terça-feira, 30 de outubro de 2007

Prefeito eleito de Bogotá diz que Lula e Cristina são suas referências

Valor

AP
O esquerdista Samuel Moreno, eleito prefeito da capital colombiana, Bogotá

O prefeito eleito de Bogotá, Samuel Moreno, se diz mais à esquerda do que a social-democracia e toma Lula e Cristina Kirchner como exemplos. Leia abaixo os principais trechos da entrevista dada ao Valor ontem, em que ele fala sobre segurança pública e sobre o quadro político do país após as eleições de domingo. (SL)


Valor: Que reflexo essas vitórias da esquerda trarão para o futuro da esquerda na Colômbia?


Sergio Moreno Há um avanço importante, se não dos candidatos do Pólo, de muito próximos, afins do que pensamos.


Valor: Como o sr. se define politicamente?


Moreno Sou de esquerda democrática. Mais à esquerda que a social-democracia [ri].


Valor: Qual a referência mais forte para a esquerda na América Latina, Lula ou Hugo Chávez?


Moreno Lula e, agora, Kirchner, Cristina, sim.


Valor: Usaram contra sua candidatura manifestações de apoio das Farc. Qual o papel da esquerda democrática na negociação com a guerrilha?


Moreno Nunca me senti mencionado [quando criticavam de candidatos apoiados pela guerrilha], porque as pessoas me conhecem. Sempre tive uma posição de rechaço à luta armada. Rechaçamos em declarações os atos de violência contra a população civil e, ao mesmo tempo, defendemos o diálogo e um acordo humanitário para superar o conflito e obter a liberação das pessoas seqüestradas.


Valor: Como prefeito de Bogotá, o segundo posto político mais importante do país, o senhor pretende ter um papel nessa negociação?


Moreno Claro, meu antecessor, Lucho Garzón, foi promotor importante do acordo humanitário, e nós incluímos essa proposta, essas idéias em nosso programa de governo. Sensibilizar a cidadania e fazer ações para chegar ao acordo. É importante que nós, prefeitos, possamos exercer uma liderança para esse tema.


Valor: Uma das peças mais importantes de sua campanha foi a construção do metrô de Bogotá, algo que interessa a empresas como as brasileiras, que constroem metrôs no continente. O Brasil está entre os países com quem o sr. pretende levar esse projeto à frente?


Moreno Toda colaboração internacional que possamos conseguir, especialmente dos países da América Latina, será bem vinda. Já há sistemas integrados de transporte de massa, há metrô integrado, sabem como operá-los, como se estruturaram, como financiá-los. Vamos precisar de ajuda, e a experiência internacional é chave.


Valor: Já há experiência brasileira no metrô de Caracas.


Moreno E em São Paulo. Vamos tomar todas as ações para conseguir recursos, estrutura, financiamento e experiência para tornar realidade nosso programa de governo. Há muitos projetos de metrô na América Latina, o do México, de Santo Domingo, de Brasil, Venezuela, Chile, Argentina. Quero conhecer de perto a experiência que tiveram. O mandato que nos entregaram foi exatamente para tomar todas as medidas para concretizar esse metrô.


Valor: Bogotá terá recursos para isso?


Moreno Sim, Bogotá é numa cidade imensa, tem recursos importantes, que geram a quarta parte do PIB da nação. Para cá vêm mais de 40% dos investimentos diretos estrangeiros na Colômbia. E boa parte das exportações saem daqui. A cidade é hoje o principal centro de negócios da área andina.


Valor: Por que a questão da violência não foi tão importante nessa campanha como na passada?


Moreno As pessoas ainda se preocupam com a segurança. Eu diria que há avanços significativos na redução de homicídios e furto de veículos, mas, ao mesmo tempo, há uma percepção de insegurança nas ruas, roubos, furtos, e aí temos de adotar ações importantes para melhorar a percepção de segurança na cidade. Aqui há uma política de desarme, cerca de 60% dos delitos em Bogotá são com arma de fogo, e estamos interessados em liderar uma proposta de desarme, levantada pelo atual prefeito Garzón. Que as armas sejam exclusivas das forças públicas.

Uribe sofre sua pior derrota em eleição local na Colômbia

Sergio Leo

Valor

As eleições estaduais e municipais na Colômbia, neste domingo, impuseram uma grande derrota ao presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, com a vitória impressionante da oposição na disputa pelo segundo posto mais importante da política colombiana, o de prefeito da capital, Bogotá. Mas é o próprio vencedor, Samuel Moreno, do esquerdista Pólo Democrático Alternativo, o primeiro a dizer que é errado acreditar que o resultado afeta seriamente as chances de Uribe e seus aliados nas eleições para a Presidência da Colômbia em 2010.


Uribe vem sendo fortemente criticado - e até ameaçado de processo judicial pela oposição - por seu forte engajamento na campanha eleitoral. No dia da votação, deu declarações contra Moreno, insinuando que ele teria ligações com a guerrilha das Farc, sem citar o nome do candidato.


Apesar de a economia colombiana seguir em franca expansão (o PIB deve crescer mais de 6% este ano), Uribe vive o momento mais difícil de sua Presidência, com acusações de infiltração dos paramilitares de direita em seu governo e com o fracasso, por enquanto, de sua principal aposta em política externa, o acordo de livre comércio com os EUA, ainda não ratificado pelo Congresso americano. Ainda assim, a aprovação ao presidente segue alta, perto de 70%, segundo as últimas pesquisas.


A derrota de candidatos de Uribe e a vitória da esquerda ou de candidatos independentes em capitais importantes como Bogotá, Medellín, Cali e Catagena, foi em parte compensada pela vitória de forças conservadoras, de partidos tradicionais ou ligados à direita, na maioria das disputas pelos governos dos Departamentos (os Estados) na Colômbia.


Somados, os tradicionais partidos Liberal e Conservador elegeram 14 dos 32 novos governadores, e o Partido da U, do presidente Uribe, elegeu quatro, o terceiro melhor resultado.


"Nenhum partido pode dizer que teve uma vitória rotunda, a maioria dos candidatos eleitos pertencia a alianças, algumas muito heterogêneas", comentou, ao Valor, o diretor do centro de análises Seguridad y Democracia, Alfredo Rangel. A eleição em Bogotá é uma vitória inquestionável da esquerda, mas, em outras localidades, a maioria dos eleitos por partidos independentes estão no centro ou até à direita do espectro político, diz o analista, um dos mais conceituados da Colômbia.


O país, até a Constituição de 1991, era obrigatoriamente bipartidário e, nos anos 50, resolvia à bala disputas entre os partidos Liberal e Conservador. Hoje a Colômbia tem, em seu cenário político, coalizões de forças sem clara identidade partidária, o que provocou o festival de alianças esdrúxulas nos departamentos e municípios. Houve casos de candidatos apoiados, ao mesmo tempo, pelo partido de Moreno e pelo de Uribe.


O Pólo, que elegeu só um governador, é uma coalizão das principais forças de esquerda colombianas, com predominância do centro-esquerda. O próprio Moreno não tem muita afinidade com o correligionário e atual prefeito de Bogotá, Luiz Eduardo Garzón, sempre comparado a Lula por sua origem sindical e estilo político.


Neto do único ditador que houve na Colômbia (o general Gustavo Rojas Pinilla), filho de uma influente política, Moreno foi senador e é um político de grande popularidade no país.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Paris Je t'aime - Pigalle

Paris Je t'aime - La Même Histoire (Final)

Administração Kassab, com ajuda do Estadão, vai até New York para descobrir o que a Marta já fez

Com a maior cara de pau, o jornal O Estado de São Paulo, em companhia de Floriano Pesaro, secretário municipal de Gilberto Kassab, tenta ludibriar os leitores, anunciando como novidade, desde Nova York, um programa que Marta Suplicy implantou em São Paulo.

No artigo que reproduzimos a seguir, o jornal paulista promove o programa "Bolsa-Aluguel" como sendo um projeto futuro da atual administração, inspirado na viagem do titular da pasta de Assistência Social a Nova York.

Uma simples consulta aos arquivos do próprio jornal, ou da Folha de São Paulo, teria evitado o constrangimento da peça publicitária e os gastos da viagem. Os leitores ficariam sabendo, assim, que a Administração Kassab fechou o programa "Bolsa-Aluguel" e foi obrigado, por decisão judicial, a manter, contra seu desejo, o pagamento das famílias acolhidas pelo programa de Marta Suplicy.

Vale a pena ler os considerandos da Justiça, em reportagem publicada na Revista Consultor Jurídico (5 de setembro de 2007):

"O Tribunal de Justiça de São Paulo limitou a prorrogação do programa Bolsa Aluguel às famílias que recebem o benefício há mais de 30 meses. O programa foi criado pela Prefeitura paulistana e é dirigido a pessoas com renda de um a dez salários mínimos. A determinação vai beneficiar 1.473 famílias e cerca de 6.000 pessoas.

A decisão é da 1ª Câmara de Direito Público, que entendeu que a liminar de primeira instância foi além do pedido feito pelo Ministério Público. Para a turma julgadora, a Promotoria reclamava a prorrogação do benefício e não a retomada do programa social.

Os desembargadores analisaram recurso da Prefeitura (Agravo de Instrumento) contra a liminar do juiz Emilio Migliano Neto, da 7ª Vara da Fazenda Pública. O juiz argumentou que as políticas públicas de habitação popular são insuficientes para atender a procura e que o critério adotado pelo Município exclui determinados grupos ou cidadãos. O fundamento serviu para prorrogar o prazo do programa habitacional.

Ele apontou a ineficiência administrativa, o descaso do governo com direitos básicos, a incapacidade do poder público de gerir seus recursos, a incompetência para implementar o orçamento e a falta de visão política dos administradores. Ele entendeu também como indevido o pedido do Ministério Público Estadual de aplicação de multa para o caso de descumprimento da liminar. Para ele, a multa traria prejuízo aos próprios contribuintes.

E mais: deu prazo de 15 dias para que a Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab) e a Prefeitura paulistana cumprissem a decisão. Insatisfeito, o Município entrou com recurso no Tribunal de Justiça. Sustentou que a interrupção do benefício era resultado do poder discricionário da administração e, por isso, não caberia a interferência do Ministério Público ou do Judiciário.

