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terça-feira, 18 de setembro de 2007

Reflexões pessoais sobre o pleito municipal de 2008

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Ainda é cedo para as definições partidárias ao respeito das eleições municipais de outubro de 2008, porem já aparecem algumas movimentações que merecem um acompanhamento e intervenção, tanto no campo governamental, como nas hostes oposicionistas.

Na base de sustentação do governo aparece escancarada a movimentação do chamado "bloco de esquerda" para lançar candidatos próprios, desafiando abertamente a intenção manifestada pelo Presidente Lula de procurar candidaturas unificadas nos principais municípios do pais. Para Lula isto é necessário porque em certa medida as eleições de 2008 implicarão, além de um certo julgamento da metade do segundo mandato, nas condições para emplacar um candidato a sucessão com alguma chance.

Parece evidente que após ter encomendado ao presidente do PMDB, Michel Temer, a organização do processo unitário visando 2008, Lula é desafiado abertamente pelo movimento deslanchado pelos partidários de Ciro Gomes. Isto mostra que a missão de Temer estará fadada ao fracasso e que cada um dos atores cuidará de seu próprio quintal em cada município. A menos de uma ação de peso do próprio Lula e do PT para tentar reverter o processo em curso.

A provável filiação de Patrícia Saboya ao PDT, em Fortaleza, para ser candidata a Prefeita contra a atual detentora do cargo é a mais recente ilustração deste processo. Ao que tudo indica a candidatura de Ciro Gomes em 2010 está determinando a atuação política dos partidos que compõem o "bloco", PSB, PCdoB, PDT, PR.

Mas não é só com eles o problema. No Rio de Janeiro o acordo de Garotinho e César Maia, leva o PMDB do atual governador Sérgio Cabral para a oposição e o mesmo pode acontecer com o PMDB em São Paulo, se prosperar os entendimentos entre Quercia e Alckmin.

No campo da oposição as coisas também estão desarrumadas. O DEM parece considerar, não sem razão, que sua própria existência depende da apresentação de candidatos da sigla no máximo de municípios, o que implica eventuais conflitos com seu parceiro tradicional, o PSDB. Isto traz implicações especialmente nas capitais , sendo São Paulo a principal delas.

A oportuna publicação das negociações de Alckmin e Quercia constitui uma mensagem dirigida pelo tucano ao governador Serra: o aliado DEM pode ceder o lugar ao PMDB, a menos que Serra e Kassab renunciem a candidatura do atual prefeito. As dificuldades em selar um acordo para 2008, entre os dois rivais paulistas da tucanagem, , tem mais a ver com a disputa pela candidatura a presidente em 2010 entre Serra, Aécio e o próprio Alckmin.

Acontece que sem um resultado significativo nas eleições municipais nas principais cidades do pais, o PSDB, e qualquer um de seus eventuais candidatos a presidente, encontrará dificuldades para estruturar um bloco hegemônico com chances de provocar a alternância em 2010. É hoje. na questão municipal, o favoritismo tucano parece limitado a São Paulo e com muito isolamento em outras capitais.

Paradoxalmente é no PT, tradicionalmente muito "trapalhão" para utilizar um epíteto usado pela mídia (ou eufemismo, dependendo de onde se observe), que o Presidente Lula tem obtido êxito em evitar a precipitação de candidaturas, mesmo se o recente congresso do partido aprovou uma vaga resolução sobre esse tópico em relação a 2010. Incluso em relação a 2008 o partido tem respeitado o processo indicado por Lula com Michel Temer, não precipitando discussões que dificultem uma eventual composição unitária.

Acontece que no PT poucos são os caciques consensuais e diferente do que acontece em outras siglas dominadas por caciques, a decisão, quando não é consensual, é tomada pelos índios, no caso os Diretórios municipais e seus filiados. A medida que se aproxima o momento das definições as possibilidades para reverter movimentos e corrigir rumos poderá ficar comprometida. Ao contrário de uma filosofia muito em voga entre caciques petistas e que se resume na frase "é urgente não fazer nada", o planalto deveria acordar, antes que seja tarde demais e a base governista comece a cuidar de sua própria vida.

Se como disse Marx "tudo o que é sólido, desmancha no ar", imaginem então uma coalizão heterogênea de 11 partidos.

Luis Favre

Possível saída de senadora do PSB muda eleição no CE

Patrícia Saboya está negociando filiação ao PDT

KAMILA FERNANDES
DA AGÊNCIA FOLHA, EM FORTALEZA

A pouco mais de um ano das eleições, a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), que vai tentar a reeleição, está prestes a ter sua base de apoio dividida. O motivo é a possível saída da senadora Patrícia Saboya (PSB), que negocia se filiar ao PDT para viabilizar sua candidatura à prefeitura.
Patrícia tem dito que gostaria de disputar a prefeitura, mesmo contra Luizianne, porém tem encontrado resistências no PSB, único partido que apoiou a petista na eleição passada. Entre as resistências está a do governador Cid Gomes (PSB), que tem afirmado apoiar Luizianne, apesar da amizade que tem com Patrícia (a senadora foi casada por muitos anos com Ciro Gomes, irmão de Cid).
A senadora já recebeu um convite do PSDB também (ela é a candidata preferida do senador tucano Tasso Jereissati), mas descartou, pois representaria um distanciamento político muito grande com Ciro e seu projeto presidencial para 2010.
O PDT, por sua vez, não seria uma ruptura, já que o partido integra um bloco no Congresso junto ao PSB e ao PC do B. E o próprio Ciro, ainda que fique no PSB, dificilmente deixaria de apoiá-la, o que demonstra ao fazer críticas constantes à administração de Luizianne.
A decisão de Patrícia, se fica ou sai do PSB, deve ser tomada ainda neste mês, pois pela legislação eleitoral o candidato precisa estar pelo menos há um ano no partido para disputar um mandato.
Outra novidade no cenário da disputa pela prefeitura de Fortaleza é a situação de Luizianne, que em 2004 se candidatou contra a vontade do partido e agora é apoiada por toda a cúpula que antes a rejeitou. Em 2004, Luizianne, detentora de maioria simples do comando do PT na capital cearense, conseguiu alavancar sua candidatura contra a cúpula nacional, que queria abrir mão da candidatura para apoiar Inácio Arruda (PC do B). A situação agora é a oposta, em que há o apoio e dinheiro federal para uma série de obras que ficaram para o final da administração.
Além de Patrícia, entre os adversários mais certos está o ex-deputado federal Moroni Torgan (DEM), que, após três derrotas seguidas (duas à prefeitura e a última ao Senado), precisa do apoio do PSDB para ampliar seus espaços. Em caso de candidatura própria, o PSDB não tem lideranças de peso para concorrer -Tasso já disse que não entra na disputa. Uma das opções poderá ser o atual secretário de Justiça do Estado, Marcos Cals, filho de um ex-governador, mas pouco conhecido do eleitorado, ou o ex-prefeito Antônio Cambraia, que foi o candidato do partido na eleição passada, mas não chegou ao segundo turno.