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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Ofensiva de DEM por Kassab irrita Alckmin e aumenta divisão tucana

Raimundo Paccó/Folha Imagem
Rodrigo Maia: tom duro ao entrar na reunião,
trocado por suavidade depois de conversar com o prefeito paulistano


César Felício e Cristiane Agostine
VALOR

A demonstração pública de apoio ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), dada pelo governador paulista, José Serra (PSDB), na segunda-feira, acalmou a cúpula do DEM, mas elevou a agressividade de aliados do ex-governador Geraldo Alckmin, possível candidato tucano à disputa da capital. A reação divide-se entre críticas aos integrantes do DEM e o combate interno: os aliados do ex-governador lembram que Serra não é o único presidenciável tucano e portanto não haveria razão para o partido desistir da candidatura própria neste ano para favorecê-lo em 2010.

Momentos antes de entrar na reunião do conselho político do partido, presidida ontem por Kassab em um hotel de São Paulo, o presidente da legenda, deputado Rodrigo Maia (RJ), foi enfático ao dizer que o partido "não tem problema de ir para a disputa", mas que uma divisão agora "pode abrir espaço para o PT na Prefeitura de São Paulo e depois na sucessão do presidente Lula". Rodrigo Maia reforçou a candidatura de Kassab e disse que em maio o prefeito paulistano estará "à frente de Alckmin nas pesquisas".


A declaração de Maia provocou irritação imediata. "Considero natural Serra ir ao encontro de aliados, mas totalmente anti-natural as declarações da direção do DEM que visam impedir o PSDB de ter chapa própria em São Paulo. O Geraldo tem respeitado a vontade do DEM de ter candidato", disse o deputado Edson Aparecido (SP). "O Serra não esconde sua preferência por Kassab, mas as bases querem o candidato mais forte para fortalecer o partido em 2010, e não uma aliança para fortalecer o projeto de um presidenciável. Até porque Serra não é o único pré-candidato a presidente", comentou o deputado Silvio Torres (PSDB-SP).


Serra e Alckmin encontraram-se pouco antes do Natal, mas tiveram uma conversa protocolar, sem debater a sucessão municipal. Segundo relato de um tucano que procura manter a eqüidistância, a relação entre os dois nunca esteve tão ruim. Na avaliação dele, o apoio a Alckmin é majoritário nas bancadas federal e estadual do PSDB.


O conselho político do DEM discutiu por três horas às portas fechadas. Após o fim da reunião - e do discurso do prefeito paulistano - o tom de Rodrigo Maia foi muito mais ameno e conciliador. "A discussão (sobre o fim da aliança com o PSDB) deve ser feita no momento adequado, depois que todas as tentativas e discussões com o PSDB se encerrarem. Enquanto isso não ocorrer, temos de lutar pela aliança que tem sido vitoriosa em São Paulo", declarou.


Rodrigo Maia minimizou o impacto nos acordos DEM-PSDB em outros Estados, com uma eventual ruptura entre os dois partidos em São Paulo. "São poucos os Estados que essa aliança está tão amarrada como em São Paulo."


Porta-voz da reunião, o prefeito Kassab foi comedido em seus comentários. "Os entendimentos para manter aliança são mais importantes que os projetos pessoais. Jamais algo que é natural, que é minha candidatura à reeleição, será colocado como entrave à manutenção da aliança", disse o prefeito.


Pai do presidente da sigla, o prefeito do Rio, Cesar Maia, brincou com Kassab e disse que tem recebido muitas mensagens eletrônicas com pedidos para levá-lo como candidato para disputar o governo municipal do Rio. Demonstrando menos preocupação sobre a aliança com o PSDB, Cesar Maia reforçou a tese de Alckmin para 2010, no governo de São Paulo, e Kassab em 2008, conforme defesa já feita pelo presidente de honra dos tucanos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Não há nenhuma razão para que uma disputa entre nós fortaleça o adversário. Porque obviamente no primeiro turno só quem sairá fortalecido de uma candidatura PSDB e DEM será Marta Suplicy. Não há nenhuma razão para Kassab não ser candidato. Chapa vitoriosa: Kassab hoje, Alckmin amanhã", disse o prefeito.


Antes de integrantes do conselho político concederem entrevistas, ao fim do encontro, o DEM divulgou uma nota sobre o encontro, em que a discussão eleitoral não aparece, mas se faz um apelo à manutenção da aliança. "A gravidade do momento pede a união das oposições, a exemplo do que ocorreu no Congresso na extinção da CPMF, a fim de impedir retrocessos e mais prejuízos às pessoas", diz a nota.


Os dirigentes do DEM aproveitaram o encontro para gravar entrevistas e imagens com a produtora GW, para o programa de televisão partidário. A empresa presta serviços tanto para a prefeitura paulistana quanto ao partido. É a mesma produtora que fez a campanha eleitoral de Alckmin em 2006. Segundo assessores de Kassab, a produtora, deve continuar com o prefeito na campanha eleitoral, fazendo com que Alckmin perca o marqueteiro da campanha anterior, o jornalista Luiz González. Aliados de Alckmin duvidam da possibilidade, por considerar que a presença de Gonzalez em uma campanha de Kassab seria visto como um rompimento público entre Serra e o ex-governador, o que não deve ocorrer.


Ontem, Alckmin se reuniu com FHC. Na conversa, reafirmou a defesa de lançamento de candidatura do PSDB à Prefeitura de São Paulo. FHC, por sua vez, pregou a manutenção da aliança com o DEM na cidade. Segundo tucanos, a conversa não foi conclusiva. Hoje, Alckmin se reunirá com o ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen. A articulação suspendeu a ofensiva do DEM. A avaliação foi que não seria prudente avançar na véspera do encontro entre Bornhausen e Alckmin. A conversa foi acertada na segunda-feira, quando Bornhausen almoçou com o presidente municipal do PSDB, José Henrique Lobo. Bornhausen também se reuniu com FHC. " Não é o momento de constrangimentos " , disse o líder do DEM no Senado, Agripino Maia (RN).


Com as dificuldades dentro do partido, Alckmin tem procurado apoio em outras lideranças políticas. Ontem, o tucano marcou um novo encontro com o presidente do PMDB-SP, o ex-governador Orestes Quércia. Nos próximos dias, os dois devem se reunir para discutir uma eventual aliança. No fim de dezembro do ano passado, Quércia teve encontros com Kassab, Alckmin e com interlocutores da ministra Marta Suplicy, provável candidata do PT à prefeitura.


As conversas com o PT não avançaram na reunião que Quércia teve ontem com o presidente do diretório estadual do PT, o prefeito de Araraquara, Edinho Silva. Apesar do aceno feito pelos dois partidos sobre uma aliança em 2008 e 2010, as negociações ficaram travadas. Quércia tem demandas antigas que não foram contempladas: a indicação para disputar o Senado na chapa e a indicação para cargos no governo. (Com agências noticiosas)

domingo, 20 de janeiro de 2008

Cúpula do DEM vai a SP para ‘prestigiar’ Kassab



Blog de Josias


Alto comando da legenda quer candidatura 'irreversível'




Num instante em que parte do PSDB hesita em apoiar o tucano Geraldo Alckmin, o DEM decidiu avançar uma casa no xadrez em que se converteu a pré-campanha para a prefeitura de São Paulo. O alto comando do DEM irá à capital paulista, na próxima terça-feira (22), para prestigiar o prefeito Gilberto Kassab (foto), candidato à reeleição.



Será um encontro do Conselho Político da legenda, integrado por suas principais lideranças –dirigentes, ex-dirigentes, líderes no Congresso e executivos –estaduais e municipais. O pretexto da reunião é a necessidade de fazer uma análise da conjuntura política. Serão discutidos: o cenário nacional pós-extinção da CPMF e a as eleições municipais de 2008.



Quanto ao caso de São Paulo, o partido pretende fixar uma posição terminativa. O conselho endossará a candidatura de Kassab e delegará ao próprio prefeito a tarefa de costurar os acordos políticos em torno do nome dele. Uma delegação apenas formal. Na prática, toda a ex-pefelândia está empenhada em pôr de pé a candidatura própria na maior capital do país.



Além de Kassab, o ‘demo’ mais envolvido na costura paulistana é Jorge Bornhausen (SC), ex-presidente do DEM. Ele esteve com o governador José Serra, na semana passada, para informar que pretende procurar Geraldo Alckmin. Recebeu sinal verde. Verdíssimo.



Bornhausen planeja avistar-se com Alckmin nos próximos dias. Tentará demovê-lo da idéia de disputar a prefeitura. Vai aconselhá-lo a concorrer o governo de São Paulo, em 2010. Uma equação que interessa a Serra, empenhado em costurar uma aliança tucano-democrata para a sucessão de Lula.



Além de Serra, o DEM conta com o apoio de um outro grão-tucano para tirar o ex-governador do caminho: FHC. O problema é que, por ora, Alckmin não emite o menor sinal de que pretenda abrir mão da disputa. Longe disso. Já deflagrou os contatos para erigir uma aliança em torno de si. Conforme noticiado aqui, reuniu-se duas vezes com Orestes Quércia (PMDB).



O PT observa a divisão entre ‘demos’ e tucanos com vivo interesse. Torce para que a desavença tenha vida longa. Idealiza um cédula com os nomes de Kassab e de Alckmin. Situação em que sua candidata, a ministra Marta Suplicy, teria a vida simplificada.



Na última pesquisa Datafolha, divulgada em 9 de dezembro, Alckmin obteve 26% das intenções de voto, quatro pontos a menos que os 30% que amealhara na pesquisa anterior, feita quatro meses antes. O ex-governador tucano estava tecnicamente empatado com Marta (25%, um ponto acima dos 24% que alcançara em agosto de 2007). Kassab subiu, em dezembro, de 10% para 13%.



