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domingo, 23 de dezembro de 2007

Natal de recordes

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Foto: Miguel Portela

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Varejo deve faturar R$ 43 bi, maior valor em 11 anos. Na Saara, passaram ontem 2 milhões


Aguinaldo Novo, Fabiana Ribeiro e Bruno Rosa

SÃO PAULO e RIO
O GLOBO

O faturamento do varejo neste Natal deve alcançar R$ 43,2 bilhões, no melhor resultado dos últimos 11 anos. Calculada pela consultoria Gouvêa de Souza & MD, a cifra considera todos os segmentos, das lojas de roupas na Saara, no Centro, à receita de gigantes como Pão de Açúcar. Ontem, último sábado antes do Natal, o dia foi de longas filas nas portas das lojas de grifes e de 20% de alta nas vendas em relação ao ano passado, segundo varejistas, mesmo com a falta de luz em diversos bairros do Rio no início da tarde. Na Saara, mais de dois milhões de consumidores foram às compras — em dias comuns, são 40% menos.
Nos principais shoppings do Rio, segundo levantamento feito pelo GLOBO, o movimento foi de 1,1 milhão. Pelos dados da Gouvêa de Souza, o faturamento no Natal deste ano vai representar uma alta de 12,2% em relação ao mesmo período de 2006 (R$ 38,5 bilhões). Na comparação com 2005 (R$ 35 bilhões), a variação chega a 23,4%. Só ficaram fora da conta os gastos com combustíveis e compra de automóveis. Números tão vistosos assim são efeito da redução do desemprego e da explosão do crédito, com financiamentos cada vez mais esticados. Com dinheiro extra no bolso, o consumidor foi às compras.

Indústria cancela férias coletivas

Os bons resultados do varejo terão impacto na indústria. Com estoques reduzidos, muitas empresas cancelaram férias coletivas e prevêem entrar em 2008 com produção mais acelerada do que nos outros anos.

— Sem dúvida, teremos o melhor Natal desde 1996, quando o país ainda vivia a euforia do Plano Real. Mas a História mostrou que foi uma excitação artificial, e a economia mergulhou de novo em crise. Hoje, o cenário é diferente.

O país está estruturalmente mais forte, e o crescimento parece sustentável — disse o diretor-geral da consultoria, Marcos Gouvêa.

As lojas estão comemorando. No Pão de Açúcar, as vendas de panetones, frutas secas, bebidas, bacalhau e itens de informática devem registrar salto de 30% em relação a igual período do ano passado. Mas, segundo a empresa, este é o Natal dos televisores de LCD e Plasma. Com a queda média de 30% nos preços e o início da transmissão digital, a expectativa é que as vendas superem em até 30% as do ano passado.

Este também será um fim de ano de presentes mais caros. Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), 49% dos consumidores planejam gastar mais de R$ 500 com os presentes de Natal.

O varejo aquecido já provoca mudanças na indústria. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) prevê que o setor inicie 2008 com os estoques no nível mais baixo desde janeiro de 2005.

Alguns setores ativaram novos turnos de trabalho e cancelaram férias coletivas de fim de ano. Exemplos disso são as cadeias automotiva, alimentícia e de fabricação de móveis. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) endossa a previsão da CNI. Perguntado se o forte crescimento não poderia trazer problemas de abastecimento e, por tabela, risco de inflação, o diretor de Economia da Fiesp, Paulo Francini, disse: — Gosto de ver estoques baixos e o Nuci (Nível de Utilização da Capacidade Instalada) gordinho. Mostra que entramos num ciclo virtuoso.

As lojas também se adaptam ao maior movimento. Na Saara, as lojas ficarão abertas até 16h hoje e amanhã.

Ontem, funcionaram até 22h.

— Esperamos vendas 20% maiores em relação ao ano passado. É possível encontrar preços bem variados, de R$ 0,50 a mil reais — diz Ênio Bittencourt, presidente da Saara.

A diarista Patrícia Fermino e seu marido, o comerciante Manoel Jesus, chegaram ontem às 11h à Saara com a missão de comprar cem presentes de Natal. O casal pretende gastar até R$ 250 com amigos, familiares e vizinhos.

— Vamos ficar aqui até comprar tudo. Não temos pressa. Primeiro vou pesquisar todos os preços. Até 18h dá tempo — disse Patrícia.

Clientes fazem filas nas portas das lojas

Ontem, no Norte Shopping, os clientes disputavam lugar nas lojas. Só na Melissa, havia cerca de 50 pessoas na fila para cada uma das duas lojas da marca no shopping. No Shopping Tijuca, a loja de brinquedos Video Game Center teve de fechar as portas por boa parte da tarde, porque não tinha espaço para abrigar mais clientes. Na Broxton, rede de roupas masculinas do Botafogo Praia Shopping, foram vendidas mais de 140 bermudas ontem, um recorde para a grife.

Segundo a gerente da loja Antonella, do Shopping Nova América, Valeria Machado de Oliveira, a sandália rasteira de verniz (R$ 29,90) é o modelo mais procurado, e só não esgotou porque a reposição acontece três vezes ao dia: — As clientes chegam a comprar dez pares de uma vez só para dar de presente — comemora.

Algumas lojas aproveitam para oferecer promoções aos clientes de última hora, como descontos à vista.

Após comprar 30 presentes semana passada, a empresária Regina Delpim voltou ao shopping Rio Sul ontem para completar a lista do Natal: — Sempre me esqueço de alguém.

Foram tantos presentes que estourei três cartões de crédito. Fiz todas as compras parcelada

sábado, 22 de dezembro de 2007

Comércio deve faturar R$ 43,2 bi neste fim de ano, no melhor resultado em 11 anos

Aguinaldo Novo e Fabiana Ribeiro - O Globo Comércio popular também ganhou mais neste fim de ano

SÃO PAULO e RIO - O faturamento do varejo neste Natal deve alcançar R$ 43,2 bilhões, no melhor resultado dos últimos 11 anos. Calculada pela consultoria Gouvêa de Souza & MD, a cifra considera todos os segmentos, da loja de roupas na Saara, no Centro, à receita de gigantes como Pão de Açúcar.

Só ficaram de fora da conta os gastos com combustíveis e compra de automóveis. Todo esse movimento no varejo terá impacto na indústria. Com os estoques reduzidos, muitas empresas cancelaram férias coletivas e prevêem entrar em 2008 com produção mais acelerada do que nos outros anos.

Neste sábado, os consumidores que deixaram as compras para a última hora levaram um susto no Centro e na Zona Sul do Rio. A luz acabou devido a um problema na subestação de

Pelos dados da Gouvêa de Souza, o faturamento projetado para o Natal deste ano vai corresponder a um aumento de 12,2% em relação ao mesmo período de 2006 (R$ 38,5 bilhões). Na comparação com 2005 (R$ 35 bilhões), a variação chega a 23,4%. Números tão vistosos assim são efeito da redução do desemprego e da explosão do crédito, com financiamentos cada vez mais esticados. Com dinheiro extra no bolso, o consumidor foi às compras.

Leia mais no jornal ou na sua versão digital sobre as medidas que a indústria deve adotar para acompanhar o aumento do consumo (somente para assinantes).

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

PIB cresce 1,7% no 3º trimestre e 5,7% frente a 2006, diz IBGE


CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio


A economia brasileira cresceu 1,7% no terceiro trimestre deste ano frente ao trimestre imediatamente anterior, divulgou nesta quarta-feira o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na comparação com o mesmo trimestre de 2006, o PIB teve um crescimento de 5,7%. Em valores, o PIB brasileiro totalizou no trimestre passado R$ 645,2 bilhões.

O desempenho superou as expectativas dos analistas de mercado que projetavam crescimento de 1,5% contra o segundo trimestre de 2007 e de 5,1% ante o terceiro trimestre de 2006.

O destaque principal da economia brasileira no período foi o setor agropecuário, que mostrou crescimento de 7,2% em relação ao segundo trimestre deste ano. Na mesma comparação, a indústria teve crescimento de 1,8% e o setor de serviços, de 1,2%.

Entenda o que é o PIB e como é feito seu cálculo

De janeiro a setembro de 2007, o PIB teve expansão de 5,3% na comparação com igual período de 2006, ficando no maior patamar desde 2004. No acumulado dos 12 meses até setembro, o crescimento foi de 5,2%, na comparação com os 12 meses imediatamente anteriores --também a maior expansão desde 2004.

Pela ótica da demanda, o consumo das famílias e a Formação Bruta de Capital Fixo (que sinaliza os investimentos) apresentaram respectivamente expansões de 1,5% e 4,5% --na comparação com o segundo trimestre deste ano. Pelo lado do setor externo, as exportações apresentaram crescimento de 1,4%, enquanto as importações tiveram elevação de 9,1%.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2006, o maior destaque foi o crescimento de 14,4% da Formação Bruta de Capital Fixo, explicado principalmente, segundo o IBGE, pelo aumento da produção e da importação de máquinas e equipamentos. Já o consumo das famílias teve taxa positiva de 6%, o 16º crescimento consecutivo nessa comparação.

As exportações, por sua vez, mantiveram-se em crescimento (1,8%), apesar da desaceleração, e as importações de bens e serviços cresceram 20,4%.

Setor

Por setor de atividade, no terceiro trimestre o maior destaque foi a agropecuária (que cresceu 7,2%), seguida pela indústria (1,8%) e pelos serviços (1,2%). Em relação ao terceiro trimestre de 2006, a agropecuária teve crescimento de 9,2%; a indústria registrou expansão de 5%; e o setor de serviços, de 4,8%.

No acumulado do ano, o setor industrial foi o destaque, com crescimento de 5,1%, seguido pelo setor de serviços, com expansão de 4,7%, e pela agropecuária, com 4,3%.

O IBGE também revisou para cima o resultado do PIB de 2006, que passou de crescimento de 3,7% para 3,8%.

Metodologia

O PIB é a soma das riquezas produzidas por um país. É formado pela indústria, agropecuária e serviços. O PIB mostra o comportamento de uma economia. No passado, por exemplo, quando o Brasil atravessou uma recessão, o PIB encolheu 0,2%.

O PIB também pode ser analisado a partir do consumo, ou seja, pelo ponto de vista de quem se apropriou do que foi produzido. Nesse caso, o PIB é dividido pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo, pelos investimentos feitos pelo governo e empresas privadas e pelas exportações.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

A indústria levanta vôo

O desempenho geral da indústria vai surpreendendo até os mais otimistas.

por Celso Ming

Tendo como referência o mês de outubro, o crescimento acumulado do ano é de 5,9% e, nos últimos 12 meses, de 5,3%. São números carregados de conseqüência. Mas, antes, vamos às causas.

O próprio IBGE, o organismo encarregado dos levantamentos, identifica como fatores explicativos da boa expansão industrial o avanço do consumo interno (que tem a ver com o salto do crédito), o crescimento do investimento e a força das exportações.

Os últimos levantamentos dão conta de que o consumo geral cresce acima de 6% em relação ao que cresceu no ano passado. Mais provavelmente está hoje próximo dos 10%. A impressionante estocada das vendas de veículos (mais de 31% no ano até novembro) é boa ilustração disso.

O salto do consumo, por sua vez, está relacionado a três fatores: expansão do crédito às pessoas físicas, da ordem de 32,5% neste ano; aumento da renda real da população, puxada pelo reajuste de 8,6% do salário mínimo em abril; crescimento das despesas públicas, superior a 10% ao ano; e valorização do real (queda do dólar), que aumenta o acesso do consumidor às importações.

A boa fase dos investimentos já vinha sendo acusada pelas importações de bens de capital, que nos 11 primeiros meses do ano aumentaram 31,8%. E vai sendo corroborada pelo crescimento da produção interna de máquinas e equipamentos, de 18,8% no acumulado do ano até outubro e de 16,9% em 12 meses. Quem investe não compra apenas máquinas. Tem de aumentar as instalações, comprar materiais, contratar serviços e por aí vai. É um fator que puxa o resto.

E não dá para ignorar a puxada na indústria provocada pelas exportações. De janeiro a novembro, o despacho de produtos manufaturados para o exterior cresceu 17,1%, puxado por veículos, aços planos, aviões e autopeças.

E, a partir do que está aí, já dá para amarrar algumas conseqüências. A primeira é a de que vai sendo esvaziado o mantra dos dirigentes da Fiesp e de um punhado de críticos da política macroeconômica de que está em curso um rápido e inexorável processo de desindustrialização e sucatamento da empresa nacional atribuído à ação dos juros escorchantes e do câmbio fora do lugar. Crescendo como está, de forma generalizada e consistente, não há como insistir na tese da desindustrialização e da destruição de atividade produtiva. Tampouco se vêem importantes falências, desemprego e outros tantos efeitos aterrorizantes.

Mas não dá para afastar outro risco: o de que, apesar dos investimentos, o setor produtivo não dê conta do dinamismo do consumo. Se isso acontecer, pode haver, sim, a tal inflação de demanda, de que a indústria não quer ouvir falar.

Há dois dias, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) já havia relatado que nunca como agora foi tão forte o giro das máquinas. A utilização da capacidade de produção da indústria é recorde, de 82,3% em outubro. As importações estão em boa parte suprindo a insuficiência da oferta interna. Esta é a principal razão por que crescem (no acumulado do ano) 30,8%.

E, se houver inflação de demanda, o Banco Central adiará novos cortes dos juros.

Leia a coluna de Celso Ming, na integra, no jornal O Estado de São Paulo (para assinantes)

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Consumo das famílias cresceu 5,9% no semestre

O aumento da massa salarial real e a facilidade na obtenção de crédito reforçaram o poder de compra

Andrea Vialli, Jacqueline Farid e Adriana Chiarini

O Estado de São Paulo

Um dos motores do aumento do PIB no segundo trimestre, o consumo das famílias cresceu 5,7% em comparação com o segundo trimestre do ano passado e alcançou a cifra de R$ 379,575 bilhões, segundo dados divulgados ontem pelo IBGE. No primeiro semestre, o crescimento no consumo chega a 5,9%, impulsionado pelo aumento da massa salarial real no período e a facilidade de obtenção de crédito para pessoas físicas.

No que depender da professora Maria Tereza Rodrigues Santos, o consumo das famílias vai continuar crescendo até o fim do ano. No final da tarde de ontem, ela fazia compras com o marido em uma loja de móveis e eletroeletrônicos na região Norte da capital paulista.

“Depois de 25 anos de casada, resolvi trocar os eletrodomésticos antigos”, conta a professora, que comprou máquina de lavar roupas, fogão, geladeira, exaustor para cozinha e um colchão de casal. Tudo parcelado no cartão de crédito. “Estou aproveitando este momento de crédito farto. Se não fossem as facilidades, não teria como pagar à vista”, afirma. Com uma renda familiar mensal de R$ 7 mil, a professora vê com bons olhos o aumento do consumo no Brasil. “Acho importante que as pessoas de menor poder aquisitivo possam consumir mais, e as facilidades do crédito contribuem para isso.”

O analista de sistemas Edson Silva, que pesquisava preços de móveis com a mulher, Sabrina Serruya, tem opinião diferente. “O brasileiro está se endividando. Muitas pessoas já comprometeram 80% da renda com financiamentos e isso não é um bom sinal”, diz. “Esse aumento no consumo vai trazer consequências sérias para o País, como superprodução, risco de inflação e problemas de infra-estrutura”, analisa. Silva se diz comedido nos gastos, poupa 20% do salário e prefere pagar suas compras à vista. “Ando na contramão”, diz.

Mas o casal ainda deve contribuir para elevar o PIB até o fim do ano. Recém-casados, estão mobiliando a casa e devem comprar móveis e utensílios domésticos nos próximos meses. E planejam para 2008 a troca dos dois carros que estão na garagem por modelos mais novos.

No entanto, há quem prefira evitar a farra do consumo. A bancária Sueli Mendonça vai evitar grandes gastos até o ano que vem, quando pretende adquirir uma televisão de LCD, “atual sonho de consumo”. Com uma renda média mensal de R$ 1,5 mil, Sueli ainda está quitando prestações do carro - comprado no ano passado e financiado em 24 vezes - e de uma viagem à Cuba. “Até o final do ano, vou evitar gastos maiores e manter só as despesas do dia-a-dia, como roupas e alimentos.”

MUDANÇA

A coordenadora de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis, afirma que os bons resultados do consumo das famílias ilustram uma “mudança de composição” que está ocorrendo no crescimento da economia desde o início de 2006, com o mercado interno tomando o lugar das exportações como principal motor da economia.

Segundo Rebeca, o consumo foi influenciado pelo aumento de 5,2% na massa salarial real no segundo trimestre deste ano ante igual período do ano passado e pela expansão, nesse período, de 26,5% no saldo de operações de crédito do sistema financeiro para pessoas físicas. Segundo ela, a queda na taxa Selic também influencia o consumo interno.

Indústria cresce 7,2% e puxa PIB no trimestre

Ana Paula Grabois

Valor (para assinantes)

A indústria de transformação foi o motor do crescimento econômico do país no segundo trimestre deste ano. O setor apresentou forte expansão, de 7,2%, após subir 2,7% no primeiro trimestre, de acordo com as Contas Trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Depois de uma alta de 4,4% nos primeiros três meses do ano, o Produto Interno Bruto (PIB) acelerou o ritmo para 5,4% no segundo trimestre em relação ao mesmo trimestre do ano passado, na maior taxa desde o segundo trimestre de 2004, quando ficou em 7,5%. Na comparação com o trimestre anterior, em termos dessazonalizados, o PIB aumentou 0,8%.

O governo festejou a 22ª alta consecutiva do PIB (na comparação com igual período do ano anterior), o que consolidaria o mais longo ciclo de crescimento da economia brasileira desde o início dos anos 90.


"A aceleração do crescimento no segundo trimestre deve-se muito à indústria de transformação", disse a gerente das Contas Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis. Os destaques do setor ficaram por conta dos segmentos de máquinas e equipamentos, automotivo, material elétrico, metalúrgico e de produtos químicos.


"A indústria acelerou o ritmo de crescimento influenciada pelo aquecimento da demanda interna, após meses de reforço no investimento" , avaliou a economista Marcela Prada, da consultoria Tendências . Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Estadual (Iedi), a recuperação dos segmentos mais afetados pelo câmbio valorizado foi importante para o bom resultado da indústria de transformação no segundo trimestre. Em relatório, o Iedi, ressaltou que setores como têxtil, calçados, vestuário e madeira, já saíram do fundo do poço e deixaram de pesar negativamente no PIB.


"A alta da indústria de transformação refletiu positivamente no resultado do comércio e do transporte de cargas, ou seja, nos serviços. Por isso, foi mais importante para o PIB", completou a gerente do IBGE. A expansão mais forte se repetiu nos demais segmentos da indústria, especialmente na construção civil, cujo crescimento chegou a 6,3% no segundo trimestre. Além do aumento do volume de crédito direcionado para a habitação, o IBGE atribui o vigor ao aumento do emprego no setor.


Sob o ponto de vista da demanda, o crescimento econômico brasileiro teve como destaque os investimentos das empresas em máquinas, equipamentos e construção (formação bruta de capital fixo). Os investimentos aumentaram 13,8%, pela 14º trimestre consecutivo, estimulados pelo corte da taxa de juros e maior oferta de crédito. Devido ao bom desempenho, a taxa de investimento em relação ao PIB atingiu 17,7%, a maior taxa para um segundo trimestre desde 2000, quando foi iniciada a série histórica da taxa. "O maior investimento confere sustentabilidade ao crescimento, pois aumenta a capacidade produtiva da economia. As empresas apostam na continuidade do aumento do consumo interno", disse o coordenador das Contas Nacionais do IBGE, Roberto Olinto.


Sob o efeito da expansão do crédito e da massa salarial, o consumo das famílias manteve-se em expansão pelo 15º trimestre seguido e cresceu 5,9%. Para a economista do Unibanco Giovanna Rocca embora o resultado do PIB tenha vindo um pouco abaixo do esperado pelo mercado, a economia permaneceu em ritmo de crescimento "robusto", sustentado pela demanda interna aquecida.


Ainda pelo lado da oferta, a indústria extrativa, impulsionada pela produção de minério de ferro, cresceu 5,9%, enquanto a indústria de produção e distribuição de energia elétrica, gás e esgoto apresentou aumento de 6,1% no primeiro trimestre na comparação com o mesmo período de 2006.


O setor de serviços ficou com desempenho ligeiramente abaixo da média da economia, com 4,8% no segundo trimestre. Já a agropecuária apresentou crescimento próximo a zero por conta das safras ruins do café e do arroz. Os técnicos do IBGE afirmam que o setor deve ter maiores crescimentos ao longo do segundo semestre porque o período concentra a maior parte da colheita agrícola.


O coordenador do IBGE diz que as taxas de crescimento do segundo trimestre se aproximaram dos números de 2004, quando o país havia crescido 5,7%, mas com um outro padrão. Em 2004, o país produzia e investia para exportar. Agora, a expansão da economia está ancorada no mercado interno, que além de favorecer os investimentos e a produção, tem estimulado as importações. "Em 2004, a participação do setor externo era maior do que agora. Os fatores que explicam o crescimento em 2007 estão ligados ao consumo interno", disse Olinto. O volume das importações de bens e serviços subiu 18,7% no segundo trimestre do ano. As exportações aumentaram 13%, mas sobre uma base baixa de comparação.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Crescimento forte do PIB

Quarta-feira o IBGE deve anunciar o resultado do PIB do segundo trimestre 2007. Todas as atenções estarão voltadas para o desfecho do caso Renan, pouco caso acabarão tendo estes resultados.

Porem, ao que tudo indica, eles vão mostrar um crescimento pujante da riqueza nacional. isto significa maior produção, mais investimentos, maior comercio e crescimento do emprego e da renda. Uma vida melhor para milhões de pessoas.

Segundo o jornal Correio Braziliense "Ao anunciar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, o órgão, vinculado ao Ministério do Planejamento, mostrará a economia brasileira crescendo a um ritmo entre 5% e 6%, puxada, sobretudo, pelo forte consumo das famílias e pelo aumento dos investimentos produtivos.

Nas contas dos especialistas ouvidos pelo Correio, o PIB do segundo trimestre registrou incremento entre 1,2% e 1,5%, quando comparado aos três meses imediatamente anteriores. Em relação a abril e junho de 2006, as estimativas vão de 5% a 5,9%. “Não há como negar. A economia está forte, refletindo a queda dos juros, a elevação da renda e do emprego e a maior oferta de crédito”, disse o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal. “No ritmo em que o PIB avançou no segundo trimestre, é possível dizer que, nos últimos seis meses do ano, o crescimento da economia será bastante elevado, com reflexos muito positivos em 2008”, acrescentou o chefe do Departamento de Pesquisas para a América Latina do Banco WestLB, Ricardo Amorim.

Se os economistas estiverem certos, o consumo das famílias teve o 15º trimestre consecutivo de alta, o mais longo ciclo de expansão desse indicador, que representa 60% do cálculo do PIB. As apostas são de que o aumento, na comparação do segundo trimestre com igual período de 2006, seja superior a 6%. A maior disposição dos brasileiros para gastar decorre, segundo Flávio Serrano, economista-chefe da Corretora López Leon, da combinação de fatores que há tempos não se via no país: inflação sob controle, juros em baixa, crédito farto, aumentos reais dos salários e formalização recorde da mão-de-obra. As regiões mais pobres do país ainda estão sendo beneficiadas pelo Bolsa Família, que empurra milhões de pessoas para o consumo.

