Mostrando postagens com marcador Comercio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Comercio. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

China já sente o baque do aperto americano

Xangai
Joe McDonald VALOR

A Oyimay Sofa Co. já está sentindo o drama do desaquecimento econômico americano. Os pedidos recebidos de nervosos varejistas americanos, que adquirem quase 66% da produção da Oyimay, registram queda de 10%, neste mês, em comparação com o mesmo período no ano anterior, disse Zhou Feng, gerente geral da companhia. Ele disse que a Oyimay, que opera com mil funcionários, faz de tudo a seu alcance para recuperar-se, passando a produzir novos modelos mais atraentes e lucrativos, mas acredita que contabilizará quedas em seus lucros neste ano. "Já sentimos os reflexos do aperto na economia americana", disse Zhou.


De siderúrgicas a agências de viagens, as companhias chinesas estão se preparando para tempos mais difíceis, à medida que o desaquecimento econômico americano provoca queda em suas vendas nos importantíssimos mercados americanos, o que deve reduzir o boom de crescimento chinês.


Na Índia, outro gigante em desenvolvimento, a indústria de vestuário, movida a exportações, poderá sofrer conseqüências, mas a menor dependência indiana em relação ao mercado externo pode limitar o impacto de uma possível recessão americana.


A companhias chinesas deverão reagir ao declínio da demanda dos EUA tentando incrementar as vendas para a Europa e para mercados domésticos, ao passo que o comércio com outras economias asiáticas poderá amortecer o impacto.


Economistas rebaixaram as previsões de crescimento chinês devido à crise creditícia americana. Uma queda de 1 ponto percentual no crescimento americano reduzirá 1,3 ponto percentual da taxa de crescimento chinesa, segundo o Citigroup. As previsões de crescimento em 2008 agora estão numa faixa de 9,5%, na opinião do Standard Chartered, a 11%, na estimativa mais otimista do Citigroup.


Um crescimento menor das exportações repercutiria na economia, prejudicando os gastos do consumidor e a demanda por aço e produtos importados, que no ano passado deu um salto de 21%, para um total de US$ 791 bilhões. Isso poderá reduzir a possibilidade de a China compensar a redução do papel dos EUA como motor de crescimento mundial.


A China vem tentando reduzir sua dependência de exportações. Mas suas vendas para os EUA - seu maior mercado depois da União Européia (UE) - cresceram 14% no ano passado, para US$ 232,7 bilhões, respondendo por 21% das exportação totais.


"Se não houver crescimento nessa demanda, ou se ela diminuir, então veremos que os produtos fabricados na China não conseguirão ser vendidos", diz Ting Lu, economista Merrill Lynch. "Isso não é bom para o crescimento."


Países vizinhos poderão sentir o impacto à medida que as fábricas chinesas que produzem mercadorias para exportação adquirirem menos insumos no exterior. A China é o mercado que mais importa da Coréia do Sul, à frente dos EUA, sendo também um cliente crucial de outras economias asiáticas que fornecem matérias-primas ou alimentam um crescente mercado consumidor chinês.


Um declínio na exportação poderá agravar o que, temem os planejadores chineses, seja um excesso de capacidade de produção em setores como as indústrias têxtil e automobilística. Eles vem tentando limitar os investimentos em setores onde o estoque de ativos excede a demanda, mas os investimentos em fábricas e outros ativos fixos vêm crescendo a uma taxa anual de 25%.


"Um desaquecimento da economia puxado por exportações evidenciaria o excesso de capacidade", disse Mingchun Sun, economista do Lehman Brothers. Ele disse que isso poderá deixar as companhias com um acúmulo de produtos e provocar uma guerra de preços, sendo que "ambos os casos comprometerão a lucratividade das empresas e sua capacidade de honrar seus empréstimos levantados junto aos bancos".


O boom chinês e a crescente demanda chinesa fizeram do país, no ano passado, o segundo maior contribuinte para o crescimento mundial, depois dos EUA, segundo o Fundo Monetário Internacional. Mas analistas dizem que a China não poderá substituir a gigantesca economia americana como motor do crescimento mundial.


"A China, em certa medida, pode ser um motor de crescimento, mas não têm condições de cobrir todo o diferencial", disse Lu.


Na Índia, o impacto econômico do desaquecimento americano deverá ser atenuado, devido à limitada dependência do país em relação aos mercados internacionais.


As exportações indianas para os EUA no ano findo em março foram de apenas US$ 18,9 bilhões, ou 15% das vendas totais para exterior.


Apesar disso, os crescentes setores exportadores indianos, entre eles o de artigos do vestuário, poderão ser afetados negativamente.


Rajendra Hinduja, diretor financeiro da Gokaldas Exports, importante exportadora de roupas, disse que os varejistas estrangeiros informam que as vendas de seus artigos estão em queda de 4% a 5%.


As companhias chinesas estão reagindo, tentando desenvolver novos produtos e estimulando vendas na Europa e em outros mercados fora dos EUA.


A Meisida Electronic Toys, em Jinjiang, uma cidade na província de Fujian, do cinturão exportador no sudeste, está ouvindo reclamações de clientes americanos sobre alta nos preços, diz Chen Junling, gerente de exportações da companhia. Ela disse que a companhia tem 1,2 mil empregados e no ano passado exportou 90% de sua produção. "Não tenho uma idéia exata de em que medida a recessão americana afetará nossos negócios, mas poderemos ver um declínio nos volumes de compras", disse Chen. "Vamos desenvolver novos produtos para atender a demanda do consumidor, mas não vamos reduzir os preços."

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Governo Lula: Criação de empregos formais bate recorde e atinge 1,6 milhão

Milhares de pessoas fazem fila para se inscrever em cursos de profissionalização no Recife (Foto: Agência Estado)



FONTE ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília

A geração de empregos formais em 2007 chegou ao maior patamar já registrado pelo Ministério do Trabalho. No ano passado, o saldo entre admissões e demissões ficou em 1.617.392, número 31,62 % superior ao saldo de 2006, de 1.228.686 de vagas, e também acima do recorde anterior, de 2004 (1.526.276).

Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que reúne as informações dos trabalhadores contratados sob o regime da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), mas exclui os trabalhadores domésticos.

Ao todo, o ano passado terminou com 29.281.974 de pessoas com registro em carteira de trabalho. O setor que mais emprega formalmente hoje é o de serviços, com 11,683 milhões de vagas. O Ministério do Trabalho atribui isso ao dinamismo do desempenho da economia.

O setor que mais gerou empregos no acumulado do ano foi o de serviços, com 587.103 novos postos de trabalho. Já o comércio apresentou 405.091 novos postos com carteira assinada, e a indústria de transformação, 394.584 vagas. A construção civil e a agropecuária foram setores que tiveram uma criação de empregos formais menos intensa, respectivamente com 176.755 e 21.093 registros em carteira.

De acordo com o Caged, um em cada três empregos foi criado no Estado de São Paulo, que fechou 2007 com saldo recorde de 611.539 postos --38% do total do o país. Em seguida aparecem Minas Gerais (168,4 mil), Rio de Janeiro (144,8 mil) e Paraná (122,4 mil).

"2008, para mim, vai ser um ano melhor que 2007. O PIB vai crescer mais de 5% e a geração de empregos vai ficar e torno de 1,8 milhão de novos postos de trabalho, podendo chegar a 2 milhões", afirmou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.

Ele ressaltou o crescimento dos investimentos estrangeiros no país, inclusive de pessoas físicas no Nordeste. Segundo ele, essa é uma das razões para o desempenho do setor de serviços.

Além disso, de acordo com Lupi, o setor de construção será beneficiado pelo aumento de recursos no Orçamento do FGTS.

Segundo dados divulgados hoje pela (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), o financiamento da casa própria com recursos da poupança atingiu R$ 18,302 bilhões e 195.981 unidades em 2007, no maior patamar registrado há 19 anos, de 181,8 mil imóveis em 1988.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Comércio deve faturar R$ 43,2 bi neste fim de ano, no melhor resultado em 11 anos

Aguinaldo Novo e Fabiana Ribeiro - O Globo Comércio popular também ganhou mais neste fim de ano

SÃO PAULO e RIO - O faturamento do varejo neste Natal deve alcançar R$ 43,2 bilhões, no melhor resultado dos últimos 11 anos. Calculada pela consultoria Gouvêa de Souza & MD, a cifra considera todos os segmentos, da loja de roupas na Saara, no Centro, à receita de gigantes como Pão de Açúcar.

Só ficaram de fora da conta os gastos com combustíveis e compra de automóveis. Todo esse movimento no varejo terá impacto na indústria. Com os estoques reduzidos, muitas empresas cancelaram férias coletivas e prevêem entrar em 2008 com produção mais acelerada do que nos outros anos.

