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terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Les élèves britanniques iront visiter le camp d’Auschwitz

Pour que les élèves britanniques n'ignorent pas l'Histoire, deux voyages vont être organisés par le ministère du Royaume-Uni pour visiter le camp d'Auschwitz, en Pologne. | ANTONIO REAL/GAMMA
ANTONIO REAL/GAMMA
Pour que les élèves britanniques n’ignorent pas l’Histoire, deux voyages vont être organisés par le ministère du Royaume-Uni pour visiter le camp d’Auschwitz, en Pologne.

Pour que les jeunes générations n’ignorent rien du génocide des juifs perpétré par les nazis, le ministère de l’éducation du Royaume-Uni a annoncé, lundi 4 février, le financement d’un voyage pour deux lycéens de chaque établissement scolaire au mémorial d’Auschwitz-Birkenau, à Oswiecim (Pologne). Accompagnés de survivants des camps d’extermination, les élèves de “sixth form” - équivalent de première et terminale - se rendront pendant une journée dans ce lieu où furent exterminées un million de personnes. Pour les 6 000 à 8 000 lycéens sélectionnés chaque année, la visite comprendra l’obligation de participer à des conférences préparatoires, puis à des comptes rendus devant les autres élèves. Le ministre adjoint de l’éducation, Jim Knight, s’est engagé à prendre en charge les deux tiers du coût du voyage, soit environ 260 euros par personne, la différence restant à la charge des établissements scolaires. Le dispositif, qui fonctionnait à titre expérimental depuis 2006, sera financé au moins jusque 2011.

En France, l’association Le Mémorial de la Shoah emmène chaque année plusieurs milliers de lycéens de première et de terminale à Auschwitz, sélectionnés en fonction du projet pédagogique de leur établissement. Vingt-quatre classes prennent part à l’opération en Ile-de-France, et neuf académies de province y participent par roulement. LE MONDE

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Holocausto no carnaval

carnaval_holocausto1.jpg

A proibição do carro alegórico da Viradouro pela justiça do Rio provocou uma polêmica neste carnaval sobre liberdade artística e de expressão, em relação ao nazismo e o holocausto de 6 milhões de judeus. Reproduzo a seguir, do jornal O Globo, o eco deste debate publicado na sua edição de hoje.

Penso que a FIERJ agiu corretamente tentando persuadir a Viradouro a fazer mais explicita a condenação do holocausto, com eventualmente uma faixa com os dizeres “holocausto, nunca mais” e posteriormente de requerer a justiça, que acabou proibindo o dito carro alegórico.

Argüir da democracia, da liberdade de expressão, da arte e da censura, princípios pelos quais devemos ter o maior resguardo, não me parece adequado.

Nos países europeus, por exemplo, existe uma clara legislação que proibe a publicação ou o ensino de teses negacionistas. Os negacionistas pretendem que o holocausto nunca existiu e invocam o direito à livre expressão para propagar sua idéologia nazista. Em vários países europeus existem formações políticas neo-nazistas que reivindicam uma existencia legal com o argumento da liberade de organização partidária e a recusa da censura, contra a proibição da qual são objeto. No Brasil também certo tipo de literatura, a de conteúdo racista por exemplo, é objeto de proibição.

Tem países, como os Estados-Unidos, onde este tipo de censura é recusada, primando o principio da liberdade de expressão. Como se vê, não existe resposta evidente e simples.

Anos atrás a foto do filho do Principe Charles, fantasiado de oficial nazista em uma festa, provocou uma onda de indignação e motivou desculpas públicas na Inglaterra. Ninguém disse na época que Chaplin no filme O Ditador também estava fantasiado de nazista, para defender o gesto ultrajante do herdeiro do trono inglês ou que a liberdade estava sendo coibida.

Neste caso o que está em questão não é a intencionalidade dos autores do carro alegórico, mas o significado da banalização do holocausto. Em segundo lugar o contexto: desfile de carnaval, no meio da musica, a festa e a dança. Terceiro, a própria representação, uma pilha de cadáveres e um Hitler fantasiado dançando. Por acaso a imagem, no sambódromo, e na mídia internacional, seria acompanhada de um texto explicativo dizendo que se trata de uma denuncia do holocausto e não de uma apologia?

Por último, como mostram as cartas reproduzidas pelo O Globo, o debate não opõe “os judeus”, aos “outros”. Judeus ou não, as opiniões se dividem e é bom que seja assim. Muitos antisemitas procuram uma casquinha para falar da censura dos judeus, do nome judaico da juíza, da dominação judaica no mundo. Uma prova que a vigilância sobre o assunto é uma questão essencial, pois o antisemitismo não é uma questão só de história, mas de absoluta atualidade.

Luis Favre

O GLOBO

olha o holocausto aí, gente!

O carro é de mau gosto. Proibi-lo é ainda pior

Henrique Koifman

Como cidadão brasileiro — e especialmente por ser judeu — sou contra a censura. Associo o conhecimento, o acesso à informação e a liberdade de expressão à luz e não consigo separar a censura das trevas.

