Orfeu Negro-1959
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Transmitir informações e opiniões que julgo relevantes para compor uma visão sobre o mundo e agir em conseqüência. Minhas leituras não são minhas opiniões, mas me ajudam a formá-las. Luis Favre
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Música de Chopin, Noturno in C menor.
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A censura chinesa tem problema com sexo, agravada agora que vão acolher os jogos olimpicos.
Acabaram de proibir o filme "Perdidos em Pequim"(Lost in Beijing) realizado por Li Yu.
Isto depois de terem retirado 16 minutos, de amor e de sexo, do filme "Lust Caution", do reputado cineasta Ang Lee.
No caso de "Perdidos em Pequim"(Ping Guo em chinês) a proibição, segundo os censores, se justifica por terem apresentado o filme no Festival de Berlim, sem os cortes de 15 minutos exigidos pela censura.
Além do que, proibiram a empresa produtora de fazer filmes durante dois anos
Ao mesmo tempo, os cortes da censura irritaram sobremaneira a nova classe media que viajou para Hong-Kong assistir à versão integral de "Lust Caution".
Mais ainda que este filme, ganhador do Leão de Ouro no Festival de Veneza, se baseia na obra de Eileen Chang, livro ambientado em Shangai, antes da chegada ao poder de Mao, cidade faro da China atual e moderna.
Para Cristina Civale, do blog "Civilización y Barbarie", que assistiu ao filme de Ang Lee na Itália, a temática leva a se interrogar sobre nossa própria vivencia com a sexualidade.
Ela pergunta o que sexo é:
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Gene Kelly, Summer Stock Dance
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O concerto
O documento
O filme
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Filha de Costa-Gavras estréia na ficção
"A Culpa É do Fidel!", de Julie Gavras, mostra, sob ótica infantil, mudanças de família burguesa que vira esquerdista
Herança do cinema político de seu pai impõe limites à diretora; "Jamais serei capaz de fazer um filme apenas para divertir as pessoas", diz
Divulgação![]() |
PEDRO BUTCHER
CRÍTICO DA FOLHA
Crianças costumam ser conservadoras. Para solidificar seu mundo, precisam da rotina e da ordem -e qualquer ameaça de instabilidade será motivo de retração e defesa.
Anna, a protagonista de "A Culpa É do Fidel!", é assim: uma menina conservadora, poço de contradição em relação a seus pais, liberais de esquerda em plenos anos 70. Aos nove anos, ela estuda em uma rigorosa escola católica, e de lá não quer sair.
Seu mundo de menina se abala quando os pais trocam a ampla casa parisiense por um apartamento mais modesto. Querem se dedicar a um trabalho engajado. Adeus, jardim; adeus, babá cubana.
Fernando, o pai, advogado espanhol que perdeu o cunhado na ditadura de Franco, passa a trabalhar pela eleição de Salvador Allende no Chile; a mãe, Marie, repórter de revista feminina, começa a escrever um livro pela legalização do aborto.
O que mais chama a atenção nesse primeiro longa de ficção de Julie Gavras é sua facilidade para assumir o ponto de vista de Anna. É inevitável imaginar a identificação da diretora, filha de um homem de esquerda, com a personagem principal.
Julie Gavras constrói seu filme como o retrato de uma criança na mais importante etapa de sua formação: a descoberta das idéias, da moral e da ética. Entre as palavras que ouve da babá -que fugiu da Cuba de Fidel e põe a culpa das aflições da criança no "barbudo vermelho"-, as idéias dos avós reacionários e, principalmente, aquelas que ouve de seus próprios pais e dos amigos deles, a menina Anna, evidentemente, fica confusa.
Bonito, aqui, é observar a dolorosa descoberta de que não há verdade definitiva e que a resposta não está nos outros. Para sair da confusão, só abrindo seu próprio caminho, a partir da relação com os outros. Ou seja, Anna aprende a pensar por conta própria.
Como tantos filmes franceses, "A Culpa É do Fidel!" se baseia nos diálogos, mas eles são bem escritos e fazem parte da história. Anna, afinal, só vê duas possibilidades de contornar seus dilemas: revoltar-se e perguntar.
Para registrar esses diálogos, Gavras usa a lição básica do manual de como filmar crianças, posicionando a câmera na altura da protagonista, quase sem abandonar esse ponto de vista. Assim, consegue realizar um raro filme protagonizado por crianças com um resultado autêntico. E ainda escapa da sina de mimetizar o pai, ao privilegiar a micropolítica das relações humanas à grande política das ideologias.
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PARIS (AFP) - Tres décadas después de la muerte de Chaplin, el 25 de diciembre de 1977, la poesía burlesca de "La quimera del oro", "El chico" o "Tiempos modernos" resiste al tiempo, y las tribulaciones de su personaje de vagabundo tierno y disparatado pueden verse todavía en los cines de más de 40 países.
25 de diciembre de 1977: Se cumplen treinta años de la muerte del genial cineasta; sus películas hoy siguen viéndose en salas de más de 40 países, mirá un fragmento de uno de sus films más memorables
adncultura*com
Pero a fines de los años 90, ese tesoro corría peligro. Las copias de las películas habían envejecido, las obras no podían proyectarse en salas de cine , y los hijos del cineasta (cuyos intereses defiende la asociación Chaplin, con sede en París) buscaban la manera de darles una segunda vida.
En ese momento, las películas del director francés François Truffaut, que también habían estado en peligro, fueron reeditadas en DVD por la firma productora y distribuidora parisina MK2. "Esa edición de alta calidad nos permitió mostrar nuestra pericia, y situarnos como el equivalente en el sector de los DVD de la colección la Pléiade en la edición literaria", afirma Nathanaël Karmitz, que dirige MK2 junto con su padre Marin Karmitz.
Los herederos de Chaplin apreciaron ese trabajo y cedieron en 2001 a Marin Karmitz los derechos de explotación internacional de 18 grandes películas del cineasta. El monto de esa cesión no fue revelado, pero sí la condición que la acompañaba: que las películas puderan volver a proyectarse en los cines.
MK2 emprendió la restauración de las películas, realizada en la Cinemateca e Bolonia y en el laboratorio Immagine Ritrovata, y confió la gestión de la venta de los DVD en el mundo a la compañía Warner, aunque conservando su control editorial.
"Reunir los elementos necesarios para la restauración de una película, encontrados en archivos o en posesión de particulares del mundo entero, puede llevar cinco o seis años", señala a Gianluca Farinelli, que dirige la Cinemateca de Bolonia. Si el negativo original se ha perdido, hay que partir de copias de tirajes sucesivos, a veces de calidad mediocre, y "homogeneizarlas", atenuando las diferencias de contraste, pero guardando fidelidad al original.
Después de los largometrajes, Immagine Ritrovata, asociada al National Film and Television Archive de Londres y a la firma francesa Lobster, terminará en 2008 la restauración de 33 de los 35 cortometrajes (dos han desaparecido) de Chaplin producidos por Keystone en 1914 y 1915.
Desde 2001, unos 2,8 millones de DVD de las películas de Chaplin han sido vendidos en el mundo, 750.000 de ellos en España, 300.000 en Francia, 100.000 en Brasil... La cifra de ventas en Estados Unidos (420.000), en comparación con su mercado "es decepcionante: los norteamericanos tienen la memoria corta y poco interés por el patrimonio cinematográfico. En cambio, Chaplin sigue siendo sumamente apreciado en Brasil, en Argentina o en Japón", dice Karmitz.
Fiel a su promesa, MK2 hizo que volvieran a proyectarse en los cines las películas restauradas, con dos grades éxitos de taquilla. La primera fue "El gran dictador", presentada en el Festival de Berlín en 2002. Al año siguiente fue el turno de "Tiempos modernos", del cual ofrecemos un fragmento inolvidable a continuación.
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Ao voltar para casa depois de servir na Guerra do Iraque, o jovem Mike desaparece e é considerado foragido do exército. Seu pai, o ex-militar Hank Deerfield, recebe o telefonema com as notícias perturbadoras e parte em busca do filho, deixando sua mulher Joan em tensa expectativa.
