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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Carnaval: número de turistas deve crescer 15%

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Secretário de Turismo espera visita de 735 mil pessoas e a estimativa é que eles gastem R$ 870 milhões no Rio

Jacqueline Costa e Luiz Ernesto Magalhães

O GLOBO

Pelo menos no que se refere ao turismo, este carnaval será melhor que àquele que passou.
Segundo o secretário municipal de Turismo, Ruben Medina, 735 mil visitantes passarão a folia no Rio. Ainda de acordo com o secretário, em comparação a 2007, o número é 15% maior, principalmente por influência do turismo náutico. A estimativa é de que eles gastem US$ 500 milhões (cerca de R$ 870 milhões) por aqui até o fim da próxima semana.
De sábado a terça, dez transatlânticos vão passar pelo Rio de Janeiro. Mais de 39 mil pessoas movimentarão o Píer Mauá durante a folia e a expectativa de gastos só dos turistas marítimos na cidade gira em torno de US$ 17,4 milhões, o equivalente a R$ 24 milhões.

No carnaval passado, foi registrada a movimentação de 25 mil visitantes a bordo de 12 transatlânticos. Este ano, embora o número de embarcações seja menor, os navios são bem maiores, alguns com capacidade para até cinco mil turistas e tripulantes, como é o caso do Costa Clássica.

— Em 2007, o movimento de turistas no Carnaval ficou prejudicado porque estávamos no auge da crise aérea. A situação agora melhorou e isso se reflete na quantidade de visitantes na cidade — disse Medina.

Recorde de visitantes chegando pelo mar No domingo, sete navios estarão atracados simultaneamente no Píer Mauá, desembarcando mais de 22 mil visitantes na cidade, o que representa um recorde de turistas chegando, por mar, num mesmo dia. Pela primeira vez, a prefeitura fará uma pesquisa entre os turistas para traçar o perfil desses visitantes.

Segundo a Riotur, desde 1997, quando foi editada a emenda constitucional que permite que navios estrangeiros aportem no Brasil, o setor cresceu mais de 1000%. Nesta temporada, o crescimento foi de 240% em relação aos quatro últimos anos.

— O crescimento do turismo náutico vem superando as expectativas. Para aproveitar a vocação natural da cidade, estamos profissionalizando o setor. Através do programa Rio Hospitaleiro, qualificamos no ano passado 7.500 profissionais, que agora estão preparados para receber melhor o turista — disse o secretário municipal de turismo, acrescentando que o programa terá continuidade, com cursos de inglês, hospitalidade, chefe de cozinha e garçom.

Taxa de ocupação dos hotéis está abaixo do esperado Apesar do otimismo de Medina, a taxa de ocupação da rede hoteleira ainda estava em 80% ontem, abaixo dos 90% esperados pelos empresários. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH), Alfredo Lopes, acredita que a meta só será alcançada caso o tempo melhore durante o fim de semana.

— Os estrangeiros já foram 70% dos turistas que se hospedam em hotéis durante o carnaval.

Com a crise aérea e a redução da oferta de vôos, os hotéis passaram a depender muito mais do mercado nacional.

Esse turista geralmente viaja de carro e fica atento ao clima — explicou Lopes.

domingo, 20 de janeiro de 2008

IPTU: moradores do Rio fazem passeata e recolhem assinaturas para abaixo-assinado


Júlia Motta - O Globo e O Globo Online

RIO - Cerca de 300 moradores do Rio de Janeiro participam de uma manifestação contra o aumento do IPTU e a desordem urbana no município, na orla do Leblon, Zona Sul da cidade, na manhã deste domingo. Enquanto a maior parte do grupo faz uma passeata pela orla, alguns manifestantes recolhem assinaturas para um abaixo-assinado que será enviado ao Ministério Público. Os moradores pedem que seja apurada o destino dos recursos do IPTU dado pela Prefeitura, uma vez que, segundo eles, a cidade vive um quadro de abandono.

Os manifestantes deixaram o ponto de concentração, na esquinas das avenidas Bartolomeu Mitre e Delfim Moreira, por volta das 11h, e seguiram em passeata até Ipanema. Pelo caminho, o grupo recebeu o apoio de banhistas, que aplaudiam o movimento e protestavam contra o prefeito Cesar Maia. Desde que 14 associações de moradores de 11 bairros do Rio iniciaram uma campanha para só pagar o IPTU depois das eleições , o aumento do tributo tem sido criticado pelos cariocas.

