segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Hillary Clinton, bête noire de la blogosphère Daily Kos

La presse attendait de voir comment Hillary Clinton se sortirait de la "cage aux lions". Les fauves ont été amadoués, sinon domptés. Pour sa première apparition devant les blogueurs progressistes du site Internet Daily Kos, un groupe qui l'écharpe à longueur de colonnes pour son "opportunisme", Mme Clinton n'a eu à souffrir que de quelques égratignures. "Vous savez quoi ? a-t-elle dit, charmeuse. Je lis des blogs. Et je n'y lis pas que des choses gentilles sur moi."


Avant son arrivée, les militants avaient distribué dans la salle des panneaux portant l'inscription "Dynastie Clinton" barrée d'une croix. "Vingt-huit ans de Bush-Clinton. Pour ceux qui ont moins de 30 ans, c'est déprimant", affirmait le distributeur d'articles anti-Hillary. La candidate à l'investiture démocrate, qui arrivait du congrès de l'Association nationale de la police, a fait semblant de ne rien remarquer. Elle a abondamment complimenté la blogosphère, grâce à qui "les candidats sont plus intelligents".

UNE INFLUENCE LIMITÉE

En 2006, le mouvement des blogueurs démocrates était encore très neuf. Il essayait de tirer le parti vers la gauche et le mouvement antiguerre. Les élections de 2006 l'ont institutionnalisé. En même temps, la victoire du centriste proguerre Joe Lieberman, sénateur du Connecticut, alors que Daily Kos avait fait campagne contre lui, a montré les limites de son influence. Cette année, la convention a pris un tour presque banal. "Nous avons pris notre place dans le mouvement de la gauche progressiste", s'est félicité le fondateur Markos Moulitsas.

Parmi les blogueurs, Mme Clinton a gagné du terrain, mais elle reste sous les 10 % de préférence pour les primaires. S'ils ont cessé d'exiger qu'elle présente des excuses pour son vote de 2002 autorisant la guerre, ils l'ont sifflée, samedi 4 août, à propos de l'argent des lobbies. Elle n'a pas voulu s'engager à refuser les contributions des groupes d'intérêts, répétant que quiconque la connaissait savait que l'argent n'influençait pas ses choix. Il y a eu quelques huées. "On a été très polis avec elle, a résumé Paul Hogarth, un jeune militant de San Francisco. Mais je ne veux pas qu'on revienne aux années Clinton. J'ai envie d'un futur différent."

Corine Lesnes pour Le Monde

"Foi apenas um momento infeliz de um homem público que tem se dedicado, como poucos, ao país"

Extratos do discurso do senador Aloizio Mercadante em 2 de agosto 2007, sobre a crise do setor aéreo e o acidente da TAM
(...)
As vítimas do acidente da TAM merecem, acima de tudo, uma investigação objetiva e séria, e não a exploração política de suas tragédias. Só uma investigação isenta e responsável é que revelará a verdade e assegurará as condições para que novos acidentes semelhantes não voltem a ocorrer.Esse é o interesse maior da população e do país, não campanhas políticas oportunistas de enfadados.

Também não se pode politizar o tamanho da pista de Congonhas, aeroporto planejado em 1936, e nem o processo, iniciado em meados da década de 90, de transformar Congonhas num grande hub nacional, sem que se houvesse pensado na imprescindível área de escape que esse aeroporto precisava e precisa ter.

Na realidade, a chamada “crise aérea” vem sendo gestada há muito tempo pela ação e omissão de vários governos federais, estaduais e municipais. O aeroporto internacional de Guarulhos, inaugurado em 1985, previa, em sua concepção, que o governo de São Paulo construiria um trem expresso para ligá-lo ao centro da cidade e à Congonhas, de modo a reduzir o tempo considerável que se leva para acessá-lo, maior do que muitas viagens de avião, o que torna irracional a sua utilização em deslocamentos domésticos de curta e média duração. Por diversos motivos, esse investimento até hoje não foi feito, o que levou à sobre-utilização de Congonhas pela pressão das companhias aéreas e dos passageiros, à qual diversos governos cederam, provavelmente sensibilizados com a verdadeira via crucis que significa deslocar-se até Guarulhos, especialmente em dias de chuva ou em horários de rush.

Assim, em 1990 Congonhas já era o aeroporto mais movimentado do país.Cabe perguntar onde estavam os enfadados quando isso aconteceu.

O cerne do “apagão aéreo” está na crônica falta de investimentos em volume suficiente no controle aéreo, na infra-estrutura aeroportuária e mesmo na infra-estrutura de transportes urbanos das cidades brasileiras. Nos últimos anos, a insuficiência desses investimentos foi potencializada pelo recente crescimento exponencial da aviação civil no Brasil. De acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), a procura pelo transporte aéreo cresceu 12,2% em 2006, e, para este ano (2007), estima-se um incremento ainda maior de 17,5%. Nos últimos 3 anos, o trânsito de passageiros pelas salas de embarque e desembarque aumentou em 43,5%. Calcula-se que, só no ano passado, houve 102 milhões de embarques e desembarques nos terminais brasileiros.