Num cenário sem Alckmin, Marta subiria, segundo o Datafolha, de 25% para 28%, tornando-se líder isolada. Mas passaria a ser acossada por Kassab, que, nessa hipótese, subiria de 13% para 20%. Daí a macumba do petismo para que PSDB e DEM se apresentem aos eleitores paulistanos cada um com o seu candidato.

Escrito por Josias de Souza

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Em SP, conflito tucano para escolher candidato marca início do ano eleitoral

Alckmin pensa na disputa, mas Serra quer manter aliança com Kassab

Flávio Freire
O Globo



SÃO PAULO. Com a eleição de 2010 como pano de fundo, foi dada a largada, ao menos nos bastidores políticos, para a sucessão na prefeitura de São Paulo. Seja por pressão de seus partidos ou para aproveitar a imagem que deixaram na última campanha, a ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT), e o ex-governador do estado Geraldo Alckmin (PSDB), começam a admitir o desejo de suceder a Gilberto Kassab (DEM) no comando da maior cidade do país.

Kassab não deixa por menos: — Eu ficaria muito feliz em disputar a reeleição.


Em análises internas, Marta e Alckmin alegam que, para concorrer, precisam ter seus partidos unidos em torno de suas candidaturas. Enquanto o presidente reeleito do PT, Ricardo Berzoini, defende o nome de Marta sem necessidade de prévias no partido, no PSDB o comando tucano vive o dilema de como lidar com a disputa sem minar a aliança com o DEM.
Kassab diz que não é hora de falar do assunto, mas adianta: — É natural a tendência de reeleição, ainda mais para um administrador bem avaliado, mas temos uma aliança sólida do PSDB com o DEM e precisamos discutir esse assunto no seu devido tempo — disse o prefeito.


Primeiras pesquisas eleitorais apontam vitória de Marta


As primeiras pesquisas reforçam a polarização entre PSDB e PT. Segundo o Ibope, num cenário que inclui Marta, Alckmin e Kassab, a petista sai na frente, com 27% das intenções de voto, contra 24% para o tucano e 12% para o prefeito. Já no segundo turno, Alckmin venceria a disputa com Marta: 50% a 38%.

Com Kassab, a diferença de Alckmin aumenta: 56% a 22%.

No PSDB, até que conflitos internos sejam diluídos, Alckmin é pré-candidato. Publicamente, ele desconversa, mas a amigos dá sinais claros de que porá a campanha na rua após o carnaval.

Suas pretensões políticas esbarram no racha que se avista por causa do forte interesse de uma ala tucana em apoiar a reeleição de Kassab.


Serra teme perder a aliança com o DEM em 2010


O governador José Serra estaria por trás dessa articulação contra a candidatura de Alckmin, reeditando o clima da eleição de 2006, quando os dois disputaram a vaga de candidato do partido à Presidência.

Possível candidato à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva em 2010, Serra teme perder o apoio do DEM, caso o PSDB insista em jogar Kassab para escanteio.

Alckmin quer aproveitar a lembrança que o eleitor tem da disputa de 2006, quando perdeu para Lula no segundo turno. O ex-governador, porém, não pretende partir para o tudo ou nada para ter o apoio do PSDB.

— Só não estou disposto a brigar, como aconteceu na candidatura para presidente em 2006. Mas deve ser natural que o partido não queira, e eu também não quero, perder esse universo de votos que tive em 2006, o que poderia acontecer se eu me candidatasse apenas em 2010 para governador de São Paulo — disse Alckmin a um tucano.

O ex-governador avalia que, se o PSDB optar por outro nome, sairá dividido e, provavelmente, derrotado da campanha municipal. Em análises internas e pesquisas, Marta aparece como a única candidata com forte chances de derrotá-lo. No PT, a pressão dos prefeitos da grande São Paulo e da militância ajuda a empurrar Marta para a disputa, embora ela preferisse esperar a briga pelo governo de São Paulo, em 2010. Para os prefeitos da região, a força de Marta pode alavancar seus candidatos.

Mas também entram na bolsa de apostas do PT o senador Aloizio Mercadante e os deputados José Eduardo Martins Cardoso e Arlindo Chinaglia.

— Marta é a candidata mais forte que temos e me parece que a imensa maioria do partido desejaria sua candidatura. Eu mesmo, até como paulistano (embora nascido em Minas), vejo que a população sente saudades de Marta — disse Berzoini.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Cidade Limpa: projeto do PT dá desconto de IPTU para quem arrumar fachada de imóveis comerciais

Vereador Antonio Donato
O plenário da Câmara Municipal aprovou ontem à tarde projeto substitutivo do vereador Donato ao PL 718/2007, do Executivo, que concede isenção de IPTU aos donos de imóveis comerciais que reformarem ou adaptarem as fachadas para se ajustar às condições da Lei Cidade Limpa. A aprovação do substitutivo se deu em votação final e, com isto, o projeto segue agora para sanção.

Em fevereiro deste ano, antes portanto da implantação plena da Lei Cidade Limpa, o vereador Donato apresentou o PL 040/2007, iniciando o debate sobre a necessidade de o Executivo compartilhar, especialmente com as pequenas e médias empresas, o ônus da adequação das fachadas. O PL 718/07 chegou ao Legislativo apenas em outubro passado.

Uma paisagem urbana ordenada é objetivo de todos, porém o custo disto não pode recair apenas sobre o contribuinte. É fundamental que a Prefeitura de São Paulo assuma parte dessas despesas e isso será possível a partir de agora, com a sanção do prefeito ao projeto aprovado.

O artigo 2º do PL estabelece que os imóveis com testada menor do que 10 metros terão 100% de desconto do IPTU. Maior ou igual a 10 metros e menor que 20 metros o desconto cai para 50%. Por fim, no caso de imóveis com testada maior ou igual a 20 metros e menor que 30 metros o desconto do IPTU será de 25%.

A prefeitura deverá divulgar em breve a regulamentação da lei, informando os contribuintes interessados sobre como proceder para requerer a isenção.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Definições paulistanas


Editorial Folha de São Paulo


O QUE JÁ ERA tido como provável aconteceu: tanto o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), como o ex-governador do Estado Geraldo Alckmin (PSDB) anunciaram que disputarão o comando do Executivo municipal em 2008.

Se esse cenário de fato materializar-se, a aliança PSDB-DEM, que vigora em terras paulistas desde 2000 -da qual ironicamente Alckmin e Kassab foram negociadores-, deixaria de repetir-se pelo menos no primeiro turno do pleito municipal.

Os dois virtuais candidatos anunciaram sua disposição de concorrer depois que pesquisa Datafolha publicada no último domingo pintou um novo quadro da sucessão paulistana. Alckmin ainda encabeça as intenções de voto (26%), mas perdeu quatro pontos em relação ao levantamento anterior. Já Kassab ganhou três, passando a contar com 13% das preferências.
No meio deles encontra-se a ministra do Turismo e ex-prefeita, Marta Suplicy (PT). Com 25% das intenções, está em empate técnico com Alckmin, mas vem dizendo que não disputará o cargo. A verdade é que os três estão quase condenados a concorrer.

Kassab não tem nada a perder exceto a chance de sua vida. Teve a sorte de ser o vice de José Serra quando este renunciou ao posto para eleger-se governador. Conseguiu assim a visibilidade que nem ele nem o DEM jamais haviam obtido em São Paulo. No cargo, teve competência para conduzir sem sobressaltos os negócios da capital até agora, e acertou ao conceber e implementar a iniciativa Cidade Limpa, sua principal bandeira. A propaganda maciça com que o DEM brindou o prefeito, destinando-lhe toda a recente propaganda do partido na TV, foi o toque final para a candidatura.

Alckmin, embora tenha perdido pontos na pesquisa, ainda é o líder. Sem cargo público e com espaço declinante na máquina tucana, corre o risco de ver seu capital político minguar, caso não dispute logo um novo pleito. E o único à vista é o municipal.

Também Marta deverá sofrer fortíssimas pressões para concorrer. É o único nome do PT a disputar com boas chances o comando de uma cidade que nenhum partido com aspirações nacionais pode desprezar. Mais do que isso, há na legenda muita gente poderosa com ânsia de tirá-la definitivamente do páreo na sucessão presidencial.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Pesquisa expõe divisão entre tucanos de SP


Para aliados de Serra, prioridade é consolidar aliança com DEM para 2010; defensores de Alckmin afirmam que alvo é prefeitura

Marta tem reafirmado que não será candidata, mas petistas de diferentes alas defendem seu nome para a sucessão na capital paulista

