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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O que esperar da nova presidenta


Por Roberto Luis Troster

Valor

Hoje assume a presidência da Argentina Cristina Fernández de Kirchner, esposa do seu antecessor. A questão é se é o começo de uma mudança ou se é mais do mesmo. Os argumentos mostrando a continuidade são óbvios: a manutenção de quase todo o gabinete, os anúncios na política econômica e a proximidade do ex-presidente e marido. Entretanto, ela tem a opção de surpreender.


"Cristina no governo e Nestor no poder". A frase reflete a percepção de que foi apenas uma reeleição maquiada. Afinal, não teria sido eleita sem o marido, que assumiu a Argentina em crise e a entregou com um crescimento médio superior a 8% em cinco anos. Mesmo com os problemas criados, é um resultado respeitável. É o segundo ex-presidente de maior popularidade na história argentina, só perde para Perón.


É fato também que Nestor Kirchner deve boa parte de seu sucesso a Cristina. Ela teve uma participação e influência decisiva em toda a vida política do marido. Quando foi eleito, em 2003, era um político provincial, sem projeção nacional, que teve apenas 22% dos votos, boa parte deles em protesto contra políticos tradicionais; na época, Cristina já era uma figura conhecida no Congresso Nacional, com brilho próprio. Além de parlamentar por mérito dela, é carismática, tem uma visão de mundo aberta, é independente e se apresenta como uma pessoa flexível.


Tem legitimidade para o cargo. Foi eleita com 45% dos votos, mais que o dobro do segundo colocado. Seu partido elegeu 19 dos 24 governadores e controla a Câmara, com 161 dos 257 deputados e 47 dos 72 senadores. A oposição está dispersa, os caudilhos antigos se foram e todos os partidos políticos, incluindo o seu, não têm programas consistentes de futuro. Tem as condições para fazer acontecer.


Começa o governo com a economia crescendo, reservas de US$ 40 bilhões e apoio popular. Mas também inicia com as relações internacionais intrincadas e com os primeiros sinais de esgotamento da política econômica; o espaço para crescer no embalo do preço das exportações está se reduzindo. Ela tem tempo para mudar, mas não pode esperar até o final do mandato.


Os sintomas de que o atual paradigma econômico é limitado estão cada vez mais fortes - inflação em alta, investimentos baixos, superávit fiscal em queda, dificuldades para acessar o mercado internacional de crédito, racionamento de energia e diminuição nas taxas de crescimento - e os instrumentos de controle estão cada dia mais fracos - congelamentos de tarifas, acordos setoriais, tabelamento de cesta básica, tributação discricionária e pressão política para segurar preços.

Cristina não teria sido eleita sem o marido, que assumiu a Argentina em crise e a entregou com um crescimento médio de 8%


Enquanto, na frente internacional, Cristina mostra sinais de uma mudança oportuna, na área econômica preocupa. A inserção externa argentina é complicada: tem um relacionamento próximo demais com a Venezuela, que a afasta de Washington; problemas com o Uruguai e com o Chile; e ainda sente a ressaca do calote da dívida em 2001. A presidenta sinalizou uma abertura mais conveniente: já na campanha se aproximou da comunidade européia, abrindo o diálogo para resolver as pendências com o Clube de Paris, soube manter uma distância amigável com Chávez e se posicionou bem com o Brasil, onde fez a primeira visita oficial como presidenta eleita.


Em economia, os indícios são ruins. Fala-se de um keynesianismo ortodoxo, pacto social, proteção aos setores menos competitivos, impostos distorcivos nos setores competitivos e câmbio desvalorizado. São propostas obsoletas e inadequadas, que vão funcionar por pouco tempo. Keynes morreu há mais de 60 anos e seu receituário era para a economia inglesa de 1930, não para a Argentina de 2007 - é inadequado hoje; o pacto social é uma cortina de fumaça para driblar a inflação por algum tempo; e os favorecimentos setoriais mascaram ineficiências e sufocam os setores mais dinâmicos da economia. Se adotadas, essas políticas vão funcionar por algum tempo. No médio prazo, estão fadadas ao fracasso.


A história está cheia de exemplos mostrando que essas políticas não geram crescimento sustentável e se esgotam. É uma concepção da economia neomercantilista extrativista, que funciona se apropriando de riquezas, em vez de gerar valor. A Argentina aumentou seu PIB, mas caiu nos rankings de competitividade. Tornou-se vulnerável às oscilações dos preços das commodities, que vão permanecer elevados por um tempo, mas não para sempre.


O grande desafio para Cristina é mudar o paradigma econômico para obter um crescimento mais duradouro e menos dependente. A tarefa é complexa. Entretanto, as condições para a mudança são boas e não há nenhuma barreira intransponível. A mais urgente é arrefecer a inflação e todo o esquema de controle artificial de preços. Há outras, como recuperar o sistema bancário em frangalhos, expandir o crédito, melhorar a eficiência dos gastos públicos, implantar uma política energética, corrigir a tributação e estimular os setores produtivos a ganhar mais eficiência. A mais importante é como inserir, de forma conveniente, a Argentina no Século XXI.


É necessária uma estratégia fundamentada em premissas sólidas. O desenho do quadro institucional deve ser adequado aos novos tempos, destacando-se as reformas trabalhista, tributária, do judiciário, da saúde e educacional. Este último caso é emblemático: a Argentina tinha um nível de educação elevado, chegou a ganhar quatro prêmios Nobel, e atualmente apresenta indicadores medíocres. As combinações das políticas monetária, fiscal e cambial devem ser consistentes intertemporalmente. Enfim, falta uma agenda crível para o novo governo.


Cristina pode fazer acontecer e se transformar numa figura de dimensões históricas ou continuar nesse barco e ser apenas lembrada como mais uma. Tem coragem e estilo para surpreender. Conseguirá?


Roberto Luis Troster é sócio da Integral Trust.

domingo, 9 de dezembro de 2007

La economía que recibirá Cristina Kirchner, un manto de tranquilidad y expectativa

Clarín | Las cuentas públicas gozarán durante 2008 de buena salud. El reciente aumento a las retenciones al agro, el petróleo y la minería generan alivio. Sin embargo, hay compromisos por intereses de la deuda. Y se espera un pago de 6000 millones de dólares el Club de París, que no se haría todo junto el año próximo.

Más información:
Las cámaras empresarias piden continuar con el modelo, más crédito y reglas de juego claras

Las claves

1) Los números acompañarán a Cristina Kirchner, al menos durante 2008. Solo en concepto de retenciones al agro y al petróleo el Tesoro se asegura unos 7 mil millones de pesos anuales. Y se sumó un nuevo Impuesto a la minería, que dejaría otros 800 millones más.
2) El desafío de aumentar la inversión y controlar el aumento de precios marcarán la agenda inmediata. El primer paso sería saldar la deuda con el Club de París por unos 6000 millones de dólares. Y se espera, por otro lado, que se le devuelva la confianza al Indec.
3) Kirchner deja atrás 4 años con resultados incuestionables en materia económica. Bajó el desempleo a un digito, mejoró-tenuemente- la distribución del ingreso, y descendió la pobreza y la indigencia. Sin embargo, en materia social, las deudas pendientes siguen latentes.

Los números acompañarán a Cristina Kirchner. Al menos, eso pronostica la mayoría de los economistas que suelen evaluar el estado de la salud de las cuentas públicas, más allá de su variante ideológica. También, reina una coincidencia: este viento de cola deberá aprovecharse para poder pasar eventuales coletazos, algo que por cierto no estuvo ausente en la historia político-económica del país más reciente.

En este contexto de buenos brios, el aumento de la inversión aparece como el principal desafío para la gestión que viene. Y que comandarán, al unísono y con diferentes dosis de influencia, la propia Cristina, el saliente jefe de Estado, Néstor Kirchner, el futuro titular de Hacienda, Martín Lousteau, el ministro de Planificación, Julio de Vido y el secretario de Comercio Interior, Guillermo Moreno.

Lo que se pretende es que la inversión, que hoy ronda el 23% del PBI, crezca 3 o 4 puntos. Y se lanzarán a principios de año algunos instrumentos en ese sentido, como una garantía para que las compañías no sean afectadas por la volatilidad de tasas de los préstamos. También se espera el nacimiento de un nuevo banco de desarrollo que presidiría Miguel Peirano.

La decisión del Primer Mandatario durante sus últimas semanas en el poder fue contundente. Dejarle las arcas llenas a su sucesora fue una de sus obsesiones. Los anuncios de sendos aumentos a las retenciones de semillas y el más reciente a los combustibles, le permitirán al Tesoro sumar unos 7 mil millones de pesos anuales, lo que marcará una presión impositiva récord, al superar el 27%.

A eso, hay que sumarle unos 250 millones de dólares anuales por impuestos a las exportaciones mineras, decisión que se adoptó mediante una resolución de la propia secretaria de Minería que les quitó a 14 empresas (la mayoría de países extranjeros) los beneficios fiscales que se les habían concedidos por ley en 1993. Las retenciones irían del 5 al 10 por ciento de metales en bruto, y lo que recaude el Gobierno –al igual que con las semillas y el petróleo- dependerá de los precios internacionales, en pleno crecimiento en estos momentos.

Por su parte, la reforma en el sistema jubilatorio permitió el traspaso de 1 millón de aportantes de las AFJP al sistema de reparto oficial. De esta forma, los que antes aportaban a las AFJP ahora lo hacen al ANSES y ello implica una mayor recaudación de 1.700 millones de dólares anuales (0,6% del PBI).

Los mayores ingresos -que incluso serían más amplios de los previsto teniendo en cuenta que el precio de la soja, el trigo y el maíz siguen disparándose- le marcarían un terreno despejado a la presidenta electa. La disyuntiva que se plantea es si esto se aprovechará para ir hacia una gradual desaceleración del gasto público. Por lo pronto, se conoció esta semana que un aumento en el transporte público urbano de alrededor del 20 por ciento se tomará en enero, lo que le permitirá al Gobierno dejar de pagar en concepto de subsidios a ese rubro unos 600 millones de pesos. Este sería el antecedente inmediato para nuevos ajustes tarifarios en otras áreas.

Por otro lado, la estabilidad del dólar es otro tema de particular interés. No hubo ninguna señal precisa de la conducción que vendrá luego del 10 de diciembre de que se terminará con el dólar por encima de los 3 pesos, y en una curva que no iría mas allá de los $3,20/$3,40 –esto indica el Presupuesto 2008, en efecto. Para el caso, son las reservas del Banco Central (BCRA), donde continuará Martín Redrado, las que podrían garantizarle al Gobierno previsibilidad respecto al valor del peso. En la semana previa a la asunción de Cristina la entidad cuenta con más de 45 mil millones de dólares en reservas.

Claro que, del otro lado, estarán presentes los compromisos. Además de las renovadas demandas en infraestructura, especialmente en áreas energéticas, hay vencimientos que deberán cumplirse. El país necesitará unos 7.000 millones de dólares para cumplir con todos los compromisos de 2008, un valor que en este panorama no resulta preocupante. Pero en 2009, como adelantó Clarin, tendría que conseguir 11.000 millones de dólares más y allí las condiciones no resultan tan claras.

Por otro lado, para destrabar inversiones y volver a ubicarse dentro del escenario internacional –una de las prioridades de Cristina-, habría que desembolsar 6000 millones de dólares para saldar la deuda con el Club de Paris. No obstante, esta deuda no se pagaría toda junta el año próximo. Y habría que tener en cuenta la posiblidad de que se reabra el canje de la deuda, donde la Argentina podría necesitar unos 2.500 a 3.000 millones de dólares más por año.

Por otro lado, el Gobierno seguirá de cerca lo que ocurra con el aumento de precios –el objetivo es que las cifras oficiales no superen bajo ningún aspecto los 12 puntos anuales-, e ir a un marco de negociaciones salariales en paritarias con los ánimos templados y con "racionalidad de ambas partes". Todo indica que el sindicalismo en toda sus variantes no esta dispuesto a bajarse de los 20 puntos, pero aún resta un tiempo prudente para junio de 2008.

Lo cierto es que desde la asunción de Néstor Kirchner, en aquel día patrio de mayo de 2003, el PBI creció más del 38 por ciento, y se ira dejando una tasa de desocupación del 8,1 por ciento. Además, las cifras del INDEC muestran que hay un 30 por ciento menos de pobres y un 20 por ciento menos de indigentes. Y la brecha de ingresos, que muestra la distribución de la riqueza, bajó de 56 a 30 por ciento. Por otro lado, las cifras son medidas por una entidad cuya credibilidad atraviesa un delicado momento. Su renovada confianza, así como los nuevos métodos de medición que prometen más fiabilidad, serán nodales para sincerar los precios y las tasas de inflación.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

“LA ARGENTINA REAL NO ES LA DE LOS MEDIOS”

NOTA DE TAPA


Abrir esta nota en una ventana nuevaRecortar esta nota y guardarlaReportaje exclusivo a Cristina Fernández de Kirchner:
La presidenta electa adelanta las líneas políticas y económicas que definirán su gobierno. Revela nombres de embajadores, el rol de los ministros y cómo será el acuerdo social. Su mirada sobre la política exterior, el modelo económico, el Indec y las instituciones, en debate con la que ofrecen los grupos informativos.




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En su casa de El Calafate, donde pasó el fin de semana en compañía del Presidente.
Imagen: Adrián Pérez



A dos semanas de asumir la presidencia, Cristina Fernández de Kirchner explica las políticas que aplicará durante su mandato, da a conocer nombres de embajadores y mantiene el suspenso sobre las segundas líneas. Define cómo será el acuerdo social que propugna y revela que difundirá a principios de 2008 un “relevamiento físico” de toda la Argentina, provincia por provincia, que será la base de los planes productivos y de infraestructura. Sus ideas sobre la oposición y el sistema político, la meneada política exterior, los cuestionamientos a los funcionarios y el Indec y, a todo lo largo del diálogo, su crítica a la mirada con que la mayoría de los medios muestra la realidad.

Por Ernesto Tiffenberg, Mario Wainfeld y
Fernando Cibeira

Cristina Fernández de Kirchner es una reporteada deseable. Es una protagonista excluyente, otorga todo el tiempo del mundo a la entrevista, en su casa de Calafate, en la tarde del viernes. Da la impresión de estar a gusto, contesta sin enfados, acepta y propone bromas y cuando se le agradece por el largo tiempo concedido comenta creíblemente que no le pareció mucho. Se interna en los temas, no regatea extensión, le gusta hablar de política, busca ser persuasiva. Al mismo tiempo, la presidenta electa es una entrevistada difícil. Cuestiona a menudo la pertinencia de las preguntas, de la narrativa que supuestamente las sustenta, remite a debates anteriores, no todos librados contra este diario. Recae con notable recurrencia en la polémica sobre la lógica de los medios o la de los periodistas, que la induce a numerosas digresiones. En esa dialéctica, la charla recorrió un largo camino regado con unas botellas de agua mineral y una oferta de pastelitos caseros. Néstor Kirchner estaba en la casa pero se retiró durante el reportaje. Sí asistieron el vocero Miguel Núñez, y Cleopatra, una amistosa caniche toy que aprovechó el reportaje para dormitar a gusto al lado de su dueña, la presidenta que viene.

–En uno de sus primeros discursos de campaña le dijo al presidente Kirchner que iba a intentar que no lo extrañaran demasiado, ¿por qué le gustaría que la extrañaran a usted?

–Ah, sinceramente preferiría que no me extrañaran porque el que viene después sea mejor que yo. Lo ideal sería que los recambios institucionales tuvieran una continuidad, más allá de las diferencias en el espectro ideológico.

–Y si no quiere que la extrañen, ¿cómo le gustaría que la recuerden?

–Primero, porque la primera mujer que fue presidenta le hizo honor al género. Siento que tengo una obligación con el género en cuanto a demostración de eficiencia y eficacia en gestión de gobierno. Es un pressing que una siente.

–¿Y en contenidos o políticas? ¿Qué meta le gustaría alcanzar?

–La profundización del proyecto que se inició en el 2003. Nosotros hicimos en esta primera etapa lo macro, que no fue poca cosa. Planteamos un modelo de acumulación económica basado en la industrialización, transformación, en el agregado de valor, frente a lo que había sido el modelo de transferencia de los noventa. También de inclusión social. Habría que profundizar eso. La anterior fue de mucha gestión, pero mucha gestión macro, la próxima será de mucha gestión micro, tendiente a identificar las actividades económicas en las cuales necesitamos mayor grado de inversión, de tecnología. O qué es lo que nos falta en donde somos más o menos competitivos.

–¿Cómo será el acuerdo social que viene proponiendo?

–Lo defino como un acuerdo de carácter estructural en el cual se definan metas, objetivos cuantificables y verificables, siempre basado en este modelo. Con acuerdos sectoriales porque no se puede hacer lo que se hizo en el pacto Gelbard, en 1973, referido nada más que a precios y salarios. No es ésta la idea que tenemos. Y luego de ese acuerdo estructural global, ir sectorialmente sobre cada actividad, porque no son las mismas necesidades ni posibilidades las de cada sector.

–¿Cómo se imagina ese acuerdo, será una reunión de las representaciones corporativas?

–No, nada que ver. Si fuera corporativo no serviría, en términos de representación únicamente de cúpulas sectoriales. Por eso digo que tiene que ver con las necesidades de cada sector. Hay una fuerte necesidad de articulación entre el sector público, privado y el representado por los trabajadores, y no con criterio corporativo sino por cómo se articula hoy en todas las economías desarrolladas del mundo. En Alemania hay acuerdos entre empresarios, sindicatos y Estado. El Pacto de la Moncloa fue un gran acuerdo en este sentido. A eso queremos apuntar.

–Avanzando un poco, ¿cómo sería la primera reunión, cincuenta representantes de distintos sectores o...?

–... bueno, no quieran saber todo lo que se va a hacer. Un poco de paciencia. Ya vamos a articular el diseño.

–De todas maneras, usted sugiere que los actores son los representativos de la sociedad, de la producción, del trabajo y no los partidos políticos. La Moncloa, en cambio, era básicamente un acuerdo entre fuerzas políticas.

–No hay que olvidarse de que el Pacto de la Moncloa viene después de cuarenta años de franquismo, en el gobierno de transición, luego tuvieron el Tejerazo. No me gusta decir “va a ser el Pacto de la Moncloa”, o va a ser tal otro acuerdo. Ninguna sociedad es igual a la otra, ni ningún momento histórico se repite. Tiene que ver esencialmente con un acuerdo muy estructural acerca de cuáles tienen que ser las metas, tiene que ver también con este modelo de perfil industrial, en qué sectores vamos a hacer hincapié, en qué sectores es más necesaria la inversión, en dónde la tecnología. No hay que imaginar esto como una gran ceremonia en la cual nos juntamos setenta o cien personas, a la manera de proclama constitutiva con aires fundacionales, olvídenlo, esto no es así. No funciona así en ninguna parte del mundo. A veces preguntan “¿qué planes, qué medidas?”, como si gobernar fuera lanzar cuatro medidas (un plan) y sobre eso, desarrollar una gestión. No es así. Gobernar es cosa de todos los días, con todos los sectores, todo el tiempo. Hoy se fija una política, mañana cambian las circunstancias internacionales y hay que volver a reunirse para fijar metas y objetivos. Es difícil traducirlo, pero esto es lo que sucede en la gestión de gobierno.

–Aceptando la idea y aceptando también que hay una tensión entre la idea del largo plazo y la planificación...

–... éste es el gran problema del país. Hemos carecido toda la vida de una mirada estratégica de largo plazo. Esto ha dado la imposibilidad de articular a largo plazo de todos los sectores, no sólo de una gestión de gobierno.

–El gobierno de Kirchner arrancó de la emergencia, cuya salida imponía una cantidad de tareas, por así decirlo, gruesas: bajar el desempleo, bajar la pobreza, mejorar las exportaciones. La necesidad de salir tal vez motivó que el elemento básico no fuera la planificación sino la direccionalidad general y una acción intensa en el día a día.

–No, hubo un plan. Si uno recorre los discursos de Kirchner durante la campaña, a él le gustaba hablar de neokeynesianismo, de un plan de obra pública que activara la rueda de la economía y la dotara de la infraestructura necesaria. La planificación no es algo hecho con un compás arriba de un tablero de arquitectura y presentado tipo mamotreto. Están las ideas directrices y se va trabajando toda la planificación en materia de obra pública. Se está trabajando en un plan desde hace dos años, que es un relevamiento físico de la Argentina, que posiblemente presentemos en enero o febrero, donde hemos relevado provincia por provincia, región por región, en cómo está conformada actualmente en sectores productivos, sectores de servicios, rutas. Hay que profundizar en esa dirección.

–En la campaña hubo una discusión económica en cuanto a si convenía seguir creciendo al nueve por ciento con riesgo de inflación, o si convenía bajar suavemente al seis por ciento por ejemplo y controlar mejor las variables.

–Como si fuera la temperatura del aire acondicionado. Sería fantástico si tuviera un aparatito como el de la calefacción y pregunto “¿Tenés mucho calor? ¿La pongo a diez grados, a quince?”

–No es simple, ni en eso se consigue consenso.

–(Risas.) Ningún proceso económico se puede manejar desde un control. Cada vez que nos dijeron eso, Argentina terminó en recesión. La economía es una ciencia profundamente social, tiene que ver con las expectativas de todos los actores: de los trabajadores, de los consumidores, de los usuarios, de los productores, etcétera. Todas las economías del mundo crecen en la medida de lo posible, es lo que necesitamos también nosotros. En definitiva, haber llegado al 8,1 por ciento de desocupación no es una cuestión que se haga diciendo “a ver si lo pongo a cinco o lo pongo a seis”. Los que teorizan de esta manera vienen de experiencias monetaristas, con el sector financiero.

–Más allá de si se puede establecer en un laboratorio cuánto va a crecer la economía, hay dos o tres indicadores controvertidos, en especial en este año. Uno es la inflación. También el nivel de gasto público y el superávit.

–Estamos exactamente en el nivel de superávit que hemos marcado presupuestariamente, llegamos a 3,15. El desempeño en materia de gestión del gasto público también tiene que ver con el desarrollo de la economía. No entiendo cuál es el planteo. ¿Tendríamos que bajar el nivel de inversión pública?

–La pregunta es: ¿la relación gasto-producto 2007 es la mejor que imagina la presidenta para el año que viene?

–Es la que está pautada en el Presupuesto. Es increíble escuchar a los economistas que toda la vida han administrado con un déficit estructural a la República Argentina –los representantes de sus escuelas o ellos mismos en algunos casos– cuestionar al primer gobierno que gestiona sin déficit. Parece que hubiera que dar vuelta cómo se administra. Los que te preguntan son los que administraron con déficit y endeudaron a los argentinos, los condujeron a una desocupación record y terminaron con la tragedia del 2001, corralito mediante. A veces no sé qué es lo que hay que hacer para ser valorizados desde los medios de comunicación, porque desde la sociedad ya lo fuimos.

–Hay economistas que no tienen una mirada muy diferente a la del gobierno nacional que plantean que habría que moderar el gasto con respecto a 2007. No es necesario proponer un modelo antagónico para preguntarse si son necesarios retoques a los números de este año para acrecentar la sustentabilidad futura de este modelo.

–Uno va siempre durante toda la gestión ajustando, viendo si falló algo o cómo se puede mejorar. Pero, más que observaciones, lo que uno siente es que se marca que se está desbocando el gasto público y entonces va a haber déficit. Siempre todo es extremo. A partir del tomate se construyó que venía una disparada hiperinflacionaria como la del gobierno de Alfonsín o como la que tuvo Menem en su primera etapa. ¿A cuánto está el tomate hoy?

–¿Qué rol debe tener el Estado en la redistribución del ingreso?

–Activo, absolutamente. Este gobierno ha mejorado la redistribución del ingreso –no todo lo que hemos querido y era deseable–, de aquella participación del 34 por ciento del PBI que tenían los asalariados en 2003, a un 41 por ciento. Y, por primera vez desde hace aproximadamente una década y media, hemos movido el índice de Gini.

–¿Cómo se expresaría el rol activo del Estado? ¿A través de una reforma impositiva, por ejemplo?

–No, en la profundización del modelo y en la necesaria negociación de los sectores involucrados en las cuestiones de la producción. Hemos negociado más de mil convenios colectivos por primera vez en mucho tiempo.

–¿Cuándo dijo “reforma impositiva no” significa que no hay ninguna perspectiva de reforma al sistema actual?

–Hemos hecho una modificación de bienes personales, creo que ha sido una buena medida. Si me hablan de una reforma tributaria general, no lo hemos pensado. El tema de que si se reduce el IVA se traduce en menores precios y por lo tanto en un mayor poder adquisitivo, no está verificado. Al contrario, creo que si se reduce el IVA el beneficio por ahí termina apropiado por cadenas intermediarias y no por el usuario o consumidor.

Dem & Pop

–Si en un seminario internacional le preguntaran cuál es el perfil político de este gobierno y del que viene, ¿cómo respondería? ¿Un gobierno progresista, socialdemócrata, nacional y popular?

–Popular y democrático.

–¿Nacional ya no?

–Me parece que no se puede ser popular sin ser nacional, soy muy jauretcheana. Profundamente popular y democrático, lo defino sin valerme de categorías europeas. Lo es por su impronta, por su modelo de acumulación, por su manera de interpelación, su modo de relacionamiento. Por eso causa escozor en otros sectores.

–Esas referencias aluden a su lectura de lo popular. ¿Y lo democrático?

–Uno de los caballitos de batalla de la oposición era la calidad institucional. Creo que, como nunca, en este gobierno las instituciones cumplieron su rol constitucional. Fíjese lo que es la Corte Suprema de Justicia. Mire el Senado. Fui senadora por primera vez en diciembre de 1995, un senado que se fue deteriorando cada día más hasta que terminó con el escándalo de los sobornos. Me voy de este Senado como presidenta. Daniel Scioli, Alberto Balestrini, Celso Jaque, Jorge Capitanich se van elegidos para gobernar sus provincias. De este Parlamento denostado por opositores y comunicadores se va, legitimado, el oficialismo, los que defendíamos públicamente al gobierno. El Parlamento real no tiene nada que ver con lo que dicen los medios. Disculpen si estoy monotemática...

–No nos habíamos dado cuenta...

–... pero creo que los medios ocupan hoy en la región un lugar que antes ocupaban otros sectores respecto de ser los que tratan de condicionar a los gobiernos de ciertos signos políticos, populares democráticos. No es una percepción exclusiva mía. Me contó Isabel Allende que los noticieros de una hora en Chile destinan tres cuartos a informar sobre hechos de violencia, a machacar sobre el tema. Hay una direccionalidad de la información sobre inseguridad. Escuché a un comunicador contar que una persona entrevistada le dijo a un encuestador “¿de qué me sirve ganar más plata si me van a matar?”. No importa tener gobiernos que consigan trabajo o que mejoren el poder adquisitivo de los trabajadores, lo importante es que den seguridad...

–Respecto de ese tema. Se ha criticado la unificación de Justicia y Seguridad, básicamente porque se juzga que sea el mismo ministerio el que se ocupe de los derechos humanos y de la policía. Una parte sustancial de la acción de los organismos de derechos humanos son denuncias y acciones sobre delitos, excesos y abusos policiales.

–Emilio Mignone, hace muchos años, hablaba de la tensión que hay en democracia entre el valor “seguridad” y el valor “derechos humanos”. Siempre existe esa tensión pero lo más adecuado es que la Justicia gestione ambos, retomando lo que fue habitual. Sí, me parece adecuado. No creo que la seguridad sea un problema en sí mismo, objeto de planes aislados separados del modelo económico social, de la educación.

–¿Tiene prevista alguna medida para acelerar o facilitar los juicios a los represores por violación de derechos humanos?

–Conozco un proyecto del radicalismo redactado por Ricardo Gil Lavedra, puede haber algún otro. Me preocupa que ese proyecto permita que se acumule prueba de otros expedientes sin que los acusados hayan podido controlarla. Puede afectar el derecho de defensa y colocarnos en horrible posición. No quiero, en ningún aspecto, afectar la legalidad de los juicios. La legitimidad de la lucha por los derechos humanos tiene mucho que ver con su legalidad. A los represores se les dan todos los derechos que consagra la Constitución.

–Así debe ser. Pero subsiste un problema, que se expresó en la trágica desaparición de Julio Jorge López. La repetición de la prueba genera una serie de dificultades para el avance de los juicios y de sobreexigencias (y peligros mayores) para los testigos.

–Sin lugar a dudas. Un camino puede ser unificar causas en función a los centros de detención, creo que hasta la defensa de Febres había propuesto algo así para justificar su conducta frente a la de sus jefes. Hay que ser muy cuidadosos, no hay que poner en tela de juicio al debido proceso.

¿Reforma?

–Trascendió que existe la intención, durante de su mandato, de promover una reforma constitucional.

–Ah, bueno... Le puedo dar un listado así de largo (lo grafica dejando un buen espacio vertical entre sus manos) de cosas que han trascendido.

–Hablemos mejor sobre si hay o no intención de reformar la Constitución.

–¿A alguien se le ocurre hablar de una reforma y yo tengo que salir a contestar? También dijeron que íbamos a sacar la sala de periodistas de la Casa Rosada.

–Por ahí ese cambio figuraba en la reforma constitucional.

–(Risa) ¿Por qué tengo que desmentir lo que inventan? No me parece una buena metodología.

–No le pedimos una desmentida, sino una respuesta. ¿Cree que éste es un buen momento para una reforma constitucional?

–No, porque nunca se nos ocurrió. No lo veo, por parte del Gobierno.

Moción para otro
reportaje y cierre

–¿Van a construir alguna estructura política para la Concertación plural y para otros eventuales aliados como socialistas o el Frente Grande?

–Eso debería ser motivo de un reportaje a Néstor Kirchner, que va a tener mucho tiempo y les puede dar pormenores. Quien tiene que conducir los destinos de todos los argentinos tiene bastante con ocuparse de la gestión del Estado.

–¿Su idea es que el Presidente...?

–... tengo que mantenerlo ocupado (risas).

–¿Es una ocupación útil o pura laborterapia?

–El es un animal político, toda la vida ha construido política, toda la vida ha participado. Lo va a seguir haciendo. Volviendo a la estructura, es difícil proyectar porque uno interactúa con montones de cosas. Son cosas que van confluyendo. Uno no puede sentarse y diseñar la política como si fuera construir una casa... Hay mucho de trabajo cotidiano. Sí creo que debemos reconstruir un sistema de partidos políticos, con partidos que tengan que ver con un proyecto y que no todo dependa de la voluntad de una o dos personas. Cuando explota el sistema de representación, especialmente el partido radical, no se ve cuál va a ser el desarrollo de la política en el siglo XXI.

–¿Cómo imagina ese desarrollo, cómo aspira a que sea?

–Imagino espacios populares y democráticos donde los partidos se reagrupen respecto de grandes temas: la distribución, el posicionamiento en el mundo, la interrelación con la región, el respeto irrestricto a los derechos humanos. El radicalismo se acomoda, en el siglo XX, en la lucha contra el “régimen falaz y descreído”, contra el fraude, por el sufragio universal. El segundo partido del siglo, el peronismo, se ubica en torno a la justicia social. El tercer partido fue el militar, que se encargó de representar a los sectores más concentrados, que no podían llegar al poder mediante el sufragio. El problema es cómo se agrupan los nuevos partidos en el siglo XXI, en relación a qué tópicos. Y lo que debemos preguntarnos es quién cumple ahora el rol de representar a los sectores más concentrados.

–¿Cómo responde usted esa pregunta?

–Para mí, está claro que nosotros (este espacio político que represento) nos estamos agrupando en torno a una mejor distribución del ingreso, la vigencia irrestricta de los derechos humanos. Y si uno escucha los discursos que se plantearon durante la campaña, no todos... No me gusta hablar de los dirigentes de la oposición. Sería bueno que fueran agrupaciones más orgánicas, no tan centradas en una figura y que propusieran algo más que slogans. Y asumir a quién representan. Cuando uno escucha críticas a las retenciones al campo o a los juicios a las violaciones de derechos humanos, está claro. No soy yo la que tiene que clasificar eso, sería una clasificación interesada. Pero no vi en letras de molde clasificaciones exactas que dijeran “quien tiene esa posición, normalmente, es de derecha”.

–Dentro de lo que se reconoce como centroizquierda o lo que usted define como espacio popular y democrático hay otras fuerzas que comparten en líneas generales ese ideario. Por ejemplo, podrían ser los gobernadores Hermes Binner o Fabiana Ríos. ¿Ustedes deberían darse una política especial respecto de ellos?

–Esa pregunta deberían hacérsela a ellos, no a nosotros. Nosotros hemos tenido, desde el principio, una política respecto de esos sectores, muchos de sus dirigentes ya están con nosotros. Jorge Rivas, Ariel Basteiro, muchos dirigentes de la CTA. Este espacio que afecta intereses minoritarios, pero muy poderosos, debe contar con mayor sustentabilidad política y social. No es casual el diseño que se dio en estas elecciones, convocando a hombres y mujeres del radicalismo (en especial el que gobierna provincias) y del socialismo.

–La representación republicana es muy compleja. Usted fue elegida por una amplia mayoría y, desde ese mismo momento, representa a todos los argentinos, incluyendo aquellos que no la votaron. Hay un 55 por ciento que no votó Frente para la Victoria. ¿Se le ocurre algo para decirles, especialmente a ellos?

–No me parece representativo, ni democrático, ni republicano intentar representar al cien por ciento. Es una de las principales cuestiones que se están planteando en Europa, la indiferenciación de proyectos incide en el desapego a la política. Hay un excelente libro, “En torno a lo político”, de Chantal Mouffe, que aborda esta cuestión. Institucionalmente represento a todos los argentinos, soy la presidente, es claro. Pero no voy a poder representar (hace comillas con los dedos índice y mayor de las dos manos) “lo que todos quieren” porque la representación de intereses no es lo mismo que la institucional. Sobre todo en economía, las decisiones en economía no son neutras. Si uno mejora la participación de los trabajadores en el PBI, el otro sector deja de percibir una parte. Lo que tengo que buscar son las decisiones para que la mayoría de los argentinos viva mejor porque, en definitiva, también los demás recibirán beneficios en otros aspectos, por ejemplo en la calidad de vida. La modificación de la distribución del ingreso puede restarles algo pero les conviene vivir en una sociedad integrada, sin ghettos, que es el paisaje que suele verse en otros países de la región y que no terminó de llegar a la Argentina. No aspiro a representar al cien por ciento de los argentinos pero sí a una enorme mayoría. Con un modelo inclusivo, con menores índices de pobreza y de indigencia, con mayores exportaciones, más industrial, casi todos mejorarían.

–¿Para qué le jugó o le juega a favor ser mujer? ¿Para qué le juega o le jugó en contra?

–No creo que me juegue a favor. Mejor le contesto esa pregunta en un tiempo. Michelle Bachelet tuvo esa experiencia y dijo que “se juzga distinto al hombre y la mujer. Si el hombre grita, es enérgico, tiene autoridad. Si la mujer grita no tiene control, es una histérica”. O sea, siempre es más difícil ser mujer. En el senado me pasaba argumentar algo y no me hacían caso, era como si pasara un carro. Un hombre decía lo mismo y lo aceptaban. Me daba una rabia. Vamos a tratar de quebrar la racha histórica de género.

–¿Hay contenidos específicos de género que está dispuesta a promover? ¿Salud reproductiva, aborto?

–Saben que no estoy por la despenalización del aborto. Respeto todas las opiniones, no me sumo a los que estigmatizan a nadie. Mis ideas pueden tener que ver con que pertenezco a una generación en la que la mujer estuvo a la par del hombre, ni por arriba ni por abajo. No creo en los avances individuales, etarios o de género por fuera o independientemente del modelo político. En las sociedades donde hay buena distribución del ingreso, protección de los derechos humanos hay mejores posibilidades de recolocación de género.

domingo, 4 de novembro de 2007

Inversiones y Pacto Social, las prioridades económicas de Cristina

Los economistas más cercanos a la Presidenta electa ya definen medidas e instrumentos.

Por: Marcelo Canton
Clarín

Los economistas más ligados a Cristina Kirchner ya están trabajando en una decena de temas, buscando apurar la instrumentación rápida de medidas después del 10 de diciembre. Pacto Social e inversiones forman la agenda más urgente.

En el listado (nunca definitivo, claro) de quienes están abocados a esa tarea se encuentan Miguel Peirano, Martín Redrado, Beatriz Nofal y Mercedes Marcó del Pont. Y en sus manos, aseguran fuentes oficiales, ya están diseñándose políticas e instrumentos. Algunas, incluso, están empezando a ponerse en marcha para que impacten plenamente cuando asuma la nueva administración.



1. > Pacto Social. Es una de las bases de la estrategia económica de Cristina Kirchner. Busca consensuar aumentos de salarios, inversiones, precios. La clave, dicen quienes trabajan en este proyecto, estará en el cambio de los plazos de la negociación salarial, hoy anual, y que intentarán que sea a tres años. Se discute qué variables se incluirán para ajustar los salarios. Estará la inflación, claro, aunque aún no está definido si será la del año anterior o la esperada para el año siguiente. También la productividad ("si los salarios siguen sólo los precios terminan siendo una nueva presión inflacionaria", dicen). Además habrá otro punto para ajustar sueldos, la distribución de la riqueza, buscando incrementar la participación del salario en la torta del PBI.



2. > Consejo Económico Social. Es una institución que se crearía (hoy discuten la forma) integrada por empresarios, gremialistas y académicos. Se le girarían temas relativos al mundo laboral y de la competitividad, sobre los que emitiría dictámenes no obligatorios para el Poder Ejecutivo, pero que "enriquecerán el debate".



3. > Club de París. Es el primer desafío de la nueva gestión. La administración de Néstor Kirchner no pudo cerrar el acuerdo antes del 10 de diciembre, como pretendía inicialmente, para que Cristina lo anunciara como primer acto de gobierno. Ahora aseguran que el acuerdo se haría "durante el primer semestre del año". El paso inicial es hacer algún tipo de acuerdo con el FMI. "Vamos a ver si el titular del Fondo, Dominique Strauss-Kahn, cumple con sus promesas de facilitar las cosas", dicen los técnicos. En dos semanas, en Sudáfrica, una delegación oficial aprovechará una reunión del G20 para adelantar charlas informales con socios del Club de París. Al margen de esa discusión, vendrá una delegación del FMI a a repasar las cifras de la economía local, en lo que se llama revisión Artículo 4. Acordaron que llegue al país en el segundo trimestre del 2008, para que no implique una presión ni bien asuma Cristina.



4. > Impuestos. Los economistas que rodean a Cristina Kirchner descartan una reforma impositiva, al menos en el inicio de su gestión. Los cambios que se discuten hoy en este rubro serían implementados por Néstor Kirchner: la suba de 3 a 10 puntos a las retenciones al trigo, maíz y soja, para recaudar unos 1.000 millones de dólares adicionales, y la posibilidad de desgravar impuestos para las pymes que compren maquinarias.



5. > Dólar. En los próximos meses, seguirá la misma política de "flotación administrada" que hasta ahora. El techo virtual de $ 3,20 seguirá presente, aunque "con flexibilidad", siguiendo los movimientos internacionales. "Los argentinos no estamos preparados para la libre flotación, porque el dólar se mueve un 1% y se genera incertidumbre en la gente", dicen los técnicos. El tipo de cambio no se indexará por la inflación. El objetivo último (al igual que para la política monetaria "prudente" que se implementará) es moderar las expectativas de inflación.



6. > Inflación. Para algunos de los economistas que consulta Cristina Kirchner "la inflación ya está en el umbral de lo tolerable". Pero, sin embargo, consideran que "no hay nada mágico" que pueda hacerse más allá de moderar las expectativas consolidando el superávit y controlando el dólar. Y, con ese mismo objetivo, normalizar la situación del INDEC. "Pero lo que hay que lograr es incrementar la oferta de productos con más inversiones", diagnostican.



