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terça-feira, 29 de janeiro de 2008

A redescoberta das virtudes do gasto público

Rui Falcão

por Rui Falcão

O conjunto de medidas propostas pelo governo Bush para debelar o risco de recessão na economia norte-americana —, induzido pela crise no setor de crédito imobiliário (empréstimos podres), com ramificações pelas artérias do sistema financeiro — vai na direção oposta à do receituário neoliberal imposto aos países em desenvolvimento nas décadas passadas.

Como se recorda, a palavra de ordem então brandida pelos organismos multilaterais de crédito (FMI, Banco Mundial, etc.), pelos chamados operadores do mercado, pelos yuppies encastelados nas repartições econômicas do governo FHC e por acadêmicos colonizados era “contenção do gasto público”. Essa era uma das diversas medidas adotadas no “ajuste estrutural”, cuja retórica visava a sanear a economia desses países, devolvendo-lhes as condições macroeconômicas para a retomada do crescimento. Já o pacote anunciado por Bush propõe o oposto – o aumento do gasto público — mediante estímulo à expansão do consumo — , como meio de gerar demanda a partir do que lorde Keynes chamava de efeito multiplicador do gasto.

O pressuposto keynesiano aqui implicado é que se cabe ao Estado desempenhar algum papel na economia é o de atuar como interventor em última instância no processo de acumulação do capital, para assegurar a sua retomada, sempre que as incertezas no mercado desestimulam o investimento das empresas e o consumo das famílias. Essa é a situação que se esboça neste momento na paisagem econômica norte-americana.

Quem, senão o Estado, se disporia a aumentar o seu consumo ou investir num momento de crise, quando a racionalidade de qualquer investidor privado recomenda cautela e contenção, até que se vislumbrem dias melhores no horizonte — até que se retorne à “normalidade”. Segundo o keynesianismo — doutrina execrada pelos aliados, mentores e áulicos do governo FHC — a “normalidade” do processo de acumulação pressupõe a existência de um ator dotado de uma racionalidade distinta da do ator privado, e esse é o Estado. Para os keynesianos, o Estado é racional quando atua funcionalmente no atendimento das necessidades do processo de acumulação — por isso, não faz sentido falar-se em “Estado mínimo” na ótica neoliberal, pois também aqui o Estado é máximo na defesa da continuidade da acumulação.

(Parêntesis: Lembro o leitor de que não estou a falar de gasto público na mesma acepção assumida por certos ‘analistas’ da grande mídia. Para estes, em geral, gasto público é sinônimo de desperdício nas despesas governamentais ou do Estado em rubricas como aquisição de copos e talheres para os servidores do Palácio do Planalto, cafezinho nas repartições públicas, aposentadorias e pensões, papel higiênico e outras miudezas (ou “graudezas”) de consumo corrente, sobre cuja denúncia se comprazem, esquecendo-se de que, se há algo escandaloso no gasto público é o montante de juros pagos no serviço da dívida pública. Gasto público, no jargão econômico, refere-se ao montante de recursos públicos despendidos pelo Estado na ampliação da infra-estrutura, na melhoria dos serviços essenciais, como defesa nacional, pagamento dos serviços da dívida (juros), implementação das políticas públicas, como educação e saúde ... e também nas despesas correntes.

Pois então Tio Sam vai aplicar na própria casa o arsenal de medidas econômicas de caráter anticíclico, para evitar os malefícios sociais de uma recessão, medidas jamais autorizadas pelo FMI aos países abaixo do Equador. E é de enfatizar que o faz tendo na lembrança a adequação e os bons resultados das políticas keynesianas que estão na origem do período que se tornou conhecido como a “idade de ouro do capitalismo” e que consistiram em sustentar o círculo virtuoso do processo de acumulação, gerado a partir do efeito multiplicador do gasto público.

Em contraste, em nossas latitudes ainda é fresca a lembrança dos efeitos catastróficos do receituário neoliberal sobre as condições sociais das populações da América Latina e de outros continentes. Ainda por muito tempo teremos de pagar os enormes custos sociais e econômicos resultantes das políticas de ajuste estrutural (leia-se, em resumo: contenção do gasto público), entre os quais o mais em voga são as seqüelas da deterioração da infra-estrutura, cuja responsabilidade é atribuída equivocadamente ao governo Lula.

À medida que se continha o gasto público, para gerar superávit fiscal para o pagamento dos juros, ao limite suportável do sacrifício imposto às populações, as condições sociais e econômicas se deterioravam — aumento do desemprego, queda no poder aquisitivo dos salários, deterioração dos serviços públicos, agravamento da pobreza e aumento da exclusão social.

É sabido que os governantes são tentados a gastar mais do que arrecadam — daí a Lei da Responsabilidade Fiscal. Mas é preciso discriminar entre gasto público produtivo e improdutivo, discriminação que somente no primeiro governo Lula o FMI, pressionado, admitiu reconhecer. Até então, ou seja, ao longo do período FHC, ao que se assistiu foi o retrocesso do gasto público em setores essenciais, do qual a crise do setor elétrico é um exemplo notável.

O sistema elétrico brasileiro, como é sabido, está baseado na geração de hidreletricidade. Entre 1960 e 1990, o Brasil construiu um dos sistemas de geração de energia elétrica mais eficientes e competitivos do mundo. Além disso, a energia hidrelétrica, que participa com 80% na matriz energética, é renovável.

Ao privatizar, o governo FHC desmantelou um sistema integrado de geração e distribuição de energia e manteve em mãos públicas somente o componente menos rentável — a geração. Sob a orientação do FMI, com o objetivo de estimular a privatização do setor energético, incluiu nos gastos que compunham o orçamento público e caracterizavam o déficit fiscal, os investimentos públicos em eletricidade e petróleo. Assim, com a redução dos investimentos públicos e a privatização, justificou-se a perseguição da meta do superávit fiscal — para o pagamento dos juros da dívida.

Essa estratégia implicou cortes drásticos nos investimentos em geração de energia, de tal forma que em 2001 os brasileiros começaram a sentir o que significa redução indiscriminada do gasto público, ao pagar tarifas elevadas pelo consumo de energia e sofrer as conseqüências do apagão. Como resultado do racionamento de energia, caíram as taxas de crescimento econômico e de investimento privado.

A crise do setor elétrico, ao deteriorar a economia, converteu-se em termos políticos no maior desastre da gestão tucana, e sacudiu a credibilidade das políticas econômicas neoliberais no país, em contraste com as promessas de seus operadores. Lembre-se de que a privatização fora apresentada como panacéia para debelar a ineficiência do gasto público e provê-lo de transparência.

O resultado é que o povo passou a despender mais por um serviço igual ou pior, enquanto as inversões esperadas do setor privado se reduziam, em que pese o “saneamento” do gasto público promovido por FHC, sob a batuta do FMI. O golpe final na credibilidade veio em dezembro de 2001, quando se tornou público que os contratos firmados entre o governo FHC e as empresas de energia privatizadas incluíam uma cláusula de reajuste do preço em caso de queda no consumo. Assim, o consumidor viu-se forçado a pagar mais por ter de consumir menos. Foi a apoteose do receituário neoliberal.

Do que se pode concluir que o que não é bom para o Brasil também não é bom para os Estados Unidos.


Rui Falcão, jornalista e deputado, 64 anos, é deputado estadual. Foi secretário de governo na gestão Marta Suplicy, presidente do PT e deputado Federal.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Crise USA: um novo "NEW DEAL" ou recessão

Filas de desempregados na crise de 1929 até o "New Deal" de F.D. Roosvelt


Vale a pena ler o artigo de Paul Krugman, sobre o plano Bush para enfrentar a recessão no Estados-Unidos.

Tenho postado aqui no blog vários artigos sobre a crise que insistem num ponto central: só um incremento considerável do gasto público em saúde, educação, distribuição de renda aos mais pobres e ajuda aos Estados e Municípios, pode diminuir ou evitar a recessão da economia norte-americana.


A situação exige um novo "New Deal", inspirado no seu predecessor implantado por Roosvelt.

Mesmo com o enorme déficit público e o endividamento gigantesco da economia US, o sumiço do crédito e do dinheiro exige injeção massiva de recursos em obras, escolas, hospitais e no bolso dos consumidores.


A alternativa é deixar o mercado se acertar, fazer um PROER para o sistema bancário falido e aguentar os custos da recessão. Um drama social em cernes e um recuo da economia mundial, eis o resultado das orientações que por hora prevalecem nas autoridades monetárias dos Estados-Unidos.

O candidato democrata que encarar o desáfio terá um grande eco na população do país. Mas pelo que diz Paul Krugman o "consenso" leva agua ao moino Republicano.

