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terça-feira, 29 de janeiro de 2008

O leão demo-tucano é voraz


Demos e tucanos só juram por uma bíblia: redução de impostos. Fazem o maior barulho sobre o tema e apóiam toda e qualquer manifestação contra os abusos do leão.

Os jornais estão lotados de pregações diárias dos mesmos e são apoiados pela sua gestão "responsável" onde o Estado é administrado como uma empresa, gastando pouco, arrecadando menos ainda e fazendo o interesse público.


Bem esse é o mundo da fantasia. O da realidade está estampado no Jornal da Tarde de hoje: em São Paulo a carga tributária aumentou 120% acima da inflação. No IPTU esse aumento chega a 157%.

Os adíeis da redução de impostos, porém, persistem no famoso "façam o que eu digo e não o que eu faço". Na cidade de São Paulo estão com mais de R$ 1 bi no banco e nada de diminuição do IPTU, ao contrário, o numero de domicilios isentos do imposto que Marta estabeleceu em 1 milhão 200 mil domicilios hoje cairam para 900 mil. Mais familias pagando IPTU.

No Rio, o amigo de Kassab, Cesar Maia enfrenta até uma greve de IPTU.

Todos eles possam de bom moços no quesito impostos e a mídia os reverencia como bons administradores e verdadeiros gerentes.


Em verdade, verdadeiros fariseus.


LF


Clique na imagem para ampliar e ler o artigo do JT

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Movimentação de Serra precipita disputa com Aécio


Blog de Josias

  • Acabou o armistício entre os 2 presidenciáveis tucanos
  • Para Aécio, Serra tenta se impor como ‘fato consumado’
  • ‘No atropelo, ninguém ganha eleição’, disse a um amigo
  • Em resposta, iniciou uma articulação a favor das prévias
  • Em março, deflagra um cronograma de viagens pelo país

Há um ano, em fevereiro de 2007, os presidenciáveis tucanos José Serra e Aécio Neves firmaram um armistício. Combinaram que só tratariam de 2010 depois que fossem abertas as urnas de 2008. O cessar-fogo acabou. Nove meses antes do prazo combinado, os governadores de São Paulo e de Minas Gerais voltaram a se bicar.

Ainda não foi disparado nenhum tiro em público. Mas Aécio decidiu reforçar o paiol. Iniciou a preparação para a guerra interna. Entre quatro paredes, o governador mineiro mostra-se incomodado com o que chama de “antecipação prematura do processo.” Acha que está em curso uma tentativa de transformar a candidatura presidencial do rival num “fato consumado”. E resolveu enrolar a bandeira branca.

A negociação de Serra para transformar Gilberto Kassab (DEM) em candidato à prefeitura paulistana foi o estopim que alvoroçou as plumas do tucanato. Serra tenta rifar Geraldo Alckmin (PSDB), alternativa tucana ao 'demo' Kassab, em troca do compromisso do DEM de apoiá-lo em 2010.

Para desassossego de Aécio, Fernando Henrique Cardoso veio ao meio-fio para defender a formalização da aliança tucano-democrata em torno de Kassab. “Se você pensar estrategicamente, seria ótimo que a aliança dele [Kassab] com o PSDB se mantivesse nas eleições [municipais de 2008], que o Geraldo [Alckmin] pudesse disputar o governo, o que liberaria o Serra para a presidência [da República]”, disse FHC aos repórteres Laura Greenhalgh e Fred Melo Paiva.

Privadamente, Aécio tachou as declarações de FHC de “inábeis”, “desastradas” e “extemporâneas.” Acha que as palavras do ex-presidente expressam uma visão equivocada. Diz que, em 2010, o DEM, por pragmático, vai se compor com o PSDB "com ou sem Kassab." Há dois dias, em conversa com um amigo, o governador mineiro afirmou: “Não estou mais em idade de dizer amém a tudo o que acha o Fernando Henrique.” Aécio ressuscitou uma frase que ouvira do avô Tancredo Neves: “Ninguém é paulista na política impunemente.”

Aécio falou ao amigo em timbre de desabafo: “Estão tentando passar a idéia de que, resolvido o problema da prefeitura de São Paulo, está decidida a questão nacional. Não aceito imposições. No atropelo ninguém vai ganhar eleição. Se me derrotam no atropelo, não vão ter nenhum voto em Minas.”

Aécio pôs-se em movimento. Retomou contatos com partidos como o PMDB e PSB, que flertam com ele há tempos. Como não contempla a hipótese de deixar o PSDB, resolveu abraçar a tese das prévias. Festeja a decisão do senador tucano Arthur Virgílio (AM) de lançar-se como candidato ao Planalto. Acha que, com três postulantes, o partido não terá como se esquivar da prévia.

De resto, o governador mineiro elabora um cronograma de viagens pelo país. Começa a voar já em março. Num primeiro momento, priorizará os Estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. No segundo semestre, subirá em palanques de candidatos tucanos às prefeituras de tantos municípios quantos consiga visitar.

Internamente, Aécio leva à mesa argumentos para tentar se contrapor à tese de que, à frente dele nas sondagens eleitorais, Serra é o melhor candidato do partido à sucessão de Lula. “Não estou convencido disso”, diz ele em privado. “Posso até não ser candidato se achar que não é o momento, se julgar que minha candidatura não é a que mais agrega. Mas não posso sair disso derrotado. Tenho que ser convencido, conquistado.”

Na última sondagem do Datafolha, divulgada em dezembro, Aécio amealhou 15% das intenções de voto. É menos da metade do percentual atribuído a Serra –entre 33% e 38%, dependendo do cenário. O governador mineiro argumenta, porém, que o PSDB terá de levar em conta outros fatores.

Por exemplo: beneficiado pelo recall, Serra é conhecido por cerca de 90% do eleitorado brasileiro. Com uma taxa de conhecimento que gira ao redor dos 40%, Aécio acha que não pode ser considerado como uma carta excluída do baralho presidencial. Diz que a taxa de rejeição de Serra é maior do que a sua. Julga-se, além disso, em melhores condições de reunir em torno de si uma aliança partidária ampla, incorporando inclusive partidos que hoje gravitam em torno do governo Lula.

Por último, Aécio puxa da gaveta uma pesquisa que recebeu do instituto Vox Populi. Apresentou-a a um grão-tucano com quem conversou. O levantamento foi fechado em dezembro. Informa que 86% do eleitorado mineiro acha que ele deve se lançar na briga pelo Planalto.

Aécio conclui: “É algo muito sólido, que não posso ignorar, sob pena de ir para o suicídio. Se insistirem nessa tese de que, resolvido São Paulo está resolvido o Brasil, o Serra acaba se consolidando como o candidato anti-Minas. É uma visão míope. Anteciparam o processo de forma desastrada. Não deixaram opção aos aliados: ou aderem ao projeto de São Paulo ou não concordam e encaminham em outra direção. É o que vai acontecer.”

Escrito por Josias de Souza

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Alckmin e Kassab vão sair do armário

Blog de Josias

DEM se dispõe a apoiar chapa Serra-Aécio em 2010

Em troca do apoio a Kassab, partido abre mão da vice


Oferece também apoio a Alckmin na sucessão estadual

Sérgio Lima/Folha
A direção do DEM joga pesado para obter o apoio do PSDB à candidatura de Gilberto Kassab na eleição municipal de 2008. Promete compensar o tucanato paulista com extrema generosidade nas disputas pelo Planalto e governo de São Paulo, em 2010.

Para a sucessão de Lula, o DEM se dispõe a apoiar o governador tucano José Serra sem exigir a vaga de vice. Em reserva, os ‘demos’ sugeriram a Serra a formação de uma chapa presidencial “puro sangue”, com o também tucano Aécio Neves na posição de candidato a vice.

Na eleição do futuro governador de São Paulo, o DEM promete apoio irrestrito a Geraldo Alckmin (PSDB). Nesta quarta-feira (23), Jorge Bornhausen, ex-presidente do DEM, terá um encontro com Alckmin. Tentará demovê-lo da idéia de disputar a prefeitura, facilitando a composição em torno de Kassab.

Em diálogos que manteve com líderes do DEM, Serra tratou com naturalidade a possibilidade de figurar na cédula de 2010 ao lado de Aécio. Discorreu sobre o tema como se a hipótese já figurasse nos seus planos. Disse que é coisa para ser tratada mais adiante, não agora.

No momento, Serra concentra-se na costura de uma aliança tucano-democrata em torno de Kassab. Informou ao DEM que fará o que estiver ao seu alcance para pôr o acerto de pé. Disse, porém, que a evolução do entendimento depende da concordância de Alckmin, com quem planeja conversar depois do Carnaval.

Privadamente, lideranças do DEM e do próprio PSDB acham que Serra falhou no seu relacionamento com Alckmin. Em vez de abrir espaço para aliados do ex-governador na administração estadual, fechou as portas e afastou-se dele. Sugere-se que busque uma reaproximação.

Ainda que consiga arrancar Alckmin do caminho de Kassab, Serra terá muito a alinhavar se quiser de fato transformar Aécio Neves, hoje tão presidenciável quanto ele, em mero candidato a vice. Por enquanto, o maior aliado do governador de São Paulo, além do DEM e de FHC, é a pesquisa de opinião.

Na última sondagem do Datafolha, divulgada em 1º de dezembro de 2007, Serra figurava como líder em todos os cenários montados pelo instituto. Ciro Gomes (PSB) aparecia em segundo, sempre à frente dos candidatos do PT. Trocando-se o nome de Serra pelo de Aécio, Ciro assume o primeiro lugar. E o PSDB desce para o terceiro. Aécio fica atrás de Heloísa Helena (PSOL).

Montou-se também um cenário em que Serra e Aécio concorrem entre si. Nessa hipótese, que dependeria de uma improvável mudança do governador mineiro para outra legenda, Aécio manteve-se na condição de sub-HH. Serra (33%) lidera; Ciro (19%) permanece em segundo; e HH (15%) fica em terceiro. Só então vem Aécio (11%).

Na opinião de dirigentes do DEM, aparentemente compartilhada por Serra, a manutenção desse quadro amoleceria eventuais resistências de Aécio à vice. Não é o que deixa antever a movimentação do governador de Minas. Em São Paulo, Aécio estimula Alckmin a bater o pé. Quanto a Brasília, disse em dezembro, 11 dias depois da divulgação do Datafolha, que se considerava pronto para assumir a candidatura presidencial.

De concreto, tem-se, por ora, apenas o seguinte: para as duas principais legendas da oposição a Lula, a eleição municipal de São Paulo converteu-se na ante-sala de 2010. Serra e Aécio firmaram, em meados do ano passado, um armistício.

Combinaram de deixar as diferenças no armário até a abertura das urnas municipais, em outubro de 2008. A fricção entre Kassab e Alckmin está como que forçando a porta do armário. Que começa a se abrir antes da hora marcada.

Escrito por Josias de Souza

Ofensiva de DEM por Kassab irrita Alckmin e aumenta divisão tucana

Raimundo Paccó/Folha Imagem
Rodrigo Maia: tom duro ao entrar na reunião,
trocado por suavidade depois de conversar com o prefeito paulistano


César Felício e Cristiane Agostine
VALOR

A demonstração pública de apoio ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), dada pelo governador paulista, José Serra (PSDB), na segunda-feira, acalmou a cúpula do DEM, mas elevou a agressividade de aliados do ex-governador Geraldo Alckmin, possível candidato tucano à disputa da capital. A reação divide-se entre críticas aos integrantes do DEM e o combate interno: os aliados do ex-governador lembram que Serra não é o único presidenciável tucano e portanto não haveria razão para o partido desistir da candidatura própria neste ano para favorecê-lo em 2010.