Neste sábado, os consumidores que deixaram as compras para a última hora levaram um susto no Centro e na Zona Sul do Rio. A luz acabou devido a um problema na subestação de

Pelos dados da Gouvêa de Souza, o faturamento projetado para o Natal deste ano vai corresponder a um aumento de 12,2% em relação ao mesmo período de 2006 (R$ 38,5 bilhões). Na comparação com 2005 (R$ 35 bilhões), a variação chega a 23,4%. Números tão vistosos assim são efeito da redução do desemprego e da explosão do crédito, com financiamentos cada vez mais esticados. Com dinheiro extra no bolso, o consumidor foi às compras.

Leia mais no jornal ou na sua versão digital sobre as medidas que a indústria deve adotar para acompanhar o aumento do consumo (somente para assinantes).

domingo, 9 de dezembro de 2007

Brasileiro está otimista com a economia



Confiança é maior entre moradores das regiões Norte e Centro-Oeste, que prevêem melhora substancial nos próximos meses

Pesquisa Datafolha feita em todo o país mostra que 54% dos brasileiros esperam que a sua situação econômica vá melhorar no futuro

FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL

Folha de São Paulo

A maioria dos brasileiros está otimista com a evolução de sua situação econômica, mas são os moradores das regiões Norte e Centro-Oeste os que acreditam que haverá substancial melhora nos próximos meses.
Coincidentemente, são alguns dos Estados dessas duas regiões os que hoje concentram os maiores índices de aumento das vendas no comércio, onde o impacto da melhora da renda e do emprego é direto.
Também ocorre no Norte e no Centro-Oeste grande parte da produção de commodities agrícolas e minerais do país, cujos preços vêm atingindo níveis recordes no mercado internacional e ampliando a renda de produtores dessas áreas.
Pesquisa Datafolha realizada em todo o país entre os dias 26 e 29 de novembro com 11.741 entrevistados mostra que 54% dos brasileiros acreditam que sua situação econômica vai melhorar daqui para a frente.
Entre os moradores do Norte/Centro-Oeste, o percentual salta a 61%; no Nordeste é de 59%. Nas regiões Sul e Sudeste, os números ficam abaixo da média nacional: 42% e 52%, respectivamente.
Enquanto as vendas médias do comércio varejista subiram 9,6% em todo o país entre janeiro e setembro, em alguns Estados do Nordeste o percentual de aumento é muito superior. Em Alagoas, a alta foi de 26%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No Ceará, de 12,3%. Em Sergipe, de 11,5%.
No caso do Nordeste, a região também concentra a maioria dos beneficiários de programas sociais e assistenciais, como o Bolsa Família e outros vinculados à Previdência.
Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste como Maranhão (14,8%), Pará (10,9%) e Mato Grosso do Sul (14,1%) também tiveram vendas comerciais no ano maiores do que a média.
Já no Sul e no Sudeste, vários Estados têm registrado desempenho do comércio abaixo da média nacional. Casos de Rio Grande do Sul (6,2%), Paraná (7,1%), Rio (6,1%) e Minas Gerais (7%), por exemplo.

Leia mais na Folha de São Paulo (para assinantes)

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

As três cabeças do dragão


Por Luiz Carlos Mendonça de Barros, José Roberto Mendonça de Barros e Paulo Pereira Miguel

Valor


Após cinco anos de crescimento global quase sem precedentes na história econômica documentada, a desaceleração da economia americana aumentou a incerteza em relação à continuidade deste excepcional momento. Afinal, durante décadas, a liderança dos EUA para a prosperidade mundial dificilmente poderia ser contestada, em função de sua posição de consumidor de última instância da produção global. É natural, portanto, que os economistas tenham se acostumado a usar grande parte de seu tempo tentando entender a dinâmica na economia americana, como atalho para antecipar os destinos globais. A grande novidade, que tem ficado muito clara desde o ano passado, é que não é mais possível pegar atalhos para entender a economia mundial. Isso porque há um novo ator fundamental, que tem uma dinâmica própria e muito diferente da de um país desenvolvido: a China.


O crescimento da China tem sido tão fenomenal, em uma lógica de convergência acelerada para níveis de renda per capita mais altos, que tem arrastado o resto da Ásia e, cada vez mais, todos os países que de alguma forma tenham algum papel a desempenhar neste processo. O ciclo econômico chinês existe, mas tem se dado ao redor de uma tendência de crescimento muito forte. A seqüência, ano após ano, ao longo de quase três décadas, de taxas de crescimento próximas a 10% ao ano gerou massa crítica suficiente para tornar a China o novo pólo dinâmico global. A China ainda é menor - e continuará sendo ainda por muito tempo - que os EUA em termos absolutos, mas a velocidade de crescimento é tal que sua contribuição para a expansão da economia mundial já é maior que a dos EUA.




Ameaça para muitos, oportunidades para outros, entender a questão chinesa é fundamental para qualquer planejamento estratégico, no nível empresarial ou nacional. O trabalho é tão mais difícil quanto mais o país progride e muda, também com grande velocidade, condicionado pela rápida urbanização. É interessante para a análise ilustrar a China como um dragão de três cabeças.


A primeira cabeça é a que devora vorazmente quantidades antes inimagináveis de energia, matérias-primas industriais e, cada vez mais, commodities agrícolas. Os preços relativos das commodities cresceram e é razoável esperar que se mantenham altos por muito tempo. No caso de energia, por exemplo, o perfil de consumo chinês ainda é muito voltado para o setor industrial e apenas agora a parcela destinada ao transporte e à infra-estrutura comercial e residencial, majoritária em países de renda mais alta, começa a ganhar espaço. A convergência do perfil de consumo chinês para o de países mais desenvolvidos e o forte investimento em infra-estrutura - que tem acelerado no interior do país com dezenas de milhares de quilômetros de rodovias em construção - implica grande crescimento da demanda de energia nos próximos anos.


A AIE estima que em 2006 a demanda chinesa ultrapassou a da Europa e deve atingir o nível dos EUA na próxima década, muito mais rápido do que havia estimado em 2002. Na parte de commodities metálicas, o mesmo acontece. Outro aspecto de importância fundamental da primeira cabeça devoradora de commodities é uma industrialização de base rápida e altamente poluidora, que já tem mobilizado os estrategistas chineses para o aumento da eficiência no uso de energia e matérias-primas.




As oportunidades para empresas bem posicionadas para fornecer estes produtos são enormes, transformando cadeias industriais inteiras, e, de forma mais ampla, mudando da água para o vinho os termos de troca, o padrão de inserção internacional, o perfil do balanço de pagamentos e o ambiente econômico de inúmeros países.


A expansão das cadeias de recursos naturais é muito mais ampla do que se imagina, pois inclui grande crescimento de produtividade, novos produtos (bioenergia, alcoolquímica etc.) e serviços (TI aplicada, pesquisa e serviços ligados à biotecnologia, petróleo, entre outros). A imensa maioria dos novos investimentos no Brasil está nestas cadeias. Apenas na área de bioenergia são esperados investimentos de US$ 20 bilhões nos próximos cinco anos. O movimento global por energia limpa e desenvolvimento com menor impacto ambiental oferece oportunidades para o Brasil.


Sob o ponto de vista macroeconômico, o Brasil é talvez um dos exemplos mais ricos do poder de um súbito aumento da demanda mundial e dos termos de troca para alterar a dinâmica de uma economia, mesmo em um ambiente de paralisia institucional. A virtual eliminação da secular fragilidade do balanço de pagamentos, com a concomitante valorização e redução da volatilidade da moeda nacional, tem sido o fator preponderante para a economia brasileira. No ambiente empresarial, a resposta de parte da indústria - agribusiness, mineração, siderurgia etc - é extremamente rápida e eficiente, sendo estes setores os ganhadores claros da nova dinâmica global.


A segunda cabeça é a que produz bens manufaturados, em elevada escala e com baixo custo. Inicialmente focada em manufaturas leves, a China inundou o mundo nos anos 80 e 90 com produtos têxteis, eletroportáteis e bens de consumo de baixo e médio valor agregado, provocando um efeito deflacionista global que apenas agora começa a perder força (mais sobre isso à frente). Isso significa menor poder de preços para as empresas brasileiras, obrigando-as a mudar a visão estratégica, com foco em volume de vendas, consolidação setorial e investimento (o mercado de capitais tem sido ferramenta essencial para esta mudança).


Após o susto inicial, a indústria brasileira tem respondido a este desafio, internacionalizando suas fontes de suprimentos (inclusive com investimentos no exterior), visando reduzir custos de produção. Mas este movimento de abertura da economia e das empresas só tem sido possível por conta do aumento da capacidade de importação, derivada do choque favorável no setor de commodities, que expõe número crescente de setores à maravilha da globalização no mercado de bens (antes a globalização era entendida - e para muitos ainda é - apenas através do canal financeiro) e contribui para reduzir a volatilidade da economia e alongar os horizontes de planejamento empresarial. Novas teias de distribuição emergem, com densidade e amplitude que apenas começam a tomar corpo. Há desafios e muitos perdedores, mas também temos visto muitos casos de sucesso entre os que entendem a nova realidade, mesmo sob condições assimétricas de competição.


