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sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Déficit comercial de têxteis cresce 1.864%


Importação da China é o principal motivo do resultado ruim em 2007
Clarissa Thomé, RIO O Estado de São Paulo

A indústria têxtil registrou déficit na balança comercial de US$ 648 milhões em 2007 - um crescimento de 1.864% em relação ao ano anterior, quando o saldo negativo ficou em US$ 33 milhões. As exportações cresceram de US$ 2,1 bilhões para US$ 2,4 bilhões, mas foram em muito superadas pelas importações, que passaram de US$$ 2,1 bilhões para US$ 3 bilhões. Os dados foram divulgados ontem pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), na semana de moda outono/inverno carioca, o Fashion Rio, que começou na segunda-feira e amanhã.

Para o presidente da Abit, Aguinaldo Diniz, o crescimento do déficit comercial se deu basicamente por causa das importações, principalmente, da China. “Esse crescimento nos preocupa, é um número relevante, mas temos um setor sólido e vamos reverter essa curva.”

O acordo bilateral Brasil-China vigora desde 2006 e se encerra este ano. O setor têxtil quer garantias, como a desoneração fiscal da cadeia produtiva e o aumento da fiscalização alfandegária, para que o produto brasileiro possa competir em condições de igualdade. “Precisamos ter tratativas e métodos de controle para evitar subfaturamento, falsas classificações e triangulações na importação, que fazem o produto brasileiro ficar em desvantagem”, ressaltou o diretor-superintendente da Abit, Fernando Pimentel.

Gestor do Programa Estratégico da Cadeia Têxtil Brasileira (TexBrasil), Rafael Cervone, afirmou que a indústria têxtil brasileira não quer “competir com a China com produtos de massa”. “Eles fazem isso bem. Queremos é negociar lotes menores, praticamente exclusivos, uma moda mais rápida, mais curta, e com a criatividade brasileira que eles não têm.”

O setor têxtil brasileiro é formado por 30 mil empresas, gera 1,65 milhão de empregos no País e é responsável por 17,5% do Produto Interno Bruto (PIB) da Indústria de Transformação.

domingo, 16 de dezembro de 2007

CEOs do Brasil, interlocutores de Cristina


APRETON. CARLOS OLIVA FUNES Y LOS DUEÑOS DE FRIBOI,
EN SETIEMBRE. (Foto: Nestor Sieira)


Silvia Naishtat

Clarín

Aunque dicen que estaba programada, la salida de Carlos Oliva Funes de la presidencia de Swift, el mayor productor de carne del país ahora en manos del brasileño JBS, simboliza cómo cambiaron los interlocutores. A diferencia de otras multis que prefieren managers locales, en parte porque Argentina pesa poco en sus negocios globales y deciden no traer ejecutivos clave, los brasileños designan brasileños en la máxima posición. Pasa en Petrobras, Camargo Correa y hasta en Quilmes de la belga y cada vez menos brasileña Ambev, que tiene como CEO a Jao Castroneves.

Pero el caso de Oliva Funes tiene un sabor especial. Junto con la familia Bameule son el nombre y apellido de la carne argentina. En octubre los Bameule, famosos por las hamburguesas Paty, también vendieron al brasileño Marfrig.

La adquisición de Swift por JBS en 2004 fue la primera operación de envergadura en este sector. Se llevaron una joya con la planta de Rosario que, de acuerdo a Bernardo Kosacoff, director de la CEPAL, reúne a la mejor mano de obra frigorífica del planeta con una tradición de cien años en el oficio. JBS la convirtió en su plataforma de despegue internacional. Primero adquirió varias plantas aquí y luego dio el salto a EE.UU. Hoy son los principales productores de carne del mundo y número uno en alimentos en su natal Brasil. Este grupo, de la familia Friboi, pasó de 20.000 a 40.000 empleados y de US$ 2.000 millones a US$ 11.500 millones en facturación. Decididamente, una escala superlativa si se mide con los frigoríficos locales que aún quedan en pie.

Por lo demás, Oliva Funes ya tiene su destino asegurado: con un nuevo grupo inversor se dedicará a la producción de carne porcina para que se transforme en un sustituto de la vacuna. Pero al margen de especulaciones interesadas, ha trascendido que resulta difícil digerir en las plantas argentinas la cultura brasileña. Puestos en acción, los manuales de procedimiento en la relación con sindicatos, proveedores y clientes no son los mismos. Y cuentan que la presión por bajar costos y exportar se hace notar demasiado.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Têxteis buscam novas fronteiras


Concorrência chinesa e câmbio reduzem venda para EUA e estimulam entrada em países como Rússia e Turquia

Vera Dantas - O Estado de São Paulo

Países fora do circuito internacional da moda começam a virar o novo alvo de exportações da indústria têxtil brasileira. Os Emirados Árabes Unidos, com consumidores de altíssimo poder aquisitivo, a Rússia, que abrigou recentemente a feira para ricos Millionaire Fair, e até países nórdicos como a Dinamarca estão na lista de ataque de produtos com a etiqueta “made in Brazil”. O mercado latino-americano também é considerado uma opção atraente para investimentos.

O interesse em novos mercados, de classe média emergente e com consumidores endinheirados, é a salvação para muitas empresas que enfrentam dificuldades nas vendas para mercados mais tradicionais. A desvalorização do dólar em relação ao real e a invasão maciça de produtos chineses nos Estados Unidos vendidos a preços imbatíveis frente aos concorrentes têm desestimulado as exportações para os americanos.

“Não que os Estados Unidos não sejam importantes, mas a chegada dos chineses que oferecem um volume imenso de produtos com preços arrasadores dificulta as vendas”, diz o presidente da Sinditêxtil e diretor da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Rafael Cervone Netto.

Os Estados Unidos são o segundo maior mercado de exportação para o Brasil, atrás apenas da Argentina. Mas vêm perdendo espaço nas vendas brasileiras. Os valores exportados para os americanos somaram US$ 338,9 milhões este ano até setembro. O resultado é 12% menor em relação a igual período em 2005. Em volume, na mesma comparação, as vendas caíram de 90,3 milhões de quilos em 2005 para 85,9 milhões em 2007.

No ano passado a Hering teve, no terceiro trimestre, 42% das exportações destinadas à América do Norte. Neste ano a participação caiu para 29%. A estratégia da empresa, conforme seu último balanço, é descentralizar as vendas aos EUA e diversificar mercados. Não é a única. A Dudalina, de moda masculina, por exemplo, até dois anos atrás distribuía seus produtos para 12 clientes nos Estados Unidos. No ano passado, ainda vendia para quatro e este ano abandonou o mercado. “É um ambiente muito competitivo, onde a mercadoria tem pouco valor intrínseco e as exigências técnicas são muito grandes”, diz o diretor de exportação, Rui Hess de Souza.

Ele também decidiu reduzir a produção de roupas com a marca de terceiros (private label) e valorizar a própria marca. “Em 2006, do total exportado, 80% era no private label e 20% nossas marcas. Em três anos, vamos reverter essa proporção”, diz o empresário. “O valor médio de uma peça private label é de US$ 11. Minha peça sai por US$ 23”, compara.

A empresa deu a largada também para a abertura de lojas na América Latina com sua marca. Este ano foram quatro no Paraguai. Em 2008, serão mais 11 lojas distribuídas por Venezuela, Paraguai, Equador, Costa Rica, Chile e Colômbia. A Rússia é outra possibilidade que começa a ser investigada.

A Poko Pano, exportadora de moda praia há 14 anos, entrou este ano em Dubai e tem a China como um de seus focos de venda para 2008. “São nos países emergentes, com uma classe de novos ricos, que posso reajustar o preço do biquíni e entrar com um produto mais sofisticado para quem compra luxo”, resume a diretora da empresa, Paola Robba.

Embora exporte para Estados Unidos, Europa e América do Sul, ela se queixa muito do prejuízo que teve com o câmbio. “Em Portugal, por exemplo, perdi 40% das vendas porque eles não aceitam reajuste de maneira alguma.” Ela fecha o ano com faturamento empatado com o ano anterior e uma redução de 10% no volume vendido.

Para ser bem sucedido nos países europeus é preciso investir muito na marca. “A Europa exporta moda. Entrar lá é mais complicado. Se a empresa não tiver recursos para marketing terá dificuldade”, diz o presidente do grupo Maria Bonita, Alexandre Aquino. A marca é vendida em Londres, em multimarcas, mas também em novos mercados como Dubai, Arábia Saudita, Cingapura e Rússia.

A Marisol foi uma das que resolveram apostar num dos centros do circuito da moda ao abrir uma loja em Milão, na Itália, com a marca infantil Lilica Ripilica na Via Della Spiga. “É nossa loja conceito na Europa para divulgar a marca para outros países”, diz o gerente de exportação, Marcelo Damm. A estratégia da empresa de internacionalização é a abertura de várias lojas no exterior.

Paris foi um ponto inicial de expansão para a Mabel, de moda feminina sofisticada. “Conseguimos contato com um distribuidor local que abriu portas para a Mabel nos países árabes”, diz o diretor financeiro da empresa, Francisco Otávio de Castro Magalhães.

“Competir na França com marcas como Prada e Armani é inviável. O investimento é muito pesado.” Na França, a empresa conseguiu três clientes e não tem mais o país como um alvo. O empresário diz que o europeu reconhece design, mas quer preços baixos porque imagina que a mão-de-obra brasileira é barata como a chinesa. “A negociação com os árabes é bem mais fácil e eles querem novidades”, diz Magalhães, que exporta 15% da produção de 20 mil peças ano.

