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segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Renda média familiar no Nordeste cresce 12%

Lavrador Do Sertão Nordestino
Valor

A região Nordeste foi a que apresentou o maior crescimento da renda média familiar entre os anos de 2005 e 2006 no país, atingindo 12%, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A renda familiar média na região, que envolve salários e transferência de recursos de governo, subiu de R$ 676,64 reais para R$ 761,16. Já a renda disponível, referente aos valores que ficam efetivamente no bolso dos consumidores, teria aumentado 38% na mesma comparação.

Na avaliação do economista Luís Henrique Romani de Campos, da Fundação Joaquim Nabuco, vinculada ao Ministério da Educação, a elevação da renda familiar média no Nordeste brasileiro foi influenciada pela ampliação do investimento em vários pontos da região. Segundo o pesquisador, houve um crescimento industrial importante no Nordeste nos últimos dois anos. "E a tendência é de aumento desse movimento."

Romani de Campos disse que o Produto Interno Bruto (PIB) do Nordeste, que é a soma das riquezas produzidas na região, deve crescer entre 5,5% a 6% por ano nos próximos anos, acima da média nacional, prevista entre 4,5% a 5% ao ano. "A tendência é que o Nordeste cresça mais que o Brasil", diz o economista.

Ele acredita que esse desempenho está fortemente atrelado ao aumento real do salário mínimo. Segundo ele, especialmente para os trabalhadores rurais que recebem aposentadoria, essa é uma grande fonte de renda no sertão e na Zona da Mata, resultando em grande movimentação na economia local. "Quando há um aumento real do salário mínimo, há aumento real do rendimento de uma classe da população menos favorecida e que acaba consumindo muito. Isso gera efeitos multiplicadores na economia como um todo."

Romani diz ainda que o crescimento do PIB nacional influencia o desempenho do Nordeste "em níveis chineses". "Isso influencia porque alguns trabalhadores mais qualificados já estão faltando no mercado de trabalho. A parte de engenheiros civis, por exemplo, já está com salários bem aumentados nos últimos anos, por conta do aquecimento da construção civil".

Pesquisa do Instituto Cetelem-Ipsos revela que as exportações nordestinas exerceram um papel decisivo no desempenho da região no período de 2000 a 2005. A taxa de crescimento das exportações nos últimos cinco anos teria atingido 19,6%, superando a média nacional de 17%, alcançando 31,4% nos últimos dois anos.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Natal de recordes

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Foto: Miguel Portela

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Varejo deve faturar R$ 43 bi, maior valor em 11 anos. Na Saara, passaram ontem 2 milhões


Aguinaldo Novo, Fabiana Ribeiro e Bruno Rosa

SÃO PAULO e RIO
O GLOBO

O faturamento do varejo neste Natal deve alcançar R$ 43,2 bilhões, no melhor resultado dos últimos 11 anos. Calculada pela consultoria Gouvêa de Souza & MD, a cifra considera todos os segmentos, das lojas de roupas na Saara, no Centro, à receita de gigantes como Pão de Açúcar. Ontem, último sábado antes do Natal, o dia foi de longas filas nas portas das lojas de grifes e de 20% de alta nas vendas em relação ao ano passado, segundo varejistas, mesmo com a falta de luz em diversos bairros do Rio no início da tarde. Na Saara, mais de dois milhões de consumidores foram às compras — em dias comuns, são 40% menos.
Nos principais shoppings do Rio, segundo levantamento feito pelo GLOBO, o movimento foi de 1,1 milhão. Pelos dados da Gouvêa de Souza, o faturamento no Natal deste ano vai representar uma alta de 12,2% em relação ao mesmo período de 2006 (R$ 38,5 bilhões). Na comparação com 2005 (R$ 35 bilhões), a variação chega a 23,4%. Só ficaram fora da conta os gastos com combustíveis e compra de automóveis. Números tão vistosos assim são efeito da redução do desemprego e da explosão do crédito, com financiamentos cada vez mais esticados. Com dinheiro extra no bolso, o consumidor foi às compras.

Indústria cancela férias coletivas

Os bons resultados do varejo terão impacto na indústria. Com estoques reduzidos, muitas empresas cancelaram férias coletivas e prevêem entrar em 2008 com produção mais acelerada do que nos outros anos.

— Sem dúvida, teremos o melhor Natal desde 1996, quando o país ainda vivia a euforia do Plano Real. Mas a História mostrou que foi uma excitação artificial, e a economia mergulhou de novo em crise. Hoje, o cenário é diferente.

O país está estruturalmente mais forte, e o crescimento parece sustentável — disse o diretor-geral da consultoria, Marcos Gouvêa.

As lojas estão comemorando. No Pão de Açúcar, as vendas de panetones, frutas secas, bebidas, bacalhau e itens de informática devem registrar salto de 30% em relação a igual período do ano passado. Mas, segundo a empresa, este é o Natal dos televisores de LCD e Plasma. Com a queda média de 30% nos preços e o início da transmissão digital, a expectativa é que as vendas superem em até 30% as do ano passado.

Este também será um fim de ano de presentes mais caros. Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), 49% dos consumidores planejam gastar mais de R$ 500 com os presentes de Natal.

O varejo aquecido já provoca mudanças na indústria. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) prevê que o setor inicie 2008 com os estoques no nível mais baixo desde janeiro de 2005.

Alguns setores ativaram novos turnos de trabalho e cancelaram férias coletivas de fim de ano. Exemplos disso são as cadeias automotiva, alimentícia e de fabricação de móveis. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) endossa a previsão da CNI. Perguntado se o forte crescimento não poderia trazer problemas de abastecimento e, por tabela, risco de inflação, o diretor de Economia da Fiesp, Paulo Francini, disse: — Gosto de ver estoques baixos e o Nuci (Nível de Utilização da Capacidade Instalada) gordinho. Mostra que entramos num ciclo virtuoso.