Luis Favre


ARTIGO

O equívoco do plano

PAUL KRUGMAN
DO "NEW YORK TIMES"

OS DEPUTADOS democratas e a Casa Branca chegaram a um acordo sobre um plano de estímulo econômico.
Infelizmente, o plano -que essencialmente consiste em nada mais que cortes de impostos e dá a maior parte desses cortes para pessoas em situação financeira bastante boa- parece defeituoso.
Especificamente, os democratas parecem ter recuado diante da rigidez ideológica do governo Bush, abandonando as exigências de medidas que teriam ajudado os mais necessitados. E seriam essas mesmas medidas que poderiam realmente ter tornado eficaz o plano de estímulo. São palavras duras, por isso deixem-me explicar o que está acontecendo.
Além dos descontos fiscais para empresas -que são uma história triste, para outra coluna -, o plano dá a cada trabalhador que ganhe menos de US$ 75 mil por ano um cheque de US$ 300, mais quantias adicionais para pessoas que ganham o suficiente para pagar valores substanciais de imposto de renda.
Isso garante que o grosso do dinheiro vá para pessoas que estão bem financeiramente -o que é um grande equívoco.
O objetivo de um plano de estímulo seria sustentar os gastos gerais, de modo a evitar ou limitar a profundidade de uma recessão. Se o dinheiro que o governo distribui não for gasto -se for apenas depositado nas contas bancárias das pessoas ou usado para pagar dívidas-, o plano falhará.
E mandar cheques para pessoas em boa situação financeira faz pouco ou nada para aumentar os gastos gerais. As pessoas que têm boa renda, bom crédito e emprego seguro tomam decisões de gastos com base em seu poder aquisitivo em longo prazo, e não no tamanho do último contracheque. Se você der alguns dólares a mais para essas pessoas, elas apenas os colocarão no banco.
Na verdade, isso parece ser o que aconteceu principalmente com as reduções fiscais que os norte-americanos afluentes receberam na última recessão, em 2001.
Por outro lado, o dinheiro distribuído a pessoas que não têm boa situação financeira -que estão com pouco dinheiro e vivem do salário mensal- presta um duplo serviço: alivia as dificuldades e também estimula os gastos de consumo.
É por isso que muitas das propostas de estímulo que ouvíamos até alguns dias atrás se concentravam na expansão de programas que ajudam especificamente as pessoas em dificuldades, especialmente o seguro-desemprego e o auxílio-alimentação. E foram essas as idéias de estímulo que receberam as notas mais altas em uma recente análise do Escritório de Orçamento do Congresso, apartidário.
Também se falou entre os democratas em fornecer ajuda temporária aos governos estaduais e locais, cujas finanças estão sendo massacradas pelo enfraquecimento da economia.
Como a ajuda para os desempregados, isso teria prestado um duplo serviço, evitando as dificuldades econômicas e os cortes de gastos que poderão piorar a tendência de declínio.
Mas o governo Bush aparentemente conseguiu matar todas essas idéias, em favor de um plano que dá dinheiro principalmente para os que têm menor probabilidade de gastá-lo.
Por que o governo desejaria fazer isso? Não tem nada a ver com eficiência econômica: nenhuma teoria econômica ou evidência que eu conheça diz que famílias de alta classe média tenham maior probabilidade de gastar cheques de devolução de imposto do que os pobres e desempregados.
Pelo contrário, o que parece estar acontecendo é que o governo de George W. Bush se recusa a assinar qualquer coisa que não possa ser chamada de "redução fiscal".
Por trás dessa recusa, por sua vez, está o compromisso do governo de cortar as alíquotas de impostos dos ricos enquanto bloqueia a ajuda para famílias em dificuldades -um compromisso que exige manter a mentira de que os gastos do governo são sempre ruins.
E o resultado é um plano que não apenas deixa de ajudar onde há mais necessidade, como provavelmente falhará como medida econômica.
Lembro as palavras do presidente Franklin Delano Roosevelt: "Sempre soubemos que o interesse próprio desconsiderado era moralmente ruim; agora sabemos que é economicamente ruim".
E o pior de tudo é que os democratas, que deveriam estar em uma posição forte -este governo ainda tem alguma credibilidade em política econômica?-, parecem ter cedido quase completamente.
Sim, os democratas obtiveram algumas concessões, aumentando os descontos para pessoas de baixa renda, enquanto reduziam os brindes para os afluentes. Mas basicamente permitiram que os forçassem a fazer as coisas do jeito do governo Bush.
E isso poderá ser uma coisa muito ruim.
Não sabemos com certeza quão profunda será esta próxima recessão, ou mesmo se preencherá a definição técnica de uma recessão. Mas existe uma probabilidade real de que não apenas será um grande declínio, como que a reação habitual à recessão -cortes das taxas de juros pelo Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos)- não bastará para reerguer a economia.
E, se isso acontecer, lamentaremos profundamente o fato de que o governo de George W. Bush insistiu, e os democratas aceitaram, um chamado plano de estímulo que simplesmente não vai funcionar.


PAUL KRUGMAN, economista, é colunista do "New York Times" e professor na Universidade Princeton (EUA).

Tradução de LUIZ ROBERTO MENDES GONÇALVES - FOLHA DE SÃO PAULO

sábado, 22 de dezembro de 2007

O Processo

Suponho que a associação entre FBI e FMI, no texto do jornalista Sergio Leo, é um ato falho, produto de um inconsciente muito consciente. O resto é um pesadelo bem ao estilo Big Brother.

do Sitio de Sergio Leo


Certa manhã, em maio de 2004, quando o artista Steve Kurtz abriu os olhos, após um sono inquieto, descobriu que sua mulher estava morta. Chamou a polícia, pelo 911, e inaugurou um pesadelo. Os policiais encontraram um laboratório com culturas de bactéria (o artista e a mulher trabalhavam com um projeto que seria exibido naquele mês, sobre alimentos transgênicos) e avisaram ao FBI, que apreendeu vários pertences do casal e passou a perseguir o sujeito.

Constatou-se que a mulher havia morrido de ataque cardíaco, e que as bactérias era de uso comum em laboratórios de escola secundária, mas o FMI não larga o pé do homem, e o processa por fraude em correspondência ou coisa parecida. Depois de anos de pressão, parece que conseguiu que o professor que enviou as bactérias ao artista, pelo correio, deponha contra ele (o professor está muito doente,e não agüenta mais o pesadelo imposto pelo FBI). Pelo Patriot Act, baixado por Bush depois do 11 de setembro, o artista pode pegar até 20 anos de prisão, se culpado. A história virou documentário, que teve repercussão pífia nos EUA, e a história continua como conta a Art in America, AQUI.

Aliás, o filme passou pelo Rio, neste ano. Não me lembro de ter visto matéria sobre isso em algum caderno cultural; quem sabe foi derrubada para dar lugar a alguma história sobre a Sandy e o Júnior. Há campanhas no mundo todo pelo cara.

Esse é o mundo de quem empacota seus medos e os entrega à polícia, com carta branca e regras frouxas, para perseguir os criminosos. Como o alienista do Machado de Assis, que via maluco em todo canto, a polícia é paga para encontrar culpados, nem que, às vezes, tenha de fabricá-los.

posted by Sergio Leo

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Hillary e Bill Clinton, como Cristina e Néstor Kirchner?




Bringing Back Bubba

Washington Post Staff Writer
Wednesday, December 12, 2007; 10:27 AM

The First Laddie issue is out of the closet.

Not that the role of Bill Clinton in a Hillary administration was ever exactly swept under the rug, but the eyepopping poll figure I mentioned yesterday has driven home the point: Many voters do see this as a two-for-one proposition, a virtual third term for the Clinton administration.

But there it was in black and white, in the NYT/CBS poll: Forty-four percent of Democrats say Bill's involvement in Hill's campaign made them more likely to support her. (Compared to 1 percent who said that about Oprah & Obama. Oops. Maybe we all went overboard.)

Since we may be looking at a Bush-Clinton-Bush-Clinton cycle, I've been thinking about how George W. and Hillary each benefited from their ties to previous Oval Office occupants. There is no question that Bush 43 would not have been an instant front-runner for the GOP nomination had he not been the son of Bush 41. Many voters figured, subconsciously or otherwise, that the Texas governor, who had barely traveled outside the country, must have learned something from his dad and could rely on him for sage counsel.

Hillary Clinton is even more closely tied to Bill in the public mind, for two reasons. Her key experience, beyond seven years as a senator, is the two terms she spent as first lady. And even more than President Bush calling Poppy, Bill would be living in the same house--a logistical fact that has to be reassuring to those who like the 42nd president and infuriating to those who can't stand him. Even if he did nothing but play golf and give speeches around the world, Bill would be a looming presence in the new administration.

So even as Hillary, with her 35-year career as a policymaker, advocate and politician, tries to stake out her own ground, her election would amount to something of a restoration.

A case in point: this New York Daily News item on Bill as campaign manager:

"Alarmed by his wife's slide in the polls and disarray within her backbiting campaign, a beside-himself Bill Clinton has leaped atop the barricades and is furiously plotting a cure - or coup. 'She's in big trouble and he knows it,' a top Democratic operative and Hillary Clinton booster told the Daily News.

"Sources familiar with the ex-President's thinking say he doesn't believe his wife's situation is desperate. But he's unhappy with her operation - once hailed as a juggernaut - and concerned she could lose the Democratic nomination without major alterations in strategy and staffing."

Usually you panic after you lose Iowa.

As Sally Bedell Smith, author of a new book on the couple, puts it in the Wall Street Journal:

"Imagine being asked to serve as her running mate, knowing that her husband would be far more influential than any vice president. What would a potential secretary of state face now that Sen. Clinton has already said she would use her husband as ambassador to the world? As a former president, would Mr. Clinton read the daily intelligence briefing? His unofficial portfolio would potentially overlap with everyone in authority, without his being subject to Senate confirmation."

And what other political partnership would produce this Huffington Post screamer: "Bill Shocker: I Told Hillary to Dump Me."

Turns out it was a looong time ago: "He was so impressed by his wife when they first started dating, he once tried to convince her she should dump him and focus on a political career of her own."


Here's an interesting stat that Andrew Sullivan picked up from a CNN poll: "Obama is easily the most popular Democrat among Republicans. 23 percent pick him if they have to, compared with 13 percent who picked Clinton. Even Edwards is more popular among Republicans than Clinton."

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sábado, 8 de dezembro de 2007

USA: Provável vitória democrata aquece lobbies

Empresários aproveitam fim do governo Bush para tentar aprovar normas legais que os favoreçam

ROBERT PEAR
DO "NEW YORK TIMES", EM WASHINGTON

Folha de São Paulo

Os lobbies de negócios norte-americanos, antecipando a possibilidade de avanço dos democratas nas eleições do ano que vem, estão na corrida para aprovar uma ampla gama de regras trabalhistas, econômicas, de saúde e de segurança, pois acreditam que conseguirão mais vantagens do governo Bush do que de seu sucessor.
Com a esperança de firmar normas que contam com o apoio de um governo favorável aos interesses das empresas, os criadores de galinhas, por exemplo, querem obter uma isenção quanto aos regulamentos ambientais para o mau cheiro produzido por toneladas de esterco de aves. As empresas também estão pressionando o governo Bush pela redução das licenças que concedem aos funcionários por problemas médicos e de família. E as geradoras de energia elétrica querem que o governo relaxe as normas de controle de poluição.
Antecipando um futuro sem Bush, empresas e associações setoriais estão recrutando profissionais de lobby conectados aos democratas. E os grupos de lobby, na expectativa de batalhas quanto aos impostos e serviços públicos de saúde em 2009, estão despejando dinheiro nas campanhas de candidatos democratas ao Legislativo e à Casa Branca.
Documentos encaminhados a diversas agências federais demonstram que os grupos de lobby reforçaram suas atividades nos últimos meses, na medida em que tentam ajudar o governo Bush a concluir seu trabalho quanto a regras que foram debatidas com aspereza e, em certos casos, são alvo de processos judiciais há anos. No Departamento do Interior, as empresas de carvão estão pressionando por regulamentos que permitiriam que despejem rochas e terra de operações de mineração conduzidas no alto de encostas em riachos e correntes vizinhas. Seria dispendioso demais transportar esse material e não existem depósitos para esse tipo de resíduo em suas áreas de operação, elas alegam. Luke Popovich, vice-presidente da Associação Mineradora Nacional, disse ser mais provável que um presidente democrata se alinhasse "com os verdes". Uma coalizão de grupos ambientalistas condenou a norma proposta.

Licença médica
Uma prioridade para muitos empregadores em 2008 é garantir mudanças nas regras de licença médica e por motivos familiares. Sob os termos de uma lei de 1993, pessoas que trabalhem para uma empresa com 50 ou mais funcionários em geral têm direito a 12 semanas de licença não remunerada para cuidar de recém-nascidos ou parentes doentes, ou para tratar de problemas médicos. O Departamento do Trabalho sinalizou seu interesse em mudanças no texto da lei ao solicitar comentários públicos.
A Associação Nacional da Indústria informou que a lei havia dado origem a numerosos abusos e causado "uma perda espantosa de horas trabalhadas". A associação diz ainda que o uso desse tempo de licença tende a crescer acentuadamente pouco antes dos feriados, no dia posterior à decisão do campeonato de futebol americano e nos dia de abertura das temporadas locais de caça. Debra Ness, presidente da National Partnership for Women and Families, um grupo de defesa dos direitos da família, disse estar "muito preocupada" com a possibilidade de que o governo Bush promulgue novas normas para reduzir essas licenças.
De fato, a maioria dos candidatos democratas à Presidência dos EUA oferece propostas de expansão da lei de 1993, com o objetivo de conceder licenças remuneradas e estender os benefícios a milhões de outros trabalhadores. O senador Christopher Dodd, democrata de Connecticut, foi o proponente da lei original. A senadora Hillary Clinton, senadora por Nova York, diz que a lei "teve um imenso sucesso". E o senador Barack Obama, democrata de Illinois, diz que licenças-família mais generosas são parte de seu plano para "reconquistar o sonho americano".

Limites
Quem quer que venha a se tornar o próximo presidente, democrata ou republicano, descobrirá que não é tão fácil realizar mudanças imediatas e abrangentes. A Corte Suprema decidiu que um novo presidente não pode revogar arbitrariamente regulamentos implementados em final de mandato por seu predecessor e que já tenham adquirido força de lei. Para reverter essas normas, um novo governo precisa fornecer uma explicação convincente e passar pelo processo formal de adoção de regras, que pode demorar meses ou anos.
Poucas horas depois de assumir, em 2001, o presidente Bush tentou deter diversas dezenas de regulamentos promulgados pouco antes de sua posse, para que governo pudesse revisá-los. Um estudo publicado pela "Wake Forest Law Review" constatou que um quinto desses "regulamentos de última hora" foram alterados ou repelidos pelo novo governo, mas quatro quintos se mantiveram válidos. Algumas das maiores batalhas atuais envolvem normas ambientais.


Tradução de PAULO MIGLIACCI

sábado, 24 de novembro de 2007

Clinton Team Is Quick to Bat Down Rumors

Hillary Rodham Clinton's campaign aides are considered especially adept at beating back attacks that they consider untrue or unfair. Hillary Rodham Clinton's campaign aides are considered especially adept at beating back attacks that they consider untrue or unfair.
Photo Credit: AP



By Howard Kurtz
Washington Post Staff Writer
Saturday, November 24, 2007; Page A06

On the evening of Nov. 16, Phil Singer, a spokesman for Sen. Hillary Rodham Clinton, got a tip from a journalist about a Robert D. Novak column that would be published the next day.

At 11:40 the following morning, when Sen. Barack Obama (D-Ill.) put out a statement on the thinly sourced item -- which charged that the Democratic senator from New York was sitting on "scandalous" information about her rival -- the Clinton team was ready.

"Once again Senator Obama is echoing Republican talking points, this time from Bob Novak," Clinton communications chief Howard Wolfson e-mailed reporters.

After another statement from Obama, who demanded that Clinton refute the charge, Wolfson fired again: "It's telling that the Obama campaign would rather spend the day throwing mud in Bob Novak's sandbox than talking about the issues." And for good measure, the campaign recycled some of its greatest hits against Obama on a newly launched Web site dubbed "The Fact Hub."

Every presidential campaign finds itself dealing with allegations, exaggerations and rumors that require a quick response. But journalists say that Clinton campaign officials are the fastest and fiercest at pushing back against media accounts that they regard as unfair or inaccurate.

"We live in a minute-to-minute media culture," Wolfson said. "What may seem like a small story one day could snowball into a larger story the next day. Left unchecked, false stories can take on a life of their own."

Obama has also been the subject of unsubstantiated reports, such as a claim by a conservative Web site that he had not put his hand on his heart in Iowa during a recitation of the Pledge of Allegiance. The Obama camp explained that a Time photo of the event -- which showed Clinton and New Mexico Gov. Bill Richardson (D) with hands on their hearts -- was taken during the singing of the national anthem.

"Untrue rumors need to be beaten back," said Obama spokesman Bill Burton. "Often the media spend too much time focusing on the superfluous."

Strategists for Obama believe that Clinton could have defused the three-paragraph Novak item by notifying Obama's staff to say that it was untrue. "I think we pretty effectively took this issue head-on and were able to put it to bed," Burton said.

Bill Clinton honed the art of rapid response in his 1992 campaign, as memorialized in the movie "The War Room." President Bush's campaigns were known for even swifter reactions to criticism, as blast faxes gave way to BlackBerry messages and technology fostered a nonstop news cycle.

As a former first lady who lived through numerous scandals in her husband's White House, Hillary Clinton seems determined to avoid the fate of Sen. John F. Kerry (Mass.), the 2004 Democratic nominee, who later admitted he was too slow to respond to attacks on his Vietnam War record by Swift Boat Veterans for Truth.

"One of the greatest strengths of the Clinton campaign is they've internalized and updated the lessons of 1992 for the new media era," said Dan Schnur, a Republican campaign veteran. "When it comes to rapid response, you can't be too fast, but you can certainly be too hysterical. It's important to get information into reporters' hands as quickly as possible, but you don't want to be the deputy press

The Clinton camp unleashed the heavy artillery on Nov. 8. Singer was driving to the Arlington headquarters that morning when he heard part of a National Public Radio report on two women whose lives had been touched by the campaign. At the office, Singer learned that he had missed an interview with a waitress at a Maid-Rite sandwich shop in Toledo, Iowa, who said that "nobody got left a tip" after Clinton ate a loose-meat sandwich at the lunch counter.

As the tale, powered by a link on the Drudge Report, ricocheted across the Internet, Clinton staffers tracked down those who were at the restaurant, including the aide who paid the bill with his credit card.

"The Clinton campaign was upset that we hadn't called them to talk about the tip," said NPR reporter David Greene, who acknowledged that he should have checked further. "We weren't trying to do gotcha journalism."

Singer sent off an e-mail to NPR: "The campaign spent $157 and left a $100 tip at the Maid-Rite Restaurant. Wish you had checked in with us beforehand." As the Republican National Committee began e-mailing the NPR report to the press, Clinton staffers contacted reporters and got their denials onto blogs at the Chicago Tribune, The Washington Post and the New York Times and other media outlets. An aide was also dispatched to hand the waitress $20.

"The first version of a story is incorrect, it gets pounced on, your opponents jump on it, and trying to get the toothpaste back in the tube is almost impossible," said Jay Carson, Clinton's traveling press secretary. "All of a sudden you have reputable news organizations chasing it." With the tip yarn, he said, "you're in the middle of a full-fledged controversy over something that didn't really happen."

The Clinton campaign isn't reticent about challenging news reports that turn on interpretation, either, and critics have likened its aggressive tactics to those of the Bush White House, which has had tense relations with the press corps.

