sábado, 3 de novembro de 2007

*À conversa com...Sebastião Salgado



Mulher dinka. Kolkuei, Sudão, 2006
(Sebastião Salgado © Amazonas Images)

África
raspa cá dentro
(Ípsilon, 2.11.2007)

Sérgio B. Gomes

A sessão de lançamento de África tinha acabado há pouco. Sebastião Salgado, 63 anos, ainda respondia aos jornalistas quando a mesa do auditório da FNAC já era preparada para a apresentação de outro livro, desta vez relacionado com homeopatia. O fotógrafo olhou à sua volta e ficou espantado com a velocidade de transformação da plateia, com a forma como aconteciam coisas tão distintas num espaço tão pequeno. "Os pedreiros que fizeram isto jamais imaginam o que se passa aqui hoje", lançou.
Perante uma sala cheia, aquele que é considerado um dos maiores fotojornalistas vivos falou da sua relação com África, da primeira viagem ao imenso continente (ainda como economista), do dia em que acompanhou as tropas da Frelimo, em Moçambique, da amizade com Mia Couto. No fim deu autógrafos. Muitos autógrafos. Foram quase duas horas a escrever nas primeiras páginas do seu último álbum que reúne imagens de uma grande viagem por África que já dura mais de 30 anos.

Por que é que fotografa?
Primeiro porque a minha profissão é fotógrafo, adoro fotografar. Quando pego na minha câmara e vou trabalhar é de manhã à noite. É um prazer fotografar. Já levo trinta e tal anos a fotografar e ainda não encontrei um dia no meu trabalho que não fiz com prazer. Em segundo lugar, é a minha forma de vida é o que eu sei fazer. Enquanto tiver prazer vou continuar. Para mim não há limite de tempo ou de idade. Aliás, isso é uma característica de muitos fotógrafos. Em 2002, quando cheguei ao México à casa de Don Manuel Álvarez Bravo [mestre da fotografia do séc. XX que morreu nesse ano] para comemorar o seu 100º aniversário, ele disse-me: “Sebastião! Tenho de te mostrar as minhas últimas fotografias!”. E eu perguntei: “Mas, Don Manuel, você ainda fotografa?”. E ele respondeu: “Sim, claro!”. E quando vi as fotografias eram dos pés dele. Don Manuel já não podia andar. Eram uns pés machucados e ele fotografava esses pés o dia inteiro. Essa é uma característica dos fotógrafos, são pessoas que normalmente vivem muito no mundo deles. Desligam-se de outras coisas e fotografam até ao fim. Tive um amigo que morreu agora em Paris com 94 anos e ainda fotografava. É uma forma de vida.

Sente-se confortável com o rótulo de fotógrafo humanista que lhe é atribuído?
Não sou um fotógrafo humanista! Isso foi um rótulo que algum bobo me colocou e ficou assim. Sou simplesmente um fotógrafo. As pessoas não conhecem todo o meu trabalho. Faço muita fotografia industrial, faço muita fotografia de publicidade e faço uma quantidade de retratos para o “New York Times”. Hoje estou a fotografar a natureza. Esse rótulo de fotógrafo humanista é uma bobagem que me foi colocada em algum momento e todos repetiram.

Que papel ainda pode ter a fotografia no feroz jogo geo-político em que estamos mergulhados?
Tem um grande poder. Mais do que nunca. A fotografia tem uma capacidade muito forte de transmissão. É difícil, hoje, num sistema de transmissão como a Internet comunicar em várias línguas. Esse problema não acontece com a fotografia. A linguagem da imagem não precisa de tradução. É também por isso que a fotografia tem um papel mais importante do que tinha antes. É muito mais importante hoje na transmissão de ideologias, de pensamentos, de informação.

Ao longo do seu trabalho, sobretudo aquele em que está representada a figura humana, vemos que assume quase sempre um lado da barricada. Não tem receio que as histórias que nos conta sejam demasiado parciais?
Mas que bom! É isso mesmo, bem parciais. Alguém tem que fazer um lado. Outra pessoa vai fazer o outro e o conjunto vai fazer um todo. Por exemplo, tenho um amigo que só fotografa a comunidade judia. E eu fotografo determinadas coisas que para mim foram importantes. Vim de um país de problemas, de um país em desenvolvimento. Vim de uma formação ideológico-política de esquerda e essa tem sido a minha forma de vida. Tem de haver uma coerência com a minha maneira de pensar. É isso mesmo: a minha fotografia é bem parcial.

Criança himba. Kaokoland, Namíbia, 2005
(Sebastião Salgado © Amazonas Images)

Ao contrário do que acontecia nos primeiro trabalhos, parece que agora lhe interessam cada vez mais temas como a terra, o mar, os animais. Sentiu necessidade de dar descanso ao rosto humano?
Não, não é isso. Génesis é um projecto. Não me transformei num fotógrafo de animais ou num fotógrafo de paisagens. Resolvi trabalhar durante oito anos num projecto para mostrar que Génesis ainda existe. Nós vivemos num planeta onde 46 por cento ainda não foi destruído. Destruímos 54 por cento, mas 46 ainda não. Acho que temos de preservar essa parte. Temos de militar todos juntos para manter não só a nossa espécie, mas todas as outras espécies deste planeta. Temos um projecto ambiental no Brasil muito forte. Criamos uma fundação e através dela plantámos um pouco mais de um milhão de árvores de várias espécies que estão a reconstruir um ecossistema parecido com o que existia. Temos centros educacionais no Brasil e empregamos mais de 60 pessoas. É uma instituição ambientalista muito forte, talvez uma das mais importantes na recuperação ambiental no Brasil. Quando criamos o projecto Génesis, estavamos a pensar nesse objectivo: de fazer uma apresentação dessa parte desconhecida do planeta. Neste projecto eu não fotografo só as paisagens ou só os outros animais, também fotografo o Homem, que também faz parte da mega biodiversidade do planeta. Mas este Homem que fotografo é o Homem de há 3 mil anos, ou 5 mil anos. Ainda existimos assim. Há vários grupos dentro da floresta amazónica que nunca contactaram com mais ninguém. Génesis é a tentativa de mostar essa incrível mega biodiversidade do planeta com o intuito de a preservar. Depois de terminar este projecto posso voltar a fotografar um só animal, o Humano, tal como fotografei até agora.

Como é que correu esta experiência de casar as suas fotografias com a escrita de Mia Couto?
Foi uma maravilha. Telefonei ao Mia, falei-lhe da ideia e ele aceitou na hora. Mandamos cópias das fotografias e ele começou a trabalhar logo. Foi uma integração perfeita. Aqui a gente só olha para o Mia e para o meu trabalho, mas há um terceiro nome - o de Léila. Foi ela que organizou este livro desta forma que, para mim, é muito interessante.

Ela fez uma trabalho de edição?
Fez um trabalho de edição e criatividade. Ela é que criou o livro, ela que imaginou o formato, ela é que fez as sequências, ela é que imaginou que fotografia ficavam bem com outra fotografia e a forma como os textos entraram.

Era absolutamente necessário ser um escritor africano a assinar estes textos?
Sim, acho que era importante ser um escritor africano. Era importante estes textos serem de alguém que tenha vivido ou tenha passado muito tempo em África. Para mais alguém como o Mia, que conhece muito bem África e a Europa, uma pessoa que respeito demais. Tenho todos os livros do Mia. Tenho uma verdadeira relação com a escrita dele. Não foi só o facto de ser um africano, alguém que conhece África, mas foi o facto de ser o Mia.

Vulcão Bisoke, Parque do Virunga, Ruanda, 2004
(Sebastião Salgado © Amazonas Images)

Depois de mais de 30 anos a fotografar África o que é que lhe ficou no coração, para além do que lhe ficou na retina?
Essa é uma questão complicada. Na realidade, depois de se trabalhar tanto tempo num continente como este, já não se é a mesma pessoa. Você passa a ser a pessoa que você é, mais a pessoa que viu tudo aquilo – todas as modificações que surgiram, o trabalho que foi feito. Vi em África coisas maravilhosas, as paisagens mais incríveis, vi relações de vida de outras espécies colossais, vi coisas maravilhosas da nossa espécie. Vi as coisas mais cruéis da nossa espécie. Não é cruel no sentido das pessoas morreram, passarem mal... É pior. Cruel no sentido que lembra que a nossa espécie faz coisas horríveis. E isso fez-me lembrar tudo o que eu li e ouvi sobre a Idade Média. Tudo o que tem a ver com o mal e levar o mal mais além, a extremos. Senti tudo isso, e tudo isso trabalhou na minha alma. É muito forte o que eu pude ver, o que eu pude sentir, os riscos de vida por que passei em África. Quase fui morto umas três ou quatro vezes. Fiquei ferido. Tudo isso faz com que me sinta também um pouco africano. Essa relação ficou na carne. Vim de um país onde o africanismo é uma das principais componentes, nomeadamente na cultura, no sentido amplo do termo, que vai desde a escrita, à música, à alimentação, à forma de viver. África, para mim, raspa cá dentro.

Há uma imagem de África ligada à fome e à guerra que ficou colada ao nosso imaginário. África tem fome e armas mas tem outras coisas. É esse lado menos mediatizado que também nos tenta mostrar?
Fui para a Etiópia agora e disse isso a vários amigos que me perguntaram: “Como é que está o problema da fome?”. As pessoas quando pensam na Etiópia só pensam na fome. Porquê? Porque foi uma imagem recente que se criou no sistema de informação Ocidental e todas as pessoas ficaram com essa imagem. Mas ninguém imagina que a Etiópia foi o único país que não foi colonizado em África. A Etiópia foi um país que bateu o pé a uma potência europeia que era a Itália. Os etíopes têm uma cultura milenar. Quando os portugueses chegaram lá em 1500 a Etiópia já era um país cristão. A Etiópia tem uma história tão rica e tão forte e existem tantas etiópias dentro da Etiópia... Vivemos numa sociedade que vive de determinados chavões, determinados esteriótipos. A Etiópia não é só fome. As pessoas estão muito enganadas a respeito deste país. E estão muito enganadas a respeito de África. África é um continente de uma enorme força, poder, cultura e dignidade. É um continente que representa um quarto do planeta. Temos de levar isto em consideração e muitas vezes não levamos. Temos a pretensão, principalmente na Europa, de termos a melhor cultura e sabermos mais do que os outros, mas a gente ainda vive muito de estereótipos. Temos de nos libertar dessas ideias.

