Mostrando postagens com marcador PSDB SP. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador PSDB SP. Mostrar todas as postagens

sábado, 26 de janeiro de 2008

O bico dos tucanos é uma boquinha

De Alckmin para Serra

Caneta na mão.
A nota que sinaliza preferência pela reeleição de Gilberto Kassab, divulgada pela bancada do PSDB na Câmara de São Paulo, reflete uma preocupação concreta: se Geraldo Alckmin entrar na disputa, os vereadores terão de entregar seus cargos nas subprefeituras, máquinas eleitorais poderosas. (PAINEL da FOLHA).


De Serra para Alckmin

Serra e a turma da boquinha
De José Serra, sobre as reclamações da turma de Geraldo Alckmin de que teria demitido o grupo do ex-governador quando assumiu o governo de São Paulo: "Quem presta do PSDB está no meu governo. Os que não estão são a turma da boquinha. (RADAR da VEJA)

domingo, 20 de janeiro de 2008

Entrelinhas: Ainda sobre Quércia e Alckmin

O presidente municipal do PMDB em São Paulo, Bebeto Haddad, defende com entusiasmo uma aliança de seu partido com o PSDB, em torno da candidatura de Geraldo Alckmin à prefeitura com base em um raciocínio bastante interessante: se Alckmin vencer, o PMDB governará em coalizão a maior cidade do País, o que dispensa maiores comentários; se Alckmin perder, o que é uma hipótese hoje considerada remota, o ex-governador poderia até mesmo migrar para o PMDB a fim de disputar o governo paulista em 2010, completando assim uma chapa que teria Quércia como candidato ao Senado, uma dobradinha sem dúvida com força eleitoral.

Já os peemedebistas que defendem uma aliança com o PT dizem que o partido de Lula tem mais a oferecer, inclusive no governo federal, ao ex-governador Orestes Quércia. Até agora, porém, a verdade é que Lula não atendeu aos pleitos do PMDB paulista.

No fundo, a questão para Quércia é saber em quem confiar. Com o PT, a experiência não foi lá muito boa.

Cúpula do DEM vai a SP para ‘prestigiar’ Kassab



Blog de Josias


Alto comando da legenda quer candidatura 'irreversível'




Num instante em que parte do PSDB hesita em apoiar o tucano Geraldo Alckmin, o DEM decidiu avançar uma casa no xadrez em que se converteu a pré-campanha para a prefeitura de São Paulo. O alto comando do DEM irá à capital paulista, na próxima terça-feira (22), para prestigiar o prefeito Gilberto Kassab (foto), candidato à reeleição.



Será um encontro do Conselho Político da legenda, integrado por suas principais lideranças –dirigentes, ex-dirigentes, líderes no Congresso e executivos –estaduais e municipais. O pretexto da reunião é a necessidade de fazer uma análise da conjuntura política. Serão discutidos: o cenário nacional pós-extinção da CPMF e a as eleições municipais de 2008.



Quanto ao caso de São Paulo, o partido pretende fixar uma posição terminativa. O conselho endossará a candidatura de Kassab e delegará ao próprio prefeito a tarefa de costurar os acordos políticos em torno do nome dele. Uma delegação apenas formal. Na prática, toda a ex-pefelândia está empenhada em pôr de pé a candidatura própria na maior capital do país.



Além de Kassab, o ‘demo’ mais envolvido na costura paulistana é Jorge Bornhausen (SC), ex-presidente do DEM. Ele esteve com o governador José Serra, na semana passada, para informar que pretende procurar Geraldo Alckmin. Recebeu sinal verde. Verdíssimo.



Bornhausen planeja avistar-se com Alckmin nos próximos dias. Tentará demovê-lo da idéia de disputar a prefeitura. Vai aconselhá-lo a concorrer o governo de São Paulo, em 2010. Uma equação que interessa a Serra, empenhado em costurar uma aliança tucano-democrata para a sucessão de Lula.



Além de Serra, o DEM conta com o apoio de um outro grão-tucano para tirar o ex-governador do caminho: FHC. O problema é que, por ora, Alckmin não emite o menor sinal de que pretenda abrir mão da disputa. Longe disso. Já deflagrou os contatos para erigir uma aliança em torno de si. Conforme noticiado aqui, reuniu-se duas vezes com Orestes Quércia (PMDB).



O PT observa a divisão entre ‘demos’ e tucanos com vivo interesse. Torce para que a desavença tenha vida longa. Idealiza um cédula com os nomes de Kassab e de Alckmin. Situação em que sua candidata, a ministra Marta Suplicy, teria a vida simplificada.



Na última pesquisa Datafolha, divulgada em 9 de dezembro, Alckmin obteve 26% das intenções de voto, quatro pontos a menos que os 30% que amealhara na pesquisa anterior, feita quatro meses antes. O ex-governador tucano estava tecnicamente empatado com Marta (25%, um ponto acima dos 24% que alcançara em agosto de 2007). Kassab subiu, em dezembro, de 10% para 13%.



Num cenário sem Alckmin, Marta subiria, segundo o Datafolha, de 25% para 28%, tornando-se líder isolada. Mas passaria a ser acossada por Kassab, que, nessa hipótese, subiria de 13% para 20%. Daí a macumba do petismo para que PSDB e DEM se apresentem aos eleitores paulistanos cada um com o seu candidato.

Escrito por Josias de Souza

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Tucano e mico: Biólogo diz que não existe tucano azul, só o do PSDB











(17/01/2008 14:09) - Blog de Rovai

A repórter da página da Fórum na internet e da revista impressa Brunna Rosa conversou com André de Luca, biólogo especialista em aves e pesquisador da Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (SAVE Brasil) De Luca confirmou o que este blog já sabia: não existe tucano azul com bico amarelo. Só o do PSDB. “Um tucano assim não existe nem na Mata Atlântica, como também não existe nem no Ceará, na Amazônia e no Pantanal. ReproduçãoTucano assim não existe”, garante o especialista. Ele ainda acrescenta que, nas regiões mais altas do país, se vê o tucano de bico verde, como popularmente é conhecido. Já nas partes mais baixas o comum é o tucano de bico preto. Ou seja, se quisesse colocar um tucano como representante da Serra do Mar era essa (a ave da foto ao lado) que deveria ilustrar a placa e não o bicudo símbolo do partido do governador.

Ou seja, a desculpa esfarrapada de que o tucano ali presente representa a fauna local é picaretagem de assessor que quer ser mais realista do que o rei. Aliás, falando nisto este blog ainda aguarda uma posição das assessorias do governo de São Paulo e da Agência de Transporte do Estado (Artresp).

Aliás, o leitor viu a repercussão dessa nossa denúncia em algum dos jornalões? Imagine se em vez de tucano azul fosse uma estrela vermelha...

