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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Indústria prevê demanda interna aquecida no 1º semestre


Arnaldo Galvão - VALOR

Pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que os empresários do setor continuam otimistas com relação à demanda interna no primeiro semestre. Na avaliação do economista-chefe da entidade, Flávio Castelo Branco, o forte nível de atividade verificado no ano passado já está praticamente garantido nos primeiros seis meses de 2008. "Os aumentos da renda, crédito e investimentos transbordam para 2008. Não acredito em reflexos da crise financeira internacional nesse período. Uma eventual queda da demanda americana teria impactos no segundo semestre", disse Castelo Branco.


O mesmo sentimento, porém, não foi apurado pela CNI quando a pesquisa Sondagem Industrial tratou das exportações. Prejudicadas pela valorização do real, as perspectivas dos empresários foram pessimistas pelo quarto trimestre consecutivo. Os segmentos de madeira e minerais não-metálicos aguardam as maiores quedas nos embarques para o exterior. Dos 27 setores ouvidos, apenas 12 esperam aumento das exportações.


A CNI ouviu 1.394 representantes de grandes, médias e pequenas indústrias em todo o país entre 2 e 22 de janeiro, já contando, portanto, com o pacote do governo que aumentou a carga do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos. As fortes quedas nas principais bolsas do mundo, ocorridas em 21 de janeiro, tiveram pouca ou nenhuma influência no resultado.


Além das perspectivas para o semestre, a Sondagem Industrial registrou a avaliação dos empresários sobre o quarto trimestre de 2007. As fortes vendas fizeram com que, pela primeira vez em três anos, os estoques ficassem abaixo do planejado. Isso, segundo a CNI, significa a necessidade de reposição e, portanto, maior produção.


A falta de mão-de-obra qualificada está prejudicando um número cada vez maior de indústrias. Se as grandes apontavam esse como um dos principais problemas, a Sondagem revelou que a deficiência ganhou importância também para pequenas e médias empresas do setor. "A escolaridade média é o calcanhar-de-aquiles do trabalhador brasileiro", afirmou Castelo Branco.


Segundo a pesquisa da CNI, além do otimismo para este semestre, a expectativa dos industriais é de regularidade e homogeneidade no ritmo de crescimento, intensificação do uso da capacidade instalada e adequação dos estoques ao planejado.


Os dados mostraram que 2007 teve três trimestres consecutivos de aumento da produção em quase todos os setores. Dos 27 segmentos consultados, 25 responderam que houve aumento da atividade, com destaque para bebidas, vestuário, limpeza/perfumaria e máquinas/equipamentos. Madeira e álcool - este por razões sazonais - informaram queda na produção. Essa homogeneidade também foi verificada na criação de empregos. Apenas calçados, madeira e álcool reduziram postos de trabalho no quarto trimestre.


O uso da capacidade instalada aumentou em todos os tamanhos de indústrias, mas isso ocorreu com mais intensidade nas pequenas e médias, que não realizaram investimentos na mesma proporção das grandes empresas. No último trimestre, a CNI verificou que melhorou a percepção das condições financeiras devido à maior atividade econômica. Mas as respostas mostram que continua difícil o acesso ao crédito. "O custo financeiro é crítico para a produção. A interrupção da queda dos juros e o aumento da carga tributária devem agravar esse quadro", avaliou o economista.


A carga tributária é o maior problema das indústrias, independentemente de seu tamanho. A pesquisa da CNI mostrou que para as pequenas empresas do setor, competição acirrada e juros elevados também atrapalham. No grupo das médias indústrias, a taxa de câmbio é apontada como o terceiro maior problema. Para as grandes empresas, câmbio e juros elevados ganharam importância no quarto trimestre de 2007.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Governo Lula: Criação de empregos formais bate recorde e atinge 1,6 milhão

Milhares de pessoas fazem fila para se inscrever em cursos de profissionalização no Recife (Foto: Agência Estado)



FONTE ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília

A geração de empregos formais em 2007 chegou ao maior patamar já registrado pelo Ministério do Trabalho. No ano passado, o saldo entre admissões e demissões ficou em 1.617.392, número 31,62 % superior ao saldo de 2006, de 1.228.686 de vagas, e também acima do recorde anterior, de 2004 (1.526.276).

Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que reúne as informações dos trabalhadores contratados sob o regime da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), mas exclui os trabalhadores domésticos.

Ao todo, o ano passado terminou com 29.281.974 de pessoas com registro em carteira de trabalho. O setor que mais emprega formalmente hoje é o de serviços, com 11,683 milhões de vagas. O Ministério do Trabalho atribui isso ao dinamismo do desempenho da economia.

O setor que mais gerou empregos no acumulado do ano foi o de serviços, com 587.103 novos postos de trabalho. Já o comércio apresentou 405.091 novos postos com carteira assinada, e a indústria de transformação, 394.584 vagas. A construção civil e a agropecuária foram setores que tiveram uma criação de empregos formais menos intensa, respectivamente com 176.755 e 21.093 registros em carteira.

De acordo com o Caged, um em cada três empregos foi criado no Estado de São Paulo, que fechou 2007 com saldo recorde de 611.539 postos --38% do total do o país. Em seguida aparecem Minas Gerais (168,4 mil), Rio de Janeiro (144,8 mil) e Paraná (122,4 mil).

