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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Esplanada: Cargos por apoio em SP

CORREIO BRAZILIENSE

Acordo para reforçar a candidatura de Marta Suplicy à prefeitura paulista é o trunfo do PMDB na disputa com os petistas pelos postos de Minas e Energia


Gustavo Krieger
Da equipe do Correio
Márcio Fernandes/AE - 12/2/07
Quércia defende a candidatura própria do PMDB em São Paulo, como forma de pressionar o Planalto

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A disputa pela prefeitura de São Paulo é o trunfo do PMDB para conquistar os cargos que disputa com o PT no Ministério de Minas e Energia. Os petistas querem o apoio dos peemedebistas à candidatura da ministra do Turismo, Marta Suplicy. Esse acordo depende de dois interlocutores. O deputado Michel Temer, presidente nacional do partido, e o ex-governador Orestes Quércia, que controla a legenda no estado. Temer é o encarregado de negociar os cargos. Seu principal objetivo é a diretoria internacional da Petrobras, cobiçada pela bancada do partido na Câmara. Quércia luta para emplacar no governo o ex-prefeito Miguel Colassuono. Ele já foi cotado para um cargo no Ministério da Agricultura, mas perdeu a disputa para o PT. Os petistas também barraram a indicação dele para a secretaria-executiva no Ministério de Minas e Energia. Agora, a briga é por uma diretoria da Eletrobras.

Nas conversas dos últimos dias, os dirigentes do PMDB informaram ao governo que a negociação dos cargos terá reflexo direto na articulação por um acordo em São Paulo. “Se o PT continuar atacando todos os nomes que o partido apresenta não haverá clima para negociar um acordo eleitoral”, diz um dirigente peemedebista. “Se a coligação não funciona no governo, porque funcionaria na campanha?”, questiona.

O PMDB é estratégico na disputa em São Paulo. Na capital, o partido transita entre o PT e os adversários do PSDB e DEM. Um acordo da legenda com qualquer um dos lados pode desequilibrar a eleição. Em primeiro lugar, pelo tempo que o partido acrescentaria aos espaços nos programas do rádio e televisão. Em segundo, por sua estrutura na capital.

Negociações
Até aqui, a legenda negocia com todos os lados. Orestes Quércia já recebeu enviados do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), do prefeito Gilberto Kassab (DEM) e do PT. Quem o procurou em nome de Marta Suplicy foi o prefeito de Araraquara, Edinho Silva, presidente estadual do PT. Quércia não se comprometeu com ninguém. Mas na conversa, reclamou muito do PT. Disse que o partido atropela acordos e não respeita os aliados.

A irritação de Quércia já fez com que ele adotasse um discurso crítico em relação a Lula. Isso não fez com que ele interrompesse as negociações para nomear Colassuono. A primeira negociação foi para que ele assumisse a presidência da Ceagesp, estatal ligada ao Ministério da Agricultura. O cargo ficou com o PT e a articulação transferiu-se para o Ministério de Minas e Energia.

Um acordo com os tucanos ou com o DEM é uma operação complicada. Afinal, o partido tem cinco ministérios no governo Lula. A direção do PMDB pressiona Quércia a evitar o confronto. Por isso, nos últimos dias o ex-governador passou a defender o lançamento de candidatura própria. É uma forma de manter a negociação em aberto e pressionar o governo.

Como não conseguiu emplacar nenhum dos cargos desejados essa semana, o PMDB decidiu resguardar-se e esperar até depois do carnaval. Nesse momento, com o Congresso reaberto, o partido espera estar mais forte na negociação. A eleição de São Paulo aumenta esse poder.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Evento renova constrangimento no PSDB

Ao lado de Kassab e FHC em inauguração, Serra justifica ausência de Alckmin e afirma que antecessor não pôde comparecer


Em discurso, Serra enfatiza que modernização de trens começou em gestão do ex-governador e que ele foi convidado para evento

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
DA REPORTAGEM LOCAL

Apesar do esforço de pacificação da semana passada, três incidentes abalaram de novo as estruturas do PSDB. Defensor declarado da aliança com o DEM, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dividiu ontem palanque com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab e o governador José Serra para inauguração de duas estações da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).
Em Ourinhos para uma palestra, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que, assim como Kassab, quer disputar a Prefeitura de São Paulo, não estava lá para foto. Temendo reação, Serra disparou telefonemas frisando que Alckmin fora convidado e afirmando que FHC participara a convite do secretário de Transportes Metropolitanos, Luiz Portella.
"Os primeiros contratos referentes à modernização desta linha foram assinados pelo ex-governador Geraldo Alckmin, que queria também homenagear nesta cerimônia, que também foi convidado, mas tinha um compromisso de trabalho", justificou Serra, em discurso.
Em entrevista, ele esquivou-se de tratar das eleições. "Hoje é dia de falar de trem." FHC não discursou, mas também descerrou a placa de inauguração da estação Comendador Ermelino. "Estou aqui como "uspiano". Nada a ver com política."
O constrangimento aconteceu no dia em que veio à tona, no site da revista "Veja", um relatório em que Portella reclama a Serra dos anos de "falta de manutenção" do Metrô, antes sob o comando de Alckmin.
Além disso, em resposta aos que o acusam de retaliação, Serra teria dito que os bons tucanos estavam no seu governo ou na Prefeitura. Como a frase ganhou publicidade, teve que se explicar. Em outra solenidade, Kassab disse que "quatro anos é pouco" para executar o projeto de governo.
Enquanto isso, a ministra Marta Suplicy (Turismo), possível candidata do PT à prefeitura, era recebida ontem em Madri, pelo rei Juan Carlos, da Espanha. (RICARDO SANGIOVANNI E CATIA SEABRA)

FHC, Serra e Kassab juntos no palanque; e na campanha?



O GLOBO: E o Alckmin?

FH sobe em palanque com Serra e Kassab em SP

Publicada em 29/01/2008 às 18h09m

Flávio Freire - O Globo

Wladimir de Souza/Diário de São Paulo - Wladimir de Souza/Diário de São Paulo

SÃO PAULO - Um dos dias mais chuvosos de janeiro em São Paulo não foi obstáculo para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sair de casa e subir nesta terça-feira a um palanque montado na periferia da cidade, ao lado do governador José Serra (PSDB), num evento que reunia também o prefeito Gilberto Kassab (DEM). A presença de Fernando Henrique na inauguração de duas estações de trem na zona leste foi interpretada ao longo do dia como uma clara demonstração de que o comando do PSDB está mais muito mais afinado com o projeto de reeleição de Kassab, que tem recebido apoio da cúpula tucana, diferentemente do ex-governador tucano, Geraldo Alckmin, também pré-candidato à prefeitura paulistana.

" Não adianta caciques já começarem a subir no palanque, porque quem vai decidir mesmo se o Geraldo será ou não candidato é a base do partido, é quem amassa barro todo dia "

- Não adianta caciques já começarem a subir no palanque, porque quem vai decidir mesmo se o Geraldo será ou não candidato é a base do partido, é quem amassa barro todo dia, e não quem enfrenta uma chuva dessa só dar demonstração de força - disse um tucano do chamado grupo dos alckmistas.

Fernando Henrique evitou polemizar em torno de sua presença no local:

- Vim para um momento de inauguração de uma coisa importante para a zona leste, é essa a razão. Quando chegar o momento apropriado, aí eu digo o que eu acho (sobre a sucessão em São Paulo) - disse o ex-presidente, de blazer zul e gravata amarela, as cores do PSDB.

Diante da insistência para opinar sobre a discussão em torno dos nomes de Kassab e Alckmin, Fernando Henrique foi taxativo:

" Vim para um momento de inauguração de uma coisa importante para a zona leste, é essa a razão "

- Estamos entrando em um assunto que eu não quero - afirmou ele, que declarou recentemente que o melhor para o partido seria Alckmin concorrer ao governo de São Paulo, daqui a dois anos, e assim o terreno ficaria livre para Kassab.