Ver também O mico é do contribuinte, o tucano é do PSDB


IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

Serra desvia recurso público para promover seu partido

Assessoria de comunicação - Liderança do PT Asembléia Legislativa


A Bancada do Partido dos Trabalhadores irá questionar a Secretaria de Comunicação Social do Estado, através de um requerimento de informação, sobre o uso do logotipo do PSDB, em campanha institucional do governo de preservação do Parque Estadual da Serra do Mar. O requerimento aguarda apenas o fim do recesso parlamentar, 1/2, para ser protocolado.

Clima quente na guerra tucana


Direto da fonte

Sonia Racy, sonia. racy@grupoestado.com.br

Bicadas tucanas

Posto em estado de alta fervura desde a entrevista de Fernando Henrique ao Estado, no domingo, o PSDB paulista não baixará tão cedo sua temperatura interna. O recado de FHC - favorável à fórmula Kassab-Alckmin-Serra para prefeito-governador-presidente - foi entendido, por muitos tucanos, como autorização para dizerem também o que pensam e querem. A reação de Geraldo Alckmin, insistindo na candidatura, foi só o começo.

Já tem tucano argumentando: em 2005, quando José Serra pensou em se candidatar à Presidência, os defensores de Alckmin diziam que sua alta votação em pesquisas “era só recall”. E agora, quando Alckmin diz que está liderando as pesquisas, ele cobra: “Não é só recall?”

Um outro pergunta: como Alckmin vai fazer campanha? Falando mal da gestão de Gilberto Kassab e da de José Serra?

O acordo de ontem entre Serra e o comando nacional do PSDB não deve acalmar as coisas. Os dois lados deixaram a definição da candidatura tucana para abril - mês em que Marta Suplicy terá de sair do Ministério, se for candidata. Mas a disputa entre defensores de Alckmin e Kassab independe do PT. Ela é, na verdade, um lance da campanha de 2010.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

"Falastrão e boquirroto", olha o nível no PSDB de São Paulo

DEM quer convencer Alckmin a apoiar Kassab
DEM quer convencer Alckmin a apoiar Kassab

DEM tem aval de José Serra para procurar Alckmin


CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
FOLHA DE SÃO PAULO

Sob a bênção do governador de São Paulo, José Serra, cresce a pressão sobre o ex-governador Geraldo Alckmin para que desista de concorrer à prefeitura e se resguarde para 2010.
Numa audiência na tarde de ontem, o ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen informou a Serra que procurará Alckmin na semana que vem. Na conversa, avisou, alertará Alckmin para o risco de rompimento da aliança PSDB-DEM caso ele insista em disputar a cadeira de Gilberto Kassab.
"Alckmin tem o direito de ser candidato. Mas deve analisar as conseqüências dessa candidatura", disse Bornhausen.
Segundo Bornhausen, Serra não fez objeção à abordagem.
Alckmin, por sua vez, estaria irritado com o cada vez maior número de serristas que defendem essa saída. Seus interlocutores estariam surpresos com o recorrente uso de palavrões -coisa rara em seu vocabulário- para descrever o cerco.
Com o embate, aumenta também a tensão entre tucanos. O presidente municipal do PSDB, o secretário estadual José Henrique Lôbo, reclama dos "incendiários de sempre".
Queixando-se de um comentário feito pelo deputado federal Edson Aparecido -que comparou a defesa feita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à discussão do apoio ao governo Collor- afirmou: "Político que é candidato a alguma coisa é sempre falastrão e boquirroto. Um partido só cresce com disciplina e respeito a seus líderes".
Lôbo não quis identificar os destinatários de sua crítica. "Não vou comentar esse tipo de fala", reagiu Edson Aparecido.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Interesse público



Não sem razão o vice-governador de São Paulo, Alberto Goldman, disse que deveria prevalecer o "interesse público" na questão da escolha do candidato à prefeitura de São Paulo.

Mas do qual "interesse público" se trata?


A guerra intestina no PSDB para saber se prevalece Kassab ou Alckmin é uma manifestação de ambição política, carreiras à projetar ou preservar, cálculos sobre conveniências pessoais e espaços nas máquinas públicas, nos cargos distribuídos generosamente nas empresas e organismos da Prefeitura e do Estado, aos correligionários.

A candidatura tucana em 2010 é o objetivo e os aspirantes a ela querem se apossar da prefeitura para alavancar estas ambições pessoais.


Todos se inspiram na trajetória de José Serra: galgar cargos e abandoná-los ao sabor de sua ambição à atingir a Presidência da República. O programa, as alianças, as idéias e as realizações devem corresponder a este objetivo, coincida ele ou não, com o interesse público.


Ou acaso prevaleceu o "interesse público" na decisão de Serra de se eleger Prefeito de São Paulo como trampolim para candidatar-se novamente apenas um ano após sua eleição?


A única coisa de "público" na briga entre tucanos, é a notoriedade pública das ambições pessoais de Alckmin e Kassab.

Goldman tem razão quando constatá que Alckmim apóia e defende o governo demo-tucano na capital paulista e deveria em toda lógica apoiar sua reeleição. O interesse pessoal de Alckmin não deveria, segundo a filosofia de Goldman, prevalecer sobre a concordância política com o governo municipal.
Mas como ignorar, argumento do Alckmin, que o cargo de Prefeito, ganho pelo PSDB com Serra, foi para Kassab e o DEM por conta pura e exclusiva da ambição pessoal de Serra de galgar um escalão a mais na busca obsessiva da candidatura tucana a presidente?

Agora, FHC é convocado para à disputa pelos serristas, enquanto Aécio vem defender Alckmin. Cada um com sua estratégia, com sua ambição e com seu apetite voraz pelo... interesse público!


Por isso importa tão pouco, para eles, o que fizeram no governo da maior cidade do Brasil.

Eram contra os CEU's, mas depois acharam mais cômodo ceder a pressão da população e continuar o que a Marta iniciou e que eles combateram. Eram contra os uniformes e o material escolar gratuito, que a Marta introduziu, e depois mantiveram pela mesma pressão popular (com a incompetência típica e a falta de planejamento, em todos estes anos nunca conseguiram entregar os uniformes de verão a não ser... no inverno).


Depois de se encher a boca contra a carga tributária, governam o município com um orçamento que é o dobro do que era na época da Marta e conseguem reduzir o numero de domicílios isentos de pagar IPTU, que a administração do PT tinha estabelecido em 1 milhão duzentos mil, nos 900 mil atuais. Aumentaram as multas, o IPTU, os radares, as tarifas de ônibus e não construíram um mísero corredor novo em quatro anos.


Além do apoio manifesto de setores da mídia paulista, jornais impressos e também radio e TV, segunda edição, o único que podem reivindicar ao cabo de quatro anos é o fim dos outdoors. Muito pouco para sustentar o engôdo do "interesse público".

O afligente espetáculo de briga no PSDB deixara seguramente alguma plumas no chão e até algum tucano depenado, nada para ser lamentado. Só serve para mostrar o grau de indigência dos tucanos no que concerne idéias e projetos voltados para o interesse público, e quanto é grande o bico de oro das ambições pessoais.

