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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Evento renova constrangimento no PSDB

Ao lado de Kassab e FHC em inauguração, Serra justifica ausência de Alckmin e afirma que antecessor não pôde comparecer


Em discurso, Serra enfatiza que modernização de trens começou em gestão do ex-governador e que ele foi convidado para evento

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
DA REPORTAGEM LOCAL

Apesar do esforço de pacificação da semana passada, três incidentes abalaram de novo as estruturas do PSDB. Defensor declarado da aliança com o DEM, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dividiu ontem palanque com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab e o governador José Serra para inauguração de duas estações da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).
Em Ourinhos para uma palestra, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que, assim como Kassab, quer disputar a Prefeitura de São Paulo, não estava lá para foto. Temendo reação, Serra disparou telefonemas frisando que Alckmin fora convidado e afirmando que FHC participara a convite do secretário de Transportes Metropolitanos, Luiz Portella.
"Os primeiros contratos referentes à modernização desta linha foram assinados pelo ex-governador Geraldo Alckmin, que queria também homenagear nesta cerimônia, que também foi convidado, mas tinha um compromisso de trabalho", justificou Serra, em discurso.
Em entrevista, ele esquivou-se de tratar das eleições. "Hoje é dia de falar de trem." FHC não discursou, mas também descerrou a placa de inauguração da estação Comendador Ermelino. "Estou aqui como "uspiano". Nada a ver com política."
O constrangimento aconteceu no dia em que veio à tona, no site da revista "Veja", um relatório em que Portella reclama a Serra dos anos de "falta de manutenção" do Metrô, antes sob o comando de Alckmin.
Além disso, em resposta aos que o acusam de retaliação, Serra teria dito que os bons tucanos estavam no seu governo ou na Prefeitura. Como a frase ganhou publicidade, teve que se explicar. Em outra solenidade, Kassab disse que "quatro anos é pouco" para executar o projeto de governo.
Enquanto isso, a ministra Marta Suplicy (Turismo), possível candidata do PT à prefeitura, era recebida ontem em Madri, pelo rei Juan Carlos, da Espanha. (RICARDO SANGIOVANNI E CATIA SEABRA)

Lógico, não?


FHC, Serra e Kassab juntos em palanque

Estação ainda tem goteira

Jones Rossi - O Estado de São Paulo

Durante a inauguração das duas estações de trens metropolitanos na zona leste, as autoridades e políticos procuraram ressaltar a modernização do sistema de transportes na cidade. “Esta era a linha mais sofrível e indecente do sistema”, destacou o secretário de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, justificando o investimento de R$ 36 milhões nas duas estações.

No meio de tanto entusiasmo, porém, a forte chuva que caía sobre a cidade deixou à mostra problemas que os usuários do sistema vão continuar enfrentando. Na Estação Comendador Ermelino, a água escorria pelas vigas de sustentação do teto e era preciso cuidado para escapar das goteiras.

FHC, Serra e Kassab juntos no palanque; e na campanha?



O GLOBO: E o Alckmin?

FH sobe em palanque com Serra e Kassab em SP

Publicada em 29/01/2008 às 18h09m

Flávio Freire - O Globo

Wladimir de Souza/Diário de São Paulo - Wladimir de Souza/Diário de São Paulo

SÃO PAULO - Um dos dias mais chuvosos de janeiro em São Paulo não foi obstáculo para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sair de casa e subir nesta terça-feira a um palanque montado na periferia da cidade, ao lado do governador José Serra (PSDB), num evento que reunia também o prefeito Gilberto Kassab (DEM). A presença de Fernando Henrique na inauguração de duas estações de trem na zona leste foi interpretada ao longo do dia como uma clara demonstração de que o comando do PSDB está mais muito mais afinado com o projeto de reeleição de Kassab, que tem recebido apoio da cúpula tucana, diferentemente do ex-governador tucano, Geraldo Alckmin, também pré-candidato à prefeitura paulistana.

" Não adianta caciques já começarem a subir no palanque, porque quem vai decidir mesmo se o Geraldo será ou não candidato é a base do partido, é quem amassa barro todo dia "

- Não adianta caciques já começarem a subir no palanque, porque quem vai decidir mesmo se o Geraldo será ou não candidato é a base do partido, é quem amassa barro todo dia, e não quem enfrenta uma chuva dessa só dar demonstração de força - disse um tucano do chamado grupo dos alckmistas.

Fernando Henrique evitou polemizar em torno de sua presença no local:

- Vim para um momento de inauguração de uma coisa importante para a zona leste, é essa a razão. Quando chegar o momento apropriado, aí eu digo o que eu acho (sobre a sucessão em São Paulo) - disse o ex-presidente, de blazer zul e gravata amarela, as cores do PSDB.

Diante da insistência para opinar sobre a discussão em torno dos nomes de Kassab e Alckmin, Fernando Henrique foi taxativo:

" Vim para um momento de inauguração de uma coisa importante para a zona leste, é essa a razão "

- Estamos entrando em um assunto que eu não quero - afirmou ele, que declarou recentemente que o melhor para o partido seria Alckmin concorrer ao governo de São Paulo, daqui a dois anos, e assim o terreno ficaria livre para Kassab.

Serra, que também apoiaria a candidatura de Kassab para não perder a aliança com o DEM numa eventual candidatura à Presidência, em 2010, disse que Alckmin também foi convidado para participar do evento. Para evitar constrangimentos nessa etapa inicial da pré-campanha em São Paulo, o governador teria acertado com Kassab e Alckmin de que os dois seriam convidados para todos os eventos oficiais do governo estadual. Alckmin não fora ao evento porque estaria cumprindo agenda no interior do estado. Sobre a presença do ex-presidente, Serra argumentou:

- Ele (o ex-presidente) está aqui para visitar uma exposição de fotos sobre a USP.

Em meio às articulações para a campanha eleitoral em São Paulo, a executiva estadual do PMDB decidiu criar ontem uma comissão para, no prazo de 30 dias, indicar o nome do candidato que irá concorrer ao cargo de prefeito. Os nomes do deputado federal Michel Temer e Alda Marco Antonio serão os primeiros da lista a serem procurados pela comissão, que também tem a missão de compor uma chapa de candidatos a vereador.

PSOL terá candidato à Prefeitura de São Paulo

O PSOL decidiu, nesta terça-feira, lançar candidato próprio para disputar as eleições em São Paulo. A executiva estadual esteve reunida na segunda-feira. O nome do deputado federal Ivan Valente (SP) foi apresentado como pré-candidato a prefeito. Em nota à militância, os membros da Executiva afirmaram a necessidade de uma alternativa programática e socialista para a cidade.

O PSOL também abriu o processo de debate para a construção do programa de governo. O partido deve apresentar uma plataforma alternativa, que discuta os grandes problemas do município, inverta prioridades, garanta a participação popular e seja voltada aos interesses populares.

São Paulo ganha 521 mil novos eleitores; mulheres chegam a 52%

Balanço da Justiça Eleitoral de São Paulo aponta que Em 2007, 521.420 novos eleitores se cadastraram na Justiça Eleitoral do estado de São Paulo. De acordo com Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o número de eleitores paulistas subiu de 28.032.061 em dezembro de 2006 para 28.553.481 em dezembro de 2007, um aumento de 1,86%. O estado é responsável por 22,4% do total do eleitorado brasileiro, que é de 127.464.143 eleitores. O percentual em dezembro de 2006 era de 22,29% sobre um total de 125.764.981 eleitores cadastrados no país todo.

Atualmente o maior número de eleitores no estado é do sexo feminino. São 14.830.343 eleitoras, correspondendo a 51,94% do total.

Analândia, localizada na região central do Estado, foi a cidade que apresentou maior crescimento do eleitorado. Há um ano o município tinha 3.681 eleitores registrados. Esse número cresceu 14,07%, atingindo 4.199 eleitores em dezembro de 2007.

Os eleitores em débito com a Justiça Eleitoral ou que tiveram seus títulos cancelados - foram 324.351 cancelamentos no estado - devem procurar os cartórios eleitorais para regularizar sua situação. O eleitor também deve ir aos cartórios em casos de alistamento, transferência do local de votação, emissão de segunda via do título e certidão de quitação eleitoral. O eleitor com situação regular com a Justiça Eleitoral pode emitir a certidão diretamente no site do TRE-SP www.tre-sp.gov.br.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

O leão demo-tucano é voraz


Demos e tucanos só juram por uma bíblia: redução de impostos. Fazem o maior barulho sobre o tema e apóiam toda e qualquer manifestação contra os abusos do leão.

Os jornais estão lotados de pregações diárias dos mesmos e são apoiados pela sua gestão "responsável" onde o Estado é administrado como uma empresa, gastando pouco, arrecadando menos ainda e fazendo o interesse público.


Bem esse é o mundo da fantasia. O da realidade está estampado no Jornal da Tarde de hoje: em São Paulo a carga tributária aumentou 120% acima da inflação. No IPTU esse aumento chega a 157%.