Mas a segunda cabeça do dragão não pára nos bens manufaturados de baixo e médio valor agregado. A China está deixando de ser uma plataforma de montagem e tem galgado rapidamente novas etapas de sofisticação industrial, tornando-se um duro competidor global em bens de consumo de maior valor (automóveis, eletrônica de consumo de alto nível) e bens de capital (material de telecomunicações, equipamentos etc), enquanto as exportações de manufaturados leves (têxteis, por exemplo) perdem participação. Os gastos em R&D na China hoje só são superados pelos Estados Unidos. Também ocupa espaços crescentes em cadeias de conhecimento e serviços, antes 100% dominadas pelo Ocidente, envolvendo pesquisa, design industrial e marketing. O upgrade na produção requer máquinas mais sofisticadas, alegremente supridas por Japão e Alemanha, mas desta festa o Brasil participa pouco. Este movimento é bem mais recente e trará novos desafios para a estrutura industrial brasileira, fortemente concentrada nos setores de sofisticação média.


A desaceleração americana forçará a China a redirecionar seu esforço comercial, e isso já está acontecendo. O acordo de livre comércio com o Chile assinado em 2006 é mais uma evidência da estratégia chinesa: não fizemos a saída para o Pacífico, mas a China está fazendo a entrada para o Atlântico e o Brasil sofrerá maior pressão competitiva daqui para frente. Por outro lado, há nichos claros que podem ser explorados pelo Brasil na área de design e marketing.


A terceira cabeça do dragão é a mais recente, com grande espaço de crescimento, e representa a população da China como grande consumidora global. A incorporação de dezenas de milhões de pessoas ao ano no mercado de trabalho e o rápido crescimento da renda per capita indicam que a China como mercado consumidor é uma realidade cada vez mais próxima.


O setor produtivo local terá muita dificuldade em atender a demanda em inúmeros setores e as oportunidades para o Brasil são enormes. Claramente o agrobusiness será vencedor, mas há oportunidades em muitos outros setores não tão óbvios e hoje vistos por muitos como perdidos. A crescente classe média demandará produtos de sofisticação intermediária, que podem ser fornecidos pelo Brasil. Por exemplo, sapatos de 70 dólares, alimentos prontos para consumo etc.


Ou seja, das três cabeças, duas são claramente benéficas para o Brasil. Mas a cabeça maléfica poderá ser muito poderosa, especialmente nos próximos anos. É necessário entendê-la e enfrentá-la.


Por fim, há ainda os desafios estruturais para a economia global. A emergência da China por enquanto tem sido um fator de estabilidade e confiança, como mostra o descolamento cada vez mais claro do resto do mundo em relação à desaceleração da economia americana. Mas a China tem seus riscos próprios. Tornou-se comum nos últimos meses considerar que a força deflacionista chinesa estaria no fim, ou mesmo teria terminado. Tal avaliação decorre principalmente do fato dos preços das importações dos EUA vindas da China terem deixado de mostrar deflação. A elevação da demanda de alimentos também é vista como um risco importante. Por fim, o mercado de trabalho estaria ficando menos folgado, elevando os custos trabalhistas chineses, apesar do contínuo ganho de produtividade na economia.


Em nossa opinião, esta é uma forma incompleta de enxergar o problema, pois leva em conta apenas a variação do preço dos bens exportados pela China e deixa de considerar o mais importante: que o nível de preços destes mesmos bens pode diferir bastante dos produzidos em outros países. O nível de preços em mercados com grande concorrência acaba por convergir para o produtor com o menor custo marginal. Mesmo que o custo marginal deste produtor seja crescente, enquanto tal custo for inferior ao de um produtor em outro país, o preço global deste produto continuará a cair.


Este é o caso da China hoje, que tem experimentado custos marginais crescentes, como é natural em um processo de convergência de renda para níveis mais altos, mas que ainda são muito inferiores aos dos países desenvolvidos e de outros emergentes. O resultado é preços globais ainda cadentes ou estáveis na maioria dos produtos industriais exportados pela China, mesmo com preços chineses em alta. Particularmente interessante é a contínua deflação dos preços de importações americanas vindas do restante do chamado cinturão do Pacífico, que basicamente inclui todo o Leste e Sudeste Asiático, no caso excluindo a China. A redução da inflação das importações americanas vindas da Europa também é incrível, tendo em vista a contínua apreciação do euro nos últimos anos, que, tudo o mais constante, deveria levar os europeus a buscar aumentos de preços para suas exportações (como tem sido o caso das empresas brasileiras). Mas nada está constante e a competição global é feroz em quase todos os segmentos industriais. Por fim, mesmo o temor de custos salariais crescentes parece injustificado, a não ser em algumas categorias específicas. Isso porque o aumento da produtividade continua muito forte, implicando custos de trabalho por unidade produzida ainda cadentes.


Em suma, apesar das incertezas, acreditamos que a China ainda será uma força deflacionista por alguns anos. Mesmo assim, há riscos cíclicos importantes, dados pela interação do fenômeno chinês com a economia global, que não podem ser desprezados. Um deles é o impacto da desaceleração americana no setor exportador chinês, que acreditamos ser pequeno e minimizado pela conquista de market share em outros países. Outro risco grave e que deve ser monitorado com atenção é a emergência de pressões inflacionárias mais generalizadas na China e na Ásia em geral, que certamente demandaria uma resposta de política econômica e abalaria o cenário atual de crescimento acelerado.


Para o Brasil a lição é só uma: o perfil de nossa indústria e da economia vai mudar, mas não haverá desindustrialização. O que poderá haver são oportunidades perdidas e, neste sentido, a resposta estratégica do Brasil ao dragão ainda é incompleta. Uma visão ampla dos desafios e oportunidades é fundamental. É hora de olhar para o futuro e não de recriar o passado.


Luiz Carlos Mendonça de Barros e Paulo Pereira Miguel são economistas da Quest Investimentos


José Roberto Mendonça de Barros é economista da MB Associados

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Indústria cresce 7,2% e puxa PIB no trimestre

Ana Paula Grabois

Valor (para assinantes)

A indústria de transformação foi o motor do crescimento econômico do país no segundo trimestre deste ano. O setor apresentou forte expansão, de 7,2%, após subir 2,7% no primeiro trimestre, de acordo com as Contas Trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Depois de uma alta de 4,4% nos primeiros três meses do ano, o Produto Interno Bruto (PIB) acelerou o ritmo para 5,4% no segundo trimestre em relação ao mesmo trimestre do ano passado, na maior taxa desde o segundo trimestre de 2004, quando ficou em 7,5%. Na comparação com o trimestre anterior, em termos dessazonalizados, o PIB aumentou 0,8%.

O governo festejou a 22ª alta consecutiva do PIB (na comparação com igual período do ano anterior), o que consolidaria o mais longo ciclo de crescimento da economia brasileira desde o início dos anos 90.


"A aceleração do crescimento no segundo trimestre deve-se muito à indústria de transformação", disse a gerente das Contas Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis. Os destaques do setor ficaram por conta dos segmentos de máquinas e equipamentos, automotivo, material elétrico, metalúrgico e de produtos químicos.


"A indústria acelerou o ritmo de crescimento influenciada pelo aquecimento da demanda interna, após meses de reforço no investimento" , avaliou a economista Marcela Prada, da consultoria Tendências . Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Estadual (Iedi), a recuperação dos segmentos mais afetados pelo câmbio valorizado foi importante para o bom resultado da indústria de transformação no segundo trimestre. Em relatório, o Iedi, ressaltou que setores como têxtil, calçados, vestuário e madeira, já saíram do fundo do poço e deixaram de pesar negativamente no PIB.


"A alta da indústria de transformação refletiu positivamente no resultado do comércio e do transporte de cargas, ou seja, nos serviços. Por isso, foi mais importante para o PIB", completou a gerente do IBGE. A expansão mais forte se repetiu nos demais segmentos da indústria, especialmente na construção civil, cujo crescimento chegou a 6,3% no segundo trimestre. Além do aumento do volume de crédito direcionado para a habitação, o IBGE atribui o vigor ao aumento do emprego no setor.


Sob o ponto de vista da demanda, o crescimento econômico brasileiro teve como destaque os investimentos das empresas em máquinas, equipamentos e construção (formação bruta de capital fixo). Os investimentos aumentaram 13,8%, pela 14º trimestre consecutivo, estimulados pelo corte da taxa de juros e maior oferta de crédito. Devido ao bom desempenho, a taxa de investimento em relação ao PIB atingiu 17,7%, a maior taxa para um segundo trimestre desde 2000, quando foi iniciada a série histórica da taxa. "O maior investimento confere sustentabilidade ao crescimento, pois aumenta a capacidade produtiva da economia. As empresas apostam na continuidade do aumento do consumo interno", disse o coordenador das Contas Nacionais do IBGE, Roberto Olinto.