A turma julgadora entendeu que a prorrogação do benefício habitacional para as famílias que aderiram ao programa, aliada a realidade de que essas pessoas têm pouca instrução, é medida que se impõe à prefeitura. “Aqui não se há de falar em discricionariedade. Mas sim de cumprir aquilo que foi prometido aos participantes do programa”, defendeu o relator, Franklin Nogueira.

A liminar foi reclamada pelo Ministério Público Estadual em uma Ação Civil Pública. O MP queria prorrogar o programa para as famílias beneficiadas por mais de 30 meses até que a Prefeitura fosse capaz de oferecer habitação definitiva àqueles incluídos no programa “Bolsa Aluguel”.

O Programa Bolsa Aluguel foi implantado na gestão Marta Suplicy (PT) e operado pela Cohab, com previsão de duração de 30 meses. O benefício é dirigido a famílias com renda de um a dez salários mínimos. O atendimento prioritário é aos moradores de áreas sujeitas à intervenção de programas da Política Municipal da Habitação."

Quando a turma dos Demos fechou o programa, o próprio Estadão noticiou as manifestações dos Sem-Teto, exigindo a manutenção do "Bolsa-Aluguel". Agora, com a maior desfaçatez, nos anunciam a grande descoberta trazida dos "States".

Parece uma daquelas famosas fotografias das quais Stalin apagava seus desafetos, para reescrever a história. Só que aqui são muitos os que têm memória.

Reproduzo, a seguir, uma entrevista feita pelos trainees da Folha com o deputado Paulo Teixeira em 8 de dezembro de 2006, tratando em profundidade do programa "Bolsa-Aluguel" e demonstrando o caráter retrógrado da tentativa de acabar com esse programa.

Os trainees deram uma "lavada" no jornalismo "chapa-branca" da matéria do Estadão. Talvez, voltando a ler, o jornal recupere a amnésia estampada no artigo de hoje (reproduzido depois da entrevista).

Luis Favre


Entrevista com o vereador Paulo Teixeira (PT), ex-secretário de Habitação de São Paulo

DA EQUIPE DE TREINAMENTO FOLHA - A Secretaria Municipal de Habitação disse que não vai renovar o Bolsa Aluguel. A maioria das pessoas atendidas não tem como se sustentar e não sabe o que fazer. A quem elas devem recorrer?

PAULO TEIXEIRA - O que eu sugiro é que essas pessoas procurem o Ministério Público, ou a Defensoria Pública, e exijam seus direitos. A Prefeitura de São Paulo assinou um acordo com essa população na gestão passada. Ao não renovar o Bolsa Aluguel, a prefeitura está indo para a ilegalidade. Fizemos o programa com muito esforço, foi tudo discutido com especialistas para resolver o problema de habitação. Não renovar a bolsa após esses 30 meses pode ser uma tragédia.

FOLHA - Mas o programa não se resumia apenas a pagar R$ 300 por 30 meses?

TEIXEIRA - Não, a intenção era solucionar o problema de habitação. No convênio que tínhamos com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), era prevista a construção de moradia no Bresser, no Belém, a reforma do São Vito. Aprovamos também a Carta de Crédito no Conselho Municipal de Habitação. O Bolsa Aluguel era um subsídio importante dentro da política habitacional. Os programas habitacionais no Brasil são sempre concebidos como aquisição da propriedade. O Bolsa Aluguel não; é um subsídio. A prefeitura tem que responder se essas pessoas atendidas deixaram de necessitar do benefício, se elas saíram do critério de inclusão no programa. Ao meu ver, há uma pura desarticulação do programa habitacional na cidade. A cidade está hoje sem política habitacional.

FOLHA - O Bolsa Aluguel pode ser considerado um programa assistencialista?

TEIXEIRA - Não, é um programa de habitação, inserido nas políticas públicas de habitação, para uma população de baixa renda. Todos os países do mundo têm subsídios habitacionais. Geralmente, quando você coloca o subsídio na política habitacional, ele é um subsídio colocado de uma só vez, num montante alto. O Bolsa Aluguel é colocado a prazo, num montante pequeno.

FOLHA - Mas não havia no programa mecanismos para solucionar o problema de habitação dentro do prazo. Não havia nada que aumentasse a renda das pessoas, para que elas deixassem de depender do Estado.

TEIXEIRA - É a prefeitura que está inadimplente com essas pessoas. Ela deixou de dar essas condições. Essas pessoas estão na demanda da prefeitura, e a prefeitura está tentando se livrar dessa demanda.

FOLHA - Se o Bolsa Aluguel pretendia resolver a situação das pessoas e não conseguiu, é possível afirmar que o programa foi um fracasso?

TEIXEIRA - Não, o Bolsa Aluguel não foi um fracasso. O Bolsa Aluguel é um programa bem-sucedido. O fracasso está na política habitacional da atual administração. Ela está abrindo mão de um bom instrumento. Eu acho que o resultante disso é encontrar mais gente na rua. Isso vai aumentar a população de rua na cidade de São Paulo. Quem vai deixar de receber o benefício deve procurar imediatamente o Ministério Público, que deve abrir uma ação judicial exigindo o cumprimento do Bolsa Aluguel, sua renovação e o atendimento definitivo dessas famílias. Assim como o Ministério Público, a Defensoria Pública também pode ir à Justiça exigindo o cumprimento de uma política habitacional. A atual administração entrou numa política liberal de deixar as pessoas à sua própria sorte. Num país como o nosso, essa política tem um nome: é a rua. Vai aumentar a população de rua. Isso é um despejo que a prefeitura está fazendo, abrindo mão de suas responsabilidades.

FOLHA - A atual administração diz que cumpriu os 30 meses _e vai cumprir os acordos que ainda restam_ e que, nesse tempo, as pessoas atendidas deveriam ter procurado condições para não mais depender da bolsa.

TEIXEIRA - O problema do atual secretário municipal é que ele não leu os acordos que foram feitos. O instrumental do Bolsa Aluguel tinha como objetivo resolver problemas gravíssimos de risco na cidade de São Paulo. A visão dele não se sustenta a um questionamento judicial. É por isso que estou sugerindo às pessoas irem à Justiça. É uma violência o que eles estão praticando.

FOLHA - Por que o Bolsa Aluguel veio apenas no último ano da gestão passada? Quando o programa foi aprovado, o senhor não via perigo dos contratos não serem cumpridos com a mudança de governo?

TEIXEIRA - Primeiro, a bolsa foi lançada por meio de uma lei. Foi uma lei aprovada na Câmara. Teve maioria quase que unânime. Era um programa público. Segundo: dizia respeito a situações gravíssimas de risco. Ou não havia risco no São Vito? Quem é atendido pelo Bolsa Aluguel? Ex-moradores do São Vito, do Ana Cintra, de albergues, de rua. Foi um programa maravilhoso, de qualificar a vida das pessoas para além da solução coletiva e de médio prazo. Coletiva são os albergues e de médio prazo são as construções habitacionais. O Bolsa Aluguel teve a qualidade de manter as pessoas no centro da cidade, porque elas têm a vida aqui, estão organizadas aqui. É um belo programa, tanto que muitas prefeituras estão replicando o Bolsa Aluguel. Você vê isso no Rio de Janeiro, em Osasco, no ABC, em Guarulhos, em Suzano. Tem um monte de gente replicando o Bolsa Aluguel porque muda o conceito de habitação como propriedade. Você faz um desembolso pequeno, de imediato, e dá tempo de casar com a produção habitacional, que é demorada. Eu acho trágico o que eles estão fazendo.

FOLHA - Para o secretário municipal de Habitação, é difícil para a população de baixa renda se manter no centro, pois os aluguéis são geralmente caros. O senhor concorda com essa visão?

TEIXEIRA - Primeira coisa que quero dizer: essa visão vai na contramão de todas as políticas habitacionais do mundo, que defendem que as pessoas residam onde tem infra-estrutura. O Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) tem um estudo recente demonstrando que pessoas com o mesmo nível de escolaridade que vivem em distintos lugares da mesma cidade têm condições de vida diferenciadas. Por exemplo: o pobre que vive no centro tem condições de estudar mais, tem expectativa de vida maior, tem uma alimentação melhor, os filhos vão estudar mais.

FOLHA - Mas não é mais caro para ele?

TEIXEIRA - Você precisa dar soluções habitacionais para as pessoas de baixa renda. Essa idéia do que é mais caro, é uma visão liberal, é uma visão de mercado. Para o pobre, não é mais caro, é mais barato. Por que é mais barato? Primeiro: ele não tem que pegar condução. Segundo: ele tem escolas menos lotadas do que ele teria na periferia. Ele tem mais equipamentos de saúde do que teria na periferia. Ele tem mais transporte, menor desgaste físico. Outra coisa: o custo social de uma pessoa morar longe do centro é maior. Você tem que prover transporte, tem que fazer escola onde não tem escola. Quais são os maiores índices de criminalidade na região de São Paulo? Capão Redondo, Jardim Ângela, Grajaú, Cidade Tiradentes. São os extremos, exatamente pela falta de Estado. Os menores índices de criminalidade estão no centro. Por quê? Porque essas pessoas têm trabalho perto, têm uma oferta de trabalho magnífica, não gastam para tomar condução _que está ficando mais cara_, vão a pé para o trabalho. As escolas do centro têm menos turnos do que as escolas da periferia. A qualidade de vida para o pobre no centro é melhor do que na periferia e o custo social e ambiental de morar longe _muitas vezes as pessoas vão morar na serra da Cantareira, na beira de uma manancial_ é muito maior. É um equívoco essa visão.

FOLHA - Temos um caso de uma senhora de 72 anos que ganha dois salários mínimos e vai perder a bolsa. Perguntamos ao secretário municipal que destino ela poderia ter. Ele respondeu que essa senhora poderia ser encaminhada para um albergue. O senhor considera essa a melhor solução?