Serra, que também apoiaria a candidatura de Kassab para não perder a aliança com o DEM numa eventual candidatura à Presidência, em 2010, disse que Alckmin também foi convidado para participar do evento. Para evitar constrangimentos nessa etapa inicial da pré-campanha em São Paulo, o governador teria acertado com Kassab e Alckmin de que os dois seriam convidados para todos os eventos oficiais do governo estadual. Alckmin não fora ao evento porque estaria cumprindo agenda no interior do estado. Sobre a presença do ex-presidente, Serra argumentou:

- Ele (o ex-presidente) está aqui para visitar uma exposição de fotos sobre a USP.

Em meio às articulações para a campanha eleitoral em São Paulo, a executiva estadual do PMDB decidiu criar ontem uma comissão para, no prazo de 30 dias, indicar o nome do candidato que irá concorrer ao cargo de prefeito. Os nomes do deputado federal Michel Temer e Alda Marco Antonio serão os primeiros da lista a serem procurados pela comissão, que também tem a missão de compor uma chapa de candidatos a vereador.

PSOL terá candidato à Prefeitura de São Paulo

O PSOL decidiu, nesta terça-feira, lançar candidato próprio para disputar as eleições em São Paulo. A executiva estadual esteve reunida na segunda-feira. O nome do deputado federal Ivan Valente (SP) foi apresentado como pré-candidato a prefeito. Em nota à militância, os membros da Executiva afirmaram a necessidade de uma alternativa programática e socialista para a cidade.

O PSOL também abriu o processo de debate para a construção do programa de governo. O partido deve apresentar uma plataforma alternativa, que discuta os grandes problemas do município, inverta prioridades, garanta a participação popular e seja voltada aos interesses populares.

São Paulo ganha 521 mil novos eleitores; mulheres chegam a 52%

Balanço da Justiça Eleitoral de São Paulo aponta que Em 2007, 521.420 novos eleitores se cadastraram na Justiça Eleitoral do estado de São Paulo. De acordo com Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o número de eleitores paulistas subiu de 28.032.061 em dezembro de 2006 para 28.553.481 em dezembro de 2007, um aumento de 1,86%. O estado é responsável por 22,4% do total do eleitorado brasileiro, que é de 127.464.143 eleitores. O percentual em dezembro de 2006 era de 22,29% sobre um total de 125.764.981 eleitores cadastrados no país todo.

Atualmente o maior número de eleitores no estado é do sexo feminino. São 14.830.343 eleitoras, correspondendo a 51,94% do total.

Analândia, localizada na região central do Estado, foi a cidade que apresentou maior crescimento do eleitorado. Há um ano o município tinha 3.681 eleitores registrados. Esse número cresceu 14,07%, atingindo 4.199 eleitores em dezembro de 2007.

Os eleitores em débito com a Justiça Eleitoral ou que tiveram seus títulos cancelados - foram 324.351 cancelamentos no estado - devem procurar os cartórios eleitorais para regularizar sua situação. O eleitor também deve ir aos cartórios em casos de alistamento, transferência do local de votação, emissão de segunda via do título e certidão de quitação eleitoral. O eleitor com situação regular com a Justiça Eleitoral pode emitir a certidão diretamente no site do TRE-SP www.tre-sp.gov.br.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Uma mentira e uma curiosidade

No jornal DCI de hoje um fulano plantou uma mentira escancarada: atribuir-me uma ação do Serra para destruir a tentativa de candidatura de Alckmin.

Segundo noticiado no Blog Entrelinhas, do jornalista Luiz Antonio Magalhães, o governador tucano está ameaçando as empresas e os fornecedores da Prefeitura e do governo do Estado de retaliação em caso de apoio financeiro a Alckmin.

A curiosidade, alem de saber quem plantou (com a generosidade do autor inescrupuloso da nota) a mentira no DCI, é que o Blog Entrelinhas é feito pelo editor de política do próprio DCI. Como o jornalista Luiz Antonio Magalhães é uma pessoa seria, diferentemente do autor da nota mentirosa, resulta curioso que uma mentirada dessa passe sem qualquer controle no DCI.

Fica um alerta: guerra suja, mentiras e provocações encontrarão o generoso espaço da mídia para agir em defesa dos tucanos. E seus métodos são inescrupulosos.

A seguir a nota fajuta e o artigo de Entrelinhas.

Luis Favre

Nota no DCI



Blog Entrelinhas de Luiz Antonio Magalhães

Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008

O dinheiro sumiu

Este blog confirmou ontem uma história que já foi de certa forma contada pelo esperto James Akel em seu blog: o que está impedindo o ex-governador Geraldo Alckmin de assumir oficialmente a candidatura a prefeito de São Paulo pelo PSDB é a falta de dinheiro. Sim, pode parecer surpreendente, mas Alckmin não está conseguindo, nas sondagens que tem feito, garantias de financiamento de sua campanha. Um alto quadro tucano contou ao blog, em off, naturalmente, que o governador José Serra (PSDB) percebeu que não conseguiria matar a candidatura de Alckmin pela via da disputa política, uma vez que Alckmin domina os diretórios estadual e municipal do PSDB, e decidiu então cortar as asinhas do ex-governador pela via "econômica": mandou avisar os empreiteiros, grandes financiadores de campanhas eleitorais, que quem ajudar Geraldinho não recebe nem do governo do Estado e muito menos da prefeitura, onde pontifica o candidato de Serra, Gilberto Kassab (DEM). Ainda segundo a mesma fonte tucana, Geraldo Alckmin vai pensar mais um pouco sobre o assunto e decide em março se concorre ou não. Quanto a ter uma garantia para disputar o governo de São Paulo em troca da desistência de concorrer à prefeitura, o grupo de Alckmin avalia que Serra não cumpriria tal acordo. E é isto que pode empurrar Geraldo para a disputa neste ano, mesmo sem dinheiro.

sábado, 26 de janeiro de 2008

O bico dos tucanos é uma boquinha

De Alckmin para Serra

Caneta na mão.
A nota que sinaliza preferência pela reeleição de Gilberto Kassab, divulgada pela bancada do PSDB na Câmara de São Paulo, reflete uma preocupação concreta: se Geraldo Alckmin entrar na disputa, os vereadores terão de entregar seus cargos nas subprefeituras, máquinas eleitorais poderosas. (PAINEL da FOLHA).


De Serra para Alckmin

Serra e a turma da boquinha
De José Serra, sobre as reclamações da turma de Geraldo Alckmin de que teria demitido o grupo do ex-governador quando assumiu o governo de São Paulo: "Quem presta do PSDB está no meu governo. Os que não estão são a turma da boquinha. (RADAR da VEJA)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Será?

Dora kramer é uma jornalista séria. Eu não compartilho das suas opiniões, porém ela é bem informada e sabe do que fala. Na sua coluna de hoje ela esbanja uma certeza: quem decide o candidato à Prefeitura é Serra. Como Serra quer Kassab, Alckmin estaria fora do jogo e ponto final.

Tenho minhas dúvidas. Concordo com a afirmação da jornalista que o PSDB é um partido sem corpo. Mas talvez o que a nota queira estabelecer é que se Alckmin se impor e Kassab cair fora, terá sido vontade de Serra e o contrário também. Resumindo: a escolha é do rei e sempre será sua vontade.

Será?

A coisa não me parece bem assim. Alckmin tem o apoio de Aécio Neves, que também tem máquina e não parece disposto a considerar que Serra seja o rei da cocada preta. A movimentação de Alckmin mostra que não esta disposto a acreditar em Papai Noel para 2010 e prefere correr o risco agora a sumir sem deixar rastro.

O medo dele é a chamada "guerra suja", pois sabe que seus "colegas" de São Paulo não hesitarão em alimentar a campanha com os podres e os esqueletos no armário da administração Alckmin no Estado: Nossa Caixa, Chalita, Pedágios, Tietê, Rodoanel, Metrô etc.

Mas devo confesar, eu não conheço os meandros do PSDB tão bem como Dora Kramer, por isso é bom registrar o alerta.


Mundo real

DORA KRAMER

Sejamos realistas: se não tivesse o aval do governador José Serra, o DEM não fecharia questão na candidatura de Gilberto Kassab. Não tem cacife político em São Paulo para isso.

Da mesma forma, Geraldo Alckmin sem a concordância de Serra não sairá candidato a prefeito: não tem mandato, não tem influência na prefeitura nem no governo do Estado e, se perder tendo batido de frente com o governador, só por um milagre ganha a legenda em 2010.

