PMDB condiciona aliança com PT em 2010 a acordo nas eleições deste ano
Raymundo Costa - VALOR
A eventual aliança entre PT e PMDB em 2010, como quer e tem defendido o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, precisa passar no teste das eleições municipais de 2008, segundo avaliação feita na cúpula pemedebista. Para o PMDB, Lula e os petistas estão atrasados em relação a PSDB e DEM e precisam abrir logo negociação em torno de quatro praças que considera decisivas para para o futuro da aliança - São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador, não por acaso, as capitais dos quatro maiores colégios eleitorais do país.
O PMDB está atento ao desembaraço com que PSDB e DEM já tratam das eleições municipais. O partido acompanha especialmente a situação de Belo Horizonte, onde o governador mineiro Aécio Neves ensaia uma aliança tucano-petista com o prefeito Fernando Pimentel. É o tipo de entendimento que terá repercussão sobre a eleição de 2010, se for concretizado. Os pemedebistas acreditam que têm alternativas para a capital mineira, mas só depois da posse da nova direção do PT, na próxima semana, a conversa entre os dois maiores partidos do país deve ser retomada.
Uma dessas alternativas é o nome do ministro das Comunicações, Hélio Costa, uma vez que o petista mais bem posicionado nas pesquisas para a prefeitura, o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), é cotado para disputar o governo do Estado, em 2010, ou até mesmo a Presidência da República, na sucessão de Lula - Patrus é o responsável pelo sucesso do principal programa social do governo, o Bolsa Família. Além do PMDB, o próprio ministro do Desenvolvimento vê com apreensão os movimentos de Fernando Pimentel em direção aos tucanos.
Patrus não tem comentado as articulações tucano-petistas, mas o Valor apurou que o ministro defende, para Belo Horizonte, a mesma aliança que Lula prega nacionalmente: a do PT com o PMDB. Incomoda a Patrus, também, o fato de Pimentel tratar da aliança com o governador Aécio Neves como um fato consumado, já que ele, Patrus Ananias, não se dispõe a se candidatar a prefeito. Passa a impressão, segundo os correligionários do ministro, de que ele está confrontando a cidade que já governou (1993-1997).
A rigor, Patrus Ananias não teria nada contra uma aliança com Aécio, mas julga prematura qualquer decisão, pois, de antemão, descarta quadros do PT e a própria aliança nacional com o PMDB. Além disso, argumentam os aliados de Patrus e os pemedebistas, desde já estabelece a candidatura de Pimentel ao governo estadual, com o apoio de Aécio, sem levar em consideração a candidatura de Patrus ao posto. A direção nacional do PT também vê com desconforto a aliança.
Para os dirigentes do PMDB, o que existe atualmente entre os dois partidos é uma aliança político-administrativa que pode se transformar numa aliança eleitoral em 2010. “Mas para haver 2010 é preciso haver antes 2008″, nos termos de um integrante da cúpula partidária. Um exemplo de empenho do governo que deve ajudar na composição eleitoral, de acordo com os pemedebistas, será a nomeação de Miguel Colassuono para uma diretoria de Furnas, prometida mas ainda não efetivada pelo governo. Isso ajudaria a compor o PMDB de São Paulo em torno da candidatura petista da ministra do Turismo, Marta Suplicy.
Marta e o PMDB entraram em conflito nas eleições de 2004, quando Marta, que então disputava a reeleição, decidiu-se por uma candidatura puro-sangue: ela vetou uma coligação com os pemedebistas, que ofereciam para vice o deputado e presidente nacional do partido, Michel Temer.* Marta optou pelo nome de Rui Falcão e perdeu por pequena margem. Ainda hoje há quem atribua a derrota para José Serra à ausência do PMDB na chapa. Os pemedebistas não têm grande bancada na Assembléia Legislativa ou na Câmara Municipal: sua força está no tempo de televisão do partido, que é medido em relação ao tamanho da bancada federal.
Na avaliação feita pelo PMDB o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aprendeu a lição de 2002: um dos motivos da derrota do tucano José Serra, em 2002, teria sido a displicência com que FHC tratou da coligação com o antigo PFL, hoje DEM. Na época, o combinado era que, se o PSDB tinha o presidente, PMDB e PFL dividiram as presidências da Câmara e do Senado. O acordo foi rompido quando Aécio Neves, então deputado, atropelou a candidatura pefelista na Câmara (No Senado, elegeu-se Jader Barbalho e os pefelistas foram alijados do comando das duas casas).