A ver absolutamente. Um vibrante panfleto contra a guerra e que interpela cada um de nós. Um triller que nos precipita na descoberta de uma verdade oculta, a de nossa própria responsabilidade no destino de nossos filhos. Um grito pedindo ajuda, lançado desde os Estados-Unidos para a humanidade.
Magistral direção de Paul Haggis, com Tommy Lee Jones e Susan Sarandon. Não perca.
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Etats-Unis, 2007 - 1h30

Illus. © Twentieth Century Fox France
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O terrível sistema stalinista, na sua versão provavelmente mais artificial e repressiva, é esmiuçado com precisão.
Alemanha do Leste é o palco deste filme cativante, onde o realismo quase documentário que expõe o sistema, mostra ao mesmo tempo o espaço para a ação do individuo com suas motivações próprias e suas contradições.
Um filme para ver e meditar sobre a responsabilidade individual no drama coletivo, ao mesmo tempo para não esquecer o caracter opresor, demolidor e liberticida do chamado "socialismo real". Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2007. LF
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Aria da opera Rinaldo de Handel, que no filme é cantada por Ewa Mallas-Godlewska soprano, e Derek Lee Ragin contra-tenor. O filme Farinelli de Gerard Corbieau foi nominado no festival de Cannes em 1996 e a cantora ganhou o disco de oro no mesmo ano, após vender mais de 2 milhões de copias.
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Em seu novo filme, Into the Wild, Sean Penn conta a história do jovem que rompeu com tudo para encontrar sua identidade
Flávia Guerra - O Estado de São Paulo
Sean Penn apareceu de óculos escuros no encontro com jornalistas, logo após a primeira exibição de seu filme no festival de Roma. 'Ontem tomei vinho demais. Este festival é um perigo! Estou numa ressaca sem tamanho', explicou, arrancando risos de uma platéia que tentava entender se o ar blasé do enfant terrible de Hollywood era antipatia ou dor de cabeça. 'Estou feliz. Levei dez anos para realizar este filme.'
Penn faz a pose que lhe deu fama. Poucos sorrisos, mas muita vontade de falar de um tema que o persegue, de fato, há anos. 'Li o livro de uma só vez. Antes de dormir. Na manhã seguinte, acordei e pensei: 'Tenho de comprar os direitos agora.' Era uma história forte demais para se esquecer', contou o diretor sobre seu novo filme, Into the Wild , baseado no livro homônimo de Jon Krakauer (lançado no Brasil como Na Natureza Selvagem).
O livro conta a história real do jovem Christopher McCandles (Emile Hirsch), jovem americano de 22 anos que, em 1992, após se formar no segundo grau, parte em busca de experiências extremas no Alasca, um mundo selvagem, puro e revelador. Ele doa tudo que tem, despoja-se de todos os luxos, deixa seu carro pelo caminho e parte em busca de uma jornada sem volta. 'Ele transformou minha vida também. Passaram-se dez anos desde a primeira vez que eu li até o dia em que comecei a escrever o roteiro, mas, não precisei reler uma linha. A história ainda estava fresca na memória', conta Penn, para quem a saga de McCandles serve de inspiração para uma geração cada vez mais acomodada com o conforto que a sociedade moderna proporciona. 'A experiência foi tão forte que precisei percorrer os mesmos caminhos de McCandless, conhecer as pessoas que ele conheceu, passar um tempo com a família dele para entender que jovem ele foi.'
Mas sua escolha não foi extrema? 'Sim. Queria que meu filme ajudasse os jovens a entenderem que não é preciso partir em direção à morte para descobrir-se na vida; que, ou você vai lá fora buscar o que precisa ou vai tornar-se mais um parasita da sociedade. Precisamos romper com o sistema vigente e enxergar o mundo sob nova perspectiva que não a apregoada pelos que estão no comando', respondeu ele ao Estado. É por isso que você se engaja cada vez mais na política e já visitou países como a Venezuela e conheceu Hugo Chávez? 'Sim. Porque acredito que outro mundo é possível. Não vou ficar fazendo campanha, mas esta sociedade, este sistema que nos é imposto não tem feito muito de bom por nós.'