Sob o efeito da expansão do crédito e da massa salarial, o consumo das famílias manteve-se em expansão pelo 15º trimestre seguido e cresceu 5,9%. Para a economista do Unibanco Giovanna Rocca embora o resultado do PIB tenha vindo um pouco abaixo do esperado pelo mercado, a economia permaneceu em ritmo de crescimento "robusto", sustentado pela demanda interna aquecida.


Ainda pelo lado da oferta, a indústria extrativa, impulsionada pela produção de minério de ferro, cresceu 5,9%, enquanto a indústria de produção e distribuição de energia elétrica, gás e esgoto apresentou aumento de 6,1% no primeiro trimestre na comparação com o mesmo período de 2006.


O setor de serviços ficou com desempenho ligeiramente abaixo da média da economia, com 4,8% no segundo trimestre. Já a agropecuária apresentou crescimento próximo a zero por conta das safras ruins do café e do arroz. Os técnicos do IBGE afirmam que o setor deve ter maiores crescimentos ao longo do segundo semestre porque o período concentra a maior parte da colheita agrícola.


O coordenador do IBGE diz que as taxas de crescimento do segundo trimestre se aproximaram dos números de 2004, quando o país havia crescido 5,7%, mas com um outro padrão. Em 2004, o país produzia e investia para exportar. Agora, a expansão da economia está ancorada no mercado interno, que além de favorecer os investimentos e a produção, tem estimulado as importações. "Em 2004, a participação do setor externo era maior do que agora. Os fatores que explicam o crescimento em 2007 estão ligados ao consumo interno", disse Olinto. O volume das importações de bens e serviços subiu 18,7% no segundo trimestre do ano. As exportações aumentaram 13%, mas sobre uma base baixa de comparação.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Sarkozy est vachement cynique - Presidente francês defende protecionismo e acusa os paises emergentes de dumping

Sarkozy reclama la refundación de la política agraria europea

Francia propondrá en 2008 un marco que asegure los alimentos a la UE


J. M. MARTÍ FONT

EL PAÍS

El presidente francés, Nicolas Sarkozy, quiere transformar la Política Agraria Común (PAC) de la Unión Europea (UE) de modo que permita construir "una agricultura de primera línea en Europa" que "garantice la independencia" y la "seguridad alimentaria". El alza de los precios de los productos agrícolas, que ha llevado a algunos analistas a anunciar penurias alimentarias, ha cambiado sustancialmente las bases del debate sobre la reforma de la PAC, y Sarkozy entiende que Europa debe establecer la "preferencia comunitaria".


El momento estaba bien escogido: la víspera de que la Comisión Europea inicie el proceso de consultas para la reforma de la PAC que debe llevarse a cabo antes de 2013, y cuyas líneas de trabajo se fijarán en un documento en noviembre. "No es porque uno sea urbano que no está a la escucha del mundo agrícola", les dijo ayer Sarkozy a ganaderos y agricultores franceses reunidos en el Salón Internacional de Cría de Rennes. "Quiero que nuestros agricultores puedan vivir de la venta de sus productos y que la PAC se establezca en función de un principio indiscutible de preferencia comunitaria", añadió.

Tal y como ahora existe, la PAC "no puede responder a los desafíos de después de 2013", porque debe hacer frente no sólo a la necesidad de asegurar los alimentos para los ciudadanos europeos, sino también contribuir al equilibrio alimentario mundial, preservar los territorios rurales y participar en la mejora del medio ambiente. Sarkozy considera que no hay que esperar hasta 2013 para reformar la PAC, de modo que Francia hará una propuesta durante su presidencia de la UE en el segundo semestre de 2008.

Según Sarkozy, la nueva PAC deberá contar con un "presupuesto ambicioso" y basarse en el principio de la "preferencia comunitaria", de modo que los agricultores dejen de ser ciudadanos "asistidos que viven de las subvenciones". La Comisión, por su parte, ha hecho público un borrador en el que reactiva la cuestión de la "cofinanciación", un sistema que asocia los fondos comunitarios y los nacionales.

El jefe del Estado francés insistió en la necesidad de un proteccionismo europeo al referirse a las negociaciones -actualmente paralizadas- en el seno de la Organización Mundial del Comercio. Sarkozy es partidario de reiniciarlas, pero bajo la condición de la "reciprocidad". "Las naciones emergentes quieren los derechos de las grandes naciones pero deben aceptar también los deberes (...), consideran que sólo tienen derechos y ningún deber en un sistema de comercio multilateral". A esos países, entre los que citó a India, Brasil, China y Argentina, Sarkozy ya les ha dicho que "Europa no mostrará más ingenuidad".

"No podemos imponer reglas a nuestros productores y al mismo tiempo permitir la importación" de productos de otros países que suponen un "dumping medioambiental, social, fiscal y monetario".

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Kirchner aseguró que Cristina va a cuidar el superávit "a rajatabla"

"Ella me reprocha que gasté mucho en estos años", bromeó ante 1.500 industriales. Hizo un repaso de su gestión y negó que la inversión en obra pública ponga en riesgo la situación fiscal. Al final, se fue ovacionado.

BIENVENIDO.
NESTOR KIRCHNER EXPUSO AYER ANTE LOS INDUSTRIALES.
FUE INTERRUMPIDO SIETE VECES CON FUERTES APLAUSOS.



Alejandra Gallo



El presidente, Néstor Kirchner, pareció elegir el almuerzo, organizado por la Unión Industrial, como el escenario para hacer su discurso de despedida. Con tono calmo, interrumpido en siete ocasiones por los aplausos de los cerca de 1.500 industriales que lo escucharon, hizo varias referencias a la candidata a sucederlo, su esposa la senadora Cristina Fernández.

"Cristina me reprocha que he gastado mucho estos años", sonrió el Presidente en una de esas referencias y aclaró que "ella admite que va a mantener el superávit a rajatabla en el 4% del PBI". En otro encuentro empresario, con IDEA, la senadora-candidata había pronosticado que en el 2008, el superávit fiscal "estaría en niveles similares a los actuales: un 3,12% del PBI".

El gasto público está siendo uno de los ejes principales de la campaña electoral. Ayer, Kirchner fue a fondo en este tema. Pidió: "No creemos ni les crean a los que dicen que una inversión pública, en especial en infraestructura, trae déficit fiscal". Fue uno de los momentos en que le arrancó uno de los siete aplausos a quienes lo escucharon. El CEO de Techint, Paolo Rocca (sin duda, el invitado más poderoso) fue quien disparó, sonriente, la ola de palmas.

Kirchner no fue al almuerzo de ayer con las manos vacías. Anunció que le cederá a la central fabril un predio de 13 hectáreas en Barracas para que haga allí exposiciones industriales a partir del 2010, tal como había adelantado ayer Clarín. "Espero que se acuerden de invitarme para entonces", bromeó Kirchner.

Otro de los aplausos lo generó el propio, Juan Carlos Lascurain (titular de la UIA), cuando el Presidente dijo, en alusión al rol de los organismos internacionales de crédito, "nos gusta la política económica propia y no la impuesta por los demás". Toda la mesa principal siguió a Lascurain con las palmas. Estaban: Ignacio de Mendiguren, Héctor Massuh, Luis Betnaza, y Juan Sacco, entre otros directivos de la UIA; Cristina, el candidato K a la gobernación bonaerense, Daniel Scioli, y el ministro de Economía, Miguel Peirano.

A Kirchner lo acompañó casi todo el gabinete, el único ausente fue el jefe de Gabinete Alberto Fernández y lo escucharon la cúpula de la CGT en pleno y su conductor, Hugo Moyano, se ocupó de generar sus propios aplausos cuando el primer mandatario señaló que "todos los argentinos debemos tener mayor participación en el crecimiento sostenido de la economía".

El embajador de Brasil, Mauro Vieira, debe haber sido el único que se abstuvo de agitar sus palmas cuando el Presidente defendió la aplicación de algunas restricciones arancelarias porque, dijo "se terminó la Argentina ingenua" y cuando destacó que "fue absurdo creer que el país iba a avanzar por el camino de la desindustrialización". El diplomático estaba junto a algunos fervientes aplaudidores: el canciller, Jorge Taiana y la secretaria de Industria, Leila Nazer.

Kirchner no desaprovechó la ocasión para pasar revista a una serie de estadísticas, que repasaron los logros de su gestión. Al final, casi como queriendo sellar un pacto de lealtad futura, los industriales lo ovacionaron de pie. Fue cuando finalizó su discurso y antes de que llegaran las copas del champán para el brindis.

