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terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Les élèves britanniques iront visiter le camp d’Auschwitz

Pour que les élèves britanniques n'ignorent pas l'Histoire, deux voyages vont être organisés par le ministère du Royaume-Uni pour visiter le camp d'Auschwitz, en Pologne. | ANTONIO REAL/GAMMA
ANTONIO REAL/GAMMA
Pour que les élèves britanniques n’ignorent pas l’Histoire, deux voyages vont être organisés par le ministère du Royaume-Uni pour visiter le camp d’Auschwitz, en Pologne.

Pour que les jeunes générations n’ignorent rien du génocide des juifs perpétré par les nazis, le ministère de l’éducation du Royaume-Uni a annoncé, lundi 4 février, le financement d’un voyage pour deux lycéens de chaque établissement scolaire au mémorial d’Auschwitz-Birkenau, à Oswiecim (Pologne). Accompagnés de survivants des camps d’extermination, les élèves de “sixth form” - équivalent de première et terminale - se rendront pendant une journée dans ce lieu où furent exterminées un million de personnes. Pour les 6 000 à 8 000 lycéens sélectionnés chaque année, la visite comprendra l’obligation de participer à des conférences préparatoires, puis à des comptes rendus devant les autres élèves. Le ministre adjoint de l’éducation, Jim Knight, s’est engagé à prendre en charge les deux tiers du coût du voyage, soit environ 260 euros par personne, la différence restant à la charge des établissements scolaires. Le dispositif, qui fonctionnait à titre expérimental depuis 2006, sera financé au moins jusque 2011.

En France, l’association Le Mémorial de la Shoah emmène chaque année plusieurs milliers de lycéens de première et de terminale à Auschwitz, sélectionnés en fonction du projet pédagogique de leur établissement. Vingt-quatre classes prennent part à l’opération en Ile-de-France, et neuf académies de province y participent par roulement. LE MONDE

domingo, 3 de fevereiro de 2008

"Educação, CEU e Cidade"



Seminário e Lançamento do livro “Educação, CEU e Cidade – breve história da educação nos 450 anos da cidade de São Paulo”. O livro foi feito durante o ano de 2004 e tem duas partes: a primeira sobre a história da educação e a segunda sobre o CEU, com depoimentos dos gestores, dos técnicos e da comunidade. Todos os primeiros 21 CEUs aparecem e no livro são abordados os aspectos da implantação dos mesmos.

O livro é um registro sobre todo o processo de criação e implantação dos Centros Educacionais Unificados na cidade de São Paulo, cujo conceito esta sendo adotado em várias partes do mundo e no Brasil.

Quem quiser ir no seminário não esqueça de enviar email confirmando para mazarattini@yahoo.com.br. São só 150 vagas. O lançamento será aberto.

Depois do lançamento o livro será enviado para cada escola municipal e bibliotecas e estará sendo vendido em livrarias.

Repassem o convite para todas as pessoas que vocês conheçam que participaram dessa experiência ou para aqueles que queiram conhecer mais sobre os conceitos do CEU.

Educação, CEU
e Cidade
S e m i n á r i o
e
L a n ç a m e n t o d o L i v r o
1 8 F e v e r e i r o 2 0 0 8
F U N A R T E
OG DÓRIA e MARIA APARECIDA PEREZ (org)

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Ode a McDonnald


O caderno Ilustrada da Folha traz hoje um artigo de João Pereira Coutinho, com título "A velha besta". Um primór apologético do capitalismo. Deveria se chamar "Ode a McDonnald".

Atacando o sistema educacional europeu pela sua reticência a fazer apologia do sistema, seus valores e o mercado, atribui-le a responsabilidade pelas dificuldades econômicas do velho continente.


Peremptório, proclama: "Nos bancos da escola, os franceses não aprendem as leis básicas da oferta e da procura. Mas aprendem a combater "la McDonaldisation du monde" e, como resultado, a economia gaulesa floresce rumo ao abismo".


Fora não ser verdade que os franceses não aprendem as leis básicas da oferta e da procura (o presidente do FMI é um francês), o paradoxal é que combater a "McDonalisation du monde" é tida como responsavél do declinio economico da França, o que é uma burrada monumental.

O país do McDonald, graças ao reino absoluto do mercado e a falta de regularização, levou a um abalo da economia mundial em seu conjunto.


Se a França vai para o abismo, após 6 anos de governos de direita, é por tentar aplicar as receitas do neoliberalismo, as mesmas receitas que aprendidas nas escolas fundamentalistas do monetárismo yankee estão levando os Estados-Unidos a recessão e milhões de americanos a perda de suas própriedades.

Ainda bem que a educação na Europa, em particular na França, prepara as pessoas para ser cidadãs, críticas. O sonho dos bajuladores do liberalismo era que as preparasse exclusivamente a servir ao capital. O sonho de todos os escravistas.