Brasil já é o 2º país em empresas na Bolsa de Nova York


São 33 empresas listadas, mais do que a França e o Reino Unido e abaixo apenas do Canadá, que tem 80

Jamil Chade e Patrícia Campos Mello

O Estado de São Paulo

O Brasil já é o segundo país estrangeiro em número de empresas listadas na Bolsa de Nova York (NYSE), com 33, atrás apenas do Canadá, que tem 80. Nos últimos 12 meses, o País passou na frente da França e do Reino Unido. Segundo levantamento do Bank of New York Mellon obtido pelo Estado, o volume negociado de ações das empresas brasileiras com ADRs listadas em bolsa (Bolsa de Nova York e Nasdaq) ultrapassou o volume das ações na Bovespa.

Em 2006, as ADRs das 32 empresas brasileiras listadas movimentaram US$ 251 bilhões, ante US$ 233 bilhões negociados pela 394 empresas da Bovespa. De janeiro a setembro de 2007, a tendência se manteve (434 empresas com volume de US$ 342 bilhões, ante 33 empresas e US$ 354 bilhões). Os ADRs são recibos de empresas estrangeiras negociados nos Estados Unidos, equivalentes a ações.

“Hoje, o Brasil está mais bem representado que Reino Unido, França ou China na bolsa americana”, afirmou ao Estado Alexandre Ibrahim, diretor-gerente do departamento responsável por atrair clientes para a Bolsa de Nova York. “Estamos muito satisfeitos com os resultados.Esperamos que esse número de empresas continue a crescer e possamos passar para 40 em 2008”, disse Ibrahim. Ele afirma que a Bolsa está em negociações com algumas companhias. Segundo fontes do mercado, a BM&F seria uma das empresas cogitando lançar ADRs.

Ibrahim adverte que, apesar da liderança brasileira, os chineses vem crescendo a um ritmo acelerado nos últimos anos e já contam com 25 empresas listadas. Entre as empresas estrangeiras, o Canadá é quem está mais bem representado, com cerca de 80 companhias. A proximidade da economia americana, porém, é o que explica a presença canadense.

SUCESSO

Além do maior número de empresas listadas, o Brasil tem também as ações estrangeiras mais negociadas - Petrobrás e Companhia Vale do Rio Doce são, ano após ano, as ações estrangeiras com maior liquidez na NYSE. Segundo Curtis Smith, vice-presidente da área de ADRs do Bank of New York Mellon, o Brasil está se beneficiando do volume de investimento recorde em fundos internacionais, principalmente nos chamados “fundos de mercados emergentes”, “fundos BRIC” e “fundos regionais”.

Em 2006, 93% dos novos recursos aplicados em fundos de ações nos EUA foram investidos em ações estrangeiras. Os fundos de ações globais captaram US$ 148 bilhões e os de ações americanas, apenas US$ 12 bilhões. “Muitos investidores querem ter parte de seu dinheiro aplicado no Brasil - e grande parte opta por investir em ADRs, porque é menos burocrático do que abrir uma conta de investidor estrangeiro no Brasil e comprar ações locais na Bovespa”, diz Smith.

O volume de negócios envolvendo os papéis das multinacionais brasileiras na NYSE aumentou 84% em 12 meses e as ações já movimentam US$ 2,2 bilhões por dia, um recorde. A alta ficou bem acima da média das ações latino-americanas, de 55% em um ano.

Para as empresas brasileiras, estar listada em Nova York dá acesso a um volume enorme de recursos. No total, 20% dos US$ 4,1 trilhões investidos em ações nos EUA estão em papéis de empresas estrangeiras (em 2006 eram 18%). Além disso, vários fundos querem pegar carona na “onda BRICs”, mas só podem investir em ações que liquidam no mercado americano, para não ter risco de conversão. “Muitos investidores que começaram a investir em empresas do Brasil recentemente optam por ADRs, pois é mais fácil”, diz Smith. “Já um investidor maior ou mais sofisticado, que vai investir em 20, 30 ações brasileiras diferentes, vai na Bovespa.”

Segundo os executivos da Bolsa de Nova York, há um interesse cada vez maior de traders pelos papéis de companhias brasileiras. E por que não há mais empresas lançando ADRs? “Existe uma demanda enorme dos investidores por ADRs brasileiras, o problema é que é difícil e caro cumprir todas as exigências para listagem, elas ficaram muito mais rígidas depois da Lei Sarbanes-Oxley (baixada após os escândalos contábeis da Enron)”, diz Smith.

A burocracia e o custo de se adaptar à Sarbanes-Oxley afastou muitas empresas do mercado acionário americano. “Mas está em curso a simplificação da lei, para que a barreira no mercado americano seja mais palatável”, acrescenta Smith.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

A indústria levanta vôo

O desempenho geral da indústria vai surpreendendo até os mais otimistas.

por Celso Ming

Tendo como referência o mês de outubro, o crescimento acumulado do ano é de 5,9% e, nos últimos 12 meses, de 5,3%. São números carregados de conseqüência. Mas, antes, vamos às causas.

O próprio IBGE, o organismo encarregado dos levantamentos, identifica como fatores explicativos da boa expansão industrial o avanço do consumo interno (que tem a ver com o salto do crédito), o crescimento do investimento e a força das exportações.

Os últimos levantamentos dão conta de que o consumo geral cresce acima de 6% em relação ao que cresceu no ano passado. Mais provavelmente está hoje próximo dos 10%. A impressionante estocada das vendas de veículos (mais de 31% no ano até novembro) é boa ilustração disso.

O salto do consumo, por sua vez, está relacionado a três fatores: expansão do crédito às pessoas físicas, da ordem de 32,5% neste ano; aumento da renda real da população, puxada pelo reajuste de 8,6% do salário mínimo em abril; crescimento das despesas públicas, superior a 10% ao ano; e valorização do real (queda do dólar), que aumenta o acesso do consumidor às importações.

A boa fase dos investimentos já vinha sendo acusada pelas importações de bens de capital, que nos 11 primeiros meses do ano aumentaram 31,8%. E vai sendo corroborada pelo crescimento da produção interna de máquinas e equipamentos, de 18,8% no acumulado do ano até outubro e de 16,9% em 12 meses. Quem investe não compra apenas máquinas. Tem de aumentar as instalações, comprar materiais, contratar serviços e por aí vai. É um fator que puxa o resto.

E não dá para ignorar a puxada na indústria provocada pelas exportações. De janeiro a novembro, o despacho de produtos manufaturados para o exterior cresceu 17,1%, puxado por veículos, aços planos, aviões e autopeças.

E, a partir do que está aí, já dá para amarrar algumas conseqüências. A primeira é a de que vai sendo esvaziado o mantra dos dirigentes da Fiesp e de um punhado de críticos da política macroeconômica de que está em curso um rápido e inexorável processo de desindustrialização e sucatamento da empresa nacional atribuído à ação dos juros escorchantes e do câmbio fora do lugar. Crescendo como está, de forma generalizada e consistente, não há como insistir na tese da desindustrialização e da destruição de atividade produtiva. Tampouco se vêem importantes falências, desemprego e outros tantos efeitos aterrorizantes.

Mas não dá para afastar outro risco: o de que, apesar dos investimentos, o setor produtivo não dê conta do dinamismo do consumo. Se isso acontecer, pode haver, sim, a tal inflação de demanda, de que a indústria não quer ouvir falar.

Há dois dias, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) já havia relatado que nunca como agora foi tão forte o giro das máquinas. A utilização da capacidade de produção da indústria é recorde, de 82,3% em outubro. As importações estão em boa parte suprindo a insuficiência da oferta interna. Esta é a principal razão por que crescem (no acumulado do ano) 30,8%.

E, se houver inflação de demanda, o Banco Central adiará novos cortes dos juros.

Leia a coluna de Celso Ming, na integra, no jornal O Estado de São Paulo (para assinantes)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Ranking das cem empresas mais competitivas tem 13 brasileiras

da Folha Online

Treze empresas brasileiras aparecem no ranking de 2007 elaborado pela consultoria Boston Group, que lista as cem companhias mais competitivas dos países em desenvolvimento. O Brasil é o terceiro país em número de representantes, atrás apenas da China, que têm 41 nomes, e da Índia, com 20 empresas.

As gigantes nacionais que aparecem na lista, já esperadas, são Vale, Petrobras, Embraer, Gerdau, Votorantim e Braskem. Também constam Sadia, Perdigão, Natura, Coteminas, WEG, JBS-Friboi e Marcopolo --estas duas últimas estréiam no ranking.

Ao todo, 3.000 empresas foram avaliadas a partir de seus lucros, faturamento e previsão de investimentos. Depois do Brasil, as nações com mais empresas são México (sete) e Rússia (seis). A Argentina e o Chile tem apenas uma empresa cada. (clique e veja a lista completa).

Segundo a consultoria, que faz o ranking pelo segundo ano,"companhias dos países em desenvolvimento têm crescido tão rapidamente que ameaçam líderes da indústria mundial". "Com mais de US$ 1,2 trilhão em rendimentos e mais de US$ 1,5 trilhão gasto em aquisições por ano, o crescimentos das empresas é formidável", afirma ainda o relatório.

"A indústria precisa conhecer estes novos rivais e agir o mais rápido possível", afirma David Michael, um dos responsáveis pelo estudo.

Em sua página na internet, a Boston Group ressalta que desde 2004, as empresas de países em desenvolvimento têm crescido três vezes mais que as 500 maiores dos Estados Unidos (representadas no indicador S&P 500, da Bolsa de Valores Nova York).

domingo, 2 de dezembro de 2007

Metade das empresas vai contratar mais

DA REPORTAGEM LOCAL

Folha de São Paulo

Metade das 1.594 indústrias paulistas consultadas pela Ipsos, a pedido da Fiesp, afirma que vai contratar mais funcionários no ano que vem.
Os setores de fumo, madeira e móveis, máquinas e equipamentos, metalúrgico e de estruturas metálicas, papel e celulose, têxtil e de vestuário devem puxar o crescimento de emprego no ano que vem.
O levantamento da Ipsos constatou que 18% das 1.594 indústrias consultadas vão elevar o emprego em mais de 15%. Alguns setores têm mais fôlego para empregar do que a média da indústria.
Para 23% das indústrias de fumo, madeira e móveis que foram consultadas, o emprego deve crescer mais do que 15% em 2008. No caso de máquinas e equipamentos, 22% afirmam que vão elevar o emprego em mais de 15%; no setor metalúrgico, 22%; nos de papel e celulose e de têxtil e vestuário, 20%.
As empresas de pequeno porte, segundo o levantamento, têm perspectivas até melhores do que as grandes indústrias quanto ao emprego no ano que vem. Para as indústrias que têm até 50 empregados, 20% pretendem elevar o emprego em mais de 15% em 2008.
"Neste ano, as empresas de grande porte responderam de forma mais favorável ao emprego. Essa situação muda um pouco para 2008. As pequenas empresas estão tendo mais acesso ao crédito", diz Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp. (FF e CR)

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Infra-estrutura pode dar fôlego para país crescer entre 6% e 7%

Sergio Lamucci e Denise Neumann, de São Paulo
Valor


Marisa Cauduro / Valor
Delfim Neto: "Ninguém quer ser sacrificado hoje, como faziam os incas, para que a colheita seja boa no futuro"


Antônio Delfim Netto acredita que o Brasil pode voltar a crescer, em breve, em um ritmo de 6% a 7%. A última vez em que essa velocidade foi alcançada foi no chamado milagre econômico, nos anos 70, período durante parte do qual ele foi o comandante da área econômica. A chave para essa mudança, diz ele, está na aposta que a União e Estados importantes - entre eles São Paulo e Minas Gerais, comandados pelo PSDB e por potenciais candidatos a sua sucessão - estão fazendo na infra-estrutura. E a aposta, explica, vem junto com a convicção de que agora parte importante deste investimento cabe ao setor privado,


Para Delfim, o BC, apesar de sustentar "o último peru disponível no mundo fora do Dia de Ação de Graças e do Natal", não tem mais o poder de frear esse crescimento porque o investimento privado não "obedece" à Selic. A seguir, os principais trechos da entrevista.


Valor: Quais suas perspectivas para o crescimento da economia nos próximos anos?


Delfim Netto: Estou com uma visão otimista por muitos motivos, mas talvez o mais importante é que caiu a ficha do governo federal. Houve alguns sinais importantes dados pelo ministro que considero talvez o mais eficiente do governo Lula, que é a Dilma Rousseff. No começo, os atrasos nos leilões de concessão faziam com que ficássemos desconfiados de que eles queriam devolver para o Estado todas as tarefas. Era aquela ameaça: vai recriar a Telebrás, vai recriar a Diabobrás. Mas não foi por isso que demorou e sim pela assimetria de informação entre o poder concedente e o concessionário. Nas concessões do governo Fernando Henrique, a assimetria de informação levou o concessionário a montar um sistema em que as vantagens eram substanciais. Isso era possível, porque o concessionário sempre sabe muito mais do que o poder concedente sobre a sua tarefa. Hoje estou convencido que era esse problema e não um resíduo ideológico. O que demorou foi o governo entender que poderia transferir para o setor privado algumas tarefas e, ao mesmo tempo, proteger o consumidor.


Valor: De onde vem essa mudança?


Delfim: Eles descobriram isso quando começaram a pensar no leilão de concessões rodoviárias, que poderia ser um leilão frio, comum, mas de repente aparece um animal estranho, que transformou o leilão num sucesso extraordinário. O governo sabe hoje que há mecanismos adequados que permitem transferir ao setor privado aquelas tarefas que antigamente apenas o Estado podia fazer.


Valor: E o que fica para o Estado?


Delfim: É possível reservar para o Estado apenas aquilo que ele tem que fazer. Ele tem que proporcionar uma Justiça razoável, saúde, educação e, numa palavra, precisa equalizar as oportunidades dos cidadãos. E aqui há uma idéia que vai salvar o capitalismo. O capitalismo é uma corrida, uma competição desenfreada. O que se exige numa corrida? Que os sujeitos saiam do mesmo ponto e que pelo menos tenham duas pernas. É evidente que no Brasil isso não existe. No Brasil, 60% das pessoas nascem em lares que são incapazes de dar a eles igualdade de oportunidades. O capitalismo só sobrevive quando há consciência de que essa igualdade de oportunidades está caminhando. A profecia marxista só não se realizou por causa do sufrágio universal. O sufrágio universal deu voz ao trabalhador e o está transformando em cidadão. Não adianta o economista vir e dizer: "Eu sou o portador da ciência e vocês devem seguir os meus conselhos", como se fosse um daqueles velhos sacerdotes incas, afirmando que temos que sacrificar alguém hoje para que a colheita seja boa no futuro. Ninguém quer ser sacrificado hoje para que a colheita seja boa no futuro. Você tem que convencer o sujeito, que está hoje produzindo a colheita do futuro, que o regime é razoavelmente justo. Isso vem da tentativa de melhorar as oportunidades. Eu me divirto muito porque, ao contrário do que as pessoas pensam, o Lula é o salvador do capitalismo.


Valor: Por que o sr. acha que ele é o salvador do capitalismo?


Delfim: Porque ele colocou na mesa, inconscientemente até, que a igualdade de oportunidades é a única coisa que pode salvar a boa política econômica. O Lula é o salvador do capitalismo, porque é óbvio que antes de voltar a crescer, estamos indo para uma sociedade que eu nem sei se é mais justa, mas ela se pensa mais justa, ela se percebe mais justa.


Valor: Mas por que sr. acha que o crescimento será mais forte?


Delfim: Porque vão se realizar projetos do PAC que jamais seriam realizados pelo governo. O governo não tem recursos. E no discurso do lançamento do PAC da ciência, o Lula descobriu uma coisa importante: não adianta nada fazer um programa e disponibilizar os recursos porque é no governo que o programa não se realiza. A verba não chega ao laboratório não porque nós não sabemos que a pesquisa é importante, mas porque tudo isso é bloqueado pela própria máquina, que é ineficiente para transferir os recursos. Isso é outro passo muito importante na sua compreensão do governo. Nesse cenário, os investimentos em infra-estrutura vão crescer e muito. Isso é apenas um pequeno aspecto. Eu olho para São Paulo e vejo o José Serra com um passo à frente, fazendo a mesma coisa e até melhor.


Valor: Por que melhor?


Delfim: Ele vai colocar em leilão as estradas, vai vender uma parte do patrimônio que não interessa, vai privatizar, vai fazer parcerias público-privadas. Nas estradas, ele escolheu um modelo que tem um certo interesse, que o governo federal não usou. Você fixa a outorga. O governo federal usou simplesmente minimizar a tarifa. A proposta do Serra tem uma coisa mais interessante, pois posso usar os recursos da outorga para investir onde a taxa de retorno social é maior que a privada, onde o setor privado não vai entrar. O Aécio Neves está fazendo a mesma coisa, o que prova que a competição é a única coisa que resolve. Você tem uma competição óbvia entre União, São Paulo e Minas, que são os potenciais sucessores do Lula. A União é uma interrogação, os outros dois vão disputar entre si, mas um dos dois vai ser candidato. Isso significa que você vai ter um aumento significativo do investimento em infra-estrutura.


Valor: Qual o impacto dessa alta?


Delfim: A bibliografia internacional mostra que 1% do PIB de aumento do investimento em infra-estrutura tende a aumentar a taxa de crescimento do PIB entre 0,4 e 0,5 ponto percentual. A soja, para ser trazida de Mato Grosso para Santos, metade é custo de transporte. Se arrumo as estradas, isso cai para 25%. Gasto menos pneumático, gasto menos energia. A externalidade do investimento público é enorme e eleva a produtividade do setor privado. Isso vai ser visível nos próximos dois anos.


Valor: Isso se materializa em 2008, ou é mais para 2009?


Delfim: Acho que é agora, porque está começando. São Paulo está funcionando, Minas está funcionando e a União está funcionando. Em 18, 24 meses, você vai notar esse efeito. O simples fato de que você está melhorando porto, melhorando estrada, você vai ter uma elevação do crescimento. Quais são os fatores que impedem o crescimento? Energia e conta corrente. Conta corrente, Deus resolveu para a gente. Na energia, Deus deu uma mãozinha agora, o que prova que esse tal de Lula tem alguma coisa com o divino. Há um problema de curto prazo óbvio, mas o entendimento de que há um problema de curto prazo é o primeiro passo para a solução do problema. Não adianta discutir, haverá problema de gás se não chover direito, mas ele não é suficiente para inibir ou abortar o crescimento. Hoje, estou muito mais confiante de que o único fator que poderia abortar o crescimento, que é a oferta de energia, aos trancos e barrancos será superado, infelizmente com custo marginal crescente.


Valor: O sr. acha que nós podemos sair dos 4,5% a 5% de crescimento neste ano para quanto?



O Lula é o salvador do capitalismo porque estamos em uma sociedade que se pensa mais justa"


Delfim: Acho que é perfeitamente razoável imaginar 6%, 7% nos próximos anos.


Valor: Inclusive em 2008?


Delfim: Em 2008 acho que você terá provavelmente mais do que 5%. É sempre muito arbitrário, mas o que digo é o seguinte: é óbvio que o governo colocou na mesa o problema do desenvolvimento, que tinha sido esquecido nos últimos 25 anos. Colocou na mesa, mostrou que o grosso dos diagnósticos dos cientistas estava errado. O que os cientistas diziam em 2002? Não há a menor possibilidade de superar contas correntes porque falta poupança. Um miserável fato destruiu a brilhante teoria. Subiram os preços externos, acabou. Houve movimento de capitais, uma porção de outras coisas, mas o que me interessa, o que sobrou desses pensamentos cerebrinos, é que, se você eliminar as duas restrições ao crescimento, o crescimento só depende da capacidade do governo de acordar o espírito animal do empresário.


Valor: O sr. acha que não há mais o risco de o BC inibir o crescimento?


Delfim: A taxa de juros fixada pelo BC não tem nada a ver com a taxa de juros que funciona no investimento. O investimento é controlado ou pela taxa de juros externa, para quem pode tomar, ou é controlada pelo BNDES. Aquilo na verdade é um banco de brincalhões, que nós continuamos levando a sério porque eles continuam a produzir o último peru disponível no mundo, fora do Dia de Ação de Graças e do Natal.


Valor: O BC não pode adormecer o espírito animal dos empresários? Ou não pode ter sua autonomia questionada pelo governo?


Delfim: Nunca ninguém respeitou a autonomia do BC como o Lula. Ninguém vai se meter a mudar a política do BC porque a única coisa para a qual ela tem importância hoje é a dívida pública, é disso que se trata. E mesmo assim o seu papel foi muito reduzido quando você deu o incentivo, que tem certo caráter exagerado, que foi a isenção de IR para o investidor estrangeiro. Você podia dar, mas dar para todos, não apenas para o investidor estrangeiro. O que acho é que não há mais a possibilidade de fazer o terrorismo. Isso é uma das vantagens do regime de metas inflacionárias. Há muitos problemas, mas uma das vantagens é que ele obriga o governo a explicitar a taxa de inflação que quer. A sociedade pode julgá-lo. Você acha que alguém tem condição de chegar hoje para o Brasil e dizer: eu quero uma taxa de inflação de 10%? Não tem. Ela é um instrumento de controle do próprio Executivo e cada vez está mostrando que não é o BC que é importante. O importante é a política fiscal. Se a política fiscal estiver correta, o BC pode fazer o seu trabalho sem prejudicar coisa nenhuma. Por que o Brasil precisa ter taxa de juro real de 8%? Qual é o motivo, qual é a doença, que faz que o Brasil seja o único país do mundo, além da Turquia, com juro desse tamanho? O Brasil é um país que tem que ter taxa de juro real como a do mundo inteiro, de 2,5% a 3%. Se você olhar a estrutura fiscal - e não a política fiscal -, ela é terrível. A carga tributária é a maior do mundo para um país do nosso nível de renda per capita, uma dívida pública bruta que é 65% do PIB. Esses fatos é que acabam exigindo a taxa de juros. Não é a economia brasileira. Você precisa financiar a dívida. O BC age mais na necessidade de financiamento do governo do que no processo produtivo.


Valor: O câmbio não pode abortar parte desse crescimento?


Delfim: Pode. Tudo isso está na direção de sustentar um câmbio artificialmente supervalorizado. A taxa de câmbio brasileira tem três componentes. Uma componente é a imagem da desvalorização do dólar. Todo mundo se valorizou. De vez em quando as pessoas pensam que a política econômica brasileira é tão virtuosa que produziu a valorização. Não. O segundo fator é que houve uma mudança estrutural fundamental. Eu gastava metade do valor das exportações para importar petróleo. Hoje somos auto-suficientes em petróleo. Mas há o que chamo de supervalorização. É triste ter visto grandes economistas, o BC, os mais sofisticados cientistas, negarem a relação entre diferença de taxa de juros e valorização do câmbio. É um momento negro da teoria econômica brasileira, a negação feita pelos financistas de que não há nenhum efeito do diferencial de juros. Agora, não sabem o que fazer com a grana toda que entrou.


Valor: Quanto é essa supervalorização causada pelo diferencial de juros?


Delfim: Não sei, mas não é nada diferente de uns 10%, 15%.


Valor: Mas um dólar na casa de R$ 1,70 não pode ofuscar os efeitos benéficos dos investimentos em infra-estrutura sobre a economia?


Delfim: Sem investimento em infra-estrutura, o dólar a R$ 1,70 produz uma desgraça de 100. Com investimentos de infra-estrutura, o dólar a R$ 1,70 produz uma desgraça de 80. Os investimentos em infra-estrutura significam aumento da produtividade do sistema econômico brasileiro, ou seja, significa a capacidade de resistir a uma valorização maior do que sem ele. É claro que tudo seria muito melhor se o Brasil acordasse para o fato de que precisa uma taxa de juro real igual à do mundo. Você eliminaria essa supervalorização e o efeito do investimento seria ainda maior. O investimento em infra-estrutura ajuda a resistir a um câmbio que está fora do seu equilíbrio.


Valor: Há muita gente que prevê déficit em conta corrente em 2008. Não há o risco de a restrição externa voltar a aparecer, talvez não em 2008, mas em 2009 ou 2010?


Delfim: A restrição externa vai aparecer se não tivermos inteligência, por um motivo simples. O Brasil vai ter, daqui a 25 anos, 250 milhões de habitantes e terá que dar emprego para 140 milhões de sujeitos entre 15 e 65 anos. É óbvio que o paradigma brasileiro não pode ser o neozelandês, que daqui a 25 anos vai ter 5 milhões de habitantes, ou seja, vai ser menor que a favela do Alemão. Também não pode ser o chileno, que daqui a 25 anos terá 20 milhões de habitantes. Estamos surfando no crescimento global. Junto com a expansão do mundo, apareceu a China, apareceu a Índia. Os preços dos produtos agrícolas e minerais cresceram muito mais do que os dos produtos industriais e estamos nos beneficiando disso. Mas sabemos que o mundo não é exponencial. A economia global flutua. O período varia, a amplitude varia, de modo que mais dia, menos dia, esses países vão caminhar para uma estabilização, vai haver uma recessão nos EUA, que terá conseqüência na China, você terá uma flutuação nesses preços. Quando os preços flutuarem, rapidamente vai aparecer um déficit comercial e em conta corrente. Por que ele não será um impedimento no curto prazo? Porque você tem reservas de US$ 170 bilhões. Você pode fazer besteira cambial por mais uns três anos. É óbvio que, para sustentar esse país é necessário ter política industrial exportadora. O Brasil não está se inserindo no mundo. O Brasil está servindo ao mundo, e na minha opinião, tem todo o motivo de servir e aproveitar ao máximo essa possibilidade, mas não acreditar que esse é o modelo que vai permitir ser um país decente daqui a 25 anos. O Brasil é o 5º país em dimensão geográfica, é o 8º ou 9º em dimensão demográfica, é o 11º em PIB. O Brasil tem que pensar o que ele é. Não é simplesmente essa cópia, essa idéia de que se deixar o mercado fazer tudo vai dar certo. O mercado é um instrumento fantástico porque não foi inventado por ninguém, foi descoberto no próprio processo de viver. Ninguém pensa em abandonar o mercado. Mas para crer que o mercado pensa 25 anos na frente, tem que acreditar muito mais do que qualquer muçulmano.


Valor: O câmbio se corrige só com o diferencial de juros?


Delfim Se os juros estivessem na posição correta, o movimento de capitais seria muito menor. A taxa de câmbio estaria no seu equilíbrio, um pouco mais, um pouco menos, pois o câmbio flutua, é assim mesmo.


Valor: O cenário externo não pode nublar essas perspectivas?


Delfim: Se nós continuarmos como está, nós vamos dar com a cabeça na parede mesmo. Do mesmo jeito que Deus deu essa alegria de eliminar a vulnerabilidade externa construída pelo Fernando Henrique, vai retirar. Essa expansão produzida pelo aumento dos preços dos produtos agrícolas e dos produtos minerais não é coisa permanente.


Valor: Além do câmbio, o que mais pode ser feito pelo governo?


Delfim: É a disposição de entender isso, que o mercado é formidável, mas não é ele que faz o crescimento. Quem faz o crescimento é o espírito animal do empresário quando é despertado pelo governo. Esse pavor estadofóbico que se apropriou de alguns economistas, que é compensado pela estadolatria que se apropriou de outros, é que perturba o crescimento. Nenhum dos dois está certo.

domingo, 11 de novembro de 2007

Etanol: Brasil corre o risco de perder liderança

Estados Unidos avançam nas pesquisas científicas para produzir álcool a partir de diferentes tipos de resíduos

Liana Melo*
Enviada especial - O GLOBO
WASHINGTON e DENVER
.

O Brasil virou um aliado fundamental no esforço concentrado dos Estados Unidos para reduzir sua dependência do petróleo.

Do alto de uma produção de 18 bilhões de litros de etanol, o Brasil está nadando de braçadas, já que é o único país onde a produção não depende de subsídios governamentais para sobreviver e mais, ser competitiva. Só que essa liderança mundial está correndo sérios riscos.

O país pode perder a corrida tecnológica caso não acelere imediatamente as pesquisas em etanol de celulose ou de segunda geração, que inclui diferentes tipos de biomassa, como bagaço de cana-de-açúcar, palha de milho, resíduos de madeira, trigo, capim, sorgo.

O protagonismo brasileiro no etanol está sendo ameaçado justamente por aquele que, hoje, depende do Brasil: os Estados Unidos.

EUA vão investir US$ 1,5 bi em pesquisa
Em 2008, o governo americano está planejando investir US$ 1,5 bilhão em pesquisas energéticas, e o etanol de celulose vai receber US$ 200 milhões.

A parceria governamental com o setor privado e a academia começou em 2006 e já está bastante azeitada. Já no Brasil, a corrida tecnológica está mais lenta e menos organizada.

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) ainda está concluindo o primeiro edital para induzir pesquisas com etanol de celulose. O orçamento é de R$ 22 milhões e a previsão é que os projetos sejam julgados e selecionados até o dia 14 de dezembro, segundo José Oswaldo Siqueira, diretor de Programas Temáticos e Setoriais do órgão.

