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sábado, 26 de janeiro de 2008

Crise USA: um novo "NEW DEAL" ou recessão

Filas de desempregados na crise de 1929 até o "New Deal" de F.D. Roosvelt


Vale a pena ler o artigo de Paul Krugman, sobre o plano Bush para enfrentar a recessão no Estados-Unidos.

Tenho postado aqui no blog vários artigos sobre a crise que insistem num ponto central: só um incremento considerável do gasto público em saúde, educação, distribuição de renda aos mais pobres e ajuda aos Estados e Municípios, pode diminuir ou evitar a recessão da economia norte-americana.


A situação exige um novo "New Deal", inspirado no seu predecessor implantado por Roosvelt.

Mesmo com o enorme déficit público e o endividamento gigantesco da economia US, o sumiço do crédito e do dinheiro exige injeção massiva de recursos em obras, escolas, hospitais e no bolso dos consumidores.


A alternativa é deixar o mercado se acertar, fazer um PROER para o sistema bancário falido e aguentar os custos da recessão. Um drama social em cernes e um recuo da economia mundial, eis o resultado das orientações que por hora prevalecem nas autoridades monetárias dos Estados-Unidos.

O candidato democrata que encarar o desáfio terá um grande eco na população do país. Mas pelo que diz Paul Krugman o "consenso" leva agua ao moino Republicano.

Luis Favre


ARTIGO

O equívoco do plano

PAUL KRUGMAN
DO "NEW YORK TIMES"

OS DEPUTADOS democratas e a Casa Branca chegaram a um acordo sobre um plano de estímulo econômico.
Infelizmente, o plano -que essencialmente consiste em nada mais que cortes de impostos e dá a maior parte desses cortes para pessoas em situação financeira bastante boa- parece defeituoso.
Especificamente, os democratas parecem ter recuado diante da rigidez ideológica do governo Bush, abandonando as exigências de medidas que teriam ajudado os mais necessitados. E seriam essas mesmas medidas que poderiam realmente ter tornado eficaz o plano de estímulo. São palavras duras, por isso deixem-me explicar o que está acontecendo.
Além dos descontos fiscais para empresas -que são uma história triste, para outra coluna -, o plano dá a cada trabalhador que ganhe menos de US$ 75 mil por ano um cheque de US$ 300, mais quantias adicionais para pessoas que ganham o suficiente para pagar valores substanciais de imposto de renda.
Isso garante que o grosso do dinheiro vá para pessoas que estão bem financeiramente -o que é um grande equívoco.
O objetivo de um plano de estímulo seria sustentar os gastos gerais, de modo a evitar ou limitar a profundidade de uma recessão. Se o dinheiro que o governo distribui não for gasto -se for apenas depositado nas contas bancárias das pessoas ou usado para pagar dívidas-, o plano falhará.
E mandar cheques para pessoas em boa situação financeira faz pouco ou nada para aumentar os gastos gerais. As pessoas que têm boa renda, bom crédito e emprego seguro tomam decisões de gastos com base em seu poder aquisitivo em longo prazo, e não no tamanho do último contracheque. Se você der alguns dólares a mais para essas pessoas, elas apenas os colocarão no banco.
Na verdade, isso parece ser o que aconteceu principalmente com as reduções fiscais que os norte-americanos afluentes receberam na última recessão, em 2001.
Por outro lado, o dinheiro distribuído a pessoas que não têm boa situação financeira -que estão com pouco dinheiro e vivem do salário mensal- presta um duplo serviço: alivia as dificuldades e também estimula os gastos de consumo.
É por isso que muitas das propostas de estímulo que ouvíamos até alguns dias atrás se concentravam na expansão de programas que ajudam especificamente as pessoas em dificuldades, especialmente o seguro-desemprego e o auxílio-alimentação. E foram essas as idéias de estímulo que receberam as notas mais altas em uma recente análise do Escritório de Orçamento do Congresso, apartidário.
Também se falou entre os democratas em fornecer ajuda temporária aos governos estaduais e locais, cujas finanças estão sendo massacradas pelo enfraquecimento da economia.
Como a ajuda para os desempregados, isso teria prestado um duplo serviço, evitando as dificuldades econômicas e os cortes de gastos que poderão piorar a tendência de declínio.
Mas o governo Bush aparentemente conseguiu matar todas essas idéias, em favor de um plano que dá dinheiro principalmente para os que têm menor probabilidade de gastá-lo.
Por que o governo desejaria fazer isso? Não tem nada a ver com eficiência econômica: nenhuma teoria econômica ou evidência que eu conheça diz que famílias de alta classe média tenham maior probabilidade de gastar cheques de devolução de imposto do que os pobres e desempregados.
Pelo contrário, o que parece estar acontecendo é que o governo de George W. Bush se recusa a assinar qualquer coisa que não possa ser chamada de "redução fiscal".
Por trás dessa recusa, por sua vez, está o compromisso do governo de cortar as alíquotas de impostos dos ricos enquanto bloqueia a ajuda para famílias em dificuldades -um compromisso que exige manter a mentira de que os gastos do governo são sempre ruins.
E o resultado é um plano que não apenas deixa de ajudar onde há mais necessidade, como provavelmente falhará como medida econômica.
Lembro as palavras do presidente Franklin Delano Roosevelt: "Sempre soubemos que o interesse próprio desconsiderado era moralmente ruim; agora sabemos que é economicamente ruim".
E o pior de tudo é que os democratas, que deveriam estar em uma posição forte -este governo ainda tem alguma credibilidade em política econômica?-, parecem ter cedido quase completamente.
Sim, os democratas obtiveram algumas concessões, aumentando os descontos para pessoas de baixa renda, enquanto reduziam os brindes para os afluentes. Mas basicamente permitiram que os forçassem a fazer as coisas do jeito do governo Bush.
E isso poderá ser uma coisa muito ruim.
Não sabemos com certeza quão profunda será esta próxima recessão, ou mesmo se preencherá a definição técnica de uma recessão. Mas existe uma probabilidade real de que não apenas será um grande declínio, como que a reação habitual à recessão -cortes das taxas de juros pelo Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos)- não bastará para reerguer a economia.
E, se isso acontecer, lamentaremos profundamente o fato de que o governo de George W. Bush insistiu, e os democratas aceitaram, um chamado plano de estímulo que simplesmente não vai funcionar.


PAUL KRUGMAN, economista, é colunista do "New York Times" e professor na Universidade Princeton (EUA).

Tradução de LUIZ ROBERTO MENDES GONÇALVES - FOLHA DE SÃO PAULO

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

China já sente o baque do aperto americano

Xangai
Joe McDonald VALOR

A Oyimay Sofa Co. já está sentindo o drama do desaquecimento econômico americano. Os pedidos recebidos de nervosos varejistas americanos, que adquirem quase 66% da produção da Oyimay, registram queda de 10%, neste mês, em comparação com o mesmo período no ano anterior, disse Zhou Feng, gerente geral da companhia. Ele disse que a Oyimay, que opera com mil funcionários, faz de tudo a seu alcance para recuperar-se, passando a produzir novos modelos mais atraentes e lucrativos, mas acredita que contabilizará quedas em seus lucros neste ano. "Já sentimos os reflexos do aperto na economia americana", disse Zhou.


De siderúrgicas a agências de viagens, as companhias chinesas estão se preparando para tempos mais difíceis, à medida que o desaquecimento econômico americano provoca queda em suas vendas nos importantíssimos mercados americanos, o que deve reduzir o boom de crescimento chinês.


Na Índia, outro gigante em desenvolvimento, a indústria de vestuário, movida a exportações, poderá sofrer conseqüências, mas a menor dependência indiana em relação ao mercado externo pode limitar o impacto de uma possível recessão americana.


A companhias chinesas deverão reagir ao declínio da demanda dos EUA tentando incrementar as vendas para a Europa e para mercados domésticos, ao passo que o comércio com outras economias asiáticas poderá amortecer o impacto.


Economistas rebaixaram as previsões de crescimento chinês devido à crise creditícia americana. Uma queda de 1 ponto percentual no crescimento americano reduzirá 1,3 ponto percentual da taxa de crescimento chinesa, segundo o Citigroup. As previsões de crescimento em 2008 agora estão numa faixa de 9,5%, na opinião do Standard Chartered, a 11%, na estimativa mais otimista do Citigroup.


Um crescimento menor das exportações repercutiria na economia, prejudicando os gastos do consumidor e a demanda por aço e produtos importados, que no ano passado deu um salto de 21%, para um total de US$ 791 bilhões. Isso poderá reduzir a possibilidade de a China compensar a redução do papel dos EUA como motor de crescimento mundial.


A China vem tentando reduzir sua dependência de exportações. Mas suas vendas para os EUA - seu maior mercado depois da União Européia (UE) - cresceram 14% no ano passado, para US$ 232,7 bilhões, respondendo por 21% das exportação totais.


"Se não houver crescimento nessa demanda, ou se ela diminuir, então veremos que os produtos fabricados na China não conseguirão ser vendidos", diz Ting Lu, economista Merrill Lynch. "Isso não é bom para o crescimento."


Países vizinhos poderão sentir o impacto à medida que as fábricas chinesas que produzem mercadorias para exportação adquirirem menos insumos no exterior. A China é o mercado que mais importa da Coréia do Sul, à frente dos EUA, sendo também um cliente crucial de outras economias asiáticas que fornecem matérias-primas ou alimentam um crescente mercado consumidor chinês.


Um declínio na exportação poderá agravar o que, temem os planejadores chineses, seja um excesso de capacidade de produção em setores como as indústrias têxtil e automobilística. Eles vem tentando limitar os investimentos em setores onde o estoque de ativos excede a demanda, mas os investimentos em fábricas e outros ativos fixos vêm crescendo a uma taxa anual de 25%.


