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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Latem, Sancho, sinal que cavalgamos (2)

Destaque

Jornal VALOR:

"Os espanhóis têm procurado mais a costa brasileira por dois fatores: o primeiro deles, segundo fontes do setor, é a saturação do turismo no litoral sul da Espanha. Outro fator é que o atentado terrorista do 11 de setembro nos Estados Unidos e o tsunami na Tailândia acabaram tornando a costa brasileira mais atrativa e segura para turistas estrangeiros, sobretudo o europeu."


Receita com turista estrangeiro bate recorde


Cibelle Bouças - VALOR


A geração de divisas com turistas estrangeiros no país atingiu em 2007 o nível mais alto da história e ruma para novo recorde. O desempenho, no entanto, não foi suficiente para garantir maior ocupação nas redes hoteleiras. Levantamento da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), baseado em dados do Banco Central, revela que o número de turistas se manteve estável em 5 milhões de pessoas, mas a receita aumentou 14,76%, para US$ 4,953 bilhões - o valor mais alto já verificado. Para 2008 a expectativa é de incremento de 9%, chegando a US$ 5,4 bilhões.

"O foco principal tem sido a entrada de divisas. O número de visitantes é importante, mas só vale se for multiplicado pelo gasto diário e o número de dias", afirma Jeanine Pires, presidente da Embratur. O turista estrangeiro ficou em média dois dias a mais em território brasileiro, ou em torno de 18 dias. Os roteiros também se ampliaram em Santa Catarina e Rio Grande do Sul (sobretudo argentinos), Nordeste e Brasil Central (europeus).

O gasto médio diário aumentou 15%, para US$ 91,74, sendo que o turista europeu gastou em média US$ 1 mil por dia, conforme a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih-Nacional). Por essa razão, o público europeu é alvo de campanhas da Embratur e de grupos privados para atrair mais visitantes ao país. Segundo Jeanine, o número de espanhóis foi o que mais cresceu - 22%, para quase 260 mil.

Os espanhóis têm procurado mais a costa brasileira por dois fatores: o primeiro deles, segundo fontes do setor, é a saturação do turismo no litoral sul da Espanha. Outro fator é que o atentado terrorista do 11 de setembro nos Estados Unidos e o tsunami na Tailândia acabaram tornando a costa brasileira mais atrativa e segura para turistas estrangeiros, sobretudo o europeu.


Para Jeanine Pires, presidente da Embratur,
o número de visitantes só importa se é multiplicado pelos seus gastos

De acordo com Jeanine, as companhias aéreas já se prepararam para elevar a oferta de vôos vindos da Europa para o Brasil. "Com novos vôos da TAM e das espanholas Iberia e Aéreo Europa, o número de assentos ofertados chega a 12 mil por semana", afirma Jeanine. Em 2007, a oferta foi de 8 milhões, com ocupação média de 78%.

O número maior de vôos permitirá que o número de turistas estrangeiros aumente de 5% a 8% e, com eles, a receita. Dados preliminares apontam para janeiro uma receita com turistas estrangeiros superior a US$ 550 milhões, ante US$ 469 milhões em dezembro - o maior valor registrado foi de US$ 484 milhões, em janeiro de 2007.

Os números impressionam, mas não são suficientes para garantir a lotação das redes hoteleiras, que nos últimos anos receberam fortes aportes - sobretudo de grupos estrangeiros - para a construção de novos resorts, hotéis e apartamentos de segunda residência. Na Bahia, o grupo espanhol Iberostar constrói dois hotéis com total de mil apartamentos. Uma fonte do setor afirma que parte dos hotéis na Bahia teve ocupação abaixo do esperada, em função do aumento do número de leitos e dos problemas provocados pelo caos aéreo no verão de 2007.

No Rio Grande do Norte, os grupos Sánchez (espanhol), Brazilian Development (norueguês) e Ultra Classic (francês) farão investimentos em resorts e hotéis que elevarão o número de leitos para turismo de 30 mil para 80 mil em 12 anos. "Nos últimos três anos, o número de leitos já dobrou em Natal. Como o número de hotéis cresceu mais que o total de turistas, a taxa de ocupação diminuiu em algumas redes", afirma Fernando Fernandes de Oliveira, secretário de Turismo do Rio Grande do Norte.