Investimentos e juros
A melhor notícia do crescimento econômico, destacou Zeina Latif, economista-chefe do Banco Real ABN Amro, é que o incremento do consumo está sendo acompanhado pela ampliação dos investimentos. Isso significa dizer que não há riscos de, no futuro, faltar mercadorias para atender à demanda interna, o que pressionaria a inflação. Na média, os analistas acreditam que os investimentos, ou a chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBKF), fecharam junho com elevação superior a 10%. “Isso dá um alívio danado. Mas é preciso que esses investimentos continuem crescendo de forma robusta para dar o conforto que o Banco Central precisa para manter a inflação sob controle”, afirmou.

Segundo Luís Otávio Leal, do ABC Brasil, nos últimos meses, além do aumento dos investimentos, o BC teve a seu favor, para continuar cortando a taxa básica de juros, o incremento das importações, facilitadas pelo dólar barato. “As importações supriram boa parte do consumo. Mas, com a crise internacional e o dólar mais próximo de R$ 2, os investimentos passam a ser mais importantes para que o BC se sinta estimulado a promover mais corte nos juros”, acrescentou.

Independentemente dos rumos da Selic, os especialistas são unânimes em afirmar que o resultado final do PIB deste ano será muito bom. “Eu já revisei minha projeção de 4,7% para 5%”, afirmou Leal. Octávio de Barros, economista-chefe do Bradesco, trabalha com um aumento de 5,2%. Flávio Serrano, da López Leon, disse que só está esperando os dados que o IBGE divulgará amanhã para mudar a estimativa de 4,5%. Para Ricardo Amorim, mesmo com os bons números da economia, é importante ressaltar que o ritmo de crescimento do PIB brasileiro continua bastante aquém da expansão dos países emergentes, com altas anuais acima de 7%. "

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Mercado interno puxa alta de 6,5% nas vendas da indústria

Demanda doméstica compensa efeito do dólar baixo no resultado das empresas, diz CNI

Desempenho se concentra nos segmentos de alimentos e bebidas (6,7%), máquinas e equipamentos (15%) e metalurgia básica (10,6%)

ANA PAULA RIBEIRO
DA FOLHA ONLINE, EM BRASÍLIA

O aquecimento do mercado interno tem impulsionado as vendas na indústria, que em julho subiram 6,5% na comparação com o mesmo mês de 2006 e acumulam no ano uma alta de 3,3%. Para a CNI (Confederação Nacional da Indústria), o maior dinamismo interno compensa o dólar baixo, que afeta o faturamento em reais das empresas exportadoras.

"Esses dados mostram que a demanda interna está forte e tem sido suficiente para dar um maior dinamismo à indústria", afirma Paulo Mol, da Unidade de Política Econômica da CNI.

Os dados divulgados fazem parte do boletim mensal "Indicadores Industriais", que mostra ainda que o crescimento das vendas em relação ao mês de junho cresceu 1,2% (dado dessazonalizado). Isso ocorreu mesmo com a valorização do real de 2,5% no mês. Nos 12 meses encerrados em julho, a valorização é ainda maior: 14%.

Leia mais na Folha de São Paulo (para assinantes).

domingo, 2 de setembro de 2007

Política econômica igual?

Amir Khair

O Estado de São Paulo (para assinantes)

O sucesso da atual política econômica é atribuído por vários analistas à continuidade da política do governo anterior baseada no tripé: austeridade fiscal, câmbio flutuante e metas de inflação. Será?

Creio que não. O modelo adotado no governo FHC, embora objetivasse usar esse tripé, atuou através de privatizações e taxas de juros elevadas, procurando atrair o capital externo como motor dos investimentos e crescimento da economia. Não estimulou o consumo. Ao contrário, buscou contê-lo com taxas de juros duas vezes maiores do que as atuais, para não ameaçar as metas de inflação, afinal não cumpridas, na maior parte do período.

