro, o DEM divulgou uma nota sobre o encontro, em que a discussão eleitoral não aparece, mas se faz um apelo à manutenção da aliança. "A gravidade do momento pede a união das oposições, a exemplo do que ocorreu no Congresso na extinção da CPMF, a fim de impedir retrocessos e mais prejuízos às pessoas", diz a nota.


Os dirigentes do DEM aproveitaram o encontro para gravar entrevistas e imagens com a produtora GW, para o programa de televisão partidário. A empresa presta serviços tanto para a prefeitura paulistana quanto ao partido. É a mesma produtora que fez a campanha eleitoral de Alckmin em 2006. Segundo assessores de Kassab, a produtora, deve continuar com o prefeito na campanha eleitoral, fazendo com que Alckmin perca o marqueteiro da campanha anterior, o jornalista Luiz González. Aliados de Alckmin duvidam da possibilidade, por considerar que a presença de Gonzalez em uma campanha de Kassab seria visto como um rompimento público entre Serra e o ex-governador, o que não deve ocorrer.


Ontem, Alckmin se reuniu com FHC. Na conversa, reafirmou a defesa de lançamento de candidatura do PSDB à Prefeitura de São Paulo. FHC, por sua vez, pregou a manutenção da aliança com o DEM na cidade. Segundo tucanos, a conversa não foi conclusiva. Hoje, Alckmin se reunirá com o ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen. A articulação suspendeu a ofensiva do DEM. A avaliação foi que não seria prudente avançar na véspera do encontro entre Bornhausen e Alckmin. A conversa foi acertada na segunda-feira, quando Bornhausen almoçou com o presidente municipal do PSDB, José Henrique Lobo. Bornhausen também se reuniu com FHC. " Não é o momento de constrangimentos " , disse o líder do DEM no Senado, Agripino Maia (RN).


Com as dificuldades dentro do partido, Alckmin tem procurado apoio em outras lideranças políticas. Ontem, o tucano marcou um novo encontro com o presidente do PMDB-SP, o ex-governador Orestes Quércia. Nos próximos dias, os dois devem se reunir para discutir uma eventual aliança. No fim de dezembro do ano passado, Quércia teve encontros com Kassab, Alckmin e com interlocutores da ministra Marta Suplicy, provável candidata do PT à prefeitura.


As conversas com o PT não avançaram na reunião que Quércia teve ontem com o presidente do diretório estadual do PT, o prefeito de Araraquara, Edinho Silva. Apesar do aceno feito pelos dois partidos sobre uma aliança em 2008 e 2010, as negociações ficaram travadas. Quércia tem demandas antigas que não foram contempladas: a indicação para disputar o Senado na chapa e a indicação para cargos no governo. (Com agências noticiosas)

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

PSDB se prepara para 2008

Blog de Josias

PSDB busca aproximação até com aliados de Lula

Sérgio Guerra marca reuniões com o PMDB e com o PSB Objetivo é fechar alianças para pleito municipal de 2008 Estratégia é apoiada pelos presidenciáveis Serra e Aécio



O novo presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), abriu a temporada de contatos interpartidários para o fechamento de alianças para as eleições municipais de 2008. Reuniu-se há uma semana com os presidentes de dois aliados tradicionais: PPS e DEM. E agendou para o início do ano reuniões com duas legendas associadas ao consócio partidário que dá suporte ao governo Lula: PMDB e PSB.



A estratégia foi acertada previamente com os governadores José Serra e Aécio Neves, os dois presidenciáveis tucanos. Embora destinadas à costura de entendimentos para 2008, as conversas miram um objetivo mais longínquo: a eleição presidencial de 2010. “Precisamos abrir o partido”, diz Sérgio Guerra.



Há uma semana, o presidente tucano reuniu-se com Roberto Freire e com Rodrigo Maia, que presidem, respectivamente, o PPS e do DEM. Com Freire, Sérgio Guerra acertou a constituição de uma comissão com dois integrantes de cada legenda, para estudar o mapa eleitoral dos municípios. Com Rodrigo, combinaram de manter contatos, para tentar chegar a uma solução consensual em São Paulo.



A eleição municipal paulista é, hoje, o principal nó nas relações entre tucanos e ‘demos’. O DEM quer que o tucanato apóie a reeleição de Gilberto Kassab. O PSDB hesita entre lançar Geraldo Alckmin e apoiar Kassab em troca do apoio do parceiro a Serra na refrega de 2010. Rodrigo Maia disse a Sérgio Guerra que há, hoje, uma pré-disposição do DEM de lançar um candidato próprio à presidência da República. Algo que pode mudar se houver uma solução que privilegie Kassab em detrimento de Alckmin.



De resto, Sérgio Guerra manteve contatos telefônicos com os mandachuvas do PMDB e do PSB. Avisou a Michel Temer (PMDB-SP) e a Eduardo Campos (PSB-PE) que deseja conversar com ambos logo depois das festas de final de ano. O tucanato já possui alianças com as duas legendas do consórcio lulista em vários municípios. Acordos firmados na última eleição municipal, realizada em 2004. Deseja agora mantê-los e, na medida do possível, ampliá-los para outras cidades.



Na reunião que manteve com Roberto Freire, testemunhada pelo deputado Raul Jungmann (PPS-PE), Sérgio Guerra disse que deseja retirar o PSDB “da clausura”. Os dois dirigentes concordaram num ponto: é preciso promover uma aproximação com o PMDB, o partido que dispõe da máquina mais bem estruturada em termos nacionais.



A impressão de Freire, compartilhada por Guerra é a de que, sem um nome forte para disputar a sucessão de Lula, o PMDB não estaria propenso a apoiar uma candidatura do PT. E tenderia a se dividir.



Um naco do partido penderia para uma composição com um candidato de fora da coligação governista, reeditando o cenário verificado na disputa presidencial de 2006. Naquele ano, a ala do PMDB liderada por José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL) alinhou-se a Lula. Outro grupo, capitaneado por Temer, apoiou Geraldo Alckmin.



Quanto ao PSB, o diálogo restringe-se, inicialmente, às eleições para prefeitos. Para 2010, o partido tem em Ciro Gomes (CE) uma alternativa presidencial. Busca o apoio de Lula para esse empreitada. E dificilmente se comporia com o PSDB. Sobretudo se o candidato tucano for Serra, o que parece mais provável. Ciro mantém com Serra uma relação de gato e rato. Os dois não se suportam. O mesmo não se dá com Aécio Neves, cujo grupo sonha com a edição de uma chapa em que Ciro figuraria como vice.