Álvaro Bezerra de Mello, presidente da Abih-Nacional e presidente do conselho de administração da rede de hotéis Othon, observa que os efeitos da concorrência é notada na Bahia, no Ceará, em Pernambuco e no Rio Grande do Norte. "Há um número enorme de projetos de novos resorts e essa expansão preocupa", afirma.

Ricardo Domingues, diretor executivo da Resorts Brasil - associação que congrega 46 empreendimentos em 16 Estados - diz que o problema não está nos resorts. Esses, inclusive, sofreram redução de 4 pontos percentuais na taxa média de ocupação, que ficou em 49% em 2007. As redes possuem juntas 10,25 mil unidades habitacionais. Do total de turistas que passaram pelas redes, 70% eram brasileiros e 30% estrangeiros.

"O dólar baixo fez muitos brasileiros procurarem destinos no exterior. E janeiro foi prejudicado pela crise aérea", afirma. A queda da ocupação no verão passado, segundo ele, foi de 15 pontos percentuais e a receita obtida pelos resorts no período chega a 56% dos ganhos do segmento no ano. Ele garante, no entanto, que houve crescimento da procura pelas redes no quarto trimestre de 2007 e prevê, para este ano, um incremento na taxa média média de ocupação para 53%.

A Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) confirma o cenário mais otimista para 2008. A entidade estima que, com a normalização do transporte aéreo, a perspectiva de crescimento da economia e a oferta de crédito ainda alta, o turismo, tanto de brasileiros no exterior como de estrangeiros no país, registre incremento entre 15% e 20% neste ano.

Pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com a Embratur revela que 30,5% dos brasileiros pretendem viajar nos próximos meses, 12,9% mais do que em janeiro de 2007. Do total, 82,2% deverão visitar destinos turísticos nacionais, 5,4% mais que no ano passado. O percentual de brasileiros interessados em viajar para o exterior se manteve estável, em 15%.

No ano passado, conforme a Abav, a procura por viagens internacionais aumentou 15% em 2007, enquanto que, no mercado doméstico, as vendas de passagens tiveram incremento menor, de 7,9%. Os dados da entidade casam com os números divulgados pelo Banco Central, que apontou no ano passado um crescimento de 42,5% no montante gasto por brasileiros no exterior, para US$ 8,211 bilhões - outro recorde histórico.

Bezerra de Mello, da Abih-Nacional, cita outro efeito colateral causado pela evasão dos turistas brasileiros: eles acabam ocupando boa parte dos assentos nos vôos internacionais quando voltam para o país. "É difícil para o turista estrangeiro conseguir vôos para o Brasil. Isso sem contar as dificuldades para a obtenção de vistos, principalmente no caso de americanos, australianos e canadenses", afirma. A Polícia Federal divulgou recentemente que enfrenta dificuldades para atender à demanda para a emissão dos passaportes e que só há vaga para agendar entrevistas para emissão de passaportes a partir de janeiro de 2009.

De acordo com a Embratur, em 2007 a oferta total de assentos para vôos internacionais chegou a 8 milhões, com ocupação média de 78%. O número, segundo Jeanine, da Embratur, poderia ter sido maior, não fossem os problemas da Varig e a conseqüente redução do número de vôos fretados (charter) em 1,4 milhão de assentos no ano. "Mas com o aumento da oferta por outras companhias, tudo ficará mais fácil", afirma Jeanine. (Colaborou Raquel Salgado, de Salvador)

Carnaval: número de turistas deve crescer 15%

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Secretário de Turismo espera visita de 735 mil pessoas e a estimativa é que eles gastem R$ 870 milhões no Rio

Jacqueline Costa e Luiz Ernesto Magalhães

O GLOBO

Pelo menos no que se refere ao turismo, este carnaval será melhor que àquele que passou.
Segundo o secretário municipal de Turismo, Ruben Medina, 735 mil visitantes passarão a folia no Rio. Ainda de acordo com o secretário, em comparação a 2007, o número é 15% maior, principalmente por influência do turismo náutico. A estimativa é de que eles gastem US$ 500 milhões (cerca de R$ 870 milhões) por aqui até o fim da próxima semana.
De sábado a terça, dez transatlânticos vão passar pelo Rio de Janeiro. Mais de 39 mil pessoas movimentarão o Píer Mauá durante a folia e a expectativa de gastos só dos turistas marítimos na cidade gira em torno de US$ 17,4 milhões, o equivalente a R$ 24 milhões.