No sábado, após pouco mais de um mês do início da queda-de-braço entre cariocas e autoridades municipais com relação ao pagamento do IPTU, Cesar Maia anunciou que vai voltar atrás na decisão de aumentar o valor do imposto de imóveis anteriormente cadastrados como Unidades Autônomas Populares (UAPs), que em alguns casos provocou reajuste de mais de 300% . Mesmo assim os moradores do Rio resolveram manter a manifestação deste domingo.

A notícia da revogação pegou de surpresa moradores de Vila Isabel, que fizeram no sábado um plebiscito para decidir se aderem ao movimento de boicote ao pagamento do IPTU. Dos 1.183 moradores que votaram, 1.135 disseram "sim" ao boicote, 37 "não", 9 votaram em branco e dois anularam. O aposentado Paulo Fonseca Areta, de 87 anos, comemorou a notícia. Ele contou que seu IPTU subiu de R$ 114,30 para R$ 345,03.

- Essa é uma vitória do povo. É uma prova de que é possível fazer alguma coisa. A rua em que moro não tem sequer iluminação - disse o aposentado.

Perguntado sobre a razão da mudança e se ela não acarretará uma perda de receita (a previsão era de que o município tivesse um acréscimo de R$ 20 milhões na arrecadação), Cesar respondeu:

Moradores de Vila Isabel participaram de um plebiscito para decidir sobre boicote ao IPTU, no sábado. Foto: Ricardo Leoni

- Nunca visamos receita, mas apenas corrigir uma distorção. No entanto, simultaneamente ao decreto (de reclassificação das UAPs), os contribuintes deveriam ter recebido uma notificação da prefeitura informando e esclarecendo a questão, o que não foi feito. Lembro que nem todos os que tiveram seu IPTU alterado pela correção dos critérios tiveram o imposto aumentado. Erros se corrigem. Foi o que ocorreu.

Demos: Façam o que eu digo e não o que eu faço!

Os demos Gilberto Kassab e Cesar Maia: em comum aumento da carga tributária

A população do Rio de Janeiro está revoltada contra Cesar Maia e começou uma greve de IPTU. Os cariocas consideram abusivo o alto imposto e pouco o retorno do que arrecada o Demo Cesar Maia. Os jornais, O Globo, Extra, Jornal do Brasil dedicam espaço diário à revolta da população contra o prefeito de Rio.

Em São Paulo, o Demo Kassab se ufana de arrecadar o dobro do orçamento de Marta Suplicy e tem, no prefeito internauta do Rio, um dos principais apoios à sua candidatura à prefeitura de São Paulo.

A ambos e aos Demos em seu conjunto se aplica a perfeição a frase: façam o que eu digo e não o que eu faço!

A principal bandeira, quase a única, do mantra dos Demos é a carga tributária... dos outros.

Poderia-se pensar que a luta dos demos contra os impostos é uma espécie de autocrítica. Quando eram governo com FHC ocorreu a maior alta da carga tributária em relação a riqueza produzida no Brasil: ela foi de 22% do PIB a 36% no fim do mandato em 2002 (cito as cifras de memória).

Mas não é autocrítica não. É hipocrisia. Vendem uma coisa e fazem outra. Leia a seguir o artigo do jornal O Estado de São Paulo que prefere falar dos Maias, para melhor proteger Kassab , os Demos e o PSDB.
(porque não indicar, por exemplo, que os domicílios isentos de IPTU em São Paulo passaram de 1.200 milhão na gestão Marta, a 900 mil hoje por conta do reajuste do valor venal dos imóveis).

Mesmo assim vale a leitura

Clã Maia exibe bandeiras opostas

Enquanto Rodrigo briga pela reforma tributária, o pai tenta reforçar cofres do Rio manejando com IPTU e ISS

Alexandre Rodrigues e Wilson Tosta, RIO

O Estado de São Paulo

Com a derrota da prorrogação da CPMF no Senado, a oposição abraçou a bandeira da redução da carga tributária. O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), já disse que o tema será obrigatório nas eleições deste ano, mas a redução de impostos não está na pauta do pai dele, o prefeito do Rio, Cesar Maia. Apesar de não elevar alíquotas, Maia tem buscado recursos para aumentar a arrecadação dos dois principais impostos municipais: o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) e o Imposto Sobre Serviços (ISS).

Maia enfrenta um movimento crescente de cariocas insatisfeitos com sua administração - marcada nos últimos anos pela desordem urbana -, que ameaçam pagar em juízo o IPTU ou adiar a quitação das cotas para novembro, depois das eleições, para frustrar os planos eleitorais do prefeito. A insatisfação cresceu com a chegada dos carnês, na semana passada. Com um decreto do prefeito que revisou a classificação de imóveis como populares, muitos se surpreenderam com o reajuste repentino do tributo de até 300%. Diante da repercussão negativa, o prefeito anunciou ontem que vai revogar o decreto.