Dificilmente a proibição de uma obra, tema ou opinião é tão eficiente para contestá-la quanto outras obras, opiniões e debates. É isso que diferencia um estado de direito, democrático (no sentido político e social da palavra) dos demais.

Entendo o ponto de vista de quem lutou pela proibição do carro alegórico.

Em outros períodos históricos, o silêncio custou a vida de milhões. Mas não creio que seja esse o caso. O carro da Viradouro é de um mau gosto tremendo, mas proibi-lo é de um mau gosto maior. E para julgar sua pertinência, o foro mais gabaritado é o dos jurados escalados para o desfile e o público, no sambódromo e nos lares.

Ano que vem, gelo-seco simbolizando gás?

Eduardo Fradkin 

A proibição do carro do Holocausto, como toda censura, baseia-se na crença de que a sociedade não tem capacidade de julgamento próprio. Sou contra a censura, apesar de partilhar das opiniões da juíza, que considerou a iniciativa uma “banalização dos eventos bárbaros” praticados pelos nazistas. Duvido que membros de minha família que pereceram em campos de concentração gostassem de ver a “denúncia do Holocausto”, como foi qualificada pela Viradouro a sua alegoria, em meio ao baticum carnavalesco, ao samba e num contexto alegre. Não posso falar por eles, mas, para mim, é leviano, ridículo e, sim, é a banalização de uma tragédia. Imagine se a moda pega, e, no próximo ano, aparece um carro “denunciando” Auschwitz, expelindo gelo-seco como se fosse gás pela Sapucaí? Bem, mas aí é que está a beleza de uma democracia: ter a liberdade de fazer o que quiser e pagar o preço por isso — o juízo público.

Eduardo Fradkin é jornalista

Não há um símbolo do Mal como Adolf Hitler

Renato Galeno

Na pequena sala de projeção, um grupo de jovens alemães ria. Os mais engraçadinhos sussurravam piadas, e adolescentes louras sorriam. O documentário que passava no telão era sobre o massacre de seis milhões de judeus em campos de extermínio nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. O local? O campo de Auschwitz-Birkenau, numa manhã de visita turística em setembro 2004.

Entendo que a intenção de Paulo Barros, ao criar um carro com corpos empilhados, fosse denunciar o maior massacre organizado de um grupo de pessoas da História. Confesso não conseguir entender tão bem a decisão de colocar, como destaque, um homem fantasiado de Hitler.

Mas é uma idéia digna. Porém, no mundo de hoje, em que o valor das imagens se multiplicou pela facilidade de transmissão de informação, é preciso cuidado.

Sou a favor da liberdade artística. Defendi o direito — não, mais do que isso, o dever — dos jornais europeus reproduzirem as charges de Maomé publicadas por um diário dinamarquês, que tanta polêmica causaram entre radicais islâmicos. Defendi

Porém nem tudo são flores Há dissabores, infelicidades Vidas perdidas nesse mundo de maldade

uma exposição que ocorria no mesmo momento na Dinamarca, que mostrava um Jesus crucificado nu. Sou ávido leitor de livros sobre o sofrimento de palestinos nos territórios ilegalmente ocupados por Israel — e fui criticado, em carta remetida a este jornal, por um ex-presidente da Federação Israelita por ter escrito um texto com elogios a um destes livros. O problema não é a coisa em si, mas a mensagem. E não existe mensagem sem um meio para transmiti-la. Como qualquer estudante sabe, o meio e a mensagem são indissociáveis, o contexto constrói o significado.

A intenção era denunciar o massacre, claro. Mas, e a mensagem? O que é um desfile de carnaval? Alegria. É o que se espera como reação do público, é o que esse público espera encontrar nas escolas, e é o que milhões de brasileiros e estrangeiros assistem pela TV. Alguém aí acredita que o povo na avenida ficaria chocado, que se conscientizasse com o carro (que, talvez, ganhasse o apelido de “Carro do Bigode”)? A imagem de pessoas inocentes executadas de modo sistemático serviria para alertar para o perigo de regimes totalitários baseados em ódio racial? Ou o Hitler sobre a pilha de corpos serviria como protetor de tela de laptops de neonazistas, aqui e no exterior? Alguns poderiam dizer que, caso o carro falasse do drama da escravidão, não haveria reação. É válido, mas parte de uma premissa falsa. Sou dos que defende não só a ação afirmativa, mas até a reparação financeira aos descendentes de escravos.

Mas há duas diferenças — que ultrapassam o distanciamento histórico, pois há milhares sobreviventes dos campos de extermínio e seus filhos vivos. 1) A banalização da maldade ocorreu tanto na escravidão quanto no Holocausto, mas, no segundo, além de trabalhos forçados (“o trabalho liberta”), a intenção era exterminar uma “raça”. 2) Não há, na barbárie da escravidão, um símbolo do Mal como Hitler.

