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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Lula defende a aliança com Chávez no lançamento do Banco do Sul

Kirchner, Morales, Lula e Chavez

Janaína Figueiredo
Correspondente

O Globo

Na posse da presidente eleita Cristina Fernández de Kirchner, os governos de Argentina, Brasil, Venezuela, Bolívia, Equador e Paraguai assinaram ontem, no último ato da gestão Néstor Kirchner, a ata de fundação do Banco do Sul, nova instituição financeira regional que competirá com BNDES, Banco Mundial (Bird) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), entre outros. Entusiasmado com o projeto, o presidente Lula aproveitou para defender a aliança entre os países da região e, sobretudo, a parceria do Brasil com os demais governos sulamericanos, com destaque para Argentina e Venezuela.

— Depois da eleição de Kirchner construímos um dos melhores momentos da história do relacionamento entre Argentina e Brasil. Nosso relacionamento com a Venezuela hoje é sólido, muito forte e muito favorável ao Brasil, temos de diminuir essa distância — declarou Lula.

Ele afirmou que “somente forte, unida e integrada a América do Sul poderá ocupar o lugar que lhe cabe no concerto das nações e principalmente criar condições para o desenvolvimento pleno de nossos povos”.

— O Banco do Sul será fundamental para viabilizar as iniciativas que necessitamos para integrar nossa região — assegurou Lula.

Os sócios do Brasil no projeto aproveitaram a assinatura do acordo para reforçar seu “perfil antiimperialista” e criticar organismos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

— Até que enfim a América do Sul vai começar a se liberar da dependência financeira — declarou o presidente equatoriano, Rafael Correa.

Chávez: repatriar dinheiro nos “bancos do Norte” Em sintonia com seu colega equatoriano, o presidente da Venezuela disse que o Banco do Sul é “uma estratégia para a independência”. Para Hugo Chávez, falta repatriar “o dinheiro dos nossos povos”, que está “nos bancos do Norte”: — Mais de US$ 500 bilhões nossos estão colocados em bancos dos EUA e Europa, onde pagam juros muito altos.

Usando frases de Bolívar, Perón e San Martín, Chávez afirmou que “somente unidos poderemos ser verdadeiramente livres e independentes”. O presidente venezuelano manifestou sua satisfação pelo bom momento que, disse Chávez, vivem os países da região e se referiu especificamente ao Brasil.

— O Brasil tem agora (em reservas internacionais) cerca de US$ 200 bilhões, o Lula tem muito agora e ainda conseguiu uma reserva de petróleo, o sheik do Amazonas — brincou o presidente venezuelano, que considerou que os países da região estão protagonizando uma “guerra política, econômica e ideológica”, contra seus inimigos internacionais.

Já o presidente boliviano, Evo Morales, disse que o Banco do Sul chegou em momentos “em que temos democracias submetidas a seus povos e não ao império”. Após os discursos dos presidentes, Cristina agradeceu o apoio de todos e, sobretudo, de Chávez: — Não é pouca coisa encontrar alguém como o senhor, que resgata as melhores tradições de lutas e emancipação nacional. Ao senhor meu agradecimento por todo o apoio dado aos argentinos.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, assegurou que o Banco do Sul vai funcionar dentro dos princípios da governança dos bancos multilaterais.

Será “um banco autosuficiente, que tem que dar lucro, não poderá funcionar a base de subsídios e não será direcionado a projetos que não sejam rentáveis e eficientes”.

Segundo o ministro, o capital inicial do banco ainda não foi fixado, mas, pelas informações extra-oficiais, poderia alcançar US$ 7 bilhões. A Venezuela entraria com cerca de US$ 3 bilhões, bem acima do que pretenderia injetar inicialmente o Brasil.

Sobre as negociações preliminares, o ministro comentou: — Estabelecemos os objetivos do banco e a partir da ata de fundação, passaremos a elaborar o estatuto (o que vai durar 60 dias).

Um dos aspectos do estatuto que provocou polêmica foi a origem dos recursos para formar o capital inicial. A Venezuela propôs o uso das reservas nacionais, idéia que não teve apoio do Brasil.

— Os recursos não saem das reservas, serão usados recursos do Orçamento federal.

Uma vez constituído o banco, ele vai captar no mercado. Se a Venezuela, por exemplo, quiser colocar as reservas, aplicar nos títulos do Banco do Sul, poderá fazê-lo — esclareceu Mantega.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Quem é a mulher que vai governar o principal parceiro do Brasil?

Janes Rocha
Valor

AP
Forte, decidida, detalhista, arrogante, vaidosa: Cristina terá o desafio de mostrar que não é só a mulher de Kirchner


"Vocês estão loucos". Essa foi a reação de Cristina Kirchner quando, há exatos 20 anos, numa reunião informal na cidade de Río Gallegos, amigos e até hoje aliados políticos sugeriram que ela se candidatasse a deputada estadual em Buenos Aires, ampliando seu horizonte político para além da gelada província de Santa Cruz, no extremo sul da Argentina. Mas ela aceitou o desafio. E, nesta segunda-feira, após uma bem sucedida carreira como deputada por Santa Cruz, por Buenos Aires e senadora, a advogada Cristina Elizabet Férnandez de Kirchner, 54 anos, assume a Presidência da Argentina.

Ela ganhou a eleição de 28 de outubro com 8,5 milhões de votos (45% do total), 22 pontos percentuais à frente da outra advogada que disputava o cargo, Elisa Carrió. Será a primeira mulher eleita pelo voto direto a governar o país. E oitavo presidente desde a volta da democracia, em 1989.


Natural da cidade de La Plata, capital da província de Buenos Aires, Cristina é militante política desde os 18 anos, quando entrou na Faculdade de Direito da Universidade de La Plata. Ganhou sua primeira eleição em 1989, em Río Gallegos, para deputada provincial (estadual), quando seu marido, o atual presidente, Néstor Kirchner, já era intendente (prefeito) da cidade havia dois anos. Chegou ao Congresso Nacional em 1995, como senadora.