Momentos antes de entrar na reunião do conselho político do partido, presidida ontem por Kassab em um hotel de São Paulo, o presidente da legenda, deputado Rodrigo Maia (RJ), foi enfático ao dizer que o partido "não tem problema de ir para a disputa", mas que uma divisão agora "pode abrir espaço para o PT na Prefeitura de São Paulo e depois na sucessão do presidente Lula". Rodrigo Maia reforçou a candidatura de Kassab e disse que em maio o prefeito paulistano estará "à frente de Alckmin nas pesquisas".


A declaração de Maia provocou irritação imediata. "Considero natural Serra ir ao encontro de aliados, mas totalmente anti-natural as declarações da direção do DEM que visam impedir o PSDB de ter chapa própria em São Paulo. O Geraldo tem respeitado a vontade do DEM de ter candidato", disse o deputado Edson Aparecido (SP). "O Serra não esconde sua preferência por Kassab, mas as bases querem o candidato mais forte para fortalecer o partido em 2010, e não uma aliança para fortalecer o projeto de um presidenciável. Até porque Serra não é o único pré-candidato a presidente", comentou o deputado Silvio Torres (PSDB-SP).


Serra e Alckmin encontraram-se pouco antes do Natal, mas tiveram uma conversa protocolar, sem debater a sucessão municipal. Segundo relato de um tucano que procura manter a eqüidistância, a relação entre os dois nunca esteve tão ruim. Na avaliação dele, o apoio a Alckmin é majoritário nas bancadas federal e estadual do PSDB.


O conselho político do DEM discutiu por três horas às portas fechadas. Após o fim da reunião - e do discurso do prefeito paulistano - o tom de Rodrigo Maia foi muito mais ameno e conciliador. "A discussão (sobre o fim da aliança com o PSDB) deve ser feita no momento adequado, depois que todas as tentativas e discussões com o PSDB se encerrarem. Enquanto isso não ocorrer, temos de lutar pela aliança que tem sido vitoriosa em São Paulo", declarou.


Rodrigo Maia minimizou o impacto nos acordos DEM-PSDB em outros Estados, com uma eventual ruptura entre os dois partidos em São Paulo. "São poucos os Estados que essa aliança está tão amarrada como em São Paulo."


Porta-voz da reunião, o prefeito Kassab foi comedido em seus comentários. "Os entendimentos para manter aliança são mais importantes que os projetos pessoais. Jamais algo que é natural, que é minha candidatura à reeleição, será colocado como entrave à manutenção da aliança", disse o prefeito.


Pai do presidente da sigla, o prefeito do Rio, Cesar Maia, brincou com Kassab e disse que tem recebido muitas mensagens eletrônicas com pedidos para levá-lo como candidato para disputar o governo municipal do Rio. Demonstrando menos preocupação sobre a aliança com o PSDB, Cesar Maia reforçou a tese de Alckmin para 2010, no governo de São Paulo, e Kassab em 2008, conforme defesa já feita pelo presidente de honra dos tucanos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Não há nenhuma razão para que uma disputa entre nós fortaleça o adversário. Porque obviamente no primeiro turno só quem sairá fortalecido de uma candidatura PSDB e DEM será Marta Suplicy. Não há nenhuma razão para Kassab não ser candidato. Chapa vitoriosa: Kassab hoje, Alckmin amanhã", disse o prefeito.


Antes de integrantes do conselho político concederem entrevistas, ao fim do encontro, o DEM divulgou uma nota sobre o encontro, em que a discussão eleitoral não aparece, mas se faz um apelo à manutenção da aliança. "A gravidade do momento pede a união das oposições, a exemplo do que ocorreu no Congresso na extinção da CPMF, a fim de impedir retrocessos e mais prejuízos às pessoas", diz a nota.


Os dirigentes do DEM aproveitaram o encontro para gravar entrevistas e imagens com a produtora GW, para o programa de televisão partidário. A empresa presta serviços tanto para a prefeitura paulistana quanto ao partido. É a mesma produtora que fez a campanha eleitoral de Alckmin em 2006. Segundo assessores de Kassab, a produtora, deve continuar com o prefeito na campanha eleitoral, fazendo com que Alckmin perca o marqueteiro da campanha anterior, o jornalista Luiz González. Aliados de Alckmin duvidam da possibilidade, por considerar que a presença de Gonzalez em uma campanha de Kassab seria visto como um rompimento público entre Serra e o ex-governador, o que não deve ocorrer.


Ontem, Alckmin se reuniu com FHC. Na conversa, reafirmou a defesa de lançamento de candidatura do PSDB à Prefeitura de São Paulo. FHC, por sua vez, pregou a manutenção da aliança com o DEM na cidade. Segundo tucanos, a conversa não foi conclusiva. Hoje, Alckmin se reunirá com o ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen. A articulação suspendeu a ofensiva do DEM. A avaliação foi que não seria prudente avançar na véspera do encontro entre Bornhausen e Alckmin. A conversa foi acertada na segunda-feira, quando Bornhausen almoçou com o presidente municipal do PSDB, José Henrique Lobo. Bornhausen também se reuniu com FHC. " Não é o momento de constrangimentos " , disse o líder do DEM no Senado, Agripino Maia (RN).


Com as dificuldades dentro do partido, Alckmin tem procurado apoio em outras lideranças políticas. Ontem, o tucano marcou um novo encontro com o presidente do PMDB-SP, o ex-governador Orestes Quércia. Nos próximos dias, os dois devem se reunir para discutir uma eventual aliança. No fim de dezembro do ano passado, Quércia teve encontros com Kassab, Alckmin e com interlocutores da ministra Marta Suplicy, provável candidata do PT à prefeitura.


As conversas com o PT não avançaram na reunião que Quércia teve ontem com o presidente do diretório estadual do PT, o prefeito de Araraquara, Edinho Silva. Apesar do aceno feito pelos dois partidos sobre uma aliança em 2008 e 2010, as negociações ficaram travadas. Quércia tem demandas antigas que não foram contempladas: a indicação para disputar o Senado na chapa e a indicação para cargos no governo. (Com agências noticiosas)

domingo, 20 de janeiro de 2008

IPTU: moradores do Rio fazem passeata e recolhem assinaturas para abaixo-assinado


Júlia Motta - O Globo e O Globo Online

RIO - Cerca de 300 moradores do Rio de Janeiro participam de uma manifestação contra o aumento do IPTU e a desordem urbana no município, na orla do Leblon, Zona Sul da cidade, na manhã deste domingo. Enquanto a maior parte do grupo faz uma passeata pela orla, alguns manifestantes recolhem assinaturas para um abaixo-assinado que será enviado ao Ministério Público. Os moradores pedem que seja apurada o destino dos recursos do IPTU dado pela Prefeitura, uma vez que, segundo eles, a cidade vive um quadro de abandono.

Os manifestantes deixaram o ponto de concentração, na esquinas das avenidas Bartolomeu Mitre e Delfim Moreira, por volta das 11h, e seguiram em passeata até Ipanema. Pelo caminho, o grupo recebeu o apoio de banhistas, que aplaudiam o movimento e protestavam contra o prefeito Cesar Maia. Desde que 14 associações de moradores de 11 bairros do Rio iniciaram uma campanha para só pagar o IPTU depois das eleições , o aumento do tributo tem sido criticado pelos cariocas.

No sábado, após pouco mais de um mês do início da queda-de-braço entre cariocas e autoridades municipais com relação ao pagamento do IPTU, Cesar Maia anunciou que vai voltar atrás na decisão de aumentar o valor do imposto de imóveis anteriormente cadastrados como Unidades Autônomas Populares (UAPs), que em alguns casos provocou reajuste de mais de 300% . Mesmo assim os moradores do Rio resolveram manter a manifestação deste domingo.

A notícia da revogação pegou de surpresa moradores de Vila Isabel, que fizeram no sábado um plebiscito para decidir se aderem ao movimento de boicote ao pagamento do IPTU. Dos 1.183 moradores que votaram, 1.135 disseram "sim" ao boicote, 37 "não", 9 votaram em branco e dois anularam. O aposentado Paulo Fonseca Areta, de 87 anos, comemorou a notícia. Ele contou que seu IPTU subiu de R$ 114,30 para R$ 345,03.

- Essa é uma vitória do povo. É uma prova de que é possível fazer alguma coisa. A rua em que moro não tem sequer iluminação - disse o aposentado.

Perguntado sobre a razão da mudança e se ela não acarretará uma perda de receita (a previsão era de que o município tivesse um acréscimo de R$ 20 milhões na arrecadação), Cesar respondeu:

Moradores de Vila Isabel participaram de um plebiscito para decidir sobre boicote ao IPTU, no sábado. Foto: Ricardo Leoni

- Nunca visamos receita, mas apenas corrigir uma distorção. No entanto, simultaneamente ao decreto (de reclassificação das UAPs), os contribuintes deveriam ter recebido uma notificação da prefeitura informando e esclarecendo a questão, o que não foi feito. Lembro que nem todos os que tiveram seu IPTU alterado pela correção dos critérios tiveram o imposto aumentado. Erros se corrigem. Foi o que ocorreu.

Cúpula do DEM vai a SP para ‘prestigiar’ Kassab



Blog de Josias


Alto comando da legenda quer candidatura 'irreversível'




Num instante em que parte do PSDB hesita em apoiar o tucano Geraldo Alckmin, o DEM decidiu avançar uma casa no xadrez em que se converteu a pré-campanha para a prefeitura de São Paulo. O alto comando do DEM irá à capital paulista, na próxima terça-feira (22), para prestigiar o prefeito Gilberto Kassab (foto), candidato à reeleição.



Será um encontro do Conselho Político da legenda, integrado por suas principais lideranças –dirigentes, ex-dirigentes, líderes no Congresso e executivos –estaduais e municipais. O pretexto da reunião é a necessidade de fazer uma análise da conjuntura política. Serão discutidos: o cenário nacional pós-extinção da CPMF e a as eleições municipais de 2008.



Quanto ao caso de São Paulo, o partido pretende fixar uma posição terminativa. O conselho endossará a candidatura de Kassab e delegará ao próprio prefeito a tarefa de costurar os acordos políticos em torno do nome dele. Uma delegação apenas formal. Na prática, toda a ex-pefelândia está empenhada em pôr de pé a candidatura própria na maior capital do país.



Além de Kassab, o ‘demo’ mais envolvido na costura paulistana é Jorge Bornhausen (SC), ex-presidente do DEM. Ele esteve com o governador José Serra, na semana passada, para informar que pretende procurar Geraldo Alckmin. Recebeu sinal verde. Verdíssimo.



Bornhausen planeja avistar-se com Alckmin nos próximos dias. Tentará demovê-lo da idéia de disputar a prefeitura. Vai aconselhá-lo a concorrer o governo de São Paulo, em 2010. Uma equação que interessa a Serra, empenhado em costurar uma aliança tucano-democrata para a sucessão de Lula.



Além de Serra, o DEM conta com o apoio de um outro grão-tucano para tirar o ex-governador do caminho: FHC. O problema é que, por ora, Alckmin não emite o menor sinal de que pretenda abrir mão da disputa. Longe disso. Já deflagrou os contatos para erigir uma aliança em torno de si. Conforme noticiado aqui, reuniu-se duas vezes com Orestes Quércia (PMDB).



O PT observa a divisão entre ‘demos’ e tucanos com vivo interesse. Torce para que a desavença tenha vida longa. Idealiza um cédula com os nomes de Kassab e de Alckmin. Situação em que sua candidata, a ministra Marta Suplicy, teria a vida simplificada.



Na última pesquisa Datafolha, divulgada em 9 de dezembro, Alckmin obteve 26% das intenções de voto, quatro pontos a menos que os 30% que amealhara na pesquisa anterior, feita quatro meses antes. O ex-governador tucano estava tecnicamente empatado com Marta (25%, um ponto acima dos 24% que alcançara em agosto de 2007). Kassab subiu, em dezembro, de 10% para 13%.