Em 2008, a prefeitura ainda reduziu para 7% o desconto para os contribuintes que optam pelo pagamento do IPTU em cota única. Nos últimos anos, o desconto vinha sendo de 10%. “Na verdade é um aumento de imposto. Mostra que Maia precisa de recursos. Na sua primeira eleição, o discurso do prefeito foi de redução do IPTU. Hoje, no último ano, ele aumenta. Uma medida impopular num ano eleitoral, mas ele não é candidato, né?”, diz o economista Luiz Mário Behnken, coordenador do Fórum Popular do Orçamento, uma ONG que acompanha o Orçamento carioca. Ele se refere à impossibilidade de Maia concorrer à reeleição, embora enfrente dificuldades para indicar um sucessor.

“É um esforço de aumentar receita em prejuízo do contribuinte. Não podemos dizer que é aumento de imposto formal, porque o desconto é uma faculdade do município, mas na prática o contribuinte perde o desconto de 10% e vai ter de pagar mais”, avalia Daniela Gusmão, presidente da Comissão de Assuntos Tributários da seção fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ).

A advogada esteve à frente do movimento que conseguiu fazer o prefeito recuar da decisão de aumentar a base de cálculo do ISS para profissionais liberais como advogados, médicos, arquitetos e contadores. A OAB-RJ ameaçou recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) e encheu as galerias da Câmara Municipal de advogados. Maia revogou o projeto.

Para Daniela, as tentativas do prefeito de aumentar a arrecadação vão na contramão da defesa de redução de impostos do DEM. “Esse é o discurso fácil da oposição. Simplesmente dizer que tem de reduzir impostos chega a ser irresponsável. O prefeito sente na carne que sem o corte de despesas não é possível fazer isso. Ele não pode fazer.”

SIMILARIDADES

Para Behnken, Maia, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem cada vez menos espaço para reduzir receita, pois os gastos têm aumentado, principalmente com o pagamento da dívida com a União. “As receitas do Rio são crescentes, mas Cesar está amarrado pelo crescimento dos gastos”, afirma, referindo-se a levantamento feito pelo fórum que indica o aumento de despesas com investimentos e dívidas desde 2005. Boa parte dos investimentos ficou nas obras do Pan, que totalizaram R$ 1,2 bilhão e consumiram mais de 50% do previsto pela prefeitura em 2006 e 2007.

A prefeitura também provocou polêmica no ano passado ao incluir a espessura de pilares e paredes no cálculo da área de imóveis recadastrados para a cobrança do IPTU. Alguns contribuintes tiveram reajustes de até 20%. A medida só aumentou a insatisfação de líderes comunitários que, diante da desvalorização de imóveis pela favelização e a crescente deficiência dos serviços municipais, lideram um movimento para o pagamento do imposto em juízo. “Cesar nunca esteve preocupado em diminuir o que o cidadão gasta com imposto”, diz João Fontes, presidente da Associação de Moradores do Leblon.

REAÇÃO

“Nunca aumentei qualquer alíquota de impostos”, reage o prefeito, incluindo sua gestão sobre o ICMS como secretário de Fazenda do ex-governador Leonel Brizola, na década de 80. Segundo Maia, a correção da área foi feita apenas nos imóveis cuja medição estava errada e não provocou aumento do IPTU.

Ele sustenta que a redução do desconto para estimular a antecipação do imposto não eleva a arrecadação e é um ajuste ao cenário de queda da inflação e taxa de juros. Para Maia, a reforma tributária deve reduzir proporcionalmente impostos de cidades, Estados e União. “Desde que a redução seja proporcional às receitas tributárias próprias ou transferidas, e em todos os níveis de governo, estou de acordo.”

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Fadiga de material: Rejeição a Cesar Maia sobe de 25% para 31%


Prefeito do Rio de Janeiro, que está no terceiro mandato, tem aprovação de 33% dos 640 ouvidos pelo Datafolha

Entrevistados deram à administração nota 5,1, em média, e disseram que principais problemas da cidade são segurança e saúde

