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quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Educação: Abaixo da média, São Paulo perde de Rondônia e Sergipe

O Estado não conseguiu ultrapassar a média nacional em nenhuma das três áreas avaliadas pelos exames do programa

Sindicato das escolas particulares diz desconhecer quem participou; Inep informa que não pode divulgar as instituições

EDUARDO SCOLESE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
FOLHA DE SÃO PAULO

Os resultados do Pisa, sigla em inglês do Programa Internacional de Avaliação de Alunos, divulgados ontem pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), revelam que o Estado de São Paulo não conseguiu ultrapassar a média nacional em nenhuma das três áreas avaliadas -ciências, leitura e matemática.
Na área de ciências, a média paulista (385 pontos) é comparável à da Tunísia (África). No caso da leitura (392 pontos), eqüivale-se a Montenegro (Balcãs). Já em relação a matemática, com 370 pontos, os paulistas estão no mesmo nível dos vizinhos colombianos.
Para o ministro Fernando Haddad (Educação), o resultado de São Paulo requer "atenção" do governo federal. "Com exceção do Distrito Federal, São Paulo é a maior renda per capita do país. Era de se supor que pudesse trazer as médias nacionais para cima. É um resultado que surpreende, exige alguma atenção e algum diagnóstico do que se passa."
O petista Haddad falou com cautela sobre o Estado governado pelo tucano José Serra, que sucedeu os também tucanos Mário Covas (morto em 2001) e Geraldo Alckmin.
"No geral, os Estados mais ricos se saem melhor do que os mais pobres. Essa é a regra geral. Há exceções à regra", completou o ministro.
Para a secretária de Educação de São Paulo, Maria Helena Guimarães de Castro, o tamanho do Estado explica o quadro. "Ao mesmo tempo em que temos uma economia forte, temos todos os problemas existentes no Brasil. O fato de termos avançado enormemente na oferta de escolas nos dá agora condições para melhorar a qualidade de ensino", disse.
Na três áreas, São Paulo registrou média abaixo do Sudeste. Em ciências, a média da região ficou em 396 pontos, contra 385 do Estado. Em leitura, o Sudeste teve 404 pontos, ante 392 de São Paulo. Em matemática, a diferença ficou em 378 contra 370.
O Distrito Federal lidera os rankings de ciências e de matemática, seguido por Santa Catarina, que lidera a tabela de leitura. No outro extremo ficou o Maranhão, com os piores resultados nas três áreas. Além do Distrito Federal, apenas oito Estados ficaram acima da média nas três disciplinas: Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe.
Entre esses Estados, o ministro Haddad destacou Rondônia e Sergipe, que, apesar das baixas médias de suas regiões (Norte e Nordeste), conseguiram manter seus alunos acima da média nacional nas três áreas avaliadas. Leia mais na Folha de São Paulo (para assinantes).

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Brasil melhora em matemáticas e leitura, mas falta muito!

Pisa 2006

Alunos brasileiros estão entre os piores em matemática, mas país progride na qualidade do ensino da matéria


O Globo Online, com agências internacionais e Demétrio Weber - O Globo

RIO - Os alunos brasileiros estão entre os piores em conhecimentos de matemática e capacidade de leitura, segundo o relatório do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa 2006) elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). De acordo com a pesquisa, que analisou as habilidades de 400 mil alunos na faixa dos 15 anos em 57 países em 2006, o Brasil foi o quarto pior no ranking de matemática, e o pior entre os países sul-americanos, mas também obteve o quarto maior progresso se comparado a 2003. Os alunos brasileiros marcaram 370 pontos em matemática, 13 a mais do que em 2003, quando foi feita a última sondagem. Superado neste quesito apenas por Indonésia, México e Grécia, o país, no entanto, não obteve resultados expressivos nas demais categorias do estudo, que analisa conhecimentos científicos, lingüísticos e matemáticos.