Não vou entrar no mérito da capacidade de gerar consciência que um desfile pode ter. O ponto principal do meu raciocínio é: a intenção por trás do carro (denunciar a intolerância) é irrealizável através do meio escolhido. Poucos ouvem o comentarista da Globo descrever o enredo da escola, remetido para a imprensa. A imagem, sim, está lá, inequívoca, em linguagem universal: Hitler sambando sobre pessoas executadas.

Num mundo ideal, o bom-senso levaria as pessoas a não tomarem atitudes que prejudicam outras. Mas nem sempre agimos com bom-senso, e para isso existem leis.

Avançamos o suficiente para, felizmente, vivermos num Estado democrático de direito, em que as leis são — ou deveriam ser — legítimas. Se a única forma de impedir algo que demonstra tanta falta de sensibilidade, e que provocaria incrível dor em muitas pessoas, é uma ação judicial, que assim seja. Infelizmente, que assim seja.

Voltando à minha visita a Auschwitz. A reação do jovens mostra que, mesmo com o meio e a mensagem coordenados, é difícil conseguir transmitir as emoções que o “artista” pretende. Mas, depois de alguns minutos, os adolescentes alemães se calaram. Alguns choraram. É que após o filme não houve paradinha de bateria nem fogos de artifício anunciando a próxima escola, mas a visão de roupinhas de bebês executados, salas de experimentos médicos e um prédio dedicado a indizíveis torturas (o bloco “Auschwitz dentro de Auschwitz”), um crematório e uma câmara de gás.

Renato Galeno é jornalista

Os três pilares que sustentam o mundo

Osias Wurman 

Ensinam os sábios do judaísmo que o mundo sustenta-se sobre três pilares: verdade, justiça e paz. Num evento como o carnaval, onde a verdade é suplantada pela fantasia, devemos evitar temas que, travestidos por motivos alegóricos banalizariam o maior genocídio da História, o Holocausto. A memória dos mártires que morreram nas mãos dos nazistas, não merece ser maculada por uma imagem onde o genocida encima o carro, dançando, enquanto suas vitimas (esculturas de mortos e mutilados) são a base da alegoria. Esta imagem, passada para milhões de espectadores em todo mundo, onde ainda existem milhares de sobreviventes vivos, com os números gravados pelos nazistas em suas mãos, seria uma injustiça moral inaceitável.

Se desejava prestar homenagem às vitimas, ou ensinar o que foi o Holocausto, a Viradouro deveria preservar o espírito de paz entre sua direção e os representantes das vitimas da tragédia. O clima de enfrentamento, após 90 dias de dialogo, impediu o entendimento, que poderia trazer uma solução didática e não agressiva.

O homem mais sábio da historia bíblica, o rei Salomão, ensinou que não há nada de novo abaixo do sol. Problemas com o uso de símbolos sagrados ou temas religiosos, já se repetiram na historia do carnaval. O importante é que reste um aprendizado das conseqüências.

Osias Wurman é jornalista

Ninguém tem o monopólio dos temas

Bernardo Sorj

A tradição diz que a sabedoria é o caminho do meio. Nem empurrar realidades desagradáveis para baixo do tapete, por medo do conflito, nem insuflar fatos além de suas dimensões.

Tempo atrás, a porta de minha sala na UFRJ foi pichada com uma suástica. Fui convidado por lideranças judaicas a denunciar publicamente a “existência de anti-semitismo na universidade”. Minha intuição era de que ela foi feita por um aluno ressentido com críticas minhas.

Com certeza não estava frente a um fenômeno de “anti-semitismo na universidade” e a solidariedade de meus colegas pareceu suficiente. Valorizar o evento seria fazer publicidade indevida e apresentar uma versão distorcida da realidade.

O respeito pela sensibilidade alheia no espaço público, em relação a objetos sagrados ou de grupos que sofreram discriminação, humilhação e perseguição é fundamental para construir uma sociedade onde ninguém sinta negada sua dignidade humana. Este objetivo porém é construído a partir de uma bagagem cultural, onde hábitos lingüísticos, formas de humor e preconceitos inconscientes estão presentes. Não se trata de justificá-los, mas reconhecer que um comentário mal elaborado sobre raça, religião, sexo ou etnia não transforma alguém em racista, anti-semita, homofóbico ou sexista.

O conceito de racismo esconde uma diversidade de situações. Um comentário racista não significa que o indivíduo esteja disposto a entrar na Klu Klux Klan.

A maioria das pessoas, inclusive, acaba por se desculpar. Expressões indevidas devem ser combatidas com ponderação, caso a caso, para não se produzir uma indústria de vitimização, de líderes e instituições legitimamente constituídos que se projetam pela denúncia. Há áreas, como o humor, onde a luta contra o preconceito é mais complexa. Muitas charges ferem indivíduos e grupos. Mas, o humor deve ser censurado, apesar de se reconhecer como distorção do real? Não. O humor é parte fundamental de uma sociedade democrática, obrigandonos a aceitar visões diferentes daquilo que “adoramos”.

Escolas de samba tratam dos mais diversos temas, desde a violência na cidade (com participação de vítimas e familiares), ou a escravidão no Brasil.