Ainda que o Brasil tenha acumulado três décadas de experiência e conte com vantagens — a produtividade do etanol brasileiro (74 toneladas por hectare) é superior à média mundial (69 toneladas por hectare) —ganha a corrida do etanol de segunda geração quem primeiro descobrir descobrir a melhor rota tecnológica para transformar resíduo em álcool. Nem o BNDES anunciou ainda linhas de crédito para pesquisa e desenvolvimento na área.

— Se continuarmos de braços cruzados vamos perder a corrida tecnológica. Com ações isoladas e pouca massa crítica, não vamos chegar a lugar nenhum — pontua Luiz Augusto Cortez, vice-coordenador do Grupo Energia Projeto Etanol, do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), do qual fazem parte cerca de 20 instituições brasileiras.

Nos Estados Unidos, seis plantas-piloto já saíram do papel.

O orçamento é de US$ 385 milhões, e a previsão é produzir 863,7 milhões de litros de etanol de celulose. Os projetos estão espalhados pelos estados de Kansas, Flórida, Califórnia, Iowa, Idaho e Georgia.

No Brasil, o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (Cenpes) é o primeiro projeto oficial. A Petrobras investiu R$ 3 milhões para produzir 280 litros de etanol diários, feitos a partir de bagaço de cana. A produção industrial deve começar em 2010.

Os Estados Unidos já identificaram 1,17 bilhão de toneladas de biomassa para etanol de celulose. Até agora nenhum processo é economicamente competitivo. Todo esse esforço científico está sendo liderado pelo Laboratório Nacional de Energia Renovável (NREL, sigla em inglês), no Colorado.

— Temos metas arrojadas a cumprir, e o principal objetivo é reduzir o custo do etanol de milho, que hoje é de US$ 0,52 por litro para US$ 0,34 por litro até 2012 — disse Helena Chum, do NREL, vinculado ao Departamento de Energia dos EUA.

Nascida em São Paulo e morando nos Estados Unidos há 30 anos, Helena Chum foi peçachave nas articulações bilaterais entre o Brasil e os Estados Unidos, que culminaram com o acordo assinado entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush, no começo do ano.

O NREL vem desenvolvendo várias pesquisas aplicadas e a mais adiantada delas, por enquanto, é com a DuPont, que consumiu investimentos de US$ 38 milhões. Outra parceira vem sendo desenvolvida com a espanhola Abengoa, para usar microorganismos no processo de produção do etanol celulósico.

— As petroleiras não gostam muito de etanol, mas estão preocupadas em incorporar conhecimentos na área de biocombustível — admitiu Alan Weimer, que coordenada o Centro de Biorrefinaria e Biocombustíveis (C2B2), da Universidade do Colorado.

Grupo de empresas já tem 40 projetos em análise
Chevron, Dow Chemical, Shell, General Motors, ADM e Novozyme são algumas das 27 empresas que fazem parte do conselho diretor do C2B2, criado há 18 meses. Cada uma delas desembolsou US$ 300 mil anuais e aplicou 10% num fundo de pesquisa compartilhada, que dá direito a ficarem isentas de pagamento de r oyalties em caso de patente reconhecida.

Dos 65 projetos apresentados, 40 deles estão sendo analisados.

Mas não são apenas as grandes companhias que estão se associando às universidades americanas. Na Georgia, a Range Flues é um exemplo típico dessa parceria com empresas recém-criadas. Usando restos de madeira, ela tem a meta de produzir 76 milhões de litros de etanol. Seu dono é o conhecido investidor em fontes de energia renovável, Vinod Khosla, um dos fundadores da Sun Microsystems.

Outros centros de pesquisa dos Estados Unidos também estão se mobilizando, e a concorrência para saber quem vai chegar primeiro nessa corrida tecnológica está acirrada. Os principais adversários da Universidade do Colorado são as universidades de Berkeley, Iowa e Georgetown.

Enquanto Serra prepara venda de empresas públicas em São Paulo, no Brasil maioria é contra privatizações


Levantamento ‘Estado’/Ipsos indica que 62% do eleitorado é contra e apenas 25% é a favor

Carlos Marchi

A maioria do eleitorado brasileiro (62%) é contra a privatização de serviços públicos, feita por quaisquer governos, apontou a pesquisa Estado/Ipsos. Apenas 25% dos brasileiros a aprova. A percepção dos brasileiros é que as privatizações pioraram os serviços prestados à população nos setores de telefonia, estradas, energia elétrica e água e esgoto. As mais altas taxas de rejeição (73%) estão no segmento de nível superior e nas classes A e B.

Esses números contrastam com o momento das privatizações. Há 22 anos, os monopólios estatais se mostravam incapazes de responder aos desafios da globalização e da revolução tecnológica, em especial na telefonia. Em dezembro de 1994, uma pesquisa Ibope sobre privatização de bancos estaduais registrou que 57% eram a favor de privatizá-los total ou parcialmente e só 31% eram contrários. Em fins de março de 1995, outra pesquisa Ibope atestou que 43% dos brasileiros eram a favor das privatizações e 34% eram contrários.

DO VINHO PARA A ÁGUA

De lá para cá, isso mudou muito. Hoje, uma robusta maioria acha que a qualidade dos serviços prestados por empresas privatizadas piorou. Os mais criticados, segundo a pesquisa, são os serviços prestados pelas concessionárias de energia elétrica (pioraram para 55% e melhoraram para 31%) e água e esgoto (54% e 29%, respectivamente). As menos rejeitadas são as de telefonia (51% e 37%) e de estradas (47% e 36%).

Mas os brasileiros fazem um ressalva em seu julgamento. Se, por um lado, acham que cabe ao governo arranjar dinheiro para investir em tudo, como afirmam 74%, por outro, sentenciam pragmaticamente que é melhor privatizar do que prestar um mau serviço, como admitem 44%. Uma parcela minoritária (20%) concorda com a frase “serviços privatizados funcionam sempre mal”; e menos gente ainda (18%) concorda com a frase “serviços estatizados funcionam sempre bem”.

A análise do Ipsos frisou que a população brasileira se posicionou francamente contra as privatizações, mas, se os serviços forem bons ou trouxerem benefícios para as pessoas, essa postura pode ser revertida. Segundo a análise, os brasileiros não comparam o serviço prestado atualmente com o passado remoto - quando eles eram, em geral, de má qualidade -, mas com a expectativa que acalentaram de que as privatizações melhorariam a vida das pessoas.

Hoje, para privatizar, deduz a análise, os governos devem estar blindados pelo acúmulo prévio de popularidade advinda de outros fatores - FHC, por exemplo, menciona a análise, privatizou sob o guarda-chuva do início do Plano Real; Lula, agora, privatizou sob o manto protetor do bom momento da economia e dos programas sociais.

SEM COR E SEM PARTIDO

Ainda assim, a rejeição à privatização não tem cor partidária ou ideológica: ela atinge por igual as privatizações feitas no governo FHC, no governo Lula ou em governos estaduais ou municipais variados (caso das privatizações na área de água e esgoto). Enquanto 55% acharam que o governo FHC fez mal em privatizar a telefonia, apenas 33% disseram que fez bem.

Os números são negativos por igual para a privatização de estradas (53% contra e 33% a favor), energia elétrica (59% contra e 29% a favor) e água e esgoto (59% contra e 27% a favor). Da mesma forma, os brasileiros condenaram a recente privatização de estradas federais anunciada pelo governo Lula: para 49%, o governo fez mal; para 35%, o governo fez bem.

Uma maioria esmagadora da população condenou uma hipotética privatização das “jóias da Coroa”, o Banco do Brasil (77%), a Caixa Econômica Federal (78%) e a Petrobrás (78%), numa atitude animada, segundo a análise do Ipsos, pela retórica repetida por todos os segmentos políticos brasileiros .

Os que estão no alto da pirâmide de renda produziram as maiores taxas de aprovação das privatizações (35%, entre os que ganham mais de R$ 1.801), mas, entre os que ganham até R$ 300 mensais, apenas 15% aprovam a desestatização dos serviços básicos.

No outro extremo, a Região Nordeste evidenciou a maior rejeição às privatizações (16% a favor e 73% contra), seguida pela Região Sul (21% a favor e 67% contra), o Sudeste (30% a favor e 56% contra) e, por último, o Norte/Centro-Oeste (34% a favor e 51% contra).

