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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Crime cai, mas roubo cresce em SP


No Estado de São Paulo, os seqüestros apresentaram redução de 58%; número de roubos aumentou 1,8%

Bruno Paes Manso - O ESTADO DE SÃO PAULO



Dos 15 tipos de crimes cujo balanço de registros é divulgado pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo, 11 tiveram queda no ano passado em relação a 2006. Entre eles estão seqüestros (-58%), roubo a banco (-35%), homicídio doloso (-19%) e latrocínio (-18%).

Apesar do bom desempenho na redução da criminalidade, o roubo, crime violento que registra o maior número de ocorrências, continua sendo um desafio para a segurança pública no Estado. No ano passado, foram registrados 210.724 casos, total 1,8% maior do que em 2006. Quase metade deles, 104.951 casos, ocorreram na capital, onde ocorreu um crescimento de 2,81% nesse tipo de ocorrência.

"Estamos trabalhando em cima disso. De certo modo, temos dificuldades, porque São Paulo é uma cidade, em geral, de trânsito congestionado, o que não deixa de ser um fator facilitador. Boa parte dos roubos ocorre no trânsito. Compramos 120 motos para o policiamento de trânsito, que mudou a filosofia e agora atua também para coibir assaltos contra motoristas", afirma o secretário de Segurança, Ronaldo Marzagão.

No balanço da criminalidade divulgado ontem, alguns crimes tiveram recordes de baixa em registros. É o caso do latrocínio (roubo seguido de morte), com 218 casos no Estado e 42 na capital, a menor marca desde 1995, ano em que os dados começaram a ser medidos. Os casos de latrocínio da capital registrados em todo o ano são menores que os números dos trimestres do começo da década, que ultrapassavam os 70 casos.

O roubo de carros é outro destaque e registra uma queda acumulada de 54% desde 2000, passando de um patamar de 31 mil casos por trimestre para 14 mil. A fragilidade no mercado paralelo de carros e as medidas das seguradoras para coibir o comércio de peças frias desestimularam a ação dos bandidos no setor, a ponto de os furtos de veículos também registrarem no último trimestre do ano a maior queda desde que a série começou a ser feita: 17,2%.

Os homicídios dolosos, da mesma maneira, continuam com forte tendência de queda. Na capital, foram 1.538 casos, ante 5.327 no ano 2000, uma queda de 71%. Apesar dos avanços, o problema dos assassinatos ainda está altamente concentrado em alguns redutos mais pobres e de urbanização mais recente, como é o caso do distrito de Marsilac, área de proteção ambiental no extremo sul da cidade, que teve 134 homicídios por 100 mil habitantes.

Na divulgação, a SSP também mostrou dados que apontam para uma atuação mais eficiente das forças policiais. Os 438 casos de homicídios cometidos por policiais em supostas resistências de suspeitos foi 24% menor do que o total de 2006 - ano dos ataques do Primeiro Comando da Capital - e bem abaixo do patamar de 800 casos registrados em 2003.

O total de presos em flagrante e por mandato voltou a crescer no Estado e hoje registra um patamar de 57 prisões por cada 1.000 delitos cometidos. Esse índice já foi maior no começo da década, quando alcançou o recorde de 75 casos por mil delitos. Isso gerou uma superlotação nas prisões e cadeias, que hoje tem 161 mil presos.

No combate ao tráfico de drogas, considerado pelo secretário de Segurança Pública uma das prioridades para tentar asfixiar a força do PCC, os números também são expressivos e registram novo recorde. Foram apreendidas 84,2 toneladas de drogas no Estado, maior quantidade desde que a série começou a ser feita, em 1995.

SP omite dados sobre seqüestros relâmpagos

Crime, principal causa de estresse pós-traumático em vítimas, é registrado como roubo qualificado

Adriana Carranca-O ESTADO DE SÃO PAULO


Apesar de ser um dos crimes mais traumáticos para as vítimas e de se tornar cada vez mais violento, o seqüestro relâmpago não aparece nos dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Nas estatísticas, o crime é computado como roubo qualificado, o que impede que se tenha a noção real do problema, principal causa de estresse pós-traumático em vítimas de violência, ao lado dos seqüestros com cativeiro.

"Talvez os roubos sejam mais freqüentes, mas causam muito menos danos nas vítimas", diz o psiquiatra Eduardo Ferreira-Santos, autor de Transtorno de Estresse Pós-Traumático em Vítimas de Seqüestro (Editora Summus), publicado em dezembro. "Quatro horas sob a mira de um revólver pode causar o mesmo trauma do que ser mantido em cativeiro por 40 dias", diz, após estudos com mais de 300 vítimas de seqüestros relâmpago que procuraram o Grupo Operativo de Resgate da Integridade Psíquica, coordenado por ele no Hospital das Clínicas, entre 2002 e 2005. Ao contrário de outros tipos de violência, que afetam psicologicamente quase duas vezes mais mulheres, o seqüestro relâmpago atinge os homens na mesma proporção, segundo Santos.

O advogado e jornalista Felipe Milanez, de 29 anos, parou o carro em uma rua para ligar para o amigo que o esperava. Um homem encostou na janela, com uma arma mirada em seu rosto. Outro colocou-se na frente do carro. Martinez foi obrigado a escrever num papel as senhas dos cartões de débito e de crédito e a entregá-lo para um terceiro, que estava de moto. Enquanto ele retirava o dinheiro nos caixas, Martinez ficou no carro sob a mira de dois revólveres por uma hora. Nervoso, ele errou as senhas e passou a ser ameaçado de morte. "Você está brincando com a gente?", gritavam. Sacados R$ 1 mil, os bandidos mandaram que Martinez ficasse no carro e se foram com as chaves. "Eu não sabia o que estava acontecendo, se iam voltar, se havia mais deles nas redondezas. Fugi assustado, com as pernas tremendo", conta. Desde então, as cenas não lhe saem da cabeça. "Não consigo mais ficar tranqüilo."

De acordo com o psiquiatra Marcelo Feijó, coordenador do Programa de Atendimento de Vítimas de Violência e Estresse da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), entre 15% e 20% das pessoas que sofrem violência com ameaça à vida adoecem. Entre as vítimas de seqüestro relâmpago, a prevalência pode ser maior.

"Quanto maior o risco à vida, mais probabilidade de desenvolver estresse", diz Feijó. Segundo ele, os seqüestros relâmpago têm se tornado mais violentos. "Percebemos claramente o aumento de casos de violência física e sexual em seqüestros. Os relatos são cada vez mais horripilantes."


FRASES

Eduardo dos Santos

Psiquiatra

"Talvez os roubos sejam mais freqüentes (que os seqüestros relâmpagos), mas causam muito menos danos nas vítimas"

Felipe Milanez
Vítima de seqüestro

"Eu não sabia o que estava acontecendo, se (os bandidos) iam voltar, se havia mais deles nas redondezas. Fugi assustado, com as pernas tremendo"

Desarmamento, projetos sociais e ação policial reduzem homicídios (5)

campanha do desarmamento 2003-2004



O direitoso Reinaldo Azevedo, aquele que pontifica na Veja seu panfletista discurso anti-PT, tem uma explicação singela para a queda da taxa de homicídios: o crescimento da população carcerária, especialmente no Estado de São Paulo.

Nada a ver com desarmamento, nem com projetos sociais -mantra esquerdistas inócuos- e sim com linha-dura, repressão e bandido na cadeia.

O simplismo é sedutor: mais bandidos na prisão=menos homicídios.

Tem dois poréns, pelo menos. Segundo os dados do governo estadual de São Paulo, diminuíram os homicídios, mas aumentaram os roubos. Salvo de pensar que a polícia está tirando homicidas das ruas e deixando os ladrões fora, a questão parece menos simplória e panfletaria do que nosso direitoso-demagogo pretende.

Em segundo lugar, a maioria dos homicídios no Estado são culposos e não dolosos, o seja aqueles sem intenção de matar. Mas tanto nos homicídios culposos ou dolosos, muitos, a maioria, são motivados pela violência domestica, o álcool e as altercações. São esses os mais sensíveis as medidas como desarmamento, fechamento de botecos em horas tardías, campanhas contra a violência domestica e no transito, crescimento do emprego, projetos sociais e culturais nas periferias, ação do Estado com educação, iluminação pública e saúde, trabalho das ONG's etc. Os assassinatos ligados a roubo, os latrocínios, são menos e é onde a ação policial para coibi-los é preponderante. (No Estado de São Paulo teve em 2007 quase 10 mil homicídios - 5.121 culposos e 4.877 dolosos- já os latrocínios foram 218 e mortos em confronto com a policia 438)

Nada disso anula ou diminuí a importância da ação policial, da construção de presídios, do aprimoramento da repressão e da inteligência policial. Mas como disse o sargento da PM, aqui no blog, "O Estado tem que se apresentar com “todos os seus braços” e não apenas o braço armado"

Luis Favre

Ver aqui no Blog

“O Estado tem que se apresentar com “todos os seus braços””

Desarmamento, projetos sociais e ação policial reduzem homicídios (4)

Carnaval: número de turistas deve crescer 15%

http://www.destination360.com/south-america/brazil/images/st/brazil-rio-carnaval.jpg

Secretário de Turismo espera visita de 735 mil pessoas e a estimativa é que eles gastem R$ 870 milhões no Rio

Jacqueline Costa e Luiz Ernesto Magalhães

O GLOBO

Pelo menos no que se refere ao turismo, este carnaval será melhor que àquele que passou.
Segundo o secretário municipal de Turismo, Ruben Medina, 735 mil visitantes passarão a folia no Rio. Ainda de acordo com o secretário, em comparação a 2007, o número é 15% maior, principalmente por influência do turismo náutico. A estimativa é de que eles gastem US$ 500 milhões (cerca de R$ 870 milhões) por aqui até o fim da próxima semana.
De sábado a terça, dez transatlânticos vão passar pelo Rio de Janeiro. Mais de 39 mil pessoas movimentarão o Píer Mauá durante a folia e a expectativa de gastos só dos turistas marítimos na cidade gira em torno de US$ 17,4 milhões, o equivalente a R$ 24 milhões.

