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sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Visita ao Ceará gera expectativa no trade


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MARTA SUPLICY falou para os empresários do turismo

em café-da-manhã no Gran Marquise Hotel

(Foto: FOTOS: FÁBIO LIMA )

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O GOVERNADOR Cid Gomes, Jeanine Pires, Marta Suplicy e o secretário Bismarck Maia

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MARTA SUPLICY exibindo quadro com a foto de Lagoinha,

uma das peças da campanha da Embratur nos EUA


O dia 4 de outubro, dedicado a São Francisco, foi promissor para o povo cearense. Com uma agenda cheia de compromissos, a ministra do Turismo, Marta Suplicy, esteve no Ceará para assinatura de convênios e liberação de recursos do Ministério do Turismo (MTur) para obras e capacitação. Num único dia, ela esteve em Fortaleza, Aquiraz e Canindé


A companhada da presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Jeanine Pires, do governador Cid Gomes e do secretário de Turismo do Ceará, Bismarck Maia, a ministra Marta Suplicy esteve em café-da-manhã com o trade turístico no Gran Marquise Hotel. O encontro deixou otimismo e expectativa para o setor, carente de recursos e realizações para se tornar competitivo no mercado.

A ministra citou quatro coisas que ela considera importante para o desenvolvimento do turismo: infra-estrutura, qualificação, monumentos e promoção, que se completam com belezas naturais e hospitalidade. Marta mencionou a campanha que está sendo desenvolvida nos Estados Unidos, que tem Lagoinha entre as peças promocionais. A duna, que virou símbolo daquela praia, foi apresentada em quadros, entregues ao governador Cid Gomes e ao secretário Bismarck Maia. Marta falou da importância do turismo para reduzir as diferenças regionais e do esforço que está sendo feito para lotar o Brasil de visitantes durante todo o ano. O governador Cid Gomes reforçou sua promessa de construir o Centro de Feiras e Eventos, o que renovou as esperanças dos empresários do setor de turismo.

Os recursos a serem liberados pelo MTur, através do Programa de Desenvolvimento do Turismo do Nordeste (Prodetur-NE II), num total de R$ 33,5 milhões, são para execução de obras nas praias de Mundaú (R$ 1,1 milhão), Lagoinha (dois convênios no total de R$ 3,1 milhões), Iracema (R$ 4,5 milhões) e nas orlas de Paracuru (R$ 1,4 milhão) e Camocim (R$ 1,8 milhão). O município de Aquiraz (CE) receberá R$ 1,1 milhão com a assinatura de três convênios para recuperação da Casa do Capitão Mór, do Mercado da Carne e da Praça da Matriz. Serão destinados, ainda, R$ 4,7 milhões para recuperação do Palácio da Abolição e R$ 1,8 milhões para restauração do prédio do Centro de Turismo do Ceará.

Com recursos do Prodetur NE II, Fortaleza receberá investimentos de R$ 2,7 milhões para sinalização turística. O Pólo Costa do Sol terá um diagnóstico de capacitação profissional (R$ 1,8 milhão) e de qualificação empresarial (R$ 1,4 milhão), além de R$ 3,6 milhões para promoção turística. Os investimentos do MTur, disponibilizados pela área de infra-estrutura turística, viabilizam também a implantação da primeira fase de ampliação do Aeroporto de Aracati (R$ 3 milhões) e as obras de sinalização turística no litoral Leste do Ceará (R$ 1,1 milhão).

Expectativa

A promessa de novos investimentos deixou os empresários otimistas. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Ceará (ABIH-CE), Manoel Cardoso Linhares, disse que ´agora, a nossa expectativa é a melhor possível, pois com os investimentos voltados para melhorar a infra-estrutura de vários pontos turísticos cearenses, tanto da capital como do interior, poderemos receber os nossos turistas muito melhor´, disse.

Manoel Cardoso Linhares elogiou também a posição do governador Cid Gomes, que se comprometeu em lutar pela construção do Parque Multifuncional de Feiras e Eventos do Estado. ´Agora acreditamos que este centro de eventos tão desejado pelo trade sairá do papel. E o importante de tudo é que o governador está consciente da verdadeira vocação turística do Estado´, destacou.