Os adíeis da redução de impostos, porém, persistem no famoso "façam o que eu digo e não o que eu faço". Na cidade de São Paulo estão com mais de R$ 1 bi no banco e nada de diminuição do IPTU, ao contrário, o numero de domicilios isentos do imposto que Marta estabeleceu em 1 milhão 200 mil domicilios hoje cairam para 900 mil. Mais familias pagando IPTU.

No Rio, o amigo de Kassab, Cesar Maia enfrenta até uma greve de IPTU.

Todos eles possam de bom moços no quesito impostos e a mídia os reverencia como bons administradores e verdadeiros gerentes.


Em verdade, verdadeiros fariseus.


LF


Clique na imagem para ampliar e ler o artigo do JT

sábado, 26 de janeiro de 2008

O bico dos tucanos é uma boquinha

De Alckmin para Serra

Caneta na mão.
A nota que sinaliza preferência pela reeleição de Gilberto Kassab, divulgada pela bancada do PSDB na Câmara de São Paulo, reflete uma preocupação concreta: se Geraldo Alckmin entrar na disputa, os vereadores terão de entregar seus cargos nas subprefeituras, máquinas eleitorais poderosas. (PAINEL da FOLHA).


De Serra para Alckmin

Serra e a turma da boquinha
De José Serra, sobre as reclamações da turma de Geraldo Alckmin de que teria demitido o grupo do ex-governador quando assumiu o governo de São Paulo: "Quem presta do PSDB está no meu governo. Os que não estão são a turma da boquinha. (RADAR da VEJA)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Movimentação de Serra precipita disputa com Aécio


Blog de Josias

  • Acabou o armistício entre os 2 presidenciáveis tucanos
  • Para Aécio, Serra tenta se impor como ‘fato consumado’
  • ‘No atropelo, ninguém ganha eleição’, disse a um amigo
  • Em resposta, iniciou uma articulação a favor das prévias
  • Em março, deflagra um cronograma de viagens pelo país

Há um ano, em fevereiro de 2007, os presidenciáveis tucanos José Serra e Aécio Neves firmaram um armistício. Combinaram que só tratariam de 2010 depois que fossem abertas as urnas de 2008. O cessar-fogo acabou. Nove meses antes do prazo combinado, os governadores de São Paulo e de Minas Gerais voltaram a se bicar.

Ainda não foi disparado nenhum tiro em público. Mas Aécio decidiu reforçar o paiol. Iniciou a preparação para a guerra interna. Entre quatro paredes, o governador mineiro mostra-se incomodado com o que chama de “antecipação prematura do processo.” Acha que está em curso uma tentativa de transformar a candidatura presidencial do rival num “fato consumado”. E resolveu enrolar a bandeira branca.

A negociação de Serra para transformar Gilberto Kassab (DEM) em candidato à prefeitura paulistana foi o estopim que alvoroçou as plumas do tucanato. Serra tenta rifar Geraldo Alckmin (PSDB), alternativa tucana ao 'demo' Kassab, em troca do compromisso do DEM de apoiá-lo em 2010.

Para desassossego de Aécio, Fernando Henrique Cardoso veio ao meio-fio para defender a formalização da aliança tucano-democrata em torno de Kassab. “Se você pensar estrategicamente, seria ótimo que a aliança dele [Kassab] com o PSDB se mantivesse nas eleições [municipais de 2008], que o Geraldo [Alckmin] pudesse disputar o governo, o que liberaria o Serra para a presidência [da República]”, disse FHC aos repórteres Laura Greenhalgh e Fred Melo Paiva.

Privadamente, Aécio tachou as declarações de FHC de “inábeis”, “desastradas” e “extemporâneas.” Acha que as palavras do ex-presidente expressam uma visão equivocada. Diz que, em 2010, o DEM, por pragmático, vai se compor com o PSDB "com ou sem Kassab." Há dois dias, em conversa com um amigo, o governador mineiro afirmou: “Não estou mais em idade de dizer amém a tudo o que acha o Fernando Henrique.” Aécio ressuscitou uma frase que ouvira do avô Tancredo Neves: “Ninguém é paulista na política impunemente.”

Aécio falou ao amigo em timbre de desabafo: “Estão tentando passar a idéia de que, resolvido o problema da prefeitura de São Paulo, está decidida a questão nacional. Não aceito imposições. No atropelo ninguém vai ganhar eleição. Se me derrotam no atropelo, não vão ter nenhum voto em Minas.”

Aécio pôs-se em movimento. Retomou contatos com partidos como o PMDB e PSB, que flertam com ele há tempos. Como não contempla a hipótese de deixar o PSDB, resolveu abraçar a tese das prévias. Festeja a decisão do senador tucano Arthur Virgílio (AM) de lançar-se como candidato ao Planalto. Acha que, com três postulantes, o partido não terá como se esquivar da prévia.

De resto, o governador mineiro elabora um cronograma de viagens pelo país. Começa a voar já em março. Num primeiro momento, priorizará os Estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. No segundo semestre, subirá em palanques de candidatos tucanos às prefeituras de tantos municípios quantos consiga visitar.

Internamente, Aécio leva à mesa argumentos para tentar se contrapor à tese de que, à frente dele nas sondagens eleitorais, Serra é o melhor candidato do partido à sucessão de Lula. “Não estou convencido disso”, diz ele em privado. “Posso até não ser candidato se achar que não é o momento, se julgar que minha candidatura não é a que mais agrega. Mas não posso sair disso derrotado. Tenho que ser convencido, conquistado.”

Na última sondagem do Datafolha, divulgada em dezembro, Aécio amealhou 15% das intenções de voto. É menos da metade do percentual atribuído a Serra –entre 33% e 38%, dependendo do cenário. O governador mineiro argumenta, porém, que o PSDB terá de levar em conta outros fatores.

Por exemplo: beneficiado pelo recall, Serra é conhecido por cerca de 90% do eleitorado brasileiro. Com uma taxa de conhecimento que gira ao redor dos 40%, Aécio acha que não pode ser considerado como uma carta excluída do baralho presidencial. Diz que a taxa de rejeição de Serra é maior do que a sua. Julga-se, além disso, em melhores condições de reunir em torno de si uma aliança partidária ampla, incorporando inclusive partidos que hoje gravitam em torno do governo Lula.

Por último, Aécio puxa da gaveta uma pesquisa que recebeu do instituto Vox Populi. Apresentou-a a um grão-tucano com quem conversou. O levantamento foi fechado em dezembro. Informa que 86% do eleitorado mineiro acha que ele deve se lançar na briga pelo Planalto.

Aécio conclui: “É algo muito sólido, que não posso ignorar, sob pena de ir para o suicídio. Se insistirem nessa tese de que, resolvido São Paulo está resolvido o Brasil, o Serra acaba se consolidando como o candidato anti-Minas. É uma visão míope. Anteciparam o processo de forma desastrada. Não deixaram opção aos aliados: ou aderem ao projeto de São Paulo ou não concordam e encaminham em outra direção. É o que vai acontecer.”

Escrito por Josias de Souza

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Será?

Dora kramer é uma jornalista séria. Eu não compartilho das suas opiniões, porém ela é bem informada e sabe do que fala. Na sua coluna de hoje ela esbanja uma certeza: quem decide o candidato à Prefeitura é Serra. Como Serra quer Kassab, Alckmin estaria fora do jogo e ponto final.

Tenho minhas dúvidas. Concordo com a afirmação da jornalista que o PSDB é um partido sem corpo. Mas talvez o que a nota queira estabelecer é que se Alckmin se impor e Kassab cair fora, terá sido vontade de Serra e o contrário também. Resumindo: a escolha é do rei e sempre será sua vontade.

Será?

A coisa não me parece bem assim. Alckmin tem o apoio de Aécio Neves, que também tem máquina e não parece disposto a considerar que Serra seja o rei da cocada preta. A movimentação de Alckmin mostra que não esta disposto a acreditar em Papai Noel para 2010 e prefere correr o risco agora a sumir sem deixar rastro.

O medo dele é a chamada "guerra suja", pois sabe que seus "colegas" de São Paulo não hesitarão em alimentar a campanha com os podres e os esqueletos no armário da administração Alckmin no Estado: Nossa Caixa, Chalita, Pedágios, Tietê, Rodoanel, Metrô etc.

Mas devo confesar, eu não conheço os meandros do PSDB tão bem como Dora Kramer, por isso é bom registrar o alerta.


Mundo real

DORA KRAMER

Sejamos realistas: se não tivesse o aval do governador José Serra, o DEM não fecharia questão na candidatura de Gilberto Kassab. Não tem cacife político em São Paulo para isso.

Da mesma forma, Geraldo Alckmin sem a concordância de Serra não sairá candidato a prefeito: não tem mandato, não tem influência na prefeitura nem no governo do Estado e, se perder tendo batido de frente com o governador, só por um milagre ganha a legenda em 2010.