"Reporters who have covered the hyper-vigilant campaign say that no detail or editorial spin is too minor to draw a rebuke," the New Republic says.

Clinton aides know they run the risk of highlighting small items that might otherwise receive scant attention but have concluded that, most of the time, that is an acceptable risk. "Vigilance is very important," Wolfson said. "I think Democratic voters expect a nominee's campaign to know how to correct the record."

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Books: Division of the U.S. Didn’t Occur Overnight


The New York Times

During President George W. Bush’s first term, one of his senior political advisers summed up the prevailing philosophy at the White House like this: “This is not designed to be a 55 percent presidency,” he said. “This is designed to be a presidency that moves as much as possible of what we believe into law while holding 50 plus one of the country and the Congress.” Bold ideas that could mobilize his conservative Republican base were prized over efforts to convince independent voters in the center; sharp divisions over the administration’s policies were regarded as proof of Mr. Bush’s decisiveness and willingness to challenge conventional thinking.

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Ellen McMenamin

Ronald Brownstein

THE SECOND CIVIL WAR

How Extreme Partisanship Has Paralyzed Washington and Polarized America

By Ronald Brownstein

484 pages. The Penguin Press. $27.95.

Lars Klove for The New York Times

As the veteran political reporter Ronald Brownstein observes in his timely and compelling new book, this is very much how President Bush has governed: “In his congressional strategy he consistently demonstrated that he would rather pass legislation as close as possible to his preferences on a virtually party-line basis than make concessions to reduce political tensions or broaden his support among Democrats.” And in his dealings with both Congress and other nations before the invasion of Iraq, Mr. Brownstein goes on, Mr. Bush “sought not to construct a consensus for a common direction on Iraq, but rather to obtain acquiescence for the undeviating direction he had charted in his own mind.”

Mr. Bush’s failure to build a broad coalition of public support would contribute to his precipitous slide in public opinion, as the war bogged down; and his administration’s highly partisan approach to governing would fuel efforts on the part of liberal activists to push the Democratic Party into a more confrontational, adversarial stance as well. Indeed, as Mr. Brownstein notes in “The Second Civil War,” America has entered what Ken Mehlman, the campaign manager for Mr. Bush in 2004, calls an era of “hyperpartisanship.”

“The ideological differences between the parties are as great as at any time in the past century,” Mr. Brownstein writes. “But the country is split almost exactly in half between the two sides. Deeply and closely divided is an unprecedented and explosive combination.”

While voters for the losing side always feel unrepresented when the other party wins unified control over the government, he says, they used to be able to look to heretics in the majority coalition who championed an approximation of their views, but with waning numbers of these mavericks — i.e., liberal Republicans or conservative Democrats, who moderated their parties’ stands — this option is increasingly unavailable. Moreover, as activists on both sides have come to exert more leverage on their parties, bipartisan cooperation is scorned, and big issues requiring comprehensive solutions (like health care and immigration reform) are sidelined in the standoff.

Although many of these developments might seem obvious to anyone who follows politics, Mr. Brownstein — a longtime political correspondent and columnist for The Los Angeles Times, and now political director of Atlantic Media Company — does a highly nuanced job of dissecting this alarming phenomenon, while eloquently situating it within a historical context and examining its palpable consequences for the country at large.

Mr. Brownstein contrasts the current age of “hyperpartisanship” with the “age of bargaining,” during which Truman, Eisenhower, Kennedy and Johnson (at least until his landslide victory in 1964) worked and negotiated, usually by necessity, with opponents on the other side of the political aisle. While this system tended to make for incremental, rather than revolutionary, reform, Mr. Brownstein says, “it compelled political leaders who held contrasting views and represented differing constituencies to talk and listen to each other.” It could also lead to big, overarching policy making: most notably, a bipartisan strategy for resisting the Soviet Union and contesting the cold war.

During what Mr. Brownstein calls “the age of Transition,” Nixon warred with the Democrats over foreign policy but cooperated with them on many domestic issues, leading to an extension of the Voting Rights Act, the end of the draft, the 18-year-old vote, the Consumer Product Safety Act and a variety of environmental legislation. Reagan’s presidency, he says, “unleashed ideological energies that widened the distance between the parties and escalated the conflicts between them.”

But at the same time, he adds, Reagan’s “political and personal tendencies were integrative, not divisive,” and he “mostly sought not to deepen ideological or partisan differences but to transcend them in an appeal to shared assumptions” about “individualism at home and American exceptionalism in the world.”

As for President Bill Clinton, Mr. Brownstein credits him with trying to rebuild a political majority for the Democratic Party by synthesizing priorities from the left and right and integrating ideas from a broad spectrum of thinkers and interests. But if Mr. Clinton managed some important centrist achievements — including a crime bill, the passage of Nafta and welfare reform — he also personally became (especially in the wake of the Monica Lewinsky scandal) a flash point for controversy, which “accelerated the trend toward a political alignment that divided the nation more along lines of culture than class.”

In fact, Mr. Brownstein argues that the House vote to impeach Mr. Clinton — marked by vociferous partisan confrontation, and the explicit rejection of any compromise (like censure) that might have united the parties and the country — may well signify “the final, full transition into the political era” of hyperpartisanship in which we now live.



In the course of this book Mr. Brownstein astutely examines the many factors that contributed to this development: the emergence in the ’60s and ’70s of interest groups on both the left and right (representing everything from women’s and gay rights to anti-abortion and anti-gun-control interests), which would exert growing influence on Washington; the abandonment of the seniority principle in Congress, which meant, in Mr. Brownstein’s words, that “everyone was judged every day on how often they voted with their party, how much money they raised for their colleagues, and how reliably they stood with their ‘team’ in rhetorical firefights against the other side”; the increasing homogenization within each of the parties, which saw a widening gap between Republicans and Democrats; and the growing partisanship of the media with the ascendance of talk radio, Internet blogs and cable news channels like Fox News.

In describing the history of partisanship in this country Mr. Brownstein writes with both an authoritative understanding of the political dynamics in Washington and a plain-spoken common sense. He points out the practical dangers of hyperpartisanship — how it has prevented America’s leaders from agreeing on everything from a comprehensive immigration plan to a strategy for reducing the country’s dependence on foreign oil to a long-term plan for securing Social Security. And he reminds us that while the country itself is not more divided than it has been in the past (especially when compared, say, with the 1960s or the 1860s), the nation’s current political system accentuates differences instead of bridging them.

In contemplating the possibility of building a political system that would be “less confrontational and more productive than today’s,” Mr. Brownstein explores a host of suggestions, including term limits for Supreme Court justices, the opening of all party primaries to independents, and the formation of a viable third party. Some of these suggestions may seem unrealistic, given the current state of politics. But the low approval rates for both the Bush White House and the Democratic-controlled Congress, combined with a growing conviction that the country is now off-track (an ABC News/Washington Post poll this month showed that 74 percent of Americans say the country is headed in the wrong direction), attest to the public’s dissatisfaction with legislative gridlock and poisonous fights over national security, social issues and Supreme Court appointments.

In the long term, Mr. Brownstein writes toward the end of this sobering book, “the party that seeks to encompass and harmonize the widest range of interests and perspectives is the one most likely to thrive. The overriding lesson for both parties from the Bush attempt to profit from polarization is that there remains no way to achieve lasting political power in a nation as diverse as America without assembling a broad coalition that locks arms to produce meaningful progress against the country’s problems.”

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Les Américains prêts à voter pour un Giuliani en bas résille?


L’ancien maire de New York Rudolph Giuliani n’a pas toujours porté la panoplie de pompier du 11 septembre. Avant les attentats de 2001, les New-Yorkais l’ont vu à plusieurs reprises habillé en femme. Il a enfilé escarpins et bas résille pour un numéro avec les Rockettes, des danseuses de revue. Il a porté une perruque blonde et du rouge à lèvres dans un numéro de Victor-Victoria avec Julie Andrews. Et il s'est affublé de gros seins contre lesquels Donald Trump a écrasé son nez. (Voir la vidéo.)

L’occasion: la soirée du "Inner Circle Dinner", un dîner traditionnel de la presse new-yorkaise à la fin duquel les politiques font leur show. Un exercice auquel Rudy Giuliani s’est toujours plié avec bonheur, comme le prouve cette autre vidéo. (Voir la vidéo.)


Ses costumes travestis font partie de ses bagages de maire de New York, une ville plus tolérante et plus à gauche que le reste du pays. Pendant ses années à la mairie, Giuliani a aussi défilé à la Gay Pride. A l’époque de sa séparation avec sa deuxième femme, l’atmosphère de leur foyer était tellement orageuse qu’il était allé se réfugier chez un couple d’amis homosexuels.

Politiquement, il a défendu le droit des femmes à l’avortement, une position à laquelle il a mis un bémol depuis son entrée dans la course à la Maison Blanche, mais qu'il n'a pas cependant reniée, contrairement à son adversaire l’ex-gouverneur Mitt Romney.

Un candidat républicain plus souvent en robe qu'Hillary

A trois mois des primaires des prochaines élections, l’homme en tête des candidats à la succession de George Bush, côté républicain, a, comme l’a écrit un chroniqueur américain, été vu plus souvent en robe qu’Hillary Clinton.

"Le succès de Giuliani à ce stade signifie que la droite chrétienne aboie plus fort qu'elle ne mord", nous résume Alan Wolfe du Boston College: "Les républicains qui sont en tête des sondages sont des gens qui ne plaisent pas à la droite chrétienne." Ainsi du sénateur John McCain qui, en 2000, traitait les leaders de la droite chrétienne d''agents d'intolérance', ou Mitt Romney, parce qu'il est mormon.