No carnaval passado, foi registrada a movimentação de 25 mil visitantes a bordo de 12 transatlânticos. Este ano, embora o número de embarcações seja menor, os navios são bem maiores, alguns com capacidade para até cinco mil turistas e tripulantes, como é o caso do Costa Clássica.

— Em 2007, o movimento de turistas no Carnaval ficou prejudicado porque estávamos no auge da crise aérea. A situação agora melhorou e isso se reflete na quantidade de visitantes na cidade — disse Medina.

Recorde de visitantes chegando pelo mar No domingo, sete navios estarão atracados simultaneamente no Píer Mauá, desembarcando mais de 22 mil visitantes na cidade, o que representa um recorde de turistas chegando, por mar, num mesmo dia. Pela primeira vez, a prefeitura fará uma pesquisa entre os turistas para traçar o perfil desses visitantes.

Segundo a Riotur, desde 1997, quando foi editada a emenda constitucional que permite que navios estrangeiros aportem no Brasil, o setor cresceu mais de 1000%. Nesta temporada, o crescimento foi de 240% em relação aos quatro últimos anos.

— O crescimento do turismo náutico vem superando as expectativas. Para aproveitar a vocação natural da cidade, estamos profissionalizando o setor. Através do programa Rio Hospitaleiro, qualificamos no ano passado 7.500 profissionais, que agora estão preparados para receber melhor o turista — disse o secretário municipal de turismo, acrescentando que o programa terá continuidade, com cursos de inglês, hospitalidade, chefe de cozinha e garçom.

Taxa de ocupação dos hotéis está abaixo do esperado Apesar do otimismo de Medina, a taxa de ocupação da rede hoteleira ainda estava em 80% ontem, abaixo dos 90% esperados pelos empresários. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH), Alfredo Lopes, acredita que a meta só será alcançada caso o tempo melhore durante o fim de semana.

— Os estrangeiros já foram 70% dos turistas que se hospedam em hotéis durante o carnaval.

Com a crise aérea e a redução da oferta de vôos, os hotéis passaram a depender muito mais do mercado nacional.

Esse turista geralmente viaja de carro e fica atento ao clima — explicou Lopes.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Desarmamento, projetos sociais e ação policial reduzem homicídios (4)

campanha do desarmamento 2003-2004


A queda da taxa de homicídios no país é significativo e mostra que o caminho para reduzir a violência exige a ação combinada dos entes federativos, das forças policiais e da sociedade civil organizada.

O estudo apresentado ontem indica claramente que a Lei do desarmamento de 2003 e sua implementação tiveram um efeito maior nesse índices. O conjunto dos projetos sociais também contribuíram, em muito, para esses resultados.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, de 2003 a 2004 a cidade teve uma diminuição de homicídios de jovens de 2.349 para 1.695. Como não ver nesses resultados, além do impacto do desarmamento, os resultados da implementação do Renda Mínima e da abertura dos CEUs na periferia, com atividades nos fins de semana, para a população dos distritos onde a taxa de homicídio é muito elevada.

Para Jorge Werthein, Diretor-executivo do Ritla (Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana) autor do Mapa da Violência dos Municípios "O estudo mostra que há políticas públicas que estão tendo impacto sobre a violência. E São Paulo vem se destacando e não é uma queda momentânea e sim constante, desde 1999, se acentuando em 2004".

Mas o estudo mostra também que o ritmo de queda registrado na taxa de homicídios está diminuindo. De 2003 para 2004 o total de homicídios por arma de fogo caiu 5,3% no Brasil, de 2004 para 2005 a redução foi de 2,8% e em 2006 de 1,8%. O seja a retomada da ação do desarmamento é crucial, assim como a de aprofundar as ações sociais nas periferias dos centros urbanos.

O aprimoramento dos sistema repressivo e penitenciário é também uma necessidade que tem mostrado sua importância na redução desses índices. Para além da questão de equipamento, treinamento e inteligência policial; a luta contra a corrupção, a eliminação das bandas podres nas policias e a melhora na renda dos policiais é uma urgência. Indiscutíveis progressos foram realizados nas forças policiais, mas os exemplos de chacinas, torturas, e ações de banditismo envolvendo maus policiais mostra que ainda resta um grande caminho a percorrer.

Ninguém pode se contentar com esses dados, mesmo se o progresso é evidente. o numero de homicídios ainda aumenta acima do crescimento populacional e em dez anos o Brasil teve 500.000 homicídios, uma grande maioria de jovens. É muito acima do que uma sociedade civilizada pode tolerar.

Não basta proclamar tolerância zero com a criminalidade. É necessário aprofundar a distribuição de renda, a diminuição da desigualdade social, continuar melhorando o emprego e a renda, implementar políticas sociais focadas, investir em inteligência, formação, salário das forcas policiais. Junto com o desarmamento, este parece ser o caminho para diminuir esse flagelo que amedronta o país.

Luis Favre

Desarmamento, projetos sociais e ação policial reduzem homicídios (3)

Rio supera SP em homicídios de jovens

Para especialista, estudo divulgado ontem mostra que políticas públicas têm tido impacto sobre a violência

Wladimir d'Andrade - O ESTADO DE SÃO PAULO

Pela primeira vez, o Rio ultrapassou São Paulo e assumiu o posto de cidade com maior número de homicídios de jovens do País, segundo o Mapa da Violência dos Municípios da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla), divulgado ontem. Em 2006, último ano com dados consolidados pelo estudo, a capital fluminense teve 879 homicídios de pessoas com idade entre 15 e 24 anos, ante 797 de São Paulo.

Em 2002, o Rio tinha registrado 1.508 assassinatos de jovens, de acordo com o estudo, o que correspondia a cerca de 64% do total de homicídios nessa faixa etária ocorridos na capital paulista naquele ano. Mas desde 2004 houve uma redução drástica em São Paulo, ao contrário do que ocorreu no Rio. De 2003 para 2004 a cidade teve uma diminuição de homicídios de jovens de 2.349 para 1.695, enquanto o Rio teve 1.354 casos em 2003 e 1.264 em 2004.

De 2005 para o ano seguinte, o dado mais atual, a capital paulista conseguiu diminuir os assassinatos de jovens de 1.082 para 797. No Rio, a redução foi um pouco menor, de 1.041 para 879.

“O estudo mostra que há políticas públicas que estão tendo impacto sobre a violência. E São Paulo vem se destacando”, disse o diretor-executivo da Ritla, Jorge Werthein. “E não é uma caída momentânea, e sim constante, desde 99, se acentuando em 2004.”

No ranking, Recife consolidou a terceira colocação em homicídios juvenis. Houve aumento do número de casos, de 625 assassinatos em 2005 para 636 em 2006. Belo Horizonte aparece na quarta colocação, com 543 mortes de jovens entre 15 e 24 anos, seguida de Salvador, com 518 homicídios.