A bem da verdade, é necessário dizer que a “crise aérea” só não se manifestou antes porque, entre 1999 e 2003, com a crise econômica e a desvalorização do Real, que afetou profundamente as empresas aéreas, as quais pagam leasing de aeronaves e dívidas em dólar, a aviação civil brasileira viveu um período muito difícil de retração da demanda e aumento de custos. Com efeito, em 1999 houve uma queda brutal (-23%) na utilização de assentos disponíveis, seguido por um período de estagnação ou baixo crescimento que se prolongou até 2003. Cabe ressaltar que esse período foi decisivo para a falência da VARIG, que desconfigurou toda a malha aérea brasileira e cujas conseqüências se fazem sentir até hoje.

Embora seja claro que a crise é complexa e perpassa vários governos, há, nestas horas difíceis, uma enorme resistência em se admitir erros e responsabilidades. Como bem disse Albert Einstein num famoso discurso feito na Sorbonne: Se minha Teoria da Relatividade se mostrar verdadeira, a Alemanha dirá que sou alemão e a França afirmará que eu sou um cidadão do mundo; mas se ela se mostrar equivocada, a França dirá que sou alemão e a Alemanha dirá que sou judeu.

Sem dúvida alguma, o PAC e as medidas específicas que já estão sendo tomadas (redistribuição da malha, reformas nos aeroportos mais importantes, concursos para controladores, compras de novos equipamentos, etc.) deverão aliviar os estrangulamentos existentes. Contudo, a solução definitiva acontecerá em prazo mais longo e demandará a ação coordenada dos governos federal, estaduais e mesmo municipais, bem como vultosos investimentos públicos e privados.

Outro ponto que precisa ser atacado refere-se à relação entre as companhias áreas e os consumidores, que estão atualmente muito desprotegidos, dada à relativa inoperância da ANAC, um agência nova, ainda não consolidada, que não pode ser capturada por interesses privados. A ANAC multa pouco e, mesmo assim, os valores são pequenos (R$ 8 mil reais) e as companhias conseguem liminares para não pagar nada.

Nós, Senadores, também temos de assumir nossas responsabilidades e contribuir para a solução da crise. Temos de aperfeiçoar a legislação relativa ao transporte aéreo no Brasil, que carece de modernização e de aperfeiçoamentos, especialmente no que tange à proteção dos passageiros. É necessário também que repensemos o atual marco regulatório do setor aéreo, os poderes e as funções da ANAC, que podem ser mais bem definidos e fortalecidos. Outro ponto que merece nosso empenho é o relativo ao controle aéreo da aviação civil, cerne da crise, que em quase todo o mundo é exercido por órgãos civis. Por último, devo mencionar o fortalecimento do Ministério da Defesa, ente concebido para racionalizar as estratégias e as operações da três forças, como uma das prioridades da nossa ação nesta conjuntura.

Não nos faltam tarefas importantes. São tarefas que nos impõe o país. Temos o dever de realizá-las. Não podemos nos dar o luxo irresponsável de cansar.

Temos também de evitar injustiças e parar de explorar fatos que não contribuem em nada para a solução da crise e só confundem e desinformam a população. É bem verdade que altas autoridades públicas fizeram, ao longo desta crise, declarações inteiramente infelizes; e já se desculparam por isso. Todos já as conhecem, até mesmo porque elas são obsessivamente repetidas a todo momento. Contudo, tais declarações foram tiradas de seu contexto e apresentadas de tal forma que ganharam uma dimensão totalmente desproporcional e deturpada.

Quero, neste momento, defender um homem público que merece respeito: Marco Aurélio Garcia. Conheço-o há décadas e posso afirmar, sem medo de errar, que se trata de pessoa íntegra e educada, que jamais faria aquele gesto em público. A maliciosa invasão da privacidade de seu gabinete revelou um gesto vulgar, o qual, ao contrário do que setores da mídia deram deturpadamente a entender, não expressava desprezo ou indiferença às vítimas, mas sim revolta ante a exploração política da tragédia. Foi apenas um momento infeliz de um homem público que tem se dedicado, como poucos, ao país, e que contribui, no seu âmbito de atuação, para a consolidação de uma política externa de inegável sucesso. (...)

Lo social es más que la exclusión


Por Washington Uranga para Página12

El combate a la indigencia, a la exclusión, en definitiva, esa lucha titánica contra las condiciones que ubican a los ciudadanos en el delgado hilo que, como límite atroz, separa la vida de la muerte, se convirtió en la Argentina reciente en una batalla colosal tanto para el Estado como para la sociedad entera. En ello se invirtieron energías y recursos. Y no sólo centró la atención y las voluntades de enorme cantidad de actores, sino que orientó los esfuerzos y movió la caridad,
cuando no la compasión.

Aunque todos los datos hoy hablan de un panorama que ha mejorado sustancialmente sería ingenuo y tal vez miope afirmar que la exclusión está superada. Aun entendiendo esto último en su sentido más estrecho: aquel que limita esa mirada a la división absurda entre los que están “adentro” y los que están “afuera”, donde estar adentro es apenas sobrevivir en los marcos del sistema y estar afuera agonizar deambulando por las fronteras del mismo. Siendo legítima, la lucha contra la injusticia y la pobreza terminó por restringir dramáticamente el horizonte de lo social que, de por sí y legítimamente, incluye muchos otros aspectos.