A mulher que vai governar o principal sócio do Brasil no Mercosul é definida como forte, decidida, de certa forma arrogante. Um testemunho revelador sobre a personalidade de Cristina foi dado pelo advogado Tito Plaza à jornalista e escritora Olga Wornat, autora da biografia "Reina Cristina" (Editora Planeta, 2005). Tito, que foi assessor de Cristina em 1997, durante seu mandato no Senado, relatou: "Era muito difícil entabular uma conversa com ela sobre outro assunto que não fosse política. Ali estava toda a sua libido. Ela é arisca ao contato físico e a gestos de carinho, mesmo das pessoas que trabalham com ela. Mantém sempre distância, é seu estilo. (...) Ela explodia quando algo não saía como ela queria. (...) Quando ela chegava ao gabinete de mau humor, ouviam-se seus gritos e todo mundo batia em retirada. É atenciosa e respeitosa com os que considera seus pares, com os que respeita intelectualmente, não com os medíocres nem os que considera menores que ela". Plaza frisa que ela nunca o tratou mal, "pelo contrário".


A jornalista Carolina Barros, do jornal "Ambito Financiero", testemunhou uma cena que também ajuda a compor o personagem. Quando trabalhava para uma revista de análise política chamada "Avispa", nos anos 90, Carolina entrevistou a então senadora sobre o conflito de fronteira da Argentina com o Chile, conhecida como Gelos Continentais. "Impressionou-me o seu cuidado com detalhes estéticos." Segundo ela, a reportagem incluía fazer uma foto de Cristina no seu gabinete, e havia duas bandeiras, uma de Santa Cruz e outra da Argentina, em cantos separados da sala. Cristina queria porque queria que a foto a retratasse em meio às duas bandeiras, o que não era possível pela distância e pela imobilidade das bandeiras. "Poderíamos tentar, mas ela sairia distorcida. Ela insistiu tanto que tivemos que prometer a ela aplicar um 'photoshop' para que ela saísse bem e exatamente entre as duas bandeiras", disse Carolina.


Cristina é bonita, elegante e muito bem arrumada. Nunca aparece em público com agasalho, shorts ou roupas informais. Mas dizem que odeia comentários sobre sua aparência física. Ela acorda cedo, faz ginástica aeróbica e caminha pelos jardins da Residência Oficial de Olivos. Quem já participou de reuniões com ela, diz que ela toma só água mineral. A maquiagem é sagrada. "Sempre vou me pintar como uma porta", disse à biógrafa Wornat. E sua imagem pública confirma isso, embora ela tenha aliviado sensivelmente a quantidade de rímel este ano. Dizem no país que ela se atrasou para uma importante reunião do partido peronista em 2001, em plena crise pela qual o país passava, porque estava se maquiando.


O estilista argentino Marcelo Senra, que já vestiu a primeira-dama, garante que "ela sabe muito bem o que quer e do que gosta, não é nada compulsiva nem desesperada. É uma mulher elegante, urbana e real", descreveu Senra para a revista "LNR" no início deste ano.


Sobre a vida privada do casal, são poucas as testemunhas e menos ainda as que revelam detalhes. Em público, o casal, que tem dois filhos, não dá demonstrações de carinho e nem troca beijos. Só gestos de solidariedade e cumplicidade política. Também nunca fazem críticas públicas um ao outro.


Para sua biógrafa, Cristina disse que era difícil definir a relação dos dois, mas deu uma resposta muito coerente com o que ambos deixam transparecer: "Somos companheiros e esta palavra encerra toda uma definição de vida. Eu admiro muito Kirchner, por tudo. Desde que o conheço, faz trinta anos, ele nunca mudou, e amo isso. Pensamos igual e temos as mesmas convicções sobre a vida e a política como instrumento de mudança da sociedade. Antes queríamos mudar o mundo; hoje nos conformamos com algo mais humilde: mudar a Argentina. Discutimos muito e somos muito apaixonados nessas discussões. Nunca vou fazer algo que ele não esteja de acordo; se não estou convencida, posso passar dias discutindo. Kirchner é terrível, mas eu também sou...".


Eles sempre compartilharam o poder. Apesar de manter um perfil baixo no início do governo do marido, Cristina se instalou num gabinete a poucos metros do presidencial, um escritório com decoração sóbria, e dali trabalha, sempre participando das discussões sobre as grandes decisões com Néstor, que sempre leva em conta sua opinião. Por exemplo, foi ela que demoveu o marido de aceitar o cargo de chefe de gabinete de Eduardo Duhalde (presidente entre 2002 e 2003), de quem tinha uma péssima opinião: "É o poderoso chefão", dizia, comparando-o ao "capo" dos mafiosos do filme de Coppola.


Como senadora - cargo que deixou oficialmente na semana passada - Cristina foi presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais e membro da de Relações Exteriores. Mas ela raramente ia às reuniões das comissões. Na de Assuntos Constitucionais sua principal contribuição foi apresentar projetos para reduzir o número de juízes da Suprema Corte, introduzir o julgamento com jurados e sobre a participação do país na Corte Internacional de Justiça. Na de Assuntos Exteriores, não propôs nada que tivesse destaque.


No entanto, Cristina dá grande atenção à política externa, área na qual o governo de seu marido deixou a desejar. Este ano ela fez sua campanha à Presidência mais fora do país que dentro. Aproveitou bem a aproximação que já cultivava de seus tempos no Congresso com a comunidade judaica - ela presidiu a comissão de acompanhamento das investigações sobre o atentado à bomba à associação israelita Amia, em 1994. Isso lhe rendeu um apoio que agora está sendo crucial na reaproximação com o governo americano e com a comunidade financeira de Nova York, um passo importante para que a Argentina retome suas relações com o mercado financeiro, cortadas desde a moratória da dívida externa, em 2002.


Ao longo de 2007, Cristina visitou vários países, como Espanha, Franca, Estados Unidos, Venezuela, Equador México e Brasil, representando oficialmente seu país - ainda que como primeira-dama -, acompanhada pelo chanceler Jorge Taiana, que teve papel secundário nessas visitas.


Para os jornalistas, principalmente os estrangeiros, a vitória de Cristina Kirchner significa mais quatro anos de luta inglória. Nestor Kirchner tem uma péssima relação com a imprensa, a quem acusa de ser superficial e de haver perdido seu papel como interlocutor necessário junto ao público, uma noção da qual compartilham seus principais assessores de comunicação e seu porta-voz, Miguel Nuñez. Kirchner deu apenas uma entrevista exclusiva para os dois principais jornais argentinos, no ano passado. Este ano, já bem perto das eleições, falou em alguns programas de rádio. Em 2004, depois de muita insistência dos correspondentes brasileiros para que o presidente desse uma entrevista, no auge da "guerra das geladeiras" entre o Brasil e a Argentina, Nuñez se irritou e respondeu rispidamente: "Ele nunca vai falar com vocês", relata um dos jornalistas que presenciou o desabafo, feito em Puerto Iguazú, durante uma reunião de cúpula do Mercosul.