"2008, para mim, vai ser um ano melhor que 2007. O PIB vai crescer mais de 5% e a geração de empregos vai ficar e torno de 1,8 milhão de novos postos de trabalho, podendo chegar a 2 milhões", afirmou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.

Ele ressaltou o crescimento dos investimentos estrangeiros no país, inclusive de pessoas físicas no Nordeste. Segundo ele, essa é uma das razões para o desempenho do setor de serviços.

Além disso, de acordo com Lupi, o setor de construção será beneficiado pelo aumento de recursos no Orçamento do FGTS.

Segundo dados divulgados hoje pela (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), o financiamento da casa própria com recursos da poupança atingiu R$ 18,302 bilhões e 195.981 unidades em 2007, no maior patamar registrado há 19 anos, de 181,8 mil imóveis em 1988.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Setor têxtil quer modificar acordo feito com chineses


Rafael Rosas VALOR

As importações de países asiáticos, notadamente a China, continuam trazendo preocupações para o setor têxtil brasileiro. Para este ano, um dos objetivos das indústrias têxteis e de confecções é dar novos moldes ao acordo iniciado com o governo chinês em 2006 e que prevê a limitação do crescimento de importações de oito categorias de têxteis, o que significa teto de avanço anual para 72 produtos. Em 2007, as importações da China representaram 39% de tudo o que foi comprado pelo Brasil em produtos têxteis no exterior.


Ainda neste semestre chega ao Brasil uma missão chinesa que iniciará com o governo brasileiro e empresários do setor as tratativas para a adequação do acordo às novas condições de comércio. Em 2006, quando foi criado, o acordo, que tem validade até o fim deste ano, abarcava 65% da corrente de comércio de têxteis entre os dois países e previa tetos anuais de crescimento de 8% a 25% para os produtos. Atualmente, os itens discriminados representam apenas 20% dessa corrente de comércio.


"Pleiteamos a inclusão de novas categorias no acordo", diz Fernando Pimentel, superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Para Aguinaldo Diniz, presidente da Abit, uma das formas de reduzir o déficit da balança comercial de têxteis, que em 2007 subiu 1.864% e atingiu US$ 648 milhões, é buscar formas tributárias isonômicas em relação a países asiáticos.


"O dólar facilitou as importações. Mas não dá para questionar o dólar, que é definido pelo mercado. Devemos é ter tributos mais isonômicos. A carga tributária é um problema e é fundamental que haja uma reforma", afirma Diniz.


O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Alessandro Teixeira, ressalta que o acordo com a China contribuiu para que o preço médio das importações de têxteis a partir da Ásia subisse de US$ 8 por quilo em 2006 para os atuais US$ 16 por quilo, fruto da redução do subfaturamento dos produtos vindos da região nas categorias incluídas no entendimento entre os dois países.


Teixeira é otimista em relação às negociações e diz que o governo chinês demonstra interesse em reduzir o subfaturamento, o contrabando e aumentar a qualidade dos produtos têxteis do país. Para ele, o governo chinês tem cooperado e novos tópicos deverão ser negociados para um novo entendimento.


"No cenário internacional isso causa problema à China. Os Estados Unidos têm feito um esforço enorme para limitar as importações a partir da China, alegando que são contrabandeadas ou subfaturadas", frisa o executivo.


Mas em um cenário de aumento das importações a partir da China, a Apex vislumbra possibilidades de aumentar as vendas para o país asiático. Segundo Teixeira, as empresas brasileiras devem tentar mostrar que "ser fashion na China é usar moda brasileira".

Déficit comercial de têxteis cresce 1.864%


Importação da China é o principal motivo do resultado ruim em 2007
Clarissa Thomé, RIO O Estado de São Paulo

A indústria têxtil registrou déficit na balança comercial de US$ 648 milhões em 2007 - um crescimento de 1.864% em relação ao ano anterior, quando o saldo negativo ficou em US$ 33 milhões. As exportações cresceram de US$ 2,1 bilhões para US$ 2,4 bilhões, mas foram em muito superadas pelas importações, que passaram de US$$ 2,1 bilhões para US$ 3 bilhões. Os dados foram divulgados ontem pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), na semana de moda outono/inverno carioca, o Fashion Rio, que começou na segunda-feira e amanhã.

Para o presidente da Abit, Aguinaldo Diniz, o crescimento do déficit comercial se deu basicamente por causa das importações, principalmente, da China. “Esse crescimento nos preocupa, é um número relevante, mas temos um setor sólido e vamos reverter essa curva.”

O acordo bilateral Brasil-China vigora desde 2006 e se encerra este ano. O setor têxtil quer garantias, como a desoneração fiscal da cadeia produtiva e o aumento da fiscalização alfandegária, para que o produto brasileiro possa competir em condições de igualdade. “Precisamos ter tratativas e métodos de controle para evitar subfaturamento, falsas classificações e triangulações na importação, que fazem o produto brasileiro ficar em desvantagem”, ressaltou o diretor-superintendente da Abit, Fernando Pimentel.

Gestor do Programa Estratégico da Cadeia Têxtil Brasileira (TexBrasil), Rafael Cervone, afirmou que a indústria têxtil brasileira não quer “competir com a China com produtos de massa”. “Eles fazem isso bem. Queremos é negociar lotes menores, praticamente exclusivos, uma moda mais rápida, mais curta, e com a criatividade brasileira que eles não têm.”

