Mostrando postagens com marcador Quercia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Quercia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Ofensiva de DEM por Kassab irrita Alckmin e aumenta divisão tucana

Raimundo Paccó/Folha Imagem
Rodrigo Maia: tom duro ao entrar na reunião,
trocado por suavidade depois de conversar com o prefeito paulistano


César Felício e Cristiane Agostine
VALOR

A demonstração pública de apoio ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), dada pelo governador paulista, José Serra (PSDB), na segunda-feira, acalmou a cúpula do DEM, mas elevou a agressividade de aliados do ex-governador Geraldo Alckmin, possível candidato tucano à disputa da capital. A reação divide-se entre críticas aos integrantes do DEM e o combate interno: os aliados do ex-governador lembram que Serra não é o único presidenciável tucano e portanto não haveria razão para o partido desistir da candidatura própria neste ano para favorecê-lo em 2010.

Momentos antes de entrar na reunião do conselho político do partido, presidida ontem por Kassab em um hotel de São Paulo, o presidente da legenda, deputado Rodrigo Maia (RJ), foi enfático ao dizer que o partido "não tem problema de ir para a disputa", mas que uma divisão agora "pode abrir espaço para o PT na Prefeitura de São Paulo e depois na sucessão do presidente Lula". Rodrigo Maia reforçou a candidatura de Kassab e disse que em maio o prefeito paulistano estará "à frente de Alckmin nas pesquisas".


A declaração de Maia provocou irritação imediata. "Considero natural Serra ir ao encontro de aliados, mas totalmente anti-natural as declarações da direção do DEM que visam impedir o PSDB de ter chapa própria em São Paulo. O Geraldo tem respeitado a vontade do DEM de ter candidato", disse o deputado Edson Aparecido (SP). "O Serra não esconde sua preferência por Kassab, mas as bases querem o candidato mais forte para fortalecer o partido em 2010, e não uma aliança para fortalecer o projeto de um presidenciável. Até porque Serra não é o único pré-candidato a presidente", comentou o deputado Silvio Torres (PSDB-SP).


Serra e Alckmin encontraram-se pouco antes do Natal, mas tiveram uma conversa protocolar, sem debater a sucessão municipal. Segundo relato de um tucano que procura manter a eqüidistância, a relação entre os dois nunca esteve tão ruim. Na avaliação dele, o apoio a Alckmin é majoritário nas bancadas federal e estadual do PSDB.


O conselho político do DEM discutiu por três horas às portas fechadas. Após o fim da reunião - e do discurso do prefeito paulistano - o tom de Rodrigo Maia foi muito mais ameno e conciliador. "A discussão (sobre o fim da aliança com o PSDB) deve ser feita no momento adequado, depois que todas as tentativas e discussões com o PSDB se encerrarem. Enquanto isso não ocorrer, temos de lutar pela aliança que tem sido vitoriosa em São Paulo", declarou.


Rodrigo Maia minimizou o impacto nos acordos DEM-PSDB em outros Estados, com uma eventual ruptura entre os dois partidos em São Paulo. "São poucos os Estados que essa aliança está tão amarrada como em São Paulo."


Porta-voz da reunião, o prefeito Kassab foi comedido em seus comentários. "Os entendimentos para manter aliança são mais importantes que os projetos pessoais. Jamais algo que é natural, que é minha candidatura à reeleição, será colocado como entrave à manutenção da aliança", disse o prefeito.


Pai do presidente da sigla, o prefeito do Rio, Cesar Maia, brincou com Kassab e disse que tem recebido muitas mensagens eletrônicas com pedidos para levá-lo como candidato para disputar o governo municipal do Rio. Demonstrando menos preocupação sobre a aliança com o PSDB, Cesar Maia reforçou a tese de Alckmin para 2010, no governo de São Paulo, e Kassab em 2008, conforme defesa já feita pelo presidente de honra dos tucanos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Não há nenhuma razão para que uma disputa entre nós fortaleça o adversário. Porque obviamente no primeiro turno só quem sairá fortalecido de uma candidatura PSDB e DEM será Marta Suplicy. Não há nenhuma razão para Kassab não ser candidato. Chapa vitoriosa: Kassab hoje, Alckmin amanhã", disse o prefeito.


Antes de integrantes do conselho político concederem entrevistas, ao fim do encontro, o DEM divulgou uma nota sobre o encontro, em que a discussão eleitoral não aparece, mas se faz um apelo à manutenção da aliança. "A gravidade do momento pede a união das oposições, a exemplo do que ocorreu no Congresso na extinção da CPMF, a fim de impedir retrocessos e mais prejuízos às pessoas", diz a nota.


