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quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

A gambiarra é do PSDB, mas Sherlock Serra já decidiu que foi o PT


Segundo a Folha de São Paulo, para o governador Serra o novo incêndio no HC é um ato criminoso de responsabilidade do PT. Para O Estado de São Paulo a gambiarra pode ter a ver. O sherlock Serra é avesso a fumo, diferentemente do célebre detetive inglês e seu famoso cachimbo. Mesmo careca, o nosso governador dispensa o famoso gorro do detetive. Além destas diferenças, tem uma que é crucial: o inglês investigava antes de manifestar suas conclusões e o nosso amador tupiniquim chega e sai atirando. Ele procura um bode expiatório para encobrir tanta incompetência com incêndios, pane no metrô e túneis que desabam. Em verdade o PSDB é o principal suspeito, eles é que governam faz 16 anos o Estado. Elementar, meu querido Watson.

Para Serra, fogo pode ter sido criminoso

O governador citou o fato de o incêndio ter ocorrido em uma sala fechada e disse que essa hipótese será investigada

Os sindicatos dos médicos e dos funcionários criticaram a declaração do governador sobre sabotagem, dizendo que isso gera insegurança

MARINA GAZZONI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

RICARDO WESTIN
DA REPORTAGEM LOCAL

CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), afirmou ontem que o incêndio que atingiu uma sala do HC (Hospital das Clínicas) ontem de manhã pode ter sido "provocado", e não acidental. O HC faz parte da rede estadual de saúde. "O incêndio foi numa sala fechada, sem elementos de combustão. Existe a hipótese, que vai ser investigada, de que foi provocado", afirmou o governador em entrevista coletiva.
A Folha apurou que, no governo, existe suspeita de sabotagem porque o incêndio não teve uma causa relacionada com a engenharia e a manutenção do prédio.
Essa suspeita baseia-se no fato de que alguns setores tiveram seus interesses contrariados pela direção do hospital. Há, por exemplo, funcionários descontentes com medidas de moralização adotadas pela direção do hospital, como exigência de cumprimento da jornada de trabalho.
Além disso, cerca de 300 funcionários aposentados foram demitidos no fim do ano passado, porque acumulavam aposentadoria e salário da ativa. Por fim, foi feita uma revisão dos contratos do hospital, incluídos os de terceirização de pessoal (prestação de serviços).

Provocação
Na entrevista coletiva, Serra acusou o PT -partido que faz oposição ao governo estadual- de influenciar o Sindicato dos Funcionários e Servidores do Hospital das Clínicas.
De manhã, a entidade tinha afirmado que pediria a interdição do prédio até que fossem realizadas obras de segurança -à tarde, após uma reunião com a superintendência do HC, voltou atrás.
"O sindicato lá é petista. Essa manifestação é atitude de quem torce pelo pior e age com base em provocação para enfraquecer a diretoria do HC. Isso é provocação petista", disse Serra. "Toda vez que um dirigente sindical falar, é interessante ver a que partido pertence e qual é o esquema político que está procurando servir."
Itamar Marinho da Costa, presidente do sindicato dos funcionários, diz que "não faz política com a desgraça dos outros" e que Serra está mal assessorado. Sobre a questão da sabotagem, o sindicalista disse que a declaração é precipitada.
A hipótese de incêndio "provocado" foi criticada também pelo Sindicato dos Médicos de São Paulo. Para o presidente da entidade, Cid Carvalhaes, a declaração do governador foi "infeliz e inadequada".
"O governador não pode pura e simplesmente lançar uma suspeita, sem fundamento nem explicação. Isso gera ainda mais insegurança", afirmou.
"A declaração foi inoportuna, extremamente inábil e não se justifica. O que se espera de um governador é maior sensatez", acrescentou Carvalhaes.
O Sindicato dos Médicos solicitou uma reunião com os dirigentes do Hospital das Clínicas para saber das condições de segurança do edifício. "Já havíamos pedido explicações logo após o primeiro incêndio [no dia 24 de dezembro], mas até hoje não tivemos resposta. Se não obtivermos explicação, vamos acionar o Ministério Público e o Judiciário."