Dito e feito. Kirchner nunca falou com nenhum correspondente estrangeiro, muito menos com os brasileiros. Como fez até agora Cristina, que já foi solicitada por todos os correspondentes internacionais a dar entrevistas e sequer responde aos pedidos. Nem sempre foi assim. Enquanto estava em campanha, Kirchner falava bem com todos, e também seus principais assessores. Quando assumiram o poder, as portas se fecharam. Kirchner não fala e não admite que seus ministros e funcionários de alto escalão dêem declarações à imprensa.


A origem dessa má relação pode ser encontrada - embora não explicada - em um episódio relatado por Olga Wornat no livro "Rainha Cristina". Logo que assumiu o cargo de presidente, Kirchner sofreu uma grave hemorragia gástrica, foi parar no hospital e corria risco de vida. Acreditando ser a saúde de seu marido um assunto privado, Cristina proibiu que se divulgasse qualquer informação sobre o problema. Resultado: o país foi tomado por boatos, os mais disparatados, de que ele tinha câncer, que estava morto, que estava vivo mas ficaria carregando uma bolsinha de plástico atada ao corpo pelo resto da vida etc.


A sua biógrafa, Cristina disse que não falou com a imprensa sobre o problema de Néstor "porque não tinha vontade" e que antes de ser presidente ele era seu marido. Disse que ficou enojada com os jornalistas e fotógrafos que faziam plantão na porta do hospital e tentavam de todas as maneiras entrar para vê-lo em seu quarto. "Pareciam corvos", disse Cristina, proibindo completamente o acesso e dizendo que, para conseguir o que queriam, teriam que passar antes sobre o seu cadáver.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Economic Balancing Act for Argentina’s Next Leader

Marcos Brindicci/Reuters

Cristina Fernández de Kirchner with her husband, Néstor, on Tuesday.


By ALEXEI BARRIONUEVO

The New York Times

BUENOS AIRES, Oct. 31 — The landslide victory of Cristina Fernández de Kirchner, the wife of Néstor Kirchner, Argentina’s current president, seemed to signal that the Peronist party was back and stronger than ever. But the way she won the presidency and the economic challenges she faces will prove a stiff test of her abilities to keep the couple in power.

Mrs. Kirchner, 54, won on Sunday with 45 percent of the vote, becoming Argentina’s first woman to be elected president and cementing the Kirchners as a political dynasty.

Her closest challenger, the center-left Congresswoman Elisa Carrió, garnered 23 percent. But an analysis of the vote shows that the president-elect won in only two major urban centers — Mendoza and San Miguel de Tucumán — drawing most of her support from the provinces where the lower classes voted with nationalistic fervor to continue Mr. Kirchner’s economic policies, which managed to pull Argentina out of its 2001 economic crisis, considered by many economists to be the country’s worst ever.

The aging Peronist party that carried her to victory has gone through so much change in the past decade that it is in “bad need of some vitamins,” said Graciela Römer, a political analyst here.

Mrs. Kirchner inherits double-digit inflation and a lurking energy crisis, two issues that will be difficult to address without alienating the poor classes that are the most vulnerable to economic shocks.

But her ultimate success in building her party’s base and shoring up the Peronists’ grip on power could depend on her ability to respond to the demands of the middle class, which has been critical of the authoritarian tendencies of the Kirchner government. Mrs. Kirchner failed to win in Buenos Aires, Córdoba and Rosario — three cities with substantial middle-class populations.

“She will have to continue with the economic policies of Kirchner but put a stop to the concentration of power,” Ms. Römer said, “and look to build more dialogue and consensus.”

Peronism, a populist and nationalistic movement that sprang out of the rule of Gen. Juan Domingo Perón, the former president, has in recent years become three parties in one, with Mr. Kirchner leading the center-left strain with more pragmatic tendencies. But his mandate was tenuous in 2003, when he mustered only 22 percent of the vote on the first ballot. Former President Carlos Menem, another Peronist who espoused a neoliberal model, dropped out of contention, making a runoff unnecessary.

Even with Mrs. Kirchner’s large margin of victory, the government’s ability to maneuver could be more limited than before, analysts said this week. The new president is likely to inherit her husband’s falling approval rating, as voters make little distinction between her and Mr. Kirchner, Daniel Kerner, an analyst with Eurasia Group, said this week.

And the government will have its hands full taming rising consumer prices. Mrs. Kirchner has insisted that official government figures showing inflation between 8 percent and 10 percent have not been manipulated, but economists both here and abroad have said otherwise for months, pegging the inflation rate at closer to 20 percent.

The government intends to lower inflation through a “social pact” between the private sector and unions that would keep a lid on prices and wage-increase demands, and through a gradual fiscal adjustment. But measures that could slow growth or constrain consumption will be politically unfeasible, Mr. Kerner said, as they will undermine the government’s base of support.

An advantage Mrs. Kirchner has, however, is the fractured state of Argentina’s opposition. Julio Burdman, a political analyst here, called the opposition’s organization the weakest in Argentine history. Opposition parties briefly rallied to protest missing ballots on election night, a charge that Mrs. Kirchner said should be investigated.

Mrs. Kirchner is expected to have a strong ally to help plug the holes in the Peronist party apparatus — her husband. Mr. Kirchner said in interviews last week that he would dedicate himself after the election to “constructing social organizations,” a signal some analysts took to mean that he plans to shore up the party.

If he is successful, that might be just enough time for him to make a run at replacing his wife as president, rather than her risking lame-duck status. Some analysts believe Mr. Kirchner had just such a plan in mind when he decided in July not to run for re-election, despite his popularity at the time, and instead pushed his wife’s candidacy in a sort of merry-go-round presidency.

The Kirchners have been coy about their political strategy. Mr. Kirchner said publicly on Tuesday that he would “take off for a literary cafe.” In an interview with CNN in Spanish on Tuesday, Mrs. Kirchner seemed to scoff at the idea of an alternating succession.

“Kirchner 2011 is like ‘2001: A Space Odyssey,’ ” she said. “It is a fictional movie.”

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Cristina Kirchner: 'Um país como a Alemanha'



O GLOBO ENTREVISTA CRISTINA KIRCHNER

BUENOS AIRES.

