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quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Em SP, conflito tucano para escolher candidato marca início do ano eleitoral

Alckmin pensa na disputa, mas Serra quer manter aliança com Kassab

Flávio Freire
O Globo



SÃO PAULO. Com a eleição de 2010 como pano de fundo, foi dada a largada, ao menos nos bastidores políticos, para a sucessão na prefeitura de São Paulo. Seja por pressão de seus partidos ou para aproveitar a imagem que deixaram na última campanha, a ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT), e o ex-governador do estado Geraldo Alckmin (PSDB), começam a admitir o desejo de suceder a Gilberto Kassab (DEM) no comando da maior cidade do país.

Kassab não deixa por menos: — Eu ficaria muito feliz em disputar a reeleição.


Em análises internas, Marta e Alckmin alegam que, para concorrer, precisam ter seus partidos unidos em torno de suas candidaturas. Enquanto o presidente reeleito do PT, Ricardo Berzoini, defende o nome de Marta sem necessidade de prévias no partido, no PSDB o comando tucano vive o dilema de como lidar com a disputa sem minar a aliança com o DEM.
Kassab diz que não é hora de falar do assunto, mas adianta: — É natural a tendência de reeleição, ainda mais para um administrador bem avaliado, mas temos uma aliança sólida do PSDB com o DEM e precisamos discutir esse assunto no seu devido tempo — disse o prefeito.


Primeiras pesquisas eleitorais apontam vitória de Marta


As primeiras pesquisas reforçam a polarização entre PSDB e PT. Segundo o Ibope, num cenário que inclui Marta, Alckmin e Kassab, a petista sai na frente, com 27% das intenções de voto, contra 24% para o tucano e 12% para o prefeito. Já no segundo turno, Alckmin venceria a disputa com Marta: 50% a 38%.

Com Kassab, a diferença de Alckmin aumenta: 56% a 22%.

No PSDB, até que conflitos internos sejam diluídos, Alckmin é pré-candidato. Publicamente, ele desconversa, mas a amigos dá sinais claros de que porá a campanha na rua após o carnaval.

Suas pretensões políticas esbarram no racha que se avista por causa do forte interesse de uma ala tucana em apoiar a reeleição de Kassab.


Serra teme perder a aliança com o DEM em 2010


O governador José Serra estaria por trás dessa articulação contra a candidatura de Alckmin, reeditando o clima da eleição de 2006, quando os dois disputaram a vaga de candidato do partido à Presidência.

Possível candidato à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva em 2010, Serra teme perder o apoio do DEM, caso o PSDB insista em jogar Kassab para escanteio.

Alckmin quer aproveitar a lembrança que o eleitor tem da disputa de 2006, quando perdeu para Lula no segundo turno. O ex-governador, porém, não pretende partir para o tudo ou nada para ter o apoio do PSDB.

— Só não estou disposto a brigar, como aconteceu na candidatura para presidente em 2006. Mas deve ser natural que o partido não queira, e eu também não quero, perder esse universo de votos que tive em 2006, o que poderia acontecer se eu me candidatasse apenas em 2010 para governador de São Paulo — disse Alckmin a um tucano.

O ex-governador avalia que, se o PSDB optar por outro nome, sairá dividido e, provavelmente, derrotado da campanha municipal. Em análises internas e pesquisas, Marta aparece como a única candidata com forte chances de derrotá-lo. No PT, a pressão dos prefeitos da grande São Paulo e da militância ajuda a empurrar Marta para a disputa, embora ela preferisse esperar a briga pelo governo de São Paulo, em 2010. Para os prefeitos da região, a força de Marta pode alavancar seus candidatos.

Mas também entram na bolsa de apostas do PT o senador Aloizio Mercadante e os deputados José Eduardo Martins Cardoso e Arlindo Chinaglia.

— Marta é a candidata mais forte que temos e me parece que a imensa maioria do partido desejaria sua candidatura. Eu mesmo, até como paulistano (embora nascido em Minas), vejo que a população sente saudades de Marta — disse Berzoini.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Reeleito, Berzoini diz que PT terá candidato próprio em 2010

Paulo de Tarso Lyra

Valor

Ricardo Marques/Folha Imagem

Berzoini: "Seria absolutamente incongruente
que um partido com o nosso histórico de disputas
e a experiência de governar o país
não apresentasse candidato




Pouco mais de um ano depois do escândalo dos aloprados - que o afastou temporariamente da presidência do partido - o deputado Ricardo Berzoini foi reeleito para presidir o PT no biênio 2008/2009. Com mais de 75% das urnas apuradas, Berzoini liderava com folga a disputa, com 62,03% dos votos válidos, contra 37,97% do também deputado Jilmar Tatto (SP). O novo presidente do PT, que foi convencido pelo Palácio do Planalto a disputar a reeleição após o veto do campo majoritário a Marco Aurélio Garcia, teve sua candidatura fortalecida com o apoio explícito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E terá como principal missão preparar o partido para a primeira eleição presidencial sem Lula candidato. "A política é feita de liderança pessoal, mas também de coletivo, é feita de programas", afirmou.


Apesar do desejo expresso de Lula de não antecipar o debate sucessório e da torcida para um consenso entre os aliados em 2010, Berzoini deixou claro, ontem, que não faz sentido o PT abrir mão da candidatura própria. "Um partido do nosso tamanho, com o perfil ideológico do PT, o histórico de disputas presidenciais que tivemos nos últimos cinco embates - o que significa todas as eleições após a redemocratização -, aliado à experiência de governar o país com o presidente Lula durante 8 anos, seria absolutamente incongruente não apresentar candidato em 2010". Até ser eleito presidente do PT Berzoini vinha defendendo que o PT apresentasse um nome aos aliados, para disputar a indicação com os candidatos dos outros partidos da base de Lula.