Alckmin pôs seu destino nas mãos do partido, que prefere candidatura própria, mas não tem voz ativa, não dispõe de músculos suficientes para lutar por coisa alguma nem massa crítica para se movimentar. Partido sem corpo, o PSDB caminha para onde a cúpula mandar.

Em 2006, quando Alckmin venceu a parada da candidatura presidencial, ele era governador, o que levou a cúpula a contabilizar: se já estava difícil ganhar de Lula com São Paulo a favor, se fosse Serra o candidato com Alckmin contra, seria impossível.

Leia a integra da coluna de Dora Kramer no jornal O Estado de São Paulo

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Alckmin e Kassab vão sair do armário

Blog de Josias

DEM se dispõe a apoiar chapa Serra-Aécio em 2010

Em troca do apoio a Kassab, partido abre mão da vice


Oferece também apoio a Alckmin na sucessão estadual

Sérgio Lima/Folha
A direção do DEM joga pesado para obter o apoio do PSDB à candidatura de Gilberto Kassab na eleição municipal de 2008. Promete compensar o tucanato paulista com extrema generosidade nas disputas pelo Planalto e governo de São Paulo, em 2010.

Para a sucessão de Lula, o DEM se dispõe a apoiar o governador tucano José Serra sem exigir a vaga de vice. Em reserva, os ‘demos’ sugeriram a Serra a formação de uma chapa presidencial “puro sangue”, com o também tucano Aécio Neves na posição de candidato a vice.

Na eleição do futuro governador de São Paulo, o DEM promete apoio irrestrito a Geraldo Alckmin (PSDB). Nesta quarta-feira (23), Jorge Bornhausen, ex-presidente do DEM, terá um encontro com Alckmin. Tentará demovê-lo da idéia de disputar a prefeitura, facilitando a composição em torno de Kassab.

Em diálogos que manteve com líderes do DEM, Serra tratou com naturalidade a possibilidade de figurar na cédula de 2010 ao lado de Aécio. Discorreu sobre o tema como se a hipótese já figurasse nos seus planos. Disse que é coisa para ser tratada mais adiante, não agora.

No momento, Serra concentra-se na costura de uma aliança tucano-democrata em torno de Kassab. Informou ao DEM que fará o que estiver ao seu alcance para pôr o acerto de pé. Disse, porém, que a evolução do entendimento depende da concordância de Alckmin, com quem planeja conversar depois do Carnaval.

Privadamente, lideranças do DEM e do próprio PSDB acham que Serra falhou no seu relacionamento com Alckmin. Em vez de abrir espaço para aliados do ex-governador na administração estadual, fechou as portas e afastou-se dele. Sugere-se que busque uma reaproximação.

Ainda que consiga arrancar Alckmin do caminho de Kassab, Serra terá muito a alinhavar se quiser de fato transformar Aécio Neves, hoje tão presidenciável quanto ele, em mero candidato a vice. Por enquanto, o maior aliado do governador de São Paulo, além do DEM e de FHC, é a pesquisa de opinião.

Na última sondagem do Datafolha, divulgada em 1º de dezembro de 2007, Serra figurava como líder em todos os cenários montados pelo instituto. Ciro Gomes (PSB) aparecia em segundo, sempre à frente dos candidatos do PT. Trocando-se o nome de Serra pelo de Aécio, Ciro assume o primeiro lugar. E o PSDB desce para o terceiro. Aécio fica atrás de Heloísa Helena (PSOL).

Montou-se também um cenário em que Serra e Aécio concorrem entre si. Nessa hipótese, que dependeria de uma improvável mudança do governador mineiro para outra legenda, Aécio manteve-se na condição de sub-HH. Serra (33%) lidera; Ciro (19%) permanece em segundo; e HH (15%) fica em terceiro. Só então vem Aécio (11%).

Na opinião de dirigentes do DEM, aparentemente compartilhada por Serra, a manutenção desse quadro amoleceria eventuais resistências de Aécio à vice. Não é o que deixa antever a movimentação do governador de Minas. Em São Paulo, Aécio estimula Alckmin a bater o pé. Quanto a Brasília, disse em dezembro, 11 dias depois da divulgação do Datafolha, que se considerava pronto para assumir a candidatura presidencial.

De concreto, tem-se, por ora, apenas o seguinte: para as duas principais legendas da oposição a Lula, a eleição municipal de São Paulo converteu-se na ante-sala de 2010. Serra e Aécio firmaram, em meados do ano passado, um armistício.

Combinaram de deixar as diferenças no armário até a abertura das urnas municipais, em outubro de 2008. A fricção entre Kassab e Alckmin está como que forçando a porta do armário. Que começa a se abrir antes da hora marcada.

Escrito por Josias de Souza

Ofensiva de DEM por Kassab irrita Alckmin e aumenta divisão tucana

Raimundo Paccó/Folha Imagem
Rodrigo Maia: tom duro ao entrar na reunião,
trocado por suavidade depois de conversar com o prefeito paulistano


César Felício e Cristiane Agostine
VALOR

A demonstração pública de apoio ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), dada pelo governador paulista, José Serra (PSDB), na segunda-feira, acalmou a cúpula do DEM, mas elevou a agressividade de aliados do ex-governador Geraldo Alckmin, possível candidato tucano à disputa da capital. A reação divide-se entre críticas aos integrantes do DEM e o combate interno: os aliados do ex-governador lembram que Serra não é o único presidenciável tucano e portanto não haveria razão para o partido desistir da candidatura própria neste ano para favorecê-lo em 2010.

Momentos antes de entrar na reunião do conselho político do partido, presidida ontem por Kassab em um hotel de São Paulo, o presidente da legenda, deputado Rodrigo Maia (RJ), foi enfático ao dizer que o partido "não tem problema de ir para a disputa", mas que uma divisão agora "pode abrir espaço para o PT na Prefeitura de São Paulo e depois na sucessão do presidente Lula". Rodrigo Maia reforçou a candidatura de Kassab e disse que em maio o prefeito paulistano estará "à frente de Alckmin nas pesquisas".


A declaração de Maia provocou irritação imediata. "Considero natural Serra ir ao encontro de aliados, mas totalmente anti-natural as declarações da direção do DEM que visam impedir o PSDB de ter chapa própria em São Paulo. O Geraldo tem respeitado a vontade do DEM de ter candidato", disse o deputado Edson Aparecido (SP). "O Serra não esconde sua preferência por Kassab, mas as bases querem o candidato mais forte para fortalecer o partido em 2010, e não uma aliança para fortalecer o projeto de um presidenciável. Até porque Serra não é o único pré-candidato a presidente", comentou o deputado Silvio Torres (PSDB-SP).


Serra e Alckmin encontraram-se pouco antes do Natal, mas tiveram uma conversa protocolar, sem debater a sucessão municipal. Segundo relato de um tucano que procura manter a eqüidistância, a relação entre os dois nunca esteve tão ruim. Na avaliação dele, o apoio a Alckmin é majoritário nas bancadas federal e estadual do PSDB.


O conselho político do DEM discutiu por três horas às portas fechadas. Após o fim da reunião - e do discurso do prefeito paulistano - o tom de Rodrigo Maia foi muito mais ameno e conciliador. "A discussão (sobre o fim da aliança com o PSDB) deve ser feita no momento adequado, depois que todas as tentativas e discussões com o PSDB se encerrarem. Enquanto isso não ocorrer, temos de lutar pela aliança que tem sido vitoriosa em São Paulo", declarou.


Rodrigo Maia minimizou o impacto nos acordos DEM-PSDB em outros Estados, com uma eventual ruptura entre os dois partidos em São Paulo. "São poucos os Estados que essa aliança está tão amarrada como em São Paulo."


Porta-voz da reunião, o prefeito Kassab foi comedido em seus comentários. "Os entendimentos para manter aliança são mais importantes que os projetos pessoais. Jamais algo que é natural, que é minha candidatura à reeleição, será colocado como entrave à manutenção da aliança", disse o prefeito.


Pai do presidente da sigla, o prefeito do Rio, Cesar Maia, brincou com Kassab e disse que tem recebido muitas mensagens eletrônicas com pedidos para levá-lo como candidato para disputar o governo municipal do Rio. Demonstrando menos preocupação sobre a aliança com o PSDB, Cesar Maia reforçou a tese de Alckmin para 2010, no governo de São Paulo, e Kassab em 2008, conforme defesa já feita pelo presidente de honra dos tucanos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Não há nenhuma razão para que uma disputa entre nós fortaleça o adversário. Porque obviamente no primeiro turno só quem sairá fortalecido de uma candidatura PSDB e DEM será Marta Suplicy. Não há nenhuma razão para Kassab não ser candidato. Chapa vitoriosa: Kassab hoje, Alckmin amanhã", disse o prefeito.