Cristina Kirchner confessou, em sua primeira entrevista após ser eleita presidente, que sonha em transformar a Argentina num modelo de país exportador como a Alemanha, que gere uma economia mais competitiva, e disse que, nessa próxima etapa, com ela no poder, será fundamental a relação do país com o mundo. Numa entrevista a Joaquín Morales Solá, transmitida anteontem à noite no programa “Desde”, do canal Todo Noticias, a presidente eleita afirmou que o combate à insegurança se faz com um modelo econômico que gere empregos e antecipou que sua primeira medida será “o combate à pobreza”.

Joaquín Morales Solá Para La Nación - O GLOBO: Quais serão as principais medidas de seu governo?

CRISTINA KIRCHNER: Combate à pobreza. Aprofundar o combate ao desemprego, educação, saúde e todas as questões que têm a ver com melhorar a qualidade de vida dos cidadãos e nos dar maior competitividade.

Os países mais competitivos têm sistemas de saúde e educação, um regime de produção social que pode dar conta da qualidade competitiva.

É isso o que falta à Argentina.

 Com qual país gostaria que a Argentina se parecesse? CRISTINA: Isso é antipático porque podemos ser muito bons se nos parecemos conosco mesmo. Temos um país com altíssimo nível de recursos humanos. Gostaria que fôssemos um país exportador como a Alemanha, com altíssimo grau de tecnologia, que é o que distingue. Creio que devemos fazer grandes coisas, sobretudo em agricultura e informática.

Estamos fazendo.

Qual será a sua política contra a inflação?

CRISTINA: Primeiro seria caracterizar exatamente o problema. Se acreditarmos que estamos diante da hiperinflação, estaremos errados. Houve uma supervalorização do tema, própria de um período eleitoral. Em matéria de inflação, estamos entre os 7% e 11% previstos para este ano no orçamento. O Fundo Monetário Internacional prevê 12,6%. Se há na oposição quem diga que estamos em 25%, isso não é sério. De qualquer forma, o governo enviou uma delegação aos Estados Unidos. Ninguém porá em dúvida a metodologia da primeira economia do mundo.

Já pensou na política de segurança? A capital terá sua polícia?

CRISTINA: O presidente, numa reunião com o governador eleito, Mauricio Macri, acertou que haverá uma lei para que a cidade de Buenos Aires tenha a sua polícia.

Os recursos não dependem do presidente.

Eu não concebo a segurança como um plano sem ter a ver com o modelo econômico vigente.

Planejar um projeto de segurança com um modelo econômico que tenha taxa de desemprego de dois dígitos é impossível.

Que avaliação faz da eleição?

CRISTINA: Esses 45% são muito importantes.

Foram um reconhecimento, mas não a mim. Creio que foram um reconhecimento à gestão do presidente Kirchner. Tampouco me sinto longe. Fui parte do projeto, mas ele foi a nau-capitânea.

A senhora ficou decepcionada com o voto dos centros urbanos?

CRISTINA: Creio que um centro urbano, por excelência, é Mendoza. É uma cidade com classe média muito forte. Ganhamos lá com vantagem.

Há classe média também em Gran Tucumán, onde vencemos, e em toda a área que circunda a capital.

Como será a sua relação com a imprensa?

CRISTINA: Se voltar a ser meio de comunicação e não de oposição, será perfeita.

E quais devem ser os países amigos?

CRISTINA: Todos. Não quero que tenhamos inimigos. Amigos íntimos? Temos que priorizar nosso lugar na América Latina, ampliar o Mercosul e o tema energia. A equação energética da América Latina é fundamental.

Que papel terá o presidente?

CRISTINA: É um animal político, que ama profundamente a política, seu país, e tem um grande compromisso com a Argentina. Sempre quis ser o melhor. O melhor advogado, o melhor governador. Está em sua natureza. Se entra numa corrida, quer ganhar. Eu também. É uma atitude diante da vida.

O LA NACION pertence ao Grupo de Diarios América (GDA)

domingo, 28 de outubro de 2007

Outra vez orgulhosos, argentinos votam para consagrar Kirchners

Cristina Fernandez de Kirchner votou em Rio Gallegos
Gratos por recuperação econômica, eleitores do interior e das classes mais baixas deve eleger Cristina presidente

Ariel Palacios e Roberto Lameirinhas, BUENOS AIRES

Os argentinos vão hoje às urnas para - a confirmar-se a quase totalidade das pesquisas - assegurar a continuidade do governo do presidente Néstor Kirchner. Desta vez, por intermédio da mulher dele, a senadora Cristina Fernández de Kirchner.

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Embalado principalmente pelo apoio do interior - onde programas assistenciais do governo ajudaram a recuperar a economia após os anos de aperto fiscal de Carlos Menem e Fernando de la Rúa -, o casal Kirchner resistiu às denúncias de corrupção e à escalada da inflação. Assim, Cristina deve obter entre 41% e 49% dos votos. Pela legislação argentina, ela precisa de pelo menos 40% para vencer já no primeiro turno, caso tenha uma vantagem de mais de 10 pontos porcentuais sobre o segundo colocado.

A segunda no páreo é a centro-esquerdista Elisa Carrió, candidata da Coalizão Cívica, que tem entre 16% e quase 22% das intenções de voto. Nos últimos dias, Carrió apelou aos indecisos (que na semana passada oscilavam entre 7% e 18%) para dar uma virada e levar o governo a um segundo turno. Nunca na história argentina duas mulheres lideraram as pesquisas presidenciais.

Ao Estado, Elisa disse que ainda mantém esperança de que Cristina não chegue aos 40%. 'As pesquisas mostram que a maioria da população, mais de 50%, quer a vitória da oposição', afirmou. 'Ela é Golias, eu sou Davi.'

Vinte e sete milhões de argentinos estão inscritos para a eleição de hoje, que definirão também o vice-presidente, a metade dos ocupantes da Câmara dos Deputados, um terço dos senadores e 8 dos 23 governadores provinciais, além de centenas de deputados locais e intendentes (prefeitos). Os candidatos kirchneristas são favoritos em praticamente todas essas disputas.

Kirchner assumiu a presidência em 2003, quando 57% dos argentinos viviam mergulhados na faixa de pobreza. Depois de declarar a suspensão unilateral do pagamento de parcelas da dívida externa, vender títulos da dívida para a Venezuela de Hugo Chávez, promover a retomada do crescimento do país e investir pesado nos programas sociais destinados à população mais pobre, Kirchner conseguiu reduzir o índice de pobreza para 27%, em 2006. Durante seu mandato, o país tem crescido em média 8% por ano. Em 2002, o salário mensal médio dos 10% mais pobres era de 109 pesos (US$ 34); hoje é de 337 (pouco mais de US$ 110).