Há algum país que lhe tenha dado especial prazer fotografar?
Muitos. Na Etiópia, por exemplo, tive um enorme prazer a fotografar. Em Moçambique tive momentos de grande felicidade e de esperança. Na Namíbia também.

Imagino que durante este tempo todo a fotografar um continente se apercebeu das mudanças que foram surgindo. Consegue isolar um país onde essas alterações foram mais radicais?
É difícil dizer. Mas Moçambique teve uma alteração radical. Saiu de um sistema colonial onde existia um certo equilíbrio de vida e com a saída dos portugueses desequilibrou-se completamente. Encontravam-se populações jogadas à estrada sem se saber porquê. Convulsões internas que não tinham nada a ver com Moçambique, fruto da Guerra Fria. Mas, Moçambique transformou-se num país organizado. Podemos tirar o chapéu a [Joaquim] Chissano. Ele merece porque foi um grande presidente. Conseguiu trabalhar com as Nações Unidas, reunificar Moçambique e cumprir um fenomenal acordo de paz. Moçambique é hoje um país em vias de desenvolvimento. Existem uma quantidade de coisas que se passam hoje em África que são muito positivas.

Foi difícil juntar as fotografias mais antigas às mais recentes?
Não. São as mesmas. Na realidade só fiz talvez versões diferentes da mesma fotografia. Se você olhar para estas fotografias - você que talvez não esteja habituado a elas - não notará quais são as antigas e quais são as mais recentes.

No livro “Olhando o Sofrimento dos Outros” a ensaísta Susan Sontag escreve: “Para que as fotografias acusem, e eventualmente mudem as condutas, têm de chocar”. Que comentário lhe merece esta afirmação?
Acho que não. As fotografias não têm de chocar, as fotografias têm de transmitir um pouco da situação que o fotógrafo está a viver. Mas chocar... bom, pode haver interpretações diferentes de acordo com a formação das pessoas. Conheci muitos fotógrafos que tiveram a consciência de culpa porque fotografaram pessoas a morrer de fome, situações de guerra. Não tenho nenhuma consciência de culpa de nada disso. Acho que estes problemas têm de ser mostrados assim, têm de ser transmitidos. As crianças têm de ver isto, para tentar que estas coisas não aconteçam mais. Para compreenderem o sofrimento dos outros. Agora, se acho que têm de chocar? Não, não acho que tenham de chocar. O que têm é de mostrar. Nós temos de ser responsáveis e assumir os actos de maltrato da nossa espécie. E isso tem de ser discutido e difundido, o que é diferente de ser transformado em instrumento de choque.

Sontag escreve no mesmo livro que o problema das suas fotografias reside “na sua focagem nos fracos, reduzidos à sua fraqueza”. Quer comentar?
É o ponto de vista da Susan Sontag. Tem direito a ter opinião. Mas há uma coisa sobre os críticos de fotografia e os críticos de arte em geral que gostava de dizer: o facto de terem uma tribuna permite que se transformem em senhores da opinião, e querem que o seu ponto de vista passe a ser o correcto, mas muitas vezes eles não conhecem as realidades, nunca estiveram lá, não conhecem a situação sobre a qual estão a falar. O que fazem é simplesmente uma elaboração intelectual teórica. Uma coisa é dizer o que é bom, o que é mau, fazer um julgamento e dar um ponto de vista, outra é ir, ver, sentir, frequentar e transmitir. É o ponto de vista dela. Não sei... (encolher de ombros).

Não teme que com o estilo de composição das suas fotografias, que há quem classifique de “cinemáticas”, o foco daquilo que quer mostrar fuja apenas para a beleza das imagens?
Isso é culpa vossa! Vocês é que criaram o barroco das nossas casas. Eu venho do estado mais barroco do Brasil. Se calhar, tenho uma influência do barroco nas minhas fotografias, um pouco mais de luz... Isso tudo faz parte da minha cultura, de onde vim. Não lhes coloquei nada mais para dar um momento mais dramático, ou menos dramático. É assim que vejo as coisas, que vejo o mundo. Há pessoas que aceitam e outras que não. São pontos de vista. Encaixo uns e não encaixo outros.

Li numa entrevista que tem tido dificuldade em passar no aeroporto os 600 rolos que leva em cada viagem de trabalho que faz...
O problema é o raio X que destrói os meus filmes. Depois do 11 de Setembro é dificil convencer as pessoas que eu não tenho uma bomba ali dentro. É um drama. Se os filmes passarem neste sistema eu posso perder o meu trabalho.

Vai voltar a África para fotografar?
Vou. Estou a chegar da Etiópia e vou voltar em Janeiro.

E depois de Génesis?
Não sei. Se ainda estiver vivo vou pensar em outra coisa.

Floresta de Hagenia hypericum
(Sebastião Salgado © Amazonas Images)

posted by Sérgio B. Gomes

Racismo: Una enfermedad social que recorre Europa

ANA CARBAJOSA - Bruselas - El País

El FC Brussels se quedó ayer sin patrocinador, después de que Matumona Zola abandonara el club de fútbol por racismo. El presidente reprendió al jugador congoleño y le advirtió de que "ya no está en su país y que debe pensar en otras cosas aparte de árboles y bananas", según el testimonio de Zola. El de esta semana es sólo uno de los múltiples casos de racismo en Bélgica, un país cuya justicia ha decidido poner coto a esta epidemia que, alimentada por los poderosos partidos de extrema derecha, recorre buena parte del país. El Tribunal Penal de Amberes ha aplicado este mes, y por primera vez en Bélgica, el agravante de racismo al condenar a cadena perpetua al joven que hace un año asesinó a una mujer negra y al niño pequeño al que cuidaba



Bélgica no es un caso aislado. Los datos de la recién estrenada Agencia Europea de los Derechos Fundamentales muestran que al menos en ocho países europeos han aumentado los crímenes racistas en los últimos seis años. "La violencia racista y el crimen continúan siendo una enfermedad social en Europa", dice el último informe de la Agencia, que compara la situación en los países de la Unión Europea.

El documento, publicado a finales del pasado agosto, analiza el grado de penetración del racismo y la xenofobia en Europa y hasta qué punto los Veintisiete cumplen con la directiva sobre la igualdad racial de la Unión Europea. Por un lado, destaca que la mayoría de los miembros han puesto en marcha esa ley, pero por otro indica que hay grandes diferencias en cuanto a la aplicación de sanciones y compensaciones en los casos de agresiones racistas. En cerca de la mitad de los países no se ha aplicado ninguna sanción. Además, dice el texto, "el reducido número de demandas durante 2006 hace pensar que existe una escasa conciencia [entre los ciudadanos] de que hay instituciones nacionales dedicadas a este asunto. Algunos países deberían hacer más campañas publicitarias dirigidas a las potenciales víctimas".

Reino Unido, Alemania, Dinamarca, Francia, Eslovaquia, Francia, Polonia e Irlanda son los ocho países en los que se ha registrado un aumento de la criminalidad racista. En ese mismo periodo, República Checa, Austria y Suecia registraron un descenso. Del resto no hay datos oficiales, y ése es, según la Agencia, uno de los principales problemas, la falta de conciencia de las autoridades sobre este problema.

Al margen de los crímenes, la Agencia Europea denuncia que los Gobiernos discriminan a los inmigrantes y a las minorías étnicas como los gitanos en el acceso a la vivienda, el empleo y la educación. Por ejemplo, tener un apellido magrebí es motivo para tener más dificultades para obtener un empleo en Suecia.

En el capítulo de buenas noticias, la organización destaca la puesta en marcha de leyes antidiscriminatorias. Recientes derivas electorales como el triunfo en Suiza de Crhistop Blocher, en cuyo cartel electoral aparecían tres ovejas blancas expulsando de una patada a una oveja negra del país, dibujan sin embargo un panorama poco alentador.

España: Un racismo de baja intensidad

La xenofobia empieza a instalarse en lugares donde se integran los inmigrantes


DANIEL BORASTEROS / JESÚS GARCÍA
- El País

España no es xenófoba. Las encuestas reflejan que la sociedad ha incorporado sin grandes sobresaltos el mayor flujo de inmigrantes que ha conocido el país. Pero algunas agresiones, las dificultades de convivencia y la competencia por servicios como las urgencias o plazas de colegio empiezan a dibujar otro panorama: el racismo de baja intensidad. Una sensación latente -y ya no tan latente en zonas con alta densidad de extranjeros- de que disminuye el pastel del Estado de bienestar.

"Este racismo se basa en la percepción del otro como alguien que te puede crear problemas. Se tiende a generalizar: el otro pasa a ser el conflictivo, el maleducado, el delincuente", argumenta Adelas Ros, investigadora de la Universitat Oberta de Catalunya (UOC) y ex secretaria de Inmigración de la Generalitat. "Es una tontería llamar a eso racismo", eleva el tono Riduan, de la Asociación de Inmigrantes Marroquíes. "Lo que sucede es que los españoles de clase trabajadora ven amenazados sus privilegios por una clase aún más necesitada que ellos", subraya Riduan, que insiste: "¡Eso no es racismo!".

Las encuestas reflejan que la inmigración ha ido creciendo como preocupación de los españoles hasta llegar al tercer puesto. Y datos como que el 59% de los españoles cree que los inmigrantes "lastran los salarios" muestran una culpabilización creciente del que viene de fuera.

"Son muchos y son maleducados", es el resumen verbalizado de Marta P., de 34 años y dependienta de una tienda en Alcorcón (165.000 habitantes, 15% de inmigrantes). "Los que se llenan la boca con la integración viven en zonas de ricos y no conviven con ellos", zanja Marta, hasta ahora votante del PSOE, en un discurso que ha calado en todo el espectro ideológico.

La xenofobia se dispara allí donde más inmigrantes hay y, precisamente, en algunos donde se ha hecho más esfuerzos por su integración: en Vic (40.000 habitantes), el acceso a las escuelas públicas está en el origen del ascenso del partido xenófobo Plataforma per Catalunya. Fue el segundo más votado en mayo, con el 18% de los votos. Y lo fue después de un esfuerzo del Ayuntamiento por repartir inmigrantes entre los colegios concertados para no concentrar todos en dos centros públicos. Vic tiene un 25% de inmigrantes -sobre todo magrebíes y subsaharianos-, hasta el 40% en algunos barrios.