Antes de integrantes do conselho político concederem entrevistas, ao fim do encontro, o DEM divulgou uma nota sobre o encontro, em que a discussão eleitoral não aparece, mas se faz um apelo à manutenção da aliança. "A gravidade do momento pede a união das oposições, a exemplo do que ocorreu no Congresso na extinção da CPMF, a fim de impedir retrocessos e mais prejuízos às pessoas", diz a nota.


Os dirigentes do DEM aproveitaram o encontro para gravar entrevistas e imagens com a produtora GW, para o programa de televisão partidário. A empresa presta serviços tanto para a prefeitura paulistana quanto ao partido. É a mesma produtora que fez a campanha eleitoral de Alckmin em 2006. Segundo assessores de Kassab, a produtora, deve continuar com o prefeito na campanha eleitoral, fazendo com que Alckmin perca o marqueteiro da campanha anterior, o jornalista Luiz González. Aliados de Alckmin duvidam da possibilidade, por considerar que a presença de Gonzalez em uma campanha de Kassab seria visto como um rompimento público entre Serra e o ex-governador, o que não deve ocorrer.


Ontem, Alckmin se reuniu com FHC. Na conversa, reafirmou a defesa de lançamento de candidatura do PSDB à Prefeitura de São Paulo. FHC, por sua vez, pregou a manutenção da aliança com o DEM na cidade. Segundo tucanos, a conversa não foi conclusiva. Hoje, Alckmin se reunirá com o ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen. A articulação suspendeu a ofensiva do DEM. A avaliação foi que não seria prudente avançar na véspera do encontro entre Bornhausen e Alckmin. A conversa foi acertada na segunda-feira, quando Bornhausen almoçou com o presidente municipal do PSDB, José Henrique Lobo. Bornhausen também se reuniu com FHC. " Não é o momento de constrangimentos " , disse o líder do DEM no Senado, Agripino Maia (RN).


Com as dificuldades dentro do partido, Alckmin tem procurado apoio em outras lideranças políticas. Ontem, o tucano marcou um novo encontro com o presidente do PMDB-SP, o ex-governador Orestes Quércia. Nos próximos dias, os dois devem se reunir para discutir uma eventual aliança. No fim de dezembro do ano passado, Quércia teve encontros com Kassab, Alckmin e com interlocutores da ministra Marta Suplicy, provável candidata do PT à prefeitura.


As conversas com o PT não avançaram na reunião que Quércia teve ontem com o presidente do diretório estadual do PT, o prefeito de Araraquara, Edinho Silva. Apesar do aceno feito pelos dois partidos sobre uma aliança em 2008 e 2010, as negociações ficaram travadas. Quércia tem demandas antigas que não foram contempladas: a indicação para disputar o Senado na chapa e a indicação para cargos no governo. (Com agências noticiosas)

sábado, 19 de janeiro de 2008

Fantasia e realidade

Vale a pena ler o artigo do escriba tucano Mauro Chaves sobre os tucanos de São Paulo.

Fazendo abstração da realidade e tomando seus desejos por moeda corrente, discorre o escriba sobre o mundo rosa da harmonia conquistada (e desejada pelos escribas) no convés do PSDB:
Kassab é prefeito de novo, Alckmin é governador de novo e Serra é presidente.

Só falta combinar com os russos, como dizia Garrincha, ou seja, o povo. Mas, antes do soberano se manifestar, os não menos tucanos Aécio Neves, Geraldo Alckmin e seus correligionários não parecem compartilhar o quadro "naif" de nosso escriba e também pintor, Mauro Chaves.


Pena para o ghost-righter da felicidade do casal Serra-Kassab, a história é um ménagè à trois e o terceiro não se deixa convencer do idílio. No mesmo jornal, no mesmo dia, Dora Kramer mostra que a fantasia "chavista" -encomenda correspondente ao desfecho que José Serra e seu pupilo Kassab gostariam de impor a Alckmin- é rejeitada pelo principal visado.

"Nothing personal" repete a exaustão Geraldo Alckmin, mas ele será candidato.

A seguir Mauro Chaves,
jornalista, advogado, escritor, administrador de empresas e pintor. E-mail:mauro.chaves@attglobal.net e também Dora Kramer, jornalista.



Grande acordo dos tucanos

Mauro Chaves

Quando menos se esperava, os tucanos se salvaram do desastre e conquistaram, na undécima hora, perspectivas alvissareiras. O conflito entre alckmistas e serristas, sobre a sucessão municipal, já tinha gerado um clima insuportável, com ironias e menoscabos recíprocos - e cada vez mais indiscretos - lançados nas rodas de conversa.

Enquanto o grupo do ex-governador chamava o governador (para dizer o mínimo) de político de compromissos não confiáveis, o grupo do governador chamava o ex-governador (para dizer o mínimo) de especialista em cizânia. Os primeiros diziam que uma liderança como a de Alckmin não podia “ficar na chuva e no sereno”, sem mandato e sem alguma “vitrina” que lhe pudesse garantir espaço na mídia, o que seria um contra-senso para quem, do partido, lidera as pesquisas de intenção de votos para a Prefeitura de São Paulo.

Os outros retrucavam reiterando que a administração Kassab, toda montada por José Serra, é um sucesso que o partido não pode deixar de capitalizar. E que graças ao reconhecimento popular, em razão de ações administrativas de grande êxito - do tipo Operação Cidade Limpa -, o nome de Gilberto Kassab se impõe como jovem liderança e tem todas as chances de superar a popularidade derivada do recall - para usar termo que o ex-governador gosta muito de empregar, referindo-se à lembrança que o eleitor tem da eleição passada, que com o tempo se esvazia.

O conflito estava nesse pé quando o ex-presidente Fernando Henrique, fazendo mistura de reflexão acadêmica com experiência política presidencial, anunciou, de forma clara e direta, a grande estratégia que se apresentava aos desarvorados tucanos: a aliança com os Demos em torno da candidatura Kassab à Prefeitura, este ano, e o lançamento das candidaturas de Geraldo Alckmin ao governo do Estado e de José Serra à Presidência da República, em 2010.

Raciocinando sobre essa estratégia, as melhores cabeças tucanas logo chegaram à conclusão de que Kassab prefeito, Alckmin governador e Serra presidente (KALSE) significaria uma tríade representativa dos melhores valores político-administrativos que esses partidos aliados poderiam oferecer ao País. Mas os obstáculos a uma estratégia desse tipo seriam, primeiro, a desconfiança dos alckmistas quanto à garantia da candidatura de Alckmin. E se Serra resolver candidatar-se à reeleição ao governo do Estado? Um dos motivos óbvios para isso poderia ser a candidatura de Lula a um terceiro mandato presidencial - apesar de seus protestos em sentido contrario. Outro obstáculo seria a situação de “chuva e sereno” do ex-governador, por aguardar uma candidatura governamental sem dispor de posição pública de destaque.

Leia mais no jornal O Estado de São Paulo


Nada pessoal

Dora Kramer

Na proporção de duas para cada cinco frases, o ex-governador Geraldo Alckmin repete que a decisão de se candidatar à Prefeitura de São Paulo “não tem caráter pessoal”. O que o PSDB decidir, diz, estará bem decidido.

Até apoiar uma aliança com o prefeito Gilberto Kassab?

Médio, nota-se pela avaliação dele sobre um cenário em que o PSDB se abstenha de concorrer em São Paulo: “Seria uma situação inédita e extremamente desfavorável para o partido, o eleitorado não aceitaria.”

Nada pessoal, só uma análise fria do quadro cuja definição final, no entendimento dele, carece de urgência e depende da vontade do partido e do desejo da população.

Considerando que a aferição popular se faz mediante pesquisas nas quais aparece hoje em primeiro lugar e que qualquer partido prefere ser protagonista que coadjuvante numa eleição, Geraldo Alckmin defende uma tese absolutamente em acordo com seu plano de vôo.

Plano este que pode ser mesmo administrar a cidade de São Paulo “para fazer o bem do povo”, mas no momento visa à inclusão partidária.

Alckmin nada diz - claro, não aborda a questão sob o prisma pessoal -,mas seus defensores explicitam: o “outro lado” na nação tucana avançou feito trator, imaginando que poderia deixá-lo de lado agora, mediante a promessa de garantia da vaga para a disputa do governo paulista, em nome da aliança estratégica com o Democratas, visando a arrumação de forças para a disputa presidencial de 2010.

E ser tratado como peça que se joga daqui para ali não estaria condizente com alguém que já foi governador duas vezes, candidato à Presidência, levando a disputa ao segundo turno com Lula, e dono de capital eleitoral expresso na liderança nas pesquisas.

Por isso a postulação de participar do jogo eleitoral desde agora. Na política o mercado futuro depende dos movimentos presentes, sob a regra geral de que o deslocamento faz a preferência e a paralisia abre espaço ao ostracismo.

Nada pessoal, insiste - “Não pretendo nada, o partido decide e fico honrado de meu nome surgir naturalmente” -, apenas um projeto político partidário como outro qualquer.