LEANDRO BEGUOCI
DA REPORTAGEM LOCAL
FOLHA DE SÃO PAULO

O resultado da pesquisa Datafolha sobre a sucessão municipal em São Paulo acirrou a disputa interna no PSDB e aumentou a pressão no PT para que a ministra do Turismo, Marta Suplicy, seja candidata.
Ontem, o instituto mostrou que o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e Marta estão empatados tecnicamente. O tucano tinha 30% das intenções de voto em agosto e caiu para 26%. A petista oscilou de 24% para 25%. O atual prefeito, Gilberto Kassab (DEM), ganhou três pontos e está com 13%. A margem de erro é de 3 pontos.
À Folha, Alckmin comemorou o resultado: "Embora ainda não tenha decidido se serei candidato, recebo com alegria o resultado da pesquisa e agradeço a manifestação de confiança do povo de São Paulo dirigida não apenas a mim mas também ao meu partido".
Para os aliados do governador de São Paulo, José Serra, a prioridade é consolidar a aliança PSDB-DEM em 2008. Eles não descartam abrir mão da candidatura Alckmin em benefício de Kassab.
O objetivo maior é a disputa pela Presidência da República em 2010, na qual Serra desponta como favorito -segundo pesquisa Datafolha publicada no último dia 2.
"O próximo ano é uma etapa da sucessão presidencial", diz o secretário de esportes da capital, Walter Feldman (PSDB). "Nós, do PSDB, precisamos abandonar qualquer projeto individual se quisermos voltar à Presidência. Alckmin é uma peça estratégica para 2010."
Kassab foi vice de Serra até 2006, quando o tucano deixou a prefeitura para disputar o governo estadual. No PSDB, há quem defenda que Alckmin desista da prefeitura para disputar o Palácio dos Bandeirantes.
Os aliados de Alckmin, sem cargos na prefeitura e no governo estadual, adotam discurso distinto. Para eles, o resultado da pesquisa Datafolha mostra a força do ex-governador, apesar do próprio PSDB. "Os outros nomes tiveram forte exposição de mídia nos últimos meses, menos o Geraldo, que não teve lugar nem no espaço do partido na TV", diz o deputado federal Edson Aparecido. "Ele é muito forte, tem a menor rejeição e vence em todas as projeções de segundo turno."
O deputado federal Duarte Nogueira, que foi secretário de Alckmin, tem a mesma opinião e acrescenta: "O primeiro passo de 2010 é pensar em 2008, inclusive procurando alianças com partidos como o PSB, o PPS e o PTB, não só o DEM".
Rodrigo Maia, presidente nacional do DEM, adota discurso semelhante ao dos serristas. "Só a unidade entre os partidos garante a vitória."
O PT aumentou a pressão sobre a ministra. Marta tem reafirmado que não será candidata. Mas no cenário sem seu nome, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, tem 1%.
"Acho que Marta deveria refletir um pouco mais e entrar na disputa", afirma o deputado federal Jilmar Tatto, candidato à presidência do partido e aliado da ministra. O deputado José Eduardo Cardozo, adversário de Tatto nas eleições do PT, afirma: "A decisão final é da Marta, mas ela é o nome mais forte do partido".

domingo, 9 de dezembro de 2007

Deputado entra na Justiça contra Alckmin por prejuízos ao tesouro

O deputado petista Rui Falcão protocolou junto ao Ministério Público do Estado de São Paulo, em 5/12, uma representação para instauração de inquérito civil contra o ex-governador Geraldo Alckmin e do ex-presidente da antiga Febem Alexandre de Moraes pelo prejuízo direto causado aos cofres públicos do Estado de, aproximadamente, R$ 32 milhões, pela demissão arbritária e em massa na fundação.

A situação gerou o ingresso de mais de uma centena de ações civis de reparação de danos morais e foi anulada pela Justiça e todos os 1.674 demitidos pelo “plano radical” promovido pelo governo Alckmin, para acabar com possíveis torturadores, foram reintegrados à Fundação Casa.

Conforme decisão judicial, em novembro/07, as demissões foram prematuras, sem a observância do devido processo legal e sem as garantias mínimas quanto à individualização da conduta de cada um dos demitidos. Com isso, o Estado arcará, além de indenizações, com o pagamento imediato de 27 salários dos funcionários afastados.

Rui Falcão explica que “diante disso, o Estado de São Paulo sofrerá um dano enorme e desproporcional, pela política mal orquestrada, que visava unicamente uma resposta social, ante o grande número de acusações de péssima gestão e falta de critérios educacionais para os adolescentes apenados por atos infracionais”, e completa “foi omissão culposa na condução da máquina administrativa”.

Na representação, o deputado evidencia que o ex-governador, Geraldo Alckmin, e o ex-presidente da Febem feriram os princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade e eficiência. As informações são da assessoria da Bancada do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Presidente eleito do PT paulista aproximou Lula de agronegócio

César Felício

VALOR


Davilym Dourado/Valor
Edinho Silva defende que o partido reconquiste a classe média: "Precisamos voltar a ocupar este espaço"


Vereador em uma cidade do interior de São Paulo com base no agronegócio, duas vezes eleito prefeito e colocado no comando estadual do PT em São Paulo por um acordo entre diversas tendências, o novo presidente do PT paulista, Edinho Silva, eleito com 55% dos votos, começa a repetir a trajetória do deputado e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci.

O atual prefeito de Araraquara, cidade de duzentos mil habitantes a apenas 80 quilômetros da Ribeirão Preto que foi governada por Palocci, Edinho pode representar uma reaproximação do partido com o empresariado rural e a classe média. Na eleição de 2006, a votação de Lula caiu em quase todos os municípios com forte base no agronegócio e Araraquara não foi exceção: a votação do PT para presidente despencou de 50% para 31% entre uma votação e outra no primeiro turno.


Retrato de um PT que se expandiu no interior de São Paulo longe do operariado e alicerçado na classe média, o novo presidente do PT paulista quer que o partido volte a competir pelas preferências dos setores médios com nível de educação superior. "Estamos com dificuldades em setores tradicionais que sustentaram o PT no passado remoto e recente. Precisamos voltar a ocupar estes espaços", afirma.


Empresários do agronegócio descrevem o prefeito de Araraquara como uma espécie de herdeiro de Palocci, que quando prefeito de Ribeirão Preto estabeleceu o diálogo entre o PT e o empresariado rural e montou a estrutura para o partido se espalhar na região, conquistando diversas prefeituras, entre elas a de Araraquara.


Edinho atuou para conseguir apoio empresarial para Lula nas campanhas presidenciais de 2002 e 2006 e tornou-se uma ligação estratégica com o agronegócio.


Foi Edinho, já prefeito de Araraquara, quem estabeleceu o primeiro contato entre José Luiz Cutrale e o então candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002. Na primeira conversa com Lula, a preocupação do empresário não foi apresentar demandas, mas obter de Lula garantias de que o presidente não iria implementar a plataforma da ala mais radical de seu partido, hostil aos grandes proprietários rurais.


Dada as garantias, depois de uma degustação de charutos em um restaurante de São Paulo, veio o apoio na campanha presidencial e os gestos de apreço logo que Lula tomou posse: Cutrale foi nomeado membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e o presidente compareceu à abertura de uma feira agroindustrial em Araraquara. Na ocasião, diante de Edinho e Lula, o empresário fez uma doação de R$ 4 milhões ao programa Fome Zero.


A proximidade entre Cutrale e o presidente da República, da qual Edinho foi o fio condutor, garantiu o apoio empresarial a Lula em 2006, mas não impediu que a relação do setor se tornasse atribulada. A maior zona de atrito entre o setor da indústria de suco de laranja e o governo federal diz respeito às constantes denúncias de formação de cartel para a compra da matéria-prima, que culminaram na operação da Polícia Federal em janeiro do ano passado chamada "Operação Fanta", em que houve busca e apreensão de documentos nos escritórios das empresas. Sob a alegação de irregularidades na ação da PF, as empresas impediram por liminar a análise dos documentos. O assunto está pendente na Justiça. Caso a prática de cartel fique caracterizada, o setor corre risco de perder mercados internacionais.


Uma vitória foi obtida este ano, com a colaboração do PT paulista. As empresas do setor de suco de laranja, conseguiram em maio deste ano convencer o governo a aceitar que o deputado Jilmar Tatto (PT-SP) - candidato à presidência do partido que foi ao segundo turno na eleição interna da sigla e que apoiou a eleição de Edinho Silva no plano regional - colocasse em seu parecer sobre uma medida provisória que alterava o Imposto de Renda uma emenda que tornava possível a realização dos acordos chamados "termos de compromissos de cessação (TCC)" em processos de cartel no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), proibidos desde 2000.


Segundo Tatto, a emenda foi colocada na medida provisória por orientação do então líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-SP), hoje ministro de Relações Institucionais. O parlamentar nega ter tido contato com empresários de qualquer setor. Entre os conselheiros do CADE, o novo texto da lei chegou a ser chamado de "lei do suco", mas na realidade o dispositivo beneficiou vários outros setores, como o da indústria frigorífica, do cimento e da informática, entre outros. No momento que a lei foi aprovada, estavam sob análise do Cade 40 processos de cartel contra empresas.


Empresa que representa 9% do valor adicionado no ICMS no município, o que a coloca como a maior da cidade, Cutrale rompera com o prefeito anterior, Waldemar De Santi (PP) e ameaçava retirar investimentos de Araraquara por causa de uma rua. A empresa mantém uma indústria na área central do município e suas chaminés são o principal marco urbano da cidade. De Santi não permitiu que a empresa fechasse uma via pública que cortava a unidade fabril ao meio.


Até então integrante da corrente Democracia Socialista, de tendência trotskista, Edinho Silva resolveu a situação negociando com a empresa a construção de um posto de saúde como contrapartida. A rua não existe mais. A ligação de Edinho com o trotskismo também não.


Sociólogo de formação, militante da Pastoral Operária e da Pastoral do Migrante na juventude, Edinho hoje se irrita com as críticas de setores ambientalistas e é defensor aberto do incentivo à produção do etanol, atividade que mantém sete usinas na região. "É um equívoco ficarmos nesta crítica a uma matriz energética renovável, sem que haja uma proposta alternativa", diz.


Procurada por este jornal, a Cutrale enviou um comunicado aonde informa ser "de sua obrigação apoiar boas idéias de gestão, principalmente àquelas em benefício da melhoria do social". Na nota, disse ainda que "a aproximação com todos os governos é mútua e independente de seus partidos". Garante ainda que jamais tentou agir politicamente para mudar o rumo das ações que sofre pela acusação de formar cartel. "A Cutrale entende que as instituições governamentais tenham de agir de acordo com as leis que orientam seus trabalhos e, em nenhum momento esperou que sua atuação fosse influenciada por seu relacionamento com outras esferas governamentais. A empresa ressalta que o processo está na fase investigatória", diz o texto.


A eleição de Edinho representa ainda uma mudança de eixo dentro da estrutura de poder do PT paulista. Egresso das correntes de esquerda do país, Edinho foi um ponto de união entre o grupo ligado à ministra do Turismo, Marta Suplicy e os apoiadores na eleição interna petista do deputado José Eduardo Cardozo, do grupo "Mensagem". Teve desde a primeira hora o apoio do deputado Antonio Palocci, do antigo Campo Majoritário e próximo a Edinho desde que era prefeito de Ribeirão Preto.