As lojas também se adaptam ao maior movimento. Na Saara, as lojas ficarão abertas até 16h hoje e amanhã.

Ontem, funcionaram até 22h.

— Esperamos vendas 20% maiores em relação ao ano passado. É possível encontrar preços bem variados, de R$ 0,50 a mil reais — diz Ênio Bittencourt, presidente da Saara.

A diarista Patrícia Fermino e seu marido, o comerciante Manoel Jesus, chegaram ontem às 11h à Saara com a missão de comprar cem presentes de Natal. O casal pretende gastar até R$ 250 com amigos, familiares e vizinhos.

— Vamos ficar aqui até comprar tudo. Não temos pressa. Primeiro vou pesquisar todos os preços. Até 18h dá tempo — disse Patrícia.

Clientes fazem filas nas portas das lojas

Ontem, no Norte Shopping, os clientes disputavam lugar nas lojas. Só na Melissa, havia cerca de 50 pessoas na fila para cada uma das duas lojas da marca no shopping. No Shopping Tijuca, a loja de brinquedos Video Game Center teve de fechar as portas por boa parte da tarde, porque não tinha espaço para abrigar mais clientes. Na Broxton, rede de roupas masculinas do Botafogo Praia Shopping, foram vendidas mais de 140 bermudas ontem, um recorde para a grife.

Segundo a gerente da loja Antonella, do Shopping Nova América, Valeria Machado de Oliveira, a sandália rasteira de verniz (R$ 29,90) é o modelo mais procurado, e só não esgotou porque a reposição acontece três vezes ao dia: — As clientes chegam a comprar dez pares de uma vez só para dar de presente — comemora.

Algumas lojas aproveitam para oferecer promoções aos clientes de última hora, como descontos à vista.

Após comprar 30 presentes semana passada, a empresária Regina Delpim voltou ao shopping Rio Sul ontem para completar a lista do Natal: — Sempre me esqueço de alguém.

Foram tantos presentes que estourei três cartões de crédito. Fiz todas as compras parcelada

domingo, 16 de dezembro de 2007

Governo Lula: a ascensão social de 20 milhões de pessoas

Cerca de 20 milhões entram na classe C em 5 anos, aponta Datafolha; movimento intensifica-se nos últimos 17 meses

Movimento sugere que, num primeiro momento, programas sociais elevavam padrão de vida; hoje, impulso vem da expansão econômica

FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL - FOLHA DE SÃO PAULO

Nos últimos cinco anos e com forte aceleração a partir de meados de 2006, cerca de 20 milhões de brasileiros com mais de 16 anos migraram para a classe C. Eles vieram, em sua grande maioria, da classe D/E.
Nos três primeiros anos e seis meses de governo Lula (janeiro de 2003 a junho de 2006), apenas 6 milhões de pessoas fizeram essa transição. Já nos últimos 17 meses (julho de 2006 a novembro passado), que coincidem com um período de recuperação mais robusta da economia, a travessia da classe D/E para a C envolveu cerca de 14 milhões de brasileiros.
Os números são resultado de pesquisas Datafolha realizadas em três momentos: outubro de 2002 (pouco antes da posse de Lula), junho de 2006 e no final de novembro passado.
Nos últimos cinco anos, a classe D/E encolheu de 46% do total da população para 26%. Já a C cresceu de 32% para 49%, reunindo hoje quase a metade dos eleitores do país -125 milhões de pessoas com mais de 16 anos. A classe A/B manteve-se praticamente estável. Seu tamanho oscilou de 20% para 23% do total da população.
Para o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, "o movimento de ascensão da classe D/E deve continuar, muito apoiado na ampliação da oferta de crédito no comércio e no crescimento econômico".
A classificação econômica usando as classes A/B, C e D/E é comum no mercado publicitário e entre as empresas.
Ela visa segmentar o mercado levando em conta o poder aquisitivo. É obtida a partir da verificação de itens de consumo e seu número no domicílio dos entrevistados. Apura ainda o grau de instrução do chefe de família e se há empregado doméstico na residência.
Esse tipo de classificação não reflete, necessariamente, uma melhora estrutural nas condições de vida do entrevistado.
A aceleração da transição de membros da classe D/E para a C sugere que, se em um primeiro momento foram os programas sociais e previdenciários os responsáveis pela melhora de vida dos mais pobres, agora é o crescimento econômico que empurra os brasileiros para uma situação mais confortável.
O PIB (Produto Interno Bruto) do país poderá crescer acima de 5% em 2007, sustentado por aumentos sucessivos no consumo, na produção, nos investimentos e na renda e com queda no desemprego.
O maior número de pessoas que passaram a ter melhora econômica e mais acesso a bens e produtos pertence a famílias com renda de até dois salários mínimos (R$ 760).
Nessa faixa de renda, os indicadores que classificam a classe D/E encolheram, nos últimos cinco anos, de 80% do total para 49%. Já a classe C cresceu de 16% para 45%.
"Há um novo mercado interno sendo criado pela melhora na situação dos mais pobres. E a desigualdade cai visivelmente com o crescimento mais robusto da economia", afirma o economista Antonio Delfim Netto.
Em termos regionais, a passagem da classe D/E para a C foi mais acentuada no interior do que nas regiões metropolitanas e maior no Nordeste, no Norte e no Centro-Oeste. Nessas regiões, os impactos do crescimento tendem a ser mais fortes, dado o número de pobres que concentram.
No Sul, onde os programas sociais têm menor penetração, foi pequena a migração das classes D/E para a C nos três anos e seis meses iniciais de governo Lula. Mas, nos 17 meses seguintes, ela veio com força (a classe D/E encolheu de 30% para 18%), coincidindo com a recuperação do predominante setor agrícola na região.
Nos Estados mais ricos do Sudeste, o encolhimento da classe D/E foi de 35% para 17%. Hoje, mais da metade (51%) da população da região pertence à classe C. Outros 31% estão na classe A/B.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Brasileiro está otimista com a economia