A pesquisa Estado/Ipsos entrevistou 1.000 eleitores brasileiros, em 70 cidades e 9 regiões metropolitanas, entre os dias 24 e 31 de outubro, com uma margem de erro de 3 pontos porcentuais.

sábado, 10 de novembro de 2007

Para Meirelles, preço alto de ações preocupa

DA REPORTAGEM LOCAL

Folha de São Paulo

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, fez ontem uma nova advertência sobre o alto preço que algumas ações brasileiras atingiram. Para Meirelles, a chamada "exuberância" no preço de papéis brasileiros merece ser acompanhada com atenção pelo BC.
"Temos algumas preocupações específicas com a precificação de ações, mas isso é parte de um processo de expansão no mercado. [A gente] Vai olhar com certeza isso, com muito cuidado", disse Meirelles.
Foi a segunda vez que Meirelles demonstrou publicamente sua preocupação com o preço das ações brasileiras. Em agosto, auge da crise imobiliária nos EUA, o presidente do BC afirmou que via com bons olhos o que chamou de "correção saudável" de um otimismo que começava a parecer "exagerado".
No ano, a Bolsa acumula alta de 44,6%. Em agosto, chegou quase a zerar os ganhos, mas recuperou-se logo depois. Segundo analistas, o melhor indicador para saber se o preço de uma ação está alto demais é o P/L. O indicador relaciona o valor de mercado de uma empresa com sua capacidade de gerar lucros. Formado pela divisão do preço pelo lucro, o chamado P/L da Bovespa está hoje em 16, segundo a consultoria Economática. Historicamente, o P/L do Brasil flutua em torno de 10. Nos EUA, somava ontem 17,9.
"A pergunta é: o preço justifica as expectativas de lucro? Na minha opinião, há um pouco de bolha. Um P/L brasileiro igual ao dos EUA só pode ser resultado de euforia", disse Fernando Exel, da Economática. (TS)

sábado, 27 de outubro de 2007

Para Cristina, Brasil é modelo a seguir


Favorita, mulher de Kirchner deve manter boa relação com País que investiu US$ 6,8 bi na Argentina em 5 anos

Ariel Palacios, BUENOS AIRES - O Estado de São Paulo

Os quase quatro anos e meio de governo do presidente Néstor Kirchner alternaram momentos de lua-de-mel com o Brasil e de confronto com seu principal sócio no Mercosul. Kirchner, fiel a seu estilo sem papas na língua, não hesitou, em diversas ocasiões, em desferir fortes golpes contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o empresariado brasileiro.

link Leia mais sobre as eleições

“Há um lugar na OMC, o Brasil o quer. Há uma vaga na ONU, o Brasil a quer. Há uma cadeira na FAO, o Brasil a quer. Até quiseram eleger o papa!”, desabafou Kirchner em 2005, em plena crise diplomática. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) “é dura e impiedosa” e quer “desindustrializar a Argentina”, atacou, na mesma época. Mas, desde o final daquele ano, as relações entre os dois lados da fronteira desenvolveram-se sem grandes problemas. Kirchner voltou a tratar bem o Brasil.

Para reafirmar os laços com o País e convencer os empresários brasileiros a continuar investindo na Argentina, a candidata Cristina Kirchner esteve em Brasília em plena campanha. Se eleita no primeiro turno de amanhã - como prevêem oito de nove pesquisas divulgadas ontem, que lhe dão de 41% a 49,4% das intenções de voto -, ela terá de conviver com o governo Lula até 2010. Segundo disse ao Estado Ceferino Reato, autor da biografia não autorizada Lula, a Esquerda no Divã, a relação de um eventual governo de Cristina com Lula “está bastante bem encaminhada”.

Reato diz que os confrontos de Kirchner com Lula, no passado, foram provocados pela crise econômica que assolava a Argentina no início de seu mandato. “Lula e Kirchner construíram uma convivência satisfatória para ambas partes”, acredita o autor. Segundo ele, a Argentina de Cristina aceitará a liderança do Brasil. “Mas nunca a hegemonia brasileira.”

Desde o início do governo Kirchner, o intercâmbio comercial entre os dois países saltou de US$ 9,23 bilhões, em 2003, para cerca de US$ 20 bilhões, este ano. Um recorde histórico.

Cristina, em seu comício de lançamento de candidatura, em junho, indicou que o modelo econômico brasileiro era um exemplo a ser seguido e até citou explicitamente a Embraer como empresa a ser invejada pelos argentinos.

Para o ex-Secretário de Comércio Dante Sica, não haverá mudanças no trato entre os dois países. “Se Cristina for eleita, manterá a linha atual, com algumas nuanças”, disse ele ao Estado. “Considero que ambos países deverão definir uma política de defesa comercial comum contra a China”. Segundo Sica, os pontos de conflito foram delimitados e não afetam mais a relação bilateral.

Os analistas indicam que Cristina aprofundará as relações políticas e comerciais com o México, que servirá como contrapeso à influência do Brasil na região. Em relação à Venezuela, os analistas sustentam que Cristina manterá uma boa relação com o presidente Hugo Chávez, cujo governo defendeu, recentemente, perante empresários na Europa. No entanto, mais do que motivos políticos, essa proximidade seria necessária pela dependência argentina do petróleo venezuelano e da compra de bônus da dívida pública da Argentina por parte de Chávez.

O ex-secretário de Comércio Raúl Ochoa disse ao Estado que, se Chávez insistir em alianças estratégicas “duvidosas”, Cristina “terá de marcar território”, ou seja,melhorar relações com países desenvolvidos. “Por isso, é essencial a boa relação com Lula”, diz. A opinião é reforçada por Reato: “O Brasil continuará importante para a Argentina. Os Kirchners sabem disso, pois são muito pragmáticos.”

APOSTA

Em 2002, quando a Argentina era embalada pelas turbulências sociais e financeiras, os investimentos europeus e americanos sumiram do país. Mas as empresas brasileiras ao lado das mexicanas decidiram que valia a pena apostar na recuperação econômica argentina. Além disso, o cenário era conveniente, já que a desvalorização do peso transformara as empresas argentinas em ofertas atraentes. Muitas das grandes empresas remanescentes foram compradas.

A AmBev comprou a tradicional cervejeira Quilmes, em 2002. Logo depois foi a vez de a Petrobrás desembarcar na Argentina para adquirir a companhia de energia Pérez Companc. Na seqüência, também chegaram ao país a Camargo Correa, que comprou a maior empresa de cimento da Argentina, a Loma Negra, e a Alpargatas. O setor de carnes, motivo de orgulho para os argentinos, passou a contar com a crescente participação de capital brasileiro.

Os frigoríficos Friboi e Marfrig, ironizam os economistas portenhos, “vieram às compras” na Argentina. Além de comprar companhias existentes, as empresas brasileiras estão construindo fábricas no país. Foi o caso da Paquetá, que ergueu uma fábrica de calçados na cidade de Chivilcoy.

Os economistas ressaltam que a estratégia brasileira é a de investir aqui e exportar para o próprio Brasil. Nos últimos cinco anos, as empresas brasileiras investiram na Argentina US$ 6,812 bilhões. Desse total, 52% foram destinados ao setor industrial, pouco menos de 40% para o de gás e petróleo, 8% para o de construção e 0,3% para o de serviços. Os investimentos diretos provenientes do Brasil, que, em 1997, representavam 0,2% do total de recursos estrangeiros no país, chegam hoje a 20%.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

La locomotora brasileña no se detiene

Por primera vez, el gigante del Mercosur invierte más en el exterior que fronteras adentro.

Por: Daniel Muchnik
Clarín

COLOSO. CVRD ES UNA DE LAS 25 FIRMAS NO BANCARIAS MAS GRANDES DEL MUNDO.

«dP«Dor la compra de empresas en el exterior, Brasil pasó a ser un inversionista importante a nivel mundial y de primer orden en América latina. Colocó fuera de sus fronteras 28.000 millones de dólares en 2006.

Así, por primera vez, las inversiones hechas por empresas brasileñas en el exterior superaron a las recibidas desde el extranjero. Es lo que confirma el "Informe Mundial de Inversiones" que elaboró y autorizó la Conferencia de las Naciones Unidas sobre el Comercio y Desarrollo (UNCTAD).

El avance persistente de Brasil se debió, principalmente, a la adquisición de la minera canadiense Inco por parte del gigante Compañía Vale do Río Doce, en 17.000 millones de dólares.

Hay otros 11.000 millones de dólares más que se fueron al extranjero. Y ahí hay que computar la compra de empresas argentina por parte de sus pares brasileños, como el reciente caso de Alpargatas, Loma Negra y varios frigoríficos.

También es muy fuerte la presencia brasileña en el mercado inmobiliario argentino y en las producciones primarias en las zonas limítrofes. El calzado deportivo en nuestro país está controlado, en gran parte, por Brasil.

Brasil tiene dos empresas entre las 25 mayores no-financieras del mundo, con Petrobras en el lugar número 13 y Vale do Río Doce en el 18.

A su vez, junto a México, y con 19.000 millones de dólares, Brasil fue el destino principal de las inversiones extranjeras canalizadas hacia América latina. En esa materia hubo un incremento del 25 por ciento respecto de los volúmenes operados en 2005. En total, el sur del nuevo continente recibió 84.000 millones de dólares de flujos extranjeros, con una suba del 11 por ciento respecto de 2005. En Chile se acrecentaron un 14 por ciento siempre con relación al año anterior. En Paraguay entre un 33 y 34 por ciento más. En Uruguay hubo evidentes sorpresas: un 62 por ciento más de inversiones que en 2005.

En la Argentina, el ingreso de inversión foránea directa se mantuvo relativamente estable en 2005, con una leve baja del 4 por ciento.En 2006 llegaron activos por 5.500 millones de dólares. En otras palabras, se acrecentó la distancia de Brasil con la Argentina como receptor y exportador de inversiones directas.

Todo esto habla a las claras de la internacionalización de la economía brasileña, con un ida y vuelta muy significativos. Porque no sólo recepciona más fondos externos sino que además las empresas extranjeras reinvierten más sus utilidades dentro de Brasil. Paralelamente las compañías brasileñas se expanden por el mundo, con inversiones reales.

Quienes subestiman el crecimiento brasileño olvidan que Brasil se expande a tasas moderadas, pero en forma constante, sin espasmos, a diferencia de la Argentina, donde los períodos de alzas conviven con otros de fuertes caídas. Eso sucedió en 1995 y en el período 1998-2002.

Hay que señalar, por otra parte las características del comercial bilateral. Sigue marcando un avance de los productos manufacturados brasileños en el mercado argentino, mientras la Argentina continúa con sus ventajas primarias.

El saldo argentino es deficitario en todos los casos, con excepción de los productos primarios. Buenos Aires no evita el déficit con Brasil en materia de manufacturas, contando en ese rubro la tecnología baja, intermedia y alta, que asciende a 3.321 millones de dólares. Hay que contar entre ellos los automóviles, vehículos de pasajeros, autopartes,

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Governo Lula: Recorde de emprego com carteira assinada

Com 251,2 mil novos empregos, foi o melhor setembro desde o início da série histórica do Caged, em 1992

Isabel Sobral - O Estado de São Paulo

Lideradas pela indústria de transformação, as empresas privadas contrataram 251,1 mil novos empregados com carteira assinada em setembro. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado ontem, esse foi o melhor saldo para meses de setembro da série histórica do Caged, iniciada em 1992, o que levou a um aumento de 0,87% do estoque de postos formais de trabalho no País. Apenas as indústrias criaram 112,1 mil vagas, o melhor resultado mensal do setor nas estatísticas do Ministério do Trabalho.