TEIXEIRA - É um erro. A realidade tem demonstrado que as soluções individuais são melhores que as soluções coletivas. Na casa dessa senhora, ela tem individualidade, ela tem o seu espaço organizado. Nos espaços coletivos de albergue, você tem que conviver com pessoas de diferentes situações. Tem muita gente que prefere morar na rua do que no albergue, por conta das condições da moradia coletiva. É um equívoco dizer que a solução para esse caso é procurar um albergue. Todas as sinalizações do atual secretário remetem ao passado, não ao futuro. São visões ultrapassadas da realidade das políticas públicas.

FOLHA - O senhor considera a Carta de Crédito uma boa solução?

TEIXEIRA - A Carta de Crédito é uma boa solução. O governo municipal tem uma boa articulação com o governo estadual. A CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Estado de São Paulo) tem condições de operar esse jogo. O secretário municipal da Habitação está com a faca e o queijo na mão, mas com idéias atrasadas.

FOLHA - Muitas pessoas conseguem a Carta de Crédito, mas como o valor é baixo _e proporcional à renda_ não conseguem encontrar uma casa.

TEIXEIRA - A minha opinião é que o Bolsa Aluguel ainda é o melhor programa. Uma pessoa idosa, de dois salários mínimos. Você vai dar uma Carta de Crédito para ela comprar um imóvel. Uma Carta de Crédito custa R$ 20 mil. É muito melhor dar subsídio para o aluguel dela. Ela vai ter problema de renda, talvez o tempo de pagamento não corresponda ao tempo de vida. Se o Estado banca o subsídio para o aluguel, você dá uma tranqüilidade muito maior para a pessoa.

FOLHA - Das atuais políticas de habitação, quais delas o senhor vê como positivas?

TEIXEIRA - A política da atual administração é mera continuidade da política da administração anterior. Todas as favelas que estão sendo urbanizadas foram projetadas e contratadas pela administração anterior. É a mesma situação com todos os conjuntos habitacionais que estão sendo feitos: começaram na gestão passada. A única diferença é que, onde eles pararam os programas, eles estão errando, como no caso do Bolsa Aluguel. O que quero dizer é: o que eles estão fazendo é o que deixamos contratado, e eles estão parando programas importantes. A cidade carece de um programa habitacional adequado.

FOLHA - A integração entre governo municipal, estadual e federal é apontada como uma boa medida para o sucesso de políticas habitacionais. O fato das administrações estarem nas mãos de partidos diferentes atrapalha?

TEIXEIRA - Não atrapalha. Parte dos recursos da urbanização de favelas e dos prédios que estão sendo reformados no centro são do governo federal. É o caso do Hotel São Paulo. Foi reformado, e a parte que ainda não foi feita cabe ao governo municipal. (Folha de São Paulo 8/12/2006).


A seguir o artigo do jornal O Estado de São Paulo de hoje

SP cria 'bolsa aluguel' para morador de rua e estuda projetos de Nova York
Projeto já aprovado por conselho prevê subsídio de até R$ 300 para locação de apartamento, mas exige contrapartida
Camila Viegas-Lee, NOVA YORK
São Paulo ganha por ano mil moradores de rua, 60% deles concentrados na região central. A cada quatro abordados pelos agentes sociais, só um aceita ir para albergues. Diante das dificuldades do modelo atual de atendimento, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social aposta em outra estratégia: criou um tipo de “bolsa aluguel” para subsidiar a locação de apartamentos para quem hoje está nas ruas, mas tem renda de, pelo menos, 2 salários mínimos. Programa semelhante já é adotado em Nova York, visitada na semana passada pelo secretário Floriano Pesaro, que conheceu projetos para a população de rua.O Programa Parceria Social já foi aprovado pelo Conselho Municipal de Habitação e teve as normas publicadas no Diário Oficial da Cidade em fins de setembro. Ele prevê a concessão de subsídio de até R$ 300 por mês para o aluguel de um apartamento. Os principais beneficiados devem ser idosos, mulheres em situação de risco com filhos - que já sofreram violência nas ruas - e deficientes.Os candidatos precisarão oferecer contrapartidas, como pagar despesas de água, luz e Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e depositar 5% do rendimento em cadernetas de poupança. A Prefeitura vai exigir dos beneficiados que tiverem filhos comprovantes de freqüência escolar.Na visita a Nova York, patrocinada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Pesaro conheceu um programa de “bolsa aluguel”, o Advantage New York.Ele foi criado pelo Departamento de Serviços de Moradores de Rua da prefeitura (DHS, na sigla em inglês) para evitar que famílias sejam despejadas, além de incentivar moradores de albergues a se mudarem para apartamentos comuns.O programa garante o pagamento do aluguel por 12 meses, com a possibilidade de renovação por mais 12. O beneficiado precisa trabalhar no mínimo 20 horas semanais e depositar de 10% a 20% da renda na poupança. No fim do ano, o DHS devolve o dinheiro, em dobro.Pesaro afirmou ter visto mais semelhanças que diferenças na população de rua das duas cidades. Assim como em São Paulo, disse, a grande maioria dos moradores de rua de Nova York sofre de distúrbios mentais, é formada por homens e nasceu fora da cidade. Muitos são dependentes de álcool e drogas, egressos de prisões e estão desempregados. Uma população que, no caso dos americanos, cada vez menos recebe tratamento nas ruas - e aqui começam as diferenças em relação a São Paulo. “Demorou para a gente perceber isso, mas os serviços são muito mais eficazes e custam a metade do preço se forem feitos dentro dos albergues”, disse Robert Hess, comissário do DHS há dois e meio. Para Hess, essa foi a maior lição que aprendeu em 15 anos de experiência no setor.Segundo Pesaro, o conceito de dar abrigo antes de prestar qualquer tipo de ajuda pode ser uma grande inovação no Brasil. “Fazemos o inverso em São Paulo. Trabalhamos primeiro nas ruas e depois levamos as pessoas para os albergues.”Pesaro também ficou impressionado com as parcerias do DHS com outros órgãos da prefeitura. Parte disso decorre da estrutura do departamento, que também trata dos sem-teto, população atendida em São Paulo pela Secretaria da Habitação. Com isso, o DHS consegue reservar cotas para assistência social em programas de habitação. “Nova York está muito na frente no ponto de vista de integração das políticas, especialmente de habitação e saúde”, disse Pesaro.Responsável por 219 albergues, que atendem cerca de 35 mil pessoas, o DHS tem um orçamento encorpado, de pouco menos de US$ 1 bilhão, para oferecer subsídios habitacionais e outros tipos de benefício. A secretaria paulistana tem dotação muito menor, equivalente a US$ 30 milhões por ano, embora concentre sua atuação nos cerca de 12 mil moradores de rua da capital e na administração de 35 albergues. Além disso, só recebe dinheiro da Prefeitura, enquanto o DHS conta com mais verbas estaduais e federais (dois terços do total) do que municipais.Outra diferença importante está no perfil dos abrigos, que seguem um modelo tradicional em São Paulo. Foi só no ano passado que a Prefeitura abriu seu primeiro albergue para famílias, com apenas 20 quartos, o Lar de Nazaré, no Brás.Hess, por seu lado, disse que a segmentação por tipo de moradia, com regras flexíveis, tem dado muito mais resultado que os grandes albergues comunitários e suas normas rígidas. “Acabamos de fechar um albergue para 600 pessoas e estamos dando prioridade à construção de moradias para até 200 pessoas, com quartos individuais.” No Times Square Hotel, por exemplo, administrado pela ONG Common Ground, a entrada é controlada com cartão magnético e há 652 unidades individuais para residência permanente. O prédio fica na Rua 43, ao lado do luxuoso hotel Westin. Metade dos residentes tem perfil mais próximo dos moradores de rua. Os outros são trabalhadores de baixa renda - pelo menos para os padrões nova-iorquinos.O primeiro grupo aluga os quartos com o compromisso de pagar um terço do rendimento semanal. “Se eles estão desempregados e não ganham nada, não pagam. Mas a regra é importante para criar o hábito de bancar a moradia”, explica Hilary Morgan, diretora da ONG.A outra metade dos residentes recebe até US$ 30 mil por ano e paga de US$ 425 a US$ 550 por mês. As regras são flexíveis e as unidades funcionam como apartamentos normais. Mas há assistentes sociais e enfermeiros no local e os residentes podem ser despejados por comportamento inadequado. “Precisamos ter uma mudança grande na cultura de acolhimento para adotar esse modelo de autocontrole e motivação no Brasil”, disse Pesaro.

A conta não fecha

Ribamar Oliveira, email: ribamar.oliveira@grupoestado.com.br

O Estado de São Paulo

A aritmética está sendo desrespeitada pelos políticos que negociam com o governo a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Não é possível destinar 10% das receitas brutas da União para a saúde e, ao mesmo tempo, reduzir a carga tributária do País. A conta não fecha. Mais recursos para a saúde resultarão em pressão adicional por mais receita, mantida a diretriz da atual política fiscal, em que todos os gastos sobem. Pelo andar da carruagem das negociações, a tendência é de elevação da carga tributária e não de queda.

Já está claro que o governo não conseguirá resistir às pressões da bancada da saúde no Congresso, que luta pela regulamentação da emenda constitucional 29. Esta emenda definiu os recursos mínimos para as ações e serviços públicos de saúde, mas nunca foi regulamentada, pois o governo nunca deixou, com receio de ser obrigado a destinar mais dinheiro para a área.

Mas agora não há como escapar. Com a ajuda do presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chignalia (PT-SP), que é médico sanitarista, o projeto que regulamenta a emenda 29 poderá ser votado esta semana. Ele destina 10% das receitas totais da União à saúde, o que representaria um aumento de R$ 20 bilhões em relação ao que será gasto este ano pelo governo federal.

Os gastos federais com a área de saúde cresceram muito durante o governo Lula. Em 2002, eles totalizaram R$ 24,7 bilhões. Em 2007, a previsão é de que fiquem em R$ 45,8 bilhões - crescimento nominal de 85,4% em cinco anos. As despesas municipais com a saúde passaram de R$ 12 bilhões em 2002 para R$ 23,7 bilhões em 2006. Nos Estados, os gastos passaram de R$ 10,7 bilhões para R$ 18,6 bilhões no mesmo período.