Todo tema pode ser “carnavalizado”. A questão não é o tema, pois ninguém tem monopólio sobre ele, mas a forma em que ele é tratado e a mensagem que se quer veicular. Uma discussão ponderada sobre o carro alegórico do Holocausto deve focalizar somente esta questão. Um diálogo aberto entre todas as partes interessadas é o caminho a trilhar e não há razões para duvidar, a priori, da boa fé das pessoas. É possível que no final do dia tenhamos posições diferentes, mas sem preconceitos e com clareza sobre os pontos em que divergimos, dentro de uma lição de convivência democrática.

Bernardo Sorj é professor titular de sociologia da UFRJ — www.bernardosorj.com

domingo, 27 de janeiro de 2008

Holocausto: "Unidos para evitar a conspiração do esquecimento"

Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia alusiva ao Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

Palácio do Itamaraty - Rio de Janeiro (RJ), 25 de janeiro de 2008



Foto de Monumento al Holocausto

Monumento as vítimas do Holocausto, Berlim


Meus amigos, minhas amigas,

Eu acho que se nós tivéssemos encerrado este ato na fala do brigadeiro Ruy Moreira Lima, já estaria de bom tamanho o ato, porque é a testemunha viva do que aconteceu lá. Eu ainda não tinha nascido. Portanto, Deus o preserve por mais algumas décadas para contar essas histórias em outros dias 25 de janeiro.

Minhas amigas, meus amigos, jornalistas aqui presentes. Agradeço o honroso convite da comunidade judaica do Rio de Janeiro para participar deste ato. Meu reconhecimento à Conib por estabelecer este encontro como uma referência para a comunidade judaica brasileira. Dessa forma, agradeço as lideranças e os rabinos que se deslocaram de seus estados para prestigiar o evento. Finalmente, minha homenagem à ONU por instituir, com total apoio do Brasil, o dia 27 de janeiro, como a data para relembrar em todo mundo, a tragédia e as vítimas do Holocausto.

Senhoras e senhores,

Participo desta cerimônia pelo terceiro ano consecutivo. Faço-o por ter a dimensão do que significa rememorar o terror e as iniqüidades cometidas pelo aparato do estado nazista contra o povo judeu. Aparato voltado também contra socialistas, social-democratas, comunistas, homossexuais, negros, testemunhas de Jeová, ciganos e portadores de doenças físicas. Lembranças tristes e trágicas como a do Holocausto, não devem e não podem ser apagadas, como não podem ser esquecidas todas as formas de intolerância, especialmente aquelas alçadas à condição de política de Estado.

Temos a responsabilidade e o dever de transmitir para todas as gerações que o anti-semitismo, o racismo, o preconceito e a intolerância atentam contra a dignidade humana e todos os valores mais profundos e sagrados da nossa civilização.

Precisamos nos manter vigilantes pois, infelizmente, alguns seres humanos foram capazes, são capazes, e ainda hoje ousam cometer todas as formas de violência contra esses valores. Sabemos que, frente à violência, os limites do ser humano são testados: de um lado, o da insanidade, da perversidade e da crueldade; do outro, a solidariedade, o altruísmo, a entrega e a compaixão. Penso que só seremos capazes de rejeitar, combater e aplacar todo tipo de intolerância, se formos sábios o suficiente para semear nos corações e mentes a repulsa ao ódio, à violência e à desumanidade. Reiterar com vigor os valores democráticos, o respeito inarredável à vida, à dignidade, à diversidade e aos direitos humanos.

Minhas amigas e meus amigos,

Com a memória da dor, aprendemos que é necessário lembrar e eternizar os heróicos exemplos de resistência à barbárie. É preciso lembrar e extrair lições dos momentos em que a justiça se impôs à estupidez, pela ação destemida de pessoas de bem, resgatar os ideais dos que resistiram (inaudível) daquele tempo. É preciso recordar. Aqui e em todo o mundo, homens e mulheres têm que estar unidos para impossibilitar a conspiração do esquecimento. É importante fazer a sociedade se lembrar sempre que o esquecimento está cheio de uma memória sufocada.

Hoje é dia de reverenciar todas as pessoas de coragem, que arriscaram suas vidas. E, por estarmos no Itamaraty, homenageio, na figura do embaixador brasileiro na França ocupada, Luís Martins de Sousa Dantas, os diplomatas e servidores de representações brasileiras que ousaram desafiar o III Reich, e salvaram centenas de judeus. Mais do que reverenciar os heróis, é preciso incorporar à nossa atuação cotidiana as lições que eles nos legaram. Só assim será possível impedir que se repitam os horrores da 2ª Guerra Mundial.

Com felicidade, podemos registrar que o Brasil é, hoje, uma das poucas democracias do mundo em que não há prescrição e nem fiança para crimes de racismo. Essa conceituação revela o objetivo do Estado, em respeito aos valores do povo brasileiro, de não aceitar e, ao mesmo tempo, combater qualquer espécie de discriminação.

