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segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Renda média familiar no Nordeste cresce 12%

Lavrador Do Sertão Nordestino
Valor

A região Nordeste foi a que apresentou o maior crescimento da renda média familiar entre os anos de 2005 e 2006 no país, atingindo 12%, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A renda familiar média na região, que envolve salários e transferência de recursos de governo, subiu de R$ 676,64 reais para R$ 761,16. Já a renda disponível, referente aos valores que ficam efetivamente no bolso dos consumidores, teria aumentado 38% na mesma comparação.

Na avaliação do economista Luís Henrique Romani de Campos, da Fundação Joaquim Nabuco, vinculada ao Ministério da Educação, a elevação da renda familiar média no Nordeste brasileiro foi influenciada pela ampliação do investimento em vários pontos da região. Segundo o pesquisador, houve um crescimento industrial importante no Nordeste nos últimos dois anos. "E a tendência é de aumento desse movimento."

Romani de Campos disse que o Produto Interno Bruto (PIB) do Nordeste, que é a soma das riquezas produzidas na região, deve crescer entre 5,5% a 6% por ano nos próximos anos, acima da média nacional, prevista entre 4,5% a 5% ao ano. "A tendência é que o Nordeste cresça mais que o Brasil", diz o economista.

Ele acredita que esse desempenho está fortemente atrelado ao aumento real do salário mínimo. Segundo ele, especialmente para os trabalhadores rurais que recebem aposentadoria, essa é uma grande fonte de renda no sertão e na Zona da Mata, resultando em grande movimentação na economia local. "Quando há um aumento real do salário mínimo, há aumento real do rendimento de uma classe da população menos favorecida e que acaba consumindo muito. Isso gera efeitos multiplicadores na economia como um todo."

Romani diz ainda que o crescimento do PIB nacional influencia o desempenho do Nordeste "em níveis chineses". "Isso influencia porque alguns trabalhadores mais qualificados já estão faltando no mercado de trabalho. A parte de engenheiros civis, por exemplo, já está com salários bem aumentados nos últimos anos, por conta do aquecimento da construção civil".

Pesquisa do Instituto Cetelem-Ipsos revela que as exportações nordestinas exerceram um papel decisivo no desempenho da região no período de 2000 a 2005. A taxa de crescimento das exportações nos últimos cinco anos teria atingido 19,6%, superando a média nacional de 17%, alcançando 31,4% nos últimos dois anos.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O caixa 2, o Nordeste e o conselho que não darei a FHC


Blog de Alon

Qual será, para a eleição de presidente em 2010, o efeito da crise desencadeada pela denúncia do Procurador Geral da República contra os envolvidos no caixa 2 do então candidato à reeleição pelo PSDB ao governo de Minas Gerais em 1998, o hoje senador Eduardo Azeredo (PSDB)? Muito provavelmente nenhum. Do mesmo modo que foi nulo na presidencial de 2006 o efeito da tempestade provocada pelas acusações de Roberto Jefferson em 2005, o "mensalão". Servirá, entretanto, para infindáveis duelos verbais, midiáticos e mercadológicos entre petistas e tucanos. Mas, pelo menos num aspecto a nova denúncia tem utilidade: ela oferece um novo "gancho" jornalístico para recolocar na agenda a "pauta ética". Aliás, a convenção tucana foi prenhe de discursos destinados a reanimar essa cambaleante agenda. Segundo o site do PSDB,

Ao transmitir o cargo de presidente do PSDB nesta sexta-feira, o senador Tasso Jereissati (CE) afirmou que a democracia e os valores éticos e morais da nação estão em risco. "Todo o trabalho de trazer a ética para vida pública, de colocar a democracia como valor fundamental da nação, está em risco. O governo Lula é a principal fonte de destruição desses valores", alertou. Para o tucano, a impunidade que marca a gestão petista passou à população a impressão de que "roubar é normal". "Nosso papel hoje é dizer não: corrupção não é normal, falta de ética não é normal. O coração de uma sociedade são seus valores éticos e morais. Temos de dizer um basta a essa crise", argumentou.

Clique aqui para ler a reportagem completa sobre a fala de Tasso no encontro tucano. O observador que não sofre de amnésia, porém, lembra-se de que poucas semanas atrás o então presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati, participava de uma tentativa de acordo com o governo Luiz Inácio Lula da Silva para prorrogar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A CPMF, se prorrogada, dará ao governo federal cerca de R$120 bi até o fim deste mandato de Lula. Se o senador achasse mesmo que o governo Lula é "a principal fonte de destruição" dos "valores éticos e morais da nação" certamente nem cogitaria de dar ao presidente essa gordura orçamentária para gastar. Ou então o senador só chegou a essas conclusões sobre o governo Lula depois que micou o acordo com o Executivo petista. Mas Tasso Jereissati não está sozinho no nonsense. O novo presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), também bateu duro durante o evento tucano. Segundo o site do PSDB,

Guerra afirmou que o país precisa de governo transparente, "sem donos", "sem aloprados" e "sem montanhas de dinheiro". O tucano se referiu aos escândalos de corrupção na administração petista. "Lula esqueceu o Nordeste, os trabalhadores, o povo e se tornou instrumento do populismo e das elites", rechaçou.

Clique aqui para ler a reportagem completa. Chamou especialmente minha atenção a frase "Lula esqueceu o Nordeste". Por diversas razões. A mais vistosa delas é que Lula deu uma lavada no tucano Geraldo Alckmin ano passado em Pernambuco, estado de Guerra. Lembremos do resultado do segundo turno no estado:

Lula - 3.260.996 votos (78,5%)
Alckmin - 894.062 votos (21,5%)

No primeiro turno tinha sido assim:

Lula - 2.993.618 votos (70,9%)
Alckmin - 964.730 votos (22,8%)

Mas o eleitor sempre pode se enganar, não é? Com base nessa precaução, fui pesquisar um pouco para saber o que de fato se passa na região do país representada pelo novo presidente do PSDB. E encontrei o estudo Ambiente de negócios - região Nordesde (2007), da consultoria Deloitte. O texto é dirigido a potenciais investidores. Empresários, como o senador Sérgio Guerra. Vale a pena fazer o download. Diz o relatório que

As atividades consideradas tradicionais na região, como os setores de serviços e de turismo, além das indústrias têxtil, sucroalcooleira e de alimentos e bebidas, têm continuado a receber investimentos. Entretanto, outra realidade transforma a economia nordestina, tornando-a mais atrativa, seja pela clara diversidade industrial, como também pelo crescimento significativo da indústria petroquímica, do comércio de bens de consumo, das atividades de comércio exterior e das oportunidades de investimentos em áreas como a de biocombustíveis.

Diz também que

Vários fatores contribuíram para impulsionar a região nos últimos anos. O contexto macroeconômico estável, a proximidade de fontes de matérias-primas, a média salarial praticada e a disponibilidade de incentivos fiscais têm contribuído para a atração de investimentos estrangeiros e a migração de indústrias de outras regiões do País. Além disso, agrega-se a melhora na infra-estrutura portuária, estimulando a competitividade das empresas locais e facilitando o escoamento da produção para destinos internacionais.

O estudo traz um gráfico sobre o crescimento industrial nordestino em 2006 (clique na imagem para ampliar):

Vai bem Pernamuco no governo Lula. Aliás, a região toda vem ampliando fortemente na última década sua participação no produto industrial. Veja o gráfico abaixo, do mesmo estudo (clique para ampliar):

E tome otimismo:

(...) os indicadores econômicos refletem o crescente dinamismo da Região Nordeste na atração de novos investimentos. Segundo dados do Banco do Nordeste (BNB), os investimentos privados financiados pela instituição passaram de R$ 300 milhões em 2001 para mais de R$ 3 bilhões em 2006. No mesmo período, as liberações de recursos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a Região passaram de R$ 3,3 bilhões para R$ 4,8 bilhões. Somente no último ano, os financiamentos destinados para o Nordeste registraram um crescimento de 27%, superior ao incremento de 9% nas liberações totais da instituição de fomento. Entre os setores mais dinâmicos, destacam-se os de turismo, petroquímico, comércio de bens de consumo, construção civil e agroindústria, principalmente na fruticultura e na produção do biocombustível. Além dos investimentos privados, adiciona-se o investimento público previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado pelo Governo Federal no início de 2007. O PAC, que prevê investimentos em infra-estrutura da ordem de R$ 503,9 bilhões em todo o Brasil, destinará R$ 80,4 bilhões ao Nordeste (aproximadamente 16%), que se apresenta como a segunda região mais beneficiada, após o Sudeste.