" Apesar de ser o pior resultado, foi em matemática que mais conseguimos evoluir (Reynaldo Fernandes, presidente do Inep) "

Segundo o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) - órgão responsável pela coordenação do Pisa no Brasil -, Reynaldo Fernandes, apesar de ter o pior resultado em conhecimentos de matemática, foi na matéria que os estudantes brasileiros mais melhoraram desde o último estudo, realizado em 2003.

- Apesar de ser o pior, foi o que mais conseguimos evoluir - disse Fernandes.

No Brasil, região Sul tem as melhores notas

Em sua terceira participação no Pisa, o Brasil mostrou desempenho similar aos anos anteriores em ciências, uma ligeira queda em leitura e um aumento significativo em matemática. A região Sul obteve as melhores notas, e a região Nordeste, as piores. O Sul apresentou o melhor desempenho nas três áreas. Em segundo lugar ficou o Centro-Oeste em matemática e ciências, e o sudeste em leitura. Essas duas regiões se revezam no terceiro lugar.

Na avaliação das capacidades científicas, o Brasil obteve 390 pontos , à frente apenas da Colômbia (388) - entre os países sul-americanos que participaram do Pisa -, e da Tunísia, Azerbaijão, Catar e Quirguistão. O melhor sul-americano é o Chile, com 438 pontos, seguido por Uruguai (428) e Argentina (391). A líder geral é a Finlândia, que obteve 563 pontos, muito à frente de Hong Kong (542), segundo colocado, seguido por Canadá (534), Taiwan (532), Estônia e Japão (531). A qualificação média entre os países da OCDE foi de 500 pontos. Abaixo dessa pontuação aparecem países como Estados Unidos (489), Espanha (488), Noruega (487), Itália (475), Turquia (424) e México (410).

Especialistas avaliam que a má formação dos professores seja uma das principais causas do fraco desempenho dos estudantes brasileiros . Um estudo do Ministério da Educação (MEC) revela que sete em cada dez professores de ciências das escolas no Brasil não têm formação específica para lecionar a disciplina. A maioria fez faculdade em outra área e alguns não têm sequer diploma universitário. O problema se agrava entre os professores de física: 90% e 86% deles, respectivamente, não concluíram o curso apropriado. A pesquisa foi feita com base em dados de 2003 para turmas de 5ª a 8ª série do ensino fundamental (ou 6º ao 9º ano, onde o ensino fundamental dura nove anos).

A prova de conhecimentos científicos englobou questões referentes a cultivos transgênicos, telas solares, roupas "inteligentes", questões de geologia, história das vacinas, exercícios físicos, chuva ácida e efeito estufa.

Brasil também entre os piores no ranking de capacidades de leitura
" Estudo do MEC revela que sete em cada dez professores de ciências das escolas no Brasil não têm formação específica para lecionar a disciplina "

Na avaliação das capacidades de leitura, o Brasil obteve 393 pontos, ficando entre os oitos piores. O país aparece à frente de Colômbia (385) e Argentina (374). No entanto, é superado por Chile (442) e Uruguai (413), entre os sul-americanos. A Coréia do Sul lidera a avaliação, com 556 pontos. A Finlândia vem logo atrás, com 547, seguida por Hong Kong (536), Canadá (527), Nova Zelândia (521), Irlanda e Austrália (517). Abaixo da média da OCDE, de 492 pontos, estão, entre outros, Itália (469), Espanha (461), Turquia (447) e México (410).

Dos 57 países avaliados, trinta fazem parte da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Outro estudo, desta vez da Unesco e que foi divulgado na sexta-feira, considera que, com 15 milhões de analfabetos (40% dos 38 milhões de pessoas que não sabem ler na América Latina, o Brasil está longe de cumprir as metas de educação estabelcidas pela entidade .

Por outro lado, a USP conseguiu figurar no ranking elaborado pelo Conselho de Taiwan para Avaliação e Acreditação de Ensino Superior . Na lista, que considera 500 instituições, a universidade federal paulista ocupa a 94ª posição. A pesquisa avalia a performance da produção científica em universidades do mundo todo.