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terça-feira, 29 de janeiro de 2008

DIA MUNDIAL DE LEMBRANÇA DAS VITIMAS DO HOLOCAUSTO

Lembrar sempre, não esquecer jamais



Vídeo da solenidade nacional no Rio de Janeiro, organizada pela ONU e FIERJ. A data da ONU é dia 27 de janeiro, a data do evento é dia 25 de janeiro


ASSISTA AO EMOCIONANTE DEPOIMENTO DO BRIGADEIRO RUY MOREIRA LIMA Piloto da FEB na II Guerra Mundial

domingo, 27 de janeiro de 2008

Holocausto: "Unidos para evitar a conspiração do esquecimento"

Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia alusiva ao Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

Palácio do Itamaraty - Rio de Janeiro (RJ), 25 de janeiro de 2008



Foto de Monumento al Holocausto

Monumento as vítimas do Holocausto, Berlim


Meus amigos, minhas amigas,

Eu acho que se nós tivéssemos encerrado este ato na fala do brigadeiro Ruy Moreira Lima, já estaria de bom tamanho o ato, porque é a testemunha viva do que aconteceu lá. Eu ainda não tinha nascido. Portanto, Deus o preserve por mais algumas décadas para contar essas histórias em outros dias 25 de janeiro.

Minhas amigas, meus amigos, jornalistas aqui presentes. Agradeço o honroso convite da comunidade judaica do Rio de Janeiro para participar deste ato. Meu reconhecimento à Conib por estabelecer este encontro como uma referência para a comunidade judaica brasileira. Dessa forma, agradeço as lideranças e os rabinos que se deslocaram de seus estados para prestigiar o evento. Finalmente, minha homenagem à ONU por instituir, com total apoio do Brasil, o dia 27 de janeiro, como a data para relembrar em todo mundo, a tragédia e as vítimas do Holocausto.

Senhoras e senhores,

Participo desta cerimônia pelo terceiro ano consecutivo. Faço-o por ter a dimensão do que significa rememorar o terror e as iniqüidades cometidas pelo aparato do estado nazista contra o povo judeu. Aparato voltado também contra socialistas, social-democratas, comunistas, homossexuais, negros, testemunhas de Jeová, ciganos e portadores de doenças físicas. Lembranças tristes e trágicas como a do Holocausto, não devem e não podem ser apagadas, como não podem ser esquecidas todas as formas de intolerância, especialmente aquelas alçadas à condição de política de Estado.

Temos a responsabilidade e o dever de transmitir para todas as gerações que o anti-semitismo, o racismo, o preconceito e a intolerância atentam contra a dignidade humana e todos os valores mais profundos e sagrados da nossa civilização.

Precisamos nos manter vigilantes pois, infelizmente, alguns seres humanos foram capazes, são capazes, e ainda hoje ousam cometer todas as formas de violência contra esses valores. Sabemos que, frente à violência, os limites do ser humano são testados: de um lado, o da insanidade, da perversidade e da crueldade; do outro, a solidariedade, o altruísmo, a entrega e a compaixão. Penso que só seremos capazes de rejeitar, combater e aplacar todo tipo de intolerância, se formos sábios o suficiente para semear nos corações e mentes a repulsa ao ódio, à violência e à desumanidade. Reiterar com vigor os valores democráticos, o respeito inarredável à vida, à dignidade, à diversidade e aos direitos humanos.

Minhas amigas e meus amigos,

Com a memória da dor, aprendemos que é necessário lembrar e eternizar os heróicos exemplos de resistência à barbárie. É preciso lembrar e extrair lições dos momentos em que a justiça se impôs à estupidez, pela ação destemida de pessoas de bem, resgatar os ideais dos que resistiram (inaudível) daquele tempo. É preciso recordar. Aqui e em todo o mundo, homens e mulheres têm que estar unidos para impossibilitar a conspiração do esquecimento. É importante fazer a sociedade se lembrar sempre que o esquecimento está cheio de uma memória sufocada.

Hoje é dia de reverenciar todas as pessoas de coragem, que arriscaram suas vidas. E, por estarmos no Itamaraty, homenageio, na figura do embaixador brasileiro na França ocupada, Luís Martins de Sousa Dantas, os diplomatas e servidores de representações brasileiras que ousaram desafiar o III Reich, e salvaram centenas de judeus. Mais do que reverenciar os heróis, é preciso incorporar à nossa atuação cotidiana as lições que eles nos legaram. Só assim será possível impedir que se repitam os horrores da 2ª Guerra Mundial.

Com felicidade, podemos registrar que o Brasil é, hoje, uma das poucas democracias do mundo em que não há prescrição e nem fiança para crimes de racismo. Essa conceituação revela o objetivo do Estado, em respeito aos valores do povo brasileiro, de não aceitar e, ao mesmo tempo, combater qualquer espécie de discriminação.