Ficaram do lado do deputado estadual Zico Prado, o principal adversário, o deputado João Paulo Cunha e o atual presidente regional, Paulo Frateschi, até então extremamente próximos do ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu. Em colisão com os antigos comandados, Dirceu apoiou Edinho.


Consolidada a vitória, uma das preocupações do novo comando do partido é impedir que o grupo derrotado tente atuar de forma paralela, negociando alianças eleitorais à revelia da direção estadual.


No jogo para 2010, Edinho entra como um aliado da ministra do Turismo, a quem defende até para a sucessão de Lula. Mas foi cortejado por outro presidenciável, o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, que telefonou assim que soube do resultado. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, não o procurou.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Com maior participação dos filiados, que nas eleições precedentes: Berzoini e Tatto vão disputar segundo turno pela presidencia do PT

de esqu. a dir. Marco Aurelio Garcia, Jilmar Tatto e Ricardo Berzoini, os dois últimos disputaram o segundo turno


Mais de 320 mil filadas e filiados do PT participaram da escolha dos novos dirigentes do partido. O seja uma participação maior que nas eleições internas de 2005.

Os quatro primeiros colocados no primeiro turno para presidente da legenda foram:

Ricardo Berzoini – 43,75%

Jilmar Tatto - 20,51%

José Eduardo Cardozo - 18,93%

Valter Pomar - 11,43%

(faltando contabilizar ainda uns poucos votos).


Valter Pomar já anunciou seu apoio a Jilmar Tatto para o segundo turno, que acontecerá em 16 de dezembro próximo.

José Eduardo Cardoso, que ficou em terceiro lugar, e que tem o apoio dos ministros Tarso Genro, Fernando Haddad, Dilma Roussef, dos governadores Jaques Wagner, da Bahía e Marcelo Deda, de Sérgipe e de Olivio Dutra e a corrente Democracia Socialista, não manifestou ainda sua escolha para o segundo turno. Está corrente defende a necessidade da refundação do PT, depois do que considerou como sua destruição moral e ética, pelas forças do antigo Campo Majoritário, lideradas agora por Ricardo Berzoini.

A concomitância da vitória de Edinho Silva para presidente da sigla no Estado de São Paulo; de José Américo para presidente do PT na capital paulista e do primeiro lugar ocupado por Tatto no nosso Estado, seguido por Ricardo Berzoini, configuram um novo quadro das relações políticas no interior do PT. Pois o peso do Estado de São Paulo no PT nacional continua grande pelo numero de seus filiados, além da própria história do PT.

Mesmo sendo favorito, Ricardo Berzoini sofreu uma importante derrota no Estado de São Paulo e independentemente do resultado do segundo turno, a nova relação interna não deverá excluir uma composição para poder governar o PT. A convergência com o setor representado por Jilmar Tatto pode constituir o elemento aglutinante de uma nova maioria partidária renovada.

Os resultados confirmam o apoio amplo dos petistas aos candidatos comprometidos com essa renovação partidária ancorada na defesa intransigente do PT contra seus adversários da direita.

A liderança do presidente Lula aparece assim reforçada, com um PT em melhores condições de superar seus erros e desvios, ao mesmo tempo que reafirma sua política de alianças, sua disposição a uma atuação mais autônoma e de esquerda.

Após o segundo turno, o processo de construção de uma nova maioria que incorpore a esquerda e reforce o protagonismo do PT, estará na ordem do dia. As condições são mais que favoráveis.

Luis Favre


segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

PT: resultados confirmam uma nova maioria renovada no Estado de São Paulo

79% apurados: Edinho e Jilmar Tatto lideram apuração em São Paulo

Confira o resultado parcial do PED no Estado de São Paulo às 17h33 desta segunda-feria (3/12). Já foram apurados os votos de 161.389 militantes, número que equivale a 79,0% do total de petistas aptos a participar do PED, 204.375. Os resultados abaixo correspondem aos votos de 266 municípios, ou 67,5% das cidades aptas a participar do processo, aí já incluída a Capital.

Presidente estadual

Zico – 19.436; 36,3%

Misa – 538; 1,0%

Angélica – 2.407; 4,5%

Edinho - 28.754; 53,7%

Renato Simões – 2.081; 3,9%

Pedro – 292; 0,5%


Chapa estadual

Um Novo Rumo para o PT – 11.589; 22,9%

Terra, Trabalho e Soberania – 665; 1,3%

A Esperança é Vermelha – 2.280; 4,5%

Movimento e Luta - 5.708; 11,3%

Mensagem ao Partido - 5.275; 10,4%

Partido de Lutas e Massas - 7.947; 15,7%

Militância Socialista – 1.393; 2,8%

Construindo um novo Brasil - 15.509; 30,6%

Programa Operário e Socialista – 241; 0,5%


Presidente nacional (em SP)

Markus Sokol - 574; 1,1%

Valter Pomar - 2.794; 5,2%

José Eduardo Cardoso - 8.442; 15,8%

Jilmar Tatto - 23.110; 43,2%

Gilney Viana - 1.175; 2,2%

Ricardo Berzoini - 17.516; 32,7%

Miranda - 281; 0,5%

Nota da Bancada de vereadores do PT da cidade de São Paulo

José Américo é eleito presidente
do PT municipal de SP no primeiro turno


O vereador José Américo elegeu-se, com cerca de 62% dos votos válidos, presidente municipal do PT de São Paulo, nas eleições realizadas domingo (2), com a participação de 24 mil filiados que compareceram para votar nos 35 zonais da capital. Na apuração paralela realizada pelo próprio Diretório Municipal, José Américo obteve 13.416 votos contra 6.960 de seu principal adversário, o também vereador da capital, Chico Macena. Os outros dois participantes, Fernando do Ó Veloso, e Bárbara Corrales, registraram 764 e 433 votos cada um, respectivamente.

Nas eleições para presidente nacional, o vencedor em São Paulo foi o deputado federal Jilmar Tatto, que alcançou 12.802 votos contra 5.290 do atual presidente do PT, Ricardo Berzoini, e 2.323 de José Eduardo Martins Cardoso.

Na disputa estadual, na cidade de São Paulo venceu o prefeito de Araraquara, Edinho Silva, com 12.763 votos. Seu principal adversário, o deputado estadual José Zico Prado, obteve 7.700 votos.

Para José Américo, que foi secretário de Comunicação da gestão da ex-prefeita Marta Suplicy, “o PT mais uma vez dá um exemplo de força política e de exercício democrático na cidade de São Paulo”. A tarefa agora – ele afirma – “é organizar o partido para as eleições de 2008”.

Para José Américo, “a energia demonstrada pela militância petista e as realizações da gestão da ex-prefeita Marta Suplicy – um exemplo de governo que os paulistanos não esquecem – credenciam o PT como o partido com melhores condições para disputar, ganhar e voltar a governar São Paulo” – afirma o vereador.

Edinho é o novo presidente do PT no Estado de São Paulo

O prefeito de Araraquara, Edinho Silva é o novo presidente eleito do PT do Estado de São Paulo


Segundo apuração deste blog o prefeito de Araraquara, Edinho, foi eleito já no primeiro turno presidente do PT no Estado de São Paulo. A diferença com o deputado estadual, Zico Prado e demais candidatos no Estado dispensa a realização do segundo turno.

Na capital paulista está confirmada a informação dada ontem neste blog e o vereador José Américo é o novo presidente do PT na cidade. Zé Américo foi eleito com aproximadamente 63% dos votos.

Vereador José Américo é o novo presidente do PT na cidade de São Paulo

Um dado ainda à confirmar: tudo indica que no Estado de São Paulo o candidato a presidente nacional do PT, deputado federal Jilmar Tatto estaria em primeiro lugar, seguido de Ricardo Berzoini em segundo, Eduardo Cardoso em terceiro e Valter Pomar em quarto lugar.

Nitidamente o PED no plano nacional será definido no segundo turno, em 16 de dezembro, entre Ricardo Berzoini e Jilmar Tatto. LF

de esquerda a direita Marco Aurelio Garcia, Jilmar Tatto e Ricardo Berzoini

domingo, 2 de dezembro de 2007

José Américo é o novo presidente do PT da cidade de São Paulo

A participação dos filiados do PT na capital paulista nas eleições para renovar os diretórios foi 12% superior à registrada no PED anterior de 2005. Quase 25 mil filiados e filiadas foram às urnas em São Paulo e por maioria absoluta, no primeiro turno, o vereador José Américo foi eleito presidente da agremiação (ainda não temos os resultados definitivos, mas a projeção é em volta dos 60% dos votos)

José Américo é jornalista, vereador do PT, foi Secretário de Comunicação do governo Marta Suplicy e defende a união do partido no apoio ao Presidente Lula e na reafirmação de seus princípios éticos, de esquerda e democráticos. Em segundo lugar, o vereador Chico Macena conseguiu uma significativa votação, entorno de 30% dos votos.

Os resultados na capital paulista mostram também uma vantagem importante em favor do Prefeito Edinho, de Araraquara para presidente do PT Estadual, com o deputado estadual Zico Prado em segundo lugar. Também na cidade de São Paulo, para presidente nacional do PT, Jilmar Tatto lidera a apuração com mais do dobro dos votos do segundo colocado, Ricardo Berzoini e em terceiro lugar, Zé Eduardo Cardoso.