No mesmo mês de 2006, a economia brasileira abriu 176,7 mil novos empregos com carteira assinada, um saldo 29% menor que o do mês passado. Com isso, as empresas já acumulam de janeiro a setembro 1,606 milhão de novos trabalhadores, o que significa 5,8% de elevação do estoque de empregos.

De janeiro a setembro de 2006, o Caged registrou a criação de 1,383 milhão de vagas. Para este ano, a previsão do Ministério do Trabalho é de 1,55 milhão a 1,6 milhão de novos empregos formais, superando o recorde de 2004, quando foram criadas 1,523 milhão de ocupações.

O Caged é um cadastro que registra todas as demissões e contratações feitas pelas empresas privadas, ficando de fora dessa estatística as admissões de empregados domésticos e servidores públicos.

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, atribuiu o bom resultado à política de corte de juros, que favorece o crescimento econômico. Ele apelou para “sensibilidade” dos diretores do Banco Central (BC) que hoje e amanhã discutirão na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) a trajetória da taxa básica de juros (Selic) da economia.

“Tenho certeza de que esses dados vão sensibilizar os nossos amigos do Banco Central, porque o natural agora é termos mais um cortezinho de juros”, disse o ministro, comparando a economia brasileira a um automóvel em movimento para argumentar: “Se puxarmos o freio de mão agora, o carro pode capotar”. O mês de setembro é aquecido em contratações porque é um período em que as empresas - particularmente as indústrias - ampliam a produção preparando-se para o aumento da demanda de fim de ano.

O setor de serviços abriu 73 mil vagas formais no mês, enquanto o comércio contratou 50,3 mil trabalhadores. A agricultura foi o único setor que mais demitiu do que contratou, fechando cerca de 18 mil postos. Segundo Lupi, a entressafra de várias culturas, especialmente na Região Centro-Sul, explica a queda nas contratações.

Para Lupi, os bons números do mercado de trabalho são consistentes e permitem projetar novo recorde anual na geração de empregos. Em dezembro, entretanto, geralmente as demissões aumentam, pois termina o período de elevação da produção para o final de ano.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

"Mulheres lideram melhor que homens"

Renata Cabral - O Globo Online

RIO - As qualidades femininas começam a ser percebidas no mercado de trabalho e, cada vez mais, passam a integrar o perfil desejado nos cargos estratégicos das organizações. Esta descoberta inspirou a autora norte-americana e doutora em psicologia Lois P. Frankel a escrever a obra "Mulheres lideram melhor que homens", lançada recentemente na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Convencida de que elas praticam exaustivamente essa habilidade no dia-a-dia sem se dar conta, a consultora mostra que a maioria já possui naturalmente os atributos essenciais para comandar uma família, uma equipe ou até mesmo uma nação. Em seu livro, a autora apontou em seu livro 99 estratégias para elas reproduzirem esse comportamento também no ambiente de trabalho.

- O estilo feminino de liderança pressupõe construir uma rede de colaboração, mais do que um sistema de hierarquia; influenciar as pessoas usando a menor quantidade possível de músculos; treinar indivíduos para que eles ofereçam o seu melhor; e criar equipes de sinergia que se distinguem na solução de problemas - detalha Lois Frankel.

" Penso que as mulheres vão, aos poucos, se tornar líderes de nossa sociedade (Lois P. Frankel) "

Vale lembrar que nos EUA, onde Hillary Clinton é pré-candidata à presidência do país, George Bush já reconhece que será contra ela que o candidato republicano deverá duelar ao longo do ano de 2008. (Confira algumas dicas da autora presentes no livro)

Embora a tradução do título do livro - "See Jane Lead" (no inglês, Veja Jane liderar) no original para o "Mulheres lideram melhor que os homens" (da edição em português) -, possa gerar dúvidas, Frankel afirma que não considera que as mulheres possam se tornar melhores líderes que os homens, mas a autora afirma que elas têm condições de desempenhar esse papel com mais naturalidade, confiança e espontaneidade. Isso porque estão acostumadas a elaborar e organizar as tarefas relativas à gestão da casa e da família, orçamentos, lidar com pessoas diferentes etc.

- Penso que as mulheres vão, aos poucos, se tornar líderes de nossa sociedade. Temos mais educação do que nunca, temos uma perspectiva mais global do que as gerações anteriores, somos mais autoconfiantes do que nossas mães e avós. Nós não apenas temos habilidade, mas responsabilidade em relação à liderança - afirma Lois Frankel, destacando que o tempo da liderança feminina é agora.

Segundo a autora, ainda hoje, as mulheres são treinadas para serem assessoras ou companheiras, mas não líderes. Mesmo na vida adulta, elas continuam reproduzindo o comportamento de meninas "boazinhas", que aprendem quando crianças. Por isso, até chegam a cometer alguns erros quando se tornam gestoras, tentando proporcionar felicidade a todos, ou por hesitarem em correr riscos para não desafiar os superiores, além de se comunicarem de forma a comprometer sua confiança e credibilidade

Elas se destacam nos processos de seleção
" É claro que o inverso - empresas que preferem homens - ainda é verdadeiro, mas o destaque delas é uma novidade (Marcelo de Lucca) "

Segundo Marcelo de Lucca, diretor da Michael Page, consultoria especializada em recrutamento de executivos, há empresas hoje que, ao recrutarem profissionais para média e alta gerência, já fazem processos seletivos exclusivos para mulheres. Em geral, são posições que exigem um perfil analítico aguçado. Por sua sensibilidade para lidar com equipes e identificar boas oportunidades de negócios, elas estão se destacando em áreas como Recursos Humanos, Marketing, Comercial, Jurídico e Negócios.

- É claro que o inverso - empresas que preferem homens - ainda é verdadeiro, mas o destaque delas é uma novidade. Hoje, elas chegam ao mercado em igualdades de condições com os homens, não apenas pela formação acadêmica, mas também pela capacitação técnica.

Para o consultor, o preconceito que recai sobre elas ainda hoje se deve a uma percepção por parte das empresas de que a mulher pode ter seu grau de ambição diminuído e criar uma limitação de desenvolvimento de carreira por conta de fatores como a maternidade e a formação de uma família.

- A mulher se diferencia em situações que exijam sensibilidade tanto para negócios como para pessoas - ressalta.

Com elas, a exigência é maior
" Há um ingrediente essencial que as mulheres certamente carregam mais do que os homens: a sensibilidade tanto para enxergar dificuldades nos negócios como as limitações na equipe (Gláucia Loureiro) "

A vice-presidente da Varig Engeneering Maintenance (VEM), Gláucia Loureiro, conta que, em seus 18 anos de carreira, sempre se sentiu mais exigida e testada. Hoje, ela é mãe e consegue equilibrar as esferas pessoal e profissional, diz. Mas até galgar uma posição de destaque, dedicou-se exclusivamente aos estudos e ao trabalho, e a formação da família ficou em segundo plano.

- Acredito que liderar envolve paixão, firmeza e pulso, mas há um ingrediente essencial que as mulheres certamente carregam mais do que os homens: a sensibilidade tanto para enxergar dificuldades nos negócios como as limitações na equipe. Isso sem falar em outras características essenciais à boa liderança, como determinação, tolerância e paciência - revela Gláucia Loureiro.

Empresas têm melhores resultados com mulheres na direção

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Mais de US$ 2 trilhões viraram pó nas bolsas de EUA e América Latina

Bruno Rosa, O Globo - Globo Online

RIO - O temor de que a crise no mercado de crédito imobiliário dos Estados Unidos atinja a economia real já varreu do mapa US$ 2,027 trilhões (ou R$ 4,114 trilhões) nas bolsas da América Latina e dos Estados Unidos desde o dia 19 de julho. Dados da empresa de consultoria Economática indicam que 316 empresas brasileiras da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) perderam US$ 273,6 bilhões, o equivalente a R$ 571 bilhões, em valor de mercado até esta quinta-feira. Já as 1.204 empresas das bolsas de valores do Estados Unidos viram desaparecer pelo ralo cerca de US$ 1,612 trilhão (ou R$ 3,272 trilhões). No México, segundo mercado mais importante da América Latina, as perdas chegaram a US$ 383 bilhões (ou R$ 777 bilhões).

De acordo com a Economática, as 775 empresas dos sete principais mercados da América Latina (México, Venezuela, Colômbia, Peru, Chile, Argentina e Brasil) apresentaram queda total de US$ 415 bilhões (ou R$ 842,4 bilhões).

As cinco maiores empresas americanas (Exxon Mobil, General Electric, Microsoft, Citigroup e Chevron Texaco) acumulam quedas de US$ 190,1 bilhões entre os dias 19 de julho e 15 de agosto. O valor, ressalta a Economática, é maior que o da maioria dos emergentes latinos.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) viveu um dia de pânico nesta quinta-feira, acompanhando o caos nos mercados internacionais. O Índice Bovespa chegou a registrar perda de 8,71%, mas se recuperou no fim do dia e fechou em baixa de 2,58%, atingindo 48.016 pontos. O volume financeiro chegou a R$ 8,392 bilhões, acima da média diária. O dólar, por outro lado, subiu forte e bateu R$ 2,12 para terminar a sessão a R$ 2,093, em alta de 3,05%, no maior valor desde 16 de março.