O meu governo se empenha em fazer avançar a garantia dos direitos humanos. Para isso, tem se comprometido com ações práticas, no plano interno e no externo. Aproveitando que em 2008 o mundo comemora os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Brasil levou às Nações Unidas a proposta, aprovada no final do ano passado, de construir consensos em torno de metas mundiais referentes ao tema dos direitos humanos, repetindo o êxito da iniciativa em torno das Metas do Milênio. Por minha determinação, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos, comandada pelo meu companheiro, ministro Paulo Vannuchi, aqui presente, realizará em 2008 um grande mutirão de debates por todo o País, visando atualizar nosso Programa Nacional dos Direitos Humanos. Um dos propósitos do governo no campo dos direitos humanos é, precisamente, atrair para esse grande mutirão nacional a reflexão de toda a sociedade, contando com o envolvimento de três importantes setores da vida brasileira: a universidade, o Poder Judiciário e a mídia. As propostas que serão pactuadas terão, e espero que tenham, grande repercussão e efetividade, contando também, é claro, com as organizações da sociedade civil, entre elas, as da comunidade judaica.

Somos um país de índole pacífica e tolerante, e o caminho na luta contra todas as violências passa por reconhecer o problema e atacá-lo pela raiz. Reconhecer que a educação, com o seu papel emancipatório, pode criar o ambiente ideal para que a paz floresça num longo prazo, mudando a história, avançando na direção de um mundo mais justo, humano e solidário.

Para concluir, quero reafirmar que exemplos como este são profundamente educativos. Eles nos chamam a atenção para os grandes erros do passado, nos apontam alternativas possíveis e nos indicam que um futuro diferente é possível, desde que sejamos capazes de sonhá-lo e construí-lo juntos. Sei que enquanto faço o meu discurso, minhas palavras vão sendo registradas pela imprensa e certamente repercutirão, de alguma forma, na sociedade. Se fosse possível, o presidente da República bateria na porta de cada lar brasileiro, de cada escola, para fazer um apelo: que todos sejamos tolerantes, que deixemos a violência de lado. É possível construir um país mais pacífico, com cada um contribuindo com pequenos gestos no dia-a-dia e acreditando na utopia da paz.

Muito obrigado.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Holocausto: "anti-semitismo atenta contra a dignidade humana", disse o Presidente Lula

Entrada principal do campo nazista de extermínio de Auschwitz
Presidente anuncia atualização do Programa de Direitos Humanos

Lula participou no Rio de evento em homenagem a vítimas do Holocausto

DA SUCURSAL DO RIO - FOLHA DE SÃO PAULO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem que o país terá neste ano um mutirão para atualizar o Programa Nacional de Direitos Humanos. A declaração foi feita durante evento do Dia Internacional de Lembrança das Vítimas do Holocausto, no Rio.
"Um dos propósitos do governo no campo de direitos humanos é atrair a reflexão de toda a sociedade, contando com o envolvimento de três importantes setores: a universidade, o Poder Judiciário e a mídia", disse. O mutirão será coordenado pelo ministro Paulo Vanuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, e tem como objetivo atualizar propostas e planejar ações.
O evento foi organizado pela Federação Israelita do Rio de Janeiro. A data foi criada pela ONU em 2005 para marcar o dia de libertação do campo de extermínio de Auschwitz, no sul da Polônia, e marca o fim do terror nazista, em 27 de janeiro de 1945. Essa é a terceira vez que Lula participa da cerimônia, que contou com a presença de artistas e representantes da comunidade judaica.
Lula fez um apelo para que o país se torne mais pacífico. "Se eu pudesse, sairia por aí batendo na porta de cada residência, nas escolas, para fazer um apelo. Pedir para que as pessoas sejam mais tolerantes, que deixem a violência de lado. Pequenos gestos podem ajudar com que a gente continue acreditando na utopia da paz", disse o petista, no evento.
O presidente destacou que as lembranças do Holocausto não devem ser esquecidas. "Temos a responsabilidade, o dever de transmitir para todas as gerações que o anti-semitismo, o racismo, o preconceito e a intolerância atentam contra a dignidade humana", afirmou.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Desfazendo rumores: Obama e os judeus norte- americanos


Obama e família após a vitória em Iowa

O candidato democrata Barak Obama tem um histórico de amizades na comunidade judaico-americana. Na sua primeira eleição em Illinois, em 1996, ele recebeu o suporte de um dos mais influentes advogados de Chicago, Alan Solow. Oito anos mais tarde, concorrendo para o senado americano, o seu primeiro encontro político com apoiadores foi com Robert Schrayer, um líder filantropo judeu de Chicago. Em 2006, quando lançou seu nome como pre-candidato democrata às eleições presidenciais americanas, seu chefe de campanha para assuntos financeiros foi Alan Solomont, um conhecido filantropo de Boston que já havia trabalhado para o senador John Kerry em 2004.