De sua parte, Lula tenta estimular os partidos que gravitam à sua volta a priorizar alianças governistas nas eleições de 2008, numa espécie de projeto-piloto para 2010. Há quatro meses, o presidente pediu a Michel Temer que organizasse um encontro com os presidentes dos 11 partidos que compõem o bloco do governo. Temer promoveu um jantar em sua casa. Mas os entendimentos não avançaram. Pretendia-se realizar uma segunda reunião. Mas ela jamais ocorreu. É nesse vácuo que o PSDB tenta trafegar.

Escrito por Josias de Souza

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Financial Times: Brazil’s Putin?

President Luiz Inácio Lula da Silva took the unusual step last week of announcing his intention to take leave of absence in 2010 to concentrate on running his successor’s election campaign.

Coming three years before the event, the news seemed to confirm a widely-held belief that Mr Lula da Silva is obsessed with keeping ”Lulismo” in power but bored by the actual business of government.

That may be so. But the president also has a firm eye on the present. His own leftwing PT and its bigger coalition partner, the catch-all PMDB, are locked in a power struggle in Congress. At stake are dozens of public sector jobs being used by the government as bargaining chips to secure the support of both.

PMDB senators, unhappy that too many plum jobs were going to the PT, recently fired a shot across the government’s bows by rejecting a bill to create a new ministry (and several hundred jobs for the boys). Last week’s announcement was the president’s response. There is no obvious candidate to succeed him in 2010’s election. The only certainty – if the president continues to ride high in opinion polls – is that Mr Lula da Silva can make or break any candidate. If the PMDB wants to be part of the winning ticket, he was saying, it had better fall into line.

Of course Mr Lula da Silva could run again. A third term would be against the constitution but, as former president Fernando Henrique Cardoso showed, constitutions are there for changing. Mr Lula da Silva might even prefer a switch from the presidential to the parliamentary system. Then he could take a leaf from Vladimir Putin’s book and succeed himself.

Jonathan Wheatley

Para 'Financial Times', Lula pode optar por saída 'à Putin' para sucessão

por BBC Brasil


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia seguir o exemplo do russo Vladimir Putin e apostar na mudança de sistema para se tornar primeiro-ministro após cumprir dois mandatos na Presidência, sugere texto de análise política publicado nesta segunda-feira pelo jornal britânico Financial Times.

Na semana passada, Putin, cujo segundo mandato consecutivo termina em março e que não pode, pela Constituição russa, concorrer à reeleição, sugeriu que pode concorrer a uma vaga no Parlamento nas eleições de dezembro e se tornar no futuro primeiro-ministro do país.

Para o Financial Times, Lula "tomou na semana passada uma iniciativa pouco comum ao anunciar sua intenção de se afastar temporariamente do cargo em 2010 para se concentrar na campanha eleitoral de seu sucessor".

"Vindo três anos antes do evento, as notícias confirmam a crença amplamente aceita de que Lula da Silva está obcecado em manter o 'Lulismo' no poder, mas cansado do trabalho de governar de fato", diz o texto, assinado pelo correspondente do jornal em São Paulo, Jonathan Wheatley.

Para o jornalista, o anúncio de Lula na semana passada teve como alvo a disputa no Congresso entre o PT e o PMDB, ambos parte da coalizão governista, por indicações para cargos públicos.

"Não há candidato natural a sucedê-lo em 2010. A única certeza - se o presidente continuar com a aprovação em alta nas pesquisas - é que Lula pode decidir o sucesso de qualquer candidato. Se o PMDB quer ser parte da coalizão vencedora, ele estava dizendo, seria melhor se manter na linha", avalia o artigo.

Para o FT, ainda existiria a possibilidade de Lula concorrer novamente à reeleição. "Um terceiro mandato seria contra a Constituição, mas como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso já mostrou, as Constituições existem para serem mudadas", observa.

"Lula da Silva poderia até mesmo preferir uma mudança do sistema presidencialista para o parlamentarista. Assim poderia seguir a receita de Vladimir Putin e suceder a si mesmo", conclui o artigo. BBC

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Partido de César Maia e Kassab, DEM lidera lista de políticos cassados por compra de votos

Caio Junqueira

Jornal Valor

Com 69 casos, o Democratas foi o partido com mais políticos cassados pela Justiça Eleitoral entre 2000 e 2006. Esse foi o resultado de um estudo divulgado ontem pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, que levantou os políticos cassados por corrupção eleitoral entre os anos de 2000 e 2006. Neste período, foram apontados 623 situações em 339 processos julgados. A segunda colocação ficou com o PMDB (66), seguido pelo PSDB (58), PP (32), PTB (24) PDT (23) PR (17) PPS (14) e PT (10).


De acordo com o levantamento, as cassações ocorreram em todos Estados. Os campeões foram Minas Gerais (11,4% do total), Rio Grande do Norte (9,6%), São Paulo (8,8%), Bahia (8,6%) e Rio Grande do Sul (7,8%). Ao todo, foram cassados quatro governadores e vice-governadores, seis senadores e suplentes, oito deputados federais, 13 estaduais e 58 vereadores. A maior parte dos cassados, porém, foi de prefeitos e vices: 508 casos. Os governadores cassados foram Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e Flamarion Portela (RR), que se elegeu pelo PSL mas depois se filiou ao PT.


Os casos mais comuns que motivaram as cassações foram compra de votos e distribuição de artigos diversos, como cestas básicas, combustíveis, cobertores, calculadoras, materias de construção e camisetas. Também há casos de entrega de dinheiro e promessa de de pagamento posterior a eleitores, distribuição gratuita de combustível para mais de mil veículos, promessa de entrega de lajotas e de prestação de serviços advocatícios. Houve até o oferecimento de isenção do pagamento de IPTU para mais de 1000 residências em um município.


Um caso curioso chama a atenção. No município de Campos Borges (RS), o prefeito e o vice, integrantes do PP, distribuíram cédulas de R$ 50 rasgadas, condicionando o recebimento da metade faltante à vitória na eleição. Outro, ocorrido em Sobral (CE) foi protagonizado por um vereador do PSD. Segundo o processo, houve a troca de dentaduras por votos. Como a protética não recebeu pelo serviço feito, formulou a acusação.


O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral é coordenado pelo juiz eleitoral Márlon Reis, presidente da Associação Brasileira de Magistrados, Procuradores e Promotores Eleitorais (Abramppe). A iniciativa surgiu após a aprovação da lei 9.840, que determinou a possibilidade de cassação do mandato uma vez comprovada a compra de votos.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Para 10% dos brasileiros a palavra do presidente Lula é a fonte de informação mais confiável sobre política e economia

Um elemento da pesquisa Ipsos (ver embaixo) merece uma reflexão particular.