7. > Inversiones. Es uno de los ejes centrales para los economistas cristinistas. Tanto para aliviar presiones inflacionarias como para sostener el nivel de crecimiento. Pretenden que la inversión, que hoy ronda 23% del PBI, crezca "3 o 4 puntos". Creen que oferta de crédito hay, pero que para las empresas el acceso es difícil. Lanzarán a principios de año algunos instrumentos en ese sentido, como una garantía para que las compañías no sean afectadas por la volatilidad de tasas de los préstamos. Darán recursos para alimentar fondos de inversión de capital de riesgo, para aportar a empresas que necesiten desarrollarse. Se sumarán recursos del BID y del Tesoro. También el fisco aportará capital a empresarios que tengan una idea pero no recursos: será a través de las redes de "inversores ángeles", de gestión privada, que ya hacen esa tarea. Una segunda ronda de discusión se lanzará avanzado el 2008: medidas para mejorar el ambiente de negocios, punto que plantean empresarios extranjeros.



8. > Acuerdos de precios. Seguirán a la orden del día, aunque con un cariz distinto a los que ha hecho Guillermo Moreno. "Son una herramienta útil, pero deben ser más eficientes. Hay que hacer una estructura más sofisticada para poder regular y controlar a las cadenas de producción y comercialización", dicen.



9. > Superávit. El objetivo de Cristina Kirchner es que el superávit fiscal primario -sin computar el pago de los intereses de la deuda externa- esté en alrededor del 3,5 por ciento del PBI. En ese sentido, el Gobierno de Néstor Kirchner ya puso en marcha un paquete de medidas que buscan recuperar el saldo fiscal. Por un lado, mejorarían los ingresos con la suba de retenciones. Y por el otro se empiezan a ralentizar las obras públicas, para aligerar el gasto público, además de subir las tarifas, para achicar los subsidios a la energía, que suman 4.000 millones de dólares.



10. > Tarifas. Después de los ajustes que el Gobierno impulsa para reducir subsidios, la siguiente etapa será una normalización de las tarifas. Se avanza ya con la renegociación integral, que determinará cuáles serán los mecanismos definitivos de ajuste periódico de los servicios. Estas comenzarán a aplicarse desde febrero (en el caso de la electricidad) e implicarán ajustes para casas de familia, pero con "tarifa social" para los más pobres.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Economic Balancing Act for Argentina’s Next Leader

Marcos Brindicci/Reuters

Cristina Fernández de Kirchner with her husband, Néstor, on Tuesday.


By ALEXEI BARRIONUEVO

The New York Times

BUENOS AIRES, Oct. 31 — The landslide victory of Cristina Fernández de Kirchner, the wife of Néstor Kirchner, Argentina’s current president, seemed to signal that the Peronist party was back and stronger than ever. But the way she won the presidency and the economic challenges she faces will prove a stiff test of her abilities to keep the couple in power.

Mrs. Kirchner, 54, won on Sunday with 45 percent of the vote, becoming Argentina’s first woman to be elected president and cementing the Kirchners as a political dynasty.

Her closest challenger, the center-left Congresswoman Elisa Carrió, garnered 23 percent. But an analysis of the vote shows that the president-elect won in only two major urban centers — Mendoza and San Miguel de Tucumán — drawing most of her support from the provinces where the lower classes voted with nationalistic fervor to continue Mr. Kirchner’s economic policies, which managed to pull Argentina out of its 2001 economic crisis, considered by many economists to be the country’s worst ever.

The aging Peronist party that carried her to victory has gone through so much change in the past decade that it is in “bad need of some vitamins,” said Graciela Römer, a political analyst here.

Mrs. Kirchner inherits double-digit inflation and a lurking energy crisis, two issues that will be difficult to address without alienating the poor classes that are the most vulnerable to economic shocks.

But her ultimate success in building her party’s base and shoring up the Peronists’ grip on power could depend on her ability to respond to the demands of the middle class, which has been critical of the authoritarian tendencies of the Kirchner government. Mrs. Kirchner failed to win in Buenos Aires, Córdoba and Rosario — three cities with substantial middle-class populations.

“She will have to continue with the economic policies of Kirchner but put a stop to the concentration of power,” Ms. Römer said, “and look to build more dialogue and consensus.”

Peronism, a populist and nationalistic movement that sprang out of the rule of Gen. Juan Domingo Perón, the former president, has in recent years become three parties in one, with Mr. Kirchner leading the center-left strain with more pragmatic tendencies. But his mandate was tenuous in 2003, when he mustered only 22 percent of the vote on the first ballot. Former President Carlos Menem, another Peronist who espoused a neoliberal model, dropped out of contention, making a runoff unnecessary.

Even with Mrs. Kirchner’s large margin of victory, the government’s ability to maneuver could be more limited than before, analysts said this week. The new president is likely to inherit her husband’s falling approval rating, as voters make little distinction between her and Mr. Kirchner, Daniel Kerner, an analyst with Eurasia Group, said this week.

And the government will have its hands full taming rising consumer prices. Mrs. Kirchner has insisted that official government figures showing inflation between 8 percent and 10 percent have not been manipulated, but economists both here and abroad have said otherwise for months, pegging the inflation rate at closer to 20 percent.

The government intends to lower inflation through a “social pact” between the private sector and unions that would keep a lid on prices and wage-increase demands, and through a gradual fiscal adjustment. But measures that could slow growth or constrain consumption will be politically unfeasible, Mr. Kerner said, as they will undermine the government’s base of support.

An advantage Mrs. Kirchner has, however, is the fractured state of Argentina’s opposition. Julio Burdman, a political analyst here, called the opposition’s organization the weakest in Argentine history. Opposition parties briefly rallied to protest missing ballots on election night, a charge that Mrs. Kirchner said should be investigated.

Mrs. Kirchner is expected to have a strong ally to help plug the holes in the Peronist party apparatus — her husband. Mr. Kirchner said in interviews last week that he would dedicate himself after the election to “constructing social organizations,” a signal some analysts took to mean that he plans to shore up the party.

If he is successful, that might be just enough time for him to make a run at replacing his wife as president, rather than her risking lame-duck status. Some analysts believe Mr. Kirchner had just such a plan in mind when he decided in July not to run for re-election, despite his popularity at the time, and instead pushed his wife’s candidacy in a sort of merry-go-round presidency.

The Kirchners have been coy about their political strategy. Mr. Kirchner said publicly on Tuesday that he would “take off for a literary cafe.” In an interview with CNN in Spanish on Tuesday, Mrs. Kirchner seemed to scoff at the idea of an alternating succession.

“Kirchner 2011 is like ‘2001: A Space Odyssey,’ ” she said. “It is a fictional movie.”

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Cristina Kirchner: 'Um país como a Alemanha'



O GLOBO ENTREVISTA CRISTINA KIRCHNER

BUENOS AIRES.

Cristina Kirchner confessou, em sua primeira entrevista após ser eleita presidente, que sonha em transformar a Argentina num modelo de país exportador como a Alemanha, que gere uma economia mais competitiva, e disse que, nessa próxima etapa, com ela no poder, será fundamental a relação do país com o mundo. Numa entrevista a Joaquín Morales Solá, transmitida anteontem à noite no programa “Desde”, do canal Todo Noticias, a presidente eleita afirmou que o combate à insegurança se faz com um modelo econômico que gere empregos e antecipou que sua primeira medida será “o combate à pobreza”.

Joaquín Morales Solá Para La Nación - O GLOBO: Quais serão as principais medidas de seu governo?

CRISTINA KIRCHNER: Combate à pobreza. Aprofundar o combate ao desemprego, educação, saúde e todas as questões que têm a ver com melhorar a qualidade de vida dos cidadãos e nos dar maior competitividade.

Os países mais competitivos têm sistemas de saúde e educação, um regime de produção social que pode dar conta da qualidade competitiva.

É isso o que falta à Argentina.

 Com qual país gostaria que a Argentina se parecesse? CRISTINA: Isso é antipático porque podemos ser muito bons se nos parecemos conosco mesmo. Temos um país com altíssimo nível de recursos humanos. Gostaria que fôssemos um país exportador como a Alemanha, com altíssimo grau de tecnologia, que é o que distingue. Creio que devemos fazer grandes coisas, sobretudo em agricultura e informática.

Estamos fazendo.

Qual será a sua política contra a inflação?

CRISTINA: Primeiro seria caracterizar exatamente o problema. Se acreditarmos que estamos diante da hiperinflação, estaremos errados. Houve uma supervalorização do tema, própria de um período eleitoral. Em matéria de inflação, estamos entre os 7% e 11% previstos para este ano no orçamento. O Fundo Monetário Internacional prevê 12,6%. Se há na oposição quem diga que estamos em 25%, isso não é sério. De qualquer forma, o governo enviou uma delegação aos Estados Unidos. Ninguém porá em dúvida a metodologia da primeira economia do mundo.

Já pensou na política de segurança? A capital terá sua polícia?

CRISTINA: O presidente, numa reunião com o governador eleito, Mauricio Macri, acertou que haverá uma lei para que a cidade de Buenos Aires tenha a sua polícia.

Os recursos não dependem do presidente.

Eu não concebo a segurança como um plano sem ter a ver com o modelo econômico vigente.

Planejar um projeto de segurança com um modelo econômico que tenha taxa de desemprego de dois dígitos é impossível.

Que avaliação faz da eleição?

CRISTINA: Esses 45% são muito importantes.

Foram um reconhecimento, mas não a mim. Creio que foram um reconhecimento à gestão do presidente Kirchner. Tampouco me sinto longe. Fui parte do projeto, mas ele foi a nau-capitânea.

A senhora ficou decepcionada com o voto dos centros urbanos?

CRISTINA: Creio que um centro urbano, por excelência, é Mendoza. É uma cidade com classe média muito forte. Ganhamos lá com vantagem.

Há classe média também em Gran Tucumán, onde vencemos, e em toda a área que circunda a capital.

Como será a sua relação com a imprensa?

CRISTINA: Se voltar a ser meio de comunicação e não de oposição, será perfeita.

E quais devem ser os países amigos?

CRISTINA: Todos. Não quero que tenhamos inimigos. Amigos íntimos? Temos que priorizar nosso lugar na América Latina, ampliar o Mercosul e o tema energia. A equação energética da América Latina é fundamental.

Que papel terá o presidente?

CRISTINA: É um animal político, que ama profundamente a política, seu país, e tem um grande compromisso com a Argentina. Sempre quis ser o melhor. O melhor advogado, o melhor governador. Está em sua natureza. Se entra numa corrida, quer ganhar. Eu também. É uma atitude diante da vida.

