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quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Terceirização

por Luiz Fernando Verissimo

Quem diz que nunca houve matança sistematizada de judeus, ciganos e incapazes na Alemanha tem razão: Auschwitz, Treblinka, Sobibor e os outros campos de extermínio nazistas ficavam na Polônia. A Polônia anexada pelo Reich era uma extensão do solo alemão e os campos eram construídos e geridos por alemães, mas isto é detalhe para quem pretende a inocência pelo distanciamento formal. Os americanos que hoje levam suspeitos de terrorismo para serem interrogados em países onde a tortura é comum, longe dos Estados Unidos, também pretendem a absolvição pela geografia.


Tem-se discutido muito no Congresso, na imprensa e nos tribunais americanos os limites do permitido na busca da informação antiterrorista depois do 11/9, mas os escrúpulos quanto à tortura chegam atrasados. Torturar pela mão dos outros é uma prática antiga dos Estados Unidos, mais notoriamente — no que nos diz respeito — nas atividades da "School of the Americas" onde policiais e militares latino-americanos iam aprender métodos de interrogatório e contra-insurgência para combater o comunismo no continente.


A Escola das Américas chegou a ser chamada ironicamente de anexo da Escola de Chicago, produzindo técnicos em repressão para garantir os teóricos do neoliberalismo que saíam do Departamento de Economia da universidade onde o Milton Friedman era a estrela, para nos catequizar. É bom lembrar, nestes tempos de entusiasmo das platéias pelo fascismo contra o crime e de reacionarismo ostensivo e festejado, no que deu tudo aquilo.


Coisas como a "Operação Bandeirantes", a aliança de empresários paulistas com policiais e militares na caça, literalmente, à esquerda, que deixou mortos e mutilados por toda parte — menos, aparentemente, na consciência dos responsáveis, ou, presumivelmente, no livro de realizações dos formandos da Escola das Américas. Que continua no mesmo lugar, Fort Benning, na Geórgia, agora com o nome mais específico de Instituto de Cooperação para a Segurança do Hemisfério Ocidental. Não se sabe se o currículo ainda é o mesmo.


Do Iraque chega a notícia de outro exemplo de distanciamento remissor.


Neste caso, uma novidade — a terceirização da guerra. A ocupação do país está sendo um grande negócio não só para a Halliburton e outras empreiteiras superfaturadoras mas para empresas paramilitares, exércitos privados que substituem a tropa normal em certas tarefas e que já têm quase tanta gente no Iraque quanto o exército regular, com contratos milionários.


Há dias uma dessas empresas, a Blackwater, que pertence a um conhecido financiador das campanhas do Bush e do Cheney, se viu envolvida na morte de civis iraquianos.


A Blackwater não está sujeita nem às leis do Iraque, nem às leis dos Estados Unidos e nem aos estatutos militares americanos. Só precisou pedir desculpas.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Foreign Policy, Privatized


The New York Times

WHILE most Americans are aware of the controversy over the role of the private security company Blackwater in Iraq, probably few understand that armed contractors in Iraq are just the tip of an iceberg. Across the globe, in everything from diplomacy to development to intelligence, contractors are a major American presence, and only a small fraction of them carry weapons. American foreign policy, to a great extent, has been privatized.

The charts below, based on figures from the Federal Procurement Data System, tell the story. In 2005, federally financed contractors were working in every United Nations-recognized country except Bhutan, Nauru and San Marino.

It has become conventional wisdom to blame the Bush administration for the “hollowing out” of government, but this misses the mark. While contract spending has more than doubled since 2001, serious federal efforts to outsource began under President Bill Clinton.

Nor is contracting necessarily bad: United States money creates jobs for the local population, and humanitarian organizations like Save the Children, CARE and Catholic Relief Services have relied heavily on dollars from Washington. Outsourcing can play to America’s strengths, exploiting our capacity for innovation, flexibility and efficiency.

Yes, as we have seen in Iraq, hiring contractors can lead to severe problems with accountability and fraud. And while steps like making contractors liable for civil penalties may manage some symptoms, they will not cure the disease. We need to devise far better ways of overseeing contractors worldwide.

Some are tempted to turn back the clock and reassert traditional government authority, denouncing private-sector greed and the “coalition of the billing.” But that would be a terrible mistake, for outsourcing is in part a rational response to the new possibilities of the information age. The challenge will be to manage creative forms of collaboration between government and the private sector in ways that serve the public interest.

Allison Stanger, a professor of political science at Middlebury College, is writing a book on the privatization of American power. Omnivore is a graphic design firm in New York City.