Confiança é maior entre moradores das regiões Norte e Centro-Oeste, que prevêem melhora substancial nos próximos meses

Pesquisa Datafolha feita em todo o país mostra que 54% dos brasileiros esperam que a sua situação econômica vá melhorar no futuro

FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL

Folha de São Paulo

A maioria dos brasileiros está otimista com a evolução de sua situação econômica, mas são os moradores das regiões Norte e Centro-Oeste os que acreditam que haverá substancial melhora nos próximos meses.
Coincidentemente, são alguns dos Estados dessas duas regiões os que hoje concentram os maiores índices de aumento das vendas no comércio, onde o impacto da melhora da renda e do emprego é direto.
Também ocorre no Norte e no Centro-Oeste grande parte da produção de commodities agrícolas e minerais do país, cujos preços vêm atingindo níveis recordes no mercado internacional e ampliando a renda de produtores dessas áreas.
Pesquisa Datafolha realizada em todo o país entre os dias 26 e 29 de novembro com 11.741 entrevistados mostra que 54% dos brasileiros acreditam que sua situação econômica vai melhorar daqui para a frente.
Entre os moradores do Norte/Centro-Oeste, o percentual salta a 61%; no Nordeste é de 59%. Nas regiões Sul e Sudeste, os números ficam abaixo da média nacional: 42% e 52%, respectivamente.
Enquanto as vendas médias do comércio varejista subiram 9,6% em todo o país entre janeiro e setembro, em alguns Estados do Nordeste o percentual de aumento é muito superior. Em Alagoas, a alta foi de 26%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No Ceará, de 12,3%. Em Sergipe, de 11,5%.
No caso do Nordeste, a região também concentra a maioria dos beneficiários de programas sociais e assistenciais, como o Bolsa Família e outros vinculados à Previdência.
Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste como Maranhão (14,8%), Pará (10,9%) e Mato Grosso do Sul (14,1%) também tiveram vendas comerciais no ano maiores do que a média.
Já no Sul e no Sudeste, vários Estados têm registrado desempenho do comércio abaixo da média nacional. Casos de Rio Grande do Sul (6,2%), Paraná (7,1%), Rio (6,1%) e Minas Gerais (7%), por exemplo.

Leia mais na Folha de São Paulo (para assinantes)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

A indústria levanta vôo

O desempenho geral da indústria vai surpreendendo até os mais otimistas.

por Celso Ming

Tendo como referência o mês de outubro, o crescimento acumulado do ano é de 5,9% e, nos últimos 12 meses, de 5,3%. São números carregados de conseqüência. Mas, antes, vamos às causas.

O próprio IBGE, o organismo encarregado dos levantamentos, identifica como fatores explicativos da boa expansão industrial o avanço do consumo interno (que tem a ver com o salto do crédito), o crescimento do investimento e a força das exportações.

Os últimos levantamentos dão conta de que o consumo geral cresce acima de 6% em relação ao que cresceu no ano passado. Mais provavelmente está hoje próximo dos 10%. A impressionante estocada das vendas de veículos (mais de 31% no ano até novembro) é boa ilustração disso.

O salto do consumo, por sua vez, está relacionado a três fatores: expansão do crédito às pessoas físicas, da ordem de 32,5% neste ano; aumento da renda real da população, puxada pelo reajuste de 8,6% do salário mínimo em abril; crescimento das despesas públicas, superior a 10% ao ano; e valorização do real (queda do dólar), que aumenta o acesso do consumidor às importações.

A boa fase dos investimentos já vinha sendo acusada pelas importações de bens de capital, que nos 11 primeiros meses do ano aumentaram 31,8%. E vai sendo corroborada pelo crescimento da produção interna de máquinas e equipamentos, de 18,8% no acumulado do ano até outubro e de 16,9% em 12 meses. Quem investe não compra apenas máquinas. Tem de aumentar as instalações, comprar materiais, contratar serviços e por aí vai. É um fator que puxa o resto.

E não dá para ignorar a puxada na indústria provocada pelas exportações. De janeiro a novembro, o despacho de produtos manufaturados para o exterior cresceu 17,1%, puxado por veículos, aços planos, aviões e autopeças.

E, a partir do que está aí, já dá para amarrar algumas conseqüências. A primeira é a de que vai sendo esvaziado o mantra dos dirigentes da Fiesp e de um punhado de críticos da política macroeconômica de que está em curso um rápido e inexorável processo de desindustrialização e sucatamento da empresa nacional atribuído à ação dos juros escorchantes e do câmbio fora do lugar. Crescendo como está, de forma generalizada e consistente, não há como insistir na tese da desindustrialização e da destruição de atividade produtiva. Tampouco se vêem importantes falências, desemprego e outros tantos efeitos aterrorizantes.

Mas não dá para afastar outro risco: o de que, apesar dos investimentos, o setor produtivo não dê conta do dinamismo do consumo. Se isso acontecer, pode haver, sim, a tal inflação de demanda, de que a indústria não quer ouvir falar.

Há dois dias, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) já havia relatado que nunca como agora foi tão forte o giro das máquinas. A utilização da capacidade de produção da indústria é recorde, de 82,3% em outubro. As importações estão em boa parte suprindo a insuficiência da oferta interna. Esta é a principal razão por que crescem (no acumulado do ano) 30,8%.

E, se houver inflação de demanda, o Banco Central adiará novos cortes dos juros.

Leia a coluna de Celso Ming, na integra, no jornal O Estado de São Paulo (para assinantes)

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Evolução da renda real ajuda a reativar economia brasileira

Julio Gomes de Almeida diz que o crescimento do crédito não teve um papel isolado na reativação da economia brasileira. "É muito importante relevar a evolução da renda real da população. A razão disto é que esta variável constitui uma destacada condição de acesso das pessoas ao crédito".


Júlio Gomes de Almeida
Terra Magazine

Redação Terra

Consumo básico é proporcional à renda real da população. Apenas crédito bancário não sustenta o consumo



Muitos analistas destacam o crescimento do crédito ao consumidor como o determinante fundamental da intensa expansão da demanda por bens de consumo. Nenhum reparo deve ser feito a esse entendimento, pois, de fato, o crédito concedido pelos bancos às famílias vem crescendo nesse ano a uma taxa real próxima a 20% relativamente ao ano passado. Isso vem dinamizando setores industriais inteiros que, do contrário, estariam em situação muito difícil em razão da valorização cambial. Os recordes de vendas de automóveis, de produtos da "linha branca" e de móveis têm inteira correspondência com essa reativação do crédito.

Outros setores também se beneficiam como é o caso da construção habitacional. A ampliação dos prazos dos financiamentos já permite uma maior aproximação entre os valores dos aluguéis e das prestações dos financiamentos, o que concede ao setor um grande incentivo. Portanto, não deve ser subestimado o papel do crédito, especialmente para as famílias, no atual contexto de reativação da economia brasileira.

Porém, uma indagação muito importante diz respeito aos fundamentos desse processo. Nesse sentido é muito importante relevar a evolução da renda real da população. A razão disto é que esta variável constitui uma destacada condição de acesso das pessoas ao crédito, assim como o principal fator que evita a inadimplência nos financiamentos. Ou seja, o rendimento real é a condição para "entrada" e para a "saída" das pessoas ao crédito, amparando a sua reprodução.

É claro que o pano de fundo de tudo isso é uma maior disposição do sistema bancário em ampliar suas operações creditícias, já que nessa área, os retornos são especialmente atraentes, dado o elevado "spread" cobrado pelas instituições financeiras. Mas, tal desejo de ampliação esbarraria em limites cadastrais e em uma crescente inadimplência, caso não fosse acompanhado de um crescente rendimento da população. A renda real também é em si um determinante destacado do consumo corrente, pois define o poder de consumo que se dirige diretamente para a aquisição de determinados bens, notadamente os de "primeira necessidade".

Como está evoluindo o rendimento real médio das pessoas ocupadas? Um breve retrospecto do comportamento da renda do trabalhador mostra duas etapas muito claras nos últimos doze meses. Desde outubro de 2006, seu crescimento teve expressiva elevação que se sustentou por cerca de oito meses. Nesse período, o aumento situou-se entre 4% e 5% com relação ao mesmo mês do ano anterior. Dado um aumento médio do número de pessoas ocupadas em torno a 3%, isso permitiu que a massa real de rendimentos crescesse em termos também anuais entre 7% e 8,5%. Daí a base elástica do crédito a que nos referimos.

Uma observação relevante é que mesmo na ausência da forte ampliação do crédito, esta elevada expansão da massa real de rendimentos por si só já seria um condicionante do bom desempenho do mercado consumidor interno. Não é por acaso que certos segmentos industriais como alimentos, bebidas, e a indústria farmacêutica tiveram significativa aceleração de crescimento no decorrer de 2007.

Desde meados do ano, no entanto, esse quadro teve progressiva deterioração, com taxas cada vez menores de variação do rendimento real. Assim, de uma média próxima a 5% de aumento, o rendimento passou a crescer em torno a 2,5% em junho e julho, 1,2% em agosto, 2,7% em setembro e 1,2% em outubro, sempre na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Se tomarmos a média do último trimestre, a variação alcançou 1,6%, ou seja, cerca de um terço do que chegou a ser nos meses de maior evolução. Com isso, dado que o aumento do emprego se manteve na faixa de 3%, a massa real de rendimentos, vale dizer, a base do mercado interno consumidor e o pilar para a multiplicação do poder de compra através do crédito, cresceu em média 4,6%.

Este ainda pode ser considerado um índice bom, mas indubitavelmente é bem inferior ao que foi no passado recente. Mais importante, todavia, são os desdobramentos desse processo. O movimento é de queda, não havendo ainda sinais de que tenha chegado ao seu limite mínimo. Dependendo da evolução do rendimento real da população nos próximos meses, teremos uma visão mais clara das tendências do mercado interno consumidor. Por enquanto, não é possível afirmar categoricamente que a pujança do consumo familiar verificada em 2007 será repetida no ano que vem.


Júlio Gomes de Almeida é professor da Unicamp e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

Fale com Júlio Gomes de Almeida: jgomesalmeida@terra.com.br

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Classe média tem ganho de renda

Depois de sucessivas quedas até 2005, rendimentos voltaram a crescer para todas as camadas sociais

Marcelo Rehder - O Estado de São Paulo

Depois de anos em queda, a renda da classe média dá sinais de recuperação. Praticamente todas as faixas de domicílios do País tiveram sua renda elevada em 2006, diferentemente do que aconteceu de 2002 a 2005, quando aumentos substanciais aconteceram só nas classes mais baixas, por conta de transferências promovidas por programas assistenciais, como o Bolsa Família, e dos fortes aumentos do salário mínimo.

A tendência é de que a renda continue a crescer de maneira generalizada nos domicílios de todas as classes sociais ao menos até 2008.