Berzoini não quer, contudo, adiantar os nomes que poderão disputar a sucessão presidencial pelo PT. Para ele, o momento é de fortalecimento partidário e elaboração de um programa político para o partido. "Não podemos ficar presos apenas aos nomes, mas trabalhar um programa político que seja capaz, por exemplo, de dar consistência para um arco de alianças políticas".


Essa escolha de qual será o candidato do PT em 2010 - pesquisas recentes reforçaram que o partido não tem um nome forte para suceder Lula - caberá, segundo Berzoini, à direção partidária que assumir a legenda daqui a dois anos. "A direção do PT que for eleita em 2009 terá que receber o trabalho feito. A preparação dos nomes e a administração de um programa político. Ela vai fazer as conversas com todos os partidos para as composições".


O petista nega que a legenda esteja com uma postura arrogante, apesar de integrar uma coalizão governamental com outros 10 partidos. "O PT terá candidato em 2010 porque construiu uma história para isso. Outros partidos poderão ter também e nós, partidos da coalizão, podemos não estar todos unidos. É desejável que estejamos? É desejável. Mas sabemos que essa não é tarefa e caminho fácil", disse.


Ele lembra que nas eleições de 2006, com Lula candidato, alguns partidos optaram por projetos políticos próprios e, temendo os efeitos da verticalização, não compor oficialmente a chapa presidencial. Uma dessas legendas é o PSB. "A complexidade do sistema partidário brasileiro se torna um obstáculo alto para composição. O PSB, que tinha ministros importantes como Ciro Gomes, Sérgio Rezende, que teve o governador Eduardo Campos como ministro, não compôs aliança formal".


Mas se as alianças acontecerem, o presidente reeleito do PT afirmou que a tendência é de que elas privilegiem as legendas com as quais o PT tem maior afinidade: justamente o PSB, PC do B e PDT. Essas três romperam com o PT - não com o governo - após o acordo firmado entre os petistas e o PMDB na eleição de Arlindo Chinaglia (SP) para a presidência da Câmara, em fevereiro de 2007 e formaram o chamado "bloquinho de esquerda".


Berzoini reconhece que um empecilho para a aproximação é o projeto político eleitoral desses partidos, sobretudo um dos fiéis mais históricos, o PCdoB. "O PC do B preparou nomes para lançar em várias capitais. Em alguns locais, eles estão tendo sucesso em reproduzir o bloco de esquerda e em outros, estão com dificuldades. Em algumas capitais têm aproximação mais histórica conosco. Já fiz contatos antes das eleições para buscar ampliar esse diálogo", declarou ele.


Para 2008, o PT deve mesclar o lançamento de candidatos próprios com as alianças envolvendo os demais partidos da coalizão. "A decisão vai depender de cada município. O PT tem tido a tradição de lançar candidatos nas grandes capitais. E isso tem dado um resultado positivo". Berzoini acredita que, após administrar capitais importantes, como Belo Horizonte, Recife, Vitória, Fortaleza, Palmas, Rio Branco e Porto Velho, o PT conseguiu amadurecer sua atuação como gestor municipal. "O fundamental é, onde tivermos chance de lançar um candidato ou chances de fazer o PT crescer, lançar e disputar, porque candidato próprio sempre enseja a apresentação do programa do partido".


Ontem, enquanto o ex-presidente do partido, José Genoino (SP) e o ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha (SP) faziam depoimento à Justiça Federal acusados de envolvimento com o escândalo do mensalão, Berzoini confirmava a criação do código de ética do partido. Disse que as punições permanecerão as mesmas e que o objetivo é fazer com que episódios como a crise de 2005 não se transformem meramente em "disputa política interna". Sobre o fato de sua vitória representar ou não a superação da montagem de falsos dossiês contra adversários eleitorais do PT, que agiam na campanha de 2006 sob sua coordenação, Berzoini disse que, como em todo veículo, "temos de ter um retrovisor para olhar bem o passado, mas também olhar bem para a frente, senão desgovernamos o carro".



Para Tatto, centro petista sai fortalecido


Caio Junqueira - Valor


Embora as urnas não o tenham feito presidente do PT, o deputado federal Jilmar Tatto (SP) apontou ontem o que considera duas vitórias políticas do seu grupo no processo eleitoral interno da legenda: o fortalecimento do centro do partido e o afastamento da hipótese do apoio do partido a uma não-candidatura petista à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


"Uma das marcas da nossa campanha foi a candidatura própria para 2010. Demos ênfase muito grande a essa questão e é evidente que, nesse particular, o debate político nós ganhamos. Todos os candidatos acabaram defendendo isso", afirmou.


Tatto rechaçou a possibilidade de que o vencedor da disputa, o também deputado federal Ricardo Berzoini (SP), abra mão da candidatura petista em prol de um nome da base governista, como o do deputado Ciro Gomes (PSB-CE). "Ele defendeu no processo eleitoral que o PT tem que ter candidatura própria. A militância ficará vigilante em relação a isso para que não aconteça uma negociação por cima onde o PT ficaria vendido. Mas a dinâmica que imprimimos no debate interno leva para uma candidatura própria. Isso é muito bom, tem um ganho político muito forte."


