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sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Movimentação de Serra precipita disputa com Aécio


Blog de Josias

  • Acabou o armistício entre os 2 presidenciáveis tucanos
  • Para Aécio, Serra tenta se impor como ‘fato consumado’
  • ‘No atropelo, ninguém ganha eleição’, disse a um amigo
  • Em resposta, iniciou uma articulação a favor das prévias
  • Em março, deflagra um cronograma de viagens pelo país

Há um ano, em fevereiro de 2007, os presidenciáveis tucanos José Serra e Aécio Neves firmaram um armistício. Combinaram que só tratariam de 2010 depois que fossem abertas as urnas de 2008. O cessar-fogo acabou. Nove meses antes do prazo combinado, os governadores de São Paulo e de Minas Gerais voltaram a se bicar.

Ainda não foi disparado nenhum tiro em público. Mas Aécio decidiu reforçar o paiol. Iniciou a preparação para a guerra interna. Entre quatro paredes, o governador mineiro mostra-se incomodado com o que chama de “antecipação prematura do processo.” Acha que está em curso uma tentativa de transformar a candidatura presidencial do rival num “fato consumado”. E resolveu enrolar a bandeira branca.

A negociação de Serra para transformar Gilberto Kassab (DEM) em candidato à prefeitura paulistana foi o estopim que alvoroçou as plumas do tucanato. Serra tenta rifar Geraldo Alckmin (PSDB), alternativa tucana ao 'demo' Kassab, em troca do compromisso do DEM de apoiá-lo em 2010.

Para desassossego de Aécio, Fernando Henrique Cardoso veio ao meio-fio para defender a formalização da aliança tucano-democrata em torno de Kassab. “Se você pensar estrategicamente, seria ótimo que a aliança dele [Kassab] com o PSDB se mantivesse nas eleições [municipais de 2008], que o Geraldo [Alckmin] pudesse disputar o governo, o que liberaria o Serra para a presidência [da República]”, disse FHC aos repórteres Laura Greenhalgh e Fred Melo Paiva.

Privadamente, Aécio tachou as declarações de FHC de “inábeis”, “desastradas” e “extemporâneas.” Acha que as palavras do ex-presidente expressam uma visão equivocada. Diz que, em 2010, o DEM, por pragmático, vai se compor com o PSDB "com ou sem Kassab." Há dois dias, em conversa com um amigo, o governador mineiro afirmou: “Não estou mais em idade de dizer amém a tudo o que acha o Fernando Henrique.” Aécio ressuscitou uma frase que ouvira do avô Tancredo Neves: “Ninguém é paulista na política impunemente.”

Aécio falou ao amigo em timbre de desabafo: “Estão tentando passar a idéia de que, resolvido o problema da prefeitura de São Paulo, está decidida a questão nacional. Não aceito imposições. No atropelo ninguém vai ganhar eleição. Se me derrotam no atropelo, não vão ter nenhum voto em Minas.”

Aécio pôs-se em movimento. Retomou contatos com partidos como o PMDB e PSB, que flertam com ele há tempos. Como não contempla a hipótese de deixar o PSDB, resolveu abraçar a tese das prévias. Festeja a decisão do senador tucano Arthur Virgílio (AM) de lançar-se como candidato ao Planalto. Acha que, com três postulantes, o partido não terá como se esquivar da prévia.

De resto, o governador mineiro elabora um cronograma de viagens pelo país. Começa a voar já em março. Num primeiro momento, priorizará os Estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. No segundo semestre, subirá em palanques de candidatos tucanos às prefeituras de tantos municípios quantos consiga visitar.

Internamente, Aécio leva à mesa argumentos para tentar se contrapor à tese de que, à frente dele nas sondagens eleitorais, Serra é o melhor candidato do partido à sucessão de Lula. “Não estou convencido disso”, diz ele em privado. “Posso até não ser candidato se achar que não é o momento, se julgar que minha candidatura não é a que mais agrega. Mas não posso sair disso derrotado. Tenho que ser convencido, conquistado.”

Na última sondagem do Datafolha, divulgada em dezembro, Aécio amealhou 15% das intenções de voto. É menos da metade do percentual atribuído a Serra –entre 33% e 38%, dependendo do cenário. O governador mineiro argumenta, porém, que o PSDB terá de levar em conta outros fatores.

Por exemplo: beneficiado pelo recall, Serra é conhecido por cerca de 90% do eleitorado brasileiro. Com uma taxa de conhecimento que gira ao redor dos 40%, Aécio acha que não pode ser considerado como uma carta excluída do baralho presidencial. Diz que a taxa de rejeição de Serra é maior do que a sua. Julga-se, além disso, em melhores condições de reunir em torno de si uma aliança partidária ampla, incorporando inclusive partidos que hoje gravitam em torno do governo Lula.

Por último, Aécio puxa da gaveta uma pesquisa que recebeu do instituto Vox Populi. Apresentou-a a um grão-tucano com quem conversou. O levantamento foi fechado em dezembro. Informa que 86% do eleitorado mineiro acha que ele deve se lançar na briga pelo Planalto.

Aécio conclui: “É algo muito sólido, que não posso ignorar, sob pena de ir para o suicídio. Se insistirem nessa tese de que, resolvido São Paulo está resolvido o Brasil, o Serra acaba se consolidando como o candidato anti-Minas. É uma visão míope. Anteciparam o processo de forma desastrada. Não deixaram opção aos aliados: ou aderem ao projeto de São Paulo ou não concordam e encaminham em outra direção. É o que vai acontecer.”

Escrito por Josias de Souza

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Alckmin e Kassab vão sair do armário

Blog de Josias

DEM se dispõe a apoiar chapa Serra-Aécio em 2010

Em troca do apoio a Kassab, partido abre mão da vice


Oferece também apoio a Alckmin na sucessão estadual

Sérgio Lima/Folha
A direção do DEM joga pesado para obter o apoio do PSDB à candidatura de Gilberto Kassab na eleição municipal de 2008. Promete compensar o tucanato paulista com extrema generosidade nas disputas pelo Planalto e governo de São Paulo, em 2010.

Para a sucessão de Lula, o DEM se dispõe a apoiar o governador tucano José Serra sem exigir a vaga de vice. Em reserva, os ‘demos’ sugeriram a Serra a formação de uma chapa presidencial “puro sangue”, com o também tucano Aécio Neves na posição de candidato a vice.

Na eleição do futuro governador de São Paulo, o DEM promete apoio irrestrito a Geraldo Alckmin (PSDB). Nesta quarta-feira (23), Jorge Bornhausen, ex-presidente do DEM, terá um encontro com Alckmin. Tentará demovê-lo da idéia de disputar a prefeitura, facilitando a composição em torno de Kassab.

Em diálogos que manteve com líderes do DEM, Serra tratou com naturalidade a possibilidade de figurar na cédula de 2010 ao lado de Aécio. Discorreu sobre o tema como se a hipótese já figurasse nos seus planos. Disse que é coisa para ser tratada mais adiante, não agora.

No momento, Serra concentra-se na costura de uma aliança tucano-democrata em torno de Kassab. Informou ao DEM que fará o que estiver ao seu alcance para pôr o acerto de pé. Disse, porém, que a evolução do entendimento depende da concordância de Alckmin, com quem planeja conversar depois do Carnaval.

Privadamente, lideranças do DEM e do próprio PSDB acham que Serra falhou no seu relacionamento com Alckmin. Em vez de abrir espaço para aliados do ex-governador na administração estadual, fechou as portas e afastou-se dele. Sugere-se que busque uma reaproximação.

Ainda que consiga arrancar Alckmin do caminho de Kassab, Serra terá muito a alinhavar se quiser de fato transformar Aécio Neves, hoje tão presidenciável quanto ele, em mero candidato a vice. Por enquanto, o maior aliado do governador de São Paulo, além do DEM e de FHC, é a pesquisa de opinião.

Na última sondagem do Datafolha, divulgada em 1º de dezembro de 2007, Serra figurava como líder em todos os cenários montados pelo instituto. Ciro Gomes (PSB) aparecia em segundo, sempre à frente dos candidatos do PT. Trocando-se o nome de Serra pelo de Aécio, Ciro assume o primeiro lugar. E o PSDB desce para o terceiro. Aécio fica atrás de Heloísa Helena (PSOL).

Montou-se também um cenário em que Serra e Aécio concorrem entre si. Nessa hipótese, que dependeria de uma improvável mudança do governador mineiro para outra legenda, Aécio manteve-se na condição de sub-HH. Serra (33%) lidera; Ciro (19%) permanece em segundo; e HH (15%) fica em terceiro. Só então vem Aécio (11%).

Na opinião de dirigentes do DEM, aparentemente compartilhada por Serra, a manutenção desse quadro amoleceria eventuais resistências de Aécio à vice. Não é o que deixa antever a movimentação do governador de Minas. Em São Paulo, Aécio estimula Alckmin a bater o pé. Quanto a Brasília, disse em dezembro, 11 dias depois da divulgação do Datafolha, que se considerava pronto para assumir a candidatura presidencial.

De concreto, tem-se, por ora, apenas o seguinte: para as duas principais legendas da oposição a Lula, a eleição municipal de São Paulo converteu-se na ante-sala de 2010. Serra e Aécio firmaram, em meados do ano passado, um armistício.

Combinaram de deixar as diferenças no armário até a abertura das urnas municipais, em outubro de 2008. A fricção entre Kassab e Alckmin está como que forçando a porta do armário. Que começa a se abrir antes da hora marcada.

Escrito por Josias de Souza

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Interesse público



Não sem razão o vice-governador de São Paulo, Alberto Goldman, disse que deveria prevalecer o "interesse público" na questão da escolha do candidato à prefeitura de São Paulo.

Mas do qual "interesse público" se trata?


A guerra intestina no PSDB para saber se prevalece Kassab ou Alckmin é uma manifestação de ambição política, carreiras à projetar ou preservar, cálculos sobre conveniências pessoais e espaços nas máquinas públicas, nos cargos distribuídos generosamente nas empresas e organismos da Prefeitura e do Estado, aos correligionários.