Num cenário sem Alckmin, Marta subiria, segundo o Datafolha, de 25% para 28%, tornando-se líder isolada. Mas passaria a ser acossada por Kassab, que, nessa hipótese, subiria de 13% para 20%. Daí a macumba do petismo para que PSDB e DEM se apresentem aos eleitores paulistanos cada um com o seu candidato.

Escrito por Josias de Souza

Demos: Façam o que eu digo e não o que eu faço!

Os demos Gilberto Kassab e Cesar Maia: em comum aumento da carga tributária

A população do Rio de Janeiro está revoltada contra Cesar Maia e começou uma greve de IPTU. Os cariocas consideram abusivo o alto imposto e pouco o retorno do que arrecada o Demo Cesar Maia. Os jornais, O Globo, Extra, Jornal do Brasil dedicam espaço diário à revolta da população contra o prefeito de Rio.

Em São Paulo, o Demo Kassab se ufana de arrecadar o dobro do orçamento de Marta Suplicy e tem, no prefeito internauta do Rio, um dos principais apoios à sua candidatura à prefeitura de São Paulo.

A ambos e aos Demos em seu conjunto se aplica a perfeição a frase: façam o que eu digo e não o que eu faço!

A principal bandeira, quase a única, do mantra dos Demos é a carga tributária... dos outros.

Poderia-se pensar que a luta dos demos contra os impostos é uma espécie de autocrítica. Quando eram governo com FHC ocorreu a maior alta da carga tributária em relação a riqueza produzida no Brasil: ela foi de 22% do PIB a 36% no fim do mandato em 2002 (cito as cifras de memória).

Mas não é autocrítica não. É hipocrisia. Vendem uma coisa e fazem outra. Leia a seguir o artigo do jornal O Estado de São Paulo que prefere falar dos Maias, para melhor proteger Kassab , os Demos e o PSDB.
(porque não indicar, por exemplo, que os domicílios isentos de IPTU em São Paulo passaram de 1.200 milhão na gestão Marta, a 900 mil hoje por conta do reajuste do valor venal dos imóveis).

Mesmo assim vale a leitura

Clã Maia exibe bandeiras opostas

Enquanto Rodrigo briga pela reforma tributária, o pai tenta reforçar cofres do Rio manejando com IPTU e ISS

Alexandre Rodrigues e Wilson Tosta, RIO

O Estado de São Paulo

Com a derrota da prorrogação da CPMF no Senado, a oposição abraçou a bandeira da redução da carga tributária. O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), já disse que o tema será obrigatório nas eleições deste ano, mas a redução de impostos não está na pauta do pai dele, o prefeito do Rio, Cesar Maia. Apesar de não elevar alíquotas, Maia tem buscado recursos para aumentar a arrecadação dos dois principais impostos municipais: o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) e o Imposto Sobre Serviços (ISS).

Maia enfrenta um movimento crescente de cariocas insatisfeitos com sua administração - marcada nos últimos anos pela desordem urbana -, que ameaçam pagar em juízo o IPTU ou adiar a quitação das cotas para novembro, depois das eleições, para frustrar os planos eleitorais do prefeito. A insatisfação cresceu com a chegada dos carnês, na semana passada. Com um decreto do prefeito que revisou a classificação de imóveis como populares, muitos se surpreenderam com o reajuste repentino do tributo de até 300%. Diante da repercussão negativa, o prefeito anunciou ontem que vai revogar o decreto.

Em 2008, a prefeitura ainda reduziu para 7% o desconto para os contribuintes que optam pelo pagamento do IPTU em cota única. Nos últimos anos, o desconto vinha sendo de 10%. “Na verdade é um aumento de imposto. Mostra que Maia precisa de recursos. Na sua primeira eleição, o discurso do prefeito foi de redução do IPTU. Hoje, no último ano, ele aumenta. Uma medida impopular num ano eleitoral, mas ele não é candidato, né?”, diz o economista Luiz Mário Behnken, coordenador do Fórum Popular do Orçamento, uma ONG que acompanha o Orçamento carioca. Ele se refere à impossibilidade de Maia concorrer à reeleição, embora enfrente dificuldades para indicar um sucessor.

“É um esforço de aumentar receita em prejuízo do contribuinte. Não podemos dizer que é aumento de imposto formal, porque o desconto é uma faculdade do município, mas na prática o contribuinte perde o desconto de 10% e vai ter de pagar mais”, avalia Daniela Gusmão, presidente da Comissão de Assuntos Tributários da seção fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ).

A advogada esteve à frente do movimento que conseguiu fazer o prefeito recuar da decisão de aumentar a base de cálculo do ISS para profissionais liberais como advogados, médicos, arquitetos e contadores. A OAB-RJ ameaçou recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) e encheu as galerias da Câmara Municipal de advogados. Maia revogou o projeto.

Para Daniela, as tentativas do prefeito de aumentar a arrecadação vão na contramão da defesa de redução de impostos do DEM. “Esse é o discurso fácil da oposição. Simplesmente dizer que tem de reduzir impostos chega a ser irresponsável. O prefeito sente na carne que sem o corte de despesas não é possível fazer isso. Ele não pode fazer.”

SIMILARIDADES

Para Behnken, Maia, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem cada vez menos espaço para reduzir receita, pois os gastos têm aumentado, principalmente com o pagamento da dívida com a União. “As receitas do Rio são crescentes, mas Cesar está amarrado pelo crescimento dos gastos”, afirma, referindo-se a levantamento feito pelo fórum que indica o aumento de despesas com investimentos e dívidas desde 2005. Boa parte dos investimentos ficou nas obras do Pan, que totalizaram R$ 1,2 bilhão e consumiram mais de 50% do previsto pela prefeitura em 2006 e 2007.

A prefeitura também provocou polêmica no ano passado ao incluir a espessura de pilares e paredes no cálculo da área de imóveis recadastrados para a cobrança do IPTU. Alguns contribuintes tiveram reajustes de até 20%. A medida só aumentou a insatisfação de líderes comunitários que, diante da desvalorização de imóveis pela favelização e a crescente deficiência dos serviços municipais, lideram um movimento para o pagamento do imposto em juízo. “Cesar nunca esteve preocupado em diminuir o que o cidadão gasta com imposto”, diz João Fontes, presidente da Associação de Moradores do Leblon.

REAÇÃO

“Nunca aumentei qualquer alíquota de impostos”, reage o prefeito, incluindo sua gestão sobre o ICMS como secretário de Fazenda do ex-governador Leonel Brizola, na década de 80. Segundo Maia, a correção da área foi feita apenas nos imóveis cuja medição estava errada e não provocou aumento do IPTU.

Ele sustenta que a redução do desconto para estimular a antecipação do imposto não eleva a arrecadação e é um ajuste ao cenário de queda da inflação e taxa de juros. Para Maia, a reforma tributária deve reduzir proporcionalmente impostos de cidades, Estados e União. “Desde que a redução seja proporcional às receitas tributárias próprias ou transferidas, e em todos os níveis de governo, estou de acordo.”

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

"Falastrão e boquirroto", olha o nível no PSDB de São Paulo

DEM quer convencer Alckmin a apoiar Kassab
DEM quer convencer Alckmin a apoiar Kassab

DEM tem aval de José Serra para procurar Alckmin


CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
FOLHA DE SÃO PAULO

Sob a bênção do governador de São Paulo, José Serra, cresce a pressão sobre o ex-governador Geraldo Alckmin para que desista de concorrer à prefeitura e se resguarde para 2010.
Numa audiência na tarde de ontem, o ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen informou a Serra que procurará Alckmin na semana que vem. Na conversa, avisou, alertará Alckmin para o risco de rompimento da aliança PSDB-DEM caso ele insista em disputar a cadeira de Gilberto Kassab.
"Alckmin tem o direito de ser candidato. Mas deve analisar as conseqüências dessa candidatura", disse Bornhausen.
Segundo Bornhausen, Serra não fez objeção à abordagem.
Alckmin, por sua vez, estaria irritado com o cada vez maior número de serristas que defendem essa saída. Seus interlocutores estariam surpresos com o recorrente uso de palavrões -coisa rara em seu vocabulário- para descrever o cerco.
Com o embate, aumenta também a tensão entre tucanos. O presidente municipal do PSDB, o secretário estadual José Henrique Lôbo, reclama dos "incendiários de sempre".
Queixando-se de um comentário feito pelo deputado federal Edson Aparecido -que comparou a defesa feita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à discussão do apoio ao governo Collor- afirmou: "Político que é candidato a alguma coisa é sempre falastrão e boquirroto. Um partido só cresce com disciplina e respeito a seus líderes".
Lôbo não quis identificar os destinatários de sua crítica. "Não vou comentar esse tipo de fala", reagiu Edson Aparecido.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

"Alckmin corre risco muito grande", disse Cesar Maia


Para Cesar Maia o DEM deveria ter candidato a presidente em 2010, mas em verdade esta "louquinho" para desistir e apoiar Serra em troca de Kassab ser ungido candidato do PSDB e o DEM em São Paulo. No meio do caminho, atravessado na garganta: Alckmin.

Em entrevista ao jornal Valor, o exaltado prefeito de Rio dá palpites e prognósticos sobre tudo e todos, discorre sobre as vantagens dos demos terem candidatura própria à presidente em 2010 e disse que tem bons nomes para tanto.

Mas de concreto quer tirar Alckmin da jogada em São Paulo, em favor de Kassab e conta para isso com José Serra.


Como Alckmin é candidato e já está em campanha o jeito será aceitar a divisão ou explodir sua candidatura de dentro do PSDB. Por enquanto estão tentando esto último e se não funcionar ? Vão "cristianizar" ou aceitar a imposição do "picolé de xuxu"?


Leia o que disse Cesar Maia ao jornal Valor:

Valor: O prefeito Gilberto Kassab (SP) é favorável ao DEM não ter candidatura para apoiar o Serra na disputa pela Presidência.


Maia: Isso é uma questão tática regional. Obviamente, ele tem que fazer isso. As chances de nós estarmos juntos com o PSDB em 2008 é que isso se resolva dentro do PSDB através do Serra. Então eu acho que o Alckmin corre o risco muito grande de se candidatar a prefeito de São Paulo.
Valor: Por quê?

Maia: Ele é um político jovem, já foi tudo - vereador, prefeito, deputado, governador, candidato a presidente da República, com 37% dos votos. Em qualquer pesquisa nacional, ele e o Serra estão iguais, não têm diferença. E ele vai para prefeito para um jogo de vida ou morte? Podendo ser escolhido governador de São Paulo, no lugar do Serra? Para ser prefeito e sair um ano e três meses depois para ser candidato a governador para poder perder a eleição? O eleitor em geral tem uma maneira de tomar uma decisão, que é diferente da maneira do intelectual, do empresário, que é mais racional. O eleitor não é assim, tem a vida dele, ele olha assim: "O doutor Alckmin, que eu gosto tanto dele, mas ele já foi tudo, podia ser nosso presidente. Será que ele vai ter entusiasmo para ser prefeito?". O Kassab tem sido um excelente prefeito, é, pela vida política dele, um homem que honra palavra e compromisso, que tem esse tipo de formação. O Serra tem visto isso e pode ser muito mais cômodo. Olha a saia justa: se o PSDB nos procurar e disser que apóia o Kassab em São Paulo em troca da vaga de vice em 2010, como a gente faz? A decisão nossa é ter candidato a presidente e isso é fundamental para o partido. Tendo candidato a presidente nós elegemos no mínimo mais dez deputados federais. Portanto, a gente vai lá para disputar a primeira bancada, o número 25 roda e facilita a campanha dos deputados estaduais e federais e governadores. Agora, o PSDB joga na mesa o Kassab, qual a reação que a gente vai ter? É um jogo para ser jogado.

