quinta-feira, 17 de maio de 2007

Iranianas apostam no 'bloguistão' para resistir ao regime islâmico


HELENA TECEDEIRO Diario de Noticias de Portugal


Apesar de poderem votar, conduzir e de até estarem em maioria nas universidades, as mulheres do Irão continuam a poder ser presas apenas porque não estão vestidas segundo o código islâmico imposto pelo regime. Discriminadas, apesar de menos do que noutros países islâmicos, as iranianas encontraram na blogosfera um último reduto que lhes permite resistir ao ultraconservadorismo do Presidente Mahmud Ahmadinejad, longe da repressão da polícia.


Críticas ao regime ou desabafos sobre a vida sexual, tudo é possível no "bloguistão", a palavra que os iranianos usam para designar a blogosfera. Actualmente existem mais de 700 mil blogues em farsi - língua oficial do Irão - metade dos quais escritos por mulheres. "É uma forma de as iranianas dizerem 'resistimos e vamos continuar a mobilizar-nos' apesar das detenções e pressões", disse ao Le Figaro a socióloga iraniana Masserat Amir Ebrahimi.


Especialmente apreciado pelas defensoras dos direitos humanos, o "bloguistão" revela-se uma boa forma de fugir à censura: quando esta encerra um site, basta ao seu autor abrir um novo noutro endereço. Mas a liberdade dos cibernautas revela-se por vezes tão virtual como a realidade em que se movem.


Num artigo sobre a importância da blogosfera para as iranianas, o diário espanhol El Mundo revelava há dias que, em Março, quatro feministas foram condenadas por terem defendido nos seus sites a melhoria da condição da mulher no Irão. Responsáveis pela campanha "um milhão de assinaturas para a alteração das leis que discriminam as mulheres", as quatro foram acusadas de atentado à segurança nacional. E podem ser condenadas a penas de seis meses a dois anos e meio de prisão. Leia mais aqui

Nenhum comentário: