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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Taxa de desemprego deve seguir em queda

Sergio Lamucci - VALOR

A taxa de desemprego deve continuar em queda em 2008, atingindo 8,5% na média do ano, estimam analistas de consultorias e bancos. Em 2007, a desocupação ficou em 9,3%, a menor média anual desde que houve a mudança na metodologia da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), em março de 2002. A avaliação dominante é que o indicador seguirá em baixa por causa da aposta numa expansão ainda forte da demanda interna em 2008. O movimento não deve pressionar significativamente a inflação, dada a expectativa de aumento da produtividade e de maturação dos investimentos.

Magdalena Gutierrez/Valor
Fábio Romão, da LCA Consultores:
aumento da produtividade e a maturação de investimentos
tornam quadro mais favorável para controle da inflação


Os economistas do Bradesco vêem um quadro de melhora estrutural no mercado de trabalho. A expansão consistente da demanda eleva a confiança dos empresários, que se sentem mais seguros para aumentar o número de empregados. Um dos aspectos mais positivos da evolução recente do emprego é o avanço expressivo da formalização da mão-de-obra no país. "Considerando o setor privado, a expansão de vagas com carteira assinada foi, em média, 5,5% maior em 2007, enquanto o número de postos sem carteira assinada teve queda média de 2,8%", escrevem os analistas do Bradesco. "A decisão de registrar um trabalhador envolve custos relevantes para as empresas, o que nos faz acreditar que a evolução benigna do emprego em 2007 reflete o clima de maior confiança em relação ao crescimento." O Bradesco espera que a economia cresça 4,5% em 2008, menos que os 5,3% estimados para 2007, mas ainda assim um ritmo razoável.

Assim como os analistas do Bradesco, o economista Fábio Romão, da LCA Consultores, aposta numa taxa média de desemprego de 8,5% em 2008. Ele vê a continuidade do cenário positivo para a atividade econômica e para a formação bruta de capital fixo (FBCF, que mede o investimento na construção civil e em máquinas e equipamentos), embora a uma velocidade mais fraca do que no ano passado - para o PIB, a previsão é de expansão de 4,4%. Romão também ressalta o aumento do emprego formal a um ritmo expressivo.


Em 2007, a ocupação cresceu 3%, uma alta maior que os 2% registrados pela população economicamente ativa (PEA). Para 2008, Romão projeta crescimento também na casa de 3% da ocupação nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE - São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador.


Com o cenário positivo para o mercado imobiliário e para investimentos em infra-estrutura, as perspectivas para o emprego na construção civil seguem bastante favoráveis. Romão diz que a criação de postos de trabalho no setor melhorou significativamente a partir de agosto, tendência que, ele acredita, deve se manter neste ano. Para Romão, o desempenho do segmento no segundo semestre foi uma resposta defasada à expansão da FBCF, que se acelerou a partir do fim de 2006. O saldo de empregos formais na construção civil aumentou 13,08% no ano passado.



A melhora do mercado de trabalho pode trazer pressões inflacionárias indesejáveis? Para Romão e para os economistas do Bradesco, ainda não, porque o aumento da produtividade e a maturação de investimentos tornam o quadro para a inflação mais favorável. "Os dois fatores continuarão ajudando a atenuar a eventual intensificação da pressões no mercado de trabalho em 2008", avaliam os analistas do banco.


"Outro ponto é que a taxa de desemprego no Brasil não é baixa, embora tenha caído bastante em 2007", afirma Romão, lembrando que o rendimento real (descontada a inflação) ainda não voltou aos níveis de 2002, mesmo depois de aumentar nos últimos três anos.


A desocupação no Brasil ainda está acima da média dos países latino-americanos. Segundo números da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de janeiro a setembro de 2007 a taxa média de desemprego da América Latina e do Caribe ficou em 8,5%, abaixo dos 9,7% do Brasil no mesmo período.


Para Romão, há algumas pressões localizadas no mercado de trabalho, como no setor de construção civil, mas que não devem se espalhar pela economia. Em 2007, o rendimento médio real do setor cresceu 7,08%, um ritmo mais de duas vezes acima do que os 3,21% registrados pelo total da população ocupada. O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, diz que há falta de mão-de-obra qualificada em alguns setores, como na construção civil e na petroquímica, mas avalia que isso não deve se traduzir em altas de preços preocupantes. "Para setores que empregam muito, como comércio e serviços, e mesmo para postos de baixa qualificação na construção civil, ainda há uma oferta ampla de mão-de-obra."


Ele ressalta que o mercado de trabalho em 2008 deve ter comportamento oposto ao de 2007. Neste ano, o primeiro semestre deve ter um desempenho melhor do que o segundo, porque a atividade econômica tende a se desacelerar a partir de meados do ano. Vale acredita que a taxa de desemprego em dezembro pode ficar entre 7,5% e 8%, acima, portanto, dos 7,4% do fim de 2007. Ele e Romão lembram que a perspectiva de um aumento menor do salário mínimo em 2008 do que nos anos anteriores deve aliviar as pressões do mercado de trabalho sobre a inflação.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Renda média familiar no Nordeste cresce 12%

Lavrador Do Sertão Nordestino
Valor

A região Nordeste foi a que apresentou o maior crescimento da renda média familiar entre os anos de 2005 e 2006 no país, atingindo 12%, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A renda familiar média na região, que envolve salários e transferência de recursos de governo, subiu de R$ 676,64 reais para R$ 761,16. Já a renda disponível, referente aos valores que ficam efetivamente no bolso dos consumidores, teria aumentado 38% na mesma comparação.

Na avaliação do economista Luís Henrique Romani de Campos, da Fundação Joaquim Nabuco, vinculada ao Ministério da Educação, a elevação da renda familiar média no Nordeste brasileiro foi influenciada pela ampliação do investimento em vários pontos da região. Segundo o pesquisador, houve um crescimento industrial importante no Nordeste nos últimos dois anos. "E a tendência é de aumento desse movimento."

Romani de Campos disse que o Produto Interno Bruto (PIB) do Nordeste, que é a soma das riquezas produzidas na região, deve crescer entre 5,5% a 6% por ano nos próximos anos, acima da média nacional, prevista entre 4,5% a 5% ao ano. "A tendência é que o Nordeste cresça mais que o Brasil", diz o economista.

Ele acredita que esse desempenho está fortemente atrelado ao aumento real do salário mínimo. Segundo ele, especialmente para os trabalhadores rurais que recebem aposentadoria, essa é uma grande fonte de renda no sertão e na Zona da Mata, resultando em grande movimentação na economia local. "Quando há um aumento real do salário mínimo, há aumento real do rendimento de uma classe da população menos favorecida e que acaba consumindo muito. Isso gera efeitos multiplicadores na economia como um todo."

Romani diz ainda que o crescimento do PIB nacional influencia o desempenho do Nordeste "em níveis chineses". "Isso influencia porque alguns trabalhadores mais qualificados já estão faltando no mercado de trabalho. A parte de engenheiros civis, por exemplo, já está com salários bem aumentados nos últimos anos, por conta do aquecimento da construção civil".

Pesquisa do Instituto Cetelem-Ipsos revela que as exportações nordestinas exerceram um papel decisivo no desempenho da região no período de 2000 a 2005. A taxa de crescimento das exportações nos últimos cinco anos teria atingido 19,6%, superando a média nacional de 17%, alcançando 31,4% nos últimos dois anos.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

A indústria levanta vôo

O desempenho geral da indústria vai surpreendendo até os mais otimistas.

por Celso Ming

Tendo como referência o mês de outubro, o crescimento acumulado do ano é de 5,9% e, nos últimos 12 meses, de 5,3%. São números carregados de conseqüência. Mas, antes, vamos às causas.

O próprio IBGE, o organismo encarregado dos levantamentos, identifica como fatores explicativos da boa expansão industrial o avanço do consumo interno (que tem a ver com o salto do crédito), o crescimento do investimento e a força das exportações.

Os últimos levantamentos dão conta de que o consumo geral cresce acima de 6% em relação ao que cresceu no ano passado. Mais provavelmente está hoje próximo dos 10%. A impressionante estocada das vendas de veículos (mais de 31% no ano até novembro) é boa ilustração disso.

O salto do consumo, por sua vez, está relacionado a três fatores: expansão do crédito às pessoas físicas, da ordem de 32,5% neste ano; aumento da renda real da população, puxada pelo reajuste de 8,6% do salário mínimo em abril; crescimento das despesas públicas, superior a 10% ao ano; e valorização do real (queda do dólar), que aumenta o acesso do consumidor às importações.

A boa fase dos investimentos já vinha sendo acusada pelas importações de bens de capital, que nos 11 primeiros meses do ano aumentaram 31,8%. E vai sendo corroborada pelo crescimento da produção interna de máquinas e equipamentos, de 18,8% no acumulado do ano até outubro e de 16,9% em 12 meses. Quem investe não compra apenas máquinas. Tem de aumentar as instalações, comprar materiais, contratar serviços e por aí vai. É um fator que puxa o resto.

E não dá para ignorar a puxada na indústria provocada pelas exportações. De janeiro a novembro, o despacho de produtos manufaturados para o exterior cresceu 17,1%, puxado por veículos, aços planos, aviões e autopeças.

E, a partir do que está aí, já dá para amarrar algumas conseqüências. A primeira é a de que vai sendo esvaziado o mantra dos dirigentes da Fiesp e de um punhado de críticos da política macroeconômica de que está em curso um rápido e inexorável processo de desindustrialização e sucatamento da empresa nacional atribuído à ação dos juros escorchantes e do câmbio fora do lugar. Crescendo como está, de forma generalizada e consistente, não há como insistir na tese da desindustrialização e da destruição de atividade produtiva. Tampouco se vêem importantes falências, desemprego e outros tantos efeitos aterrorizantes.

Mas não dá para afastar outro risco: o de que, apesar dos investimentos, o setor produtivo não dê conta do dinamismo do consumo. Se isso acontecer, pode haver, sim, a tal inflação de demanda, de que a indústria não quer ouvir falar.

Há dois dias, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) já havia relatado que nunca como agora foi tão forte o giro das máquinas. A utilização da capacidade de produção da indústria é recorde, de 82,3% em outubro. As importações estão em boa parte suprindo a insuficiência da oferta interna. Esta é a principal razão por que crescem (no acumulado do ano) 30,8%.

E, se houver inflação de demanda, o Banco Central adiará novos cortes dos juros.

Leia a coluna de Celso Ming, na integra, no jornal O Estado de São Paulo (para assinantes)

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Classe média tem ganho de renda

Depois de sucessivas quedas até 2005, rendimentos voltaram a crescer para todas as camadas sociais

Marcelo Rehder - O Estado de São Paulo

Depois de anos em queda, a renda da classe média dá sinais de recuperação. Praticamente todas as faixas de domicílios do País tiveram sua renda elevada em 2006, diferentemente do que aconteceu de 2002 a 2005, quando aumentos substanciais aconteceram só nas classes mais baixas, por conta de transferências promovidas por programas assistenciais, como o Bolsa Família, e dos fortes aumentos do salário mínimo.

A tendência é de que a renda continue a crescer de maneira generalizada nos domicílios de todas as classes sociais ao menos até 2008.

Nos domicílios 10% mais ricos (R$ 7.063,00, em média), por exemplo, o incremento de renda foi de apenas 1,3% entre 2002 e 2006 , enquanto nos 30% a 40% mais pobres (R$ 473,00) chegou a 18,9%, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE. Já em 2006, o crescimento nessas mesmas faixas ficou muito próximo: 7,1% e 10,7%, respectivamente, em relação a 2005.

'Esse tipo de crescimento equilibrado é bastante saudável, pois indica que o aumento da renda não está se dando só por transferência do governo, mas também pelo próprio dinamismo da economia, o que tem impacto direto na classe média', diz Sérgio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados, autor do estudo sobre renda no País. 'A classe média deve continuar a crescer sustentada pela evolução positiva do emprego qualificado.'

Pelos cálculos do economista, cerca de R$ 99 bilhões engrossaram a massa real de renda em 2006, que aumentou 10%, para R$ 1,1 trilhão. Este ano, o acréscimo deve ser de R$ 90,9 bilhões, o que representaria aumento de 8,5%. Para 2008, a previsão é de incremento de R$ 70 bilhões , que daria 6% de alta.

'O cenário é extremamente positivo e abre espaço para um consumo de maior valor agregado, por se dar agora também na classe média', diz Vale. Ele observa que a renda das classes mais baixas ainda tende a crescer, porque o salário mínimo deverá ter aumentos relevantes. Além disso, o comércio e os serviços estão em franca expansão e são demandantes de mão-de-obra menos qualificada.

Um exemplo de recuperação da classe média é no setor da construção civil. Até o início de 2006, o crescimento maior do salário no setor se dava nos empregos não qualificados. Depois que as obras deslancharam nos últimos dois anos, começou a faltar mão-de-obra qualificada e os salários dos engenheiros passaram a crescer mais do que a média.

O engenheiro Luiz Nobre de Lima, de 52 anos, trocou recentemente o emprego de gerente de obras de uma grande construtora na cidade de São Paulo pelo de gerente de projetos da Método Engenharia e passou a ganhar 30% a mais. Lima é um dos 14 profissionais que a Método foi buscar este ano no mercado para ocupar cargos executivos, cujos salários estão na faixa de R$ 15 mil a R$ 20 mil.

'Do pondo de vista familiar, a mudança possibilitou melhor qualidade de vida e aumento da capacidade de poupança, além do conforto de ganhar mais'.

Lima é casado e tem duas filhas, uma de 23 anos, formada em administração de empresas, e outra de 20 anos, estudante de propaganda e marketing. Sua mulher é dona de casa.

O aumento da demanda por profissionais qualificados como Lima já começa a aparecer nas estatísticas do emprego com carteira assinada do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. De janeiro a setembro de 2006, 98% dos empregos formais criados no País não pagavam mais que 1,5 salário mínimo (R$ 525). Hoje, a proporção já caiu para 88%.

Este ano, o emprego cresceu 16,1%, mas o número de postos de mais de 1,5 a 3 salários mínimos (até R$ 1.050) aumentou 30,1%. Já a quantidade de vagas de até 1,5 salário mínimo aumentou só 8,4%.

O perfil das contratações mudou porque as empresas passaram a investir mais, diz o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann. 'A demanda passou a ser por trabalhadores mais qualificados, pagando-se mais por isso'.

O metalúrgico José Aparecido Soares Fernandes, de 25 anos, trabalha há um ano na Caterpillar, fabricante de máquinas e equipamentos para construção pesada. Entrou como auxiliar de soldador, ganhando R$ 700. Passou por treinamentos internos e, em agosto, foi promovido a soldador, com salários de R$ 1,2 mil, quase o dobro do que ganhava quando foi contratado pela empresa.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Menos de 10% das crianças pobres têm creche, diz IBGE

Resumo dos indicadores sociais dos últimos dez anos evidencia a influência da renda familiar na educação

Agencia Estado

SÃO PAULO - O IBGE divulga nesta sexta-feira a síntese dos indicadores sociais brasileiros dos últimos dez anos. Baseada, principalmente, em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), a síntese mostra que grande parcela das famílias (40,4%) com crianças e jovens de até 14 anos estavam, em 2006, entre as mais pobres do País, com rendimento mensal per capita de até meio salário mínimo.

documento Veja a pesquisa completa

Nessas famílias mais pobres, apenas 9,9% de crianças na faixa entre zero a três anos freqüentavam creches, provavelmente, segundo nota do IBGE, em razão da pouca oferta de vagas em creches públicas. Considerando as famílias com rendimento mensal per capita de mais de três salários mínimos, o acesso à creche e ao pré-escolar cresce para 40,7% das crianças.

Esse porcentual era de 15,5% no total das famílias.

Embora ainda reduzida, a taxa de crianças nas creches dobrou em dez anos, já que em 1996 era de 7,4%.

Quanto ao acesso das crianças de quatro a seis anos das famílias mais pobres à pré-escola, o porcentual era de 68,1%, enquanto que nas famílias com mais de três salários mínimos mensais per capita o acesso estava praticamente universalizado, ficando em torno de 95%, em todas as regiões.

O rendimento das famílias tem maior influência no início da vida escolar das crianças (creche e pré-escola) e no ensino médio (15 a 17 anos), sendo menos sentida no ensino fundamental (seis a 14 anos) que, lembra nota do IBGE, é obrigatório e está praticamente universalizado.

Entre os 20% mais pobres, 72,7% estavam matriculados no ensino médio, enquanto entre os 20% mais ricos, eram 93,6%.

Quando se considera o porcentual de jovens entre 18 a 24 anos que estudavam (51,5%) das famílias mais ricas representavam mais que o dobro daqueles das famílias mais pobres (24,6%).

Mais da metade (50,6%) dos jovens entre 18 e 19 anos trabalhavam, dos quais apenas 20% conciliavam o trabalho com os estudos.

O porcentual de rapazes nessa faixa de idade que trabalhavam (60,8%) era superior ao das garotas (40,5%). Dedicavam-se aos afazeres domésticos, 17,2% dos jovens.

Já no grupo de 20 a 24 anos, 64,4% trabalhavam e destes, apenas 14,7% trabalhavam e estudavam.

Mais da metade (54,5%) dos jovens trabalhadores entre 16 anos (idade a partir da qual o trabalho é permitido no País) e 24 anos recebem até um salário mínimo e cumprem uma jornada de 40 a 44 horas semanais.

A situação de baixa renda nas famílias com crianças de até 14 anos é mais preocupante no Nordeste, onde 63,1% de famílias com crianças até 14 anos de idade estavam na faixa mais baixa de rendimento, resultado da conjugação de uma fecundidade mais elevada e de um nível maior de pobreza, de acordo com i IBGE.

Em Alagoas (69,2%), Ceará (67,6%) e Piauí (66%), a maioria das famílias com crianças ou adolescentes pertenciam a menor faixa de rendimento, enquanto em Santa Catarina, apenas 16,6% das famílias estavam nessa situação.

Trabalho infantil

O trabalho ilegal de crianças mantém-se predominantemente agrícola e concentrado no Nordeste.

Entre os 2,7 milhões de trabalhadores entre cinco e 15 anos, 1,4 milhão estavam na atividade agrícola e aproximadamente 776 mil estavam ocupados na agricultura em Estados nordestinos.

No subgrupo entre 5 a 9 anos, havia 237 mil.

Os porcentuais de trabalho infantil mostraram melhorias na última década. O número de crianças entre 10 e 15 anos trabalhando caiu de 4,2 milhões, em 1996, para 2,5 milhões, em 2006.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Governo Lula: Queda da miséria em 2006 teve o melhor resultado desde 1992

O Globo Online

RIO - O percentual da população brasileira que vive em situação de miséria caiu de 28,17% em 2003 para 19,31% em 2006, segundo levantamento realizado pelo pesquisador Marcelo Neri da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em 1992, o percentual da população que vivia em situação de miséria era de 35,16%.

O melhor resultado entre todos os 15 anos analisados pela FGV (1992-2006) foi encontrado justamente em 2006, quando o número de miseráveis caiu 15% em relação a 2005, refletindo políticas públicas que beneficiaram a parcela mais pobre da população, como a expansão do Bolsa Família e os aumentos do salário mínimo.

As informações fazem parte do estudo "Miséria, Desigualdade e Políticas de Renda: O Real do Lula", apresentada por Neri. A pesquisa avalia a evolução da distribuição de renda e de pobreza nos últimos 15 anos com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo IBGE na semana passada.

Segundo relatório do estudo, "o bolo cresceu para todos, mas com mais fermento entre os mais pobres".

No ano passado a renda dos 50% mais pobres cresceu 12%, enquanto que a dos 10% mais ricos tive um ganho menor, de 7,8%, diz o estudo.

Governo Lula: Miséria diminui 15% no Brasil em 2006, diz FGV

Levantamento com base na Pnad aponta queda de 22,77% para 19,31% entre 2005 e 2006

Jacqueline Farid - Agência Estado


RIO DE JANEIRO - O porcentual da população brasileira que vive em situação de miséria caiu 15% em 2006, segundo revela levantamento realizado pelo pesquisador Marcelo Néri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgado nesta quarta-feira, 19. Em 2005, miseráveis representavam 22,77% dos brasileiros, contra 19,31% em 2006.

Em 1992, o porcentual da população que vivia em situação de miséria era de 35,16%. A conta foi feita a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo IBGE na semana passada.

Para Néri, o ano de 2006 "foi o melhor ano isolado da série história da nova Pnad, com queda de 15% da miséria", em relação à pesquisa de 2005. O detalhamento da pesquisa realizada por Néri, intitulada "Miséria, Desigualdade e Políticas de Renda: o Real do Lula" serão apresentados na tarde desta sexta-feira pelo pesquisador na sede da FGV, no Rio.

Governo Lula: Pobreza cai ao menor nível desde 1987

Em 2006, índice da população considerada pobre recua a 26,9%, ante 30,5% no ano anterior; economista credita resultado ao mínimo

Total de indigentes também cai, de 6,8% da população em 2005 para 5,7% em 2006; pobreza se concentra mais em áreas metropolitanas

PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO

Em 2006, a pobreza atingia 26,9% da população brasileira. É o mais baixo índice desde 1987, quando estudos nesse sentido começaram a ser feitos pela economista Sonia Rocha, do Iets (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade), com base em informações da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE e obtido pela Folha.

Em 2005, a proporção de pobres ficou em 30,5%. Em 1995, a pobreza chegava a 33,2%, no primeiro ano completo do Real. No período, o número de pobres caiu significativamente, graças à estabilidade.

Em números absolutos, houve queda de 10,6% no contingente de pobres no país -de 54,884 milhões de pessoas em 2005 para 49,043 milhões em 2006. Ou seja, em um ano, 5,841 milhões de brasileiros se afastaram da linha da pobreza.

Para determinar o número de pobres, a economista traçou linhas regionais de pobreza, com valores diferenciados em razão de o custo de vida ser distinto entre as localidades.
Na região metropolitana de São Paulo, por exemplo, são classificados como pobres os que viviam em 2006 em domicílios com renda per capita inferior a R$ 266,15.

Segundo o estudo, o total de indigentes que vivem no país também baixou -de 6,8% da população em 2005 para 5,7% em 2006. Em todo o Brasil, o número de miseráveis caiu de 12,218 milhões para 10,363 milhões. Trata-se de redução, em termos absolutos, de 15,2%. Estavam na indigência, em São Paulo, os domicílios com renda per capita inferior a R$ 66,65.
Por trás da queda da pobreza, está o reajuste real de 13,3% do salário mínimo em 2006, que elevou a renda das famílias mais pobres.

"Os resultados refletem melhorias no mercado de trabalho. Embora a expansão da ocupação em 2006 tenha perdido fôlego ante a observada em 2004 e 2005, os ganhos no rendimento do trabalho se acentuaram, o que resultou em forte aumento da massa salarial, de 9,8%", diz Sonia Rocha.

Segundo ela, "forte reajuste real do mínimo e a expansão das transferências assistenciais [entre elas, o Bolsa Família], que atingem R$ 20 bilhões em 2006, contribuem para o aumento da renda das famílias na base da distribuição e a redução da incidência de pobreza".

O aumento dos preços dos alimentos abaixo da inflação média de 2006 também contribuiu para diminuir a pobreza no país. É que as despesas com alimentação pesam mais no bolso dos mais pobres.

Divulgados na semana passada, os dados básicos da Pnad já apontavam tal tendência. É que a renda do trabalho dos 50% mais pobres cresceu mais (8,5%) que a dos mais ricos (6,9%). Na média, a renda subiu 7,2% -maior alta desde 95.

Pela Pnad, a desigualdade cedeu. O índice de Gini do rendimento do trabalho caiu de 0,544 para 0,541 -quanto mais próximo de 1, mais concentrada é a distribuição.

Se, como um todo, a pobreza cedeu no país, houve concentração nas áreas urbanas, em especial nas grandes metrópoles. Do total de pobres que viviam no país, 36,3% estavam nas dez principais regiões metropolitanas. Esse percentual era menor em 1995: 28,8%. Em 2005, havia sido de 35,5%.

Folha de São Paulo
(para assinantes)

sábado, 15 de setembro de 2007

Algo melhorou

Celso Ming

O Estado de São Paulo (para assinantes)

Para melhorar de vida, as pessoas são capazes de tudo. Na versão do dramaturgo inglês Christopher Marlowe (século 16), o Doutor Fausto, símbolo do homem, vendeu a alma ao Diabo em troca de três coisas: comer até fartar-se, vestir roupas finas e voar entre as estrelas.

Mas Fausto quase nunca valoriza o que já obteve. Tem uma enorme propensão a lamentar-se por ainda não ter conseguido tudo. Por isso é preciso lembrá-lo de quanto progrediu.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) faz o inventário anual da trajetória do Fausto brasileiro. O levantamento de 2006 mostra notórios avanços, embora sempre se possa dizer que nenhum dos grandes objetivos originais esteja perto de ser alcançado. Comparado com o padrão da Dinamarca, de onde acaba de sair o presidente Lula, o brasileiro continua subalimentado; ainda se veste mal e porcamente; e só mesmo em sonhos e nas novelas de TV se sente voando entre as estrelas. Mas já não dá para sustentar que os resultados da Pnad não passam de propaganda do governo.

Em 2006, o poder aquisitivo do trabalhador brasileiro aumentou 7,2%. O rendimento médio por família (domicílio) passou de R$ 1.494 em 2004, para R$ 1.687. Só no ano passado, cresceu 7,6%. E pormenor importante: foram os mais pobres que melhoraram mais. Isso tem sim a ver com o reajuste do salário mínimo, que foi de 16,7% no ano passado. Mas esse avanço só foi possível graças à derrubada da inflação.

Um notável número de economistas brasileiros que se dizem identificados com as causas dos mais pobres sustenta que é preciso ser tolerante com inflação para beneficiar o crescimento econômico. Fazer o contrário, dizem eles, é fazer o jogo dos neoliberais e dos “rendeiros”, os que vivem de aplicações de capital. Não lhes entra na cabeça que a primeira e principal vítima da inflação são os mais pobres, que não têm defesa contra a desvalorização da moeda. E que o melhor que se pode fazer para ajudar na vida do povão é garantir a estabilidade.

A novidade é que os políticos parecem ter entendido isso mais rapidamente do que esses economistas. Vai ficando claro - não só para o presidente Lula - que não há melhor cabo eleitoral do que uma política econômica vitoriosa no controle da inflação.

Outra revelação da Pnad é a de que, só em 2006, cresceu 4,7% o número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada. De cada 5 novos empregos, 3 foram no mercado formal, com inevitável impacto positivo para as contas da Previdência Social.

Há outros progressos: queda do analfabetismo, melhora do nível de educação, redução do trabalho infantil, etc. Em compensação, a população está ficando mais velha, a taxa de fecundidade está caindo e isso traz problemas novos. Está cada vez mais perto, por exemplo, o dia em que será preciso ter menos escolas e mais lares para os velhinhos.

Convém pinçar mais dois dados de impacto. Em 2005, 71,8% dos domicílios tinham telefone; em 2006, já eram 78,8%. Em 2001, só 12,6% dos lares contavam com computador; no ano passado, já eram 22,4%. São passos importantes para o brasileiro que não abre mão de um dia poder voar entre as estrelas.

'Estabilidade ajudou a reduzir desigualdade'

Para professor da PUC-Rio, houve uma melhora muito importante nos últimos cinco anos, que agora tende a diminuir

Irany Tereza

O Estado de São Paulo (para assinantes)

Especialista em mercado de trabalho, o economista José Márcio Camargo, da PUC-Rio e sócio da Consultoria Tendências, avalia que o principal avanço detectado pela Pnad foi justamente no campo do trabalho, com o aumento da renda e a queda do desemprego. Mas para ele é de se esperar que a redução da concentração de renda passe a ocorrer de uma forma menos intensa no Brasil a partir de agora. O principal salto ocorreu, argumenta, quando a estabilização econômica devolveu parte do poder aquisitivo à camada mais pobre da população. Apesar dos avanços na redução da desigualdade, 71,5% dos trabalhadores brasileiros ainda se situavam na faixa de rendimento de até dois salários mínimos, revelou a Pnad de 2006. “A economia já é estável e não vai afetar a desigualdade como antes”, diz o professor, Ph.D em Economia pela Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Qual a sua avaliação da Pnad?

Os dados são todos muito bons. Mostram uma melhora significativa tanto na renda quanto no nível educacional, redução na taxa de desemprego. Apresenta um cenário de mercado de trabalho muito bom, comparado aos anos anteriores. Há várias razões para isso. Uma das mais importantes é o fato de a economia estar crescendo já há algum tempo a uma taxa relativamente alta, se comparada com o passado. Há outras razões institucionais, como algumas reformas que foram feitas no passado recente; a questão do banco de horas; o crédito consignado. Tudo isso é muito importante para reduzir o custo e aumentar o benefício da formalização, que está, conseqüentemente, aumentando. Por fim, outro aspecto fundamental é a estabilidade. Ter uma economia com baixas taxas de inflação e, nesse período, com taxa de inflação decrescente, tende a gerar ganho de renda para os trabalhadores mais pobres. E está muito claro (pela Pnad) que os mais pobres ganharam mais do que os outros.

À exceção do Nordeste, onde a metade mais bem remunerada teve também ganho expressivo. Por quê, na sua opinião?


Há duas coisas importantes. A primeira é que o Nordeste entrou numa trajetória de desenvolvimento do turismo ligado principalmente à Europa que certamente deve dinamizar a renda de toda a população e não só dos mais pobres. A segunda é a questão dos programas de transferência de renda, com impacto sobre os mais pobres. Mas acho que o turismo no Nordeste pode ter sido fator extremamente importante para aumentar a renda média da população como um todo. E isso é interessante: o Brasil fez uma série de projetos de desenvolvimento do Nordeste baseado na industrialização da região. Nunca deu certo. Agora, temos uma situação na qual o Nordeste está explorando sua vantagem comparativa, que é a beleza natural, suas praias, seu tipo de mão-de-obra. E parece que está dando certo, sem grandes incentivos da parte do governo, sem nenhuma Sudene para subsidiar esses investimentos.

O sr. avalia que houve ou não perda de ritmo na queda da desigualdade?

Não se sabe, ainda. Não está muito claro se houve ou não queda de ritmo. Agora, as informações preliminares que temos para 2006 e 2007 tendem a mostrar que o ritmo de melhora está diminuindo. O que era esperado, afinal de contas houve uma melhora muito importante nos últimos cinco anos e eu não esperaria que se sustentasse esse ritmo por muito tempo. O que se espera é que a desigualdade vá diminuindo ao longo do tempo, mas a um ritmo mais compatível com mudanças em uma economia mais estável. A estabilização foi um dos fatores que reduziram muito a desigualdade. Agora a economia já está estável, então a estabilização não vai mais afetar a desigualdade, a menos que a inflação piore.

Na opinião do sr., o ganho no rendimento real se repete em 2007?

Acho que teremos ainda um ganho substancial nos rendimentos em 2007. Se não igual, pelo menos parecido ao de 2006. Não apenas por causa do salário mínimo, mas porque o nível de emprego está aumentando bastante, como mostra a elevação da população ocupada.

Os dados sobre Previdência são suficientes para indicar um caminho para a estabilização do déficit?

Há algo errado num país onde só 50% dos trabalhadores contribuem para a Previdência (de acordo com os dados da Pnad , em 2006 não efetuavam contribuição previdenciária 51,2% dos trabalhadores). Há alguma coisa errada no sistema de previdência social brasileiro. Precisamos saber o quê. Existe uma série de diagnósticos que precisam ser analisados. O que está claro é que alguém está pagando para os outros 50%.

O que o sr. destacaria como principais pontos positivos e negativos no resultado da Pnad?

Os pontos positivos mais importantes são o aumento de renda e a queda na taxa de desemprego. Os pontos negativos são o ainda baixo nível de escolaridade da população, ainda que esteja aumentando, e o nível relativamente alto de trabalho infantil, principalmente nas regiões mais pobres. Ainda são mais de 5 milhões de crianças trabalhando.

Quem é: José Márcio Camargo

É professor de economia da PUC-Rio especializado em mercado de trabalho e sócio da Consultoria Tendências.

Prestou consultoria a entidades como Banco Mundial e OIT.

Concluiu em 1977 doutorado em economia pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Governo Lula: O Globo resume PNAD 2006

IBGE

Renda, escolaridade e expectativa de vida do brasileiro aumentaram

O Globo Online

RIO - O brasileiro está com um trabalho melhor, botando mais dinheiro no bolso e comprando mais celulares. Também ampliou os estudos, tem cada vez menos filhos e vive mais. É o que mostra um dos mais completos retratos do Brasil, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta sexta-feira pelo IBGE.

Confira os resultados da Pnad em infográfico multimídia

Um dos principais destaques da pesquisa foi o aumento da renda média real, que subiu 7,2% em 2006 na maior recuperação desde 1995. No entanto, a alta não foi suficiente para trazer a renda aos níveis de 1996, o ano mais forte da série estudada, de R$ 975.

- O aumento real do salário mínimo nos últimos anos está impactando o rendimento do trabalhador, principalmente a renda das classes mais baixas - afirmou a economista do IBGE Márcia Quinstlr.

A economista destacou que também contribuíram a expansão do emprego do trabalhador com carteira assinada (de 33,1% da população ocupada para 33,8%) e a redução da informalidade (de 51,8% em 2005 para 50,4% em 2006).

" O aumento real do salário mínimo nos últimos anos está impactando o rendimento do trabalhador, principalmente a renda das classes mais baixas "

De acordo com a pesquisa, a metade mais pobre da população foi a mais beneficiada pela recuperação dos salários. Para este grupo, a renda atingiu o valor mais alto em dez anos e chegou a R$ 293, superando o pico de R$ 257 registrados em 2006.

As tendências de melhora nos indicadores já vêm de outros anos, mas o que surpreende na Pnad referente a 2006 é o conjunto dos dados. Praticamente todos os indicadores apresentaram melhora.

A desigualdade continua caindo. A redução foi pequena, mas mostra consistência na lenta melhora das diferenças de renda da população. O índice de Gini (indicador internacional de desigualdade que vai de 0 a 1) vem caindo desde 1993 e em 2006 recuou mais 0,003 para 0,541.

O Brasil menos desigual em 2006 foi influenciado pelo aumento de 13,3% no salário mínimo. A alta de 7,2% na renda média real da população beneficiou principalmente a metade da população com rendimentos menores . A diferença entre ricos e pobres, no entanto, continua alta.

Escolarização é recorde, mas trabalho infantil é alto
A taxa de escolarização foi recorde: quase 96,7% das crianças entre 7 e 14 anos estavam na escola. E uma mudança da lei, que passou a obrigar crianças entrarem na escola um ano mais cedo, elevou em 3% o número de estudantes entre 5 e 6 anos nas salas de aula. A alta foi significativa e a expectativa é que o número continue crescendo nos próximos anos, pois o prazo para implementar a obrigatoriedade é 2010.

A vida moderna também está refletida na pesquisa. O número de residências com um só morador subiu de 10,8% em 2005 para 11,1% em 2006. Além disso, a população está tendo menos filhos : a média caiu de 2,1 filhos por mulher em 2005 para 2 em 2006. E o IBGE diz que o ritmo de queda está muito mais acelerado no Brasil do que aquele observado no passado na Europa, onde a baixa taxa de natalidade da população já é um problema há tempos.

Mas o estudo também mostra que falta avançar. A taxa de analfabetismo caiu, mas ainda é gigantesca. Quase 15 milhões de pessoas não conseguem ler um bilhete. E mesmo com o aumento da formalização a carteira assinada é um privilégio de apenas um terço da população ocupada.

Outro desafio que precisa ser vencido pelo país é o trabalho infantil. De acordo com a Pnad, pelo menos cinco milhões de crianças e adolescentes brasileiros ainda estão trabalhando.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Economia se acelera e cresce 5,4% no 2º trimestre


Daniel Bramatti
Reprodução

Com aumento das importações, comércio exterior teve efeito negativo para o PIB



A economia brasileira se acelerou no segundo trimestre de 2007 e cresceu 5,4% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo divulgou há pouco o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No primeiro trimestre, o PIB havia crescido 4,3%.

Os números reforçam as chances de fechar 2007 com um crescimento do Produto Interno Bruto superior a 4,5%, índice projetado pelo governo, no início do ano, ao lançar o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Na época, a previsão foi recebida com descrença e considerada ousada demais. De lá para cá, o panorama mudou, com queda de juros, expansão do crédito e elevação do poder de compra. Além disso, uma revisão da metodologia do PIB, anunciada em março, mostrou uma economia maior e mais dinâmica do que a até então conhecida.

Leia também:
Revisão do PIB deixa Brasil com IDH de "primeiro mundo"

Outra novidade foi o próprio PAC, mas é praticamente consensual a avaliação de que os efeitos do programa ainda não foram sentidos na economia real: o ritmo de liberação de verbas tem sido lento, assim como a execução das prometidas obras de infra-estrutura.

Os dados divulgados pelo IBGE mostram que todos os setores da economia se expandiram, com destaque para a indústria - justamente o setor mais afetado negativamente pela valorização do real. As dificuldades no mercado externo parecem ter sido compensadas pela forte expansão no consumo interno.

O destaque positivo é o forte aumento de 13,8% nos investimentos, a chamada formação bruta de capital fixo, que mede o desempenho da construção civil e a aquisição de máquinas e equipamentos. Esse dado indica que as empresas apostam num crescimento ainda maior da economia, e permite que esse crescimento ocorra sem pressões inflacionárias decorrentes de uma eventual oferta insuficiente de produtos no mercado.

O PIB é a soma de todas as riquezas geradas em um país. Uma fábrica que venda R$ 1 milhão por ano após gastar R$ 800 mil na produção, por exemplo, contribui para o PIB com R$ 200 mil. O trabalho do IBGE é coletar e organizar estatísticas dos mais variados setores econômicos para tentar somar todas essas contribuições e, com isso, traçar um quadro o mais fiel possível do tamanho da economia do país.

Esse dado estatístico ganhou importância recentemente graças ao plano do governo de atrelar o salário mínimo à variação do PIB mais a inflação anual. Ou seja, o PIB é que vai determinar o aumento real do salário mínimo.

Terra Magazine

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Bolsa-Familia e sálario mínimo, as duas armas do governo Lula contra a desigualdade

Uma polêmica boa para o governo federal: o salário mínimo valorizado de maneira significativa pelo governo Lula tem contribuído mais que o Bolsa-familia na queda da desigualdade?


Bolsa Família teve impacto menor (jornal O Globo)

Medindo o efeito na queda da desigualdade dos programas de transferência de renda de Brasil, México e Chile, o economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Sergei Soares, calculou que o Bolsa Família foi responsável por 21% da queda da desigualdade. Ele usou fórmula diferente do economista da UFRJ, João Saboia, e não calculou como o mínimo atuou nessa mudança.

Ele defende o mínimo como instrumento na redistribuição de renda, mas lembra que estudos mostram que altas excessivas podem levar, em pequena escala, a aumento de desemprego e informalidade: — É muito difícil medir esse efeito do mínimo. Mas sem dúvida é um bom instrumento, principalmente se o Orçamento da União for limitado. O mínimo age no meio da distribuição e o Bolsa Família entre os mais pobres e mais rapidamente.

Segundo ele, há espaço para valorização do mínimo sem efeitos colaterais. E mais espaço para reajustar o Bolsa Família — que tem no desestímulo ao trabalho um resultado indesejado: — O benefício ainda é muito baixo para causar isso e os valores podem aumentar bem.

Segundo Soares, o mercado de trabalho como um todo respondeu por 85% da queda da desigualdade. Nessa conta, estão os efeitos da redução do hiato urbano-rural, a melhoria da qualificação da mão-de-obra com o aumento da escolaridade e a valorização do mínimo. Já a Previdência contribuiu com 32%. O estudo considera o período de 1995 a 2004.

Mesmo com cálculos diferentes, Saboia compara os efeitos: — O mínimo, em período bem semelhante, respondeu cerca de três vezes a mais na melhoria da distribuição de renda.

Valorização do mínimo diminuiu desigualdade

Ganho real de 45% em dez anos contribuiu com mais de metade da redução registrada no indicador, diz estudo

Cássia Almeida
, jornal O Globo (para assinantes)

Eliana Maria Vidal vende produtos naturais e consegue faturar até R$ 200 por mês trabalhando em casa. Está à procura de emprego com carteira assinada para ganhar R$ 380 mensais, um salário mínimo, dinheiro que vai melhorar as contas domésticas. Para as famílias que rondam essa faixa de renda, foi exatamente isso o que aconteceu nos últimos anos. A valorização do mínimo, que no período de 1995 a 2005 teve um ganho real (acima da inflação) de 45%, contribuiu enormemente para a melhoria da distribuição de renda no país, uma das piores do mundo.

Segundo estudo inédito do diretor do Instituto de Economia da UFRJ, João Saboia, o mínimo foi responsável por 64% da redução do Índice de Gini, medida de desigualdade de renda (que varia de 0 a 1; quanto mais perto de um, mais desigual é o país). Em 1995, esse índice estava em 0,599 em relação à renda domiciliar per capita (a renda total da família dividida pelos membros). Em 2005, baixou para 0,564. Se não fosse a valorização do mínimo, o Gini teria caído apenas para 0,586.

— Há uma tendência de subestimar o benefício do mínimo na redistribuição de renda, afirmando que esse salário não atinge o mais pobre dos pobres, portanto com reflexos menores na redução da desigualdade.
O estudo serviu para medir esse efeito e contrapor esse argumento — explicou Saboia.

Aumento teve pouco efeito na queda da pobreza O economista desconsiderou a valorização do mínimo nas faixas de renda de meio a um salário e meio, levando em conta todos os ganhos: do trabalho principal, das aposentadorias e pensões, além de transferências e juros. Em todas as simulações, o mínimo tem participação decisiva na queda da desigualdade no mercado de trabalho e nas aposentadorias e pensões. Esse efeito só é menos sentido nas transferências, basicamente o Bolsa Família, já que os rendimentos são muito baixos: — O grande efeito recai sobre o mercado de trabalho, que representa 76% da renda das famílias. O que vemos é que o salário mínimo age direto na melhoria da distribuição e, de forma secundária, na redução da pobreza. Já o Bolsa Família tem reflexo direto na pobreza e indireto na distribuição — afirma o professor da UFRJ.

Assim, valorizado, o mínimo passou a ser objeto de desejo, como no caso de Eliana. Casada com quatro filhos — Pablo Luiz, de 11 anos, as gêmeas Pamela e Paula, de 7 anos, e Peterson Luiz, de 4 anos —, ela está à procura de emprego e não de trabalho: — Tinha emprego com carteira assinada numa gráfica, mas o meu filho mais velho adoeceu e não consegui, no emprego, ser liberada para leválo ao médico. Tive que pedir demissão. O mínimo será bem mais do que ganho hoje — explica Eliana.

Mas esse efeito benéfico ficou no passado, de acordo com os estudos do economista Marcelo Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV). Ele usou indicadores diferentes de Saboia.

Enquanto o economista da UFRJ usou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), com abrangência nacional, mas com periodicidade anual, Neri lançou mão de dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), restrita a seis regiões metropolitanas, mas divulgada todo o mês pelo IBGE: — Desde 2004, o mínimo não tem impacto na redistribuição de renda no mercado de trabalho.

Para ele, o grande instrumento de combate à desigualdade é o Bolsa Família. Ele cita o custo fiscal do mínimo, que é o indexador das aposentadorias e pensões do INSS e do benefício de prestação continuada (a concessão de um salário mínimo pela União aos que têm mais de 65 anos ou deficientes com renda familiar per capita) inferior a um quarto de um salário.

— O efeito do aumento do mínimo se dissipou ao longo do tempo, conforme ele foi aumentando de valor. Há conseqüências importantes com aumento da informalidade e do desemprego. Favorecer o miolo da distribuição de renda, com o mínimo, tem um custo fiscal muito alto, o que pode reduzir o crescimento econômico — diz Neri.

Para Saboia, os benefícios nas famílias é claro e a manutenção dessa política de valorização continuará a reduzir a desigualdade.

A fórmula de repor a inflação e dar aumento real de acordo com o crescimento da economia é aprovada por ele.

— O peso do mínimo na redistribuição de renda vem diminuindo, mas ainda é muito importante. Essa fórmula é boa para fugir das oscilações políticas de como vêm sendo tratados os reajustes do mínimo.

Aos 21 anos, Bruno de Oliveira Saturnino trabalha desde os 14 anos, mas nunca viu sua carteira assinada. E um mínimo virá em boa hora, principalmente pela chegada em breve do primeiro filho.

— Quero casar e fazer faculdade de jornalismo: preciso me empregar logo — disse Saturnino, enquanto esperava sua vez na Central de Apoio ao Trabalhador, em São Cristóvão.