Em reunião com secretários estaduais de saúde, na semana passada, Chignalia disse que não era possível o governo federal elevar suas despesas com a área de saúde em R$ 20 bilhões de um ano para o outro. Ele ponderou que será necessário fazer esse aumento de forma escalonada. Mas faltou explicar como é que serão destinados mais R$ 20 bilhões para a saúde sem cortar os outros programas do governo. É impossível reduzir os gastos de custeio nessa magnitude.

Os senadores do PSDB querem também que o governo comece a reduzir a carga tributária. Uma proposta é diminuir a alíquota da CPMF. Outra é desonerar os investimentos em saneamento básico. O risco que se corre é que mais uma vez a conta seja fechada com um corte nos investimentos públicos em infra-estrutura, tão necessários para a retomada do crescimento.

O governo não quer limite para a dívida

Desde agosto de 2000, o Senado evita votar a resolução que fixa um limite para o endividamento da União. Por uma razão simples: o governo não quer. Os senadores aprovaram limites para as dívidas Estaduais e municipais, que estão em vigor, mas deixaram a União de fora. O governo de Fernando Henrique Cardoso fez de tudo para que a resolução não fosse votada. A mesma coisa acontece com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. É curioso que os senadores tucanos queiram, agora, instituir o limite.

Pela proposta que está no Senado, o endividamento da União não poderá superar 3,5 vezes sua receita corrente líquida. O primeiro relator da resolução foi o ex-senador tucano Lúcio Alcântara (CE), que também era o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), onde está a proposta. Durante o primeiro mandato de Lula, o relator foi o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que era líder do governo. Agora, o relator é o senador Romero Jucá (PMDB-RR), também líder do governo no Senado.

O governo é contra, explicou o senador Mercadante a este colunista, porque em um eventual choque externo de grande magnitude, não haveria como controlar o endividamento. Isto já aconteceu no passado. Na crise cambial de 1998/99, lembrou Mercadante, o País perdeu US$ 70 bilhões em poucos meses. A taxa de juro foi elevada (chegou a 45% ao ano) e a taxa de câmbio disparou. Por causa disso, a dívida explodiu.

A dívida líquida do setor público passou de 42,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em dezembro de 1998 para 53,3% do PIB ao final de 2002. No caso só da União, a dívida consolidada líquida chegou a 3,4 vezes a receita corrente líquida no segundo quadrimestre de 2001. Muito perto do limite.

Para Mercadante, a União não pode ser submetida à limitação do endividamento porque tem a responsabilidade com a gestão da moeda, o que não ocorre com os Estados e os municípios. O senador acha importante discutir outra forma de limitação dos gastos públicos federais, o que parece ser a preocupação dos senadores tucanos. Para ele, é possível construir um pacto pelo crescimento, com o controle dos gastos na base do entendimento.

Disputa por votos malufistas deve marcar eleição à Prefeitura de SP

Cristiane Agostine - jornal Valor

Marisa Cauduro / Valor - 23/5/2007
Kassab: atual prefeito de São Paulo poderia ser beneficiados com os votos dos "órfãos" do ex-prefeito Paulo Maluf
Caso o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) concorram à eleição municipal de São Paulo no próximo ano, eles disputarão uma mesma parte do eleitorado, órfão de Paulo Maluf (PP). Nas duas últimas eleições, em 2000 e 2004, os tucanos conseguiram captar mais votos malufistas (da direita) do que o PT. Além da disputa pelo mesmo perfil eleitoral com os tucanos, o DEM terá de enfrentar outro problema: a entrada no cenário eleitoral, antes fechado pelos candidatos do PT, PSDB e PP.


Em São Paulo, cidade com a disputa eleitoral mais acirrada do país, 44% dos eleitores já têm suas preferências partidárias definidas. Nos três últimos pleitos, o PT mostrou que tem o voto garantido de pelo menos 17% do eleitorado. O PSDB tem 15% e o PP, 12%. Os números indicam o percentual de eleitores que votam no partido independente da chance de vitória do candidato lançado.


A análise do comportamento eleitoral e da dinâmica partidária das eleições de 1996, 2000 e 2004, realizada pelos pesquisadores Fernando Limongi e Lara Mesquita, mostra que o domínio do PT, PSDB e PP fechou o "mercado eleitoral" na cidade e impediu que, no período, candidatos de outros partidos ganhassem projeção. Os três partidos controlaram as eleições paulistanas nos últimos 15 anos. "Ainda que o voto partidário inicial, de 44% dos eleitores, não seja capaz garantir a vitória (de nenhuma agremiação), ele é capaz de bloquear a entrada de outros candidatos", analisou Lara. A pesquisa, patrocinada pela Fapesp, foi apresentada no 31º encontro da Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs).


Como os candidatos destes três partidos contam com um patamar mínimo de votos, explicam os pesquisadores no estudo, os eleitores tendem a convergir ao longo do processo eleitoral a um deles.


Um possível cenário favorável à candidatura de Kassab, vinculada a um partido de direita, seria a conquista dos votos do PP, dos "órfãos" de Paulo Maluf - deputado federal ícone da legenda, ex-governador e ex-prefeito de São Paulo. Entretanto, ele esbarrará na parcela conquistada pelo PSDB nas últimas disputas eleitorais. Dos eleitores que votaram no PP em 1996, 27% mudaram o voto para o PSDB em 2000 e apenas 6,3% para o PT. Já na eleição seguinte, de 2004, a transferência de voto foi menor, mas ainda assim os tucanos conseguiram mais votos do que os petistas do grupo malufista: 1,9% dos que escolheram o PP em 2000 foram para o PSDB e 0,8% para o PT.


Com exceção de Celso Pitta, apadrinhado por Maluf em 1996, nenhum outro candidato sem experiência nas urnas ganhou a eleição na capital. "O custo para disputar a cidade é muito alto", observou Lara. "Nas últimas disputas, como o PT, PP e PSDB tinham 44% dos votos eles conseguiam coordenar a arena eleitoral. A disputa teve de ser em torno dos três", afirmou a pesquisadora ligada ao Cebrap, mestranda da USP. "O DEM não é uma força tradicional em São Paulo e entrará agora na disputa, em um lugar que sempre foi ocupado por Maluf", disse Lara.

domingo, 28 de outubro de 2007

Sarkozy “sometimes volatile” selon CBS

Dans deux secondes, il va se lever de sa chaise|CBS

Dans deux secondes, il va se lever de sa chaise
CBS La bande-annonce de l'émission "60 minutes"

60_stahlpreview1025_100x75.1193545206.jpg Je ne sais pas ce qui me fait le plus rire.
Est-ce la mine de Nicolas Sarkozy, les yeux au ciel, en train de dire tout le bien qu’il pense de son attaché de presse ?
- “L’imbécile” !
Ou celle, ahurie, de Lesley Stahl, la journaliste de CBS, quand le président de la République française arrache son micro et quitte l’interview en se drapant dans sa dignité.
- “Au revoir, merci”, lui lance-t-il (en français).
- “What was unfair”?,
interroge-t-elle, incrédule.
- “Allez” ! répond-il, du haut de son courroux…
Apparemment, la journaliste s’est permis de poser une question sur Cecilia….

stahl_notebook102607_100x75.1193545234.jpg Après avoir claqué la porte, le président a apparemment accepté de revenir. CBS diffuse l’intégrale de l’interview dans l’édition de Sixty Minutes de ce dimanche soir…
Titre: “Sarko l’Américain” (en français dans le texte).
Un président énergique et “parfois explosif”, note Lesley Stahl.
- “Energetic and sometimes volatile leader”…
(A noter par ailleurs que d’après Lesley Stahl, les indigènes ont une loi en France qui leur interdit de travailler plus de 35 heures…)

Quoiqu’il en soit…
A une semaine de sa visite officielle à Washington, il est urgent que Nicolas Sarkozy se trouve une contenance (surtout s’il persiste à vouloir donner des interviews aux media locaux)
La presse américaine n’aime rien tant qu’à passer les hommes politiques au grill pour voir s’ils résistent au stress.
Sarkozy aura beau marcher sur les traces de La Fayette, il n’échappera pas aux questions sur le divorce.
J’ai passé trois jours dans l’Iowa. On ne m’a parlé que de cela.
Encore hier, j’étais avec un prof du Centre d’Etudes des Grandes Plaines. Il avait vu le “preview” de CBS.
Il s’étonnait que le président français n’aie pas une réponse toute faite au départ de Cécilia.
Genre:
- “I wish her the best of luck”... blahblah
- “But now let me focus on the real issues”
blahblah
Le prof s’est arrêté, saisi d’une pensée:
- “Peut être les Français aiment cela, cette manière macho”…

Mulher

Mulher, de René Magritte.

Han recorrido un largo camino, muchachas

Por primera vez en la historia tres mujeres disputan conducir el destino de los argentinos. Qué las une, qué las separa.



Por: María Seoane


LAS CANDIDATAS. CRISTINA KIRCHNER (FPV), ELISA CARRIO (CC) Y VILMA RIPOLL (MST) INAUGURAN UN NUEVO TIEMPO EN LA PARTICIPACION DE LA MUJER EN LA HISTORIA POLITICA ARGENTINA.

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Acaso lo soñaron. Acaso también ellas lucharon por este día: Juana Azurduy, la capitana y heroína del Alto Perú, a quien Belgrano le entregó su sable para pelear en la lucha de la independencia y en la que perdió a sus cuatro hijos y murió pobre y abandonada por el poder rivadaviano; Camila O'Gormann, a quien Rosas ejecutó embarazada bajo presión clarical por haber defendido la libertad de amar; Juana Manso, nuestra primera maestra en los años posteriores a la Revolución de Mayo, gloria de la educación, perseguida, apostrofada y de quien nuestra poeta Juana Manuela Gorriti dijo: "Sin ella nosotros seríamos sumisas, analfabetas, postergadas, desairadas.".