Luis Favre

A seguir a saga de hoje da guerra inter-tucana



O ESTADO DE SÃO PAULO
PSDB precisa ouvir FHC, afirma Serra

Ex-presidente sugeriu Kassab para prefeitura e Alckmin para governo

Paulo Darcie

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), afirmou ontem que as opiniões do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre os rumos da aliança entre seu partido e o DEM têm muito peso e devem ser discutidas pelos tucanos. “É uma opinião do ex-presidente, que deve ser sempre levada em conta. Pode ter gente de acordo e gente que discorde, mas tem de ser respeitada”, afirmou.

Serra se referia às declarações de Fernando Henrique em entrevista ao Estado, publicada no domingo. O ex-presidente elogiou a atuação de Gilberto Kassab (DEM) à frente da Prefeitura de São Paulo e sugeriu que seria bom manter a aliança no município: a candidatura de Kassab à reeleição, combinada à do ex-governador Geraldo Alckmin para o Palácio dos Bandeirantes, em 2010, deixando Serra “livre” para concorrer à Presidência. “No caso da sucessão de Lula, não dá para dizer nada, embora hoje o Serra tenha mais pontos do que o Aécio”, afirmou Fernando Henrique, na mesma entrevista.

Repetindo o ex-presidente, Serra afirmou ser preciso que as candidaturas do partido se decidam com base em uma estratégia. “É importante a idéia de se ter uma visão estratégica para decisões dessa natureza”, destacou.

Questionado se a proposta de Fernando Henrique seria uma boa estratégia, Serra recuou: “Não vou me pronunciar a esse respeito.”

Os outros dois envolvidos nos planos do ex-presidente divergem. Kassab acha natural tentar a reeleição, mas alega que o mais importante é manter a aliança. Ontem a cúpula do DEM - o presidente da legenda, Rodrigo Maia, e o ex-senador Jorge Bornhausen - desembarcou em São Paulo para mais uma reunião como prefeito.

Alckmin e sua base no PSDB deram a entender que os planos para 2008 ainda estão de pé. O tucano evitou falar sobre o assunto, mas defensores de sua candidatura disseram que a lógica de Fernando Henrique só funciona com o PSDB unido.

O secretário municipal de Esportes e Lazer, Walter Feldman, também aprova as idéias de FHC. “Sua tese estratégica está centrada numa maneira diferenciada de construção de alianças.”


FOLHA DE SÃO PAULO

Aécio apóia candidatura de Alckmin em SP

Em oposição a Serra, governador de Minas diz que partido deve apoiar ex-governador, caso ele queira disputar a prefeitura

No final de semana, FHC tentou convencer Alckmin a recuar, mas ele insistiu que PSDB não pode abrir mão de ter candidato em São Paulo

CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL

A candidatura do ex-governador paulista Geraldo Alckmin à Prefeitura de São Paulo conta com apoio de peso dentro do PSDB: do governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Potencial candidato à Presidência da República -disputando com o governador de São Paulo, José Serra, o direito de representar o PSDB na corrida de 2010-, Aécio tem repetido que a candidatura de Alckmin seria estratégica para o PSDB.
Na avaliação de Aécio, Alckmin tem de ser o candidato do partido, caso queira disputar a prefeitura paulistana. Aécio deverá manifestar sua opinião em encontro previsto para esta semana. Convocada para discutir a dívida do PSDB, a reunião deverá contar com o presidente do partido, Sérgio Guerra, governadores e o ex-governador Geraldo Alckmin, candidato ao Planalto em 2006.
Na reunião, os tucanos deverão expor suas divergências. Ao defender a candidatura de Alckmin, Aécio contraria a torcida de tucanos por um acordo que assegure o apoio do PSDB à reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Esse seria o caso de Serra e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Ontem, no lançamento de um programa de privatização de rodovias, Serra disse que "a opinião do Fernando Henrique tem sempre que ser levada em conta, você concorde ou não, e a opinião dele tem visão estratégica, mas não vou me pronunciar sobre esse assunto". Segundo tucanos, FHC teria tentado demover Alckmin da idéia de concorrer, numa conversa na semana passada.
Alckmin, porém, insiste no argumento de que o PSDB não pode abrir mão de ter candidato na maior cidade da América do Sul. Também teria dito a interlocutores que estará liquidado caso não concorra desde já. "A candidatura tem apoio de movimentos organizados do partido", disse o deputado federal Edson Aparecido (PSDB).
Segundo ele, no fim do mês, haverá um manifesto formal desses grupos em favor da candidatura Alckmin. "A candidatura tem de cumprir a estratégia do partido", afirmou o deputado Duarte Nogueira. Enquanto alckmistas articulam movimentos de apoio à candidatura do ex-governador, os defensores da manutenção da aliança entre PSDB e DEM já tornam pública sua opinião.
Ainda que sem pregar diretamente o apoio à reeleição de Kassab, o vice-governador e secretário estadual de desenvolvimento, Alberto Goldman (PSDB), evoca "responsabilidade política" ao recomendar a preservação da aliança. "Nossa ação política deve levar em conta, em primeiro lugar, interesse público. Os outros interesses, por mais legítimos que sejam, partidários e pessoais, têm que se submeter a essa lógica."
Repetindo que o PSDB não pode se impor como cabeça de chapa, Goldman diz que essa é uma questão de sobrevivência política: " Onde entra o interesse do cidadão? Em política, se você não se der conta que existe um mundo real, está perdido".


Colaborou EVANDRO SPINELLI , da Reportagem Local

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Alckmin bate pé por candidatura



Jornal da Tarde - O Estado de São Paulo


Apesar de FHC sugerir que ele dispute governo, aliados dizem que “sociedade e partido” querem ex-governador no páreo em 2008

O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) não vai mudar “um milímetro” sua estratégia após as afirmações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso - divulgadas ontem por Estado e JT - para quem “seria ótimo” manter a aliança PSDB-DEM em São Paulo, com apoio tucano à reeleição do prefeito Gilberto Kassab, para que Alckmin disputasse o governo em 2010 e o atual governador, José Serra, a Presidência. Embora Alckmin tenha evitado manifestar discordância, sua disposição é de levar adiante a candidatura. Seus aliados manifestaram surpresa com FHC.

“Há sentimento majoritário dentro do partido de que devemos ter candidato próprio em todas as capitais, especialmente em São Paulo”, afirmou o deputado Silvio Torres. “Nesse caso, a opinião do ex-presidente conflita com a da maioria.” A mesma tese foi defendida por outros deputados tucanos. “A referência do PSDB tem de ser a sociedade e a base do partido, que querem a candidatura do Geraldo”, afirma Edson Aparecido. Ele “cutuca”: “Se enveredarmos pelo rumo do cálculo político, podemos incorrer num erro que quase levou o PSDB a apoiar Fernando Collor (ex-presidente)”.