La ascensión de Plataforma per Catalunya se explica, en buena medida, por la permanente campaña electoral de su líder, Josep Anglada, que durante años ha mantenido "una estructura de poder paralela", en palabras del concejal Joan López. Si los vecinos tenían un problema, llamaban a Anglada y éste, convertido en una especie de padrino, les daba una solución.

No son una aparición aislada. En Talayuela, pueblo cacereño premiado por su labor de "concordia", Iniciativa Habitable, grupo con un agresivo argumentario contra los extranjeros, obtuvo en las elecciones de mayo el 27% de los votos de esta población, con un 35% de inmigrantes censados. Y esas plataformas con un mensaje abiertamente xenófobo empiezan a proliferar en las ciudades del cinturón de Madrid. La Plataforma por Alcorcón, por ejemplo, no esconde que su principal reivindicación es que "los españoles estén por delante". Muchos de ellos frecuentan foros comunes en Internet. De semejante corpus ideológico se nutren Vientos del Pueblo (Getafe) o Alcalá Habitable.

El sustento de este rechazo, exponen los sociólogos, está en algunas "leyendas urbanas". Por ejemplo, que a los extranjeros no se les cobran impuestos al abrir un negocio, o que tienen más facilidades para acceder a las ayudas públicas. Es falso. Además, los inmigrantes que quieren acceder a las ayudas "deben pagar sus impuestos". Las subvenciones de los Ayuntamientos se ciñen a asuntos como "enseñanza del español o asesoría jurídica". Ese es el programa de Villaviciosa de Odón (26.000 habitantes, 10% inmigrantes).

La comunidad latinoamericana es una de las que ha expresado con mayor contundencia su temor a una oleada racista en España. "La agresión a la menor ecuatoriana en Cataluña es un hecho aislado, pero pone en evidencia acciones de racismo en el día a día. En el plano laboral, administrativo o social, nos topamos con actitudes xenófobas", explica Javier Boldoni, responsable de Fedelatina, que agrupa a las asociaciones latinoamericanas en Cataluña.

"No es normal que haya enfrentamientos con los españoles", dice María, propietaria de La Perla del Pacífico, un pequeño restaurante en el barrio madrileño de Tetuán. Sin embargo, cada comunidad tiene sus propias zonas de ocio y nunca se juntan. "Los peores son los moros, los ecuatorianos no molestan", dice con su peculiar filosofía de vida Susana, vecina "de toda la vida del barrio". Pero a veces sí hay problemas. Aunque sean "de baja intensidad". A Stefani le daban crisis de ansiedad. Tiene 14 años y, según el perfil trazado por los psicólogos, "está acomplejada". En el colegio la insultan. La llaman "gorda". Pero no sólo eso. También le recuerdan que tiene la piel oscura y que no nació en España. En definitiva, que es ecuatoriana.

Cuando habla de "incidentes graves", Boldoni se refiere a las agresiones físicas, que son minoritarias. Las ejecutan, habitualmente, grupos de ideología neonazi. En Madrid, abundan en el Corredor del Henares. En Cataluña, están activas en el llamado "triángulo xenófobo", en la comarca del Vallès. Sus integrantes ni crecen ni desaparecen. "Es difícil dar el salto cualitativo de las palabras a las agresiones", analizan los expertos.

Sin embargo, las palabras con su remoquete inicial inevitable, "yo no soy racista, pero..." sí que empiezan a calar. En el distrito de San Cristóbal de los Ángeles (40% de inmigración) aguardan en una marquesina. Dicen que están esperando "la patera". En realidad, el autobús, pero "va lleno de moros". Las palabras despectivas y los chistes se han vuelto algo cotidiano.

"Fuera rumanos. No al incivismo. No somos racistas". Bajo esta pancarta salieron a la calle, en febrero, cientos de vecinos de una barriada obrera de Badalona, un municipio del área metropolitana de Barcelona. Los vecinos pretendían expulsar a 25 rumanos de etnia gitana que vivían en un piso de 60 metros cuadrados. En el origen de aquella violenta protesta -los extranjeros se marcharon- había un conflicto de convivencia: los nuevos inquilinos eran de higiene descuidada y montaban jaleo.

Pese a la insistencia de los vecinos en desmarcarse de cualquier matiz de xenofobia, los expertos ven en acciones como ésta la existencia de un racismo latente, que de forma casi inconsciente tiñe la base social. ¿Quiere decir eso que los españoles somos racistas? La respuesta, a juzgar por lo que dicen los propios interesados, es un contundente "no". De hecho, según un estudio de 2006 del Observatorio Español del Racismo, el 65% de los españoles ve positivamente "la llegada de personas de otras razas, religiones y culturas". Al 91% le parece bien que cobren el paro y al 85% le parece justo que traigan a su familia.

En lo que va de año, SOS Racismo ha recibido 270 denuncias. La estadística incluye los casos de racismo "de baja intensidad", que son la mayoría -discriminación laboral o en el acceso a una vivienda-, pero también las supuestas agresiones de individuos y agentes de la policía. Hace pocos meses, Miwa Buene, congoleño, se quedó tetrapléjico tras recibir una paliza de un individuo que le gritaba "¡mono de mierda!". Mireia, la mujer de Miwa, no tiene dudas: "Si eres negro, no vales nada".

"El Estado de Bienestar se ha quedado corto", concluye Ros. En Madrid, las instituciones dejan claro que "no hay discriminación. Ni positiva ni negativa". Aunque reconocen que se dan choques culturales. Por ejemplo, en las urgencias de los hospitales. "Las urgencias son un sitio duro y la gente se pone nerviosa", explica un trabajador del 12 de Octubre, de Madrid. "Hay bofetadas de vez en cuando", explica. No es raro que los españoles afeen a los extranjeros hacer uso de una asistencia a la que no tienen "tanto" derecho como ellos.

L'Italie veut expulser des milliers de Roumains

La préfecture de Milan n'a pas tardé à mettre en application, vendredi 2 novembre, le décret-loi adopté dans l'urgence mercredi 31 octobre. Quatre premiers Roumains font l'objet d'une procédure d'expulsion. Selon le préfet de Milan, Gian Valerio Lombardi, "des centaines" d'individus pourraient être éloignés de Milan dans les jours qui viennent.

Sur l'ensemble du territoire italien, ce sont des milliers de ressortissants roumains qui peuvent désormais être expulsés. Le décret-loi autorise en effet les préfets à renvoyer dans leur pays d'origine, sans procès ni recours possible, des citoyens de l'Union européenne qui "contreviennent à la dignité humaine, aux droits fondamentaux de la personne ou à la sécurité publique". Une définition suffisamment vague pour englober le maximum de petits délinquants, avérés ou simplement suspectés. Ce tour de vis sécuritaire a été donné par le gouvernement de centre gauche conduit par Romano Prodi dans les heures qui ont suivi l'agression mortelle d'une femme par un Roumain, dans la banlieue nord de Rome.

La sauvagerie de ce fait divers et la nationalité du meurtrier présumé ont déclenché dans tout le pays une onde d'émotion, teintée de xénophobie envers une présence roumaine de plus en plus visible.

Selon les statistiques de l'immigration rendues publiques, mardi 30 octobre, par la fondation Caritas-Migrantes, les Roumains constituent la première communauté étrangère en Italie, avec près de 560 000 personnes recensées. Plus de 100 000 d'entre elles sont arrivées depuis le 1er janvier, le plus souvent installées dans des bidonvilles insalubres à la périphérie des villes.

"Rome était la capitale la plus sûre d'Europe avant l'entrée de la Roumanie dans l'Union européenne", a tonné le maire de la cité, Walter Veltroni (élu secrétaire du nouveau Parti démocrate le 14 octobre), attribuant aux ressortissants de ce pays les trois quarts des crimes et délits commis dans l'agglomération. Le "péril roumain" évoqué par le nouvel homme fort du centre-gauche semble confirmé par les chiffres de la police : sur 10 500 arrestations effectuées dans la région depuis le début de l'année, 7 300 concernaient des étrangers, dont 6 000 des Roumains. D'après la presse, 5 000 d'entre eux répondraient aux critères d'expulsion du nouveau décret.

La police a procédé, jeudi et vendredi, à des contrôles dans les campements roms de la capitale, ainsi qu'à Florence, Milan et plusieurs villes du nord de l'Italie. "Nous ne faisons pas la chasse aux Roumains, mais aux délinquants roumains", a nuancé le ministre de l'intérieur, Giuliano Amato. Toutefois, son ancien chef de cabinet, aujourd'hui préfet de Rome, Carlo Mosca, a confirmé la "ligne dure" des autorités "parce que face à des bêtes on ne peut répondre qu'avec la plus grande sévérité". Les premiers arrêtés d'expulsion ont été pris dès vendredi 2 novembre, après la publication du décret-loi au Journal officiel.

Ce texte accélère l'application de mesures contenues dans un projet de loi, annoncé le 30 octobre, qui devait donner plus de pouvoirs aux maires dans la lutte contre la microcriminalité. L'Association nationale des magistrats (ANM), qui regroupe les 9 000 magistrats italiens, a approuvé son contenu. Si une instruction est en cours, le juge décidera de la poursuite de l'action judiciaire ou de la remise du prévenu aux autorités pour reconduite dans son pays. Le chef du gouvernement, Romano Prodi, ancien président de la Commission européenne, a précisé que le décret est conforme au droit communautaire.

Pour l'opposition de centre-droit, cette manifestation de fermeté est "tardive et partielle". Gianfranco Fini, chef d'Alliance nationale (AN, droite conservatrice), exige "la destruction de tous les campements abusifs et l'expulsion des clandestins sans source de revenus". Il est reproché à M. Prodi d'avoir levé les restrictions mises par le gouvernement Berlusconi à l'immigration venue d'Europe de l'Est : "Nous payons aujourd'hui le prix de la tolérance excessive du passé", estime dans la presse italienne Franco Frattini, le commissaire européen chargé du dossier justice, liberté, sécurité.

Alors que les débarquements de migrants clandestins venus d'Afrique continuent en Sicile et en Calabre (plus de 300 arrivées le week-end dernier, et une cinquantaine de morts et de disparus dans des naufrages), les derniers chiffres de l'immigration concourent à une surenchère xénophobe. "Maintenant, l'Italie est aux mains des étrangers", a titré le quotidien berlusconien Il Giornale, en commentant l'augmentation de 21 % de la population étrangère en un an.