Qué dirían de este domingo las valientes Julieta Lanteri, que exigió en tiempos del Centenario al ministro de Guerra ser empadronada en los registros militares para que le permitieran votar o la segunda médica argentina (Cecilia Grierson fue la primera) Elvira Rawson que montó una enfermería para asistir a los partidarios de Leandro Alem en la Revolución del Parque contra la República oligárquica. Junto con la socialista Alicia Moreau de Justo, Lanteri y Elvira fueron, entre otras, fundadoras del Centro Feminista: impulsaron la emancipación civil de la mujer en 1926 y el sufragio de las mujeres. Qué dirían Alfonsina Storni, y luego Victoria Ocampo y María Rosa Olivier que pelearon contra viento y marea para que el gobierno conservador del general Justo en 1936 no volviera atrás con la emancipación civil de la mujer casada, y fueron sufragistas intransigentes; qué diría Eva Perón, que recogió el guante de toda esta historia y con su poder conquistó en 1947 la sanción del voto femenino, tuvo la libreta cívica número 1, votó a pesar de un cáncer que la devoraba pero a la que no se le permitió ser candidata por la presión militar-ecesial; qué diría Azucena Villaflor, fundadora de las Madres de Plaza de Mayo si no hubiera sido asesinada por la dictadura; qué dirían las obreras de fábricas recuperadas, que pelearon por la defensa del trabajo; las jefas de hogar que mantuvieron en la gran crisis de 2001 a sus familias unidas y a sus hijos educados mientras sus hombres perdían el empleo; las chacareras que aguantaron la producción cuando rendía monedas; las empresarias que llegaron a liderar puestos reservados sólo para hombres. Qué dirán quienes pelearon por la "ley de cupo" para que las argentinas ocuparan cargos legislativos, cuando hoy, por primera vez en la historia, se vota a tres para el máximo cargo ejecutivo.

La peronista Cristina Kirchner, la liberal Elisa Carrió y la socialista Vilma Ripoll conocen este largo derrotero. Han leídos estas biografías, las imitan, las continúan. Las tres reinvidican a las heroínas del siglo XIX; a las sufragistas del siglo XX y a Eva Perón; la lucha por la defensa de los derechos humanos de las Madres y Abuelas de Plaza de Mayo; a las mujeres que a lo largo y ancho del mundo defienden los derechos económicos y sociales de todos los ciudadanos, y a las que luchan contra toda discriminación. Las tres candidatas a presidenta son, a su manera, feministas convencidas: es decir, creen que no es excluyente ser esposa, madre, profesional y dirigente política. Las tres provienen de la clase media ilustrada. Las tres nacieron luego del advenimiento del peronismo. Tuvieron, las tres, educación pública y también religiosa. Cristina y Vilma vienen de familias políticas mixtas: de padres radicales y peronistas. Lilita sólo radical. Las tres fueron militantes y abrazaron la política para cambiar el mundo. Ninguna de las tres es porteña. Ninguna gobernaría igual. Cristina Kirchner apuesta a un capitalismo con un desarrollo sostenido en la ampliación del consumo y la inversión, con fuerte presencia estatal; Carrió, a un capitalismo que desarrolle la industria pero afloje la presión sobre el agro- "seré la presidenta del campo", dijo- y enfríe gradualmente la economía, con moderada presencia estatal; Ripoll apuesta a una economía mixta con control de los trabajadores, un socialismo criollo. A grandes rasgos, estos son sus modelos, tributarios de las tres grandes marcas ideológicas aggiornadas del siglo XX.

Una sola de las tres estará habilitada para gobernar, según decidan hoy todos los argentinos. Más allá de los resultados, su llegada a esta contienda electoral es, sin duda, una gran noticia.

Correio Braziliense: Sons tipo exportação

A música brasileira se fortalece entre os produtos que a Embratur e o Ministério do Turismo divulgam no exterior. Iniciativa favorece até os brasilienses do Clube do Choro


Irlam Rocha Lima
Da equipe do Correio

Paulo de Araújo/CB
Músicos do Choro Livre participaram do Mês do Brasil na Argentina e vão voltar a buenos aires: aplaudidos de pé
Houve tempo em que os maiores atrativos brasileiros no exterior eram os shows e eventos que colocavam em destaque o rebolado de mulatas em trajes sumários. Uma mudança radical tem ocorrido ultimamente a partir de programação elaborada pela Embratur, que abre espaço nas feiras internacionais para um dos nossos melhores produtos de exportação: a música popular de qualidade.

Essas feiras se transformam em palcos para a apresentação do trabalho de grupos de diferentes estilos, que exibem a diversidade da cultura popular brasileira, com o sotaque regional característico. Por decisão política, países da América Latina têm sido o destino preferencial dessas caravanas – embora haja projetos para levá-las também ao continente africano.

“Com a criação do Ministério do Turismo, a Embratur passou a cuidar exclusivamente da programação voltada para o mercado internacional. Nas feiras, realizadas em várias partes do mundo, a música popular brasileira, o artesanato e a culinária são acolhidos com interesse e admiração pelo público”, afirma Maria Katavatis, gerente geral de eventos promocionais e feiras da Embratur.

Em diversas regiões do mundo, a instituição tem os Escritórios Brasileiros de Turismo, que se encarregam de identificar oportunidades de divulgação da cultura do país – e a nossa música freqüentemente é incluída nessas ações. Não há uma diretriz específica em relação aos ritmos que mereçam ser divulgados, embora a bossa e o samba tenham destaque.

A seleção dos artistas e gêneros depende das demandas e da receptividade do público de cada país. “Os músicos participam das feiras depois de serem avaliados e chamados pela Embratur, que leva em consideração critérios como qualidade e singularidade da obra”, continua a gerente.

Partiu dela, apreciadora do chorinho, o convite para que o grupo brasiliense Choro Livre viesse a se apresentar em feiras realizadas em Montevidéu (Uruguai), em 2005, e Lima (Peru), no primeiro semestre de 2006. No dia 19 próximo, Henrique Filho (bandolim), Henrique Neto (violão de sete cordas), Rafael dos Anjos (violão), Márcio Marinho (cavaquinho) e Antônio Afonso (pandeiro) vão tocar na 11ª Feira Internacional da Argentina, em Buenos Aires.

“Temos viabilizado a participação em feiras não apenas de artistas renomados nacionalmente, mas também de novos talentos, como o pessoal do Clube do Choro de Brasília. A música passou a ter um grande destaque nessas promoções”, comenta Maria. “Em 2008, quando a bossa nova comemora 50 anos, vamos buscar divulgá-la ainda mais no exterior.”

Choro e bossa
O Choro Livre se antecipa – e, no show que fará na capital argentina, vai incluir em seu repertório standards bossa-novistas. “Nas apresentações que fizemos nas feiras em Montevidéu e Lima, percebemos que as diferentes vertentes da MPB são muito apreciadas. A obra de Tom Jobim é conhecidíssima. Por isso, nessa investida na Argentina, vamos acrescentar alguns clássicos da bossa nova, em especial canções do compositor carioca”, comenta Henrique Filho, o Reco do Bandolim.

Nos dias 2 e 3 últimos, o Choro Livre esteve em Buenos Aires, com o apoio do Itamaraty. “Participamos do Mês do Brasil na Argentina. A programação musical contou com grandes instrumentistas nacionais, como Jacques Morelenbaum, Lula Galvão e o Trio Madeira Brasil. Fomos aplaudidos de pé e o ministro Rodrigo Baena, coordenador do evento, nos convidou para voltar no próximo ano”, continua Reco do Bandolim.

De acordo com José Mário Ferreira Filho, chefe da Divisão de Operação e Difusão Cultural do Itamaraty, a função primordial do órgão é expandir a cultura brasileira no exterior. “Fazemos isso de forma sistemática, a partir de um elenco de propostas de atividades elaborado por nossas embaixadas e consulados em diversos países. Obviamente, o atendimento depende dos recursos de que dispomos”, explica.

“Exemplo recente foi a solicitação feita por nossa embaixada em Buenos Aires, para a participação de artistas brasileiros no Mês do Brasil na Argentina. Atendemos prontamente e lá estiveram vários músicos, inclusive o grupo do Clube do Choro”, lembra José Mário. O Itamaraty dispõe de um arquivo com nomes de artistas e grupos que desejam participar de eventos internacionais com apoio do Ministério das Relações Exteriores – nele, se destacam artistas ainda pouco conhecidos aqui e no exterior. A seleção dos músicos que tomarão parte nesses eventos pode ser feita a partir desse acervo, mas também há casos em que as embaixadas pedem um nome específico.

Quem também contou com o apoio do Itamaraty foi o Choro & Cia., que esteve no 25º Festival de Medina, em Tunis (capital da Tunísia, no norte da África). O grupo brasiliense é formado por Fernando César (violão de sete cordas), Pedro Vasconcellos (cavaquinho), Amoy Ribas (pandeiro) e Ariadne Paixão (flauta). “A apresentação no festival, no dia 8 último, foi a convite da embaixada brasileira. Se não tivéssemos as passagens e a estadia pagas pelo Itamaraty, não poderíamos ter levado nossa música até lá. Depois, nos dias 10 e 11, tocamos em Argel e Boumerdes, na Argélia”, relata Fernando César, irmão do bandolinista Hamilton de Holanda.

Para ele, a ida ao continente foi de grande importância. “Além de poder mostrar a música brasileira para os africanos, tivemos a oportunidade de trocar experiências com músicos da região, que nos procuraram depois do show em Boumerdes, uma cidade onde vivem muitos artistas. Nossas apresentações foram programadas pela própria embaixada, que nos deu fundamental apoio logístico”, reconhece o violonista.


Homenagem a Pixinguinha

Recentemente, entre os dias 4 e 7, o grupo brasiliense Choro Positivo se apresentou no 18º Festival Internacional de Música de Pulso e Pua, ocorrido em La Coruña, na Espanha, que, na edição deste ano, homenageou o genial músico e compositor brasileiro Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha. O encontro é promovido por Rosa Gonzales, da Agrupación Musical de Albeniz, que tem profunda admiração pela música brasileira.

Integrado por Carlinhos Sete Cordas (violão), Evandro Barcellos (cavaquinho), Léo Benon (cavaquinho centro) e Marcelo Sena (pandeiro), o Choro Positivo viajou com o apoio da Secretaria de Cultura do Distrito Federal. “Participamos desse festival desde 2004, com o patrocínio do Ministério da Cultura. Desta vez, foi a Secretaria de Cultura que viabilizou a nossa ida”, revela o produtor Ruy Godinho.