O meu governo se empenha em fazer avançar a garantia dos direitos humanos. Para isso, tem se comprometido com ações práticas, no plano interno e no externo. Aproveitando que em 2008 o mundo comemora os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Brasil levou às Nações Unidas a proposta, aprovada no final do ano passado, de construir consensos em torno de metas mundiais referentes ao tema dos direitos humanos, repetindo o êxito da iniciativa em torno das Metas do Milênio. Por minha determinação, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos, comandada pelo meu companheiro, ministro Paulo Vannuchi, aqui presente, realizará em 2008 um grande mutirão de debates por todo o País, visando atualizar nosso Programa Nacional dos Direitos Humanos. Um dos propósitos do governo no campo dos direitos humanos é, precisamente, atrair para esse grande mutirão nacional a reflexão de toda a sociedade, contando com o envolvimento de três importantes setores da vida brasileira: a universidade, o Poder Judiciário e a mídia. As propostas que serão pactuadas terão, e espero que tenham, grande repercussão e efetividade, contando também, é claro, com as organizações da sociedade civil, entre elas, as da comunidade judaica.

Somos um país de índole pacífica e tolerante, e o caminho na luta contra todas as violências passa por reconhecer o problema e atacá-lo pela raiz. Reconhecer que a educação, com o seu papel emancipatório, pode criar o ambiente ideal para que a paz floresça num longo prazo, mudando a história, avançando na direção de um mundo mais justo, humano e solidário.

Para concluir, quero reafirmar que exemplos como este são profundamente educativos. Eles nos chamam a atenção para os grandes erros do passado, nos apontam alternativas possíveis e nos indicam que um futuro diferente é possível, desde que sejamos capazes de sonhá-lo e construí-lo juntos. Sei que enquanto faço o meu discurso, minhas palavras vão sendo registradas pela imprensa e certamente repercutirão, de alguma forma, na sociedade. Se fosse possível, o presidente da República bateria na porta de cada lar brasileiro, de cada escola, para fazer um apelo: que todos sejamos tolerantes, que deixemos a violência de lado. É possível construir um país mais pacífico, com cada um contribuindo com pequenos gestos no dia-a-dia e acreditando na utopia da paz.

Muito obrigado.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Holocausto: "anti-semitismo atenta contra a dignidade humana", disse o Presidente Lula

Entrada principal do campo nazista de extermínio de Auschwitz
Presidente anuncia atualização do Programa de Direitos Humanos

Lula participou no Rio de evento em homenagem a vítimas do Holocausto

DA SUCURSAL DO RIO - FOLHA DE SÃO PAULO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem que o país terá neste ano um mutirão para atualizar o Programa Nacional de Direitos Humanos. A declaração foi feita durante evento do Dia Internacional de Lembrança das Vítimas do Holocausto, no Rio.
"Um dos propósitos do governo no campo de direitos humanos é atrair a reflexão de toda a sociedade, contando com o envolvimento de três importantes setores: a universidade, o Poder Judiciário e a mídia", disse. O mutirão será coordenado pelo ministro Paulo Vanuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, e tem como objetivo atualizar propostas e planejar ações.
O evento foi organizado pela Federação Israelita do Rio de Janeiro. A data foi criada pela ONU em 2005 para marcar o dia de libertação do campo de extermínio de Auschwitz, no sul da Polônia, e marca o fim do terror nazista, em 27 de janeiro de 1945. Essa é a terceira vez que Lula participa da cerimônia, que contou com a presença de artistas e representantes da comunidade judaica.
Lula fez um apelo para que o país se torne mais pacífico. "Se eu pudesse, sairia por aí batendo na porta de cada residência, nas escolas, para fazer um apelo. Pedir para que as pessoas sejam mais tolerantes, que deixem a violência de lado. Pequenos gestos podem ajudar com que a gente continue acreditando na utopia da paz", disse o petista, no evento.
O presidente destacou que as lembranças do Holocausto não devem ser esquecidas. "Temos a responsabilidade, o dever de transmitir para todas as gerações que o anti-semitismo, o racismo, o preconceito e a intolerância atentam contra a dignidade humana", afirmou.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Nunca mais

Sergio Niskier, presidente da FIERJ
O GLOBO

SERGIO NISKIER

Passados 60 anos da libertação do campo de concentração de Auschwitz, no Sul da Polônia, ainda encontramos quem conteste a existência do Holocausto e pregue abertamente as teorias nazistas. E não apenas nos rincões afastados da civilização, sem maiores oportunidades de acesso à informação. Os idólatras de Hitler se encontram em todos os lugares, até mesmo aqui, em nossa Cidade Maravilhosa.