La exclusión no es apenas una circunstancia, el resultado de una coyuntura, sino la consecuencia lógica de un sistema. A la exclusión se arriba como resultado de un proceso social, económico y político y atañe muchos aspectos poco debatidos. Uno de ellos es el de la flexibilización y la precariedad laboral.

A la luz de las modificaciones impuestas por la economía global y también por las transformaciones impuestas por el neoliberalismo, la condición de trabajador no garantiza ni siquiera los términos de una inclusión entendida como participación en el sistema con dignidad y justicia social. A tal punto que para algunos asalariados la degradación de las condiciones de trabajo termina siendo un tema tan grave o más que la misma desocupación. Hecho que, por supuesto, conspira en gran medida contra cualquier incentivo de integración de los jóvenes al trabajo remunerado y legal.

Este es un capítulo extremadamente importante al que, sobre todo en períodos electorales, deberían dedicarse no sólo los líderes políticos, sino principalmente aquellos dirigentes sociales y sindicales a quienes el tema les atañe de manera directa.

La agenda social tiene que incluir centralmente el tema del trabajo, no sólo para garantizar ocupación, sino para examinar la realidad del trabajo asalariado. Si en otro tiempo se trataba de dar trabajo sin importar las condiciones, porque eso tenía que ver con la supervivencia, hoy hay que garantizar trabajo pero atender de manera simultánea a la situación laboral, a la dignidad del asalariado, a su calidad de vida y la de su núcleo familiar.

En el mismo camino de la simplificación de lo social la mirada se redujo al ámbito de los pobres y los indigentes. Eso como si lo social no existiese para los sectores medios –muchos de ellos pauperizados– y aun para los de mayores recursos. Lo social tiene que ver también con la calidad de los servicios públicos, con la salud, con la educación y con el transporte. Entre otros.

Lo social se abre, en términos generales, a la calidad de vida y no puede restringirse sólo a paliar las consecuencias del traumático pasado reciente. Para superar el sesgo asistencial lo social tiene que inscribirse en la agenda del desarrollo de manera integral, no para compensar deficiencias sino como un componente insustituible de la calidad de vida y de los derechos ciudadanos.

Mais uma trincheira

Informe JB

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, vai empunhar uma nova bandeira. Quer diminuir a incidência da infecção do vírus da Aids em mulheres. A proposta é sensibilizar a população para o fato de a epidemia ter mudado o seu perfil, concentrando-se também entre as mulheres. Até 1985, para cada 26 homens havia uma mulher contaminada. Hoje a relação é de uma mulher para cada 1,4 homem infectado. Uma das metas de Temporão é dobrar o percentual de mulheres que realizam testes anti-HIV - de 35% para 70%.

Tucanos expõem divisão interna em congresso

DA REPORTAGEM LOCAL

Folha de São Paulo
(para assinantes)

O PSDB voltou a expor sua divisão ontem, no encerramento de seu congresso estadual. Defensor da aliança com o DEM na capital, o governador de São Paulo, José Serra, chegou ao encontro, na cidade de Praia Grande, no momento em que o deputado Vanderlei Macris pregava o lançamento de candidatura própria.
"Se existe uma recomendação nacional para que tenhamos candidatos nas cidades, como poderia ser diferente em São Paulo?", disse Macris, sugerindo que se lance candidato ainda que Geraldo Alckmin não concorra. Já o presidente estadual do partido, deputado Mendes Thame, disse que a negociação com o DEM "começa do zero" caso Alckmin não seja candidato."Se Alckmin quiser, ele será candidato", diz, apontando como segunda prioridade a manutenção da aliança.
Em conversas com tucanos, Alckmin tem ponderado que não poderá concorrer ao governo do Estado em 2010 se disputar a Prefeitura. Além disso, Serra teria dito a ele que precisa de um candidato forte ao Palácio dos Bandeirantes em 2010.
Apesar de os dois conversarem freqüentemente, a lista de presença ao encontro reforça a idéia de divergência entre serristas e alckmistas. Apoiadores de Alckmin prestigiaram a participação do ex-governador no sábado. Mas faltaram ontem.
Serra foi recebido aos gritos de "Brasil, urgente. Serra presidente!". Pouco antes, o partido aprovou moção em solidariedade ao deputado Mauro Bragato. Ex-líder da bancada, ele é investigado sob suspeita de recebimento de dinheiro de empresa contratada pela CDHU.

domingo, 5 de agosto de 2007

PT paulista apóia antecipação da eleição interna para este ano

De acordo com as normas do estatuto, as escolhas deveriam ser feitas apenas em 2008

Clarissa Oliveira, do Estadão

SÃO PAULO - O PT paulista confirmou no fim da tarde deste domingo, 5, o apoio à proposta de antecipar para o fim deste ano a escolha de todas as direções do partido. De acordo com as normas do estatuto, as escolhas deveriam ser feitas apenas em 2008. Durante a etapa estadual do 3º Congresso da legenda, realizada neste fim de semana na capital paulista, 710 dos 1.290 delegados que compareceram à votação foram favoráveis a que a escolha das novas direções ocorra entre fim de novembro e começo de dezembro. Os contrários totalizaram 573(44,4%) e 7 votos brancos e nulos foram computados. Leia mais aqui

O que disse a pesquisa Datafolha?