SERGIO COSTA
DA SUCURSAL DO RIO
FOLHA DE SÃO PAULO

Em seu terceiro mandato na Prefeitura do Rio de Janeiro e há quase sete anos consecutivos no poder, Cesar Maia (DEM) enfrenta hoje o crescimento da reprovação a seu governo, segundo a pesquisa do instituto Datafolha realizada no final de novembro.
A gestão é avaliada como ruim ou péssima por 31% dos entrevistados -seis pontos percentuais a mais do que no último levantamento (25%), realizado em março deste ano.
O prefeito é aprovado por 33% -oscilação positiva de um ponto percentual em relação a março. Os eleitores que consideram Maia regular oscilaram para baixo, no limite da margem de erro -de quatro pontos: de 39% para 35%.
Sua média ficou em 5,1, quinto lugar entre os nove prefeitos avaliados pelo Datafolha (veja quadro ao lado).
A maior aprovação de Cesar Maia, 63, na série histórica do Datafolha, foi 52% de ótimo/ bom ao fim do seu primeiro mandato (1993/96), em dezembro de 1996. Em julho de 2006, tinha 37%.
Com os 33% de agora, a seqüência decrescente de aprovação indica que Maia pode estar sofrendo do mal que costuma atribuir a adversários com a expressão "fadiga de material". São quase 15 anos como principal nome da política local.
O Datafolha mostra que, para 36% dos moradores, o principal problema do Rio associado à prefeitura é o item "segurança/violência/criminalidade" -a segurança, porém, é atribuição do governo do Estado.
Em segundo lugar (18%), aparece o setor de saúde.
Para 18%, Cesar Maia não está se saindo melhor em nenhuma área. O quesito mais bem avaliado pelos entrevistados nesta questão foi "educação/ escolas/creches", com 10% das respostas espontâneas.
Quando a pergunta se inverte ("em qual área a prefeitura está se saindo pior?"), o quesito saúde recebe 23% das respostas, seguido de "segurança/violência/criminalidade" (21%).
O instituto Datafolha realizou 640 entrevistas com eleitores do Rio entre os dias 26 e 29 de novembro. O levantamento tem uma margem de erro de quatros pontos percentuais para mais ou para menos.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Cesar Maia parou 64% das obras de contenção, disse JB

Não foi fatalidade

Duilo Victor e Renata Victal

A Meta Anual de Trabalho da Geo-Rio, no começo do ano, era clara: seria necessário fazer obras em 38 encostas, incluindo drenagem e recuperação. No entanto, apenas 14 frentes estão sendo realizadas. As outras 24 estão paradas, sem nenhuma previsão. Já o programa de manutenção e recuperação de obras existe, mas não chegou a ser executado. Estavam previstas quatro recuperações e manutenções. A informação, levantada pela equipe do vereador Eliomar Coelho (PSOL), foi confirmada pelo diretor de obras da Geo-Rio, Márcio Machado, e talvez explique o desmoronamento de 7 mil toneladas de terra nas entradas de duas galerias do Rebouças na manhã de quarta-feira.

- Temos em andamento 14 contratos que resultam em 35 frentes de trabalho. Estamos investindo cerca de R$ 7 milhões em contenção. São obras preventivas e corretivas - garante.

Na avaliação do engenheiro, o trabalho mais importante é o que está sendo realizado na Rua Pinheiro Machado, em Laranjeiras.

- Ali há o risco de desplacamento de laje rochosa ao lado da Universidade Santa Úrsula. Também concluímos uma obra importante na Rocinha. Todas estas obras são importantes porque evitam gastos maiores de obras emergenciais. Elas devem ser feitas - avalia.

Apesar das boas intenções do diretor, as obras não são realizadas por falta de verba. Foi a constatação de auditores do Tribunal de Contas da União. Uma inspeção realizada pelos auditores no Programa de Contenção de Encostas da prefeitura entre 1996 e 2006 revelou que obras sem caráter emergencial eram empurradas para o orçamento dos anos seguintes, e o que era preventivo tornava-se urgente. Os números mostram que, em 1996, a Geo-Rio gastou R$ 43,547 milhões em obras do programa e que, no ano passado a quantia despencou para R$ 2,598 milhões.

É justamente uma obra emergencial, ainda sem custo estimado, que será realizada para a remoção de lama na entrada do Rebouças e contenção daquela encosta. Com duração prevista de seis meses, ela só terá início quando a chuva cessar. De acordo com o diretor da Geo-Rio, serão construídos três muros de contenção atrás do já existente em cima do túnel.

- Já estamos elaborando o projeto. Vamos fazer outros três muros, em níveis diferentes, para não ter nenhuma possibilidade de novo desmoronamento - explicou um solícito Machado.

A expectativa do secretário municipal de Obras, Eider Dantas, é de reabrir o trânsito no túnel em, no máximo 72 horas.

- Só vamos liberar o trânsito no túnel entre 48 e 72 horas depois que a chuva parar. Vamos trabalhar com uma margem de segurança - argumenta.

Hoje, técnicos da prefeitura vão colocar um corante em duas tubulações, de duas polegadas cada, encontradas em meio à terra no alto do túnel. O objetivo é descobrir a origem da água.