No carnaval passado, foi registrada a movimentação de 25 mil visitantes a bordo de 12 transatlânticos. Este ano, embora o número de embarcações seja menor, os navios são bem maiores, alguns com capacidade para até cinco mil turistas e tripulantes, como é o caso do Costa Clássica.

— Em 2007, o movimento de turistas no Carnaval ficou prejudicado porque estávamos no auge da crise aérea. A situação agora melhorou e isso se reflete na quantidade de visitantes na cidade — disse Medina.

Recorde de visitantes chegando pelo mar No domingo, sete navios estarão atracados simultaneamente no Píer Mauá, desembarcando mais de 22 mil visitantes na cidade, o que representa um recorde de turistas chegando, por mar, num mesmo dia. Pela primeira vez, a prefeitura fará uma pesquisa entre os turistas para traçar o perfil desses visitantes.

Segundo a Riotur, desde 1997, quando foi editada a emenda constitucional que permite que navios estrangeiros aportem no Brasil, o setor cresceu mais de 1000%. Nesta temporada, o crescimento foi de 240% em relação aos quatro últimos anos.

— O crescimento do turismo náutico vem superando as expectativas. Para aproveitar a vocação natural da cidade, estamos profissionalizando o setor. Através do programa Rio Hospitaleiro, qualificamos no ano passado 7.500 profissionais, que agora estão preparados para receber melhor o turista — disse o secretário municipal de turismo, acrescentando que o programa terá continuidade, com cursos de inglês, hospitalidade, chefe de cozinha e garçom.

Taxa de ocupação dos hotéis está abaixo do esperado Apesar do otimismo de Medina, a taxa de ocupação da rede hoteleira ainda estava em 80% ontem, abaixo dos 90% esperados pelos empresários. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH), Alfredo Lopes, acredita que a meta só será alcançada caso o tempo melhore durante o fim de semana.

— Os estrangeiros já foram 70% dos turistas que se hospedam em hotéis durante o carnaval.

Com a crise aérea e a redução da oferta de vôos, os hotéis passaram a depender muito mais do mercado nacional.

Esse turista geralmente viaja de carro e fica atento ao clima — explicou Lopes.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Ministério do Turismo amplia benefícios para a Melhor Idade

Ministério do Turismo amplia benefícios para a Melhor Idade Marta Suplicy assina novo acordo com o setor da hotelaria e apresenta resultados da primeira fase do programa Viaja Mais Melhor Idade

Brasília – A ministra do Turismo, Marta Suplicy, assinou hoje (11) acordo com a Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH), Associação Brasileira de Resorts (ABR) e Federação Nacional de Bares, Restaurantes, Hotéis e Similares (FNHRDS) para oferecer descontos de 50% no preço praticado nas tarifas cobradas do público da Melhor Idade, durante a baixa ocupação. “Nossa expectativa é que a partir de março de 2008, início do período de baixa ocupação, tenhamos a adesão de mil hotéis. A meta é chegarmos a setembro com mais 2,5 mil meios de hospedagens oferecendo vantagens para o público da terceira idade”, afirmou Marta Suplicy.

A tarifa 50% menor é um benefício que se somará aos já concedidos no Viaja Mais Melhor Idade, que será ampliado. O programa ultrapassou em 30% a meta estabelecida para a primeira fase, atingindo o total de 9 mil pacotes vendidos a pessoas com 60 anos ou mais, entre setembro e novembro, proporcionando um faturamento de R$ 7,65 milhões para o mercado de turismo no Brasil. O anúncio dos resultados foi feito pela ministra durante a abertura da 19ª reunião do Conselho Nacional de Turismo (CNT), realizada em Brasília.

Quando lançado, em setembro último, a expectativa inicial do Ministério do Turismo era de o mercado comercializar 7 mil pacotes no Viaja Mais Melhor Idade a preços reduzidos em períodos de baixa ocupação. Aposentados e pensionistas do INSS contaram com crédito consignado e juros abaixo de 1% para viajar a partir de São Paulo e Distrito Federal para 23 destinos. Em 2008, os benefícios do crédito consignado e dos juros baixos vão continuar, mas serão realizadas saídas a partir de 12 capitais.

