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domingo, 27 de janeiro de 2008

Crise USA: FMI dormiu ao volante,diz Nobel de Economia


Joseph Stiglitz, economista

Como o sr. vê a atuação dos organismos financeiros multilaterais na atual crise financeira?

Houve uma discussão nos últimos anos sobre os desequilíbrios do mundo, mas o FMI não fez nada em relação a isso. O fundamento dos desequilíbrios mundiais era o excesso de gastos dos americanos, de US$ 800 bilhões (o déficit em conta corrente). Os americanos tentaram culpar a China e outros países, mas o problema fundamental era seu próprio excesso de consumo. Se o FMI tivesse feito o seu trabalho, teria visto a linha de conexão entre esses problemas e percebido também que uma das suas principais funções é a estabilidade dos mercados. Estabilidade dos mercados financeiros significa não exportar hipotecas tóxicas, como fizeram os Estados Unidos. O FMI dormiu ao volante. Eles nem ao menos tiveram uma grande discussão sobre regulação para garantir que não houvesse negociações com essas hipotecas tóxicas.

O sr. tem alguma explicação para essa falha?

Não foi uma surpresa para mim, levando em consideração que esses são problemas com origem nos EUA, o único país que tem poder de veto no FMI. Os EUA não ficarão muito felizes com o FMI dizendo que fizeram uma lambança. Agora, uma coisa é os EUA fazerem uma lambança e machucarem a si mesmos. Na globalização, muitas outras pessoas fora do país sofrem. Então, isso deveria ser um assunto do FMI. Mas eles não podem fazer o trabalho enquanto continuar esse sistema falho que dá aos EUA o poder de veto.

E as falhas dentro dos EUA?

O Fed (Federal Reserve, banco central americano) tem um alto grau de culpa. Alan Greenspan (ex-chairman do Fed) também. O problema começou quando eles deixaram de tomar ações regulatórias. Eles tinham a autoridade e não a exerceram. Greenspan chegou a encorajar as pessoas a pegar hipotecas com taxas de juros flutuantes, quando as taxas de juros estavam no seu nível mais baixo. Isso significava que a probabilidade de as taxas subirem era alta. O que o Greenspan fez foi dizer que, se as pessoas tivessem tomado hipotecas com taxas variáveis dez anos antes, elas estariam muito melhor. E é verdade: essas pessoas teriam se dado bem porque ninguém antecipou que qualquer chairman faria o tipo de coisa descuidada que ele fez, ao trazer as taxas de juros para 1%. Então, quando as taxas de juros caem muito de uma forma não antecipada, a pessoa ganha se ela soube especular com uma hipoteca com taxas variáveis. Mas, quando as taxas já estão lá em baixo, em 1%, só há uma direção, que é para baixo (*). Foi claramente o conselho errado no momento errado. Quando foi sugerido que havia um problema no mercado residencial, Greenspan disse para elas não se preocuparem. O Fed não viu os problemas. Se você olhar os gráficos, vai notar que eles gritavam que havia alguma coisa estranha. Eles tinham instrumentos para lidar com isto, mas nada fizeram.

O sr. acha, como o investidor George Soros, que as falhas têm a ver com a ideologia liberal que passou a prevalecer a partir dos anos 90?

É uma soma de ganância, de desregulação e de uma falha de incentivos para bancos e para as agências de risco.

Pode dar um exemplo?

As agências de rating são pagas por quem elas classificam, e portanto têm todos os incentivos para agradar o cliente. Esses títulos complexos que receberam rating de triplo A (a mais alta classificação de risco) mostram que elas acreditaram em alquimia financeira. Você pega um bônus ruim, faz um feitiço e o transforma num bônus bom. No caso dos bancos, se os problemas fossem com um deles só, então nós diríamos ok, as pessoas erram. Mas os problemas são com quase todos. E isso significa que ou eles são estúpidos ou não fizeram a análise devida. Eles claramente deixam passar coisas que muita gente apontava - e eles não queriam ouvir. Ou eles não eram os bons gestores de risco que diziam ser ou os seus incentivos eram perversos - e eles tiveram incentivos para fazer essas ações arriscadas.

Qual é a agenda correta para corrigir estes problemas?

Claramente, precisamos de uma regulação melhor, no nível nacional e internacional. Temos de reconhecer que, à medida que fomos liberalizando os mercados financeiros, nós não criamos as autoridades reguladoras apropriadas.

Quão profunda pode ser a recessão nos Estados Unidos?

Estou do lado mais pessimista, e a razão básica é que este não é um ciclo econômico habitual, no qual você acumula estoques, se livra deles e então recomeça a crescer. Nesta crise, os balanços foram devastados, os americanos vão perder as suas casas, um total de 1,7 milhão a 2 milhões de pessoas. Vai demorar mais para a economia se recuperar.

(*) suponho que é um erro de tradução e que deva se ler "para cima"e não "para baixo".

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Editorial do Le Monde: verdade e transparência para enfrentar ã crise


L'économiste américain John Kenneth Galbraith, qui a étudié les krachs dans leurs moindres détails, écrivait : "Ce que nous savons avec certitude, c'est que les épisodes spéculatifs ne se terminent jamais en douceur. Il est sage de prédire le pire, même s'il est, selon la plupart des gens, peu probable." La crise des subprimes confirme son jugement. C'est d'abord avec une grande brutalité - inconnue depuis le 11 septembre 2001 - que les places boursières décrochent depuis plusieurs jours.


Le pire, ensuite, semble se rapprocher à toute vitesse. On ne voit pas très bien par quel miracle la première économie du monde, celle des Etats-Unis, pourrait échapper à la récession. Le système bancaire mondial, de son côté, vacille. Quelques-uns des plus grands établissements américains et européens se retrouvent dans une situation tellement critique qu'ils doivent faire appel en catastrophe à des capitaux d'Asie et du Moyen-Orient pour se renflouer.

Le choc est d'autant plus rude que les dirigeants économiques et monétaires occidentaux ont longtemps expliqué que le pire était "peu probable". La Réserve fédérale américaine estimait que la facture des subprimes ne dépasserait guère la centaine de milliards de dollars. Elle s'élève désormais à plusieurs milliers de milliards de dollars. Comme ses collègues, la ministre française de l'économie, Christine Lagarde, a longtemps affirmé que l'économie réelle ne serait pas touchée par cette crise purement financière. Propos qui se voulaient rassurants, mais dont le caractère lénifiant n'a fait que retarder la prise de conscience, chez les acteurs économiques, de la gravité de la situation.

Dans une économie financiarisée et mondialisée, comment pouvait-on imaginer que la catastrophe resterait cantonnée aux Etats-Unis et aurait un impact marginal sur la croissance de la planète ? Que le nuage du Tchernobyl des subprimes ne traverserait pas l'Atlantique ? Des petites villes norvégiennes au bord de la faillite en raison de leurs placements imprudents jusqu'aux banques de la Chine communiste, tout le monde est aujourd'hui touché.

Mais la crise n'est plus, depuis longtemps, celle des subprimes. Elle est celle, globale, du crédit, du financement de l'économie dans son ensemble. Ce qui la rend à la fois très inquiétante - beaucoup plus que le krach des valeurs Internet - et particulièrement difficile à surmonter. Car, beaucoup, ici, est affaire de psychologie. Le système financier mondial est passé, en quelques mois, d'un excès de confiance à un excès de défiance. Hier, on prêtait de l'argent à n'importe qui à n'importe quel prix. Aujourd'hui, on ne prête plus d'argent à personne. Pour retrouver un équilibre, le devoir de vérité et de transparence s'impose à tous, aux banquiers comme aux responsables économiques et monétaires.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Clima pesado


Celso Ming, celso.ming@grupoestado.com.br

Esperado com ansiedade, o pronunciamento feito ontem pelo presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, reforçou uma dupla sensação negativa: a de que as condições da economia americana podem estar ainda mais deterioradas do que até agora admitido; e a de que as autoridades da área continuam inseguras quanto ao que fazer para reverter a crise.