"Um desaquecimento da economia puxado por exportações evidenciaria o excesso de capacidade", disse Mingchun Sun, economista do Lehman Brothers. Ele disse que isso poderá deixar as companhias com um acúmulo de produtos e provocar uma guerra de preços, sendo que "ambos os casos comprometerão a lucratividade das empresas e sua capacidade de honrar seus empréstimos levantados junto aos bancos".


O boom chinês e a crescente demanda chinesa fizeram do país, no ano passado, o segundo maior contribuinte para o crescimento mundial, depois dos EUA, segundo o Fundo Monetário Internacional. Mas analistas dizem que a China não poderá substituir a gigantesca economia americana como motor do crescimento mundial.


"A China, em certa medida, pode ser um motor de crescimento, mas não têm condições de cobrir todo o diferencial", disse Lu.


Na Índia, o impacto econômico do desaquecimento americano deverá ser atenuado, devido à limitada dependência do país em relação aos mercados internacionais.


As exportações indianas para os EUA no ano findo em março foram de apenas US$ 18,9 bilhões, ou 15% das vendas totais para exterior.


Apesar disso, os crescentes setores exportadores indianos, entre eles o de artigos do vestuário, poderão ser afetados negativamente.


Rajendra Hinduja, diretor financeiro da Gokaldas Exports, importante exportadora de roupas, disse que os varejistas estrangeiros informam que as vendas de seus artigos estão em queda de 4% a 5%.


As companhias chinesas estão reagindo, tentando desenvolver novos produtos e estimulando vendas na Europa e em outros mercados fora dos EUA.


A Meisida Electronic Toys, em Jinjiang, uma cidade na província de Fujian, do cinturão exportador no sudeste, está ouvindo reclamações de clientes americanos sobre alta nos preços, diz Chen Junling, gerente de exportações da companhia. Ela disse que a companhia tem 1,2 mil empregados e no ano passado exportou 90% de sua produção. "Não tenho uma idéia exata de em que medida a recessão americana afetará nossos negócios, mas poderemos ver um declínio nos volumes de compras", disse Chen. "Vamos desenvolver novos produtos para atender a demanda do consumidor, mas não vamos reduzir os preços."

Como frear a queda?

Joseph E. Stiglitz
Joseph E. Stiglitz
Prêmio Nobel de Economia em 2001

A economia americana caminha para uma grande desaceleração. Se há recessão (dois trimestres de crescimento negativo) ou não, isso é menos importante que o fato de que a economia vai operar bem abaixo de seu potencial e o desemprego vai crescer. O país precisa de estímulo, mas qualquer ação vai contribuir para nosso crescente déficit. Logo, é importante obter o melhor retorno possível das medidas tomadas. Deveríamos começar fortalecendo o sistema de seguro-desemprego, porque o dinheiro recebido pelos desempregados seria gasto imediatamente. O governo federal também deveria oferecer ajuda a estados e cidades que começam a sentir o aperto. Geralmente, eles respondem a problemas financeiros com cortes de gastos, o que funciona como um desestabilizador automático.

A ajuda federal deveria vir na forma de apoio à reconstrução da infra-estrutura essencial.

Mais apoio federal à educação também contribuiria para fortalecer a economia a curto prazo e promover o crescimento a longo prazo, bem como recursos para conservação de energia e redução das emissões de CO2. Talvez demore para que programas assim sejam implantados, mas essa desaceleração deve durar mais tempo que os declínios recentes. Os preços dos imóveis residenciais devem cair por algum tempo até retomarem níveis normais. E, se os americanos pouparem mais, o consumo pode permanecer baixo por mais tempo.

A administração Bush há tempos acredita que cortes de impostos — especialmente os que incidem sobre os ricos — são solução para todos os problemas.

Isso é errado. Cortes de impostos, em geral, perpetuam o consumo excessivo, que tem sido a marca da economia americana. As classes média e baixa americanas, no entanto, têm sofrido nos últimos sete anos — a renda média familiar está mais baixa que em 2000. Um alívio fiscal para as classes média e baixa faria sentido, sobretudo porque seria de rápida resposta.

Algo deveria ser feito em relação às execuções de hipotecas, e uma legislação que desse às vítimas de empréstimos predatórios o direito de ficarem com suas casas estimularia a economia. Mas não deveríamos gastar muito com isso. Se o fizermos, estaremos beneficiando os investidores, e eles não precisam de ajuda dos contribuintes.

Em 2001, a administração Bush usou o pretexto da recessão iminente para cortar impostos para os americanos de alta renda — que se deram tão bem nos últimos 25 anos.

Os cortes não visavam a estimular a economia, o incentivo foi só até certo ponto.

Para manter a atividade econômica, o Fed foi forçado a baixar os juros a um nível sem precedentes e fechar os olhos enquanto os EUA se engajavam despreocupadamente em empréstimos temerários. A economia passou a ser sustentada por dinheiro emprestado e tempo emprestado.

O dia do Juízo Final chegou.

Precisamos de um estímulo que realmente estimule.

A questão é: o presidente e o Congresso deixarão a politica de lado para fazer o que deve ser feito?

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Como uma recessão americana poderá afetar a Ásia

Para o The Economist a recessão americana vai repercutir nas economias asiaticas, porém de forma diferenciada. A forte demanda da China, particularmente do seu mercado interno, amortizara o impacto da crise. Em certa medida isto também é valido para o Brasil, mesmo se o artigo não o menciona. Segundo o The Economist a teoria do "descolamento" dos Brics em relação a economia dos Estados-Unidos era um mito que não resistiu aos acontecimentos, mas o "automatismo" do contágio não condiz com a reálidade econômica concreta que é especifica a cada país. Para a revista há motivo de óptimismo, apesar da gravidade da crise.

From Economist.com

Next stop Asia?

How an American recession might hit Asia


Shutterstock

INVESTORS in Asian stockmarkets were until recently big fans of the “decoupling” theory: the notion that Asian economies can shrug off an American recession. This week’s plunge in shares, taking the MSCI Emerging Asia Index down by 25% at one point from its October high, suggests they have changed their minds. But the fact that Asian markets have not decoupled does not necessarily mean that their economies will follow America's over a cliff.

Decoupling was always a misnomer, seeming to imply that an American recession would have no impact on Asia. In fact exports and hence profits would certainly be reduced. The pertinent argument is that they would be hurt by much less than in previous American downturns.

As well as hitting exports, America’s troubles could affect Asia through various financial channels. Asia’s exposure to the subprime mess is thought to be much smaller than that of American or European banks. Even so, Chinese bank shares tumbled this week on rumours that they would have to make much bigger write-downs on their holdings of American subprime securities. And if stockmarkets slide further as global investors flee from risky assets, this could dampen business and consumer confidence in the region.

Some Asian economies are more vulnerable than others: Singapore, Hong Kong and Malaysia have exports to America equivalent to 20% or more of their GDPs, compared with only 8% in China and 2% in India. There are already some ominous signs. Singapore’s exports to America are down by 11% over the past year, while Malaysia’s fell by 16%. Exports to other emerging economies and to the European Union surged, so total exports still grew by 6% in both economies. But that was much slower than at the start of the year, and the worry now is that demand from Europe has started to flag.

The growth in China’s exports to America slowed to only 1% (in yuan terms) in the year to December from over 20% in late 2006. So far the impact on GDP growth has been modest. Figures on China’s fourth-quarter GDP are to be published on Thursday January 24th and most economists expect growth to slow to a still healthy 9-10% this year.

China’s economy would probably still expand by around 8-9% even if export growth dried up. During the 2001 American recession China’s GDP barely slowed. In contrast, Hong Kong, Singapore, Taiwan and Malaysia suffered full-blown recessions. America’s recession this time is likely to be deeper than in 2001 and Asia is now more integrated into the global economy. Doomsters conclude, therefore, that these economies could be hit harder this time.

The main reason to be more optimistic is that domestic demand (consumer spending and investment) is likely to remain strong and governments have more flexibility. Last year, despite a slowdown in America’s imports, most Asian economies grew faster as domestic demand speeded up. Robert Prior-Wandesforde, an economist at HSBC, says that those who argue that Asian economies cannot decouple from America are ignoring the fact that they already have. Take Malaysia: exports to America plunged, yet its GDP growth quickened from 5.7% at the end of 2006 to 6.7% in the third quarter of last year.

Contrary to the popular view that Asia's meltdown in 2001 was entirely due to a slump in exports, Peter Redwood, at Barclays Capital, argues that a fall in investment played a bigger role. Firms had too much debt and excess capacity, particularly in the electronics sector, which was at the heart of the American recession. Today firms are in much better shape. Capacity utilisation is high across the region; outside China investment as a share of GDP is low by historical standards; corporate balance-sheets are stronger and real interest-rates are low. Firms are therefore much less likely to slash investment than in 2001.

Macroeconomic fundamentals are also much healthier in East Asia. Large foreign-exchange reserves make countries less vulnerable to foreign shocks. Budgets are in surplus or close to balance, giving policymakers more room for a fiscal stimulus to support growth.

Thus even if Asia’s exports clearly have not decoupled from America, its economies will be hurt less than in the past. Standard Chartered forecasts that emerging Asia will grow by an average of 6.4% in 2008, down from 7.8% in 2007. In 2001 growth dropped by three percentage points to 4.2%. Financial markets were slow to realise that Asian growth and hence the profits of some companies would be dented by an American downturn. But now they risk exaggerating the damage. Economic decoupling is not a myth.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Editorial do Le Monde: verdade e transparência para enfrentar ã crise


L'économiste américain John Kenneth Galbraith, qui a étudié les krachs dans leurs moindres détails, écrivait : "Ce que nous savons avec certitude, c'est que les épisodes spéculatifs ne se terminent jamais en douceur. Il est sage de prédire le pire, même s'il est, selon la plupart des gens, peu probable." La crise des subprimes confirme son jugement. C'est d'abord avec une grande brutalité - inconnue depuis le 11 septembre 2001 - que les places boursières décrochent depuis plusieurs jours.