LF

A seguir o artigo


JOÃO PEREIRA COUTINHO

A velha besta

Tradição econômica européia, tirando exceções, nunca foi entusiasta do mercado

O CAPITALISMO é como certas mulheres: por melhor que se porte, terá sempre má fama. Exagero? Não creio. Basta pensar nas tradições fundamentais do Ocidente, que sempre olharam para a besta com o tipo de desconfiança que Maomé reservava ao chouriço. Somos filhos de Atenas e Jerusalém? Fato. Mas Atenas e Jerusalém não apreciavam particularmente o dinheiro.
Platão, pela boca de Sócrates, entendia que o dinheiro corrompia a virtude e conduzia os seres humanos a uma existência sem nobreza cívica, exatamente o oposto do que ele desejava para a sua "República" ideal.
Aristóteles, mais moderado, nem por isso baixava a crítica quando o assunto envolvia riqueza. O combate à "pleonexia" (à ambição, à ganância) era uma luta cara ao estagirita.
E se Atenas legou esta hostilidade ao comércio, não encontramos salvação em Jerusalém. Pelo contrário: é mais certo um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus.
Ironicamente, alguns dos temas anticapitalistas do mundo antigo acabariam por regressar em linguagem moderna.
A idéia do comércio como inimigo da virtude seria articulada por Rousseau e, depois dele, por intelectuais de esquerda (Marcuse) ou de direita (Eliot). E a crença agostiniana de que a riqueza de uns provém sempre da pobreza de outros é o maior clichê das passeatas de Porto Alegre.
Lembrei tudo isso ao ler dois ensaios recentes. O primeiro, de Stephen Theil para a edição corrente da revista "Foreign Policy". E o segundo, de Peter Saunders, para a vetusta "Policy". Que nos dizem Theil e Saunders?
Em trabalho notável, Stephen Theil começa por analisar os livros de economia que franceses e alemães estudam hoje nas escolas. E o jornalista descobre que os alunos não aprendem propriamente economia. Aprendem um discurso sobre a economia que é, em resumo, uma longa diatribe contra o capitalismo e suas garras desumanas.
Na França, o livro canônico do estudo secundário dá pelo nome de "Histoire du 20ème Siècle" (história do século 20). E nessa história contemporânea é apresentada uma visão terrífica da iniciativa privada, que alegadamente mergulha os seres humanos em existências arruinadas. Nos bancos da escola, os franceses não aprendem as leis básicas da oferta e da procura. Mas aprendem a combater "la McDonaldisation du monde" e, como resultado, a economia gaulesa floresce rumo ao abismo.
Não são caso único. Na Alemanha, conta Theil que os nativos exibem igual hostilidade ao mercado. E quando o assunto é a globalização na Europa, eles preferem chamar-lhe "a brasilianização da Europa", uma expressão que, além de xenófoba, é profundamente ignorante: qualquer brasileiro, hoje, prefere emigrar para Londres, não para Berlim. Porque o capitalismo, mesmo o moderado capitalismo britânico, funciona.
Para Stephen Theil, necessário se torna rever a filosofia desses livros, que demonizam o mercado e atribuem ao Estado a função primária de velar pelos indivíduos. Se a Europa deseja mudar de vida, ela tem de começar por mudar a forma mental dos europeus.
É difícil discordar de Theil. Mas eu não estaria tão esperançado em qualquer mudança mental. Primeiro, porque a tradição econômica européia, tirando gloriosas exceções, nunca foi entusiasta do mercado. Desde Atenas. Desde Jerusalém.
Mas, sobretudo, porque não existem livros sem autores -ou, se preferirmos, sem essa particular espécie que, desde o iluminismo continental, se propõe a dirigir a humanidade. Falo dos "intelectuais". E falar dos "intelectuais" é falar do estatuto menor que eles ocupam em sociedades capitalistas, razão pela qual a maioria se interessa em combatê-las. É Peter Saunders, no segundo artigo, quem relembra Hayek e a sua interpretação clássica do fenômeno: nos últimos 50 anos, e graças à "mão invisível", a pobreza recuou mais do que nos últimos 500. Mas a realidade valerá pouco para o "intelectual" quando ele se confronta com uma entidade que não conhece e, pior, não controla: o mercado.
Para Hayek, a hostilidade dos "intelectuais" ao mercado não se explica por uma visão romântica alternativa. Não se explica pela hostilidade aos ricos ou pelo amor aos pobres. Explica-se com os caprichos do próprio ego. E, quando o assunto é tão profundo, não existe nada pior que vaidade frustrada.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

'O que a escola pública é capaz de fazer deveria surpreender'

Fernando Haddad: ministro da Educação

Para ele, resultados do Pisa precisam levar em conta que o País tem um dos menores investimentos por aluno do mundo

Renata Cafardo, BRASÍLIA

Os resultados insuficientes no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), que colocaram mais uma vez o Brasil entre os piores do mundo em leitura, matemática e ciência, não abalaram o ministro da Educação, Fernando Haddad. “O que a escola pública é capaz de fazer com um investimento de R$ 170 por aluno, por mês, deveria surpreender tanto quanto os resultados”, disse ele, em entrevista exclusiva ao Estado, dias depois da divulgação do exame.

Haddad se referia ao gasto anual por aluno no ensino fundamental do Brasil (US$ 1.159), um dos menores entre os países avaliados pelo Pisa. A quantia equivale a pelo menos um quarto da mensalidade média da escola particular brasileira.

O ministro acredita que mudanças virão com o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), lançado por ele no início do ano, com metas de qualidade para todas as escolas. Na quarta-feira, o MEC anunciará mais R$ 500 milhões, como parte do PDE, para o ensino médio. Mas Haddad conta que está “apreensivo” com a eventual não-prorrogação da CPMF. Evitou dizer que o PDE poderia ficar comprometido, mas afirmou que o assunto é “grave demais”.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista, em que o ministro fala ainda da briga entre PT e PSDB sobre o ensino paulista. Para ele, apenas um “mal-entendido”.

Como o senhor analisa os resultados do Pisa, em que o Brasil continua entre os piores do mundo?

O Pisa reflete o ensino fundamental do País porque avalia jovens de 15 anos. Em português e ciência, há uma estabilidade, dentro da margem de erro. O incremento foi em matemática, embora seja o nosso pior resultado. O que parece que está acontecendo, a julgar pelo Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica, um exame nacional) e pelo Pisa, é que os anos iniciais do fundamental parecem reagir. Vamos ver nos resultados de 2007 do Saeb (que serão divulgados em abril) se isso é consistente ou não.

O Brasil continua atrás de outros países da America Latina.

Colômbia, Brasil, Argentina e México estão muito próximos. Uruguai se descola um pouco, mas caiu. E o país que finalmente se descola é o Chile, que colhe os resultados agora depois de 15 anos da reforma educacional. O que significa dizer que mais recursos e mais gestão na educação refletem nos indicadores de qualidade. Apesar da demora (e, em educação infelizmente essa é a regra), o resultado vem. Temos de aprender com países que têm uma história parecida com a nossa, embora nosso fardo histórico seja mais pesado - em primeiro lugar, pelo atraso no endereçamento da agenda da educação. A Argentina fez sua grande primeira reforma educacional em 1870. Nós temos um passado escravista que nenhum desses países têm, e temos uma tradição republicana muito mais recente.

Em 15 anos, o Chile colheu resultados. O Brasil vai demorar quanto?

Para não cair nisso de “esperar quantos anos”, fixamos as metas intermediárias no PDE. Uma delas é em 2009, mesmo ano do próximo Pisa. O nosso acompanhamento vai ser feito pelo Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, que foi estipulado para cada escola, com metas de aumento a cada dois anos). Eu espero que o Brasil cumpra as metas.

Se isso acontecer, vamos melhorar no Pisa?

Quando a educação melhora, melhora em todos os exames.

O governador José Serra disse que o senhor fez uso político dos resultados ao comentar o desempenho de São Paulo no Pisa, abaixo da média nacional.

Foi feita a pergunta sobre São Paulo, não partiu de mim o comentário. É obvio que a minha expectativa era de que São Paulo tivesse uma média superior à media nacional, pelo trabalho que tem sido feito. Não vejo no que isso possa ofender. Seria uma ofensa se eu dissesse que não esperava. Foi um grande mal-entendido.

Como o senhor analisa os resultados das escolas privadas no Pisa, também muito ruins?

Eu nunca acreditei na correlação entre renda e mérito. Há também uma elite dentro da escola pública, que se sai melhor. Mas o problema da educação é nacional. Precisamos lembrar que nossa escola pública tem o menor investimento por aluno de todos os países do Pisa. Mesmo nessas condições, ela consegue, com o investimento que representa um quarto ou menos de uma mensalidade escolar, não estar tão distante da escola privada. O que a escola pública é capaz de fazer com um investimento de R$ 170 por aluno por mês deveria surpreender tanto quanto os resultados.

Como aumentar esse valor?

Para isso temos que cumprir o Plano de Desenvolvimento da Educação, que exigirá mais recursos para a educação. O PDE, a partir de seu quarto ano, agrega R$ 19 bilhões ao MEC.

A não-prorrogação da CPMF atrapalha a educação?

Posso estar errado, mas eu considero isso um assunto grave demais. Eu temo a não-prorrogação e torço para que nada de ruim aconteça. Temo pelo eventual desequilíbrio fiscal que isso pode gerar. Cortar R$ 40 bilhões do orçamento não será uma tarefa simples, provavelmente vai comprometer o investimento em infra-estrutura e na área social.

Quanto a educação perderia com o fim da CPMF?

Não saberia dizer porque há um compromisso do ministro Guido Mantega de vincular novamente os recursos da DRU da educação (pelo mecanismo, a União pode tirar até 20% dos recursos da educação. Isso acabaria progressivamente, em troca da prorrogação da CPMF). Com a DRU, o orçamento do MEC perdeu, ao longo dos 12 anos, R$ 50 bilhões. A formação de um bom professor de física, química, biologia custa R$ 50 mil. Poderíamos ter formado 1 milhão de professores.

O PDE ficaria comprometido?

Espero que não. Apreensivo, eu confesso que estou.

Os melhores países no Pisa têm escolas que podem demitir seus professores sem consultar o governo. O senhor defende isso?

Em caso de falta grave, o professor pode ser punido com a demissão. Mas acredito que fazemos mau uso do estágio probatório, aquele período em que o professor é escolhido, mas só é efetivado depois de três a seis anos. Isso deveria ser feito em todos os Estados. É uma das diretrizes do PDE.

Esses países também têm mais aulas de ciências, leitura e matemática.

Volto a dizer que poderíamos ter formado 1 milhão de professores sem a DRU. Precisamos de professores em quantidade e em qualidade.

Mas a carga horária não é baixa só por falta de professor. Há alunos demais em algumas escolas, o que leva a quatro turnos em um só dia.

Em ciência e matemática, o maior problema é a falta de professores. Em leitura, para aumentar a carga horária, teria de ter o tempo integral. O Fundeb (fundo que agrupa e redistribui, com complementação da União, um valor mínimo por aluno nas redes públicas) remunera em 25% a mais a matrícula em período integral.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Brasil melhora em matemáticas e leitura, mas falta muito!

Pisa 2006

Alunos brasileiros estão entre os piores em matemática, mas país progride na qualidade do ensino da matéria


O Globo Online, com agências internacionais e Demétrio Weber - O Globo

RIO - Os alunos brasileiros estão entre os piores em conhecimentos de matemática e capacidade de leitura, segundo o relatório do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa 2006) elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). De acordo com a pesquisa, que analisou as habilidades de 400 mil alunos na faixa dos 15 anos em 57 países em 2006, o Brasil foi o quarto pior no ranking de matemática, e o pior entre os países sul-americanos, mas também obteve o quarto maior progresso se comparado a 2003. Os alunos brasileiros marcaram 370 pontos em matemática, 13 a mais do que em 2003, quando foi feita a última sondagem. Superado neste quesito apenas por Indonésia, México e Grécia, o país, no entanto, não obteve resultados expressivos nas demais categorias do estudo, que analisa conhecimentos científicos, lingüísticos e matemáticos.

" Apesar de ser o pior resultado, foi em matemática que mais conseguimos evoluir (Reynaldo Fernandes, presidente do Inep) "

Segundo o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) - órgão responsável pela coordenação do Pisa no Brasil -, Reynaldo Fernandes, apesar de ter o pior resultado em conhecimentos de matemática, foi na matéria que os estudantes brasileiros mais melhoraram desde o último estudo, realizado em 2003.

