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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Indústria prevê demanda interna aquecida no 1º semestre


Arnaldo Galvão - VALOR

Pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que os empresários do setor continuam otimistas com relação à demanda interna no primeiro semestre. Na avaliação do economista-chefe da entidade, Flávio Castelo Branco, o forte nível de atividade verificado no ano passado já está praticamente garantido nos primeiros seis meses de 2008. "Os aumentos da renda, crédito e investimentos transbordam para 2008. Não acredito em reflexos da crise financeira internacional nesse período. Uma eventual queda da demanda americana teria impactos no segundo semestre", disse Castelo Branco.


O mesmo sentimento, porém, não foi apurado pela CNI quando a pesquisa Sondagem Industrial tratou das exportações. Prejudicadas pela valorização do real, as perspectivas dos empresários foram pessimistas pelo quarto trimestre consecutivo. Os segmentos de madeira e minerais não-metálicos aguardam as maiores quedas nos embarques para o exterior. Dos 27 setores ouvidos, apenas 12 esperam aumento das exportações.


A CNI ouviu 1.394 representantes de grandes, médias e pequenas indústrias em todo o país entre 2 e 22 de janeiro, já contando, portanto, com o pacote do governo que aumentou a carga do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos. As fortes quedas nas principais bolsas do mundo, ocorridas em 21 de janeiro, tiveram pouca ou nenhuma influência no resultado.


Além das perspectivas para o semestre, a Sondagem Industrial registrou a avaliação dos empresários sobre o quarto trimestre de 2007. As fortes vendas fizeram com que, pela primeira vez em três anos, os estoques ficassem abaixo do planejado. Isso, segundo a CNI, significa a necessidade de reposição e, portanto, maior produção.


A falta de mão-de-obra qualificada está prejudicando um número cada vez maior de indústrias. Se as grandes apontavam esse como um dos principais problemas, a Sondagem revelou que a deficiência ganhou importância também para pequenas e médias empresas do setor. "A escolaridade média é o calcanhar-de-aquiles do trabalhador brasileiro", afirmou Castelo Branco.


Segundo a pesquisa da CNI, além do otimismo para este semestre, a expectativa dos industriais é de regularidade e homogeneidade no ritmo de crescimento, intensificação do uso da capacidade instalada e adequação dos estoques ao planejado.


Os dados mostraram que 2007 teve três trimestres consecutivos de aumento da produção em quase todos os setores. Dos 27 segmentos consultados, 25 responderam que houve aumento da atividade, com destaque para bebidas, vestuário, limpeza/perfumaria e máquinas/equipamentos. Madeira e álcool - este por razões sazonais - informaram queda na produção. Essa homogeneidade também foi verificada na criação de empregos. Apenas calçados, madeira e álcool reduziram postos de trabalho no quarto trimestre.


O uso da capacidade instalada aumentou em todos os tamanhos de indústrias, mas isso ocorreu com mais intensidade nas pequenas e médias, que não realizaram investimentos na mesma proporção das grandes empresas. No último trimestre, a CNI verificou que melhorou a percepção das condições financeiras devido à maior atividade econômica. Mas as respostas mostram que continua difícil o acesso ao crédito. "O custo financeiro é crítico para a produção. A interrupção da queda dos juros e o aumento da carga tributária devem agravar esse quadro", avaliou o economista.


A carga tributária é o maior problema das indústrias, independentemente de seu tamanho. A pesquisa da CNI mostrou que para as pequenas empresas do setor, competição acirrada e juros elevados também atrapalham. No grupo das médias indústrias, a taxa de câmbio é apontada como o terceiro maior problema. Para as grandes empresas, câmbio e juros elevados ganharam importância no quarto trimestre de 2007.

sábado, 29 de dezembro de 2007

Demanda por bens industriais é a maior desde 1987

Empresas iniciam 2008 com estoques baixos, segundo FGV

O Globo

 SÃO PAULO. A indústria brasileira assistiu em dezembro a um ritmo de encomendas como não via há tempos. A Sondagem da Indústria de Transformação, divulgada ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV), mostra que para 37% das empresas a demanda este mês esteve forte, e para apenas 8% foi fraca. Trata-se do maior percentual de demanda aquecida desde janeiro de 1987, auge do Plano Cruzado.

Para 7% das empresas, os estoques eram insuficientes, e excessivos para apenas 5%, o que resulta num índice de 102 pontos nesse quesito.

— Historicamente, esse indicador está abaixo de cem pontos e, ultimamente, vem se mantendo acima dessa marca, o que significa que as empresas estão com estoques enxutos e que a economia entra aquecida em janeiro — disse o coordenador técnico da sondagem industrial da FGV, Jorge Braga.

Nos setores de confecções e calçados, 22% e 15% dos empresários informaram estar sem estoques. Já o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da indústria caiu em dezembro: foi de 86,7% este mês, contra 87,2% em novembro.

(Ronaldo D’Ercole)