NÚMEROS

879 assassinatos

de jovens de 15 a 24 anos foram cometidos no Rio, em 2006

797 homicídios
de pessoas nessa faixa etária ocorreram no mesmo ano, em SP

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Com filas nos postos de saúde, Rio vive agora "revolta pela vacina"


RAQUEL ABRANTES

DA SUCURSAL DO RIO

O Rio de Janeiro, cidade em que houve a Revolta da Vacina há 103 anos, agora assiste à "revolta pela vacina": parte dos cariocas quer ser imunizada contra a febre amarela (apesar de a última ocorrência da doença na cidade datar de sete anos atrás), enfrenta filas nos postos de saúde e sai revoltada se não consegue.
A média mensal de aplicações da vacina em 2007 era de 3.000 doses, mas, de 19 de dezembro até ontem, já foram distribuídas 80 mil ampolas na cidade, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.
A aposentada Francisca Oliveira, 82, foi ao Centro Municipal de Saúde João Barros Barreto, em Copacabana, para tomar a vacina com o marido e a empregada. Ao chegar à unidade, às 16h, as ampolas tinham acabado. "Todo mundo está com medo. Começa com dois, três casos e depois vira epidemia", diz Francisca.
Para o historiador André Luiz Vieira de Campos, da Universidade Federal Fluminense, o pânico hoje é gerado pela memória "desse palavrão" que é a febre amarela. No início do século 20, a falta de saneamento e as péssimas condições de higiene faziam do Rio um foco de epidemias, principalmente de febre amarela, varíola e peste.
O sanitarista Oswaldo Gonçalves Cruz (1872-1917) assumiu a Direção Geral da Saúde Pública e determinou a vacinação obrigatória, que se tornou o estopim para que os moradores do Rio se revoltassem. Entre 10 e 16 de novembro de 1904, a população fez barricadas e enfrentou a polícia e o Exército nas ruas, sendo reprimida com violência.
"Em 1904, pouquíssima gente conhecia o princípio da vacina", lembra o historiador.
A Secretaria Municipal de Saúde disse que disponibiliza 4.000 vacinas por mês, repassadas pelo Ministério da Saúde, mas que está adquirindo doses extras.
O Ministério da Saúde confirmou sete mortes por febre amarela no país neste ano -duas mortes a mais do que o registrado ao longo de todo o ano passado. A vacinação é indicada apenas para quem vai viajar para áreas de risco e para a população desses locais: regiões Norte e Centro-Oeste, Maranhão, Minas Gerais, parte dos Estados de Piauí, Bahia, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A imunização contra a doença dura dez anos.
A febre amarela é uma doença infecciosa aguda, transmitida pela picada dos mosquitos transmissores infectados, mas não passa de uma pessoa para outra. É causada pelo vírus RNA e os sintomas são: febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas, vômito, dores no corpo, icterícia (a pele e os olhos ficam amarelos) e hemorragias (de gengivas, nariz, estômago, intestino e urina).

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Cabral diz que não há dicotomia entre direitos humanos e ordem pública

Fábio Vasconcellos - O Globo e RJ TV

Incursão de delegacias especializadas no Morro da Mineira, nesta segunda-feira / Foto: Domingos Peixoto

RIO - Em solenidade esta tarde no Palácio Guanabara para assinatura de protocolos e intenção na área do turismo, o governador Sérgio Cabral rebateu as críticas de que a polícia do Rio não respeita os direitos humanos. Sem dar nomes, o governador afirmou que os críticos tratam como assuntos distintos direitos humanos e ordem pública. Na semana passada, o governador e a OAB-RJ trocaram farpas após a ação no Morro da Coréia, que resultou na morte de 13 supostos bandidos.

- A democracia depende de ordem pública. Essa falsa dicotomia entre direitos humanos e ordem pública, que prevaleceu no Rio durante muitos anos, é que levou o estado a isso. Como se direitos humanos e ordem pública não pudessem conviver. Quem mais sofre com aqueles selvagens da Favela da Coréia, com os selvagens da Favela do Alemão, são os moradores do Alemão, são os moradores da Rocinha, Coréia. A cidade inteira sofre, mas os que moram lá sofrem muito mais. A barbaridade é diária.

Subsecretário diz que inteligência nem sempre evita confrontos

Mais tarde o governador afirmou que não estava se referindo às críticas da OAB:

- Acho que a OAB é uma instituição histórica, respeitável, presidida por um advogado que tenho enorme admiração, dr. Wadih. Ele está no papel de discutir o assunto. Não tem que ter da nossa parte nenhum autoritarismo. Temos que discutir, falar francamente. É um debate de idéias. Não há uma posição monolítica. Só quero cada vez mais reiterar que não se tem democracia sem ordem pública. A democracia pressupõe o respeito à ordem. Ninguém concebe que no seu bairro um policial seja recebido a tiros. Em algumas comunidades do Rio o policial não pode entrar porque leva tiro. Isso não é normal.

Em entrevista para o RJ TV, o subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública, Edval Novaes, falou como o governo pretende agir para atingir as metas de redução da criminalidade.

RJTV - O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, falou em confronto quando for necessário e atuação permanente de inteligência. Que resultado esta estratégia tem trazido para o combate ao crime?

Joca, chega ao Rio vindo de Fortaleza / Foto: Marcos Tristão

Edval Novaes - O resultado tem sido o que a população tem visto: prisões e apreensões. O que é importante frisar é que, apesar da atividade de inteligência, isso não significa que não ocorrerão confrontos. Nós gostaríamos de que as operações sem tiros, como a da prisão do traficante Joca, em Fortaleza , fossem a regra. Mas, infelizmente, muitas vezes os traficantes se encontram em comunidades carentes, encastelados em áreas de difícil acesso para a polícia e, certamente, cercados de muitos seguranças com armamentos pesados.

A população tem passado informações para a polícia, muitas vezes através do Disque-Denúncia. O senhor acha que isso é uma mudança de comportamento dos moradores das comunidades e das áreas vizinhas?

Com certeza. A participação da população tem sido fundamental no auxílio ao trabalho da polícia. Nós pedimos que essa confiança no nosso trabalho permaneça e que, cada vez mais, a população continue denunciando.

Existe alguma forma de proteger essa população em casos de operações onde há tiroteio e confronto?

O que nós buscamos é fazer as incursões da maneira mais cirúrgica possível, em horários onde a população esteja mais protegida. Ou seja, nós procuramos evitar horários de entrada e saída de colégios, de saída e retorno da população ao trabalho. Nem sempre isso é possível, mas é o que nós sempre buscamos.

Que análise o senhor faz dos últimos números do Instituto de Segurança Pública (ISP)?

Um índice importante foi na questão dos homicídios, com um resultado menor em relação a setembro. Mas é interessante destacar também que qualquer estatística tem que fazer uma referência em relação a mais de um período. Neste caso, estamos comparando apenas agosto com setembro. Se nós pegarmos estes mesmo números e compararmos com setembro de 2006, ainda assim nós temos uma queda nos índices. Da mesma forma, se nós pegarmos o acumulado de janeiro até setembro de 2007, nós temos números menores do que o acumulado de janeiro a setembro de 2006. Independente disso, desde que o ISP foi criado, dos 11 principais índices medidos, 8 deles diminuíram no nosso governo, ou seja, de janeiro até outubro.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Pesquisadores sociais alertam: Bope do 'Tropa de elite' não é a solução contra o crime

O Globo Online Wagner Moura vive um capitão do Bope no filme Tropa de Elite. Foto: divulgação

RIO - Os "caveiras", policiais militares que atuam no Batalhão de Operações Especiais (Bope), ganharam status de heróis com o filme "Tropa de elite", do diretor José Padilha. No longa-metragem, o Bope é apresentado como uma polícia incorruptível, criada exclusivamente para combater o tráfico de drogas no Rio de Janeiro. O jornal "Washington Post" publicou uma reportagem, nesta segunda-feira, afirmando que o filme levantou no Brasil a discussão sobre a violência do Rio. O longa-metragem também foi debatido por dois "caveiras" originais (veja vídeos) , no GLOBO ONLINE. O filme chegou a ser acusado de fazer apologia à tortura . Mas até que ponto criar uma tropa de elite é eficaz no combate ao tráfico?

" Segurança pública é muito mais do que repressão "

O GLOBO ONLINE perguntou aos internautas em que tipo de polícia se deve investir para combater o crime com eficácia ( veja resultado da pesquisa ). Para 53% dos 2.415 participantes, é preciso fortalecer cada vez mais essa polícia de confronto, preparando todos os policiais para se tornarem "caveiras". Outros 38% acham que é preciso aplicar mais recursos de inteligência na polícia. E apenas 9% acreditam que o mais eficaz é investir mais em policiamento comunitário.

O antropólogo da UFRJ Gilberto Velho, autor do livro "Rio de Janeiro: cultura, política e conflito", adivinhou a alternativa preferida da maioria dos leitores sem conhecer o resultado. Segundo ele, não é difícil concluir que uma população aterrorizada por uma guerra sinta falta de combate ostensivo. Ele, no entanto, alerta:

- Segurança pública é muito mais do que repressão. Temos que ter cuidado com isso, porque o Bope, embora tenha atuação importante, não pode ser a concepção do que é polícia. A solução seria alguma coisa próxima da junção entre as duas alternativas menos votadas.

O resultado da enquete também não surpreendeu o sociólogo Ignácio Cano. Para ele, a segurança pública é hoje uma grande preocupação da sociedade carioca e, por isso, já era esperada essa reação.

- As pessoas acham que violência se combate com violência. Poucos acreditam em um investimento em policiamento comunitário por isso - disse, ressaltando que é preciso considerar que, nesse tipo de enquete, normalmente quem responde são as pessoas mais mobilizadas.

O pobre, a maior vítima da violência

O sociólogo acredita que essa não é a solução para o combate ao tráfico. Para ele, por ser um batalhão especial, ele perderia o sentido se todos se tornassem 'caveiras':

- É como se você defendesse que todos os médicos deveriam ser neurocirurgiões. Essa é uma especialização da polícia.