Le pire, ensuite, semble se rapprocher à toute vitesse. On ne voit pas très bien par quel miracle la première économie du monde, celle des Etats-Unis, pourrait échapper à la récession. Le système bancaire mondial, de son côté, vacille. Quelques-uns des plus grands établissements américains et européens se retrouvent dans une situation tellement critique qu'ils doivent faire appel en catastrophe à des capitaux d'Asie et du Moyen-Orient pour se renflouer.

Le choc est d'autant plus rude que les dirigeants économiques et monétaires occidentaux ont longtemps expliqué que le pire était "peu probable". La Réserve fédérale américaine estimait que la facture des subprimes ne dépasserait guère la centaine de milliards de dollars. Elle s'élève désormais à plusieurs milliers de milliards de dollars. Comme ses collègues, la ministre française de l'économie, Christine Lagarde, a longtemps affirmé que l'économie réelle ne serait pas touchée par cette crise purement financière. Propos qui se voulaient rassurants, mais dont le caractère lénifiant n'a fait que retarder la prise de conscience, chez les acteurs économiques, de la gravité de la situation.

Dans une économie financiarisée et mondialisée, comment pouvait-on imaginer que la catastrophe resterait cantonnée aux Etats-Unis et aurait un impact marginal sur la croissance de la planète ? Que le nuage du Tchernobyl des subprimes ne traverserait pas l'Atlantique ? Des petites villes norvégiennes au bord de la faillite en raison de leurs placements imprudents jusqu'aux banques de la Chine communiste, tout le monde est aujourd'hui touché.

Mais la crise n'est plus, depuis longtemps, celle des subprimes. Elle est celle, globale, du crédit, du financement de l'économie dans son ensemble. Ce qui la rend à la fois très inquiétante - beaucoup plus que le krach des valeurs Internet - et particulièrement difficile à surmonter. Car, beaucoup, ici, est affaire de psychologie. Le système financier mondial est passé, en quelques mois, d'un excès de confiance à un excès de défiance. Hier, on prêtait de l'argent à n'importe qui à n'importe quel prix. Aujourd'hui, on ne prête plus d'argent à personne. Pour retrouver un équilibre, le devoir de vérité et de transparence s'impose à tous, aux banquiers comme aux responsables économiques et monétaires.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

As três cabeças do dragão


Por Luiz Carlos Mendonça de Barros, José Roberto Mendonça de Barros e Paulo Pereira Miguel

Valor


Após cinco anos de crescimento global quase sem precedentes na história econômica documentada, a desaceleração da economia americana aumentou a incerteza em relação à continuidade deste excepcional momento. Afinal, durante décadas, a liderança dos EUA para a prosperidade mundial dificilmente poderia ser contestada, em função de sua posição de consumidor de última instância da produção global. É natural, portanto, que os economistas tenham se acostumado a usar grande parte de seu tempo tentando entender a dinâmica na economia americana, como atalho para antecipar os destinos globais. A grande novidade, que tem ficado muito clara desde o ano passado, é que não é mais possível pegar atalhos para entender a economia mundial. Isso porque há um novo ator fundamental, que tem uma dinâmica própria e muito diferente da de um país desenvolvido: a China.


O crescimento da China tem sido tão fenomenal, em uma lógica de convergência acelerada para níveis de renda per capita mais altos, que tem arrastado o resto da Ásia e, cada vez mais, todos os países que de alguma forma tenham algum papel a desempenhar neste processo. O ciclo econômico chinês existe, mas tem se dado ao redor de uma tendência de crescimento muito forte. A seqüência, ano após ano, ao longo de quase três décadas, de taxas de crescimento próximas a 10% ao ano gerou massa crítica suficiente para tornar a China o novo pólo dinâmico global. A China ainda é menor - e continuará sendo ainda por muito tempo - que os EUA em termos absolutos, mas a velocidade de crescimento é tal que sua contribuição para a expansão da economia mundial já é maior que a dos EUA.




Ameaça para muitos, oportunidades para outros, entender a questão chinesa é fundamental para qualquer planejamento estratégico, no nível empresarial ou nacional. O trabalho é tão mais difícil quanto mais o país progride e muda, também com grande velocidade, condicionado pela rápida urbanização. É interessante para a análise ilustrar a China como um dragão de três cabeças.


A primeira cabeça é a que devora vorazmente quantidades antes inimagináveis de energia, matérias-primas industriais e, cada vez mais, commodities agrícolas. Os preços relativos das commodities cresceram e é razoável esperar que se mantenham altos por muito tempo. No caso de energia, por exemplo, o perfil de consumo chinês ainda é muito voltado para o setor industrial e apenas agora a parcela destinada ao transporte e à infra-estrutura comercial e residencial, majoritária em países de renda mais alta, começa a ganhar espaço. A convergência do perfil de consumo chinês para o de países mais desenvolvidos e o forte investimento em infra-estrutura - que tem acelerado no interior do país com dezenas de milhares de quilômetros de rodovias em construção - implica grande crescimento da demanda de energia nos próximos anos.


A AIE estima que em 2006 a demanda chinesa ultrapassou a da Europa e deve atingir o nível dos EUA na próxima década, muito mais rápido do que havia estimado em 2002. Na parte de commodities metálicas, o mesmo acontece. Outro aspecto de importância fundamental da primeira cabeça devoradora de commodities é uma industrialização de base rápida e altamente poluidora, que já tem mobilizado os estrategistas chineses para o aumento da eficiência no uso de energia e matérias-primas.




As oportunidades para empresas bem posicionadas para fornecer estes produtos são enormes, transformando cadeias industriais inteiras, e, de forma mais ampla, mudando da água para o vinho os termos de troca, o padrão de inserção internacional, o perfil do balanço de pagamentos e o ambiente econômico de inúmeros países.


A expansão das cadeias de recursos naturais é muito mais ampla do que se imagina, pois inclui grande crescimento de produtividade, novos produtos (bioenergia, alcoolquímica etc.) e serviços (TI aplicada, pesquisa e serviços ligados à biotecnologia, petróleo, entre outros). A imensa maioria dos novos investimentos no Brasil está nestas cadeias. Apenas na área de bioenergia são esperados investimentos de US$ 20 bilhões nos próximos cinco anos. O movimento global por energia limpa e desenvolvimento com menor impacto ambiental oferece oportunidades para o Brasil.


Sob o ponto de vista macroeconômico, o Brasil é talvez um dos exemplos mais ricos do poder de um súbito aumento da demanda mundial e dos termos de troca para alterar a dinâmica de uma economia, mesmo em um ambiente de paralisia institucional. A virtual eliminação da secular fragilidade do balanço de pagamentos, com a concomitante valorização e redução da volatilidade da moeda nacional, tem sido o fator preponderante para a economia brasileira. No ambiente empresarial, a resposta de parte da indústria - agribusiness, mineração, siderurgia etc - é extremamente rápida e eficiente, sendo estes setores os ganhadores claros da nova dinâmica global.


A segunda cabeça é a que produz bens manufaturados, em elevada escala e com baixo custo. Inicialmente focada em manufaturas leves, a China inundou o mundo nos anos 80 e 90 com produtos têxteis, eletroportáteis e bens de consumo de baixo e médio valor agregado, provocando um efeito deflacionista global que apenas agora começa a perder força (mais sobre isso à frente). Isso significa menor poder de preços para as empresas brasileiras, obrigando-as a mudar a visão estratégica, com foco em volume de vendas, consolidação setorial e investimento (o mercado de capitais tem sido ferramenta essencial para esta mudança).


Após o susto inicial, a indústria brasileira tem respondido a este desafio, internacionalizando suas fontes de suprimentos (inclusive com investimentos no exterior), visando reduzir custos de produção. Mas este movimento de abertura da economia e das empresas só tem sido possível por conta do aumento da capacidade de importação, derivada do choque favorável no setor de commodities, que expõe número crescente de setores à maravilha da globalização no mercado de bens (antes a globalização era entendida - e para muitos ainda é - apenas através do canal financeiro) e contribui para reduzir a volatilidade da economia e alongar os horizontes de planejamento empresarial. Novas teias de distribuição emergem, com densidade e amplitude que apenas começam a tomar corpo. Há desafios e muitos perdedores, mas também temos visto muitos casos de sucesso entre os que entendem a nova realidade, mesmo sob condições assimétricas de competição.


Mas a segunda cabeça do dragão não pára nos bens manufaturados de baixo e médio valor agregado. A China está deixando de ser uma plataforma de montagem e tem galgado rapidamente novas etapas de sofisticação industrial, tornando-se um duro competidor global em bens de consumo de maior valor (automóveis, eletrônica de consumo de alto nível) e bens de capital (material de telecomunicações, equipamentos etc), enquanto as exportações de manufaturados leves (têxteis, por exemplo) perdem participação. Os gastos em R&D na China hoje só são superados pelos Estados Unidos. Também ocupa espaços crescentes em cadeias de conhecimento e serviços, antes 100% dominadas pelo Ocidente, envolvendo pesquisa, design industrial e marketing. O upgrade na produção requer máquinas mais sofisticadas, alegremente supridas por Japão e Alemanha, mas desta festa o Brasil participa pouco. Este movimento é bem mais recente e trará novos desafios para a estrutura industrial brasileira, fortemente concentrada nos setores de sofisticação média.


A desaceleração americana forçará a China a redirecionar seu esforço comercial, e isso já está acontecendo. O acordo de livre comércio com o Chile assinado em 2006 é mais uma evidência da estratégia chinesa: não fizemos a saída para o Pacífico, mas a China está fazendo a entrada para o Atlântico e o Brasil sofrerá maior pressão competitiva daqui para frente. Por outro lado, há nichos claros que podem ser explorados pelo Brasil na área de design e marketing.


A terceira cabeça do dragão é a mais recente, com grande espaço de crescimento, e representa a população da China como grande consumidora global. A incorporação de dezenas de milhões de pessoas ao ano no mercado de trabalho e o rápido crescimento da renda per capita indicam que a China como mercado consumidor é uma realidade cada vez mais próxima.