A l'inverse, observe encore Wolfe, ceux qui pourraient plaire aux évangélistes peinent à décoller dans les sondages, comme l'ancien pasteur Mike Huckabee gouverneur d'Arkansas, ou le sénateur du Kansas Sam Brownback, le chouchou de la droite conservatrice, crédité d'1% des intentions de vote.

Les conservateurs semblent se déterminer sur d'autres critères que l'opposition à l'avortement et au mariage gay. On est loin des élections de 2004, lorsque Karl Rove, l'éminence grise de George Bush, avait mobilisé les électeurs évangélistes en agitant les épouvantails du mariage homosexuel et de l'avortement.

Alan Wolfe n'hésite pas ainsi à prédire:

"Giuliani plait aux électeurs conservateurs qui croient en sa force sur les questions de sécurité nationale. On se souviendra de cette élection comme de celle où les évangélistes ont perdu leur influence au sein du parti républicain."

Professeur à George Mason University, Mark Rozell voit une autre explication:

"Beaucoup de conservateurs évangélistes sont capables de surmonter leurs différends avec Giuliani. La raison? Les trois mots de la langue anglaise qui les effraient le plus: 'président Hillary Clinton'.

"Ils veulent que le parti républicain garde le contrôle de la Maison Blanche, et éviter à tout prix un retour des Clinton. Ils préfèrent voter pour un candidat qui puisse gagner plutôt que de soutenir un candidat qui leur semble plus pur mais qui n’ait pas de chances de gagner."

Les groupes évangélistes envisagent de soutenir un troisième candidat

La question divise la droite chrétienne. Plusieurs grandes figures évangélistes comme James Dobson, fondateur du groupe Focus on the Family envisagent, en cas de nomination de Giuliani, de soutenir un candidat d’un troisième parti. Stratégiquement, a expliqué James Dobson sur Fox News, une victoire d’Hillary ménagerait plus le pouvoir de la droite chrétienne qu’une de Giuliani:

"Si Rudy Giuliani gagne, je vous assure que le mouvement d’opposition à l’avortement est cuit. Alors que si c’est Hillary qui gagne, il y aura une mobilisation contre tout ce qu’elle voudra faire".

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Gore Derangement Syndrome

The New York Times

On the day after Al Gore shared the Nobel Peace Prize, The Wall Street Journal’s editors couldn’t even bring themselves to mention Mr. Gore’s name. Instead, they devoted their editorial to a long list of people they thought deserved the prize more.


Paul Krugman.


And at National Review Online, Iain Murray suggested that the prize should have been shared with “that well-known peace campaigner Osama bin Laden, who implicitly endorsed Gore’s stance.” You see, bin Laden once said something about climate change — therefore, anyone who talks about climate change is a friend of the terrorists.

What is it about Mr. Gore that drives right-wingers insane?

Partly it’s a reaction to what happened in 2000, when the American people chose Mr. Gore but his opponent somehow ended up in the White House. Both the personality cult the right tried to build around President Bush and the often hysterical denigration of Mr. Gore were, I believe, largely motivated by the desire to expunge the stain of illegitimacy from the Bush administration.

And now that Mr. Bush has proved himself utterly the wrong man for the job — to be, in fact, the best president Al Qaeda’s recruiters could have hoped for — the symptoms of Gore derangement syndrome have grown even more extreme.

The worst thing about Mr. Gore, from the conservative point of view, is that he keeps being right. In 1992, George H. W. Bush mocked him as the “ozone man,” but three years later the scientists who discovered the threat to the ozone layer won the Nobel Prize in Chemistry. In 2002 he warned that if we invaded Iraq, “the resulting chaos could easily pose a far greater danger to the United States than we presently face from Saddam.” And so it has proved.

But Gore hatred is more than personal. When National Review decided to name its anti-environmental blog Planet Gore, it was trying to discredit the message as well as the messenger. For the truth Mr. Gore has been telling about how human activities are changing the climate isn’t just inconvenient. For conservatives, it’s deeply threatening.

Consider the policy implications of taking climate change seriously.

“We have always known that heedless self-interest was bad morals,” said F.D.R. “We know now that it is bad economics.” These words apply perfectly to climate change. It’s in the interest of most people (and especially their descendants) that somebody do something to reduce emissions of carbon dioxide and other greenhouse gases, but each individual would like that somebody to be somebody else. Leave it up to the free market, and in a few generations Florida will be underwater.

The solution to such conflicts between self-interest and the common good is to provide individuals with an incentive to do the right thing. In this case, people have to be given a reason to cut back on greenhouse gas emissions, either by requiring that they pay a tax on emissions or by requiring that they buy emission permits, which has pretty much the same effects as an emissions tax. We know that such policies work: the U.S. “cap and trade” system of emission permits on sulfur dioxide has been highly successful at reducing acid rain.

Climate change is, however, harder to deal with than acid rain, because the causes are global. The sulfuric acid in America’s lakes mainly comes from coal burned in U.S. power plants, but the carbon dioxide in America’s air comes from coal and oil burned around the planet — and a ton of coal burned in China has the same effect on the future climate as a ton of coal burned here. So dealing with climate change not only requires new taxes or their equivalent; it also requires international negotiations in which the United States will have to give as well as get.

Everything I’ve just said should be uncontroversial — but imagine the reception a Republican candidate for president would receive if he acknowledged these truths at the next debate. Today, being a good Republican means believing that taxes should always be cut, never raised. It also means believing that we should bomb and bully foreigners, not negotiate with them.

So if science says that we have a big problem that can’t be solved with tax cuts or bombs — well, the science must be rejected, and the scientists must be slimed. For example, Investor’s Business Daily recently declared that the prominence of James Hansen, the NASA researcher who first made climate change a national issue two decades ago, is actually due to the nefarious schemes of — who else? — George Soros.

Which brings us to the biggest reason the right hates Mr. Gore: in his case the smear campaign has failed. He’s taken everything they could throw at him, and emerged more respected, and more credible, than ever. And it drives them crazy.

O Filtro de Thomas Traumann

A vitória verde
O fim-de-semana dos jornais americanos foi uma seqüência das especulações sobre o prêmio Nobel da Paz de Al Gore. Los Angeles Times define o prêmio como uma derrota para George W. Bush.

Thomas L. Friedman escreve no The New York Times que Gore é o que resta da credibilidade dos EUA no Exterior. Furioso, o The Wall Street Journal gastou seu artigo citando outras personalidades que deveriam ter recebido o prêmio ao invés daquele...verde!

Uma boa reportagem ambiental está no britânico The Observer, que conta que o líder ianomami Davi Kopenawa quer que as ONGs internacionais parem de comprar áreas de reserva na Amazônia. O seu alvo é o milionário conselheiro ambiental do governo inglês Johan Eliasch, cuja Ongs promete proteger a Amazônia comprando terras. É a velha idéia de que o problema da Amazônia são os brasileiros.

Leia a integra da coluna O Filtro no portal da revista Época

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Foreign Policy, Privatized


The New York Times

WHILE most Americans are aware of the controversy over the role of the private security company Blackwater in Iraq, probably few understand that armed contractors in Iraq are just the tip of an iceberg. Across the globe, in everything from diplomacy to development to intelligence, contractors are a major American presence, and only a small fraction of them carry weapons. American foreign policy, to a great extent, has been privatized.

The charts below, based on figures from the Federal Procurement Data System, tell the story. In 2005, federally financed contractors were working in every United Nations-recognized country except Bhutan, Nauru and San Marino.

It has become conventional wisdom to blame the Bush administration for the “hollowing out” of government, but this misses the mark. While contract spending has more than doubled since 2001, serious federal efforts to outsource began under President Bill Clinton.

Nor is contracting necessarily bad: United States money creates jobs for the local population, and humanitarian organizations like Save the Children, CARE and Catholic Relief Services have relied heavily on dollars from Washington. Outsourcing can play to America’s strengths, exploiting our capacity for innovation, flexibility and efficiency.

Yes, as we have seen in Iraq, hiring contractors can lead to severe problems with accountability and fraud. And while steps like making contractors liable for civil penalties may manage some symptoms, they will not cure the disease. We need to devise far better ways of overseeing contractors worldwide.

Some are tempted to turn back the clock and reassert traditional government authority, denouncing private-sector greed and the “coalition of the billing.” But that would be a terrible mistake, for outsourcing is in part a rational response to the new possibilities of the information age. The challenge will be to manage creative forms of collaboration between government and the private sector in ways that serve the public interest.

Allison Stanger, a professor of political science at Middlebury College, is writing a book on the privatization of American power. Omnivore is a graphic design firm in New York City.

domingo, 30 de setembro de 2007

USA: “O momento favorece os progressistas", diz analista Todd Gitlin

Image: Democratic presidential hopefuls

Bill Sikes / AP
Democratic presidential hopefuls from left, Sen. Joseph Biden, D-Del., Sen. Christopher Dodd, D-Conn., New Mexico Gov. Bill Richardson, Sen. Barack Obama, D-Ill., former Sen. John Edwards, D-N.C., Rep. Dennis Kucinich, D-Ohio, Sen. Hillary Rodham Clinton, D-N.Y., former Sen. Mike Gravel, D-Alaska arrive on stage for a debate at Dartmouth College on Wednesday.