- Apesar de ser o pior, foi o que mais conseguimos evoluir - disse Fernandes.

No Brasil, região Sul tem as melhores notas

Em sua terceira participação no Pisa, o Brasil mostrou desempenho similar aos anos anteriores em ciências, uma ligeira queda em leitura e um aumento significativo em matemática. A região Sul obteve as melhores notas, e a região Nordeste, as piores. O Sul apresentou o melhor desempenho nas três áreas. Em segundo lugar ficou o Centro-Oeste em matemática e ciências, e o sudeste em leitura. Essas duas regiões se revezam no terceiro lugar.

Na avaliação das capacidades científicas, o Brasil obteve 390 pontos , à frente apenas da Colômbia (388) - entre os países sul-americanos que participaram do Pisa -, e da Tunísia, Azerbaijão, Catar e Quirguistão. O melhor sul-americano é o Chile, com 438 pontos, seguido por Uruguai (428) e Argentina (391). A líder geral é a Finlândia, que obteve 563 pontos, muito à frente de Hong Kong (542), segundo colocado, seguido por Canadá (534), Taiwan (532), Estônia e Japão (531). A qualificação média entre os países da OCDE foi de 500 pontos. Abaixo dessa pontuação aparecem países como Estados Unidos (489), Espanha (488), Noruega (487), Itália (475), Turquia (424) e México (410).

Especialistas avaliam que a má formação dos professores seja uma das principais causas do fraco desempenho dos estudantes brasileiros . Um estudo do Ministério da Educação (MEC) revela que sete em cada dez professores de ciências das escolas no Brasil não têm formação específica para lecionar a disciplina. A maioria fez faculdade em outra área e alguns não têm sequer diploma universitário. O problema se agrava entre os professores de física: 90% e 86% deles, respectivamente, não concluíram o curso apropriado. A pesquisa foi feita com base em dados de 2003 para turmas de 5ª a 8ª série do ensino fundamental (ou 6º ao 9º ano, onde o ensino fundamental dura nove anos).

A prova de conhecimentos científicos englobou questões referentes a cultivos transgênicos, telas solares, roupas "inteligentes", questões de geologia, história das vacinas, exercícios físicos, chuva ácida e efeito estufa.

Brasil também entre os piores no ranking de capacidades de leitura
" Estudo do MEC revela que sete em cada dez professores de ciências das escolas no Brasil não têm formação específica para lecionar a disciplina "

Na avaliação das capacidades de leitura, o Brasil obteve 393 pontos, ficando entre os oitos piores. O país aparece à frente de Colômbia (385) e Argentina (374). No entanto, é superado por Chile (442) e Uruguai (413), entre os sul-americanos. A Coréia do Sul lidera a avaliação, com 556 pontos. A Finlândia vem logo atrás, com 547, seguida por Hong Kong (536), Canadá (527), Nova Zelândia (521), Irlanda e Austrália (517). Abaixo da média da OCDE, de 492 pontos, estão, entre outros, Itália (469), Espanha (461), Turquia (447) e México (410).

Dos 57 países avaliados, trinta fazem parte da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Outro estudo, desta vez da Unesco e que foi divulgado na sexta-feira, considera que, com 15 milhões de analfabetos (40% dos 38 milhões de pessoas que não sabem ler na América Latina, o Brasil está longe de cumprir as metas de educação estabelcidas pela entidade .

Por outro lado, a USP conseguiu figurar no ranking elaborado pelo Conselho de Taiwan para Avaliação e Acreditação de Ensino Superior . Na lista, que considera 500 instituições, a universidade federal paulista ocupa a 94ª posição. A pesquisa avalia a performance da produção científica em universidades do mundo todo.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

IDH: Brasil entra para o grupo de 'alto desenvolvimento humano'

O Globo e O Globo Online Melhoria na alfabetização infantil melhorou no país / Arquivo O Globo

BRASÍLIA - Favorecido em especial pelo aumento da renda, o Brasil entrou pela primeira vez para o grupo dos países com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), em 70.º lugar, no ranking de 177 países avaliados anualmente pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O IDH do Brasil subiu de 0,798 para 0,800 de 2004 para 2005, na escala de 0 a 1.

Apesar do aumento no índice, o Brasil perdeu três posições no ranking mundial em relação ao estudo anterior, caindo do 67º para 70º lugar. Além disso, outras sete nações conseguiram entrar para o grupo dos países desenvolvidos, que antes tinha apenas 63 integrantes.

Leia também: Clima ameaça desenvolvimento humano da América Latina.

De acordo com o novo relatório da Pnud, a Islândia, no noroeste da Europa, e Serra Leoa, na África, são a nova face da desigualdade mundial. O país europeu desbancou a vizinha Noruega e assumiu a liderança no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), com 0,968, na escala de 0 a 1. Na ponta de baixo, Serra Leoa perdeu uma posição em relação ao ano passado e, com índice 0,336, tomou o último lugar do Níger.

Confira os ranking elaborado pelo Pnud

Ao nascer, por exemplo, um bebê islandês tem uma expectativa de vida de 81,5 anos. É quase o dobro do que sobrevive, em média, um cidadão de Serra Leoa: 41,8 anos.

O Relatório de Desenvolvimento Humano 2007, que usa dados de 2005, tem como tema o aquecimento global e seu lançamento mundial foi realizado hoje no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No texto , a organização defende o fim das tarifas de importação que os demais países impõem sobre o etanol do Brasil .

O presidente Lula disse nesta terça-feira que o Brasil estará numa posição ainda melhor no IDH no fim de seu governo. Segundo ele, quando o Pnud divulgar o relatório de 2012, que trará os dados de 2010, as condições de vida dos brasileiros estarão bem melhores do que em 2005, ano analisado no relatório divulgado hoje. Lula citou o Bolsa Família como um dos instrumentos que possibilitaram a melhora do país no índice da ONU .