Torres cita que, na entrevista, FHC diz que “todos sabem que ele freqüentemente tem opiniões conflitantes com as do partido”. “Essa (sobre 2008) é uma delas. Ele ainda lembra que o ex-presidente defendeu a importância das pesquisas. “Por que então mudar de opinião quando as pesquisas mostram Alckmin na frente no 1º e no 2º turnos?”

Nas contas de outro tucano, “já que o ex-presidente fala de estratégia”, é preciso considerar que as eleições de 2008, em São Paulo, serão “antecipação” da batalha entre PSDB e PT em 2010, pela Presidência. “Imagine todo mundo olhando para cá e o número 45 escondido”.

As declarações de FHC expuseram “racha” no PSDB. Além do grupo alckmista, ala tucana mais próxima a Serra, defende apoio a Kassab. Para o líder do PSDB na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio, “há lógica” na proposta de FHC, “mas só funciona se Alckmin compartilhar desse posicionamento”.

Aliado ‘prevê’ mais apoio tucano

Kassab se disse feliz com a tática sugerida por FHC, mas foi cauteloso. Disse que “é natural”sua reeleição, “mas é importante, manter aliança” entre DEM e PSDB. “O que for definido pelos líderes será meu caminho.” Para um aliado prefeito, porém, “’até o fim do mês haverá outros tucanos em favor de seu nome”.

Para o presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia, FHC “está olhando estrategicamente” o quadro político, pois Kassab “tem sido leal e fiel ao PSDB de São Paulo” e “o problema é ser competitivo contra a candidata Marta Suplicy”. “Nosso adversário não é o Alckmin.”

Questionado ontem sobre a entrevista de FHC, Serra desconversou: “Não li. Ainda vou ver”.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Para Goldman (PSDB) a candidatura Alckmin (PSDB) representa interesses menores


"Não pode ter dois candidatos. Só pode ter um. Ou fazemos isso ou damos uma demonstração ao inverso para a população: de que o que pesa mais para nós são os interesses menores"

Albero Goldman, vice-governador do Estado de São Paulo (declaração reproduzida no artigo "Alckmin tenta costurar alianças para a eleição" da edição de hoje da Folha de São Paulo e que sumiu das páginas eletronicas do jornal)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Em SP, conflito tucano para escolher candidato marca início do ano eleitoral

Alckmin pensa na disputa, mas Serra quer manter aliança com Kassab

Flávio Freire
O Globo



SÃO PAULO. Com a eleição de 2010 como pano de fundo, foi dada a largada, ao menos nos bastidores políticos, para a sucessão na prefeitura de São Paulo. Seja por pressão de seus partidos ou para aproveitar a imagem que deixaram na última campanha, a ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT), e o ex-governador do estado Geraldo Alckmin (PSDB), começam a admitir o desejo de suceder a Gilberto Kassab (DEM) no comando da maior cidade do país.

Kassab não deixa por menos: — Eu ficaria muito feliz em disputar a reeleição.


Em análises internas, Marta e Alckmin alegam que, para concorrer, precisam ter seus partidos unidos em torno de suas candidaturas. Enquanto o presidente reeleito do PT, Ricardo Berzoini, defende o nome de Marta sem necessidade de prévias no partido, no PSDB o comando tucano vive o dilema de como lidar com a disputa sem minar a aliança com o DEM.
Kassab diz que não é hora de falar do assunto, mas adianta: — É natural a tendência de reeleição, ainda mais para um administrador bem avaliado, mas temos uma aliança sólida do PSDB com o DEM e precisamos discutir esse assunto no seu devido tempo — disse o prefeito.


Primeiras pesquisas eleitorais apontam vitória de Marta


As primeiras pesquisas reforçam a polarização entre PSDB e PT. Segundo o Ibope, num cenário que inclui Marta, Alckmin e Kassab, a petista sai na frente, com 27% das intenções de voto, contra 24% para o tucano e 12% para o prefeito. Já no segundo turno, Alckmin venceria a disputa com Marta: 50% a 38%.

Com Kassab, a diferença de Alckmin aumenta: 56% a 22%.

No PSDB, até que conflitos internos sejam diluídos, Alckmin é pré-candidato. Publicamente, ele desconversa, mas a amigos dá sinais claros de que porá a campanha na rua após o carnaval.

Suas pretensões políticas esbarram no racha que se avista por causa do forte interesse de uma ala tucana em apoiar a reeleição de Kassab.


Serra teme perder a aliança com o DEM em 2010


O governador José Serra estaria por trás dessa articulação contra a candidatura de Alckmin, reeditando o clima da eleição de 2006, quando os dois disputaram a vaga de candidato do partido à Presidência.

Possível candidato à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva em 2010, Serra teme perder o apoio do DEM, caso o PSDB insista em jogar Kassab para escanteio.

Alckmin quer aproveitar a lembrança que o eleitor tem da disputa de 2006, quando perdeu para Lula no segundo turno. O ex-governador, porém, não pretende partir para o tudo ou nada para ter o apoio do PSDB.

— Só não estou disposto a brigar, como aconteceu na candidatura para presidente em 2006. Mas deve ser natural que o partido não queira, e eu também não quero, perder esse universo de votos que tive em 2006, o que poderia acontecer se eu me candidatasse apenas em 2010 para governador de São Paulo — disse Alckmin a um tucano.

O ex-governador avalia que, se o PSDB optar por outro nome, sairá dividido e, provavelmente, derrotado da campanha municipal. Em análises internas e pesquisas, Marta aparece como a única candidata com forte chances de derrotá-lo. No PT, a pressão dos prefeitos da grande São Paulo e da militância ajuda a empurrar Marta para a disputa, embora ela preferisse esperar a briga pelo governo de São Paulo, em 2010. Para os prefeitos da região, a força de Marta pode alavancar seus candidatos.

Mas também entram na bolsa de apostas do PT o senador Aloizio Mercadante e os deputados José Eduardo Martins Cardoso e Arlindo Chinaglia.

— Marta é a candidata mais forte que temos e me parece que a imensa maioria do partido desejaria sua candidatura. Eu mesmo, até como paulistano (embora nascido em Minas), vejo que a população sente saudades de Marta — disse Berzoini.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Prefeitura de Demos-Tucanos: Kassab é reprovado (3)


Cresce a reprovação ao governo Kassab

Índice de paulistanos que consideram a gestão ruim ou péssima passou de 23% em agosto para 31% em novembro, segundo Datafolha

Levantamento do instituto mostra que aprovação ao prefeito passou de 31% para 33%, variação dentro da margem de erro

EVANDRO SPINELLI
DA REPORTAGEM LOCAL
FOLHA DE SÃO PAULO

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), provável candidato à reeleição em 2008, viu a reprovação ao seu governo crescer oito pontos percentuais entre o início de agosto e o final de novembro, de acordo com pesquisa do instituto Datafolha.
O levantamento feito entre os dias 26 e 29 de novembro com 1.089 moradores da capital paulista mostra que 31% consideram ruim ou péssima a gestão de Kassab.
Em 9 de agosto, quando foi feita a pesquisa anterior, eram 23%.
Já a aprovação passou de 31% para 33%, uma variação dentro da margem de erro da pesquisa, de três pontos percentuais para mais ou para menos.
O Datafolha identificou que o crescimento da reprovação ao governo Kassab reflete a queda no percentual de paulistanos que consideram a gestão regular: 33% contra 41% de agosto.