Amanhã teremos os resultados definitivos do PED no Estado de São Paulo e uma provável projeção dos resultados nos demais Estados e no plano nacional. LF

domingo, 18 de novembro de 2007

PT de São Paulo espera sinalização de Marta até janeiro


Vereadores paulistanos pressionam ministra a concorrer, pois temem que bancada diminua se sigla lançar outro nome

Partido avalia que precisa de tempo para construir uma candidatura alternativa capaz de enfrentar Kassab, do DEM, e Alckmin, do PSDB

JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL - FOLHA DE SÃO PAULO

O PT paulista espera para janeiro uma sinalização da ministra do Turismo, Marta Suplicy, para decidir se poderá contar com ela na disputa pela Prefeitura de São Paulo nas eleições do ano que vem.
Os principais líderes do partido na capital avaliam que até o final do primeiro mês de 2008 ela deverá indicar, pelo menos internamente, se tem alguma intenção de aceitar o desafio de concorrer pela terceira vez ao cargo de prefeita -ela foi eleita em 2000, mas perdeu a eleição em 2004- ou se pretende permanecer no Turismo até 2010.
Até agora, Marta é o principal nome do partido para a eleição, mas, quando questionada sobre o tema, tem repetido que está feliz no ministério.
A maior pressão para que ela concorra em 2008 vem da atual bancada de vereadores do PT. Os parlamentares, 12 no total, estimam que terão muitas dificuldades nas urnas se a ministra não disputar a eleição -a previsão é que o número de cadeiras hoje em poder do partido terminará diminuindo.

Legislação
Conforme a Lei Eleitoral, Marta tem até o final de março para se desincompatibilizar do Turismo, mas, se deixar para a última hora e não aceitar concorrer, a ministra poderia atrapalhar o partido, que ficaria sem tempo de "construir" uma candidatura em uma eleição na qual o PT terá adversários pesos-pesados, no entendimento de alguns membros do PT.
A previsão dos petistas é a de que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) disputará a reeleição e terá como um dos adversários o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato a presidente derrotado por Lula no segundo turno em 2006.
Alckmin ainda não declarou ser candidato a prefeito. Ex-governador do Estado, porém, ele desponta como favorito nas pesquisas de intenção de votos para o ano que vem. De acordo com o último levantamento do Datafolha, realizado em agosto, o tucano aparece na frente em todos os cinco cenários em que seu nome é apresentado como candidato à Prefeitura de São Paulo, com percentuais que variam de 30% a 41%, de acordo com o adversário.
Além de se dizer satisfeita com o ministério, Marta tem se mostrado seduzida pela possibilidade de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes ou até mesmo ao Palácio do Planalto em 2010. Por isso, preferia se guardar para a disputa futura.
Entre seus aliados, no entanto, há quem avalie que ela chegará forte em 2010 mesmo se for derrotada no ano que vem, desde que consiga chegar ao segundo turno e faça uma campanha centrada em suas realizações e nas do governo Lula.

Disputa interna
O temor dos "martistas" é que, se Marta abrir mão da disputa municipal e seu substituto no partido chegar ao segundo turno, ele passará automaticamente a ser um dos concorrentes internos à disputa pelo governo do Estado em 2010.
Caso a ministra não aceite o desafio, pelo menos quatro nomes estão colocados hoje no PT: o do presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, os dos deputados federais Jilmar Tatto e José Eduardo Cardozo e o do senador Aloizio Mercadante, que disputou e perdeu o Palácio dos Bandeirantes no ano passado.
Nesse caso, é muito provável que o candidato seja decidido por meio de uma prévia interna. Chinaglia tem trabalhado nos bastidores para ter o apoio do grupo da ministra, hegemônico na capital paulista.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Um discurso esclarecedor do Deputado Federal Carlos Zarattini


Deputado Federal Carlos Zarattini (PT-São Paulo)

O SR. PRESIDENTE (Manato)
- Dando continuidade ao Grande Expediente, art. 87 do Regimento Interno, concedo a palavra ao nobre Deputado Carlos Zarattini, pelo PT, de São Paulo.

O SR. CARLOS ZARATTINI (PT-SP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, neste período do Grande Expediente, quero comentar matéria do Jornal do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, da 1ª quinzena de outubro, que demonstra muito claramente dois tipos de política em nosso País: a que vem sendo adotada pelo Governo Federal, que é a política de desenvolvimento, de crescimento, de distribuição de renda, e a do Governo do Estado de São Paulo, comandada pelo Governador José Serra, que, como diz o Jornal, pretende "exterminar o patrimônio público", colocando à venda 18 empresas públicas, ou seja, todas, do Estado de São Paulo.

Muitos dizem que o PAC tem problemas, mas o que vemos é exatamente a aceleração das obras desse plano e que ele navega num cenário econômico de crescimento e de distribuição de renda. O PIB previsto para este ano deve crescer de 4,5% a 5%. O investimento vem crescendo; no primeiro semestre passou de 17,1% do total do PIB para 18,1%, ou seja, está aumentando nossa capacidade de produção. Por outro lado, o consumo das famílias e a expansão salarial cresceu por volta de 6%, enquanto a taxa de desemprego caiu de 10,7%, em 2006, para 9,5% em julho de 2007. O salário mínimo teve aumento real e o Bolsa-Família atende 11 milhões e 100 mil famílias em todo o Brasil. Com isso, a pobreza foi reduzida do patamar histórico de 28% para 22%, ou seja, a redução do número de famílias que vivem abaixo da chamada linha de pobreza foi de 6%. E já assistimos ao surgimento de uma nova classe média no País.

Muitos falam sobre suposto crescimento da arrecadação tributária, mas a desoneração tributária, além de atingir os produtos da cesta básica e os produtos da construção civil, focou principalmente as pequenas empresas, por meio da criação do Simples Nacional, ao qual já aderiram mais de 3 milhões e 200 mil micro e pequenas empresas.

O Simples Nacional não é um programa de saída do Bolsa-Família. Eu diria que é um programa de entrada na inclusão social, é um programa de entrada na formalização do emprego, na formalização de milhões de pequenos empresários e de microempresários que existem e funcionam precariamente em nosso País. E essa oportunidade está sendo dada pelo Governo do Presidente Lula.

Não fomos atingidos pelas turbulências internacionais que abalaram os Estados Unidos e diversas bolsas do mundo todo. A nossa taxa de inflação está estável, nossas reservas cambiais não param de crescer, atingindo, até setembro, 162 bilhões de dólares. Temos um colchão de reservas que nos garante manter a tranqüilidade da nossa economia. E isso, Sras. e Srs. Deputados, permite que o PAC se desenvolva e contribua para o crescimento do País e para a superação dos gargalos de nossa infra-estrutura.

Há poucos dias, foi realizado o leilão de subconcessão da Ferrovia Norte-Sul, que, pelo seu valor de venda, vai garantir a conclusão dessa que é uma ferrovia estrutural, fundamental para o desenvolvimento do Centro-Oeste do nosso País.

Amanhã, dia 9 de outubro, teremos o leilão de concessão de 7 lotes de rodovias, num total de 2.600 quilômetros, cujo valor previsto é de 8 bilhões e 600 milhões de reais.
Muitos dizem que haverá mais pedágio. Mas eu gostaria de deixar muito claro: vamos diferenciar esse pedágio que vai ser cobrado nesse modelo de concessões que o Governo Federal está apresentando daquele modelo de concessões que foi realizado no Estado de São Paulo.

As empresas ganhadoras de concessões no Estado de São Paulo foram as que ofereceram o maior valor de outorga ao Governo paulista, que desta forma criou, sim, um novo imposto àqueles que trafegam nas rodovias pedagiadas.

O preço do pedágio nas rodovias que serão concessionadas pelo Governo Federal será, no máximo, de 4 reais e 50 centavos a cada 100 quilômetros, enquanto nas rodovias estaduais de São Paulo o preço é de 7 reais e 50 centavos a cada 100 quilômetros. E esse preço nas rodovias federais ainda deve baixar, porque vencerá o leilão quem oferecer o menor valor de pedágio e não quem oferecer o maior valor de outorga. Portanto, são modelos diferentes, completamente diversos, em que no Governo Federal o beneficiado é o consumidor, é o usuário da estrada.

É importante dizer também que aeroportos como os de Campinas, Guarulhos, Brasília, Galeão, Confins, têm suas obras em andamento, obras de expansão, que vão regularizar e melhorar o tráfego aéreo em nosso País. A INFRAERO acabou de aumentar em 30% o seu capital.
No tocante à produção de energia elétrica, em novembro deverá ser leiloada a Usina Santo Antônio, no Rio Madeira; já estão em desenvolvimento as obras das Usinas de Estreito, Foz do Chapecó, Dardanelo, São Salvador, Simplício, Castro Alves, Corumbá e finalmente vamos assistir à retomada das obras da Usina de Angra III. É uma usina que vai propiciar ao nosso País o desenvolvimento da energia nuclear, dando escala ao ciclo de enriquecimento de urânio e autonomia para que todo esse processo possa ser feito em nosso País. Temos condições tecnológicas para tanto, não temos ainda escala, mas poderemos desenvolver todo o ciclo de urânio, tornando-nos um país independente. Sabemos que o Brasil é o país que detém uma das maiores reservas de urânio do mundo.

É importante salientar, também, que tivemos o início das obras da Refinaria de Abreu e Lima em Pernambuco. O Gasoduto Sudeste-Nordeste - GASENE, que vai ligar o Nordeste ao Centro-Sul do País, tomou ritmo. E o Gasoduto Campinas-Rio já tem o seu trecho até Taubaté em operação. O alcoolduto entre Senador Canedo e São Sebastião já teve seus estudos concluídos e deverão ter início as obras.

O Sr. Mauro Benevides - V.Exa. me permite, Deputado Carlos Zarattini, uma breve intervenção? Quando V.Exa. enaltece a posição do Presidente Lula em retomar as obras dessa importante rodovia, eu diria a V.Exa. que no nosso Estado a Transnordestina, que liga Pernambuco ao Ceará e que poderá alcançar também o Maranhão, é uma obra que o Presidente tem estimulado, inclusive pessoalmente, quando há alguns meses esteve no território cearense. Então, há uma grande preocupação do Governo em estabelecer essas vias de comunicação que impulsionarão, sem dúvida, nosso desenvolvimento econômico. Cumprimento V.Exa. pelo discurso que profere na tarde de hoje.