- Todo governo que vier vai se sentir na obrigação de fazer o Brasil crescer um ponto no relatório - disse o presidente, que participou do lançamento do relatório de desenvolvimento humano 2007/2008.

Criado pelos economistas Mahbub ul Haq e Amartya Sen, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mede a qualidade de vida por outros indicadores que não apenas o Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país). Leva em conta renda (PIB per capita), saúde (expectativa de vida ao nascer) e educação (taxa de alfabetização de adultos e matrículas no ensino fundamental, médio e superior).

Renda ajudou país a subir no ranking de desenvolvimento

De acordo com o novo estudo da ONU, o PIB per capita do Brasil subiu de US$ 8.325 para US$ 8.402, entre 2004 e 2005, considerando a Paridade do Poder de Compra. O IDH da Saúde (expectativa de vida ao nascer) melhorou de 71,5 anos para 71,7 anos entre os dois anos. Com isso, nosso IDH subiu de 0,798 para 0,800.

Os dados de Educação _ taxas de matrícula no ensino fundamental, médio e superior combinadas _ ficaram inalterados em relação aos do ano anterior, mas devido a problemas na entrega dos números ao Pnud, atribuição da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), também um órgão das Nações Unidas. O índice atribuído foi de 87,5%. Isso pode ter prejudicado o Brasil na classificação, reconhece o Pnud.

O acréscimo no IDH foi suficiente para o país atingir o patamar de alto desenvolvimento humano, que vai de 0,800 a 1, mas não para subir no ranking. O Brasil deixou para trás a ilha caribenha de Dominica, que estava à frente no levantamento anterior, mas foi ultrapassado pela Albânia e a Arábia Saudita, que subiram respectivamente cinco e quinze posições.

Maior desigualdade do grupo entre ricos e pobres

Embora tenha passado a integrar o grupo de países com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), onde já estão hoje Chile, Uruguai, Argentina e México, o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer para melhorar as condições de vida de sua população, de acordo com o assessor especial do Pnud e especialista em desenvolvimento humano Flávio Comim.

" O aumento de número de alunos matriculados em escolas foi o fator que mais contribuiu para a melhora do IDH do país no longo prazo "

Ele lembra que, quando comparado com os países que estão no mesmo patamar de IDH, o Brasil perde de forma significativa em, pelo menos, cinco outros indicadores: pobreza, desigualdade, saneamento, mortalidade infantil e mortalidade materna.

- Se eu tivesse que dizer se o copo está meio cheio ou meio vazio no caso do Brasil, eu diria que ele está meio vazio - afirmou Comim.

Quando se considera o Índice de Pobreza Humano, por exemplo, o Brasil tem um percentual de 9,7% (da população), enquanto no México esse valor é de 3,8%.

Nesse índice estão pessoas que costumam morrer antes dos 40 anos, não têm qualquer acesso a educação ou saúde e vivem em condições precárias de saneamento. Por exemplo, enquanto a taxa de saneamento brasileira está em torno de 75%, na Argentina ela é de 91% e no Uruguai, de 100%.

Comim destaca ainda o alto nível de desigualdade. A renda dos 20% mais ricos da população é 21,8 vezes superior à renda dos 20% mais pobres do país.

Outro indicador que mostra a disparidade está nos índices de mortalidade infantil e materna. No Brasil, a mortalidade entre as crianças de menos de cinco anos é de 33 para cada grupo de mil nascidos. No entanto, entre os 20% mais pobres da população, esse número sobe para 99. Já a taxa de mortalidade materna é de 110 para cada 100 mil nascimentos, sendo que nos demais países ela gira em torno de 20 a 30.

Revisão da metodologia é questionada

O IDH é um índice usado pela ONU para medir o desempenho dos países em três áreas: saúde, educação e padrão de vida. O índice é composto por estatísticas de expectativa de vida, alfabetização adulta, quantidade de alunos na escola e na universidade e o produto interno bruto (PIB) per capita.

O Brasil subiu não só devido a melhoras reais nos campos avaliados pelo IDH, mas também em função de revisões de estatísticas nos bancos de dados da Unicef e do Banco Mundial - órgãos que fornecem os números para o PNUD, normalmente baseados em dados produzidos pelos próprios países. Essa mudança de metodologia é questionada por alguns especialistas .

Por exemplo, uma recente revisão de metodologia do IBGE alterou para cima o crescimento do PIB brasileiro em 2005. Em vez de 2,9%, o IBGE declarou que a economia do Brasil cresceu 3,2% naquele ano.

Revisões estatísticas do IBGE também revelaram que os padrões de educação e expectativa de vida no Brasil aumentaram em 2005. A expectativa de vida média subiu de 70,8 anos, no relatório do ano passado, para 71,7 anos, e a porcentagem de alunos matriculados em escolas e universidades aumentou de 86% para 87,5%.

O Brasil vem melhorando em ritmo estável

De 2004 para 2005, o Brasil melhorou em todos os itens que compõem o IDH, com exceção da alfabetização adulta - que ficou estável em 88,6% da população com mais de 15 anos.

O desempenho econômico do país também contribuiu para melhorar o padrão de desenvolvimento humano. O PIB per capita anual aumentou 2,5% de 2004 para 2005, atingindo US$ 8.402 (por paridade de poder de compra).

De 1990 a 2005, o PIB per capita brasileiro cresceu em média 1,1% por ano, ritmo idêntico ao da Argentina, mas bastante inferior ao do Chile - que cresceu em média 3,8% ao ano.

O PNUD começou a divulgar o IDH desde 1990, mas traz dados para vários países retroativos a 1975. Desde então, o Brasil vem melhorando o seu índice de desenvolvimento humano em um ritmo estável.