O petista é um crítico do comportamento dos aliados, em especial na derrota da votação da CPMF. "Se não for para votar com o governo nas matérias que tem dificuldade não tem sentido estar na base e ter espaço no governo. Deveria dar o exemplo e demitir três ou quatro desses para aprenderem. O PT deveria ter um papel mais estratégico nesse processo. É um partido solidário, dá exemplo de unidade e de compromisso com o governo e muitas vezes não temos isso em relação aos outros partidos."


Ontem pela manhã o partido confirmou a vitória de Berzoini, mesmo sem a totalidade dos votos apurados. Na terceira parcial divulgada, ele alcançou 62,2 % dos votos (69.869), contra 37,7 % (42.292) de Tatto. Foram apurados 118.499 votos (65% do total estimado de petistas que votaram). De acordo com a Secretaria Nacional de Organização da sigla, com essa projeção não haveria mais a possibilidade de reversão do resultado. Das 81 cadeiras do diretório nacional, 34 foram ocupadas pelo grupo de Berzoini, o antigo Campo Majoritário, 16 vão para a tendência de Tatto e duas outras para os que o apoiaram. Outras 14 cadeiras foram para o grupo Mensagem ao Partido, cujo candidato a presidente era o deputado José Eduardo Cardozo (SP).


Com essa configuração, Tatto disse que se consolidou no partido um grupo de centro, capitaneado por três forças políticas: o seu, PT de Lutas e de Massas, que tem como principal figura a ministra do Turismo, Marta Suplicy; o dos deputados federais paulistas Cândido Vaccarezza, Carlos Zarattini, Devanir Ribeiro e José Mentor e estadual Rui Falcão, intitulado Novos Rumos; e o Movimento PT, encabeçado em São Paulo pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia.


"O centro do partido sai fortalecido nesse processo eleitoral. Houve um deslocamento de forças que se agrupou na minha candidatura, mas que na verdade sao três forças política que estão construindo um centro político no PT muito importante e que consegue dialogar com as outras correntes", afirmou.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Ricardo Berzoini é reeleito presidente nacional do PT para o biênio 2008/2009



Com 62% dos votos ( o resultado é aproximado) Ricardo Berzoini foi eleito presidente nacional do PT. Jilmar Tatto obteve 38% e já cumprimentou o novo presidente, reconhecendo assim os resultados.

Ricardo Berzoini teve o apoio nas urnas do grupo de Tarso Genro (no primeiro turno Berzoini obteve 43% e o grupo de Tarso e Cardoso 19%). Jilmar Tatto obteve o apoio da corrente de Valter Pomar (no primeiro turno Tatto teve 20% e o grupo de Pomar 12%)

Mesmo com menor participação no segundo turno em relação ao primeiro, a realização do PED, nome da escolha pelos filiados das suas direções, foi um triunfo para o PT pois a participação no processo mostrou uma vitalidade muito acima do que a mídia esperava, tendo participado mais filiados que na eleição anterior em 2006.

O debate interno, por sua vez, mostrou que longe do "internismo" ou da guerra intestina, o PT soube levar a discussão, mesmo com insuficiências, para o terreno das relações governo-partido, 2008 e 2010, política de alianças e programa.

Isto foi facilitado pelo processo de convergência manifestado pelas diferentes correntes internas, com destaque para a postura do grupo de Tarso Genro que mostrou sua capacidade para se unir ao antigo campo majoritário, do qual em aparência era seu crítico feroz.

Mas, fundamentalmente, porque os dois candidatos do segundo turno representam correntes majoritariamente identificadas com a política implementada pelo governo federal, não só no que concerne seus projetos sociais, mas essencialmente com a política econômica implementada desde 2003, as alianças decorrentes da governabilidade e uma maior combatividade em relação aos adversários da oposição.

A eleição do presidente após o segundo turno, ao mesmo tempo que assegura uma representatividade ao eleito, pois permite um voto majoritário, confirmou um reequilíbrio de forças e mudanças nas composições partidárias. Isto pode permitir a construção de novos consensos majoritários no PT dando maior peso ao partido em seu conjunto, tanto em relação ao governo, como em relação aos seus aliados.

O presidente Lula, Ricardo Berzoini e Jilmar Tatto, saem deste processo fortalecidos e o PT em melhores condições de unidade para enfrentar as eleições municipais de 2008.

Luis Favre

Escolha de dirigentes do PT antecipa 2008

João Cruz/ABr

Bem na foto: assim como Lula,

Marta aparece bem em pesquisa.
Datafolha mostra a ministra na liderança em SP


César Felício

Valor


O Partido dos Trabalhadores já deu o primeiro passo para definir seus candidatos a prefeito de capital com a eleição interna de seus diretórios municipais, estaduais e nacional no último dia 2. Ontem os militantes votaram em segundo turno para a escolha da direção nacional, disputada entre os deputados Ricardo Berzoini (SP) e Jilmar Tatto (SP), além de nove comandos estaduais (Pernambuco, Maranhão, Piauí, Espírito Santo, Ceará, Distrito Federal, Santa Catarina, Amazonas e Rio Grande do Norte) e diversos municipais. Mas as candidaturas regionais se alinharam com os pré-candidatos em 2008 nas principais cidades do país.


O controle dos diretórios regionais é estratégico para a definição eleitoral: dele depende a formalização de alianças e a própria estruturação da campanha. E a consulta direta aos filiados para a escolha das direções equivale a uma prévia da prévia eleitoral. Tornou-se uma ocasião para os pré-candidatos petistas medirem forças.