Nos domicílios 10% mais ricos (R$ 7.063,00, em média), por exemplo, o incremento de renda foi de apenas 1,3% entre 2002 e 2006 , enquanto nos 30% a 40% mais pobres (R$ 473,00) chegou a 18,9%, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE. Já em 2006, o crescimento nessas mesmas faixas ficou muito próximo: 7,1% e 10,7%, respectivamente, em relação a 2005.

'Esse tipo de crescimento equilibrado é bastante saudável, pois indica que o aumento da renda não está se dando só por transferência do governo, mas também pelo próprio dinamismo da economia, o que tem impacto direto na classe média', diz Sérgio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados, autor do estudo sobre renda no País. 'A classe média deve continuar a crescer sustentada pela evolução positiva do emprego qualificado.'

Pelos cálculos do economista, cerca de R$ 99 bilhões engrossaram a massa real de renda em 2006, que aumentou 10%, para R$ 1,1 trilhão. Este ano, o acréscimo deve ser de R$ 90,9 bilhões, o que representaria aumento de 8,5%. Para 2008, a previsão é de incremento de R$ 70 bilhões , que daria 6% de alta.

'O cenário é extremamente positivo e abre espaço para um consumo de maior valor agregado, por se dar agora também na classe média', diz Vale. Ele observa que a renda das classes mais baixas ainda tende a crescer, porque o salário mínimo deverá ter aumentos relevantes. Além disso, o comércio e os serviços estão em franca expansão e são demandantes de mão-de-obra menos qualificada.

Um exemplo de recuperação da classe média é no setor da construção civil. Até o início de 2006, o crescimento maior do salário no setor se dava nos empregos não qualificados. Depois que as obras deslancharam nos últimos dois anos, começou a faltar mão-de-obra qualificada e os salários dos engenheiros passaram a crescer mais do que a média.

O engenheiro Luiz Nobre de Lima, de 52 anos, trocou recentemente o emprego de gerente de obras de uma grande construtora na cidade de São Paulo pelo de gerente de projetos da Método Engenharia e passou a ganhar 30% a mais. Lima é um dos 14 profissionais que a Método foi buscar este ano no mercado para ocupar cargos executivos, cujos salários estão na faixa de R$ 15 mil a R$ 20 mil.

'Do pondo de vista familiar, a mudança possibilitou melhor qualidade de vida e aumento da capacidade de poupança, além do conforto de ganhar mais'.

Lima é casado e tem duas filhas, uma de 23 anos, formada em administração de empresas, e outra de 20 anos, estudante de propaganda e marketing. Sua mulher é dona de casa.

O aumento da demanda por profissionais qualificados como Lima já começa a aparecer nas estatísticas do emprego com carteira assinada do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. De janeiro a setembro de 2006, 98% dos empregos formais criados no País não pagavam mais que 1,5 salário mínimo (R$ 525). Hoje, a proporção já caiu para 88%.

Este ano, o emprego cresceu 16,1%, mas o número de postos de mais de 1,5 a 3 salários mínimos (até R$ 1.050) aumentou 30,1%. Já a quantidade de vagas de até 1,5 salário mínimo aumentou só 8,4%.

O perfil das contratações mudou porque as empresas passaram a investir mais, diz o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann. 'A demanda passou a ser por trabalhadores mais qualificados, pagando-se mais por isso'.

O metalúrgico José Aparecido Soares Fernandes, de 25 anos, trabalha há um ano na Caterpillar, fabricante de máquinas e equipamentos para construção pesada. Entrou como auxiliar de soldador, ganhando R$ 700. Passou por treinamentos internos e, em agosto, foi promovido a soldador, com salários de R$ 1,2 mil, quase o dobro do que ganhava quando foi contratado pela empresa.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

'Bola e turismo: tudo a ver'

Foto: Ivo Gonzales / Agencia O Globo



Marta Suplicy *

O Estado de São Paulo

A Copa do Mundo pode trazer excelentes resultados para o turismo do Brasil, alavancando nosso país a uma melhor posição no ranking do turismo internacional. Os impactos econômicos e sociais do mega-evento se darão antes, durante e depois do seu acontecimento. A Alemanha, por exemplo, teve um crescimento de 2,3% em seu PIB por causa da Copa em 2006. Sem dúvida, o sucesso desse evento no Brasil depende de uma organização impecável no âmbito da infra-estrutura esportiva. Mas a participação do setor do turismo é o complemento necessário para o êxito da cobertura jornalística e do conforto dos torcedores. Para tudo isso acontecer, temos de planejar desde já. E, para tanto, o Ministério do Turismo contratou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para levantar todas as necessidades de intervenção.

O estudo da FGV se iniciará assim que houver a confirmação pela Fifa das sedes e subsedes. E o detalhamento guiará, com precisão, os investimentos prioritários, ordenará onde, como e quanto aplicar, para obtermos bons resultados no atendimento das demandas, bem como na destinação de tudo o que ficar para nós, além do espetáculo.

Com este estudo, saberemos quais são os recursos que teremos de gerar e quais as prioridades para investimento em cada cidade. Por exemplo, se Brasília for escolhida como sede, Goiânia poderá ser subsede. Também será necessário um atendimento mais qualificado nos estabelecimentos comerciais, bares e restaurantes. Sinalização turística, receptivos em aeroportos e apoio em outros meios de transporte são mais elementos que têm importância e fazem parte da estratégia de ação que precisa ser planejada sempre de acordo com as necessidades de cada um dos destinos selecionados.