Na longa campanha, candidatos à presidência dos EUA confundem o eleitorado, diz analista

Pedro Doria

O Estado de São Paulo

Na quinta-feira, os políticos que concorrem à candidatura presidencial pelo Partido Republicano se encontraram para um debate. Nem todos foram. Na quarta, foi a vez de os democratas se reunirem. Numa campanha tão longa - serão 18 meses no total - os debates parecem que nunca param. “Os candidatos falam, falam e dão a impressão de que nada dizem”, comenta o analista de mídia Todd Gitlin. Confundem o eleitor, que acaba fazendo uma opção mais pela forma do que pelos fatos.

Para o especialista, a má impressão é em parte responsabilidade da imprensa - para ele, “superficial, sensacionalista e mais preocupada com embates que produzam espetáculo” do que com conflitos entre idéias. Ainda assim, com o governo de George W. Bush desgastado, o escolhido pelos democratas deve vencer. “Há uma geração que os republicanos estão focados no objetivo de chegar ao poder”, diz Gitlin. Tiveram à disposição o dinheiro das grandes corporações e a disciplina da direita religiosa. Mas a militância democrata, organizada pela internet, pode mudar o jogo.

O que não muda é a natureza dos EUA, sempre mais conservador que o resto do Ocidente. “Foi o primeiro país moderno a fazer sua Revolução”, explica o professor. “O movimento conservador não quer que aquelas conquistas desapareçam.” A seguir, os principais pontos de sua entrevista para o Aliás.

OS CANDIDATOS

“Se você me perguntar o que cada candidato diz, eu não saberia.Estão todos os dias, todas as horas, nas TVs, nas rádios, nos jornais. Falam, falam e não dizem nada. Minha esperança é que, se prestarmos muita atenção, se lermos as transcrições de tudo que dizem, talvez descubramos que aqui e ali estejam conversando como adultos a respeito de temas importantes como impostos, saúde, educação. Porque a quantidade de coisas que falam é tão grande que, talvez, no balanço, algo de importante tenha sido dito.

CAMPANHA PRESIDENCIAL

“Ainda assim, e insisto que é apenas talvez, esta que está começando se mostre ligeiramente melhor que as campanhas presidenciais recentes. Digo isso porque será uma campanha longa, são 18 meses entre o anúncio das candidaturas e a eleição, e os candidatos têm tido muitas oportunidades para se encontrar, o que facilita o confronto de idéias. Por outro lado, debates que reúnem cinco ou dez políticos não são debates. São sabatinas da imprensa feitas consecutivamente.

MÍDIA

“A cobertura da imprensa se nivela por baixo. É superficial, sensacionalista, fofoqueira. Os únicos confrontos políticos que interessam são aqueles que apelam de alguma forma ao espetáculo. Mas não quer dizer que esteja pior. A cobertura da eleição de 2000, esta sim foi realmente terrível. Havia tanta fumaça, tanta confusão, que ninguém se lembrou de ir atrás do passado dos candidatos. A distorção dos históricos pessoais de George W. Bush e Al Gore teve imensas repercussões, a começar pela habilidade de Bush de fazer-se vencedor do pleito. Comparado com aquilo, a imprensa vai muito bem. Mas ser melhor do que foi em 2000 não é vantagem.

VALORES

“Entre os americanos há uma crença enraizada de que os Estados Unidos sejam uma terra privilegiada, quase mítica, e suas instituições devem ser preservadas. No DNA cultural do povo está uma necessidade de afirmar e reafirmar sua religiosidade, que é atípica no Ocidente. Não quer dizer que americanos sejam mais ou menos religiosos que os outros, apenas consideram importante enfatizar sua fé. Os EUA foram o primeiro país moderno a fazer uma revolução com sucesso e o argumento dos conservadores é de que os ganhos daquela revolução devam ser preservados. Num país em que a maioria teve acesso à terra própria no início de sua história, no período colonial, valores como o direito à propriedade são profundamente arraigados. Mas, evidentemente, há valores que podem ser considerados antagônicos a este, como uma tradição incrivelmente igualitária.

REPUBLICANOS

“Eles são extremamente focados na conquista de poder. Têm uma incrível quantidade de dinheiro. Apesar de representarem um grupo pequeno de facções, conseguem atrair candidatos com imenso apelo público, homens carismáticos, capazes de capturar a imaginação da massa de americanos. Têm a disciplina da direita cristã e o dinheiro das grandes corporações. É por isto que o predomínio conservador já dura uma geração.

DEMOCRATAS

“O momento favorece os progressistas. O aparato do Partido Democrata está disciplinado graças ao presidente da legenda, Howard Dean. Há um sistema eficiente de mobilização dos militantes e de arrecadação de fundos via internet. Dean conseguiu fazer com que as facções que compõem o partido aprendessem que precisam cooperar, ao invés de disputar entre si. Eu diria que os democratas chegaram tarde à festa. Mas chegaram.

INTELECTUAIS

“Boa parte do sentimento anti-Bush vêm de intelectuais, mas eles não são organizados. Não há um movimento. Costumo brincar dizendo que enquanto a direita estava marchando sobre Washington, a esquerda marchava sobre o departamento de inglês das universidades...

JUVENTUDE


“Os anos 60 exacerbaram o ativismo estudantil, mas ele não se manteve. Os estudantes de hoje são muito dedicados às aulas e querem se formar, entre outros motivos porque o custo do ensino superior ficou alto. Naquela época, os jovens tinham valores diferentes dos de seus pais, queriam sair do establishment. Havia um rompimento geracional. Hoje, os jovens fazem parte do establishment e os riscos em viver fora do padrão são muito maiores. Não é mais possível viver uma vida de pobreza confortável, como era. E há uma mudança de foco. Os estudantes estão menos interessados em liderar uma revolução. São de certa forma menos presunçosos, menos ambiciosos.”

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Ascensão e queda de Condoleezza

The Economist, publicado pela revista Eu&, do jornal Valor (para assinantes)

É difícil acreditar agora, mas até a primavera de 2005 (segundo trimestre no Hemisfério Norte), Condoleezza Rice era tida como uma possível candidata à Presidência dos Estados Unidos. Ela havia sido nomeada secretária de Estado, em substituição a Colin Powell, no começo do segundo mandato de George W. Bush, e uma viagem pelo planeta estava correndo bem. Em Paris, o embaixador francês para os EUA observou que "todos estavam determinados a se apaixonar" por ela, que provocou surpresa em Wiesbaden ao aparecer em público com botas de couro de cano alto (à altura do joelho). Seu porta-voz chegou a ponto de alimentar especulações sobre uma possível candidatura ao plantar o assunto junto a um jornalista.

AP

A estrela de Condoleezza, que subiu tão rápido, caiu de volta na obscuridade, e o motivo é fácil de ser percebido para qualquer um que ler estas duas biografias: "Twice as Good: Condoleezza Rice and Her Path to Power", de Marcus Mabry (Rodale, 362 págs., US$27,50) e "The Confidante: Condoleezza Rice and the Creation of the Bush Legacy", de Glenn Kessler (St. Martin's Press, 304 págs., US$ 25,95). Como secretária de Estado, na maioria das vezes não conseguiu lidar com uma teia de problemas que ela própria ajudou a criar quando estava se transformando em uma conselheira de segurança nacional notadamente fraca. Visionário, Powell disse sobre o Iraque: "Se você o subjugar, passará a ser dono dele." Isso pode muito bem servir como epitáfio à carreira de Condoleezza no topo das esferas formuladoras de política dos Estados Unidos.

Dos dois livros, o de Mabry é o mais completo; uma biografia em grande escala cobrindo a vida de Rice da infância na violenta e segregacionista Birmingham, no Alabama, até os dias atuais. Ele tirou o título de seu livro de uma frase que era sempre dita na família dela, a de como negro americano era preciso ser "duas vezes bom" para vencer na vida, ainda mais no caso das mulheres. Mesmo assim, muita coisa do que ele relata carrega isso. Condoleezza cresceu na cidade que na época pode muito bem ter sido a mais racista dos EUA; ela ouviu e sentiu a explosão do atentado de supremacistas brancos à Sixteenth Street Baptist Church em 1963. Sua família, porém, se mudou para o Colorado, mais tolerante, quando ela tinha 12 anos. Lá, seu pai rapidamente subiu à posição de administrador-sênior da Universidade de Denver.


O começo da carreira de Condoleezza - primeiro para uma vaga na mesma universidade, depois para Stanford e daí para o Conselho de Segurança Nacional em Washington, voltando depois para Stanford para se tornar diretora aos 38 anos - mostra portas se abrindo prontamente. Mabry não produz nada sugerindo que ela teve de ser "duas vezes melhor" para conseguir tudo isso.


Sua maior oportunidade surgiu em 2000, quando o candidato George W. Bush a escolheu para auxiliá-lo na política externa, assunto sobre o qual ele admitia não conhecer quase nada. Mabry mostra muito desse entrosamento instantâneo entre essas duas pessoas muito diferentes, uma mulher muito culta e o bagunceiro arrependido, embora não consiga explicar totalmente isso. Condoleezza chegou a descrever o candidato como dono de uma "mente incrivelmente curiosa". Mais tarde, Bush a descreveria como "a mulher mais poderosa da história mundial".


O que torna um mistério como ela trabalhou tão mal para ele. O consultor de segurança nacional tem como dever coordenar a formulação da política externa dos EUA. Mesmo assim, Condoleeza parecia nesse cargo completamente incapaz de resolver as muitas disputas entre o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, e o secretário de Estado, Colin Powell. Mesmo sem isso, seria impossível não atribuir a ela grande parte da culpa pelos erros cometidos no Iraque. Se ela percebeu que os EUA estavam enviando um número muito pequeno de soldados e tivesse rejeitado todo o planejamento pós-guerra, deveria ter dito ao presidente: ele a ouvia e ela tinha acesso a ele. Se não percebeu, deveria ter percebido.