As viagens do programa, a partir de março de 2008, terão origem, além de São Paulo e Distrito Federal, nos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Bahia e Amazonas.

Para a ministra do Turismo, o programa veio para ficar e está cumprindo seus objetivos de aumentar a movimentação nos destinos turísticos nos períodos de baixa ocupação e promover a inclusão social dos idosos “O Viaja Mais é não é um programa de ocasião, ele veio para ficar. Programas de estímulo a viagens de idosos já existem em outros países e eles tiveram dificuldades durante a implantação. No nosso caso, tivemos sucesso muito rapidamente”.

Em 2007, o programa começou oferecendo 14 cidades como destinos para viagens, e passou, ainda na primeira etapa, para 23. A partir de março de 2008, serão 35 cidades, proporcionando mais diversidade de roteiros aos beneficiados das condições especiais do Viaja Mais.

O objetivo, para 2008, é vender 50 mil pacotes, o que representa um incremento de quase cinco vezes em relação ao total das viagens realizadas nos três primeiros meses do Viaja Mais Melhor Idade, neste ano. Com esse avanço, os próximos passos do programa vão proporcionar um acréscimo relevante no faturamento das empresas de turismo.

Considerando o preço médio das viagens na primeira fase, ao redor de R$ 850 (incluindo passagens aéreas e rodoviárias, hospedagem, passeios, deslocamento e seguro-viagem), o mercado em potencial na próxima etapa é estimado em R$ 42,5 milhões. Esse cálculo não contabiliza o impacto gerado no comércio em geral das cidades visitadas.

A ampliação do Viaja Mais Melhor Idade também resultará em maior participação da cadeia dos serviços turísticos no País. Em vez de 13 operadores, a segunda etapa contará com 25 empresas que organizam os pacotes turísticos para atrair os idosos. Da mesma forma, o número de agências, que comercializam as viagens junto ao consumidor final, saltará de 971, na primeira fase, para 2.500.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Governo reduz impostos para setor hoteleiro

Incentivo ao turismo inclui ainda crédito para aposentado viajar

Isabel Sobral e Renata Veríssimo - O Estado de São Paulo (para assinantes)

O governo anunciou ontem medidas de incentivo fiscal ao setor hoteleiro e de estímulo ao turismo interno. Durante reunião do Conselho Nacional de Turismo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a redução de 10% para 5% da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de fechaduras eletrônicas, o que diminui custos do setor, e a depreciação acelerada de móveis, utensílios e máquinas, o que amplia descontos no Imposto de Renda (IRPJ).

A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih) informou que, com IPI menor, o preço de uma fechadura eletrônica deverá cair de US$ 250 para US$ 170. Já a depreciação acelerada, segundo o presidente da entidade, Eraldo Cruz, possibilitará a redução do IRPJ pago pelo setor. A medida permite que as empresas acumulem créditos de PIS e Cofins à medida em que os equipamentos são usados e os abatam no IRPJ.

Os incentivos só vão valer para investimentos que forem feitos até 31 de dezembro de 2010.

Mantega explicou que equipamentos usados pelo setor hoteleiro, como ar-condicionado e geladeiras, não tinham direito a depreciação acelerada por não serem considerados bens de capital. Com a medida, disse ele, o custo dos investimentos no setor será reduzido.

Os empresários, entretanto, não ficaram totalmente satisfeitos e querem novas medidas de desoneração fiscal. O presidente da Abih disse que o setor quer a redução do IPI sobre bens como geladeiras, televisores e ar-condicionado e a depreciação acelerada de imóveis. 'Não faz sentido o empresário pagar o mesmo que um consumidor comum por televisões e geladeiras e não é uma vergonha falar que o setor precisa de subsídios', afirmou.

VIAGENS

Durante o encontro, a ministra do Turismo, Marta Suplicy, informou que terá início este mês, em São Paulo e no Distrito Federal, a venda de pacotes turísticos em condições facilitadas para aposentados e pensionistas do INSS. A idéia é incentivar o turismo interno nos meses de baixa temporada. Segundo Marta, 8 milhões de segurados têm condições de utilizar o programa.