Não podemos minimizar o assunto. Esses indivíduos não são pobres coitados ignorantes, desculpa dada muitas vezes para se tentar esconder a gravidade do problema.

São políticos, intelectuais, professores, jornalistas, que têm em comum o vírus do preconceito.

Muitas vezes disfarçados de democratas, não escondem o ódio racista.

E isso ocorre em diversos lugares do mundo. O Irã faz campanha de mídia para aproveitar a ignorância e a preguiça da sociedade em uma tentativa de apagar da História uma das maiores tragédias já ocorridas na Humanidade.

Auschwitz é sinônimo de besta e de fera. Nos remete ao que de pior pode haver no gênero humano. Durante a Segunda Guerra Mundial, no período do Holocausto, mais de 50 milhões de pessoas morreram vitimadas pela loucura nazista. Mortos não apenas nos campos de batalha, mas também de forma metódica, industrial, em fornos crematórios, câmaras de gás, tortura indiscriminada, fuzilamentos, enforcamentos, experiências médicas ultrajantes, fome, doença. Grupo escolhido como bode expiatório, os judeus sofreram a maior perda com 6 milhões de assassinados, entre eles 1,5 milhão de crianças. Mas não estavam sós na destruição de suas vidas vitimadas pelo preconceito.

A criminosa fúria racista atingiu indiscriminadamente testemunhas de Jeová, ciganos, homossexuais, comunistas, negros, opositores do regime nazista. O racismo nunca atinge um único grupo.

A intolerância é uma praga que contamina a sociedade. A ninguém deve ser dado o direito de não aprender com a História. Ao nos defrontarmos com o preconceito, contra quem quer que seja, por menor que seja, estamos sendo todos atingidos, ainda que naquele momento a ação não nos atinja diretamente. Devemos reagir imediatamente e sempre de forma solidária.

Sem hesitação e sem medo. Sem o silêncio dos covardes.

Nosso país ocupa um papel importante no cenário das nações.

A participação brasileira nos campos da Europa durante a Segunda Guerra Mundial foi coberta de glórias. Nosso sangue também foi derramado para garantir o fim do fascismo e do risco de o mundo se tornar um império da maldade e do ódio. Também somos vítimas do Holocausto.

O Reich tornou legal odiar, discriminar, matar por preconceito, torturar, destruir. E isso não aconteceu em algum local intelectual e financeiramente atrasado. Ocorreu em um país onde os desenvolvimentos técnico, científico, cultural e social eram dos maiores do mundo.

No Brasil, mostramos com uma legislação anti-racista, a Lei Caó, que nosso povo não aceita conviver com o ódio. Outras leis e medidas, em vários estados, garantem a resposta legal e policial contra o preconceito.

Um exemplo é a criação dentro da estrutura do Estado de órgãos onde governo e sociedade civil se unem para lutar contra o racismo, como o Conselho Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, dentro da SEPPIR, criada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pela participação histórica do Brasil na luta pelas causas libertárias e pelo fim do preconceito dentro de nossas fronteiras, precisamos mostrar a voz brasileira, de forma clara e transparente, honrando nosso passado de luta, e dizendo: Holocausto nunca mais.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

DIA INTERNACIONAL DE LEMBRANÇA


A FIERJ-Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro, e o Escritório da ONU em nosso país, irão realizar no próximo dia 25 de janeiro, das 10h30às 12h00, no Palácio Itamaraty, à Rua Marechal Floriano 196, um ato público em honra ao DIA INTERNACIONAL DE LEMBRANÇA DAS VÍTIMAS DO HOLOCAUSTO.

Esta data, criada pela ONU para marcar o Dia de Libertação do Campo de Extermínio de Auschwitz, foi criada com a recomendação para que sejam promovidas ações políticas e educacionais em todos os países membros da ONU.

A exemplo de anos anteriores, quando a FIERJ e a ONU marcaram a data, também este ano teremos este evento, desta vez, amplificado pela honrosa presença do Exmo. Sr. Presidente da República Luis Inácio Lula da Silva, do Exmo. Sr. Governador do Estado do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, do Exmo. Sr. Governador do Estado da Bahia Jaques Wagner, diversas autoridades de todos os escalões, militares, ex-combatentes brasileiros e de nações amigas, partisans, líderes comunitários e religiosos.

Além das manifestações das autoridades em alusão à data, haverá também a inauguração da exposição organizada pelo Museu Judaico do Rio de Janeiro, HOLOCAUSTO NUNCA MAIS.

A presença de todos é muito importante, pela memória dos que tombaram, e pelo alto significado da luta contra o preconceito, o racismo, a discriminação, o anti-semitismo, e todas as demais formas de intolerância correlata, e principalmente contra o esquecimento e a tentativa de apagar o Holocausto da história, perpetrado pelo idólatras do fascismo e do nazismo.

Sergio Niskier - presidente da FIERJ