Linha dura com a China

Coluna Econômica

Luis Nassif

O "recall" dos brinquedos da Matell fabricados na China vão influir em praticamente todas as importações chinesas. Já não era novidade a falta de qualidade dos produtos chineses. O fato de empresas norte-americanas encomendarem a produção na China, no entanto, ajudou a blindá-los em relação às normas de certificação adotadas mundialmente. Essas normas analisam a conformidade dos produtos - isto é, se são adequados aos padrões internacionais e nacionais. No Brasil a grande certificadora é o INMETRO, coordenando uma rede de Institutos de Pesos e Medidas estaduais e de laboratórios certificadores.

O International Creditarum Fórum e a ISO – principais padrões de certificação mundiais - dispõem de normas permitindo a alternativa da avaliação da empresa, do seu sistema de qualidade, da qualificação do pessoal, qualidade do laboratório e instalação fabril. Se o processo estiver sob controle, faz-se uma avaliação inicial de cada produto duas vezes por ano. Depois, os produtos são liberados automaticamente.

Era esse o processo de certificação dos produtos da Matell e das empresas que conseguiram qualidade global

***.

A China subverteu esses procedimentos. Passou a driblar os órgãos de fiscalização e a invadir o mundo com produtos de baixíssima qualidade.

Até agora, no Brasil, foram identificados problemas com brinquedos, preservativos, ferros de passar de 20 reais, que apresentam riscos, capacetes industriais e com aparelhos eletro-eletrônicos.

Agora, como a própria Mattel anunciou o “recall”, ontem mesmo o Inmetro pediu aos Institutos de Pesos e Medidas dos estados a apreensão dos brinquedos sob risco de contaminação. Mais importante: decidiu-se também, a partir de agora, que a certificação será feita lote a lote. Essa é a mudança fundamental que altera profundamente as práticas de importação de produtos da China.

Na quarta-feira, em reunião com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), órgão do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) decidiu-se endurecer na fiscalização das importações da China da maneira geral. Não haverá mais a certificação de empresas. Cada lote será examinado antes de ser liberado. Esse procedimento irá se estender sobre eletro-eletrônicos e produtos de informática.

A orientação da Secex é a de não burocratizar a análise, como forma de criar barreiras. Mas usar de todo rigor na avaliação. A orientação de Ivan Ramalho, da Secex, é endossada pelo Ministro do Desenvolvimento Miguel Jorge,

***

O Diretor da Qualidade do Inmetro, Alfredo Lobo contesta afirmações de importadores, de que os procedimentos poderão encarecer os produtos em até 40% Para ele, o acréscimo será mínimo. E se encarecer em 40%, não haverá problemas, porque a indústria nacional poderá suprir essa demanda.

No caso dos brinquedos, por exemplo, a indústria brasileira foi a única que conseguiu sobreviver na América Latina, principalmente graças aos procedimentos de certificação adotados ao longo dos últimos anos.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Moinhos vão processar a Argentina

Mônica Scaramuzzo para Valor (para assinantes)

Após várias ameaças, as indústrias brasileiras de trigo decidiram que vão mesmo entrar com processo antidumping contra os moinhos argentinos para questionar as exportações subsidiadas de farinha de trigo e pré-mistura para o país. O processo está sendo estruturado por um escritório de advocacia no Rio de Janeiro.

A decisão foi tomada depois de inúmeras tentativas frustradas de negociação entre o setor moageiro e o governo para barrar a entrada da farinha de trigo e pré-misturas da Argentina. Desde 2002, os argentinos impõem uma tarifa de exportação para trigo e seus derivados. Para a farinha e pré-mistura, a alíquota é de 10%. Para o trigo em grão, 20%. Há rumores de que a tarifa para o trigo em grão seria elevada novamente. Com essa diferença, vale mais a pena importar farinha ou pré-mistura.


Os moinhos querem que seja colocado um imposto de importação sobre a farinha da Argentina, processo semelhante ao que o Chile fez em 2006 em relação ao trigo oriundo do país vizinho. Os chilenos taxam o cereal argentino em 33%. "Queremos medidas compensatórias", diz Luiz Martins, presidente do Sindustrigo (Sindicato da Indústria do Trigo de São Paulo).


De acordo com Martins, o documento que está sendo preparado pelo escritório contratado pelo setor deverá ser apresentado ao governo nos próximos dias.


No início desta semana, o Ministério da Fazenda sinalizou que planeja abrir o mercado à importação dos alimentos que mais pressionam a inflação com a redução da tarifa de importação, o que inclui trigo, leite e carne bovina. Se concretizada a intenção, o governo zeraria a TEC (Tarifa Externa Comum) do trigo, hoje em 10%, para os países de fora do Mercosul.


Segundo Christian Saigh, vice-presidente do Sindustrigo, a decisão de zerar a TEC chega com um certo atraso. "O trigo não vai chegar mais barato ao Brasil. Para baratear os preços no mercado interno, seria necessário reduzir o Pis/Cofins para o trigo [de 9,25%]."


Os preços do trigo no mercado internacional estão batendo sucessivos recordes, por conta do desequilíbrio entre a oferta e demanda global. Quebras na safra da Austrália, Argentina e de países da Europa estão dando suporte às cotações do trigo. Na bolsa de Chicago, os contratos do trigo para dezembro encerraram o dia a US$ 8,3550 o bushel, com alta de 30 centavos. Na bolsa de Kansas, os contratos para dezembro fecharam a US$ 7,9125 o bushel, com alta de 30 centavos.


Com a alta dos preços do trigo, as indústrias deverão fazer reajustes nos próximos 60 dias entre 10% e 20% nos preços da farinha de trigo, afirma Saigh. Isso significa que haverá também alta de preços dos pães, massas e biscoitos. No mercado interno, as cotações do trigo em grão já atingem R$ 640 a tonelada no Paraná, uma alta de 40% sobre igual período do ano passado. "Cerca de 70% dos custos para produção da farinha são o trigo. Os preços do trigo da Argentina subiram 50% nos últimos meses", diz.


A colheita de trigo no país, estimada em torno de 3,8 milhões de toneladas, começou na segunda quinzena de agosto e deverá se intensificar neste mês. O consumo do cereal no país é estimado em cerca de 10 milhões de toneladas.


A Argentina, maior fornecedor de trigo para o Brasil, deverá iniciar a colheita a partir de outubro. "Mas até agora os argentinos não receberam as cartas de exportação", afirma Martins. A escassez de oferta do trigo argentino tem levado as indústrias a buscar o cereal nos Estados Unidos e Canadá.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Governo brasileiro age para evitar aumento da inflação

Brasil não pode dar subsídio aos produtores argentinos e manter um desabastecimento que provoca aumento de preços na farinha e seus derivados.

No caso do leite e da carne o mesmo motivo recebe a mesma resposta do governo brasileiro, só que neste caso favorecendo Argentina e penalizando os produtores brasileiros.

Agindo assim o governo federal mostra que não permitirá nenhum surto inflacionário e manterá a meta de inflação baixa, fixada pelo Presidente da República e monitorada pelo Banco Central.

A inflação e a carestia prejudicam em primeiro lugar os trabalhadores brasileiros.

Os produtores, argentinos em um caso e brasileiros no outro, não podem impor aumento nos preços na base da forte demanda e baixa oferta. Devem, isso sim, ampliar a produção e compensar no crescimento da venda as margens de lucro.

Luis Favre



Jornal Clarín de Argentina
Brasil libera las compras de trigo y daña a la Argentina


Perjudica al país por un monto de más de 1.000 millones de dólares al año.
Intercambio comercial Argentina-Brasil



Eleonora Gosman SAN PABLO. CORERSPONSAL
egosman@clarin.com

Brasil va a liberar la importación de trigo de países de afuera del Mercosur. El ministro de Hacienda, Guido Mantega, informó que ya envió una resolución a la Cámara de Comercio Exterior de Brasil (organismo oficial que depende de la presidencia brasileña) para bajar a cero el arancel que grava las importaciones del cereal desde terceros mercados. La medida tiene como principal damnificada a la Argentina que abastece 40% del total del mercado brasileño, lo que le representa un ingreso anual de más de 1.000 millones de dólares.

El equipo económico brasileño considera que al igual que el trigo, también deberá flexibilizar las importaciones de leche y de carne. En estos dos casos, las ventas argentinas son relativamente bajas, del orden de los 100 millones de dólares anuales. Ocurre que en el sector lácteo existe un acuerdo de auto-restricción de exportaciones que Brasil consiguió imponer a sus socios argentinos y uruguayos, principales productores de ese bien dentro del Mercosur. En estos dos rubros, el principal perjudicado será el productor brasileño y los principales beneficiados serán los argentinos y uruguayos que podrán vender con más libertad en el mercado vecino.

Al anular el arancel externo del trigo, que hoy está fijado en 10%, los productores de harina de Brasil podrán importar desde Canadá y Estados Unidos. En realidad, lo que está de por medio es un problema de precios: al abrir las importaciones del cereal desde mercados que subsidian, como el canadiense y el norteamericano, se obliga a los productores argentinos a ponerse en línea con los valores más bajos.