Segundo a sondagem encomendada pela Ciesp (indústria de São Paulo) a fonte de informação mais confiável sobre política e economia é a TV com 64%. O dado não surpreende, vista a penetração da telinha nos lares brasileiros.

Já os jornais e revistas disputam com "a palavra do Presidente Lula" o segundo lugar na fonte de informação mais confiável. O distingo é sintomático, havida conta que a palavra do presidente só chega a população brasileira via mídia eletrônica (TV e rádio) e escrita (jornais e revistas), e agora internet.

Aparentemente o que a mídia diz e o que o presidente fala se chocam e polarizam no essencial: credibilidade.

Só para 3% internet é a fonte de informação mais confiável.

Em relação aos partidos políticos a pesquisa indica que eles tem pouco peso quando a população escolhe um candidato, mas para os que manifestam simpatias partidárias, o PT ganha disparado de todos os outros partidos políticos.

Leia os números da pesquisa Ipsos comentados pelo jornalista Caio Junqueira do Valor.


Partido conta menos no Sul e Sudeste


Caio Junqueira para Valor

Os brasileiros votam mais pelas características pessoais dos candidatos do que por sua filiação partidária. Nas regiões mais desenvolvidas, essa percepção é ainda mais acentuada. É o que revela uma pesquisa do Instituto Ipsos, encomendada pela Ciesp. Segundo o levantamento, 90% dos eleitores do Sudeste e 91% do Sul votam pelo que a pessoa aparenta ser, enquanto no Nordeste e no Norte/Centro-Oeste esses índices são menores: 83% e 81%, respectivamente.

"Isso decorre pela força que as máquinas partidárias exercem no interior do país", afirma o sociólogo Alberto Carlos Almeida, pesquisador do Ipsos. Ele diz ainda que a imagem dos partidos nas regiões mais ricas tende a ser pior do que nas menos desenvolvidas. "Os partidos, ao lado do Congresso, têm uma imagem ruim perante toda a população, que tende a ser pior entre os mais instruídos."


A pesquisa apontou ainda que a ampla maioria (87%) da população elege seus políticos seguindo esses critérios pessoais, em contraposição a uma pequena parte (9%), que faz a escolha pelo partido ao qual o candidato é ligado. O levantamento foi feito com 1 mil pessoas, entre 22 e 31 de agosto, em 70 cidades e 9 regiões metropolitanas.


"Isso é muito natural na América Latina. Os eleitores são muito mais ligados às pessoas do que às instituições e às plataformas", afirma o diretor do Ipsos, Clifford Young.


Outro ponto levantado foram as preferências partidárias. Em respostas espontâneas, o PT continua sendo aquele com maior número de seguidores: 19%, seguido por PMDB (7%), PSDB (4%) e DEM (1%). Dentro de um recorte regional, essa preferência petista é predominante no Nordeste (25%) e no Norte/Centro-Oeste (22%), pouco maior que no Sudeste (17%) e Sul (16%). A maioria (63%), porém, disse não ter preferência por qualquer partido.


Quando questionados sobre qual seria a fonte de informação mais confiável nas áreas de economia e política, os entrevistados responderam a TV (64%), jornais e revistas (14%), "a palavra do do presidente Luiz Inácio Lula da Silva" (10%) e a internet (3%).


terça-feira, 18 de setembro de 2007

Reflexões pessoais sobre o pleito municipal de 2008

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Ainda é cedo para as definições partidárias ao respeito das eleições municipais de outubro de 2008, porem já aparecem algumas movimentações que merecem um acompanhamento e intervenção, tanto no campo governamental, como nas hostes oposicionistas.

Na base de sustentação do governo aparece escancarada a movimentação do chamado "bloco de esquerda" para lançar candidatos próprios, desafiando abertamente a intenção manifestada pelo Presidente Lula de procurar candidaturas unificadas nos principais municípios do pais. Para Lula isto é necessário porque em certa medida as eleições de 2008 implicarão, além de um certo julgamento da metade do segundo mandato, nas condições para emplacar um candidato a sucessão com alguma chance.

Parece evidente que após ter encomendado ao presidente do PMDB, Michel Temer, a organização do processo unitário visando 2008, Lula é desafiado abertamente pelo movimento deslanchado pelos partidários de Ciro Gomes. Isto mostra que a missão de Temer estará fadada ao fracasso e que cada um dos atores cuidará de seu próprio quintal em cada município. A menos de uma ação de peso do próprio Lula e do PT para tentar reverter o processo em curso.

A provável filiação de Patrícia Saboya ao PDT, em Fortaleza, para ser candidata a Prefeita contra a atual detentora do cargo é a mais recente ilustração deste processo. Ao que tudo indica a candidatura de Ciro Gomes em 2010 está determinando a atuação política dos partidos que compõem o "bloco", PSB, PCdoB, PDT, PR.

Mas não é só com eles o problema. No Rio de Janeiro o acordo de Garotinho e César Maia, leva o PMDB do atual governador Sérgio Cabral para a oposição e o mesmo pode acontecer com o PMDB em São Paulo, se prosperar os entendimentos entre Quercia e Alckmin.

No campo da oposição as coisas também estão desarrumadas. O DEM parece considerar, não sem razão, que sua própria existência depende da apresentação de candidatos da sigla no máximo de municípios, o que implica eventuais conflitos com seu parceiro tradicional, o PSDB. Isto traz implicações especialmente nas capitais , sendo São Paulo a principal delas.

A oportuna publicação das negociações de Alckmin e Quercia constitui uma mensagem dirigida pelo tucano ao governador Serra: o aliado DEM pode ceder o lugar ao PMDB, a menos que Serra e Kassab renunciem a candidatura do atual prefeito. As dificuldades em selar um acordo para 2008, entre os dois rivais paulistas da tucanagem, , tem mais a ver com a disputa pela candidatura a presidente em 2010 entre Serra, Aécio e o próprio Alckmin.

Acontece que sem um resultado significativo nas eleições municipais nas principais cidades do pais, o PSDB, e qualquer um de seus eventuais candidatos a presidente, encontrará dificuldades para estruturar um bloco hegemônico com chances de provocar a alternância em 2010. É hoje. na questão municipal, o favoritismo tucano parece limitado a São Paulo e com muito isolamento em outras capitais.

Paradoxalmente é no PT, tradicionalmente muito "trapalhão" para utilizar um epíteto usado pela mídia (ou eufemismo, dependendo de onde se observe), que o Presidente Lula tem obtido êxito em evitar a precipitação de candidaturas, mesmo se o recente congresso do partido aprovou uma vaga resolução sobre esse tópico em relação a 2010. Incluso em relação a 2008 o partido tem respeitado o processo indicado por Lula com Michel Temer, não precipitando discussões que dificultem uma eventual composição unitária.