A candidatura tucana em 2010 é o objetivo e os aspirantes a ela querem se apossar da prefeitura para alavancar estas ambições pessoais.


Todos se inspiram na trajetória de José Serra: galgar cargos e abandoná-los ao sabor de sua ambição à atingir a Presidência da República. O programa, as alianças, as idéias e as realizações devem corresponder a este objetivo, coincida ele ou não, com o interesse público.


Ou acaso prevaleceu o "interesse público" na decisão de Serra de se eleger Prefeito de São Paulo como trampolim para candidatar-se novamente apenas um ano após sua eleição?


A única coisa de "público" na briga entre tucanos, é a notoriedade pública das ambições pessoais de Alckmin e Kassab.

Goldman tem razão quando constatá que Alckmim apóia e defende o governo demo-tucano na capital paulista e deveria em toda lógica apoiar sua reeleição. O interesse pessoal de Alckmin não deveria, segundo a filosofia de Goldman, prevalecer sobre a concordância política com o governo municipal.
Mas como ignorar, argumento do Alckmin, que o cargo de Prefeito, ganho pelo PSDB com Serra, foi para Kassab e o DEM por conta pura e exclusiva da ambição pessoal de Serra de galgar um escalão a mais na busca obsessiva da candidatura tucana a presidente?

Agora, FHC é convocado para à disputa pelos serristas, enquanto Aécio vem defender Alckmin. Cada um com sua estratégia, com sua ambição e com seu apetite voraz pelo... interesse público!


Por isso importa tão pouco, para eles, o que fizeram no governo da maior cidade do Brasil.

Eram contra os CEU's, mas depois acharam mais cômodo ceder a pressão da população e continuar o que a Marta iniciou e que eles combateram. Eram contra os uniformes e o material escolar gratuito, que a Marta introduziu, e depois mantiveram pela mesma pressão popular (com a incompetência típica e a falta de planejamento, em todos estes anos nunca conseguiram entregar os uniformes de verão a não ser... no inverno).


Depois de se encher a boca contra a carga tributária, governam o município com um orçamento que é o dobro do que era na época da Marta e conseguem reduzir o numero de domicílios isentos de pagar IPTU, que a administração do PT tinha estabelecido em 1 milhão duzentos mil, nos 900 mil atuais. Aumentaram as multas, o IPTU, os radares, as tarifas de ônibus e não construíram um mísero corredor novo em quatro anos.


Além do apoio manifesto de setores da mídia paulista, jornais impressos e também radio e TV, segunda edição, o único que podem reivindicar ao cabo de quatro anos é o fim dos outdoors. Muito pouco para sustentar o engôdo do "interesse público".

O afligente espetáculo de briga no PSDB deixara seguramente alguma plumas no chão e até algum tucano depenado, nada para ser lamentado. Só serve para mostrar o grau de indigência dos tucanos no que concerne idéias e projetos voltados para o interesse público, e quanto é grande o bico de oro das ambições pessoais.

Luis Favre

A seguir a saga de hoje da guerra inter-tucana



O ESTADO DE SÃO PAULO
PSDB precisa ouvir FHC, afirma Serra

Ex-presidente sugeriu Kassab para prefeitura e Alckmin para governo

Paulo Darcie

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), afirmou ontem que as opiniões do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre os rumos da aliança entre seu partido e o DEM têm muito peso e devem ser discutidas pelos tucanos. “É uma opinião do ex-presidente, que deve ser sempre levada em conta. Pode ter gente de acordo e gente que discorde, mas tem de ser respeitada”, afirmou.

Serra se referia às declarações de Fernando Henrique em entrevista ao Estado, publicada no domingo. O ex-presidente elogiou a atuação de Gilberto Kassab (DEM) à frente da Prefeitura de São Paulo e sugeriu que seria bom manter a aliança no município: a candidatura de Kassab à reeleição, combinada à do ex-governador Geraldo Alckmin para o Palácio dos Bandeirantes, em 2010, deixando Serra “livre” para concorrer à Presidência. “No caso da sucessão de Lula, não dá para dizer nada, embora hoje o Serra tenha mais pontos do que o Aécio”, afirmou Fernando Henrique, na mesma entrevista.

Repetindo o ex-presidente, Serra afirmou ser preciso que as candidaturas do partido se decidam com base em uma estratégia. “É importante a idéia de se ter uma visão estratégica para decisões dessa natureza”, destacou.

Questionado se a proposta de Fernando Henrique seria uma boa estratégia, Serra recuou: “Não vou me pronunciar a esse respeito.”

Os outros dois envolvidos nos planos do ex-presidente divergem. Kassab acha natural tentar a reeleição, mas alega que o mais importante é manter a aliança. Ontem a cúpula do DEM - o presidente da legenda, Rodrigo Maia, e o ex-senador Jorge Bornhausen - desembarcou em São Paulo para mais uma reunião como prefeito.

Alckmin e sua base no PSDB deram a entender que os planos para 2008 ainda estão de pé. O tucano evitou falar sobre o assunto, mas defensores de sua candidatura disseram que a lógica de Fernando Henrique só funciona com o PSDB unido.

O secretário municipal de Esportes e Lazer, Walter Feldman, também aprova as idéias de FHC. “Sua tese estratégica está centrada numa maneira diferenciada de construção de alianças.”


FOLHA DE SÃO PAULO

Aécio apóia candidatura de Alckmin em SP

Em oposição a Serra, governador de Minas diz que partido deve apoiar ex-governador, caso ele queira disputar a prefeitura

No final de semana, FHC tentou convencer Alckmin a recuar, mas ele insistiu que PSDB não pode abrir mão de ter candidato em São Paulo

CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL

A candidatura do ex-governador paulista Geraldo Alckmin à Prefeitura de São Paulo conta com apoio de peso dentro do PSDB: do governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Potencial candidato à Presidência da República -disputando com o governador de São Paulo, José Serra, o direito de representar o PSDB na corrida de 2010-, Aécio tem repetido que a candidatura de Alckmin seria estratégica para o PSDB.
Na avaliação de Aécio, Alckmin tem de ser o candidato do partido, caso queira disputar a prefeitura paulistana. Aécio deverá manifestar sua opinião em encontro previsto para esta semana. Convocada para discutir a dívida do PSDB, a reunião deverá contar com o presidente do partido, Sérgio Guerra, governadores e o ex-governador Geraldo Alckmin, candidato ao Planalto em 2006.
Na reunião, os tucanos deverão expor suas divergências. Ao defender a candidatura de Alckmin, Aécio contraria a torcida de tucanos por um acordo que assegure o apoio do PSDB à reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Esse seria o caso de Serra e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Ontem, no lançamento de um programa de privatização de rodovias, Serra disse que "a opinião do Fernando Henrique tem sempre que ser levada em conta, você concorde ou não, e a opinião dele tem visão estratégica, mas não vou me pronunciar sobre esse assunto". Segundo tucanos, FHC teria tentado demover Alckmin da idéia de concorrer, numa conversa na semana passada.
Alckmin, porém, insiste no argumento de que o PSDB não pode abrir mão de ter candidato na maior cidade da América do Sul. Também teria dito a interlocutores que estará liquidado caso não concorra desde já. "A candidatura tem apoio de movimentos organizados do partido", disse o deputado federal Edson Aparecido (PSDB).
Segundo ele, no fim do mês, haverá um manifesto formal desses grupos em favor da candidatura Alckmin. "A candidatura tem de cumprir a estratégia do partido", afirmou o deputado Duarte Nogueira. Enquanto alckmistas articulam movimentos de apoio à candidatura do ex-governador, os defensores da manutenção da aliança entre PSDB e DEM já tornam pública sua opinião.
Ainda que sem pregar diretamente o apoio à reeleição de Kassab, o vice-governador e secretário estadual de desenvolvimento, Alberto Goldman (PSDB), evoca "responsabilidade política" ao recomendar a preservação da aliança. "Nossa ação política deve levar em conta, em primeiro lugar, interesse público. Os outros interesses, por mais legítimos que sejam, partidários e pessoais, têm que se submeter a essa lógica."
Repetindo que o PSDB não pode se impor como cabeça de chapa, Goldman diz que essa é uma questão de sobrevivência política: " Onde entra o interesse do cidadão? Em política, se você não se der conta que existe um mundo real, está perdido".


Colaborou EVANDRO SPINELLI , da Reportagem Local

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Onde 2008 antecipa 2010

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Uma comparação simples entre os vencedores das eleições municipais nas capitais de 1988 até hoje e o resultado da eleição presidencial imediatamente seguinte não deixa margem a dúvidas: o processo municipal e o nacional são relativamente desvinculados. Três circunstâncias devem quebrar a escrita no processo eleitoral deste ano: o fato de os governadores de Minas Gerais e de São Paulo disputarem a condição de presidenciáveis, de pela primeira vez desde 1960 não haver uma eleição presidencial com a presença de Luiz Inácio Lula da Silva entre os candidatos e de não haver qualquer candidato natural a assumir o legado de um governo federal que surfa em índices confortáveis de popularidade.


Das 26 eleições nas capitais, está claro o efeito de São Paulo e Belo Horizonte na sucessão em 2010. E o cenário do início de 2008 é adverso tanto para José Serra quanto para Aécio Neves, mas especialmente para o primeiro.


Governador de São Paulo, o tucano José Serra dedicou a sua manhã de quinta-feira a vistoriar uma obra municipal, o Hospital de M'Boi Mirim, na área mais pobre da zona sul paulistana. Primeiro eleito pelo PSDB na cidade com o maior colégio eleitoral do país, Serra renunciou à prefeitura depois de 14 meses, repassando-a para o DEM de Gilberto Kassab. É um episódio que visivelmente o constrange. Na história da cidade, igualou-se a Jânio Quadros e Adhemar de Barros, líderes combatidos por Serra na juventude que também usaram a prefeitura da capital como trampolim para vôos maiores. Para pavimentar seu caminho em direção à candidatura presidencial em 2010, o governador paulista tem na sucessão paulistana o seu maior obstáculo.