Os dirigentes do DEM aproveitaram o encontro para gravar entrevistas e imagens com a produtora GW, para o programa de televisão partidário. A empresa presta serviços tanto para a prefeitura paulistana quanto ao partido. É a mesma produtora que fez a campanha eleitoral de Alckmin em 2006. Segundo assessores de Kassab, a produtora, deve continuar com o prefeito na campanha eleitoral, fazendo com que Alckmin perca o marqueteiro da campanha anterior, o jornalista Luiz González. Aliados de Alckmin duvidam da possibilidade, por considerar que a presença de Gonzalez em uma campanha de Kassab seria visto como um rompimento público entre Serra e o ex-governador, o que não deve ocorrer.


Ontem, Alckmin se reuniu com FHC. Na conversa, reafirmou a defesa de lançamento de candidatura do PSDB à Prefeitura de São Paulo. FHC, por sua vez, pregou a manutenção da aliança com o DEM na cidade. Segundo tucanos, a conversa não foi conclusiva. Hoje, Alckmin se reunirá com o ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen. A articulação suspendeu a ofensiva do DEM. A avaliação foi que não seria prudente avançar na véspera do encontro entre Bornhausen e Alckmin. A conversa foi acertada na segunda-feira, quando Bornhausen almoçou com o presidente municipal do PSDB, José Henrique Lobo. Bornhausen também se reuniu com FHC. " Não é o momento de constrangimentos " , disse o líder do DEM no Senado, Agripino Maia (RN).


Com as dificuldades dentro do partido, Alckmin tem procurado apoio em outras lideranças políticas. Ontem, o tucano marcou um novo encontro com o presidente do PMDB-SP, o ex-governador Orestes Quércia. Nos próximos dias, os dois devem se reunir para discutir uma eventual aliança. No fim de dezembro do ano passado, Quércia teve encontros com Kassab, Alckmin e com interlocutores da ministra Marta Suplicy, provável candidata do PT à prefeitura.


As conversas com o PT não avançaram na reunião que Quércia teve ontem com o presidente do diretório estadual do PT, o prefeito de Araraquara, Edinho Silva. Apesar do aceno feito pelos dois partidos sobre uma aliança em 2008 e 2010, as negociações ficaram travadas. Quércia tem demandas antigas que não foram contempladas: a indicação para disputar o Senado na chapa e a indicação para cargos no governo. (Com agências noticiosas)

domingo, 20 de janeiro de 2008

Entrelinhas: Ainda sobre Quércia e Alckmin

O presidente municipal do PMDB em São Paulo, Bebeto Haddad, defende com entusiasmo uma aliança de seu partido com o PSDB, em torno da candidatura de Geraldo Alckmin à prefeitura com base em um raciocínio bastante interessante: se Alckmin vencer, o PMDB governará em coalizão a maior cidade do País, o que dispensa maiores comentários; se Alckmin perder, o que é uma hipótese hoje considerada remota, o ex-governador poderia até mesmo migrar para o PMDB a fim de disputar o governo paulista em 2010, completando assim uma chapa que teria Quércia como candidato ao Senado, uma dobradinha sem dúvida com força eleitoral.

Já os peemedebistas que defendem uma aliança com o PT dizem que o partido de Lula tem mais a oferecer, inclusive no governo federal, ao ex-governador Orestes Quércia. Até agora, porém, a verdade é que Lula não atendeu aos pleitos do PMDB paulista.

No fundo, a questão para Quércia é saber em quem confiar. Com o PT, a experiência não foi lá muito boa.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Longe da fantasia: Alckmin negocia apoio do PMDB de SP com Quércia

Blog de Josias


Alheio às conveniências de José Serra e às opiniões de Fernando Henrique Cardoso, o tucano Geraldo Alckmin costura nos subterrâneos uma aliança que dê suporte à sua candidatura à prefeitura de São Paulo. Idealiza uma parceria do seu PSDB com o PMDB de Orestes Quércia.

Alckmin já teve pelo menos duas reuniões com o próprio Quércia, que preside o PMDB no Estado de São Paulo. Esteve também com Bebeto Haddad, presidente do diretório peemedebista na capital paulista.

O tucano disse aos dois interlocutores que deseja concorrer à prefeitura paulistana em outubro de 2008. E manifestou o interesse de ter o PMDB do seu lado. Em privado, cogita entregar a um peemedebista a vaga de vice.

Nem Quércia nem Bebeto excluíram a hipótese de formalização de um acordo. O diálogo mantém-se, por ora, inconcluso. Será retomado em fevereiro, depois do Carnaval.

