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sábado, 10 de novembro de 2007

Para Meirelles, preço alto de ações preocupa

DA REPORTAGEM LOCAL

Folha de São Paulo

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, fez ontem uma nova advertência sobre o alto preço que algumas ações brasileiras atingiram. Para Meirelles, a chamada "exuberância" no preço de papéis brasileiros merece ser acompanhada com atenção pelo BC.
"Temos algumas preocupações específicas com a precificação de ações, mas isso é parte de um processo de expansão no mercado. [A gente] Vai olhar com certeza isso, com muito cuidado", disse Meirelles.
Foi a segunda vez que Meirelles demonstrou publicamente sua preocupação com o preço das ações brasileiras. Em agosto, auge da crise imobiliária nos EUA, o presidente do BC afirmou que via com bons olhos o que chamou de "correção saudável" de um otimismo que começava a parecer "exagerado".
No ano, a Bolsa acumula alta de 44,6%. Em agosto, chegou quase a zerar os ganhos, mas recuperou-se logo depois. Segundo analistas, o melhor indicador para saber se o preço de uma ação está alto demais é o P/L. O indicador relaciona o valor de mercado de uma empresa com sua capacidade de gerar lucros. Formado pela divisão do preço pelo lucro, o chamado P/L da Bovespa está hoje em 16, segundo a consultoria Economática. Historicamente, o P/L do Brasil flutua em torno de 10. Nos EUA, somava ontem 17,9.
"A pergunta é: o preço justifica as expectativas de lucro? Na minha opinião, há um pouco de bolha. Um P/L brasileiro igual ao dos EUA só pode ser resultado de euforia", disse Fernando Exel, da Economática. (TS)

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

The view from cloud nine

From The Economist print edition

Why Brazil looks in better shape than many other emerging markets


RIGHT now it is hard to walk around swanky parts of São Paulo without running into someone who has an uncle, a cousin or a brother involved in a company float. As many as 27 firms made their debut on the São Paulo exchange, known as Bovespa, in the first half of the year, surpassing the total number of floats in the whole of 2006. And they keep coming.

IPO-fever is such that shares in the exchange itself were due to start trading on October 26th, as The Economist went to press. It should be a coming-of-age party for a market that has broadened, deepened and bounded ahead recently (see chart).

This is quite a turnaround. Five years ago interest rates were so high that investing in equities was an esoteric pastime. Trading volumes were languishing and companies were rushing to delist.

Since then, three things have happened. First, interest rates have come down. Second, steps have been taken to improve corporate governance. And third, Brazil's public finances have been tidied up by a combination of good housekeeping and the commodities boom. Even Warren Buffett, a shrewd American investor, has been buying the Brazilian currency.

The flirtation with equities is still in its infancy. Years of high interest rates have given Brazil a fixed-income culture, says Eduardo Mufarej of Tarpon Investment Group. Only a tiny proportion of Brazilians own shares. As interest rates continue to head down, Brazilian pension funds should increase their exposure to equities, which now lies at just 16%, excluding those of state-owned Banco de Brasil. Itaú, a Brazilian bank, reckons this will add up to an annual flow to the Bovespa worth between 18.5 and 24.5 billion reais ($10.2 billion and $13.6 billion) until 2010, which is more than foreign investors have put into the market during the past decade.

The same forces that have benefited equities have brought all sorts of snazzy new debt products to Brazil in the past couple of years. Mortgage and credit-card debts, which did not exist when interest rates hovered somewhere above the Corcovado mountain, are now being bundled together into securities and sold. The adventurous are even getting excited about more exotic products, such as precatórios, which bundle local-government debts.

How sustainable is all this? On the one hand, the IPO activity has been good for corporate governance. In order to attract interest, the recent IPOs have had to sign up to so-called novo mercado guidelines, which do away with the dual share classes, over-friendly board members and non-existent protection for minority shareholders that made life hazardous for outside investors. A further boost to confidence should come when Brazil's sovereign debt is upgraded to investment grade, which most people expect will happen within the next 18 months.