O primeiro pronunciamento sobre política externa americana, na recente campanha, foi feito em março de 2007, num encontro promovido pela AIPAC, o comitê judaico-americano para assuntos da América e Israel. Obama escolheu Dennis Ross, o ex-consultor do presidente Clinton, que culpou a liderança palestina pelo fracasso do Tratado de Oslo, como seu conselheiro para assuntos de Oriente Médio. Nas ultimas pesquisas, 53 % dos judeus americanos votariam em Hillary Clinton e 38 % ficariam com Barak Obama.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Exodus 1947

Le bateau "Exodus-1947" lors de son arrivée au port d'Haifa, le 22 mars 1947. | AFP
Le bateau "Exodus-1947" lors de son arrivée au port d'Haifa, le 22 mars 1947
AFP

Ils avaient survécu aux camps de la mort, ils durent encore endurer, la guerre terminée, des traitements inhumains. En juillet 1947, 4 500 réfugiés juifs de différentes nationalités, dont 1 732 femmes et 955 enfants, quittaient le port de Sète (Hérault) sur un bateau de fortune baptisé Exodus-1947 dans l'espoir de gagner la "Terre promise". Mais le navire fut intercepté par la marine britannique au large de la Palestine. Les passagers, transférés sur trois bateaux-prisons, entassés dans des conditions sanitaires épouvantables, furent ramenés à Port-de-Bouc (Bouches-du-Rhône) dix-huit jours après leur départ.


Un "Auschwitz flottant" titre en "une" le quotidien marseillais Rouge Midi, qui relate, dans son édition du 30 juillet 1947, l'effroyable périple à travers la Méditerranée de ces émigrants que la France avait aidés, mais que les Britanniques, qui gouvernaient alors la Palestine, empêchèrent de rejoindre la "Terre promise".

Quarante ans après, Jean-Michel Vecchiet revient sur cet épisode tragique de l'après-guerre dans un documentaire bouleversant, Nous étions l'Exodus, diffusé dans la case "Infrarouge" sur France 2. Le journaliste et écrivain Jacques Derogy avait déjà consacré à cette histoire un livre, La Loi du retour (Fayard, 1998), considéré comme un ouvrage de référence et sur lequel s'est appuyé le réalisateur.

PÉRIPLE

A travers les témoignages de passagers, de membres de l'équipage, de personnes ayant participé à cette opération menée par l'organisation sioniste Haganah et d'anciens réseaux de résistants français, Jean-Michel Vecchiet retrace le périple de l'Exodus. Il s'est aussi appuyé sur des archives secrètes auxquelles lui ont donné accès le ministère de la défense israélien et le Palmach (unité d'élite de la future armée israélienne) à Tel-Aviv. Il a également pu consulter la correspondance entre les gouvernements anglais et français pendant ce tumultueux épisode diplomatique et les échanges de courriers entre les organisations juives de l'époque.

Surtout, le réalisateur a bénéficié d'un fonds d'archives photographiques et filmographiques exceptionnel, en partie fourni par les passagers et les membres de l'équipage qui lui ont ouvert leurs albums personnels. Ces illustrations, mises en valeur par une réalisation soignée, permettent au téléspectateur de revivre un épisode méconnu de l'histoire contemporaine qui, à l'époque, avait choqué l'opinion mondiale. Un an plus tard, l'Etat d'Israël était créé et les malheureux passagers de l'Exodus-1947, entre-temps transférés en Allemagne (!), pouvaient enfin voir leurs voeux d'immigration réalisés.


"Nous étions l'"Exodus"", jeudi 13 décembre, à 23 h 05 sur France 2.
Sylvie Kerviel

Vereador antisemita nega Holocausto no Rio de Janeiro


O Nazista Wilson Leite Passos protestou na última quinta-feira contra a aprovação do Projeto de Lei de minha autoria que obriga as escolas da rede Municipal a ministrarem noções do que foi o Holocausto Nazista nas aulas de história.

O anti-semita chegou ao cúmulo de negar a existência do Holocausto, afirmando:

“Não se pode impor as nossas crianças que aceitem como algo consagrado este ou aquele assunto que ainda está sendo debatido e discutido. Não faço esta manifestação como uma posição de agravo aqueles que procuram fazer do chamado Holocausto um assunto de grande importância para o conhecimento da Sociedade. É apenas para impedir que as nossas crianças sejam obrigadas a aceitar como fato consagrado a existência do Holocausto quando ainda existem dúvidas e discussões variadas em todo o mundo.”

Cabe esclarecer que todos os vereadores presentes à sessão não somente votaram favoravelmente ao meu projeto, como também aplaudiram entusiasticamente as minhas palavras de contestação ao que afirmava o anti-semita, quando declarei:

“Senhor Presidente, Senhores Vereadores, eu não sabia que na Câmara de Vereadores existia um louco como o presidente do Irã, Ahmadinejad que nega a existência do Holocausto. Esta é uma atitude completamente insane. Afirmar neste microfone, que é irrelevante o assassinato de seis milhões de pessoas, só um insano poderia fazer este tipo de declaração. Mas o que esperar de um vereador que apresentou Projeto de Lei propondo a eugenia, a raça pura...”