O setor produtivo local terá muita dificuldade em atender a demanda em inúmeros setores e as oportunidades para o Brasil são enormes. Claramente o agrobusiness será vencedor, mas há oportunidades em muitos outros setores não tão óbvios e hoje vistos por muitos como perdidos. A crescente classe média demandará produtos de sofisticação intermediária, que podem ser fornecidos pelo Brasil. Por exemplo, sapatos de 70 dólares, alimentos prontos para consumo etc.


Ou seja, das três cabeças, duas são claramente benéficas para o Brasil. Mas a cabeça maléfica poderá ser muito poderosa, especialmente nos próximos anos. É necessário entendê-la e enfrentá-la.


Por fim, há ainda os desafios estruturais para a economia global. A emergência da China por enquanto tem sido um fator de estabilidade e confiança, como mostra o descolamento cada vez mais claro do resto do mundo em relação à desaceleração da economia americana. Mas a China tem seus riscos próprios. Tornou-se comum nos últimos meses considerar que a força deflacionista chinesa estaria no fim, ou mesmo teria terminado. Tal avaliação decorre principalmente do fato dos preços das importações dos EUA vindas da China terem deixado de mostrar deflação. A elevação da demanda de alimentos também é vista como um risco importante. Por fim, o mercado de trabalho estaria ficando menos folgado, elevando os custos trabalhistas chineses, apesar do contínuo ganho de produtividade na economia.


Em nossa opinião, esta é uma forma incompleta de enxergar o problema, pois leva em conta apenas a variação do preço dos bens exportados pela China e deixa de considerar o mais importante: que o nível de preços destes mesmos bens pode diferir bastante dos produzidos em outros países. O nível de preços em mercados com grande concorrência acaba por convergir para o produtor com o menor custo marginal. Mesmo que o custo marginal deste produtor seja crescente, enquanto tal custo for inferior ao de um produtor em outro país, o preço global deste produto continuará a cair.


Este é o caso da China hoje, que tem experimentado custos marginais crescentes, como é natural em um processo de convergência de renda para níveis mais altos, mas que ainda são muito inferiores aos dos países desenvolvidos e de outros emergentes. O resultado é preços globais ainda cadentes ou estáveis na maioria dos produtos industriais exportados pela China, mesmo com preços chineses em alta. Particularmente interessante é a contínua deflação dos preços de importações americanas vindas do restante do chamado cinturão do Pacífico, que basicamente inclui todo o Leste e Sudeste Asiático, no caso excluindo a China. A redução da inflação das importações americanas vindas da Europa também é incrível, tendo em vista a contínua apreciação do euro nos últimos anos, que, tudo o mais constante, deveria levar os europeus a buscar aumentos de preços para suas exportações (como tem sido o caso das empresas brasileiras). Mas nada está constante e a competição global é feroz em quase todos os segmentos industriais. Por fim, mesmo o temor de custos salariais crescentes parece injustificado, a não ser em algumas categorias específicas. Isso porque o aumento da produtividade continua muito forte, implicando custos de trabalho por unidade produzida ainda cadentes.


Em suma, apesar das incertezas, acreditamos que a China ainda será uma força deflacionista por alguns anos. Mesmo assim, há riscos cíclicos importantes, dados pela interação do fenômeno chinês com a economia global, que não podem ser desprezados. Um deles é o impacto da desaceleração americana no setor exportador chinês, que acreditamos ser pequeno e minimizado pela conquista de market share em outros países. Outro risco grave e que deve ser monitorado com atenção é a emergência de pressões inflacionárias mais generalizadas na China e na Ásia em geral, que certamente demandaria uma resposta de política econômica e abalaria o cenário atual de crescimento acelerado.


Para o Brasil a lição é só uma: o perfil de nossa indústria e da economia vai mudar, mas não haverá desindustrialização. O que poderá haver são oportunidades perdidas e, neste sentido, a resposta estratégica do Brasil ao dragão ainda é incompleta. Uma visão ampla dos desafios e oportunidades é fundamental. É hora de olhar para o futuro e não de recriar o passado.


Luiz Carlos Mendonça de Barros e Paulo Pereira Miguel são economistas da Quest Investimentos


José Roberto Mendonça de Barros é economista da MB Associados

domingo, 11 de novembro de 2007

Mundo caminha para o terceiro choque energético

Este artigo foi reproduzido em versão original aqui no blog Rising Demand for Oil Provokes New Energy Crisis. A seguir reproduzimos da Folha de São Paulo a versão em português.


Ao contrário das outras crises, demanda puxa alta do petróleo, e não razões geopolíticas

A alta atual parece não estar prejudicando o crescimento econômico, mas já se questiona até quando essa situação pode continuar

M. Spencer Green - 7.nov.2007/ Associated

Refinaria nos Estados Unidos; preço do petróleo se aproxima da marca simbólica de US$ 100 por barril, com alta de 365% na última década

JAD MOUAWAD
DO "NEW YORK TIMES"

Com os preços do petróleo se aproximando da simbólica marca dos US$ 100 por barril, o mundo está caminhando para seu terceiro choque de energia em uma geração. Mas a alta atual é fundamentalmente diferente de passadas crises do petróleo, e suas conseqüências mundiais serão mais amplas e mais duradouras.
Da mesma forma que nas crises de energia dos anos 70 e 80, os elevados preços atuais do petróleo vêm causando ansiedade e sofrimento aos consumidores e gerando temores mais amplos quanto ao seu impacto sobre a economia como um todo.
Ao contrário de outros choques do petróleo, causados por súbitas interrupções nas exportações do Oriente Médio, desta vez os preços vêm subindo firmemente à medida que cresce a demanda por gasolina nos países desenvolvidos, centenas de milhões de chineses e indianos ascendem da pobreza à prosperidade e outras economias em desenvolvimento crescem em ritmo escaldante.
"Esse é o primeiro choque de energia causado por demanda que o mundo já enfrentou", disse Lawrence Goldstein, economista da Fundação de Pesquisa de Política Energética.
As previsões quanto ao preço futuro do petróleo variam amplamente. Alguns analistas consideram que ele pode cair a US$ 75 ou até menos no ano que vem, enquanto uns poucos observadores projetam preços da ordem de US$ 120 por barril.
Virtualmente ninguém diz acreditar em um retorno ao preço praticado há uma década, de US$ 20 por barril, o que significa que os consumidores precisam se preparar para uma era de custos muito mais altos para os combustíveis.
A raiz dessa alta chocante do petróleo -que já ultrapassa os 50% neste ano e atinge os 365% na última década- é um desdobramento positivo: a expansão sem precedentes que a economia mundial está vivendo.
A demanda da China e da Índia deve dobrar nas duas próximas décadas, à medida que essas economias continuam a se expandir e seus cidadãos optam por comprar mais carros e por viver em cidades, em busca de um estilo de vida que os ocidentais vêem como comum.
Mas, à medida que sobem os preços, a economia mundial passa a navegar por águas inexploradas. A alta até o momento não parece estar prejudicando o crescimento, porém muitos economistas se questionam sobre quanto tempo mais essa situação pode durar. "Os preços atuais são muito altos e terminarão prejudicando igualmente a todos, produtores e consumidores", disse Faith Birol, economista-chefe da Agência Internacional de Energia.
O preço do barril de petróleo terminou a última sexta-feira cotado a US$ 96,32 na Bolsa de Nova York e durante a semana passada chegou a valer US$ 98,62, antes de recuar. O preço do produto se tornou volátil, e muitos analistas esperam que o marco dos US$ 100 por barril, considerado importante em termos psicológicos, seja superado em algum momento das próximas semanas.
"Os mercados atuais se parecem com a torcida que se levanta para incentivar seu time a atacar nos minutos finais de uma partida de futebol americano", disse Daniel Yergin, historiador do petróleo e presidente da consultoria Cambridge Energy Research Associates. "As pessoas chegam a parecer mais relaxadas quanto ao preço de US$ 100 por barril do que pareciam diante de uma cotação de US$ 60 ou US$ 70."
O petróleo não está distante de seu pico histórico de preços, atingido em abril de 1980, um ano depois da revolução islâmica iraniana. Considerada a inflação, o barril então chegou a ser cotado a US$ 101,70, em dólares atuais.
Pela maior parte do século 20, enquanto promovia a transformação do mundo moderno, o petróleo foi tanto barato quanto abundante. Ao longo dos anos 90, por exemplo, os preços médios do petróleo foram de US$ 20 por barril. Mesmo com os altos preços praticados agora, ele ainda sai mais barato que água mineral importada, que custaria o equivalente a US$ 180 por barril, ou que o leite, cujo barril custaria US$ 150.

sábado, 10 de novembro de 2007

L'épargne chinoise finance l'endettement des consommateurs et de l'Etat américains

Un épargnant chinois passe devant un écran électronique montrant les cotations d'actions chinoises, à Pékin le 6 novembre 2007. L'épargne chinoise finance largement l'économie américaine et ses déficits. | AFP/PETER PARKS

AFP/PETER PARKS
Un épargnant chinois passe devant un écran électronique montrant
les cotations d'actions chinoises, à Pékin le 6 novembre 2007.
L'épargne chinoise finance largement l'économie américaine et ses déficits.



Les pays "pauvres" sont-ils devenus les nouveaux banquiers des pays "riches" ? L'accroissement spectaculaire des réserves de change des pays asiatiques (1 400 milliards de dollars pour la seule Chine à la fin de l'année 2007, soit 955 milliards d'euros), l'accumulation de pétrodollars dans les pays du Golfe et en Russie, les remboursements anticipés des dettes de l'Argentine ou du Brésil font penser que les pays en développement financent désormais les pays industrialisés.

"Sur le plan moral, cette situation est assez choquante"
, juge Dominique Plihon, professeur d'économie à Paris-XIII et président du conseil scientifique de l'association Attac. La fuite des capitaux vers les pays du Nord briderait, en effet, le développement des économies émergentes qui sont loin de disposer des capitaux nécessaires pour améliorer leurs infrastructures.