Alckmin pôs seu destino nas mãos do partido, que prefere candidatura própria, mas não tem voz ativa, não dispõe de músculos suficientes para lutar por coisa alguma nem massa crítica para se movimentar. Partido sem corpo, o PSDB caminha para onde a cúpula mandar.

Em 2006, quando Alckmin venceu a parada da candidatura presidencial, ele era governador, o que levou a cúpula a contabilizar: se já estava difícil ganhar de Lula com São Paulo a favor, se fosse Serra o candidato com Alckmin contra, seria impossível.

Leia a integra da coluna de Dora Kramer no jornal O Estado de São Paulo

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Alckmin e Kassab vão sair do armário

Blog de Josias

DEM se dispõe a apoiar chapa Serra-Aécio em 2010

Em troca do apoio a Kassab, partido abre mão da vice


Oferece também apoio a Alckmin na sucessão estadual

Sérgio Lima/Folha
A direção do DEM joga pesado para obter o apoio do PSDB à candidatura de Gilberto Kassab na eleição municipal de 2008. Promete compensar o tucanato paulista com extrema generosidade nas disputas pelo Planalto e governo de São Paulo, em 2010.

Para a sucessão de Lula, o DEM se dispõe a apoiar o governador tucano José Serra sem exigir a vaga de vice. Em reserva, os ‘demos’ sugeriram a Serra a formação de uma chapa presidencial “puro sangue”, com o também tucano Aécio Neves na posição de candidato a vice.

Na eleição do futuro governador de São Paulo, o DEM promete apoio irrestrito a Geraldo Alckmin (PSDB). Nesta quarta-feira (23), Jorge Bornhausen, ex-presidente do DEM, terá um encontro com Alckmin. Tentará demovê-lo da idéia de disputar a prefeitura, facilitando a composição em torno de Kassab.

Em diálogos que manteve com líderes do DEM, Serra tratou com naturalidade a possibilidade de figurar na cédula de 2010 ao lado de Aécio. Discorreu sobre o tema como se a hipótese já figurasse nos seus planos. Disse que é coisa para ser tratada mais adiante, não agora.

No momento, Serra concentra-se na costura de uma aliança tucano-democrata em torno de Kassab. Informou ao DEM que fará o que estiver ao seu alcance para pôr o acerto de pé. Disse, porém, que a evolução do entendimento depende da concordância de Alckmin, com quem planeja conversar depois do Carnaval.

Privadamente, lideranças do DEM e do próprio PSDB acham que Serra falhou no seu relacionamento com Alckmin. Em vez de abrir espaço para aliados do ex-governador na administração estadual, fechou as portas e afastou-se dele. Sugere-se que busque uma reaproximação.

Ainda que consiga arrancar Alckmin do caminho de Kassab, Serra terá muito a alinhavar se quiser de fato transformar Aécio Neves, hoje tão presidenciável quanto ele, em mero candidato a vice. Por enquanto, o maior aliado do governador de São Paulo, além do DEM e de FHC, é a pesquisa de opinião.

Na última sondagem do Datafolha, divulgada em 1º de dezembro de 2007, Serra figurava como líder em todos os cenários montados pelo instituto. Ciro Gomes (PSB) aparecia em segundo, sempre à frente dos candidatos do PT. Trocando-se o nome de Serra pelo de Aécio, Ciro assume o primeiro lugar. E o PSDB desce para o terceiro. Aécio fica atrás de Heloísa Helena (PSOL).

Montou-se também um cenário em que Serra e Aécio concorrem entre si. Nessa hipótese, que dependeria de uma improvável mudança do governador mineiro para outra legenda, Aécio manteve-se na condição de sub-HH. Serra (33%) lidera; Ciro (19%) permanece em segundo; e HH (15%) fica em terceiro. Só então vem Aécio (11%).

Na opinião de dirigentes do DEM, aparentemente compartilhada por Serra, a manutenção desse quadro amoleceria eventuais resistências de Aécio à vice. Não é o que deixa antever a movimentação do governador de Minas. Em São Paulo, Aécio estimula Alckmin a bater o pé. Quanto a Brasília, disse em dezembro, 11 dias depois da divulgação do Datafolha, que se considerava pronto para assumir a candidatura presidencial.

De concreto, tem-se, por ora, apenas o seguinte: para as duas principais legendas da oposição a Lula, a eleição municipal de São Paulo converteu-se na ante-sala de 2010. Serra e Aécio firmaram, em meados do ano passado, um armistício.

Combinaram de deixar as diferenças no armário até a abertura das urnas municipais, em outubro de 2008. A fricção entre Kassab e Alckmin está como que forçando a porta do armário. Que começa a se abrir antes da hora marcada.

Escrito por Josias de Souza

Ofensiva de DEM por Kassab irrita Alckmin e aumenta divisão tucana

Raimundo Paccó/Folha Imagem
Rodrigo Maia: tom duro ao entrar na reunião,
trocado por suavidade depois de conversar com o prefeito paulistano


César Felício e Cristiane Agostine
VALOR

A demonstração pública de apoio ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), dada pelo governador paulista, José Serra (PSDB), na segunda-feira, acalmou a cúpula do DEM, mas elevou a agressividade de aliados do ex-governador Geraldo Alckmin, possível candidato tucano à disputa da capital. A reação divide-se entre críticas aos integrantes do DEM e o combate interno: os aliados do ex-governador lembram que Serra não é o único presidenciável tucano e portanto não haveria razão para o partido desistir da candidatura própria neste ano para favorecê-lo em 2010.

Momentos antes de entrar na reunião do conselho político do partido, presidida ontem por Kassab em um hotel de São Paulo, o presidente da legenda, deputado Rodrigo Maia (RJ), foi enfático ao dizer que o partido "não tem problema de ir para a disputa", mas que uma divisão agora "pode abrir espaço para o PT na Prefeitura de São Paulo e depois na sucessão do presidente Lula". Rodrigo Maia reforçou a candidatura de Kassab e disse que em maio o prefeito paulistano estará "à frente de Alckmin nas pesquisas".


A declaração de Maia provocou irritação imediata. "Considero natural Serra ir ao encontro de aliados, mas totalmente anti-natural as declarações da direção do DEM que visam impedir o PSDB de ter chapa própria em São Paulo. O Geraldo tem respeitado a vontade do DEM de ter candidato", disse o deputado Edson Aparecido (SP). "O Serra não esconde sua preferência por Kassab, mas as bases querem o candidato mais forte para fortalecer o partido em 2010, e não uma aliança para fortalecer o projeto de um presidenciável. Até porque Serra não é o único pré-candidato a presidente", comentou o deputado Silvio Torres (PSDB-SP).


Serra e Alckmin encontraram-se pouco antes do Natal, mas tiveram uma conversa protocolar, sem debater a sucessão municipal. Segundo relato de um tucano que procura manter a eqüidistância, a relação entre os dois nunca esteve tão ruim. Na avaliação dele, o apoio a Alckmin é majoritário nas bancadas federal e estadual do PSDB.


O conselho político do DEM discutiu por três horas às portas fechadas. Após o fim da reunião - e do discurso do prefeito paulistano - o tom de Rodrigo Maia foi muito mais ameno e conciliador. "A discussão (sobre o fim da aliança com o PSDB) deve ser feita no momento adequado, depois que todas as tentativas e discussões com o PSDB se encerrarem. Enquanto isso não ocorrer, temos de lutar pela aliança que tem sido vitoriosa em São Paulo", declarou.


Rodrigo Maia minimizou o impacto nos acordos DEM-PSDB em outros Estados, com uma eventual ruptura entre os dois partidos em São Paulo. "São poucos os Estados que essa aliança está tão amarrada como em São Paulo."


Porta-voz da reunião, o prefeito Kassab foi comedido em seus comentários. "Os entendimentos para manter aliança são mais importantes que os projetos pessoais. Jamais algo que é natural, que é minha candidatura à reeleição, será colocado como entrave à manutenção da aliança", disse o prefeito.