Sucessão passa por eleições em BH e SP


Garantir o apoio tucano a Kassab e oferecer a Geraldo Alckmin a possibilidade de voltar ao Palácio dos Bandeirantes em 2010 resolveria dois problemas de uma só vez para Serra: a consolidação da aliança partidária para a disputa nacional e o controle tucano da sucessão estadual. Mas a renúncia em 2006 diminuiu sua autoridade dentro do partido para barrar uma candidatura de Alckmin à prefeitura agora. Como justificar o apoio ao DEM em nome do interesse partidário? Se a divisão do eleitorado entre Alckmin e Kassab garantir a volta da petista Marta Suplicy à prefeitura, quem pagará o ônus por uma derrota? Se Alckmin ganhar, em que será devedor de Serra?



Tal como Serra, o governador de Minas não aposta em nomes do próprio partido para transformar a sucessão na capital de seu Estado em uma ferramenta para 2010. Belo Horizonte chega ao ano da sucessão do prefeito petista Fernando Pimentel em uma estranha situação de anomia. Nenhum dos nomes de prestígio eleitoral na cidade, como os tucanos João Leite e Eduardo Azeredo ou o petista Patrus Ananias, é de fato candidato. Aécio investe energias em procurar um candidato capaz de unir em um mesmo palanque o PT, o PSDB e o chamado bloco de esquerda - consórcio de pedetistas, comunistas e socialistas que tem no deputado Ciro Gomes (PSB) seu principal trunfo para a sucessão de Lula. Mostrar que é mais capaz que Serra em forjar alianças políticas é uma obsessão para o governador mineiro. Mas a tarefa ficou difícil depois que Walfrido dos Mares Guia foi abatido pela denúncia do Ministério Público sobre o caixa 2 em Minas. Tal como Serra, Aécio depende da boa vontade de adversários.


Fora de seu eixo presidenciável, o cenário para o PSDB é igualmente desalentador. O partido segue sendo uma ficção no Rio. Caminha para a irrelevância em Fortaleza. Não tem opção própria competitiva em Manaus ou Belém. Só demonstra força em Curitiba, onde o atual prefeito, Beto Richa, conta com grande dianteira em pesquisas e com adversários débeis à sua reeleição.


Sem grandes perspectivas em BH, Fortaleza, Porto Alegre, Rio e Salvador, o PT joga seu destino em São Paulo. A possível vitória de Marta Suplicy fortaleceria a candidatura própria do PT em 2010 e a inscreveria entre as opções para a sucessão presidencial. Marta seria a estrela em um conjunto de prefeituras petistas de pouco brilho. Fora São Paulo - onde o partido é competitivo, mas não favorito - o PT só sai na frente em cidades como Vitória, Porto Velho, Rio Branco e Palmas. Talvez reaja em Recife, onde o prefeito João Paulo deve conseguir emplacar seu favorito, o secretário municipal João da Costa, como candidato. Caso Marta perca, a chance de o PT ser impelido a apoiar uma candidatura presidencial de outro partido, como a de Ciro, torna-se mais palpável.


Nenhum partido investiu como o PMDB em inflar seu poder de força nas capitais. Trouxe do PDT o prefeito de Salvador (João Henrique), do PPS o de Porto Alegre (José Fogaça) e do PSDB o de Florianópolis (Dário Berger). Mas deve ficar fora do jogo nas três mais importantes: São Paulo, Rio e Belo Horizonte. Apenas Fogaça entre os neopemedebistas desfruta de uma situação relativamente tranqüila para disputar a reeleição: é o único que parece garantido no segundo turno. O partido larga com mais força onde já era forte em 2004: em Goiânia, o prefeito Iris Rezende dá-se ao luxo de escolher seus aliados já montando o cenário para a disputa estadual em 2010. Em Campo Grande, Nelsinho Trad não tem desafiante dentro do petismo. Reelegendo Fogaça, Trad e Iris, o resultado de 2008 é de soma zero em relação a 2010: o partido seguirá com dificuldade de participar do jogo sucessório nacional fora de uma posição subalterna em relação ao PT.


A leitura das pesquisas mostra na dianteira candidaturas que dificilmente terão fôlego para manter o favoritismo, pelo isolamento político ou pela rejeição que despertam. Entre outros, é o caso do radialista Raimundo Varela (PRB) em Salvador, do senador Marcelo Crivella (PRB) e do deputado estadual Wagner Montes (PDT) no Rio e do ex-deputado Moroni Torgan (DEM) em Fortaleza. É a presença na mídia ou em eleições anteriores que os impulsiona, mas em nenhum dos casos existe estrutura partidária, apoio das máquinas do município, do Estado ou do governo federal ou apoio empresarial consistente. As eleições nas capitais da Bahia, Rio e Ceará continuam uma incógnita. E o efeito na eleição presidencial é limitado: os governadores Jaques Wagner (BA) e Sérgio Cabral (RJ) poderão ser atores em 2010 mesmo com derrotas em casa e Ciro, o líder do grupo que comanda o Ceará, jamais dependeu da eleição da capital de seu Estado para ser ou não candidato a presidente. Uma vitória de ACM Neto (DEM) na capital baiana seria apenas um marco de sobrevivência local.

César Felício é repórter de Política

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

PSDB se prepara para 2008

Blog de Josias

PSDB busca aproximação até com aliados de Lula

Sérgio Guerra marca reuniões com o PMDB e com o PSB Objetivo é fechar alianças para pleito municipal de 2008 Estratégia é apoiada pelos presidenciáveis Serra e Aécio



O novo presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), abriu a temporada de contatos interpartidários para o fechamento de alianças para as eleições municipais de 2008. Reuniu-se há uma semana com os presidentes de dois aliados tradicionais: PPS e DEM. E agendou para o início do ano reuniões com duas legendas associadas ao consócio partidário que dá suporte ao governo Lula: PMDB e PSB.



A estratégia foi acertada previamente com os governadores José Serra e Aécio Neves, os dois presidenciáveis tucanos. Embora destinadas à costura de entendimentos para 2008, as conversas miram um objetivo mais longínquo: a eleição presidencial de 2010. “Precisamos abrir o partido”, diz Sérgio Guerra.



Há uma semana, o presidente tucano reuniu-se com Roberto Freire e com Rodrigo Maia, que presidem, respectivamente, o PPS e do DEM. Com Freire, Sérgio Guerra acertou a constituição de uma comissão com dois integrantes de cada legenda, para estudar o mapa eleitoral dos municípios. Com Rodrigo, combinaram de manter contatos, para tentar chegar a uma solução consensual em São Paulo.



A eleição municipal paulista é, hoje, o principal nó nas relações entre tucanos e ‘demos’. O DEM quer que o tucanato apóie a reeleição de Gilberto Kassab. O PSDB hesita entre lançar Geraldo Alckmin e apoiar Kassab em troca do apoio do parceiro a Serra na refrega de 2010. Rodrigo Maia disse a Sérgio Guerra que há, hoje, uma pré-disposição do DEM de lançar um candidato próprio à presidência da República. Algo que pode mudar se houver uma solução que privilegie Kassab em detrimento de Alckmin.



De resto, Sérgio Guerra manteve contatos telefônicos com os mandachuvas do PMDB e do PSB. Avisou a Michel Temer (PMDB-SP) e a Eduardo Campos (PSB-PE) que deseja conversar com ambos logo depois das festas de final de ano. O tucanato já possui alianças com as duas legendas do consórcio lulista em vários municípios. Acordos firmados na última eleição municipal, realizada em 2004. Deseja agora mantê-los e, na medida do possível, ampliá-los para outras cidades.



Na reunião que manteve com Roberto Freire, testemunhada pelo deputado Raul Jungmann (PPS-PE), Sérgio Guerra disse que deseja retirar o PSDB “da clausura”. Os dois dirigentes concordaram num ponto: é preciso promover uma aproximação com o PMDB, o partido que dispõe da máquina mais bem estruturada em termos nacionais.



A impressão de Freire, compartilhada por Guerra é a de que, sem um nome forte para disputar a sucessão de Lula, o PMDB não estaria propenso a apoiar uma candidatura do PT. E tenderia a se dividir.



Um naco do partido penderia para uma composição com um candidato de fora da coligação governista, reeditando o cenário verificado na disputa presidencial de 2006. Naquele ano, a ala do PMDB liderada por José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL) alinhou-se a Lula. Outro grupo, capitaneado por Temer, apoiou Geraldo Alckmin.



Quanto ao PSB, o diálogo restringe-se, inicialmente, às eleições para prefeitos. Para 2010, o partido tem em Ciro Gomes (CE) uma alternativa presidencial. Busca o apoio de Lula para esse empreitada. E dificilmente se comporia com o PSDB. Sobretudo se o candidato tucano for Serra, o que parece mais provável. Ciro mantém com Serra uma relação de gato e rato. Os dois não se suportam. O mesmo não se dá com Aécio Neves, cujo grupo sonha com a edição de uma chapa em que Ciro figuraria como vice.



De sua parte, Lula tenta estimular os partidos que gravitam à sua volta a priorizar alianças governistas nas eleições de 2008, numa espécie de projeto-piloto para 2010. Há quatro meses, o presidente pediu a Michel Temer que organizasse um encontro com os presidentes dos 11 partidos que compõem o bloco do governo. Temer promoveu um jantar em sua casa. Mas os entendimentos não avançaram. Pretendia-se realizar uma segunda reunião. Mas ela jamais ocorreu. É nesse vácuo que o PSDB tenta trafegar.

Escrito por Josias de Souza

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Aécio pavimenta 2010 com ampliação do leque político do PSDB

César Felício - jornal Valor


Mauricio de Souza/Hoje em Dia
Aécio e Pimentel: aliança prevê um nome de um terceiro partido,
que ajude a atrair Ciro Gomes para a aliança


O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), chega ao final do primeiro ano de seu segundo mandato com a clara estratégia que pavimentará seu futuro político: pela ampliação do leque político do PSDB, que inclui uma inflexão na trajetória de confronto aberto com o governo federal, reforçada com a rejeição pelo Senado da emenda constitucional que prorrogaria a cobrança da CPMF.