O setor têxtil brasileiro é formado por 30 mil empresas, gera 1,65 milhão de empregos no País e é responsável por 17,5% do Produto Interno Bruto (PIB) da Indústria de Transformação.

sábado, 29 de dezembro de 2007

Demanda por bens industriais é a maior desde 1987

Empresas iniciam 2008 com estoques baixos, segundo FGV

O Globo

 SÃO PAULO. A indústria brasileira assistiu em dezembro a um ritmo de encomendas como não via há tempos. A Sondagem da Indústria de Transformação, divulgada ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV), mostra que para 37% das empresas a demanda este mês esteve forte, e para apenas 8% foi fraca. Trata-se do maior percentual de demanda aquecida desde janeiro de 1987, auge do Plano Cruzado.

Para 7% das empresas, os estoques eram insuficientes, e excessivos para apenas 5%, o que resulta num índice de 102 pontos nesse quesito.

— Historicamente, esse indicador está abaixo de cem pontos e, ultimamente, vem se mantendo acima dessa marca, o que significa que as empresas estão com estoques enxutos e que a economia entra aquecida em janeiro — disse o coordenador técnico da sondagem industrial da FGV, Jorge Braga.

Nos setores de confecções e calçados, 22% e 15% dos empresários informaram estar sem estoques. Já o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da indústria caiu em dezembro: foi de 86,7% este mês, contra 87,2% em novembro.

(Ronaldo D’Ercole)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

PIB cresce 1,7% no 3º trimestre e 5,7% frente a 2006, diz IBGE


CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio


A economia brasileira cresceu 1,7% no terceiro trimestre deste ano frente ao trimestre imediatamente anterior, divulgou nesta quarta-feira o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na comparação com o mesmo trimestre de 2006, o PIB teve um crescimento de 5,7%. Em valores, o PIB brasileiro totalizou no trimestre passado R$ 645,2 bilhões.

O desempenho superou as expectativas dos analistas de mercado que projetavam crescimento de 1,5% contra o segundo trimestre de 2007 e de 5,1% ante o terceiro trimestre de 2006.

O destaque principal da economia brasileira no período foi o setor agropecuário, que mostrou crescimento de 7,2% em relação ao segundo trimestre deste ano. Na mesma comparação, a indústria teve crescimento de 1,8% e o setor de serviços, de 1,2%.

Entenda o que é o PIB e como é feito seu cálculo

De janeiro a setembro de 2007, o PIB teve expansão de 5,3% na comparação com igual período de 2006, ficando no maior patamar desde 2004. No acumulado dos 12 meses até setembro, o crescimento foi de 5,2%, na comparação com os 12 meses imediatamente anteriores --também a maior expansão desde 2004.

Pela ótica da demanda, o consumo das famílias e a Formação Bruta de Capital Fixo (que sinaliza os investimentos) apresentaram respectivamente expansões de 1,5% e 4,5% --na comparação com o segundo trimestre deste ano. Pelo lado do setor externo, as exportações apresentaram crescimento de 1,4%, enquanto as importações tiveram elevação de 9,1%.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2006, o maior destaque foi o crescimento de 14,4% da Formação Bruta de Capital Fixo, explicado principalmente, segundo o IBGE, pelo aumento da produção e da importação de máquinas e equipamentos. Já o consumo das famílias teve taxa positiva de 6%, o 16º crescimento consecutivo nessa comparação.

As exportações, por sua vez, mantiveram-se em crescimento (1,8%), apesar da desaceleração, e as importações de bens e serviços cresceram 20,4%.

Setor

Por setor de atividade, no terceiro trimestre o maior destaque foi a agropecuária (que cresceu 7,2%), seguida pela indústria (1,8%) e pelos serviços (1,2%). Em relação ao terceiro trimestre de 2006, a agropecuária teve crescimento de 9,2%; a indústria registrou expansão de 5%; e o setor de serviços, de 4,8%.

No acumulado do ano, o setor industrial foi o destaque, com crescimento de 5,1%, seguido pelo setor de serviços, com expansão de 4,7%, e pela agropecuária, com 4,3%.

O IBGE também revisou para cima o resultado do PIB de 2006, que passou de crescimento de 3,7% para 3,8%.

Metodologia

O PIB é a soma das riquezas produzidas por um país. É formado pela indústria, agropecuária e serviços. O PIB mostra o comportamento de uma economia. No passado, por exemplo, quando o Brasil atravessou uma recessão, o PIB encolheu 0,2%.

O PIB também pode ser analisado a partir do consumo, ou seja, pelo ponto de vista de quem se apropriou do que foi produzido. Nesse caso, o PIB é dividido pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo, pelos investimentos feitos pelo governo e empresas privadas e pelas exportações.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Têxteis buscam novas fronteiras


Concorrência chinesa e câmbio reduzem venda para EUA e estimulam entrada em países como Rússia e Turquia

Vera Dantas - O Estado de São Paulo

Países fora do circuito internacional da moda começam a virar o novo alvo de exportações da indústria têxtil brasileira. Os Emirados Árabes Unidos, com consumidores de altíssimo poder aquisitivo, a Rússia, que abrigou recentemente a feira para ricos Millionaire Fair, e até países nórdicos como a Dinamarca estão na lista de ataque de produtos com a etiqueta “made in Brazil”. O mercado latino-americano também é considerado uma opção atraente para investimentos.

