Lula e Vavá, limão e limonada - Carlos Brickmann
O caso das investigações sobre Genival Silva, Vavá, irmão do presidente Lula, só pode ser entendido se duas coisas estiverem bem claras:
1 – Lula não sabia que a Polícia Federal investigava o irmão, e ficou surpreso ao saber que haviam invadido sua casa com um mandado de busca e apreensão;
2 – Rapidamente, transformou o limão em limonada e proclamou que a investigação sobre seu irmão era a prova de que no Brasil ninguém está acima da lei.
O fato é que a Polícia Federal parece agir de forma autônoma, sem controle. As operações-padrão, o racionamento da emissão de passaportes, tudo demonstra que a Federal, ou parte dela, está em rota de choque com o Governo (que, por sua vez, lhe prometeu 30% de aumento e não deu nada). Numa situação normal, o ministro da Justiça seria informado pela Federal das investigações sobre o irmão do presidente – uma informação vital, por seu potencial político. Num regime normal, o ministro examinaria as investigações e, se não fossem claramente abusivas, determinaria que continuassem; e informaria o presidente.
Não foi o que ocorreu. E, aparentemente, nada encontraram contra o irmão do presidente. Mas conseguiram fazer com que Lula se constrangesse no meio de uma viagem, durante negociações internacionais em que representa o Brasil.
Família é coisa séria. Getúlio Vargas resistiu no poder até que seu irmão Benjamin foi intimado a depor na Aeronáutica. Então, matou-se. Ninguém queria atingir o irmão: o que se queria era alvejar o presidente.
Defendendo a defesa
O advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, mais doze advogados de primeiro time, assinam manifesto em que defendem o combate intenso à corrupção, “fator impeditivo do desenvolvimento econômico e político da nação”, mas sem a utilização de meios ilegais. De acordo com os advogados, os direitos constitucionais vêm sendo atropelados: “quer sejam políticas ou ideológicas as motivações, quer sejam ligadas à segurança nacional ou à luta contra a corrupção, como se alega, toda e qualquer ação oficial empreendida ao arrepio da lei representa a negação do Estado de Direito e a adoção de um regime de exceção”. A carta e as assinaturas, na íntegra, estão aqui
| "Combate ao crime, mas dentro da legalidade", por Antônio Cláudio Mariz de Oliveira* |
| "...não se encontra qualquer justificativa lógica ou jurídica para o papel desempenhado pela mídia, que se propôs, por motivos desconhecidos, a teatralizar e a dramatizar o combate ao crime..." |
| Leia também: Manifesto assinado por advogados criminalistas preocupados com "a forma açodada e descriteriosa com que o Judiciário tem deferido medidas de força" nas recentes operações realizadas pela Polícia Federal e com as dificuldades criadas para o exercício da defesa. O país assiste nos dias de hoje a um saudável e elogiável movimento de combate à criminalidade das elites. Possui tal movimento um aspecto indiscutivelmente positivo: mostra que a repressão penal não mais se dirige, quase exclusivamente, contra as camadas menos favorecidas da sociedade, como ocorria até pouco tempo. |
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