Legítimo, conforme reconhecem até os tucanos defensores da aliança com o DEM, mas sem dúvida um fator de perturbação na caminhada previamente organizada pelos adeptos da candidatura presidencial de José Serra: eleição de Kassab em 2006, candidatura de Alckmin para o governo de São Paulo em 2010.

Entre eles, o presidente Fernando Henrique Cardoso, que acha este o caminho a ser adotado.

Geraldo Alckmin não passa recibo. Não toma como crítica pessoal a posição de FH. “Ao contrário, foi muito positiva, abriu o debate dentro do partido.”

E a manifestação do governador José Serra dois dias depois, dizendo que a opinião de Fernando Henrique deveria ser levada em conta?

“Ótima. Significa um incentivo ao debate interno e uma honra a lembrança do meu nome para o governo do Estado em 2010.”

Então por que não seguir o roteiro por ele tido como o mais correto estrategicamente falando?

“Não é uma postulação pessoal nem se trata de fazer trocas de uma eleição pela outra. É uma decisão coletiva a ser tomada depois de muita conversa e reflexão.”

Diferentemente de seus correligionários que adotam um discurso firme contra qualquer possibilidade de composição, Alckmin pondera que nada na vida é inamovível. “Não precisa correria, a partida ainda está nas preliminares.”

Tem jogo diferente a ser jogado, então?

“Tudo pode acontecer, alianças se fazem no primeiro, mas também no segundo turno. Além do mais, divergências não significam rupturas, como ficou demonstrado na votação da CPMF. O partido divergiu e, no fim, votou unido.”

E agora, a unidade será feita em torno de quem, Kassab ou Alckmin?

“Depende do partido. Agora, se você quer minha opinião, acho muito difícil o PSDB se ausentar da eleição de 2008.” Nada pessoal, tudo muito profissional.

Leia a integra da coluna de Dora Kramer no jornal O Estado de São Paulo

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

A discussão "estratégica" no PSDB, um elevado debate de idéias


A informação é do Blog Entrelinhas do jornalista Luiz Antonio Magalhães. Ela mostra os métodos empregados no debate "estratégico" do PSDB sobre as candidaturas à prefeitura de São Paulo.

Eu não posso acreditar, o Serra é do bem e Alckmin vá a igreja todos os domingos. Mas também é difícil duvidar da palavra do jornalista.

Cada um pensa o que quer...

O dinheiro sumiu

por Luiz Antonio Magalhães

Jornalista, editor de Polí­tica do jornal DCI e Editor-Adjunto do Observatório da Imprensa.

E-mail: luizaccm@dci.com.br

Este blog confirmou ontem uma história que já foi de certa forma contada pelo esperto James Akel em seu blog: o que está impedindo o ex-governador Geraldo Alckmin de assumir oficialmente a candidatura a prefeito de São Paulo pelo PSDB é a falta de dinheiro. Sim, pode parecer surpreendente, mas Alckmin não está conseguindo, nas sondagens que tem feito, garantias de financiamento de sua campanha. Um alto quadro tucano contou ao blog, em off, naturalmente, que o governador José Serra (PSDB) percebeu que não conseguiria matar a candidatura de Alckmin pela via da disputa política, uma vez que Alckmin domina os diretórios estadual e municipal do PSDB, e decidiu então cortar as asinhas do ex-governador pela via "econômica": mandou avisar os empreiteiros, grandes financiadores de campanhas eleitorais, que quem ajudar Geraldinho não recebe nem do governo do Estado e muito menos da prefeitura, onde pontifica o candidato de Serra, Gilberto Kassab (DEM). Ainda segundo a mesma fonte tucana, Geraldo Alckmin vai pensar mais um pouco sobre o assunto e decide em março se concorre ou não. Quanto a ter uma garantia para disputar o governo de São Paulo em troca da desistência de concorrer à prefeitura, o grupo de Alckmin avalia que Serra não cumpriria tal acordo. E é isto que pode empurrar Geraldo para a disputa neste ano, mesmo sem dinheiro.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

O mico é do contribuinte, o tucano é do PSDB

Interessante esta denuncia do jornalista Rovai. A mídia tem falado muito sobre a árvore de natal do presidente e discutido à exaustão se a estrela é de Belém ou do PT. Alguns já estavam dispostos a proibir o vermelho do Papai Noel, porque seria propaganda subliminal do PT.

Sobre este tucano peessedebista porém, nenhuma palavra. Como se sabe os tucanos fantasiados com essas cores, só no 45 do PSDB, pois na mata eles tem outra plumagem. Mas quando se trata do PSDB, uma certa mídia considera o silêncio de ouro, como o bico do predador.


Blog do Rovai
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(14/01/2008 16:57)

Placa da Artesp, na Imigrantes, traz tucano, símbolo do PSDB, partido do governador do estado.


O governo do Estado de São Paulo perdeu completamente o pudor. A placa publicitária da foto está instalada no início da descida da Rodovia dos Imigrantes, estrada que liga a região metropolitana de São Paulo à Baixada Santista. Supostamente está ali para informar que a área faz parte do Parque Estadual da Serra do Mar. Na verdade é campanha descarada do PSDB e paga com dinheiro do contribuinte do estado de São Paulo.

Para os leitores de outros estados, vale registrar que a Imigrantes é a rodovia mais freqüentada no verão paulista, milhares de carros transitam diariamente nela nesta época do ano, já que faz a ligação da capital e do interior com as praias do estado.

Este blog está solicitando explicações a respeito da campanha para a assessoria do governo do Estado e para a Agência de Transporte do Estado de São Paulo, que assinam a campanha.

Este blog quer saber:

1) Por que um tucano foi o escolhido como símbolo da campanha?

2) Por que esse tucano tem as cores azul e a amarelo como o tucano do PSDB?

3) Quanto custou a placa publicitária desta campanha e se ela está instalada em outros pontos ou se há outras peças publicitárias com este mote?

4) Por que o mico está ali fazendo companhia ao tucano? Por acaso o mico tem alguma relação com o preço do pedágio de R$ 15,60 que o cidadão paulista paga para andar os poucos quilômetros desta estrada?

domingo, 13 de janeiro de 2008

Uma metamorfose dialética


O que acha de Gilberto Kassab?

FHC: Tem sido um bom prefeito para São Paulo. Se você pensar estrategicamente, seria ótimo que a aliança dele com o PSDB se mantivesse agora, nas eleições municipais, e que o Geraldo (Alckmin) pudesse disputar o governo estadual, o que liberaria o Serra para disputar a presidência.

O sr. então encaminharia as coisas dessa forma?

FHC: Trabalharia estrategicamente.

Significa então que o sr. iria de Serra em 2010?

FHC: Hein? Não necessariamente. 2010 está muito longe. Voltando à disputa em São Paulo: a capacidade que as lideranças têm de influenciar é limitada pelas pesquisas de opinião pública. Se um sujeito tem 10 pontos nas intenções de voto e o outro tem 30, o partido vai com quem tem mais. O novo, aqui, é que o Kassab está subindo. No caso da sucessão de Lula, não dá para dizer nada, embora hoje o Serra tenha mais pontos do que o Aécio.

Leia a integra da entrevista de Fernando Henrique Cardoso no jornal O Estado de São Paulo

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Conflito permanente

Glauco


Dora Kramer, dora.kramer@grupoestado.com.br

O cenário é municipal, mas a crise federal que o PSDB enfrentou dois anos atrás, na decisão sobre quem seria o oponente do presidente Luiz Inácio da Silva na eleição presidencial, vai se repetindo agora na escolha do candidato a prefeito de São Paulo.

De um lado, o grupo do governador José Serra defendendo a aliança com o Democratas em torno do nome do prefeito Gilberto Kassab; de outro, os aliados de Geraldo Alckmin em prol da candidatura do ex-governador, candidato derrotado à Presidência em 2006.

Na época, foram quase três meses, de janeiro a meados de março, de tensão e troca de ataques surdos, eivados pela desconfiança mútua, contaminados pelo veneno da discórdia, mas apresentados oficialmente no invólucro dourado do discurso oficial em favor da unidade partidária.

Agora, mal começou janeiro, assistem-se às mesmas cenas, ouvem-se as mesmas justificativas, um grupo acusando o outro, ambos dizendo-se conscientes de que, dividido, o PSDB fará “um jogo de soma zero com viés de derrota”, para usar a expressão de um tucano que, como todos os envolvidos diretamente na pendenga, só abre a guarda sob a proteção do anonimato.

Ninguém quer dar motivo para a ruptura oficial, todo mundo aposta numa solução, embora não se vislumbre a disposição do primeiro passo.

Na seara serrista argumenta-se que Geraldo Alckmin precisa “se convencer” de que o melhor para o partido é sua candidatura a governador em 2010; entre os alckmistas, espera-se de José Serra “um gesto” de reconhecimento da importância política do adversário.

Parece inadequada a aplicação do termo quando se trata de políticos do mesmo partido. Mas não há outra forma de dizer sem maquiar a realidade: são adversários e ponto.