Peço aos Senhores Vereadores que aprovem o meu projeto, que visa ensinar às nossas crianças, o que foi o regime nazista que impôs o terror ao mundo e promoveu o assassinato bárbaro de seis milhões de judeus.

Lamento profundamente a posição contrária ao meu projeto, de um Vereador que, como eu disse há pouco, é um insano e peço que suas palavras sejam censuradas, para que a Sociedade que nos assiste não pense que esta é a posição da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Cabe ainda esclarecer que o louco Wilson Leite Passos fez questão que ficasse registrado o seu voto contrário.

Nestes momentos difíceis, mais uma vez, deixo para sua reflexão o quanto é importante ter representação judaica em todos os parlamentos, acima de tudo, uma representação identificada e corajosa, sem medo de dizer o que pensa.

Teresa Bergher - Vereadora

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Comunicado de la Confederación de Asociaciones Israelitas de Venezuela

"La Confederación de Asociaciones Israelitas de Venezuela, institución que representa a la comunidad judía, cumple con informar al país que el domingo 2 de diciembre fue allanado el Centro Social Cultural y Deportivo Hebraica, que también alberga nuestro colegio comunitario.
Efectivos de la DISIP se presentaron a las 12:40 a.m., cumpliendo una orden del Tribunal Tercero de Primera Instancia en Función de Control del Circuito Judicial Penal del Área Metropolitana de Caracas y del fiscal 41 del Ministerio Público del Área Metropolitana de Caracas. El allanamiento fue efectuado sin la presencia del fiscal del Ministerio Público.
Después de una exhaustiva revisión de las diferentes áreas de nuestra institución, los funcionarios se retiraron dejando constancia en acta de que no se encontró ninguna situación irregular.
La comunidad judía de Venezuela con más de doscientos años de presencia nacional, aporta y coopera pacífica, democrática y de manera entusiasta al desarrollo del país, siendo sus actuaciones apegadas al marco de la ley.
Denunciamos este nuevo e injustificable hecho contra la comunidad judía venezolana, al tiempo que expresamos nuestro rechazo y profunda indignación.
Es por ello que exigimos a las autoridades competentes una exhaustiva investigación sobre lo ocurrido, que a todas luces, intenta crear tensiones innecesarias entre la comunidad de venezolanos judíos y el gobierno nacional.
De acuerdo a nuestros principios, reiteramos el llamado a la paz, fraternidad y concordia entre todos los venezolanos sin distinciones de ninguna índole."

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Yiddish Muzikalisher Tango

Metropolitan Klezmer's "Yiddish Celluloid Closet" version of Muzikalisher Tango. Live band footage intercuts with pivotal revelatory moments in the nightclub scene of Yiddish screwball comedy "American Matchmaker" [Americaner Schadchen, 1940]. This bittersweet lyric from the film is revealed to have a coming-out subtext, and while onscreen text elucidates some of the film's wordplay and plot twists, the band plays fabulous horn section and accordion solos in the octet's arrangement of the same song. Leo Fuchs plays dapper closet case Nat Gold in the original soundtrack version, meeting his matchmaking client (Judith Abarbanel) at a swank New York nightclub. Director Edgar Ulmer and his cast enjoy plenty of onscreen in-jokes, even feygele triple entendres. The "musical" tango can be enjoyed on many levels... an homage to Vito Russo's original 'Celluloid Closet.'

Band:
Deborah Karpel, vocals
Ismail Butera, accordion
Debra Kreisberg, alto saxophone
Pam Fleming, trumpet
J. Walter Hawkes, trombone
Michael Hess, violin
Dave Hofstra, upright bass
Eve Sicular, drums

Videography by Bill Poznanski a.k.a.
Bill Imprint
Additional camera by Sasha Wortzel
Edited by Rich Brotman & Eve Sicular, facilities by Magnetic Post Production

sábado, 13 de outubro de 2007

Aribert Heim : une affaire classée


L e docteur Aribert Heim figure en deuxième position sur la liste des dix criminels de guerre nazis les plus recherchés, publiée en 2006 par le Centre Simon-Wiesenthal. Il est seulement devancé par Aloïs Brunner, l'adjoint d'Adolf Eichmann, vraisemblablement mort en Syrie, il y a plusieurs années. La capture de celui que l'on surnommait "Doctor Tod" (Docteur la Mort), responsable de l'assassinat de milliers de juifs et de résistants espagnols au camp de concentration de Mauthausen, reste un enjeu majeur. Efraïm Zuroff, le patron du Centre Simon-Wiesenthal, vient encore de lancer une vaste campagne, baptisée "opération de la dernière chance". Son objectif : traquer les derniers criminels nazis.

Heim a disparu depuis 1962. La police allemande s'apprêtait alors à arrêter ce paisible père de famille, gynécologue à Baden-Baden. Il a pu quitter à la hâte son domicile après avoir reçu un coup de fil d'un ami haut placé. Heim aurait été depuis aperçu en Egypte, travaillant pour la police de Nasser. En Uruguay, dans un sanctuaire d'anciens SS exfiltrés.