Outra informação interessante do relatório é que no governo Lula a região Nordeste deixou de ser importadora e passou a exportadora. Veja o gráfico abaixo (clique para ampliar):


E como esse impulso exportador se dá?

O incremento no valor das exportações regionais está relacionado, principalmente, à mudança no mix de produtos, com maior participação daqueles de valor agregado mais elevado. Os dados reforçam as mudanças estruturais ocorridas no perfil da produção industrial nos últimos anos, resultando no incremento da participação de produtos industrializados, tais como os dos setores automotivo, petroquímico, papel e celulose, siderúrgico, calçadista, têxtil e veículos. Destacam-se, também, os produtos básicos, como soja e fruticultura, com ênfase nas indústrias do agronegócio localizadas no Vale do São Francisco (Bahia e Pernambuco).

Não vou tomar mais tempo de vocês. Quem quiser, que leia o relatório. Este post começou com uma divagação sobre escândalos e seguiu mostrando o contraste brutal entre a realidade do Nordeste e como a descreve o novo presidente do PSDB. Mas não poderia deixar de comentar também a referência do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à falta de educação formal do sucessor. FHC jamais deveria fazer esse tipo de crítica a Lula. Pois o governo Lula é melhor do que foi o governo FHC. Se o sujeito com menos instrução faz o mesmo trabalho mais bem feito do que o sujeito com mais instrução, o mérito é do menos instruído, e não do mais instruído. Parece lógico. Quando FHC desdenha da educação formal de Lula, apenas reforça a idéia de que ele próprio, FHC, poderia ter feito algo mais quando esteve no Palácio do Planalto. O ex-presidente deveria achar outro mote para insuflar a galera dele. Alguém deveria dizer isso a FHC. Mas não serei eu. Pois eu confesso que ando cada vez menos propenso a gastar tempo com conversas de políticos que não encontram eco na realidade. Ou a desperdiçar energia com operações midiáticas para as quais, afinal, o povo não está nem aí.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Ceará terá recursos para a área de turismo

A ministra do Turismo, Marta Suplicy, o Ceará, onde anuncia investimentos

Jornal O Povo de Ceará


Clique para ampliar foto

A ministra do Turismo, Marta Suplicy, visita nesta quinta-feira (4) o Ceará, onde anuncia investimentos para o setor de turismo. Serão assinados 17 convênios com o governador Cid Gomes para a aplicação de recursos do Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (Prodetur NE 2) em infra-estrutura turística.

Marta Suplicy assina também com o governador e com a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, termos de cooperação técnica nas áreas de turismo sustentável e infância para viabilizar a execução do projeto Inclusão Social com Capacitação Profissional.

Agência Brasil

Comentário no Opovo.com.br

JA TAVA MAIS QUE NA HORA DE INVESTIREM MAIS NO TURISMO DO NOSSO ESTADO,SABENDO QUE O CEARA E UMA DAS ROTAS TURISTICAS MAIS PROCURADAS DO NORDESTE E POR QUE NAO DO BRASIL,ULTRAPASANDO ATE MUITOS PAISES EUROPEUS.MARTA SUPLICY ESTA DE PARABENS POR ESSA INICIATIVA.

Joao Izael Lopes Ribeiro




quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Recursos do Prodetur vão melhorar setor de turismo em Pernambuco

Recife - A pavimentação da estrada que liga a praia de Porto de Galinhas a Macaraípe, no litoral sul de Pernambuco, não é a única obra a ser executada no estado com o financiamento de R$ 12 milhões, do Programa de Desenvolvimento do Turismo do Nordeste (Prodetur), que será liberado hoje (3), no Recife, pelo Ministério do Turismo.

Segundo a ministra Marta Suplicy, que assina o convênio à tarde com o governador Eduardo Campos, no Palácio Campo das Princesas, também está programada a construção de uma área de lazer, com instalação de equipamentos para a prática de atividades esportivas, e um parque de esculturas.

Ela disse que outro convênio, no valor de R$ 170 mil, a ser firmado na mesma cerimônia com o governo estadual, resultará na elaboração de uma pesquisa com o objetivo de identificar a necessidade de qualificação profissional e empresarial da população local para receber melhor os visitantes.

De acordo com Marta Suplicy, existe atualmente um programa do ministério, de divulgação dos destinos de Porto de Galinhas e Fernando de Noronha nos Estados Unidos. “Os norte-americanos integram o segundo contingente de pessoas que viajam ao Brasil, principalmente para participar de eventos de negócios em São Paulo. Não temos nada contra essa prática, queremos apenas que eles possam vir também fazer lazer nas praias do Nordeste, incluindo no roteiro Porto de Galinhas e Fernando de Noronha”, disse.

No fim da tarde, a ministra participa, juntamente com o prefeito de Recife, João Paulo, da inauguração de obras de requalificação turística do Mercado de São José, um dos centros comerciais mais antigos do Brasil.

O local, que recebeu investimentos de R$ 1,6 milhão, resultado de parceria entre o governo federal, a prefeitura e a Fundação Banco do Brasil, passou a ser dotado de rampas de acesso para usuários de cadeiras de rodas e sinalização em português, francês, inglês e espanhol nos corredores, para orientar visitantes sobre produtos comercializados, a exemplo de artesanato e alimentos, nos mais de 500 boxes.

Fonte Folha de Pernambuco

Marta Suplicy assina com BID finaciamento para turismo na Amazônia e no Nordeste


BID vai financiar turismo do Brasil

Banco programa destinar US$ 1 bilhão a projetos na Amazônia e em outras regiões, como Nordeste

Jamil Chade

O Estado de São Paulo

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o governo brasileiro vão fechar neste mês um pacote de financiamento para o desenvolvimento do turismo na Amazônia. O acordo deve ser concluído no dia 17, em Washington, e prevê mais de US$ 200 milhões. O BID pretende financiar projetos de turismo no Brasil no total de US$ 1 bilhão, incluindo o Nordeste e outras áreas.

Projeção feita pelo governo brasileiro é de que o potencial da Amazônia é de atrair 3 milhões de visitantes estrangeiros por ano. Hoje, são apenas 860 mil. Todo o Brasil recebe cerca de 5 milhões de turistas por ano. Montenegro, um dos menores países da Europa, por exemplo, recebeu no ano passado mais turistas que toda a Amazônia, cerca de 1,2 milhão.

O governo diz que a renda do turismo poderá ser fundamental para municípios da região. 'A Amazônia pode ser um dos principais destinos turísticos do mundo na próxima geração e o Brasil precisa se preparar para isso e cuidar da floresta, inclusive evitando que o cultivo de certos produtos agrícolas gerem danos à região', afirmou o secretário-geral da Organização Mundial do Turismo, Francesco Frangelli .

Nesta semana, ministros e organizações de todo o mundo estão reunidos em Davos, na Suíça, para tentar estabelecer uma estratégia para adaptar o turismo às mudanças climáticas. Para os especialistas, o interesse do mundo por visitar florestas e pelo ecoturismo deve explodir nos próximos anos.

O governo deve publicar até o fim do mês um estudo que identifica os principais produtos e locais que a Amazônia poderá oferecer aos turistas. A partir daí, os Estados poderão se candidatar a receber os recursos. O governo federal promete colocar mais US$ 80 milhões no projeto. Grande parte do dinheiro será investida em infra-estrutura.