Em Curitiba, por exemplo, a pré-candidata a prefeita, Gleisi Hoffmann, a esposa do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, foi eleita presidente do diretório paranaense com 82% dos votos dos filiados do partido. Dificilmente sofrerá um revés na prévia municipal que deverá disputar com o deputado estadual Tadeu Veneri. A situação é semelhante em Porto Alegre, onde o novo desenho partidário favorece o ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, ante a deputada federal Maria do Rosário.


Citado como possível pré-candidato petista à prefeitura de São Paulo, o deputado José Eduardo Martins Cardozo, o terceiro colocado na eleição para a presidência petista, ficou com apenas 2,3 mil votos na capital, ante 12,8 mil de Jilmar Tatto, um aliado incondicional da ministra do Turismo, Marta Suplicy, ex-prefeita da cidade. A maioria absoluta obtida por Tatto deve desencorajar a realização de prévias dentro do PT paulistano.


Ainda que Marta não seja candidata a prefeita, algo hoje pouco provável, dificilmente deixará de ter controle absoluto sobre a decisão do PT. E neste cenário, a única alternativa é a do presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (SP), que aliou-se a Tatto na eleição nacional.


Em vários Estados, a escolha dos novos diretórios antecipou uma competição pela candidatura que deveria ser resolvida apenas nas prévias partidárias no próximo ano. As candidaturas às presidências dos diretórios estaduais e das capitais se atrelaram aos grupos que já lutam para garantir a candidatura eleitoral.


"A disputa pela eleição candidatura em 2008 guiou este ano a escolha dos dirigentes", constatou por exemplo o deputado federal Pedro Eugênio (PE), que havia se apresentado como pré-candidato à prefeitura do Recife. Segundo o parlamentar, caso a ala comandada pelo prefeito do Recife, João Paulo, consiga uma vitória clara no segundo turno da eleição para o diretório estadual, deve haver uma retirada de candidaturas, esvaziando a possibilidade de prévias. "A coisa deverá ser resolvida por consenso", comentou.


A relação entre a eleição para a escolha dos dirigentes petistas e a luta pelas candidaturas em 2008 não ocorre em algumas capitais. Em Santa Catarina, por exemplo, a esquerda do partido, refratária a alianças, monopolizou a disputa do segundo turno petista, entre a ex-deputada Luci Choinacki e o deputado Claudio Vignatti. Mas a chapa mais votada foi a do antigo Campo Majoritário, hoje "Construindo um Novo Brasil" (CNB). Isto fará que o futuro presidente do PT catarinense não tenha maioria no diretório local e não controle a negociação de candidaturas e alianças em Florianópolis, Joinville e Blumenau.


Nas capitais em que o PT governa, a escolha dos dirigentes também não influi no cenário de 2008 porque o prefeito é candidato natural à reeleição. Em Fortaleza, tanto Joaquim Cartaxo quanto Ilário Marques, que foram ao segundo turno na disputa pelo diretório estadual, pertencem ao CNB, mas isto não ameaça a candidatura à reeleição da prefeita Luizianne Lins, da ala esquerda do partido. Do mesmo modo as candidaturas à reeleição em 2008 de João Coser, em Vitória; Roberto Sobrinho, em Porto Velho, Raimundo Angelim, em Rio Branco e Raul Filho, em Palmas ficaram acima das disputas pelos comandos regionais e municipais do partido.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Berzoini e Tatto disputam segundo turno para presidência do PT neste domingo

O Globo Online

Os deputados Ricardo Berzoini e Jilmar Tatto, que disputam a presidência nacional do PT em segundo turno, durante debate organizado pelo partido - Givaldo Barbosa/ O Globo

RIO - Os deputados federais por São Paulo Ricardo Berzoini (Construindo um Novo Brasil) e Jilmar Tatto (Partido é pra Lutar) disputam neste domingo o segundo turno da eleição que vai escolher o presidente do PT para os próximos dois anos. No primeiro turno, votaram 326.147 militantes, e Berzoini teve 131.699 votos, contra 61.440 de Tatto. A expectativa é de que o número de eleitores seja até 50% menor. O resultado deve sair até quarta-feira. A votação começou às 9h (horário de Brasília) e vai até as 17h.

Os candidatos das tendências esquerdistas devem apoiar Tatto, porém, a corrente Mensagem ao Partido, do ministro da Justiça, Tarso Genro, e de José Eduardo Cardozo, terceiro colocado no turno inicial com 57.964 votos, liberou o voto dos militantes. A expectativa é que a maioria vote em Berzoini, atual presidente e favorito no pleito deste domingo.

A sede nacional do PT, em Brasília, promoveu debate entre os dois candidatos nesta reta final de campanha. Durante mais de uma hora, eles apresentaram suas propostas e posicionamentos políticos com relação à condução do PT nos próximos dois anos.

Berzoini e Tatto destacaram o acúmulo político conquistado pelo PT, principalmente nas eleições de 2006, com a reeleição de Lula à presidência da República, a maior votação para deputados federais entre todas as legendas e a conquista de cinco governos estaduais.

Tanto Berzoini como Tatto consideram a preparação do PT para a disputa das eleições presidenciais em 2010 um dos grandes desafios para o partido.

Para Tatto, o PT deve trabalhar para consolidar uma candidatura própria em 2010, com a apresentação de um programa que defenda o governo Lula e da negociação de uma aliança com os partidos de centro-esquerda que já fazem parte da coalizão atual.

Berzoini afirmou que não existem argumentos contra uma candidatura própria do partido para a sucessão de Lula, mas adiantou que para isso é necessária a construção de um cenário político favorável, com a elaboração de um programa que não tenha apenas o apoio dos partidos aliados, mas do conjunto da sociedade brasileira.