Alckmin move-se à revelia de Serra. De olho na corrida presidencial, o governador de São Paulo corteja o DEM. E a tribo ‘demo’, sabendo-se essencial para os planos futuros de Serra, condiciona uma eventual parceria em 2010 ao apoio do PSDB à candidatura municipal de Gilberto Kassab.

Guindado à prefeitura como vice, Kassab (DEM) tornou-se titular do posto em 2006, quando Serra decidiu rasgar um compromisso que assumira por escrito, trocando a cadeira de prefeito pela poltrona de governador. Kassab tomou gosto pela coisa. E quer porque quer se reeleger.

Há uma semana, para irritação de Alckmin, FHC associou-se publicamente aos planos de Serra. Em entrevista aos repórteres Laura Greenhalgh e Fred Melo Paiva, o ex-presidente disse que Alckmin deveria se resguardar para a disputar ao governo de São Paulo, em 2010. Afirmou que Kassab “tem sido bom prefeito”.

FHC acrescentou: “Se você pensar estrategicamente, seria ótimo que a aliança dele [Kassab] com o PSDB se mantivesse nas eleições [municipais de 2008], que o Geraldo [Alckmin] pudesse disputar o governo, o que liberaria o Serra para a presidência [da República].” Reservadamente, Alckmin considerou descorteses as palavras de FHC.

Na última quarta-feira (16), em reunião com Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, e Arthur Virgílio (AM), líder do tucanato no Senado, Alckmin disse que se submeterá à decisão do partido. Mas mostrou-se muito propenso a concorrer à prefeitura. Sabe que, se bater o pé, o PSDB terá dificuldades para rifá-lo em nome do apoio a Kassab.

Observando a encrenca à distância, o governador Aécio Neves (Minas), que mede forças com Serra pela vaga de candidato ao Planalto, estimula Alckmin. Considera inconcebível que o PSDB puxe o tapete de um correligionário que traz na biografia um cacife eleitoral que o conduziu ao segundo turno da eleição presidencial de 2006.

Quanto ao PMDB, Quércia já informou aos seus pares que não quer entrar na refrega municipal como candidato. Prefere a formalização de uma boa aliança. No plano federal, o PMDB apóia o governo petista de Lula. É o maior partido do consórcio governista.

Porém, a cúpula da legenda avisou ao PT e ao próprio Lula que, em 2008, dará preferência às alianças com partidos da chamada base governista. Não hesitará, porém, em acertar-se com legendas de oposição nos municípios em que o casamento “consangüíneo” se mostrar inviável.

Escrito por Josias de Souza

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Reflexões pessoais sobre o pleito municipal de 2008

ice

Ainda é cedo para as definições partidárias ao respeito das eleições municipais de outubro de 2008, porem já aparecem algumas movimentações que merecem um acompanhamento e intervenção, tanto no campo governamental, como nas hostes oposicionistas.

Na base de sustentação do governo aparece escancarada a movimentação do chamado "bloco de esquerda" para lançar candidatos próprios, desafiando abertamente a intenção manifestada pelo Presidente Lula de procurar candidaturas unificadas nos principais municípios do pais. Para Lula isto é necessário porque em certa medida as eleições de 2008 implicarão, além de um certo julgamento da metade do segundo mandato, nas condições para emplacar um candidato a sucessão com alguma chance.

Parece evidente que após ter encomendado ao presidente do PMDB, Michel Temer, a organização do processo unitário visando 2008, Lula é desafiado abertamente pelo movimento deslanchado pelos partidários de Ciro Gomes. Isto mostra que a missão de Temer estará fadada ao fracasso e que cada um dos atores cuidará de seu próprio quintal em cada município. A menos de uma ação de peso do próprio Lula e do PT para tentar reverter o processo em curso.

A provável filiação de Patrícia Saboya ao PDT, em Fortaleza, para ser candidata a Prefeita contra a atual detentora do cargo é a mais recente ilustração deste processo. Ao que tudo indica a candidatura de Ciro Gomes em 2010 está determinando a atuação política dos partidos que compõem o "bloco", PSB, PCdoB, PDT, PR.

Mas não é só com eles o problema. No Rio de Janeiro o acordo de Garotinho e César Maia, leva o PMDB do atual governador Sérgio Cabral para a oposição e o mesmo pode acontecer com o PMDB em São Paulo, se prosperar os entendimentos entre Quercia e Alckmin.