As declarações feitas perante a Comissão do Orçamento não trouxeram novidades. Mas marcaram pelo tom adotado. Para não dizer que só há coisas ruins ocorrendo, Bernanke chegou a dizer que não espera recessão e que as expectativas de inflação parecem bem ancoradas, a ponto de permitir melhora ainda neste e no próximo ano. No mais, foram frases carregadas de expressões pesadas: grandes perdas e incapacidade de avaliar os ativos dos bancos; deterioração do mercado imobiliário; aumento do risco de recessão; condições desapontadoras do mercado de trabalho... Esse tom de prostração contaminou o mercado financeiro que, mais uma vez, baqueou - embora indicadores econômicos decepcionantes também tenham contribuído para isso.

Dois dos 15 parágrafos do pronunciamento foram dedicados ao projeto em exame, tanto na Casa Branca como no Congresso, de um pacote de estímulos fiscais cujo objetivo é puxar o consumo e evitar a recessão. A idéia original é distribuir US$ 500 por consumidor, reduzir impostos ou aumentar o seguro-desemprego.

Bernanke pareceu admitir que o Fed está sozinho na briga contra a crise e afirmou que medidas assim são bem-vindas. Parece dar razão àqueles que dizem que o Fed está perdido.

Mas lembrou as condições dessas medidas: que venham rapidamente e não quando a economia já estiver em recuperação; que tenham efeitos imediatos; e que sejam temporárias. E advertiu que um programa que aumente o déficit orçamentário poderá trazer desequilíbrios no futuro.

De qualquer maneira, se dinheiro mais abundante e juros mais baixos (política monetária) não estão conseguindo nem sanear o crédito nem consertar o patrimônio deteriorado dos bancos, por que então uma enorme injeção de recursos fiscais seria mais eficaz nessa parada?

Provavelmente de forma não intencional, Bernanke parece admitir que a verdadeira natureza da crise não é a má administração dos bancos ou a execução perdulária da política de juros pelo Fed nos primeiros cinco anos desta década, ambas inegáveis.

A verdadeira natureza da crise é, no fundo, a mesma que atacou os países emergentes nas décadas de 80 e 90: os rombos orçamentários produzidos pela administração George Bush a partir de 2001.

Se é assim, fica incompreensível que os Estados Unidos justifiquem estímulos fiscais condenados quando a crise ocorria em outros países. Quando a encrenca estava nos países emergentes, tanto o governo americano como o Fundo Monetário Internacional (FMI) bombardearam qualquer providência que implicasse aumento das despesas públicas. Se essa receita ortodoxa fosse aplicada agora, os Estados Unidos teriam de cortar suas despesas e antecipar o pagamento da dívida, o que ajudaria a equilibrar as finanças públicas e a atrair capitais externos.

Confira


Superlimpeza - São tão maiores do que os anteriormente projetados os prejuízos dos bancões americanos que passam a impressão de que as novas direções estão exagerando na limpeza para descarregar toda a responsabilidade sobre os administradores anteriores e estarem em condições de mostrar serviço ainda no primeiro semestre do ano.

Ao apresentarem os rombos, tanto o presidente do Citigroup como o presidente da Merrill Lynch usaram a mesma expressão condenatória da administração anterior: “É um desempenho claramente inaceitável.”

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Já, esta informação é indispensável

CPMF: combate ao crime perde instrumento relevante, avalia juiz do caso Banestado


“Perde-se um importante instrumento de investigação”, diz o juiz federal Sergio Fernando Moro, sobre a extinção da CPMF a partir de janeiro. Moro atuou em vários casos envolvendo lavagem de dinheiro, como o Banestado e Operação Farol da Colina.

“A CPMF, paradoxalmente, vinha se mostrando um tributo bastante justo, por ser difícil escapar a sua cobrança. Assim, mesmo aqueles assistidos por caras consultorias tributárias, acabavam tendo que pagar CPMF, diferentemente do que ocorre com tributos mais suscetíveis a manobras fiscais e contábeis. Além disso, as informações quanto à movimentação financeira providenciadas pela CPMF e pelo seu antecessor, o IPMF, foram largamente utilizadas pelos agentes públicos para investigação de variados crimes, financeiros, de lavagem, corrupção”, diz Moro.

“Tal expediente, pouco invasivo à privacidade individual, permitia que as autoridades públicas, autorizadas judicialmente, tivessem conhecimento de eventuais disparidades entre renda declarada e movimentação financeira, o que é um indício de sonegação fiscal e mesmo um indício clássico de crime de lavagem de dinheiro”, conclui o juiz.

“Foi pela movimentação financeira acusada pela CPMF que se chegou aos laranjas das contas CC5”, diz o procurador da República João Marques Brandão Neto, de Santa Catarina. “A Receita detecta a movimentação financeira de alguém pela CPMF. Assim, são muitíssimo comuns casos de pessoas movimentarem no banco dez vezes mais do que declaram à Receita”, afirma o procurador.

Brandão Neto diz que, em Blumenau, todos os casos de lavagem detectados partiram da discrepância entre movimentação financeira acusada pela CPMF e os rendimentos. “O laranja movimenta milhões de reais no banco, paga bastante CPMF e ganha uma ninharia”.

"Realmente, pode ser que percamos uma fonte de investigação", diz a procuradora da República Luiza Cristina Frischeisen. Mas, segundo ela, ainda permanece um mecanismo importante, pois as movimentações financeiras muito grandes devem ser comunicadas pelos bancos ao COAF.

Alguns advogados, que pedem para não ter seus nomes mencionados, acreditam que boa parte da insurgência de empresários contra a CPMF decorre dessa natureza instrumental da CPMF, de detectar fraudes. Em 2000, num congresso de procuradores da República, em Maceió, o ex-titular da Receita Federal, Everardo Maciel, anunciou a montagem de uma espécie de banco de dados para o confronto entre arrecadação de CPMF e rendimentos declarados por pessoas físicas e jurídicas. Naquela época, os bancos manifestavam resistência para informar ao Fisco o valor arrecadado de cada contribuinte, queriam informar apenas o montante global.

Especialistas consultados pelo jornal "Valor Econômico", em sua edição de hoje, entendem que "a CPMF é um dos instrumentos mais eficientes de fiscalização utilizados pela Receita Federal no acompanhamento das contas dos contribuintes. Mas sua ausência não comprometerá a sistemática de fiscalização desenvolvida pelo Fisco nos últimos anos. Eles acreditam que o governo poderá criar alguma declaração para os bancos que terá o mesmo papel da CPMF em relação ao cruzamento de informações.


Blog de Vasconcellos

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Crise das hipotecas: um plano ruim de Bush, que não satisfaz quase ninguém


A crise das hipotecas nos Estados-Unidos continua abalando a situação financeira dos bancos. Hoje os jornais informam que o banco suíço, UBS, perdeu US$ 10 bilhões na crise. Mas a crise golpeia violentamente milhares de familias americanas que vou perder suas casas e foram levadas a perder uma boa parte ou a totalidade do seu patrimônio.
O artigo do jornalista do
New York Times, publicado pelo jornal O Estado de São Paulo e reproduzido aqui, questiona o plano do governo Bush anunciado como resposta para a crise. O plano visa a proteger os bancos, porem insuficientemente, ignora a situação das familias em desespero e procura em verdade, ofuscar um projeto de lei Democrata que permite aos juízes chamados a dirimir o litígio com os proprietários em falência a modificar os termos dos contratos assinados, o que permitiria proteger os mais vulneráveis.
Como se vê quando se trata de defender os interesses da população, romper contratos ou rever-los por discernimento judicial autorizado pela lei, é possível e corresponde ao espírito da democracia.

Vale a pena ler o artigo de Paul Krugman.



As prioridades de Henry Paulson


Paul Krugman *

Pelos padrões da administração de George W. Bush, o secretário do Tesouro (ministro da Economia) Henry Paulson é um bom sujeito. Ele não é visivelmente incompetente e não está tentando nos enviar à guerra com engodos, justificar a tortura e proteger fornecedores corruptos.

Mas as ações de Paulson refletem as prioridades da administração à qual ele serve. E isso, em última instância, é o que está errado no plano de alívio da crise hipotecária que ele anunciou na semana passada.

O plano é, como colocou o editorial de domingo do The New York Times, “pequeno demais, tarde demais e voluntário demais”. Do ponto de vista da administração, porém, esses defeitos não são problemas, são características.

De fato, existe um consenso crescente entre observadores financeiros de que o plano de Paulson não visa principalmente a obter resultados reais. Ele antes pretende criar a aparência de ação, minar, com isso, o apoio político a tentativas reais de ajudar as famílias em dificuldade.

Em particular, o plano de Paulson é, provavelmente, uma tentativa de esvaziar a bola de Barney Frank. Frank, o presidente democrata da Comissão de Serviços Financeiros da Câmara, patrocinou uma lei que concederia a juízes de casos de falência a possibilidade de reescrever termos de empréstimos hipotecários. Mas, como expressou uma manchete no CongressDaily, “Banqueiros esperam que plano subprime de Bush derrube lei da Câmara”.

Nos termos de Elizabeth Warren, a especialista em falências de Harvard, “O plano da administração para o problema das hipotecas subprime é o sonho do lobby dos bancos.” Considerando-se a trajetória de Bush, isso não deveria surpreender.

Na verdade, há três preocupações distintas associadas à maré crescente de execuções hipotecárias nos Estados Unidos. Uma é a estabilidade financeira: quando bancos e outras instituições sofrem enormes prejuízos com seus investimentos relacionados a hipotecas, o sistema financeiro como um todo está cambaleante. Outra é o sofrimento humano: centenas de milhares e, provavelmente, milhões de famílias americanas perderão as suas casas.

Por último, existe uma injustiça: o boom subprime envolveu empréstimos predatórios - empréstimos a juros altos impingidos a pessoas que se qualificavam a taxas mais baixas - numa escala épica.

O Wall Street Journal revelou que mais de 55% dos empréstimos subprime feitos no auge da bolha imobiliária “foram para pessoas cuja classificação de crédito era alta o suficiente para se qualificarem, em geral, para empréstimos convencionais com termos bem melhores.” E, num mercado imobiliário em queda, essas vítimas ficam paralisadas, incapazes de refinanciar.

Os problemas são três, portanto. Mas o plano de Paulson - ou, para usar seu nome oficial, o plano Hope Now Alliance - é totalmente centrado na redução dos prejuízos dos investidores. Qualquer alívio menor que ele possa proporcionar a tomadores em dificuldade é claramente incidental. E ele não faz nada para as vítimas dos empréstimos predatórios.

O plano estabelece diretrizes voluntárias pelas quais alguns, mas somente alguns, tomadores cujos pagamentos hipotecários deverão subir podem obter um alívio temporário. Isso, supostamente, deverá ajudar os investidores porque a execução hipotecária de uma casa é cara: os honorários legais são altos e a casa geralmente é vendida por menos que o valor da hipoteca.

“A execução não beneficia ninguém”, disse Paulson, num fórum interativo na Casa Branca. “Ouvi estimativas de que os investidores hipotecários perdem de 40% a 50% de seu investimento se ele entrar em execução.”

ACORDOS RUINS

Mas os tomadores não ganharão também? Não se os planejadores puderem evitar. O alívio está restrito aos tomadores cuja dívida hipotecária for pelo menos 97% do valor da casa - o que significa que, em muitos casos, talvez na maioria deles, aqueles que obteriam alívio da dívida seriam os tomadores que devem mais que o valor de sua casa. Essas pessoas ficariam quase tão bem em termos financeiros se simplesmente caíssem fora.

E quanto às pessoas com crédito bom que foram induzidas enganosamente para acordos hipotecários ruins, que deveriam ser direcionadas para empréstimos com termos melhores? Elas não recebem nada: o plano Paulson especificamente exclui tomadores com bom histórico de crédito. Aliás, o plano na verdade é um incentivo para algumas pessoas não pagarem dívidas vencidas porque isso as faria parecer um risco de crédito ruim e qualificáveis ao alívio.

Agora, a tentativa de Paulson de ajudar investidores enquanto faz pouco ou nada para tomadores fraudados e encrencados só faria sentido se o seu plano reduzisse os prejuízos dos investidores o suficiente para melhorar seriamente a situação financeira geral.

Entretanto, somente uma pequena fração dos tomadores subprime se qualificarão ao alívio e muitos desses tomadores acabarão enfrentando a execução hipotecária de qualquer forma. Assim, é improvável que o plano reduza os prejuízos gerais associados a hipotecas em mais do que uns poucos por cento, quando muito - insuficiente para fazer qualquer diferença real para a estabilidade financeira. Aliás, os spreads da taxa de juro que vêm sinalizando uma crise de confiança no sistema financeiro não diminuíram quando o plano foi anunciado.

Mesmo assim, alguém poderia dizer que o plano de Paulson é melhor que nada. Mas a alternativa relevante não é nada; é um plano que - assim como a proposta de Barney Frank - ajudaria de fato as famílias trabalhadoras. E é isso que a administração Bush está tentando evitar.

*Paul Krugman escreve para o ‘New York Times’

terça-feira, 27 de novembro de 2007

É "correção" ou é "ladeira"?

VINICIUS TORRES FREIRE


Estresse financeiro cresce sem parar desde outubro, com agravantes, e já bate em vários mercados do Brasil

É UM risco-país mais alto aqui. É um financiamento de comércio exterior mais caro ali. Acolá uma dúzia de empresas desiste de ir à Bolsa, para vender suas ações. Ou empresas menores deixam de tomar dinheiro emprestado lá fora, pois as taxas aumentaram um tanto, o bastante para encarecer demais o dinheiro para companhias que não têm crédito nota 10 e/ou que são novatas nas ditas captações.
Não é nada dramático, ainda mais num país que já viu seu crédito ficar cinco ou dez pontos percentuais mais caro de um trimestre para outro. Agora se trata de deterioração menor que um ponto percentual, meio ponto, para usar um indicador popular como o risco-país.
Mas o "estresse" financeiro agora já pode ser sentido e ouvido em vários mercados brasileiros, os mais óbvios sendo o da Bolsa e o de câmbio, as trincheiras mais avançadas, sensíveis e voláteis. Diretores e gerentes de investimento dizem que, embora não seja momento de entrar em Bolsa, Bovespa e real não rolariam a ladeira, dadas as previsões de lucros das empresas para 2007, em linha com as deste ano, dado o superávit externo ainda resistente em 2008, dados a perspectiva de "investment grade", a inflação ainda abaixo da meta, o crescimento do PIB duas vezes maior que o do americano e mesmo apesar do risco de "surto desenvolvimentista" no governo (mais gastos públicos, menos superávit, mais "pressão" sobre a autonomia do Banco Central).
Seria interessante se o mundo funcionasse assim, em especial o das finanças, racionalmente, "olhando fundamentos". De resto, mesmo quem tem a obrigação de tranqüilizar o ambiente, como Henrique Meirelles, o presidente do Banco Central, tem colocado suas barbas, ou melhor, seus cabelos restantes, de molho, em discursos cada vez mais cautelosos. Mas os indicadores objetivos de "estresse" no mercado financeiro global, embora sempre voláteis, estão em alta teimosa.
Os bancos assumem rombos cada vez maiores, o que mina sua capacidade de emprestar, e as taxas de juros interbancários estão renitentemente mais altas do que o normal e subindo, desde outubro, o que afeta as demais taxas. Os BCs de EUA e União Européia vão, de resto, colocar um dinheiro extra nos bancos a fim de "desestressá-los" um tantico.
A crise americana segue seu padrão "slow motion", mas segue, como uma enchente vagarosa. A cheia começou nos calotes dos imóveis vendidos para gente sem crédito e aguou os derivativos de crédito lastreados em hipotecas, daí afogou mercados de crédito de curto prazo para empresas e instituições financeiras, daí bateu no dinheiro que alavancava fusões e aquisições (e nas Bolsas do mundo rico) e já deteriora o crédito nos mercados de cartões e de empréstimos para compra de carros, o que estressa o consumidor e desanima o varejo. Enfim, o Dow Jones e o S&P 500, índices da Bolsa de Nova York, estão, em termos reais, zerados em 2007.
Os mercados brasileiros andaram descolando dos americanos neste ano, apesar de um ou outro tombo feio, mas até rápidos. Mas, mesmo que o "mau humor" não volte a ser dramático ou histérico, o "estresse" financeiro agora sugere uma crise de mau humor mais persistente.

Folha de São Paulo

vinit@uol.com.br

sábado, 10 de novembro de 2007

FMI faz alerta para riscos na área de crédito

FERNANDO CANZIAN
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL - FOLHA DE SÃO PAULO

O diretor para o Hemisfério Ocidental do FMI (Fundo Monetário Internacional), o indiano Anoop Singh, afirmou ontem que Brasil e região devem se preocupar com aumentos indiscriminados na concessão de crédito, pois isso traria riscos ao sistema financeiro.
"O crescimento rápido do crédito merece acompanhamento de perto das autoridades. Na América Latina, o crédito tende a aumentar rapidamente, elevando os riscos envolvidos", disse Singh.
"Os BCs devem acompanhar com cuidado para ter certeza de que os bancos não estão diminuindo seus padrões de análise de concessão de crédito", completou. Singh participou, em São Paulo, do lançamento de relatório do FMI sobre os países americanos e da região do Caribe em seminário na Fundação Getúlio Vargas.
Nos últimos cinco anos, o volume de concessão de crédito como proporção do PIB (Produto Interno Bruto) no Brasil aumentou de 21% para 33%, com dezenas de novas modalidades no mercado e estratégias agressivas dos bancos para atrair clientes.
No mesmo evento, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que o volume de crédito total na economia brasileira ainda "permanece bem aquém das de outras regiões, inclusive de emergentes. E evidencia espaço para expansão", disse.
"A relação de crédito total sobre o produto expandiu, mas é muito inferior a de países como Malásia, Tailândia, e Coréia [do Sul]", afirmou Meirelles. "Crescente parcela da população está tendo acesso ao crédito. Mas ainda estamos em um patamar substancialmente inferior àqueles países que já estão enfrentando um limite, como é o caso dos EUA."

Outros riscos
Além do eventual risco com a concessão de créditos, o relatório do FMI assinala que Brasil e região podem sofrer impactos negativos de uma desaceleração maior da economia norte-americana e da queda nos preços das commodities (grãos, minérios, etc.).
Em resposta a essas considerações, o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, disse que o Brasil estaria preparado, com saldo comercial e reservas, até para uma eventual "recessão típica" nos EUA, que poderia durar entre 12 a 18 meses.
Sobre as commodities, Barbosa afirmou que haveria uma queda nas exportações e nos ganhos comerciais, mas que o país seria beneficiado, por outro lado, por pressões menores sobre a inflação.
Barbosa manteve a previsão da Fazenda de crescimento de 4,7% neste ano e de 5% em 2008 (o FMI prevê 4,4% e 4%, respectivamente).
"Crescer 5% no ano que vem é um desafio que temos. E existem condições para isso", disse Barbosa. Segundo ele, o governo espera um crescimento de 6,5% na demanda doméstica em 2008. Para chegar aos 5% de crescimento seria descontado 1,5 ponto percentual relativo à demanda que será atendida pelas importações.
Apesar dos alertas, Singh fez vários elogios ao Brasil. Disse que o país "é líder" de uma "nova era" na América Latina, que inclui "estabilidade macroeconômica e inflação baixa".
O funcionário do Fundo afirmou ainda que, apesar de crescentes, os gastos públicos no Brasil "estão melhor contidos" do que em outros países. "O superávit fiscal [economia para pagar juros] também é mais robusto que em outros países."

Gastos sociais
Barbosa, da Fazenda, defendeu a política de aumento dos gastos públicos direcionados a programas sociais e à Previdência. Segundo ele, essas despesas já equivalem a 42% do PIB. "O governo sabe que precisa manter o controle do gasto. Mas, no caso dos gastos sociais, o que houve foi uma redistribuição da renda do setor privado" [em direção aos mais pobres].
Já sobre a demora em os resultados macroeconômicos serem revertidos em queda da desigualdade social, Singh afirmou: "A história nos deu a lição de que leva tempo para mudar esse quadro. Mas há evidências de que o país entrou em uma nova fase, e que essa tendência [de redução das desigualdades] deve se autoalimentar".

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Governo prepara "pacote de bondades"

Mercado Aberto
Folha de São Paulo

guilherme.barros@uol.com.br

O governo prepara para anunciar neste final do ano um "pacote de bondades" com uma série de desonerações fiscais que ficaram pendentes durante este ano e que beneficiam diversos setores, entre eles o hoteleiro e o de bebidas.

No pacote, que está sendo chamado de "MP do Natal", também devem ser incluídas medidas como a criação das ZPEs (Zonas de Processamento de Exportação) e a regulamentação das tarifas bancárias.
Todas essas medidas fazem parte da estratégia das negociações políticas do governo para tentar aprovar a prorrogação da CPMF no Senado.
O governo pretende compensar a prorrogação da CPMF com algumas medidas de desoneração fiscal. A "MP do Natal" pode até incluir alguma redução na alíquota da CPMF, caso essa decisão já não seja anunciada até lá.
Na área de turismo, o que o governo deve anunciar são as medidas já aprovadas em reunião do Conselho Nacional do Turismo realizada em setembro e que não saíram do papel. O objetivo da medida é reduzir os efeitos da crise aérea, do câmbio e do aumento de cruzeiros marítimos.
Uma das medidas para o turismo é a redução da alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de 10% para 5% sobre fechaduras eletrônicas, que são muito usadas em hotéis.
Além disso, as empresas do setor também poderão informar na declaração do IR da pessoa jurídica a depreciação acelerada (desvalorização de acordo com o tempo de uso) de bens móveis, o que reduz gradativamente o imposto a pagar.
Já para o setor de bebidas, o governo estuda uma fórmula para evitar que os vinhos importados, principalmente da Argentina, entrem a preços considerados tão baixos.
Hoje, uma caixa com 12 garrafas de vinho desembarca da Argentina a menos de US$ 5, um preço considerado extremamente baixo e prejudicial ao fabricante nacional.
No pacote, o governo também deve definir a criação das ZPEs, o que até já tinha sido acertado no meio do ano com a oposição. Faltava apenas adequar os benefícios tributários, o que está sendo feito para ser anunciado na "MP do Natal".
O projeto das ZPEs tramita no Congresso há 11 anos e prevê incentivos fiscais em distritos industriais para a instalação de empresas voltadas para o mercado externo.
Em relação às tarifas bancárias, o governo pretende fazer uma espécie de "homogeneização" para dar mais transparência das cobranças feitas pelos serviços bancários. O objetivo é determinar o número de tarifas que podem ser cobradas pelos bancos.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

A Catastrophe Foretold


“Increased subprime lending has been associated with higher levels of delinquency, foreclosure and, in some cases, abusive lending practices.” So declared Edward M. Gramlich, a Federal Reserve official.


Paul Krugman.


These days a lot of people are saying things like that about subprime loans — mortgages issued to buyers who don’t meet the normal financial criteria for a home loan. But here’s the thing: Mr. Gramlich said those words in May 2004.

And it wasn’t his first warning. In his last book, Mr. Gramlich, who recently died of cancer, revealed that he tried to get Alan Greenspan to increase oversight of subprime lending as early as 2000, but got nowhere.

So why was nothing done to avert the subprime fiasco?

Before I try to answer that question, there are a few things you should know.

First, the situation for both borrowers and investors looks increasingly dire.

A new report from Congress’s Joint Economic Committee predicts that there will be two million foreclosures on subprime mortgages by the end of next year. That’s two million American families facing the humiliation and financial pain of losing their homes.

At the same time, investors who bought assets backed by subprime loans are continuing to suffer severe losses. Everything suggests that there will be many more stories like that of Merrill Lynch, which has just announced an $8.4 billion write-down because of bad loans — $3 billion more than it had announced just a few weeks earlier.

Second, much if not most of the subprime lending that is now going so catastrophically bad took place after it was clear to many of us that there was a serious housing bubble, and after people like Mr. Gramlich had issued public warnings about the subprime situation. As late as 2003, subprime loans accounted for only 8.5 percent of the value of mortgages issued in this country. In 2005 and 2006, the peak years of the housing bubble, subprime was 20 percent of the total — and the delinquency rates on recent subprime loans are much higher than those on older loans.

So, once again, why was nothing done to head off this disaster? The answer is ideology.

In a paper presented just before his death, Mr. Gramlich wrote that “the subprime market was the Wild West. Over half the mortgage loans were made by independent lenders without any federal supervision.” What he didn’t mention was that this was the way the laissez-faire ideologues ruling Washington — a group that very much included Mr. Greenspan — wanted it. They were and are men who believe that government is always the problem, never the solution, that regulation is always a bad thing.

Unfortunately, assertions that unregulated financial markets would take care of themselves have proved as wrong as claims that deregulation would reduce electricity prices.

As Barney Frank, the chairman of the House Financial Services Committee, put it in a recent op-ed article in The Boston Globe, the surge of subprime lending was a sort of “natural experiment” testing the theories of those who favor radical deregulation of financial markets. And the lessons, as Mr. Frank said, are clear: “To the extent that the system did work, it is because of prudential regulation and oversight. Where it was absent, the result was tragedy.”

In fact, both borrowers and investors got scammed.

I’ve written before about the way investors in securities backed by subprime loans were assured that they were buying AAA assets, only to suddenly find that what they really owned were junk bonds. This shock has produced a crisis of confidence in financial markets, which poses a serious threat to the economy.

But the greater tragedy is the one facing borrowers who were offered what they were told were good deals, only to find themselves in a debt trap.

In his final paper, Mr. Gramlich stressed the extent to which unregulated lending is prone to the “abusive lending practices” he mentioned in his 2004 warning. The fact is that many borrowers are ill-equipped to make judgments about “exotic” loans, like subprime loans that offer a low initial “teaser” rate that suddenly jumps after two years, and that include prepayment penalties preventing the borrowers from undoing their mistakes.

Yet such loans were primarily offered to those least able to evaluate them. “Why are the most risky loan products sold to the least sophisticated borrowers?” Mr. Gramlich asked. “The question answers itself — the least sophisticated borrowers are probably duped into taking these products.” And “the predictable result was carnage.”

Mr. Frank is now trying to push through legislation that extends moderate regulation to the subprime market. Despite the scale of the disaster, he’s facing an uphill fight: money still talks in Washington, and the mortgage industry is a huge source of campaign finance. But maybe the subprime catastrophe will be enough to remind us why financial regulation was introduced in the first place.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Arranjo esquisito

Celso Ming, celso.ming@grupoestado.com.br

Há uma semana, três grandes bancos americanos, o Citigroup, o Bank of America e o JP Morgan, anunciaram a criação de um superfundo de US$ 75 bilhões destinado a resgatar os títulos micados no estouro da bolha das hipotecas de alto risco (subprime).

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos (ministro das Finanças), Henry Paulson, encorajou o lançamento desse bote salva-vidas.

De lá para cá, uma cortina suspeita envolveu o projeto. Ben Bernanke, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), colocou em dúvida a seriedade do fundo: 'Gostaria de saber quanto valem essas drogas (damn things).' O presidente anterior do Fed, Alan Greenspan, que mantém o prestígio capitalizado ao longo dos seus 19 anos de mandato, ao se referir ao superfundo e a seu provável conteúdo, usou expressões que se referem a tratamento natural dado a carniça: 'Se você intervém no sistema, os abutres são mantidos à distância; e os abutres são às vezes muito úteis.'

Ficaram duas impressões: (1) que a iniciativa dos bancos se destina a fazer o resto do mundo de trouxa, com patrocínio do Departamento do Tesouro americano; e (2) que os três bancões americanos, enredados até o pescoço com hipotecas podres, estão fazendo uma jogada cujo objetivo é evitar prejuízo em seus balanços.

O plano parece ser o de convencer os clientes a comprar as cotas do superfundo. E a dinheirama amealhada agasalharia os ativos encalhados em carteira.

O problema técnico mais relevante é o de que a principal razão do estouro da bolha das hipotecas subprime já havia sido a impossibilidade de definir o valor correto desses ativos. A proposta é reempacotar esses produtos financeiros, a preços arbitrados sabe-se lá por quem, e oferecê-los a supostos caçadores de pechinchas. E, para dar uma aura de respeitabilidade ao negócio, convenceram o secretário do Tesouro a recomendar a mercadoria.

Diante das restrições públicas externadas por Bernanke, Greenspan e dezenas de financistas, parece difícil que esse superfundo decole. Se não decolar, estaremos diante de pelo menos cinco conseqüências.

A primeira é que a crise continuará sem solução até que os detentores dos títulos micados se convençam de que devem liquidar seus créditos a preços de fim de feira ou esperar que os abutres lembrados por Greenspan façam o serviço.

Segunda, parece inevitável que grandes instituições financeiras acusem perdas. Há alguma probabilidade de que os bancos centrais sejam obrigados a acionar seus mecanismos de cobertura (financiamento de última instância) para evitar o alastramento sistêmico da crise.

Terceira, nesse ambiente, parece inevitável que o Fed seja obrigado a voltar a baixar os juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Fomc, na sigla em inglês) do dia 31.

Quarta, a crise deverá ter novos desdobramentos cuja intensidade é difícil prever. E, quinta, como os bancos centrais dos países ricos mantêm a disposição de apagar todo princípio de incêndio, os investidores continuarão aceitando riscos cuja natureza e dimensão possam entender. Isso sugere que o mercado subprime seguirá largado e que o mercado de ações, de moedas e de commodities continuará tirando proveito disso.

Confira

Na rabeira - Neste ano, os juros básicos (Selic) caíram de 13,25% para 11,25% ao ano - um recuo de 15,1%. No entanto, os juros no crédito dos bancos não acompanham essa queda. Pelo levantamento do Banco Central, no desconto de duplicatas, os juros só caíram 12,5%; no financiamento de capital de giro, 10,3%; no cheque especial, 1,4%; e no crédito pessoal, 13,6%.

Em parte, a queda menor dos juros compensa o alargamento do prazo dos financiamentos, o que é também uma vantagem dos bancos. Num ambiente de redução dos custos financeiros, trataram de garantir juros ainda altos por mais tempo.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Governo Serra: privatização já esta no edital de estudos e no orçamento


Governo paulista pré-seleciona três bancos

Vanessa Adachi - jornal Valor

O governo do Estado de São Paulo pré-qualificou três bancos para fazer a avaliação de 18 estatais que, potencialmente, poderão ser privatizadas. De sete instituições que apresentaram suas propostas para participar da concorrência, continuam no páreo apenas Citi, Merrill Lynch e o consórcio formado por JP Morgan e Banco Fator.


Na próxima segunda-feira, o governo abrirá as propostas de preço dos três grupos. Na primeira etapa de qualificação foram eliminados UBS, Banco Espírito Santo, Morgan Stanley e Itaú. Aparentemente, a desclassificação decorreu de problemas formais na apresentação das propostas. UBS e Morgan Stanley detinham um mandato antigo, ainda da época do governo de Mário Covas, para vender a Cesp, mas esse mandato perdeu a validade. No mercado financeiro, comenta-se que o Citi tende a ser mais agressivo, cobrando comissão mais baixa. O mesmo era esperado do UBS, que foi desclassificado.


A idéia do governo é avaliar 18 empresas, entre elas, Nossa Caixa, Sabesp, Metrô, Cesp, Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e Dersa. Um banco contratado também deverá estudar as modelagens de venda das empresas. Pode haver privatização, venda de participação minoritária, cisão e as operações podem ser em bolsa ou não.


Por enquanto, o governador José Serra e o secretário de Finanças, Mauro Ricardo, têm sido cautelosos ao comentar o tema, limitando-se a dizer que o objetivo é reavaliar os ativos estaduais e que nenhuma decisão foi tomada ainda. Mas o edital de contratação dos bancos prevê a venda de até seis empresas por ano. Além disso, o orçamento de 2008 já prevê receita com a venda de ações da Cesp.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Dominique Strauss-Kahn patron du FMI

L'ancien ministre socialiste, candidat français de l'Union européenne, vient d'être nommé directeur général du Fonds monétaire international. C'est quoi au fait le FMI ?

A 58 ans, l'ancien ministre socialiste devient le quatrième patron français

 |Corbis
Corbis

de l'institution multilatérale basée à Washington. Il succèdera fin octobre à l'Espagnol Rodrigo Rato, démissionnaire pour raisons personnelles.

Soutenu par l'Union européenne, Dominique Strauss-Kahn était en compétition avec Josef Tosovsky, candidat tchèque présenté par la Russie.

Soucieux de ne pas apparaître comme "le candidat du Nord contre le Sud ou des riches contre les pauvres" pour prendre la tête de cette institution en
crise de légitimité, Dominique Strauss-Kahn avait choisi d'attendre au Chili le verdict des 24 membres du conseil d'administration, réunis au siège de l'institution à Washington.

Comment DSK a t-il mené campagne ?
- Il a mis à profit les semaines précédant l'élection pour consolider sa candidature, notamment dans les pays en développement. Il a effectué cet été un quasi tour du monde à la rencontre de ses électeurs, qui représentent les 185 Etats membres.

DSK n'a t-il plus d'ambitions nationales ?
- Avant d'être élu, le rival malheureux de Ségolène Royal aux primaires socialistes en France, s'est engagé à mettre entre parenthèses d'éventuelles ambitions pour la présidentielle française de 2012.

C'est quoi au fait le FMI ?
- Il sert à assurer la stabilité du système monétaire et financier international, c'est-à-dire à prêter de l'argent quand des pays sont en crise, et leur donner des instructions pour se redresser. Des procédures qui ont créé la polémique dans les anciens pays de l'Est et en Argentine.

Comment est choisi son directeur général ?
- Par tradition, les Européens choisissent le directeur général du FMI, alors que les Américains désignent le président de la Banque mondiale, l'institut soeur, elle aussi née après guerre des accords de Bretton Woods.
Par La rédaction du Post

Privatizar: Serra estuda vender participações em estatais

Rogério Lorenzoni/Terra

Estado faz licitação para avaliar valor de mercado e o modelo de negócios de 18 empresas, entre as quais o Metrô e a Dersa

Modelo mais provável é o de venda parcial, em que o governo fica com o controle da empresa, mas vende as ações excedentes

DA REPORTAGEM LOCAL

Folha de São Paulo (para assinantes)

O governo do Estado de São Paulo decidiu avaliar o valor de mercado e o modelo de negócios de 18 estatais com o objetivo de vender participações ou capitalizá-las a partir de operações no mercado financeiro, como a abertura de capital.

Entre as empresas que serão alvo da avaliação, estão o Metrô, a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), a Dersa, a Imprensa Oficial, o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental).

Hoje, no entanto, só a geradora de energia Cesp e a Nossa Caixa são consideradas mais atraentes no mercado. A Cesp deverá ter ações vendidas em leilão no ano que vem, segundo a Folha apurou. O governo paulista já conta no Orçamento de 2008 com uma receita de R$ 800 milhões com a venda das ações da Cesp.

Apesar da autorização legal para a venda, o governador de São Paulo, José Serra, não está convencido que este seja um momento oportuno para a venda das ações da Nossa Caixa. Ele teme, por exemplo, pressão do mercado para desvalorização das ações do banco.

Além disso, o banco espera o retorno do investimento superior a R$ 2 bilhões com a "compra" da exclusividade sobre as contas dos servidores públicos do Estado.

Integrantes do governo insistiram que, num primeiro momento, essa é apenas uma avaliação do patrimônio do Estado. "É só um levantamento", afirmou Serra.

Embora a idéia de alienação de bens não seja rechaçada, negaram que exista um pacote de privatização.

Com forte ônus político, o modelo mais provável de venda a ser adotado no Estado é o parcial, aquele em que o governo fica com o controle da empresa, mas vende as ações excedentes, como aconteceu com a Petrobras e o Banco do Brasil.

Para fazer a avaliação, o governo abriu uma licitação, que terá seu resultado divulgado nos próximos dias, da qual participam os principais bancos de investimento que atuam na área de estruturação e recuperação de empresas, como o UBS Pactual, o JP Morgan e o Fator.

O edital de licitação prevê a realização de dois serviços: avaliação e estruturação de operações, sejam de abertura de capital na Bolsa, aumento de capital, venda de ações, terceirização, cisão, entre outros. Segundo integrantes do governo, nada está descartado.

Pela proposta, duas empresas serão contratadas. As duas farão avaliação dos ativos, dando dois diferentes pareceres para comparação. Uma das contratadas fará avaliação e modelagem de venda. Vence a licitação o banco que fizer a menor proposta de comissão.

Sabesp
Uma das empresas com modelagem de negócio mais complexo é a Sabesp, estatal de águas e esgoto, que poderá ser dividida. No Brasil, a privatização das empresas de saneamento não vingou por conta de um entendimento jurídico falho sobre a concessão de serviços de interesse da saúde pública, que desde a Constituição de 1998 ficou a cargo dos municípios. Acontece que a maioria das concessionárias é estadual, daí a dificuldade em fazer um modelo de venda que atenda interesse dos Estados e dos municípios.
A decisão política sobre o futuro de cada empresa ficará a cargo do PED (Programa Estadual de Desestatização), responsável pelas privatizações da Eletropaulo, CPFL e Elektro, no final dos anos 90.
Por enquanto, a única decisão tomada é a venda das ações da Cesp excedentes ao controle do Estado.
Ainda de acordo com integrantes do governo do Estado, o secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, é favorável à participação da iniciativa privada nas estatais paulistas. Em reuniões, defende a medida como instrumento de transparência e de eficiência na administração pública.
(TONI SCIARRETTA E CATIA SEABRA)

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

A queda nos juros americanos

Coluna Econômica - Luis Nassif

A redução dos juros americanos em meio ponto pelo FED – para 4,75% - é a comprovação cabal que, desta vez, a crise veio para valer.

Até o início do governo Bush, a administração de Alan Greenspan à frente do FED (o Banco Central americano) sempre privilegiou o mercado financeiro. Essa mesma postura era adotada pelo FMI.
Quando alguma bolha ameaçava explodir, Greenspan reduzia os juros. A redução dos juros provoca, automaticamente, a valorização dos ativos. E esses movimentos ajudavam a criar um colchão para reduzir o impacto da queda dos preços dos ativos provocado pelo furo da “bolha”.

***

Externamente, cada vez que um país entrava em crise, o FMI aportava empréstimos que permitiam aos especuladores sair sem perdas maiores. Foi assim com o acordo fechado com o Brasil, em fins de 1998.
Essas duas facilidades aumentaram extraordinariamente a imprudência dos fundos “hedge”(fundos que visam ativos de alto risco). Valiam-se das altas taxas proporcionadas por países em crise, ou por ativos mal avaliados. Depois, na hora de pagar a conta, o FMI e o FED vinham em seu socorro.

***

O primeiro a pular fora foi o FMI, depois de uma forte declaração do primeiro Secretário do Tesouro do governo Bush, de que o país não iria mais amparar especuladores.

Mas a era Greenspan prosseguiu por mais algum tempo, amenizando o estouro da grande bolha da Nasdaq (as ações de tecnologia), mas preparando o terreno para novas bolhas que só agora começaram a explodir.
O sucessor de Greenspan, Ben Bernanke, de sólida formação acadêmica, assumiu com o discurso de que tinha acabado a era do apoio indiscriminado aos mercados. O FED só reduziria os juros quando crises financeiras pudessem abalar a economia real.

Os últimos indicadores apontaram para um desaquecimento da economia americana em ritmo mais pesado do que as previsões iniciais, logo após a crise do “subprime”.

Hoje, o Departamento do Trabalho anunciou que o PPI (índice de preços por atacado) registrou deflação de 1,4% em agosto. Na semana passada, foi anunciado o fechamento de 4 mil postos de trabalho – o menor índice desde 2003. Finalmente, as vendas no varejo, segundo o Departamento de Comércio, teriam caído 0,4%, se se descontasse a venda de automóveis. Os primeiros balanços pós-crise indicaram uma queda acentuada nos resultados das companhias abertas.

Tudo isso pesou para que Bernanke aceitasse reduzir os juros, e em nível mais forte do que o mercado vinha prevendo.

***

Há um conjunto de conseqüências:

1. Confirma-se que a crise é mais séria do que as previsões iniciais. Esse gesto, se de um lado alivia o mercado de capitais, de outro deverá manter o mercado de crédito travado por mais algum tempo.

2. Antes do sinal do FED, os bancos de investimento tinham voltado a recomendar o Brasil para seus investidores, devido às altas taxas de juros locais e às contas externas em ordem. Com a redução dos juros, esse fluxo deverá aumentar, a não ser que o Banco Central volte a acelerar a queda da taxa Selic.

3. Com a redução dos juros, haverá tendência de desvalorização ainda maior do dólar, chamando a atenção para os fundos soberanos (reservas de países emergentes aplicadas em mercados desenvolvidos)

terça-feira, 18 de setembro de 2007

O fantasma do patriotismo financeiro ronda a globalização

Rui Falcão


A retórica liberal, que já fazia água - vítima da teimosia da Política em perturbar a suposta racionalidade do mercado -, ameaça soçobrar de vez oficialmente, quando da reunião de cúpula informal, em outubro, dos chefes de Estado e de Governo da União Européia.

Sob a liderança da primeira-ministra conservadora, Ângela Merkel, da Alemanha, e do presidente francês conservador, Nicolas Sarkozy, as autoridades européias irão debater a necessidade de conter a liberdade de movimento de capitais financeiros, em especial os oriundos de fundos soberanos (sovereign-wealth funds), detidos pelos bancos centrais como parte de suas reservas e utilizados como investimento de risco em países estrangeiros. Os líderes europeus atendem à proposta de Bush de também se envolver no debate o FMI e o Banco Mundial.

O fantasma das desnacionalizações, que ronda as economias nacionais, encarnado nos fundos soberanos e põe em risco a segurança e a soberania nacionais, levou os países ricos a deixar de lado a conversa liberal e retirar do baú de suas “velharias” o “patriotismo financeiro”. Desta vez, por iniciativa não individual mas coletiva, depois de a China ter anunciado recentemente o lançamento de seu fundo soberano de US$ 300 bilhões, destinados a investimentos de risco no exterior.

Pelos cálculos da França, esse montante – sem regulamentação alguma, como adverte a Casa Branca – é três vezes maior do que o Plano Marshall, lançado pelos EUA para reconstruir a Europa após a Segunda Guerra Mundial em 1945, que atingiu cerca de US$ 100 bilhões, em valores corrigidos.

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segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Spain seeks to calm markets after sell-off

By Leslie Crawford in Madrid

Financial Times

Pedro Solbes, the Spanish finance minister, and the Bank of Spain, the central bank, moved to calm financial markets on Monday, saying no Spanish banks had sought emergency financing from the European Central Bank.

Spanish bank shares fell sharply on fears that an international credit squeeze might damage the lending activities and profitability of financial groups.

The share sell-off followed a British press report quoting Adam Applegarth, chief executive of Northern Rock, the beleaguered UK mortgage lender, as saying that three Spanish banks had sought ECB help last week.

Mr Solbes ruled out the possibility that any Spanish financial group might be affected in coming days by liquidity problems such as those experienced by Northern Rock. “There are no parallels between what has happened in the UK and the situation here,” he said on Spanish radio.

The Bank of Spain said in a statement: “No Spanish institution has used any emergency financing facility. Spanish institutions, in common with other European banks, continue to use the ECB’s routine liquidity facilities. This does not mean that they are experiencing any difficulty.”

Spain’s 10-year property boom has transformed Spanish banks into some of the biggest issuers of mortgage-backed bonds in Europe. An almost insatiable demand for credit in Spain has also made banks big borrowers in European capital markets.

As a result of the current turmoil in financial markets, Spanish banks may find it more difficult to fund themselves abroad. It will certainly be more expensive.

Last week, Banco Popular cancelled the placement of €2bn ($2.8bn, £1.39bn) worth of mortgage-backed securities. Ahorro Titulización, an investment vehicle that belongs to a group of Spanish savings banks, also cancelled a securitisation issue.

Spanish bank regulators on Monday insisted that the financial system was solid, with well-capitalised, profitable banks, low rates of loan defaults and high levels of provisions against bad debt.

Bankinter, a medium-sized bank, was the hardest hit in the share sell-off, falling 5.9 per cent on Monday. Banco Popular fell 2.9 per cent, with the largest banks, Santander and BBVA, shedding 1.6 per cent and 1.9 per cent respectively.

“I don’t know why our share price is being hammered,” Jacobo Diez, chief financial officer of Bankinter, told the Financial Times. “Our funding needs are fully covered for 2007. We have no problems with liquidity. I think the stock markets are being moved by uncertainty and fear.”

At Banco Popular, Roberto Higuera, chief financial of-ficer, said: “This is not a liquidity crisis. It is a crisis of confidence. No one knows who is holding subprime risk. The only thing I can tell you is that it is not in Spain.”

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Crise ameniza e indústria mantém planos para fim do ano

Reuters/Brasil Online

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) - A crise dos mercados financeiros assustou empresários brasileiros, mas não chegou a frear investimentos nem a reverter a tendência de crescimento esperada para a segunda metade do ano.

Executivos e representantes de entidades da iniciativa privada ouvidos pela Reuters acreditam que a demanda interna será suficiente para sustentar o ritmo de atividades nos próximos meses, período mais importante do ano para a indústria e o setor de varejo.

"Pelas reuniões que estamos tendo, percebemos que o crescimento do setor será igual ou maior que o do primeiro semestre", afirmou Luiz Aubert, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Ele estima crescimento de 13 por cento para o setor neste ano.

Em meados de agosto, no pico das turbulências vividas pelos mercados por conta da crise no segmento de crédito imobiliário de alto risco norte-americano, algumas entidades empresariais no país notaram um clima de cautela entre os empresários.

Com a situação agora mais estabilizada, esses mesmos executivos resolveram manter as apostas para o restante do ano.

