segunda-feira, 4 de junho de 2007

'Não vamos desindustrializar o Brasil'


Entrevista


Celso Amorim: ministro das Relações Exteriores


Denise Chrispim Marin

O Estado de São Paulo





(...) A oferta brasileira de abertura dos mercados industrial e de serviços pode ser ampliada, mesmo com as reclamações dos empresários?


Nossa oferta está aí, de coeficiente 30, o que representa um corte de 50% na tarifa de importação máxima aplicada pelo Brasil aos bens industriais. Não é pouco. O recente aumento das tarifas brasileiras para vestuários e calçados mostrou a importância de preservarmos espaço para decisões como essa. Um homem de negócios sério não pode assumir que tudo o que é hoje praticado jamais irá mudar. Mas, hoje, a nossa situação cambial evidencia sensibilidades que antes não seriam tão óbvias. Então acho melhor terminar logo a Rodada antes que chegue a paridade do real com o dólar.

Há rejeição de americanos e europeus à oferta brasileira, o que pode prejudicar nossas demandas na área agrícola. A abertura do setor industrial torna-se inevitável?

Eu queria a redução dos subsídios domésticos dos EUA a US$ 12,4 bilhões, a limitação dos produtos sensíveis para países desenvolvidos a 1% dos itens agrícolas, o corte de 75% na tarifa agrícola mais alta da UE. Esses tópicos não estarão, provavelmente, do jeito que eu quero. Então a abertura industrial brasileira não estará do jeito que eles querem. Nós vamos procurar a convergência entre o mínimo de ambição necessário e o que é aceitável. Não vamos desindustrializar o Brasil e o Mercosul. Leia a entrevista na integra aqui

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