O presidente da ABIH-CE ressaltou ainda o grande envolvimento do Governo Estadual com a divulgação da imagem do Estado em eventos nacionais. ´O Ceará terá o terceiro maior estande no Congresso da Abav - Feira das Américas, que acontece no final deste mês, no Rio de Janeiro. Lá a Secretaria do Turismo do Estado estará divulgando todo o potencial turístico do nosso Estado´.

Régis Medeiros, presidente do Fortaleza Convention & Visitors Bureau (FCVB), presente também ao café-da-manhã com a ministra, destacou que esse momento emblemático ´deu uma oxigenação ao turismo cearense´. Segundo Medeiros, a união do governo federal com o estadual para melhorar a infra-estrutura turística do Estado deu uma injeção boa para o Ceará. ´Os investimentos em Fortaleza vão ser destinados à urbanização da Praia de Iracema, implantação da sinalização turística e reforma de alguns pontos turísticos como o Palácio da Abolição e o Centro de Turismo. Mas seria interessante, também, que a Prefeitura de Fortaleza olhasse para outros espaços turísticos da cidade, como a Praia do Futuro e o Morro de Santa Terezinha, por exemplo´, frisou.

Com a promessa da criação do Centro de Feiras e Eventos, Régis Medeiros acredita que o Estado poderá captar para os próximos anos grandes eventos nacionais e internacionais. ´Agora mesmo deixamos de trazer para o Ceará o evento internacional religioso Jesus Christi is a Church (Jesus Cristo é uma Igreja), porque a organização precisava de um auditório tipo teatro, com capacidade para três mil pessoas´, exemplificou Medeiros.

Diário do Nordeste

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Jornal do Turismo entrevista Marta Suplicy

As últimas declarações da ministra do Turismo, Marta Suplicy, que ganharam grande repercussão são provas irrefutáveis de que a imprensa peca ao tentar cristalizar uma frase, isolando-a de um contexto mais abrangente. Ou seja, em nome de interesses políticos, ofuscou-se a grandiosidade do trabalho do Ministério do Turismo junto ao trade e, principalmente, ao povo brasileiro.

O Plano Nacional de Turismo (PNT) está dando continuidade à gestão anterior de Walfrido dos Mares Guia e aponta para um futuro de desenvolvimento econômico no País, através do turismo. Nesta entrevista ao jornalista Cláudio Magnavita, Marta disse ao que veio, como ministra, estrategista, ex-prefeita de São Paulo e mulher.

Cláudio Magnavita - Ministra, a sua gestão tem recebido o apoio das principais entidades representativas do setor turístico brasileiro. Como foi descobrir esse mundo mágico do turismo? Como tem sido sua experiência como ministra?

Marta Suplicy - O apoio de todo o trade turístico ao PNT foi uma descoberta. Revelou a força que o turismo tem - apesar de não termos a mesma pujança de outros países. Afinal, já competimos com a indústria automobilística.

CM - O lançamento do PNT contou com oito governadores de Estado, de deputados, senadores e do próprio presidente da República. Isso é um grande ato, para uma atividade que até então era praticamente desconhecida do grande público...

MS - Aos poucos, tenho percebido que o turismo é a área que mais gera emprego rapidamente. E isso vai desde as pessoas mais qualificadas até as mais humildes. Para o jovem, por exemplo, há muito campo, e com mobilidade social: ele começa a trabalhar num restaurante e, depois de 20 anos atuando nesse segmento, pode, qualificado, abrir um empreendimento próprio. A idéia do Plano Nacional de Turismo 2007-2010 é a da inclusão social. Por isso chamamos de uma “Viagem de inclusão”. Há 40 meses consecutivos o consumo aumenta no Brasil. Temos hoje uma venda espetacular de celulares. Três milhões de pessoas já tem o aparelho. Isso tudo sem contar o aumento de brasileiros que estão comprando automóveis. Nosso povo está consumindo, sim. Quem nunca teve acesso a um avião está se locomovendo nele. Esse mercado é novo para o turismo: muitas dessas pessoas nunca pensaram que poderiam usufruir do turismo com a sua família; conhecer uma bela praia do Nordeste; Ouro Preto; Brasília; mergulhar em Bonito; conhecer a Chapada dos Veadeiros ou o Pantanal. É uma coisa que ainda não deslanchou, porque o pessoal está ainda partindo para os bens de consumo. Mas na hora que o brasileiro perceber que vamos ter pacotes de R$ 500 a R$ 600, com pagamentos mensais de R$50, é pé na estrada e no avião.