Segundo o secretário de Turismo, José Gonçalo, o governo se reunirá nas próximas duas semanas com companhias aéreas americanas para negociar a criação de rotas entre cidades dos Estados Unidos e Manaus, sem ter de passar por São Paulo ou Rio. 'A viagem ao Brasil seria bem mais atrativa, já que representaria apenas cinco ou seis horas de vôo, e não todo um dia', afirmou. O Brasil também quer atrair europeus e asiáticos.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Desigualdade até na pobreza

Nordeste reduz percentual de pobres menos que estados mais ricos.
No Rio, melhoria é recorde

Liana Melo, Cássia Almeida, Letícia Lins e Adriana Baldissarelli*

RIO, RECIFE e FLORIANÓPOLIS Apesar de cerca de seis milhões de pessoas terem ultrapassado a linha da pobreza em 2006, deixando de figurar entre as famílias que ganhavam, mensalmente, menos de R$ 125 per capita, o Brasil continua sendo um país de contrastes, com um Sul rico e um Nordeste pobre. Justamente em alguns dos estados que registram os menores índices de pobreza, a redução do problema foi mais acentuada. Depois de Mato Grosso do Sul, Santa Catarina foi o estado onde a taxa de redução relativa da pobreza foi maior: 26,3%.
No extremo oposto, está o Maranhão, com a menor queda da miséria (-9,73%), apesar de ter sido o estado com o maior ganho de renda no último ano (33,74%).

A conclusão é do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV-RJ), que produziu o estudo “Miséria, desigualdade e políticas de renda: o Real do Lula”, de autoria do economista Marcelo Neri. O levantamento foi feito com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/2006), divulgada na semana passada pelo IBGE. O aumento do emprego formal e do salário mínimo e a expansão do programa Bolsa Família foram os responsáveis pelo incremento de 7,2% na renda do brasileiro, um dos indutores da redução da pobreza, juntamente com a queda da desigualdade.

O que surpreende é Santa Catarina estar entre os que mais reduziram a pobreza.
No estado, o percentual de pobres é de apenas 4,68% da população, o mais baixo do país. Enquanto isso, o Maranhão tem quase metade da população (44,23%) abaixo da linha de pobreza.

— O Nordeste não teve o resultado esperado (seis dos nove estados da região reduziram a pobreza numa intensidade menor que a média brasileira). Uma hipótese possível é que a alta do salário mínimo não teve tanto impacto. Lá, grande parte da população ganha menos que o mínimo — explicou Neri.O economista acredita que uma combinação de capital social e humano e pequenos produtores favoreceu Santa Catarina.

Sonia Rocha, estudiosa de pobreza e desigualdade do Instituto de Estudos de Trabalho e Sociedade (Iets), diz que houve um desematé penho desigual no Nordeste. E atribui a queda da pobreza ao mercado de trabalho, que teve papel fundamental para diminuir a pobreza no Brasil: — Talvez, o que tenha acontecido no Nordeste esteja relacionado ao Bolsa Família, que teve um impacto menor na redução da pobreza no ano passado, já que o valor do benefício foi mantido. Ou seja, perdeu poder de compra. Mesmo com pouca inflação, houve corrosão.

Morador de Ipojuca, em Pernambuco, Clóvis Vitorino Rosa, 40 anos e quatro filhos, sente em casa a melhoria do rendimento, embora seja um pobre trabalhador do corte de cana. Ele afirma que hoje consegue comprar mais do que antigamente, e que o salário que recebe, embora não seja alto, tem sido suficiente para o sustento da família, o que antes não ocorria.

— Hoje, consigo comprar mais mercadoria do que antigamente.

Tem sempre feijão, arroz, farinha e desematé carne em casa. Isso antes não acontecia — afirma ele, cujo salário cresceu 15,72% nos últimos dois anos.
Além disso, Rosa, a mulher e os filhos engordam sua renda com os R$ 95 do Bolsa Família, benefício social que tem um grande peso na economia do Nordeste, principalmente nas áreas rurais.


Ganho de renda no Rio só perde para o de Belo Horizonte

No Sul do país, para a catarinense Fabíola Silva Leite, a passagem da situação de miséria não está marcada na carteira de trabalho nem em extrato de conta bancária. Esses documentos ainda lhe faltam. A prova de que conseguiu romper a linha estatística é o carnê de uma loja de departamentos. Há quatro meses, pela primeira vez na vida, ela conseguiu obter crédito formal. Acertou seis parcelas de R$ 30 e comprou o sonhado aparelho de DVD para o lazer da família.