Candidatos debateram muito a relação do PT com os movimentos sociais

A relação do PT com os movimentos sociais do país foi bastante debatida pelos dois candidatos. Tatto acredita que o partido precisa mudar a sua agenda política para resgatar o diálogo com os movimentos popular e sindical, para atuar na defesa de questões como a implantação das 40 horas semanais e o debate em torno de uma educação pública de qualidade. Ele defende uma relação mais direta entre o governo Lula e os movimentos.

Para Berzoini, o partido não se afastou dos movimentos sociais porque existem diversos petistas atuando na organização da sociedade civil e em diversas frentes de luta. Ele afirmou que o petista que atua no movimento está investido de poder para reivindicar melhorias, enquanto que os que estão no governo federal estão investidos da condição de realizar políticas de Estado. Na sua opinião, as contradições resultantes deste processo são naturais, principalmente para um partido que tem projeto de poder como o PT.

Berzoini e Tatto fazem hoje embate do 2º turno

de esq. a dir. Marco Aurelio Garcia, Jilmar Tatto e Ricardo Berzoini


Disputa define novo comando do PT e dá largada para eleições de 2008

Clarissa Oliveira - O Estado de São Paulo

Filiados do PT em todo o País retornam hoje às urnas para escolher um novo presidente nacional da legenda. Depois do primeiro turno, que atraiu mais de 326 mil petistas no último dia 2, a disputa agora será travada entre o atual presidente, deputado Ricardo Berzoini (SP), e o deputado Jilmar Tatto (SP).

Mais do que definir quem estará no topo da burocracia partidária, a escolha da nova direção petista dá a largada para a corrida municipal de 2008. Encerrada a apuração, o novo presidente do PT terá de conduzir as prévias para a escolha de candidatos, liderar o debate sobre a política de alianças e coordenar o relacionamento com partidos da base. Para completar, atuará como uma espécie de embaixador das lideranças municipais junto ao governo, protagonizando o leva-e-traz de cobranças de investimentos e pedidos de declarações de apoio.

“ O PT é um partido trabalhoso”, diz Berzoini, que no primeiro turno ficou com os votos de 43,4% dos militantes. Tatto, que obteve 20,2%, reconhece que a tarefa exigirá união interna e cuidado na avaliação da realidade partidária em cada região.

Antes de encerrada, a eleição do PT já está cercada de pretendentes para a disputa do ano que vem. Derrotado no primeiro turno, o deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP) oficializou nos últimos dias seu desejo de concorrer à Prefeitura de São Paulo. “Em princípio, meu nome está colocado.”

Tatto aparece também entre os cotados para a corrida municipal. A tendência, entretanto, é de que fique fora do páreo, mesmo se for derrotado por Berzoini na eleição de hoje. Dentro do partido, espera-se que ele retribua o apoio que recebeu na eleição interna de outro interessado na prefeitura: o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (SP).

Os três têm outro ponto em comum além do interesse em comandar a capital paulista - qualquer pretensão só será levada adiante se a ex-prefeita e atual ministra do Turismo, Marta Suplicy, não entrar na briga. “Tenho dito que o melhor nome para a Prefeitura de São Paulo é Marta Suplicy”, afirma Tatto. “Se ela optar pela candidatura, acho difícil outro nome atrair tanto apoio”, completa Martins Cardozo. Chinaglia diz partilhar da opinião e acrescenta: “Quanto mais tempo demorar, mais ela é candidata. Não se constrói um nome alternativo de uma hora para a outra.”

Sem Marta, Chinaglia admite encarar a disputa. “Temos de trabalhar por um nome que aglutine. Se meu nome tiver essa capacidade, claro que eu disputaria”, afirma. Marta é também o nome favorito de Berzoini. Nesse caso, a desistência da ex-prefeita tende a conduzir os votos do deputado e seu grupo para Martins Cardozo.

Apesar de preferida, Marta manifestou a aliados nos últimos dias que, em tese, prefere não concorrer. Apesar disso, não descartou a possibilidade. Se depender da avaliação dos colegas, ela só disputará o cargo se for a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

'O PT é bucha de canhão do governo'


Candidato à presidência do PT, Jilmar Tatto diz que legenda tem a sensação de quem ‘ganhou, mas não levou’ O Estado de São Paulo

Depois de conquistar mais de 60 mil votos no primeiro turno da eleição interna do PT, o deputado Jilmar Tatto (SP) afirma que a nova direção da legenda deve ter como principais bandeiras a candidatura própria em 2010 e o fortalecimento do partido na relação com o governo federal. Tatto avalia que o PT se transformou na “bucha de canhão” do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Tudo quanto é problema o PT defende, o PT está lá, é o principal partido da coalizão,que dá sustentação ao governo”, afirma o deputado. “Mas a sensação que nós temos é de quem ganhou e não levou.”

CANDIDATURA PRÓPRIA

“Eu acredito que será uma traição ao povo brasileiro e à militância do PT se a nossa direção não reivindicar e colocar como questão de princípio uma candidatura do PT para disputar 2010. A razão principal é que mudança, no Brasil, é com o PT. Foram 27 anos que nos transformaram no principal partido do País. Temos que exercer essa autoridade sobre nossos aliados. Isso se faz com diálogo, mas o tamanho faz diferença na política.”

ELEIÇÕES 2008

“A estratégia tem que ser a do fortalecimento do PT, lançando candidaturas próprias onde for possível e, onde não for, ter uma influência no programa. Segundo, temos que discutir um programa para a disputa municipal que inclua a defesa do governo Lula, o fortalecimento do movimento social, a democratização do Estado, com orçamento participativo.”