Disputa
Kassab é o terceiro colocado nas intenções de voto para a prefeitura, com 13%, segundo a pesquisa do Datafolha.
Geraldo Alckmin (PSDB), 26%, e Marta Suplicy (PT), 25%, lideram. Kassab e Alckmin travam uma disputa interna para ver quem será o candidato da aliança PSDB/DEM. O prefeito conta com uma boa avaliação de sua gestão para ser o escolhido.

Mais ricos
A rejeição à gestão do prefeito cresceu em todos os estratos sociais, mas foi maior entre os mais ricos.
Entre os paulistanos que ganham mais de dez salários mínimos, a reprovação passou de 11% para 25% e a aprovação caiu de 46% para 40%. Mesmo assim, é nessa faixa de renda que o prefeito tem sua melhor avaliação.
Entre os entrevistados com mais de 60 anos, a reprovação ao prefeito cresceu 15 pontos- de 9% para 24%.
Entre aqueles com até 24 anos, o índicepassou de 27% para 39% -crescimento de 12 pontos.
Entre os eleitores com ensino médio, a aprovação à gestão de Gilberto Kassab cresceu sete pontos percentuais -de 28% em agosto para 35% em novembro. Foi a única camada em que o índice de ótimo e bom melhorou.

Prefeitura de Demos-Tucanos: Kassab é reprovado (2)


Prefeito de SP ficou em 7º entre 9 avaliados

DA REPORTAGEM LOCAL

Entre nove prefeitos de capitais avaliados pelo Datafolha, Beto Richa (PSDB), de Curitiba, é o líder, seguido por Fernando Pimentel (PT), de Belo Horizonte (veja quadro na página C8). O primeiro tem nota média de 7,4; o segundo, de 6,9.
O Datafolha pediu aos entrevistados que dessem uma nota de 0 a 10 ao prefeito de sua cidade.
O prefeito Gilberto Kassab (DEM) é o sétimo colocado no ranking, com nota de 5,1, idêntica às de César Maia (DEM), do Rio de Janeiro, e José Fogaça (PMDB), de Porto Alegre.
O critério de desempate é o índice de popularidade, calculado a partir da subtração da avaliação negativa (ruim e péssimo) da positiva (ótimo e bom). Ao resultado soma-se 100.
Os três obtiveram a mesma nota média. No entanto, os prefeitos do Rio e de Porto Alegre têm índice de popularidade maior.

Prefeitura de Demos-Tucanos: Kassab é reprovado (1)



76% dos eleitores reprovam o trânsito, aponta Datafolha

DA REPORTAGEM LOCAL

O trânsito de São Paulo é reprovado por 76% dos paulistanos, aponta pesquisa do instituto Datafolha realizada entre 26 e 29 de novembro. Em 9 de agosto, o índice era de 71%. Apenas 6% dos paulistanos julgam o trânsito da cidade ótimo ou bom -8% em agosto.
Os cinco pontos de diferença entre as pesquisas de agosto e de novembro não configuram um crescimento da reprovação por causa da margem de erro da pesquisa, de três pontos percentuais, mas apontam uma tendência. De acordo com o Datafolha, é comum a avaliação do trânsito piorar no fim do ano, quando os índices de congestionamento crescem.
A violência continua como principal problema da cidade para 16% dos paulistanos, índice idêntico ao de agosto.
É bom ressaltar que a segurança pública é uma atribuição do Estado, não da prefeitura. A saúde recebeu 12% e o transporte coletivo, 10%.
A preocupação com as enchentes cresceu no período, com a aproximação do período de chuvas. Na pesquisa de 9 de agosto, apenas 2% consideravam esse o principal problema. No levantamento de novembro, o índice passou a 9%.
A saúde deixou de ser a área em que os paulistanos acreditam que Gilberto Kassab (DEM) tem seu melhor desempenho, mas continua sendo o setor que os moradores acham que o prefeito vai pior.
Em agosto, 12% consideravam que a saúde era o setor em que Kassab estava melhor. O índice caiu para 7% -variação dentro da margem de erro. Já na avaliação da área de pior desempenho, a saúde permanece no topo do ranking -14% contra 16% da pesquisa anterior.
Agora, os paulistanos consideram que a gestão Kassab está melhor no projeto Cidade Limpa, que restringiu a publicidade exterior, com 14% das citações contra 8% de agosto.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

A Folha é tucana?

L'image “http://www1.folha.uol.com.br/folha/ombudsman/images/ombudsman-290x40.gif” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.

Gente

MÁRIO MAGALHÃES
ombudsman@uol.com.br Folha Online

Depois de ver ontem no alto da primeira página da Folha a excepcional fotografia de um homem, uma mulher descalça e no colo dela uma guriazinha aparentemente de chupeta, eu quis saber quem era aquela gente correndo em meio às bombas lançadas pela polícia. O cenário, terra arrasada, era a favela Real Parque, onde houve reintegração de posse. Li e reli. Não soube o nome e muito menos a história deles.

Assim como não encontrei registro de que o jornal tivesse procurado o governador Serra e o prefeito Kassab para que eles se pronunciassem. Instituições da prefeitura e, especialmente, do Estado estiveram envolvidas na operação de retirada de cerca de 70 famílias que provocou congestionamento recorde na cidade.

Embora o episódio tenha ocorrido de manhã, compreendi que, às vezes, certas pautas jornalísticas passam despercebidas. Ainda que a mesma mulher e a mesma menina aparecessem em outra imagem, na capa de Cotidiano.

Esperançoso, corri hoje ao caderno, já que a primeira página estava carregada de outras notícias --quentes e relevantes.

Não é que eu não tenha achado uma reportagem a respeito daquelas três pessoas. Não identifiquei uma só nota sobre o caso.

No Estado de hoje, entre outras informações: "Os moradores disseram que duas mulheres grávidas perderam os filhos durante a ação da polícia e mais quatro moradores ficaram feridos, entre eles uma menina de 14 anos".

Perder a sensibilidade é uma das maiores desgraças que podem abater jornalismo e jornalistas.


A palavra errada 2

Idem ontem com a descrição das bombas da PM como de "efeito moral".

É um eufemismo que ignora os "efeitos físicos" da arma empregada pela polícia.

É direito das autoridades empregar o nome técnico. E é direito do jornalismo recusá-lo, em nome da clareza e da verdade.


