A queda poderia ser maior
PAULO GUEDES - O Globo Página 7
A aterrissagem suave da economia dos Estados Unidos torna possível a também suave desaceleração da economia mundial. A taxa de crescimento do PIB global está recuando de um patamar acima dos 4%, em que permaneceu nos últimos quatro anos, para algo em torno dos 3,3% em 2007. As economias emergentes participam também da desaceleração global, com uma taxa de crescimento recuando de 7,3% em 2006 para 6,7% neste ano.
Destaca-se a economia brasileira nesse quadro exatamente pela reaceleração de sua dinâmica de crescimento, que poderá atingir até 4,5% em 2007, principalmente com base na ampliação de seu mercado interno. O aumento do crédito doméstico, com juros mais baixos e prazos mais longos, a geração de empregos e o aumento da massa salarial estão provocando uma formidável ampliação do consumo interno. As vendas de móveis e eletrodomésticos, novos veículos, materiais de construção e artigos de uso pessoal estão excedendo as previsões para o primeiro quadrimestre. Alguns setores registram crescimento acima dos 20% em comparação com 2006.
O desaquecimento moderado da economia global permite a sustentação dos preços das principais commodities, produzidas por países emergentes, em um “trading range”, uma confortável faixa de oscilação do ponto de vista de suas contas externas.
A preservação do superávit comercial em torno de US$ 40 bilhões, a melhor colocação do país no ranking das agências de classificação de riscos e a perspectiva de recuperação de uma dinâmica interna de crescimento resultam numa enxurrada de dólares — empurrando para cima o nível de reservas internacionais (US$ 130 bilhões) e para baixo a cotação do dólar (R$ 1,90). Leia mais no jornal O Globo (para assinantes)
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