Serra tem o governo do Estado e a prefeitura nas mãos. Dos 55 cargos de comando no município, 37 são ocupados por tucanos aliados do governador, cuja área de influência se estende à Câmara Municipal, à Assembléia Legislativa e à bancada de deputados federais, mais parcela significativa da máquina do partido.

Mas Alckmin também tem ascendência sobre parlamentares e correligionários. Em termos eleitorais propriamente ditos dispõe do patrimônio principal: é campeão de intenções de voto nas pesquisas.

Com base nesse capital, seus aliados acharam um desaforo - para dizer o mínimo - o fato de não receberem o tratamento que consideram o merecido: participação efetiva na administração e reverência política; sentem-se alijados.

Alegam, por exemplo, que o governador poderia ter trabalhado para eleger Alckmin presidente do partido, a fim de dar a ele uma tribuna nacional enquanto está sem mandato.

Águas passadas, dizem, mas ainda turvas o bastante para inocular o vírus da desconfiança na sinceridade do propósito dos serristas de apoiarem Alckmin para o governo de São Paulo em 2010.

O grupo de ex-governador, na verdade, não parece preocupado com 2010. Quer saber do aqui e agora. Sentiu que a supremacia nas pesquisas lhe dava um bom cacife e resolveu agir para não perder espaço.

Para os oponentes, todo o foco é voltado para 2010 e a candidatura Serra a presidente da República. Argumentam que para isso é importante manter a prefeitura e essencial garantir a eleição de um tucano para o governo do Estado.

Como reconhecem que o tucano primeiro e único em condições de ganhar é Alckmin, querem que ele espere e ajude a aliança DEM/PSDB a ganhar com Kassab agora.

Vitória, dizem, só possível de ser alcançada se houver unidade. Na briga - seja ela na forma da apresentação das duas candidaturas ou na imposição de derrota de um grupo sobre o outro - o fracasso é o cenário mais provável.

O problema é que, como ninguém confia em ninguém, ninguém fala francamente com ninguém, prevalece a dinâmica do conflito permanente.

E, nele, só o PSDB tem a perder. Gilberto Kassab ganha em qualquer hipótese - disputando ou não, vencendo ou não o pleito - e o PT, no máximo, continua sem a prefeitura.

Mas pode recuperá-la se o DEM entrar na disputa com a máquina da prefeitura na mão e o PSDB disputar com Alckmin em clima de guerra de extermínio, sem o apoio do governo do Estado e, mesmo assim, com todos os tucanos vendo-se obrigados a deixar seus postos na prefeitura.

Talvez seja cedo para vaticinar a reedição total da crise de 2006. Mas os grandes desastres são construídos assim: um mau passo puxa o outro e, juntos, cavam um fosso profundo.

Leia a coluna de Dora Kramer na integra no jornal O Estado de São Paulo

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Kassab diz que acordo eleitoral com Alckmin ainda está distante

César Felício e Cristiane Agostine
VALOR




Rivaldo Gomes/Folha Imagem

Kassab participa de lacração do Shopping Pari:
imagem de moralizador urbano ficará em segundo plano neste ano


"Não existem negociações. O que tem ocorrido até agora são legítimas manifestações de dirigentes dos diferentes partidos em procurar transmitir sua vontade de terem candidaturas próprias nas grandes cidades", afirma Kassab, colocando-se como candidato. "Qualquer um que esteja à frente de uma prefeitura e que a lei lhe permita ser eleito é um candidato natural. Então é natural uma candidatura minha à reeleição", diz.


O prefeito procura tirar Serra e, por tabela, a eleição estadual em 2010, do foco do processo eleitoral deste ano. Afirma que se sente "desrespeitado" quando comentam que o governador mantém ingerência sobre a prefeitura, a qual renunciou em 2006, abrindo caminho para que o então vice Kassab assumisse. "Temos uma excelente relação, pessoal e política. Isso não significa ingerência", diz o prefeito. Nos primeiros meses da administração de Kassab, a influência de Serra nos assuntos administrativos da prefeitura era tão grande que o político tucano ganhou o apelido irônico de "prego", o prefeito e governador, de petistas aliados da ex-prefeita Marta Suplicy.


Há um ano, Kassab chegou a definir Serra como o seu líder político. "A aliança em São Paulo tem um líder. Esse líder é a figura maior da aliança, o governador de São Paulo, José Serra, que com sua competência e sua sensibilidade política saberá liderar o processo", afirmou o prefeito em 30 de janeiro de 2007. Hoje, afirma que as negociações por uma aliança se darão entre as direções dos dois partidos.


Kassab pondera que a divisão entre DEM e PSDB no processo eleitoral enfraquece as chances dos dois partidos de manterem o controle sobre a prefeitura. "Tenho certeza de que os dirigentes partidários vão ter como prioridade a manutenção da aliança. No Recife, houve uma decisão do grupo do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), do DEM e do PSDB de cada um ter seu candidato, mas os partidos estão fora do governo. Em São Paulo, a aliança governa. É evidente que se for mantida, a tendência de continuidade aumenta", analisa.


Neste sentido, deixa uma porta aberta para um apoio a Alckmin, de quem indiretamente cobra o mesmo desprendimento. "Candidatura natural não significa que seja impositiva. Seria um desrespeito aos partidos aliados eu dizer que meu partido fechou questão, que é uma candidatura minha. Sendo assim, para que a aliança?", indaga.


Terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, com cerca de metade dos índices obtidos por Alckmin e pela ex-prefeita e ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT), Kassab afirma que se considera em situação "excelente". O prefeito comenta que as taxas de aprovação da sua administração estão crescendo e planeja centrar o discurso de sua eventual candidatura à reeleição no binômio social: Educação e Saúde. A imagem de moralizador urbano, que cultivou com ações como a retirada de painéis publicitários e fechamento de boates suspeitas ficará em segundo plano.


"Agi para que a lei fosse cumprida em circunstâncias em que não era. Foram fechados postos de gasolina clandestinos e grandes depósitos de mercadoria contrabandeada. Mas meu propósito não foi moralista", diz Kassab. As ações de Kassab neste sentido geraram, no ano passado, um momento constrangedor para o prefeito, que empurrou e agrediu verbalmente um comerciante de placas publicitárias que protestava contra a prefeitura na inauguração de um ambulatório. O episódio foi televisionado durante dias. "Não me arrependo de minha indignação, mas da forma como me expressei. E já pedi desculpas diretamente ao atingido", afirma.


No comando da capital, em vez de modificar a linha de ação adotada por Marta Suplicy (2001/2004), a administração de Kassab ampliou o alcance dos programas petistas. A petista teve como carro-chefe a construção de 21 Centros Educacionais Unificados (CEUs) na periferia. Kassab pretende entregar 25. Marta destacou a introdução do bilhete único no transporte coletivo de ônibus. Em parceria com o governador Serra, o bilhete foi ampliado para a integração com metrôs e trens metropolitanos, ainda que com uma tarifa maior.


A Saúde, ponto fraco na gestão de Marta, será um alvo estratégico de Kassab, que, em parceria com organizações sociais, está ampliando a rede de ambulatórios e unidades básicas de saúde (AMAs e UBS), além de ter aberto o Hospital de Cidade Tiradentes, uma obra inconclusa no governo da petista.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Madrugar não faz amanhecer mais cedo

As eleições municipais acontecerão em Outubro deste ano. Em maio e Junho as convenções partidárias escolherão seus candidatos. Esse é o calendário politico-eleitoral em 2008.

A mídia escrita está interessada em adiantar o calendário e a disputa é grande para vender jornal e para furar o concorrente.

A prefeitura de São Paulo é governada pelo PSDB, junto com o DEM de Kassab. Ambos partidos governam a cidade juntos, porém estão divididos em relação as candidaturas.

Eles tem que resolver está disputa entre as ambições de Alckmin e a vontade do Serra e Kassab e quanto antes melhor para eles.

A guerra entre eles está acirrada e ela pode comprometer a aliança, levando ao lançamento de dois candidatos igualmente ambiciosos e substancialmente da mesma cor política.

As consequências disto pode levar a uma ruptura com efeitos na própria composição política para 2010.

Tudo indica que uma candidatura Alckmin, mais ainda se conseguir ser vitoriosa, servirá para um desfecho, da escolha em 2010, desfavorável ao governador José Serra. Em todo caso este parece ser o ponto de vista de Serra, não sem razão.

A máquina da prefeitura e a representatividade da cidade de São Paulo faria de Alckmin um "presidenciável" ou um poderoso apoiador do tucano Aécio, rival de Serra para 2010. O DEM, por sua vez, não teria maior motivo para alavancar a candidatura de Serra, pois se sentirá alijado do que considerá um direito legítimo. Preservou os interesses do governador, suas escolhas na prefeitura, o apoio para o governo estadual e Kassab atua como um sub-prefeito do governador. Em troca será jogado fora pelo PSDB, nos braços de Alckmin? Usado e jogado fora, o DEM nada ganharia aceitando o hara-kiri.