O caos nos mercados foi provocado pela divulgação de mais notícias sobre o agravamento da crise do setor de crédito americano levaram os mercados do mundo todo a desabar ( Entenda a crise imobiliária americana ).

Ao comentar a crise que vem sacudindo os mercados mundiais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil está se comportando com tranqüilidade.

- Aprendi desde cedo que é preciso cuidar muito bem do salário. Fizemos o mesmo com a economia. Agimos com seriedade num momento em que muitos achavam que a gente deveria fazer loucuras. Como a formiguinha faz, nós nos preparamos para o inverno - disse o presidente.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também afirmou que a crise das bolsas não vai afetar a economia real do país , uma análise que também é defendida pela maioria dos economistas.

Ao mesmo tempo, especialistas ao redor do mundo se perguntam por que as agências de classificação de risco erraram - ou demoraram tanto para revisar - a avaliação dos títulos lastreados em hipotecas de alto risco nos Estados Unidos (as chamadas subprime). O mesmo aconteceu à época da crise da Ásia e da Argentina, por exemplo.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

SP é a 2ª cidade no ranking da burocracia

Capital perde no Brasil apenas para Manaus (AM) em entraves à abertura de empresas, aponta órgão do Banco Mundial


Prefeitura diz que prepara mudanças no sistema de concessão de alvarás e licenças para reduzir tempo gasto pelos contribuintes

LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

São Paulo é a segunda pior cidade no Brasil para obter a licença de funcionamento da prefeitura para uma nova empresa, segundo avaliação do IFC (International Finance Corporation, braço financeiro do Banco Mundial).
O levantamento foi feito ao longo do ano passado em 25 municípios brasileiros e em outros 40 na América Latina.
Se forem considerados todos os 65 municípios avaliados pelo Banco Mundial, São Paulo tem a 59ª colocação na concessão da licença de funcionamento.
A capital conseguiu resultados melhores no ranking que mede a facilidade para a concessão do alvará de construção, embora não esteja no topo da lista: ocupa a 11ª posição no Brasil e a 29ª no ranking geral.
A cidade brasileira onde é mais fácil conseguir a autorização para abrir uma empresa é Vitória (Espírito Santo). Ali, a licença sai em 18 dias e o empresário tem de ir três vezes até a prefeitura. Já a concessão do alvará de construção é mais eficiente em Curitiba (Paraná).
"Há muita heterogeneidade nos municípios brasileiros, mas, como regra geral, os entraves burocráticos levam a um mau clima de negócios, e isso afeta diretamente o investimento e a formalização das empresas", disse Kristtian Rada, coordenador do trabalho.
Para avaliar o desempenho de cada uma das cidades, os pesquisadores do IFC consideraram, além do tempo para obter os documentos e o número de visitas à prefeitura, critérios como as informações disponíveis para os empresários, o treinamento dos servidores públicos, a qualidade das inspeções e a infra-estrutura da prefeitura. Leia mais na Folha de São Paulo (para assinantes).

terça-feira, 31 de julho de 2007

Cansei? Maioria dos empresarios esta otimista e confiante

Otimismo
Confiança da indústria é a melhor da história em julho, diz FGV


Valor e O Globo

SÃO PAULO - Os industriais mostraram-se mais otimistas em julho. O Índice de Confiança da Indústria (ICI), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), teve alta de 2,9% no confronto com junho, indo de 118,3 para 121,7, o mais elevado desde o início da série histórica, em abril de 1995. Ante o sétimo mês do ano passado, o crescimento foi de 15,8%.

O resultado mostra que a indústria de transformação inicia o terceiro trimestre do ano aquecida e com boas perspectivas para os próximos meses, salientou a entidade em nota disponível em sua página eletrônica.

" Quanto às expectativas para o emprego, 32% dos empresários projetam contratar novos funcionários nos próximos três meses. "

Na passagem de junho para julho, o Índice da Situação Atual passou de 122,9 para 123,7, o maior nível desde abril passado (124,4). O indicador de expectativas aumentou de 113,7 para 119,7, o mais expressivo desde julho de 2004 (119,2).

Conforme o levantamento, entre julho de 2006 e julho de 2007, subiu de 14% para 25% a parcela das empresas que consideram o nível atual de demanda como forte enquanto recuou de 25% para 7% o grupo dos que o avaliam como fraco.

A FGV acusou ainda que 32% das indústrias pesquisadas esperam contratar mais pessoal nos próximos três meses. Um ano atrás, esse percentual era 28%. Agora, 7% projetam enxugar o quadro de pessoal contra 13% de julho do exercício passado.

O levantamento abrangeu 1.018 empresas e os dados foram coletados entre o dia 2 e 27 deste mês.

terça-feira, 12 de junho de 2007

verdade, porem insuficiente

Em Questão


Editado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
nº 523 - Brasília, 11 de junho de 2007.

Medidas de desoneração aumentam competitividade das empresas

Para incentivar o investimento produtivo no País, entre 2004 e 2007, o governo federal promoveu a redução e a suspensão de impostos que incidem sobre empresas, produtos e serviços totalizando uma renúncia fiscal de R$ 29,2 bilhões no período. As medidas atingiram micro e pequenas empresas, empresas exportadoras, produtos que compõem a cesta básica, computadores, materiais de construção, bens de capital, serviços de inovação tecnológica, entre outros. A desoneração de tributos além de estimular a geração de emprego e renda, permite que a produção brasileira se torne mais competitiva frente ao mercado externo.

De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a desoneração de impostos é uma das formas de se aumentar a produtividade e a competitividade das empresas brasileiras uma vez que houve uma grande desvalorização do dólar em relação ao real. Já que as empresas têm um custo cambial maior, elas têm que ter um custo financeiro menor, um custo tributário menor, um custo de infra-estrutura menor e é nisso que o PAC está direcionado, para reduzir os custos das empresas para elas poderem competir. Fizemos reduções tributárias no PAC e continuaremos a fazer outras , explica o ministro ao se referir ao Programa de Aceleração do Crescimento.

Pelo PAC, por exemplo, foram implantadas cinco medidas de redução de impostos incluindo os setores de semicondutores, informática, insumos e serviços usados em obras de infra-estrutura, de equipamentos aplicados à TV digital e perfis de aço, além da criação do Supersimples que beneficia os pequenos negócios.

Incremento na venda de computadores

No setor de informática, o governo ampliou os limites dos valores de microcomputadores e notebooks com isenção de PIS/Cofins que passaram de R$ 2,5 mil e R$ 3 mil, respectivamente, para R$ 4 mil, em ambos os casos. A desoneração anterior de PIS/Cofins sobre esses equipamentos foi promovida em 2005. Com as medidas aliadas à queda do dólar os preços baixaram, em média, 10% nos últimos dois anos e hoje é possível adquirir um computador a R$ 900. Conforme estudo encomendado pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), as vendas de computadores cresceram 21% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. No caso dos desktops, o aumento foi de 14%; e de notebooks de 130% em comparação a 2006.

Já o Supersimples vai unificar o pagamento de oito impostos federais, estaduais e municipais, com alíquotas que variam entre 4% e 16,85%, conforme a receita bruta e o tipo de empreendimento. A medida vai beneficiar 2,2 milhões de pequenas e microempresas incluídas hoje no Simples, além de trazer outros milhares de pequenos negócios para a formalidade. O imposto único começa a vigorar em julho.

Estímulo à construção civil

As iniciativas do governo de estímulo à construção civil contribuíram para o bom desempenho no setor, que é responsável pela criação de 65 mil postos de trabalho formais de janeiro a abril de 2007 aumento de 4,84% em relação ao mesmo período de 2006. Os dados do Ministério do Trabalho e Emprego (Caged/MTE) mostram que nos últimos 12 meses as vagas com carteira assinada, registradas na construção civil, subiram 7,79%. Uma das ações do governo que influenciaram esses resultados foi a redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 45 itens utilizados no setor, como chuveiros elétricos, tintas e vernizes, pias e lavatórios de aço inoxidável, conexões de tubos de plástico, massas niveladoras etc.

Além disso, pelo PAC haverá a suspensão do pagamento do PIS e da Cofins na compras de insumos e serviços vinculados a novos projetos de longo prazo nas áreas de transportes, portos, energia e saneamento básico.

O governo ainda isentou o pagamento da PIS e da Cofins na aquisição de máquinas e equipamentos efetuados por empresas exportadoras. E reduziu para zero as alíquotas dos mesmos impostos e contribuições que incidiam sobre arroz, feijão, farinha de mandioca e de milho e leite.

Saiba mais sobre a desoneração de impostos




Acesse as edições anteriores em:
www.brasil.gov.br/emquestao

Tango brasileiro

Esta na hora de reagir, como vai ficar o emprego no Brasil?
O governo vai anunciar medidas nesta semana, veremos...


Exportadores nacionais investem na Argentina para escapar à valorização do real


Regina Alvarez

BRASÍLIA Argentina tornou-se o novo objeto do desejo de empresas exportadoras prejudicadas pelo câmbio valorizado no Brasil. Embalado por uma expansão média de 9% ao ano, nos últimos quatro anos o país vizinho tem atraído cada vez mais investimentos brasileiros e é hoje uma das principais opções das empresas que decidiram transferir parte da produção para o exterior, como forma de reduzir custos e evitar prejuízos com a desvalorização do dólar. Pelos cálculos da Câmara Brasil-Argentina, nos últimos quatro anos, os investimentos brasileiros naquele país chegaram a US$ 7 bilhões.

Empresas dos setores de calçados, têxteis, autopeças, montadoras, entre outros, são atraídas pelas vantagens de uma economia em franca expansão, com câmbio favorável (um dólar vale três pesos argentinos), carga tributária mais baixa — 24% do PIB contra 39% no Brasil — e mais flexibilidade na contratação e dispensa de mão-deobra, entre outras vantagens. Leia mais no jornal O Globo (para assinantes)