O interesse em novos mercados, de classe média emergente e com consumidores endinheirados, é a salvação para muitas empresas que enfrentam dificuldades nas vendas para mercados mais tradicionais. A desvalorização do dólar em relação ao real e a invasão maciça de produtos chineses nos Estados Unidos vendidos a preços imbatíveis frente aos concorrentes têm desestimulado as exportações para os americanos.

“Não que os Estados Unidos não sejam importantes, mas a chegada dos chineses que oferecem um volume imenso de produtos com preços arrasadores dificulta as vendas”, diz o presidente da Sinditêxtil e diretor da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Rafael Cervone Netto.

Os Estados Unidos são o segundo maior mercado de exportação para o Brasil, atrás apenas da Argentina. Mas vêm perdendo espaço nas vendas brasileiras. Os valores exportados para os americanos somaram US$ 338,9 milhões este ano até setembro. O resultado é 12% menor em relação a igual período em 2005. Em volume, na mesma comparação, as vendas caíram de 90,3 milhões de quilos em 2005 para 85,9 milhões em 2007.

No ano passado a Hering teve, no terceiro trimestre, 42% das exportações destinadas à América do Norte. Neste ano a participação caiu para 29%. A estratégia da empresa, conforme seu último balanço, é descentralizar as vendas aos EUA e diversificar mercados. Não é a única. A Dudalina, de moda masculina, por exemplo, até dois anos atrás distribuía seus produtos para 12 clientes nos Estados Unidos. No ano passado, ainda vendia para quatro e este ano abandonou o mercado. “É um ambiente muito competitivo, onde a mercadoria tem pouco valor intrínseco e as exigências técnicas são muito grandes”, diz o diretor de exportação, Rui Hess de Souza.

Ele também decidiu reduzir a produção de roupas com a marca de terceiros (private label) e valorizar a própria marca. “Em 2006, do total exportado, 80% era no private label e 20% nossas marcas. Em três anos, vamos reverter essa proporção”, diz o empresário. “O valor médio de uma peça private label é de US$ 11. Minha peça sai por US$ 23”, compara.

A empresa deu a largada também para a abertura de lojas na América Latina com sua marca. Este ano foram quatro no Paraguai. Em 2008, serão mais 11 lojas distribuídas por Venezuela, Paraguai, Equador, Costa Rica, Chile e Colômbia. A Rússia é outra possibilidade que começa a ser investigada.

A Poko Pano, exportadora de moda praia há 14 anos, entrou este ano em Dubai e tem a China como um de seus focos de venda para 2008. “São nos países emergentes, com uma classe de novos ricos, que posso reajustar o preço do biquíni e entrar com um produto mais sofisticado para quem compra luxo”, resume a diretora da empresa, Paola Robba.

Embora exporte para Estados Unidos, Europa e América do Sul, ela se queixa muito do prejuízo que teve com o câmbio. “Em Portugal, por exemplo, perdi 40% das vendas porque eles não aceitam reajuste de maneira alguma.” Ela fecha o ano com faturamento empatado com o ano anterior e uma redução de 10% no volume vendido.

Para ser bem sucedido nos países europeus é preciso investir muito na marca. “A Europa exporta moda. Entrar lá é mais complicado. Se a empresa não tiver recursos para marketing terá dificuldade”, diz o presidente do grupo Maria Bonita, Alexandre Aquino. A marca é vendida em Londres, em multimarcas, mas também em novos mercados como Dubai, Arábia Saudita, Cingapura e Rússia.

A Marisol foi uma das que resolveram apostar num dos centros do circuito da moda ao abrir uma loja em Milão, na Itália, com a marca infantil Lilica Ripilica na Via Della Spiga. “É nossa loja conceito na Europa para divulgar a marca para outros países”, diz o gerente de exportação, Marcelo Damm. A estratégia da empresa de internacionalização é a abertura de várias lojas no exterior.

Paris foi um ponto inicial de expansão para a Mabel, de moda feminina sofisticada. “Conseguimos contato com um distribuidor local que abriu portas para a Mabel nos países árabes”, diz o diretor financeiro da empresa, Francisco Otávio de Castro Magalhães.

“Competir na França com marcas como Prada e Armani é inviável. O investimento é muito pesado.” Na França, a empresa conseguiu três clientes e não tem mais o país como um alvo. O empresário diz que o europeu reconhece design, mas quer preços baixos porque imagina que a mão-de-obra brasileira é barata como a chinesa. “A negociação com os árabes é bem mais fácil e eles querem novidades”, diz Magalhães, que exporta 15% da produção de 20 mil peças ano.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

A indústria levanta vôo

O desempenho geral da indústria vai surpreendendo até os mais otimistas.

por Celso Ming

Tendo como referência o mês de outubro, o crescimento acumulado do ano é de 5,9% e, nos últimos 12 meses, de 5,3%. São números carregados de conseqüência. Mas, antes, vamos às causas.

O próprio IBGE, o organismo encarregado dos levantamentos, identifica como fatores explicativos da boa expansão industrial o avanço do consumo interno (que tem a ver com o salto do crédito), o crescimento do investimento e a força das exportações.