CM - O crédito consignado pode beneficiar o público da terceira idade, que é fundamental para o desenvolvimento do turismo?

MS - Estamos falando de um público que pode consumir um pouco mais. O estudante, a classe média e o aposentado são públicos potenciais. Começamos pelo aposentado, porque ele construiu este País. Deve ter mais direitos entre todos nós. Através do crédito consignado, a agência de viagem faz o pacote que não onera em nada para o cidadão: o dinheiro do crédito vai direto para a operadora. Conseguimos isso através de uma portaria rápida do ministro da Previdência, o (Luis) Marinho. Ou seja, o dinheiro sai direto do INSS para a conta da operadora. Então, não há problemas de não recebimento por parte da operadora. A Caixa Econômica e Banco do Brasil, com juros abaixo de 1%, também permitiram a baixa do valor do pacote. Agora, as agências estão todas muito envolvidas em fazer um negócio diferenciado para o aposentado de 60, 70 e 80 anos.

CM -As pessoas podem viajar inclusive nos períodos de baixa estação?

MS - Com o projeto, ajuda-se o aposentado a viajar em pacotes mais acessíveis. O hotel do empreendedor permanece em atividade, e cheio, durante todo o ano. Isso alguns países já fazem de forma mais contundente que nós. Na Espanha, por exemplo, há quatro meses de grande estação. Depois, quando os hotéis ficavam vazios, as pessoas eram despedidas porque não tinham como manter toda a estrutura. O governo espanhol fez a conta, no sentido de avaliar se era mais proveitoso pagar seguros-desemprego para essas pessoas ou avalizar pacotes subsidiados para que o povo pudesse viajar em época de baixa estação, e manter os empregos. Eles resolveram que era mais barato. No Brasil, acreditamos no crédito consignado para aposentados na baixa estação, de sete a oito dias, em roteiros rodoviários ou aéreos - baratos ou um pouco mais caros, (respectivamente). Isso gerará um impacto muito bom para a economia. Num outro dia você me perguntou “onde começa essa história com os aposentados”? O Ministério quer participar da capacitação e do treinamento junto às agências, que também estarão recebendo pessoas que nunca entraram lá, e que podem ficar desconfiadas por serem agências muito elegantes. Mas é para entrar mesmo, porque ali estarão profissionais treinados que os atenderão com todo o carinho e respeito, mostrando os melhores pacotes para o idoso. Para treinar e organizar os pacotes, começamos com o Estado de São Paulo, que mais envia viajantes no Brasil e tem o maior número de aposentados. Brasília será o nosso segundo foco porque queremos que a região Centro-Oeste se torne um centro de viagens, que o Brasil se expanda também naquela direção. Todos irão viajar, prioritariamente, para o Nordeste: lugar onde mais se precisa de renda e emprego. Distribuição de renda, diminuição de desigualdades regionais e empregabilidade são as principais orientações do presidente Lula para o turismo - principalmente para o Nordeste. Estive em Cabrália e Porto Seguro – no evento da tocha olímpica dos Jogos Pan-Americanos -, e o pessoal estava preocupado com a baixa freqüência. Isso é muito ruim para um lugar tão bonito, em que o idoso poderia ir. É um privilégio desfrutar daquela praia agradável e da nossa gastronomia. Isso tudo agora será mais acessível.

CM - Gostaria de falar da responsabilidade de estar num ministério criado por iniciativa pessoal do presidente Lula, e de a senhora ter sucedido o Walfrido dos Mares Guia. O sucesso de uma gestão está na equipe, parcialmente preservada, somada ao que a senhora trouxe de novos talentos para o Ministério?

MS - O ministro Walfrido foi uma sorte. Entrou num Ministério novo, chamando, com muita sensibilidade, as pessoas que trabalhavam na área. Foi através dos secretários de turismo dos governos, dos municípios e de todo trade, que se criou o Conselho Nacional de Turismo (CNT), com mais de 60 cadeiras representativas: todos pensando num plano para 2003-2007. Esse plano resultou num planejamento de marketing muito importante para o turismo. Agora, que estou entrando nesse setor, vejo como os países que têm o turismo desenvolvido trabalham. Eles não brincam em serviço: gastam fortunas em marketing. Dubai, que há quatro anos recebia menos de dois milhões de visitantes, hoje passou o Brasil. Tem uma propaganda gigantesca, linhas aéreas. O retorno do investimento em turismo é muito lucrativo e fabuloso. É uma atividade muito rápida: se o Produto Interno Bruto cresce a 3%, o turismo vai a 5, 6%. Se tem 4%, o turismo chega a 7, 8%. É uma área que requer investimento. Essa pesquisa encomendada pelo Mares Guia, possibilitando criar um novo Plano para 2007-2010, tornará o Ministério ainda mais profissional. Não temos 'achômetro', mas, sim, pesquisas. Por exemplo, no exterior, temos o Plano Aquarela, que revela os países em que mais devemos investir em propaganda. Argentinos, americanos, portugueses, italianos e alemães são os que mais visitam o Brasil. Vamos investir nosso plano de marketing na Argentina, nos Estados Unidos, em Portugal (com menos força) – já que de lá vêm 400 mil turistas. Temos um teto. Vamos manter nossas relações: agora, a TAP está realizando cinco vôos novos entre Lisboa e Brasília. Cinco para o Galeão, e outros três para São Paulo – totalizando quase 60 vôos de freqüência. É um ótimo mercado. Vamos agora para os ingleses e alemães, onde nunca investimos.

CM - A então prefeita de São Paulo, que introduziu o Eduardo Sanovicz na administração do Anhembi Eventos, agora o vê, com seu trabalho refletido em âmbito nacional, no Ministério. Conte-me um pouco dessa história.

MS - O Eduardo Sanovicz foi muito bom para o Anhembi. Colocou-o de pé, reformou-o em grande parte, e o fez sair do vermelho, gerando lucro. Ele foi convidado pelo Mares Guia para assumir a Embratur. Reorganizou toda a empresa de uma forma muito experiente. A Jeanine (Pires, atual presidente da Embratur) é um dos tesouros que ficaram. Tem muita experiência, é jovem e dinâmica. Fiquei contente de o Mares Guia não a ter levado, já que ela é de turismo, e ficou no Ministério. Nossa atual equipe não pode se esquecer do mercado interno. Se temos cinco milhões de pessoas que vêm visitar o Brasil - queremos aumentar -, temos também 50 milhões de brasileiros que viajam por aqui. Essa é a força da hotelaria e do turismo interno, que gera empregos e divisas. Isso atrai também pessoas de fora, que podem usufruir de uma rede hoteleira consolidada.

CM - O Márcio Favilla, que era o secretário Executivo do Ministério, pediu para lhe falar sobre a Secretaria Executiva e a própria estrutura do Ministério. Ele teve uma conversa de quase três horas com a senhora, e saiu do seu gabinete encantado com a sensação de que o trabalho teria continuidade. Essa é uma marca da Marta Suplicy, da época em que era apresentadora de TV - de não pré-conceitualizar, antes de tomar uma decisão correta?