No campo da oposição as coisas também estão desarrumadas. O DEM parece considerar, não sem razão, que sua própria existência depende da apresentação de candidatos da sigla no máximo de municípios, o que implica eventuais conflitos com seu parceiro tradicional, o PSDB. Isto traz implicações especialmente nas capitais , sendo São Paulo a principal delas.

A oportuna publicação das negociações de Alckmin e Quercia constitui uma mensagem dirigida pelo tucano ao governador Serra: o aliado DEM pode ceder o lugar ao PMDB, a menos que Serra e Kassab renunciem a candidatura do atual prefeito. As dificuldades em selar um acordo para 2008, entre os dois rivais paulistas da tucanagem, , tem mais a ver com a disputa pela candidatura a presidente em 2010 entre Serra, Aécio e o próprio Alckmin.

Acontece que sem um resultado significativo nas eleições municipais nas principais cidades do pais, o PSDB, e qualquer um de seus eventuais candidatos a presidente, encontrará dificuldades para estruturar um bloco hegemônico com chances de provocar a alternância em 2010. É hoje. na questão municipal, o favoritismo tucano parece limitado a São Paulo e com muito isolamento em outras capitais.

Paradoxalmente é no PT, tradicionalmente muito "trapalhão" para utilizar um epíteto usado pela mídia (ou eufemismo, dependendo de onde se observe), que o Presidente Lula tem obtido êxito em evitar a precipitação de candidaturas, mesmo se o recente congresso do partido aprovou uma vaga resolução sobre esse tópico em relação a 2010. Incluso em relação a 2008 o partido tem respeitado o processo indicado por Lula com Michel Temer, não precipitando discussões que dificultem uma eventual composição unitária.

Acontece que no PT poucos são os caciques consensuais e diferente do que acontece em outras siglas dominadas por caciques, a decisão, quando não é consensual, é tomada pelos índios, no caso os Diretórios municipais e seus filiados. A medida que se aproxima o momento das definições as possibilidades para reverter movimentos e corrigir rumos poderá ficar comprometida. Ao contrário de uma filosofia muito em voga entre caciques petistas e que se resume na frase "é urgente não fazer nada", o planalto deveria acordar, antes que seja tarde demais e a base governista comece a cuidar de sua própria vida.

Se como disse Marx "tudo o que é sólido, desmancha no ar", imaginem então uma coalizão heterogênea de 11 partidos.

Luis Favre

Alckmin busca aliança com PMDB para 2008

Ex-governador tucano se reuniu com Quércia no domingo; acerto acabaria com acordo com Democratas

CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL

Líder das pesquisas pela prefeitura de São Paulo, o ex-governador Geraldo Alckmin está flertando com o PMDB. Alckmin se reuniu domingo com o presidente estadual do partido, o ex-governador Orestes Quércia, a quem propôs aliança para 2008. Um acordo com o PMDB implodiria a tradicional composição do PSDB com o DEM.
Na conversa, Alckmin reproduziu o que dissera há 15 dias ao presidente municipal do PMDB, Bebeto Hadad: que deverá concorrer à prefeitura no ano que vem. A Quércia afirmou que será o candidato do partido se quiser. "Ele me disse que está bem com o Serra e que busca alianças", contou Quércia, afirmando que a intenção do PMDB é lançar candidato.
Alckmin disse que convidará Quércia para uma segunda conversa quando voltar de uma breve viagem. Há 15 dias, Hadad chegou a sugerir que Alckmin se filiasse ao PMDB e concorresse à prefeitura pela sigla.
Como a época era de instabilidade no PSDB, Alckmin não teria descartado a idéia e pediu uma audiência com Quércia.
Ao receber Quércia, Alckmin fez questão de afirmar que vive um bom momento com o governador José Serra. Segundo tucanos, ele estaria disposto a oferecer a vice ao PMDB. "Alckmin disse que gostaria que caminhássemos juntos em 2008 e 2010", disse Hadad.
Serra e Alckmin se reaproximaram no fim do mês passado, quando decidiram desmontar um quadro de disputa pela presidência municipal do PSDB.
No encontro -noticiado pela Folha- os dois concordaram em buscar um nome alternativo à presidência do PSDB. O escolhido foi o do secretário estadual de Relações Institucionais, José Henrique Reis Lobo.
A eleição de Lobo não foi consumada domingo. Para assumir a presidência, Lobo pediu que pudesse indicar o secretário-geral e o tesoureiro. O atual presidente da sigla, Tião Farias, não concordou, sugerindo Marcos Zerbini para a secretaria-geral. Numa reunião no gabinete de Tião, Lobo disse que não seria presidente sem sua equipe. A escolha deve ser oficializada na quinta.
Folha de São Paulo (para assinantes)