Acontece que no PT poucos são os caciques consensuais e diferente do que acontece em outras siglas dominadas por caciques, a decisão, quando não é consensual, é tomada pelos índios, no caso os Diretórios municipais e seus filiados. A medida que se aproxima o momento das definições as possibilidades para reverter movimentos e corrigir rumos poderá ficar comprometida. Ao contrário de uma filosofia muito em voga entre caciques petistas e que se resume na frase "é urgente não fazer nada", o planalto deveria acordar, antes que seja tarde demais e a base governista comece a cuidar de sua própria vida.

Se como disse Marx "tudo o que é sólido, desmancha no ar", imaginem então uma coalizão heterogênea de 11 partidos.

Luis Favre

domingo, 9 de setembro de 2007

Lula quer plebiscito contra oposição na eleição de 2010

Brasília Online

KENNEDY ALENCAR
Colunista da Folha Online

Nas raras ocasiões em que fala da sucessão de 2010, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixa claro que considera ideal que haja apenas um candidato das forças governistas ao Palácio do Planalto. Engana-se quem pensa que isso seja conversa fiada.

Por quê? Lula acha que subir em dois ou três palanques de candidatos governistas poderá dissipar o cacife que ele espera ter ao final do governo. Se subir em apenas um palanque, poderá assumir mais abertamente a disputa política contra a oposição e tentar resolver a parada no primeiro turno. Resumindo: na visão presidencial, apenas um candidato teria mais chance de derrotar a oposição.

Lula acha que o ideal em 2010 é enfrentar um tucano, provavelmente o atual governador de São Paulo, José Serra, com apenas um candidato e gastando toda a força já de pronto. Sua idéia é forçar a realização de uma espécie de plebiscito a respeito dos seus oito anos de poder. Assim, ele também seria meio "candidato". E poderia, a exemplo de 2006, ressuscitar a comparação entre oito anos de petismo e outros oito de tucanato.

No cenário com um candidato do PT, Ciro Gomes (bloco PSB-PDT-PC do B) e um postulante do PMDB, haverá dificuldade para Lula subir em três palanques. Qual deles será o seu preferido? O PT aceitaria que ele apostasse mais fichas em Ciro?

Certamente, essa pulverização no primeiro turno, por mais que houvesse um acordo de cavalheiros para concentrar fogo na oposição, resultaria em escaramuças entre esses três hipotéticos postulantes.

Ciro, por exemplo, poderia se sentir mais liberado para fazer críticas ao governo. Caberia ao PT assumir a defesa mais explícita dos oito anos de governo de Lula.

Portanto, é equivocada a avaliação de que Lula deseja vários candidatos porque, assim, defenderia melhor o seu governo. É errada também a idéia de que o presidente deseja lançar um nome para perder e tentar voltar quatro ou cinco anos depois, a depender das regras eleitorais em vigor.

O presidente demonstra consciência de que um terceiro mandato lá para 2014 ou 2015 é um projeto de alto risco. Novas lideranças surgirão. As atuais se desgastarão.

O tucano Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, venceu duas eleições no primeiro turno (1994 e 1998). Em 2006, não chegou a 20% de intenções de voto nas pesquisas eleitorais.

Essas avaliações, realistas, levam Lula a insistir na tese de que a ampla coligação de partidos que apóia o seu governo deva lançar apenas um postulante.

O presidente sabe que é uma meta difícil. Conhece o PT. Compreende as dificuldades de o seu partido não concorrer diretamente à Presidência. Mesmo assim, vai jogar para unir forças. Se não der, deverá assumir atitude mais reservada. Lula quer fazer um jogo para ganhar, não apenas para constar.

Teme que deixar para juntar forças no segundo turno seja tarde demais. Crê que poderá encontrar apenas cacos para colar. Ciro tem pavio curto. O PT não perde a pose. E o PMDB não possui hoje um nome que mereça ser levado a sério. Um primeiro turno poderá deixar seqüelas irremediáveis para a segunda fase.

*

Visão lulista

Lula acredita que uma chapa com Serra e o governador Aécio Neves (MG) na vice seria muito difícil de ser derrotada. Uma divisão das forças governistas só facilitaria eventual derrota.

A esperança de Lula é que ele sabe ser difícil que Aécio aceite coadjuvar Serra em 2010. Não acredita que o tucano mineiro consiga ganhar do colega paulista a cabeça de chapa. E acha que ficou tarde para o governador mineiro ingressar no PMDB.

*

Getúlio em vida

Lula está confiante no registro histórico de sua administração. O pronunciamento em cadeia de rádio e TV da véspera de 7 de Setembro, no qual disse que estava nascendo um "novo Brasil", pode ter soado algo pretensioso. Mas é isso o que ele acha.

O presidente fala muito de Getúlio. Diz que o investimento destinado aos mais pobres também será a sua grande marca. Por isso, um auxiliar muito próximo considera provável que, uma vez fora da Presidência, Lula se dedique a curtir o figurino de "um Getúlio que viveu para além de agosto de 1954". A conferir.

*

Seriíssimo

Muito grave a notícia de que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, ameaçou demitir o comandante do Exército, Enzo Martins Peri, caso o teor da nota do Alto Comando sobre o livro "Direito à Memória e à Verdade" fosse fora de tom. O livro foi o primeiro documento do governo federal a relatar atos cruéis da ditadura militar contra opositores do regime.

A nota do Alto Comando defendeu a ditadura. Não se envergonhou da afirmação de que o Exército de hoje é o mesmo que cometeu torturas, estupros, decapitações e execuções. Não aceitou discussão sobre a Lei da Anistia num momento histórico em que tribunais internacionais afirmam claramente que crimes contra os direitos humanos são imprescritíveis. E ainda disse que a pasta da Defesa era uma instância de coordenação, dando menor importância a Jobim.

Cabe indagar: qual era o teor da nota que os generais desistiram de divulgar? Seria uma ordem para um golpe militar? Um aviso para colocar os quartéis em alerta?

Ora, a nota foi muito dura.

Jobim fez de conta que não viu a afronta. Desmoralizou-se nesse episódio. O teor da nota foi mais do que suficiente para justificar a troca do comandante do Exército. Triste constatar: as Forças Armadas ainda resistem ao poder civil.

*

Sonho meu

O promissor ministro da Defesa, aquele Jobim que afirmou que não permitiria reação ao livro sobre mortos e desaparecidos, não durou muito. Uma pena.

Após o chega para lá do Exército, voltou a ser aquele personagem de dimensão maior nas redações de Brasília do que na vida real. Falar em candidatura presidencial do peemedebista Jobim em 2010 é brincadeira.