Não pensamos cada localidade como uma simples sede ou subsede. Cada região é um destino para o Ministério do Turismo. Tem potencial irradiador de desenvolvimento econômico e social. Pensamos assim desde a concepção do atual Plano Nacional do Turismo (2007-2010), que já aponta para a prioridade de qualificarmos 65 destinos com padrão de qualidade internacional. E o que é o destino? É um roteiro dinâmico, integrado, inteligente e que faz, por exemplo, com que uma pessoa em férias no Maranhão, também vá ao Piauí e ao Ceará. É uma visão de que o Brasil é rico em diversidade, cultura, patrimônio histórico e tem potencial para atrair turistas estrangeiros e encantar, cada vez mais, os brasileiros.

Queremos ver a bola rolando em 2014, porque, além de realizar o sonho de receber povos dos cinco continentes numa confraternização sem igual, temos certeza que isso significará promoção da imagem do país, oportunidades de empregos, de aumento de renda e de inclusão social e mais condições de competitividade no mercado mundial. Estou numa torcida enorme, que se soma a dos demais brasileiros e brasileiras, para que 2014 seja um show de bola em todos os sentidos.

* Marta Suplicy é ministra do Turismo

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

CNT/SENSUS: Expectativa

EMPREGO

Próximos 6 meses

JUN 07

%

OUT 07

%

Vai melhorar

46,5

50,6

Vai ficar igual

28,9

27,7

Vai piorar

19,4

15,9

NS/NR

5,3

6,0

Total

100,0

100,0

RENDA MENSAL

Próximos 6 meses

JUN 07

%

OUT 07

%

Vai aumentar

44,0

45,9

Vai ficar igual

36,3

37,8

Vai diminuir

15,0

10,9

NS/NR

4,8

5,5

Total

100,0

100,0

SAÚDE

Próximos 6 meses

JUN 07

%

OUT 07

%

Vai melhorar

45,4

43,6

Vai ficar igual

29,9

32,3

Vai piorar

20,1

19,6

NS/NR

4,7

4,7

Total

100,0

100,0

EDUCAÇÃO

Próximos 6 meses

JUN 07

%

OUT 07

%

Vai melhorar

50,4

47,8

Vai ficar igual

28,8

33,0

Vai piorar

16,8

14,8

NS/NR

4,1

4,6

Total

100,0

100,0

SEGURANÇA PÚBLICA

Próximos 6 meses

JUN 07

%

OUT 07

%

Vai melhorar

36,9

37,6

Vai ficar igual

28,2

30,3

Vai piorar

30,8

27,1

NS/NR

4,2

5,1

Total

100,0

100,0

domingo, 7 de outubro de 2007

Aumento de renda dos idosos atrai empresas

População acima de 60 anos já responde por quase 15% do mercado de consumo brasileiro

Martha Beck

O Globo

BRASÍLIA. De olho num público responsável por quase 15% do mercado de consumo no país, as empresas brasileiras estão se especializando em serviços para idosos. As ofertas são as mais variadas, de pacotes de viagem com desconto em folha do INSS, passando por serviços de intercâmbio e exercícios, a aparelhos acionados de casa para receber atendimento médico em caso de emergência. Tudo para atrair uma população de 19 milhões de brasileiros, que deve chegar a 30 milhões em 2020.
O poder de compra aumentou, graças ao ganho real do salário mínimo. As pessoas acima de 60 anos tiveram elevação da renda familiar per capita de R$ 243 nos últimos 14 anos.

Segundo o chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Marcelo Neri, os idosos brasileiros são responsáveis por 14,53% do mercado de consumo no país, algo em torno de R$ 13 bilhões.

O percentual vem subindo ano a ano: era de 10,8% em 1992 e de 14,03% em 2003, segundo cálculos feitos com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

— O poder de mercado dos idosos brasileiros cresce tanto pelo efeito da renda quanto pelo crescimento demográfico da população — destaca Neri.

De acordo com dados do IBGE, as famílias com idosos ficaram mais longe da pobreza.

Enquanto em 1995 as que recebiam até um quarto do salário mínimo representavam 3,9% do total, em 2006 elas caíram para 1,7%. Já as famílias com renda acima de cinco salários mínimos aumentaram de 7,5% para 8%, na mesma comparação.

— O aumento do salário mínimo é importante para a renda dessa população: 76% dos idosos recebem benefícios vinculados a ele — diz a pesquisadora Lúcia Cunha, do IBGE.

É o caso das cunhadas viúvas Vitória Carvalho, de 76 anos, e Liu-Siu de Carvalho, de 77. As duas viajaram para diversos países por meio de programas de intercâmbio — do qual participam, principalmente, idosos — e fazem ginástica especializada para sua faixa etária.

— O dia teria que ter 48 horas para eu conseguir fazer tudo o que quero — afirma Liu-Siu.

— Antigamente, o idoso era relegado e não tinha opções de lazer. Hoje, as coisas são diferentes — diz Vitória.

Segundo o presidente do programa de intercâmbio Friendship Force no Brasil, Antônio Carlos Azevedo, 90% dos clientes têm mais de 60 anos: — Os aposentados têm mais tempo para viajar. Por isso, viraram alvos.Há, também, descontos especiais.
Na academia Companhia Athletica, em Brasília, pessoas acima de 60 anos não pagam matrícula e têm mensalidade reduzida.

As agências de viagens tentam, igualmente, atrair esse público, oferecendo pacotes de viagem nos quais os aposentados podem fazer financiamentos por meio do crédito consignado. Esse tipo de produto, lançado pelo Ministério do Turismo por meio de convênio com operadoras, agora é oferecido pelas empresas.
A demanda é tão grande que faltam lugares nos pacotes.

aposentada Célia Passos, 63 anos, por exemplo, tentou comprar uma viagem para o Nordeste em janeiro de 2008, mas não conseguiu vaga: — As pessoas idosas estão viajando mais.