— Só faltam duas prestações.

Nunca imaginei que iria conseguir. Fabíola faz a triagem de materiais recicláveis da Associação Recicladores Esperança (Aresp) há um ano e oito meses. Quando chegou à equipe, conseguia uma renda de R$ 35 por semana. Nos últimos meses, fatura mais, em torno de R$ 400 por mês: — Todo o dinheiro é para a comida. A gente pensa primeiro na barriga dos filhos, não sobra para comprar roupa.

Outro desempenho regional que chamou a atenção foi o do Rio de Janeiro. Segundo André Urani, do Iets, a Região Metropolitana do Rio, que concentra 75% da população fluminense, reduziu em 19,28% o número de pobres.

O que significou menos 600 mil pessoas ganhando até R$ 183 (a linha de pobreza do Iets é diferente da usada pela FGV). Na indigência (R$ 92 de ganho domiciliar per capita), a queda foi ainda maior: 24,8%. No ganho de renda, o Rio, com alta de 12,23%, só ficou atrás de Belo Horizonte.

— O Rio saiu-se melhor que o Brasil, na renda, na pobreza e na indigência. E a Região Metropolitana, em crise há mais de dez anos, renasceu. Cresceu mais que o resto do estado nesses indicadores, invertendo tendência de quase uma década — disse Urani.

(*) Especial para O GLOBO

sábado, 15 de setembro de 2007

Algo melhorou

Celso Ming

O Estado de São Paulo (para assinantes)

Para melhorar de vida, as pessoas são capazes de tudo. Na versão do dramaturgo inglês Christopher Marlowe (século 16), o Doutor Fausto, símbolo do homem, vendeu a alma ao Diabo em troca de três coisas: comer até fartar-se, vestir roupas finas e voar entre as estrelas.

Mas Fausto quase nunca valoriza o que já obteve. Tem uma enorme propensão a lamentar-se por ainda não ter conseguido tudo. Por isso é preciso lembrá-lo de quanto progrediu.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) faz o inventário anual da trajetória do Fausto brasileiro. O levantamento de 2006 mostra notórios avanços, embora sempre se possa dizer que nenhum dos grandes objetivos originais esteja perto de ser alcançado. Comparado com o padrão da Dinamarca, de onde acaba de sair o presidente Lula, o brasileiro continua subalimentado; ainda se veste mal e porcamente; e só mesmo em sonhos e nas novelas de TV se sente voando entre as estrelas. Mas já não dá para sustentar que os resultados da Pnad não passam de propaganda do governo.

Em 2006, o poder aquisitivo do trabalhador brasileiro aumentou 7,2%. O rendimento médio por família (domicílio) passou de R$ 1.494 em 2004, para R$ 1.687. Só no ano passado, cresceu 7,6%. E pormenor importante: foram os mais pobres que melhoraram mais. Isso tem sim a ver com o reajuste do salário mínimo, que foi de 16,7% no ano passado. Mas esse avanço só foi possível graças à derrubada da inflação.

Um notável número de economistas brasileiros que se dizem identificados com as causas dos mais pobres sustenta que é preciso ser tolerante com inflação para beneficiar o crescimento econômico. Fazer o contrário, dizem eles, é fazer o jogo dos neoliberais e dos “rendeiros”, os que vivem de aplicações de capital. Não lhes entra na cabeça que a primeira e principal vítima da inflação são os mais pobres, que não têm defesa contra a desvalorização da moeda. E que o melhor que se pode fazer para ajudar na vida do povão é garantir a estabilidade.

A novidade é que os políticos parecem ter entendido isso mais rapidamente do que esses economistas. Vai ficando claro - não só para o presidente Lula - que não há melhor cabo eleitoral do que uma política econômica vitoriosa no controle da inflação.

Outra revelação da Pnad é a de que, só em 2006, cresceu 4,7% o número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada. De cada 5 novos empregos, 3 foram no mercado formal, com inevitável impacto positivo para as contas da Previdência Social.