A oposição contesta alguns números, como o da inflação. Oficialmente, o índice acumulado neste ano até setembro é de 9%. Mas consultorias privadas estimam a inflação real em torno de 20%. Independentemente da controvérsia, os resultados econômicos garantem a popularidade do presidente.

Segundo as pesquisas, Cristina tem vantagem esmagadora no interior do país e nas classes baixa, média-baixa e média - esta última, recuperada da ruína da crise de 2001-2002. O país, que contava com 14 moedas paralelas emitidas pelas províncias, sem lastro nenhum, atualmente utiliza somente a moeda federal, o peso.

APATIA

A apatia marcou a campanha eleitoral - que na Argentina é feita com poucos comícios, publicidade paga na TV e nenhum debate entre candidatos. Uma pesquisa da consultoria Delfos indica que a abstenção pode ser de até 30%.

Esse seria o nível mais baixo de participação desde o retorno da democracia, em 1983. Naquele ano, 86% dos eleitores votaram. Na eleição passada, em 2003, votaram 78% dos eleitores.

Os analistas afirmam que a falta de interesse se deve à pouca diferença de propostas entre Cristina e os candidatos da oposição. Os opositores estão de acordo com os principais pontos da política econômica e apenas sugerem 'correções' no rumo.

A campanha kirchnerista usa a imagem de Cristina e o slogan 'sabemos o que falta e sabemos como fazer'. Nos táxis, bares e barbearias de Buenos Aires - tradicionais locais de discussões políticas -, o humor ácido dos portenhos não resiste à pergunta: 'Se ela sabe, por que não contou para o marido?'

A verdade é que a auto-estima dos argentinos renasceu. Kirchner, com esperteza, explorou esse fator na reta final da campanha.

O analista Carlos Fara indica que Kirchner é favorecido pela mudança do ânimo dos argentinos em relação ao país e suas vidas pessoais. Kirchner também se aproveitou do cenário de uma oposição fragmentada, sem estímulo e imersa em lutas de egos entre seus líderes (ler mais na pág. 19).

O sociólogo Artemio López, diretor da consultoria de opinião pública Equis, destaca que Kirchner foi eleito em 2003 com 22% dos votos. Em 2005, na eleição parlamentar de meio de mandato, os candidatos kirchneristas obtiveram 39% do total de votos do país. López afirma que uma eventual votação de mais de 40% indicaria que os Kirchners estão aumentando e consolidando gradualmente um eleitorado fiel.

DENÚNCIAS

Diversas ONGs denunciaram sexta-feira a presença de nomes de pessoas mortas em listas de eleitores em todo o país. Entre elas, desaparecidos da ditadura (1976-83), além de soldados mortos em combate na Guerra das Malvinas (1982).


GLOSSÁRIO DAS URNAS

El Pingüino:
O Pingüim, apelido de Kirchner em alusão a sua região natal, a Patagônia

La Pingüina: Apelido de Cristina Kirchner

Rainha Cristina: Outro apelido da primeira-dama, pela pose considerada arrogante e tom autoritário

'Es too much': Expressão em 'spanglish' usada por Cristina para 'ah, não, isso é demais!'

Inferno e Purgatório: Metáfora referente à 'Divina Comédia', de Dante, normalmente utilizada por Kirchner. Segundo ele, a Argentina está saindo do 'Inferno' da crise e aproxima-se do 'Purgatório'

La Gorda: Apelido de Elisa Carrió, líder da centro-esquerdista Coalizão Cívica

El Pálido: Apelido do ex-ministro Roberto Lavagna, líder do partido Uma Nação Avançada

El Sillón de Rivadavia: A poltrona de Rivadavia, denominação da cadeira presidencial. É sinônimo de 'Presidência da República'. O nome remete a Bernardino Rivadavia, primeiro presidente argentino

Casa Rosada: Nome da sede do governo, que a partir de 1860 começou a ser pintada de cor-de-rosa. Segundo uma versão, a cor era o resultado do branco e do vermelho, que representavam as duas facções da guerra civil que se seguiu à independência. Outra versão diz que o rosa resultou da mistura de sangue de boi e cal, forma barata de pintar o prédio. A terceira diz que, na época, o rosa era a cor da moda na arquitetura

Radicais-K: Integrantes da União Cívica Radical, rival histórica do peronismo, que se alinharam a Kirchner - como o vice de Cristina, Julio Cobos

Coima: Suborno preparado, organizado


PESQUISA

46,7%

dos eleitores devem votar em Cristina Kirchner, segundo pesquisa do instituto
Poliarquia

21,8%
do eleitorado devem apoiar Elisa Carrió

14,3%
dos eleitores devem optar por Roberto Lavagna

domingo, 21 de outubro de 2007

Argentina y Brasil sumaron fuerzas para reclamar cambios en el Fondo

Obtuvieron que el estratégico Comité Financiero aceptara repartir un 10% adicional de cuotas. Será entre los países que hoy tienen menos votos que el que les correspondería por el tamaño actual de sus economías.

MESA. EL PRESIDENTE DE LA RESERVA FEDERAL DE EE.UU., BEN BERNANKE, Y EL MINISTRO MIGUEL PEIRANO, EN WASHINGTON.

La Argentina y Brasil ayer unieron fuerzas en la Asamblea del FMI para presionar por un objetivo común: acelerar las reformas que se necesitan para dar mayor participación a los países en desarrollo. Y obtuvieron algunos avances concretos, como el compromiso que asumió el estratégico Comité Financiero de distribuir un 10% adicional de cuota entre países que tienen una representación inferior a la que les correspondería por el tamaño actual de su economía.

El planteo incluyó la amenaza directa de los brasileños de impulsar la creación de una suerte de FMI regional, independiente de Washington. Fue hecha por el ministro de Economía, Guido Mantega, en la sesión inaugural del Comité que debe definir la estrategia del Fondo. La postura en favor de apurar los cambios en el reparto de poder interno fue ratificada por el ministro Miguel Peirano, en igual ámbito.

Peirano no habló sólo por la Argentina. Lo hizo como representante de los países del Grupo de los 24, donde también militan otras naciones latinoamericanas, asiáticas y africanas. "Queremos que el Fondo ejerza su función de supervisión de las economías en forma imparcial y pareja", sostuvo el ministro, en alusión a supuestos privilegios que gozan los países ricos a la hora de adoptar medidas monetarias y fiscales que no atienden el interés de la comunidad internacional.