Vivemos em uma sociedade cada vez mais hipócrita, acredita ele. 'Não acho que McCandle tenha sido um visionário naif nem um cara perfeito. Ele tinha sensibilidade. Hoje isso é visto como ser fraco. Não quero que meus filhos sejam criados com esses valores. É preciso coragem para ser autêntico. Cada um deve mudar a si. E isso não é fácil.' A julgar pela decisão do júri de Roma, formado por jovens de países europeus, que deu a Into the Wild o prêmio de melhor filme da Seção Première, Penn não está semeando no deserto.
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-Noi Siamo Zingarelle",
"Di Madride Noi Siam Mattadori", Orquestra dirigida por André Levine. Do filme de Franco Zeffirelli "La Traviata"
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Vencedor do prêmio da crítica por A Questão Humana, Nicolas Klotz voltará à Mostra como homenageado em 2008
Luiz Carlos Merten - O Estado de São Paulo
Durante a preparação de A Questão Humana, o diretor Nicolas Klotz e sua mulher e roteirista, Elisabeth Perceval, assistiram, um pouco por prazer e outro tanto por pesquisa, a diversos filmes. Dois os marcaram muito, dois clássicos. É famosa a cena final de Tempos Modernos, de Charles Chaplin, de 1936, que mostra o próprio Chaplin, como Carlitos, e Paulette Goddard naquela estrada que representa a vida e lhes acena, afinal, com a promessa de felicidade. Aquela estrada levou-os ao outro filme que Klotz e Elisabeth citam - Nuit et Brouillard, de Alain Resnais, de 1955, sobre o horror dos campos de concentração dos nazistas.
Esta idéia, este conceito, percorre La Question Humaine (título original), que foi o filme vencedor do prêmio da crítica na 31ª Mostra Internacional de Cinema São Paulo, encerrada na quinta-feira, dia 1º. Normalmente, um filme como A Questão Humana teria permanecido na repescagem que vai até quinta, mas a cópia precisou retornar a Paris. Não se preocupe, se ainda não viu o queridinho - merecidamente - dos críticos na Mostra deste ano. Jean-Thomas Bernardini, da Imovision, negocia os direitos do filme de Nicolas Klotz, que poderá ser uma das atrações anunciadas de 2008 nos cinemas brasileiros.
Klotz, desta vez acompanhado pela mulher, veio pela terceira vez a São Paulo Paulo, onde já teve, antes deste, exibidos quatro outros filmes - A Noite Sagrada, Pária, Nus e A Ferida. Sua primeira visita à cidade foi com Pária, em 2001 (o filme é de 2000). Ele voltou com A Ferida (La Blessure), em 2005 e agora com A Questão Humana. Os três filmes formam o que o diretor e a mulher definem como uma trilogia sobre o mundo contemporâneo. Volta a Tempos Modernos. Há 71 anos, Chaplin mostrou sua antevisão do mundo moderno, no qual Carlitos era engolido por uma máquina antes de reencontrar, na estrada, a sua humanidade. Chaplin já intuía que a desumanidade seria um dos graves problemas trazidos pelo desenvolvimento. Discutir a questão humana é essencial para o casal Klotz/Perceval. Ele dirige, ela escreve, mas ambos falam no 'nosso filme'.
Um caso de parceria que se consolidou no teatro, antes do cinema. Klotz já dirigia, Elisabeth atuava. Mas era muito difícil conseguir os fundos para as peças que eles queriam montar. Quando se iniciaram no cinema, perceberam que seria ainda mais difícil conseguir dinheiro para o tipo de filme crítico e comprometido que pretendiam fazer. Há poucos anos, abriram mão do teatro. 'É muito desgastante combater em duas frentes', resume Klotz. Nos dois primeiros filmes da trilogia, Pária e A Ferida, Klotz e Elisabeth trataram do exílio e dos excluídos. A Ferida é exemplar do tipo de pesquisa estética e política que eles gostam de levar. O filme conta a história desta mulher africana que chega a Paris, tentando conseguir asilo para se reunir ao marido. As autoridades a ameaçam de deportação. Ela é ferida num incidente. A ferida é uma metáfora da dor que a consome internamente. O diretor conta sua história com indignação e compaixão.