El argumento que esbozaron los privados brasileños es que Argentina suspendió desde marzo envíos de trigo. Eso los habría obligado a comprar a canadienses y norteamericanos a un precio como mínimo tan caro como el argentino. Lo que quieren precisamente es nivelar para abajo deduciendo de las importaciones desde América del Norte el 10% del arancel. El secretario de Comercio Exterior brasileño, Armando Meziat, declaró que "hubo un desequilibrio entre la oferta y la demanda de trigo en el mundo y eso llevó los precios para arriba". El total del consumo brasileño de trigo llegó el año pasado a 10 millones de toneladas anuales; de esa cifra, 4 millones fueron vendidos por los argentinos.

Otros de los argumentos oficiales que explicarían la decisión de bajar a cero los aranceles de alimentos (además de trigo, leche y carnes hay otros tres en vista) es que en Brasil hay un proceso inflacionario.

Clarín intentó ayer recabar informaciones en medios diplomáticos argentinos, pero no obtuvo respuesta. Esta corresponsal no tuvo respuesta. La medida, en sí misma, es violatoria del tratado fundamental del Mercosur que establece la obligación para todos los socios de cumplir estrictamente con el Arancel Externo Común, que es lo que hace del bloque una unión aduanera.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Importação da China dispara 54%

País desbanca o Mercosul e torna-se o segundo maior fornecedor de produtos para o Brasil, atrás apenas dos EUA

Denise Chrispim Marin para O Estado de São Paulo

A China ultrapassou o Mercosul e consolidou-se como o segundo maior fornecedor de produtos para o Brasil, depois dos Estados Unidos, na lista de importação por país individual. De janeiro a agosto deste ano, produtores chineses embarcaram para o mercado brasileiro US$ 7,579 bilhões, conforme os números da balança comercial do período, divulgada ontem pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Esse valor representou um aumento de 54,4% em relação a igual período de 2006. Também respondeu por 10,1% do total de bens comprado pelo Brasil no exterior.

O desempenho contribuiu para consolidar a Ásia como líder entre os blocos de origem das importações brasileiras, com US$ 18,604 bilhões no período.

Entre janeiro e agosto, o total de importações brasileiras bateu um novo recorde e alcançou US$ 74,921 bilhões. Essa cifra superou em 27,8% a de igual período de 2006. Com taxa de crescimento menor, de 15,9%, as exportações igualmente foram as maiores da história e totalizaram US$ 102,434 bilhões.

Segundo o secretário de Comércio Exterior, Armando Meziat, as exportações superaram US$ 100 bilhões dois dias antes do fim de agosto. Em sintonia com as previsões, o saldo comercial continuou a diminuir - chegou a US$ 27,513 bilhões, US$ 2,234 bilhões a menos que em igual período de 2006.

O comércio com a China, entretanto, foi uma mola excepcional para o incremento das importações brasileiras. Sua vice-liderança entre os fornecedores individuais repetiu-se nos últimos três meses e mostram que dificilmente a China perderá sua atual posição.

Os dados dos sete primeiros meses do ano - período para o qual há números mais detalhados - indicam também que, entre os dez principais itens de importação da China, não figuram os que mais causam gritaria na concorrência nacional, como calçados, têxteis e brinquedos. Essa lista destaca o peso dos insumos para o setor de informática, aparelhos de telefonia, geradores e aparelhos domésticos.

Na comparação entre países individuais, os EUA continuam a liderar a lista dos fornecedores de produtos ao Brasil. Com participação de 16,2% na pauta importadora do País até agosto, os EUA foram a origem de US$ 12,131 bilhões em bens importados. Entretanto, o conjunto das importações provenientes do Mercosul alcançou US$ 7,245 bilhões no período - US$ 334 milhões menos que a China.

Somente a Argentina, que despencou da segunda para a terceira posição em janeiro passado e assim se manteve, embarcou US$ 6,520 bilhões ao Brasil entre janeiro e agosto.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Real risks for resurgent Brazil

By Jonathan Wheatley

Published: September 2 2007 19:49 | Last updated: September 2 2007 19:49

Financial Times

Until a few years ago, if international credit markets felt a chill, Brazil was among the first to catch a cold. In the Mexican, Russian and Asian crises of the 1990s, the South American country was quick to follow its emerging market peers into turmoil. When it was forced to devalue its own currency in 1999, its assets took such a tumble that the central bank had to push its basic interest rate up to 45 per cent a year to stem a run on the real.

Today, Brazil is heavily insulated by high foreign reserves, low foreign debt and healthy current account surpluses. In spite of the recent problems on world credit markets, the talk now is merely of whether the pace of interest rate cuts may have to slow.

The rest of this article is for FT.com subscribers only

domingo, 2 de setembro de 2007

Política econômica igual?

Amir Khair

O Estado de São Paulo (para assinantes)

O sucesso da atual política econômica é atribuído por vários analistas à continuidade da política do governo anterior baseada no tripé: austeridade fiscal, câmbio flutuante e metas de inflação. Será?

Creio que não. O modelo adotado no governo FHC, embora objetivasse usar esse tripé, atuou através de privatizações e taxas de juros elevadas, procurando atrair o capital externo como motor dos investimentos e crescimento da economia. Não estimulou o consumo. Ao contrário, buscou contê-lo com taxas de juros duas vezes maiores do que as atuais, para não ameaçar as metas de inflação, afinal não cumpridas, na maior parte do período.

O governo atual inverteu essa tendência, fazendo do estímulo ao consumo o carro-chefe para o crescimento, por intermédio de aumentos do salário mínimo, políticas de transferências de renda e criação de empréstimos consignados. Com essas medidas cresceu o emprego formal (carteira assinada) e a massa salarial. Em decorrência, as receitas da Previdência Social batem recordes sucessivos superando desde 2006 o crescimento das despesas com benefícios, apesar dos fortes reajustes no salário mínimo.

A política de comércio exterior do governo anterior priorizou os países desenvolvidos. A atual, os emergentes que apresentam taxas de crescimento elevadas e são carentes em commodities, nas quais temos posições estratégicas.

Caso essa mudança não tivesse ocorrido, a crise americana traria efeitos perversos sobre nós. Ainda em relação à política externa, o atual governo fortaleceu as reservas internacionais, que passaram de US$ 37 bilhões no final de 2002, quando se encerrou o governo FHC, para US$ 160 bilhões, e se livrou das amarras do FMI, que condicionava a política econômica às suas diretrizes.

Quanto à austeridade fiscal, seus dois principais termômetros tiveram comportamentos bem diversos nos dois governos. O primeiro deles é o resultado nominal (receitas menos despesas inclusive juros), que passou de um déficit de 9,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2002 para 2,1% em junho último. O segundo, que é a dívida líquida do setor público em relação ao PIB, após cair continuamente desde 1984, quando atingiu 58% do PIB, até 28% em 1995, inverteu essa trajetória para alcançar 51% em 2002. Atualmente está em 44%, com tendência de queda.

Os resultados fiscais do atual governo foram obtidos por causa da manutenção de superávits primários - receitas menos despesas, exclusive juros - que foram elevados para compensar a pesada conta de juros, que nos últimos dez anos representou em média 8,0% do PIB, a maior despesa do setor público.

A outra perna do tripé da política econômica, que é a política de câmbio flutuante, iniciada em 1999, deixou de existir a partir de 2006, quando o Banco Central passou a interferir no mercado através de compras maciças de dólares, na tentativa de colocar limites às quedas contínuas do valor da moeda americana.

Outros fatores podem ser objeto de comparação entre as duas orientações econômicas. No governo anterior foram criadas agências reguladoras independentes da política oficial, visando a atrair investimentos de longo prazo no processo de privatizações. Atualmente, o papel dos Ministérios está fortalecido no caso de conflitos com as agências, que devem se subordinar à política econômica, o que trouxe uma retração nesses investimentos. As privatizações foram praticamente suspensas e fortalecidas as ações das estatais remanescentes.

Por outro lado, o crédito ao produtor rural foi ampliado substancialmente, passando de R$ 2 bilhões para R$ 12 bilhões o investimento no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Todavia, persistem nos dois períodos traços preocupantes. Trata-se da ampliação da carga tributária e do aumento de despesas públicas. E são desconhecidas as medidas de modernização e racionalização administrativa em curso.

Continuamos reféns de uma política monetária com altas taxas de juros, elevados depósitos compulsórios dos bancos ao Banco Central, elevados spreads bancários (diferença entre as taxas de juros dos empréstimos e das captações), baixos investimentos na infra-estrutura e logística, ampliação da burocracia, pouco investimento em meio ambiente e saneamento básico.

Parte desses problemas pode ter solução a curto e a médio prazos. O crescimento econômico está ocorrendo em bases mais sólidas e sustentáveis. Os fundamentos econômicos melhoraram, a parte externa está saneada e as contas públicas caminham para o equilíbrio em 2009 em razão da manutenção de superávits primários elevados e de redução da conta de juros pela queda da Selic. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) deverá ganhar impulso a partir de 2008 e pode melhorar a infra-estrutura e a logística. A política monetária tende a perder força em face da contenção dos preços internos pelos produtos importados, especialmente da Ásia.