Mantega apuntó en la misma dirección en su ponencia: "Es irónico -dijo- que los países que eran la referencia de buena gestión y conducta, son los mismos que enfrentan una fragilidad financiera que pone en peligro la prosperidad mundial".

En ese punto, el brasileño sostuvo que "los países en desarrollo tomarán su propio rumbo en caso de que se perciba que la reforma no se hará o que será apenas un simulacro". La frase remitió de inmediato a la experiencia del Banco del Sur, que no pasó desapercibida en Washington. En la delegación argentina que acompaña a Peirano admiten que, más allá de los problemas que enfrenta su creación, el lanzamiento de esta entidad sirvió para alertar a los países centrales sobre los riesgos de seguir marginando a América latina.

En el FMI están sensibilizados por estas expresiones de rebeldía. Además está fresco el intento de los países asiáticos de formar un organismo propio. La llegada de Dominique Strauss-Kahn a la conducción del Fondo a partir de noviembre, abrió expectativas de cambio y frenó el éxodo. Peirano y el presidente del Banco Central, Martín Redrado, se reunirán esta tarde con Strauss-Kahn para seguir analizando las reformas.

Uno de los pedidos que llevarán a ese encuentro, además de un reparto más equitativo del poder de decisión, es que se acelere la aprobación de una nueva línea de crédito automática para que los países puedan usarla en caso de crisis, pero que no esté llena de condicionalidades imposibles de cumplir. Y también explorarán las posibilidades técnicas que existen para que el FMI pueda avalar la marcha de la economía argentina con un acuerdo no tradicional. Esto le permitirá a la Argentina avanzar en la negociación con el Club de París por la deuda de US$ 6.200 millones.


Coincidencia con los EE.UU.

El secretario del Tesoro de EE.UU., Henry Paulson, y el ministro Miguel Peirano encontraron un motivo de coincidencia en medio de las miradas divergentes sobre la reforma del FMI: la agresiva política comercial de China, basada en un tipo de cambio sobrevaluado y un mercado muy protegido. Fue en una reunión en la cual también participaron los ministros de Chile, México, Perú, Uruguay y Colombia. Peirano señaló que para neutralizar este fenómeno "la Argentina tiene una estrategia de desarrollo que privilegia a sectores con mayor valor agregado, con innovación tecnológica y capacidad de creación de empleo".

sábado, 20 de outubro de 2007

Argentina: Una pregunta que viene: ¿los ajustes de tarifas entrarán en el pacto social?

Cinco asociaciones locales, con apoyo del exterior, hicieron una presentación.

Ya está dibujado, en el horizonte cercano, un aumento en las tarifas: concretamente, en las domiciliarias de luz. El interrogante que sigue es casi inevitable: ¿decisiones así serán contempladas en un pacto social como el que proyecta Cristina Kirchner? Más que probable, alguien preguntará por eso.

Tal como informó Clarín, la Secretaría de Energía acaba de reconocerle a Edenor una suba de 9,63% en sus costos, que será cubierta a través de un "auxilio financiero" proveniente del PUREE, el sistema que multa los consumos excesivos de electricidad. El punto es que la misma resolución contempla el traslado ulterior al "respectivo cuadro tarifario" de la distribuidora. La fecha prevista es febrero de 2008.

Trascartón, en el sector celebraron la medida como una "buena señal del Gobierno". Más que eso: dan por sobreentendido que aquello que se le acepta a Edenor también se les reconocerá a Edesur y a Edelap, o sea, que se estaría ante la salida del actual congelamiento.

Hasta donde se sabe, la concertación que imagina la candidata oficial no incluye a los partidos políticos: se limitaría al Estado, las organizaciones empresarias y la CGT. En cualquier caso, en la parte que le toca al Estado están las tarifas públicas, aunque tan sólo sea porque pegan sobre los salarios.

Lo llamativo, en simultáneo, es el monto que el Presupuesto 2008 asigna al sostenimiento del sistema energético. Bajo la oscura denominación "Acciones de sustentabilidad del suministro de energía eléctrica", hay previstos $ 4.526 millones: traducido, es la plata que se consumirá en importaciones de gas, electricidad y combustibles o, redondamente, en subsidios.

Pero no sería toda. Algunos cálculos oficiales elevan la factura hasta $ 8.500 millones, para todo el año que viene. Por si no fuera notorio ya, estos números muestran un panorama cada vez más apretado. Y revelan que este invierno hubo cortes a las industrias, con una previsible mayor demanda seguramente los habrá el que viene. En 2007, el gasto en subsidios dobló al presupuestado.

Vuelta al comienzo. Si efectivamente está pensado subir las tarifas, lo que sigue es un delicado equilibrio entre los ajustes y la inflación. Es que cualquiera sea ésta de verdad, viene pisada por los congelamientos dispuestos tras la devaluación. Pisada en la Capital y GBA, porque, sin subsidios, en otros lugares del país el boleto cuesta bastante más caro. Y la luz arriba del doble, en provincias como Córdoba y Santa Fe.

Por la parte que le toca también directamente al Estado, hay quienes creen que entre las variables del pacto social debería incluirse el tipo de cambio. Dicho de otro modo, un horizonte para la cotización del dólar. Tanto porque se trata de una pieza clave del modelo económico y una variable de peso en las decisiones empresarias, como porque resulta un factor de presión sobre los precios. Aun así, tal vez sea mucho pedir que el futuro Gobierno muestre tantas cartas.

Faltos por completo de precisiones -no hay ni siquiera borradores confiables sobre qué contendrá la concertación-, la mayor apuesta de los directivos es que el pacto sea útil para contener las demandas salariales. Omar Maturano, jefe de los ferroviarios de La Fraternidad y aliado de Hugo Moyano, ha dicho que la CGT planteará 20%: parece más un posicionamiento anticipado que un reclamo real.

Operación mediática preelectoral, intento por mostrar que la inflación también figura en la agenda oficial -aunque se la niegue-, el Gobierno acaba de empujar sendos acuerdos para bajar los precios y las tasas de interés. Suenan a muy limitados, a instrumentos de campaña: por eso, tal vez resulte excesivo que se los considere anticipos del futuro pacto social. En cualquier caso, a banqueros y empresarios no se les pasó por alto la omnipresencia de Guillermo Moreno. El secretario de Comercio Interior estuvo en cuanta negociación hubo. "Todo lo hizo él, se lo notó muy fuerte", dicen quienes lo frecuentaron estos días.