O primeiro passo dessa estratégia é a escolha de um candidato de consenso à prefeitura de Belo Horizonte na eleição de 2008, que coloque no mesmo palanque o PSDB, o PT e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Este palanque serviria de laboratório para a arena política pretendida pelo governador mineiro em 2010. É esse seu principal ativo político para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


A expectativa alimentada no Palácio da Liberdade é que Aécio possa vir a atrair o chamado bloco de esquerda (PSB, PDT e PCdoB) para apoiar uma eventual candidatura sua, tendo possivelmente Ciro como seu vice. Desta forma, o DEM seria ultrapassado na condição de parceiro preferencial do PSDB em uma aliança nacional. Esta estratégia parte do pressuposto de que a aliança governista, excessivamente heterogênea, não rumará unida em 2010 e o PT corre o risco de disputar isolado de seus parceiros de 2002 e 2006. Só uma aliança dessa magnitude daria ao governador mineiro o trunfo necessário para sua batalha interna contra o governador paulista José Serra pela candidatura presidencial tucana.


Uma composição Serra/Aécio já foi descartada no Palácio da Liberdade. A arrogância freqüentemente associada à imagem dos tucanos poderia ser fortalecida na hipótese de uma chapa puro-sangue e, ainda mais, unindo os dois Estados mais ricos da Federação. A presença do vice de um outro partido na chapa também seria imprescindível para não deixar o PSDB isolado no cenário eleitoral.


Caso não seja candidato à Presidência, Aécio deverá tentar o Senado. O vice-governador, Antonio Junho Anastasia (PSDB), é uma possibilidade para sua sucessão, mas não estão descartados outros nomes, como o do próprio prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT). Mas essa dobradinha estaria subordinada ao sucesso da parceria do governador e do prefeito em 2008.


A sucessão em Belo Horizonte é um dos passos na direção de diminuir o confronto com Brasília. O mais forte postulante ao cargo, o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias (PT), já anunciou publicamente que não será candidato. Nas hostes tucanas, a pré-candidatura do ex-ministro das Comunicações e ex-prefeito de Belo Horizonte Pimenta da Veiga, tampouco entusiasma o partido. Não há outros nomes naturais para a sucessão de Fernando Pimentel (PT) nem na esfera tucana, nem na petista na capital mineira.


Uma candidatura consensual , em que Pimentel e Aécio poderiam apoiar um nome de prestígio, sem mandato eleitoral, que pertença a um terceiro partido, aliado do PT na esfera federal e do PSDB na estadual, como o PSB de Ciro Gomes, é cogitada entre tucanos mineiros. A premissa é que a polarização entre petistas e tucanos é um fenômeno que ocorre com força em São Paulo, mas não se reproduz no resto do país.


Aécio Neves empenhou-se junto com José Serra para reverter a tendência do PSDB de impor uma derrota parlamentar ao governo. Chegou a dar entrevistas comemorando um acordo com o governo baseado na CPMF exclusiva para a Saúde que, segundo ele, daria uma forte bandeira eleitoral ao PSDB. Em entrevistas logo após a votação, lamentou o resultado.


A avaliação generalizada entre os governadores do PSDB é que o partido teve uma vitória de Pirro ao rejeitar a prorrogação da emenda constitucional. Em Minas, avalia-se que o resultado final se deve à atuação exclusiva do líder da bancada no Senado, senador Arthur Virgílio Neto (AM). Por esta versão, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é isento de responsabilidade pela vitória parlamentar. O ex-presidente teria aceito um acordo em torno do repasse integral da CPMF para a Saúde. Dentro do PSDB mineiro, teme-se que o partido seja responsabilizado pelo governo federal por crises de financiamento na área de Saúde.


Os governadores tucanos reclamam das perdas financeiras que os Estados terão, com a falta de uma contribuição que teria a integralidade de seus recursos repassada para a Saúde, conforme o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já teria se comprometido. Apenas para Minas, a aprovação renderia R$ 1 bilhão a mais em 2008.


Trunfo de Aécio para a disputa interna com Serra é a expectativa de atrair Ciro para uma chapa em 2010


Em uma reunião que a cúpula do PSDB irá fazer no próximo mês, Aécio deverá se alinhar entre os que reclamam da falta de uma identidade mais clara para o partido. O governador costuma defender um rumo de mitigação do clima de confronto com o Planalto. É uma visão compartilhada por parte da cúpula do PSDB, que afirma que a aliança governista é muito heterogênea para ter uma candidatura única em 2010 e o PT tende a apresentar-se isolado dos seus tradicionais parceiros à esquerda, que hoje formam o bloquinho (PSB, PCdoB e PDT). A agressividade precoce da oposição, entretanto, poderia forjar uma união dos adversários e um engajamento maior do presidente no processo eleitoral.


A partir da sucessão municipal, o PSDB deverá entrar na fase decisiva para a escolha entre Serra e Aécio. O governador de São Paulo conta com o apoio interno do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e está melhor posicionado nas pesquisas.


Apesar do apoio do ex-presidente a Serra, Aécio cultiva a proximidade com antigos colaboradores do governo FHC, como os ex-integrantes da equipe econômica hoje abrigados na Casa das Garças, centro de estudos econômicos de economistas ligados à PUC do Rio.


A arma de Aécio seria sua presumida maior capacidade de articulação para virar o jogo. Os tucanos mineiros ainda contam com um suposto sentimento anti-paulista que estaria crescendo em outros Estados, já que o PSDB, assim como o PT, jamais teve um candidato presidencial que não tivesse vindo da sua seção paulista. Vieram de São Paulo todos os presidentes desde 1994. Em 2010, o partido que não tivesse um candidato paulista poderia capitalizar esta animosidade regional.


Os dois governadores estabeleceram um pacto de convivência em meados do ano. Na ocasião, Aécio teria advertido Serra que não procurasse construir uma candidatura presidencial impondo uma derrota ao mineiro, mas que ao invés disso tentasse conquistá-lo. Sob pena de fragilizar a capacidade de Aécio de carrear-lhe os votos de Minas. Os dois teriam concordado em adiar o debate interno para 2009. Mas, posteriormente, Serra conquistou os principais postos no comando do PSDB, no momento em que o partido renovou sua direção. Aécio já mencionou a possibilidade de o partido realizar prévias internas para a escolha de seu candidato.


A possibilidade de prévia, contudo, é vista por aliados de Aécio como manobra dissuasória. O governador mineiro apostaria que o pragmatismo irá prevalecer no partido, que não admitiria correr o risco de uma terceira derrota consecutiva, depois das de Serra, em 2002 e Geraldo Alckmin, em 2006. Nas pesquisas, Serra chega a pontuar 35%, enquanto Aécio não passa de 20%. Estrategistas do governador mineiro, no entanto, apontam a diferença entre o grau de conhecimento de um e de outro no eleitorado nacional: 90% e 40%, respectivamente.


Como discurso, dificilmente Aécio sairia da linha já adotada nas duas últimas eleições, em que o partido bate na tecla da gestão eficiente e profissionalizada, que não aparelha a máquina estatal. O "choque de gestão" é um dos slogans usados por sua administração. Aliados do governador avaliam que a estratégia não deu certo nas eleições anteriores em função da presença carismática de Lula no quadro de candidatos. Pela primeira sem o presidente entre os postulantes, o discurso poderia emplacar.


No Palácio da Liberdade se admite, entretanto, que a comparação entre o governo atual e o de Fernando Henrique poderá ser um peso para o partido, já que ainda se detecta, nas pesquisas de opinião, a percepção de que foi um governo importante, mas que não deixou saudades.


A possibilidade de Aécio sair do PSDB, já enfraquecida pela recente decisão do TSE que torna passível de cassação do mandato o político que trocar de partido, parece hoje sepultado, segundo afirma repetidas vezes o governador mineiro. Sobretudo em relação ao PMDB, o partido que corteja de maneira mais aberta o governador mineiro. Além da dificuldade previsíveis de fechar um partido tão fragmentado quanto o PMDB, há problemas regionais importantes, como a composição com o ex-governador Newton Cardoso, adversário histórico de Aécio.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

As ilusões perversas e mortais


A guerra do PSDB

Coluna Econômica - Luis Nassif

Em outubro do ano passado, em pleno processo eleitoral, um amigo procurou o governador eleito José Serra e o alertou: se não se afastasse de Fernando Henrique Cardoso, não teria chances. Por dois motivos. Primeiro, pela imagem que FHC deixou junto ao eleitorado, de maneira geral. Depois, porque jamais FHC o apoiaria para presidente da República.

FHC tem obsessão com sua própria biografia. Nas eleições de 2002, rifou Serra, jogou contra. Temia que um bom governo, depois dele, mostrasse as fragilidades de sua própria gestão. Apostava em um governo desastroso de Lula que, por efeito comparação, ajudaria a consagrar o seu e, quem sabe, abrir as portas para ressugir como o grande conciliador, a consertar os prováveis erros do PT.

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O governo Lula não foi um desastre. O segundo governo Lula deverá ser melhor que o primeiro. Com exceção da imprudência do câmbio, seu sucessor receberá um país melhor do que o deixado por FHC. A eventualidade de uma eleição de Serra permitiria completar um ciclo virtuoso, com Lula lançando as bases de políticas sociais consistentes e iniciando investimentos consistentes em infra-estrutura; e Serra investindo nas reformas que faltam e em políticas desenvolvimentistas.

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Serra não concordou com os argumentos. Alegou que FHC era seu amigo, que o apoiava contra Geraldo Alckmin e Aécio Neves.

Na semana passada, a ficha caiu. O empenho com que FHC atuou para derrubar a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) não era parte de uma estratégia para derrotar Lula. A intenção era derrotar os governadores, como líder do PSDB.