L'immigration est "source d'insécurité" pour 48 % des Italiens, selon un sondage. Le chef de l'Etat, Giorgio Napolitano, a condamné "les remontées de racisme", expliquant que "sans les travailleurs immigrés, le système économique serait bloqué".

Dans un éditorial, Il Corriere della Sera met en garde contre "l'existence en Italie d'un syndrome Blocher", du nom du leader xénophobe vainqueur des dernières législatives en Suisse. Romano Prodi vérifiera la semaine prochaine, lors du vote du budget au Sénat, si la ligne sécuritaire adoptée renforce sa majorité ou au contraire aggrave les dissensions avec la gauche radicale. Le quotidien communiste Liberazione s'interrogeait en "une", jeudi 1er novembre : "Pourquoi restons-nous dans ce gouvernement ?"


Immigration Un décret-loi a été adopté en urgence à la suite d'une agression mortelle

Jean-Jacques Bozonnet - Le Monde

'The Queen' acapara las nominaciones a los Premios del cine europeo 2007

'Alatriste' y 'El perfume', entre las películas nominadas

JORDI MINGUELL - Sevilla - El País

Los nominados a los Premios de cine europeo fueron anunciados la tarde del sábado en el marco del Festival de Cine Europeo de Sevilla. La coproducción franco-italo-inglesa The Queen, el retrato costumbrista de la Reina de Inglaterra Isabel II, resultó ser la gran favorita de la Academia del cine europeo a tenor de sus seis nominaciones entre las que incluye mejor película, director (Stephen Frears) y actriz (Hellen Miren).



De las otras nominadas cabe destacar las cuatro candidaturas de una de las revelaciones de la temporada: la rumana 4 meses, 3 semanas y 2 días de Cristian Mungiu. Una dura y modesta producción sobre el aborto que ya ganó la Palma de Oro en el pasado Festival de Cannes y que ahora compite por las principales categorías de estos premios (mejor película, director, guión y actriz).

También cabe destacar las tres nominaciones (película, director y guión) de otra ganadora en Cannes: la turco-alemana Al otro lado de Fatih Akin. Y, por último, subrayar la nominación en la categoría de mejor película a la francesa Persepolis: la segunda película de animación que compite en esta categoría después de ‘Chicken Run’.

En el apartado de nominaciones a películas españolas, la coproducción franco-alemano-española El perfume cuenta con cuatro candidaturas en los apartados de mejor actor (Ben Whishaw), cinematografía, diseño de producción y música original. La superproducción Alatriste de Agustín Díaz Yanes se tiene que conformar con una nominación en el apartado de excelencia técnica para la estilista Lucia Zucchetti.

Apocalypse Now, com musica do grupo The Doors - The End

Apocalypse Now - Ride of the Valkyries

Apocalypse Now - King Crimson Epitaph Tribute

If you think Apocalypse Now is one of the greatest things ever put on film (like me) watch this the song is epitaph by king crimson i always thought of this movie when i listen to this song the meanings collide with one another they are both based on human terror HORROR
lokimlin

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LF

La memoria como derecho humano

Civilización y Barbarie

La cita es el próximo miércoles 7 a las 6 de la tarde, allí donde la costanera porteña se junta con la calle Obligado, al costado de la Ciudad Universitaria. Exactamente en el predio junto al río donde se alza el Parque de la Memoria.

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A esa hora se inaugurará el Monumento a las Víctimas del Terrorismo de Estado.

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Fotografías de Marcelo Brodsky

No es casual su emplazamiento junto al Río de la Plata: en sus aguas fueron arrojadas muchas de las víctimas a las que se recuerda.

La Comisión Pro Memoria nos explica que el monumento fue diseñado "como un corte, una herida abierta en una colina de césped. La intervención paisajística y el trazado recrean el esfuerzo necesario para la construcción de una sociedad más justa y la herida causada por la violencia ejercida por el Estado.



Los nombres de los detenidos desaparecidos y asesinados se asientan sobre estelas de pórfido patagónico a lo largo de un recorrido que comienza en una de las plazas y termina en la rambla, sobre el río. Un recorrido en rampa, procesional, lleva al encuentro con los nombres".

El parque consiste en un grupo de esculturas que apuntan a generar una reflexión en los visitantes en torno al pasado reciente.

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Obra de Dennis Oppenheim

Doce de ellas fueron elegidas mediante el Concurso Internacional "Parque de la Memoria" en el que se presentaron 665 proyectos, provenientes de 44 países.

Los artistas seleccionados fueron: Claudia Fontes, Marie Orensanz, Clorindo Testa, Marjetica Potrc, Dennis Oppenheim, Nicolás Guagnini, Germán Botero, Norberto Gómez, Grupo de Arte Callejero, Nuno Ramos, Juan Carlos Distéfano, Per Kirkeby ,Jenny Holzer, Rini Hurkmans, Leo Vinci, Roberto Aizenberg, Magdalena Abakanowicz y William Tucker.

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Boceto de la obra de Guagnini

De las todas ellas ya están emplazadas tres: la de William Tucker (El Cairo, 1935. Victoria 2001, hormigón blanco y piedra partida 7,60 x 6 x 1,30 m), la de Dennis Oppenheim (Washington, 1938. Monumento al escape 2001 1999, acero, vidrio coloreado y materiales varios 6 x 7 x 2,80 m) y la de Roberto Aizemberg (Entre Ríos, 1928, "Sin título", 2003, bronce laminado 3,90 x 5 x 1,70 m).

Antes de fin de año, se inaugurará la diseñada por Nicolás Guagnini (Buenos Aires, 1966. 30.000 25 columnas de acero de aproximadamente 4 m de altura).

Dice Guagnini, cuya obra reconstruye el rostro de su padre desapareido, en la memoria sobre su proyecto: "A medida que el espectador se desplaza alrededor del cubo comienza a percibir fragmentos, e inclusive repeticiones y distorsiones del rostro, que aparece y desaparece alternativamente en el paisaje del río. Existe un punto de vista ideal que permite la reconstrucción del rostro, de la memoria. Como conclusión a mis motivaciones para realizar esta obra y participar de este concurso quiero señalar que, si bien creo firmemente que desde el campo del arte se puede aportar a la elaboración del inmenso trauma social ocasionado por el genocidio, la única verdadera justicia con la memoria de los desaparecidos es el esclarecimiento de su destino, caso por caso, y la punición legal correspondiente a los culpables, cualesquiera fuese su grado de participación."

"Caso por caso y punición legal": dos ideas que me gustaría que brillasen más allá del parque.


Governo Serra estuda vender toda a participação na Cesp

Proposta anterior era vender só ações excedentes

DA REPORTAGEM LOCAL - FOLHA DE SÃO PAULO

Com o aval do governador José Serra (PSDB), a Secretaria de Fazenda elabora um modelo de privatização para se desfazer integralmente da participação do Estado na Cesp (Companhia Energética de São Paulo), avaliada em cerca de R$ 5 bilhões. Para conduzir o processo, a secretaria contratou o Citibank.
Pela proposta anteriormente em discussão, o governo venderia apenas as ações que excedessem o controle do Estado, como fez o governo federal com o Banco do Brasil e a Petrobras.
Mas, convencido por integrantes da equipe econômica - a começar pelo próprio secretário de Fazenda, Mauro Ricardo Costa -, Serra autorizou o desenho de um modelo de venda de todas as suas ações. O argumento é que não há necessidade o Estado ter uma empresa de geração de energia.
Em meio à ameaça de apagão, este é considerado pelo governo um bom momento para a venda. Mas só quando for concluído o projeto - provavelmente no início do ano que vem- Serra tomará a decisão política sobre a venda.
Como a operação já está autorizada pela Assembléia Legislativa, a idéia é deixar tudo pronto para vender as ações na melhor oportunidade. Segundo tucanos com trânsito no Palácio dos Bandeirantes, a intenção é que a Cesp seja vendida no primeiro semestre de 2008.
Os recursos seriam destinados a obras de infra-estrutura, possivelmente nos trechos Norte e Leste do Rodoanel.
O governo paulista tem 93,68% das ações com direito a voto da Cesp, totalizando 33,37% do capital total da companhia. Outros 35,9% já estão pulverizados no mercado.
Segundo a corretora Brascan, a Cesp tem um valor de mercado superior a R$ 11 bilhões, sendo que a parte do governo está avaliada entre R$ 4,8 bilhões e R$ 5 bilhões. Para a corretora, a privatização da Cesp não depende de qualquer alteração no arcabouço legal, diferentemente do que acontece com a Sabesp, em que há discussão jurídica sobre o poder concedente dos serviços de água e esgoto.
Em outubro, a Cesp teve seu rating (nota) elevado pela agência de classificação de riscos Standard & Poor"s por conta da melhora na estrutura de sua dívida, embora a classificação -que passou de "B-" para "B"- ainda seja de grau especulativo.
O governo de São Paulo implementou nos últimos anos uma completa reestruturação da dívida da Cesp, iniciada com o aumento de capital de R$ 3,2 bilhões com a emissão de novas ações, além de R$ 1,193 bilhão provenientes da privatização da Cteep (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista), em junho do ano passado. Outros R$ 1,2 bilhão foram obtidos com a emissão de bônus e R$ 1,9 bilhão com fundos de recebíveis.
Com a privatização da Cesp, o governo paulista retoma seu antigo programa de desestatização, cujo primeiro passo foi dado em setembro, quando a Secretaria de Fazenda abriu uma licitação para contratar empresas para avaliar o valor e propor um modelo de negócio para 18 empresas estatais.
Entre as estatais objeto de avaliação estão o Metrô, a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), a Dersa, a Imprensa Oficial e a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental).
No final dos anos 1990, o governo paulista vendeu as distribuidoras de energia Eletropaulo, CPFL, Bandeirantes e Elektro, que passaram integralmente ao controle privado. A modelagem de privatização foi desenhada pelo BNDES com o objetivo de levantar recursos para abater a dívida pública.
Depois, foram vendidas as geradoras Parananema e Tietê, antigos braços da Cesp. A última privatização foi a da Cteep, que aconteceu em junho do ano passado. Os recursos obtidos foram utilizados para ajudar no processo de saneamento da própria Cesp.
(CATIA SEABRA E TONI SCIARRETTA)

Mídia: o pluralismo em questão

O episódio da peça publicitária travestida de reportagem sobre o "Bolsa-Aluguel" acabou mostrando as consequências nefastas para a liberdade de imprensa do partidarismo do jornal O Estado de São Paulo: prepotência e censura.