Serra, o investidor

Seguem anotações sobre a reportagem da capa de ontem de Dinheiro, "Serra prevê investir R$ 41,5 bi até 2010", e seu complemento, "Governo Lula poderia ajudar mais, diz SP" (pág. B6 de ontem):

1) O jornal não informa qual seria a origem do montante. Regra elementar na cobertura da administração pública e de campanhas eleitorais é indagar "de onde vem o dinheiro". O secretário da Fazenda se pronuncia apenas sobre a fonte de parcela do investimento prometido.

2) A gestão anterior em São Paulo foi "Alckmin-Lembo", relata a Folha. Por que o jornal não informou a que partidos eles pertencem?

3) Por que o jornal não informou que José Serra é pré-candidato à Presidência? Não se trata de formalismo, mas de fato essencial à compreensão do contexto em que os vultosos e bem-vindos investimentos são alardeados.

4) Por que não informou sobre a liderança de Serra em pesquisa Datafolha publicada no domingo? É dever do jornal contar que o gestor que divulga boa notícia pode se valer dela, o que é legítimo, para ir mais longe na carreira.

5) O governo Alckmin aparece mal. Por que o jornal não informou que Alckmin, com seu "choque de gestão", foi apoiado por Serra à Presidência da República um ano atrás?

6) Por que Alckmin não foi procurado para responder?

7) A fotografia do secretário Mauro Ricardo Machado Costa olhando para cima não poderia ser mais simpática ao entrevistado. Dá a entender que ele pertence a um governo que "mira para o alto". É uma opinião tão legítima como qualquer outra, mas não cabe se associar a ela em espaço noticioso.

8) A frase destacada para o "olho" talvez fosse a mesma opção da assessoria de imprensa do governo: "Este ano foi de ajuste. Quando chegamos aqui, não imaginávamos que deveríamos alavancar tantos recursos para investimentos".

9) Na introdução às declarações, há referência a "temas discutidos" com o secretário. Não parece ter havido discussão, apenas audição. O jornal se limitou a imprimir sem espírito crítico o que o secretário falou.

10) A crítica de Costa ao governo federal, na pág. B6, exigia "outro lado", a considerar a tradição do jornal e as recomendações do Manual da Redação.

11) O jornal não publicou um senão ou porém às afirmações do secretário.

12) Para refletir: Costa dá a entender que o governo Alckmin era no mínimo incompetente; não foi essa a impressão deixada pela cobertura que a Folha fez da antiga administração. Se o jornal não estava errado, por que não contestou o colaborador de Serra?

13) Não cabe a jornalistas bater boca com entrevistados. Mas também não é seu papel reproduzir a parolagem oficial sem questioná-la.

14) Eis o verbete "jornalismo crítico" do Manual: "Princípio editorial da Folha. O jornal não existe para adoçar a realidade, mas para mostrá-la de um ponto de vista crítico".

Definições paulistanas


Editorial Folha de São Paulo


O QUE JÁ ERA tido como provável aconteceu: tanto o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), como o ex-governador do Estado Geraldo Alckmin (PSDB) anunciaram que disputarão o comando do Executivo municipal em 2008.

Se esse cenário de fato materializar-se, a aliança PSDB-DEM, que vigora em terras paulistas desde 2000 -da qual ironicamente Alckmin e Kassab foram negociadores-, deixaria de repetir-se pelo menos no primeiro turno do pleito municipal.

Os dois virtuais candidatos anunciaram sua disposição de concorrer depois que pesquisa Datafolha publicada no último domingo pintou um novo quadro da sucessão paulistana. Alckmin ainda encabeça as intenções de voto (26%), mas perdeu quatro pontos em relação ao levantamento anterior. Já Kassab ganhou três, passando a contar com 13% das preferências.
No meio deles encontra-se a ministra do Turismo e ex-prefeita, Marta Suplicy (PT). Com 25% das intenções, está em empate técnico com Alckmin, mas vem dizendo que não disputará o cargo. A verdade é que os três estão quase condenados a concorrer.

Kassab não tem nada a perder exceto a chance de sua vida. Teve a sorte de ser o vice de José Serra quando este renunciou ao posto para eleger-se governador. Conseguiu assim a visibilidade que nem ele nem o DEM jamais haviam obtido em São Paulo. No cargo, teve competência para conduzir sem sobressaltos os negócios da capital até agora, e acertou ao conceber e implementar a iniciativa Cidade Limpa, sua principal bandeira. A propaganda maciça com que o DEM brindou o prefeito, destinando-lhe toda a recente propaganda do partido na TV, foi o toque final para a candidatura.

Alckmin, embora tenha perdido pontos na pesquisa, ainda é o líder. Sem cargo público e com espaço declinante na máquina tucana, corre o risco de ver seu capital político minguar, caso não dispute logo um novo pleito. E o único à vista é o municipal.

Também Marta deverá sofrer fortíssimas pressões para concorrer. É o único nome do PT a disputar com boas chances o comando de uma cidade que nenhum partido com aspirações nacionais pode desprezar. Mais do que isso, há na legenda muita gente poderosa com ânsia de tirá-la definitivamente do páreo na sucessão presidencial.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Kassab e Alckmin avisam aliados que vão disputar em SP

"Reeleição é algo que tem de ser considerado com naturalidade", afirma prefeito; concorrer "é um direito dele", diz vice de Serra

Kassab já admite ruptura da aliança entre PSDB e DEM nas eleições municipais e não vê constrangimento em enfrentar Alckmin em 2008

Ricardo Matsukawa/Futura Press
O prefeito Gilberto Kassab durante inauguração da nova unidade da rede do Hospital São Luiz


CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
FOLHA DE SÃO PAULO

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, admitiu ontem, em discurso, a "intenção de continuar a contribuir" pessoalmente para o que chamou de futuro da cidade. Após listar realizações de sua administração, Kassab concluiu:
"Estamos apontando o caminho ideal a ser seguido. É sincera e firme nossa intenção de continuar a contribuir pessoalmente, diretamente, para semear, cultivar e, ao cabo, participar dos festejos da colheita".
O discurso foi previamente distribuído pela assessoria de Kassab. Nele, a palavra continuar está em caixa alta. Embora o prefeito tenha minimizado, depois, o impacto do discurso -alegando que poderia contribuir para a cidade como cidadão- o texto foi encarado como um anúncio de sua disposição de concorrer à reeleição.
"Ele disse que quer continuar, né? Então, pergunte a ele", esquivou-se de comentar o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, que representava o governador José Serra na entrega do prêmio "Eminente Engenheiro do Ano", concedido pelo Instituto de Engenharia de São Paulo.
Antes de ser homenageado, ao responder se considera a reeleição uma tendência natural, Kassab declarou que "a reeleição é algo que tem de ser considerado com naturalidade, sim". "Vejo com naturalidade que isso seja colocado à mesa de negociação."
A divulgação da última pesquisa Datafolha precipitou a disputa, no bloco PSDB-DEM, pelo direito de concorrer à prefeitura. A dez meses da eleição e para desgosto de Serra (PSDB), tucanos dão como certa a candidatura tanto do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) como a de Kassab.
Estimulados pelos números, os dois avisaram a aliados que vão concorrer. Alegando que interlocutores de Serra não impõem obstáculos, Kassab diz que não vê constrangimento em enfrentar Alckmin.
Na segunda, em entrevista ao "Agora", Kassab admitiu a possibilidade de ruptura da aliança PSDB-DEM. Até então, repetia que a coalizão não seria dissolvida. Ao comentar a pesquisa Datafolha (na qual tem 13% das intenções de voto), ele reconheceu a hipótese de revisão da aliança: "É mais do que natural que a aliança possa continuar na cidade. Porém, o momento de debatê-la é o ano que vem".
Para o secretário municipal de Esportes, Walter Feldman, a candidatura de Kassab "é uma tendência natural".
A idéia de que a candidatura de Kassab é legítima encontra eco dentro do Palácio dos Bandeirantes. Tucanos ligados a Serra avaliam que é difícil impedir que um prefeito se candidate à reeleição. "É um direito dele", afirma o vice-governador Alberto Goldman (PSDB).
Os defensores da candidatura Alckmin reagem. "Respeitamos o direito do prefeito. Mas, para a decisão, devem pesar critérios objetivos, como competitividade. Alckmin é o candidato mais competitivo", disse o deputado Duarte Nogueira.
A disputa contraria Serra. Segundo tucanos, ele pediu que adiassem o debate, sob o argumento de que pode prejudicar a administração. Ele reclama da antecipação de um problema.
"Temos muito tempo. É desejável um acordo. Se não, teremos que demover alguém dessa idéia [concorrer]. Temos 2010 pela frente", diz Goldman.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Pesquisa expõe divisão entre tucanos de SP


Para aliados de Serra, prioridade é consolidar aliança com DEM para 2010; defensores de Alckmin afirmam que alvo é prefeitura

Marta tem reafirmado que não será candidata, mas petistas de diferentes alas defendem seu nome para a sucessão na capital paulista

LEANDRO BEGUOCI
DA REPORTAGEM LOCAL
FOLHA DE SÃO PAULO

O resultado da pesquisa Datafolha sobre a sucessão municipal em São Paulo acirrou a disputa interna no PSDB e aumentou a pressão no PT para que a ministra do Turismo, Marta Suplicy, seja candidata.
Ontem, o instituto mostrou que o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e Marta estão empatados tecnicamente. O tucano tinha 30% das intenções de voto em agosto e caiu para 26%. A petista oscilou de 24% para 25%. O atual prefeito, Gilberto Kassab (DEM), ganhou três pontos e está com 13%. A margem de erro é de 3 pontos.
À Folha, Alckmin comemorou o resultado: "Embora ainda não tenha decidido se serei candidato, recebo com alegria o resultado da pesquisa e agradeço a manifestação de confiança do povo de São Paulo dirigida não apenas a mim mas também ao meu partido".
Para os aliados do governador de São Paulo, José Serra, a prioridade é consolidar a aliança PSDB-DEM em 2008. Eles não descartam abrir mão da candidatura Alckmin em benefício de Kassab.
O objetivo maior é a disputa pela Presidência da República em 2010, na qual Serra desponta como favorito -segundo pesquisa Datafolha publicada no último dia 2.
"O próximo ano é uma etapa da sucessão presidencial", diz o secretário de esportes da capital, Walter Feldman (PSDB). "Nós, do PSDB, precisamos abandonar qualquer projeto individual se quisermos voltar à Presidência. Alckmin é uma peça estratégica para 2010."
Kassab foi vice de Serra até 2006, quando o tucano deixou a prefeitura para disputar o governo estadual. No PSDB, há quem defenda que Alckmin desista da prefeitura para disputar o Palácio dos Bandeirantes.
Os aliados de Alckmin, sem cargos na prefeitura e no governo estadual, adotam discurso distinto. Para eles, o resultado da pesquisa Datafolha mostra a força do ex-governador, apesar do próprio PSDB. "Os outros nomes tiveram forte exposição de mídia nos últimos meses, menos o Geraldo, que não teve lugar nem no espaço do partido na TV", diz o deputado federal Edson Aparecido. "Ele é muito forte, tem a menor rejeição e vence em todas as projeções de segundo turno."
O deputado federal Duarte Nogueira, que foi secretário de Alckmin, tem a mesma opinião e acrescenta: "O primeiro passo de 2010 é pensar em 2008, inclusive procurando alianças com partidos como o PSB, o PPS e o PTB, não só o DEM".
Rodrigo Maia, presidente nacional do DEM, adota discurso semelhante ao dos serristas. "Só a unidade entre os partidos garante a vitória."
O PT aumentou a pressão sobre a ministra. Marta tem reafirmado que não será candidata. Mas no cenário sem seu nome, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, tem 1%.
"Acho que Marta deveria refletir um pouco mais e entrar na disputa", afirma o deputado federal Jilmar Tatto, candidato à presidência do partido e aliado da ministra. O deputado José Eduardo Cardozo, adversário de Tatto nas eleições do PT, afirma: "A decisão final é da Marta, mas ela é o nome mais forte do partido".

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Bate boca entre Demos e tucanos sobre pesquisa do PSDB para prefeitura de São Paulo

clique na imagem do JT para ampliar

Alckmin deu "choque de gestão" na Febem criando rombo milionário


Em quanto José Serra persevera na defesa da candidatura de Gilberto Kassab a Prefeitura de São Paulo, o jornal a Folha de São Paulo continua revelando os podres de Geraldo Alckmin.

Hoje é o rombo provocado pela irresponsabilidade gerencial e administrativa de Alckmin no caso da Febem. Milhões de reais jogados pelo ralo por ação demagógica e sem fundamento, segundo a justiça, na demissão de centenas de funcionários.


De forma arrogante, Alckmin se recusa a dar qualquer explicação ao jornal, seguindo a risca a linha de ignorar qualquer questionamento. Em quanto ele se cala, trabalhadores vitimas da insensibilidade e incompetência do Geraldo, sofrem com depressão e privações. Segundo a Folha, desde junho Alckmin recusa, soberbo, qualquer resposta sobre o assunto.