O LA NACION pertence ao Grupo de Diarios América (GDA)

domingo, 28 de outubro de 2007

Outra vez orgulhosos, argentinos votam para consagrar Kirchners

Cristina Fernandez de Kirchner votou em Rio Gallegos
Gratos por recuperação econômica, eleitores do interior e das classes mais baixas deve eleger Cristina presidente

Ariel Palacios e Roberto Lameirinhas, BUENOS AIRES

Os argentinos vão hoje às urnas para - a confirmar-se a quase totalidade das pesquisas - assegurar a continuidade do governo do presidente Néstor Kirchner. Desta vez, por intermédio da mulher dele, a senadora Cristina Fernández de Kirchner.

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Embalado principalmente pelo apoio do interior - onde programas assistenciais do governo ajudaram a recuperar a economia após os anos de aperto fiscal de Carlos Menem e Fernando de la Rúa -, o casal Kirchner resistiu às denúncias de corrupção e à escalada da inflação. Assim, Cristina deve obter entre 41% e 49% dos votos. Pela legislação argentina, ela precisa de pelo menos 40% para vencer já no primeiro turno, caso tenha uma vantagem de mais de 10 pontos porcentuais sobre o segundo colocado.

A segunda no páreo é a centro-esquerdista Elisa Carrió, candidata da Coalizão Cívica, que tem entre 16% e quase 22% das intenções de voto. Nos últimos dias, Carrió apelou aos indecisos (que na semana passada oscilavam entre 7% e 18%) para dar uma virada e levar o governo a um segundo turno. Nunca na história argentina duas mulheres lideraram as pesquisas presidenciais.

Ao Estado, Elisa disse que ainda mantém esperança de que Cristina não chegue aos 40%. 'As pesquisas mostram que a maioria da população, mais de 50%, quer a vitória da oposição', afirmou. 'Ela é Golias, eu sou Davi.'

Vinte e sete milhões de argentinos estão inscritos para a eleição de hoje, que definirão também o vice-presidente, a metade dos ocupantes da Câmara dos Deputados, um terço dos senadores e 8 dos 23 governadores provinciais, além de centenas de deputados locais e intendentes (prefeitos). Os candidatos kirchneristas são favoritos em praticamente todas essas disputas.

Kirchner assumiu a presidência em 2003, quando 57% dos argentinos viviam mergulhados na faixa de pobreza. Depois de declarar a suspensão unilateral do pagamento de parcelas da dívida externa, vender títulos da dívida para a Venezuela de Hugo Chávez, promover a retomada do crescimento do país e investir pesado nos programas sociais destinados à população mais pobre, Kirchner conseguiu reduzir o índice de pobreza para 27%, em 2006. Durante seu mandato, o país tem crescido em média 8% por ano. Em 2002, o salário mensal médio dos 10% mais pobres era de 109 pesos (US$ 34); hoje é de 337 (pouco mais de US$ 110).

A oposição contesta alguns números, como o da inflação. Oficialmente, o índice acumulado neste ano até setembro é de 9%. Mas consultorias privadas estimam a inflação real em torno de 20%. Independentemente da controvérsia, os resultados econômicos garantem a popularidade do presidente.

Segundo as pesquisas, Cristina tem vantagem esmagadora no interior do país e nas classes baixa, média-baixa e média - esta última, recuperada da ruína da crise de 2001-2002. O país, que contava com 14 moedas paralelas emitidas pelas províncias, sem lastro nenhum, atualmente utiliza somente a moeda federal, o peso.

APATIA

A apatia marcou a campanha eleitoral - que na Argentina é feita com poucos comícios, publicidade paga na TV e nenhum debate entre candidatos. Uma pesquisa da consultoria Delfos indica que a abstenção pode ser de até 30%.

Esse seria o nível mais baixo de participação desde o retorno da democracia, em 1983. Naquele ano, 86% dos eleitores votaram. Na eleição passada, em 2003, votaram 78% dos eleitores.

Os analistas afirmam que a falta de interesse se deve à pouca diferença de propostas entre Cristina e os candidatos da oposição. Os opositores estão de acordo com os principais pontos da política econômica e apenas sugerem 'correções' no rumo.

A campanha kirchnerista usa a imagem de Cristina e o slogan 'sabemos o que falta e sabemos como fazer'. Nos táxis, bares e barbearias de Buenos Aires - tradicionais locais de discussões políticas -, o humor ácido dos portenhos não resiste à pergunta: 'Se ela sabe, por que não contou para o marido?'

A verdade é que a auto-estima dos argentinos renasceu. Kirchner, com esperteza, explorou esse fator na reta final da campanha.

O analista Carlos Fara indica que Kirchner é favorecido pela mudança do ânimo dos argentinos em relação ao país e suas vidas pessoais. Kirchner também se aproveitou do cenário de uma oposição fragmentada, sem estímulo e imersa em lutas de egos entre seus líderes (ler mais na pág. 19).

O sociólogo Artemio López, diretor da consultoria de opinião pública Equis, destaca que Kirchner foi eleito em 2003 com 22% dos votos. Em 2005, na eleição parlamentar de meio de mandato, os candidatos kirchneristas obtiveram 39% do total de votos do país. López afirma que uma eventual votação de mais de 40% indicaria que os Kirchners estão aumentando e consolidando gradualmente um eleitorado fiel.

DENÚNCIAS

Diversas ONGs denunciaram sexta-feira a presença de nomes de pessoas mortas em listas de eleitores em todo o país. Entre elas, desaparecidos da ditadura (1976-83), além de soldados mortos em combate na Guerra das Malvinas (1982).


GLOSSÁRIO DAS URNAS

El Pingüino:
O Pingüim, apelido de Kirchner em alusão a sua região natal, a Patagônia

La Pingüina: Apelido de Cristina Kirchner

Rainha Cristina: Outro apelido da primeira-dama, pela pose considerada arrogante e tom autoritário

'Es too much': Expressão em 'spanglish' usada por Cristina para 'ah, não, isso é demais!'

Inferno e Purgatório: Metáfora referente à 'Divina Comédia', de Dante, normalmente utilizada por Kirchner. Segundo ele, a Argentina está saindo do 'Inferno' da crise e aproxima-se do 'Purgatório'

La Gorda: Apelido de Elisa Carrió, líder da centro-esquerdista Coalizão Cívica

El Pálido: Apelido do ex-ministro Roberto Lavagna, líder do partido Uma Nação Avançada

El Sillón de Rivadavia: A poltrona de Rivadavia, denominação da cadeira presidencial. É sinônimo de 'Presidência da República'. O nome remete a Bernardino Rivadavia, primeiro presidente argentino

Casa Rosada: Nome da sede do governo, que a partir de 1860 começou a ser pintada de cor-de-rosa. Segundo uma versão, a cor era o resultado do branco e do vermelho, que representavam as duas facções da guerra civil que se seguiu à independência. Outra versão diz que o rosa resultou da mistura de sangue de boi e cal, forma barata de pintar o prédio. A terceira diz que, na época, o rosa era a cor da moda na arquitetura

Radicais-K: Integrantes da União Cívica Radical, rival histórica do peronismo, que se alinharam a Kirchner - como o vice de Cristina, Julio Cobos

Coima: Suborno preparado, organizado


PESQUISA

46,7%

dos eleitores devem votar em Cristina Kirchner, segundo pesquisa do instituto
Poliarquia

21,8%
do eleitorado devem apoiar Elisa Carrió

14,3%
dos eleitores devem optar por Roberto Lavagna

sábado, 27 de outubro de 2007

Para Cristina, Brasil é modelo a seguir


Favorita, mulher de Kirchner deve manter boa relação com País que investiu US$ 6,8 bi na Argentina em 5 anos

Ariel Palacios, BUENOS AIRES - O Estado de São Paulo

Os quase quatro anos e meio de governo do presidente Néstor Kirchner alternaram momentos de lua-de-mel com o Brasil e de confronto com seu principal sócio no Mercosul. Kirchner, fiel a seu estilo sem papas na língua, não hesitou, em diversas ocasiões, em desferir fortes golpes contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o empresariado brasileiro.

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“Há um lugar na OMC, o Brasil o quer. Há uma vaga na ONU, o Brasil a quer. Há uma cadeira na FAO, o Brasil a quer. Até quiseram eleger o papa!”, desabafou Kirchner em 2005, em plena crise diplomática. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) “é dura e impiedosa” e quer “desindustrializar a Argentina”, atacou, na mesma época. Mas, desde o final daquele ano, as relações entre os dois lados da fronteira desenvolveram-se sem grandes problemas. Kirchner voltou a tratar bem o Brasil.

Para reafirmar os laços com o País e convencer os empresários brasileiros a continuar investindo na Argentina, a candidata Cristina Kirchner esteve em Brasília em plena campanha. Se eleita no primeiro turno de amanhã - como prevêem oito de nove pesquisas divulgadas ontem, que lhe dão de 41% a 49,4% das intenções de voto -, ela terá de conviver com o governo Lula até 2010. Segundo disse ao Estado Ceferino Reato, autor da biografia não autorizada Lula, a Esquerda no Divã, a relação de um eventual governo de Cristina com Lula “está bastante bem encaminhada”.

Reato diz que os confrontos de Kirchner com Lula, no passado, foram provocados pela crise econômica que assolava a Argentina no início de seu mandato. “Lula e Kirchner construíram uma convivência satisfatória para ambas partes”, acredita o autor. Segundo ele, a Argentina de Cristina aceitará a liderança do Brasil. “Mas nunca a hegemonia brasileira.”

Desde o início do governo Kirchner, o intercâmbio comercial entre os dois países saltou de US$ 9,23 bilhões, em 2003, para cerca de US$ 20 bilhões, este ano. Um recorde histórico.

Cristina, em seu comício de lançamento de candidatura, em junho, indicou que o modelo econômico brasileiro era um exemplo a ser seguido e até citou explicitamente a Embraer como empresa a ser invejada pelos argentinos.

Para o ex-Secretário de Comércio Dante Sica, não haverá mudanças no trato entre os dois países. “Se Cristina for eleita, manterá a linha atual, com algumas nuanças”, disse ele ao Estado. “Considero que ambos países deverão definir uma política de defesa comercial comum contra a China”. Segundo Sica, os pontos de conflito foram delimitados e não afetam mais a relação bilateral.