32% dos mais ricos consideram o governo Lula ótimo e bom. A mesma proporção dos mais ricos o catalogam de ruim e péssimo e para 36% é mais ou menos. Ou seja, dentre os que ganham acima de 10 salários mínimos, está equilibrado entre os dois campos, os favoráveis e os oposicionistas. Esta categoria representa apenas 7,5% da população total do Brasil.

Primeira conclusão que demonstra que a afirmação que os mais ricos são contra Lula não corresponde com os dados da pesquisa Datafolha.

Já na classe média, a que ganha entre 5 e 10 salários mínimos, 39% dão ótimo e bom para o governo e apenas 19% o consideram ruim e péssimo, para 42% ele não é tão bom, nem tão ruim. Este setor representa 10,9% da população.

Segunda conclusão é que a suposta oposição das classes médias ao governo não tem apoio no resultado de nenhuma pesquisa e corresponde ao desejo dos partidos de oposição e de setores da mídia de atribuir a popularidade do governo exclusivamente aos pobres e beneficiários dos programas sociais.

Agora, para os que ganham até 5 salários e que constituem 77,2% da população, o governo Lula aparece como ótimo e bom para 52% e os que dizem que ele é ruim e péssimo são apenas 12%.

Terceira constatação: só uma pequena minoria dos assalariados ou dos que tem renda até 10 salários mínimos concorda com os que afirmam que o governo Lula é ruim ou péssimo. Ou seja uma minoria dentre os que são quase 90% da população do Brasil.

A pesquisa mostra que a classe média, os assalariados e os pobres não consideram o governo ruim, ao contrario são bem mais representativos nestes setores sociais os que o catalogam como ótimo e bom. E mesmo entre os mais ricos a disputa está equilibrada.

Isto explica o resultado global de 48% de ótimo e bom para o governo Lula, contra apenas 15% de ruim e péssimo. Isto depois do acidente da TAM e sem a mídia fazer campanha a favor do governo, o que, além de sadio, mostra que existe uma total liberdade de imprensa no Brasil.

Estes dados, é bom lembrar, são um avaliação do momento e podem mudar. Deles não se conclui nada em relação as futuras eleições de 2008 ou de 2010.

Porém uma coisa é clara: não corresponde com nenhuma pesquisa a afirmação muitas vezes repetida que o apoio ao governo é dos pobres e que as classes médias ou os ricos o consideram ruim.

A pesquisa Datafolha também acaba com o mito que os menos instruídos apóiam Lula e os de formação superior não.

Se entre os 48,5% da população que tem ensino fundamental, o governo obtém 55% de ótimo e bom, contra apenas 11% de ruim e péssimo; entre os que fizeram ensino médio esta relação é de 43% de ótimo e bom, contra 16% de ruim e péssimo (trata-se de 40,3% da população). Quer dizer que o apoio a Lula entre o equivalente de 89% da população é muito superior aos que nesses segmentos o consideram ruim.

Mas mesmo entre os que tem ensino superior e que são apenas 11,2% dos brasileiros e brasileiras, os que consideram o governo Lula ótimo e bom são mais dos que o consideram ruim ou péssimo (36% contra 29%).

Em nenhuma categoria social, nem sócio-econômica, nem por grau de instrução, os que consideram o governo ruim configuram uma maioria. Em todos são minoritários e por tanto não corresponde a afirmação, muito repetida, que os mais informados e que ganham mais dinheiro estão majoritariamente na oposição ferrenha ao governo.

De tudo isto não devemos concluir que o governo esteja bem em tudo e não cometa erros, ou que as criticas a ele dirigidas não sejam apropriadas em muitas questões, e particularmente no trato da crise aérea. Tampouco pode se argüir destes resultados, para desqualificar o direito da oposição, nem da mídia, de apontar o que considera contrário ao interesse público, ou simplesmente aos interesses que defendem. Podemos, isso sim, considerar que o curso da política do governo, seus resultados econômicos, de emprego, de crescimento e de distribuição de renda tem globalmente o respaldo de uma ampla maioria.

A pesquisa também mostra que a pregação de "fora Lula" é uma agressão à maioria esmagadora do país, além de ignorar a legitimidade do voto e do respaldo do governo Lula.

Luis Favre

USA: El perfil conservador de Hillary le da mucha ventaja

INTERNAS DEL PARTIDO DEMOCRATA


RIVALES. LOS CANDIDATOS DEMOCRATAS EDWARD (IZQ), HILLARY Y OBAMA.