Leia a integra da entrevista de César Maia no jornal Valor.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Uma metamorfose dialética


O que acha de Gilberto Kassab?

FHC: Tem sido um bom prefeito para São Paulo. Se você pensar estrategicamente, seria ótimo que a aliança dele com o PSDB se mantivesse agora, nas eleições municipais, e que o Geraldo (Alckmin) pudesse disputar o governo estadual, o que liberaria o Serra para disputar a presidência.

O sr. então encaminharia as coisas dessa forma?

FHC: Trabalharia estrategicamente.

Significa então que o sr. iria de Serra em 2010?

FHC: Hein? Não necessariamente. 2010 está muito longe. Voltando à disputa em São Paulo: a capacidade que as lideranças têm de influenciar é limitada pelas pesquisas de opinião pública. Se um sujeito tem 10 pontos nas intenções de voto e o outro tem 30, o partido vai com quem tem mais. O novo, aqui, é que o Kassab está subindo. No caso da sucessão de Lula, não dá para dizer nada, embora hoje o Serra tenha mais pontos do que o Aécio.

Leia a integra da entrevista de Fernando Henrique Cardoso no jornal O Estado de São Paulo

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Conflito permanente

Glauco


Dora Kramer, dora.kramer@grupoestado.com.br

O cenário é municipal, mas a crise federal que o PSDB enfrentou dois anos atrás, na decisão sobre quem seria o oponente do presidente Luiz Inácio da Silva na eleição presidencial, vai se repetindo agora na escolha do candidato a prefeito de São Paulo.

De um lado, o grupo do governador José Serra defendendo a aliança com o Democratas em torno do nome do prefeito Gilberto Kassab; de outro, os aliados de Geraldo Alckmin em prol da candidatura do ex-governador, candidato derrotado à Presidência em 2006.

Na época, foram quase três meses, de janeiro a meados de março, de tensão e troca de ataques surdos, eivados pela desconfiança mútua, contaminados pelo veneno da discórdia, mas apresentados oficialmente no invólucro dourado do discurso oficial em favor da unidade partidária.

Agora, mal começou janeiro, assistem-se às mesmas cenas, ouvem-se as mesmas justificativas, um grupo acusando o outro, ambos dizendo-se conscientes de que, dividido, o PSDB fará “um jogo de soma zero com viés de derrota”, para usar a expressão de um tucano que, como todos os envolvidos diretamente na pendenga, só abre a guarda sob a proteção do anonimato.

Ninguém quer dar motivo para a ruptura oficial, todo mundo aposta numa solução, embora não se vislumbre a disposição do primeiro passo.

Na seara serrista argumenta-se que Geraldo Alckmin precisa “se convencer” de que o melhor para o partido é sua candidatura a governador em 2010; entre os alckmistas, espera-se de José Serra “um gesto” de reconhecimento da importância política do adversário.

Parece inadequada a aplicação do termo quando se trata de políticos do mesmo partido. Mas não há outra forma de dizer sem maquiar a realidade: são adversários e ponto.

Serra tem o governo do Estado e a prefeitura nas mãos. Dos 55 cargos de comando no município, 37 são ocupados por tucanos aliados do governador, cuja área de influência se estende à Câmara Municipal, à Assembléia Legislativa e à bancada de deputados federais, mais parcela significativa da máquina do partido.

Mas Alckmin também tem ascendência sobre parlamentares e correligionários. Em termos eleitorais propriamente ditos dispõe do patrimônio principal: é campeão de intenções de voto nas pesquisas.

Com base nesse capital, seus aliados acharam um desaforo - para dizer o mínimo - o fato de não receberem o tratamento que consideram o merecido: participação efetiva na administração e reverência política; sentem-se alijados.

Alegam, por exemplo, que o governador poderia ter trabalhado para eleger Alckmin presidente do partido, a fim de dar a ele uma tribuna nacional enquanto está sem mandato.

Águas passadas, dizem, mas ainda turvas o bastante para inocular o vírus da desconfiança na sinceridade do propósito dos serristas de apoiarem Alckmin para o governo de São Paulo em 2010.

O grupo de ex-governador, na verdade, não parece preocupado com 2010. Quer saber do aqui e agora. Sentiu que a supremacia nas pesquisas lhe dava um bom cacife e resolveu agir para não perder espaço.

Para os oponentes, todo o foco é voltado para 2010 e a candidatura Serra a presidente da República. Argumentam que para isso é importante manter a prefeitura e essencial garantir a eleição de um tucano para o governo do Estado.

Como reconhecem que o tucano primeiro e único em condições de ganhar é Alckmin, querem que ele espere e ajude a aliança DEM/PSDB a ganhar com Kassab agora.

Vitória, dizem, só possível de ser alcançada se houver unidade. Na briga - seja ela na forma da apresentação das duas candidaturas ou na imposição de derrota de um grupo sobre o outro - o fracasso é o cenário mais provável.

O problema é que, como ninguém confia em ninguém, ninguém fala francamente com ninguém, prevalece a dinâmica do conflito permanente.

E, nele, só o PSDB tem a perder. Gilberto Kassab ganha em qualquer hipótese - disputando ou não, vencendo ou não o pleito - e o PT, no máximo, continua sem a prefeitura.

Mas pode recuperá-la se o DEM entrar na disputa com a máquina da prefeitura na mão e o PSDB disputar com Alckmin em clima de guerra de extermínio, sem o apoio do governo do Estado e, mesmo assim, com todos os tucanos vendo-se obrigados a deixar seus postos na prefeitura.

Talvez seja cedo para vaticinar a reedição total da crise de 2006. Mas os grandes desastres são construídos assim: um mau passo puxa o outro e, juntos, cavam um fosso profundo.

Leia a coluna de Dora Kramer na integra no jornal O Estado de São Paulo

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Kassab diz que acordo eleitoral com Alckmin ainda está distante

César Felício e Cristiane Agostine
VALOR




Rivaldo Gomes/Folha Imagem

Kassab participa de lacração do Shopping Pari:
imagem de moralizador urbano ficará em segundo plano neste ano


"Não existem negociações. O que tem ocorrido até agora são legítimas manifestações de dirigentes dos diferentes partidos em procurar transmitir sua vontade de terem candidaturas próprias nas grandes cidades", afirma Kassab, colocando-se como candidato. "Qualquer um que esteja à frente de uma prefeitura e que a lei lhe permita ser eleito é um candidato natural. Então é natural uma candidatura minha à reeleição", diz.


O prefeito procura tirar Serra e, por tabela, a eleição estadual em 2010, do foco do processo eleitoral deste ano. Afirma que se sente "desrespeitado" quando comentam que o governador mantém ingerência sobre a prefeitura, a qual renunciou em 2006, abrindo caminho para que o então vice Kassab assumisse. "Temos uma excelente relação, pessoal e política. Isso não significa ingerência", diz o prefeito. Nos primeiros meses da administração de Kassab, a influência de Serra nos assuntos administrativos da prefeitura era tão grande que o político tucano ganhou o apelido irônico de "prego", o prefeito e governador, de petistas aliados da ex-prefeita Marta Suplicy.


Há um ano, Kassab chegou a definir Serra como o seu líder político. "A aliança em São Paulo tem um líder. Esse líder é a figura maior da aliança, o governador de São Paulo, José Serra, que com sua competência e sua sensibilidade política saberá liderar o processo", afirmou o prefeito em 30 de janeiro de 2007. Hoje, afirma que as negociações por uma aliança se darão entre as direções dos dois partidos.


Kassab pondera que a divisão entre DEM e PSDB no processo eleitoral enfraquece as chances dos dois partidos de manterem o controle sobre a prefeitura. "Tenho certeza de que os dirigentes partidários vão ter como prioridade a manutenção da aliança. No Recife, houve uma decisão do grupo do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), do DEM e do PSDB de cada um ter seu candidato, mas os partidos estão fora do governo. Em São Paulo, a aliança governa. É evidente que se for mantida, a tendência de continuidade aumenta", analisa.


Neste sentido, deixa uma porta aberta para um apoio a Alckmin, de quem indiretamente cobra o mesmo desprendimento. "Candidatura natural não significa que seja impositiva. Seria um desrespeito aos partidos aliados eu dizer que meu partido fechou questão, que é uma candidatura minha. Sendo assim, para que a aliança?", indaga.


Terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, com cerca de metade dos índices obtidos por Alckmin e pela ex-prefeita e ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT), Kassab afirma que se considera em situação "excelente". O prefeito comenta que as taxas de aprovação da sua administração estão crescendo e planeja centrar o discurso de sua eventual candidatura à reeleição no binômio social: Educação e Saúde. A imagem de moralizador urbano, que cultivou com ações como a retirada de painéis publicitários e fechamento de boates suspeitas ficará em segundo plano.


"Agi para que a lei fosse cumprida em circunstâncias em que não era. Foram fechados postos de gasolina clandestinos e grandes depósitos de mercadoria contrabandeada. Mas meu propósito não foi moralista", diz Kassab. As ações de Kassab neste sentido geraram, no ano passado, um momento constrangedor para o prefeito, que empurrou e agrediu verbalmente um comerciante de placas publicitárias que protestava contra a prefeitura na inauguração de um ambulatório. O episódio foi televisionado durante dias. "Não me arrependo de minha indignação, mas da forma como me expressei. E já pedi desculpas diretamente ao atingido", afirma.


No comando da capital, em vez de modificar a linha de ação adotada por Marta Suplicy (2001/2004), a administração de Kassab ampliou o alcance dos programas petistas. A petista teve como carro-chefe a construção de 21 Centros Educacionais Unificados (CEUs) na periferia. Kassab pretende entregar 25. Marta destacou a introdução do bilhete único no transporte coletivo de ônibus. Em parceria com o governador Serra, o bilhete foi ampliado para a integração com metrôs e trens metropolitanos, ainda que com uma tarifa maior.


A Saúde, ponto fraco na gestão de Marta, será um alvo estratégico de Kassab, que, em parceria com organizações sociais, está ampliando a rede de ambulatórios e unidades básicas de saúde (AMAs e UBS), além de ter aberto o Hospital de Cidade Tiradentes, uma obra inconclusa no governo da petista.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Madrugar não faz amanhecer mais cedo

As eleições municipais acontecerão em Outubro deste ano. Em maio e Junho as convenções partidárias escolherão seus candidatos. Esse é o calendário politico-eleitoral em 2008.

A mídia escrita está interessada em adiantar o calendário e a disputa é grande para vender jornal e para furar o concorrente.

A prefeitura de São Paulo é governada pelo PSDB, junto com o DEM de Kassab. Ambos partidos governam a cidade juntos, porém estão divididos em relação as candidaturas.

Eles tem que resolver está disputa entre as ambições de Alckmin e a vontade do Serra e Kassab e quanto antes melhor para eles.

A guerra entre eles está acirrada e ela pode comprometer a aliança, levando ao lançamento de dois candidatos igualmente ambiciosos e substancialmente da mesma cor política.

As consequências disto pode levar a uma ruptura com efeitos na própria composição política para 2010.

Tudo indica que uma candidatura Alckmin, mais ainda se conseguir ser vitoriosa, servirá para um desfecho, da escolha em 2010, desfavorável ao governador José Serra. Em todo caso este parece ser o ponto de vista de Serra, não sem razão.