Leia as matérias da Folha de São Paulo



Demissões na Febem criam rombo milionário

Anulada pela Justiça, exoneração em massa já soma R$ 32 milhões em salários atrasados, direitos trabalhistas e danos morais

Após decisão do Supremo, todos os 1.674 demitidos no "plano radical" promovido pelo governo Alckmin voltaram para a instituição

GILMAR PENTEADO
DA REPORTAGEM LOCAL

A maior demissão em massa de funcionários da história da ex-Febem (hoje Fundação Casa), anulada pela Justiça em última instância por ser considerada arbitrária, já soma um rombo aos cofres públicos de São Paulo de cerca de R$ 32 milhões. Todos os 1.674 demitidos voltaram para a instituição.
Com os R$ 32 milhões, a fundação poderia construir 11 novas unidades dentro do projeto de descentralização Ämenores e mais próximas das famílias dos internos.
Em fevereiro de 2005, agentes de proteção dos principais complexos da então Febem foram exonerados de uma única vez. Era um "plano radical" para acabar com torturadores, anunciou o então governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o presidente da fundação na época, Alexandre de Moraes, hoje secretário municipal dos Transportes de São Paulo. Na época, a ex-Febem vivia uma onda de rebeliões e fugas.
Após um longa briga judicial, que chegou ao STF (Supremo Tribunal Federal), todos os demitidos foram reintegrados à nova entidade.
Restou, no entanto, uma conta para o contribuinte pagar: os salários atrasados dos agentes Äque vão receber o período sem terem trabalhadoÄ e ações por danos morais ingressadas por funcionários exonerados ou por agentes que, sem preparo, foram colocados às pressas para substituir os servidores demitidos.
Só os 27 meses de salários não recebidos e outros direitos trabalhistas acumulados dos últimos 924 funcionários que foram reintegrados ao trabalho, em junho deste ano _o restante retornou à ex-Febem em 2005 e 2006 Ä, chegam a cerca de R$ 30 milhões.

Precatório
A contabilidade feita pela Fundação Casa está em fase de conclusão. A entidade também gastou com os salários de funcionários em regime de emergência para substituir os demitidos. Os R$ 30 milhões vão virar precatório (dívida judicial do Estado), sem prazo para pagamento.
Além disso, agentes exonerados entraram com ações por danos morais contra a instituição. Afirmam que foram acusados publicamente de serem torturadores sem nenhuma prova substancial.
Na época, Alexandre de Moraes descreveu a demissão em massa como um "projeto radical" para livrar a fundação de maus funcionários. Um mês antes, ele afirmou que havia uma "banda podre" entre os funcionários e que iria "mapeá-los e demiti-los".
Entidades de direitos humanos elogiaram a reforma, mas disseram que o processo estava sendo conduzido de forma muito rápida, com atropelos.

Danos morais
A Folha teve acesso a 131
ações por danos morais ingressadas na Justiça do Trabalho, 69 com julgamento de mérito em primeira instância. Em todos os casos, há possibilidade de recurso. Em 29 delas _42%_, a ex-Febem foi condenada a pagar, no total, R$ 1.840.882.
A de maior valor, de R$ 910 mil, refere-se ao caso de uma funcionária estuprada por internos em março de 2005, em Franco da Rocha, na Grande São Paulo.
Contratada emergencialmente para substituir funcionários demitidos, ela foi atacada em uma unidade que estava sob controle dos internos.
O número de ações por danos morais vai crescer. O advogado Hilário Bocchi Junior, proprietário do escritório responsável pela maioria dos processos, afirma que vai ingressar com outras 80 ações na Justiça contra a instituição.
"Citamos o princípio constitucional da dignidade da pessoa, que não pode ser tratada como coisa. Quiseram meter política em um problema que tem de ser tratado com responsabilidade. Agora, esse é o preço que tem de ser pago", afirmou o advogado.

Alckmin não se manifesta; ex-presidente da fundação nega ter havido prejuízos

DA REPORTAGEM LOCAL

O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) não respondeu aos pedidos de entrevista feitos pela Folha. Desde junho deste ano, quando ocorreu a reintegração dos últimos 954 funcionários demitidos, a reportagem tenta contato com Alckmin para falar sobre o episódio da demissão em massa.
O ex-presidente da antiga Febem Alexandre de Moraes negou que a demissão em massa ocorrida em sua gestão tenha gerado prejuízos.
Moraes, hoje secretário municipal dos Transportes de São Paulo, disse que não concederia entrevista à Folha por "respeito à nova administração". Leia mais na Folha (para assinantes)

Agente demitida passou por depressão, deixou faculdade e contraiu dívidas

DA REPORTAGEM LOCAL

O período de 27 meses entre a demissão e a volta à ex-Febem da agente de apoio técnico Carla (nome fictício) foi marcado por depressão, dívidas _seu nome foi parar no SPC_, abandono da faculdade e retorno à casa dos pais.
Ela está entre os últimos 924 funcionários reintegrados em junho. Ao ser encaminhada por psicólogos da instituição, recebeu licença médica. "Até agora não consegui me recuperar."
Em 17 de dezembro de 2005, data do anúncio da demissão em massa, ela estava em férias. Carla tinha conseguido a transferência para uma unidade do litoral, onde começaria a cursar faculdade, e tinha recém-mobiliado seu novo apartamento.
Foi demitida sem ter sofrido nenhum processo administrativo ou denúncia de agressão. "Passava o dia inteiro em frente à televisão, esperando notícias das demissões. Comecei a não sair mais de casa."
Com depressão e sem dinheiro, voltou para a casa dos pais. As dívidas com o banco fizeram seu nome ir parar no SPC. Leia mais na Folha (para assinantes).

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Demos e tucanos nada sabem sobre Grajaú

A revelação contida na carta publicada pelo painel do leitor da Folha de São Paulo deveria provocar uma verdadeira indignação.

Na edição de domingo o jornal tinha publicado uma reportagem sobre a situação trágica de Grajaú, bairro da periferia de São Paulo que caiu no esquecimento depois que Marta Suplicy foi substituída por Serra e Kassab na prefeitura de São Paulo.

A carta publicada hoje traz uma revelação que o repórter da Folha ignorou, talvez por desconhecimento. Como foi ignorado também na reportagem o trabalho da administração anterior em pró da inclusão social, precisamente com foco em bairros como Grajaú.

Leiam a carta e tirem suas conclusões


Painel do Leitor da Folha de São Paulo

Grajaú

"Na reportagem "A cada assassinato em Moema, 130 são mortos no Grajaú" (Cotidiano 2, pág. C21, 2/ 12), a informação dada pelo subprefeito Valdir Ferreira, de que "não existe nenhum espaço cultural público no Grajaú", está errada e demonstra um desconhecimento preocupante. Alguns equipamentos foram implantados na região pela ex-prefeita Marta Suplicy e, hoje, temos três CEUs sob responsabilidade daquela subprefeitura. A ausência de uma programação cultural regular reafirma o descaso da atual administração com políticas de inclusão social e mostra falta de sintonia entre a Secretaria da Educação e a subprefeitura. Lamentavelmente, a atual administração não tem oferecido novos investimentos em infra-estrutura, como admitiu o subprefeito. O Índice de Vulnerabilidade Juvenil apontou significava melhora na administração Marta Suplicy. Espera-se que as políticas de inclusão social tenham continuidade."
CARLOS ZARATTINI , deputado federal (PT-SP), ex-secretário das Subprefeituras na administração Marta Suplicy (Brasília, DF)