Obras
Em nota, o HC afirmou que as obras para a recuperação da rede elétrica danificada no incêndio de dezembro foram iniciadas ontem. O investimento previsto é de R$ 2,78 milhões, e o prazo de entrega, abril.
Os promotores José Carlos de Freitas e Anna Trotta Yaryd farão hoje uma inspeção no HC acompanhados de técnicos dos Bombeiros e do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas).
Se for constatada necessidade de obras emergenciais, devem acionar a Justiça para pedir a liberação "imediata" de verba. Desde 2005, a promotoria investiga a falta de segurança no prédio e cobra reformas.


Colaborou CINTHIA RODRIGUES



HC tem incêndio perto de gambiarra na fiação; Serra fala em sabotagem

Ninguém ficou ferido e não houve tumulto; fogo começou em sala fechada onde são guardados equipamentos

Bruno Tavares, Anne Warth, Marcela Spinosa e Eduardo Reina

O ESTADO DE SÃO PAULO

Um princípio de incêndio atingiu ontem uma sala do Prédio dos Ambulatórios do Hospital das Clínicas, em Pinheiros, zona oeste - exatamente no dia em que começaram as obras na fiação danificada num incêndio há um mês. Ninguém se feriu e o atendimento não foi prejudicado. A reportagem constatou que há várias gambiarras na rede elétrica do prédio, com dezenas de fios expostos pelos corredores e presos com fita crepe.

O HC afirmou que o incêndio ocorreu num local de acesso restrito, usado para armazenar equipamentos de endoscopia, na rampa entre o 5º e 6º andares. O governador José Serra sugeriu que o incêndio pode ter sido intencional. “Foi numa sala fechada, sem elementos de combustão, inclusive existe a hipótese, que vai ser investigada, de que foi provocado”, disse. “Ninguém acendeu fósforo, não havia motivo para fumaça.”

Segundo boletim registrado no 14º Distrito, às 6 horas um funcionário percebeu uma forte fumaça. Ele avisou um vigilante, que arrombou a porta e, com um extintor, controlou as chamas. Depois, chegaram oito carros do Corpo de Bombeiros.

A reportagem verificou que, logo acima da rampa onde fica o depósito, no corredor que dá acesso ao setor de Endoscopia, no 6º andar, um fio branco preso por fita crepe corre por 50 metros. No andar, o fio sai de uma tomada próxima do Ambulatório de Oftalmologia, mas a origem da conexão são quadros de força no subsolo. Além disso, do 4º ao 6º andares, chumaços de fios atravessam o hall de elevadores. Em alguns pontos, parecem varais. Havia ontem forte cheiro de queimado no 2º, 5º, 6º e 9º andares.

“Do jeito que estão, as instalações não oferecem risco, mas a fiação exposta deveria ser temporária”, afirmou o engenheiro João José Barrico de Souza, professor de Engenharia de Segurança da Escola Politécnica da USP. Ele disse que não é possível afirmar que a fiação tenha causado o fogo ontem. “Só que o primeiro incêndio vai completar um mês e, pelas fotos, não há sinais de que esteja sendo trocada.”

A assessoria do HC informou que não sabe dizer a situação da fiação exposta, pois a reportagem percorreu o local após a vistoria dos bombeiros

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Capitanias hereditárias?

Carlos Brickmann para o Observatório da Imprensa




Bola dentro

Os repórter Eduardo Reina e Emilio Sant’Anna, do Estadão, foram fundo na história do incêndio do Hospital das Clínicas, em São Paulo: dos 16,9 milhões reservados para manutenção e reequipamento do HC, só três milhões tinham sido empenhados até 18 de dezembro. O secretário da Saúde garante que, no finzinho do ano, aplicaria o resto. Exato: aquilo que não foi aplicado em 352 dias seria gasto nos 13 dias restantes. O secretário disse isso!