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Em outubro esse quadro estava claro. Com as eleições, mudavam as regras do jogo. Em tempos de paz, os governadores dão as cartas; em tempos de guerra, FHC e senadores.

No dia seguinte à derrota da CPMF, FHC se apresentava como o líder da oposição, oferecendo a mão a Lula para uma conciliação. Arthur Virgílio, livre atirador, senador que já bateu no teto de suas ambições políticas, logo após a votação, admitia ter cumprido ordens de FHC e oferecia a conciliação.

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Nenhum país do mundo conseguiu dar o salto sem a pacificação política interna. Foi assim com a Espanha, a Irlanda do Norte, com Portugal pós-revolução dos Cravos, com o Chile. O desarmamento de espíritos, a continuidade da política, a união em torno de objetivos comuns, são peças essenciais para o grande salto.
Hoje em dia, se tem essas condições. Lula tem relações de amizade com Serra e cordiais com Aécio. Não interessa a nenhum deles instaurar um clima de guerra. Com o PT chegando ao poder, integrou-se ao jogo democrático a última peça que faltava.

Serra-Lula-Aécio têm muito mais afinidades entre si do que diferenças. As diferenças de Serra em relação ao governo Lula são as mesmas que tinha em relação ao de FHC: a submissão excessiva ao mercado. Na outra ponta, compartilha com Lula de preocupações sociais, da necessidade de políticas públicas mais ativas.

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É esse o receio maior de FHC. Um eventual pacto entre duas forças progressistas exporia ainda mais as fraquezas de seu governo.

Bicadas

Nos últimos dias, aumentaram substancialmente as bicadas entre tucanos, mostrando claramente que a manutenção da disputa em banho maria liquidará com o partido, e permitirá aos carbonários, com ajuda de parte da mídia, a queimar as pontes de uma aproximação política, além de prejudicar substancialmente o trabalho dos governadores, que perderão verbas com a reprovação da CPMF. Vai começar a guerra no PSDB.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

O PSDB ainda está à procura de um rumo



Editorial Valor

A semana passada seria a do PSDB. Pelo menos era o que o partido havia planejado, ao marcar suas inserções publicitárias na TV antes do 3º Congresso do partido fundado em 1988. A ofensiva de marketing desembocaria na reunião tucana, que decidiria pela "atualização" do programa partidário e seria encerrada com honras pelo seu maior cardeal, Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República por dois mandatos (1994-1998 e 1999-2002).


Como a realidade nem sempre coincide com o marketing, ainda nos jornais de domingo era possível perceber o estrondoso fracasso de público da semana tucana. As televisões veicularam as imagens da xerox com repetitivos textos de que o PSDB fez, o PT copiou, sem que se conseguisse sair do "passado glorioso" para apontar um verbo no futuro: o que fará o partido hoje com mais chances de eleger o sucessor do presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva? Os tucanos não conseguiram também responder essa pergunta no "manifesto de atualização do programa partidário", que professa o partido como "autenticamente nacionalista e moderno" (sem dizer o que vem a ser o autêntico, o nacionalista e o moderno) e prega um "desenvolvimentismo" que passa por uma opção por "mais governo e mais mercado", seja lá o que isso represente na literatura acadêmica que tanto FHC preza (um mistura e manda, ou copia e cola, do liberalismo com o keynesianismo?)


No encerramento do evento, o que ficou registrado foi o radical discurso do ex-presidente que, para atacar os que consideram o partido elitista e preconceituoso, deu mais munição aos detratores. "Há, sim, acadêmicos entre nós, e nós não temos vergonha disso. Há gente que sabe falar mais de uma língua, sim, mas também falamos bem a nossa. Queremos brasileiros bem educados e não liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria", disse o ex-presidente, que sequer precisou apontar o indicador para o atual, o petista Luiz Inácio Lula da Silva, para que sua "insinuação" fosse entendida. Além da deselegância, que trai um orgulho ferido, o ex-presidente carimbou na testa do PSDB não o desprezo pela educação, mas pelo voto, que deu dois mandatos a Lula assim como elegeu e reelegeu o sociólogo Fernando Henrique Cardoso. Os eleitores certamente não têm vergonha de ter eleito um ou outro. Exerceram seu direito.


O Congresso e as máquinas xerox foram incapazes de dar um verniz a uma divisão partidária que se tornou uma doença crônica, motivada que é por ambições pessoais que dificilmente convergem para o coletivo e por uma enorme desorientação programática. Durante os governos FHC, um relativo consenso em torno da premência da estabilidade econômica e a existência de um elemento agregador, Mário Covas, deu alguma cola e substância aos atores que disputavam o poder internamente. Na oposição, o tucanato ficou sem norte no momento em que o PT optou por dar continuidade à política econômica ortodoxa de FHC e perdeu o rumo quando, depois de bater na tecla de que Lula abusava de uma política social paternalista e populista, engoliu nas urnas uma forte aprovação popular ao Bolsa Família. A partir de então, tenta emplacar um discurso do partido que inventou as políticas públicas que tiveram sucesso no atual governo. E não consegue sair disso - a não ser para renegar outras criaturas suas, como a CPMF, a Desvinculação das Receitas Orçamentárias (DRU), o valerioduto mineiro etc. A grita contra a carga tributária, aliás, é um capítulo à parte, já que ela é, hoje, a que se impunha aos contribuintes em 2002, menos as desonerações feitas no primeiro mandato de Lula.


A semana tucana projeta para 2010 uma legenda que tem os dois candidatos hoje com mais chances de êxito nas urnas, os governadores José Serra e Aécio Neves, nenhum programa e qualquer consenso interno. A educação per capita tucana, que FHC diz que não deve envergonhar os militantes, não foi suficiente para dar consistência programática e organicidade a um partido que corre o risco de voltar a ser governo em 2010 e precisa dizer a que veio - ou melhor, por que quer voltar.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Falando serio


O PSDB decidiu adiar toda verdadeira discussão nas suas fileiras sobre as suas propostas políticas para o país.

Preferindo uma unidade entre suas diferentes correntes e sensibilidades a clarificação de seu posicionamento nas principais temáticas nacionais, os tucanos privilegiam a aposta na viabilidade de um nome-candidato e não desgaste eventual do governo Lula. Porem, não é evidente que essa aposta seja coroada de êxito.

Contrariamente ao seu aliado tradicional, o DEM, que procura assumir abertamente seu conteúdo de direita liberal com verniz udenista, o PSDB fica acima do muro. Por provável influencia dos fernandistas, apoiados pelos alckimistas, a reafirmação do ideario privatizador e liberal que marcaram os oito anos de FHC reapareceu com força no documento do congresso tucano.

A ausência total de autocrítica sobre sua própria trajetória inibe uma boa parte de suas críticas ao PT ou ao governo Lula.

Como criticar, por exemplo, a ausência de verdadeira reforma tributária para diminuir seriamente o peso dos impostos, sem uma palavra sobre a própria responsabilidade no aumento dessa mesma carga durante o governo tucano?

Como sustentar a crítica aos gastos públicos e à política fiscal, sem expor à crítica os quatro primeiros anos do Plano Real que deixaram as torneiras abertas para o endividamento e os gastos federais, sem superávit para reduzir precisamente esse endividamento explosivo?

Como questionar a ética do PT e manter o ex-presidente nacional do PSDB Eduardo Azeredo o pai do "valerioduto" como um dos principais expoentes dos tucanos em Minas? (Elegeram agora, segundo os jornais, um "mensaleiro" como presidente do PSDB de Minas).

Qual é a credibilidade para além do apoio da mídia, das invocações à democracia contra um eventual "terceiro mandato" na boca precisamente de quem, além de mudar as regras para se favorecer introduzindo a reeleição, não teve nenhum embaraço em defender um eventual terceiro mandato para... Fujimori no Peru! Como sustentar ao mesmo tempo que a alternância é uma necessidade perante o fracasso do governo atual e ao mesmo tempo indicar que se a possibilidade de disputar novamente viesse a ser adotada, Lula voltaria a ganhar as eleições?

Por último, como acreditar no posicionamento mais a esquerda pretendido pelo principal candidato tucano, José Serra, sendo ele o maior defensor da aliança com os Demos justamente assumidos como direita desenvergonhada? Como levar a serio os seus oponentes fernando-alckimistas em sua proclamações social-democratas, sendo uma de suas marcas os ataques repetidos ao Bolsa-familia, acusado de assistencialista?

Descepcionada, a Folha de São Paulo constata hoje no seu editorial:

"A política econômica continua sendo terreno de divergências e indefinições entre os tucanos. O partido não sabe se apóia "mais do mesmo", se defende o superávit fiscal nominal (desendividamento acelerado do setor público), se propugna por intervenções maiores no câmbio, se retoma as privatizações, se interfere no Banco Central ou se lhe confere autonomia formal, se reforma a política externa a começar do Mercosul ou se a mantém como está. Nesses quesitos cruciais, cada grão-tucano tem seu programa particular -o qual não compartilha com seus correligionários nem dele abre mão em favor da unidade programática."

A mesma decepção impregna os comentários nos demais veículos que compartilham com a Folha suas inclinações políticas.

Em ausência de idéias-força e de propostas alternativas, os tucanos acabam apostando em pesquisas. A três anos da eleição e com vários aspirantes aparentemente determinados (Aécio Neves, José Serra, mas têm os que apóiam Alckmin e até Ciro Gomes), o risco de repetir o fiasco das duas últimas eleições é muito grande.

Mesmo sem Lula, o " terceiro mandato" para o PT e sua coligação vai continuar assombrando os tucanos.

O 3º Congresso do PSDB, ao que tudo indica, preferiu adiar as definições indispensáveis. Os tucanos poderão acabar não só perdendo algumas plumas, mas ficando a ver navios.

A decepção da mídia pode não ser nada, já a do eleitorado...