Pai do presidente da sigla, o prefeito do Rio, Cesar Maia, brincou com Kassab e disse que tem recebido muitas mensagens eletrônicas com pedidos para levá-lo como candidato para disputar o governo municipal do Rio. Demonstrando menos preocupação sobre a aliança com o PSDB, Cesar Maia reforçou a tese de Alckmin para 2010, no governo de São Paulo, e Kassab em 2008, conforme defesa já feita pelo presidente de honra dos tucanos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Não há nenhuma razão para que uma disputa entre nós fortaleça o adversário. Porque obviamente no primeiro turno só quem sairá fortalecido de uma candidatura PSDB e DEM será Marta Suplicy. Não há nenhuma razão para Kassab não ser candidato. Chapa vitoriosa: Kassab hoje, Alckmin amanhã", disse o prefeito.


Antes de integrantes do conselho político concederem entrevistas, ao fim do encontro, o DEM divulgou uma nota sobre o encontro, em que a discussão eleitoral não aparece, mas se faz um apelo à manutenção da aliança. "A gravidade do momento pede a união das oposições, a exemplo do que ocorreu no Congresso na extinção da CPMF, a fim de impedir retrocessos e mais prejuízos às pessoas", diz a nota.


Os dirigentes do DEM aproveitaram o encontro para gravar entrevistas e imagens com a produtora GW, para o programa de televisão partidário. A empresa presta serviços tanto para a prefeitura paulistana quanto ao partido. É a mesma produtora que fez a campanha eleitoral de Alckmin em 2006. Segundo assessores de Kassab, a produtora, deve continuar com o prefeito na campanha eleitoral, fazendo com que Alckmin perca o marqueteiro da campanha anterior, o jornalista Luiz González. Aliados de Alckmin duvidam da possibilidade, por considerar que a presença de Gonzalez em uma campanha de Kassab seria visto como um rompimento público entre Serra e o ex-governador, o que não deve ocorrer.


Ontem, Alckmin se reuniu com FHC. Na conversa, reafirmou a defesa de lançamento de candidatura do PSDB à Prefeitura de São Paulo. FHC, por sua vez, pregou a manutenção da aliança com o DEM na cidade. Segundo tucanos, a conversa não foi conclusiva. Hoje, Alckmin se reunirá com o ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen. A articulação suspendeu a ofensiva do DEM. A avaliação foi que não seria prudente avançar na véspera do encontro entre Bornhausen e Alckmin. A conversa foi acertada na segunda-feira, quando Bornhausen almoçou com o presidente municipal do PSDB, José Henrique Lobo. Bornhausen também se reuniu com FHC. " Não é o momento de constrangimentos " , disse o líder do DEM no Senado, Agripino Maia (RN).


Com as dificuldades dentro do partido, Alckmin tem procurado apoio em outras lideranças políticas. Ontem, o tucano marcou um novo encontro com o presidente do PMDB-SP, o ex-governador Orestes Quércia. Nos próximos dias, os dois devem se reunir para discutir uma eventual aliança. No fim de dezembro do ano passado, Quércia teve encontros com Kassab, Alckmin e com interlocutores da ministra Marta Suplicy, provável candidata do PT à prefeitura.


As conversas com o PT não avançaram na reunião que Quércia teve ontem com o presidente do diretório estadual do PT, o prefeito de Araraquara, Edinho Silva. Apesar do aceno feito pelos dois partidos sobre uma aliança em 2008 e 2010, as negociações ficaram travadas. Quércia tem demandas antigas que não foram contempladas: a indicação para disputar o Senado na chapa e a indicação para cargos no governo. (Com agências noticiosas)

domingo, 20 de janeiro de 2008

Entrelinhas: Ainda sobre Quércia e Alckmin

O presidente municipal do PMDB em São Paulo, Bebeto Haddad, defende com entusiasmo uma aliança de seu partido com o PSDB, em torno da candidatura de Geraldo Alckmin à prefeitura com base em um raciocínio bastante interessante: se Alckmin vencer, o PMDB governará em coalizão a maior cidade do País, o que dispensa maiores comentários; se Alckmin perder, o que é uma hipótese hoje considerada remota, o ex-governador poderia até mesmo migrar para o PMDB a fim de disputar o governo paulista em 2010, completando assim uma chapa que teria Quércia como candidato ao Senado, uma dobradinha sem dúvida com força eleitoral.

Já os peemedebistas que defendem uma aliança com o PT dizem que o partido de Lula tem mais a oferecer, inclusive no governo federal, ao ex-governador Orestes Quércia. Até agora, porém, a verdade é que Lula não atendeu aos pleitos do PMDB paulista.

No fundo, a questão para Quércia é saber em quem confiar. Com o PT, a experiência não foi lá muito boa.

Cúpula do DEM vai a SP para ‘prestigiar’ Kassab



Blog de Josias


Alto comando da legenda quer candidatura 'irreversível'




Num instante em que parte do PSDB hesita em apoiar o tucano Geraldo Alckmin, o DEM decidiu avançar uma casa no xadrez em que se converteu a pré-campanha para a prefeitura de São Paulo. O alto comando do DEM irá à capital paulista, na próxima terça-feira (22), para prestigiar o prefeito Gilberto Kassab (foto), candidato à reeleição.



Será um encontro do Conselho Político da legenda, integrado por suas principais lideranças –dirigentes, ex-dirigentes, líderes no Congresso e executivos –estaduais e municipais. O pretexto da reunião é a necessidade de fazer uma análise da conjuntura política. Serão discutidos: o cenário nacional pós-extinção da CPMF e a as eleições municipais de 2008.



Quanto ao caso de São Paulo, o partido pretende fixar uma posição terminativa. O conselho endossará a candidatura de Kassab e delegará ao próprio prefeito a tarefa de costurar os acordos políticos em torno do nome dele. Uma delegação apenas formal. Na prática, toda a ex-pefelândia está empenhada em pôr de pé a candidatura própria na maior capital do país.



Além de Kassab, o ‘demo’ mais envolvido na costura paulistana é Jorge Bornhausen (SC), ex-presidente do DEM. Ele esteve com o governador José Serra, na semana passada, para informar que pretende procurar Geraldo Alckmin. Recebeu sinal verde. Verdíssimo.



Bornhausen planeja avistar-se com Alckmin nos próximos dias. Tentará demovê-lo da idéia de disputar a prefeitura. Vai aconselhá-lo a concorrer o governo de São Paulo, em 2010. Uma equação que interessa a Serra, empenhado em costurar uma aliança tucano-democrata para a sucessão de Lula.



Além de Serra, o DEM conta com o apoio de um outro grão-tucano para tirar o ex-governador do caminho: FHC. O problema é que, por ora, Alckmin não emite o menor sinal de que pretenda abrir mão da disputa. Longe disso. Já deflagrou os contatos para erigir uma aliança em torno de si. Conforme noticiado aqui, reuniu-se duas vezes com Orestes Quércia (PMDB).



O PT observa a divisão entre ‘demos’ e tucanos com vivo interesse. Torce para que a desavença tenha vida longa. Idealiza um cédula com os nomes de Kassab e de Alckmin. Situação em que sua candidata, a ministra Marta Suplicy, teria a vida simplificada.



Na última pesquisa Datafolha, divulgada em 9 de dezembro, Alckmin obteve 26% das intenções de voto, quatro pontos a menos que os 30% que amealhara na pesquisa anterior, feita quatro meses antes. O ex-governador tucano estava tecnicamente empatado com Marta (25%, um ponto acima dos 24% que alcançara em agosto de 2007). Kassab subiu, em dezembro, de 10% para 13%.



Num cenário sem Alckmin, Marta subiria, segundo o Datafolha, de 25% para 28%, tornando-se líder isolada. Mas passaria a ser acossada por Kassab, que, nessa hipótese, subiria de 13% para 20%. Daí a macumba do petismo para que PSDB e DEM se apresentem aos eleitores paulistanos cada um com o seu candidato.

Escrito por Josias de Souza

sábado, 19 de janeiro de 2008

Longe da fantasia: Alckmin negocia apoio do PMDB de SP com Quércia

Blog de Josias


Alheio às conveniências de José Serra e às opiniões de Fernando Henrique Cardoso, o tucano Geraldo Alckmin costura nos subterrâneos uma aliança que dê suporte à sua candidatura à prefeitura de São Paulo. Idealiza uma parceria do seu PSDB com o PMDB de Orestes Quércia.

Alckmin já teve pelo menos duas reuniões com o próprio Quércia, que preside o PMDB no Estado de São Paulo. Esteve também com Bebeto Haddad, presidente do diretório peemedebista na capital paulista.