Ana Barón WASHINGTON CORRESPONSAL
abaron@clarin.com

Los últimos sondeos de opinión indican que la ventaja que le lleva Hillary Clinton a su contrincante demócrata, Barack Obama, en la carrera hacia la Casa Blanca está aumentando vertiginosamente ¿Por qué? ¿Qué esta pasando? ¿Será que el apoyo que le esta dando su popular marido, el ex presidente Bill Clinton, está comenzando a dar resultado? ¿O será que el escote un tanto osado (para los patrones morales de la sociedad norteamericana) que lució recientemente expuso por primera vez su femineidad, como dicen algunos? Ni lo uno, ni lo otro. Mas allá de la importancia que tiene la imagen de un político o de una política en Estados Unidos, lo que ha sido determinante en el repunte de Hillary es "su experiencia".


El último sondeo de opinión realizado conjuntamente por el Wall Street Journal y la cadena de televisión NBC indica que entre los posibles votantes demócratas Hillary tiene ahora un apoyo del 43%, mientras que Obama tiene sólo el 22%. Es decir existe una brecha de 21 puntos. En junio esa brecha era de 14 puntos. La senadora tenía entonces el 39% y Obama el 25%.

¿Qué fue lo más importante que pasó durante las dos sondeos? Bill ha venido apoyando a Hillary desde un principio. o sea que no es esto.

Y sobre la polémica generada por el escote hubo quienes dijeron que discutir sobre el grado de femineidad Hillary es como discutir sobre el grado de negritud de Obama, un "negro que para algunos no es tan negro" porque su madre era "una blanca" de Kansas. Muy pocos se atrevieron a seguir hablando del tema.

Hillary logró, sin embargo, una clara ventaja en el debate organizado por CNN en el que los televidentes hicieron sus preguntas a través de YouTube. El momento que le permitió hacer la diferencia fue cuando un televidente preguntó a los candidatos si durante el primer año en la Casa Blanca estarían eventualmente dispuestos a entrevistarse personalmente con los líderes de países como Irán, Siria, Cuba, Venezuela y Corea del Norte.

Obama dijo que sí, mientras que Hillary afirmó que sería irresponsable hacerlo sin antes sostener reuniones a niveles más bajos. Al día siguiente Hillary acusó a Obama de "infantil". Obama contraatacó acusándola de querer generar una controversia donde no la hay y recordando que ella votó a favor de la invasión de Irak.

La estrategia de Obama es poner énfasis en la necesidad de un cambio fundamental. Hillary en cambio se muestra como la candidata con experiencia. El avance de Hillary deja claro que, después de la experiencia con George Bush, a la mayoría de los norteamericanos no les gustan las posiciones extremistas.

“Qué porquería, los peronistas”

Imagen: DyN & Télam
Perón, Borges y CFK. Un odio más violento que cualquier razón.


Con la candidatura de CFK (Cristina Fernández de Kichner) reverdeció un antiperonismo tan violento como no se había visto en medio siglo. La atroz intimidad de Jorge Luis Borges y Adolfo Bioy Casares ayuda a entender ese mecanismo, en el que el odio prevalece sobre el humor y que sumió al país en el espanto. El apoyo a los fusilamientos de 1956 y la abominación por cualquier manifestación popular, desde José Hernández o Gardel hasta Pascual Pérez, “ese peronista inmundo”.

Por Horacio Verbitsky

Un brote de intemperancia como no se conoció en el país en medio siglo saludó el lanzamiento de la candidatura presidencial de Cristina Fernández de Kirchner, quien en su primer discurso proselitista dijo que se identificaba con la Evita del puño crispado y el rodete y no con el hada buena que amaba su madre.

La semana pasada, al cumplirse 55 años de su muerte, Eva Perón fue presentada como una mujer que, debido a su pasión por Perón y por los humildes, recibió el desprecio de ciertos de sus contemporáneos. En algunos casos esos ditirambos fueron pronunciados por personas que hoy no pueden sacar la vista del reloj, el atuendo o la cartera de CFK (Cristina Fernandez de Kichner) y que se indignan al hablar de ella, del presidente Néstor Kirchner o del secretario general de la CGT, Hugo Moyano.

Los capítulos del diario de Adolfo Bioy Casares dedicados a su colega y amigo Jorge Luis Borges (1) constituyen un material interesante para estudiar los mecanismos irracionales del odio que la oligarquía argentina y las clases medias que se identificaban con ella sentían por todo lo que tuviera que ver con el ex presidente Juan Perón. Es apabullante el contraste con la sutileza y el humor delicioso con que ambos grandes escritores tocan casi todos los demás temas.

Lea aqui, no jornal Página12 (Argentina)

Crise aérea: 'No Brasil, quem faz gestão são as empresas'

Estudo mostra que concorrência predatória e duopólio das companhias estão entre as causas da crise aérea

Soraya Agegge

SÃO PAULO. Um estudo feito na Universidade Federal Fluminense (UFF) compara a crise aérea americana com a brasileira e conclui que a concorrência predatória e o duopólio das companhias aéreas, causados por falta de comando do governo, estão na base do apagão aéreo. O estudo, desenvolvido pelo especialista Gustavo Cunha Mello, indica que as falhas sistêmicas, mesmo com as dificuldades de infra-estrutura dos aeroportos, podem ser corrigidas apenas com medidas políticas, como as prometidas pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim: — Não aposto no catastrofismo.