Gilberto Velho sinaliza a saída para os problemas de segurança pública na direção dos investimentos sociais e garante que uma não pode ser separada da outra.

" A guerra tem início, meio e fim. O que a gente vive não tem fim "

- Os locais em que há maior nível de violência da cidade não contam com nenhuma assistência. Não têm saúde, educação, infra-estrutura. O pobre é a maior vítima da violência, que, na maioria das vezes, ocorre ao lado dele. Não dá para falar em segurança sem abordar o aspecto social - completou Velho.

Diferentemente do colega da UFRJ, o professor Cano não vê a situação da violência que o Rio vive hoje como uma guerra. Para ele, uma guerra tem objetivos definidos, além de dois lados estruturados, o que não acontece na cidade.

Cena do filme Tropa de Elite: divulgação

- A guerra tem início meio e fim, o que a gente vive hoje não tem fim. Quando um bandido morre, ele é simplesmente substituído. Isso não acaba. Além disso, você não tem dois lados bem estruturados, com objetivos políticos. Aqui, os objetivos são os lucros individuais - afirmou.

O antropólogo Gilberto Velho lembra, porém, que, na prática, o cenário carioca tem diversos pontos em comum com um conflito bélico tradicional - em número de mortos, presente no toque de recolher existente em diversas favelas e nas paisagens das áreas mais violentas parecidas com as do Iraque.

Para Cano, a melhor solução para o combate ao tráfico seria promover uma mudança na relação com as comunidades. Além disso, seria preciso acabar com essa doutrina que o Bope segue hoje, com um treinamento militar, de combate violento.

Partidário da necessidade de mudanças em algumas esferas da administração pública, como na gestão policial e na aplicação de políticas sociais, Gilberto Velho também critica a passividade da sociedade.

- Falta participação dos cidadãos. A gente consegue reunir 1 milhão de pessoas num show do Rolling Stones, mas não leva 300 para a frente do Palácio Guanabara para protestar contra o governo do estado - finaliza.

domingo, 21 de outubro de 2007

O governador Nascimento ou o capitão Cabral?

OPINIÃO

WÁLTER FANGANIELLO MAIEROVITCH
ESPECIAL PARA A FOLHA DE SÃO PAULO

O governador Sérgio Cabral, com as operações de guerra realizadas nas favelas da Coréia, Rocinha e Dona Marta, legitimou-se para poder pedir ao governo George W. Bush uma "boa-grana" para lançar o "Plan Rio de Janeiro". Algo da série "Plan Colombia" e do recentíssimo "Plan México", dos presidentes Calderon (México) e Bush.
Se faltava sangue, morte de uma criança e helicóptero para matar covardemente suspeitos em fuga, depois da Operação Bope na favela da Coréia tudo ficou completo. Ou melhor, os requisitos básicos foram atendidos para a política bélica do governo Sérgio Cabral adequar-se à "War on Drugs" (Guerra às Drogas). Esta iniciada pelo então presidente Richard Nixon, de triste memória.
A Guerra às Drogas, que emprega o confronto para matar "inimigos", foi ampliada pelo então presidente Ronald Reagan.
Coube a Reagan globalizar a "War on Drugs", pois declarou combate bélico em qualquer ponto do planeta. Como se sabe, queria mesmo um pretexto para invadir países, a fim de combater o comunismo. Na "War on Drugs", que os presidentes pós Nixon, democratas ou republicanos, mantêm até hoje, entraram de cabeça vários ditadores.
Alguns até para "lavar" os indícios de aliados do narcotráfico, como o presidente Hugo Banzer na Bolívia e Noriega no Panamá. E a relação é grande. Por exemplo, a dupla formada pelo ex-presidente Alberto Fujimori e pela eminência parda da ditadura, Wladimiro Montesinos, ex-agente da CIA. Ambos estão presos no Peru. Ainda passa pelos presidentes colombianos Andrés Pastrana e Álvaro Uribe.
Dentro e fora dos Estados Unidos, a militarização do combate às drogas e ao crime organizado que opera o tráfico, a chamada "War on Drugs", faliu. Os norte-americanos são campeões mundiais de consumo de drogas ilícitas.
Apesar do alerta inserto na Convenção de Viena de 1980, pelos sistemas bancário e financeiro internacionais, o mercado das drogas proibidas continua a movimentar anualmente cerca de US$ 300 bilhões.
A operação do Bope na favela da Coréia, com a morte de 15 pessoas, incluídos um menino de quatro anos e um policial, foi uma outra irresponsabilidade do governador Cabral, agora a encarnar o papel de capitão Nascimento.
Mais uma vez, civis inocentes, favelados e pobres, ficaram no meio do fogo-cruzado. E as autoridades fluminenses afirmaram que a ação foi planejada. Como se percebeu, ela foi projetada para a população ficar em risco, entre policiais e traficantes. Traficantes do bando de um tal Márcio da Silva Lima, apelidado de Tola, que, pelo jeito, não está entre os mortos suspeitos de integrar o bando que tem controle social e territorial da Coréia. Para o governo do Rio de Janeiro, antes do confronto foram realizados trabalhos de inteligência. Seguramente, uma inteligência-burra.
Modernamente, a inteligência, no combate às drogas -que é um dos rentáveis negócios da criminalidade organizada-, ocorre pela infiltração voltada a afetar a economia movimentada. Para isso, o infiltrado oferece vantagens à organização criminosa: lavagem, reciclagem, ampliação de lucros, drogas em consignação, armas potentes etc.
Como tais propostas de vantagens dependem sempre da aprovação do "chefão", abre- se caminho para o contato e a coleta de informações. Outra medida utilizada é desplugar o bando das redes de oferta de drogas no atacado e de armas.
Enfim, existem vários caminhos engenhosos em países que, em respeito a direitos humanos e à eficiência no contraste ao crime, não aceitam a fracassada e enganosa política da "War on Drugs".
A "War o Drugs", no momento, só é útil em dois casos. Primeiro, para tentar legitimar o presidente mexicano Calderon, que desde o primeiro dia de mandato guerreia com os cartéis das drogas, sem sucesso e muitas mortes. Segundo, governos populistas, que faturam politicamente em ações espetaculares e de resultados lamentáveis.


WÁLTER FANGANIELLO MAIEROVITCH, 60, desembargador aposentado, ex-secretário nacional antidrogas (governo FHC) e presidente do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone de contraste às máfias

sábado, 20 de outubro de 2007

polêmica - Cabral responde à OAB: o governo não deseja o confronto, mas não vai recuar

Gustavo Paul - O Globo

RIO e BRASÍLIA - O governador Sérgio Cabral divulgou na noite deste sábado uma nota oficial para rebater as críticas feitas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), à atuação da polícia na Favela da Coréia.

- O governo do estado do Rio de Janeiro reitera que as ações da polícia são planejadas com inteligência, que não deseja o confronto, mas que ele é inevitável. O governo não vai recuar de sua obrigação de buscar e garantir a segurança da população.

Mais cedo, o presidente da OAB do Rio de Janeiro, Wadih Damous, reagira duramente à ironia feita pelo governador do Rio, Sérgio Cabral , às críticas à ação policial na favela da Coréia , ocorrida nesta semana. Em nota, Damous afirmou que a OAB ficou chocada com as imagens da caçada promovida por um helicóptero da polícia a dois fugitivos, aparentemente desarmados. A ação, aponta o texto, foi mais um episódio da guerra travada na cidade em nome do combate à criminalidade, que a sociedade carioca assistiu "já quase sem qualquer espanto" e resultou nas "costumeiras mortes de pessoas sem nomes e vitimou uma criança de 04 anos de idade e um policial". Os leitores do GLOBO ONLINE, em seus comentários, criticaram com veemência a posição da OAB .

" Não aceitamos, contra tudo e contra todos se for preciso, que o ser humano seja tratado como animal de abate "

"A OAB/RJ, assim como toda a sociedade, chocou-se com tamanha crueza. E mais ainda, indignou-se sim com a forma pela qual as forças policiais perseguiram aqueles dois jovens, que, pelas imagens, não exibiam armas, e ainda assim foram caçados e mortos sem qualquer direito de defesa", diz a nota, que não poupa a posição adotada pelo governador Sérgio Cabral.

"E a nossa indignação motivou críticas de vários setores, notadamente do governador do estado, criando a falsa idéia de que a criminalidade somente poderá ser combatida à margem do ordenamento legal e sem investimentos sociais capazes de oferecer alternativa de vida digna à juventude pobre criminalizada e sem horizontes", afirma o texto.

Na sexta-feira, Cabral disse que respeitava a opinião da OAB mas não poderia usar a diplomacia e a negociação para pedir aos traficantes a devolução de armamento pesado.