A política econômica tem por finalidade criar condições para um crescimento econômico sustentável e com melhorias nas condições de vida da população, especialmente das camadas de menor renda. Os atuais indicadores tendem a apontar cenários mais favoráveis para o alcance dessa finalidade.

*Amir Khair, mestre em Finanças Públicas pela FGV

sábado, 25 de agosto de 2007

China amenaza con represalias por el freno al ingreso de sus productos

Clarín

Fue en respuesta a las restricciones adicionales que días atrás fijó Argentina.

OTROS TIEMPOS. KIRCHNER HABLA EN SHANGAI. FUE EN LA GIRA DE 2004.

Luis Ceriotto
lceriotto@clarin.com


El Ministerio de Comercio de la República Popular China emitió un duro comunicado en el cual "no comprende ni acepta de ninguna manera" la decisión argentina de aplicar el régimen de licencias no automáticas y exigir requisitos adicionales a la importación de bienes de ese origen.

"La parte china no comprende ni acepta de ninguna manera el súbito hecho de que la parte argentina haya tomado medidas de restricción sin ninguna notificación previa y presta una grave preocupación a este aspecto", señaló el portavoz del ministerio chino, a través de un comunicado. A la vez, agregó, el gobierno chino "reserva su derecho de tomar las medidas necesarias".

Las restricciones que impuso la Argentina afectan a las importaciones de marroquinería, neumáticos, llantas, bicicletas, productos informáticos e insumos para calzado, entre otros productos. Y no afecta sólo a las de origen chino, sino a todos los países de la denominada "Zona Aduanera 4", que también abarca a Vietnam, India, Corea y Paquistán, entre otros.

Esta semana, el Boletín Oficial publicó las resoluciones aduaneras, que exigen a los importadores obtener un certificado de origen donde se consigna la validez de la factura emitida por el exportador de ese país. Esa validación -dirigida a evitar la subfacturación- debe ser tramitada directamente ante la Aduana del país exportador o bien desde el consulado argentino de ese país.

"Siendo uno de los miembros fundadores de la Organización Mundial de Comercio (OMC), el Gobierno argentino ignoró el reglamento de la OMC, restringiendo el ingreso legal de productos chinos al mercado argentino", agregó el comunicado. "El acto de la parte argentina contravino sus correspondientes obligaciones multilaterales, lo cual perjudicó los derechos atribuidos a la parte china por la OMC". Más abajo, relata que "en los últimos años, China y Argentina se han mantenido en una amistosa relación de socios comerciales, especialmente durante 2004, cuando los dos jefes de Estado realizaron visitas recíprocas".

En noviembre de 2004, el presidente chino, Hu Jintao, visitó la Argentina. Había expectativas alentadas desde la Casa Rosada de inversiones chinas de US$ 20.000 millones, que no se concretaron. En cambio, el premier chino se llevó una carta de compromiso firmada por Kirchner, por la cual la Argentina reconocía a China como economía de mercado, en el marco de la OMC.

Según el Gobierno chino, el embajador Zhang Tuo visitó el jueves a la Cancillería para conversar del tema, mientras que el Director General de las Américas del Ministerio de Comercio, He Ning, se reunió con el encargado de negocios de la embajada argentina en China. En la Cancillería no hubo información de esas reuniones. Pero el titular de la Aduana, Ricardo Echegaray, dijo a Clarín que las restricciones aduaneras "están en contexto con las normas de la OMC y, específicamente, siguen las directrices de la Organización Mundial de Aduanas, que integran 171 países, entre los que están Argentina y también China".

Otro de los reclamos del gobierno chino alude a "las mercaderías chinas estancadas en los puertos". Al respecto, Echegaray admitió que se produjo un "embudo" durante el fin de semana largo de contenedores chinos que fueron bajados en el puerto de Montevideo. "Los importadores querían ver, antes de desembarcar los contenedores, cuáles eran las mayores exigencias de la Aduana", dijo.



Comercio en expansión


El intercambio comercial entre la Argentina y China tuvo un incremento significativo en los últimos años. En 2006, el comercio bilateral llegó a los US$ 6.630 millones. En ese período, las exportaciones argentinas al mercado chino alcanzaron un total de US$ 3.508 millones. El 81% del aumento de las exportaciones en el último año se explica por las ventas de petróleo. Aunque también se envían a China, cueros y pieles, harina, pellets de aceite de soja y tubos sin costura, entre otros productos.

Durante el primer semestre de este año la tendencia creciente del intercambio continuó y las exportaciones argentinas aumentaron más del 31%, hasta alcanzar US$ 2.160 millones.

Sin embargo, las importaciones, que tanto preocupan a los industriales argentinos, crecieron a un ritmo mayor que las exportaciones: treparon a los US$ 1.998 millones, en lo que va del año.

Según un informe de la consultora Abeceb.com, la Argentina importa 4.442 productos diferentes desde China, de los cuales el 99% son manufacturas de origen industrial. Entre ellos, motocicletas, computadoras, productos de electrónica y agroquímicos.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

'Brasil deve ignorar EUA', diz Phelps

Para Prêmio Nobel de Economia, crescimento americano não deveria ser motivo de preocupação para o País

Célia Froufe para O Estado de São Paulo

O Brasil não deveria se preocupar com o crescimento dos Estados Unidos nos próximos cinco anos. A opinião é do professor de Economia Política da Universidade de Columbia e Prêmio Nobel de Economia do ano passado, Edmund Phelps. Em palestra dada ontem no 3º Congresso Internacional de Derivativos e Mercado Financeiro, em Campos do Jordão, Phelps disse que não há evidências históricas de que o crescimento em uma parte do mundo signifique necessariamente a expansão de outras economias, como acreditam alguns especialistas.

'É uma falácia dizer que uma maré alta eleva todos os barcos.' Ele citou o crescimento da produtividade nos Estados Unidos de 1920 a 1941 e da Europa de 1955 a 1980, acrescentando que nesses períodos não houve expansões em outras economias do globo. 'Portanto, os brasileiros não deveriam se preocupar com uma taxa de crescimento dos Estados Unidos nos próximos um, três, cinco anos', sugeriu, acrescentando estar consciente de que sua opinião parece uma heresia e pode soar como uma contra-indicação.

'É claro que o desenvolvimento dos Estados Unidos levaria a um crescimento mais rápido das exportações no Brasil', ponderou. Este crescimento, no entanto, leva a outros fatores não tão benéficos, como o aumento das taxas de juros no mundo, que deve ser seguido por outros países, como o Brasil. Isso, segundo ele, desencorajaria a competição de empresas do País.

Sobre o desenvolvimento das economias de países da América Latina, Phelps afirmou que há uma lacuna entre a maneira como os fatos ocorrem nos diferentes países. 'Na América Latina, ouve-se que o sistema econômico é ótimo e o problema é social.'

Segundo ele, alguns especialistas indicam a diminuição da assistência e a adoção de cortes nos impostos como forma de resolver o problema. 'Acho que não há mágica para a prosperidade do crescimento universal. Dizer apenas que cortar impostos e gastos resolve todos os problemas é um erro.'

CRISE IMOBILIÁRIA

Phelps acredita que, até certo ponto, o problema do que chamou de 'colapso do crédito nos Estados Unidos' está relacionado com a falta de transparência do setor. 'Os Estados Unidos tinham o hábito de ditar moral para outros países, mas acabaram sem fazer isso no próprio mercado.'

Para o professor, a economia americana não pode passar muito tempo com esse mercado de crédito travado, sem que hajam tomadores e doadores no mercado por causa da aversão ao risco. O primeiro passo a ser dado, segundo ele, é propiciar a volta da liquidez. Em seguida, os setores produtivos deveriam agir para se adaptarem à nova realidade. 'Temos de fazer com que o mercado de crédito volte a ficar em pé.'

Para que isso ocorra de forma adequada, é preciso que o governo considere novos dispositivos de regulamentação para poder lidar com as inovações dos mercados financeiros, como o de crédito. Phelps cogitou também a possibilidade de criação de novas instituições reguladoras do setor. 'E tudo pode ser feito em três, seis, nove meses.'

Leia mais no jornal O Estado de São Paulo (para assinantes)

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Mercosul intensifica ofensiva anti-China

Sergio Lamucci para Valor

Os países do Mercosul intensificam a adoção de medidas contra as importações da China. O movimento no bloco é capitaneado pela Argentina e pelo Brasil, que passaram a adotar com mais freqüência medidas para combater a enxurrada de produtos exportados pelo país asiático. Na sexta-feira, o governo argentino anunciou restrições à importação de produtos como bicicletas, pneus calçados e equipamentos de informática, para dificultar a entrada de artigos da China e de outros países asiáticos.