Kennedy Alencar, 39, é colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre os bastidores da política federal, aos domingos.

E-mail: kalencar@folhasp.com.br

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Base reage a decisão do PT e lançamento de Ciro

O estado de São Paulo
(para assinantes)


Vera Rosa, BRASÍLIA

O palanque montado para a candidatura presidencial do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e a decisão do PT de apresentar candidato próprio - mesmo deixando uma fresta para negociação - já causam ciumeira na base aliada. Oficialmente todos os partidos dizem que é muito cedo para esse debate, mas, nos bastidores, afiam suas garras.

“Se o PSB lança Ciro, por que o PT não pode ter candidato?”, pergunta o deputado Jilmar Tatto (PT-SP). Tatto diz que não é o PT que não está interessado em manter a unidade na coalizão. “Se o PMDB, que é o segundo partido da base, não tem candidato e apóia o PT, quem é o PSB para ter?” O PMDB não planeja mexer nisso agora, mas suas várias alas discutem o assunto. Na legenda, o mais cotado para a sucessão do presidente Lula é o ministro da Defesa, Nelson Jobim.

Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência, ameniza: “Ciro é um nome muito forte e respeitável. E qualquer discussão agora é preliminar.” Ciro, ao menos por enquanto, não parece disposto a brigar com o PT. Diz que o Bloco de Esquerda (PSB, PDT e PC do B) e os demais partidos da coalizão precisam ter “juízo político” e se unir. Mas já afirmou que não aceita ser vetado.

Secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar, acha “perfeitamente legítimo” o desejo dos aliados de ter candidatos. “Mas é preciso tomar cuidado para que a disputa não antecipe o fim do governo Lula, não facilite o jogo dos adversários nem feche a porta para uma aliança com os partidos do campo democrático.” Ele diz que a resolução aprovada pelo 3.º Congresso do PT não deve dar margem a interpretações. “É um jeito educado de dizer que vamos ter candidato, protegendo o governo e a política de alianças.”

Para o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o PT faz jogo de cena para “enganar” os aliados. “Lula pediu para manterem a governabilidade e eles quiseram nos deixar calminhos.”

O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), diz que nem PT nem PSB fecharam as portas ao diálogo. “Lula pediu para tentarmos nos unir na eleição de 2008, que é o primeiro teste da coalizão, e é isso que estamos fazendo. Mas ainda é cedo para avaliações sobre 2010.”

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Pôr a carroça na frente dos bois, só se for andar para trás

Um curioso debate agita os diferentes partidos da constelação que apóia o governo federal: a questão da candidatura ou das candidaturas a presidente em 2010.

Curioso por vários motivos. O segundo mandato do presidente Lula não concluiu seu primeiro ano e a questão do sucessor, que a mídia insiste em pautar, encontra eco complacente nos partidos mais identificados com o próprio governo.

Curioso também, pela insistência dos componentes do chamado Bloco de esquerda (PSB, PCdoB, PDT) em anunciar em todos os cantos a candidatura de Ciro Gomes e afirmar ao mesmo tempo que o PT não deveria reivindicar um candidato próprio porque a discussão é prematura.

Mas o realmente estranho é que o debate sobre as eleições municipais de 2008, que em toda lógica deveriam preceder a questão dos ou do candidato à presidente em 2010 é ignorado, como se entre 2008 e 2010 não existisse qualquer relação.

Bastaria fazer uma pergunta para voltar a ficar com os pés no chão: se a oposição ao governo federal obtiver êxito no escrutínio municipal aparecendo assim como favorita para 2010, como ficaria a coligação de partidos que hoje apóia o governo? Alguém duvida que a pressão centrífuga, combinada com a conclusão do mandato do presidente, desmontaria a unidade conseguida hoje?

O presidente Lula parece ter consciência destes problemas e por isso solicitou ao presidente do PMDB, Michel Temer, de reunir todos os partidos da base de sustentação para procurar entendimentos em vistas ao pleito de 2008.

Contrariando esta iniciativa de Lula, o chamado Bloco de esquerda começou, aqui em São Paulo, a discussão sobre candidatos à Prefeitura, excluindo o PMDB e o PT. Segundo Paulinho, da Força, o bloco escolherá um candidato entre os quatro do bloco (Erundina, Aldo Rebelo, Zulaié Cobra, e ele próprio).

Por sua vez, o 3º congresso do PT pautou um debate cabeludo sobre 2010 e aprovou uma resolução em que dialeticamente defende um candidato petista para ser o candidato de todos, podendo ser dos outros o candidato do PT.

Comprenne qui pourra... como dizem os franceses.

Luis Favre

3º Congresso do PT: A dialética da candidatura para 2010 (4)

Lula tenta evitar racha por causa de 2010, dizem aliados

Base elogia resolução do PT que prevê construir candidatura com coalizão

Eugênia Lopes

Brasília - A decisão do PT de apresentar uma candidatura à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser construída dentro da coalizão governista foi vista por partidos da base aliada como um estratagema montado pelo próprio presidente. Na opinião destes aliados, Lula interveio para evitar que os petistas se engalfinhem, desde já, na disputa para saber quem será o candidato do PT em 2010.

“É uma demonstração de maturidade do PT a sinalização de que pode abrir mão da cabeça-de-chapa”, disse o vice-líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ). Ele não escondeu as pretensões do partido: “É claro que o PMDB gostaria de ser o cabeça-de-chapa, uma vez que é o maior partido aliado.” Dirigentes do PMDB avaliam que com a estratégia de admitir um candidato de coalizão o PT quer, na prática, criar um “bom clima” com os aliados.

Às turras com o PT, o PC do B, foi outro que comemorou a decisão. “O PT anunciar que abre mão de alguma coisa já é uma grande notícia. É um acontecimento alvissareiro”, ironizou o ex-presidente da Câmara Aldo Rebelo (PC do B-SP). “Acho legítima a pretensão do PT de ter candidato próprio, como acho dos demais também.” Leia mais no jornal O Estado de São Paulo (para assinantes).

domingo, 2 de setembro de 2007

PT quer candidato próprio apoiado por aliados para suceder Lula

MAURÍCIO SAVARESE - REUTERS

Agencia Estado

SÃO PAULO - Sem candidato natural para suceder o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT aprovou neste domingo, no encerramento do 3o Congresso Nacional da sigla, resolução segundo a qual o partido precisa ser "dirigente" de uma chapa governista nas eleições de 2010 para o Palácio do Planalto.