O SR. CARLOS ZARATTINI - Muito obrigado, Deputado Mauro Benevides, por sua contribuição.

Inúmeras obras estão em andamento: a BR-101, no Nordeste e no Sul; o Rodoanel, em São Paulo; a BR-319, no Amazonas e, como disse, o nobre Deputado Mauro Benevides, a Ferrovia Transnordestina que vai garantir acesso ao interior de Pernambuco, Piauí, Maranhão e todos os outros Estados da Região Nordeste.

Em relação aos portos, assistimos à implantação da Avenida Perimetral do Porto de Santos, que garantirá maior agilidade e rapidez no embarque e desembarque de cargas, o que potencializará ainda mais aquele porto tão importante do nosso País.

Ainda nesse setor, teremos a licitação das obras de dragagem de diversos portos por meio de parcerias público-privadas, a expansão e modernização da Marinha Mercante. Vamos assistir à construção no Brasil de 19 petroleiros, entre inúmeros navios, com um financiamento total de 11 bilhões de reais.

Por fim, habitação e saneamento. Neste particular, foram selecionados 874 projetos de saneamento no Brasil e 306 projetos de urbanização de favelas, entre elas Paraisópolis, Jardim Colombo e Parque Fernanda. No Estado de São Paulo, serão beneficiadas as represas Billings e Guarapiranga e os rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, com a aplicação de 7,7 bilhões de reais somente no Estado de São Paulo. Do total de projetos para saneamento e habitação, 44% já foram entregues à Caixa Econômica Federal e 21% já foram contratados. Portanto, é um absurdo dizer que o PAC não está andando em um ritmo normal. Anda, sim, e ganha cada vez mais velocidade. Vemos no nosso País um verdadeiro canteiro de obras sendo instalado. O Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social vai ser irrigado com 1 bilhão de reais. Desse total, 140 milhões serão destinados ao Estado de São Paulo, cuja Capital tem cerca de 3 milhões de pessoas morando em favelas. Quatro metrôs em nosso País já estão com as suas obras retomadas.

E, por incrível que pareça, em São Paulo foram investidos 325 milhões de reais no Expresso Tiradentes, uma obra da Prefeitura de São Paulo, hoje governada pelo Democratas(PFL). O Prefeito Gilberto Kassab recebeu 325 milhões de reais - a contrapartida da Prefeitura foi de apenas 95 milhões de reais - para concluir o importante corredor que ligará o Parque D. Pedro à Cidade Tiradentes, no extremo leste da cidade.

E, pasmem, Sras. e Srs. Deputados, o Prefeito Kassab apresenta como uma obra da sua Prefeitura, sem sequer citar os 325 milhões de reais provenientes do Governo Federal que sustentam aquela obra tão importante para o povo da periferia, da Zona Leste da cidade de São Paulo.

Em abril, o Plano de Aceleração do Crescimento dispunha de 9,5 bilhões de reais do Orçamento Geral da União. Mas, com a aprovação da Lei nº 11.477, pelo Congresso Nacional, essa dotação subiu para 14 bilhões e 700 milhões de reais. Esse é o PAC.

Por outro lado, em São Paulo, estamos assistindo, cada vez mais, ao desmonte do Estado. Quando o Governador anuncia a privatização de 18 estatais, temos a certeza de que, se Lula não tivesse ganhado as eleições, veríamos hoje a venda do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, da PETROBRAS e de inúmeras outras empresas que garantem e propiciam o desenvolvimento de nosso País.

Fica clara, portanto, essa comparação. Os tucanos querem, sim, vender nosso País, como ocorreu durante o Governo FHC. Questionam hoje a campanha que vários setores progressistas fazem pela reestatização da Companhia Vale do Rio Doce. E é fundamental dizer que a Vale do Rio Doce foi vendida a preço de banana pelo Governo Fernando Henrique Cardoso, assim como o sistema TELEBRÁS e a ELETROBRÁS, que poderiam estar contribuindo, e muito, para o desenvolvimento do País.

O que alegavam naquela época os tucanos? Que o dinheiro das privatizações seria fundamental para melhorar a saúde e a educação em nosso País. O Governo do Presidente Lula lançou o Plano de Desenvolvimento da Educação, criou o Fundo de Desenvolvimento do Ensino Básico, que vai irrigar os municípios com recursos para a educação, instituiu o PROUNI, ampliou o financiamento da educação superior por meio da Caixa Econômica Federal. Que educação haveria em nosso País se o tivéssemos deixado nas mãos dos tucanos? Provavelmente nenhuma, porque, segundo a visão tucana só vale aquilo que for privatizado. E o Governador José Serra está vendendo o que sobrou de patrimônio público no Estado de São Paulo.

A propósito, gostaria de me referir particularmente a dois casos. A EMPLASA - Empresa de Planejamento Metropolitano do Estado de São Paulo, órgão que reúne amplo conhecimento sobre as questões do desenvolvimento metropolitano no Estado, está sendo posta à venda.
Como é possível colocar à venda o conhecimento e todos os projetos da EMPLASA para o capital privado? Não há nenhuma justificativa para isso, a não ser entregar a empresas de projetos aquilo que já foi constituído, comprado e pago pelo povo de São Paulo.

Tão incrível quanto o caso da EMPLASA é o do Instituto de Pesquisas Tecnológicas - IPT, de São Paulo, uma referência nacional e internacional. Trata-se de um órgão que desenvolve tecnologia. Tem décadas de trabalho e de conhecimento. Aprofundou trabalhos na área da geologia em áreas de risco, de pesquisas na habitação e na construção civil, desenvolveu inúmeros projetos para o desenvolvimento e crescimento do nosso País, inclusive nas usinas hidrelétricas e na PETROBRAS. Pois o IPT também está sendo colocado à venda pelo Governo do Estado!

Daí a razão do meu protesto contra essa política, inclusive quero discuti-la na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática desta Casa. Por que não federalizar o Instituto de Pesquisas Tecnológicas, uma vez que o Governador José Serra prescinde desse importante instrumento de desenvolvimento tecnológico? Federalizar o Instituto de Pesquisas Tecnológicas é garantir um instrumento para o desenvolvimento tecnológico mais rápido em nosso País. Afinal, não queremos um país que apenas cresça, se desenvolva e distribua renda, mas que tenha projetos estratégicos de desenvolvimento, assim como tivemos em relação ao enriquecimento de urânio e como temos na PETROBRAS em relação à prospecção e à extração de petróleo em águas profundas. Essa é a questão fundamental, Srs. Deputados. Tecnologia não pode ser abandonada em nosso País. Tem, sim, de ser desenvolvida e incentivada.

Gostaríamos de protestar contra algumas privatizações pretendidas pelo Governador José Serra: o Metrô de São Paulo, que presta tremendo serviço social; a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, que chega ao extremo da periferia; a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos - EMTU, que gerencia - apenas e tão-somente gerencia - o serviço de transporte de ônibus metropolitano. Ela sequer opera um ônibus, mas o Governador José Serra quer entregá-la ao capital privado.

Sras. e Srs. Deputados, caso essas medidas sejam aprovadas, vamos, sim, assistir, no Estado de São Paulo, ao fim da possibilidade de o Governo Estadual exercer qualquer tipo de política de desenvolvimento orientada pelo Poder Público.

Não pensem V.Exas. que isso vai melhorar os serviços prestados em saúde ou educação no Estado de São Paulo. A saúde se encontra degradada, com a falta de médicos; a educação apresenta os piores índices de avaliação. Basta acompanhar os índices do MEC com os exames comparativos entre os Estados. São Paulo, apesar de ser a mais rica Unidade da Federação, oferece educação pública de baixa qualidade, que não atende às necessidades do povo.

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, concluo meu pronunciamento dizendo que existem duas políticas no País: a do desenvolvimento e do crescimento, que quer fazer o País andar, praticada pelo Presidente Lula e pelos partidos da base aliada; e a do atraso, que quer voltar para trás, em São Paulo, praticada pelo Governador José Serra, pelo Democratas(PFL) e pelo PSDB.

Por esse motivo, Sr. Presidente, vamos continuar apostando no crescimento e no desenvolvimento do País.

Muito obrigado.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Desconhecimento ou parcialidade?

Não raro nos deparamos com artigos na imprensa que comportam alguma informação factualmente errônea. Na maioria dos casos os erros são involuntários e muitas vezes não comprometem o artigo no seu conjunto.

Outro dia, por exemplo, li um artigo crítico sobre Cristina Kirchner no qual o autor dizia que ela foi uma obscura senadora da província de Santa Fé, quando na verdade ela foi eleita pela província de Santa Cruz, na região da Patagônia. Nada demais.

Ontem comentei o caso do correspondente do jornal El País que publicou uma matéria com erros de informação sobre posicionamentos públicos do PT e conclusões precipitadas sobre 2010. Minha sensação é, no caso, que, talvez faltasse conhecimento o que não é tão raro assim, quando correspondentes de jornais estrangeiros escrevem sobre Brasil.

Hoje, a colunista Rosângela Bittar, do jornal Valor incorre em erros semelhantes tratando das disputas internas no PT. No caso minha impressão é que tendo, sei lá, digamos suas simpatias por alguma corrente, ou simplesmente à partir de informações veiculadas por interesses tendenciosos nesta disputa, o artigo comporta afirmações incorretas.

Uma delas é o apoio da Ministra Marta Suplicy a este ou aquele candidato nas eleições internas do PT (PED). Como já foi declarado publicamente por Marta, na sua condição de Ministra, ela têm se recusado a intervir nas disputas internas partidárias evitando transferir para o seio do governo as batalhas dos grupos no interior do partido. Além do fato que ela nunca fez parte ativamente de nenhuma corrente, participando geralmente do campo majoritário do PT, junto com o Presidente Lula.