Si hasta se comenta que ahora resulta inútil llevarle una inquietud sobre el funcionario al ministro de Planificación. La respuesta de Julio de Vido es: "Moreno ya no me pertenece. Habla directamente con el Presidente. Ya es de Kirchner".

Ante este cuadro, la duda cae sola: ¿prescindirá Cristina de una pieza así, si gana la elección? De alguien que, encima, goza de la entera confianza de Néstor, casi su otro yo. Probablemente, una cuestión para el doble comando.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Argentina: Cristina, a familiar enigma

From The Economist print edition

The president's wife seems certain to succeed him, but will she cool an overheating economy?

Reuters

ABROAD she is sometimes compared to Hillary Clinton. At home she likes to invoke Eva Perón. Either way, Cristina Fernández de Kirchner seems certain to win Argentina's presidential election on October 28th, and thus to succeed her husband, Néstor Kirchner. If the polls are to be believed, she will win by a large enough margin to avoid the need for a run-off ballot (see chart 1).

If so, she will become the first woman to be elected as Argentina's president. (Isabelita, Juan Perón's third wife and his vice-president, briefly succeeded her husband before being ousted by a military coup in 1976.) She likes to point out that she has been a senator since 1995 and so was a national political figure when her husband was a mere provincial governor. But assuming she wins, she will owe her victory to his—or their—decision that he would not seek a second consecutive term and that she would run in his stead.

Mr Kirchner has presided over Argentina's vigorous recovery from a horrendous economic, financial and political collapse in 2001-02. Thanks to four years of annual economic growth of over 8%, poverty and unemployment have halved since he took office in 2003 (see chart 2). For that, the president can take only some of the credit. He inherited a capable economy minister in Roberto Lavagna, who had put in place some coherent policies. Idle factories whirred back into action while world prices climbed for Argentina's farm exports.

But Mr Kirchner's brutal treatment of holders of some $81 billion in bonds on which Argentina defaulted in 2001 ensured that debt payments did not become a drag on growth. He quelled a riotous movement of unemployed protesters with a mixture of handouts and diatribes against the IMF, big business and the privatisations conducted by Carlos Menem, a right-wing Peronist, in the 1990s.

After winning control of Congress in a mid-term election in 2005, Mr Kirchner dumped the prudent Mr Lavagna. Since then, he has deliberately allowed the economy to overheat. Interest rates are negative in real terms, while the government has opened the fiscal tap (so far this year central-government current spending has risen by an eyepopping 48% in nominal terms). As a result, inflation is rising fast.

The government has responded with price “agreements” (ie, controls) and blatant manipulation of the official inflation index. The real figure, suggested by the numbers published by two provinces, may be up to twice the official one (see chart 3). Similarly, Mr Kirchner's populist approach to energy—energy prices in Argentina are only 60% of those of its neighbours—has led to occasional shortages. Meanwhile, his government has been hit by several corruption scandals this year.

Nevertheless, Mr Kirchner is still popular—more so than his wife. So why did he decline to stand for re-election himself and impose his wife as the Peronist candidate? He has never fully explained. Some opponents reckon that his intention is to return in four years' time, thus prolonging the family hold on power. Insiders say that he believes that Ms Fernández's skills are better suited than his own to the tasks now facing the country. “She can sit down and bargain without having been the person who screwed over anyone,” says an official who is close to her.

Ms Fernández has given little away about her intentions. She has maintained a big lead in the opinion polls while doing little campaigning. Like Mr Kirchner, she does not submit to press conferences or interviews by Argentine journalists. She has spent much of the past few months travelling abroad—something her husband has done very little. She has unveiled few policy plans and held few rallies.

But she is a better public speaker than Mr Kirchner, feisty and articulate where he is awkward and uncommunicative. “I identify with the Eva Perón who clenched her fist at the microphone, not with the...good fairy who arrived with Perón to hand out work and [women's] right to vote,” she told El País, a Spanish newspaper. But some Argentines say she lacks the common touch of the always-remembered Evita. Of middle-class background, Ms Fernández and Mr Kirchner met at university, and worked as property lawyers in Santa Cruz, the Patagonian province of which he became governor. Nowadays Ms Fernández sports designer handbags, trademark white suits and, it is said snidely, collagen-enhanced lips.

That she has not been pressed harder in the campaign says much about the hapless opposition. The Radical party, the traditional opposition to the dominant Peronists, had the misfortune to hold (and lose) power during the economic collapse of 2001. Even though they were implementing Mr Menem's policies, Argentines blamed the Radicals rather than the Peronists for the debacle. The party has shrunk and splintered: Julio Cobos, a Radical who is governor of Mendoza province, is Ms Fernández's running mate.

Her main rivals are Mr Lavagna, who presents himself as an “alternative” to (rather than an opponent of) the Kirchners, and Elisa Carrió, a former Radical who offers little except a campaign against corruption. Several others have struggled to break into double figures in the polls.

Ms Fernández not only basks in her husband's popularity. She enjoys some of the advantages of incumbency. She has use of the presidential jet and friendly coverage on state television. Her opponents say they have had trouble raising money because some would-be donors have held back for fear of a punitive tax audit. The opposition's divisions also help her: she can avoid a run-off provided she gets 40% of the valid votes and leads her closest rival by ten points.

Assuming she wins, will Ms Fernández's policies differ from those of her husband? Her political views, like Mr Kirchner's, were forged in the Peronist left of the 1970s: nationalism, a sizeable state role in the economy and hostility to the armed forces. But aides point to differences of emphasis and experience. Ms Fernández has been her husband's de facto floor leader in Congress over the past four years. Unlike him, she is a negotiator, they say.

While Mr Kirchner's opponents accuse him of autocratic tendencies, Ms Fernández's defenders present her as a champion of democratic institutions. On that, however, there are disagreements. She championed bills to give the presidency control over judicial appointments, and to reallocate congressionally-mandated spending at will. Yet she also supported moves to reform the Supreme Court that have the backing of NGOs.

The clearest difference is in foreign policy. Mr Kirchner showed no interest in it, beyond an alliance with Venezuela's Hugo Chávez, whose government has bought some $5 billion in Argentine bonds and has swapped diesel fuel for farm machinery and other products. On her trips abroad, Ms Fernández has courted businessmen. She is likely to seek better relations with the United States and Europe, but without breaking with Mr Chávez. She has said she plans to renegotiate the $7 billion that Argentina owes the Paris Club of rich-country lenders—but rejects the club's requirement that the IMF be involved. It is not clear whether she would seek to ease Argentina's access to world financial markets by reaching a deal with the holders of bonds (worth $20 billion at face value) who did not accept the debt restructuring.