Em 1975, o IDH brasileiro era calculado em 0,649. Desde então o Brasil vem mantendo uma média de crescimento de cerca de 0,050 no índice a cada dez anos.

Segundo o economista Flavio Comim, especialista em desenvolvimento humano e assessor especial para o PNUD, o aumento de número de alunos matriculados em escolas foi o fator que mais contribuiu para a melhora do IDH do país no longo prazo. Desde 1990, o índice subiu de 67,3% para 87,5%.

Subir no ranking de IDH tem importância 'simbólica'

Para Comim, a importância de entrar na lista dos países de alto desenvolvimento humano é "simbólica, mas significativa, pois abre espaço para uma agenda mais ambiciosa no Brasil".

Segundo ele, um dos motivos que faz o Brasil ficar em último lugar entre as nações de "alto desenvolvimento humano" no IDH é o fato de que os indicadores sociais brasileiros estão muito abaixo do nível de renda do país.

Comim identifica cinco áreas em que o Brasil ainda precisa melhorar para subir no ranking: combate à pobreza e à desigualdade, saneamento, mortalidade infantil e mortalidade materna. Nessas áreas, segundo ele, o Brasil está muito atrás dos demais países, mesmo os latino-americanos.

Comim afirma que, baseado em dados já disponíveis sobre 2006, o Brasil deve melhorar ainda mais o seu IDH no relatório do ano que vem. Entretanto, alerta que outros paises em desenvolvimento vêm obtendo resultados melhores .

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

CNT/SENSUS: Expectativa

EMPREGO

Próximos 6 meses

JUN 07

%

OUT 07

%

Vai melhorar

46,5

50,6

Vai ficar igual

28,9

27,7

Vai piorar

19,4

15,9

NS/NR

5,3

6,0

Total

100,0

100,0

RENDA MENSAL

Próximos 6 meses

JUN 07

%

OUT 07

%

Vai aumentar

44,0

45,9

Vai ficar igual

36,3

37,8

Vai diminuir

15,0

10,9

NS/NR

4,8

5,5

Total

100,0

100,0

SAÚDE

Próximos 6 meses

JUN 07

%

OUT 07

%

Vai melhorar

45,4

43,6

Vai ficar igual

29,9

32,3

Vai piorar

20,1

19,6

NS/NR

4,7

4,7

Total

100,0

100,0

EDUCAÇÃO

Próximos 6 meses

JUN 07

%

OUT 07

%

Vai melhorar

50,4

47,8

Vai ficar igual

28,8

33,0

Vai piorar

16,8

14,8

NS/NR

4,1

4,6

Total

100,0

100,0

SEGURANÇA PÚBLICA

Próximos 6 meses

JUN 07

%

OUT 07

%

Vai melhorar

36,9

37,6

Vai ficar igual

28,2

30,3

Vai piorar

30,8

27,1

NS/NR

4,2

5,1

Total

100,0

100,0

domingo, 7 de outubro de 2007

Nova York lança programa semelhante ao Bolsa-Família


Projeto, que beneficia inicialmente 5.100 famílias, tem financiamento privado

Patrícia Campos Mello, Washington - O Estado de Sào Paulo

A cidade de Nova York acaba de dar início ao seu 'bolsa-família', inspirado no programa de transferência de renda Oportunidades, do México, e no Bolsa-Família brasileiro. Chamado de Opportunity NYC, o programa piloto atende cerca de 5 mil famílias de regiões de baixa renda de Nova York, como o Harlem e o Bronx. Da mesma maneira que o Bolsa-Família brasileiro, o programa nova-iorquino dá dinheiro para as famílias pobres que mantêm seus filhos na escola ou fazem exames de saúde.

'Nosso maior desafio foi adaptar para a realidade nova-iorquina esses programas de países onde a renda média é menor', disse ao Estado a vice-prefeita de Nova York, Linda Gibbs, responsável pelo Opportunity NYC. 'Examinamos o Bolsa-Família em relação às contrapartidas de comparecimento às aulas e como o aumento na freqüência leva a uma elevação no número de alunos que concluem o ensino médio.'

A diferença é que o Bolsa-Família de Nova York é financiado com dinheiro privado - os recursos vieram da fortuna do próprio prefeito, Michael Bloomberg, da Fundação Rockefeller e outras entidades.

Juntos, eles levantaram US$ 45 milhões. A meta é chegar a US$ 53 milhões para financiar dois anos do programa piloto com 5.100 famílias (das quais, 2.550 integram um grupo de controle) e mais cinco anos de acompanhamento para a avaliação dos resultados.

O programa começou a funcionar no mês passado. A idéia de financiamento com recursos privados veio do próprio prefeito Bloomberg, e evitou o que poderia ter sido uma batalha para aprovar o programa no Legislativo. 'Depois de dois anos, se houver resultados positivos, a idéia é que o programa seja financiado com recursos do governo', disse Linda.

No Bolsa-Família brasileiro, os beneficiados ganham até R$ 120 por mês e, para receber a bolsa, os filhos precisam manter freqüência de pelo menos 85% na escola, estar com o calendário de vacinação em dia e as mães precisam seguir a agenda de exames pré e pós-natal. O benefício varia de R$ 15 a R$ 95 por mês.

Já no programa de Nova York, quando os filhos mantêm freqüência de mais de 95% nas aulas, os pais ganham US$ 25 por mês, e os alunos outros US$ 25. O programa estabelece 'incentivos econômicos' para tarefas cumpridas pelas famílias.

Para cada reunião de pais a que comparecem, os beneficiados ganham US$ 25. Eles recebem US$ 50 para tirar cartão da biblioteca e os alunos ganham US$ 600 quando passam em um dos testes do ensino médio. Quando se formam no ensino médio, ganham US$ 400 (metade para o aluno, metade para os pais). Cada integrante da família ganha US$ 200 dólares por check-up de saúde anual. No Opportunity NYC, os beneficiados são famílias que ganham até US$ 22 mil por ano, e têm ao menos três membros.