O tucano disse aos dois interlocutores que deseja concorrer à prefeitura paulistana em outubro de 2008. E manifestou o interesse de ter o PMDB do seu lado. Em privado, cogita entregar a um peemedebista a vaga de vice.

Nem Quércia nem Bebeto excluíram a hipótese de formalização de um acordo. O diálogo mantém-se, por ora, inconcluso. Será retomado em fevereiro, depois do Carnaval.

Alckmin move-se à revelia de Serra. De olho na corrida presidencial, o governador de São Paulo corteja o DEM. E a tribo ‘demo’, sabendo-se essencial para os planos futuros de Serra, condiciona uma eventual parceria em 2010 ao apoio do PSDB à candidatura municipal de Gilberto Kassab.

Guindado à prefeitura como vice, Kassab (DEM) tornou-se titular do posto em 2006, quando Serra decidiu rasgar um compromisso que assumira por escrito, trocando a cadeira de prefeito pela poltrona de governador. Kassab tomou gosto pela coisa. E quer porque quer se reeleger.

Há uma semana, para irritação de Alckmin, FHC associou-se publicamente aos planos de Serra. Em entrevista aos repórteres Laura Greenhalgh e Fred Melo Paiva, o ex-presidente disse que Alckmin deveria se resguardar para a disputar ao governo de São Paulo, em 2010. Afirmou que Kassab “tem sido bom prefeito”.

FHC acrescentou: “Se você pensar estrategicamente, seria ótimo que a aliança dele [Kassab] com o PSDB se mantivesse nas eleições [municipais de 2008], que o Geraldo [Alckmin] pudesse disputar o governo, o que liberaria o Serra para a presidência [da República].” Reservadamente, Alckmin considerou descorteses as palavras de FHC.

Na última quarta-feira (16), em reunião com Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, e Arthur Virgílio (AM), líder do tucanato no Senado, Alckmin disse que se submeterá à decisão do partido. Mas mostrou-se muito propenso a concorrer à prefeitura. Sabe que, se bater o pé, o PSDB terá dificuldades para rifá-lo em nome do apoio a Kassab.

Observando a encrenca à distância, o governador Aécio Neves (Minas), que mede forças com Serra pela vaga de candidato ao Planalto, estimula Alckmin. Considera inconcebível que o PSDB puxe o tapete de um correligionário que traz na biografia um cacife eleitoral que o conduziu ao segundo turno da eleição presidencial de 2006.

Quanto ao PMDB, Quércia já informou aos seus pares que não quer entrar na refrega municipal como candidato. Prefere a formalização de uma boa aliança. No plano federal, o PMDB apóia o governo petista de Lula. É o maior partido do consórcio governista.

Porém, a cúpula da legenda avisou ao PT e ao próprio Lula que, em 2008, dará preferência às alianças com partidos da chamada base governista. Não hesitará, porém, em acertar-se com legendas de oposição nos municípios em que o casamento “consangüíneo” se mostrar inviável.

Escrito por Josias de Souza

Fantasia e realidade

Vale a pena ler o artigo do escriba tucano Mauro Chaves sobre os tucanos de São Paulo.

Fazendo abstração da realidade e tomando seus desejos por moeda corrente, discorre o escriba sobre o mundo rosa da harmonia conquistada (e desejada pelos escribas) no convés do PSDB:
Kassab é prefeito de novo, Alckmin é governador de novo e Serra é presidente.

Só falta combinar com os russos, como dizia Garrincha, ou seja, o povo. Mas, antes do soberano se manifestar, os não menos tucanos Aécio Neves, Geraldo Alckmin e seus correligionários não parecem compartilhar o quadro "naif" de nosso escriba e também pintor, Mauro Chaves.


Pena para o ghost-righter da felicidade do casal Serra-Kassab, a história é um ménagè à trois e o terceiro não se deixa convencer do idílio. No mesmo jornal, no mesmo dia, Dora Kramer mostra que a fantasia "chavista" -encomenda correspondente ao desfecho que José Serra e seu pupilo Kassab gostariam de impor a Alckmin- é rejeitada pelo principal visado.

"Nothing personal" repete a exaustão Geraldo Alckmin, mas ele será candidato.

A seguir Mauro Chaves,
jornalista, advogado, escritor, administrador de empresas e pintor. E-mail:mauro.chaves@attglobal.net e também Dora Kramer, jornalista.



Grande acordo dos tucanos

Mauro Chaves

Quando menos se esperava, os tucanos se salvaram do desastre e conquistaram, na undécima hora, perspectivas alvissareiras. O conflito entre alckmistas e serristas, sobre a sucessão municipal, já tinha gerado um clima insuportável, com ironias e menoscabos recíprocos - e cada vez mais indiscretos - lançados nas rodas de conversa.

Enquanto o grupo do ex-governador chamava o governador (para dizer o mínimo) de político de compromissos não confiáveis, o grupo do governador chamava o ex-governador (para dizer o mínimo) de especialista em cizânia. Os primeiros diziam que uma liderança como a de Alckmin não podia “ficar na chuva e no sereno”, sem mandato e sem alguma “vitrina” que lhe pudesse garantir espaço na mídia, o que seria um contra-senso para quem, do partido, lidera as pesquisas de intenção de votos para a Prefeitura de São Paulo.

Os outros retrucavam reiterando que a administração Kassab, toda montada por José Serra, é um sucesso que o partido não pode deixar de capitalizar. E que graças ao reconhecimento popular, em razão de ações administrativas de grande êxito - do tipo Operação Cidade Limpa -, o nome de Gilberto Kassab se impõe como jovem liderança e tem todas as chances de superar a popularidade derivada do recall - para usar termo que o ex-governador gosta muito de empregar, referindo-se à lembrança que o eleitor tem da eleição passada, que com o tempo se esvazia.

O conflito estava nesse pé quando o ex-presidente Fernando Henrique, fazendo mistura de reflexão acadêmica com experiência política presidencial, anunciou, de forma clara e direta, a grande estratégia que se apresentava aos desarvorados tucanos: a aliança com os Demos em torno da candidatura Kassab à Prefeitura, este ano, e o lançamento das candidaturas de Geraldo Alckmin ao governo do Estado e de José Serra à Presidência da República, em 2010.

Raciocinando sobre essa estratégia, as melhores cabeças tucanas logo chegaram à conclusão de que Kassab prefeito, Alckmin governador e Serra presidente (KALSE) significaria uma tríade representativa dos melhores valores político-administrativos que esses partidos aliados poderiam oferecer ao País. Mas os obstáculos a uma estratégia desse tipo seriam, primeiro, a desconfiança dos alckmistas quanto à garantia da candidatura de Alckmin. E se Serra resolver candidatar-se à reeleição ao governo do Estado? Um dos motivos óbvios para isso poderia ser a candidatura de Lula a um terceiro mandato presidencial - apesar de seus protestos em sentido contrario. Outro obstáculo seria a situação de “chuva e sereno” do ex-governador, por aguardar uma candidatura governamental sem dispor de posição pública de destaque.

Leia mais no jornal O Estado de São Paulo


Nada pessoal

Dora Kramer

Na proporção de duas para cada cinco frases, o ex-governador Geraldo Alckmin repete que a decisão de se candidatar à Prefeitura de São Paulo “não tem caráter pessoal”. O que o PSDB decidir, diz, estará bem decidido.

Até apoiar uma aliança com o prefeito Gilberto Kassab?

Médio, nota-se pela avaliação dele sobre um cenário em que o PSDB se abstenha de concorrer em São Paulo: “Seria uma situação inédita e extremamente desfavorável para o partido, o eleitorado não aceitaria.”

Nada pessoal, só uma análise fria do quadro cuja definição final, no entendimento dele, carece de urgência e depende da vontade do partido e do desejo da população.

Considerando que a aferição popular se faz mediante pesquisas nas quais aparece hoje em primeiro lugar e que qualquer partido prefere ser protagonista que coadjuvante numa eleição, Geraldo Alckmin defende uma tese absolutamente em acordo com seu plano de vôo.

Plano este que pode ser mesmo administrar a cidade de São Paulo “para fazer o bem do povo”, mas no momento visa à inclusão partidária.