Os últimos levantamentos dão conta de que o consumo geral cresce acima de 6% em relação ao que cresceu no ano passado. Mais provavelmente está hoje próximo dos 10%. A impressionante estocada das vendas de veículos (mais de 31% no ano até novembro) é boa ilustração disso.

O salto do consumo, por sua vez, está relacionado a três fatores: expansão do crédito às pessoas físicas, da ordem de 32,5% neste ano; aumento da renda real da população, puxada pelo reajuste de 8,6% do salário mínimo em abril; crescimento das despesas públicas, superior a 10% ao ano; e valorização do real (queda do dólar), que aumenta o acesso do consumidor às importações.

A boa fase dos investimentos já vinha sendo acusada pelas importações de bens de capital, que nos 11 primeiros meses do ano aumentaram 31,8%. E vai sendo corroborada pelo crescimento da produção interna de máquinas e equipamentos, de 18,8% no acumulado do ano até outubro e de 16,9% em 12 meses. Quem investe não compra apenas máquinas. Tem de aumentar as instalações, comprar materiais, contratar serviços e por aí vai. É um fator que puxa o resto.

E não dá para ignorar a puxada na indústria provocada pelas exportações. De janeiro a novembro, o despacho de produtos manufaturados para o exterior cresceu 17,1%, puxado por veículos, aços planos, aviões e autopeças.

E, a partir do que está aí, já dá para amarrar algumas conseqüências. A primeira é a de que vai sendo esvaziado o mantra dos dirigentes da Fiesp e de um punhado de críticos da política macroeconômica de que está em curso um rápido e inexorável processo de desindustrialização e sucatamento da empresa nacional atribuído à ação dos juros escorchantes e do câmbio fora do lugar. Crescendo como está, de forma generalizada e consistente, não há como insistir na tese da desindustrialização e da destruição de atividade produtiva. Tampouco se vêem importantes falências, desemprego e outros tantos efeitos aterrorizantes.

Mas não dá para afastar outro risco: o de que, apesar dos investimentos, o setor produtivo não dê conta do dinamismo do consumo. Se isso acontecer, pode haver, sim, a tal inflação de demanda, de que a indústria não quer ouvir falar.

Há dois dias, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) já havia relatado que nunca como agora foi tão forte o giro das máquinas. A utilização da capacidade de produção da indústria é recorde, de 82,3% em outubro. As importações estão em boa parte suprindo a insuficiência da oferta interna. Esta é a principal razão por que crescem (no acumulado do ano) 30,8%.

E, se houver inflação de demanda, o Banco Central adiará novos cortes dos juros.

Leia a coluna de Celso Ming, na integra, no jornal O Estado de São Paulo (para assinantes)

domingo, 2 de dezembro de 2007

Metade das empresas vai contratar mais

DA REPORTAGEM LOCAL

Folha de São Paulo

Metade das 1.594 indústrias paulistas consultadas pela Ipsos, a pedido da Fiesp, afirma que vai contratar mais funcionários no ano que vem.
Os setores de fumo, madeira e móveis, máquinas e equipamentos, metalúrgico e de estruturas metálicas, papel e celulose, têxtil e de vestuário devem puxar o crescimento de emprego no ano que vem.
O levantamento da Ipsos constatou que 18% das 1.594 indústrias consultadas vão elevar o emprego em mais de 15%. Alguns setores têm mais fôlego para empregar do que a média da indústria.
Para 23% das indústrias de fumo, madeira e móveis que foram consultadas, o emprego deve crescer mais do que 15% em 2008. No caso de máquinas e equipamentos, 22% afirmam que vão elevar o emprego em mais de 15%; no setor metalúrgico, 22%; nos de papel e celulose e de têxtil e vestuário, 20%.
As empresas de pequeno porte, segundo o levantamento, têm perspectivas até melhores do que as grandes indústrias quanto ao emprego no ano que vem. Para as indústrias que têm até 50 empregados, 20% pretendem elevar o emprego em mais de 15% em 2008.
"Neste ano, as empresas de grande porte responderam de forma mais favorável ao emprego. Essa situação muda um pouco para 2008. As pequenas empresas estão tendo mais acesso ao crédito", diz Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp. (FF e CR)

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Atividade industrial tem 7ª alta consecutiva em SP

Paula Puliti para O Estado de São Paulo (para assinantes)

O Indicador do Nível de Atividade (INA) da indústria paulista, elaborado pelo sistema Fiesp/Ciesp, teve alta pelo sétimo mês consecutivo em julho, confirmando que o nível de crescimento industrial no Estado avançou. De janeiro a julho, o INA subiu 5% sobre o mesmo período do ano passado. Para comparação, o indicador fechou 2006 com aumento de apenas 2,9%. Mas, ao mesmo tempo em que comemoram o dado, os empresários temem uma mudança no comportamento do Comitê de Política Monetária (Copom). 'Uma interrupção no corte de juros poderia minar o ânimo dos empresários', disse Paulo Francini, diretor da Fiesp.