Até hoje as cartas continuam censuradas e de forma arrogante o jornal se recusa a reconhecer o problema.

Mas a questão não se limita a esse exemplo de mau jornalismo, que solapa o pilar essencial da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão que é o pluralismo.

Observem os jornais de São Paulo e perceberão um tratamento diferente das questões políticas nacionais, das que concernem o âmbito estadual ou municipal.

Os temas nacionais são sempre, ou quase sempre, tratados respeitando o pluralismo político. Não tem tema, projeto ou denúncia que não comporte, quase que diariamente, as opiniões do governo ou de sua base e também da oposição.

Assim deve ser, inclusive equilibrando os espaços, independentemente da representatividade maior ou menor das forças políticas. Isto permite que o leitor possa se confrontar com diferentes pontos de vista sobre uma questão.

Pode-se dizer que as manchetes, a distribuição dos artigos e o conteúdo da maioria deles são negativos ao governo ou mais simpáticos à oposição. Mas o pluralismo e a democracia na mídia quase que exigem que as minorias tenham maior destaque até para compensar o poder maior do governo e sua máquina, independentemente do partido que governa.

Isto não justifica o verdadeiro preconceito destilado muitas vezes pelos jornais contra Lula e o PT, nem o viés oposicionista da maioria dos articulistas. Mas o pluralismo está presente, apesar de tudo, garantindo assim o confronto democrático e a diversidade da informação.

Já nas questões de política estadual ou do município de São Paulo o tratamento é radicalmente diferente. O pluralismo se limita às manifestações dos respectivos governos e aos questionamentos, denúncias ou críticas que eventualmente os jornais ou seus articulistas venham a expressar. Excepcionalmente um ou outro opositor aparece citado, mas a menção é rara.

Um exemplo: ontem reproduzi aqui no blog a informação dada pelo Estadão de privatização da CESP pelo governo Serra. Hoje a Folha de São Paulo confirma o teor da reportagem do Estadão (postarei o artigo da Folha depois). Pois bem, em nenhum dos artigos e sobre um tema mais que polêmico, a oposição consegue se manifestar. Ela simplesmente não aparece.

O mesmo pode-se dizer também, sobre a questão do leilão do Rodoanel e o pedágio, com as mudanças anunciadas hoje; nenhum representante da oposição é chamado a dar sua opinião.

Muito raramente, por não dizer quase nunca, os deputados estaduais ou os vereadores do PT são citados e suas posições reproduzidas. Por isso acabou acontecendo a manipulação aqui denunciada sobre o "Bolsa-Aluguel". A correspondente do Estadão "comprou" como verdadeira a informação inverídica do Secretário de Kassab e seu editor nada viu. Tivesse solicitado, conforme ao pluralismo e equilibro jornalístico, uma declaração de algum representante da oposição e a mistificação teria sido descoberta.

A ausência do "outro lado", que não pode ser exclusivamente o próprio jornal e que deveria quase sempre incluir o ponto de vista dos partidos de oposição, nem sempre foi assim. Durante o governo de Marta Suplicy, a oposição tinha espaço e destaque em todos os jornais. Suas manifestações, pronunciamentos, críticas etc. quase que sempre eram acolhidas de forma democrática e pluralista pela mídia impressa.

A mudança de atitude é flagrante. Isto contribui para o processo de enfraquecimento do papel da mídia impressa e a sensação de parcialidade que provoca sua leitura. Este afastamento dos leitores, reforçada pelo surgimento da mídia na internet e nos blogues, não deveria suscitar a alegria de ninguém. Trata-se de um empobrecimento da democracia e de um dos seus principais instrumentos: uma imprensa independente e pluralista ou seja, com credibilidade.

Luis Favre

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

L'Opéra Imaginaire: Lakmé - Léo Delibes - "Viens Mallika ...". Para Teo

Uma beleza em desenhos, nas imagens, em criatividade e na música sublime.

Para todas as idades a consumir sem moderação.

"A oposição pode estar acordando um dragão"

Blog de Noblat

Terceiro mandato

Papo rápido com Fernando Ferro (PT-PE)

- O que diz exatamente sua proposta de emenda a respeito da reeleição infinita?


- Não defendo reeleição infinita. Defendo o fim da reeleição e o mandato único de seis anos -, responde Fernando Ferro, fundador do PT em Pernambuco e vice-líder do partido na Câmara.


- A emenda nada fala sobre reeleição infinita?


- Não. A confusão é porque minha proposta estava apensada com duas outras emendas, de autoria dos ex-deputados Inaldo Leitão (PL-PB) e Roberto Valadão (PMDB-ES). A do ex-deputado Inaldo Leitão é que sugere a reeleição infinita.


- Por que pediu ao presidente da Câmara o desarquivamento de sua emenda?


- Pedi o desarquivamento de todas as minhas propostas da última legislatura. Essa veio junto a outras 47.


- O PT apóia sua emenda?


- O partido ainda não discutiu isso. Ficam dizendo por aí que os amigos do presidente Lula estão articulando para que ele permaneça no poder, mas o presidente não precisa de um “amigo” que levante esse tipo de discussão no momento em que governo debate com a oposição a prorrogação da CPMF.


- Se não são os amigos de Lula que levantaram o assunto do 3º mandato, quem foi?


- Tudo não passa de um jogo oposicionista para levantar debate em torno do assunto e indispor o governo frente à população, o que pode gerar resultado contrário e o presidente Lula ficar ainda mais popular. A oposição pode estar acordando um dragão.

CESP é o primeiro alvo de Serra: Será privatizada!


Lembrem: José Serra negou que pretendia privatizar a empresas estatais paulistas. Afirmava que os estudos procuravam somente saber o valor das mesmas. Na lista figuram 18 empresas do Estado, incluídas Nossa Caixa, Sabesp, Metrô etc.

O nariz de Serra amanheceu hoje um pouco maior.

Agora é oficial, a primeira da lista é a CESP!

Governo de SP contrata Citi para privatizar Cesp

A iniciativa de vender a Companhia Energética de São Paulo faria parte de um pacote de privatizações em estudo no governo de José Serra

Teresa Navarro, Elizabeth Lopes, Paulo Fortuna e Renée Pereira\ O Estado de São Paulo

A Companhia Energética de São Paulo (Cesp) contratou o Banco Citibank para fazer a avaliação, modelagem e execução de venda de participação acionária detida pelo Estado no capital da empresa estatal. O acordo foi fechado no dia 18 de outubro, segundo fato relevante divulgado ao mercado ontem, no início da noite. Vinte dias antes a secretária de Saneamento de Energia de São Paulo, Dilma Pena, havia afirmado que a empresa não estava em nenhuma lista de venda.

A privatização da Cesp faz parte de um pacote de venda de empresas em estudo no governo do Estado de São Paulo. “Todas as companhias com controle do Estado serão analisadas e submetidas a estudos com vistas à privatização”, afirmou uma fonte ligada ao governo.

A secretária Dilma Pena confirmou que foi dada a ordem de serviço, pela Secretaria da Fazenda, para que o consórcio liderado pelo Citibank realize a avaliação, modelagem e execução de venda do controle da empresa hoje nas mãos do Estado.

Dilma disse que a ordem de serviço foi dada para “a possível venda do controle acionário da companhia”. Entretanto, afirmou que isso não quer dizer que a empresa será privatizada. Tudo vai depender de o negócio ser vantajoso para o governo. Segundo ela, é por isso que a avaliação será feita.

No caso da Cesp, segundo uma fonte, a idéia agora é que a empresa seja vendida inteira. No ano passado, chegou-se a cogitar a venda separada de ativos. Fontes do mercado disseram na ocasião que essa discussão chegou a ser feita junto com o banco UBS, que fez a primeira privatização da Cesp, com a venda fatiada. A fonte não soube informar prazos para a privatização, mas estima que os estudos a serem realizados pelo banco devem levar cerca de seis meses. “Isso com base em processos semelhantes realizados anteriormente”, afirmou.

O trabalho a ser entregue pelo Citibank ao governo estadual deve conter várias informações relevantes sobre a empresa e sobre o mercado. Além do valor dos ativos da empresa, a avaliação e modelagem mostrará quem são os possíveis interessados na empresa e o que eles pretendem. “O governo quer saber se o investidor se interessaria pelo ativo se o controle da empresa continuasse com o Estado”, afirmou uma fonte ligada ao processo, destacando que o governo mostrou deter poucas informações sobre a empresa. Foi o que os representantes demonstraram durante uma reunião com a empresa.

Os sinais de retomada do Plano de Privatização do Estado começaram a surgir em agosto, quando o governo estadual abriu licitação para contratar a empresa que fará uma varredura nas participações acionárias da administração nas empresas estaduais. O governador José Serra queria saber quanto valem as ações no mercado para decidir quais e quantas colocaria à venda, conforme informou uma reportagem do Estado, em 24 de agosto. O levantamento será feito em todas as estatais.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Richard Wagner: Tristan und Isolde - Prelude

Zubin Mehta conducting Bayerische Staatsoper Bayerisches Staatsorchester (National Theatre Munich)

Tristan und Isolde de Richard Wagner - Liebestod por Waltraud Meier

Jornal O Estado de São Paulo: após artigo fajuto, a censura

Cartas censuradas e pluralismo ignorado

O jornal O Estado de São Paulo insiste em silenciar os fatos que indicam que o artigo sobre o "Bolsa-Aluguel" era uma peça publicitária a serviço da administração Kassab. Até hoje nenhuma palavra.

Para lembrar: o artigo em questão dizia que inspirado na sua visita a Nova York, onde ainda se encontra, o secretário de Assistência Social da Prefeitura de São Paulo , Floriano Pessaro, iria propor a criação do programa "Bolsa-Aluguel". Acontece que esse programa já existia em São Paulo, criado por Marta Suplicy e foi fechado pelo próprio Floriano Pessaro. Mais ainda, os beneficiários do programa tiveram que recorrer a justiça contra o governo municipal para preservar seus direitos e o judiciário acolheu favoravelmente o pedido obrigando a Prefeitura a continuar pagando o "Bolsa-Aluguel". (ver neste blog O jornal O Estado de São Paulo continua a se fingir de morto; Refrescando a memória do Estadão; Administração Kassab, com ajuda do Estadão, vai até New York para descobrir o que a Marta já fez; um artigo por dia com reprodução de farto material sobre o "Bolsa-Aluguel").