POLÍTICA DE ALIANÇAS

“Acho que a base das coligações em 2008 deve seguir o que acontece no governo federal. Mas você tem alguns municípios onde isso é impossível, tem que discutir caso a caso. Em São Paulo, por exemplo, eu sou contra discutir uma aliança com o Maluf. E o PP está na base do governo. Em tese, acho que as alianças têm que ocorrer preferencialmente dentro da base. Mas acho que devemos tirar, por exemplo, uma decisão política de não fazer alianças com PSDB e PFL (atual DEM).”

PRÉVIAS

“Nós temos um histórico no partido de democracia de prévias que já é muito tranqüilo. Na medida do possível, tem de haver diálogo, fazer pesquisas, verificar qual o melhor nome. Não havendo consenso, realizam-se as prévias. A militância decide quem é o candidato do PT.”

RELAÇÃO DO PT COM GOVERNO

“Precisa aperfeiçoar essa relação. Eu considero que o PT não está sendo tratado com carinho em relação ao governo federal. O PT é a bucha de canhão. Tudo quanto é problema o PT defende, o PT está lá, é o principal partido da coalizão,que dá sustentação ao governo. Mas a sensação que nós temos é de quem ganhou e não levou. O PT tem perdido espaço, do ponto de vista político. A próxima direção tem que ter uma relação institucional com o governo, não de pessoas, de correntes.”

NOVO DIRETÓRIO DO PT

“Acredito que esta seja uma direção mais de centro. Acho que é possível, desde que a gente consiga montar uma Executiva consensual, sem conflitos - por isso eu defendo que o secretário-geral e o tesoureiro não sejam da mesma chapa do presidente -, podemos retirar tensões da direção do PT. Acho que temos que criar mecanismos internos para que a direção aprimore a forma de conduzir a política do PT e, ao mesmo tempo, sinalize para a sociedade, para a militância, para o movimento social, que o PT está mudando.”

DISPUTA INTERNA

“Precisamos de uma direção mais democrática e o presidente é fundamental nesse processo. Acho que tenho mais condições de fazer esse trabalho que o Ricardo Berzoini. Primeiro, ele já está naturalmente desgastado, por já estar no comando do partido. E as forças políticas que me apóiam, evidentemente, me ajudam a ter condições, internamente, de unificar o PT. Em função desse esgotamento que vemos na chapa Construindo um Novo Brasil.”

DEBATE ÉTICO

“Neste primeiro turno, tivemos 53% dos filiados do PT que votaram pela mudança, que votaram por alguma forma de renovação. E dentro dessa renovação, obviamente, está a questão dos métodos, da forma de dirigir o PT, da criação de um código de ética que seja uma construção coletiva, para evitar inclusive erros cometidos no passado, cometidos por integrantes do antigo Campo Majoritário. Essa questão está colocada e temos que tratar como prioridade a questão do comportamento ético dos dirigentes, deputados e filiados. Está na ordem do dia e compete à nova direção fazer essa discussão.”

APOIOS

“Acho que os apoios (de lideranças da Mensagem ao Partido a Berzoini) são legítimos, eu respeito. Aqueles que defendem Berzoini são os que defendem a continuidade. Acham que as coisas têm que ficar como estão. Mas quem acha que tem que ter renovação, vai votar em mim. Agora, a característica que vemos é muito chapa branca. Muito ministro apóia o Berzoini. Os grupos que me apóiam são militantes, de base.” C.O.

'Nosso centro será eleição de 2008'


Candidato a mais um mandato de presidente do PT, Ricardo Berzoini diz que disputa ajudará a unificar a sigla

Clarissa Oliveira - O Estado de São Paulo

Atual presidente do PT e candidato à reeleição, o deputado Ricardo Berzoini (SP) acredita que a eleição municipal do ano que vem entrará na pauta do partido assim que a nova direção for escolhida. Para ele, esse quadro contribuirá para unificar as tendências da legenda e amenizar o clima de disputa que se formou nos últimos meses. “Passada a eleição interna, nosso centro vai ser a eleição municipal de 2008. Com isso, a tendência de unidade interna e de soma de esforços é muito grande”, afirma o parlamentar.

CANDIDATURA PRÓPRIA

“O PT não tem a obrigação política de fazer isso, mas tem todas as condições. E, na minha opinião, terá candidato próprio em 2010. O PT tem razões suficientes para se preparar para isso e construir essa candidatura. Não há nenhum motivo para o PT supor que possa abrir mão de um direito que é de todos os partidos e que muito menos um partido do porte do PT pode abrir mão.”

ELEIÇÕES 2008


“Defendo que o PT, nacionalmente, oriente uma política de alianças, mas que olhe com muito cuidado o debate de cada Diretório Estadual, de cada Diretório Municipal. O Brasil não é homogêneo. Nem na economia, nem na área social, nem na política. Portanto, tendo uma linha geral como orientação, é obrigação nossa interagir com diretórios regionais para avaliar eventuais exceções.”

ALIANÇAS

“Claro que nossa prioridade de alianças é com partidos de esquerda, além de todos os partidos da base do governo Lula. Mas isso não exclui, por exemplo, em cidades onde tenhamos situações políticas específicas que levem a frentes mais amplas, o PT se recusar a participar, quando tiver evidentemente razão para isso.”