De acordo com o presidente da OAB, não é aceitável que um aparato policial-militar, "mais apropriado para a guerra do que para uma operação policial, faça incursões em comunidades carentes de cidadania e habitadas por milhares de pessoas, e não faça qualquer levantamento prévio de inteligência que possibilite identificar o cidadão de bem, o pequeno infrator e o criminoso que realmente possa trazer risco à sociedade". Segundo ele, a policia só poderia reagir com tamanha força e intensidade se fosse afrontada. "Fora desse contexto, o que se afigura é uma política de extermínio pura e simples, sem qualquer eufemismo", diz o texto.

Lembrando o passado de lutas da entidade contra a ditadura, o presidente da OAB reiterou o compromisso com as garantias individuais, a dignidade humana e os pilares da democracia . De acordo com Damous, o episódio da invasão da favela da Coréia violou todos esses princípios. "Não aceitamos, contra tudo e contra todos se for preciso, que o ser humano seja tratado como animal de abate, independente do pretexto que o Estado adote para assim agir".

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Parada Gay: Manifestação reuniu um milhão em Copacabana

No 12º evento do gênero, organizadores levam para Copacabana 18 trios elétricos e defendem criminalização da homofobia

Parada do Orgulho GLBT reúne mais de um milhão de pessoas em Copacabana. Foto: EFE


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Cláudio Motta e Débora Gares

Além do grande público que lotou a Avenida Atlântica, em Copacabana, ontem de tarde, a 12 aParada do Orgulho GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros), cujo tema era a criminalização da homofobia, atraiu diversos políticos. O governador Sérgio Cabral subiu no primeiro dos 18 trios elétricos e recebeu o Prêmio ArcoÍris de Direitos Humanos. Segundo Cláudio Nascimento, membro do Grupo Arco Iris e coordenador do evento, essa foi a primeira participação de um governador. A parada atraiu, ainda, duas senadoras, um secretário estadual, outro municipal, uma ministra adjunta, um secretário do Ministério da Cultura e uma deputada federal.

De acordo com os organizadores e a subprefeitura do bairro, 1,2 milhão de pessoas participaram da parada. A PM, no entanto, estimou o público em 500 mil, segundo o tenente-coronel Ricardo Pacheco, comandante do 19oBPM (Copacabana). De acordo com a PM, não houve qualquer incidente grave.

Governador faz discurso em cima de trio elétrico O governador ficou cerca de 20 minutos na parada. Em seu rápido discurso, em cima do trio elétrico, Cabral se disse honrado de ter sido o primeiro governador a conceder pensão a parceiros e parceiras de servidores públicos estaduais que vivem relações estáveis com pessoas do mesmo sexo, de acordo com a lei estadual criada por Carlos Minc e por ele.

— O Rio se manifesta na defesa dos direitos civis, da cidadania e da liberdade individual.

No que depender de mim, vamos trabalhar pela criminalização da homofobia. Orientei nosso aparato repressivo contra a homofobia. Defender os direitos individuais é uma questão de Estado, não de partido. Ou o Brasil avança nesse sentido ou nunca vamos conseguir consolidar a democracia — disse Cabral, que estava acompanhado da mulher, Adriana Ancelmo.

As senadoras Ideli Salvatti (PT-SC), líder do governo, e Fátima Cleide (PT-RO), relatora do projeto de lei que criminaliza a homofobia e ainda tramita no Senado, também elogiaram a manifestação.

— Essa é uma manifestação da cidade contra a homofobia — afirmou Ideli.

Os secretários estadual de Meio Ambiente, Carlos Minc, e municipal de Assistência Social, Marcelo Garcia — representando o prefeito Cesar Maia —, além da deputada federal Cida Diogo (PT) também participaram da parada. A ministra adjunta Teresa Sousa (da Secretaria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres do governo federal) e o secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Sérgio Mamberti, manifestaram apoio à criminalização da homofobia.

Manifestantes defenderam o combate à violência e afirmaram que 2.582 homossexuais foram assassinados no Brasil nos últimos dez anos: — A parada cresce a cada ano. Em 2006, tivemos 800 mil pessoas. Pesquisas revelam que 40% do público é de heterossexuais.

Além disso, a presença de um governador de estado é importante, mostra que estamos numa virada. Antes, queríamos ampliar a visibilidade para o tema, que ficava embaixo do tapete, dentro do armário. Hoje, ele está na agenda pública, na cena política. Falta o Senado aprovar o projeto de lei 122/2006, que criminaliza a homofobia — disse Cláudio Nascimento.

Grupo se inspira em ‘Tropa de elite’ para fantasia Aproveitando a hora extra de sol que tiveram no primeiro dia do horário de verão, os manifestantes se divertiram ao som de samba, trance e MPB. Participando pela primeira vez do evento, Nicole Nunes, de 18 anos, chegara ao Rio, vinda de Macaé, poucas horas antes.

— Chegamos às 14h e já estamos com todo o gás para curtir a festa — disse ela, defendendo a importância do tema escolhido este ano. — Já fui vítima de espancamento e nada aconteceu. Isso é crime e tem que ser punido.

Namorando às escondidas há um ano, as estudantes Luana e Aline aproveitaram a parada para assumir o relacionamento em público.

— É uma sensação maravilhosa de liberdade — resumiu Luana.

Na esteira do sucesso do filme “Tropa de elite”, um grupo de homens uniformizados com saia camuflada se dizia a “Tropa de it”.

— It é frescura! Estamos aqui mostrando nosso orgulho, independentemente de classe social, sexo e cor — disse um deles, que só quis divulgar seu apelido, Kiki.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

"Brasil precisa mudar rede de saúde para atender idoso"



Entrevista da 2ª/Alexandre Kaleche

Folha de São Paulo


Chefe de envelhecimento da OMS defende que os médicos aprendam a lidar com a terceira idade e que o jovem seja sensibilizado para o fato de que "envelhecer é bom'

O Brasil precisa mudar a rede de atenção básica à saúde para atender as necessidades da população idosa, que atinge a marca de 17,7 milhões no país. A análise é de Alexandre Kalache, chefe do programa de envelhecimento e saúde da OMS (Organização Mundial da Saúde), que está no Brasil para lançar um guia mundial em que o Rio aparece como cidade amiga do idoso.

CLÁUDIA COLLUCCI
DA REPORTAGEM LOCAL

Às vésperas de completar 62 anos (dia 17) e se aposentar da OMS, Kalache vai montar no Rio de Janeiro o instituto latino-americano de gerontologia, ligado à Universidade de Londres e que tem como parceiros o Banco Mundial e a Academia de Medicina de Nova York.
"Em vez de ir para casa assistir à TV, vou agitar muito. Vamos levar o Brasil para o mapa da gerontologia internacional e vice-versa. Vou continuar ativo por muitos anos e, depois, vou plantar batatas na minha casinha na Espanha", diz ele, dois filhos e uma neta.
Há 33 anos morando no exterior, o carioca Kalache é PhD em epidemiologia pela Universidade de Oxford, foi fundador da Unidade de Epidemiologia do Envelhecimento da Universidade de Londres e criador do primeiro mestrado em promoção da saúde da Europa. A seguir, trechos da entrevista concedida à Folha de Nova York, por telefone, na última sexta.

FOLHA - A OMS tem difundido o conceito de envelhecimento ativo, mas, no Brasil, envelhecer com qualidade ainda é para poucos. Quais estratégias o país precisa adotar para colocar o discurso em prática?
ALEXANDRE KALACHE
- A definição do envelhecimento ativo é baseada em três pilares: saúde, participação e segurança. Na saúde, a coisa mais importante no Brasil é reforçar, capacitar a rede de atenção primária para que ela esteja mais voltada às necessidades dessa população que envelhece. Hoje o SUS está muito voltado para a saúde materno-infantil.
A OMS tem desenvolvido estudos-pilotos, criando uma espécie de caixa de ferramentas sobre como fazer para que o centro de saúde se torne mais amigo do idoso. No Brasil, envolvemos dois centros, em São Paulo [em São Miguel Paulista] e no Rio [em Manguinhos]. Simulamos o envelhecimento, colocamos a equipe no centro de saúde simulando como se tivesse catarata, usando uma lente meio opaca, peso nas pernas, nas coxas, braços, grãos no sapato para doer um pouco, cera no ouvido. As pessoas nunca esquecem dessa experiência.
Também precisamos mudar aspectos administrativos. Existem postos de saúde que não têm nenhum sistema de marcação de consulta. Esses pobres idosos levantam às 5h da manhã, vão até o centro, recebem um número e, ao final da manhã, descobrem que o médico já foi embora e que ele não será mais atendido. Isso é um absurdo, uma falta de respeito. Em relação ao ambiente físico, o centro de saúde precisa eliminar as barreiras físicas, colocar rampas, elevadores, sala de espera mais confortável com acesso ao banheiro.