A máquina da prefeitura e a representatividade da cidade de São Paulo faria de Alckmin um "presidenciável" ou um poderoso apoiador do tucano Aécio, rival de Serra para 2010. O DEM, por sua vez, não teria maior motivo para alavancar a candidatura de Serra, pois se sentirá alijado do que considerá um direito legítimo. Preservou os interesses do governador, suas escolhas na prefeitura, o apoio para o governo estadual e Kassab atua como um sub-prefeito do governador. Em troca será jogado fora pelo PSDB, nos braços de Alckmin? Usado e jogado fora, o DEM nada ganharia aceitando o hara-kiri.

Por sua vez, para Alckmin o dilema também é grande. Seus partidários foram postos para fora do governo estadual e não contam com grande participação na prefeitura. Serra mostrou que não hesita em abrir os porões e jogar na mídia as mazelas do que foi a administração Alckmin no Estado. Desde o " mensalinho" na Nossa Caixa, até as generosidades com os pedágios ou os pífios resultados em questões como segurança e educação. Como confiar que Serra cumprirá em 2010, as promessas de hoje? Alckmin quer garantias, mais ainda sabendo que no caso de ter que enfrentar Marta Suplicy o resultado pode por um ponto final a suas ambições políticas. Sem garantias, pensa ele, é melhor arriscar. Com garantias o papo pode ser outro...

O PT não tem nenhum interesse em se meter nessa briga, nem precipitar seu desfecho. Nada ganha em fazer campanha antes da hora, pois a população está longe de manifestar qualquer interesse pela eleição agora. Mas pode aproveitar os próximos meses para definir e estruturar sua tática eleitoral e sua política de alianças, começar a elaborar suas propostas para a cidade e construir junto com seus aliados o caminho da escolha da candidatura mais adequada as necessidades da implementação das suas propostas.

Deste processo e do consenso unitário, construído com os outros partidos da base do governo Lula, é que o nome do candidato ou da candidata poderá ser escolhido com mais correspondência com a conjuntura de Outubro. A força eleitoral da candidatura ganhará a se projetar no menor tempo, mas maior espaço, proporcionado pela campanha e pelo impacto das propostas e convergências que a sustentarão.

Ansiedade e precipitação podem dar sensação de importância e utilidade, mas os afoitos quase sempre morrem na praia... ou como parece indicar o estudo publicado neste blog sobre doenças cardiovasculares, de enfartes.
Luis Favre

DEM entra na negociação para tirar Alckmin da disputa em SP


César Felício e Cristiane Agostine VALOR

Aumentou o assédio para que o virtual candidato do PSDB à Prefeitura da São Paulo, o ex-governador Geraldo Alckmin saia da disputa municipal deste ano em troca da garantia de que terá a candidatura ao governo estadual em 2010. A proposta nasceu dentro do grupo do PSDB aliado ao governador José Serra e ganhou nos últimos dias o apoio da cúpula nacional do DEM.


Por meio do ex-presidente da sigla, o ex-senador Jorge Bornhausen (SC), o partido teria garantido a Alckmin e a Serra que aceitaria se comprometer desde já com o apoio a Alckmin para o governo estadual. As reuniões foram realizadas no fim do ano passado. Também teriam participado das conversas o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-secretário geral da Presidência Eduardo Jorge.


A proposta garantiria o apoio tucano à reeleição de Gilberto Kassab em São Paulo, principal objetivo eleitoral do DEM, e faria com que Serra se apresentasse para a disputa interna pela candidatura presidencial tucana em 2010 com a seção paulista do partido pacificada e a aliança entre os dois partidos consolidada.


Segundo dirigentes do DEM que participaram da negociação - ainda em curso - Alckmin teria se mostrado disposto a analisar o assunto, desde que Serra tomasse a iniciativa de formalizar a oferta. Procurados ontem pelo Valor, o ex-governador não quis se manifestar e Bornhausen não foi encontrado.


Dentro do PSDB, a articulação levanta resistências. Ligado ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o deputado Arnaldo Madeira afirmou que a negociação é prematura. "Quem está espremido pelo prazo é o PT, não nós. São os petistas que precisam definir a se a ministra do Turismo Marta Suplicy será candidata ou não até 2 de abril, para que ela se desincompatibilize. Nós podemos aguardar a decisão do adversário para só depois tomarmos a nossa", sugeriu.


O grupo ligado a Geraldo Alckmin dentro do PSDB é francamente hostil à proposta. Argumentam que Alckmin tem densidade eleitoral e partidária suficiente para ser candidato em 2008 e até mesmo em 2010 sem precisar negociar com Serra e o DEM, já que nem o governador, nem os correligionários de Kassab disporiam de alternativas. Faltam nomes tucanos para disputar o Palácio dos Bandeirantes e de integrantes do DEM para tentar a Presidência.


Segundo o deputado Silvio Torres, a idéia da candidatura tucana para a capital está amadurecida no partido. "Essa idéia de não concorrer agora e se preservar para 2010 é uma idéia antiga, de uns oito meses atrás. A dinâmica eleitoral agora é outra", comentou. Torres defende que o partido tenha candidato próprio para barrar o crescimento do PT na capital. "Nossa convicção é que, em 2010, São Paulo será vitrine nacional e nosso embate será polarizado. Não podemos correr o risco de deixar o PT se fortalecer novamente em São Paulo", disse o interlocutor. Além disso, ressalta o tucano, o PSDB "não tem candidatos fortes para concorrer às capitais". "A situação não está confortável. Não temos candidatura forte a não ser em Curitiba", afirmou, referindo-se ao prefeito Beto Richa, candidato à reeleição.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

A oposição ao povo pobre

A oposição tentou uma manobra eleitoral para penalizar os beneficiários do Bolsa-Familia.

Na política de "quanto pior para o país, melhor para a oposição" o projeto de lei que ampliava o beneficio do Bolsa-Familia para os jovens ficou bloqueado no congresso. A oposição já pensava em comemorar, mas uma MP do governo federal veio assegurar essa conquista, instrumento de inserção e de combate a exclusão social.

Segundo informa a Folha de hoje:

"A proposta de ampliação do Bolsa Família foi enviada ao Congresso em outubro por meio de projeto de lei. Mas sua tramitação ficou parada porque a Câmara dos Deputados teve a pauta paralisada por outras MPs e pela ordem política do governo de priorizar negociações com a oposição no Senado para tentar aprovar a CPMF até 2011.
Como a Câmara não apreciou o projeto, Lula resolveu concretizá-lo via MP ainda em 2007 para evitar questionamentos judiciais com base na legislação eleitoral. Como haverá eleições municipais neste ano, há restrições para gastos do governo.
A lei nº 11.300, criada em 2006, proíbe durante todo ano eleitoral a distribuição gratuita de "bens, valores ou benefícios" por parte da administração pública, com exceção dos casos de calamidade pública, estado de emergência ou "programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior".

Curiosamente, a mídia escamoteia a recusa da oposição e disse que Lula "dribla"a legislação. O DEM, o arauto da justiça social, ameaça entrar na justiça para anular o beneficio aos jovens.

Será que a mídia conseguira ocultar a responsabilidade da oposição nesta tentativa de prejudicar os mais pobres?

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Aécio pavimenta 2010 com ampliação do leque político do PSDB

César Felício - jornal Valor


Mauricio de Souza/Hoje em Dia
Aécio e Pimentel: aliança prevê um nome de um terceiro partido,
que ajude a atrair Ciro Gomes para a aliança


O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), chega ao final do primeiro ano de seu segundo mandato com a clara estratégia que pavimentará seu futuro político: pela ampliação do leque político do PSDB, que inclui uma inflexão na trajetória de confronto aberto com o governo federal, reforçada com a rejeição pelo Senado da emenda constitucional que prorrogaria a cobrança da CPMF.

O primeiro passo dessa estratégia é a escolha de um candidato de consenso à prefeitura de Belo Horizonte na eleição de 2008, que coloque no mesmo palanque o PSDB, o PT e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Este palanque serviria de laboratório para a arena política pretendida pelo governador mineiro em 2010. É esse seu principal ativo político para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


A expectativa alimentada no Palácio da Liberdade é que Aécio possa vir a atrair o chamado bloco de esquerda (PSB, PDT e PCdoB) para apoiar uma eventual candidatura sua, tendo possivelmente Ciro como seu vice. Desta forma, o DEM seria ultrapassado na condição de parceiro preferencial do PSDB em uma aliança nacional. Esta estratégia parte do pressuposto de que a aliança governista, excessivamente heterogênea, não rumará unida em 2010 e o PT corre o risco de disputar isolado de seus parceiros de 2002 e 2006. Só uma aliança dessa magnitude daria ao governador mineiro o trunfo necessário para sua batalha interna contra o governador paulista José Serra pela candidatura presidencial tucana.


Uma composição Serra/Aécio já foi descartada no Palácio da Liberdade. A arrogância freqüentemente associada à imagem dos tucanos poderia ser fortalecida na hipótese de uma chapa puro-sangue e, ainda mais, unindo os dois Estados mais ricos da Federação. A presença do vice de um outro partido na chapa também seria imprescindível para não deixar o PSDB isolado no cenário eleitoral.


Caso não seja candidato à Presidência, Aécio deverá tentar o Senado. O vice-governador, Antonio Junho Anastasia (PSDB), é uma possibilidade para sua sucessão, mas não estão descartados outros nomes, como o do próprio prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT). Mas essa dobradinha estaria subordinada ao sucesso da parceria do governador e do prefeito em 2008.


A sucessão em Belo Horizonte é um dos passos na direção de diminuir o confronto com Brasília. O mais forte postulante ao cargo, o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias (PT), já anunciou publicamente que não será candidato. Nas hostes tucanas, a pré-candidatura do ex-ministro das Comunicações e ex-prefeito de Belo Horizonte Pimenta da Veiga, tampouco entusiasma o partido. Não há outros nomes naturais para a sucessão de Fernando Pimentel (PT) nem na esfera tucana, nem na petista na capital mineira.


Uma candidatura consensual , em que Pimentel e Aécio poderiam apoiar um nome de prestígio, sem mandato eleitoral, que pertença a um terceiro partido, aliado do PT na esfera federal e do PSDB na estadual, como o PSB de Ciro Gomes, é cogitada entre tucanos mineiros. A premissa é que a polarização entre petistas e tucanos é um fenômeno que ocorre com força em São Paulo, mas não se reproduz no resto do país.


Aécio Neves empenhou-se junto com José Serra para reverter a tendência do PSDB de impor uma derrota parlamentar ao governo. Chegou a dar entrevistas comemorando um acordo com o governo baseado na CPMF exclusiva para a Saúde que, segundo ele, daria uma forte bandeira eleitoral ao PSDB. Em entrevistas logo após a votação, lamentou o resultado.


A avaliação generalizada entre os governadores do PSDB é que o partido teve uma vitória de Pirro ao rejeitar a prorrogação da emenda constitucional. Em Minas, avalia-se que o resultado final se deve à atuação exclusiva do líder da bancada no Senado, senador Arthur Virgílio Neto (AM). Por esta versão, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é isento de responsabilidade pela vitória parlamentar. O ex-presidente teria aceito um acordo em torno do repasse integral da CPMF para a Saúde. Dentro do PSDB mineiro, teme-se que o partido seja responsabilizado pelo governo federal por crises de financiamento na área de Saúde.


Os governadores tucanos reclamam das perdas financeiras que os Estados terão, com a falta de uma contribuição que teria a integralidade de seus recursos repassada para a Saúde, conforme o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já teria se comprometido. Apenas para Minas, a aprovação renderia R$ 1 bilhão a mais em 2008.