PRÉVIAS

“O PT tem uma regra estatutária, que é: onde não tem acordo, tem prévia. Vamos, na primeira reunião do ano, fazer a orientação de prazos para prévias. Mas vamos evitá-las onde for possível, pois são sempre um elemento de tensão e desgaste. Vamos trabalhar para entrar em acordo na imensa maioria das cidades, com destaque, evidentemente, para cidades que têm maior influência nacional.”

RELAÇÃO DO PT COM GOVERNO

“O PT, normalmente, é criticado, seja por estar excessivamente ligado ao governo, ou por apresentar propostas diferentes das do governo. A crítica vem dos dois lados. O que temos que fazer - e não é decisão do presidente do PT, é decisão da Direção Executiva - é combinar a solidariedade com um governo que é nosso, que nós avaliamos que tem um papel importante para o Brasil, com a crítica necessária e inteligente. Ou seja, não fazer críticas a esmo ou, antes de fazê-las publicamente, fazê-las reservadamente ao governo. E de outro lado discutir as linhas políticas partidárias que não precisam de nenhum tipo de aval do governo.”

NOVO DIRETÓRIO DO PT


“O PT sempre vai ser um partido complexo para dirigir. O que temos hoje que me anima muito, a despeito das críticas públicas na campanha, é um ambiente de cooperação muito grande na Executiva. Fico muito feliz com as últimas reuniões da comissão que, mesmo durante uma eleição, foram todas tratadas com muita responsabilidade por todos os dirigentes, sem exceção. Não houve tentativa de transferir a disputa eleitoral para dentro da Executiva, para dentro do Diretório.”

DISPUTA INTERNA


“Passada a eleição interna, nosso centro vai ser a eleição municipal de 2008. Com isso, a tendência de unidade interna e de soma de esforços é muito grande. Vi isso na campanha do Lula. Mesmo nas campanhas estaduais, as pessoas deixam um pouco de lado as disputas de regiões e Estados para pensar em fazer o PT crescer. E, de certa forma, conquistamos esse ambiente. O fato de hoje não termos maioria é um fator de estabilidade no partido. Propicia a idéia de que ninguém tem um rolo compressor pronto para ser exercido. Tudo tem que ser discutido e conquistado no debate. É bom para o partido, não é ruim.”

DEBATE ÉTICO


“O debate da crise está, digamos, parcialmente superado, mas não totalmente superado. Precisamos ter muita atenção com os ensinamentos que a crise nos trouxe. Acho que precisamos ter a sensibilidade de ver que esse Processo de Eleições Diretas do PT é complexo mesmo, é difícil.”

APOIOS

“No primeiro turno, eles (a Mensagem ao Partido) apresentaram uma candidatura com o objetivo de atingir uma determinada meta. Mas, ao mesmo tempo, sempre teve um reconhecimento do trabalho que a gente fez. Fico feliz porque, num ambiente eleitoral, a existência desse reconhecimento mostra, primeiro, a grandeza dos adversários. E mostra também que no PT não vale tudo em uma eleição. Pode-se também reconhecer os méritos.”

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Domingo proximo tem segundo turno na eleições internas do PT


Dia 16 acontecerá o segundo turno das eleições internas no PT. Para presidente nacional da sigla disputam Ricardo Berzoini e Jilmar Tatto.

As duas forças sendo essas neste segundo turno, o processo eleitoral reforçará seguramente a unidade partidária. Ambos os candidatos tem mostrado uma atitude unificada na defesa do governo Lula, em particular durante a crise provocada pela questão do financiamento irregular do PT, alem de defender juntos a politica de alianças práticada pelo presidente Lula.

Junto com Ricardo Berzoini, manifestaram seu apoio Tarso Genro, Fernando Haddad e outros participantes do grupo Mensagem, que no primeiro turno apresentaram José Eduardo Cardoso como candidato.

Já Jilmar Tatto ganhou o apoio de duas figuras históricas do PT, Olivio Dutra de Rio Grande do Sul e do Prefeito de Recife, João Paulo, ambos também apoiadores no primeiro turno de Cardoso.

No Estado de São Paulo, onde Ricardo Berzoini perdeu no primeiro turno para Jilmar Tatto, o novo presidente estadual do PT, Edinho Silva e José Américo, novo presidente eleito na capital paulista tem mostrado uma maior sintonia com a candidatura de Jilmar Tatto.

Os resultados serão conhecidos no fim da segunda-feira. LF

sábado, 8 de dezembro de 2007

PT: 17 presidentes eleitos

CORREIO BRAZILIENSE

Diretórios estaduais terminam contagem de votos. Para analistas, vitórias no 1º turno desmonstram a força das lideranças partidárias em busca de consenso


Izabelle Torres
Da equipe do Correio

As eleições para a presidência do PT nos diretórios regionais já foram decididas em 17 estados brasileiros. Em Pernambuco, o nome do novo presidente do partido só será conhecido depois do julgamento de recursos judiciais. Minas Gerais também iniciou uma disputa jurídica, mas ontem o candidato Durval Ângelo retirou a sua candidatura e Reginaldo Lopes tornou-se o vencedor, com 49,61% dos votos. Nos demais estados e no diretório nacional, as disputas foram para o segundo turno e as campanhas seguem até o próximo dia 16, quando acontece a eleição. Para o cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB) David Fleisher é possível fazer uma ligação entre os candidatos eleitos em primeiro turno e a força das lideranças partidárias que o apoiaram. “O consenso em torno de um nome pode demonstrar quem são as lideranças políticas com maior força entre os militantes”, analisa.