Há outros progressos: queda do analfabetismo, melhora do nível de educação, redução do trabalho infantil, etc. Em compensação, a população está ficando mais velha, a taxa de fecundidade está caindo e isso traz problemas novos. Está cada vez mais perto, por exemplo, o dia em que será preciso ter menos escolas e mais lares para os velhinhos.

Convém pinçar mais dois dados de impacto. Em 2005, 71,8% dos domicílios tinham telefone; em 2006, já eram 78,8%. Em 2001, só 12,6% dos lares contavam com computador; no ano passado, já eram 22,4%. São passos importantes para o brasileiro que não abre mão de um dia poder voar entre as estrelas.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Governo Lula: O Globo resume PNAD 2006

IBGE

Renda, escolaridade e expectativa de vida do brasileiro aumentaram

O Globo Online

RIO - O brasileiro está com um trabalho melhor, botando mais dinheiro no bolso e comprando mais celulares. Também ampliou os estudos, tem cada vez menos filhos e vive mais. É o que mostra um dos mais completos retratos do Brasil, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta sexta-feira pelo IBGE.

Confira os resultados da Pnad em infográfico multimídia

Um dos principais destaques da pesquisa foi o aumento da renda média real, que subiu 7,2% em 2006 na maior recuperação desde 1995. No entanto, a alta não foi suficiente para trazer a renda aos níveis de 1996, o ano mais forte da série estudada, de R$ 975.

- O aumento real do salário mínimo nos últimos anos está impactando o rendimento do trabalhador, principalmente a renda das classes mais baixas - afirmou a economista do IBGE Márcia Quinstlr.

A economista destacou que também contribuíram a expansão do emprego do trabalhador com carteira assinada (de 33,1% da população ocupada para 33,8%) e a redução da informalidade (de 51,8% em 2005 para 50,4% em 2006).

" O aumento real do salário mínimo nos últimos anos está impactando o rendimento do trabalhador, principalmente a renda das classes mais baixas "

De acordo com a pesquisa, a metade mais pobre da população foi a mais beneficiada pela recuperação dos salários. Para este grupo, a renda atingiu o valor mais alto em dez anos e chegou a R$ 293, superando o pico de R$ 257 registrados em 2006.

As tendências de melhora nos indicadores já vêm de outros anos, mas o que surpreende na Pnad referente a 2006 é o conjunto dos dados. Praticamente todos os indicadores apresentaram melhora.

A desigualdade continua caindo. A redução foi pequena, mas mostra consistência na lenta melhora das diferenças de renda da população. O índice de Gini (indicador internacional de desigualdade que vai de 0 a 1) vem caindo desde 1993 e em 2006 recuou mais 0,003 para 0,541.

O Brasil menos desigual em 2006 foi influenciado pelo aumento de 13,3% no salário mínimo. A alta de 7,2% na renda média real da população beneficiou principalmente a metade da população com rendimentos menores . A diferença entre ricos e pobres, no entanto, continua alta.

Escolarização é recorde, mas trabalho infantil é alto
A taxa de escolarização foi recorde: quase 96,7% das crianças entre 7 e 14 anos estavam na escola. E uma mudança da lei, que passou a obrigar crianças entrarem na escola um ano mais cedo, elevou em 3% o número de estudantes entre 5 e 6 anos nas salas de aula. A alta foi significativa e a expectativa é que o número continue crescendo nos próximos anos, pois o prazo para implementar a obrigatoriedade é 2010.

A vida moderna também está refletida na pesquisa. O número de residências com um só morador subiu de 10,8% em 2005 para 11,1% em 2006. Além disso, a população está tendo menos filhos : a média caiu de 2,1 filhos por mulher em 2005 para 2 em 2006. E o IBGE diz que o ritmo de queda está muito mais acelerado no Brasil do que aquele observado no passado na Europa, onde a baixa taxa de natalidade da população já é um problema há tempos.

Mas o estudo também mostra que falta avançar. A taxa de analfabetismo caiu, mas ainda é gigantesca. Quase 15 milhões de pessoas não conseguem ler um bilhete. E mesmo com o aumento da formalização a carteira assinada é um privilégio de apenas um terço da população ocupada.