A reportagem é impecável: não faz juízos de valor, não usa adjetivos, só narra fatos. E deixa absolutamente clara a causa do incêndio no Hospital das Clínicas.

Quem é quem

Para o Governo estadual paulista, o pior de tudo é não poder jogar a culpa nos antecessores. A imprensa tem esquecido esse tema, mas o fato é que Serra entrou no lugar de Alckmin, que entrou no lugar de Covas, todos companheiros de PSDB. E, em certo sentido, não se pode sequer falar em apenas 13 anos de Governo tucano: desde a gestão de Franco Montoro, iniciada em 1983, é o mesmo grupo político que ocupa o Palácio Bandeirantes. Alguns romperam com outros, mas em certo momento estiveram todos juntos. Serra foi secretário de Montoro, e Quércia, o vice, foi o governador seguinte; Fleury era secretário de Quércia e seu vice, Aloysio Nunes Ferreira, é o homem-forte do Secretariado de Serra. No total, são 25 anos. Ninguém pode falar de herança maldita.

Já os meios de comunicação preferem nem tocar nesse assunto.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

O HC é ONG?

O jornal Pravda não tinha ombudsman, a Folha tem.

Ombudsman Folha

O HC é ONG?

MÁRIO MAGALHÃES
ombudsman@uol.com.br

A pergunta, em tom irônico, foi feita hoje por leitor em mensagem ao ombudsman.

Depois do título em uma única coluna na primeira página de ontem para o incêndio no Hospital das Clínicas, o jornal promove hoje o assunto a manchete: "HC adiou obra em central que pegou fogo".

Se conta histórias das pessoas prejudicadas pelo baque no atendimento, a cobertura praticamente omite os vínculos do HC com o Estado de São Paulo.

Não se trata de produzir investigações jornalísticas com cacoetes inquisitoriais, mas, no mínimo, de indagar as autoridades, ainda que o hospital tenha autonomia de gestão.

Nem na primeira página nem em nenhuma das três páginas internas, incluindo a capa de Cotidiano, dedicadas ao episódio a Folha destaca os vínculos do HC com a administração estadual.

O máximo que se lê, no último parágrafo de um texto: "No dia 25, a direção do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, que está sob alçada da Secretaria de Estado da Saúde, informou que nenhum paciente havia morrido durante o incêndio".

A Folha não traz declarações do secretário Barradas Barata, a não ser nos votos de Boas-festas no Painel do Leitor. Nem do governador Serra. Aparentemente, nem foram procurados para se pronunciar sobre a situação do hospital. Eles não são acusados de nada, o governador correu ao local quando soube do fogo, mas é dever do jornal cobrar a palavra deles.

Chama atenção o fato de a Folha não ter tomado nem a providência mais elementar, consagrada pelo próprio jornal, de investigar as despesas públicas. O principal concorrente local fez isso, e obteve a manchete "Estado só gastou 17,8% da verba para obras no HC".

E acrescentou na linha-fina: "Desde 2005 a Prefeitura pede melhorias no prédio que pegou fogo segunda-feira" _outra informação não encontrada na Folha.

Se a Folha descobriu que houve adiamento em reforma elétrica, repetiu insistentemente que o motivo foi "questão burocrática", aceitando um argumento que pode ser correto ou não.

A Folha preconiza, não custa lembrar, um jornalismo crítico.

Estadão aponta o dedo, já o Pravda...


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O jornal O Estado de São Paulo destaca a responsabilidade do governo estadual no abandono e descaso com as obras do Hospital das Clinicas. O governo estadual é o responsável pelo controle da execução do orçamento incluso das autarquias, e além de falir na sua responsabilidade -as obras eram consideradas urgentes já em 2005 durante a gestão Alckmin- mesmo agora o dinheiro dorme nos cofres.