Por sua vez, para Alckmin o dilema também é grande. Seus partidários foram postos para fora do governo estadual e não contam com grande participação na prefeitura. Serra mostrou que não hesita em abrir os porões e jogar na mídia as mazelas do que foi a administração Alckmin no Estado. Desde o " mensalinho" na Nossa Caixa, até as generosidades com os pedágios ou os pífios resultados em questões como segurança e educação. Como confiar que Serra cumprirá em 2010, as promessas de hoje? Alckmin quer garantias, mais ainda sabendo que no caso de ter que enfrentar Marta Suplicy o resultado pode por um ponto final a suas ambições políticas. Sem garantias, pensa ele, é melhor arriscar. Com garantias o papo pode ser outro...

O PT não tem nenhum interesse em se meter nessa briga, nem precipitar seu desfecho. Nada ganha em fazer campanha antes da hora, pois a população está longe de manifestar qualquer interesse pela eleição agora. Mas pode aproveitar os próximos meses para definir e estruturar sua tática eleitoral e sua política de alianças, começar a elaborar suas propostas para a cidade e construir junto com seus aliados o caminho da escolha da candidatura mais adequada as necessidades da implementação das suas propostas.

Deste processo e do consenso unitário, construído com os outros partidos da base do governo Lula, é que o nome do candidato ou da candidata poderá ser escolhido com mais correspondência com a conjuntura de Outubro. A força eleitoral da candidatura ganhará a se projetar no menor tempo, mas maior espaço, proporcionado pela campanha e pelo impacto das propostas e convergências que a sustentarão.

Ansiedade e precipitação podem dar sensação de importância e utilidade, mas os afoitos quase sempre morrem na praia... ou como parece indicar o estudo publicado neste blog sobre doenças cardiovasculares, de enfartes.
Luis Favre

DEM entra na negociação para tirar Alckmin da disputa em SP


César Felício e Cristiane Agostine VALOR

Aumentou o assédio para que o virtual candidato do PSDB à Prefeitura da São Paulo, o ex-governador Geraldo Alckmin saia da disputa municipal deste ano em troca da garantia de que terá a candidatura ao governo estadual em 2010. A proposta nasceu dentro do grupo do PSDB aliado ao governador José Serra e ganhou nos últimos dias o apoio da cúpula nacional do DEM.


Por meio do ex-presidente da sigla, o ex-senador Jorge Bornhausen (SC), o partido teria garantido a Alckmin e a Serra que aceitaria se comprometer desde já com o apoio a Alckmin para o governo estadual. As reuniões foram realizadas no fim do ano passado. Também teriam participado das conversas o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-secretário geral da Presidência Eduardo Jorge.


A proposta garantiria o apoio tucano à reeleição de Gilberto Kassab em São Paulo, principal objetivo eleitoral do DEM, e faria com que Serra se apresentasse para a disputa interna pela candidatura presidencial tucana em 2010 com a seção paulista do partido pacificada e a aliança entre os dois partidos consolidada.


Segundo dirigentes do DEM que participaram da negociação - ainda em curso - Alckmin teria se mostrado disposto a analisar o assunto, desde que Serra tomasse a iniciativa de formalizar a oferta. Procurados ontem pelo Valor, o ex-governador não quis se manifestar e Bornhausen não foi encontrado.


Dentro do PSDB, a articulação levanta resistências. Ligado ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o deputado Arnaldo Madeira afirmou que a negociação é prematura. "Quem está espremido pelo prazo é o PT, não nós. São os petistas que precisam definir a se a ministra do Turismo Marta Suplicy será candidata ou não até 2 de abril, para que ela se desincompatibilize. Nós podemos aguardar a decisão do adversário para só depois tomarmos a nossa", sugeriu.


O grupo ligado a Geraldo Alckmin dentro do PSDB é francamente hostil à proposta. Argumentam que Alckmin tem densidade eleitoral e partidária suficiente para ser candidato em 2008 e até mesmo em 2010 sem precisar negociar com Serra e o DEM, já que nem o governador, nem os correligionários de Kassab disporiam de alternativas. Faltam nomes tucanos para disputar o Palácio dos Bandeirantes e de integrantes do DEM para tentar a Presidência.


Segundo o deputado Silvio Torres, a idéia da candidatura tucana para a capital está amadurecida no partido. "Essa idéia de não concorrer agora e se preservar para 2010 é uma idéia antiga, de uns oito meses atrás. A dinâmica eleitoral agora é outra", comentou. Torres defende que o partido tenha candidato próprio para barrar o crescimento do PT na capital. "Nossa convicção é que, em 2010, São Paulo será vitrine nacional e nosso embate será polarizado. Não podemos correr o risco de deixar o PT se fortalecer novamente em São Paulo", disse o interlocutor. Além disso, ressalta o tucano, o PSDB "não tem candidatos fortes para concorrer às capitais". "A situação não está confortável. Não temos candidatura forte a não ser em Curitiba", afirmou, referindo-se ao prefeito Beto Richa, candidato à reeleição.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Capitanias hereditárias?

Carlos Brickmann para o Observatório da Imprensa




Bola dentro

Os repórter Eduardo Reina e Emilio Sant’Anna, do Estadão, foram fundo na história do incêndio do Hospital das Clínicas, em São Paulo: dos 16,9 milhões reservados para manutenção e reequipamento do HC, só três milhões tinham sido empenhados até 18 de dezembro. O secretário da Saúde garante que, no finzinho do ano, aplicaria o resto. Exato: aquilo que não foi aplicado em 352 dias seria gasto nos 13 dias restantes. O secretário disse isso!

A reportagem é impecável: não faz juízos de valor, não usa adjetivos, só narra fatos. E deixa absolutamente clara a causa do incêndio no Hospital das Clínicas.

Quem é quem

Para o Governo estadual paulista, o pior de tudo é não poder jogar a culpa nos antecessores. A imprensa tem esquecido esse tema, mas o fato é que Serra entrou no lugar de Alckmin, que entrou no lugar de Covas, todos companheiros de PSDB. E, em certo sentido, não se pode sequer falar em apenas 13 anos de Governo tucano: desde a gestão de Franco Montoro, iniciada em 1983, é o mesmo grupo político que ocupa o Palácio Bandeirantes. Alguns romperam com outros, mas em certo momento estiveram todos juntos. Serra foi secretário de Montoro, e Quércia, o vice, foi o governador seguinte; Fleury era secretário de Quércia e seu vice, Aloysio Nunes Ferreira, é o homem-forte do Secretariado de Serra. No total, são 25 anos. Ninguém pode falar de herança maldita.

Já os meios de comunicação preferem nem tocar nesse assunto.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Onde 2008 antecipa 2010

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Uma comparação simples entre os vencedores das eleições municipais nas capitais de 1988 até hoje e o resultado da eleição presidencial imediatamente seguinte não deixa margem a dúvidas: o processo municipal e o nacional são relativamente desvinculados. Três circunstâncias devem quebrar a escrita no processo eleitoral deste ano: o fato de os governadores de Minas Gerais e de São Paulo disputarem a condição de presidenciáveis, de pela primeira vez desde 1960 não haver uma eleição presidencial com a presença de Luiz Inácio Lula da Silva entre os candidatos e de não haver qualquer candidato natural a assumir o legado de um governo federal que surfa em índices confortáveis de popularidade.


Das 26 eleições nas capitais, está claro o efeito de São Paulo e Belo Horizonte na sucessão em 2010. E o cenário do início de 2008 é adverso tanto para José Serra quanto para Aécio Neves, mas especialmente para o primeiro.


Governador de São Paulo, o tucano José Serra dedicou a sua manhã de quinta-feira a vistoriar uma obra municipal, o Hospital de M'Boi Mirim, na área mais pobre da zona sul paulistana. Primeiro eleito pelo PSDB na cidade com o maior colégio eleitoral do país, Serra renunciou à prefeitura depois de 14 meses, repassando-a para o DEM de Gilberto Kassab. É um episódio que visivelmente o constrange. Na história da cidade, igualou-se a Jânio Quadros e Adhemar de Barros, líderes combatidos por Serra na juventude que também usaram a prefeitura da capital como trampolim para vôos maiores. Para pavimentar seu caminho em direção à candidatura presidencial em 2010, o governador paulista tem na sucessão paulistana o seu maior obstáculo.


Sucessão passa por eleições em BH e SP


Garantir o apoio tucano a Kassab e oferecer a Geraldo Alckmin a possibilidade de voltar ao Palácio dos Bandeirantes em 2010 resolveria dois problemas de uma só vez para Serra: a consolidação da aliança partidária para a disputa nacional e o controle tucano da sucessão estadual. Mas a renúncia em 2006 diminuiu sua autoridade dentro do partido para barrar uma candidatura de Alckmin à prefeitura agora. Como justificar o apoio ao DEM em nome do interesse partidário? Se a divisão do eleitorado entre Alckmin e Kassab garantir a volta da petista Marta Suplicy à prefeitura, quem pagará o ônus por uma derrota? Se Alckmin ganhar, em que será devedor de Serra?