Ce paradoxe n'est que partiellement vrai. Les chiffres des investissements directs étrangers publiés par la Conférence des Nations unies sur le commerce et le développement (Cnuced) l'attestent : les pays industrialisés ont reçu 857 milliards de dollars de capitaux en 2006, mais ils en ont exporté plus encore (1 022 milliards). Pour les pays en développement, la situation est inverse : ils ont reçu plus (379 milliards de dollars) qu'ils n'ont exporté (174 milliards).

"En fait, analyse Boris Cournède, économiste à la division des politiques économiques et monétaires de l'Organisation de coopération et de développement économiques (OCDE), le déficit de la balance courante du G7 est surtout un phénomène américain. Aux Etats-Unis, le déficit atteindra 842 milliards de dollars cette année. La nouveauté est qu'il est financé par le surplus commercial de la Chine et par celui des pays pétroliers, alors qu'autrefois, les rééquilibrages se faisaient entre pays développés."

Ce que confirme Patrick Artus, chef économiste chez Natixis, lorsqu'il passe en revue les grandes zones économiques : "L'Amérique latine et l'Union européenne à quinze sont grosso modo à l'équilibre. La première devrait être déficitaire pour financer son développement, mais le traumatisme de la crise de la dette a été si fort que les pays d'Amérique latine préfèrent ne plus avoir de dettes - au risque de ralentir leur croissance - plutôt que de revivre des plans de rigueur et le chômage qui en a résulté."

M. Artus ajoute : "Les pays pétroliers enregistrent un excédent équivalent à 18 % de leur produit intérieur brut ; la Chine, un excédent de 8 % à 9 % ; l'Asie est à + 4 %. L'Inde est en déficit de - 3 % ; l'Europe centrale et orientale, de - 6 % et les Etats-Unis dépassent les - 6 %."

In fine, "nous arrivons à une situation étonnante", qui dure maintenant depuis plusieurs années, commente Xavier Musca, directeur du Trésor. Certains pays émergents, la Chine en tête, investissent massivement dans les bons du Trésor américain. En d'autres termes, la Chine finance une grande partie du déficit colossal de la première économie mondiale.

Pour le reste, elle investit désormais directement ses capitaux excédentaires dans le capital des sociétés occidentales. "D'où la création d'un fonds souverain chinois pour optimiser les placements du pays", indique Yves Zlotoswski, économiste à la Coface. Il a fait notamment parler de lui en prenant près de 10 % de Blackstone, l'un des principaux fonds d'investissement américain.

En 2007, l'excédent commercial de la République populaire devrait atteindre 220 milliards de dollars, alors que le déficit des Etats-Unis se creusera à 750 milliards.

Le déséquilibre des relations financières entre les deux économies ne manque pas d'inquiéter. "Nous sommes en présence d'une anomalie des épargnes dans ces deux pays", explique M. Artus. "La Chine épargne trop, car ses ménages mettent de côté pour compenser l'absence de protection sociale et ses entreprises, qui ne peuvent obtenir des prêts d'un système bancaire bloqué, aussi", ajoute le chef économiste de Natixis.

En revanche, aux Etats-Unis, les particuliers comme l'Etat fédéral sont habitués à vivre à crédit et n'épargnent pas assez. "Les Américains vivent très largement au-dessus de leurs moyens", insiste M. Plihon. Outre-Atlantique, l'afflux des devises en provenance de Chine ou du Golfe contribue à maintenir les taux d'intérêt à des niveaux très bas, ce qui n'encourage pas l'épargne.

Beaucoup d'économistes soulignent les effets pervers d'une croissance chinoise essentiellement tournée vers l'extérieur. Les pays du G7 estiment que l'économie tourne à plein régime grâce à la sous-évaluation du yuan, par rapport au dollar ou à l'euro.

Cette sous-évaluation "de l'ordre de 20 % à 30 %", calcule M. Plihon, favorise les exportations au détriment des importations. Mais seule une partie de la population récolte les fruits d'une croissance de plus de 11 % l'an. "Il y a les laissés-pour-compte. Entre les villes et les campagnes, les inégalités se creusent", indique M. Plihon.

En outre, cette politique monétaire génère de l'inflation qui est estimée à plus de 6 %. Et alimente des tensions sociales. Dans ce contexte, les ménages chinois investissent massivement dans l'immobilier ou en Bourse et contribuent à former des bulles spéculatives.

D'autre part, la multiplication des investissements chinois en Afrique est critiquée, car les pays industrialisés soupçonnent Pékin de tenter de s'approprier les matières premières du continent grâce à ses montagnes d'excédents.

Cette situation explique le rapport de force que les Etats-Unis cherchent à imposer à la Chine à laquelle ils ne cessent de réclamer une réévaluation du yuan, pensant que la faiblesse de la monnaie chinoise contribue à détruire des emplois chez eux.

Le G7 et le Fonds monétaire international ont joint leurs voix à celle de Washington pour demander au gouvernement chinois de réviser sa politique monétaire, le 19 octobre.

Alain Faujas et Claire Gatinois - Le Monde

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Arranjo esquisito

Celso Ming, celso.ming@grupoestado.com.br

Há uma semana, três grandes bancos americanos, o Citigroup, o Bank of America e o JP Morgan, anunciaram a criação de um superfundo de US$ 75 bilhões destinado a resgatar os títulos micados no estouro da bolha das hipotecas de alto risco (subprime).

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos (ministro das Finanças), Henry Paulson, encorajou o lançamento desse bote salva-vidas.

De lá para cá, uma cortina suspeita envolveu o projeto. Ben Bernanke, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), colocou em dúvida a seriedade do fundo: 'Gostaria de saber quanto valem essas drogas (damn things).' O presidente anterior do Fed, Alan Greenspan, que mantém o prestígio capitalizado ao longo dos seus 19 anos de mandato, ao se referir ao superfundo e a seu provável conteúdo, usou expressões que se referem a tratamento natural dado a carniça: 'Se você intervém no sistema, os abutres são mantidos à distância; e os abutres são às vezes muito úteis.'

Ficaram duas impressões: (1) que a iniciativa dos bancos se destina a fazer o resto do mundo de trouxa, com patrocínio do Departamento do Tesouro americano; e (2) que os três bancões americanos, enredados até o pescoço com hipotecas podres, estão fazendo uma jogada cujo objetivo é evitar prejuízo em seus balanços.

O plano parece ser o de convencer os clientes a comprar as cotas do superfundo. E a dinheirama amealhada agasalharia os ativos encalhados em carteira.

O problema técnico mais relevante é o de que a principal razão do estouro da bolha das hipotecas subprime já havia sido a impossibilidade de definir o valor correto desses ativos. A proposta é reempacotar esses produtos financeiros, a preços arbitrados sabe-se lá por quem, e oferecê-los a supostos caçadores de pechinchas. E, para dar uma aura de respeitabilidade ao negócio, convenceram o secretário do Tesouro a recomendar a mercadoria.

Diante das restrições públicas externadas por Bernanke, Greenspan e dezenas de financistas, parece difícil que esse superfundo decole. Se não decolar, estaremos diante de pelo menos cinco conseqüências.

A primeira é que a crise continuará sem solução até que os detentores dos títulos micados se convençam de que devem liquidar seus créditos a preços de fim de feira ou esperar que os abutres lembrados por Greenspan façam o serviço.

Segunda, parece inevitável que grandes instituições financeiras acusem perdas. Há alguma probabilidade de que os bancos centrais sejam obrigados a acionar seus mecanismos de cobertura (financiamento de última instância) para evitar o alastramento sistêmico da crise.

Terceira, nesse ambiente, parece inevitável que o Fed seja obrigado a voltar a baixar os juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Fomc, na sigla em inglês) do dia 31.

Quarta, a crise deverá ter novos desdobramentos cuja intensidade é difícil prever. E, quinta, como os bancos centrais dos países ricos mantêm a disposição de apagar todo princípio de incêndio, os investidores continuarão aceitando riscos cuja natureza e dimensão possam entender. Isso sugere que o mercado subprime seguirá largado e que o mercado de ações, de moedas e de commodities continuará tirando proveito disso.

Confira

Na rabeira - Neste ano, os juros básicos (Selic) caíram de 13,25% para 11,25% ao ano - um recuo de 15,1%. No entanto, os juros no crédito dos bancos não acompanham essa queda. Pelo levantamento do Banco Central, no desconto de duplicatas, os juros só caíram 12,5%; no financiamento de capital de giro, 10,3%; no cheque especial, 1,4%; e no crédito pessoal, 13,6%.