Célia conta que já fez cursos de informática e agora não sai mais da frente do computador: — Em 2000, meu neto de cinco anos gozava de mim porque eu não sabia mexer no computador.
Tive que dar um basta no garoto. Fui fazer cursos.

Segundo a operadora de turismo CVC, os idosos correspondem a 20% do total de turistas atendidos ao ano, cerca de 1,5 milhão. O interesse em viajar se reflete nos dados de inflação da FGV: enquanto viagens representam 0,88% do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da população em geral, no caso dos idosos chega a 1,06%.

Rio concentra o maior número de idosos O diretor e sócio da empresa Telehelp Felipe Wright, especializada em atendimento de emergência a idosos, confirma que o mercado está crescendo.
A empresa começou a atuar há um ano e meio, e hoje tem mil clientes em vários estados, como São Paulo e Rio: — O Brasil é um país novo se comparado com os europeus ou os Estados Unidos. Trata-se de um mercado em expansão.

Ainda assim, não atende a todos. Jarila de Paula, 61 anos, reclama da falta de atividades culturais voltadas para esse público na capital federal: — A população idosa quer serviços mais completos.

Para as empresas que querem ganhar mercado entre os idosos, o Rio é o lugar mais atraente, segundo Neri. É que a população carioca idosa representa 13,5% do total, bem acima da média nacional, de 9,9%. As pessoas acima de 60 anos estão concentradas no bairro de Copacabana: 25,91% da população local são da terceira idade.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Lazer, Emprego e Renda: Grupos investem pesado no setor turistico

A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) estima que, entre 2005 e 2008, os investimentos das redes hoteleiras em resorts vão superar os R$ 3 bilhões. Até os estrangeiros descobriram o potencial turístico do País e estão aplicando dinheiro para erguer hotéis que agradem tanto brasileiros quanto turistas do além-mar.

Uma das promessas é o Eco Resort Aracaju - empreendimento do grupo CVC. Ele será construído em um terreno de 300 mil metros quadrados na Praia do Mosqueiro, em Aracaju, ao lado da foz do Rio Vaza Barris. Serão 290 apartamentos e 32 bangalôs, sendo 17 construídos em plataformas suspensas sobre a água. As atrações são as cinco piscinas, spa, kids club, quadras de tênis, restaurantes e centro de convenções. A primeira fase ficará pronta no fim de 2008.

O Aquiraz Golf & Beach Villas, na cidade de mesmo nome, a 27 quilômetros de Fortaleza (CE), já está em obras, num terreno de 3 milhões de metros quadrados. O resort terá 1.400 apartamentos, piscinas, quadras de tênis, equitação, academia e campo de golfe com 18 buracos. A operadora é a portuguesa Dom Pedro Hotels e a inauguração está prevista para 2008.

Em março de 2008 fica pronta a Praia do Cerrado, a maior piscina de ondas da América Latina no terreno do Rio Quente Resorts, em Goiás. Os hóspedes vão poder desfrutar de 210 metros de praia com areia branca e capacidade para 15 mil pessoas.

A Praia de Peró, em Cabo Frio, ganhará um complexo com a expertise do tradicional Club Med. Serão 300 apartamentos que devem ficar prontos também no ano que vem.

O mesmo deve ocorrer com o Superclubs Breezes Búzios. Localizado na Praia de Tucuns, entre Cabo Frio e Búzios, o resort deve consumir R$ 65 milhões de investimentos. O projeto é oferecer o sistema all inclusive, onde até a bebida alcoólica está incluída no valor da diária.

A rede portuguesa Vila Galé Cumbuco quer levar o sucesso do complexo instalado no norte da Bahia agora para Cumbuco, a 33 quilômetros de Fortaleza. Serão quatro hotéis, spa, salão de jogos, centro de convenção, campo de golfe. A primeira fase deve ser aberta em 2008.

A 12 quilômetros de Itacaré, o principal diferencial do resort Warapuru é a assinatura de Anouska Hempel, renomada designer inglesa. Serão 40 bangalôs com piscina privativa. Inauguração prevista para o fim do primeiro semestre de 2008.

Fonte O Estado de São Paulo

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Pesquisa divulgada pelo IBGE demonstra discriminação racial no Brasil

Dados da Pnad mostram que pretos e pardos têm piores condições de educação, renda e expectativa de vida

redação Época

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou, nesta sexta-feira (28), a Síntese dos Indicadores Sociais no período entre 1996 e 2006. Elaborada, em sua maior parte, com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), a pesquisa traz dados sobre aspectos demográficos, estado civil, infância e cor no país.

Uma das revelações mais importantes do estudo demonstra o preconceito vigente no país. Apesar dos avanços na educação – maior presença da população em escolas de ensino fundamental e médio –, o analfabetismo entre pretos e pardos é o dobro do que entre brancos. Em 2006, entre cerca de 14,4 milhões de analfabetos brasileiros, mais de 10 milhões eram pretos e pardos. As taxas de analfabetismo para a população de 15 anos ou mais de idade foram de 6,5% para brancos e de mais que o dobro, 14%, para pretos e pardos. A taxa de analfabetismo funcional segue a mesma diferença: entre brancos, 16,4%, para pretos, 27,5%, e para pardos, 28,6%.

O mercado de trabalho também reflete o problema da discriminação racial no Brasil. Segundo dados do IBGE, brancos ganham, em média, 40% a mais do que pardos e pretos com a mesma escolaridade. Os pretos e pardos representam 73% da população mais pobre do país e 12% entre os mais ricos – os brancos representam 26% entre os mais pobres e 86% entre os de maior renda.