"(O partido deve) apresentar uma candidatura petista à sucessão de Lula, capaz de liderar, juntamente com outros partidos, uma ampla aliança partidária e social e vencer as eleições de 2010", diz o texto, que foi aprovado pelos delegados do encontro na manhã de domingo.

Para amenizar possíveis conflitos com os partidos da base aliada, o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), fechou com as lideranças dos delegados do partido a inclusão de um novo trecho na resolução, mas ameno e em linha com o discurso feito por Lula no sábado.

"O PT apresentará uma candidatura a presidente a ser construída com outros partidos, e assim formar uma aliança programática, partidária e social capaz de ser vitoriosa nas eleições de 2010", afirma o documento final.

Na véspera, Lula declarou que o PT tem a opção de formar uma coalizão para sucedê-lo, ainda que isso implique em apoiar um nome de outro partido.

Apesar do discurso mais ameno, que busca não melindrar os aliados como o PSB, do ex-ministro Ciro Gomes (CE), e o PMDB, partido com o maior número de representantes na Câmara dos Deputados e no Senado, muitos petistas presentes defenderam a candidatura própria.

"Um partido que não tenha isso como projeto nem merece ser chamado de partido. O PT tem o dever político de no tempo e na hora adequada apresentar nomes para sucessão do Lula", disse a jornalistas o governador de Sergipe, Marcelo Déda.

"Só não sei se merecia fazer disso uma deliberação, no Congresso. Ao virar resolução, antecipa um debate que não é bom para quem está governando. Cria um ruído. Ou alguém duvida que o PT vai buscar apresentar o seu nome e tentar convencer os demais de que o seu nome é o melhor?", declarou.

Berzoini disse que o texto sobre a tática para as próximas eleições visa demonstrar publicamente que o PT está disposto a discutir a formação da chapa governista para 2010, ainda que tenha "vocação, condições e potencial para ter candidato".

"(Antes de fechar a candidatura própria) precisa dialogar, precisa construir alianças. Se nós partirmos do pressuposto que o candidato obrigatoriamente é do PT, vamos dar uma mensagem que não é boa para quem quer construir alianças", afirmou ele após o congresso da sigla.

REPETECO

Secretário do PT, Valter Pomar afirma que apesar do desejo de manter os aliados, o partido fará o mesmo que nas eleições presidenciais desde 1989, apesar de não ter candidato natural para suceder Lula. O atual presidente é o único que representou a sigla nas votações para o Palácio do Planalto desde a reabertura democrática, em 1985.

"Nós construímos todas as candidaturas do Lula com outros partidos. É isso que nós buscaremos fazer para 2010. Essa mudança que fizemos no texto foi para deixar explícita a nossa vontade de uma coalizão. A opinião de quase todo o PT é de ter candidatura própria", disse.

Animado com as perspectivas para fazer o sucessor de Lula, dentro ou fora do PT, apesar das dificuldades que enfrenta na Justiça, o ex-ministro José Dirceu especulou sobre os possíveis candidatos do partido para o Palácio do Planalto.

Ele citou os ministros Tarso Genro, Dilma Rousseff e Marta Suplicy, os senadores paulistas Aloizio Mercadante e Eduardo Suplicy e o governador da Bahia, Jaques Wagner, como petistas presidenciáveis. Mas ponderou também sobre as chances de Ciro Gomes, por quem disse que faria campanha como se fosse para um filiado do PT.

"(Ciro) está conosco desde o segundo turno de 2002. É leal, foi excelente ministro do presidente Lula e nós temos necessidade de nos aproximar do PSB e do PC do B", disse Dirceu depois de ir ao encontro dos jornalistas, algo que raramente faz nos encontros petistas desde que foi acusado de chefiar o esquema de compra de votos de deputados, em 2005.

Dirceu também citou o PMDB como sigla de onde poderia vir um candidato da coalizão governista, mas não especulou sobre nomes.

Reflexões pessoais sobre o discurso do presidente Lula ao 3º Congresso do PT

Foto: Daniel Pera/Agência O Globo.

O presidente Lula, no seu discurso ao 3º Congresso do PT, procurou inscrever o conjunto da política do governo na perspectiva traçada durante anos pelo PT: a de promover uma transição entre o modelo neoliberal herdado dos governos dos Fernandos (Collor e Henrique Cardoso), para um projeto nacional de desenvolvimento sustentado na redução das desigualdades sociais.

Seu discurso permitiu aos delegados perceber que além dos resultados obtidos em matéria de política econômica e inclusão social, um modelo de reconstrução da capacidade de ação do Estado brasileiro está em curso como indutor do crescimento econômico. Ele tem como pivô o mercado interno de consumo de massas, o deslanche das exportações para mercados diversificados e um ciclo de oportunidades produtivas para o capital privado nacional e internacional. Passo a passo este modelo esta sendo construído no país, acompanhado da ação redistributiva do Estado.

Os dados fornecidos por Lula no seu discurso (ver neste blog Dados sobre o Brasil governado pelo Lula e Política econômica igual?) permitem medir os progressos obtidos nesta direção. Eles indicam também o quanto este caminho é difícil e o enorme espaço que ainda falta percorrer. Espaço de reformas, de correções e de melhoras substanciais em todos os âmbitos da ação governamental: desde a questão tributária a reforma agrária, passando pelos investimentos em infraestrutura e a qualidade na educação. Mas o caminho está traçado e seus objetivos foram delineados pelo presidente Lula.

Neste programa é que se inscreve a construção da candidatura à presidente em 2010 no campo das forças agrupadas junto ao governo, cuja coesão estará diretamente determinada pelos resultados obtidos nas eleições municipais de 2008, para as quais um esforço de unidade sem imposição de hegemonias se faz necessário. O PT não pode impor, mas não deve aceitar ultimatos, depois de tudo é, junto com o PMDB, um dos pilares principais e sine qua non desta coligação.

Tudo isto esteve presente no discurso de Lula, mais só este ultimo aspecto e o processo aberto pelo STF que o presidente também abordou, foram retidos como importantes pelos principais jornais.

Os petistas deveriam se debruçar, ao contrário, sobre essas questões de programa e propostas se quiserem despontar com chances na construção de um candidato em 2010. Fazer como outros, disputando nomes em lugar de idéias, além de empobrecer o debate democrático reforçará os que na oposição procuram substituir a ausência de propostas e programas, com a criminalização do debate público.

Luis Favre

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Sob determinação de Lula, aliados fazem jantar para discutir alianças para 2008

Ilimar Franco - O Globo

BRASÍLIA. Os presidentes e líderes dos 11 partidos que apóiam o governo Lula participam de um jantar nesta noite para discutir alianças eleitorais nas eleições municipais do ano que vem. O encontro ocorre no apartamento do presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), e foi convocado por sugestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preocupado com a dispersão dos partidos aliados na disputa eleitoral do ano que vem, com prováveis reflexos em 2010.