Em parte, a queda menor dos juros compensa o alargamento do prazo dos financiamentos, o que é também uma vantagem dos bancos. Num ambiente de redução dos custos financeiros, trataram de garantir juros ainda altos por mais tempo.

domingo, 21 de outubro de 2007

Os "correrias" do Primeiro Mundo

LUIZ GONZAGA BELLUZZO - Folha de São Paulo


"A falsificação de preços é um conluio entre os poderosos do mundo para lesar os mais fracos"

A POLÍCIA Federal conta: 70% das importações de produtos de informática e telecomunicações realizadas pela Cisco eram subfaturadas. A manipulação dos preços de transferência, com o propósito de burlar o fisco, era perpetrada, de acordo com o relatório da PF, na matriz americana. Digo manipulação porque as mercadorias entravam no país abaixo do custo de produção, incluída a margem de lucro da empresa.
Quem paga a diferença? A resposta é fácil: o Estado brasileiro não recolhe os impostos devidos, os concorrentes nativos ou estrangeiros são bigodeados pelos espertalhões e, finalmente, os trabalhadores brasileiros (com uma taxa cambial mais favorável) poderiam estar empregados na produção dos equipamentos, peças e componentes importados, o que geraria mais receita fiscal. Certo Mark Smith, diretor-gerente para o hemisfério ocidental da Câmara Americana de Comércio, declarou que "o subfaturamento é comum no Brasil".
No Brasil e no mundo, diria o empresário Raymond Baker, autor do livro "Capitalism's Achilles Heel", com o subtítulo "Dirty Money and How to Renew the Free Market System". Baker declara-se um entusiasta do livre comércio. Manifesta, no entanto, sua decepção e preocupação com as práticas das grandes empresas transnacionais que deformam o sadio exercício do intercâmbio de mercadorias.
Ele diz que aproximadamente 65 mil empresas internacionalizadas realizam operações transfronteiras. As transações entre matrizes e filiais representam, segundo Baker, de 50% a 60% das trocas internacionais. Uma fração importante das transações é feita com preços falseados. "Isso serve para eliminar impostos, evitar controles aduaneiros e acumular dinheiro secretamente.
A falsificação de preços é realizada diariamente, em todos os países, numa larga fração das operações de importação-exportação."
"Essa é a técnica mais comum para gerar e transferir dinheiro sujo, dinheiro que viola a lei na sua origem, em seu movimento e em seu uso. A falsificação de preços é um conluio entre os poderosos do mundo para lesar os mais fracos. O fato é que para cada dólar, euro, libra, peso, rublo ou outra moeda qualquer que se move para fora dos países mais pobres, há um produtor ou financista do Primeiro Mundo que facilita a operação."
Baker é impiedoso: a combinação entre falsificação de preços de transferência, paraísos fiscais, empresas fantasmas, jurisdições secretas pode ser comparada "ao tráfico de drogas, ao crime organizado, ao terrorismo e aos funcionários corruptos". Os executivos das múltis contribuem para a manutenção desse sistema.
Imagino que, à semelhança da controvérsia Huck-Ferréz, o deplorável episódio Cisco vá provocar um maremoto de indignação contra as malfeitorias dos "correrias" do Primeiro Mundo. Os impostos surrupiados aos brasileiros talvez servissem para financiar a educação, a saúde e a segurança dos cidadãos de Pindorama, fossem eles os "correrias" do Terceiro Mundo ou os legítimos e indefesos usuários de relógios Rolex.


LUIZ GONZAGA BELLUZZO , 64, é professor titular de Economia da Unicamp. Foi chefe da Secretaria Especial de Assuntos Econômicos do Ministério da Fazenda (governo Sarney) e secretário de Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo (governo Quércia).

Uma casa em transição

JOAQUIM LEVY - Folha de São Paulo


Surge o novo papel do FMI. Os países desenvolvidos não podem por si controlar novos fluxos de capital e seus efeitos

O FMI está mudando. Alguns acreditam que, talvez porque o mundo não esteja em crise, a instituição teria perdido seu valor. Essa leitura é superficial. O que há é uma nova distribuição de pesos relativos entre os membros do FMI.
O FMI já ajustou seu papel várias vezes. Depois da Segunda Guerra, ele ajudou a minimizar crises nos países europeus. Nos anos 1980, ele participou da administração da crise da dívida externa da América Latina, depois que os EUA botaram o pé no freio da política monetária para quebrar a estagflação dos anos 1970 e desmontaram a reciclagem dos petrodólares. Nos anos 1990, Michel Camdessus colocou o FMI no centro do processo de integração dos países ex-comunistas no mundo capitalista e encaixou o Fundo na virada da Ásia e na globalização.
É esse fenômeno que está impulsionando a reforma do FMI. De um lado, os juros baixos por conta da produção barata ao redor do mundo diminuíram a influência imediata do FMI entre os países emergentes. Do outro, o acúmulo de reservas internacionais na Ásia redesenhou o panorama das finanças internacionais, o que foi exacerbado pelo surgimento recente dos fundos de investimento soberano.
Já há dezenas desses veículos criados para investir reservas internacionais em ativos variados, sob administração dos grandes bancos. Com eles, surgiu a possibilidade de vastos recursos serem rapidamente transferidos de, por exemplo, títulos públicos americanos para as Bolsas ou outros ativos reais, o que poderia mexer nas taxas de câmbio e nos preços dos ativos em dólar.
É aí que surge o novo papel do FMI. Os países desenvolvidos não podem por si controlar esses fluxos de capital e seus efeitos: a ambivalência do governo britânico nessa área é indicativa da complexidade do problema. Mas o FMI, por ser multilateral, pode ter um papel regulador e arrefecer apreensões -cujas conseqüências nas expectativas de inflação nos EUA poderiam ter um impacto terrível no crescimento mundial.
Para o FMI ter esse papel, no entanto, ele precisa mudar sua governança. Por isso, o novo administrador geral já assinalou que vai trabalhar para um reequilíbrio de forças na instituição. As mudanças podem ser mais ou menos ambiciosas e -não obstante menções benignas ao Brasil- serão duramente negociadas, mesmo que as acomodações se dêem sem estridência.
A influência de cada país no novo FMI vai depender do sucesso dos respectivos dirigentes econômicos em aproveitar suas vantagens comparativas. A credibilidade que o Brasil construiu -e a capacidade de mostrar que o Fundo pode ser um parceiro eficiente no continente são muito reconhecidas entre os países-membros, tendo obtido expressão física e concreta. O compromisso do Brasil com uma economia de mercado e aberta e a evidência de que essa opção de desenvolvimento é viável também explicam por que ano passado o Brasil conseguiu ser escolhido líder do grupo técnico que agrega os 20 principais membros do Fundo.
A agenda do Brasil inclui, além de aumentar a cota do país no capital do FMI, a promoção de uma competição equilibrada nos serviços financeiros no mundo e a implementação de mecanismos eficientes de proteção contra choques externos -como os acordos preventivos propugnados pelo governo Lula desde 2004. Essa é uma agenda para favorecer o comércio internacional, o fortalecimento de nossas empresas e a expansão das nossas exportações, todos fatores importantes para o bem-estar do país.


JOAQUIM LEVY , 46, é secretário de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro. Foi secretário do Tesouro Nacional no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva e vice-presidente de Finanças e Administração do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

O mercado mundial é um cassino e quem entende de jogo ganha o prêmio

Le prix Nobel d'économie a été décerné à trois Américains, Leonid Hurwicz, Eric Maskin et Roger Myerson, pour leurs travaux basés sur la théorie des jeux dont les mécanismes peuvent expliquer le fonctionnement des marchés, a annoncé, lundi 15 octobre, le comité Nobel. La théorie dite des mécanismes d'incitation "permet de distinguer les situations dans lesquelles les marchés fonctionnent bien de celles où les marchés fonctionnent mal", a indiqué l'Académie royale suédoise des sciences dans ses attendus. "Elle a aidé les économistes à identifier les mécanismes d'échanges efficaces, des modèles de régulation et des procédures électorales", ajoute l'académie.

Aujourd'hui, cette théorie de conception des mécanismes joue un rôle central dans nombre de secteurs économiques et en sciences politiques, ajoute le comité. Cette théorie est un sous-ensemble de la théorie des jeux. Il s'agit de concevoir les mécanismes qui assureront dans le cas d'enchères, comme les fréquences de téléphonie portable ou de fréquence radio, les règles qui assureront leur distribution équitable en fonction des intérêts de chacun des participants.

FIN DES NOBEL 2007

Leonid Hurwicz, né le 21 août 1917, à Moscou, est professeur d'économie à l'université du Minnesota. Eric Maskin, né le 12 décembre 1950 à New York, enseigne à l'Institut des études avancées à Princeton. Roger Myerson, né le 29 mars 1951, est professeur à l'université de Chicago.

L'année dernière, le Nobel d'économie avait récompensé l'Américain Edmund S. Phelps pour ses recherches sur les arbitrages entre le court et le long terme des politiques macroéconomiques. L'attribution du prix d'économie clôt la saison des Nobel 2007. Le prix Nobel de l'économie est le seul des six prix (paix, littérature, médecine, chimie, physique) qui n'ait pas été prévu par l'inventeur et industriel suédois, Alfred Nobel, dans son testament de 1895. Il a été institué en 1968 par la Banque centrale de Suède pour lui rendre hommage, et il a été décerné pour la première fois en 1969. Les autres récompenses avaient toutes été attribuées pour la première fois en 1901.

Les lauréats recevront des mains du roi de Suède le 10 décembre une médaille en or, un diplôme et un chèque de 10 millions de couronnes suédoises (1,08 million d'euros) qui peut être divisé dans chaque catégorie entre trois gagnants.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Save the Day, The Free-Falling Dollar

Hong Kong

By STEPHEN S. ROACH
Christoph Niemann

CURRENCIES are first and foremost relative prices — in essence, they are measures of the intrinsic value of one economy versus another. On that basis, the world has had no compunction in writing down the value of the United States over the past several years. The dollar, relative to the currencies of most of America’s trading partners, is off about 20 percent from its early 2002 peak. Recently it has hit new lows against the euro and a high-flying Canadian currency, likely a harbinger of more weakness to come.

Sadly, none of this is surprising. Because Americans haven’t been saving in sufficient amounts, the United States must import surplus savings from abroad in order to grow. And it has to run record balance of payments and trade deficits in order to attract that foreign capital. The United States current account deficit — the broadest gauge of America’s imbalance in relation to the rest of the world — hit a record 6.2 percent of gross domestic product in 2006 before receding slightly this year. America must still attract some $3 billion of foreign capital each business day in order to keep its economy growing.

Economic science is very clear on the implications of such huge imbalances: foreign lenders need to be compensated for sending scarce capital to any country with a deficit. The bigger the deficit, the greater the compensation. The currency of the deficit nation usually bears the brunt of that compensation. As long as the United States fails to address its saving problem, its large balance of payments deficit will persist and the dollar will keep dropping.

The only silver lining so far has been that these adjustments to the currency have been orderly — declines in the broad dollar index averaging a little less than 4 percent per year since early 2002. Now, however, the possibility of a disorderly correction is rising — with potentially grave consequences for the American and global economy.