Alckmin nada diz - claro, não aborda a questão sob o prisma pessoal -,mas seus defensores explicitam: o “outro lado” na nação tucana avançou feito trator, imaginando que poderia deixá-lo de lado agora, mediante a promessa de garantia da vaga para a disputa do governo paulista, em nome da aliança estratégica com o Democratas, visando a arrumação de forças para a disputa presidencial de 2010.

E ser tratado como peça que se joga daqui para ali não estaria condizente com alguém que já foi governador duas vezes, candidato à Presidência, levando a disputa ao segundo turno com Lula, e dono de capital eleitoral expresso na liderança nas pesquisas.

Por isso a postulação de participar do jogo eleitoral desde agora. Na política o mercado futuro depende dos movimentos presentes, sob a regra geral de que o deslocamento faz a preferência e a paralisia abre espaço ao ostracismo.

Nada pessoal, insiste - “Não pretendo nada, o partido decide e fico honrado de meu nome surgir naturalmente” -, apenas um projeto político partidário como outro qualquer.

Legítimo, conforme reconhecem até os tucanos defensores da aliança com o DEM, mas sem dúvida um fator de perturbação na caminhada previamente organizada pelos adeptos da candidatura presidencial de José Serra: eleição de Kassab em 2006, candidatura de Alckmin para o governo de São Paulo em 2010.

Entre eles, o presidente Fernando Henrique Cardoso, que acha este o caminho a ser adotado.

Geraldo Alckmin não passa recibo. Não toma como crítica pessoal a posição de FH. “Ao contrário, foi muito positiva, abriu o debate dentro do partido.”

E a manifestação do governador José Serra dois dias depois, dizendo que a opinião de Fernando Henrique deveria ser levada em conta?

“Ótima. Significa um incentivo ao debate interno e uma honra a lembrança do meu nome para o governo do Estado em 2010.”

Então por que não seguir o roteiro por ele tido como o mais correto estrategicamente falando?

“Não é uma postulação pessoal nem se trata de fazer trocas de uma eleição pela outra. É uma decisão coletiva a ser tomada depois de muita conversa e reflexão.”

Diferentemente de seus correligionários que adotam um discurso firme contra qualquer possibilidade de composição, Alckmin pondera que nada na vida é inamovível. “Não precisa correria, a partida ainda está nas preliminares.”

Tem jogo diferente a ser jogado, então?

“Tudo pode acontecer, alianças se fazem no primeiro, mas também no segundo turno. Além do mais, divergências não significam rupturas, como ficou demonstrado na votação da CPMF. O partido divergiu e, no fim, votou unido.”

E agora, a unidade será feita em torno de quem, Kassab ou Alckmin?

“Depende do partido. Agora, se você quer minha opinião, acho muito difícil o PSDB se ausentar da eleição de 2008.” Nada pessoal, tudo muito profissional.

Leia a integra da coluna de Dora Kramer no jornal O Estado de São Paulo

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Clima quente na guerra tucana


Direto da fonte

Sonia Racy, sonia. racy@grupoestado.com.br

Bicadas tucanas

Posto em estado de alta fervura desde a entrevista de Fernando Henrique ao Estado, no domingo, o PSDB paulista não baixará tão cedo sua temperatura interna. O recado de FHC - favorável à fórmula Kassab-Alckmin-Serra para prefeito-governador-presidente - foi entendido, por muitos tucanos, como autorização para dizerem também o que pensam e querem. A reação de Geraldo Alckmin, insistindo na candidatura, foi só o começo.

Já tem tucano argumentando: em 2005, quando José Serra pensou em se candidatar à Presidência, os defensores de Alckmin diziam que sua alta votação em pesquisas “era só recall”. E agora, quando Alckmin diz que está liderando as pesquisas, ele cobra: “Não é só recall?”

Um outro pergunta: como Alckmin vai fazer campanha? Falando mal da gestão de Gilberto Kassab e da de José Serra?

O acordo de ontem entre Serra e o comando nacional do PSDB não deve acalmar as coisas. Os dois lados deixaram a definição da candidatura tucana para abril - mês em que Marta Suplicy terá de sair do Ministério, se for candidata. Mas a disputa entre defensores de Alckmin e Kassab independe do PT. Ela é, na verdade, um lance da campanha de 2010.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

A discussão "estratégica" no PSDB, um elevado debate de idéias


A informação é do Blog Entrelinhas do jornalista Luiz Antonio Magalhães. Ela mostra os métodos empregados no debate "estratégico" do PSDB sobre as candidaturas à prefeitura de São Paulo.

Eu não posso acreditar, o Serra é do bem e Alckmin vá a igreja todos os domingos. Mas também é difícil duvidar da palavra do jornalista.

Cada um pensa o que quer...

O dinheiro sumiu

por Luiz Antonio Magalhães

Jornalista, editor de Polí­tica do jornal DCI e Editor-Adjunto do Observatório da Imprensa.

E-mail: luizaccm@dci.com.br

Este blog confirmou ontem uma história que já foi de certa forma contada pelo esperto James Akel em seu blog: o que está impedindo o ex-governador Geraldo Alckmin de assumir oficialmente a candidatura a prefeito de São Paulo pelo PSDB é a falta de dinheiro. Sim, pode parecer surpreendente, mas Alckmin não está conseguindo, nas sondagens que tem feito, garantias de financiamento de sua campanha. Um alto quadro tucano contou ao blog, em off, naturalmente, que o governador José Serra (PSDB) percebeu que não conseguiria matar a candidatura de Alckmin pela via da disputa política, uma vez que Alckmin domina os diretórios estadual e municipal do PSDB, e decidiu então cortar as asinhas do ex-governador pela via "econômica": mandou avisar os empreiteiros, grandes financiadores de campanhas eleitorais, que quem ajudar Geraldinho não recebe nem do governo do Estado e muito menos da prefeitura, onde pontifica o candidato de Serra, Gilberto Kassab (DEM). Ainda segundo a mesma fonte tucana, Geraldo Alckmin vai pensar mais um pouco sobre o assunto e decide em março se concorre ou não. Quanto a ter uma garantia para disputar o governo de São Paulo em troca da desistência de concorrer à prefeitura, o grupo de Alckmin avalia que Serra não cumpriria tal acordo. E é isto que pode empurrar Geraldo para a disputa neste ano, mesmo sem dinheiro.

"Falastrão e boquirroto", olha o nível no PSDB de São Paulo

DEM quer convencer Alckmin a apoiar Kassab
DEM quer convencer Alckmin a apoiar Kassab

DEM tem aval de José Serra para procurar Alckmin


CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
FOLHA DE SÃO PAULO

Sob a bênção do governador de São Paulo, José Serra, cresce a pressão sobre o ex-governador Geraldo Alckmin para que desista de concorrer à prefeitura e se resguarde para 2010.
Numa audiência na tarde de ontem, o ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen informou a Serra que procurará Alckmin na semana que vem. Na conversa, avisou, alertará Alckmin para o risco de rompimento da aliança PSDB-DEM caso ele insista em disputar a cadeira de Gilberto Kassab.
"Alckmin tem o direito de ser candidato. Mas deve analisar as conseqüências dessa candidatura", disse Bornhausen.
Segundo Bornhausen, Serra não fez objeção à abordagem.
Alckmin, por sua vez, estaria irritado com o cada vez maior número de serristas que defendem essa saída. Seus interlocutores estariam surpresos com o recorrente uso de palavrões -coisa rara em seu vocabulário- para descrever o cerco.
Com o embate, aumenta também a tensão entre tucanos. O presidente municipal do PSDB, o secretário estadual José Henrique Lôbo, reclama dos "incendiários de sempre".
Queixando-se de um comentário feito pelo deputado federal Edson Aparecido -que comparou a defesa feita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à discussão do apoio ao governo Collor- afirmou: "Político que é candidato a alguma coisa é sempre falastrão e boquirroto. Um partido só cresce com disciplina e respeito a seus líderes".
Lôbo não quis identificar os destinatários de sua crítica. "Não vou comentar esse tipo de fala", reagiu Edson Aparecido.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Interesse público



Não sem razão o vice-governador de São Paulo, Alberto Goldman, disse que deveria prevalecer o "interesse público" na questão da escolha do candidato à prefeitura de São Paulo.

Mas do qual "interesse público" se trata?