"No fim, não sentimos nenhuma mudança de comportamento em relação à crise. Não houve nenhum impacto direto na economia", disse Luciana Pellegrino, diretora-executiva da Associação Brasileira de Embalagens (Abre).

Essa sensação de que o pior passou e de que a indústria segue o ritmo traçado, é compartilhada por Paulo Francini, diretor de economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

"Quando você ingressa em uma turbulência, fica sem saber quanto tempo vai durar, qual a intensidade. A dúvida é quase sempre imobilizante... Agora já estamos bem melhor", disse. "As coisas se acalmaram, os mercados estão operando normalmente, interna e externamente. Tem-se uma sensação de alívio", acrescentou.

2008 TRAZ DÚVIDAS

A preocupação que tomou conta de alguns empresários não chegou a alterar o espírito de outros. O setor automotivo é um exemplo de como a crise nos mercados internacionais passou, por enquanto, longe do Brasil.

Em agosto, as montadoras do país bateram novos recordes, tanto na produção quanto na venda de veículos -e por trás dos números mais uma vez estava o aquecido mercado doméstico.

"A crise não afetou o lado real da economia", afirmou Jackson Schneider, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), ao divulgar dados sobre o desempenho do setor.

Mas o clima de tranquilidade não se repete no cenário de longo prazo. Os empresários, como boa parte dos analistas do mercado de capitais, ainda têm dúvidas sobre a extensão da crise, e não querem se comprometer com projeções que exijam mais fôlego.

Para José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do brasil (AEB), decisões de maior fôlego ainda podem ser adiadas.

"A crise é um fato. Os reflexos ainda não apareceram. Tanto o Fed (Federal Reserve) como o BCE (Banco Central Europeu) colocaram muito recurso (nos mercados), e isso aparentemente está segurando a crise", afirmou. "A gente vê claramente que não existe uma certeza de que tudo passou."

Segundo os executivos, se uma nova onda de turbulências impactar os mercados, os efeitos no país poderão ser sentidos no ano que vem.

"Se você me perguntar como é que vai ser 2008, aí não sei", afirmou Aubert, da Abimaq.

Market turmoil ‘will hit economy’

By Eoin Callan in Washington

Financial Times

Turmoil in financial markets is likely to intensify the downturn in the US housing market and could hit consumer spending, according to San Francisco Federal Reserve Bank President Janet Yellen.

“A drop in house prices is likely to restrain consumer spending to some extent,” Ms Yellen said in a speech, adding that “should the decline in house prices occur in the context of rising unemployment, the risks could be significant.”

The comments from the influential policymaker underline growing fears that the US economy will be impaired by the decline in the housing market and tightening lending conditions.

Ms Yellen stressed that she was speaking only on behalf of herself and is not a voting member of the central bank’s rate-setting Federal Open Market Committee in 2007.

The regional Fed president also warned that world economic growth was likely to slow and that US export growth was likely to evaporate, in a further blow to the American economy.

The outlook for global growth and the impact of market turmoil are expected to be the focus of a trip by Hank Paulson, US Treasury Secretary, to London and Paris next week.

Mr Paulson will on Monday morning meet French President Nicolas Sarkozy and his finance minister, Christine Lagarde, before travelling to London to meet Prime Minister Gordon Brown and Chancellor Alistair Darling.

Ms Yellen said that she had expected global growth to slow and export growth to moderate before the credit crunch, adding that the risks of a sharper downturn had now increased.

The bank president said recent data showed “most measures of house prices at the national level fell moderately”, adding that “financial market turmoil seems likely to intensify the downturn in housing”.

She also warned that there could be “other negative impacts on consumer spending” from tightening lending conditions.

“Credit-constrained consumers with adjustable-rate mortgages seem likely to curtail spending as interest rates reset at higher levels and they find themselves with less disposable income,” she said.

She added that “reduced availability of high loan-to-value ratio and piggyback loans may drive some would-be homeowners to pull back on consumption in order to save for a sizable downpayment”.

But she was more upbeat about business resilience, saying that “despite the hike in borrowing costs for higher-risk corporate borrowers and the illiquidity in markets” that financing remained “readily available” for corporate investment.

Yet she added that “the outlook for capital spending could worsen if business confidence were shaken by turbulence in global financial markets”.

Governor Frederic Mishkin, a voting member of the FOMC was due to speak later on Monday.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

OECD says market turmoil will hit world growth

By Scheherazade Daneshkhu, Economics Correspondent

Financial Times

Presenting its mid-point assessment between its spring and autumn Economic Outlook projections for the world’s 30 richest countries, the Paris-based think tank said prospects for the world economy were: “clearly less buoyant and more uncertain” than in its May forecasts.

Market turmoil and the woes in the US subprime mortgage market will crimp world economic growth this year, the Organisation of Economic Co-Operation and Development said on Wednesday, as it called for better regulation to address the “serious imperfections” in US housing markets and credit markets worldwide.

Although it pared back its expectation for growth in the world’s seven largest economies by only 0.1 percentage point to 2.2 per cent, it warned its estimates erred on the upside because it was still too early to assess the extent to which the repricing of risk across financial markets would reduce economic activity.

“Downside risks have become more ominous in a context where overall financial market conditions are likely to remain durably tighter,” it said.

Jean-Philippe Cotis, OECD chief economist, praised central banks for “swift and forceful action” which had helped contain financial market turbulence and suggested the timing of the repricing had been fortunate in happening when world economic growth was strong.

But he said recent events had revealed “serious imperfections” in the functioning of credit markets and called for improved supervision of the US subprime mortgage market. More...

terça-feira, 4 de setembro de 2007

"Uma parte do sistema financeiro esta paralisado", disse Financial Times

‘Heart attack’ markets face test

By Gillian Tett in London and Catherine Belton in Moscow - Financial Times

Published: September 4 2007 21:09 | Last updated: September 4 2007 21:09

Capital markets face a critical period, which will determine how the financial system copes with this summer’s credit sector “heart attack”, a senior international banker warned on Tuesday.

Hans Jörg Rudloff, chairman of Barclays Capital, said the next four to six weeks would be crucial as investors tried to establish new price levels for risk and banks expanded balance sheets to take on assets held by stricken investment vehicles.

“This is the big question: are we capable of establishing a new price level for these assets? If we stay stuck, the patient is going to die,” Mr Rudloff said in a speech to Russian executives in Moscow.

“Trading of assets has to be resumed,” he said, speaking in his capacity as chairman of the International Capital Markets Association, rather than Barclays Capital chairman. Mr Rudloff said he hoped markets were over the worst.

His comments came amid signs that parts of the financial system are paralysed by a sense of mistrust over credit losses. Bankers in London warned that parts of the interbank lending market have frozen as institutions scramble to raise finance – and hoard it.

The London interbank offered rate (Libor) is important because it is accepted as the risk-free rate for transactions around the world. For example, the interest rates on leveraged loans, which finance private equity buy-outs, are typically based on Libor. The scramble in the interbank market pushed the three-month sterling Libor rate to 6.7975 per cent on Tuesday, more than 100 basis points above the Bank of England’s official base rate of 5.75 per cent, and its highest level since the 1998 financial crisis.

The three-month US dollar-denominated Libor rate – which normally hovers slightly above the Federal Funds rate, now at 5.25 per cent – rose to nearly 5.7 per cent, up from nearly 5.67 per cent on Monday. The rate a month ago was 5.36 per cent.

Pressure in the sterling money markets has sparked calls among London bankers for the Bank of England to intervene. Some hope new initiatives may emerge as early as tomorrow when the central bank holds its regular monetary policy meeting.

The Bank of England has so far refrained from any emergency measures, in sharp contrast to the European Central Bank and US Federal Reserve. Its officials are wary of taking any step that might be seen as encouraging excessive risk taking.

Marc Ostwald, fixed-income strategist at Insinger de Beaufort, said: “The bank is now in a very difficult position . . . it will be damned if it does intervene, and damned if it doesn’t.”