A key reason is the mounting risk of a recession in America. The bursting of the sub-prime mortgage bubble — strikingly reminiscent of the dot-com excesses of the 1990s — could well be a tipping point. In both cases, financial markets and policy makers were steeped in denial over the risks. But the lessons of post-bubble adjustments are clear. Just ask economically stagnant Japan. And of course, the United States lapsed into its own post-bubble recession in 2000 and ’01.

Sadly, the endgame could be considerably more treacherous for the United States than it was seven years ago. In large part, that’s because the American consumer is now at risk. Consumption expenditures currently account for a record 72 percent of the gross domestic product — a number unmatched in the annals of modern history for any nation.

This buying binge has been increasingly supported by housing and lending bubbles. Yet home prices are now headed lower — probably for years — and the fallout from the subprime crisis has seriously crimped home mortgage refinancing. With weaker employment growth also putting pressure on income, the days of open-ended American consumption are likely to finally come to an end. That will make it hard to avoid a recession.

Fearful of that possibility, foreign investors are becoming increasingly skittish over buying dollar-based assets. The spillover effects of the subprime crisis into other asset markets — especially mortgage-backed securities and asset-backed commercial paper — underscore these concerns. Foreign appetite for United States financial instruments is likely to be sharply reduced for years to come. That would choke off an important avenue of capital inflows, putting more downward pressure on the dollar.

The political winds are also blowing against the dollar. In Washington, China-bashing is the bipartisan sport du jour. New legislation is likely that would impose trade sanctions on China unless it makes a major adjustment in its currency. Not only would this be an egregious policy blunder — attempting to fix a multilateral deficit with more than 40 nations by forcing an exchange rate adjustment with one country — but it would also amount to Washington taxing one of America’s major foreign lenders.

That would undoubtedly reduce China’s desire for United States assets, and unless another foreign buyer stepped up, the dollar would come under even more pressure. Moreover, the more the Fed under Ben Bernanke follows the easy-money Alan Greenspan script, the greater the risk to the dollar.

Why worry about a weaker dollar? The United States imported $2.2 trillion of goods and services in 2006. A sharp drop in the dollar makes those items considerably more expensive — the functional equivalent of a tax hike on consumers. It could also stoke fears of inflation — driving up long-term interest rates and putting more pressure on financial markets and the economy, exacerbating recession risks. Optimists may draw comfort from the vision of an export-led renewal arising from a more competitive dollar. Yet history is clear: no nation has ever devalued its way into prosperity.

So far, the dollar’s weakness has not been a big deal. That may now be about to change. Relative to the rest of the world, the United States looks painfully subprime. So does its currency.

Stephen S. Roach is the chairman of Morgan Stanley Asia.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Clinton Global iniciative: Huge effort urged on global warming


By Chrystia Freeland and Edward Luce in New York

The US needs to unleash “the greatest concentration of economic activity since we mobilised for World War II” by embracing new energy technology and regulatory incentives to tackle global warming, according to former US president Bill Clinton.

Speaking to the Financial Times on the eve of the Clinton Global Initiative – the annual New York conference of the ex-president’s global business philanthropy group – Mr Clinton strongly disputed the view that tackling climate change would reduce economic growth.

He contradicted a recent United Nations report that said tackling global warming would involve a sacrifice in economic growth. Mr Clinton also sided with China and India, which he said could not fairly be expected to cut their carbon emissions un-less wealthy countries such as the US first took the lead.

Later this week, George W. Bush is to host a Washington summit on global warming, which will include the leaders of India and China. The CGI is also focusing on climate change in addition to global health, education and poverty alleviation. Mr Clinton will host his first Asian CGI – in Hong Kong – next year.

“There’s way more economic opportunity than cost here, and I think unless we take the lead in the United States, we’ll never get the Indians and the Chinese to do it,” said Mr Clinton.

“But we will never be able to persuade them of that until we put our money where our mouth is . . . There’s money in this. This is economically smart.”

Citing a recent CGI initiative in which Mr Clinton persuaded five banks to stump up $5bn (€3.5bn, £2.5bn) to refit urban buildings that would be paid back by utility savings over time, Mr Clinton said the US should move rapidly to upgrade its regulatory targets to improve energy efficiency.

He cited the UK and Denmark as having created new jobs through new technology investments that had enabled them to avoid the stagnation in median wages that had affected America’s middle classes since 2000.

“In this decade, the UK has had rising median incomes and no increase in inequality because they’ve found a source of new jobs.”

He said Europe’s better focus on energy efficiency explained why it had created 13m new jobs between 2000 and 2005 compared with 8m in the US. More in Financial Times

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

A queda nos juros americanos

Coluna Econômica - Luis Nassif

A redução dos juros americanos em meio ponto pelo FED – para 4,75% - é a comprovação cabal que, desta vez, a crise veio para valer.

Até o início do governo Bush, a administração de Alan Greenspan à frente do FED (o Banco Central americano) sempre privilegiou o mercado financeiro. Essa mesma postura era adotada pelo FMI.
Quando alguma bolha ameaçava explodir, Greenspan reduzia os juros. A redução dos juros provoca, automaticamente, a valorização dos ativos. E esses movimentos ajudavam a criar um colchão para reduzir o impacto da queda dos preços dos ativos provocado pelo furo da “bolha”.

***

Externamente, cada vez que um país entrava em crise, o FMI aportava empréstimos que permitiam aos especuladores sair sem perdas maiores. Foi assim com o acordo fechado com o Brasil, em fins de 1998.
Essas duas facilidades aumentaram extraordinariamente a imprudência dos fundos “hedge”(fundos que visam ativos de alto risco). Valiam-se das altas taxas proporcionadas por países em crise, ou por ativos mal avaliados. Depois, na hora de pagar a conta, o FMI e o FED vinham em seu socorro.

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O primeiro a pular fora foi o FMI, depois de uma forte declaração do primeiro Secretário do Tesouro do governo Bush, de que o país não iria mais amparar especuladores.

Mas a era Greenspan prosseguiu por mais algum tempo, amenizando o estouro da grande bolha da Nasdaq (as ações de tecnologia), mas preparando o terreno para novas bolhas que só agora começaram a explodir.
O sucessor de Greenspan, Ben Bernanke, de sólida formação acadêmica, assumiu com o discurso de que tinha acabado a era do apoio indiscriminado aos mercados. O FED só reduziria os juros quando crises financeiras pudessem abalar a economia real.

Os últimos indicadores apontaram para um desaquecimento da economia americana em ritmo mais pesado do que as previsões iniciais, logo após a crise do “subprime”.

Hoje, o Departamento do Trabalho anunciou que o PPI (índice de preços por atacado) registrou deflação de 1,4% em agosto. Na semana passada, foi anunciado o fechamento de 4 mil postos de trabalho – o menor índice desde 2003. Finalmente, as vendas no varejo, segundo o Departamento de Comércio, teriam caído 0,4%, se se descontasse a venda de automóveis. Os primeiros balanços pós-crise indicaram uma queda acentuada nos resultados das companhias abertas.

Tudo isso pesou para que Bernanke aceitasse reduzir os juros, e em nível mais forte do que o mercado vinha prevendo.

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Há um conjunto de conseqüências:

1. Confirma-se que a crise é mais séria do que as previsões iniciais. Esse gesto, se de um lado alivia o mercado de capitais, de outro deverá manter o mercado de crédito travado por mais algum tempo.

2. Antes do sinal do FED, os bancos de investimento tinham voltado a recomendar o Brasil para seus investidores, devido às altas taxas de juros locais e às contas externas em ordem. Com a redução dos juros, esse fluxo deverá aumentar, a não ser que o Banco Central volte a acelerar a queda da taxa Selic.

3. Com a redução dos juros, haverá tendência de desvalorização ainda maior do dólar, chamando a atenção para os fundos soberanos (reservas de países emergentes aplicadas em mercados desenvolvidos)

terça-feira, 18 de setembro de 2007

O fantasma do patriotismo financeiro ronda a globalização

Rui Falcão


A retórica liberal, que já fazia água - vítima da teimosia da Política em perturbar a suposta racionalidade do mercado -, ameaça soçobrar de vez oficialmente, quando da reunião de cúpula informal, em outubro, dos chefes de Estado e de Governo da União Européia.

Sob a liderança da primeira-ministra conservadora, Ângela Merkel, da Alemanha, e do presidente francês conservador, Nicolas Sarkozy, as autoridades européias irão debater a necessidade de conter a liberdade de movimento de capitais financeiros, em especial os oriundos de fundos soberanos (sovereign-wealth funds), detidos pelos bancos centrais como parte de suas reservas e utilizados como investimento de risco em países estrangeiros. Os líderes europeus atendem à proposta de Bush de também se envolver no debate o FMI e o Banco Mundial.

O fantasma das desnacionalizações, que ronda as economias nacionais, encarnado nos fundos soberanos e põe em risco a segurança e a soberania nacionais, levou os países ricos a deixar de lado a conversa liberal e retirar do baú de suas “velharias” o “patriotismo financeiro”. Desta vez, por iniciativa não individual mas coletiva, depois de a China ter anunciado recentemente o lançamento de seu fundo soberano de US$ 300 bilhões, destinados a investimentos de risco no exterior.

Pelos cálculos da França, esse montante – sem regulamentação alguma, como adverte a Casa Branca – é três vezes maior do que o Plano Marshall, lançado pelos EUA para reconstruir a Europa após a Segunda Guerra Mundial em 1945, que atingiu cerca de US$ 100 bilhões, em valores corrigidos.

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segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Spain seeks to calm markets after sell-off

By Leslie Crawford in Madrid

Financial Times

Pedro Solbes, the Spanish finance minister, and the Bank of Spain, the central bank, moved to calm financial markets on Monday, saying no Spanish banks had sought emergency financing from the European Central Bank.

Spanish bank shares fell sharply on fears that an international credit squeeze might damage the lending activities and profitability of financial groups.