Mabry discorre detalhadamente sobre a incapacidade de Condoleezza de admitir seus erros. Essa qualidade de inapetência também se estende à sua recusa em aceitar qualquer parcela de culpa na não-antecipação dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. O livro apresenta evidências em abundância dos alertas que foram repetidamente enviados a ela pela CIA (um dos sucessos pouco alardeados da agência) e sua incapacidade de levá-los a sério. Ele observa que Condoleezza parecia não ter a menor idéia sobre a força do terrorismo em geral.


Já o livro de Glenn Kessler se concentra nos dois primeiros anos de Condoleezza Rice como secretária de Estado e sua fracassada tentativa de relançar a política externa americana. É um relato fascinante de como a diplomacia é conduzida de perto


Kessler dá o devido crédito à inteligência e energia de Condoleezza. Mas sua conclusão clara é de que a maioria dos problemas que ela tentou resolver estava além de sua capacidade. Ele critica os limites do que a equipe de Condoleezza chama de "idealismo prático"; para Kessler, o termo não faz sentido. A campanha de Condoleezza pela democracia no Oriente Médio é especialmente criticada: quando as eleições trazem resultados embaraçosos, como no Líbano e na Palestina, o instinto dela é simplesmente tratar os resultados como aberrações, ignorando as próprias palavras sobre democracia. A administração desistiu há muito de tentar promover sociedades mais livres na Arábia Saudita e no Egito, ambos aliados americanos. Os esforços para impedir o Irã de se transformar em uma potência nuclear também deram em nada e a guerra no Iraque ainda está longe de uma solução.


É possível, conclui Kessler, que algum historiador do futuro venha a enxergar Condoleezza de uma maneira mais favorável. Mas, com seu atual emprego chegando ao fim, as possibilidades não parecem boas.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Lula, Bush e a Rodada Doha

da Folha Online

Kennedy Alencar, repórter especial da Folha de S.Paulo e colunista da Folha Online, fala sobre o encontro entre os presidentes brasileiros Luiz Inácio Lula da Silva e o norte-americano George W.Bush. Para o colunista, esse encontro terá reflexos importantes para o avanço das negociações em torno da Rodada Doha. Ouça aqui

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Para Bush, republicanos já têm quem enfrentar: Hillary Clinton

O Globo Online

RIO - Pela primeira vez, o presidente dos EUA, George W. Bush, previu que a senadora Hillary Clinton derrotará o também senador Barack Obama na luta pela indicação do Partido Democrata para a eleição presidencial do próximo ano.

A previsão está no livro "Evangelical President", de Bill Sammon, que será lançado nesta segunda-feira. De acordo com a obra, Bush afirma que Hillary "tem presença nacional e habilidade para arrecadar dinheiro suficiente para sustentar um esforço em várias frentes".

Entretanto, Bush manifestou otimismo:

"Acredito que o nosso candidato possa derrotá-la, mas será uma disputa dura(...) Eu realmente acredito que os republicanos vão manter a Casa Branca".

De acordo com as últimas pesquisas, os favoritos para representar os republicanos no pleito de 2008 são o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, o ex-senador e ator Fred Thompson, o senador John McCain e ex-governador de Massachusetts Mitt Romney.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Editorial do The New York Times defende etanol brasileiro

O influente jornal norte-americano disse hoje no seu editorial que o etanol dos Estados-Unidos, produzido a partir do milho, é caro, subsidiado e encarece os alimentos contribuindo pesadamente com a inflação. Para o jornal seria melhor importar o etanol brasileiro, feito a partir de cana-de-açúcar e que é mais econômico. O governo Bush, ao contrário, taxa o etanol brasileiro e financia duplamente os produtores de milho norte-americanos, critica o jornal.

Editorial The New York Times

The High Costs of Ethanol



Backed by the White House, corn-state governors and solid blocks on both sides of Congress’s partisan divide, the politics of biofuels could hardly look sunnier. The economics of the American drive to increase ethanol in the energy supply are more discouraging.

American corn-based ethanol is expensive. And while it can help cut oil imports and provide modest reductions in greenhouse gases compared to conventional gasoline, corn ethanol also carries considerable risks. Even now as Europe and China join the United States in ramping up production, world food prices are rising, threatening misery for the poorest countries.

The European Union has announced that it wants to replace 10 percent of its transport fuel with biofuels by 2020. China is aiming for a 15 percent share. The United States is already on track to exceed Congress’s 2005 goal of doubling the amount of ethanol used in motor fuels to 7.5 billion gallons by 2012. In his State of the Union speech in January, President Bush set a new goal of 35 billion gallons of biofuels by 2017. In June, the Senate raised it to 36 billion gallons by 2022. Of that, Congress said that 15 billion gallons should come from corn and 21 billion from advanced biofuels that are nowhere near commercial production.

The distortions in agricultural production are startling. Corn prices are up about 50 percent from last year, while soybean prices are projected to rise up to 30 percent in the coming year, as farmers have replaced soy with corn in their fields. The increasing cost of animal feed is raising the prices of dairy and poultry products.

The news from the rest of the world is little better. Ethanol production in the United States and other countries, combined with bad weather and rising demand for animal feed in China, has helped push global grain prices to their highest levels in at least a decade. Earlier this year, rising prices of corn imports from the United States triggered mass protests in Mexico. The chief of the United Nations Food and Agriculture Organization has warned that rising food prices around the world have threatened social unrest in developing countries.

A recent report by the Organization for Economic Cooperation and Development, an economic forum of rich nations, called on the United States and other industrialized nations to eliminate subsidies for the production of ethanol which, the report said, is driving up food costs, threatening natural habitats and imposing other environmental costs. “The overall environmental impacts of ethanol and biodiesel can very easily exceed those of petrol and mineral diesel,” it said.

The economics of corn ethanol have never made much sense. Rather than importing cheap Brazilian ethanol made from sugar cane, the United States slaps a tariff of 54 cents a gallon on ethanol from Brazil. Then the government provides a tax break of 51 cents a gallon to American ethanol producers — on top of the generous subsidies that corn growers already receive under the farm program.

Corn-based ethanol also requires a lot of land. An O.E.C.D. report two years ago suggested that replacing 10 percent of America’s motor fuel with biofuels would require about a third of the total cropland devoted to cereals, oilseeds and sugar crops.

Meanwhile, the environmental benefits are modest. A study published last year by scientists at the University of California, Berkeley, estimated that after accounting for the energy used to grow the corn and turn it into ethanol, corn ethanol lowers emissions of greenhouse gases by only 13 percent.

The United States will not meet the dual challenges of reducing global warming and its dependence on foreign suppliers of energy until it manages to reduce energy consumption. That should be its main goal.

There is nothing wrong with developing alternative fuels, and there is high hope among environmentalists and even venture capitalists that more advanced biofuels — like cellulosic ethanol — can eventually play a constructive role in reducing oil dependency and greenhouse gases. What’s wrong is letting politics — the kind that leads to unnecessary subsidies, the invasion of natural landscapes best left alone and soaring food prices that hurt the poor — rather than sound science and sound economics drive America’s energy policy.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

O triste lamento de Alan

Paul Krugman *

O Estado de São Paulo

(ver também aqui no Blog
Greenspan acusa a Bush en sus memorias de invadir Irak para controlar el petróleo)

Quando o presidente George W. Bush iniciou o primeiro mandato, parecia improvável que ele conseguisse impor seus planejados cortes de impostos. A natureza questionável de sua chegada à Casa Branca parecia tê-lo deixado numa posição política fraca, enquanto o Senado se equilibrava entre os dois partidos. Era difícil imaginar como um enorme e controvertido corte de impostos, que beneficiaria principalmente a elite rica, poderia ser aprovado no Congresso.

Então, Alan Greenspan, na época presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), testemunhou perante a Comissão de Orçamento do Senado.

Até então, Greenspan se apresentara como a voz da responsabilidade fiscal, alertando o governo Clinton para que não arriscasse seus superávits orçamentários conquistados a duras penas. Mas agora os republicanos controlavam a Casa Branca e o Greenspan que comparecia à Comissão de Orçamento era um homem bem diferente.

De repente, sua maior preocupação - a 'política fiscal fundamental necessária', disse ele ao Congresso - era evitar a ameaça de que o governo federal realmente pagasse todas as suas dívidas. A fim de evitar esse desfecho terrível, ele defendeu cortes de impostos. E as comportas foram abertas.

Hoje sabemos que os temores de Greenspan de que o governo federal liquidasse rapidamente as dívidas eram exagerados. E Greenspan acaba de publicar um livro no qual critica o governo Bush por sua irresponsabilidade fiscal.

Lamento, mas esse ataque chega com atraso de seis anos e US$ 1 trilhão. Greenspan agora diz que sua intenção não era dar luz verde aos cortes de impostos de Bush e que ficou surpreso com a reação política a seus comentários. Na verdade, circulavam rumores - que Greenspan hoje confirma - de que o presidente do Fed estava insatisfeito com a resposta a sua declaração inicial.

Mas o fato é que, se Greenspan não pretendia dar apoio decisivo aos cortes de impostos de Bush, teve oportunidades de sobra para desfazer o mal-entendido e mudar o rumo dos acontecimentos. Sua primeira grande chance de ser mais claro surgiu algumas semanas após aquele primeiro testemunho, quando ele se apresentou à Comissão de Assuntos Bancários, Habitacionais e Urbanos do Senado.