“Foram conosco, também, a cantora Sandra Dualibe, o violonista Henrique Neto e a percussionista Amanda Costa. É da maior importância podermos levar a outros países a música que é feita em Brasília. Na Espanha, tivemos ótima acolhida do público e da crítica”, comemora. “Depois do festival, o Choro Positivo se apresentou em Madri, enquanto Sandra, Henriquinho e Amanda foram até Portugal e fizeram show em Lisboa.”


Música e filmes nas feiras e na internet

Mariana Ceratti e Ricardo Daehn
Da equipe do Correio
Pena Filho/Divulgação
Yamandú tocou em feira de World music Espanhola: visibilidade lá fora

O que têm em comum o violonista gaúcho Yamandú Costa e o grupo pernambucano Siba e a Fuloresta do Samba? Ambos são destaques da edição 2007 da The World Music Expo (a Womex), que começou na última quarta-feira e termina neste domingo em Sevilha, na Espanha. Yamandú tocou na tarde de quinta; Siba tem apresentação marcada para hoje. A feira dá visibilidade a um terceiro trabalho institucional de divulgação da música brasileira, realizado em parceria entre a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (a Apex, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e a Brasil Música e Artes (BM&A), associação que reúne artistas, gravadoras e produtores, entre outros participantes do mercado fonográfico.

No estande montado na feira espanhola, Apex e BM&A pretendem mostrar que as criações brasileiras não são apenas ricas e diversificadas – também podem gerar recursos e reconhecimento para o país. “A música posiciona o país lá fora como criativo, inovador, com um conjunto de atributos que abre portas para a venda de outros produtos”, destaca Christiano Braga, gestor de projetos da área de serviços e entretenimento da Apex. Dados da agência revelam que a música brasileira movimenta US$ 4,43 milhões (quase R$ 8 milhões) por ano. Pode render mais ainda – e, para isso, as duas instituições apostam em um modelo de negócios voltado para a distribuição da arte na internet.

Um dos principais esforços nesse sentido tem sido o de abrir espaço para a música brasileira nas páginas mais conhecidas de downloads legalizados. “Em muitos desses sites, como o iTunes (o mais importante do gênero), os artistas nacionais entram na classificação latin music (música latina) junto com Shakira e Julio Iglesias, que não têm nada a ver conosco. Misturados dessa forma, acabam perdendo a chance de aparecer nas listas dos mais ouvidos e baixados”, explica o irlandês David McLoughlin, gerente da BM&A. A associação já assinou parceria com a página All Music Guide, para separar a música brasileira da latina. O site não só oferece downloads, como provê informações sobre nomes de artistas e álbuns nos computadores com o software Windows Media Player. O projeto da Apex e da BM&A tem orçamento de R$ 5,042 milhões até o final de 2008.

Além do estímulo ao segmento musical, a Apex vem se firmando no ramo audiovisual, em projetos que começam a apresentar êxito financeiro. Ainda que a diversificação de parcerias, ocasionalmente, comprometa parte de eventos importantes, como o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, a injeção gradual de R$ 5,5 milhões vem resultando em saldos animadores. Sem favorecer um grupo ou empresa, o contrato com o Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo já gerou, em um ano, US$ 88 milhões (aproximadamente R$ 158,4 milhões).

A atuação com o sindicato mais representativo do setor, prevista para se estender até 2009, animou 80 empresas de mais de 25 países. A iniciativa prevê arranjos de co-produções e venda de serviços nacionais da área para equipes estrangeiras que filmam no Brasil. Os acordos de co-produção representam a maior parcela dos rendimentos, com volume de quase US$ 78 milhões (R$ 140,4 milhões, aproximadamente). Recentemente, o programa de apoio às exportações formou uma missão comercial de 10 empresas nacionais, que participaram do Festival de Toronto. Os próximos mercados a serem explorados estão nos festivais internacionais de Roma e de Madri.

Governo Serra: Denge no 1º semestre teve 20% mais casos do que o divulgado

Marcia Gouthier/Folha Imagem
Diferença em SP foi identificada após revisão de dados feita pelo Centro de Vigilância Sanitária; casos foram de 64.903 para 77.633

Com o novo número, SP já tem este ano 36% a mais de casos do que em todo o ano passado, que já havia sido 9 vezes maior do que 2005

JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
DA REPORTAGEM LOCAL

CINTHIA RODRIGUES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O Estado de São Paulo registrou no primeiro semestre do ano 19,6% mais casos de dengue do que o número que vinha sendo divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde.
Uma revisão de dados feita pelo CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica) elevou o total de vítimas de 64.903 para 77.633, segundo balanço do último dia 19. O número de doentes do Estado, incluindo o segundo semestre, passou a 78.614.
A diferença, de acordo com a assessoria do secretário da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, se deve à revisão realizada a partir de setembro, quando teria sido percebida uma subnotificação no primeiro semestre deste ano.

Proporção maior
A alteração eleva também a proporção de casos por 100 mil habitantes, que passa de 161 para 191, segundo cruzamento de dados do CVE e do IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O Ministério da Saúde considera epidemia o local com 300 infecções por grupo de 100 mil habitantes. Embora o índice do país todo seja de 253, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, já afirmou que o Brasil "vive uma epidemia".
Pelo balanço, dos 645 municípios de São Paulo, 355 apresentaram pelo menos um caso de dengue autóctone (transmitido na própria cidade) neste ano. Destes, 45 tiveram o número do primeiro semestre revisado para cima pelo CVE.
A maior parte das cidades que tiveram dados alterados já estava entre as consideradas epidêmicas, no entanto, em alguns casos a subnotificação foi de até 800% (veja quadro nesta página).
O pior caso proporcional foi o de Sud Menucci (614 km a noroeste de São Paulo). No município, de 7.400 habitantes, as notificações subiram de 25 para 225 no primeiro semestre.
A secretária de Saúde de Sud Menucci, Eliana Luzia Covre Dias Martinez, afirma que todas as suspeitas de dengue e amostras de sangue coletadas para confirmação foram enviados ao Estado até abril deste ano. "Ao todo foram 330 suspeitas, mas só 25 foram confirmadas por eles. Do restante, 200 nós consideramos dengue por critério clínico, mas isso tudo até abril. Não mudamos nada nos dados antigos", diz.
Birigüi (514 km de SP) teve o maior número de "novos" casos, passando de 833 para 5.145 de janeiro a junho. A Folha tentou ouvir a Secretaria da Saúde da cidade, mas não obteve resposta.
Com o novo número geral, São Paulo já tem 36% a mais de casos do que todo o ano passado, que já havia sido nove vezes maior do que 2005.

Distorções
O CVE admite que havia subnotificação até o último relatório, mas culpou as cidades pelas distorções nos números.
A notificação de casos de dengue é obrigatória, seja o caso confirmado por exame ou apenas por análise clínica.
De acordo com a assessoria, municípios em epidemia, em que somente um exame clínico é suficiente para comprovar a doença, estariam deixando de enviar dados para o órgão.
Ainda conforme a assessoria, técnicos do CVE, a partir de setembro, entraram em contato com as prefeituras para pedir as informações completas.
A secretária de Saúde de Sud Menucci, porém, nega que tenha recebido qualquer pedido de reenvio dos dados.
"Nosso relatório já inclui a análise do médico. Isso está com o Estado desde abril. Tenho todas as planilhas para provar", declarou.

Para Cristina, la morocha argentina

Tita Merelo "La milonga y yo"

Várias da Folha

O TUCANATO E SUA PRIVATARIA DA GIRAFA


ELIO GASPARI

A Agência Reguladora de Transportes de São Paulo, dirigida pelo doutor Carlos Eduardo Sampaio Dória, ex-presidente da Câmara Municipal da capital, ex-deputado federal e ex-presidente da falecida Telesp, contestou uma nota publicada aqui na semana passada. Nela, sob o título de "Girafa", o signatário considerava esquisitas as condições da prorrogação, em 2006, de dez contratos de concessões rodoviárias que venceriam em 2008. Um deles foi estendido até 2018. O mimo, sacramentado ao apagar das luzes do governo de Cláudio Lembo, assegurou às concessionárias a taxa média de lucro de 20% ao ano, fixado em 1998.
A Agência oferece uma informação relevante a respeito dos critérios que orientaram as exigências e a taxa de lucro das concessionárias: "Foram ambos fixados unilateralmente pelo Estado na origem das concessões, independentemente da conjuntura econômica da época".
Como a variável macroeconômica ficou de fora, o tucanato e as empreiteiras ficam dispensados de repetir que a taxa de lucro médio de 20%, contratada em 1998, deveu-se às incertezas da ocasião. Se entre 1998 e 2006 a taxa de juros caiu de 28% para 12%, azar da patuléia. Os pedágios paulistas, prorrogados até 2018, continuarão a ser os mais caros do país, de longe.
O texto da semana passada tinha o título de "Girafa" em homenagem ao ruminante de cabeça pequena e pescoço grande, que come no andar de cima das árvores. (É lenda a história segundo a qual ela usa a língua para limpar as orelhas.)


Painel

Óleo na pista 1.
O deputado Rui Falcão (PT) inicia amanhã a coleta de assinaturas para instalar na Assembléia paulista a CPI dos Pedágios, que terá como gancho a prorrogação em até oito anos dos contratos de concessão das rodovias do Estado à iniciativa privada, feita no apagar das luzes da gestão Alckmin-Lembo, em 2006.

Óleo na pista 2. O petista larga com 25 dos 32 nomes necessários. Como o governo Serra está teoricamente fora do escopo da investigação e Gilberto Kassab (DEM) mantém amigos na Casa, cresce a chance de Falcão atingir a meta. Alckmin, vale lembrar, ameaça atrapalhar o projeto reeleitoral do prefeito.

Tiroteio

Os que atacam Berzoini com o discurso da ética se esconderam debaixo da cama na crise do mensalão, coisa que nós não fizemos durante a CPI do jogo do bicho em Porto Alegre.


Do deputado ANDRÉ VARGAS (PT-PR), sobre a atitude do grupo liderado pelo ministro e ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro, que patrocina a candidatura de José Eduardo Cardozo à presidência do partido.