One big doubt is whether she will take the steps, eschewed by Mr Kirchner, needed to engineer a soft landing for the economy. Once inflation exceeds 20% and energy rationing reaches homes, Argentines will surely demand solutions to these problems. But these involve unpopular measures for which the public has not been prepared. If inflation is to be curbed, rather than covered-up, interest rates will have to rise, the growth of public spending will need to be checked, and the peso be allowed to appreciate. Energy tariffs will have to rise, some of them steeply.

A second doubt concerns Mr Kirchner's role—assuming it is his wife to whom he passes the presidential sash on December 10th. He has vowed to remain in politics; although Peronism is a mosaic of warring factions, he controls its most powerful political machine. So Argentines will be in little doubt that if they vote for Ms Fernández they will be getting two Kirchners for the price of one—a somewhat inflated price, opponents would doubtless say.

sábado, 13 de outubro de 2007

Energy Crunch Threatens South American Nations

David Lillo/Agence France-Presse — Getty Images

Smog hit record levels in Santiago, Chile, when Argentina cut back on natural gas shipments.


By ALEXEI BARRIONUEVO

The New York Times

SANTIAGO, Chile — For Chile and Argentina, it was the frostiest of winters, and not just the reading on the thermometer.

During one of the coldest South American winters here in decades, neighboring Argentina cut at least 90 percent of the natural gas it sends to Chile 79 times along pipelines that connect the two countries.

Power plants and factories in this smoggy capital were forced to switch to diesel and fuel oil, which belch more air pollution and have nearly quadrupled the cost of producing electricity. Santiago reported its highest number of dangerous smog days in the past seven years.

Argentina’s actions have chilled relations between the two countries. But the impact of South America’s energy crisis is far broader. Across the region, concerns about energy are roiling national politics, generating tensions between neighbors and emerging as one of the biggest brakes to growth and integration.

Energy is the Achilles’ heel of the governments in Brazil, Argentina and Chile, which are struggling to maintain sufficient natural gas supplies after several years of strong economic growth.

“Bottlenecks in energy supply will be a critical policy concern in Latin America over the next two to five years,” said Christopher Garman, the Latin America director at Eurasia Group, a New York-based consulting firm.

Energy concerns are at the top of the agenda for the region’s incumbent leaders, most of whom have high popularity ratings, thanks mostly to buoyant economies riding a wave of higher commodity prices.

But the steady economic growth has only increased energy demand, while governments have failed for a decade to invest enough in natural gas exploration and new power plants to expand their energy supplies.

President Luiz Inácio Lula da Silva of Brazil is particularly preoccupied with the risk of power shortages that could occur as early as 2009, according to analysts. In an interview in September, he said the region’s gas woes were reason to support new hydroelectric power plants and projects to produce electricity from sugar cane. “I do not want to make Brazil dependent on gas,” he said.

The other alternative is to raise consumer prices or impose austerity measures, something politicians have been reluctant to do. History shows they can help sink a president.

When Brazil suffered an energy crunch in 2000, President Fernando Henrique Cardoso implored consumers to conserve, imposing penalties on those who did not. In the end, a major crisis was averted, but the government’s approval rating dropped by a third, and Mr. da Silva — not Mr. Cardoso’s chosen successor — was elected in 2002.

Néstor Kirchner, Argentina’s president, has steadfastly refused to raise his country’s gas and electricity prices, which are among the lowest in the world, ahead of the Oct. 28 election. Mr. Kirchner’s wife, Cristina Fernández de Kirchner, is the leading candidate to succeed him.

Instead, his government placed winter energy-use restrictions on industries and cut off its neighbor to the west, Chile.

Mr. Kirchner’s strategy has satisfied voters and kept Argentina’s economy humming, for now. But the low gas and power prices have scared away needed foreign investment in energy development and raised fears of runaway inflation.

Argentina could be digging itself a bigger hole to crawl out of. While the government refuses to impose on residential consumers to cut back, Argentina’s energy demands are rising faster than supply.

Power plants have little or no spare capacity and are suffering from a lack of maintenance, increasing the chances of brownouts or blackouts, said Sylvie D’Apote, an analyst with Cambridge Energy Research Associates.

Argentina’s energy troubles began with the crushing economic crisis of 2001, when its currency, the peso, was devalued almost overnight by some 300 percent. In a panic, the government moved energy rates from dollars to pesos.

Suddenly Argentine natural gas was the cheapest in Latin America, and residential electricity rates were among the lowest in the world.

For Mrs. Kirchner, if she is elected, changing course would be risky. Raising energy prices would only worsen inflation and raise the ire of Argentine voters, potentially spoiling the Kirchners’ plans to tag-team the presidency for the next 12 years.

Argentina’s economy, which is expected to grow this year by about 8 percent for a fifth straight year, is struggling with rising inflation pegged by private economists at nearly 20 percent, more than double official government claims.

Mr. Kirchner has denied there is even an energy crisis, noting that residential consumers have yet to feel a pinch.

Instead, it is Chile that is being squeezed. With few energy resources of its own, Chile had come to rely on Argentina for natural gas. The neighbors signed contracts in 1994, giving Chile a cheap source of fuel and a way to help clean Santiago’s notoriously smoggy air.

Argentine officials say that the Argentine Congress never approved the energy accords, making them nonbinding. The Chileans call that claim ludicrous.

The energy crunch is already contributing to inflation in Chile. Chile’s inflation is expected to be 6.4 percent this year, nearly a third of which is attributable to the cost of energy and food, said Pablo Goldberg, chief economist for Latin America at Merrill Lynch.

Political problems have limited Chile’s energy options. Bolivia, which has the largest gas reserves in the region, has forbidden Argentina from re-exporting Bolivian gas to Chile because of a decades-old dispute over maritime access rights.

Analysts have doubts in any case about just how much natural gas Bolivia, which nationalized its gas sector last year, can extract without foreign investment.

With few options, Chile’s government, led by President Michelle Bachelet, is moving on several fronts to diversify its energy supplies.

Two liquefied natural gas terminals should be completed by the middle of 2009. Chile is also opening up some land for oil and gas exploration, though it historically has found little.

Ms. Bachelet received a government-financed study last week exploring the prospects for building nuclear power plants, which is likely to be a controversial decision for the next government.

“We can’t just wait with our arms crossed and hope for a miracle to happen,” said Antonio Baciagalupo, the chief executive of GNL Quintero, the consortium building the liquefied natural gas plant near Santiago.