Quatro dias já se passaram e o jornal não dá nenhuma explicação. Pior, uma carta do Deputado Federal Paulo Texeira e outra missiva do Vereador Antonio Donato até hoje não foram publicadas apesar de estarem em possessão dos responsáveis do jornal desde o mesmo dia em que a generosa página foi publicada (ver as cartas de ambos, a seguir).

O jornal é um auto-proclamado defensor da liberdade de imprensa e da democracia. Mas a democracia e a liberdade de imprensa são inseparáveis do pluralismo e incompatível com a censura. Neste caso, claramente, o jornal ignora o pluralismo e se serve da censura.

Sonegando a informação aos seus leitores, a própria liberdade de imprensa é deturpada e confiscada em beneficio de um lado, de uma versão e no caso, pior, de uma mentira.

Os leitores do jornal, entre os quais me encontro, merecem e esperam que o jornal volte atrás e corrija o erro, levante a censura e permita a expressão plural nas suas páginas.

Luis Favre

As cartas não publicadas pelo Estadão

São Paulo, 29 de outubro 2007

Programa Bolsa Aluguel já existe em São Paulo
Quando secretário da habitação na gestão da prefeita Marta Suplicy, criamos, em janeiro de 2004, através de resolução do Conselho Municipal de Habitação, o Programa Bolsa Aluguel com o objetivo de conceder subsídio para locação de imóvel, viabilizando o acesso de famílias de baixo poder aquisitivo a uma moradia digna no município de São Paulo.
Mais de 1.400 famílias, inclusive moradores em situação de rua, foram beneficiadas e outras 1.000 foram aprovadas para o atendimento.
No entanto a atual gestão do Município de São Paulo interrompeu o programa. As famílias que locaram os seus imóveis pelo Bolsa Aluguel só não foram despejadas no final dos 30 meses de locação, em função da liminar concedida pela Fazenda Pública, a pedido do Ministério Público, que garantiu a prorrogação da concessão do benefício pela Prefeitura.

Paulo Teixeira
Deputado Federal – PT
Secretário da Habitação do Município de São Paulo (2001 a 2004)

São Paulo, 29 de outubro 2007

Nova York é aqui

É impressionante ver o secretário municipal de Assistência Social, Floriano Pesaro, reinventar a roda. A reportagem “SP cria 'bolsa aluguel' para morador de rua e estuda projetos de Nova York” (Metrópole, 29/10) expõe que ele trabalha para “subsidiar o aluguel de apartamentos para quem hoje está nas ruas”. Na verdade, a gestão Marta Suplicy já fazia isso. Alugava quartos em hotéis e casas para moradores de rua. O pior é que justamente a atual administração municipal tentou acabar com o programa bolsa aluguel criado na gestão Marta Suplicy e que subsidia famílias de baixa renda que não têm condições de pagar um aluguel ou comprar um imóvel. O programa está mantido por força de liminar concedida pelo juiz Emílio Muigliano Neto, da 7ª Vara da Fazenda Pública, em Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público. Se não fosse a determinação do juiz, hoje mais 1.473 famílias, cerca de 6.000 pessoas, poderiam estar nas ruas. Os contratos firmados na gestão Marta tinham vigência por 30 meses, e a atual gestão não iria renová-los. É, no minímo, extravagante ver agora o secretário Pesaro ir a Nova York para conhecer uma política que ajudou a desmontar aqui. Bastava ter dado andamento ao que existia, para já estarmos colhendo melhores resultados.

Antonio Donato (vereador, PT)

Adoro bruxas

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Nus, com abóboras na cabeça?
Sim, é isso mesmo! Viu bem! Centenas de pessoas nuas com abóboras na cabeça correm pelas ruas de Boulder, no Colorado, EUA, na noite de 31 de Outubro, para mais uma edição da Naked Pumpkin Run. O que é afinal esta Naked Pumpkin Run? Para quem ainda tenha dúvidas, os organizadores da corrida, que até têm site (interdito a menores), em www.nakedpumpkinrun.org , esclarecem num espaço dedicado a perguntas e respostas: "O que é que lhe parece que é?" - sem mais. Existente desde 1999, a corrida é descrita como um acto contra a monotonia outonal de um grupo de adultos conscientes que correm por sua conta e risco. E a sensação, dizem, é "indescritível"....Foto: Rick Wilking/Reuters

Economic Balancing Act for Argentina’s Next Leader

Marcos Brindicci/Reuters

Cristina Fernández de Kirchner with her husband, Néstor, on Tuesday.


By ALEXEI BARRIONUEVO

The New York Times

BUENOS AIRES, Oct. 31 — The landslide victory of Cristina Fernández de Kirchner, the wife of Néstor Kirchner, Argentina’s current president, seemed to signal that the Peronist party was back and stronger than ever. But the way she won the presidency and the economic challenges she faces will prove a stiff test of her abilities to keep the couple in power.

Mrs. Kirchner, 54, won on Sunday with 45 percent of the vote, becoming Argentina’s first woman to be elected president and cementing the Kirchners as a political dynasty.

Her closest challenger, the center-left Congresswoman Elisa Carrió, garnered 23 percent. But an analysis of the vote shows that the president-elect won in only two major urban centers — Mendoza and San Miguel de Tucumán — drawing most of her support from the provinces where the lower classes voted with nationalistic fervor to continue Mr. Kirchner’s economic policies, which managed to pull Argentina out of its 2001 economic crisis, considered by many economists to be the country’s worst ever.

The aging Peronist party that carried her to victory has gone through so much change in the past decade that it is in “bad need of some vitamins,” said Graciela Römer, a political analyst here.

Mrs. Kirchner inherits double-digit inflation and a lurking energy crisis, two issues that will be difficult to address without alienating the poor classes that are the most vulnerable to economic shocks.

But her ultimate success in building her party’s base and shoring up the Peronists’ grip on power could depend on her ability to respond to the demands of the middle class, which has been critical of the authoritarian tendencies of the Kirchner government. Mrs. Kirchner failed to win in Buenos Aires, Córdoba and Rosario — three cities with substantial middle-class populations.

“She will have to continue with the economic policies of Kirchner but put a stop to the concentration of power,” Ms. Römer said, “and look to build more dialogue and consensus.”

Peronism, a populist and nationalistic movement that sprang out of the rule of Gen. Juan Domingo Perón, the former president, has in recent years become three parties in one, with Mr. Kirchner leading the center-left strain with more pragmatic tendencies. But his mandate was tenuous in 2003, when he mustered only 22 percent of the vote on the first ballot. Former President Carlos Menem, another Peronist who espoused a neoliberal model, dropped out of contention, making a runoff unnecessary.

Even with Mrs. Kirchner’s large margin of victory, the government’s ability to maneuver could be more limited than before, analysts said this week. The new president is likely to inherit her husband’s falling approval rating, as voters make little distinction between her and Mr. Kirchner, Daniel Kerner, an analyst with Eurasia Group, said this week.

And the government will have its hands full taming rising consumer prices. Mrs. Kirchner has insisted that official government figures showing inflation between 8 percent and 10 percent have not been manipulated, but economists both here and abroad have said otherwise for months, pegging the inflation rate at closer to 20 percent.

The government intends to lower inflation through a “social pact” between the private sector and unions that would keep a lid on prices and wage-increase demands, and through a gradual fiscal adjustment. But measures that could slow growth or constrain consumption will be politically unfeasible, Mr. Kerner said, as they will undermine the government’s base of support.

An advantage Mrs. Kirchner has, however, is the fractured state of Argentina’s opposition. Julio Burdman, a political analyst here, called the opposition’s organization the weakest in Argentine history. Opposition parties briefly rallied to protest missing ballots on election night, a charge that Mrs. Kirchner said should be investigated.

Mrs. Kirchner is expected to have a strong ally to help plug the holes in the Peronist party apparatus — her husband. Mr. Kirchner said in interviews last week that he would dedicate himself after the election to “constructing social organizations,” a signal some analysts took to mean that he plans to shore up the party.

If he is successful, that might be just enough time for him to make a run at replacing his wife as president, rather than her risking lame-duck status. Some analysts believe Mr. Kirchner had just such a plan in mind when he decided in July not to run for re-election, despite his popularity at the time, and instead pushed his wife’s candidacy in a sort of merry-go-round presidency.

The Kirchners have been coy about their political strategy. Mr. Kirchner said publicly on Tuesday that he would “take off for a literary cafe.” In an interview with CNN in Spanish on Tuesday, Mrs. Kirchner seemed to scoff at the idea of an alternating succession.

“Kirchner 2011 is like ‘2001: A Space Odyssey,’ ” she said. “It is a fictional movie.”

M. Delanoë prend la défense de maires africains "interdits de séjour à Roissy"

Bertrand Delanoë, le 19 octobre dans un café à Paris. Le maire de Paris a adressé une lettre à Nicolas Sarkozy pour protester contre le refus des autorités françaises de délivrer des visas à des "élus et hauts fonctionnaires africains". | AFP/JEAN AYISSI

AFP/JEAN AYISSI
Bertrand Delanoë, le 19 octobre dans un café à Paris.
Le maire de Paris a adressé une lettre à Nicolas Sarkozy
pour protester contre le refus des autorités françaises de
délivrer des visas à des "élus et hauts fonctionnaires africains".



Bertrand Delanoë, maire de Paris, auquel se sont associés d'autres maires et élus locaux français, a adressé, mercredi 31 octobre, une lettre à Nicolas Sarkozy pour protester contre le refus des autorités françaises de délivrer des visas de transit à plusieurs "élus et hauts fonctionnaires africains".

"De nombreux collègues africains"
se sont retrouvés, selon M. Delanoë, "interdits de séjour à Roissy". Ils "avaient réservé leur vol sur Air France" en vue de se rendre - via Paris - au deuxième congrès mondial de l'organisation Cités et gouvernements locaux unis (CGLU), organisé sur l'île de Jeju (Corée du Sud) du 28 au 31 octobre. M. Delanoë a été élu à cette occasion à la tête de cette organisation internationale qui regroupe des élus locaux de 136 pays. "C'est un peu l'ONU des élus locaux", précise le maire de Paris, qui préside par ailleurs l'Association internationale des maires francophones.