FOLHA - Qualidade de vida na velhice está ou não diretamente ligada a um maior poder aquisitivo?
KALACHE
- É muito mais difícil conseguir qualidade de vida se não tiver um teto sobre a sua cabeça, se não tiver a certeza de como se alimentar ou, se ficar doente, se terá o mínimo de assistência médica. Por outro lado, você não precisa ser milionário ou rico para ter qualidade de vida. Você vê milhões de brasileiros que estão envelhecendo, inseridos na sua comunidade, com suas famílias, vivendo bem. Estou conversando com você de Nova York, uma cidade de primeiríssimo mundo, onde você encontra idosos que, embora tenham suas necessidades básicas satisfeitas, vivem isolados, numa família fragmentada, reflexo das grandes massas migratórias. São pessoas que estão envelhecendo fora do seu meio ambiente. Em São Paulo, por exemplo, a gente vê o imigrante nordestino, a mulher que foi trabalhar em casas de família e que, muitas vezes, não constituiu a sua própria família, e que, ao envelhecer, está só, triste, sem qualidade de vida.

FOLHA - O sistema de saúde continua a enfatizar o cuidado com as doenças agudas, enquanto as que mais afetam os idosos são as crônicas. Isso não tem que ser revisto?
KALACHE
- Sem dúvida. Temos no Brasil a idéia de que as doenças que podem ser prevenidas são as infecciosas e que as doenças não-transmissíveis são inevitáveis dentro do processo de envelhecimento. Hoje há muita gente com 60 anos e que está muito mal e outros com 80 que estão muito bem.
Se você controlar apenas quatro fatores de risco, o fumo, a dieta inadequada, a falta de exercício físico e o consumo excessivo de álcool, já terá um impacto muito grande. Se a gente não tiver política preventiva, de promoção de saúde fortemente ativa, isso, que já é um problema de saúde no país, vai se tornar uma epidemia.
Em segundo lugar, mesmo que o indivíduo se comporte muito bem, tenha um estilo de vida saudável, você ainda tem um ingrediente social muito grande. Por exemplo, na Inglaterra, se você compara as classes sociais A e B com as D e E, você tem um excesso de risco, que se traduz na redução de oito anos na expectativa de vida [das D e E], mesmo aqueles mais pobres que nunca fumaram, praticam exercício físico e comem razoavelmente bem.
No entanto, a diferença social, talvez pela falta de cidadania e auto-estima, faz com que os mais pobres vivam muito menos mesmo vivendo no mesmo ambiente físico. É preciso levar em conta essas determinantes sociais e agir sobre elas.

FOLHA - Temos no Brasil perto de 550 geriatras contra 30 mil pediatras. Com o envelhecimento da população, esse quadro deve mudar?
KALACHE
- Até certo ponto. A gente não vai conseguir formar geriatras em quantidade para atender, em planos mundiais, 2 bilhões de idosos no ano de 2060. A gente vai poder fazer com que todos os profissionais de saúde saibam aquilo que seja a essência, a base da atenção do idoso. Estou muito mais interessado em que todos os ortopedistas de amanhã, todos os oftalmologistas, todos ginecologistas, todos cirurgiões saibam lidar com idosos e entendam o mínimo sobre a fisiologia do idoso, a anatomia, a depressão, a saúde mental do que formar especialistas. Do contrário, o risco é você acabar medicalizando e tornando o envelhecimento uma especialidade e não uma etapa da vida. O papel do geriatra é muito importante porque, você tendo bons geriatras, terá bons treinadores daqueles profissionais que precisam ser treinados.

FOLHA - O que o futuro médico precisa aprender sobre o idoso?
KALACHE
- A OMS e a Associação Internacional de Geriatria e Gerontologia lançaram 15 pontos de currículo mínimo sobre cuidados relacionados ao envelhecimento que todos os estudantes de medicina deveriam ter: anatomia, farmacologia, a manifestação clínica das doenças, que é diferente quando você tem 80 anos do que num adulto de 40, como o organismo responde às dosagens de medicamentos etc. Daqui a 40 anos, o mundo terá envelhecido de forma irreconhecível. O médico vai lidar com mais e mais e mais idosos. Se você, desde o início, não tiver a atitude correta e o conhecimento adequado, você vai fazer mal, mesmo que inadvertidamente.
E não só em medicina, mas em enfermagem, em arquitetura, em direito. Temos que sensibilizar a juventude de que o país está envelhecendo e que isso é uma coisa boa, que envelhecer é a negação da morte precoce.

FOLHA - O modelo de aposentadoria não-contributiva do Brasil continuará sendo sustentável?
KALACHE
- Vários estudos mostram que com 2% do Produto Interno Bruto você consegue atender as necessidades de mais de 7 milhões de brasileiros. Se a economia crescer, como tem crescido, não há nenhuma razão para que isso não seja sustentável. Você tem que ver o que a sociedade está ganhando e não o que está perdendo. Ela "perde" 2% do PIB, mas tira da miséria 25 milhões de brasileiros [familiares dos aposentados]. Na avaliação do Banco Mundial, modelos como o Brasil e da África do Sul, que são muito parecidos, demonstram a sustentabilidade. O que não é sustentável é continuar com privilégios e distorções em que alguns poucos pesam 50, 60, 70 vezes mais do que esses miseráveis US$ 100 [da aposentadoria não-contributiva]. Esses são os pesos que estão fazendo com que o seguro social no Brasil se torne inviável.

FOLHA - Há no país uma cultura pelo padrão de beleza física jovem. É mais difícil para o brasileiro encarar o envelhecimento?
KALACHE
- Fica mais difícil, não há dúvida que existe essa obsessão. Por outro lado, se você anda pelas ruas de Copacabana, você vê milhares de pessoas idosas. E, embora em choque com a cultura do corpo, com a idealização da juventude, você vê pessoas de todos os formatos de corpo, pessoas gordas, magras. Existe no Brasil uma adaptação, uma coisa mais flexível, que não consegue punir aqueles que fogem à regra.


sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Monstros na cama

LUIZ GARCIA

O Globo (para assinantes)

Primeiro, cultura para o povo: a expressão “estranhos companheiros de cama” não tem, na origem ou no uso corrente, qualquer conotação de safadagem. Graças à erudição instantânea que nos oferece o Google, podemos informar que ela tem berço shakespeariano.

A mais antiga referência conhecida aparece em “A tempestade”, a propósito de um náufrago que desperta em terra firme e se vê na companhia de um monstro, um “strange bedfellow”.

Em português, a expressão mais parecida é união dos contrários. Não tem a mesma graça.

A partilha de travesseiros hoje ensaiada pelo prefeito Cesar Maia, dos Democratas — “dems” na intimidade — e o ex-governador Anthony Garotinho, do PMDB, tem o objetivo imediato de garantir que prefeituras importantes na Baixada Fluminense não caiam ou não continuem nas mãos do PT a partir de 2008.

Num mundo que sabemos não existir, a manobra seria repelida pelo eleitorado em qualquer etapa eleitoral. Afinal, Cesar e Garotinho, sempre cobertos de razão, já disseram um do outro coisas que o Papa não fala de Satanás.

Do prefeito sobre o ex-governador, por exemplo: “Nunca se viu, dentro de um governo, uma concentração de corrupção tão grande” (2004). Ou: “Só otário acredita em Garotinho nesta altura do campeonato” (2006).

E de Garotinho sobre Cesar: “A natureza dele é de confronto, beligerante... a coisa mais desagregadora da História.” Ou: “Ele não consegue explicar como é que mora num apartamento de R$ 1 milhão com salário de prefeito.” O petista Edson Santos, possível candidato a prefeito, definiu a aproximação entre prefeito e exgovernador como “abraço de coveiro”. Boa imagem.

Provavelmente custará a Edson um caixão de votos na região do Caju.

Exemplos de estranhas companhias em palanque não são raros na política brasileira. Com certeza, é algo que tem tudo a ver com a natureza do sistema partidário, tão fragmentado que o sucesso eleitoral exige acordos para todos os lados. Não se tem notícia de que uma aliança em qualquer nível — do municipal ao nacional — tenha fracassado porque o eleitor, com raiva e nojo, rejeitou o artificialismo das alianças. Pena.

No caso fluminense, a aproximação entre Cesar e Garotinho tem complicador curioso. A meta principal da união desejada é evitar o crescimento do PT no estado. Acontece que, pelo menos até agora, o governador Sérgio Cabral — do PMDB como Garotinho — está de namoro ostensivo com o presidente Lula, do mesmo PT.

Bastante confuso. Mas, em política, amanhã e depois de amanhã não falam a mesma língua. A aproximação com o DEM (que nome, que nome) pode ser conveniente para Sérgio mais adiante.

Desde, é claro, que não encha demais a bola de Garotinho, indesejável companheiro de palanque.

Podemos ficar por aqui um tempão, enumerando entretantos. Mas isso é ofício de analistas políticos.

Num exercício modesto de cidadania, limitemonos a mostrar um metro de estranheza e dois quilos de nojo ante a facilidade com que nossos homens públicos insistem em confirmar suas folhas corridas pulando, com tanta naturalidade e desfaçatez, uns nas camas de outros.