É isso o que explica, segundo o enredo pemedebista, o empenho redobrado que tanto FHC quanto Serra procuram na aliança com o DEM do prefeito Gilberto Kassab, na disputa paulistana - se não der certo, não poderão ser acusados de ter “roído a corda”, como foram no início dos anos 2000. É algo que Lula precisa ter em mente em relação ao PMDB, segundo os mais experientes integrantes da sigla.
O próprio PMDB tem problemas para resolver, como demonstra a situação do Rio de Janeiro, terreno há anos sob o controle da oposição a Lula. Primeiro no governo do Estado e na prefeitura. Por enquanto, só na prefeitura, onde Cesar Maia (DEM) cumpre o segundo mandato. Com Sérgio Cabral (PMDB), o governo estadual é agora um aliado incondicional de Lula, mas não conseguiu viabilizar um nome para a sucessão na capital. Pior ainda: não domina a máquina partidária, reduto do ex-governador Anthony Garotinho. O PT também não dispõe, até agora, de um nome viável eleitoralmente. Mas os pemedebistas acham que é possível se encontrar uma solução competitiva, quando Lula efetivamente assumir as articulações.
Em Salvador, uma situação clássica: o atual prefeito, eleito pelo PDT mas atualmente filiado ao PMDB, é João Henrique. Ele é candidato à reeleição com o apoio do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. Mas o PT também tem um candidato posicionado na linha de largada: o ex-líder na Câmara Nelson Pellegrino, que foi candidato nas eleições passadas e perdeu por boa margem. Ocorre que agora o PT comanda o governo do Estado, com Jaques Wagner, e Pellegrino vislumbra a possibilidade de uma sorte melhor nas eleições de outubro. A tradição do PT é de concorrer com candidato próprio, sem levar muito em consideração o aliado de governo. A Bahia será um teste decisivo para definir se a aliança PT-PMDB tem fôlego para se manter além dos palanques municipais, até a sucessão de 2010.
* Esta versão da história não corresponde aos fatos, porém foi amplamente divulgada e tida como verdadeira por muitos. Nunca foi proposto o nome de Michel Temer para vice da Marta em 2004. O PT-SP e o PMDB-SP tinham fechado um acordo eleitoral que tinha como contrapartida a participação do PMDB, com duas secretárias, no governo municipal. Posteriormente o PMDB, por decisão de Orestes Quércia voltou atrás, rompeu o acordo e solicitou o cargo de vice, que o PT não aceito porque já tinha escolhido Rui Falcão como candidato ao cargo. LF




Técnica, ética e política

près la révolution du marketing politique, réalisée depuis son entrée à l'Elysée par le chef de l'Etat, voici venu le temps de la rénovation du management gouvernemental. En annonçant que l'action de chaque membre de son équipe serait désormais évaluée sur la base de critères concrets, chiffrés et publics, le chef du gouvernement a adressé un message très clair à ses ministres aussi bien qu'aux Français : la France doit être gérée comme une entreprise moderne, efficace et sérieuse. Chacun de ses "collaborateurs" de haut rang devra donc se conformer à une "culture du résultat" digne des multinationales. Le premier ministre a d'ailleurs fait appel à un cabinet privé pour établir ces tableaux de bord et ces indicateurs de performance.
e député socialiste Pierre Moscovici a qualifié, vendredi 4 janvier, de "gadget dangereux qui porte atteinte à la responsabilité du gouvernement devant le Parlement" l'initiative de MM. Fillon et Sarkozy d'évaluer chacun des quinze ministres sur la base de trente indicateurs trimestriels (Le Monde du 4 janvier). "Tout ça, que j'ai trouvé très malsain, illustre bien qu'on est dans une mauvaise logique managériale", a-t-il déclaré sur RMC. L'eurodéputé PS Benoît Hamon a pour sa part jugé "pitoyable" le système d'évaluation des ministres, estimant que "le meilleur baromètre" de leur action demeurait les élections.