Os analistas indicam que Cristina aprofundará as relações políticas e comerciais com o México, que servirá como contrapeso à influência do Brasil na região. Em relação à Venezuela, os analistas sustentam que Cristina manterá uma boa relação com o presidente Hugo Chávez, cujo governo defendeu, recentemente, perante empresários na Europa. No entanto, mais do que motivos políticos, essa proximidade seria necessária pela dependência argentina do petróleo venezuelano e da compra de bônus da dívida pública da Argentina por parte de Chávez.

O ex-secretário de Comércio Raúl Ochoa disse ao Estado que, se Chávez insistir em alianças estratégicas “duvidosas”, Cristina “terá de marcar território”, ou seja,melhorar relações com países desenvolvidos. “Por isso, é essencial a boa relação com Lula”, diz. A opinião é reforçada por Reato: “O Brasil continuará importante para a Argentina. Os Kirchners sabem disso, pois são muito pragmáticos.”

APOSTA

Em 2002, quando a Argentina era embalada pelas turbulências sociais e financeiras, os investimentos europeus e americanos sumiram do país. Mas as empresas brasileiras ao lado das mexicanas decidiram que valia a pena apostar na recuperação econômica argentina. Além disso, o cenário era conveniente, já que a desvalorização do peso transformara as empresas argentinas em ofertas atraentes. Muitas das grandes empresas remanescentes foram compradas.

A AmBev comprou a tradicional cervejeira Quilmes, em 2002. Logo depois foi a vez de a Petrobrás desembarcar na Argentina para adquirir a companhia de energia Pérez Companc. Na seqüência, também chegaram ao país a Camargo Correa, que comprou a maior empresa de cimento da Argentina, a Loma Negra, e a Alpargatas. O setor de carnes, motivo de orgulho para os argentinos, passou a contar com a crescente participação de capital brasileiro.

Os frigoríficos Friboi e Marfrig, ironizam os economistas portenhos, “vieram às compras” na Argentina. Além de comprar companhias existentes, as empresas brasileiras estão construindo fábricas no país. Foi o caso da Paquetá, que ergueu uma fábrica de calçados na cidade de Chivilcoy.

Os economistas ressaltam que a estratégia brasileira é a de investir aqui e exportar para o próprio Brasil. Nos últimos cinco anos, as empresas brasileiras investiram na Argentina US$ 6,812 bilhões. Desse total, 52% foram destinados ao setor industrial, pouco menos de 40% para o de gás e petróleo, 8% para o de construção e 0,3% para o de serviços. Os investimentos diretos provenientes do Brasil, que, em 1997, representavam 0,2% do total de recursos estrangeiros no país, chegam hoje a 20%.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Cristina's challenges


From the Economist Intelligence Unit ViewsWire - The Economist

Winning the election in Argentina will only be the start


Cristina Fernández de Kirchner, wife of Argentina’s current president, is certain to be elected to succeed her husband, probably in a first-round vote on October 28th. She will achieve this with ease—thanks to Néstor Kirchner’s popularity and a weak and fragmented opposition—and without laying out a detailed policy platform. However, she will not be able to evade the host of challenges that await her, including an overheating economy, rapidly accelerating inflation, energy shortages and lingering social tensions.

To win in the first round, Mrs Kirchner, of the centre-left Frente para la Victoria (FV), will need to garner either 45% of the vote or 40% with a ten-percentage-point margin over her nearest rival. During the week prior to the election, several opinion polls have indicated that she will reach this threshold. She has maintained a significant lead over the other candidates throughout the campaign, and this has enabled her to give only sketchy suggestions of her policy priorities, and to spend much of the campaign period travelling abroad.


More of the same?

Her husband, Mr Kirchner, has pursued a series of interventionist and stimulative economic policies—such as strong fiscal spending, price accords and a weak currency—to help boost the recovery from the economic crisis and financial collapse of 2001-02. While Chinese-style growth of more than 8% in the last four years and a slashing of unemployment have underpinned his popularity, his administration has not been without its setbacks. These include a loss for political allies in several recent local elections (including in the contest for the federal district), corruption scandals, renewed power cuts, and social unrest in the provinces and in the capital.

Concerns about transparency and the independence of institutions have also been raised, given Mr Kirchner's tendency to concentrate power in the presidency (which his wife is expected to continue). These concerns have grown since early this year, when the government intervened in the national statistics institute. Authorities are believed to have “fixed” inflation data so that they appear more favourable than the real figures (largely by altering the composition of the consumer price index) in the run-up to the election. According to official statistics, annual inflation was at 8.6% in September; according to independent estimates, it is actually running at closer to 15-20%.

Opposition candidates have latched on to the inflation problem, and it has become a key election theme. There also have been a number of protests and boycotts over rising food prices in recent weeks. But in the face of robust economic growth, Mrs Kirchner's own high popularity has not been dented, and her electoral prospects are secure. A more testing time may come after the election, when she will face the challenge of reining in inflation and engineering a soft landing for the economy.

Incompatible policies

Mrs Kirchner's plans for the next administration remain vague. She has been notably absent on the campaign trail in Argentina, focusing instead on visiting foreign leaders and business investors in the region and in the US in recent months. Mrs Kirchner has said only that she will aim to forge a social pact between government, business and unions; will revisit how inflation is measured (to rebuild confidence in official data); and may gradually raise utility rates. By speaking at investors forums abroad, she has also raised expectations that she might address the issue of holdout creditors who did not participate in Argentina’s massive 2002 debt restructuring.

However, specifics probably will only come after inauguration day, December 10th, and the selection of her cabinet. Since she lacks administrative and executive experience of her own, her choices will be revealing of her likely policies, and should indicate whether they will amount to changes of substance, or only of style.

Argentina’s current policy goals are largely incompatible: maintaining strong economic growth, holding on to the twin (fiscal and current-account) surpluses, keeping inflation at single-digit levels, maintaining a weak currency and minimising rises in interest rates. Changes will be needed if Argentina is to avoid a hard landing for the economy in the medium term. But this could prove tricky.

Efforts will have to be made to tame inflation while also eliminating price distortions and easing price controls that have discouraged investment in areas such as energy and utilities. Fiscal spending should also be reduced to prevent an erosion of public finances, and private investment encouraged to fill the gap as economic growth slows.

Seen as more of a negotiator, Mrs Kirchner might find it easier to make such adjustments and adopt other unpopular measures than her husband (although he may well announce some of these measures during the transition period to cushion the impact on his wife's popularity). But does she have the will?

The Economist Intelligence Unit’s baseline forecast assumes that a moderate adjustment in macroeconomic policy, including some tightening of monetary policy, will be made soon after the election, and will ensure a relatively smooth transition. But this is far from assured. And if the problems—particularly inflation—worsen, Mrs Kirchner’s current popularity and fresh image may quickly wear away.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

El matrimonio Kirchner, la prensa y la inflación


La candidata favorita a la presidencia argentina, Cristina Fernández, rompe el bloqueo a la prensa y concede una entrevista a un medio local

JORGE MARIRRODRIGA - Buenos Aires

EL País

La campaña electoral en Argentina finaliza hoy con las mismas previsiones con las que comenzó: la candidata oficialista, Cristina Fernández de Kirchner, tiene grandes posibilidades de ser elegida el próximo domingo como presidenta de Argentina sin necesidad de una segunda vuelta.

La única gran novedad es que la candidata Fernández ha concedido una entrevista a un medio de comunicación local, un hecho que en una elección en cualquier otro lugar del mundo no pasa de ser algo habitual y sin embargo en Argentina adquiere el rango de acontecimiento especial, dado el bloqueo a la prensa que ha caracterizado a la Administración del marido de la candidata, el presidente Néstor Kirchner.

Los Kirchner consideran, y así lo han declarado en público, que los medios de comunicación son un elemento distorsionador en la relación entre el gobernante y el gobernado y de ninguna manera constituyen un elemento necesario en una democracia. En consecuencia, el silencio es la política oficial de comunicación de la Presidencia de la República, cuyas opiniones y reflexiones sobre cualquier tema son conocidos sólo mediante los discursos oficiales de Kirchner, una estrategia denominada por importantes periodistas argentinos como “la dialéctica del atril”.

La esposa del mandatario y candidata del Frente Para la Victoria (FPV) sigue, en esto y en todo lo demás, la línea del presidente. De hecho, comparte portavoz con su marido.

Ayer mismo, en un almuerzo con empresarios, Fernández aseguró que la prensa “distorsiona” la realidad en lo relacionado con la inflación, ese fenómeno económico que, según alguno de los ministros del presidente, “no existe” en Argentina.

Una opinión que no comparten los ciudadanos que desde hace tres días han iniciado un boicot contra el precio de las patatas, después de lograr la semana pasada con una medida similar que las hortalizas dieran marcha atrás en una subida que en productos como el tomate llegó al 200%. En paralelo, los taxis de Buenos Aires se disponen a subir sus tarifas en un 20%.

En la entrevista que ha concedido a una emisora de radio porteña, Fernández pidió “no preocuparse sino ocuparse” de la inflación e insistió en que las cuestionadas cifras oficiales sobre el incremento de precios son las reales.

Pero precisamente ayer la provincia de Mendoza volvió a denunciar que las cifras que ha enviado a Buenos Aires para que se elabore el índice de septiembre han sido manipuladas a la baja. La provincia comunicó al Instituto de Estadística (Indec), intervenido por el Gobierno, que la inflación de septiembre es del 1,7%, pero el Indec dice que es apenas del 0,8%.

Según Fernández, la polémica sobre la inflación ha sido instalada en la opinión pública por los partidos opositores.

Para la noche de ayer estaba previsto que la candidata del FPV apareciera entrevistada en un programa de televisión por dos conocidos periodistas y así se produjera un hecho inédito desde que Kirchner accediera a la presidencia y la candidata se convirtiera en primera dama: dos entrevistas en un día.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

ARGENTINE • Cristina, mieux que Ségolène et bien avant Hillary !


Le 28 octobre, les Argentins devraient élire à la présidence Cristina Kirchner, épouse de l'actuel président. Mais sait-on qu'une autre femme la talonne ? Sait-on aussi que la favorite s'est entourée d'une véritable garde prétorienne féminine, les "chicas K" ?
Cristina Kirchner
AFP
Courrier International

Le 28 octobre prochain, l'épouse de l'actuel président argentin Néstor Kirchner risque bien de devenir la prochaine présidente du pays. Et ce dès le premier tour.