Merecem, todos, acordar na companhia de monstros shakespearianos.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Un max de surfeurs sur la même vague

Des surfeurs attendent la même vague au large de la plage de Quebra-Mar, au Brésil, le 2 septembre 2007. | REUTERS/STRINGER/BRAZIL

Des surfeurs attendent la même vague au large de la plage de Quebra-Mar, au Brésil, le 2 septembre 2007.

REUTERS/STRINGER/BRAZIL

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Pour battre ce type de record, deux conditions sont nécessaires : une belle et longue vague, et suffisamment de surfeurs capables de tenir ensemble dessus pendant cinq secondes. Elles étaient réunies, dimanche 2 septembre, au large de la plage de Quebra-Mar, devant la ville de Santos, au Brésil. Une centaine d'adeptes ont pataugé dans l'eau en attendant "la" vague. Elle a fini par arriver. Sans trop jouer des coudes pour ne pas gêner leurs voisins, 90 Brésiliens ont réussi à se mettre à genoux, puis debout, sur leurs planches. Les plus maladroits les ont laissées filer, la mort dans l'âme.


Il faisait gris, la houle était plutôt faible. La longue ligne de surfeurs a avancé doucement. Mais le principal était là : le record précédent, réalisé en 2005 par 44 fous de la glisse, était battu. Les 90 peuvent espérer entrer dans le Guinness Book des records.

Pendant ce temps-là, de l'autre côté de la planète, en Afrique du Sud, ils n'étaient que 71 à surfer ensemble. Dommage, la vague était beaucoup plus belle. - (Reuters.)

domingo, 5 de agosto de 2007

A importância dos telecentros

Lan houses, virtual expansão em áreas pobres
Cresce nas comunidades carentes o número de casas de acesso à internet

O Globo (para assinantes)
Taís Mendes

Os limites impostos pelo tráfico no Complexo da Maré encontram brechas num espaço que ameaças ou armas não conseguem transgredir. É pela internet, nas cerca de 150 lan houses existentes nas 16 comunidades do complexo, que jovens de diferentes faixas etárias se comunicam com vizinhos que vivem sob o domínio de facções rivais. Mais do que aproximar, a proliferação dessas casas em comunidades carentes do Rio permite que crianças e adolescentes pobres se apropriem das tecnologias da informática com a mesma intensidade de jovens de classe média. Segundo pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil, a população com renda familiar até R$ 300 é responsável por quase 50% dos acessos em lan houses.

Quem visita o Complexo da Maré comprova o que revela a pesquisa. No conjunto de favelas, com cerca de 130 mil habitantes, as lan houses lotam diariamente.

— Tenho um amigo na Baixa do Sapateiro e só posso me comunicar com ele pelo Orkut, porque aqui o tráfico não deixa ele entrar — diz um jovem de 16 anos, da Favela Nova Holanda.

A demanda leva muitas lan houses a funcionarem até de madrugada. Na promoção batizada de viradão, o internauta paga R$ 6 para usar o computador até o amanhecer, com direito a café da manhã. O auxiliar de escritório Pedro Farias da Silva, de 29 anos, é cliente assíduo: — É quando eu posso pesquisar ou jogar com tranqüilidade.

Na Nova Holanda, por exemplo, a Vida Lan registra o acesso de 50 pessoas aos computadores num único dia. O movimento só não é maior porque a média de permanência dos jovens diante da tela chega a cinco horas.

Tanto tempo dentro do espaço estimula amizades e namoros.

Foi lá que Rayane Silva, de 13 anos, conheceu o namorado Rodrigo Sotero, de 15.

— Ficávamos conversando pelo MSN. Ele num computador e eu em outro, na mesma lan.

Até que o namoro começou, há dois meses — conta a jovem.

Desde que o virtual virou real, a jovem é proibida pelo namorado de acessar o MSN.

— Para evitar que ela conheça outro — brinca Rodrigo.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Rio maravilha

BENJAMIN STEINBRUCH

Folha de São Paulo (para assinantes)




O Rio está mais bonito do que nunca e preparado para ser de novo capital brasileira, agora dos esportes

NAS ÚLTIMAS décadas, desde que a capital federal mudou-se para Brasília, virou moda falar mal do Rio. Pelo esvaziamento econômico da cidade e do Estado, pela transferência de parte do sistema financeiro para São Paulo, pela crise da indústria naval, pela leniência do carioca, pela violência urbana, pela perda de turistas e até pelo futebol deficitário.
É certo que a perda da condição de capital, em 1960, impôs prejuízos ao Rio. Caíram as receitas federais e houve um efetivo esvaziamento de alguns setores e estagnação econômica. Mas sempre achei essas avaliações exageradas por vieses regionalistas e por boa dose do que chamamos de dor-de-cotovelo.

Seja como for, brasileiros em geral precisam admitir que esse Estado, a despeito dos enormes desafios que enfrenta, principalmente no combate à criminalidade, começa a retomar sua condição de "Rio maravilha".

A escolha do Cristo Redentor como uma das sete maravilhas do mundo moderno, com 100 milhões de votos, é apenas um símbolo dessa retomada. O verdadeiro ressurgimento do Rio se dá na economia. Li na semana passada uma revista publicada pelo "Valor" sobre os avanços da economia fluminense. Os números impressionam. De 1999 a 2005, o PIB industrial do Rio cresceu a uma média anual de 12,4%. A economia fluminense, com um PIB estimado em R$ 140 bilhões, equivale hoje à de países como Chile, Colômbia ou Venezuela.

O Rio começou a sair da estagnação com os pesados investimentos da indústria do petróleo para explorar as reservas no litoral fluminense. Mas, pouco a pouco, o impulso do petróleo irradiou para vários setores, como construção naval e de plataformas, petroquímico, siderúrgico e até indústria automobilística. O Rio ainda é bastante dependente dos recursos da indústria do petróleo, mas essa dependência se reduziu muito nos últimos anos. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento, as intenções de investimentos no Estado, excluído o setor de petróleo, somam R$ 51 bilhões entre 2007 a 2012, com a criação 48 mil novos empregos diretos. Incluído o petróleo, o cálculo salta para R$ 110 bilhões.

E há ainda o turismo. A despeito dos problemas de segurança, o Rio continua sendo a principal porta de entrada de turistas no país. Os Jogos Pan-Americanos, abertos na sexta-feira, estimularam investimentos na rede hoteleira. Cerca de 3.000 novos quartos foram construídos, com sensível melhoria na infra-estrutura setorial.

No início dos anos 1990, quando o Rio de Janeiro foi escolhido para ser a sede do mais importante evento global sobre ambiente, previa-se um fiasco brasileiro aos olhos do mundo. Mas a Rio-92 foi um sucesso, a ponto de se cogitar atualmente a segunda edição, também no Rio, desse encontro de cúpula mundial.

Seis meses atrás, cansamos de ver reportagens sobre o "inevitável" fracasso do Pan, porque as obras não estariam concluídas a tempo e porque seria impossível garantir a segurança dos visitantes. Previsões erradas até agora. Cruzemos os dedos para que o sucesso dos primeiros dias dos Jogos se confirme.

Com as obras do Pan-Americano, o Rio de Janeiro, tantas vezes tido como esvaziado e decadente, está mais bonito do que nunca e preparado para ser de novo capital brasileira, agora dos esportes. E tem tudo para ser o carro-chefe na disputa brasileira por dois grandes eventos de repercussão mundial: a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.


BENJAMIN STEINBRUCH, 54, empresário, é diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, presidente do conselho de administração da empresa e primeiro vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). bvictoria@psi.com.br

sexta-feira, 13 de julho de 2007

O Filtro de Thomas Traumann

Excelente apanhado da imprensa sobre o PAN feita pela newsletter O Filtro da revista Época


O Pan de cada um

O Pan começa oficialmente hoje e já dá para ver como será a cobertura dos jornais. Os destaques:

Los Angeles Times, dos EUA: "O teste verdadeiro para o Rio será o de tornar a cidade segura".

La Nacion, da Argentina: "Se o Brasil cumprir essa prova com êxito, terá avançado no objetivo de organizar a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016"

East Day, da China: "O Comitê Olímpico Internacional admitiu a possibilidade do rio ser candidata à sede das Olimpíadas de 2016".

Wall Street Journal, dos EUA: "Para derrotar a cidade americana de San Antonio, o prefeito do Rio, Cesar Maia, argumentou que a criminalidade carioca seria menos perigosa que a possibilidade de um atentado terrorista nos EUA".

Agência Bolivariana de Notícias, a estatal da Venezuela: "Nunca nenhum governo apoiou tanto o esporte venezuelano quanto Chávez".

O Globo, do Rio: os principais títulos são "Estréia folgada em dia de apertos", "trânsito é o que aflige Cesar Maia" e "Depois do Cristo, o alto astral do Pan".

Extra, do Rio: "Na Vila,o assunto é um só: assédio sexual".

O Dia, do Rio: "Prefeitura dá 100 mil ingressos para o Pan".