Para Boris Tabacof, do Ciesp, o resultado do INA em julho (1% na margem) confirma que o aumento da atividade apresenta sinais de sustentabilidade. Por isso, já é possível pensar em um PIB industrial em 2007 na casa dos 5%, 'muito acima do que imaginávamos no início do ano (entre 2% e 2,5%)', disse o empresário. Tabacof demonstrou preocupação com o fato de esses números virem a ser interpretados pela autoridade monetária como sinal de aquecimento da economia e provocarem a interrupção na queda da taxa de juros.

Os empresários destacaram que investimentos em produção crescem de forma a evitar uma redução na oferta e conseqüente inflação. Isso é comprovado pelo comportamento do nível de utilização da capacidade instalada, estável em relação a junho (82,9%), e do setor de máquinas e equipamentos. No ano até julho, o INA setorial cresceu 11,7% sobre o mesmo período do ano passado.

Em relação à crise dos créditos subprime nos Estados Unidos, Fiesp e Ciesp acreditam que o sistema financeiro brasileiro mostra resiliência significativa, o que também não justifica mudança no ritmo do Copom. O fator preocupante é a possibilidade de esfriamento global do consumo, reduzindo os preços das commodities exportadas.

A Fiesp divulgou ontem, junto com o INA, o Sensor Fiesp, um indicador coincidente que antecipa o desempenho do atual mês. O indicador mostrou que a indústria segue positiva, com a percepção dos empresários subindo de 50,4 pontos em julho para 52,4 pontos em agosto, numa escala de zero a cem.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Lula diz que não aceita cartel dos poderosos contra desenvolvimento do país

da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que não vai aceitar o "cartel dos poderosos contra o desenvolvimento do Brasil". Num recado aos grandes produtores de petróleo, como a Venezuela, Lula rebateu às críticas sobre os supostos riscos que serão provocados pelo avanço da produção brasileira de álcool e biodiesel.

"Esse é um debate que o Brasil não tem de ter medo. Nós não vamos aceitar, não vamos aceitar outra vez o cartel dos poderosos do mundo tentando impedir que o Brasil se desenvolva, tentando impedir que o Brasil se transforme numa grande nação", disse ele para o programa de rádio "Café com o Presidente".

O presidente afirmou que o Brasil "não pode abrir mão de defender a sua matriz energética revolucionária já comprovada há 30 anos, que é o etanol e agora o biodiesel". "Temos adversários que vão levantar todo e qualquer tipo de calúnia contra a qualidade do etanol, contra a qualidade do biodiesel. Nossa tecnologia é importante porque não é apenas a produção de um novo combustível, é a geração de empregos, é a distribuição de renda sobretudo nos países mais pobres do planeta. É bem possível que os nossos adversários continuem levantando coisas contra o Brasil e nós temos de estar preparados."

Lula chamou de "descabidas" as críticas de que a produção de álcool no Brasil vai reduzir a produção de alimentos. "É preciso imaginar que o ser humano seria irracional. A primeira energia que o ser humano precisa é a sua própria. Ou seja, é se alimentar para poder ter força, para poder produzir a outra energia. Acho uma coisa totalmente descabida."

O presidente também rebateu o argumento daqueles que dizem que a produção de biocombustível vai invadir a Amazônia. "Portugal chegou aqui em 1500, há 470 anos introduziu a cana no Brasil e a cana não chegou na Amazônia por uma razão simples. Mesmo quando não se tinha uma visão de preservação que a humanidade tem agora, os portugueses descobriram há muito tempo que na Amazônia não é lugar de plantar cana porque a temperatura não é propícia para isso."

Lula elogiou ainda os resultados da cúpula Brasil-União Européia, realizada na semana passada em Portugal. "O Brasil mudou de patamar na sua relação com a União Européia e o interesse é a questão dos biocombustíveis. Estamos apresentando ao mundo uma alternativa para combater a emissão de gases que causam o efeito estufa no planeta."

Rodada Doha

Lula disse ainda que há chances do Brasil retomar as negociações sobre o comércio agrícola na Rodada Doha. "Há chances. Para isso é importante que o povo brasileiro entenda que nós queremos que os americanos reduzam o subsídio que eles dão para os seus agricultores."

Ele também criticou os subsídios dados pelos países europeus nessa área. "A União Européia, além de não mexer nada nos coeficientes da agricultura, ela quer que nós baixemos o coeficiente dos produtos industriais."

"E o que eles querem? Que a gente abra nossa indústria para eles e eles não abrem a agricultura para os países do terceiro mundo. Também não dá! Não é uma questão de orgulho não, é uma questão de Justiça."

O presidente afirmou que para as negociações serem retomadas os países pobres precisam ganhar alguma coisa. "Nesse acordo de Doha, os países pobres precisam sair ganhando alguma coisa. Os ricos já ganharam demais no século 20."

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Indústria surpreende e cresce 4,9%

Jacqueline Farid

A indústria surpreendeu até os mais otimistas em maio. Ancorada em máquinas e equipamentos, a produção aumentou 1,3% sobre abril. O mercado financeiro previu crescimento de 0,4%. Foi o oitavo mês seguido de expansão, fato inédito desde 2004. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, foi o 11º resultado positivo: 4,9%. No ano, a produção aumentou 4,4%.

Esse resultados, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), levaram economistas a elevar as projeções para o desempenho da indústria e até do Produto Interno Bruto (PIB) em 2007. 'É um crescimento cada vez mais generalizado e liderado por máquinas e equipamentos, o que é bem saudável', observou Silvio Sales, coordenador do IBGE.

A economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, disse que deve revisar a produção industrial e o PIB para este ano. Atualmente a projeção é de produção industrial de 3,7% e PIB de 4%. 'Os indícios são de que teremos um PIB mais forte do que esperávamos', disse. Esse crescimento, segundo ela, deve ser puxado por consumo e investimentos. 'Esses são os dois grandes motores de nossa revisão.' Leia mais no jornal O Estado de São Paulo (para assinantes)

sábado, 23 de junho de 2007

Montadoras recuperam nível de emprego de 1997

KAREN CAMACHO
da Folha Online

A indústria de automóveis no Brasil revive o bom desempenho de 1997, considerado o ano dourado do setor no país. Todos os recordes devem ser batidos: produção, vendas no mercado interno e receita com exportação. Os empregos gerados também acompanham o movimento de alta e, até maio, somam 110 mil funcionários, com tendência de crescimento --em 1997, eram 115 mil funcionários.

Hoje, porém, o setor tem uma nova cara. Se em 1997 eram nove empresas em atividade, hoje a recuperação é puxada por 22. O ABC, antes conhecido como o berço da indústria automobilística, divide as atenções com outras regiões do país.

Em 1997, o setor produziu 2 milhões de unidades e as vendas no mercado interno somaram mais de 1,9 milhão de veículos. Em 2007, as projeções apontam para uma produção de 2,8 milhões de veículos, com 2,2 milhões voltados para o mercado interno.

"O ano [1997] foi recorde e convenceu as empresas a investirem US$ 20 bilhões nos anos seguintes", afirma José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da General Motors. O que se viu, no entanto, foram quedas constantes, que resultaram no corte de vagas --chegou a 90 mil em 2003. A retomada só começaria em janeiro 2004.

Agora, a condição favorável do país, com reservas internacionais elevadas e com o menor risco-país da história, faz o setor apostar em um crescimento sustentável, diferente do que ocorreu em 1997. Leia mais aqui

sexta-feira, 22 de junho de 2007

'Para indústria, uma ótima notícia'

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Newton de Mello, comemorou o fracasso das negociações dos países do G-4 (Brasil, Estados Unidos, Índia e União Européia) de aproximar as propostas de liberalização do comércio na Organização Mundial do Comércio (OMC), ontem durante a conferência de Potsdam, na Alemanha.

'Para a indústria em geral foi uma ótima notícia. O Brasil já é um grande exportador de commodities e não precisa de mais abertura', afirma.

Para ele, o Brasil não pode trocar uma redução de subsídios à entrada aos mercados agrícolas dos Estados Unidos e da União Européia pelo acesso aos bens indústriais nacionais.

Segundo Mello, a redução das tarifas de importação de bens industriais poderia ampliar o processo de 'desindustrialização em curso no Brasil, ainda mais com o dólar em desequilíbrio'.

'O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, agiu certo. Não seria adequado conceder a redução das tarifas de importação de bens industriais', completa o presidente da Abimaq. Fonte O Estado de São Paulo

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Fazenda aplica antidumping disfarçado a têxteis da China

Raquel Landim, Cláudia Safatle e Arnaldo Galvão

Entre as medidas de apoio aos exportadores divulgadas ontem, o Ministério da Fazenda alterou a tributação das importações de vestuário, que deixará de incidir sobre os preços de importação e considerará o peso do produto que chega ao país. A medida foi aplaudida pelos empresários como um "antidumping" contra a China. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB) já pedem a ampliação da medida a outros setores que sofrem com a concorrência chinesa, como calçados e brinquedos.

"Subfaturar um produto é possível, subpesar é impossível", diz Carlos Cavalcanti, diretor-adjunto de Comércio Exterior da Fiesp. Na prática, a nova tributação funciona como uma tarifa antidumping, que corrige as distorções dos produtos que são exportados abaixo do preço de custo. Vários setores encaminharam ao governo pedidos de investigação de dumping contra a China, mas as boas relações entre os dois países e a promessa do governo de reconhecer o gigante asiático como economia de mercado torna politicamente complicada a adoção de políticas de defesa comercial.

Para estabelecer as novas tarifas para têxteis e vestuário, a Receita Federal elaborou uma lista de preços de referência junto com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), com base no preço da matéria-prima que compõe o artigo confeccionado.

Prática comum até a década de 80, a adoção de preços de referência para o comércio exterior é proibida pela Organização Mundial do Comércio (OMC), o que pode abrir espaço para contestações da medida anunciada ontem. As regras da OMC, argumenta o governo, dão margem para que o subfaturamento seja combatido com a aplicação de taxa sobre a quantidade importada. Isso é possível desde que o imposto não supere o teto da tarifa fixada nas negociações internacionais - hoje de 35%. A dúvida dos especialistas é como assegurar que esse limite realmente não seja ultrapassado.