Outro desafio que precisa ser vencido pelo país é o trabalho infantil. De acordo com a Pnad, pelo menos cinco milhões de crianças e adolescentes brasileiros ainda estão trabalhando.

Governo Lula: Recua o trabalho infantil

O trabalho infantil de 5 a 17 anos recuou de 12,2%, em 2005, para 11,5% em 2006, aponta a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2006, elaborada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e divulgada hoje.

O Nordeste foi a região que apresentou a maior participação de trabalhadores "mirins", mas também foi a que apresentou a maior redução entre 2005 e 2006 (de 9,4% para 8,4%).

O perfil do trabalhador infantil é predominantemente homem, negro ou pardo, alfabetizado, sendo que 19% não freqüentam escola.

Folha online

Governo Lula: Crescimento de renda no Nordeste foi em todas as classes

A pesquisa do IBGE (PNAD 2006) indica: O Nordeste foi a região em que todas as classes de rendimento tiveram aumento do poder de compra, diz a pesquisa. Nas demais regiões houve aumento da renda, mas em extratos de menor poder aquisitivo. Segundo a pesquisadora Marcia Quintslr, o efeito mais forte no Nordeste pode ser resultado indireto de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, que movimentam a economia, embora não influam diretamente nos rendimentos.

Folha online

domingo, 1 de julho de 2007

Diário de Maringá

A ministra do Turismo, Marta Suplicy, estará em Natal no próximo dia 16 para assinar um convênio entre o governo federal e a prefeitura para a construção de seis praças em diversos bairros da cidade. Os equipamentos de lazer serão construídos em Panatis II, em Potengi, no entorno da lagoa de captação da rua Eulenes Cardoso, em Lagoa Nova; no Parque das Dunas, em Vista Verde; no Residencial Redinha, no bairro Salinas; e outra entre a rua Joaquim Correa e a Avenida do Sol, em Candelária.

Além da assinatura do convênio para as obras, a ministra Marta visitará o Mercado Modelo construído pela prefeitura no bairro das Rocas, e participará de uma assembléia do Orçamento Participativo de Natal. Os recursos para a construção das praças foram garantidos por uma emenda da deputada Fátima Bezerra (PT) ao Orçamento Geral da União de 2007, apresentada na área de infra-estrutura turística. Segundo a deputada, a liberação dos recursos para a construção dessas praças será imediata. Fátima Bezerra afirmou que no segundo semestre também serão liberados recursos para a construção de outra praça, no Parque Ney Marinho, entre a av. do Contorno e a Pedra do Rosário.

Audiência

A confirmação da vinda da ministra Marta Suplicy a Natal foi feita pelo Secretário Executivo do Ministério do Turismo, Luiz Sérgio Barreto, durante audiência, anteontem, com o prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PSB), acompanhado da deputada Fátima Bezerra. Também estiveram presentes as secretárias Virgínia Ferreira, do Planejamento; Elequicina dos Santos, da SSTU; e Dácio Galvão, da Funcart. Além de Natal, foi solicitada também a liberação de recursos para obras em Janduís e Florania.

Mais noticias

Marcelo Paulino - Especial para O Diário

A notícia de que a ministra do Turismo, Marta Suplicy, concentrará esforços na realização das comemorações dos cem anos da imigração japonesa foi bem recebida em Maringá. De acordo com Shudo Yassunaga, presidente da comissão local do Centenário da Imigração, o apoio do Ministério do Turismo é muito importante.

Além de recursos para o Parque do Japão Memorial Imin 100, que está sendo construído no Jardim Industrial, na zona sul da cidade, também são necessários investimentos em infra-estrutura, para garantir que Maringá receba turistas de todo o Brasil, disse Yassunaga.

Segundo a agência de notícias do governo do Estado, a ministra prometeu investir, ainda este ano, R$ 43 milhões para fortalecer o turismo no Paraná. É preciso que os deputados federais apresentem projetos até o dia 10 de julho, para que o ministério faça as suas prioridades.

De acordo com informações divulgadas pela Prefeitura de Maringá, os municípios de Maringá e Rolândia deverão receber R$ 30 milhões para construção de parques temáticos alusivos aos cem anos da imigração japonesa.