Visivelmente irritado com a insistência da equipe do JB, que queria saber a localização dos canos para seguir até lá e fotografá-los, ele não titubeou:

- Você pode subir de carro e pedir autorização para o tráfico.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

blefe? Sérgio Cabral afirma que pode ser candidato a prefeito do Rio de Janeiro

Aloysio Balbi - O Globo

Foto: arquivo

CAMPOS - O governador Sérgio Cabral disse na tarde desta terça-feira, durante a inauguração da ponte sobre o Rio Paraíba do Sul, em Campos, que pode renunciar ao mandato e sair candidato à Prefeitura do Rio nas eleições do ano que vem. Segundo Cabral, o Rio não pode interromper a continuidade de parceria com o governo federal, risco que corre caso seja eleito um candidato da aliança do ex-governador Garotinho com o prefeito Cesar Maia, ambos ferrenhos adversários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

- Vou para o sacrifício se necessário. Não estou blefando. Deixo o Governo e disputo para ganhar a Prefeitura do Rio - afirmou.

O vice-governador do Rio, Pezão, que acompanhava Sérgio Cabral, disse que o assunto começou a ser discutido há dois dias:

- Se as eleições fossem amanhã, a estratégia seria essa. Eu estou pronto para governador o Rio.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Monstros na cama

LUIZ GARCIA

O Globo (para assinantes)

Primeiro, cultura para o povo: a expressão “estranhos companheiros de cama” não tem, na origem ou no uso corrente, qualquer conotação de safadagem. Graças à erudição instantânea que nos oferece o Google, podemos informar que ela tem berço shakespeariano.

A mais antiga referência conhecida aparece em “A tempestade”, a propósito de um náufrago que desperta em terra firme e se vê na companhia de um monstro, um “strange bedfellow”.

Em português, a expressão mais parecida é união dos contrários. Não tem a mesma graça.

A partilha de travesseiros hoje ensaiada pelo prefeito Cesar Maia, dos Democratas — “dems” na intimidade — e o ex-governador Anthony Garotinho, do PMDB, tem o objetivo imediato de garantir que prefeituras importantes na Baixada Fluminense não caiam ou não continuem nas mãos do PT a partir de 2008.

Num mundo que sabemos não existir, a manobra seria repelida pelo eleitorado em qualquer etapa eleitoral. Afinal, Cesar e Garotinho, sempre cobertos de razão, já disseram um do outro coisas que o Papa não fala de Satanás.

Do prefeito sobre o ex-governador, por exemplo: “Nunca se viu, dentro de um governo, uma concentração de corrupção tão grande” (2004). Ou: “Só otário acredita em Garotinho nesta altura do campeonato” (2006).

E de Garotinho sobre Cesar: “A natureza dele é de confronto, beligerante... a coisa mais desagregadora da História.” Ou: “Ele não consegue explicar como é que mora num apartamento de R$ 1 milhão com salário de prefeito.” O petista Edson Santos, possível candidato a prefeito, definiu a aproximação entre prefeito e exgovernador como “abraço de coveiro”. Boa imagem.

Provavelmente custará a Edson um caixão de votos na região do Caju.

Exemplos de estranhas companhias em palanque não são raros na política brasileira. Com certeza, é algo que tem tudo a ver com a natureza do sistema partidário, tão fragmentado que o sucesso eleitoral exige acordos para todos os lados. Não se tem notícia de que uma aliança em qualquer nível — do municipal ao nacional — tenha fracassado porque o eleitor, com raiva e nojo, rejeitou o artificialismo das alianças. Pena.

No caso fluminense, a aproximação entre Cesar e Garotinho tem complicador curioso. A meta principal da união desejada é evitar o crescimento do PT no estado. Acontece que, pelo menos até agora, o governador Sérgio Cabral — do PMDB como Garotinho — está de namoro ostensivo com o presidente Lula, do mesmo PT.

Bastante confuso. Mas, em política, amanhã e depois de amanhã não falam a mesma língua. A aproximação com o DEM (que nome, que nome) pode ser conveniente para Sérgio mais adiante.

Desde, é claro, que não encha demais a bola de Garotinho, indesejável companheiro de palanque.

Podemos ficar por aqui um tempão, enumerando entretantos. Mas isso é ofício de analistas políticos.

Num exercício modesto de cidadania, limitemonos a mostrar um metro de estranheza e dois quilos de nojo ante a facilidade com que nossos homens públicos insistem em confirmar suas folhas corridas pulando, com tanta naturalidade e desfaçatez, uns nas camas de outros.

Merecem, todos, acordar na companhia de monstros shakespearianos.