Pior, O governador Serra entrou no STF para anular os Conselhos de controle do SUS, criados pela legislação estadual e que seu predecessor também queria derrubar. (ver pos-scriptum nota do... Estadão)

Os tucanos detestam controle independente, se recusam a dar satisfação e preferem uma mídia complacente. Isto eles conseguem, mas mesmo assim, com dificuldade (a dificuldade está diretamente relacionada com a briga interna entre Serra e Alckmin).

Compare a capa dos jornais paulistas, leia as matérias sobre o HC e descubra qual é a Pravda
do tucano Serra.

Pos-Scriptum

Serra contesta criação de conselhos do SUS

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), ajuizou no Supremo Tribunal Federal na última sexta-feira uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, com pedido de liminar, para derrubar a lei estadual que criou Conselhos Gestores no Sistema Único de Saúde (SUS). Eles teriam de 8 a 16 integrantes e teriam a função de fiscalizar os serviços de saúde. Fonte OESP.

Obras no HC: governo só gastou 17,8%


Este artigo ilustra muito bem as consequencias do que foi descrito no artigo do jornal Valor reproduzido neste blog ontem Serra reforça caixa em primeiro ano de poucas obras

Eduardo Reina e Emilio Sant’Anna

O Estado de São Paulo

Dos R$ 16,9 milhões orçados pelo governo do Estado para obras de adequação, ampliação e aparelhamento do Hospital das Clínicas neste ano, 17,83% - R$ 3.013.281,00 - foram empenhados, de 1º de janeiro até 18 de dezembro. E R$ 2.667.806,00 (15,79%) foram realmente pagos aos prestadores de serviços ou em compra de materiais e equipamentos. Os dados constam do Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária (Sigeo) da Secretaria da Fazenda.

Esse dinheiro poderia ser gasto em equipamentos anti-incêndio, portas corta-fogo e outras melhorias. Desde 2005, o Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru), da Prefeitura, pede adequações no Prédio dos Ambulatórios, onde ocorreu na véspera de Natal um incêndio nas fiações do subsolo. Outras áreas do orçamento estadual registraram uma execução maior, como é o caso do fundo de melhorias das estâncias turísticas - que teve orçamento de R$ 141,8 milhões em 2007. Desse total, 32,96% - R$ 46,7 milhões - foram empenhados.

O HC, por ser uma autarquia, conta com autonomia para gerir o orçamento, mas o secretário estadual de Saúde, Luiz Roberto Barradas, garante que toda a verba endereçada pelo Estado será usada nas próximas 48 horas - bastando para isso a finalização de algumas licitações.

Os dados do Sigeo, segundo o secretário, estão errados porque o item do Orçamento que trata de manutenção está designado no elemento de despesa como conservação e manutenção de bens móveis e imóveis. “Estão previstos gastos de R$ 12,8 milhões, dos quais R$ 11,4 milhões já foram reservados. A previsão é de que, até sexta-feira, sejam gastos R$ 13,2 milhões.”

Segundo o secretário, o dinheiro para manutenção está em outra rubrica. “São R$ 15 milhões ao todo, sendo R$ 7 milhões para obras e R$ 8 milhões para equipamentos. Desse total, R$ 3 milhões estão empenhados e R$ 12 milhões reservados, ou seja, aguardam o final dos processos licitatórios. O dinheiro será gasto para a ampliação do Pronto Socorro (R$ 1,7 milhão) e do Instituto de Ortopedia e compra de equipamentos para o Instituto de Psiquiatria (R$ 5 milhões).”

Especialistas, porém, contestam os valores. É possível fazer uma comparação com outro hospital, de porte menor e privado, o Santa Catarina. Ele está instalado na Avenida Paulista num prédio de 12 andares e investiu R$ 25 milhões em obras no ano de 2005. Só em equipamentos foram R$ 5 milhões.

Para empenhar (reservar) dinheiro no orçamento estadual para o Hospital das Clínicas, é preciso ainda definir os vencedores de processos licitatórios abertos pelo Estado ao longo deste ano. Barradas diz que isso ocorrerá até sexta-feira. Mas as obras só poderão realmente ter início no próximo ano - e isso se não houver nenhuma interpelação judicial.