As condições de vida refletem-se na expectativa de vida de pretos e pardos. Entre brancos, 11,7% das pessoas ultrapassam os 60 anos de idade. Entre os pretos e pardos, o percentual cai para 8,6%.

Número de filhos por mulher cai, mas taxa de gravidez entre adolescentes sobe
Embora a taxa de fecundidade das mulheres continue diminuindo, na média nacional, a pesquisa traz um dado preocupante. Entre as adolescentes de 15 a 17 anos, aumentou a ocorrência de gravidez. Em 1996, eram 6,9% da população. No ano passado, o índice era de 7,6%.

Mais mulheres são chefes de família
Entre as principais revelações do estudo está o número de mulheres que se declararam chefes de família. De dez anos para cá, elas passaram de 10,3 para 18,5 milhões em todo o país. Cerca de 31% das famílias em que a mulher era a pessoa de referência viviam com rendimento mensal até meio salário mínimo per capita. Nas famílias com “chefia” masculina, esse percentual era de 26,8%.

Nas famílias sustentadas por mulheres, a taxa de ocupação dos filhos é maior: 44,1% contra 40,3% nas chefiadas por homens.

Apesar disso, diminuiu em 1 milhão o número de crianças trabalhando. Na faixa de 10 a 15 anos, a queda foi de 3,6 para 2,5 milhões. Ainda assim, a pesquisa mostrou que, no ano passado 235 mil adolescentes entre 10 e 17 anos trabalhavam nas ruas.

Saneamento não chega a 40% da população
Segundo a pesquisa do OBGE, 61,5% dos domicílios brasileiros têm saneamento completo, com abastecimento de água, rede de esgoto e serviço de coleta de lixo. Na região Norte do país está o pior índice, de 10,5%.

Confira aqui a íntegra da pesquisa do IBGE.

Menos de 10% das crianças pobres têm creche, diz IBGE

Resumo dos indicadores sociais dos últimos dez anos evidencia a influência da renda familiar na educação

Agencia Estado

SÃO PAULO - O IBGE divulga nesta sexta-feira a síntese dos indicadores sociais brasileiros dos últimos dez anos. Baseada, principalmente, em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), a síntese mostra que grande parcela das famílias (40,4%) com crianças e jovens de até 14 anos estavam, em 2006, entre as mais pobres do País, com rendimento mensal per capita de até meio salário mínimo.

documento Veja a pesquisa completa

Nessas famílias mais pobres, apenas 9,9% de crianças na faixa entre zero a três anos freqüentavam creches, provavelmente, segundo nota do IBGE, em razão da pouca oferta de vagas em creches públicas. Considerando as famílias com rendimento mensal per capita de mais de três salários mínimos, o acesso à creche e ao pré-escolar cresce para 40,7% das crianças.

Esse porcentual era de 15,5% no total das famílias.

Embora ainda reduzida, a taxa de crianças nas creches dobrou em dez anos, já que em 1996 era de 7,4%.

Quanto ao acesso das crianças de quatro a seis anos das famílias mais pobres à pré-escola, o porcentual era de 68,1%, enquanto que nas famílias com mais de três salários mínimos mensais per capita o acesso estava praticamente universalizado, ficando em torno de 95%, em todas as regiões.

O rendimento das famílias tem maior influência no início da vida escolar das crianças (creche e pré-escola) e no ensino médio (15 a 17 anos), sendo menos sentida no ensino fundamental (seis a 14 anos) que, lembra nota do IBGE, é obrigatório e está praticamente universalizado.

Entre os 20% mais pobres, 72,7% estavam matriculados no ensino médio, enquanto entre os 20% mais ricos, eram 93,6%.

Quando se considera o porcentual de jovens entre 18 a 24 anos que estudavam (51,5%) das famílias mais ricas representavam mais que o dobro daqueles das famílias mais pobres (24,6%).

Mais da metade (50,6%) dos jovens entre 18 e 19 anos trabalhavam, dos quais apenas 20% conciliavam o trabalho com os estudos.

O porcentual de rapazes nessa faixa de idade que trabalhavam (60,8%) era superior ao das garotas (40,5%). Dedicavam-se aos afazeres domésticos, 17,2% dos jovens.

Já no grupo de 20 a 24 anos, 64,4% trabalhavam e destes, apenas 14,7% trabalhavam e estudavam.

Mais da metade (54,5%) dos jovens trabalhadores entre 16 anos (idade a partir da qual o trabalho é permitido no País) e 24 anos recebem até um salário mínimo e cumprem uma jornada de 40 a 44 horas semanais.

A situação de baixa renda nas famílias com crianças de até 14 anos é mais preocupante no Nordeste, onde 63,1% de famílias com crianças até 14 anos de idade estavam na faixa mais baixa de rendimento, resultado da conjugação de uma fecundidade mais elevada e de um nível maior de pobreza, de acordo com i IBGE.

Em Alagoas (69,2%), Ceará (67,6%) e Piauí (66%), a maioria das famílias com crianças ou adolescentes pertenciam a menor faixa de rendimento, enquanto em Santa Catarina, apenas 16,6% das famílias estavam nessa situação.

Trabalho infantil

O trabalho ilegal de crianças mantém-se predominantemente agrícola e concentrado no Nordeste.

Entre os 2,7 milhões de trabalhadores entre cinco e 15 anos, 1,4 milhão estavam na atividade agrícola e aproximadamente 776 mil estavam ocupados na agricultura em Estados nordestinos.

No subgrupo entre 5 a 9 anos, havia 237 mil.

Os porcentuais de trabalho infantil mostraram melhorias na última década. O número de crianças entre 10 e 15 anos trabalhando caiu de 4,2 milhões, em 1996, para 2,5 milhões, em 2006.