Sept maires camerounais invités en Corée ont déploré, dans un courrier à M. Delanoë, "l'attitude humiliante" du consulat général de France à Yaoundé, qui leur a "purement et simplement" refusé un visa de transit. Ils ont dû rallier la Corée du Sud à bord de Suisse Air, en transitant par l'Allemagne, la Suisse et la Chine, "sans exigence de visa aéroportuaire" de la part de cette compagnie, précisent-ils.

Brice Hortefeux, ministre de l'immigration et de l'identité nationale, a saisi, mercredi, le directeur des Français de l'étranger et des étrangers en France pour connaître les "motifs" du rejet de visa par la France, "si tel a bien été le cas".

Béatrice Jérôme - Le Monde

Em 2000 um terceiro mandato era constitucional, hoje é blasfêmia imoral

Graças ao jornal Folha de São Paulo de hoje, acabamos descobrindo que um golpe de Estado foi tramado em 2000. Não consta oposição, na época, de nenhum Ministro do STF. Ninguém falou em blasfêmia e chavismo. A mídia não pós a boca no trombone. Porem, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara de Deputados tinha aprovado, no ano 2000, um parecer favorável a um terceiro mandato para o Presidente da República.

Não foi uma artimanha do PT, nem da base aliada do governo Lula. O Presidente em 2000 era Fernando Henrique Cardoso. Ele já tinha, digamos com casuísmo, mudado a constituição para se reeleger em 1998 e a CCJ considerava perfeitamente valido um eventual terceiro mandato.

A CCJ era presidida pelo Deputado Osmar Serraglio, o mesmo que presidiu a CPI dos Correios. Nenhum dos parlamentares do PFL (hoje DEM), nem do PSDB, manifestou qualquer reparo ou objeção. Segundo informa a Folha a CCJ é "Composta por parlamentares com formação em Direito e dirigentes partidários, a comissão é considerada trincheira na Casa e dificilmente o governo conseguiria aprovar novamente o texto hoje. O relator na comissão, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), considerou, na época, a proposta constitucional. O texto foi aprovado em votação simbólica; apenas o então deputado Bispo Rodrigues (RJ) foi contra."

Os jornais nada alertaram, o Estadão não fez nenhum editorial sobre o conteúdo liberticida da emenda aprovada. Nem Dora Kramer, Merval Pereira ou Diogo Mainardi.

É verdade, a situação era diferente em 2000 e por dois motivos. Um, o presidente era FHC e não Lula. O segundo motivo se desprende do primeiro: ninguém teria votado para reeleger Fernando Henrique para um terceiro mandato.

Deixando de lado a boutade, perceberam quanto cinismo sai da boca dos opositores ao governo Lula e se espalha na mídia?

Luis Favre

Estudo indica que ser magro ajuda a evitar o câncer

Reuters

LONDRES - Manter-se magro, evitando o consumo excessivo de carne vermelha e bebidas alcóolicas, é uma das melhores maneiras de prevenir o câncer, revelou um novo estudo. O Fundo Mundial de Pesquisas sobre o Câncer (WCRF) afirmou que a ligação entre o acúmulo de gordura no corpo e o câncer é mais direta do que se imaginava.

O estudo encontrou evidências convincentes de ligação da obesidade com seis tipos de câncer, cinco a mais que a última pesquisa do tipo, feita há dez anos. Os seis tipos são: câncer de esôfago, de pâncreas, do endométrio, de rim, de mama (pós-menopausa) e colorretal.

" Recomendamos que as pessoas evitem o ganho de peso durante a vida adulta "

- Estamos recomendando que as pessoas se mantenham o mais magras possível dentro da faixa saudável, e que evitem o ganho de peso durante toda a vida adulta - disse o professor Michael Marmot, presidente do grupo de 21 cientistas eminentes que compilou o relatório.

O documento, que selecionou 7.000 estudos de um universo mundial de 500 mil realizados desde o início dos registros, nos anos 1960, traz cinco conclusões fundamentais. Uma delas é que as carnes processadas, como presunto e bacon, elevam o risco de câncer colorretal e devem ser consumidas com parcimônia.

Outra é a ligação entre a carne vermelha e o mesmo câncer colorretal. As pessoas não devem comer mais que 500 g de carne vermelha cozida por semana - ou entre 700 g e 750 g de carne crua.

O levantamento também mostrou a conexão entre o álcool e o câncer. As pessoas devem limitar seu consumo a duas doses ao dia para homens e uma para mulheres. Uma dose é equivalente a um copo de cerveja ou uma taça pequena de vinho.

O documento incentiva a amamentação, já que evidências mostraram que o aleitamento protege a mãe do câncer de mama.

" São as orientações mais definitivas já disponibilizadas para prevenir o câncer "

- Este relatório é um verdadeiro marco na luta contra o câncer, porque suas recomendações representam as orientações mais definitivas já disponibilizadas no mundo para prevenir o câncer - disse o professor Martin Wiseman, diretor de projeto do estudo.

Os cientistas acreditam que um dos motivos para a ligação da gordura com o câncer seja o desequilíbrio hormonal. Pesquisas mostraram que as células adiposas secretam hormônios como o estrogênio, que aumenta o risco de câncer de mama, e que a gordura acumulada na cintura estimula o corpo a produzir hormônios de crescimento.

O relatório recomenda 30 minutos de atividade física moderada por dia, aumentando para até 60 minutos; tomar água, em vez de bebidas com açúcar; comer frutas e alimentos de origem vegetal; e limitar o consumo de sal.

Briga entre tucanos é de arrancar plumas

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Jornal da Tarde

TSE rejeita contas da campanha de Alckmin e do PSDB


A Coordenadoria de Exame de Contas Eleitorais e Partidárias do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu um parecer nesta quarta-feira que sugere a rejeição da prestação de contas do candidato à Presidência da República pelo PSDB em 2006, Geraldo Alckmin, e do Comitê Financeiro Nacional do partido durante a última campanha eleitoral. A análise aponta infrações como doações de fontes vedadas no valor de R$ 326,6 mil.

Os técnicos do TSE recomendam a rejeição das contas devido à ausência da declaração das doações estimáveis em dinheiro, relativas aos gastos realizados pelo Comitê Financeiro Nacional do PSDB em benefício do candidato.

A perícia mostra ainda a realização de despesas anterior à abertura de conta bancária, despesas sem identificação da documentação fiscal, doações declaradas sem correspondência no extrato bancário, créditos no extrato bancário sem identificação, estornos de entrada e saída da conta bancária do comitê sem identificação e dívida de campanha, no valor de mais de R$ 19 milhões.

Os técnicos listaram como irregulares doações das empresas Armazéns Gerais Columbia S.A. (R$ 15 mil); Companhia Nacional de Armazéns Gerais Alfandegados (R$ 10 mil); Companhia Energética Meridional; (R$ 300); Sindicato da Indústria de Parafusos, Porcas, Rebites e Similares no Estado de São Paulo (R$ 1 mil); e Sindicato das Empresas de Compra e Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (R$ 600).

Em outro parecer, os técnicos sugerem ainda que o PSDB seja intimado a prestar esclarecimentos e apresentar documentações com relação às contas referentes ao exercício financeiro de 2006. (Informações do JB Online)



Escrito por Magno Martins

Candidatura própria em 2010 é principal bandeira de Tatto no PT

César Felício
Valor


Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem
Jilmar Tatto defende que legenda dispute a hegemonia dentro do governo: "O PT é um gigante adormecido"


Deputado de primeiro mandato mais conhecido fora do PT pelo poder de sua família na Capela do Socorro, uma região muito pobre da periferia de São Paulo, Jilmar Tatto ascende dentro do partido na disputa pela presidência da sigla, fazendo da defesa da candidatura própria petista à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma de suas principais bandeiras.


"O PT é um gigante adormecido, que precisa disputar a hegemonia dentro do governo, para deslocá-lo do centro para a esquerda. Para isso é preciso uma direção forte, que dê opinião sobre 2010. O candidato tem que ser escolhido de forma combinada com o presidente, dentro das fileiras do partido, sem relação de vassalagem e de correia de transmissão", afirma Tatto.


O deputado lembra a eleição para a presidência da Câmara de seu aliado interno, Arlindo Chinaglia, como um exemplo de afirmação do partido contra a vontade do presidente e da direção nacional. "O governo não queria o Chinaglia, queria a eleição do Aldo Rebelo (PCdoB-SP). O partido conseguiu se articular internamente e mostrar para o presidente que o melhor era o que o PT queria. Este processo pode se repetir", diz.


Há três cenários de maior probabilidade hoje na eleição interna do PT, que deve ocorrer no dia 2 de dezembro: a vitória do atual presidente Ricardo Berzoini, do antigo Campo Majoritário, ainda no primeiro turno, por estreita margem, ou a realização de um segundo turno, contra Tatto ou o deputado federal José Eduardo Martins Cardozo, do grupo Mensagem.


Os candidatos que representam a esquerda petista, como o dirigente Valter Pomar, por exemplo, têm menos chances porque não fizeram alianças nesta eleição com os setores centristas da sigla. Cardozo reúne um grupo composto pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, e pela corrente de esquerda Democracia Socialista, de Raul Pont, segunda colocada no processo interno em 2001 e 2005. Tatto é impulsionado pelo apoio do Movimento PT, liderado pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, e por lideranças petistas de expressão local. Berzoini conta com o apoio de cerca de 40% da bancada no Congresso.


Radicalmente contrário a um candidato não-petista em 2010, Tatto toma cuidado em não se identificar com a defesa de um terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O presidente do Brasil a partir de 2011 não será Lula. Jamais se conversou dentro do partido sobre a hipótese de se mudar as regras já estabelecidas para o jogo da sucessão. Sou contra a discussão disso", afirma.


Ex-secretário municipal de Transportes no governo Marta Suplicy, Tatto é a favor da candidatura da atual ministra do Turismo para a Prefeitura de São Paulo no próximo ano. Segundo Tatto, o PT deve jogar suas melhores cartas em 2008 para reforçar a tese da candidatura própria. "O PT tem que entrar em 2008 com seus melhores nomes e o Diretório Nacional deve chamá-los à responsabilidade e conduzir as sucessões municipais a partir daí. A eleição do próximo ano não pode ficar ao sabor das lideranças locais e das situações regionais. Tem que jogar um papel para 2010, ainda que não determinante", diz.