Luis Favre

terça-feira, 20 de novembro de 2007

3º Congresso do PSDB: Em direções opostas

Pouco antes de a Câmara dos Deputados votar e aprovar a prorrogação da CPMF, a Executiva Nacional do PSDB fez uma reunião e decidiu que o partido votaria contra o imposto do cheque. Senadores presentes à reunião chegaram a perguntar até quando os deputados conseguiriam segurar a tramitação do projeto na Câmara. A primeira semana de outubro, respondeu um deles. Ótimo, os senadores reagiram com entusiasmo, era mais que o bastante para que eles barrassem a votação até o fim do ano parlamentar.


Os deputados cumpriram a promessa: a CPMF só foi votada na Câmara no dia 10 de outubro. Mas tão logo o projeto de emenda constitucional saiu do salão verde para o salão azul, a primeira coisa que os senadores tucanos fizeram foi abrir conversações com o governo. Hoje não há mais um PSDB, mas pelo menos três - um de José Serra, outro de Aécio Neves e um terceiro de Tasso Jereissati.


sabem o que fazer, mas caminham em direções opostas, e por isso os tucanos não conseguem criar um conjunto de orientações que dê clareza de ação política prática a seus congressistas e militantes.


Tucanos da primeira geração reclamam da falta de um líder capaz de manter acesa a chama do PSDB. Alguém como Mário Covas, que no início dos anos 90 impediu que o partido caísse no colo de Fernando Collor de Mello e pavimentou o caminho do PSDB até a Presidência da República em 1994.


O PSDB não sabe o que é e o que será quando for novamente governo, mas age como se já tivesse retomado o Palácio do Planalto. O risco Lula (terceiro mandato) não é desprezado. Mas varia em grau a avaliação de cada tucano sobre a viabilidade do projeto do PT continuísta. Serra, por exemplo, não acredita.


Às vésperas do 3º Congresso, que definirá o novo programa partidário, e da convenção para eleger novos dirigentes, na quarta e quinta-feira próximos, o que há atualmente no PSDB é a linha "Serra presidente", a linha "Aécio presidente" e uma linha Tasso Jereissati, que deve ficar com a candidatura de Ciro Gomes (PSB). O problema é que cada uma dessas linhas representa interesses e projetos diferentes, e há partidários dos dois - ou dos três - lados.



Falta um líder para unificar os tucanos


A linha "Aécio presidente" tem um projeto parecido com o do atual governo do ponto de vista econômico e das relações políticas - algo como já desenvolve hoje em Minas Gerais nas parcerias firmadas com partidos diversos. Além disso, Aécio calcula ser necessário juntar PSDB e PT para fazer as grandes reformas necessárias.


O projeto da linha "Serra presidente" é diverso do modelo atual em relação à política econômica e prevê outro tratamento para a política monetária, juros e câmbio. Defende o "Estado ativo", protagonista, mas algo que estaria à frente do tradicional Estado interventor. O serrismo também quer uma outra política de relações internacionais.


Se for eleito presidente, é dado como certo que a primeira viagem de Serra não será aos EUA - como foi a do presidente eleito e ainda não empossado Luiz Inácio Lula da Silva. Talvez algum país da Europa. O que não quer dizer que Serra quer briga com os americanos, apenas mudar a simbologia. Na política, a aliança pensada para a execução das chamadas "grandes reformas" é com Democratas e PMDB.


Resta a linha Tasso Jereissati, que não é propriamente um projeto mas que representa o interesse regional. Tanto que entre o Ceará e o mundo, Tasso já declarou que fica com o Ceará e, portanto, mais uma vez estará entre os correligionários de Ciro Gomes.


Esse cenário de nau à deriva é o que explica por que enquanto Tasso combate o imposto do cheque no Senado, três governadores (Serra, Aécio e Yeda Crusius, do Rio Grande do Sul) são contra a extinção da CPMF, por entender que, ruim com ela (é mais dinheiro para Lula usar politicamente), pior será se eles ficarem sem nenhum.


O curioso é que isso ocorre num momento em que tanto Serra quanto Aécio mantêm a tensão, mas dizem acreditar que será possível um acordo entre os dois em relação a 2010. É a expectativa de que um ou outro estará no Palácio do Planalto, depois de Lula, que mantém uma acerta unidade no PSDB. Sem essa crença, os tucanos talvez já tivessem se dissolvido.

Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras no Valor

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Tucanos admitem que o partido está em crise e desorientado

Vale a pena ler o artigo de Gerson Camarotti do jornal O Globo. Como não basta constatar a crise do PSDB, o artigo se faz eco dos que querem levar o partido a uma oposição raivosa tipo DEMos. Acontece que esse tipo de postura mostrou-se insuficiente para angariar apoios e crescer eleitoralmente. Na ausência de programa alternativo ao do governo, o udenismo já mostrou que leva a impasse, por isso os governadores procuram uma saída numa certa convergência com Lula em questões centrais. Porem, tem muito gavião disfarçado de tucano e pouco tucano disposto a descer do muro. To be or not to be, para os tucanos também é a questão.


Gerson Camarotti - O Globo

BRASÍLIA - A decisão da bancada do PSDB de encerrar a negociação com o governo pela prorrogação da CPMF, na semana passada, não tirou o partido do divã. Pelo contrário. Ao explicitar a divisão no ninho tucano, a cúpula do partido resolveu rever o seu papel na oposição. A crise é tamanha no partido que na convenção para escolher o novo presidente, no fim deste mês, o partido tentará discutir o seu papel na oposição.

" O PSDB não sabe o que quer da vida. "

- O PSDB não sabe o que quer da vida. A situação é péssima. O partido está desorientado, sem bússola, sem rumo! Não adianta o vento ser favorável se o marinheiro não sabe onde quer chegar. O problema da CPMF era do governo, e nós, tucanos, tivemos a competência de trazê-lo para o nosso colo. A verdade é que o PSDB tem uma síndrome: quando está no governo, quer ser oposição. Quando está na oposição, quer ser governo - analisou o deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), ex-líder do governo Fernando Henrique Cardoso.

O senador Tasso Jereissati (PSDB -CE) - Ailton de Freitas/O Globo A constatação interna é de que a legenda ainda não encontrou uma identidade própria desde que foi para oposição, na eleição de 2002. Preocupada com o desgaste, a cúpula do partido chegou a encomendar uma pesquisa para saber que rumo tomar, inclusive na polêmica sobre a prorrogação da CPMF. A pesquisa foi contundente: a maioria esmagadora da população era contra a renovação do imposto do cheque. Por isso, a nova ordem no partido é de tentar buscar uma sintonia maior com a opinião pública.

- Ser oposição exige um trabalho muito sério. Temos que construir a nossa posição em sintonia com a opinião pública. O debate sobre a CPMF foi um exemplo disso. Não podemos nos dividir - observou o deputado José Aníbal (SP), ex-presidente do PSDB.

Essa advertência não é por acaso. O partido vive sua pior crise de identidade desde sua fundação, em 1988. Os tucanos ressentem-se de vários desgastes recentes, inclusive com o que ocorreu durante a negociação da CPMF. Pragmático, o grupo de governadores liderados por José Serra (PSDB-SP) e Aécio Neves (PSDB-MG) tentou um acordo com o governo Lula para encontrar facilidades numa possível vitória tucana em 2010.

Enquanto isso, o grupo liderado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso avaliava que essa estratégia seria um erro e que enfraqueceria o partido, já que perderia sua personalidade como uma legenda de oposição. A avaliação na base, e em outros setores da oposição como DEM e PSOL, é de que o PSDB perdeu consistência no governo Lula.

Não é o primeiro erro recente do PSDB. A bancada na Câmara ficou dividida na votação do presidente da Casa, em fevereiro, e acabou dando os votos necessários para o petista Arlindo Chináglia (SP) assumir o comando da Casa. O partido arrepende-se também de não ter sido mais duro no escândalo do mensalão, o que permitiu a recuperação de Lula. Outro erro citado pelos próprios tucanos foi o apoio à tentativa frustrada de aumento do salários dos parlamentares no fim do ano passado.

- O PSDB está em crise. O problema é que falta democracia interna. Se todas as decisões fossem debatidas internamente, não haveria crise. O que não pode é ter uma decisão de cúpula - disse o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR).

Na semana passada, no auge do desgaste político provocado pela disposição de fazer um acordo com o Palácio do Planalto, a bancada do PSDB no Senado decidiu por 9 votos a 4 encerrar as negociações com o governo e fechar uma posição contra a prorrogação da CPMF, depois de uma forte pressão da bancada da Câmara. A decisão foi tomada depois da constatação de que a possibilidade de um acordo iria rachar o partido de forma definitiva.

" A tradição do PSDB é de ser reflexivo e responsável. Não tomamos uma decisão com o fígado "

Vários deputados chegaram a argumentar que seria muito desgastante para o partido continuar aparecendo em fotografias almoçando no Ministério da Fazenda. Depois da crise, o presidente da legenda, senador Tasso Jereissati (CE), reconheceu algumas dificuldades internas, mas tentou amenizar a crise tucana.

- A tradição do PSDB é de ser reflexivo e responsável. Não tomamos uma decisão com o fígado. Colocamos em primeiro plano os interesses do país. Um partido forte como o PSDB não pode ser julgado por um fato ou por uma posição de momento - ponderou Tasso Jereissati.

O futuro presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), é cauteloso com o atual momento do partido. Mas reconhece o momento de dificuldade interna.

- Quando um partido é governo, as decisões são tomadas com mais facilidade. O problema é que o PSDB é oposição, mas continua sendo um partido com grande responsabilidade com o país. Por isso, é natural que haja dificuldade em decidir em alguns pontos - argumentou Guerra.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Vôo acima de um ninho de tucanos


Dividido, PSDB cogita adiar decisão sobre a CPMF


Negociação com o governo opõe base e

cúpula do partido

Em meio à confusão,

líderes tentam ‘restaurar’ a unidade

Tasso e Virgílio equilibram-se entre o governo e a unidade da bancada tucana

O PSDB marcou para as 19h desta terça-feira (6) uma reunião de sua Executiva Nacional. Em tese, o encontro serviria para que o partido decidisse, finalmente, se votará contra ou a favor da emenda da CPMF, pendente de apreciação no Senado. Diálogos reservados travados no final de semana, porém, consolidaram o risco de o partido optar por uma terceira hipótese: a de decidir não decidir. Para ganhar tempo, o tucanato faria uma contraproposta à proposta formulada pelo governo.