A guerra intestina no PSDB para saber se prevalece Kassab ou Alckmin é uma manifestação de ambição política, carreiras à projetar ou preservar, cálculos sobre conveniências pessoais e espaços nas máquinas públicas, nos cargos distribuídos generosamente nas empresas e organismos da Prefeitura e do Estado, aos correligionários.

A candidatura tucana em 2010 é o objetivo e os aspirantes a ela querem se apossar da prefeitura para alavancar estas ambições pessoais.


Todos se inspiram na trajetória de José Serra: galgar cargos e abandoná-los ao sabor de sua ambição à atingir a Presidência da República. O programa, as alianças, as idéias e as realizações devem corresponder a este objetivo, coincida ele ou não, com o interesse público.


Ou acaso prevaleceu o "interesse público" na decisão de Serra de se eleger Prefeito de São Paulo como trampolim para candidatar-se novamente apenas um ano após sua eleição?


A única coisa de "público" na briga entre tucanos, é a notoriedade pública das ambições pessoais de Alckmin e Kassab.

Goldman tem razão quando constatá que Alckmim apóia e defende o governo demo-tucano na capital paulista e deveria em toda lógica apoiar sua reeleição. O interesse pessoal de Alckmin não deveria, segundo a filosofia de Goldman, prevalecer sobre a concordância política com o governo municipal.
Mas como ignorar, argumento do Alckmin, que o cargo de Prefeito, ganho pelo PSDB com Serra, foi para Kassab e o DEM por conta pura e exclusiva da ambição pessoal de Serra de galgar um escalão a mais na busca obsessiva da candidatura tucana a presidente?

Agora, FHC é convocado para à disputa pelos serristas, enquanto Aécio vem defender Alckmin. Cada um com sua estratégia, com sua ambição e com seu apetite voraz pelo... interesse público!


Por isso importa tão pouco, para eles, o que fizeram no governo da maior cidade do Brasil.

Eram contra os CEU's, mas depois acharam mais cômodo ceder a pressão da população e continuar o que a Marta iniciou e que eles combateram. Eram contra os uniformes e o material escolar gratuito, que a Marta introduziu, e depois mantiveram pela mesma pressão popular (com a incompetência típica e a falta de planejamento, em todos estes anos nunca conseguiram entregar os uniformes de verão a não ser... no inverno).


Depois de se encher a boca contra a carga tributária, governam o município com um orçamento que é o dobro do que era na época da Marta e conseguem reduzir o numero de domicílios isentos de pagar IPTU, que a administração do PT tinha estabelecido em 1 milhão duzentos mil, nos 900 mil atuais. Aumentaram as multas, o IPTU, os radares, as tarifas de ônibus e não construíram um mísero corredor novo em quatro anos.


Além do apoio manifesto de setores da mídia paulista, jornais impressos e também radio e TV, segunda edição, o único que podem reivindicar ao cabo de quatro anos é o fim dos outdoors. Muito pouco para sustentar o engôdo do "interesse público".

O afligente espetáculo de briga no PSDB deixara seguramente alguma plumas no chão e até algum tucano depenado, nada para ser lamentado. Só serve para mostrar o grau de indigência dos tucanos no que concerne idéias e projetos voltados para o interesse público, e quanto é grande o bico de oro das ambições pessoais.

Luis Favre

A seguir a saga de hoje da guerra inter-tucana



O ESTADO DE SÃO PAULO
PSDB precisa ouvir FHC, afirma Serra

Ex-presidente sugeriu Kassab para prefeitura e Alckmin para governo

Paulo Darcie

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), afirmou ontem que as opiniões do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre os rumos da aliança entre seu partido e o DEM têm muito peso e devem ser discutidas pelos tucanos. “É uma opinião do ex-presidente, que deve ser sempre levada em conta. Pode ter gente de acordo e gente que discorde, mas tem de ser respeitada”, afirmou.

Serra se referia às declarações de Fernando Henrique em entrevista ao Estado, publicada no domingo. O ex-presidente elogiou a atuação de Gilberto Kassab (DEM) à frente da Prefeitura de São Paulo e sugeriu que seria bom manter a aliança no município: a candidatura de Kassab à reeleição, combinada à do ex-governador Geraldo Alckmin para o Palácio dos Bandeirantes, em 2010, deixando Serra “livre” para concorrer à Presidência. “No caso da sucessão de Lula, não dá para dizer nada, embora hoje o Serra tenha mais pontos do que o Aécio”, afirmou Fernando Henrique, na mesma entrevista.

Repetindo o ex-presidente, Serra afirmou ser preciso que as candidaturas do partido se decidam com base em uma estratégia. “É importante a idéia de se ter uma visão estratégica para decisões dessa natureza”, destacou.

Questionado se a proposta de Fernando Henrique seria uma boa estratégia, Serra recuou: “Não vou me pronunciar a esse respeito.”

Os outros dois envolvidos nos planos do ex-presidente divergem. Kassab acha natural tentar a reeleição, mas alega que o mais importante é manter a aliança. Ontem a cúpula do DEM - o presidente da legenda, Rodrigo Maia, e o ex-senador Jorge Bornhausen - desembarcou em São Paulo para mais uma reunião como prefeito.

Alckmin e sua base no PSDB deram a entender que os planos para 2008 ainda estão de pé. O tucano evitou falar sobre o assunto, mas defensores de sua candidatura disseram que a lógica de Fernando Henrique só funciona com o PSDB unido.

O secretário municipal de Esportes e Lazer, Walter Feldman, também aprova as idéias de FHC. “Sua tese estratégica está centrada numa maneira diferenciada de construção de alianças.”


FOLHA DE SÃO PAULO

Aécio apóia candidatura de Alckmin em SP

Em oposição a Serra, governador de Minas diz que partido deve apoiar ex-governador, caso ele queira disputar a prefeitura

No final de semana, FHC tentou convencer Alckmin a recuar, mas ele insistiu que PSDB não pode abrir mão de ter candidato em São Paulo

CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL

A candidatura do ex-governador paulista Geraldo Alckmin à Prefeitura de São Paulo conta com apoio de peso dentro do PSDB: do governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Potencial candidato à Presidência da República -disputando com o governador de São Paulo, José Serra, o direito de representar o PSDB na corrida de 2010-, Aécio tem repetido que a candidatura de Alckmin seria estratégica para o PSDB.
Na avaliação de Aécio, Alckmin tem de ser o candidato do partido, caso queira disputar a prefeitura paulistana. Aécio deverá manifestar sua opinião em encontro previsto para esta semana. Convocada para discutir a dívida do PSDB, a reunião deverá contar com o presidente do partido, Sérgio Guerra, governadores e o ex-governador Geraldo Alckmin, candidato ao Planalto em 2006.
Na reunião, os tucanos deverão expor suas divergências. Ao defender a candidatura de Alckmin, Aécio contraria a torcida de tucanos por um acordo que assegure o apoio do PSDB à reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Esse seria o caso de Serra e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Ontem, no lançamento de um programa de privatização de rodovias, Serra disse que "a opinião do Fernando Henrique tem sempre que ser levada em conta, você concorde ou não, e a opinião dele tem visão estratégica, mas não vou me pronunciar sobre esse assunto". Segundo tucanos, FHC teria tentado demover Alckmin da idéia de concorrer, numa conversa na semana passada.
Alckmin, porém, insiste no argumento de que o PSDB não pode abrir mão de ter candidato na maior cidade da América do Sul. Também teria dito a interlocutores que estará liquidado caso não concorra desde já. "A candidatura tem apoio de movimentos organizados do partido", disse o deputado federal Edson Aparecido (PSDB).
Segundo ele, no fim do mês, haverá um manifesto formal desses grupos em favor da candidatura Alckmin. "A candidatura tem de cumprir a estratégia do partido", afirmou o deputado Duarte Nogueira. Enquanto alckmistas articulam movimentos de apoio à candidatura do ex-governador, os defensores da manutenção da aliança entre PSDB e DEM já tornam pública sua opinião.
Ainda que sem pregar diretamente o apoio à reeleição de Kassab, o vice-governador e secretário estadual de desenvolvimento, Alberto Goldman (PSDB), evoca "responsabilidade política" ao recomendar a preservação da aliança. "Nossa ação política deve levar em conta, em primeiro lugar, interesse público. Os outros interesses, por mais legítimos que sejam, partidários e pessoais, têm que se submeter a essa lógica."
Repetindo que o PSDB não pode se impor como cabeça de chapa, Goldman diz que essa é uma questão de sobrevivência política: " Onde entra o interesse do cidadão? Em política, se você não se der conta que existe um mundo real, está perdido".