Atual terceiro vice-presidente da sigla, eleito em 2005, Tatto destacou-se nos dois últimos anos por ser um defensor aberto da política econômica desenvolvida pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e pelo atual, Guido Mantega. No seu processo de campanha, o deputado pouco fala de questões econômicas e descarrega sua ênfase em bandeiras políticas: tornar o Diretório Nacional, onde as correntes minoritárias estão melhor representadas, o órgão mais importante de deliberação do partido e reivindicar mais espaço para o PT no governo Lula, ou, como diz, "disputar hegemonia".


O deputado se sente incomodado quando apontado como novidade na eleição interna petista. "Há dez anos ocupo cargos de direção dentro da sigla. Dentro do PT sempre tive voz, ainda que até hoje a minha corrente própria (PT de Lutas e Massas) seja muito pequena", diz.


Em 2006, Tatto conseguiu ser o quarto deputado federal mais votado de São Paulo entre os eleitos do partido, atrás de João Paulo Cunha, Arlindo Chinaglia e Antonio Palocci. A passagem pela Secretaria de Transportes, onde trabalhou na implementação do programa de bilhete único, foi fundamental no resultado. Durante a campanha eleitoral, contudo, Tatto foi alvo de denúncias.


O parlamentar foi acusado de envolvimento com a máfia do transporte clandestino em São Paulo, que tem vinculações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), pela autoria de uma concessão de transporte para a cooperativa Cooper Pam, supostamente ligada à organização criminosa.


"Fui uma vítima neste processo todo, sofri ameaças de morte. Meus contratos com as cooperativas foram aprovados no Tribunal de Contas. Como ia saber que alguém lá tinha problemas com a Justiça? O Ministério Público não acatou a denúncia da Polícia Civil e o procurador-geral da República arquivou o caso depois que virei deputado. O assunto morreu, zerou", afirma.

Recado aos DEMos: Papa avisa, bom cristão paga impostos

O papa Bento XVI disse, durante uma audiência no Vaticano, que é dever do bom cristão pagar seus impostos, por mais que sejam “desagradáveis e onerosos”.

A recomendação foi dada em audiência dedicada a São Máximo de Turim, bispo do século 5 e defensor da “relação profunda entre os deveres do cristão e os do cidadão”.

O papa disse que “viver a vida cristã significa assumir os empenhos civis” e que, por isso, o bispo “trabalhava para despertar o amor por sua pátria e exaltava o dever de enfrentar os impostos, por mais que pareçam onerosos”.

“Embora as condições tenham mudado, os deveres dos fiéis para com sua cidade e pátria sempre serão válidos”, disse. No final da audiência, Bento XVI foi presenteado com um trator New Holland, da Fiat. O veículo será usado para transportar a plataforma móvel usada nas audiências gerais das quartas-feiras, na Praça São Pedro. Jornal da Tarde

Emagreça correndo


[+] corrida Rodolfo Lucena


Se você veio faminto e sedento para este texto, atraído pela promessa do título, saiba desde já que foi enganado. Só correr não emagrece nem dá direito a se empapuçar de gostosuras.
Claro que ajuda, e há muitas histórias sensacionais de gente que saiu da obesidade para as maratonas. Mas também tem muita gente rodando quilômetros e mais quilômetros sem perder um maldito grama -é o caso deste que vos escreve.
A triste e dura realidade da vida é que nada (ou quase nada, vá lá) vem sem algum esforço. Emagrecer, então, é uma dificuldade no mundo sedentário de hoje, cercado de hambúrgueres e salgadinhos, chocolates cremosos, sorvetes, costelas gordas, picanhas cheirosas e pães esplendorosos.
Ouvimos promessas milagrosas de tudo quanto é tipo, e alguns de nós chegam a tentar experimentá-las. Mas, ao fim e ao cabo, o que é preciso mesmo é fechar a boca, acertar a alimentação e fazer algum exercício.
A caminhada e a corrida logo aparecem como opções para quem quer experimentar as delícias e os prazeres da vida saudável ou precisa mudar de hábitos para conseguir continuar levando a vida na esbórnia. Mas adivinhe o quê? Correr e caminhar também não é coisa fácil para quem passa a vida sentado em frente ao computador ou deitado no sofá vendo TV.
Há que dar o primeiro passo, mas não dá para fazer como o sujeito que diz que parar de fumar é fácil -só ele já parou 17 vezes. É preciso exigir sempre um pouquinho mais do corpo, do cérebro e da vontade, dando-lhes também a contrapartida de descanso e tempo de recuperação.
As recompensas chegam. Não com soar de clarins e rufar de tambores, mas devagar, simples e silenciosas. Um dia, você descobre a maravilha que é subir escadas sem bufar ou correr lado a lado com seu filho pequeno. Você pode até entrar numa corrida e levar uma medalha para casa, conquista que só você saberá quão difícil e suada foi.
Dá até para emagrecer, pelo menos nos primeiros meses. Sua carga de exercícios vai do quase nada para o mais um pouco, e a balança se retrai. Mas cuidado para não se fiar na capacidade milagrosa da corrida e cair na esbórnia confiando nos quilômetros no asfalto. Eu sou rei em fazer isso e estou sempre correndo atrás da balança. Afinal, emagrecer exige, como a corrida, constância, continuidade e compromisso.


RODOLFO LUCENA, 50, é editor de Informática da Folha, ultramaratonista e autor de "Maratonando, Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes" (ed. Record)
rodolfolucena@folha.uol.com.br
www.folha.com.br/rodolfolucena


HISTÓRIA EXTRAORDINÁRIA
"Meu primeiro objetivo é chegar; o segundo é chegar vivo", diz Todd Starnes, âncora da rádio Fox News, que vai correr a maratona de Nova York no domingo, dois anos e meio depois de, pesando cerca de 140 quilos, ter ficado entre a vida e morte numa mesa de cirurgia. Depois da operação, ele fez da maratona seu objetivo, agora prestes a ser alcançado, conforme relata na internet (leia mais no meu blog).

CPMF: A conta não fecha, constata Palocci

Lula Marques/Folha Imagem
Antonio Palocci entre pilhas de abaixo-assinado contra a CPMF


Carga tributária só cai com cortes, diz ex-ministro

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Os constantes pedidos de redução da carga tributária só serão atendidos quando houver corte do gasto público. O aviso foi dado pelo ex-ministro da Fazenda e atual deputado federal Antonio Palocci (PT-SP). Para ele, é impossível manter o discurso de que a CPMF vai acabar e, ao mesmo tempo, a saúde vai receber mais verbas. "A conta não fecha", diz.
Em sessão na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, muitos questionaram Palocci sobre a alta da carga tributária no período em que era ministro. "É perfeitamente possível fazer uma redução da carga tributária se também houver uma redução dos gastos. Se isso não acontecer, teremos um impasse nas contas", disse.
O discurso mais forte de Palocci aconteceu no mesmo dia em que governo e senadores da oposição fecharam o aumento da verba para a saúde. "Se de dia a gente cortar a carga tributária e à tarde aumentarmos os gastos, a conta não vai fechar", disse.
Na mesma audiência, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, entregou um abaixo-assinado contra a prorrogação.

Indústria tem o maior uso de capacidade em 31 anos

Apesar da produção aquecida, sondagem da FGV não detecta pressões significativas por reajustes de preços neste trimestre

Márcia De Chiara - O Estado de São Paulo

Pelo segundo mês consecutivo, o uso da capacidade de produção da indústria de transformação atingiu níveis recordes. Em outubro, o indicador chegou a 87%, a maior marca em 31 anos, desde outubro de 1976 , quando havia atingido 89%, segundo a Pesquisa Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgada ontem. Na comparação com setembro, o avanço foi de 0,9 ponto porcentual e de 2,8 pontos ante outubro de 2006.

Coincidência ou não, no início do mês passado, em Florianópolis (SC), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva citou exatamente esse índice quando conclamou os empresários a investirem e produzirem mais, alertando para os efeitos do excesso de demanda sobre os preços.

Apesar de a capacidade de produção estar pressionada, a sondagem, que consultou no mês passado mais de mil empresas com faturamento total de R$ 553,6 bilhões por ano, mostra que não há um aumento na intenção de elevar preços neste trimestre em relação aos anteriores. Na média da indústria, 31% delas informaram que querem reajustar preços, ante 32% nos dois últimos trimestres.

“Se neste momento, que é o ápice de produção da indústria, não está ocorrendo pressão de preço generalizada, nada indica que a situação ficará crítica nos próximos meses”, disse o coordenador da pesquisa, Aloisio Campelo. Na sua avaliação, isso revela que o investimento está ocorrendo e o câmbio em baixa, que facilita a importação, contribui para segurar os preços. O quadro é favorável mesmo com o petróleo em alta.

Campelo disse que a pressão no uso da capacidade das fábricas não é generalizada e que a situação é crítica em três setores, dos 21 pesquisados. São eles: indústria mecânica, de material de transporte e de alimentos. A sondagem mostra que nesses setores há uma escassez maior de matérias-primas. De acordo com a sondagem, aumentou também o tempo que as fábricas levam para receber as matérias-primas, o que pode indicar o aquecimento da produção. Em outubro, 12% das empresas informaram um acréscimo nos prazos, ante 2% em outubro de 2006.

Com a produção aquecida, a indústria trabalha hoje, em média, com 2,5 turnos. Esse resultado está acima da média desde 2001, que é de 2,2 turnos, e do resultado em outubro de 2006, que foi 2,4 turnos. Os estoques de produtos acabados também estão mais enxutos. Segundo a sondagem, 10% da empresas informaram que seus estoques são insuficientes, ante 2% delas em outubro do ano passado.

Apesar da cautela do Banco Central (BC) ao interromper a queda da taxa básica de juros no mês passado, depois de um longo período de cortes na Selic, o otimismo da indústria no curto prazo não foi abalado. O Índice de Confiança da indústria atingiu em outubro 123,4 pontos, com um acréscimo de 14,7% em relação ao mesmo período de 2006. “Esse resultado é o recorde da série histórica iniciada em abril de 1995”, observou Campelo, ressaltando que o otimismo é sustentado pelo consumo doméstico e pelas exportações.