Eis o que escrevi depois daquela aparição: 'O desempenho de Greenspan ontem, em seu primeiro testemunho oficial depois de ter feito o estrago, foi uma aula de covardia. Em vários momentos teve a oportunidade de dizer algo que ajudasse a deter os cortes de impostos descontrolados; em cada ocasião driblou a pergunta, muitas vezes respondendo com trechos de seu testemunho anterior. Ele declarou mais uma vez que só exprimia posições particulares, garantindo assim liberdade para se pronunciar em assuntos bem distantes de seu papel como presidente do Fed. No entanto, pressionado a responder se os cortes de impostos que agora pareciam inevitáveis eram grandes demais, ele disse que não era adequado comentar propostas específicas.

Em resumo, Greenspan definiu as regras do jogo a fim de poder intervir como quiser no debate político, escondendo-se atrás de seu cargo sempre que alguém tenta responsabilizá-lo pelos resultados dessas intervenções.'

Depois de publicar esse artigo, recebi um telefonema indignado de Greenspan, exigindo saber o que dissera de errado. Em seu livro, ele alega que Robert Rubin, ex-secretário do Tesouro, ficou chocado com essa pergunta. É difícil acreditar, pois eu certamente não fiquei: o argumento de Greenspan a favor dos cortes de impostos era distorcido e contraditório - para não mencionar que ele se baseava em projeções orçamentárias excessivamente otimistas.

Se alguém tinha dúvidas da determinação de Greenspan de não incomodar a Casa Branca de Bush, elas desapareceram dois anos depois, quando o governo propôs outra rodada de cortes de impostos, embora o orçamento já sofresse um profundo déficit. E adivinhem: o antigo sacerdote da responsabilidade fiscal não fez objeção.

E em 2004 ele apoiou a idéia de tornar permanentes os cortes de impostos de Bush - lembrem-se, esses são os cortes que ele agora diz não ter endossado - e argumentou que o orçamento deveria ser equilibrado com cortes de gastos em benefícios sociais, incluindo a previdência. Em 2001, é claro, ele garantiu ao Congresso especificamente que o corte de impostos não ameaçaria a previdência.

Em retrospectiva, o colapso moral de Greenspan em 2001 foi um presságio. Mostrou como muita gente na comunidade da política externa suspenderia suas faculdades críticas e apoiaria a invasão do Iraque, apesar das provas abundantes de que era realmente uma má idéia.

E como os defensores da invasão que começam a se apresentar como críticos da guerra agora que a aventura no Iraque deu errado, Greenspan começa a se retratar como um crítico da irresponsabilidade fiscal do governo agora que o presidente Bush se tornou profundamente impopular e os democratas controlam o Congresso.

*Paul Krugman escreve para The New York Times

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Greenspan acusa a Bush en sus memorias de invadir Irak para controlar el petróleo

Alan Greenspan, George Bush y Ben Bernanke- AP

El ex presidente de la Reserva Federal califica de irresponsable la política fiscal del Gobierno

SANDRO POZZI - Nueva York para El País

Alan Greenspan no puede ser más oportuno. El ex presidente de la Reserva Federal -el Banco Central de EE UU- publica hoy sus memorias The age of turbulence: adventures in a New World (La era de las turbulencias: aventuras en un nuevo mundo), en las que acusa al presidente de EE UU, George W. Bush, de invadir Irak para controlar el petróleo. Y como ya hiciera cuando estaba al frente de la Fed, no duda en criticar también a la Casa Blanca y al Partido Republicano por llevar a cabo una política fiscal irresponsable, que causó un aumento alarmante del gasto público.

El libro de Greenspan sale a la venta un día antes de que se celebre una reunión decisiva en la Reserva Federal, donde su sucesor, Ben Bernanke, intentará lidiar con una crisis hipotecaria que amenaza con lastrar la economía a la recesión. El ex presidente de la Fed -cargo considerado como el más influyente tras el de presidente- tiene 81 años. Fue designado por Ronald Reagan en 1987. Estuvo más de 18 años en su puesto y siempre calibró sus palabras.

A los pocos meses de ponerse al frente de la Fed le tocó lidiar con la gran crisis financiera mundial de finales de los ochenta. Más tarde, los ataques del 11-S, el estallido de la burbuja de las empresas de Internet y escándalos como el de Enron pusieron a prueba su liderazgo. En la biografía utiliza su propia voz para dar detalles de su relación con Richard Nixon, Ronald Reagan, Bill Clinton y los Bush, padre e hijo.

Greenspan, que dejó su cargo en febrero de 2006, se define como un "republicano libertario". Pero el hecho de que sea conservador no le impide opinar sobre la política de Bush. Se atreve a poner el dedo donde más le duele al inquilino de la Casa Blanca: la guerra de Irak. El gurú es escueto aunque directo en su conclusión sobre la invasión del país árabe: "La guerra de Irak es sobre todo por el petróleo", remacha.

De Bush dice que es un presidente que pone la ideología por delante de sus promesas electorales, y lamenta la incapacidad de la Casa Blanca para aplicar las mejores políticas económicas. Es más, dice que los anteriores secretarios del Tesoro, Paul O'Neill y John Snow, carecían de poder frente al Gabinete presidencial. No oculta su perplejidad por el cambio que sufrieron dos de sus viejos amigos: el vicepresidente, Dick Cheney, y el ex secretario de Defensa Donald Rumsfeld, con los que trabajó en el equipo de Gerald Ford.

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domingo, 2 de setembro de 2007

Can the Mortgage Crisis Swallow a Town?

David Maxwell for The New York Times

Charles and Tammi Eggleston, with their daughters, Shelby and Sydney, have been trying to sell their home in Maple Heights, Ohio, since May 2006. Nearby houses sit vacant.

Published: September 2, 2007 The New York Times

Maple Heights, Ohio


TAMMI and Charles Eggleston never took out a risky mortgage, never borrowed more than they could afford and never missed a monthly payment on their neat, three-bedroom colonial in the Cleveland suburbs. But that hasn’t prevented them from getting caught in the undertow of the subprime mortgage mess now submerging this town.

Over the last 18 months, the Egglestons have watched one house after another on their street, Gardenview Drive, end up foreclosed and vacant. Although lawns are still tidy and empty homes are not boarded up and stripped as they are in inner-city Cleveland, the Egglestons say Maple Heights no longer feels safe after dark. Nor do they have the confidence they had when they moved in a decade ago that this is the ideal place to raise their 6-year-old twin girls, Sydney and Shelby. So, in May 2006, they put their home on the market in order to move closer to Mrs. Eggleston’s parents in another middle-class Cleveland suburb, Richmond Heights.

They have had no takers. Although they lowered the asking price to $99,000 from $109,000, no one has even come to look at it in more than six weeks. “My heart panics every time I drive down the street and I see another for-sale sign,” says Mrs. Eggleston, pointing past the placards in front of her porch to others that dot surrounding yards like lawn furniture. “Some people on the street couldn’t pay, so they just left. The competition to sell is just ridiculous.”

It is a scene being repeated in cities and towns across America as loans that were made to borrowers with little or no credit history, many of whom could not even afford a down payment, fail in ever-growing numbers. It is also a story of how local economic trends are intersecting with national politics, with local foreclosures drawing the attention of Democratic presidential candidates, including John Edwards and Representative Dennis J. Kucinich of Ohio.

On the Republican side, President Bush announced on Friday several steps aimed at alleviating the impact of the subprime crisis on homeowners. In a Rose Garden appearance, he ruled out a federal bailout, citing both “excesses in the lending industry” and unduly optimistic homeowners who took out “loans larger than they could afford,” as reasons for the mortgage woes.

Indeed, what was once a problem confined mostly to economically struggling areas is quickly becoming a national phenomenon. Last year, there were 1.2 million foreclosure filings in the United States, up 42 percent from 2005, according to RealtyTrac, a firm that analyzes such data. At current rates so far this year, RealtyTrac expects foreclosure filings to hit two million in 2007, or roughly one per 62 American households — a rate approaching heights not seen since the Great Depression.

Analysts also say that the fallout from mortgages gone bad is spreading well beyond borrowers now in default. It has begun to engulf middle-class communities like Maple Heights, where nearly 10 percent of the houses — or 910 properties — have been seized by banks in the last two years. And it foreshadows what could lie in store if mortgage holders default on what the Federal Reserve conservatively estimates to be $100 billion in risky subprime loans. Many of these loans were made in 2005 and early 2006, when standards were at their most lax and cities like this were blanketed with aggressive pitches from mortgage providers.

“I don’t think we’ve hit bottom,” says Michael G. Ciaravino, the mayor of Maple Heights. “My fear is that foreclosure rates could go to double where they are today.”

IN terms of the subprime mortgage meltdown, Ohio has been among the hardest-hit states, according to the Mortgage Bankers Association. In Cuyahoga County, which includes Cleveland and surrounding suburbs, roughly 30 percent of subprime mortgages are either delinquent or in foreclosure, says Jim Rokakis, the county treasurer.

But this leafy community of bungalows and small family homes built after World War II could be described as its epicenter. Already, Maple Heights, with a population of 27,000, ranks No. 1 in Cuyahoga County in foreclosures per capita, according to Policy Matters Ohio, a nonprofit research group. Ranked by ZIP code, the number of foreclosures here puts Maple Heights in the top one-half of 1 percent nationally, RealtyTrac says.

Mayor Ciaravino has already had to shut his town’s two swimming pools, cut the ranks of police officers and firefighters and eliminate services like free plowing for senior citizens with snow-covered driveways. More...