No seu governo na cidade de São Paulo participaram de uma ou outra forma todas as tendências internas. Foram seus secretários, Marco Aurélio Garcia e Jilmar Tatto, entre outros, enquanto o Presidente do PT na cidade era Ricardo Berzoini. Ela apoiou a eleição de José Eduardo Cardoso para a presidência da Câmara Municipal, depois deste último ter conseguido, com êxito e por mérito próprio, conquistar o apoio da maioria dos vereadores da cidade. Todos eles foram partícipes dos êxitos e dos eventuais erros da sua administração, tendo recebido o apoio da maioria das tendências partidárias significativas.

Por último é bom lembrar que nas prévias disputadas por Marta e Aloizio Mercadante, este último foi ativamente apoiado por Paulo Frateschi, João Paulo Cunha, Ricardo Berzoini, José Eduardo Cardoso e Marco Aurélio Garcia (todos eles citados na coluna de Rosângela Bittar). É isto não impede que hoje disputem entre si e com outros, nas instâncias partidárias. Nada de particularmente anormal e condiz muito com a tradição do PT.

Curiosamente, após muita algazarra contra os paulistas, todos os candidatos a presidente nacional do PT -lançados por todas as correntes internas- são de São Paulo (são eles até agora Ricardo Berzoini, Valter Pomar, Jilmar Tatto, José Eduardo Cardoso, Marcus Sokol) . Isto mostra que os problemas do PT não têm nada a ver com a geografia de seus membros e mesmo nas questões éticas, as fraquezas, talvez até mais que as qualidades, tiveram uma expressão bem distribuída nas diferentes regiões e em quase todas as tendências.

Por isso, porque não existe vilões e mocinhos, na medida em que a realidade é bem mais complexa, em particular no mundo da política, vale a pena a pluralidade da informação e das fontes, essencial ao equilíbrio do jornalismo.

Luis Favre





O atual presidente do PT e candidato favorito à reeleição, Ricardo Berzoini, esconde-se da realidade ao recusar a evidência de que o tema da ética dominará a campanha eleitoral, já em curso, para a escolha do presidente do partido. Não adianta decretar, como o faz Berzoini, que este é um assunto superado porque o debate da crise de 2005 (mensalão) já se impôs no 3º Congresso e no 13º Encontro do PT. Não, este debate vai continuar, e provavelmente com mais vigor. O que marca a diferença entre os contendores é, exatamente, a ética, e isto ficou evidente ao longo de todo o processo de formação das chapas para a eleição direta a presidente do PT.


Tudo começou dois meses atrás, quando o presidente Lula reuniu os governadores do PT, no Palácio do Planalto, para conversar sobre as eleições de 2008. Berzoini, já de volta ao comando do partido depois de um afastamento estratégico para investigação de irregularidades cometidas sob sua coordenação, estava no palácio naquele dia e não foi convidado a participar. Entendeu o recado, chamou a direção partidária e avisou que não disputaria mais a presidência.


O Campo Majoritário (agora sob a denominação Construindo um Novo Brasil, que ainda não pegou entre seus integrantes) saiu à procura do novo candidato, ouviu vários conselheiros e foi a Lula com três nomes: Luiz Dulci, Gilberto Carvalho e Marco Aurélio Garcia, todos auxiliares do presidente. Lula achou que, até por já ter exercido a presidência do PT, Marco Aurélio seria o mais indicado. Começou-se, então, a fazer uma consulta aos estados sobre o candidato. Todos aprovaram, com exceção de São Paulo.


O presidente do PT paulista, Paulo Frateschi, impôs restrições a Marco Aurélio Garcia, que o havia criticado no episódio do dossiê Vedoin, preparado por um grupo de campanha coordenado por Berzoini para atingir adversários em São Paulo. João Paulo Cunha, também por ter recebido críticas de Marco Aurélio à época do mensalão, aliou-se a Frateschi e ambos começaram a argumentar contra ele: diziam que era um candidato chapa-branca, do Planalto, e que com ele o partido poderia despedir-se da possibilidade de indicar uma candidato próprio à sucessão de Lula. Marco Aurélio, que não queria mesmo a missão da candidatura, soube das reações, disse que só iria se tivesse a unanimidade do campo majoritário, e declarou-se fora da disputa. Sem passar recibo da desfeita do PT paulista, Lula chamou o presidente do PT ao Planalto, disse que não podia abrir mão do Marco Aurélio Garcia, e Ricardo Berzoini voltou, então, a ser candidato.


Marco Aurélio Garcia já havia dito que não queria em sua chapa ninguém do grupo dos 40 (apelido suave dado internamente aos que respondem a processo no escândalo do mensalão). Mas abriu uma única exceção: José Dirceu. Talvez até tenha feito isto por saber que Dirceu, convidado, iria recusar, como recusou, porque acha que já deu muitos anos de sua vida à direção do partido. Quando voltou a vigorar a candidatura Berzoini, a primeira garantia que deu logo a todos foi que haveria lugar na chapa ao grupo dos 40. Já estão lá Frateschi, João Paulo Cunha, Paulo Rocha (o petista com maior volume de verbas canalizadas por Marcos Valério), e discute-se ainda se o ex-deputado Luizinho, outro emblemático dos 40, vai ou não para a chapa. Enfim, compõe a chapa quem o PT paulista quiser.



No horizonte de crises, lá vem mais uma


O grupo de Tarso Genro, que havia desistido de lançar candidato próprio para apoiar Marco Aurélio Garcia (o que daria a ele 45% do campo majoritário mais 20% do grupo Mensagem ao Partido, de Genro), recuou quando o candidato voltou a ser Berzoini. E lançou um candidato próprio, também do campo majoritário, o deputado José Eduardo Cardozo.


Cardozo começou sua campanha pela decisão de discutir ética, sim, na corrida pela presidência do partido. "Eu não vou discutir casos individuais, porque seria um equívoco, não estou disputando tribunal de Justiça, estou disputando a presidência do partido. Mas vamos discutir a questão ética, sim, o encontro do PT definiu um código de ética e nós temos que colocar esta questão como um dos eixos da direção partidária. Nossa chapa defende que na questão ética o PT tem que ser tão intransigente internamente como é em relação aos seus adversários. Temos que colocar a questão ética como um dos pontos que identificam a nossa chapa".


Isto, segundo Cardozo, não quer dizer que vá defender punições a um ou outro petista. "Vamos defender que sempre que militantes, dirigentes, parlamentares petistas cometam transgressões, eles têm que ser tratados imparcialmente com rigor".


A disputa da presidência do PT, portanto, ficou até o momento configurada com Berzoini (45%), José Eduardo Cardozo (20%), Marcos Sokol, da corrente de esquerda O Trabalho (com 1%), Valter Pomar, também da esquerda - Articulação de Esquerda (com 15%), e o grupo de Marta Suplicy (20%). Se ninguém alcançar a maioria, haverá segundo turno, e há o temor, no Campo Majoritário, que todos os perdedores se unam depois ao candidato que vai disputar com Berzoini o segundo turno.


Ninguém é de ninguém


Crise, mesmo, instalou-se na disputa pela direção do PT de São Paulo, o mais atingido pelos escândalos do mensalão e do dossiê Vedoin, dois dos mais dramáticos do primeiro governo Lula. Depois de dizimados seus dirigentes, o PT paulista é hoje uma base à procura de líderes. O projeto máximo de Paulo Frateschi e João Paulo Cunha era, quando decidiram implodir Marco Aurélio Garcia, garantir a direção do PT nacional, e o projeto mínimo era assegurar São Paulo caso não fosse possível ganhar de Lula. Agora, conseguido o máximo, resolveram investir também no mínimo.


Lançaram José Zico do Prado, o Zico, para a presidência do PT de São Paulo, reunindo o apoio dos dois e do grupo de Marta Suplicy, contra o indicado do campo majoritário (ao qual todos eles pertencem), que preferiu Edson Antonio Edinho da Silva, prefeito de Araraquara. José Dirceu e Mercadante estão com Edinho, Rui Falcão (martista), está com Edinho, enquanto João Paulo (sempre fiel a José Dirceu), Marta e Frateschi estão com Zico. Lula ainda não se manifestou sobre esta crise.

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

Resolução do PT de São Paulo sobre o pedido de retomada de mandato da vereadora Sonia Francine

Leia abaixo a íntegra da resolução da Executiva do PT de São Paulo, aprovada na segunda-feira (8), sobre o mandato da vereadora Sonia Francine, a Soninha. A Executiva decidiu que o PT irá recorrer à Justiça Eleitoral para retomar o mandato dela, uma vez que a vereadora se filiou ao PPS.

Resolução

A defesa da fidelidade partidária para o Partido dos Trabalhadores sempre foi uma bandeira programática. O artigo 66 do Estatuto Petista, documento obrigatório para a filiação ao PT, estabelece que:

“O Partido concebe o mandato como partidário e os integrantes das Bancadas nas Casas Legislativas deverão subordinar sua ação parlamentar aos princípios doutrinários e programáticos e às deliberações estabelecidas pelas instituições de direção partidária, na forma deste estatuto.”

Com a decisão do STF de definir o Partido como responsável pelos mandatos, o PT se sente no direito de solicitar à Justiça Eleitoral o mandato da vereadora Soninha Francine, que deixou o Partido no último dia 27 de setembro de 2007.