Há escassas duas semanas da realização do Congresso partidário em que pretende aprovar um novo ideário e renovar a sua direção nacional, o PSDB vive uma crise de identidade. A grossa maioria dos deputados e senadores tucanos deseja reforçar a linha de oposição a Lula. Em sentido inverso, parte da cúpula da legenda esforça-se para fechar um acordo com o governo. No centro da arenga, estão os interesses dos governadores tucanos, em especial José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas).

Um diálogo mantido na última quinta-feira (1) entre Guido Mantega e o senador Arthur Virgílio (AM) ilustra a encalacrada em que se meteu o PSDB. O ministro da Fazenda acabara de expor ao grão-tucanato a proposta do governo para granjear votos a favor da emenda da CPMF. O líder tucano no Senado cobrou o detalhamento da proposição. Queria números. Mantega mostrou-se receptivo: “Entendo, vocês querem segurança para negociar.” E Virgílio: “Não, precisamos de segurança para não apanhar da bancada”.

A despeito dos risos que se seguiram à observação de Virgílio, não são negligenciáveis os riscos de que o PSDB saia desunido das negociações com o governo. Na Câmara, o partido votou em peso contra a CPMF. De uma bancada de 57 tucanos, o único a dissentir foi Manoel Salviano (PSDB-CE). No Senado, entre oito e nove dos 13 tucanos pendem para a rejeição à CPMF.

A iminência de uma conflagração do partido levou o senador Sérgio Guerra (PE), escalado para presidir o PSDB a partir de 23 de novembro, a adotar posição mais cautelosa que a de Virgílio e a de Tasso Jereissati, atual presidente do PSDB. Para Guerra, a prioridade é a unidade do partido, não o acordo com o governo. Neste domingo (4), em diálogo reservado, Guerra disse: “Ainda que a gente chegue a um acordo muito bom com o governo, se esse acordo levar à divisão do partido, será um acordo péssimo para o PSDB.”

Sérgio Guerra diz, em privado, que não se sente “obrigado” a tomar uma decisão nesta terça-feira. Afirma que quem deve preocupar-se com o tempo é o governo, não o tucanato. Deflagrou uma articulação para preparar a reunião da Executiva. Acha que não se deve chegar a um encontro de tamanha importância sem uma série de diálogos prévios que unifiquem o discurso do partido.

O próprio Arthur Virgílio, também em reserva, impõe uma condicionante à negociação com o governo: “Nosso limite é a nossa unidade”, diz ele. “Não vamos permitir que o partido saia dividido dessa negociação.” Virgílio procurou o deputado Antonio Palocci (PT-SP), para reforçar algo que já dissera a Mantega. “Vocês precisam nos ajudar a ajudar o governo”, disse o líder tucano ao ex-ministro da Fazenda de Lula.

Virgílio procurou deixar claro a Palocci que o governo precisa adensar a sua proposta com números expressivos. Do contrário, a cúpula tucana não teria nem argumentos nem razões objetivas para se contrapor à contrariedade de seus deputados e da maioria de seus senadores. Mantega prometeu para esta segunda-feira (5) o detalhamento da proposição oficial. Se o governo vier com o que Virgílio chama de “números de fancaria”, a tendência do PSDB seria a de encerrar a negociação. Se os números forem “consistentes”, o tucanato tenderia a formular uma contraproposta. O que retardaria a definição da bancada.

De todos os líderes tucanos, Tasso Jereissati é o que defende de maneira mais entusiástica a formalização de um acordo com o governo. Nos subterrâneos, deputados do PSDB insinuam que o presidente da legenda estaria acomodando interesses paroquiais acima das conveniências partidárias. Por esse raciocínio, os pendores governistas de Tasso estariam escorados no desejo do senador de arrancar de Lula a viabilização de uma ZPE (Zona de Processamento de Exportações) no Ceará.

As suspeitas dos deputados tucanos são tonificadas pela movimentação de Romero Jucá (PMDB-RR). Líder de Lula no Senado, Jucá empenha-se pela edição de uma medida provisória que atenda aos interesses de Tasso. Aprovada há quatro meses pelo Senado, a lei das ZPEs teve alguns de seus artigos vetados por Lula. Havia o compromisso do governo de editar uma MP restabelecendo nacos da lei que contemplariam interesses contrariados, entre eles os de Tasso. Algo que deve ocorrer nos próximos dias.

A mera vontade de Tasso não basta, porém, para converter em concórdia a contrariedade da maioria dos congressistas tucanos. Para desanuviar a legenda, governadores como Serra e Aécio terão de sair a campo. Segundo o raciocínio esgrimido privadamente por Sérgio Guerra e Arthur Virgílio, o posicionamento a ser adotado pelo PSDB na votação da CPMF, seja ele qual for, terá de ser referendado pela ampla maioria da legenda. Ou seja, quem quiser virar a opinião dos congressistas contrários à CPMF vai ter de arregaçar as mangas.

Serra e Aécio estão em campo. Não lograram, por ora, convencer nem mesmo a integralidade dos tucanos paulistas e mineiros. Daí o risco de que o partido opte por ganhar tempo, decidindo não decidir nesta terça-feira.

Escrito por Josias de Souza

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Consenso ou enxaqueca

Foi necessária uma firme declaração da Ministra Dilma Rousseff, em Washington, proclamando que o debate sobre 2010 visava acabar com o governo, para que o próprio presidente e seus ministros - incluída a própria - caíssem na real.

Incentivar o debate sucessório, encorajar a pre-candidatura de Ciro e pesquisas sobre Dilma, plantar notinhas permanentemente sobre esse tema e ao mesmo tempo ignorar a construção de uma pauta política de governo e inclusive as eleições municipais de 2008, foi a manifestação de um clima de palanque, inimigo da agenda de governo.

A impasse sobre a votação da CPMF e o terrorismo verbal acabariam desaguando para uma derrota séria do governo amputado de um imposto absolutamente indispensável.

O bom senso aparentemente prevaleceu e o bom sinal veio também da própria Dilma, sobre os novos paradigmas a serem construidos entre governistas e oposição. Mereceu elogios até do editorial do Estadão.

Do lado do PSDB, a predisposição ao confronto antecipado sobre 2010 beneficiava o lado falcão dos tucanos, em detrimento dos governadores interessados numa pauta de governo. Este interesse de Serra e Aécio não está motivado exclusivamente pelo favoritismo deles para 2010. Intervém também um cálculo sobre o impacto de um clima de confronto acirrado com uma figura popular como a de Lula e fundamentalmente, com o céu de brigadeiro da economia brasileira nos próximos anos. O desgaste na opinião pública seria conseqüente e maior ainda entre os empresários e banqueiros. E como se sabe, não é por acaso que tucano tem bico d'oro e ele é pesado. Opinião das elites valem o dobro!

Um bom acordo sobre a CPMF é tão importante para o governo como para esses presidenciáveis tucanos, ajudando a isolar os partidários da radicalização. Se FHC e Alckmin seriam postos no escanteio, o mesmo acontecera com os "xiitas tucanófagos" no próprio PT.

A construção de consensos, além de benéfica para o pais, será um elemento de decantação nos partidos políticos com impacto em todas as forças, da situação e da oposição. Abriria espaço para um debate sério sobre a agenda de reformas que o Brasil aguarda e seguramente influenciaria setores da mídia hoje empenhada na agenda negativa.

Talvez eu esteja confundindo meus desejos com a realidade. É possível. Às vezes as pessoas confundem mão estendida com fraqueza e no lugar de espreitar a mão, cospem nela.

Nesse caso eu acordarei logo desinebriado, já a enxaqueca da ressaca acompanhará o brasileiro durante longos três anos, pelo menos.

Luis Favre

Sucessão de Lula se insinua na negociação da CPMF

Valor

Não apenas o governo tem necessidade e urgência de fechar uma negociação com o PSDB para prorrogar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O tributo tem mostrado enorme potencial desagregador também na oposição. No Senado, teve o poder de afastar o PSDB do arquialiado DEM, que fechou questão pela rejeição da emenda - se aprovada, manterá até 2011 aquele que seria conceitualmente um ônus provisório nas transações bancárias. E desde o final da semana passada a divisão interna dos tucanos em torno da contribuição aparece límpida e cristalina nas páginas dos jornais.


Os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG), presidenciáveis tucanos, autorizaram a cúpula do partido - o presidente, Tasso Jereissati, o vice, Sérgio Guerra, e o líder no Senado, Arthur Virgílio - a negociar uma "proposta concreta". Parece ser esse o caminho tomado pelos dirigentes, já que ontem Jereissati anunciava como "radicalização" a pressão sobre o governo para que este apresente "proposta sólida, de impacto", para compensar a CPMF. A "radicalização" pode ser entendida como seu oposto: disposição de conversar, na medida em que, diferente do DEM - que não admitiu qualquer diálogo -, o PSDB aceita, sim, discutir uma "proposta de impacto". Mas a posição é divergente da alardeada pelo vice-líder, Álvaro Dias (PR), como sendo a de 10 dos 13 senadores do PSDB, que querem rejeitar a CPMF.


O que faz a cúpula do PSDB acenar com uma posição conciliatória, mesmo não representando a maioria da bancada? Esse mistério é resolvido com uma simples consulta à CNT/Sensus de outubro. São os tucanos Serra e Aécio os favoritos na disputa de 2010 para a Presidência. Apenas Ciro Gomes (PSB-CE) passaria discretamente à frente se fosse disputar com Aécio Neves. Em todas as simulações, Serra se apresenta como o melhor candidato. Isso quer dizer que Lula deve sair do cargo com boa popularidade, mas não conseguirá transferir votos para um candidato da base. A posição de Ciro pode ser atribuída ainda ao recall da disputa de duas eleições presidenciais.