Trunfo de Aécio para a disputa interna com Serra é a expectativa de atrair Ciro para uma chapa em 2010


Em uma reunião que a cúpula do PSDB irá fazer no próximo mês, Aécio deverá se alinhar entre os que reclamam da falta de uma identidade mais clara para o partido. O governador costuma defender um rumo de mitigação do clima de confronto com o Planalto. É uma visão compartilhada por parte da cúpula do PSDB, que afirma que a aliança governista é muito heterogênea para ter uma candidatura única em 2010 e o PT tende a apresentar-se isolado dos seus tradicionais parceiros à esquerda, que hoje formam o bloquinho (PSB, PCdoB e PDT). A agressividade precoce da oposição, entretanto, poderia forjar uma união dos adversários e um engajamento maior do presidente no processo eleitoral.


A partir da sucessão municipal, o PSDB deverá entrar na fase decisiva para a escolha entre Serra e Aécio. O governador de São Paulo conta com o apoio interno do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e está melhor posicionado nas pesquisas.


Apesar do apoio do ex-presidente a Serra, Aécio cultiva a proximidade com antigos colaboradores do governo FHC, como os ex-integrantes da equipe econômica hoje abrigados na Casa das Garças, centro de estudos econômicos de economistas ligados à PUC do Rio.


A arma de Aécio seria sua presumida maior capacidade de articulação para virar o jogo. Os tucanos mineiros ainda contam com um suposto sentimento anti-paulista que estaria crescendo em outros Estados, já que o PSDB, assim como o PT, jamais teve um candidato presidencial que não tivesse vindo da sua seção paulista. Vieram de São Paulo todos os presidentes desde 1994. Em 2010, o partido que não tivesse um candidato paulista poderia capitalizar esta animosidade regional.


Os dois governadores estabeleceram um pacto de convivência em meados do ano. Na ocasião, Aécio teria advertido Serra que não procurasse construir uma candidatura presidencial impondo uma derrota ao mineiro, mas que ao invés disso tentasse conquistá-lo. Sob pena de fragilizar a capacidade de Aécio de carrear-lhe os votos de Minas. Os dois teriam concordado em adiar o debate interno para 2009. Mas, posteriormente, Serra conquistou os principais postos no comando do PSDB, no momento em que o partido renovou sua direção. Aécio já mencionou a possibilidade de o partido realizar prévias internas para a escolha de seu candidato.


A possibilidade de prévia, contudo, é vista por aliados de Aécio como manobra dissuasória. O governador mineiro apostaria que o pragmatismo irá prevalecer no partido, que não admitiria correr o risco de uma terceira derrota consecutiva, depois das de Serra, em 2002 e Geraldo Alckmin, em 2006. Nas pesquisas, Serra chega a pontuar 35%, enquanto Aécio não passa de 20%. Estrategistas do governador mineiro, no entanto, apontam a diferença entre o grau de conhecimento de um e de outro no eleitorado nacional: 90% e 40%, respectivamente.


Como discurso, dificilmente Aécio sairia da linha já adotada nas duas últimas eleições, em que o partido bate na tecla da gestão eficiente e profissionalizada, que não aparelha a máquina estatal. O "choque de gestão" é um dos slogans usados por sua administração. Aliados do governador avaliam que a estratégia não deu certo nas eleições anteriores em função da presença carismática de Lula no quadro de candidatos. Pela primeira sem o presidente entre os postulantes, o discurso poderia emplacar.


No Palácio da Liberdade se admite, entretanto, que a comparação entre o governo atual e o de Fernando Henrique poderá ser um peso para o partido, já que ainda se detecta, nas pesquisas de opinião, a percepção de que foi um governo importante, mas que não deixou saudades.


A possibilidade de Aécio sair do PSDB, já enfraquecida pela recente decisão do TSE que torna passível de cassação do mandato o político que trocar de partido, parece hoje sepultado, segundo afirma repetidas vezes o governador mineiro. Sobretudo em relação ao PMDB, o partido que corteja de maneira mais aberta o governador mineiro. Além da dificuldade previsíveis de fechar um partido tão fragmentado quanto o PMDB, há problemas regionais importantes, como a composição com o ex-governador Newton Cardoso, adversário histórico de Aécio.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Pesquisa mostra rejeição alta aos prefeitos do PFL em Sao Paulo e no Rio

do Blog de Dirceu

Nem com o apoio da mídia e com entrevistas chapas brancas na Folha e no Estadão, Gilberto Kassab...


Nem com o apoio da mídia e com entrevistas chapas brancas na Folha e no Estadão, Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, escapou da avaliação negativa do povo da capital. Aumentou de 23% para 31% os paulistanos que consideram seu governo ruim e péssimo e o regular caiu de 41% para 33%. Em todos os estratos sociais e de renda seu governo recebeu uma pior avaliação. Hora de fazer eleição e trocar de prefeito e de coalizão. A cidade de São Paulo é governada hoje pelos tucanos, sendo o prefeito Gilberto Kassab, do PFL, hoje Democrata.

No Rio acontece o mesmo. O governo de César Maia, também do PFL, está mal avaliado. 31% o consideram ruim e péssimo, caiu a avaliação regular de 39% para 35% e só 33% o aprovam. Depois de 15 anos no governo, os chamados democratas não resolveram, segundo o povo, os dois problemas da cidade: segurança e saúde.
César Maia, entendido em pesquisas, terá muitas explicações para esse péssimo desempenho. Uma, que já deu à imprensa, é de que a sensação de insegurança no Rio cresce por culpa da TV e do filme Tropa de Elite. Pode?

Na área da saúde, César Maia costuma culpar o governo federal e estadual. Péssimo exemplo de governante que depois de 15 anos de poder põe a culpa nos outros e não assume suas responsabilidades. O desastre na área de saúde foi tanto que o governo Lula já teve que decretar uma intervenção no Estado na área da saúde pública, depois revogada pela Justiça, numa decisão que deixou clara a sua marca política.

Ano que vem temos eleições. Vamos ver como os tucanos e pefelistas vão se sair.

Construindo consensos?

Blog dos Blogs - Tales Faria




Uma pulga atrás da orelha

Deixou-me desconfiado a foto acima, logo no primeiro dia em que Lula voltou ao Brasil depois da votação da CPMF.

Eu explico. É que a notícia veio junto com informações sobre uma intensa troca de amabilidades entre o presidente Lula e o governador de Sâo Paulo, José Serra -- hoje o princpal candidato à sucessão de Lula em 2010 -- durante uma solenidade na fabrica da Ford, em São Bernardo do Campo, naquela sexta-feira.

Serra sublinhou o esforço de Lula para manter a fábrica em Sao Paulo e lembrou a última vez em que se encontrou com o amigo sindicalista no ABC, em 1978. Lula, por sua vez, reclamou da derrota no Senado, culpou a oposição, mas teceu mil agradecimentos a Serra por ter tentado fazer passar a CPMF.

Os analistas interpretaram que Lula estava querendo ferrar Serra, dividindo a derrota com ele. Mas isso não faz sentido.

Na avaliação de Lula e seus principais assessres, o PSDB e o DEM vão pagar caro, nas urnas, por terem derrubado o imposto que mandava verbas para a Saúde. Então, quando elogia publicamente Serra, Lula está evitando que se use contra o amigo de São Paulo as acusações que ele e o PT promoverão contra os tucanos em geral.

Não sei se o leitor assistiu o Jornl Nacional daquela sexta-feira. Veja no link a seguir: http://video.globo.com/ Videos/Player/Noticias/0,,GIM766110-7823 -CPMF+UNE+LULA+E+SERRA,00.html.<>
E agora me diga: Não parece um filmete de campanha? Sempre que alguém tentar bater no candidato à Presidência José Serra, acusando-o de ter tirado verbas da Saúde, ele poderá apresentar esse filme com o próprio Lula dizendo o contrario.

Daí a pulga atrás da minha orelha! Será que o Lula está apoiando o José Serra para a sua sucessão? Tem antecedentes da história: Em 2002, o próprio Lula foi apoiado pelo presidente tucano FHC.

Será que é o Serrao nome o Lula?

enviada por Tales Faria

Blog dos Blogs
enviado por: Alberto Filho
Tales, por favor, será que você pode nos lembrar/explicar como FHC apoiou Lula em 2002? Se for declarando o voto a Serra... rsrsrs


A propósito, ESSE BLOG, A DESPEITO DE SUA ESTRELA, ESTÁ CAINDO... você quase não escrevem mais!!!

Pelo amor de Deus, não nos abandone!!!

Em: 17/12/2007 09:58:22

enviado por: Alexandre Porto
Site: http://www.aleporto.com.br
Ao contrário, acho que Lula apenas quis expor a divisão dos tucanos.
Em: 17/12/2007 09:17:46

enviado por: Carlos
Confesso que também fiquei intrigado com este lance. Ou o Lula agiu de forma expontânea e com gratidão, ou foi uma jogada poítica das mais inteligentes ou erradas que já vi. Sou petista e voto no Lula, o que me pareceu foi que Lula não faz muita questão se Serra ganhar as eleições, talvez por achar que Serra é a garantia dele voltar em 2014 nos braços do povo. Qto mais eu penso neste lance mais fico confuso, é melhor eu parar hahahahahaha este lance do Lula deu um nó lógico em muita gente, inclusive eu.
Em: 17/12/2007 09:17:25

enviado por: Neo-tupi
Tales, engraçado que eu também vi sinais de fumaça no ar.
Todos sabemos que Lula quer repetir Getúlio e ter 2 partidos de apoio: PT de Lula seria o PTB de Getúlio (o partido das massas trabalhadora) e a princípio o PMDB para Lula seria o PSD do Getúlio (o partido das oligarquias).
Mas o problema é que o PMDB não está conseguindo dar a Lula a base de apoio necessária que o PSD dava a Getúlio.
Por outro lado Serra e Aécio saíram deste episódio como lideranças menores do PSDB, sem controle sobre suas bancadas. E eles querem chegar a 2010 com a imagem mais de continuadores do bem sucedido governo Lula, do que prometendo a volta da era FHC.
Então não duvido que Serra e Aécio, juntos ou separados, possam querer fundar novo partido Social Democrata e em sintonia com as políticas sociais e desenvolvimentistas de Lula, funcionando como um mini PSD, disputando espaço ao lado do PMDB, como herdeiros do legado de Lula, mais ao centro do que o PT.
Se isso estiver acontecendo, não duvido que Lula esteja encorajando. Mas Lula não vai deixar de apoiar um candidato do PT se o PT tiver candidato, e há 99% de chance de ter.
O mais provável é Lula chegar a 2010 com um leque de candidatos a sucessão, todos da base governista (um do PT, um do PSDB, Ciro Gomes do bloquinho PSB-PCdoB, talvez um do PMDB, além de Serra e Aécio) , e ele ter que manter-se um pouco equidistante do processo.

Em: 17/12/2007 09:17:16

enviado por: maria santos
Acho impossível que esta idéia seja verdadeira; se for, será a primeira vez que votarei contra Lula.
Jamais votaria em um ex-ministro de fhc. ECA!

Em: 17/12/2007 09:16:58

sábado, 15 de dezembro de 2007

Entrevistas do Kassab: A mídia de São Paulo é do bem!

Os dois principais jornais de São Paulo, a Folha e o Estadão, trazem hoje, coincidentemente, uma entrevista com o Prefeito Gilberto Kassab. Vale a pena ler as duas entrevistas, pois elas são uma aula que vale mais que cem discursos.

Uma aula sobre a atuação dos jornais, não sobre a fala do prefeito. Nada ilustra melhor a relação da mídia com os adversários do PT, no caso a aliança DEM-PSDB na cidade, que a maneira e o conteúdo das perguntas ou questionamentos (ou sua ausência) nas entrevistas em questão.

Você pode pensar que entrevistar o prefeito hoje permitiria entender o porque da ação de despejo na favela Real Parque, qual o destino das familias brutalmente expulsas e quais os planos e o balanço da atual administração em matéria de habitação? Isto para falar em coisa recente, incluso abordada pelo próprio Ombudsman da Folha (ver aqui no blog A Folha é tucana?; Refrescando a memória do Estadão).