Os segurados com mais de 60 anos terão acesso a empréstimos com desconto em folha com taxas de 1% ao mês. O crédito será de no máximo R$ 3 mil e as prestações não poderão comprometer mais que 30% da renda mensal do beneficiário. Os financiamentos serão de 12 meses, com até seis de carência.

'O nosso cronograma inclui a extensão para mais oito capitais a partir de março e a todas as capitais até o fim de 2008', disse Marta. Os empréstimos serão operados pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil. Os recursos iniciais, de R$ 50 milhões, são do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Informações sobre a compra de pacotes podem ser obtidas pelo site www.viajamais.com.br ou pelo telefone 0800-7707202.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Hotéis do NE vêem queda de 30% com câmbio e crise aérea

Folha de São Paulo (para assinantes)

Diante de demanda abaixo da esperada durante as férias de julho, empresários do setor apontam risco de demissões

Rede hoteleira da Bahia registra ocupação de 55%, contra média de 70% no mesmo período do ano passado, diz associação

FÁBIO GUIBU
DA AGÊNCIA FOLHA, EM RECIFE

KAMILA FERNANDES
DA AGÊNCIA FOLHA, EM FORTALEZA

A rede hoteleira nos principais pólos turísticos do Nordeste registrou em julho um movimento até 30% abaixo do esperado. A desvalorização do dólar diante do real e o caos aéreo no país são apontados pelos empresários do setor como os responsáveis pela crise.

Na Bahia, o presidente da Abih (Associação Brasileira da Indústria dos Hotéis) estadual, Ernani Silveira Bettinati, vê risco de desemprego no setor. "Há uma queda acentuada no fluxo turístico desde o acidente com o avião da Gol, em setembro do ano passado", afirma.

Segundo Bettinati, o problema se intensificou com a desvalorização do dólar e se consolidou após o acidente com o Airbus da TAM, no último dia 17.

"Não sei o que foi pior", declarou, sobre o impacto do caos aéreo e da valorização do real no turismo local. Em julho, disse o dirigente baiano, o percentual de ocupação nos hotéis do Estado ficou em 55%, 15 pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo período em 2006. Formada por 192 mil leitos em 72 mil estabelecimentos, a rede hoteleira da Bahia gera 600 mil empregos diretos e indiretos.

Em Pernambuco, o fluxo de turistas neste mês ficou cerca de 30% abaixo do esperado na região de Porto de Galinhas (a 60 km ao sul de Recife), principal destino dos visitantes que buscam lazer no Estado.

O presidente da Abih de Pernambuco, José Otávio de Meira Lins, responsabiliza principalmente a cotação do dólar pelo problema. "Para o turismo de lazer do Nordeste, a questão do dólar tem reflexos mais graves que o acidente aéreo", afirmou. "Os turistas preferem viajar para o exterior ou embarcar em navios", disse.

Para tentar compensar as perdas, afirmou Lins, os hoteleiros pernambucanos têm buscado ampliar o mercado regional, que já representa 47% do fluxo de turistas no Estado.

"Trabalhamos num raio de mil quilômetros de Recife. A estratégia é ampliar uma fatia do mercado que não está preocupada com o dólar e pode viajar de carro, se for preciso."

Baixa ocupação
No Ceará, a baixa ocupação hoteleira em 2007 repete o desempenho de 2006, com 69% dos leitos ocupados. Em anos anteriores, no mês de julho a ocupação chegava a 95%.

Para o presidente da Abih do Ceará, Manoel Linhares, o problema está no setor aéreo. "Em 2006, era a Varig, que se dissolveu, reduzindo o número de vôos. Agora, o apagão aéreo", afirmou. A entidade representa 80% da rede hoteleira do Estado, com 17.700 leitos.

A ministra do Turismo, Marta Suplicy, reconhece a existência da crise. Na semana passada, afirmou que o governo já estudava medidas para compensar as desvantagens causadas ao turismo interno pela desvalorização do dólar.

Ela disse ter participado de reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e entidades do setor. Segundo ela, Mantega recebeu uma pauta de reivindicações que incluía, entre outros pontos, proposta de corte de impostos e a reestruturação da aviação regional.