Além destas mudanças, o governo anunciou linhas de crédito para capital de giro e investimento e nova desoneração tributária na compra de bens de capital. No total, contudo, apenas seis setores foram beneficiados. Leia mais no Valor (para assinantes)

Governo dá alívio de R$ 4 bi à indústria

Capa do O Globo

Setores mais afetados pelo real forte terão juros e impostos menores


O governo anunciou ontem um pacote para desonerar setores da indústria mais prejudicados pelo real valorizado. Juntas, as medidas representam um alívio de R$ 4,057 bilhões. A maior parte do dinheiro, R$ 3 bilhões, virá na forma de linhas de financiamento do BNDES para investimento, capital de giro e exportação e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Além disso, haverá juros subsidiados pelo Tesouro Nacional e impostos menores para estas empresas. Os maiores beneficiados serão os setores de calçados, têxteis e móveis, que perderam competitividade nas exportações nos últimos meses e vinham pedindo compensações ao governo. Setores de eletroeletrônicos e automóveis também terão benefícios fiscais na compra de máquinas e equipamentos.

Os empresários, no entanto, criticaram as medidas e alegaram que elas ficaram aquém do esperado. Páginas 21 e 22

O PORQUÊ DAS MEDIDAS
O governo quis dar um empurrão nos setores da indústria que mais reclamam do real valorizado. O objetivo é compensar a perda de competitividade das exportações e a concorrência forte dos importados

domingo, 10 de junho de 2007

Projeções apontam alta de até 5% no PIB do 1º trimestre

Período foi marcado pelo avanço da indústria e do comércio, especialmente pelo câmbio e seu efeito redutor dos preços

Mantida a queda dos juros, economia terá fôlego para crescer até 5% neste ano, avaliam os otimistas; mais cautelosos apostam em 4%

PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO

O nível de atividade da economia brasileira se aqueceu no primeiro trimestre do ano e o PIB deve ter registrado crescimento de até 5% em relação a igual período de 2006. Já em relação ao quarto trimestre de 2006, a expansão oscilou na faixa de 1%, apontam as projeções de especialistas consultados pela Folha.

Foi um período marcado pela aceleração da indústria e do comércio, cujas vendas subiram 9,7%, puxadas especialmente pelo câmbio e o seu efeito redutor de preços. Caracterizou-se ainda pela reação da agropecuária, dizem analistas.

Do lado da demanda, o destaque principal foi o investimento, que cresceu também na esteira da desvalorização do dólar. O consumo das famílias também teve a sua importância. Puxado pelo crescimento do emprego e da renda, deve ter crescido acima de 4%.

Com tal cenário e mantida a redução dos juros, a economia brasileira terá fôlego para crescer até 5% neste ano, avaliam os mais otimistas. Já os mais cautelosos apostam em crescimento na casa de 4%. Leia mais na Folha de São Paulo (para assinantes)

quinta-feira, 31 de maio de 2007

SP "encolhe" em produção, vendas e vagas na indústria

Estado puxou desconcentração do setor entre 1996 e 2005, diz pesquisa do IBGE

Região Sudeste foi a única a perder participação no contexto nacional tanto em produção como em pessoal ocupado na indústria

CLARICE SPITZDA
FOLHA ONLINE, NO RIO

Principal parque industrial do país, São Paulo acumulou perdas na participação da produção nacional, das vendas e de empregados em nove anos. Pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre o comportamento da indústria brasileira entre os anos de 1996 e 2005 mostra que o Estado foi o principal vetor do processo de desconcentração industrial no país nesse período.

A região Sudeste foi a única a perder participação tanto em termos de produção quanto de pessoal ocupado na indústria. A região passou de uma fatia de 68,4%, em 1996, para 63,5%, na produção. Já o emprego industrial paulista recuou 6,8 pontos percentuais no período.

Para o coordenador de Indústria do IBGE, Silvio Sales, o movimento de perda de espaço da indústria paulista está relacionado, entre outros motivos, à elevação dos custos, à guerra fiscal entre Estados e à expansão da fronteira agrícola. Como ficou mais caro investir na região metropolitana, projetos industriais migraram para o interior e outros Estados."Quando se compara a representação da Grande São Paulo em relação ao interior há 15 anos, vê-se um processo interno de desconcentração industrial, que em si não é negativo. Ele pode possibilitar uma redução da desigualdade, uma fixação das populações em áreas menos ocupadas", afirma.

A indústria paulista apresentou uma forte queda de 9,2 pontos percentuais no espaço que ocupava na produção industrial brasileira. O valor da transformação industrial de SP, que é a diferença entre o valor bruto da produção e o custo das operações, reduziu-se de metade da produção brasileira, em 1996, para 40,2%, em 2005.

O setor recuou ainda na participação no emprego industrial e passou a corresponder a 36,4% do total de ocupados. Em 96, representava 42% do emprego na indústria. As atividades que mais contribuíram para essa redução foram os segmentos têxtil, de vestuário e de acessórios.

Em valores de vendas, São Paulo também apresentou declínio. O Estado, que respondia por 46,4% do total em 2000, passou para 41,6% em 2005. As vendas de bens de capitais no Estado passaram de 66,6% para 57,4% das vendas totais desse setor no país.A indústria paulista também caiu nas exportações. O Estado teve um declínio de 3,8 pontos percentuais entre 2000 e 2005, na contramão das expansões verificadas no Rio de Janeiro, em Mato Grosso e na Bahia.Na indústria fluminense, a perda de participação no emprego industrial se deu basicamente no segmento de alimentos. O Rio de Janeiro passou a concentrar, em 2005, 5,7% do total ocupado na indústria. Em 1996, o Estado representava 7,9%. Leia mais aqui (para assinantes)