O presidente Lula decidiu atuar para impedir que se crie um quadro eleitoral de enfrentamento entre os partidos da base, sobretudo entre o PT e o Bloco de Esquerda, formado por PSB, PDT e PCdoB, com cicatrizes difíceis de ser superadas.

O presidente Lula confidenciou a aliados que não quer que se repita nas eleições municipais o que aconteceu na disputa pela presidência da Câmara, no início deste ano, entre os deputados Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que oito meses depois de ocorrida continua uma ferida aberta.

- A iniciativa é positiva. Temos que evitar que os partidos aliados batam de frente nas eleições municipais. Trabalhar numa linha para que no dia 2 de outubro de 2008 pessoas que constroem juntos o governo Lula não se sintam impossibilitados de sentar na mesa e tratar de 2010 - disse o líder do PT, deputado Luiz Sérgio (RJ).

A conversa desta noite, conforme Temer, seria apenas o pontapé inicial desse diálogo. O pemedebista avalia que essa iniciativa é diferente da fracassada tentativa do PT e do PMDB de lançarem, em 2004, alguns candidatos comuns nas capitais. De lá para cá, o PT apanhou muito e isso teria feito o partido ficar mais aberto e flexível às alianças e a apoiar cabeças de chapa de outros partidos governistas.

- O mundo era outro naquela época. Não existia a coalizão que hoje governa o Brasil nem estávamos tão próximos como estamos agora com o funcionamento do Conselho Político - afirmou Michel Temer.

Apesar do discurso, as articulações em curso revelam que os governistas estão longe de uma unidade mínima. Nas duas principais capitais do país, São Paulo e Rio de Janeiro, a base aliada trabalha com várias candidaturas. Em São Paulo, o PT tem os nomes da ministra Marta Suplicy e o do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia; o PCdoB vai sair com Aldo Rebelo; o PSB tem a deputada Luiza Erundina; e o PDT o deputado e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.

No Rio de Janeiro, o PMDB trabalha para fazer o vice-governador Luiz Fernando de Souza Pezão seu candidato; no PT a principal articulação é em torno da ex-governadora Benedita da Silva; o PCdoB tem a ex-deputada e secretária da Saúde de Niterói, Jandira Feghali.

O quadro de proliferação de candidaturas governistas para um mesmo cargo se repete em outras capitais. Em Porto Alegre a base aliada já tem três candidatos: Manuela D'Ávila (PCdoB), Vieira da Cunha (PDT) e Miguel Rossetto ou Maria do Rosário (PT). Em Salvador os nomes são: o profeito João Henrique Carneiro (PMDB), Nelson Pelegrino (PT), Lídice da Mata (PSB) e Alice Portugal ou Olívia Santana (PCdoB).

sábado, 18 de agosto de 2007

O 1º round de Serra e Aécio

A cúpula do DEM transmitiu ao governador de São Paulo, José Serra, a seguinte mensagem: está disposta a abrir mão da vaga de vice na chapa presidencial do PSDB em 2010, seja para acomodar um peemedebista, seja para alojar um tucano. A oferta é um lance para ajudar Serra a consolidar o favoritismo na disputa interna do PSDB pela candidatura ao Palácio do Planalto.

Obviamente, há uma contrapartida: apoio do PSDB à reeleição de Gilberto Kassab para prefeito de São Paulo no ano que vem. No entanto, há um tremendo obstáculo. Pesquisa Datafolha publicada no domingo 12 de agosto mostrou que o ex-governador e ex-candidato a presidente Geraldo Alckmin lidera a corrida paulistana com boa vantagem em relação aos demais concorrentes. No cenário atual, Alckmin se elegeria prefeito da maior cidade do país.

Para ajudar Serra, o DEM se comprometeria a apoiar a candidatura de Alckmin a governador em 2010. Ou seja, o cenário ideal para Serra seria reeleger Kassab e ser candidato a presidente com Alckmin precisando do seu apoio para voltar ao Palácio dos Bandeirantes.

Detalhe: Alckmin está mais interessado em ser prefeito de São Paulo. Se ele optar por esse projeto, fará o jogo de outro presidenciável tucano, o governador de Minas, Aécio Neves. Serra sabe disso, e está preocupado.

As articulações para as eleições municipais do ano que vem são uma espécie de primeiro round entre os dois presidenciáveis tucanos. Serra tem a seu favor o apoio de caciques tucanos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e a liderança em todas as pesquisas sobre a sucessão presidencial de 2010.

Já Aécio busca se viabilizar por meio de amplas articulações políticas. Flerta com o PT, sinalizando para Lula que não seria um candidato a presidente hostil à sua administração. Uma vez na Presidência, trataria bem Lula e o PT.

Aécio também busca pontes com PSB, PDT e PC do B, três legendas que hoje tem expectativa real de poder com a possível candidatura do socialista Ciro Gomes. Ciro conta com a simpatia de Lula.

Num cenário admitido no Palácio do Planalto, Lula assistiria o jogo sucessório de camarote. O PT lançaria um candidato --por exemplo, o governador da Bahia, Jaques Wagner. Ciro concorreria com apoio de forças que hoje sustentam o lulismo. Aécio seria um oposicionista amigo, que, se naufragar na disputa tucana, poderia ainda tentar a sorte pelo PMDB.

Lula acha que já passou da hora de Aécio migrar do PSDB para o PMDB, pois avalia que o tucanato não lançará o mineiro. Mas Aécio teme essa aventura. Se perder a disputa no PSDB, poderá se enfraquecer para sair candidato por outro partido. Nesse dilema, vai ficando onde está.

A Serra, que mantém boa relação política e pessoal com Lula, resta o caminho de uma oposição mais dura. Seus aliados preferenciais são os democratas (pefelistas). E ele pode pescar apoios no PMDB, partido que o apoiou em 2002 e no qual tem bases sólidas. Exemplos: dois ministros de Lula o adoram, Nelson Jobim (Defesa) e Geddel Vieira Lima (Integração Nacional). O governador paulista tem outro grande sonho. Chegar a um acordo para que Aécio aceite ser o seu vice. O mineiro, porém, tem dado sinais de que prefere holofote próprio.

Kennedy Alencar, 39, é colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre os bastidores da política federal, aos domingos.

E-mail: kalencar@folhasp.com.br

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

São Paulo: Câmara Municipal aprova as contas de Marta Suplicy

O plenário da Câmara Municipal aprovou hoje a prestação de contas do último ano (2004) da gestão da ex-prefeita Marta Suplicy. As contas de 2001, 2002 e 2003 já foram aprovadas pelos vereadores.