Independente da decisão do Supremo, o PT entende que:

a) Além da concepção ideológica do Partido sobre mandatos parlamentares, a legislação eleitoral determina que o candidato deve estar filiado a um Partido e em ordem com suas obrigações estatutárias;

b) Para ser eleito, além dos votos nominais, o candidato necessita dos votos da legenda ou coligação. Na eleição de 2004, na cidade de São Paulo nenhum vereador eleito pelo PT atingiu o coeficiente eleitoral, que naquele pleito foi de mais de 108 mil votos. A vereadora Soninha Francine amealhou 50.989 votos, insuficiente para se eleger apenas com os seus votos;

c) Em carta enviada para o PT, comunicando sua desfiliação, a vereadora Soninha alega que: “saio porque acho que algumas de nossas inclinações, hoje, são muito diferentes”. Afirma também que: “O PPS mostrou interesse em ter em seus quadros alguém ‘independente’ - o tipo do ‘problema’ que eles querem ter pelo que entendi... E que ofereceu a oportunidade empolgante de disputar no ano que vem a prefeitura de SP.”

Os argumentos apontados indicam mais para uma oportunidade eleitoral no novo partido do que divergência com posições partidárias ou aquelas deliberações pela bancada dos vereadores, senão vejamos:

1. das 23 votações nominais que a vereadora participou, em 3 anos, em apenas 1 ela e outros 2 vereadores votaram de forma diferente da Bancada;

2. em nenhum momento ocorreu fechamento de questão da Bancada, em qualquer votação, impondo uma posição à vereadora.

3. em nenhum momento o partido foi procurado pela vereadora para questionar qualquer divergência política.

Por último, todas as vezes que a imprensa divulgou a possível mudança de partido, e foram muitas desde o início de 2007, o presidente dialogou com a vereadora para mantê-la nas fileiras partidárias.

Portanto, o PT decide:

I. Reafirmar os compromissos partidários com uma ampla Reforma Política que fortaleça os partidos e amplie a democracia participativa e representativa, reduzindo a ação individual no parlamento;

II. Requerer, na forma a ser definida pelo Supremo, o mandato da vereadora Soninha Francine, que deixou as fileiras do PT para se filiar a outro Partido.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

O vereador José Américo é candidato a Presidente do PT da cidade de São Paulo

Boletim Eletrônico do Mandato

nº 19 outubro de 2007

Dengue: uma epidemia ameaça São Paulo

A suspensão das campanhas publicitárias foi uma das causas da perda de controle da dengue pela Prefeitura

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sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Serra aumenta gasto com propaganda

Tucano quer gastar R$ 151 milhões com publicidade em 2008, ou 214% mais que orçamento inicial deste ano; setor, porém, já teve reforço de R$ 20 mi

Roberto Fonseca para Jornal da Tarde

O Orçamento de 2008 enviado pelo governador José Serra (PSDB) à Assembléia Legislativa prevê aumento de 214,6% na verba destinada a publicidade do governo em relação ao que foi inicialmente previsto para este ano. Onze secretarias terão à disposição R$ 151 milhões para a atividade. Em 2007, estavam orçados R$ 48,5 milhões.

O governo, porém, alega que este ano já aumentou o orçamento da publicidade em R$ 20 milhões. Em julho, o setor ganhou remanejamento de verbas da operação e manutenção do Poupatempo - a alegação foi de necessidade da divulgação de serviços na internet oferecidos pelo Estado. E que serviços do Poupatempo não seriam afetados.

Considerando esse reforço na comparação com 2008, o aumento previsto por Serra para propaganda passa a ser de 120,6%. Ou dez vezes mais que o crescimento da receita do Estado entre um ano e outro - o Orçamento passou de R$ 84,9 bilhões para R$ 95,2 bilhões.

O aumento foi criticado pela bancada petista na Assembléia, que faz oposição ao governo Serra. 'Como prega para o governo federal choque de gestão e corte de gastos, Serra parece enxergar falhas apenas nos outros. Além de aumentar a verba de propaganda em ano de eleição (para prefeitos e vereadores), ele destina, por tabela, mais verba a empresas que sempre fizeram as campanhas dele', diz Simão Pedro, líder do partido na Casa.

Ele se referiu à agência Lua Branca, do jornalista Luiz González, que detém contrato de publicidade do governo estadual e atuou na campanha de Serra ao governo e de Geraldo Alckmin à Presidência. A empresa também presta serviços para Gilberto Kassab (DEM) na Prefeitura.

O governo informou, via Secretaria de Comunicação, que o Orçamento 'cresceu em todas as áreas', citando que a educação ganhou R$ 1,3 bilhão e a saúde, R$ 563 milhões. E que 'é obrigação do governo prestar contas de suas ações e informar a população sobre assuntos que podem afetar a vida de toda a coletividade'. Nesse caso, são citadas campanhas de vacinação e o novo salário mínimo estadual.

A assessoria de Serra diz ainda que este ano descentralizou as verbas de publicidade nas secretarias e que o gasto no setor representa apenas 0,16% do orçamento total.

Maiores gastos com publicidade estão previstos nas pastas de Comunicação (R$ 75 milhões), Educação (R$ 20 milhões) e Saúde (R$ 10 milhões). Curiosamente, quatro secretarias - Cultura, Emprego, Assistência Social e Relações Institucionais - têm só R$ 10 para propaganda.

O PT também criticou a margem de remanejamento ( possibilidade de transferir verba de uma dotação a outra sem autorização Assembléia ) pedida por Serra, de 17%. Pedro alega que a proposta orçamentária prevê outras exceções, que permitiriam a movimentação de até 46%. A Secretaria de Planejamento foi procurada para comentar o fato, mas informou apenas que 'o porcentual tem objetivo de atender possíveis necessidades do dia-a-dia'.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Acordão paulista



Pensata

Kennedy Alencar



O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, e as correntes políticas do PT paulista que apostam no projeto presidencial da ministra Marta Suplicy (Turismo) fecharam um grande acordo com três tópicos. O primeiro ponto já é público: apoio à candidatura do deputado federal Jilmar Tatto (SP) à presidência do PT.
Os outros dois pontos se referem às eleições de 2008 e de 2010.

No ano que vem, Chinaglia receberá a contrapartida do apoio a Tatto. O presidente da Câmara terá suporte desses grupos para concorrer à Prefeitura de São Paulo pelo PT. Rumo a 2010, caminhariam todos juntos com Marta, seja a ministra candidata ao governo de São Paulo, seja a petista candidata ao Palácio do Planalto.

Tatto comanda a tendência paulista PTLM (PT de Luta e de Massas). Ele é aliado de outro grupo paulista, o Novo Rumo. Esta tendência tem entre seus expoentes os deputados Candido Vaccarezza (federal) e Rui Falcão (estadual). PTLM e Novo Rumo possuem maioria no diretório municipal do PT e sonham em ver Marta no Palácio do Planalto.

Na provável prévia dos filiados do PT que será realizada para escolher o candidato do partido à prefeitura paulistana no ano que vem, a união dessas correntes em torno de Chinaglia o tornará favorito.

Já Tatto concorrerá em outra contenda interna: o PED (Processo de Eleição Direta), que acontecerá no final deste ano. No PED, os filiados do PT votarão diretamente para escolher o comando novo partidário. E Chinaglia, um dos caciques da tendência nacional Movimento PT, apoiará a postulação de Tatto.

Na disputa pelo comando do partido, Tatto provavelmente será derrotado pelo candidato do CNB (Construindo um Novo Brasil), grupo que reúne os integrantes do antigo Campo Majoritário (esta a corrente que dominou o PT nacional durante anos e que ainda hoje é a maior do partido).

Ainda que derrotado, Tatto ganhará, pessoalmente projeção nacional. Hoje é um deputado federal conhecido na capital paulista e de pouco destaque público em Brasília. Reunidas, as tendências PTLM, Novo Rumo e Movimento PT poderiam obter 25% dos votos no PED. Insuficiente para eleger Tatto, mas bastante para obter cargos na futura direção nacional do partido, montada proporcionalmente a partir do resultado do PED.

Aí entra o fator Marta Suplicy. Ela é integrante do CNB. No entanto, atua de forma bastante independente. As correntes paulistas apostam no seu projeto político _ela é única grande estrela que sobreviveu aos escândalos políticos no petismo de São Paulo. Se essas correntes obtiverem 25% do comando nacional do PT, Marta, no mínimo, precisará ser consultada na escolha do candidato do PT à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Logo, Tatto ganha. Chinaglia, também. O presidente da Câmara, que tem 1% na pesquisa Datafolha sobre a sucessão paulistana, será fortalecido politicamente. E Marta ficará em posição confortável para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes pelo PT, candidatura que provavelmente obteria com facilidade, ou ao Palácio do Planalto, este um jogo bem mais complexo.

Para a ministra do Turismo, o entendimento entre Tatto e Chinaglia é interessante. Se ela mudar de idéia e resolver disputar a prefeitura, ninguém a desafiará. Por ora, a ministra realmente não deseja participar das eleições municipais de 2008.

Partida nacional

O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, continua favorito para ser o candidato da principal corrente do PT na eleição para a presidência do partido. Garcia tem buscado vencer resistências, conversando com pessoas que têm peso no partido.

No entanto, há ainda quem queira inviabilizar sua candidatura em benefício do atual presidente do PT, Ricardo Berzoini, ou do deputado federal André Vargas (PR).

Em baixa

O "acordão paulista" tira gás da idéia de petistas próximos a Lula e de alguns martistas de fazer outro acerto. Marta tentaria convencer seus aliados paulistanos a apoiar a candidatura do ministro Fernando Haddad (Educação) à prefeitura. Em troca, com vaga aberta na Esplanada dos Ministérios, ela seria deslocada do Turismo para a Educação.

Outro complicador: tem gente no PT e no governo que acha que Lula não fortaleceria Marta politicamente tão cedo assim. Dar a ela a Educação desequilibraria o jogo interno petista pela candidatura presidencial em 2010. No coração de Lula, batem mais fortes os nomes da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e do governador da Bahia, Jaques Wagner.

Kennedy Alencar, 39, é colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre os bastidores da política federal, aos domingos.

E-mail: kalencar@folhasp.com.br