Il y a quatre ans, personne ne donnait cher de l'Argentine. Le pays était plongé dans une crise profonde. Le chômage touchait plus de 20 % de la population. Les économies de beaucoup d'Argentins avaient été avalées par la déroute financière. Les files d'attente de candidats à l'émigration s'allongeaient devant les consulats de Buenos Aires. La pauvreté avait explosé.

Et, quatre ans plus tard, à lire la presse locale, le pays a radicalement changé. La Nación rappelle ainsi que le chômage ne touche plus que 7,7 % de la population – trois fois moins qu'il y a quatre ans. Et, en août dernier, la croissance atteignait un rythme de 9 % l'an.

A priori donc tout va bien sauf que ce rebond ne profite pas à tout le monde. Dans un autre quotidien, La Prensa, on apprend que l'inflation a crû de plus de 20 % depuis le début de l'année. Le chiffre est d'autant plus important qu'il ne concerne pas l'inflation globale mais celle de la "canasta" (panier de la ménagère composée d'une quarantaine de produits courants). En clair, si l'économie est repartie, la richesse du pays est toujours aussi mal répartie. On comprend alors mal la popularité de Mme Kirchner qui est, après tout, l'épouse du président en exercice.

Pour l'hebdomadaire Noticias, la réponse est assez simple : en fait, les Argentins aiment la démocratie mais détestent la politique. La politique, pensent-ils, les a ruinés de 2001 à 2003. La dictature, précédemment, les avait meurtris. Du coup, ils veulent élire de nouvelles têtes mais, surtout, pas des "politiques". C'est si vrai que l'ensemble des candidats à cette élection ont soigneusement évité les appareils politiques traditionnels.

C'est le cas de Cristina Kirchner, qui se sent avant tout "kirchnériste". Son mari n'ayant pas démérité, pourquoi aller chercher plus loin ? Et puis Cristina est une femme, et les Argentins sont plutôt flattés de faire mieux que les Français et aussi bien que leurs voisins chiliens (qui ont porté à la présidence Mme Bachelet). Cela dit, et c'est La Nación qui l'explique, l'Argentine ne part pas de rien pour ce qui est de la représentation féminine. Il y a déjà eu une présidente ; Isabel Perón, la deuxième femme du mythique Juan Domingo Perón, a dirigé le pays de 1974 à 1976. Ensuite, dès 1983, une loi a imposé un quota de 30 % de femmes au Parlement, ce qui a permis à de nombreuses femmes d'entrer en politique.

Il suffit d'ailleurs de regarder l'élection du 28 octobre prochain : derrière Cristina Kirchner, une autre femme arrive en deuxième position dans les sondages. Elle s'appelle Elisa Carrió et est créditée de 20 à 30 % des intentions de vote. Le quotidien Clarín l'a suivie en campagne. Elle ne manque pas de mordant, quand elle se réfère par exemple à l'autre grande dame de la politique argentine, Evita Perón, pour souligner sa différence avec Cristina Kirchner. Répondant à une question sur Evita, Elisa Carrió a expliqué que celle-ci était "une vraie reine, la reine des pauvres et pas une reine du Botox"… Suivez son regard. Il n'y a qu'une femme pour dire des horreurs pareilles et Cristina le sait si bien qu'elle s'est entourée d'une véritable garde prétorienne féminine.

On les appelle les "chicas K", K comme Kirchner bien sûr, ou encore les "Cristinas". Le quotidien La Nación décrit une bande de copines avocates, députées, sénatrices, toutes ferventes admiratrices de la candidate et toutes solidaires pour la défendre contre les attaques phallocrates. Il suffit qu'un éditorialiste évoque, par exemple, l'autoritarisme de la candidate pour que les "Cristinas" contre-attaquent : il y a celle qui va expliquer dans un talk-show que Cristina est une mère aimante et attentionnée et celle qui écrit une lettre ouverte pour dénoncer le machisme ambiant.

C'est très efficace, conclut La Nación, parce que la candidate, elle, continue de faire campagne comme si de rien n'était, laissant à d'autres le soin de la défendre. D'autres femmes, ici ou ailleurs pourraient bien en prendre de la graine…
Anthony Bellanger

El ADN de Cristina Kirchner para la economía que viene

Fausto Spotorno, economista jefe de la consultora Orlando Ferreres y Asociados; Abraham Gak, autor y director del Plan Fénix; y Aldo Ferrer, ex Ministro de Economía, analizan cuáles serán las prioridades de la Primera Dama si logra suceder a su marido en el poder. Un tema de crucial importancia para los empresarios, los sindicatos, y la ciudadanía que, sobre todo, mira con especial preocupación la escalada inflacionaria. Salarios, inversión, crecimiento económico, relación con la industria y el campo, tarifas, FMI, prioridades sociales y servicios públicos en la mira de los especialistas, a días del 28 de octubre.

Por Pablo Dorfman | pdorfman@claringlobal.com.ar
El modelo económico de un potencial Gobierno de la senadora, Cristina Fernández, es una incógnita en cuanto a las políticas que adoptará. Aunque el antecedente inmediato serían los cuatro años de gestión del primer mandatario, la Primera Dama no da señales claras y lo que reinan son, especulaciones y conjeturas producto de interpretaciones libres de las palabras que la senadora desliza en sus actos proselitistas.

iEco le propuso a Fausto Spotorno, economista jefe de la consultora Orlando Ferreres y Asociados; Abraham Gak, autor y director del Plan Fénix; y Aldo Ferrer, ex Ministro de Economía, que desglosen el ADN económico de la Primera Dama en los temas más espinosos de cara al futuro inmediato. Inflación, salarios, inversión, crecimiento económico, relación con la industria y el campo, tarifas, FMI, prioridades sociales y servicios públicos en la mira de los tres economistas, a diez días de los comicios presidenciales y a menos de dos meses de la asunción del nuevo presidente.

Fausto Spotorno

Inflación: No es el tema que más le preocupa a la Cristina Kirchner. Ni tampoco se sabe como atacará este problema. Posiblemente, el Pacto Social sea uno de las herramientas que utilice, aunque aún no quedó claro su alcance.

Salarios: Tema clave. Es posible que la economía no se recaliente aún más, pero aún con fuerte crecimiento, el Gobierno apelará a un cuidado equilibrio fiscal. El Pacto Social también jugará en este terreno un peso importante.

Inversión: Este debería ser un tema central. Es el único camino que nos permitiría crecer sostenidamente y bajar la inflación.

Relación con el campo y la industria: Con el campo será complicado, más teniendo en cuenta que se esperan nuevas retenciones, sumado a que se mantendrán las que ya existen. Con la industria hay una alianza fuerte, aunque los niveles de inversión y los acuerdos salariales jugarán un peso importante.

Tarifas: Habrá aumentos indefectiblemente. Los incrementos no serán considerables, no creo que las empresas lo requieran. Será mucho más importante poner un marco regulatoria más estable para que las empresas inviertan a largo plazo.

FMI: No existe en los planes del próximo Gobierno una relación con el organismo, salvo para alcanzar un acuerdo con el Club de Paris.

Prioridades Sociales: Resolver la pobreza y la indigencia. El desempleo bajó mucho, el desafío será consolidar la tasa por debajo de los 10 puntos.

Abraham Gak

Inflación: Contenerla será una prioridad del próximo Gobierno, evitando recetas ortodoxas como subir la tasa de interés o reducir fuertemente el gasto público

Salarios: Seguir incrementando los sueldos y tratar de tener subas acordes con una inflación equilibrada. También, normalizar el personal que esta dentro de la estructura estatal.

Inversión: Seguir manteniendo la inversión en base a un fuerte ahorro interno. Analizar una reforma tributaria para fomentarla.

Crecimiento económico: Crecer todo lo que se pueda, y la verdad es que en este contexto, se puede.

Relación con el campo y la industria: El campo deberá entender que no son donantes gratuitos. Con la industria, seguirá una alianza fuerte, aunque habrá que pensar ahora en una re-industrialización focalizada en algunos sectores con énfasis en las tecnologías.

Tarifas: Deberán ir acompañando la realidad. La rentabilidad de las empresas sigue siendo muy alta. Eso sí, habrá que revisar algunos subsidios para dejar de premiar a los que no lo merecen.

Prioridades sociales: Mejorar la distribución del ingreso. Se esta perdiendo un tiempo importante. Con este crecimiento, se puede apelar a otorgar una mejora en los bienes públicos o bien aplicar una reforma tributaria.

FMI: Cuanto más lejos, mejor. Así de fácil.

Re-estatizaciones: No hay que poner esto como una cuestión de principios. El Estado productor no existe más, pero sigue teniendo obligaciones sobre algunos temas puntuales. Pienso que deberá intervenir con fuerza en minería y energías renovables.

Aldo Ferrer:

Inflación: Habrá que mantener el equilibrio macro económico y utilizar los ingresos como una variable para su contención. El Pacto Social será un instrumento importante, pero se debe sostener en el marco de una solidez económica.

Crecimiento económico: Todo indica que seguirá en el orden del 7 al 8 por ciento anual. Esta tasas es sostenible y el Gobierno no la bajará mientras pueda.

Inversión: Es uno de los grandes desafíos. Atraer la inversión y aprovechar el contexto para consolidar una ingeniería de ahorro interno con el fin de alentar la inversión pública y privada.

Relación con el campo y la industria: Debe existir una convergencia entre ambos sectores. La falsa antinomia entre uno y otro se fue diluyendo con el tiempo, y ya es una falsa premisa.

Tarifas. No se advertirán aumentos importantes. En todo caso, los incrementos serán guiados por los niveles de inflación, cuya tasa debe ser moderada.

FMI: El Fondo pasó a la historia, para la Argentina y para el resto del mundo. Su influencia es cada vez menor, y las recientes declaraciones de su titular sobre nuestro país demuestran que aún no han entendido nada.

Prioridades Sociales: Lograr mayor empleo y seguir con este crecimiento formidable. Luego, vendrán el resto de las materias, como las mejoras en seguridad, salud y educación.

Re-estatizaciones: No creo que sea de mayor importancia ampliar el control del Estado sobre los servicios públicos. Lo central será consolidar los marcos regulatorios, para que se garantice un buen servicio con tarifas adecuadas.

Fonte iEco de Clarín