Outra vez orgulhosos, argentinos votam para consagrar Kirchners

Cristina Fernandez de Kirchner votou em Rio Gallegos
Gratos por recuperação econômica, eleitores do interior e das classes mais baixas deve eleger Cristina presidente

Ariel Palacios e Roberto Lameirinhas, BUENOS AIRES

Os argentinos vão hoje às urnas para - a confirmar-se a quase totalidade das pesquisas - assegurar a continuidade do governo do presidente Néstor Kirchner. Desta vez, por intermédio da mulher dele, a senadora Cristina Fernández de Kirchner.

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Embalado principalmente pelo apoio do interior - onde programas assistenciais do governo ajudaram a recuperar a economia após os anos de aperto fiscal de Carlos Menem e Fernando de la Rúa -, o casal Kirchner resistiu às denúncias de corrupção e à escalada da inflação. Assim, Cristina deve obter entre 41% e 49% dos votos. Pela legislação argentina, ela precisa de pelo menos 40% para vencer já no primeiro turno, caso tenha uma vantagem de mais de 10 pontos porcentuais sobre o segundo colocado.

A segunda no páreo é a centro-esquerdista Elisa Carrió, candidata da Coalizão Cívica, que tem entre 16% e quase 22% das intenções de voto. Nos últimos dias, Carrió apelou aos indecisos (que na semana passada oscilavam entre 7% e 18%) para dar uma virada e levar o governo a um segundo turno. Nunca na história argentina duas mulheres lideraram as pesquisas presidenciais.

Ao Estado, Elisa disse que ainda mantém esperança de que Cristina não chegue aos 40%. 'As pesquisas mostram que a maioria da população, mais de 50%, quer a vitória da oposição', afirmou. 'Ela é Golias, eu sou Davi.'

Vinte e sete milhões de argentinos estão inscritos para a eleição de hoje, que definirão também o vice-presidente, a metade dos ocupantes da Câmara dos Deputados, um terço dos senadores e 8 dos 23 governadores provinciais, além de centenas de deputados locais e intendentes (prefeitos). Os candidatos kirchneristas são favoritos em praticamente todas essas disputas.

Kirchner assumiu a presidência em 2003, quando 57% dos argentinos viviam mergulhados na faixa de pobreza. Depois de declarar a suspensão unilateral do pagamento de parcelas da dívida externa, vender títulos da dívida para a Venezuela de Hugo Chávez, promover a retomada do crescimento do país e investir pesado nos programas sociais destinados à população mais pobre, Kirchner conseguiu reduzir o índice de pobreza para 27%, em 2006. Durante seu mandato, o país tem crescido em média 8% por ano. Em 2002, o salário mensal médio dos 10% mais pobres era de 109 pesos (US$ 34); hoje é de 337 (pouco mais de US$ 110).

A oposição contesta alguns números, como o da inflação. Oficialmente, o índice acumulado neste ano até setembro é de 9%. Mas consultorias privadas estimam a inflação real em torno de 20%. Independentemente da controvérsia, os resultados econômicos garantem a popularidade do presidente.

Segundo as pesquisas, Cristina tem vantagem esmagadora no interior do país e nas classes baixa, média-baixa e média - esta última, recuperada da ruína da crise de 2001-2002. O país, que contava com 14 moedas paralelas emitidas pelas províncias, sem lastro nenhum, atualmente utiliza somente a moeda federal, o peso.

APATIA

A apatia marcou a campanha eleitoral - que na Argentina é feita com poucos comícios, publicidade paga na TV e nenhum debate entre candidatos. Uma pesquisa da consultoria Delfos indica que a abstenção pode ser de até 30%.

Esse seria o nível mais baixo de participação desde o retorno da democracia, em 1983. Naquele ano, 86% dos eleitores votaram. Na eleição passada, em 2003, votaram 78% dos eleitores.

Os analistas afirmam que a falta de interesse se deve à pouca diferença de propostas entre Cristina e os candidatos da oposição. Os opositores estão de acordo com os principais pontos da política econômica e apenas sugerem 'correções' no rumo.

A campanha kirchnerista usa a imagem de Cristina e o slogan 'sabemos o que falta e sabemos como fazer'. Nos táxis, bares e barbearias de Buenos Aires - tradicionais locais de discussões políticas -, o humor ácido dos portenhos não resiste à pergunta: 'Se ela sabe, por que não contou para o marido?'

A verdade é que a auto-estima dos argentinos renasceu. Kirchner, com esperteza, explorou esse fator na reta final da campanha.

O analista Carlos Fara indica que Kirchner é favorecido pela mudança do ânimo dos argentinos em relação ao país e suas vidas pessoais. Kirchner também se aproveitou do cenário de uma oposição fragmentada, sem estímulo e imersa em lutas de egos entre seus líderes (ler mais na pág. 19).

O sociólogo Artemio López, diretor da consultoria de opinião pública Equis, destaca que Kirchner foi eleito em 2003 com 22% dos votos. Em 2005, na eleição parlamentar de meio de mandato, os candidatos kirchneristas obtiveram 39% do total de votos do país. López afirma que uma eventual votação de mais de 40% indicaria que os Kirchners estão aumentando e consolidando gradualmente um eleitorado fiel.

DENÚNCIAS

Diversas ONGs denunciaram sexta-feira a presença de nomes de pessoas mortas em listas de eleitores em todo o país. Entre elas, desaparecidos da ditadura (1976-83), além de soldados mortos em combate na Guerra das Malvinas (1982).


GLOSSÁRIO DAS URNAS

El Pingüino:
O Pingüim, apelido de Kirchner em alusão a sua região natal, a Patagônia

La Pingüina: Apelido de Cristina Kirchner

Rainha Cristina: Outro apelido da primeira-dama, pela pose considerada arrogante e tom autoritário

'Es too much': Expressão em 'spanglish' usada por Cristina para 'ah, não, isso é demais!'

Inferno e Purgatório: Metáfora referente à 'Divina Comédia', de Dante, normalmente utilizada por Kirchner. Segundo ele, a Argentina está saindo do 'Inferno' da crise e aproxima-se do 'Purgatório'

La Gorda: Apelido de Elisa Carrió, líder da centro-esquerdista Coalizão Cívica

El Pálido: Apelido do ex-ministro Roberto Lavagna, líder do partido Uma Nação Avançada

El Sillón de Rivadavia: A poltrona de Rivadavia, denominação da cadeira presidencial. É sinônimo de 'Presidência da República'. O nome remete a Bernardino Rivadavia, primeiro presidente argentino

Casa Rosada: Nome da sede do governo, que a partir de 1860 começou a ser pintada de cor-de-rosa. Segundo uma versão, a cor era o resultado do branco e do vermelho, que representavam as duas facções da guerra civil que se seguiu à independência. Outra versão diz que o rosa resultou da mistura de sangue de boi e cal, forma barata de pintar o prédio. A terceira diz que, na época, o rosa era a cor da moda na arquitetura

Radicais-K: Integrantes da União Cívica Radical, rival histórica do peronismo, que se alinharam a Kirchner - como o vice de Cristina, Julio Cobos

Coima: Suborno preparado, organizado


PESQUISA

46,7%

dos eleitores devem votar em Cristina Kirchner, segundo pesquisa do instituto
Poliarquia

21,8%
do eleitorado devem apoiar Elisa Carrió

14,3%
dos eleitores devem optar por Roberto Lavagna

Entrevista do Deputado Federal José Eduardo Cardoso

José Eduardo Martins Cardozo
O ex-Presidente da Câmara de Vereadores de São Paulo durante os dois primeiros anos da gestão Marta Suplicy e hoje Deputado Federal, explica o sentido de sua candidatura a Presidente do PT nacional

João Domingos, BRASÍLIA - O Estado de São Paulo


Por que o senhor decidiu ser candidato a presidente do PT?

Porque conto com o apoio de militantes que antes não costumavam se juntar, como o ministro Tarso Genro (Justiça), os governadores Marcelo Déda (Sergipe), Jaques Wagner (Bahia) e Ana Júlia Carepa (Pará), o senador Eduardo Suplicy. Isso dá à minha candidatura característica nacional.

Lula tem dito que em 2010 o candidato à sucessão dele não necessita ser do PT, mas da base aliada. O PT, no entanto, decidiu em seu último congresso que lançará um candidato. Como o senhor vê isso?

É legítimo que o PT pleiteie. Mas temos de respeitar as forças aliadas de forma a construir os nomes que são melhores para o momento. Seria um absurdo o PT dizer que não quer um candidato. É o principal partido do País, tem governadores, prefeituras importantes. Mas qualquer candidatura tem de ser construída com respeito aos adversários. Temos de abrir diálogos.

Quais devem ser os interlocutores? Os mesmos partidos da coalizão de agora?

Não devemos fazer o que ocorre hoje no PT, busca prioritária à direita e secundarização da importância de alianças à esquerda. O PT tem grande preocupação em se aliar com forças de centro-direita e não prioriza relações com os partidos de centro-esquerda. Temos de inverter isso. Não tem sentido o PT ignorar as relações de construção política com PSB, PC do B e PDT. Não tem sentido o PT, que é socialista, se aliar com forças que desejam matar o socialismo na origem. É um equívoco.

O senhor foi sub-relator da CPI dos Correios. Saiu de lá convencido de que houve o mensalão?

Às vezes, o tal do mensalão envolve uma discussão semântica que não leva a nada. Eu vou sair fora dessa palavra. É evidente que houve situações de recursos indevidamente repassados a partidos, a parlamentares. Chamem isso do que quiserem. Vamos falar da substância. Evidentemente que houve situações em que dirigentes petistas agiram como não deveriam. Temos de dizer isso com toda a clareza. É por isso que temos defendido a ética para o PT. Não se trata aqui de discutir casos individualizados. A ética é pressuposto da ação política. Não é possível pensar, como falaram em alguns encontros do PT, que a construção da democracia e do socialismo prescinde da ética. Nós defendemos um banho de ética. E que o PT seja mais rigoroso com as transgressões éticas de seus militantes do que até com seus adversários. Acho que sempre que houver denúncia de infração ética, antes de punir, o PT tem de investigar. Havendo provas, que haja punição. Não havendo, que o PT defenda o militante.

Como fazer para resgatar a credibilidade que o PT já teve?