Tal como Serra, o governador de Minas não aposta em nomes do próprio partido para transformar a sucessão na capital de seu Estado em uma ferramenta para 2010. Belo Horizonte chega ao ano da sucessão do prefeito petista Fernando Pimentel em uma estranha situação de anomia. Nenhum dos nomes de prestígio eleitoral na cidade, como os tucanos João Leite e Eduardo Azeredo ou o petista Patrus Ananias, é de fato candidato. Aécio investe energias em procurar um candidato capaz de unir em um mesmo palanque o PT, o PSDB e o chamado bloco de esquerda - consórcio de pedetistas, comunistas e socialistas que tem no deputado Ciro Gomes (PSB) seu principal trunfo para a sucessão de Lula. Mostrar que é mais capaz que Serra em forjar alianças políticas é uma obsessão para o governador mineiro. Mas a tarefa ficou difícil depois que Walfrido dos Mares Guia foi abatido pela denúncia do Ministério Público sobre o caixa 2 em Minas. Tal como Serra, Aécio depende da boa vontade de adversários.


Fora de seu eixo presidenciável, o cenário para o PSDB é igualmente desalentador. O partido segue sendo uma ficção no Rio. Caminha para a irrelevância em Fortaleza. Não tem opção própria competitiva em Manaus ou Belém. Só demonstra força em Curitiba, onde o atual prefeito, Beto Richa, conta com grande dianteira em pesquisas e com adversários débeis à sua reeleição.


Sem grandes perspectivas em BH, Fortaleza, Porto Alegre, Rio e Salvador, o PT joga seu destino em São Paulo. A possível vitória de Marta Suplicy fortaleceria a candidatura própria do PT em 2010 e a inscreveria entre as opções para a sucessão presidencial. Marta seria a estrela em um conjunto de prefeituras petistas de pouco brilho. Fora São Paulo - onde o partido é competitivo, mas não favorito - o PT só sai na frente em cidades como Vitória, Porto Velho, Rio Branco e Palmas. Talvez reaja em Recife, onde o prefeito João Paulo deve conseguir emplacar seu favorito, o secretário municipal João da Costa, como candidato. Caso Marta perca, a chance de o PT ser impelido a apoiar uma candidatura presidencial de outro partido, como a de Ciro, torna-se mais palpável.


Nenhum partido investiu como o PMDB em inflar seu poder de força nas capitais. Trouxe do PDT o prefeito de Salvador (João Henrique), do PPS o de Porto Alegre (José Fogaça) e do PSDB o de Florianópolis (Dário Berger). Mas deve ficar fora do jogo nas três mais importantes: São Paulo, Rio e Belo Horizonte. Apenas Fogaça entre os neopemedebistas desfruta de uma situação relativamente tranqüila para disputar a reeleição: é o único que parece garantido no segundo turno. O partido larga com mais força onde já era forte em 2004: em Goiânia, o prefeito Iris Rezende dá-se ao luxo de escolher seus aliados já montando o cenário para a disputa estadual em 2010. Em Campo Grande, Nelsinho Trad não tem desafiante dentro do petismo. Reelegendo Fogaça, Trad e Iris, o resultado de 2008 é de soma zero em relação a 2010: o partido seguirá com dificuldade de participar do jogo sucessório nacional fora de uma posição subalterna em relação ao PT.


A leitura das pesquisas mostra na dianteira candidaturas que dificilmente terão fôlego para manter o favoritismo, pelo isolamento político ou pela rejeição que despertam. Entre outros, é o caso do radialista Raimundo Varela (PRB) em Salvador, do senador Marcelo Crivella (PRB) e do deputado estadual Wagner Montes (PDT) no Rio e do ex-deputado Moroni Torgan (DEM) em Fortaleza. É a presença na mídia ou em eleições anteriores que os impulsiona, mas em nenhum dos casos existe estrutura partidária, apoio das máquinas do município, do Estado ou do governo federal ou apoio empresarial consistente. As eleições nas capitais da Bahia, Rio e Ceará continuam uma incógnita. E o efeito na eleição presidencial é limitado: os governadores Jaques Wagner (BA) e Sérgio Cabral (RJ) poderão ser atores em 2010 mesmo com derrotas em casa e Ciro, o líder do grupo que comanda o Ceará, jamais dependeu da eleição da capital de seu Estado para ser ou não candidato a presidente. Uma vitória de ACM Neto (DEM) na capital baiana seria apenas um marco de sobrevivência local.

César Felício é repórter de Política

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

PSDB se prepara para 2008

Blog de Josias

PSDB busca aproximação até com aliados de Lula

Sérgio Guerra marca reuniões com o PMDB e com o PSB Objetivo é fechar alianças para pleito municipal de 2008 Estratégia é apoiada pelos presidenciáveis Serra e Aécio



O novo presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), abriu a temporada de contatos interpartidários para o fechamento de alianças para as eleições municipais de 2008. Reuniu-se há uma semana com os presidentes de dois aliados tradicionais: PPS e DEM. E agendou para o início do ano reuniões com duas legendas associadas ao consócio partidário que dá suporte ao governo Lula: PMDB e PSB.



A estratégia foi acertada previamente com os governadores José Serra e Aécio Neves, os dois presidenciáveis tucanos. Embora destinadas à costura de entendimentos para 2008, as conversas miram um objetivo mais longínquo: a eleição presidencial de 2010. “Precisamos abrir o partido”, diz Sérgio Guerra.



Há uma semana, o presidente tucano reuniu-se com Roberto Freire e com Rodrigo Maia, que presidem, respectivamente, o PPS e do DEM. Com Freire, Sérgio Guerra acertou a constituição de uma comissão com dois integrantes de cada legenda, para estudar o mapa eleitoral dos municípios. Com Rodrigo, combinaram de manter contatos, para tentar chegar a uma solução consensual em São Paulo.



A eleição municipal paulista é, hoje, o principal nó nas relações entre tucanos e ‘demos’. O DEM quer que o tucanato apóie a reeleição de Gilberto Kassab. O PSDB hesita entre lançar Geraldo Alckmin e apoiar Kassab em troca do apoio do parceiro a Serra na refrega de 2010. Rodrigo Maia disse a Sérgio Guerra que há, hoje, uma pré-disposição do DEM de lançar um candidato próprio à presidência da República. Algo que pode mudar se houver uma solução que privilegie Kassab em detrimento de Alckmin.



De resto, Sérgio Guerra manteve contatos telefônicos com os mandachuvas do PMDB e do PSB. Avisou a Michel Temer (PMDB-SP) e a Eduardo Campos (PSB-PE) que deseja conversar com ambos logo depois das festas de final de ano. O tucanato já possui alianças com as duas legendas do consórcio lulista em vários municípios. Acordos firmados na última eleição municipal, realizada em 2004. Deseja agora mantê-los e, na medida do possível, ampliá-los para outras cidades.



Na reunião que manteve com Roberto Freire, testemunhada pelo deputado Raul Jungmann (PPS-PE), Sérgio Guerra disse que deseja retirar o PSDB “da clausura”. Os dois dirigentes concordaram num ponto: é preciso promover uma aproximação com o PMDB, o partido que dispõe da máquina mais bem estruturada em termos nacionais.



A impressão de Freire, compartilhada por Guerra é a de que, sem um nome forte para disputar a sucessão de Lula, o PMDB não estaria propenso a apoiar uma candidatura do PT. E tenderia a se dividir.



Um naco do partido penderia para uma composição com um candidato de fora da coligação governista, reeditando o cenário verificado na disputa presidencial de 2006. Naquele ano, a ala do PMDB liderada por José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL) alinhou-se a Lula. Outro grupo, capitaneado por Temer, apoiou Geraldo Alckmin.



Quanto ao PSB, o diálogo restringe-se, inicialmente, às eleições para prefeitos. Para 2010, o partido tem em Ciro Gomes (CE) uma alternativa presidencial. Busca o apoio de Lula para esse empreitada. E dificilmente se comporia com o PSDB. Sobretudo se o candidato tucano for Serra, o que parece mais provável. Ciro mantém com Serra uma relação de gato e rato. Os dois não se suportam. O mesmo não se dá com Aécio Neves, cujo grupo sonha com a edição de uma chapa em que Ciro figuraria como vice.



De sua parte, Lula tenta estimular os partidos que gravitam à sua volta a priorizar alianças governistas nas eleições de 2008, numa espécie de projeto-piloto para 2010. Há quatro meses, o presidente pediu a Michel Temer que organizasse um encontro com os presidentes dos 11 partidos que compõem o bloco do governo. Temer promoveu um jantar em sua casa. Mas os entendimentos não avançaram. Pretendia-se realizar uma segunda reunião. Mas ela jamais ocorreu. É nesse vácuo que o PSDB tenta trafegar.

Escrito por Josias de Souza