A Questão Humana lida com outra faixa social. 'É nosso primeiro filme interpretado por nomes importantes do cinema francês - Mathieu Amalric, Jean-Pierre Kalfon, Michel Lonsdale -, mas isso não mudou em nada nosso método. Fizemos o filme nas mesmas condições, com o mesmo dinheiro', conta o diretor. Amalric faz um psicólogo no departamento de Recursos Humanos de uma grande empresa multinacional em Paris. Ele é encarregado por um dos diretores da sede, na Alemanha, de avaliar a saúde mental de um dos executivos na França. Mais do que signos de doença, ele descobre a ligação passada do sujeito com o nazismo. Passa a receber provas que apontam para um comprometimento maior. Entre elas vem este memorando, datado de 1942, no qual engenheiros nazistas apontam, com linguagem técnica totalmente desprovida de emoção, o aperfeiçoamento de uma máquina utilizada para exterminar judeus.
A partir daí, o tema de A Questão Humana vira a ligação da Shoah com a moderna administração de empresa, que também se vale de métodos desumanos na avaliação de seus funcionários. 'A Questão é um relato em forma de alegoria, que trata da empresa moderna, mas na verdade tem uma origem muito anterior, na Shoah', diz o diretor, acrescentando que este é o mesmo princípio do livro de François Emmanuel em que Elisabeth e ele se basearam. Emmanuel pode ter fornecido a base, mas o conceito vem de Jacques Derrida, quando ele diz - 'A primeira vítima do nazismo foi a língua de Goethe.' Como o escritor, Klotz e Elisabeth ficaram aterrorizados com o teor de desumanidade dos nazistas, que utilizavam as palavras de forma puramente técnica, sem que em nenhum momento viesse à tona a discussão ética sobre o significado de aperfeiçoar máquinas cujo objetivo é eliminar o outro.
'É um fato que os homens se utilizam de palavras para desqualificar seus inimigos mortais, reduzindo o outro a uma insignificância tão grande que termina por autorizar tudo o que vier a fazer contra ele, pois, afinal, é zero.' É Elisabeth Perceval quem fala e o rosto desta mulher, que, além de atriz e roteirista, é também mãe e avó exprime compaixão. É o que mais atrai no casal Klotz/Perceval. Eles fazem este cinema de 'esquerda' porque se preocupam com o humano. O assunto vira o que é ser de 'esquerda' hoje em dia e o repórter cita a reportagem da revista francesa Le Nouvel Observateur sobre o novo livro de Bernard-Henry Lévy, no qual o filósofo avalia a herança intelectual do socialismo, contando que, quando o então candidato Nicolas Sarkozy tentou cooptá-lo para sua candidatura de centro-direita, ele recusou a proposta, dizendo que não poderia votar contra a sua 'família'.
Klotz e Elisabeth não se impressionam muito com o posicionamento de Lévy. 'Ele diz isso, mas ao mesmo tempo ataca a imprensa que ainda se mantém de esquerda, acusando-a de formar uma frente fascista contra os EUA de George W. Bush.' Para a dupla Klotz/Perceval, criticar o presidente norte-americano ou os métodos nazistas de administração de empresa nas economias neoliberais que compõem o mundo global fazem parte do mesmo movimento. Esta consciência levou o casal a elaborar a particular dramaturgia de A Questão Humana. Existe toda uma parte de mistério, mais que de suspense, que termina por desestabilizar o personagem de Amalric. Ele se descobre no centro de uma luta por poder, na medida em que um diretor quer eliminar o outro para fortalecer a própria posição. São leões que descarregam suas energias em baladas noturnas regadas a fado, flamenco ou rave. Mas a questão essencial é lingüística - remete à palavra. Como quebrar a língua técnica e racionalista da empresa moderna? Como quebrar a linguagem da burocracia no filme anterior?