Hoje, o cenário forte para 2010 é a vitória de um candidato tucano. A prorrogação da CPMF proposta pelo governo vai até 2011, quando o novo presidente já teria assumido e procedido às negociações com o Congresso para extinguir, manter ou substituir o imposto. Se agora o PSDB optar por uma negociação de redução gradual da contribuição, de tal forma que ela seja muito menor em 2011, o sucessor de Lula assumirá o país com uma arrecadação, em tese, sensivelmente menor. Isso move o governador paulista, por exemplo, a sustentar que, "comparando com os outros [impostos], [a CPMF] é o menos pior". Talvez por isso, na convenção estadual do partido, o ex-governador Geraldo Alckmin tenha radicalizado em direção oposta: manter uma faixa própria de liderança no diretório paulista é fundamental para que sobreviva, e só conseguirá isso se radicalizar e rivalizar com Serra, que hoje prefere ser oposição morna - para um candidato a presidente, usar de radicalismo para disputar com Lula, que é popular, não é um bom caminho, como ensinaram, aliás, as eleições de 2002.


Esse é o espaço que o governo tem para negociar com os tucanos. Mas apenas conseguirá isso se ele próprio, governo, não radicalizar. Não tem sido a melhor das estratégias botar os ministros na linha de frente, com o discurso "ou a CPMF ou o caos". Com o aumento cada vez maior da arrecadação, não é o caos nem impossível pelo menos uma redução gradual da contribuição. E não é uma boa idéia colocar o PSDB como refém do discurso do caos - as pressões têm várias contra-indicações, inclusive a de ter o potencial de fazer os tucanos mudarem de idéia. Seria mais inteligente acenar com uma proposta consistente de desoneração tributária, que seja uma saída para o PSDB que negocia. Assim, os tucanos poderiam manter-se discretamente como oposição, mas sem fazer marola, esperando as próximas eleições presidenciais. Isso pode ser bom para ambos, mas nem tanto para o país, que há anos houve o discurso do imposto "menos pior" - enquanto eles se empilham - sem que o Congresso e as unidades federadas se debrucem seriamente sobre uma reforma tributária, que tire da agenda política os impostos "menos piores" e dote o país de tributos melhores.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Briga tucana vai para guerra suja


As diversas denúncias que pipocaram nos jornais em relação a gestão Alckmin em São Paulo (Nossa Caixa, CDHU, entre outras) não ficaram sem resposta. Hoje O Estado de São Paulo se faz eco de duas contra Serra-Kassab. (ver aqui no blog Cheiro ruim no ninho tucano de São Paulo: MP apura favorecimento do governo a ONG ligada a tucanos e Mais cheiro ruim no ninho tucano de São Paulo: ONGs dão salário a quem deveria fiscalizá-las)

Não é necessário ser expert em bico d'oro para saber quem move os fios da desconstrução do adversário. O enfrentamento entre Serra e Kassab, de um lado, e Alckmin e Aécio do outro, está entrando numa fase de disputa em que todos os golpes são autorizados.

Hoje o Prefeito de Rio, César Maia (DEM, partidário de Kassab) entrou em serviço encomendado para formular ameaças, sob pretexto de defender... Aécio. Segundo ele, Aécio é o melhor candidato (não era Serra?) e por isso Lula está procurando destruir-lo. Basta substituir o nome de Lula, pelo de José Serra e a ameaça fica claríssima:
"Simultaneamente determinavam - a partir do valerioduto mineiro- uma exaustiva investigação contra Aécio e a empresa que sua irmã -na época- trabalhava, tentando demonstrar operações financeiro-político-eleitorais ilícitas. O que se diz é que não se trata de enquadrar o governador no processo do valerioduto mineiro, mas de formar um amplo e profundo dossiê contra o governador, de forma a desmontar a sua candidatura no caso dela se afirmar no PSDB.

Buscam também -desesperadamente- fotos de qualquer tipo de Aécio em festas, que possam -de alguma maneira- comprometê-lo. E dizem que pagam bem, alopradamente bem." (ex-Blog de César Maia).

Como se vê, as denúncias contra Goldman, Serra e Kassab, que tinham sido arquivadas pelo procurador-geral de Justiça do Estado, Rodrigo Cesar Rebello Pinho, foram destampadas e trazidas a luz, junto com o "mensalão" das AMAs, como resposta certeira da turma de Alckmin e Aécio contra seus inimigos. A mensagem é clara: a preparação e utilização de denúncias e dossiê será revidada com os mesmos procedimentos.

Se até agora assistíamos a uma fictícia unidade de fachada, com Alckmin apostando contra os que especulavam sobre uma divisão entre Serra e ele. Agora é divergência pública na política (Ver aqui no blog Serra e Alckmin divergem sobre a CPMF em convenção do PSDB em São Paulo) e guerra suja nos bastidores. Se Alckmin continuar apostando, vai perder no jogo.

Têm muito cheiro podre saindo pelo ralo do ninho tucano. Vamos precisar tampar o nariz.

Luis Favre


domingo, 21 de outubro de 2007

Impasse entre Alckmin e Kassab imobiliza rivais

Em São Paulo, adversários do DEM e PSDB esperam definição para se posicionar, enquanto Aécio oferece ajuda à campanha do tucano

Carlos Marchi - O Estado de São Paulo

A um ano das eleições municipais paulistanas, o impasse entre as potenciais candidaturas do prefeito Gilberto Kassab (DEM), por um lado, e do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), por outro, paralisa a aliança de 13 anos que junta tucanos e o antigo PFL, e imobiliza os adversários, que aguardam uma definição na disputa para se posicionar. Há duas semanas Alckmin ganhou um inesperado presente: o governador Aécio Neves (PSDB), de Minas, prometeu-lhe total engajamento em sua candidatura à Prefeitura de São Paulo em 2008.

A preocupação em definir um rumo para a aliança juntou num jantar de exploração de hipóteses, na última terça-feira, o ex-presidente do DEM, ex-senador Jorge Bornhausen (SC), e Alckmin. Na sexta, Aécio, o senador Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, e o governador José Serra (PSDB) tiveram um encontro em São Paulo para discutir a CPMF e, no entremeio, conversar sobre a eleição municipal de 2008. Serra apóia a candidatura do atual prefeito, Gilberto Kassab, à reeleição, mas muitos tucanos questionam a inexperiência de Kassab em disputas eleitorais.

Quem festeja o impasse e torce para que ele se prolongue é o PT, principal adversário de PSDB e DEM em São Paulo, que sonha em recuperar a prefeitura da maior cidade do País em 2008. “Kassab está tomando eleitores que seriam de Alckmin”, comemora o deputado Jilmar Tatto (PT-SP), um dos aliados da ex-prefeita Marta Suplicy, hoje ministra do Turismo, ao comentar a melhoria da avaliação do atual prefeito. Ele acha que, um ano antes, a divisão de tucanos e DEM antecipa um cenário de segundo turno na eleição paulistana.

SEM BRIGAS

“Não haverá dois candidatos”, decreta solenemente o empresário Guilherme Afif, do DEM, ao garantir que haverá um acordo entre os dois partidos e só um deles concorrerá. “Farei tudo para manter a aliança”, assegura José Henrique Reis Lobo, presidente do PSDB paulistano e secretário de Relações Institucionais do governo Serra. “Não sei ainda a fórmula para manter a aliança, mas não é um problema para agora”, observa o deputado Mendes Thame, presidente do PSDB paulista.

No mesmo tom, alguns tucanos vão mais longe e prevêem que pode até acontecer de os dois concorrerem, mas sem que isso seja produto de um rompimento entre eles. A idéia atende à preocupação tucana com a inexperiência de Kassab, que nunca enfrentou uma disputa majoritária e pode se perder nela; assim, se Alckmin estiver concorrendo também, carreia os votos da antiga aliança.

Entre os tucanos, no entanto, a disputa de 2008 tem características de uma partida de xadrez que se prolongará até 2010. O dilema maior é de Alckmin. Sem muito espaço no governo Serra, seus seguidores o pressionam para sair candidato à prefeitura. Thame interpreta a voz do partido: “Se quiser, ele será o candidato.” Os tucanos dizem que Serra - apesar de simpático a Kassab - não será obstáculo à candidatura, mas Alckmin terá de responder a muitas interrogações para tomar essa decisão.

Se for candidato à prefeitura, terá a obrigação de ganhar. Se vencer, ainda assim não robustecerá tanto sua biografia, mas uma derrota levará a um ocaso prematuro de sua carreira política. Além da pressão dos seguidores, Alckmin tem recebido estímulos externos, como o de Aécio e do próprio PSDB paulista. Mais: o Diretório Estadual do PSDB recomendou que o partido tenha candidato próprio a prefeito em todos os municípios em que está organizado. Assim, não caberia abrir mão da “cabeça de chapa” justo no maior dos municípios, a capital paulista.

Muita gente no PSDB defende a tese de que Alckmin seja “guardado” para 2010, para disputar o Palácio dos Bandeirantes, para o caso de Serra ser candidato à Presidência. O PSDB, que controla São Paulo desde 1994, teme não ter um candidato competitivo, se Serra voar mais alto. Ele vê dois cenários: por um lado, elegendo-se prefeito, Alckmin não poderá sair um ano depois para disputar o Estado, como fez Serra, com algum desgaste, em 2006; por outro, se Serra não for o candidato do PSDB à Presidência, obviamente concorrerá à reeleição. A Alckmin, então, restaria disputar o Senado.

O DEM diz que Kassab depende somente de si: se continuar melhorando sua avaliação, como vem fazendo, se viabilizará como candidato competitivo. No PSDB todos acham que é cedo para definir candidatos. “Quem vai dar o primeiro sinal é o PT”, diz Lobo, lembrando que, para ser candidata, Marta - a mais expressiva opção do PT - terá de se desincompatibilizar até 31 de março de 2008.