Ontem, a Comissão de Finanças e Orçamento acolheu o relatório do Tribunal de Contas do Município, que deu parecer favorável às contas de 2004 de Marta.

Com esta votação do plenário, após o Tribunal de Contas do Município ter aprovado a prestação de contas de todo o mandato da ex-prefeita, a Câmara Municipal em acordo com o TCM põe um termo a campanha de mentiras e calunias, amplificada pela mídia, lançada pelo ex-prefeito José Serra e o PSDB contra Marta Suplicy.

A administração da Marta cumpriu com a Lei de Responsabilidade Fiscal, deixo as contas em dia com dinheiro para pagar as obrigações legais e restabeleceu a credibilidade das finanças municipais após a desastrada gestão Pitta.

A aprovação das contas de 2004 teve o dobro dos votos necessários. Os vereadores do partido do atual prefeito Gilberto Kassab (DEM) votaram a favor, assim como a bancada unânime do PT e também os vereadores do PMDB e outras siglas. Os vereadores tucanos, que primeiro se abstiveram na Comissão de Finanças e Orçamento, votaram contra no plenário.

As contas de Marta Suplicy foram aprovadas pelo voto de 37 dos 55 vereadores da Capital.

Os vereadores aprovaram com 39 votos a favor as contas de 2005 de José Serra e com 45 votos a favor as de 2006 do atual prefeito.

Apesar do voto contrário da bancada do PT, e com apenas os 19 votos mínimos, foram aprovadas contas da gestão Maluf. Já as contas de Celso Pitta não tiveram votos suficientes e ficam pendentes.

Luis Favre

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Ciro Gomes ganha 'afagos' e 'resistência' do PT, após entrevista

BRASÍLIA - Após a afirmação de que não aceita ser vetado como possível candidato da coalizão governista, em 2010, o ex-ministro e deputado Ciro Gomes (PSB-CE) recebeu no domingo, 15, afagos diplomáticos de alguns petistas e enfrentou resistência de outros.

O ministro Luiz Dulci, chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, considerou que "não existe veto" e que "não é apenas que não exista veto. É melhor que isso. Ciro é um interlocutor importante do PT e uma das principais lideranças da coalizão", afirmou.

Em entrevista publicada no domingo, 15, pelo Estado, Ciro declarou que a escolha do candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sucessão não pode ser feita com base em vetos.

O ex-ministro disse que, da mesma forma, não tem o direito de vetar nenhum nome. Também cobrou a discussão de um projeto para o País depois do governo Lula e sustentou a tese de que o presidente não fará o sucessor se ficar amparado apenas nas realizações do primeiro mandato. Ciro fez duras críticas e cobrou avanços em setores como educação, saúde e segurança pública.

O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), reiterou que "da parte do PT, não há veto ao Ciro". Embora tenha ressalvado que a discussão sobre a sucessão presidencial é precoce, o dirigente petista foi além e incluiu Ciro na lista de possibilidades da coalizão. "Ciro Gomes é uma liderança que tem que ser levada em consideração para a Presidência da República", disse Berzoini.

Tanto o presidente do PT quanto o ministro da Secretaria Geral elogiaram a "lealdade" de Ciro ao presidente Lula. "As pessoas o respeitam muito dentro do PT pela trajetória progressista e pela lealdade ao presidente Lula", afirmou Dulci.

PT e PMDB

Houve, no entanto, quem insistisse em um nome do PT para a sucessão de Lula. O deputado petista Cândido Vaccarezza (SP) apontou como "natural" um candidato do PT à presidência e do PMDB à vice, embora tenha defendido a presença do PSB de Ciro em uma grande aliança. Vaccarezza ressalvou que "é cedo para as pessoas lançarem candidaturas, vetarem ou não".

O deputado petista defendeu que, em 2010, todos os partidos que integram a coalizão, "estejam unidos em torno da aliança central PT/PMDB". "O PSB é integrante dessa grande coalizão. Esse grupo deve discutir um nome. Defendo que seja do PT e acho que é o mais provável. Vamos buscar um nome que unifique e que tenha condição de ganhar a eleição. Na minha avaliação, o vice tem que ser do PMDB. O PT foi o partido mais votado e o PMDB o segundo partido mais votado nas últimas eleições. É natural que a aliança central seja PT/PMDB", sustenta Vaccarezza.

O deputado diz, porém, que a prioridade dos petistas agora são as eleições municipais, em que buscarão vencer nas principais capitais e, ao mesmo tempo, garantir peso eleitoral e político em cidades menores do interior do País.

O ex-ministro José Dirceu comentou em seu blog a entrevista de Ciro Gomes ao Estado. Considerou-a "simples, direta e objetiva". E elogiou: "Ele coloca o dedo nos graves problemas do Brasil. Esse é o Ciro Gomes. Uma entrevista à altura de um dos prováveis candidatos à Presidência da República em 2010."

sábado, 9 de junho de 2007

PT e PMDB ensaiam 40 parcerias no Rio

Leandro Mazzini

BRASÍLIA.O PT do Rio quer pegar carona na lua-de-mel do governador Sérgio Cabral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e articular o maior número de chapas com o PMDB para disputar as eleições municipais no Estado. A idéia é fechar parceria em pelo menos 40 cidades. Hoje, o PMDB administra 42 municípios, e o PT, só nove. Há 13 dias, Cabral e a bancada federal petista se reuniram num animado almoço no Palácio Guanabara, a fim de tratar do assunto.

O anfitrião gostou da idéia e marcou novo encontro com o grupo para daqui a dois meses.

- A relação de Cabral com Lula é boa e precisamos amadurecer isso - disse o líder do PT na Câmara, deputado Luiz Sérgio (RJ).

A bancada estadual não quer ficar atrás. O presidente do diretório regional, Alberto Cantalice, já elabora um mapa do Estado, no qual anotará onde há possibilidade parceria.

- Temos condições de fechar chapa em pelo menos 40 municípios - declarou Cantalice, que não foi ao almoço no Palácio Guanabara.

Além de Luiz Sérgio, que propôs o encontro com Cabral, participaram da reunião os correligionários Edson Santos, Cida Diogo, Jorge Bittar, Chico D'Ângelo e Carlos Santana. Cabral foi tão amigável que os petistas esqueceram o cardápio e já propuseram, à mesa, nomes para um possível acordo com o PMDB no ano que vem. O ex-vereador Edson Santos apresentou-se como opção do partido no Rio. Cida Diogo disse que se candidatará à prefeitura de Volta Redonda. Leia mais aqui no JB Online