Resgatando a democracia interna. O que tem acontecido no PT é que um pequeno grupo de pessoas decide o que o partido tem de fazer e isso é imposto para todo o conjunto, por intermédio do grupo majoritário. O militante vai num encontro e levanta crachás. Sabemos do resultado antes do encontro do PT. Isso é a negação do partido. É preciso retomar a democracia interna, o respeito à minoria. Porque um petista pensa diferente da maioria ele não tem de ser execrado. A questão da democracia interna é chave no resgate do PT. Ela traz de volta o petista à sua origem. O partido tem que ser militante. Vimos em algumas eleições militantes pagos. Isso é uma afronta ao que defendemos. Temos de ter militância ideológica.

Desde que o PT chegou ao governo, há um choque entre o partido e os meios de comunicação. Agora, vai ser criada a TV pública, como forma de pôr uma cunha na mídia. O que acha da TV pública?

Sou plenamente favorável. É correta, necessária. Não vai competir com ninguém.

E sobre a revisão das concessões de emissoras de rádio e de TV?

Aquelas que não atenderem à lei têm de ser revistas. O que for irregular exige intervenção imediata. Defendemos a liberdade de imprensa, mas existe a necessidade de que grupos econômicos não controlem a informação.

No Congresso recente do PT, foi aprovada a realização de plebiscito a respeito da privatização da Vale do Rio Doce. O que acha dessa decisão?

Temos postura crítica a todo processo de privatização feito pelo governo de Fernando Henrique Cardoso. Algumas questionáveis no mérito; na forma, quase todas, porque levaram a situações de descalabro. Acho importante que cada questão seja discutida com cuidado, para verificar se é reversível o processo, os custos para a sociedade, os ganhos com a reversão. Por sua própria natureza, a Vale está distante do cidadão comum. Mas no caso da telefonia não há como negar que a sociedade se beneficiou.

O sr. poderia fazer uma análise de seus concorrentes?

São dois excelentes candidatos. Ricardo Berzoini (que concorre à reeleição) expressa o Campo Majoritário, responsável pela direção do PT já há muitos anos. Essa forma de gestão está totalmente superada. A direção tem um projeto exclusivamente de manutenção do poder. Em relação a Jilmar Tatto, há forças políticas que seguramente estarão conosco se chegarmos ao segundo turno. Mas seu arco de sustentação está centrado no Estado de São Paulo, há dificuldade de dialogar com o País.


Quem é:
José Eduardo Martins Cardozo


Deputado federal em segundo mandato. Professor de

Direito Administrativo e Filosofia do Direito da PUC-SP.

Secretário de Governo na administração de Luiza Erundina. Vereador mais votado da história do País, com 229 mil votos em 2000.

Vinícius de Moraes - Tom Jobim

Soneto da Fidelidade

Vinicius, sarava

Eu sei que vou te amar

sábado, 27 de outubro de 2007

A caravana do consenso tem que deixar os cachorros latindo

Uma estranha confluência constitui o factóide da semana. De um lado, dois deputados se movimentam com um projeto que poderia desembocar num plebiscito, que eventualmente levaria a autorizar um terceiro mandato para os presidentes, o que permitiria ao Presidente Lula, ao final, brigar por um novo mandato.

De outro, a mídia lança uma pronta campanha para condenar a heresia. Um aprendiz de Papa, o mesmo que defende o direito sagrado de Cacciola à fuga, pronuncia o anátema de blasfêmia. Outros falam de golpe, revolução, ditadura e fascismo.

Por último, incitados pela campanha conveniente com suas posturas radicais contra o governo, deputados e senadores do DEM e do PSDB aproveitam para proclamar uma chantagem: Se o projeto for proposto votarão contra a prorrogação da CPMF.

Misturando alhos e bugalhos, o factóide serve claramente um desenho político: explodir o processo de convergência entre o governo e os setores responsáveis da oposição para costurar, a partir da votação da prolongação da CPMF, uma agenda voltada para os principais problemas nacionais.

O jornal O Estado de São Paulo chegou até a inventar a presença do deputado Devanir Ribeiro na festa de aniversário de Lula, ontem, para induzir a idéia que a iniciativa infeliz do deputado poderia estar associada a uma diretriz do próprio presidente.

A bem da verdade, nenhum dos que vociferam contra um terceiro mandato tem moral para falar, pois a maior parte deles compactou com a verdadeira tramóia contra a democracia brasileira que foi o direito à reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Isto não justifica a ausência de bússola de ninguém. O Presidente Lula, homem de palavra, já se manifestou com clareza sobre o tema, as bancadas do PT, e o PT como tal, também.

É bom rejeitar o factóide e retomar a agenda do entendimento.

Agora, factóide é factóide, os cachorros ladram e a caravana construindo consensos tem que passar, para o bem do Brasil.

Luis Favre

Para Cristina, Brasil é modelo a seguir


Favorita, mulher de Kirchner deve manter boa relação com País que investiu US$ 6,8 bi na Argentina em 5 anos

Ariel Palacios, BUENOS AIRES - O Estado de São Paulo

Os quase quatro anos e meio de governo do presidente Néstor Kirchner alternaram momentos de lua-de-mel com o Brasil e de confronto com seu principal sócio no Mercosul. Kirchner, fiel a seu estilo sem papas na língua, não hesitou, em diversas ocasiões, em desferir fortes golpes contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o empresariado brasileiro.

link Leia mais sobre as eleições

“Há um lugar na OMC, o Brasil o quer. Há uma vaga na ONU, o Brasil a quer. Há uma cadeira na FAO, o Brasil a quer. Até quiseram eleger o papa!”, desabafou Kirchner em 2005, em plena crise diplomática. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) “é dura e impiedosa” e quer “desindustrializar a Argentina”, atacou, na mesma época. Mas, desde o final daquele ano, as relações entre os dois lados da fronteira desenvolveram-se sem grandes problemas. Kirchner voltou a tratar bem o Brasil.

Para reafirmar os laços com o País e convencer os empresários brasileiros a continuar investindo na Argentina, a candidata Cristina Kirchner esteve em Brasília em plena campanha. Se eleita no primeiro turno de amanhã - como prevêem oito de nove pesquisas divulgadas ontem, que lhe dão de 41% a 49,4% das intenções de voto -, ela terá de conviver com o governo Lula até 2010. Segundo disse ao Estado Ceferino Reato, autor da biografia não autorizada Lula, a Esquerda no Divã, a relação de um eventual governo de Cristina com Lula “está bastante bem encaminhada”.

Reato diz que os confrontos de Kirchner com Lula, no passado, foram provocados pela crise econômica que assolava a Argentina no início de seu mandato. “Lula e Kirchner construíram uma convivência satisfatória para ambas partes”, acredita o autor. Segundo ele, a Argentina de Cristina aceitará a liderança do Brasil. “Mas nunca a hegemonia brasileira.”

Desde o início do governo Kirchner, o intercâmbio comercial entre os dois países saltou de US$ 9,23 bilhões, em 2003, para cerca de US$ 20 bilhões, este ano. Um recorde histórico.

Cristina, em seu comício de lançamento de candidatura, em junho, indicou que o modelo econômico brasileiro era um exemplo a ser seguido e até citou explicitamente a Embraer como empresa a ser invejada pelos argentinos.

Para o ex-Secretário de Comércio Dante Sica, não haverá mudanças no trato entre os dois países. “Se Cristina for eleita, manterá a linha atual, com algumas nuanças”, disse ele ao Estado. “Considero que ambos países deverão definir uma política de defesa comercial comum contra a China”. Segundo Sica, os pontos de conflito foram delimitados e não afetam mais a relação bilateral.

Os analistas indicam que Cristina aprofundará as relações políticas e comerciais com o México, que servirá como contrapeso à influência do Brasil na região. Em relação à Venezuela, os analistas sustentam que Cristina manterá uma boa relação com o presidente Hugo Chávez, cujo governo defendeu, recentemente, perante empresários na Europa. No entanto, mais do que motivos políticos, essa proximidade seria necessária pela dependência argentina do petróleo venezuelano e da compra de bônus da dívida pública da Argentina por parte de Chávez.

O ex-secretário de Comércio Raúl Ochoa disse ao Estado que, se Chávez insistir em alianças estratégicas “duvidosas”, Cristina “terá de marcar território”, ou seja,melhorar relações com países desenvolvidos. “Por isso, é essencial a boa relação com Lula”, diz. A opinião é reforçada por Reato: “O Brasil continuará importante para a Argentina. Os Kirchners sabem disso, pois são muito pragmáticos.”

APOSTA

Em 2002, quando a Argentina era embalada pelas turbulências sociais e financeiras, os investimentos europeus e americanos sumiram do país. Mas as empresas brasileiras ao lado das mexicanas decidiram que valia a pena apostar na recuperação econômica argentina. Além disso, o cenário era conveniente, já que a desvalorização do peso transformara as empresas argentinas em ofertas atraentes. Muitas das grandes empresas remanescentes foram compradas.

A AmBev comprou a tradicional cervejeira Quilmes, em 2002. Logo depois foi a vez de a Petrobrás desembarcar na Argentina para adquirir a companhia de energia Pérez Companc. Na seqüência, também chegaram ao país a Camargo Correa, que comprou a maior empresa de cimento da Argentina, a Loma Negra, e a Alpargatas. O setor de carnes, motivo de orgulho para os argentinos, passou a contar com a crescente participação de capital brasileiro.

Os frigoríficos Friboi e Marfrig, ironizam os economistas portenhos, “vieram às compras” na Argentina. Além de comprar companhias existentes, as empresas brasileiras estão construindo fábricas no país. Foi o caso da Paquetá, que ergueu uma fábrica de calçados na cidade de Chivilcoy.

Os economistas ressaltam que a estratégia brasileira é a de investir aqui e exportar para o próprio Brasil. Nos últimos cinco anos, as empresas brasileiras investiram na Argentina US$ 6,812 bilhões. Desse total, 52% foram destinados ao setor industrial, pouco menos de 40% para o de gás e petróleo, 8% para o de construção e 0,3% para o de serviços. Os investimentos diretos provenientes do Brasil, que, em 1997, representavam 0,2% do total de recursos estrangeiros no país, chegam hoje a 20%.