Para o Fleischer, um exemplo de vinculação entre o candidato eleito e os caciques petistas pode ser notado na eleição do diretório do partido em São Paulo. Na disputa, o candidato Zico Prado, apoiado pelo presidente nacional da sigla, Ricardo Berzoini, e pelos deputados João Paulo Cunha e Cândido Vacarezza, foi derrotado por Edinho Silva, que teve como principais cabos eleitorais o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, e a ministra do Turismo, Marta Suplicy. “Com a proximidade das eleições municipais, creio que vale uma análise sobre as forças partidárias que estavam por trás de cada candidato eleito nos estados”, disse o professor.

O placar das decisões em primeiro turno demonstra que houve disputas mais acirradas, como em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde os candidatos eleitos obtiveram 56% e 52,8% dos votos, respectivamente. Em outras regiões, como o Acre, a vitória foi folgada. O candidato Léo Brito obteve 91,3% dos votos. Os estados do Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e o Distrito Federal realizam segundo turno no próximo dia 16. No mesmo dia, o diretório nacional do partido decide a eleição entre os candidatos Ricardo Berzoini e Jilmar Tatto, que obtiveram 43,42% e 20,25% dos votos, respectivamente.

Leia também
PT: Se espelhar no exemplo de São Paulo



Leia o artigo de Luis Favre, militante do PT de São Paulo, sobre a realização do segundo turno da eleição presidencial nacional

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

PANORAMA POLÍTICO

Ilimar Franco do jornal O Globo (para assinantes)

Petistas articulam candidatura de Palocci

O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), é candidato à reeleição à presidência do partido, com o apoio da tendência Unidade na Luta/Articulação.

Nas eleições diretas de 2005 ele fez 42% dos votos.

Desta vez, terá de enfrentar aliados do pleito anterior.

As tendências Novos Rumos, PT de Lula e de Massas, que saíram da sombra da Articulação, e o Movimento PT estão articulando o lançamento da candidatura do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci.

Dirigentes dessas tendências avaliam que ele tem personalidade e voltará a dar peso político ao partido. Argumentam ainda que ele é um dos poucos no partido que tem estrutura e estofo para falar olho-aolho com o presidente Lula.

Eles aguardam apenas o STF decidir se o denuncia ou não, no caso da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo da Costa, para colocar sua candidatura na rua.

A data da eleição para a presidência será decidida no Congresso do PT, que acontece de 28 de agosto a 2 de setembro, e deve realizarse em dezembro.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Ciro Gomes ganha 'afagos' e 'resistência' do PT, após entrevista

BRASÍLIA - Após a afirmação de que não aceita ser vetado como possível candidato da coalizão governista, em 2010, o ex-ministro e deputado Ciro Gomes (PSB-CE) recebeu no domingo, 15, afagos diplomáticos de alguns petistas e enfrentou resistência de outros.

O ministro Luiz Dulci, chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, considerou que "não existe veto" e que "não é apenas que não exista veto. É melhor que isso. Ciro é um interlocutor importante do PT e uma das principais lideranças da coalizão", afirmou.

Em entrevista publicada no domingo, 15, pelo Estado, Ciro declarou que a escolha do candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sucessão não pode ser feita com base em vetos.

O ex-ministro disse que, da mesma forma, não tem o direito de vetar nenhum nome. Também cobrou a discussão de um projeto para o País depois do governo Lula e sustentou a tese de que o presidente não fará o sucessor se ficar amparado apenas nas realizações do primeiro mandato. Ciro fez duras críticas e cobrou avanços em setores como educação, saúde e segurança pública.

O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), reiterou que "da parte do PT, não há veto ao Ciro". Embora tenha ressalvado que a discussão sobre a sucessão presidencial é precoce, o dirigente petista foi além e incluiu Ciro na lista de possibilidades da coalizão. "Ciro Gomes é uma liderança que tem que ser levada em consideração para a Presidência da República", disse Berzoini.

Tanto o presidente do PT quanto o ministro da Secretaria Geral elogiaram a "lealdade" de Ciro ao presidente Lula. "As pessoas o respeitam muito dentro do PT pela trajetória progressista e pela lealdade ao presidente Lula", afirmou Dulci.

PT e PMDB

Houve, no entanto, quem insistisse em um nome do PT para a sucessão de Lula. O deputado petista Cândido Vaccarezza (SP) apontou como "natural" um candidato do PT à presidência e do PMDB à vice, embora tenha defendido a presença do PSB de Ciro em uma grande aliança. Vaccarezza ressalvou que "é cedo para as pessoas lançarem candidaturas, vetarem ou não".

O deputado petista defendeu que, em 2010, todos os partidos que integram a coalizão, "estejam unidos em torno da aliança central PT/PMDB". "O PSB é integrante dessa grande coalizão. Esse grupo deve discutir um nome. Defendo que seja do PT e acho que é o mais provável. Vamos buscar um nome que unifique e que tenha condição de ganhar a eleição. Na minha avaliação, o vice tem que ser do PMDB. O PT foi o partido mais votado e o PMDB o segundo partido mais votado nas últimas eleições. É natural que a aliança central seja PT/PMDB", sustenta Vaccarezza.

O deputado diz, porém, que a prioridade dos petistas agora são as eleições municipais, em que buscarão vencer nas principais capitais e, ao mesmo tempo, garantir peso eleitoral e político em cidades menores do interior do País.

O ex-ministro José Dirceu comentou em seu blog a entrevista de Ciro Gomes ao Estado. Considerou-a "simples, direta e objetiva". E elogiou: "Ele coloca o dedo nos graves problemas do Brasil. Esse é o Ciro Gomes. Uma entrevista à altura de um dos prováveis candidatos à Presidência da República em 2010."