Colaborou EVANDRO SPINELLI , da Reportagem Local

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

"Alckmin corre risco muito grande", disse Cesar Maia


Para Cesar Maia o DEM deveria ter candidato a presidente em 2010, mas em verdade esta "louquinho" para desistir e apoiar Serra em troca de Kassab ser ungido candidato do PSDB e o DEM em São Paulo. No meio do caminho, atravessado na garganta: Alckmin.

Em entrevista ao jornal Valor, o exaltado prefeito de Rio dá palpites e prognósticos sobre tudo e todos, discorre sobre as vantagens dos demos terem candidatura própria à presidente em 2010 e disse que tem bons nomes para tanto.

Mas de concreto quer tirar Alckmin da jogada em São Paulo, em favor de Kassab e conta para isso com José Serra.


Como Alckmin é candidato e já está em campanha o jeito será aceitar a divisão ou explodir sua candidatura de dentro do PSDB. Por enquanto estão tentando esto último e se não funcionar ? Vão "cristianizar" ou aceitar a imposição do "picolé de xuxu"?


Leia o que disse Cesar Maia ao jornal Valor:

Valor: O prefeito Gilberto Kassab (SP) é favorável ao DEM não ter candidatura para apoiar o Serra na disputa pela Presidência.


Maia: Isso é uma questão tática regional. Obviamente, ele tem que fazer isso. As chances de nós estarmos juntos com o PSDB em 2008 é que isso se resolva dentro do PSDB através do Serra. Então eu acho que o Alckmin corre o risco muito grande de se candidatar a prefeito de São Paulo.
Valor: Por quê?

Maia: Ele é um político jovem, já foi tudo - vereador, prefeito, deputado, governador, candidato a presidente da República, com 37% dos votos. Em qualquer pesquisa nacional, ele e o Serra estão iguais, não têm diferença. E ele vai para prefeito para um jogo de vida ou morte? Podendo ser escolhido governador de São Paulo, no lugar do Serra? Para ser prefeito e sair um ano e três meses depois para ser candidato a governador para poder perder a eleição? O eleitor em geral tem uma maneira de tomar uma decisão, que é diferente da maneira do intelectual, do empresário, que é mais racional. O eleitor não é assim, tem a vida dele, ele olha assim: "O doutor Alckmin, que eu gosto tanto dele, mas ele já foi tudo, podia ser nosso presidente. Será que ele vai ter entusiasmo para ser prefeito?". O Kassab tem sido um excelente prefeito, é, pela vida política dele, um homem que honra palavra e compromisso, que tem esse tipo de formação. O Serra tem visto isso e pode ser muito mais cômodo. Olha a saia justa: se o PSDB nos procurar e disser que apóia o Kassab em São Paulo em troca da vaga de vice em 2010, como a gente faz? A decisão nossa é ter candidato a presidente e isso é fundamental para o partido. Tendo candidato a presidente nós elegemos no mínimo mais dez deputados federais. Portanto, a gente vai lá para disputar a primeira bancada, o número 25 roda e facilita a campanha dos deputados estaduais e federais e governadores. Agora, o PSDB joga na mesa o Kassab, qual a reação que a gente vai ter? É um jogo para ser jogado.

Leia a integra da entrevista de César Maia no jornal Valor.

Alckmin bate pé por candidatura



Jornal da Tarde - O Estado de São Paulo


Apesar de FHC sugerir que ele dispute governo, aliados dizem que “sociedade e partido” querem ex-governador no páreo em 2008

O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) não vai mudar “um milímetro” sua estratégia após as afirmações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso - divulgadas ontem por Estado e JT - para quem “seria ótimo” manter a aliança PSDB-DEM em São Paulo, com apoio tucano à reeleição do prefeito Gilberto Kassab, para que Alckmin disputasse o governo em 2010 e o atual governador, José Serra, a Presidência. Embora Alckmin tenha evitado manifestar discordância, sua disposição é de levar adiante a candidatura. Seus aliados manifestaram surpresa com FHC.

“Há sentimento majoritário dentro do partido de que devemos ter candidato próprio em todas as capitais, especialmente em São Paulo”, afirmou o deputado Silvio Torres. “Nesse caso, a opinião do ex-presidente conflita com a da maioria.” A mesma tese foi defendida por outros deputados tucanos. “A referência do PSDB tem de ser a sociedade e a base do partido, que querem a candidatura do Geraldo”, afirma Edson Aparecido. Ele “cutuca”: “Se enveredarmos pelo rumo do cálculo político, podemos incorrer num erro que quase levou o PSDB a apoiar Fernando Collor (ex-presidente)”.

Torres cita que, na entrevista, FHC diz que “todos sabem que ele freqüentemente tem opiniões conflitantes com as do partido”. “Essa (sobre 2008) é uma delas. Ele ainda lembra que o ex-presidente defendeu a importância das pesquisas. “Por que então mudar de opinião quando as pesquisas mostram Alckmin na frente no 1º e no 2º turnos?”

Nas contas de outro tucano, “já que o ex-presidente fala de estratégia”, é preciso considerar que as eleições de 2008, em São Paulo, serão “antecipação” da batalha entre PSDB e PT em 2010, pela Presidência. “Imagine todo mundo olhando para cá e o número 45 escondido”.

As declarações de FHC expuseram “racha” no PSDB. Além do grupo alckmista, ala tucana mais próxima a Serra, defende apoio a Kassab. Para o líder do PSDB na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio, “há lógica” na proposta de FHC, “mas só funciona se Alckmin compartilhar desse posicionamento”.

Aliado ‘prevê’ mais apoio tucano

Kassab se disse feliz com a tática sugerida por FHC, mas foi cauteloso. Disse que “é natural”sua reeleição, “mas é importante, manter aliança” entre DEM e PSDB. “O que for definido pelos líderes será meu caminho.” Para um aliado prefeito, porém, “’até o fim do mês haverá outros tucanos em favor de seu nome”.

Para o presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia, FHC “está olhando estrategicamente” o quadro político, pois Kassab “tem sido leal e fiel ao PSDB de São Paulo” e “o problema é ser competitivo contra a candidata Marta Suplicy”. “Nosso adversário não é o Alckmin.”

Questionado ontem sobre a entrevista de FHC, Serra desconversou: “Não li. Ainda vou ver”.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Para Goldman (PSDB) a candidatura Alckmin (PSDB) representa interesses menores


"Não pode ter dois candidatos. Só pode ter um. Ou fazemos isso ou damos uma demonstração ao inverso para a população: de que o que pesa mais para nós são os interesses menores"

Albero Goldman, vice-governador do Estado de São Paulo (declaração reproduzida no artigo "Alckmin tenta costurar alianças para a eleição" da edição de hoje da Folha de São Paulo e que sumiu das páginas eletronicas do jornal)

Uma metamorfose dialética


O que acha de Gilberto Kassab?

FHC: Tem sido um bom prefeito para São Paulo. Se você pensar estrategicamente, seria ótimo que a aliança dele com o PSDB se mantivesse agora, nas eleições municipais, e que o Geraldo (Alckmin) pudesse disputar o governo estadual, o que liberaria o Serra para disputar a presidência.

O sr. então encaminharia as coisas dessa forma?

FHC: Trabalharia estrategicamente.

Significa então que o sr. iria de Serra em 2010?

FHC: Hein? Não necessariamente. 2010 está muito longe. Voltando à disputa em São Paulo: a capacidade que as lideranças têm de influenciar é limitada pelas pesquisas de opinião pública. Se um sujeito tem 10 pontos nas intenções de voto e o outro tem 30, o partido vai com quem tem mais. O novo, aqui, é que o Kassab está subindo. No caso da sucessão de Lula, não dá para dizer nada, embora hoje o Serra tenha mais pontos do que o Aécio.

Leia a integra da entrevista de Fernando Henrique Cardoso no jornal O Estado de São Paulo