O governo brasileiro, por sua vez, decidiu inspecionar com mais rigor remessas de mercadorias importadas, a começar pelos brinquedos.


O diretor de relações internacionais e comércio exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca, acredita que essa tendência deve se acentuar daqui para a frente, tanto no Mercosul como no mundo. Para ele, é necessário endurecer o jogo com a China, por meio de medidas de proteção comercial e aduaneira. Em junho, o Brasil adotou direito antidumping provisório para escovas de cabelo, alto-falantes e ferros de passar roupa. A indústria espera a adoção de medidas semelhantes para outros produtos nos próximos meses, também para conter as importações de artigos chineses.


Para Giannetti da Fonseca, elas são necessárias para combater o comportamento "predatório" da China, que vende produtos a preços que prejudicam a indústria e o emprego locais, além de muitas vezes não atenderem especificações técnicas e não mostrarem preocupação com o consumidor. A Fiesp, conta ele, tem oferecido cursos a agentes aduaneiros para ajudar na identificação de subfaturamento, falsificação de produtos e classificação tarifária errada - estratégia usada para driblar eventuais restrições à importação de determinados produtos.


De janeiro a junho, o Brasil teve um déficit de US$ 295,3 milhões no comércio com a China - no mesmo período do ano passado, o país registrara um superávit de US$ 166,4 milhões. A balança comercial da indústria, porém, já era largamente deficitária - em 2006, o saldo ficou negativo em US$ 5,7 bilhões, podendo atingir US$ 8 bilhões neste ano, segundo a Fiesp.


O presidente do Conselho de Relações Internacionais da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fiesp), Mário Marconini, também acredita que a adoção de medidas de restrição de importações da China devem se intensificar daqui para a frente. No Mercosul, a Argentina é quem deve comandar o movimento, acredita ele, o que pode ter algum "efeito-dominó" sobre o Brasil. Marconini mostra, porém, alguma preocupação com o fenômeno. Ele não vê com maus olhos a adoção de medidas antidumping ou de salvaguardas, mas acredita que é um erro a elevação de alíquotas de importação, por causar ainda mais distorções na já complexa estrutura tributária brasileira.


Para Marconini, é um equívoco o aumento para até 35% das tarifas de importação de calçados e confecções e até 26% das de tecidos, medida que pode entrar em vigor na próxima semana, depois que a Comissão de Comércio do Mercosul formalizar a decisão. "Eu prefiro medidas de defesa comercial, como salvaguadas e as antidumping, por serem mais focadas."

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Mercosul aprova e Brasil deve anunciar elevação de tarifa de calçados e tecidos

Valor

Após quase três meses de negociação, o Brasil conseguiu de todos os sócios do Mercosul a aprovação para aumentar a tarifa externa comum (TEC) do bloco aplicada às importações de calçados, tecidos e confecções. A decisão, a ser formalizada até o início da semana que vem em resolução da comissão de Comércio do Mercosul, vai autorizar os sócios que assim desejarem, a aumentar para 35% as tarifas de importação de calçados e confecções e até 26% as de tecidos.

A decisão deve ser anunciada oficialmente hoje, após visita do ministro da Indústria do Paraguai, José Maria Ibañez, ao ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge. Ibañez vem acompanhado de uma comitiva de altos funcionários e o presidente da União Industrial Paraguaia, Gustavo Volpe. A medida, na prática, cria mais uma distorção no sistema alfandegário comum do Mercosul, já que o aumento da tarifa não será aplicado uniformemente por todos os países. O Uruguai já informou que, por ter adotado recentemente medidas de apoio à indústria têxtil, só deverá acompanhar os sócios no aumento da tarifa sobre calçados.

A decisão provoca polêmica no Brasil, também, onde a indústria de confecções acusa o governo de ter usado os argentinos como escudo para atender a uma reivindicação da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) e aumentar a tarifa de importação de tecidos, causando aumento de custos para a indústria de bens acabados. Para sustentar a acusação, lembram que a ata da reunião do Grupo Mercado Comum que registrou a discussão do tema trazia uma tabela de tarifas sugeridas para tecidos de autoria da Abit. Os argentinos, porém, desde maio vinham apontando o aumento nas tarifas dos tecidos como medida necessária para autorizar a elevação da TEC para calçados e confecções. A iniciativa do Brasil foi conseqüência das pressões dos setores afetados pela perda de competitividade causada pela valorização do real frente ao dólar.

O governo brasileiro chegou a anunciar que elevaria as tarifas unilateralmente, caso não conseguisse aprovação dos sócios. Seria a primeira vez em que o Brasil adotaria uma medida isolada para atender a queixas de exportadores. Com a concordância prévia dos sócios, será possível ao governo brasileiro anunciar o respeito às normas do Mercosul, ainda que a norma em questão seja uma autorização para provocar mais uma "perfuração" na tarifa externa que deveria ser comum a todas as alfândegas do bloco.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

ARGENTINA: El Gobierno lanza medidas para proteger la industria nacional

Frenarán las importaciones de ropa, juguetes y zapatos, principalmente de China. Y habrá restricciones para bicicletas, computadoras, relojes y neumáticos. Quieren evitar que se dañe la producción local.

VISITA. EL PRESIDENTE KIRCHNER ESTUVO AYER CON FABRICANTES DE CERVEZA ARTESAL EN UNA EXPOSICION DE PYMES.


Marcelo Bonelli
mbonelli@clarin.com


El Gobierno anunciaría hoy un fuerte paquete de medidas para restringir la importación de bienes de consumo y de otros productos que se fabrican en el país y utilizan mano de obra intensiva.


Las limitaciones que se van a instrumentar apuntan a minimizar la competencia desleal (productos fabricados bajo subsidios, o vendidos a valores por debajo de los costos, por ejemplo) del exterior y a favorecer el desarrollo de la industria local.


Se trata de un conjunto de medidas aduaneras que el presidente Néstor Kirchner quiere aplicar para ratificar su alianza política con el sector fabril.


La restricciones abarcan una amplia gama de bienes como textiles, calzados y juguetes. Y también intentan frenar la "invasión" de productos que ingresan al país provenientes de China. Entre otros, figuran marroquinería, neumáticos, bicicletas, informática y capelladas para calzado.


En el caso de los neumáticos, el Gobierno maneja como antecedente el retiro de 450.000 unidades que en junio fueron sacadas de circulación en Estados Unidos por fallas de seguridad. Una de las marcas cuestionadas se vende en gomerías de la Argentina.


La decisión fue anticipada ayer por Kirchner en una feria organizada por entidades de las pequeñas y medianas empresas. Allí dijo que su gobierno tomará medidas "para favorecer a las empresas y al trabajo nacional". Las medidas concretas fueron aprobadas anoche y el anuncio oficial lo haría hoy el ministro de Economía, Miguel Peirano.


La protección se instrumentará estableciendo licencias no automáticas de importación, aduanas "especiales" para determinados bienes y la vigencia de "canales aduaneros rojos permanentes" para productos extranjeros considerados de "alto riesgo".


También se dispondrá que todos los artículos procedentes de China y el resto de Asia que sean riesgosos para la salud, tendrán que superar un control doble. Entre éstos figuran las pastas y el hilo dental, cepillos y alimentos para gatos y perros. En el caso de las mascotas hubo hace pocos meses un antecedente con productos contaminados que ingresaron a Estados Unidos y provocaron la muerte de muchos animales.


Así, el Gobierno quiere dar una señal política de que "profundizará" su modelo, a través del aliento a la industria nacional.


Esto se hará como una ratificación de la estrategia económica en momentos que comenzaron ataques especulativos originados en la crisis financiera de EE.UU.


Precisamente el paquete se conocería hoy después del fuerte y negativo impacto financiero de la víspera que conmocionó los mercados y generó caídas récord en la Bolsa y los bonos argentinos.


Además se estima que durante los anuncios el ministro Peirano ratifique que los "fundamentos" de la economía argentina son sólidos para hacer frente a la crisis financiera internacional.


Este diario pudo saber que el paquete industrial que se anunciaría hoy incluye ocho medidas centrales. Entre ellas se encuentran las siguientes:


Decisión de instrumentar "licencias no automáticas de importación" para las capelladas de calzado y la marroquinería de plástico y textil.


Se obligará a cumplir normas de seguridad adicionales a la importación de neumáticos y ruedas. Para ingresar al país tendrán doble inspección de calidad.


Entre las otras medidas se encuentra la instrumentación de "aduanas especiales" para controlar el ingreso al país de textiles, calzados y juguetes.


También habrá aduanas especiales para vigilar la importación de bicicletas, productos de informática, electrónica, relojes y herramientas.


El plan industrial establece un control continuo sobre los canales rojos para todo producto considerado de alto riesgo para la salud de la población. En este paquete se incluye todo tipo de bienes procedentes de China, como los juguetes que estaban hechos con pinturas tóxicas y fueron retirados del mercado.