Folha, de São Paulo: os principais títulos são "Abertura é comparada à Titanic", "paixão nacional, futebol encalha ingressos na estréia", "cerimônias custam 72% dos recursos da Lei Piva" e "caos no trânsito é o primeiro teste para a organização".

O Estado, de São Paulo: os principais títulos são "Pan 2007, um começo com estádio vazio", "Palco está pronto. Graças à polícia" e "Com problemas, Rio briga pela Olimpíada"

O lucro do Pan

Como a Folha e O Estado esculhambam o PAN (Leiam hoje, por exemplo, os artigos de Barbara Gancia e Jánio de Freitas, na Folha) aqui vai o editorial de hoje do jornal O Globo

O lucro do Pan De 1998, quando o Rio lançou a candidatura aos Jogos Pan-Americanos de 2007, a hoje, dia da festa de inauguração da competição, passaram-se nove anos de trabalho, desencontros, sonhos que não se realizaram, mas, acima de tudo, foi um período em que a cidade viu nascer um projeto do qual pode se beneficiar, e muito. Não só a cidade, mas o estado e o país.

Foi a vitória na disputa com a rival americana San Antonio, no Texas, comemorada na Cidade do México em agosto de 2002, que, para o carioca, ligou o relógio da contagem de tempo do Pan. Nas pranchetas, o projeto era amplo e acenava para a cidade com um legado de obras importantes de infra-estrutura de transporte de massa.

O paralelo inevitável era a experiência de cidades no mundo que se tornaram palco de Olimpíadas e com isso rejuvenesceram urbanisticamente.

Seria, então, debelada uma grave deficiência do Rio.

Ficou aqui, no entanto, a grande frustração do Pan, com a impossibilidade de ser executada a ligação, por metrô, do Jardim Oceânico, na Barra, com a Gávea (Praça Santos Dumont), e construído o corredor exclusivo para ônibus entre Barra, Jacarepaguá, Madureira, Irajá e Penha.

Numa primeira fase, as desavenças político-eleitorais entre o casal Garotinho, no poder no Palácio Guanabara, o prefeito Cesar Maia e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegaram a ameaçar o projeto. Confirmava-se a trágica maldição que persegue o Rio, a de que seu administrador, o inquilino do Palácio Guanabara e o presidente dificilmente se entendem, por terem projetos políticos e pessoais que se chocam.

Tendem a ser mais adversários do que parceiros.

Havia outros problemas.

Demandas judiciais, como as envolvendo o Autódromo e a Marina da Glória, somadas à proverbial lentidão da burocracia pública, também justificavam previsões pessimistas.

Entidades representativas de pilotos queriam preservar o Autódromo a qualquer custo, enquanto o Iphan, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, embargava a obra da garagem de barcos de competição prevista pelo projeto para a Marina da Glória. No Autódromo, a Justiça desimpediu o caminho; na Marina, a saída foi fazer instalações provisórias.

Aos poucos os cronogramas avançaram, e soluções alternativas aos impasses que pareciam incontornáveis foram dadas. Até que a mudança do cenário político no Rio de Janeiro, com a vitória de Sérgio Cabral nas eleições de 2006, serviu para firmar a aliança entre prefeito, governador e presidente que viabilizaria de vez o Pan.

Pode-se discutir inúmeros aspectos dos Jogos. Investimento é um deles. Foram feitas várias projeções orçamentárias, mas este é um tema que só poderá ser debatido com objetividade quando for feito um balanço final de todo o empreendimento.

O último número oficial é de R$ 3,5 bilhões, divididos entre governo federal, estado e município. Mas mesmo esta cifra é polêmica, por incluir a construção do novo terminal do Santos Dumont, obra que teria de ser executada de qualquer forma, e o empréstimo para a edificação da Vila Pan-Americana, a ser pago pelos compradores dos imóveis.

Ou seja, não se trata de investimento público, portanto não pode ser contabilizado como despesa no orçamento do Pan.

O prefeito Cesar Maia aposta que tudo o que foi investido pelo Estado retornará de alguma forma.

Não se deve esquecer, também, que o conjunto esportivo do Pan serve como uma espécie de caução para a cidade e o país entrarem na disputa para sediar as Olimpíadas com mais chances de vitória.

Se o Rio não teve as obras viárias, passou a contar com uma estrutura esportiva de Primeiro Mundo, capaz de sediar grandes competições internacionais, em várias modalidades, e abrigar outros eventos, como shows de todo tipo. Herdará, ainda, equipamentos de última geração para a segurança pública e inteligência policial, cujo retorno é intangível, mas, por definição, valioso.

Tudo vai depender da capacidade de os governos administrarem de maneira competente todo o acervo.

No caso do complexo esportivo, sempre com a iniciativa privada.

Sem ela, a chance de êxito será nula. Impossível admitir que a estrutura do Pan tenha o destino do Maracanã, um histórico cabide de empregos a serviço do clientelismo. Pelo menos até agora, existem boas perspectivas nesse campo. O Fluminense e o Botafogo inauguraram o Engenhão e se dispõem, em parceria com capitais privados, a explorar o estádio. A arena multiuso, por suas características, também é adequada a concessões, e assim por diante. Outro grande desafio para as autoridades começará, portanto, depois dos Jogos.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Le président Lula débloque 1,25 milliard d'euros pour les favelas de Rio


Le Monde

Le déblocage de 1,25 milliard d'euros pour l'urbanisation des bidonvilles de l'Etat de Rio de Janeiro a été salué, mardi 3 juillet, par les organisations non gouvernementales en contact avec la population locale. Le financement, destiné à l'ouverture de routes goudronnées et de réseaux d'égouts, la construction de crèches, de logements et d'équipements urbains, a été annoncé, lundi, par le président Luiz Inacio Lula da Silva (Parti des travailleurs, PT, gauche) et le gouverneur Sergio Cabral (Parti du mouvement démocratique brésilien, PMDB, centre).


"C'est une annonce très positive, car Rio a besoin d'investissement social pour contrecarrer l'emprise des trafiquants de drogue", confie Silvia Ramos, responsable du Centre d'études sur la sécurité publique et la citoyenneté, à l'université privée Candido-Mendes. "Au Complexo do Alemao, nous formons des dirigeants communautaires, explique-t-elle. Jusqu'à présent, la politique de sécurité publique s'est limitée à des opérations de police musclées, peu efficaces en termes de confiscation d'armes et très coûteuses en vies humaines."

Depuis deux mois, les incursions des forces de l'ordre ont ainsi provoqué la mort d'une cinquantaine de personnes. Les autorités de l'Etat de Rio ont mobilisé jusqu'à 1 250 membres de la police militaire (gendarmerie), soutenus par 250 éléments de la nouvelle force de sécurité fédérale, un corps d'élite. Fin juin, une opération de police dans l'ensemble des favelas (bidonvilles) du Complexo do Alemao, bastion du gang Comando Vermelho (commando rouge), a provoqué la mort de 19 personnes.

Selon le président de la commission des droits de l'homme de l'Assemblée de Rio, le député Alessandro Molon (PT), les registres de l'Institut de médecine légale indiquent que trois d'entre eux ont été tués d'une balle dans la nuque et que cinq autres l'ont été à une très courte distance. Human Rights Watch (HRW) et d'autres ONG ont demandé l'ouverture d'une enquête.

Silvia Ramos ne croit pas que des innocents aient été tués au cours de l'opération, mais juge plausibles les exécutions sommaires. " La police fait des incursions ponctuelles, mais ne contrôle pas le terrain, estime-t-elle. Une ambulance ne peut pas y entrer faute d'accès asphalté. Il est question de construire un funiculaire comme celui qui a relié les bidonvilles des hauteurs de Medellin (en Colombie) à la ville." Le maire de Rio, Cesar Maia (droite), s'inspire de l'expérience de la Colombie face au fléau du narcotrafic. "La police de Rio n'est pas équipée, n'est pas motivée et sa conduite n'est pas irréprochable, a-t-il déclaré. La reconstruction de la police est nécessaire."

UN PACTE TACITE

Le nouveau secrétaire à la sécurité de l'Etat de Rio, José Mariano Beltrame, un ex-officier de la police fédérale originaire du Rio Grande do Sul, a suscité un scandale en suggérant que la police et les trafiquants étaient liés auparavant par un pacte tacite de non-agression. Les précédents gouverneurs, Rosinha Matheus et son époux Anthony Garotinho (PMDB), deux populistes évangéliques, avaient de mauvais rapports avec le gouvernement fédéral, ce qui a contribué à aggraver l'insécurité à Rio. En revanche, l'actuel gouverneur, Sergio Cabral, est un allié de Brasilia. "Nous voulons concurrencer le crime organisé en améliorant les conditions de vie des pauvres, a déclaré le président Lula. La majorité des habitants des favelas sont des gens honnêtes, des travailleurs."

Rio de Janeiro doit accueillir, du 13 au 29 juillet, 14 000 athlètes des Jeux panaméricains. Pour éviter des incidents, 18 000 agents de police seront déployés, dont 6 000 de la force fédérale.

Paulo A. Paranagua