Familiar dangers lurk, though. Lots of good companies have taken advantage of favourable conditions to come to the market, but some pretty dreadful ones have too, according to Paulo Bilyk of Rio Bravo Investments. Brazil is more open than many other emerging markets and so more vulnerable to hot money. Some 70% of the money for the IPOs has come from foreign investors. That money would probably be the first to head for the exits in any wobble. And some of the new stocks are illiquid. Still, for the moment things are looking good. If you don't believe us, say São Paulo's financiers, ask Mr Buffett.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Tsunami financeiro atinge todos os mercados (4)

Em dia de pânico, Bovespa reduz queda histórica no fechamento

EPAMINONDAS NETO
da Folha Online


Os investidores viveram uma verdadeira montanha-russa no pregão desta quinta-feira. A Bolsa brasileira, que despencou durante toda a manhã e o início da tarde --a queda chegou a mais de 8%, tomou fôlego próximo ao encerramentos dos negócios.

Para os profissionais de mercado, as ações ficaram baratas demais e começaram atrair compradores, revertendo a queda. "Quando a Bolsa caiu 8% nós já começamos a ver compras no pregão. Muitos clientes aqui da corretora também entraram no mercado", afirma Milton Milioni, diretor da corretora Geração Futuro.

O Ibovespa, indicador da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), finalizou a quinta-feira em baixa de 2,58%, aos 48.015 pontos. O volume financeiro foi bastante alto e mostrou o nervosismo dos investidores: R$ 8,4 bilhões. Além do Brasil, o nervosismo derrubou os pregões na Ásia, na Europa e nas influentes Bolsas americanas

O dólar comercial foi negociado a R$ 2,094 para venda, com avanço de 3,15%. A taxa de risco-país, medida pelo índice Embi+ (JP Morgan), bateu os 227 pontos próximo das 17h, um salto de 11,27%.

Os mercados tiveram uma verdadeira crise de pânico hoje, a partir do momento em que cada vez mais fundos de investimentos começaram a reportar problemas de caixa. A crise do setor imobiliário americano (entenda como funciona) transbordou das fronteiras dos EUA e atingiu empresas na Europa e na Ásia.

"Teve um pouco de exagero, puxado pelo lado da psicologia, mas teve um fato bem concreto: vários fundos tiveram problemas, na Europa, na Ásia, na Ásia e até no Brasil", afirma o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves.

Os grandes investidores globais, que têm aplicações espalhadas por vários países, fizeram o já visto em outras crises: venderam papéis nos mercados emergentes, entre eles o Brasil, para cobrir prejuízos em outras aplicações lá fora.

"O que nós vimos foi uma crise de oferta de crédito. O grande investidor, mesmo ganhando dinheiro no Brasil, teve que vender para fazer dinheiro. Foi algo até paradoxal, porque ele teve que sair justamente do lugar onde está ganhando", afirma Milton Milioni, da Geração Futuro.

A má notícia da vez, que estragou de vez o humor dos investidores, foi protagonizada pela empresa americana Countrywide Financial, maior financiadora imobiliária dos EUA. A empresa foi obrigada a tomar US$ 11,5 bilhões para se prevenir contra uma possível falta de crédito na praça. Ontem, o banco de investimentos Merrill Lynch já havia rebaixado sua recomendação para as ações da empresa.

Mais tarde, a empresa de hipotecas First Magnus Financial (que ocupa a 16ª posição no país) anunciou que interrompeu a realização de novos contratos de crédito e que pode ter de pedir concordata. O grupo atuava em todo o país e realizou mais de US$ 30 bilhões em contratos de crédito hipotecário em 2006 e cerca de US$ 17 bilhões no primeiro semestre deste ano.

Entre outras notícias, o Departamento do Comércio dos EUA informou que a construção de casas teve queda de 6,1% em julho, caindo para uma taxa anualizada de 1,38 milhão de unidades --uma redução de 20,9% em relação ao mesmo mês de 2006 e a mais baixa taxa desde janeiro de 1997.

As autoridades brasileiros vieram a público para acalmar os investidores, com um discurso que também tem sido sustentado por uma parcela de analistas de mercado: os fundamentos da economia brasileira deixam o país mais resistente às crises financeiras globais.

Por enquanto, especialistas não sabem prever qual a duração da crise. Alguns profissionais de mercado notam que as turbulências devem se estender, pelo menos, até setembro, quando o Federal Reserve (banco central dos EUA) deve promover nova reunião para decidir a taxa básica de juros. Investidores acreditam que um corte nas taxas pode servir para antecipar o fim da crise financeira.