MS - Temos de ter a humildade de saber que estamos entrando numa área que não entendemos. O Mares Guia escolheu as pessoas mais indicadas: o Sanovicz, que estava no Anhembi, o (Milton) Zuanazzi, que também é um homem do turismo. Chamou todo o trade e disse: “vamos trabalhar juntos”. Eu também chamei as pessoas corretas para conversar. O próprio ex-ministro também me pôs muito a par dos acontecimentos. A partir disso, você começa a ler, estudar e ouvir mais atentamente. Como ex-prefeita de São Paulo, tive a sensação de como o turismo teve um impacto. Tivemos aqui a Octad, maior evento da ONU. Foi difícil conseguir: a ONU tem exigências de segurança e espaço para realizar o seu evento, que são o “top do top”. Conseguir trazer esse tipo de evento para São Paulo e realizá-lo de forma exitosa foi importante para nós.

CM - É interessante o apartidarismo do setor turístico. A senhora esteve agora há pouco reunida com o prefeito de SP, o Gilberto Kassab...

MS - Como ministra, não tenho problemas com os organismos que tenho de trabalhar. A cidade de São Paulo tem mais números de eventos e recebe e emite mais turistas no Brasil. Na área de lazer, o Rio é mais significativo. Mas, se somarmos lazer e bussines em SP, essa cidade realmente 'chama' mais visitantes. A prefeitura é o coração disso tudo. Propomos a ele transformar o Campo de Marte num novo Anhembi, em comparação à Feira de Milão. Vamos investir no Anhembi também. Ele ficou encantado com a idéia de uma rodoviária na Zona Leste. O turismo que essa região tem simpatia é o de um dia, como o de visitações à Aparecida do Norte, por exemplo.

CM - A cidade de São Paulo é metropolitana. Tem uma dimensão geográfica estrondosa. Só que a política pau-istana se manifesta de maneira muito pequena. O que falta para mudar a cabeça dessas pessoas, no sentido de se pensar a cidade como ela realmente merece?

MS - As pessoas que moram em São Paulo têm consciência da importância da cidade. Quem está aqui pensa sempre a partir de uma perspectiva de metrópole cosmopolita. Nada aqui é pequeno. Conseguimos exercer impacto quando fizemos um bilhete único ou um CEU. Governar São Paulo é um desafio gigantesco. Voltar para cá é uma emoção boa. Agora o palácio do Anhangabaú é um orgulho. Vieram um pouco as lembranças difíceis de se lembrar: as decisões difíceis da prefeitura.

CM - Gostaria de mergulhar agora na sua experiência de mãe, mulher, gestora, no momento em que o turismo está sob gestão feminina no Senado, na Câmara, na Embratur, no Ministério e agora, que a Organização Mundial do Turismo terá a mulher no centro do debate de sua reunião.

MS - É uma coincidência feliz. O século 21 é o das mulheres. Podemos ter uma presidente na Argentina. No Chile, temos a Michele Bachellet. A Angela Merkel está fazendo um trabalho extraordinário na Alemanha. As mulheres aos poucos estão chegando lá. O Brasil é um país com muitos paradoxos nesse sentido, e eu estou feliz com o Ministério do Turismo.

CM - O seu nome poderia ser o escolhido para comandar o Brasil?

MS- Ainda é muito cedo para falar sobre isso e e eu estou feliz com o Ministério do Turismo.

CM - Recentemente, a imprensa congelou uma frase da senhora, utilizando-se politicamente de um tema, ofuscando o teor do próprio PNT. As entidades do setor se solidarizaram, pedindo que os jornais voltassem seus holofotes para o Plano. Como a senhora avalia esse episódio?

MS - A frase foi no sentido de que as pessoas não desistissem de viajar. É realmente como um parto: todos sofrem no aeroporto, mas depois tem a alegria imensa de viajar. Infelizmente a frase se transformou em tudo o que não quis dizer. Fiquei triste porque foi um dia de muita importância para o Ministério do Turismo. Mas o Plano para 2007-2010 acabou sendo pouco falado. É uma “Viagem de Inclusão”, para criar mais de 1 milhão e 700 mil empregos, com metas de divisas para o Brasil. Serão 65 regiões a serem consideradas como modelos de nosso desenvolvimento turístico. Temos muito mais que 65 - mas não temos recursos para investir em mais que isso, num primeiro momento. Depois, vêm os planos de agregar os estudantes, o trabalhador e o aposentado, para que possam conhecer o Brasil. O estudante só vê o País pelos livros ou pela TV. O presidente falou que Villa-Lobos ganhou de seu pai uma biblioteca grandiosa, mas ele preferiu vendê-la para percorrer o Brasil. Estendeu a viagem, influenciando enormemente a sua vida e composição musical. O estudante que viaja tem a janela aberta para o mundo. É um vivenciamento que muda a cabeça das pessoas.