The share sell-off followed a British press report quoting Adam Applegarth, chief executive of Northern Rock, the beleaguered UK mortgage lender, as saying that three Spanish banks had sought ECB help last week.

Mr Solbes ruled out the possibility that any Spanish financial group might be affected in coming days by liquidity problems such as those experienced by Northern Rock. “There are no parallels between what has happened in the UK and the situation here,” he said on Spanish radio.

The Bank of Spain said in a statement: “No Spanish institution has used any emergency financing facility. Spanish institutions, in common with other European banks, continue to use the ECB’s routine liquidity facilities. This does not mean that they are experiencing any difficulty.”

Spain’s 10-year property boom has transformed Spanish banks into some of the biggest issuers of mortgage-backed bonds in Europe. An almost insatiable demand for credit in Spain has also made banks big borrowers in European capital markets.

As a result of the current turmoil in financial markets, Spanish banks may find it more difficult to fund themselves abroad. It will certainly be more expensive.

Last week, Banco Popular cancelled the placement of €2bn ($2.8bn, £1.39bn) worth of mortgage-backed securities. Ahorro Titulización, an investment vehicle that belongs to a group of Spanish savings banks, also cancelled a securitisation issue.

Spanish bank regulators on Monday insisted that the financial system was solid, with well-capitalised, profitable banks, low rates of loan defaults and high levels of provisions against bad debt.

Bankinter, a medium-sized bank, was the hardest hit in the share sell-off, falling 5.9 per cent on Monday. Banco Popular fell 2.9 per cent, with the largest banks, Santander and BBVA, shedding 1.6 per cent and 1.9 per cent respectively.

“I don’t know why our share price is being hammered,” Jacobo Diez, chief financial officer of Bankinter, told the Financial Times. “Our funding needs are fully covered for 2007. We have no problems with liquidity. I think the stock markets are being moved by uncertainty and fear.”

At Banco Popular, Roberto Higuera, chief financial of-ficer, said: “This is not a liquidity crisis. It is a crisis of confidence. No one knows who is holding subprime risk. The only thing I can tell you is that it is not in Spain.”

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Finalmente crescimento com distribuição da renda ?

por Jorge Mattoso*

Mesmo que ainda não possamos saber com precisão a profundidade da crise norte-americana e seus efeitos na economia mundial, sabemos que seu impacto no Brasil será menor que em outras crises do passado.

Para que isso ocorresse, foram indispensáveis as novas política externa, de comércio exterior e de ampliação das reservas internacionais brasileiras. Assim, pudemos reduzir sobremaneira nossa dependência e vulnerabilidade. Nos anos 90 éramos muito mais dependentes dos negócios com os EUA (25% das exportações para aquele país em 2002, contra 14,6% em julho de 2007). Enquanto o câmbio era fixo (até 1999) e o país tinha baixas reservas, também o comércio exterior era enfraquecido e ou deficitário, e a economia apresentava grande vulnerabilidade e quase nenhuma capacidade de resposta aos acontecimentos externos. Isto, dada a desmotivação do setor público e sua baixa capacidade de planejamento e de articulação de quaisquer objetivos nacionais. Nos anos 90, frente a qualquer sobressalto financeiro nas economias centrais o país levava um susto e um tombo sem tamanho.

O Brasil de hoje encontra-se em outro patamar: reservas internacionais de porte, menor vulnerabilidade externa, menor dependência da economia norte-americana, maior participação de países emergentes no crescente comércio exterior e crescimento econômico efetivo e potencial mais elevado

Mas não se trata exclusivamente de uma melhora do setor externo. Pelo contrário, observamos também a extraordinária expansão do mercado interno, do crédito (que alcança a maior proporção vis-avis o PIB dos últimos 12 anos e segue ascendente), a elevação dos investimentos há 14 trimestres seguidos e taxas de juros cadentes. A isso temos que somar uma muito bem-vinda melhora na distribuição da renda nacional, graças à baixa inflação, aos programas sociais e - não menos importante - à elevação do salário mínimo real.

O próprio mercado internacional reconhece que estamos em condições novas e promissoras. O Brasil se encontra às vésperas de receber o “grau de investimento”, anunciado todos os dias, mas já prenunciado pelo crescimento do Investimento Direto Externo (cerca de 84% em 2007).

Não sem razão, vários economistas estimam que o país tenha condições de crescer em torno de 5% neste ano. Os números do IBGE para o segundo trimestre mostra que todos os setores expandiram a produção, com destaque para a indústria (6,8%) e o investimento sofreu uma alta de 13,8%. Isto significa que podemos ter deixado para trás a estagnação e o baixo crescimento.

Em 2007, pela primeira vez desde 1996, o Brasil deverá crescer acima da média mundial e – não menos importante – o dobro da média nacional dos últimos 15 anos. Tudo indica que voltamos a crescer de maneira sustentada, superando os períodos recentes e governos anteriores. O período 2003-2007 deverá apresentar crescimento médio superior a 3,7% contra, por exemplo, uma média de 2,3 no período 1995-2002.

Mas mais significativo será o rompimento de uma tendência histórica. O Brasil ao longo de muitos anos cresceu bastante, mas agravando a concentração da renda. Depois estagnou, obviamente sem desconcentrar a renda. Agora caminhamos pela primeira vez em muitas décadas em direção a um crescimento sustentado com distribuição de renda.

A consolidação desse processo e sua extensão aos próximos anos requerem – internamente - a continuidade da queda dos juros, a consolidação do PAC, a expansão do crédito, dos investimentos públicos e privados (sobretudo em infra-estrutura) e do processo de distribuição da renda e redução da pobreza. E externamente, que a economia mundial possa continuar sua expansão, mesmo que a taxas menores devido à crise norte-americana.

*Jorge Mattoso, professor do Instituto de Economia da UNICAMP. Foi Secretário de Relações Internacionais da Prefeitura de SP na gestão Marta Suplicy (2001-2002) e presidente da Caixa Economica federal (2003-2006).

What a Wonderful World

Democracia ameaçada

Subornos movimentam US$ 1 trilhão por ano, diz estudo

Portal O Globo

A democracia ao redor do mundo está sob ameaça devido ao número crescente de subornos, estimados em US$ 1 trilhão por ano, segundo um estudo do Projeto do Milênio, coordenado pela organização não-governamental internacional World Federation of UN Associations.

O relatório "Estado do Futuro" - que faz uma avaliação da situação mundial e das tendências para o futuro em diversos temas, como saúde, política, segurança e meio ambiente - diz que, ao contrário do que se pode imaginar, apenas uma minoria das propinas é paga em países em desenvolvimento.

"A grande maioria dos subornos acontece em países ricos" em que a tomada de decisões está "mais vulnerável a vastas quantidades de dinheiro", diz a pesquisa.

Os autores enfatizam que o crime organizado é outra ameaça global que movimenta US$ 2 trilhões por ano, superando dos orçamentos militares de todos os países do mundo combinados.

O estudo alerta ainda para o fato de que os 15 milhões de órfãos da Aids constituem uma enorme base de recrutamento para os criminosos.

O Projeto do Milênio, responsável pelo documento, conta com 2,5 mil analistas, acadêmicos, cientistas e políticos de mais de 50 países trabalhando para estudar as mudanças no mundo e as perspectivas para a humanidade.

Segundo os dados compilados pelo "Estado do Futuro", há mais escravos hoje em dia que no auge no período do comércio de escravos vindos da África.

As estimativas variam entre 12,3 e 27 milhões de pessoas trabalhando em condição de escravidão atualmente, a maioria delas, mulheres asiáticas.

O relatório também chama atenção para a violência sofrida pelas mulheres, revelando que uma em cada cinco será vítima de estupro ou de uma tentativa de estupro durante a vida.

"A violência de homens contra mulheres continua a causar mais mortes que as guerras hoje em dia", diz o documento.

O balanço geral feito pelo estudo revela que o mundo está se tornando um lugar mais saudável, rico e pacífico, mas ao mesmo tempo mais corrupto, quente e perigoso, e alerta que as desigualdades continuam grandes demais.

Segundo os dados do documento, enquanto a economia mundial cresceu 5,4% em 2006, as 225 pessoas mais ricas do mundo têm a mesma quantidade de dinheiro que os 2,7 milhões de pessoas mais pobres, o que representa 40% da população mundial.

Para mais notícias, visite o site da BBC Brasil

terça-feira, 11 de setembro de 2007

No quick end to turmoil, says Paulson

By Eoin Callan and Jeremy Grant in Washington and Tony Barber in Brussels

Financial Times

The crisis of confidence in credit markets is likely to last longer than previous financial shocks of the past two decades, Hank Paulson, Treasury secretary, warned on Tuesday.

He said the uncertainty in credit markets would last longer than the turmoil that followed the Asian crisis and the Russian default of the 1990s or the Latin American debt crisis of the 1980s.

Mr Paulson was speaking in Washington as Jean-Claude Trichet, the European Central Bank president, warned that it was time for global financial authorities to tackle unregulated entities whose activities had contributed to the latest upheavals.

The comments came as it emerged that credit ratings agencies have been called to a special meeting in Washington by the umbrella body for the world’s securities regulators to explain how they rate structured financial products based on mortgage assets.

Like Mr Trichet, Mr Paulson said the complexity and global distribution of the securities at the heart of the credit crisis would prolong it. “We expect this period of turbulence to go on for a while,” he said.

Mr Paulson said he had been an investment banker at Goldman Sachs during the “Russian default, Asian crisis . . . and Latin American credit crisis” and expected this bout of uncertainty in credit markets was “going to take longer” to resolve.

US authorities expect that the uncertainty over valuing subprime mortgages could last for up to two years as many such loans reset to higher rates.

However, equities rallied strongly as investor hopes continued to rise that the Federal Reserve would be forced to make interest rate cuts by as much as 50 basis points next week in a bid to stop the economy sliding into a sharp economic downturn. More...