Não precisamos ficar quatro anos no caos enquanto fazem obras. Temos ótimos aeroportos, como o Tom Jobim, que atua 45% abaixo de sua capacidade, e não usamos, ao mesmo tempo em que Congonhas ficou 54% acima de sua capacidade. O problema é que no Brasil quem tem feito a gestão são as empresas apenas. Nos Estados Unidos, a agência reguladora faz.

Em seu estudo, Mello mostra que os Estados Unidos sofreram uma estagnação no setor em 1981, inclusive com greve de controladores de vôo, depois que, em 1978, o Congresso promulgou o “Airline Deregulation Act”, e abriu o mercado para novas empresas, processo semelhante ao brasileiro, inclusive com falência de empresas tradicionais, como Panam e TWA.

Nos EUA, mercado é regulado por agência Mas, com a entrada de sua agência, a FAA, o mercado foi completamente regulado. A malha é dividida entre empresas regionais e nacionais, ao contrário da brasileira, e os lucros são menores e mais bem divididos: — Aqui, as nacionais, como TAM e Gol, operam também em linhas regionais, que dão prejuízos, mas ficam para garantirem a predominância do mercado, destruindo as empresas regionais.

As grandes não têm frotas nem tripulação suficientes para operações regionais e nacionais.

Acabam causando panes freqüentes e outros problemas. Tudo porque as grandes querem engolir as pequenas. E ninguém regula isso. Fazem os hubs (centros de conexões) onde não poderiam, como em Congonhas.

Nos Estados Unidos, a margem de lucro líquido das empresas em 2006 foi de 1,7%, sendo que a maior empresa teve 5,5%, e a segunda, 2%. No Brasil, a Gol teve 9,2%, e a TAM, 7,6%.

— Observamos quatro grandes focos da crise: a concorrência desleal das nacionais sobre as regionais, uma concentração das malhas em 85% para TAM e Gol, o excessivo crescimento do lucro líquido de ambas as empresas e, por fim, a concentração de quase toda a malha aérea no hub de São Paulo (Congonhas) — disse Mello.

Segundo ele, a alegação das empresas de que o hub paulista reduz custos é falsa: — Não vão subir custos se os vôos forem para Galeão, Confins (Belo Horizonte), Afonso Pena (Curitiba) ou outro. O ICMS que incide no querosene de aviação, item que significa 30% do custo médio dos vôos, custa 25% em São Paulo, mas cai para 4% no Rio e 3% em Belo Horizonte. 

“São quatro focos da crise: concorrência desleal, concentração das malhas para TAM e Gol, excessivo crescimento do lucro e a concentração em São Paulo. Leia mais no jornal O Globo (para assinantes)

Argentina revive nostalgia de Evita


Campanha eleitoral de Cristina Kirchner causa febre sobre ex-primeira-dama na mídia

Correspondente BUENOS AIRES.

Não existem muitas semelhanças entre ambas, mas com o lançamento da candidatura presidencial da senadora e primeira-dama argentina, Cristina Fernández de Kirchner, a evocação da imagem de Eva Perón, a mulher mais importante da história política do país, foi inevitável.

Tratando-se de duas mulheres peronistas, as comparaçõe s, alimentadas pela própria Cristina, tomaram a opinião pública. Em recentes viagens ao exterior, a candidata do governo de seu marido, o presidente Néstor Kirchner, disse sentirse identificada com “a Eva Perón de coque e punho cerrado”.

Resultado: em plena campanha eleitoral, Evita voltou a brilhar em grande estilo em revistas e jornais do país. Semana passada, o jornal “Perfil” publicou uma edição de 24 páginas com fotos da segunda esposa do general Juan Domingo Perón, que até hoje não haviam sido divulgadas.

O material pertence à família do fotógrafo Pinélides Aristóbulo Fusco (1913-1991), que trabalhou com o casal entre 1948 e 1955.— As fotos estavam guardadas porque não havia interesse em publicá-las. Mas a imagem de Evita voltou a interessar, e muito, tanto que estamos realizando uma exposição itinerante na província de Buenos Aires — disse ao GLOBO Edgardo Fusco, filho do fotógrafo de Evita e Perón.

Segundo ele, depois de 1955 (ano em que foi derrubado Perón), o pai teve de esconder as fotos por motivos políticos.

Depois o material acabou ficando guardado.

As fotos de Fusco mostram uma Evita informal, de cabelos soltos, falando no telefone, conversando ou tocando o piano, imagens que nunca antes haviam sido vistas pelos argentinos. O fotógrafo argentino, que tinha 35 anos quando conheceu a segunda esposa de Perón, retratou momentos inesquecíveis da vida do maior mito feminino da Argentina, por exemplo, o dia em que Evita, já muito doente, fez questão de votar nas eleições presidenciais de novembro de 1951. Era a primeira vez que as mulheres argentinas votavam, uma das grandes vitórias da carreira política de Evita.

Em 27 de julho passado, o governo Kirchner organizou um ato em homenagem à segunda esposa de Perón, exatamente 55 anos após sua trágica morte. A candidata do governo foi a grande estrela do evento, que reuniu mais de 2.500 pessoas no município de Berazategui, na província de Buenos Aires. Cristina lembrou da Evita de sua juventude, de sua militância política e também da Evita “dos silêncios, da longa noite da ditadura (1976-1983)”.