CM - Alguns jornais foram refratários a uma agenda positiva. O trade se mobilizou para divulgar seu apoio a senhora, através de um comunicado público. O que a senhora sentiu ao perceber essa manifestação pública de apoio, em diferentes entidades do turismo?

MS - Senti que sou do mesmo time. Foi uma união, com uma solidariedade muito grande, de pessoas que estão na mesma equipe, dispostas a fazer com que o Ministério do Turismo cresça junto com o Brasil, levando o nome do nosso País a um patamar tão belo quanto sua beleza.

Cláudio Magnavita / JT

domingo, 17 de junho de 2007

Trade se mobiliza em apoio à ministra

Jornal de Turismo
Data: Sexta-feira, 15 de Junho de 2007 (12:37:09)
Tópico: Brasil

As entidades de classe se mobilizaram 24 horas depois do lançamento do Plano Nacional de Turismo para dar apoio público à ministra Marta Suplicy.

A mídia preferiu cristalizar um momento infeliz da entrevista, congelando alguns segundos de uma declaração que foi imediatamente seguida por um pedido formal de desculpas, do que abordar o teor do lançamento, que foi, sem dúvida, um dos eventos mais importantes do turismo politicamente.

Primeiro, foi a escolha da solenidade, ocorrida durante uma sessão do Conselho Nacional de turismo, fazendo parte da agenda original. Segundo, a presença do próprio presidente da República, de seis ministros, do presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (em um dia de votação delicada) e das presidentes das Comissões de Turismo da própria Câmara, Lídice da Mata, e do Senado, Lúcia Vânia.

A reação dos dirigentes do trade de virar a página e fazer colocar o foco no que realmente interessa, o Plano Nacional de Turismo - que na sua segunda edição foi arduamente trabalhado no próprio Conselho de Turismo - foi madura, corajosa, altiva e demonstrou que a própria ministra, que é recém-chegada no setor, já ganhou a admiração e o respeito de todos, principalmente pela sua acertada decisão de seguir os princípios do plano de trabalho do seu antecessor, Walfrido dos Mares Guia, e de aprimorar as rotinas.

O Plano atual cobre uma lacuna histórica, a falta de um planejamento estratégico que pense o setor a médio e longo prazos. O que está escrito é o que deve ser seguido nos próximos anos. A sua leitura é uma missão obrigatória para todos aqueles que trabalham e dependem do setor. Muito mais do que um conjunto de metas é um conjunto de ações bem definidas e capazes de gerar 1,7 milhão de novos empregos. Só de divisas deverá proporcionar o ingresso de 7,7 bilhões de dólares; ao contrário do que muitos querem fazer acreditar. A missão principal do turismo interno é promover o ingresso de riquezas e não a sua evasão.

Perante o trade, a ministra sai fortalecida. O episódio e o embate com a imprensa serviram para consolidar e estreitar uma relação de confiança. O apoio que lhe foi hipotecado foi fruto de uma avaliação de seus primeiros meses no cargo, do perfil da equipe que montou e de uma atuação transparente. O Ministério não está sendo pensado a curto prazo, como muitos chegaram a pensar, mas de uma forma mais ampla, pelo menos até o fim do atual Governo.