Segundo a vice-prefeita, uma das inovações do Opportunity NYC são os incentivos para adultos permanecerem na força de trabalho. Quem consegue manter um emprego por período integral ganha um bônus de US$ 150 a cada dois meses. E os adultos empregados que fazem cursos de atualização ou especialização ganham até US$ 600 por curso de 140 horas completado. 'É como se fosse uma estratégia de saída para que as famílias não fiquem dependentes do programa - com a qualificação de mão-de-obra, abrem-se perspectivas para a primeira geração também.'

O programa tem sido alvo de críticas da direita e da esquerda. 'Os conservadores afirmam que as pessoas já deveriam estar fazendo todas essas coisas e não deveríamos pagar para que façam algo que deveriam estar fazendo', diz Linda. 'Mas o argumento do prefeito Bloomberg é que incentivos econômicos são parte da nossa cultura e da sociedade americana.' Já na esquerda, alguns consideram o programa paternalista. Muitos acham que é 'degradante' exigir contrapartidas para a transferência da renda.

'Mas, ao mesmo tempo, críticos admitem que os programas atuais de redução de pobreza não têm funcionado como deveriam funcionar e é necessário tentar novas abordagens', diz Linda. Segundo ela, muitas cidades americanas já mostraram interesse em saber como funciona o programa. 'Esperamos que o governo federal também se interesse.'

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Diário de São Paulo denuncia administração Kassab

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sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Professores encerram manifestação com promessa de greve


CAROLINA FARIAS
da Folha Online

Os professores que realizaram manifestação na tarde desta sexta-feira, em São Paulo, terminaram o protesto em frente à Secretaria da Educação, na praça da República (região central de São Paulo) com a promessa de entrar em greve a partir do dia 14, caso o governo não aceite as reivindicações da categoria.

A proposta dos professores é de que o governo incorpore ao salário-base de R$ 668 as gratificações, que elevariam o piso para cerca de R$ 900, além de reposição da inflação para que o salário atinja o valor mínimo de R$ 1.668. O número foi calculado para a categoria pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

"A cada ano cai mais a qualidade de ensino devido à desvalorização do profissional da educação. Nossas reivindicações também são por melhores condições de trabalho. As maiores vítimas deste sistema de péssima qualidade são os profissionais da educação e os alunos", disse o presidente da Apesosp (sindicato dos professores do Estado), Carlos Ramiro.

Segundo Ramiro, há dois anos a categoria não tem reajuste no salário-base.

Os números sobre a concentração de pessoas são divergentes. Os organizadores estimam que 30 mil pessoas se reuniram na Sé. O número da PM é bem menor: 7.000.

Mais protestos

Até o dia 14, o sindicato deve realizar atividades em todo o Estado, incluindo uma aula pública, no dia 29, e um acampamento entre os dias 10 e 14 na praça da República. Durante a vigília, devem ocorrer outras aulas abertas.

A manifestação da categoria ocorreu de forma pacífica, entre a praça da Sé e a República. Os únicos incidentes registrados pela Polícia Militar foram de pessoas que passaram devido ao calor e falta de alimentação.

Caravanas

Os professores vieram de várias partes do Estado, em caravanas de ônibus. O aposentado Ídolo Luiz Gasparino, 68, com 33 anos de profissão, veio de São José do Rio Preto (440 km a noroeste de São Paulo) para aderir à manifestação. Ele trouxe sua "árvore da miséria" --um guarda-chuva velho onde pendurou seus holerites em demonstração de revolta com o salário dos aposentados.

"A proposta do governo é a pior possível. Esses 12 anos de PSDB produziram analfabetos funcionais. São pessoas que lêem mal e escrevem mal", avaliou Gasparino. Ele afirma que participou do protesto no qual o então governador Mario Covas brigou com manifestantes, em 2000. Na ocasião, Covas foi levou pedradas, bandeiradas e ovadas. "Ele mereceu, era uma traidor."

Já a professora de educação física, Dirce de Souza, 45, que dá aulas há 19 anos, viajou quatro horas de ônibus, entre Jaboticabal (344 km a noroeste de São Paulo) e a capital. "Se não nos manifestarmos, é sinal de acomodação", disse Souza.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

JT denuncia: ‘Ano da educação’ já repetiu no 1º semestre



O prefeito Kassab prometera que este seria o ano da educação. Mas, às vésperas do 2º semestre, faltam leite, segurança, uniformes, professores...
A Prefeitura já admite que muito ficará para 2008

sexta-feira, 1 de junho de 2007

José Serra recua ou como criar uma crise tola

VINICIUS TORRES FREIRE

Folha de São Paulo

Após apimentar a crise na universidade, governo recua. Saldo do tumulto é só má política e debate corporativo

ALGUNS DECRETOS do governador paulista, meia dúzia de incisos e a confusão de seis secretários de governo levaram cerca de 6.000 pessoas a infernizar as ruas de São Paulo. José Serra conseguiu acender o movimento sindical contra seu governo; conseguiu transformar uma estudantada em crise na USP, agora crise nas universidades paulistas, a qual, de resto, inspira a agitação estudantil em todas as universidades públicas do país. Janio de Freitas já havia observado nesta Folha a espantosa incapacidade do governo de lidar com o problema e os riscos do impasse.

O impasse ainda sobrevive. Anteontem, um dia antes da manifestação de estudantes e sindicalistas da USP, Aloysio Ferreira, chefe da Casa Civil de Serra, conseguiu açular o conflito com artigo atrabiliário publicado neste jornal. Tudo para, no dia seguinte, o governo dar razão a todos os seus críticos, da corporação mais tosca aos professores mais conscienciosos. O governo paulista fez o que não admitia fazer até agora por teimosia política. Leia mais aqui (para assinantes)

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Jornal da Tarde denuncia

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segunda-feira, 28 de maio de 2007

Serra, a USP e a foto

FERNANDO DE BARROS E SILVA
SÃO PAULO

Folha de São Paulo

O que querem as mulheres? A clássica pergunta de Freud não vale para José Serra. Todos sabem a resposta: ele só pensa naquilo. Mas 2010 ainda está longe, felizmente para Serra, porque seu governo começou de forma bastante decepcionante. Ou seria melhor dizer sintomática? A crise da USP é o melhor exemplo.

O governo meteu os pés pelas mãos. Após nomear para a nova Secretaria do Ensino Superior este que é, no meio universitário, uma unanimidade às avessas, quis ainda transformar José Aristodemo Pinotti no presidente do conselho de reitores. Pegou tão mal que Serra desistiu do seu interventor branco.

O recuo, no entanto, não desfaz a sensação de que pretendia enquadrar as universidades -este é o sentido geral implícito no conjunto dos decretos contra o qual se rebelaram os estudantes que estão na reitoria.

Obrigado a vir a público, o governo Serra tergiversa, desconversa, age reiteradamente de forma oblíqua. Ora parece pouco seguro de seus propósitos, ora dá a impressão de que quer engambelar a platéia.

O fato é que se negou, até aqui, a rever o decreto mais polêmico, que submete à aprovação da Secretaria da Fazenda o remanejamento de verbas na universidade. Por quê?

Está em curso uma campanha de demonização dos estudantes -retrógrados, baderneiros, urram, histéricos, os arautos do novo "Estado de direita". Leia mais na Folha de São Paulo (para assinantes)

sábado, 26 de maio de 2007

A revolta na USP

Crise em redudo do tucanato atinge prestígio do governador José Serra, ex-lider estudantil de 1964

ALAN RODRIGUES para Istoé



MONTAGEM SOBRE FOTOS DE ROBERTO CASTRO E CLAYTON DE SOUZA/AE


Era quase noite da terça-feira 15 de maio quando o telefone do governador José Serra tocou em seu gabinete. De um lado, Suely Vilela, reitora da Universidade de São Paulo (USP), que há 12 dias tentava negociar com cerca de 200 estudantes que ocupavam a reitoria. Do outro, o governador, que iniciou sua trajetória política como presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), em 1963/64 - e acompanhava a greve com lupa.

Entre as 17 reivindicações dos grevistas está a exigência de que o governo retire os cinco decretos que, na ótica deles, ferem a autonomia da universidade. Serra vinha criticando a tolerância da reitora com os grevistas. O diálogo foi rápido:- Governador, terminei uma reunião com alguns professores do Largo São Francisco e concluímos que não existe outra alternativa para retirar estudantes do prédio a não ser a judicial.- Tá certo.- O prazo da desocupação venceu ontem às 16h. Eles estão intransigentes.- Tá bom. Mantenha-me informado.

Na manhã seguinte, os advogados da USP entraram com o pedido de reintegração de posse do prédio na 13ª Vara da Fazenda Pública do Estado. Por volta das 17h do mesmo dia, um oficial de Justiça já notificava os grevistas, que se recusaram a assinar o documento. Não era a primeira vez que a Justiça paulista determinava a reintegração de uma instituição de ensino estadual. Há dois meses, os estudantes da Universidade de Campinas (Unicamp) foram obrigados a desocupar a reitoria sob ameaça do uso da força policial. Colocada diante de uma situação semelhante, a direção da USP resolveu repetir a lição da Unicamp. Desta vez, porém, o resultado foi inesperado: o governo encontrou uma patuléia de estudantes afinada com a ultra esquerda nacional, ligada ao PSTU e ao PCO, e disposta a resistir à PM.

Qualquer que seja o desfecho da situação, ela complicou a relação do governo Serra com seu ninho - o PSDB surgiu praticamente na USP. Os problemas começaram em dezembro, no apagar das luzes do governo Cláudio Lembo (DEM). No último dia de mandato, ele encaminhou à Assembléia Legislativa um projeto que reduzia verbas do ensino universitário. A decisão irritou o Conselho de Reitores das Universidades Paulistas (Cruesp), formado pelos administradores da USP, Unesp e Unicamp. Eles viram o dedo de Serra na trama.

A relação ficou pior com a criação da Secretaria de Ensino Superior - entregue ao médico José Aristodemo Pinoti - e a exigência de inclusão das universidades no Siafem, o sistema de gerenciamento financeiro que exige prestação diária de contas.

Sabe-se que Serra investiu nessas mudanças depois de tomar conhecimento do saldo das aplicações financeiras da USP: cerca de R$ 1 bilhão. Foi só anunciar o pedido de transparência pública que os reitores deram pulos de indignação e agitaram a bandeira da autonomia universitária.

"O corpo universitário não aceita ter sua contabilidade ao sabor dos ventos orçamentários do Estado e quer ver suas finanças longe da burocracia", defende Arquimedes Diógenes Ciloni, presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Na verdade, ninguém - professores ou alunos - admite que o governo tenha o controle do orçamento anual da USP, de quase R$ 2 bilhões. "Não vamos tirar verbas, só queremos que as universidades prestem contas", diz Serra. "A prestação de contas não é nenhuma ofensa à autonomia", completa o filósofo José Arthur Gianotti, professor emérito da USP.

O açodamento de Serra pode lhe custar caro. "Foi uma tremenda falta de habilidade dos dois lados", admite um tucano de alta plumagem que pediu anonimato. Seus adversários dentro do PSDB comemoram.

Leia mais sobre o conflito entre Serra e os estudantes e professores da USP neste Blog (ver arquivo ao lado)