— Existe também uma Evita de novas significações, não na liturgia dos discursos vazios, mas sim na obra de governo, que é onde ela deve ser honrada — assegurou a primeira-dama argentina.

Em tom enérgico, Cristina defendeu a “Eva da vitória sobre os ridículos que pretendem desconhecer a inteligência do povo quando tentam nos convencer de que tudo está mal”.

O Globo
(para assinantes)

A importância dos telecentros

Lan houses, virtual expansão em áreas pobres
Cresce nas comunidades carentes o número de casas de acesso à internet

O Globo (para assinantes)
Taís Mendes

Os limites impostos pelo tráfico no Complexo da Maré encontram brechas num espaço que ameaças ou armas não conseguem transgredir. É pela internet, nas cerca de 150 lan houses existentes nas 16 comunidades do complexo, que jovens de diferentes faixas etárias se comunicam com vizinhos que vivem sob o domínio de facções rivais. Mais do que aproximar, a proliferação dessas casas em comunidades carentes do Rio permite que crianças e adolescentes pobres se apropriem das tecnologias da informática com a mesma intensidade de jovens de classe média. Segundo pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil, a população com renda familiar até R$ 300 é responsável por quase 50% dos acessos em lan houses.

Quem visita o Complexo da Maré comprova o que revela a pesquisa. No conjunto de favelas, com cerca de 130 mil habitantes, as lan houses lotam diariamente.

— Tenho um amigo na Baixa do Sapateiro e só posso me comunicar com ele pelo Orkut, porque aqui o tráfico não deixa ele entrar — diz um jovem de 16 anos, da Favela Nova Holanda.

A demanda leva muitas lan houses a funcionarem até de madrugada. Na promoção batizada de viradão, o internauta paga R$ 6 para usar o computador até o amanhecer, com direito a café da manhã. O auxiliar de escritório Pedro Farias da Silva, de 29 anos, é cliente assíduo: — É quando eu posso pesquisar ou jogar com tranqüilidade.

Na Nova Holanda, por exemplo, a Vida Lan registra o acesso de 50 pessoas aos computadores num único dia. O movimento só não é maior porque a média de permanência dos jovens diante da tela chega a cinco horas.

Tanto tempo dentro do espaço estimula amizades e namoros.

Foi lá que Rayane Silva, de 13 anos, conheceu o namorado Rodrigo Sotero, de 15.

— Ficávamos conversando pelo MSN. Ele num computador e eu em outro, na mesma lan.

Até que o namoro começou, há dois meses — conta a jovem.

Desde que o virtual virou real, a jovem é proibida pelo namorado de acessar o MSN.

— Para evitar que ela conheça outro — brinca Rodrigo.

TENTANDO SOBREVIVER

Newsletter de Osias Wurman: Noticias da rua judaica

Os cerca de 100 mil sobreviventes do Holocausto que moram em Israel estão em "pé de guerra" com o governo de Ehud Olmert a quem acusam de insensibilidade. O motivo foi a proposta do primeiro-ministro para uma ajuda mensal individual, em torno de 20 dólares, para os sobreviventes. As organizações das vitimas da Shoah ameaçam pressionar o governo através de lideranças judaicas internacionais.

"Mal lui a pris, à celui qui croyez prendre", ou Deu-se mal quem queria fazer mal, ou: E agora, Clóvis?

Ombudsman da Folha de São Paulo ataca humor macabro é o "top, top, top" da Folha na tragédia

Em capa digna de antologia do mau gosto, o caderno Turismo da Folha titulou na quinta: "Balança, mas não cai". O gracejo macabro anunciava temporada de cruzeiros na costa.
Marco Aurélio Garcia cometeu o gesto "top, top, top" em repartição que julgava livre de vigilância e como reação instantânea a uma notícia de TV.
Já o jornal teve tempo para pensar. Desrespeitou quem ainda chora a morte dos seus.
Marta Suplicy disse a frase infeliz ("Relaxa e goza") sobre os percalços da crise muito antes do desastre do Airbus.
A Folha publicou a capa depois. Em quadra do grotesco, o jornal deixou sua marca.

Saberetes

Carta de leitor da Folha publicada na edição de hoje


"O emérito professor Fernando Henrique Cardoso sabia que estávamos à beira daquele caos elétrico que, além de parar o país, nos causou tanto transtorno. O professor sabia da licitação do projeto Sivam? Sabia, o professor, que algumas pessoas tramavam para que ele fosse reeleito e, para tanto, que compravam até deputados? Tinha sapiência, o emérito professor, sobre as questões que envolviam o caso do Marka e FonteCindam? Enfim, quer me parecer que o "não-saber" não é privilégio do Lula. O que parece ser "privilégio" do ex-operário que, inadvertidamente ousou tornar-se presidente, é que a imprensa o trata de forma diferente do emérito professor: Lula tem que saber de tudo, já o Fernando Henrique... Bom, o Fernando Henrique não precisa saber de nada."
CÉSAR DE PAULA (São Paulo, SP)

sábado, 4 de agosto de 2007

Pesquisa Datafolha de amanhã, domingo

Avaliação do governo Lula

Ótimo e bom 48%

regular 36%

Ruim e péssimo 15%

não sabe 1%

Reflexões pessoais sobre o acordo PT - Baath da Síria

O presidente do PT e o secretário de relações internacionais do partido, assinaram no mês de maio um protocolo de acordo com o partido Baath da Síria.