O governo atual inverteu essa tendência, fazendo do estímulo ao consumo o carro-chefe para o crescimento, por intermédio de aumentos do salário mínimo, políticas de transferências de renda e criação de empréstimos consignados. Com essas medidas cresceu o emprego formal (carteira assinada) e a massa salarial. Em decorrência, as receitas da Previdência Social batem recordes sucessivos superando desde 2006 o crescimento das despesas com benefícios, apesar dos fortes reajustes no salário mínimo.

A política de comércio exterior do governo anterior priorizou os países desenvolvidos. A atual, os emergentes que apresentam taxas de crescimento elevadas e são carentes em commodities, nas quais temos posições estratégicas.

Caso essa mudança não tivesse ocorrido, a crise americana traria efeitos perversos sobre nós. Ainda em relação à política externa, o atual governo fortaleceu as reservas internacionais, que passaram de US$ 37 bilhões no final de 2002, quando se encerrou o governo FHC, para US$ 160 bilhões, e se livrou das amarras do FMI, que condicionava a política econômica às suas diretrizes.

Quanto à austeridade fiscal, seus dois principais termômetros tiveram comportamentos bem diversos nos dois governos. O primeiro deles é o resultado nominal (receitas menos despesas inclusive juros), que passou de um déficit de 9,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2002 para 2,1% em junho último. O segundo, que é a dívida líquida do setor público em relação ao PIB, após cair continuamente desde 1984, quando atingiu 58% do PIB, até 28% em 1995, inverteu essa trajetória para alcançar 51% em 2002. Atualmente está em 44%, com tendência de queda.

Os resultados fiscais do atual governo foram obtidos por causa da manutenção de superávits primários - receitas menos despesas, exclusive juros - que foram elevados para compensar a pesada conta de juros, que nos últimos dez anos representou em média 8,0% do PIB, a maior despesa do setor público.

A outra perna do tripé da política econômica, que é a política de câmbio flutuante, iniciada em 1999, deixou de existir a partir de 2006, quando o Banco Central passou a interferir no mercado através de compras maciças de dólares, na tentativa de colocar limites às quedas contínuas do valor da moeda americana.

Outros fatores podem ser objeto de comparação entre as duas orientações econômicas. No governo anterior foram criadas agências reguladoras independentes da política oficial, visando a atrair investimentos de longo prazo no processo de privatizações. Atualmente, o papel dos Ministérios está fortalecido no caso de conflitos com as agências, que devem se subordinar à política econômica, o que trouxe uma retração nesses investimentos. As privatizações foram praticamente suspensas e fortalecidas as ações das estatais remanescentes.

Por outro lado, o crédito ao produtor rural foi ampliado substancialmente, passando de R$ 2 bilhões para R$ 12 bilhões o investimento no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Todavia, persistem nos dois períodos traços preocupantes. Trata-se da ampliação da carga tributária e do aumento de despesas públicas. E são desconhecidas as medidas de modernização e racionalização administrativa em curso.

Continuamos reféns de uma política monetária com altas taxas de juros, elevados depósitos compulsórios dos bancos ao Banco Central, elevados spreads bancários (diferença entre as taxas de juros dos empréstimos e das captações), baixos investimentos na infra-estrutura e logística, ampliação da burocracia, pouco investimento em meio ambiente e saneamento básico.

Parte desses problemas pode ter solução a curto e a médio prazos. O crescimento econômico está ocorrendo em bases mais sólidas e sustentáveis. Os fundamentos econômicos melhoraram, a parte externa está saneada e as contas públicas caminham para o equilíbrio em 2009 em razão da manutenção de superávits primários elevados e de redução da conta de juros pela queda da Selic. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) deverá ganhar impulso a partir de 2008 e pode melhorar a infra-estrutura e a logística. A política monetária tende a perder força em face da contenção dos preços internos pelos produtos importados, especialmente da Ásia.

A política econômica tem por finalidade criar condições para um crescimento econômico sustentável e com melhorias nas condições de vida da população, especialmente das camadas de menor renda. Os atuais indicadores tendem a apontar cenários mais favoráveis para o alcance dessa finalidade.

*Amir Khair, mestre em Finanças Públicas pela FGV