Rede hoteleira perde 25% de ocupação. Marta leva queixas do turismo ao Conac

O Estado de São Paulo (para assinantes)

Maior queda no período de férias, de 30% a 40%, foi no Nordeste

Márcia De Chiara

A rede hoteleira nacional encerrou as férias de julho com queda de 25% em média de ocupação, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH). A região mais afetada foi o Nordeste, onde o recuo oscilou entre 30% e 40%, seguido pela Região Norte, com queda de 22% a 28% e a Centro-Oeste, onde a retração na ocupação variou entre 10% e 12%. O menor índice de queda foi registrado nas redes hoteleiras do Sul e do Sudeste, de 8% a 10%.

“Há resorts do Nordeste que demitiram cerca de 20% dos seus quadros”, afirmou o presidente da ABIH, Eraldo Alves da Cruz. A entidade reúne mais de 2 mil hotéis que, juntos, têm disponibilidade para atender 150 mil apartamentos.

Cruz lembra que a crise no setor começou em julho do ano passado, com o colapso na Varig, e se agravou com o acidente da Gol, em setembro. De lá para cá, o caos aéreo se intensificou e atingiu o ápice com o acidente da TAM, no dia 17.

Na semana do acidente com o avião da TAM, a ocupação nos 62 hotéis da rede Atlantica Hotels caiu 20%. Na segunda semana após a tragédia, o recuo foi de 15% e agora a ocupação já está retornando ao patamar normal, diz o vice-presidente da rede, Rafael Guaspari.

Além da crise aérea, Cruz pondera que a concorrência dos navios de cruzeiros e a queda na cotação do dólar também são fatores que contribuíram para a redução da ocupação na rede hoteleira ao longo deste ano.

PACOTES

As agências de viagens confirmam a retração. De janeiro a julho, a queda nas vendas de pacotes nacionais foi de 25% em relação ao mesmo período de 2006, enquanto os pacotes internacionais registraram acréscimo de 10% a 15%, segundo a Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav).

“No Nordeste, o prejuízo foi muito grande”, afirmou o diretor de Assuntos Internacionais da Abav, Leonel Rossi Júnior. Ele argumentou que, para reverter a crise no setor, a ampliação das vendas de pacotes turísticos rodoviários é limitada.

A saída para as agências de viagens, segundo o executivo, é aumentar os negócios com pacotes internacionais e cruzeiros marítimos. “Cerca de 60% dos cruzeiros marítimos para o próximo verão já estão vendidos”, afirma.

Neste ano, virão para a costa brasileira 14 navios que devem transportar 350 mil passageiros durante a temporada. No ano passado, foram 11 navios e 300 mil passageiros.


CRISE
20% dos funcionários

de alguns resorts nordestinos foram demitidos, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH)

15% foi o aumento
nas vendas de pacotes internacionais de janeiro a julho, ante o mesmo período de 2006, de acordo com a Associação Brasileira de Agências de Viagens


Marta leva queixas do turismo ao Conac


Isabel Sobral

A ministra do Turismo, Marta Suplicy, levou para a reunião do Conselho de Aviação Civil (Conac) a reclamação dos empresários do setor de turismo com relação às perdas de receita e faturamento, em razão da crise aérea, e também sobre a falta de respeito aos passageiros, nos aeroportos. A ministra admitiu que o segmento mais afetado, até o momento, é o de hotéis, particularmente no Nordeste, que informaram ter perdido no último mês 25%. Mas a ministra não soube precisar se essa perda é relativa a receita, movimento ou faturamento bruto. 'O setor foi duramente afetado e temos de levar em conta que ele emprega 2 milhões de pessoas formalmente e outros 6 milhões informalmente.'

Na sexta-feira entidades ligadas ao turismo se reuniram com ela para repassar os prejuízos do setor, após o agravamento da crise aérea. Marta Suplicy destacou que houve uma ênfase dessas entidades com relação ao respeito aos horários nos aeroportos. 'O setor prefere que haja menos passagens, se esse for o resultado da reestruturação da malha aérea, mas acredita que é melhor o passageiro ter a certeza de que embarcará no horário acertado em outro dia', disse a ministra.