En 1985, la police de Stuttgart croit savoir qu'il se serait réfugié en Amazonie. La chasse s'est poursuivie en Espagne, à Ibiza. En 2005, Heim était donné résident au Chili. La police criminelle du Land de Bade-Wurtemberg a lancé la même année un nouvel avis de recherche assorti d'une récompense de 130 000 euros. En juillet, l'Autriche, d'où est originaire Aribert Heim, a promis une prime de 50 000 euros pour sa capture.

LA CHOUETTE

Cet avis de recherche n'a plus lieu d'être. C'est ce que révèle Danny Baz dans un ouvrage autobiographique, Ni oubli ni pardon. Au coeur de la traque du dernier nazi, que publieront les éditions Grasset le 16 octobre. Aribert Heim serait mort fin 1982, capturé au Canada, "jugé" et exécuté à l'île de Santa Catalina au large de la côte californienne, par une organisation clandestine et illégale, La Chouette. Celle-ci avait pour mission de traquer et d'arrêter les derniers grands criminels nazis réfugiés clandestinement en Amérique du Nord et du Sud.

Danny Baz est un colonel de l'armée de l'air israélienne, spécialiste des opérations commando et des missions secrètes. Il était aussi l'un des membres de La Chouette, tous fils ou petits-fils de survivants de la Shoah. Parmi ses camarades, certains étaient d'anciens commandos du Vietnam. Beaucoup occupaient, au moment des faits, des responsabilités au sein de l'administration américaine. Ils connaissaient la présence de criminels nazis sur le territoire américain.

Le mot d'ordre de La Chouette est "Souviens-toi, ne pardonne pas, poursuis-les pas à pas". Ce qu'elle fera jusqu'à sa dissolution, à la fin des années 1980, une fois son objectif principal atteint. Elle a ainsi exécuté durant cette période des membres du "peloton de choc 5" qui massacrèrent les juifs des Balkans, ainsi que des affidés du groupe hongrois des Croix fléchées, soutien actif de la politique hitlérienne, qui se livra au massacre des juifs de Budapest à l'automne 1944. L'élimination d'Heim restera leur grand fait d'armes.

Pourquoi cette cible-là ? Le choix s'explique par le parcours du patron de La Chouette. C'est un rescapé des camps qui a fait fortune dans le pétrole, au Texas et en Alaska. Il finance cette chasse par tranches symboliques de 6 millions de dollars. Surnommé "Barney" dans le livre - l'identité des membres de l'organisation n'y est jamais divulguée -, il a subi les sévices du docteur Heim.

Entre octobre et novembre 1941, le médecin a passé sept semaines au camp d'extermination de Mauthausen. Il y a pratiqué la vivisection, sans anesthésie, sur des détenus, leur retirant les organes l'un après l'autre, pour noter leur temps de survie. Le "boucher de Mauthausen" sera arrêté le 15 mars 1945 par les Américains. Il fait deux ans de travaux forcés dans une saline. Il est curieusement relâché en 1947, tandis que les autres médecins de Mauthausen ont été jugés et, pour la plupart, exécutés. La seule explication tient au contexte nouveau de la guerre froide. La traque des agents d'Hitler n'est plus une priorité. Certains ont obtenu l'immunité en échange d'informations.

"SIFFLER LA FIN DE LA PARTIE"

Le livre de Danny Baz peut susciter la défiance. Pourquoi avoir attendu vingt-cinq ans pour annoncer la liquidation de celui qui était, hier encore, le plus célèbre criminel nazi vivant ? La nécessité de garder le secret et l'anonymat des membres de l'organisation, liés pour certains à la CIA ou au FBI, et donc en porte à faux avec la loi américaine, est le principal argument avancé par Danny Baz. Il défie quiconque de lui prouver qu'Heim est toujours vivant. Ce dernier aurait fêté ses 93 ans au moins de juin. Un âge très avancé pour continuer à courir le monde comme il est censé le faire depuis 1962. "Il est temps de siffler la fin de la partie, écrit Baz. Quarante-cinq ans de cavale font de cet homme un sérieux candidat au livre des records." Pour Danny Baz, la légende d'un Aribert Heim insaisissable a été alimentée par les réseaux qui ont protégé sa fuite. Ils ne pouvaient annoncer la mort de leur protégé sans se dévoiler.

Le récit minutieux de cette traque semble probant. Il apporte des éléments sur les circuits financiers qui ont permis aux criminels nazis de s'en sortir. Heim possédait un immeuble d'habitation à Berlin, dont il tirait toujours des revenus en 1978-1979, collectés par sa soeur Herta. N'ayant pas été déclaré officiellement mort, il continue toujours de toucher sa retraite. Sur son compte, dans une filiale de la banque Berliner Sparkasse, dort 1,2 million de dollars. Danny Baz en donne même le numéro (0063282107).


"Ni oubli ni pardon. Au coeur de la traque du dernier nazi", de Danny Baz. Editions Grasset (sortie le 16 octobre). 317 p., 16,90 €.

Samuel Blumenfeld - Le Monde