Tal é a questão - o ser ou não ser sobre o qual repousa, hoje, a 'questão' humana. A verdadeira questão, segundo o casal, é se ainda existe o humano e até onde vamos lutar por ele num mundo em que a desumanidade e a ausência de compaixão estão construindo um novo horror. Klotz e Elisabeth levantam essa interrogação em seu filme e, até por uma questão de coerência, trazem esse posicionamento para a vida deles. Mas não são panfletários, e isso faz toda a diferença. Como o filósofo desconstrutivista Jacques Derrida, eles defendem, na sua práxis, mais do que pelas palavras de uma entrevista, a necessidade de resistência e engajamento contra esse novo catecismo liberal que toma conta do mundo. A boa nova final é que Leon Cakoff já anunciou - a Mostra do ano que vem vai fazer uma homenagem a Klotz. Ele deve voltar a São Paulo para acompanhar a retrospectiva anunciada de sua obra.
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RIO - Agora é para ser levado a sério. Não que a primeira edição fosse brincadeira... Mas o fato de ter ocupado em 2006 o Cine Íris, o templo do cinema pornográfico no Rio, pode ter afastado muita gente que não acreditava no potencial dos curtas. Portanto, sai "cine pornô", entra o Odeon BR, que agora recebe o II Festival Internacional de Animação Erótica, a partir desta terça-feira.
Durante três dias, serão exibidos 51 filmes de 20 países diferentes. A maior parte (12 no total) é do Brasil. O restante vem de países diversos, como Estados Unidos, Alemanha, Suíça e até Israel, Croácia e Turquia.
Assista a trecho do curta 'Still life'
Curta de animação erótica 'Praxedes, um espermatozóide'
Trecho do curta de animação erótica 'Instinct'Há animações em várias técnicas abordando temas diversos, como homossexualismo, liberdade sexual da mulher (uma série de curtas bem bolados defendem, por exemplo, a masturbação feminina) e fetiches. Boa parte delas é uma sátira sobre o tema. Uma novidade para quem quer "levar" o festival para casa: as meninas da Daspu confeccionaram as camisas do oficiais do evento, que estarão à venda no Odeon ou no site www.daspu.com.br . Custam R$ 25.
O formato longa-metragem vai ser representado por duas produções: o brasileiro "Wood & Stock: Sexo, orégano e rock'n'roll", de Otto; e o inédito "My art scholl summer", de David e Mary Sandberg. Este último traz uma divertida escola de arte na era do punk-rock, em que uma garota "completa" a grade de aulas com colegas de sala e professores e coloca tudo no jornal interno.
A premiação será dividida em Melhor Animação Nacional, Melhor Animação Internacional e Animação Mais Quente, cujo troféu será oferecido pela TV Playboy. Os vencedores serão aunciados no última dia do festival, às 21h.
O Porta Curtas também distribuirá prêmios para animações brasileiras online. Os filmes serão exibidos no site www.portacurtas.com.br até 13 de novembro. O júri do portal vai escolher a melhor produção, que ganhará o prêmio-aquisição no valor de R$ 750 e o direito a ficar hospedado e veiculado no site.
Dois animadores serão homenageados este ano. O chileno Tomas Welss, que exibirá os curtas "Pasta", "Reunion", "Noche", entre outros. O americano John Mahoney vai mostrar a louca jornada artística em "Mahoney chatroom animation".
A programação é dividida em quatro sessões, que são intercaladas em horários diferentes, sempre entre 13h e 21h (a última sessão). Os ingressos podem ser comprados no site da Ingresso.com .
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"Die Winterreise" (The Winter Journey)
'Der Lindenbaum' (words by Wilhelm Muller)
Music by Franz Schubert (1797-1828)
Brigitte Fassbender, mezzo-soprano
Wolfram Rieger, piano
A film by Petr Wiegl
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Carnaval Mangueira 2008