O presidente Lula sempre se sentiu em casa nos eventos do turismo. Sempre teve pronunciamentos marcados pela descontração, foi assim nas duas Feiras da Abav e nos Salões do Turismo, só que desta vez o cenário foi Brasília e os algozes de plantão estavam a postos para cumprir uma pauta negativista. Foi neste cenário que o presidente se descontraiu e do fundo da alma arrancou o registro de como a imprensa brasileira vive uma fase de notícias negativas em excesso. O troco lhe foi dado em manchetes pejorativas e reclamando do excesso de informalidade.

Por descontração, a ministra Marta foi infeliz numa frase que, congelada, suplantou em repercussão para a sociedade civil o próprio teor do documento que estava sendo lançado. Nem o pedido de desculpas amenizou a ira e a sede de sangue. A critica do presidente à própria imprensa, realizada minutos antes, só aguçou o apetite e o que se viu é o desdobramento de um quadro de múltiplos interesses político-partidários.

A decisão do trade e das principais entidades de pedir que esta página fosse virada é sensata. Demonstra união, mobilização e maturidade. Um setor que não se acovarda e sai em defesa daqueles que ganharam o seu respeito.

Leia na integra a nota distribuída à imprensa pelas principais entidades do turismo:
“Como membros do Conselho Nacional de Turismo, por meio desta manifestação pública, queremos reafirmar o nosso respeito e consideração pela Ministra de Estado do Turismo Marta Suplicy.

Ela assumiu em março passado o cargo, que havia sido exercido com muita dedicação e sucesso pelo seu antecessor Ministro Walfrido dos Mares Guia. Na solenidade de posse, a Sra Ministra assinalou que daria continuidade aos programas e ações em desenvolvimento do setor e que buscaria o aperfeiçoamento do trabalho. Ela tem cumprido. Em pouco tempo conseguiu apresentar, discutir e aprovar junto à cadeia produtiva do turismo, a segunda edição do Plano Nacional de Turismo – PNT, que começou a ser elaborado ao término da gestão Mares Guia. Um trabalho, portanto, referendado por todos nós.

Queremos aqui, retomar a importância do PNT, um conjunto de metas e objetivos, que foram exaustivamente debatidos durante vários meses e que teve a participação de 100% de todo o nosso Conselho, um trabalho que ensejará, até 2010, 1,7 milhão de novos empregos, a geração de 7,7 bilhões de dólares de divisas e conseqüentemente enormes benefícios ao país.

Esperamos que o resgate destas informações e da dimensão do Plano Nacional de Turismo possam ser compreendidos em sua plenitude, até porque o seu lançamento contou com a presença do próprio Presidente da República, seis Ministros de Estado, oito Governadores, Parlamentares, Corpo Diplomático e da sociedade civil.

Brasília, 14 de junho de 2007

João Martins Neto
Presidente da Abav - Associação Brasileira de Agências de Viagens
Norton Luiz Lenhart
Presidente da Federação Nacional de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares
José Eduardo Barbosa
Presidente da Braztoa – Associação Brasileira de Operadoras de Turismo
Paulo Solmucci
Presidente da Abrasel- Associação Brasileira de Bares e Restaurante
Eraldo Alves da Cruz
Presidente da ABIH – Associação Brasileira da Industria de Hotéis
Cláudio Magnavita Castro
Presidente da Abrajet – Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo
Apostole Lazaro Chryssafidis
Presidente da Abetar - Associação Brasileira das Empresas de Transporte Aéreo Regional
Allain Baldacci
Sindepat – Sindicato Nacional de Empresas de Parques e Atrações Turísticas
Dárcio Bertocco
Ubrafe - União Brasileira de Promotores de Feiras
Margareth Caron Sobrinho Pizzatto
Abraccef – Associação Brasileira de Centros de Convenções e Feiras
Alexandre Zubaran
Associação Brasileira de Resorts (Resorts Brasil)
Roberto Dultra
Associação Brasileira de Turismo Receptivo Internacional – Bito
Sávio Neves Filho
Presidente da Abottc – Associação Brasileira das Operadoras de Trens Turísticos e Culturais”
Cláudio Magnavita - presidente da Associação Brasileira dos Jornalistas de Turismo (Abrajet), membro do Conselho Nacional de Turismo e diretor do Jornal de Turismo