Ou saber porque foi adiada a inspeção veicular para 2009, sendo que o aumento dos engarrafamentos esta asfixiando e a circulação e as pessoas na cidade.

Oportunidade também para abordar em toda sua dimensão a questão do transporte público na cidade, onde um deterioro é visível, ao ponto das pessoas não conseguirem mais usar o Bilhete único pois suas viagens aumentaram para além das duas horas, em particular na zona sul. (ver aqui no Blog Administração DEM-PSDB anula efeito do Bilhete Único em São Paulo).

Saber porque persiste a falta de médicos na periferia, porque faltam médicos nas equipes do Programa Saúde da Familia, equipes que foram reduzidas (ver aqui no blog Casos de dengue aumentam mais de 400% na cidade de SP; Jornal da Tarde denuncia saúde da administração Kassab). Ou descobrir da boca do prefeito o que aconteceu com a licitação e o preço do leite da distribuição gratuita. (ver aqui no blog Vale a pena ler de novo)

A Folha poderia ter abordado a questão do lixo, que esta sendo debatida na pagina 3 do próprio jornal, depois que a prefeitura acabou reconhecendo de fato a correção dos contratos feitos pela administração precedente, questionando o prefeito pelo abandono dos investimentos nos aterros, no recolhimento do lixo nas favelas, no descaso com a coleta seletiva. (Ver aqui no blog Um bom debate para no jogar o lixo embaixo do tapete).

Na entrevista a Folha, Kassab dize que o pior em São Paulo é saúde e educação. Não caberia alguma pergunta sobre o fato que os tucanos governam o Estado faz mais de 12 anos, tendo responsabilidade pela metade das escolas da capital? É muito pedir saber o que esta sendo feito, além de continuar o que a Marta criou e fez? Pode um jornalista se contentar com o fato do prefeito declarar, como se estivesse opinando sobre algo que não o interpela: "É evidente que elas (a maioria das pessoas da cidade) não estão tendo o ensino público que a cidade poderia oferecer. É muito provavelmente são essas pessoas que precisam de saúde pública." (Folha). (ver aqui no Blog Demos e tucanos no mundo do faz de conta; Demos e tucanos em ação: crianças na rua e dinheiro no banco; JT denuncia: ‘Ano da educação’ já repetiu no 1º semestre).

Por exemplo, na entrevista no Estadão, Gilberto Kassab disse que a prefeitura arrecada hoje o dobro que na administração da Marta. Não caberia perguntar porque não aproveitar para reduzir os impostos, o IPTU e outros impostos. Não é que a carga tributária é excessiva, como pregam quando atacam o governo Lula?. Ou não dá para inquerir sobre as prioridades de investimento, onde ou como investir mais e melhor (a prefeitura tem 5 bilhões de reais aplicados no mercado financeiro), ou contratar mais policiais municipais para assegurar pelo menos todas as escolas? Ou pelo menos questionar a origem desta multiplicação dos pães? Será a indústria das multas? será o crescimento econômico promovido pelo governo federal? Ou alguém pode engolir calado, como os jornalistas que o entrevistaram fizeram, que o milagre foi obtido pela rigor na arrecadação dos tributos? Volto a repetir, o governo municipal tem um orçamento que equivale ao dobro do orçamento de quatro anos atrás.

Agora, pode-se argüir que o foco da entrevista era outro, não a administração da cidade e sim a política é as eleições do ano próximo. Mesmo nesse caso, como explicar que os entrevistadores do Estadão, por exemplo, nada perguntem em relação a Alckmin. O nome Alckmin, aliás, não aparece nenhuma única vez em toda a pagina consagrada a entrevista, nem na Folha, nem no Estadão.

Alckmin, o grande ausente
das entrevistas

Por isso aparece mais grosseira a tentativa persistente dos entrevistadores da Folha para arrancar de Gilberto Kassab ataques a Marta Suplicy. Soá ridículo perguntar ao Kassab quem será o candidato do PT, (porque não perguntar se Alckmin vai ser, se Serra vai demovê-lo da idéia etc.) e quando ele disse que acha que o PT ainda não definiu, os jornalistas de apresentar e insistir na Marta, para tentar depois arrancar uma crítica, que percebe-se Kassab procura evitar.

Se o jornalismo consiste em servir de escadinha para deixar os entrevistados fazerem publicidade de se mesmos e nada questionar, qual é o significado mais profundo do valor da liberdade de imprensa?

Luis Favre





'Tenho vontade de ser candidato'

Carlos Marchi - O Estado de São Paulo

Apesar do cuidado em não avançar sinais, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) afirmou ao Estado que tem vontade de ser o candidato à Prefeitura de São Paulo em 2008 pela aliança PSDB-DEM. “ Tenho vontade de continuar o trabalho, mas jamais vou fazer uma postulação de nível pessoal”, ressalvou. “Uma eventual candidatura minha vai estar atrelada a um projeto coletivo”, disse. Mas Kassab adverte que a definição do candidato aliado em São Paulo não é uma questão local: “É uma questão nacional.” Confiante, ele diz que até o final da sua gestão vai entregar “uma cidade bem melhor”. Eis a entrevista:

O sr. está se sentindo à vontade na prefeitura?

Estou bastante satisfeito, entrando no último ano, três anos de gestão e os resultados aparecendo. O que eu percebo é que a política traçada deu resultados previstos. Os resultados das políticas públicas, em especial no campo social - saúde e educação -, começam a aparecer e isso dá muita esperança e traz muita confiança. Até o final da gestão, vamos entregar uma cidade bem melhor.

O sr. tem sentido isso nas ruas?

Sinto. A população começa a notar a ação da prefeitura. Porque, nas últimas décadas, o que foi feito foram grandes obras. Todos percebem que nós paramos com as grandes obras para fazer um trabalho centrado na saúde e educação. Eu sinto isso, que a população reconhece as coisas que estão acontecendo numa dimensão que não existia antes.

O sr. sempre se disse um continuador do ex-prefeito José Serra, mas agora já executa políticas suas. O sr. está imprimindo toques pessoais às políticas da prefeitura?

À medida que o tempo passa, vão surgindo novos desafios e aí fica a marca da atual gestão, sempre com a mesma equipe, com a mesma linha de metas. Mas esses novos desafios que surgem têm mais a nossa marca, é natural. Veja o exemplo do Cidade Limpa, um projeto que se iniciou com Serra. Quando eu assumi, percebi um momento favorável para aprovar o projeto na Câmara, um projeto muito mais radical do que a gente havia desenhado. Se ele estivesse aqui, também teria enxergado essa oportunidade. E não deixa de ser mérito dele, que trouxe o tema à discussão. As AMAs (unidades de Assistência Médica Ambulatorial) foram uma criação dele. Depois, quando os resultados foram aparecendo, nós percebemos que era o caminho correto e pisamos fundo no acelerador. Agora, estamos próximos de, até o mês de março, chegar a 110 AMAs.

No que facilita vocês serem tão próximos?

Acho que nunca um Estado teve uma relação com a capital no País tão próxima e tão convergente como temos hoje. É lógico que as ações acontecem com mais velocidade. Não preciso perder muito tempo para explicar a ele. Vamos pegar um exemplo - córregos. São Paulo tem 11 milhões de habitantes e trezentos córregos para onde são direcionados esgotos. Quando ele assumiu o governo estadual, criamos um convênio, com 80% de verbas do Estado e 20% do município. Não acabou o primeiro ano do governo Serra e estamos concluindo o processo de execução de 40 daqueles córregos.

Todo administrador reclama da falta de recursos. Por que o sr. não se queixa?

O principal problema dos recursos não é ampliar as fontes, mas ter austeridade no gasto e rigor na fiscalização. Nós aumentamos a nossa arrecadação: em 2004, tivemos uma receita total de R$ 12 bilhões; no orçamento de 2008, que mandamos para a Câmara, já teremos R$ 25 bilhões. Mais que o dobro, em quatro anos. Pergunto: qual foi o aumento da carga tributária, nesses quatro anos? Zero. Ao contrário, abrimos mão da taxa do lixo, que significava R$ 400 milhões por ano, em 2005, e abrimos mão da taxa de iluminação pública nas ruas que não têm lâmpadas. Nós aumentamos a arrecadação com rigor na fiscalização. Rigor mesmo. Não quero fazer acusação de que antes havia corrupção. O que não havia é rigor.

Como será o seu último ano? Uma enxurrada de obras?

Não vai ter nada de especial, não vai mudar a rotina da administração. Vamos dar seqüência no que estamos fazendo. É evidente que, por ser o último ano, há uma conclusão maior de projetos iniciados. Você não conclui nada no primeiro ano. Pode anotar: nada, nada que tenha vinculação com um ano eleitoral. Não existe essa preocupação.

Qual será, a seu juízo, a sua grande marca na Prefeitura de São Paulo?

A cidade percebeu que existe hoje uma prefeitura preocupada com a melhoria da qualidade de vida das pessoas, com a manutenção da cidade. Hoje o paulistano identifica a prefeitura dessa maneira. E não identificava antes. Hoje ele sente a cidade mais bem cuidada, sente uma preocupação com o ensino e a saúde públicas.

Como vai a aliança PSDB-DEM?


A minha avaliação é que a aliança nunca esteve tão sólida. Juntos, a gente governa São Paulo, elegemos o Serra e eu; juntos elegemos o Serra, Goldman e quase elegemos Afif. E juntos fazemos oposição ao governo federal, mas uma oposição com espírito público, com proposta, com bastante determinação.

Essa aliança vai perdurar para as eleições municipais de 2008 em São Paulo?

Eu acho. É evidente que, se trouxermos o assunto para esse ano, quando as eleições não estão na pauta, qualquer dirigente de um grande partido, seja os Democratas, seja o PSDB, seja o PT, seja o PMDB, vai afirmar que a diretriz do partido é ter candidatura própria nas eleições majoritárias no País inteiro. Só faltava ser diferente... Mas na medida em que o assunto for discutido, e a discussão acontece no ano das eleições, é compreensível que os partidos aliados se sentem à mesa de negociação e cheguem à conclusão de que a aliança é mais proveitosa para implantar os programas de cada um. Eu me coloco entre aqueles que defendem a continuidade da aliança.

Essa conversa de sentarem juntos deve acontecer quando?

De março a maio do ano que vem.

Até que ponto as eleições municipais influirão na eleição de 2010?

Quem ganhar as eleições de 2008, se mostrar boa administração, se fortalece para 2010. Os partidos podem se credenciar ou se descredenciar para as eleições de 2010.

Que prognóstico o sr. faz para o desempenho da aliança PSDB-DEM nas eleições de 2008?

Acho que será muito bom, da mesma forma que acredito nela em 2010.

Se PSDB e DEM tiverem dois candidatos um deles poderá ser o vencedor ou a divisão abala os dois?

É difícil admitir duas candidaturas, até porque acredito que o caminho seja a aliança. Ano que vem, quando o assunto for discutido, minha priorização como dirigente partidário será defender a manutenção da aliança.

Que obstáculos hoje devem ser retirados para a aliança persistir?

O obstáculo natural em qualquer processo de composição de aliança, quando os partidos querem, legitimamente, ocupar o cargo titular. Na medida em que o tempo passa, as coisas vão ficando mais claras, mais nítidas e aí, naturalmente, surge a opção da formalização da aliança e a ocupação dos cargos conforme o processo de negociação.

O sr. tem vontade de ser candidato à reeleição?

Tenho. Tenho vontade de continuar o trabalho, mas jamais vou fazer uma postulação em nível pessoal. Uma eventual candidatura minha vai estar atrelada a um projeto coletivo, de unir os partidos numa aliança, de mostrar à cidade que existe responsabilidade na postulação. Jamais faria uma candidatura centrada num projeto pessoal. Para que ela tenha naturalidade numa cidade das dimensões de São Paulo, é fundamental que ela tenha lastro nos partidos, num projeto. Se não, eu não teria nenhum problema em não ser candidato, ficaria contente pelos resultados da boa gestão.

Esse lastro existe. O seu partido tem manifestado, de forma muito expressiva, a idéia de que o sr. é candidato.

Sim, o partido apresenta a minha candidatura e é muito natural que o faça, assim como cada partido tem a sua. O que eu tenho dito é que, como existe uma aliança em São Paulo, é muito correto e natural que a gente procure manter essa aliança para preservar a dimensão do lastro. Essa é a prioridade, para que a gente não enfraqueça o projeto político que governa a cidade.

O sr. tem crescido a cada pesquisa. O nível de conhecimento popular do seu nome é satisfatório?

É. Aliás, eu tenho uma situação peculiar. Assumi o cargo de prefeito sem nunca ter disputado uma eleição majoritária. À medida que eu fui tendo visibilidade e as ações da prefeitura também, e a gestão é muito boa, é muito gratificante ver as pessoas reconhecendo a boa gestão.

O que seria fundamental para definir a sua candidatura? A opinião do governador Serra, por exemplo?

Ela é fundamental. A aliança em São Paulo é como se fosse um único partido. E a aliança em São Paulo tem um líder. E o líder, evidente, é o Serra. Assim como o presidente Fernando Henrique, que tem um papel preponderante. Assim como o presidente Jorge Bornhausen, o presidente Rodrigo Maia. São todos figuras importantes nesse processo.

O sr. está dizendo que...

São Paulo é uma questão nacional.

E naturalmente o candidato será decidido nesse fórum?

Em processo de discussão com a direção nacional. E não será diferente este ano. É sempre uma diretriz nossa, em São Paulo, associarmos nossas decisões à direção nacional.

Para onde PSDB e Democratas podem crescer?


Se ganharmos as eleições em São Paulo e Belo Horizonte, por exemplo, chegaremos às eleições de 2010 governando dois dos principais Estados e suas respectivas capitais. Quando Serra foi candidato, em 2002, não tinha o governo de Minas e nem as prefeituras de São Paulo e Belo Horizonte. É uma situação bem diferenciada.

Se o sr. for candidato, dê uma boa razão para o eleitor votar no sr.

Se eu for candidato é porque haverá continuidade de um projeto para a cidade, fruto de uma vontade coletiva, e não pessoal. Hoje a cidade tem projeto e será a continuidade desse projeto.


ENTREVISTA - GILBERTO KASSAB - Folha de São Paulo

Saúde e educação são os piores problemas de SP

Prefeito criticou a gestão Marta Suplicy (PT), possível adversária na eleição, e disse que fará mais CEUs do que ela

ROGÉRIO GENTILE
EDITOR DE COTIDIANO

EVANDRO SPINELLI
DA REPORTAGEM LOCAL

O PREFEITO GILBERTO KASSAB (DEM) considera a educação e a saúde como os piores problemas de São Paulo. Na resposta ao questionamento da Folha, deu maior ênfase à educação que, segundo ele, atinge metade da população da cidade -incluindo os pais.
Kassab recebeu ontem a Folha pouco antes de se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na inauguração de uma unidade do INSS, a quem elogiou. Na entrevista, evitou falar sobre candidatura à reeleição, mas disse que começará a discutir o assunto no início de 2008. Questionado, criticou a gestão de Marta Suplicy, possível adversária na eleição, e disse que fará mais CEUs do que ela.

FOLHA - O que falta para o senhor decidir se será candidato ou não?
GILBERTO KASSAB -
Ninguém me cobra essa questão de posicionamento nas eleições. Até porque não está na pauta. O melhor indicativo de que a decisão é correta, de começar a refletir sobre o tema [só] ano que vem, é a população, que não me cobra.

FOLHA - Qual é o prazo?
KASSAB -
No início do ano você começa a fazer umas análises.

FOLHA - O senhor tem mais medo da Marta ou de Alckmin?
KASSAB -
Não me preocupo, porque não está na pauta. Para se preocupar, você precisa de uma análise maior. Eu não tenho feito nenhuma análise.

FOLHA - É possível que PSDB e DEM tenham duas candidaturas?
KASSAB -
Nunca os Democratas e o PSDB tiveram uma aliança tão sólida. Juntos, elegeram Serra e eu à prefeitura; juntos, elegeram Serra e Goldman, e quase elegeram o Afif; juntos, fazem oposição ao governo federal. É muito natural que existam, quando o assunto começar a ser discutido, critérios que procurem direcionar para a manutenção da aliança.

FOLHA - Do lado do PT, quem será candidato? Marta?
KASSAB -
Acho que o PT não tem essa definição. Até porque eles estão vivendo um processo de eleição interna. Eu, pelo menos, não tenho conhecimento de nenhuma discussão.

FOLHA - A Marta não será?
KASSAB -
É eventual candidata.

FOLHA - Marta foi boa prefeita?
KASSAB -
Como qualquer gestão, teve seus altos e baixos. Se achássemos que merecesse a aprovação da cidade, o Serra não teria sido candidato para enfrentá-la. É evidente que temos muitas discordâncias.

FOLHA - Onde ela foi mal?
KASSAB -
No campo social, na saúde, educação.

FOLHA - Ela fez os CEUs.
KASSAB -
Ela fez 21, nós faremos 25. Na área social, foi uma gestão que teve dificuldades para apresentar resultados expressivos.

FOLHA - E onde ela foi bem?
KASSAB -
É difícil identificar avanços. Acho que [o governo Marta] foi positivo para a cidade, mas faltaram muitas ações para aperfeiçoar, talvez no campo... Mesmo no campo dos corredores de ônibus, eu ia falar, mas não... É difícil elogiar uma gestão de que você discorda e, por isso, apresentou uma alternativa: o Serra e eu, como vice. Então você tem dificuldades para elogiar.

FOLHA - Não há continuidade de projetos, como os CEUs?
KASSAB -
Sim. Aliás, não paramos nada.

FOLHA - O Serra tinha parado.
KASSAB -
Imagina. O Serra começou 5 dos 25.

FOLHA - E fez duras críticas, dizendo que era caro, desnecessário.
KASSAB -
Também faço. Nós mudamos o projeto. Hoje eles são mais bem distribuídos, cabem mais alunos, são projetos mais inteligentes, [têm] manutenção mais barata.

FOLHA - Por que São Paulo vai tão mal nas avaliações escolares?
KASSAB -
A complexidade de administrar São Paulo é muito maior do que qualquer outra cidade. Também no campo da educação. Nós temos, na cidade de São Paulo, 2,2 milhões alunos, metade na prefeitura, metade no Estado. Nas administrações anteriores, faltou priorizar o social: saúde, educação e assistência social. É evidente que os resultados, se essa priorização tivesse acontecido, seriam bem melhores.

FOLHA - Quando o senhor acha que os resultados vão aparecer?
KASSAB -
Não é possível que não melhore quando você dá uma atenção, uma prioridade, como nós estamos dando nesta administração. São inúmeras ações muito expressivas. Como as condições serão melhores, os resultados vão ser melhores.

FOLHA - Qual é o maior problema de São Paulo?
KASSAB -
Saúde e educação, quando a gente fala de 2,2 milhões de crianças na rede pública. Uma continha: bota só pais e mães, sobe para 5,3 milhões com nome, endereço, RG. Pai, mãe e aluno. É metade da população da cidade. É evidente que elas não estão tendo o ensino público que a cidade poderia oferecer. E, muito provavelmente, são essas pessoas que precisam de saúde pública.

FOLHA - Por que o projeto da cracolândia está demorando tanto?
KASSAB -
Nova Luz? Não existe, acabou cracolândia.

FOLHA - Se o senhor passar ali depois das 21h, vai ver que existe cracolândia ainda.
KASSAB -
Você tem um imóvel seu, o poder público chega, desapropria e estipula um valor. Você tem o direito de contestar. É a democracia. A primeira fase é lenta. Agora, já avançamos muito nesta primeira fase.

FOLHA - Dá para levar a sério uma Câmara que, no mesmo dia, aprova o rodízio e acaba com ele?
KASSAB -
Estava tão equivocada essa postura da Câmara, que o vereador [Ricardo Teixeira, PSDB] retirou o projeto.

FOLHA - Isso não elimina a sensação de que a Câmara vota de acordo apenas com compromissos políticos. A maioria dos parlamentares nem leu o que votou.
KASSAB -
Prefiro fazer uma análise diferente. O Legislativo paga o preço dos seus equívocos perante a opinião pública. As eleições são feitas para ratificar os mandatos ou não, renovar, mudar. Mas também tem o lado positivo. Os bons projetos foram aprovados. Eu falo no campo da saúde, por exemplo. As parcerias com as organizações sociais. E foi um projeto aprovado pela Câmara. A criação das AMAs [Assistência Médica Ambulatorial, que tem como função o atendimento não agendado de pacientes portadores de patologias de baixa e média complexidade]. Então, errou a Câmara com a aprovação [dos projetos do rodízio], lógico que errou. Tanto errou, que ela voltou atrás. E, se não voltasse, pagaria pelo erro.

FOLHA - O fim da CPMF atrapalha sua gestão em alguma coisa?
KASSAB -
O governo federal vai ter que redimensionar os seus gastos. Essa resposta é muito difícil de dar porque cabe ao governo, depois, avaliar onde, e o presidente Lula tem tido muito bom senso e uma excelente relação conosco. Se tiver que fazer cortes, ele vai fazer cortes em algo que ele acha que vai ser menos nocivo para o desenvolvimento do seu programa.

FOLHA - O senhor acha que o Congresso agiu certo ou foi um erro?
KASSAB -
O Congresso e o Poder Executivo erram na medida em que eles não fazem a reforma tributária. Toda essa polêmica em relação à CPMF não existiria se tivesse sido feita a reforma tributária.

FOLHA - Não haverá redução de repasse para a prefeitura?
KASSAB -
Confio no bom senso do presidente. O que tem sido importante fazer, em São Paulo, ele tem feito.

FOLHA - Por exemplo, as AMAs, o senhor tem quase 50 a fazer para cumprir a meta.
KASSAB -
Já estou inaugurando algumas neste ano. Até março a meta é inaugurar cem.

FOLHA - É a principal medida de seu governo?
KASSAB -
Acho que tem um conjunto de projetos que sinto que têm uma avaliação muito positiva. As AMAs, a construção de dois novos hospitais -M'Boi Mirim e Cidade Tiradentes-, a informatização da rede. Há três anos, faltava remédio todo dia. Há quanto tempo, na Folha, vocês não dão notícias de que falta remédio? A reforma das UBSs, a construção de 25 CEUs no contexto de acabar com o terceiro turno, de quase 200 escolas, a reforma e manutenção. A Cidade Limpa.

FOLHA - O que o sr. está lendo?
KASSAB -
No momento? Prefeitura, prefeitura, prefeitura.

FOLHA - Não dá para ler?
KASSAB -
Até daria, mas no momento, não.

FOLHA - Vida particular fica completamente comprometida?
KASSAB -
A vida particular é muito integrada com a vida do prefeito. Você vai a uma peça de teatro, mas a peça faz parte do calendário da prefeitura, vai ao cinema, é a Mostra Internacional de Cinema. Confunde um pouco, mas é gratificante.

FOLHA - Os vizinhos batem na porta para pedir as coisas?
KASSAB -
Não. Mas também quase não fico em casa.

FOLHA - Reclamaram da obra do shopping Iguatemi. Está resolvido o problema?
KASSAB -
Não me envolvi nisso. Achei que não seria ético.