Como disse a carta enviada ao Centro Simon Wiesenthal pelos companheiro Ricardo Berzoini e Valter Pomar “Ter um acordo de cooperação com um determinado partido, não significa necessariamente que o PT esteja de acordo, total ou parcial, com a ideologia, com a história e com as ações governamentais destes partidos.”

Isto é verdade e não significa, é claro, que possamos ignorar a ideologia, a história e as ações dos partidos com que estabelecemos acordos de cooperação.

Considerar o partido Baath da Síria como um partido democrático ou de esquerda ou ao menos uma organização antimperialista seria um equivoco que o PT não fez e seguramente não fará. Tenho dúvidas, inclusive, se o Baath é realmente um partido ou uma simples correia de transmissão do poder ditatorial da familia Assaf que governa esse país com mão de ferro, e de pai para filho, faz quase meio século.

Uma coisa é considerar como legitima a reivindicação da Síria de restituição dos territórios ocupados por Israel (como é o caso do Golán) e outra, diferente, endossar a política reacionária, ditatorial e anti-democrática do regime do Baath. O protocolo assinado não entra nestas questões, nem em qualquer acordo ou compromisso político, o que é saudável, porem é bom evitar declaracões confusas ou simpáticas para com um regime que faz muito tempo deixo de ser “progressista”. Os dirigentes petistas devem, na minha opinião, estar atentos para que ninguém possa associar nosso partido a essa ditadura, mesmo secular e com rotulo "socialista".

Pretender que o regime sírio é adversário da “política imperialista norte-americana” é só parcialmente verdadeiro e isto não faz deles, ipso facto, nossos amigos e aliados. Este raciocínio é reducionista e infantil, além de não condizer com a tradição do PT.

Vale lembrar que foi o regime de Assad e do Baath que em 1970 colaborou com Hussein da Jordania para massacrar a OLP e o povo Palestino (40 mil mortos), fechando suas fronteiras e obrigando os partidários de Arafat a se refugiar em condições mais que precárias no Líbano.

Convém insistir também que a rejeição da ocupação por Israel do sul do Líbano nunca significou apoio a ocupação da Beeka pelas tropas da Síria, cuja retirada do Líbano, junto com as de Israel, configurou um primeiro passo importante no caminho de negociações pacificas e de restituição da soberania nacional do povo libanês.

Nossa solidariedade para com o povo palestino e sua luta pela constituição de um Estado Palestino democrático e independente, que respeite a existência e a segurança do Estado de Israel; postura oficial do PT e manifestação inequívoca de nosso engajamento em favor dos oprimidos no oriente-médio, assim como repúdio a política dos governos de Israel que com apoio dos USA pratica uma linha belicista na região, nunca podem servir para avalizar nem grupos islâmicos radicais, nem regimes ditatoriais e partidos reacionários ou grupos terroristas. Faz bem ao PT reafirmar isto permanentemente.

Não estamos discutindo das necessárias e normais relações diplomáticas, comerciais, econômicas e culturais com os diversos governos da região por parte do governo brasileiro e que devem continuar e se aprofundar.

Não estou questionando contatos políticos com forças políticas das mais diversas no mundo e no médio-oriente, em particular, o que faz parte do pluralismo e tradição democrática do PT e que não exige assinatura de nenhum protocolo especifico. Não precisamos dar atestados "democráticos" a partidos com os quais nos reunimos de vez em quando e com os quais não temos nada em comum. E menos ainda a partidos como o Baath.

Se a democracia é um valor universal como consta da posição histórica do PT, ela tem que nortear também nossos compromissos políticos no plano internacional.

Luis Favre

resposta ao Centro Simon Wiesenthal

São Paulo, 02 de agosto de 2007.


Ao Dr. Shimon Samuels
Diretor de relações internacionais

Ao Lic. Sergio D. Widder
Representante para a América Latina

Centro Simon Wieshental


Recebemos hoje, através de um jornalista da agência Reuters, em formato PDF enviado por correio eletrônico, a carta que vocês dirigiram ao Partido dos Trabalhadores, acerca do protocolo de cooperação firmado entre o Partido Baath da Síria e o PT do Brasil.

Posteriormente, recebemos uma ligação do jornal O Globo, solicitando nossa opinião sobre vossa carta, que chegou aos escritórios do Partido, via fax, as 11h28, horário Brasília.

Registramos com estranheza este procedimento.

Sobre o conteúdo de vossa carta, rogamos que façam novamente a leitura do acordo de cooperação assinado no dia 30 de maio de 2007.

Lá se fala em "incentivar a troca de visitas de delegações oficiais entre os Partidos em datas acordadas antecipadamente, objetivando a troca de idéias e pontos de vista a respeito das causas comuns"; promover "a troca de visitas entre delegações especializadas, em datas acordadas antecipadamente, objetivando a troca de experiência a respeito da logística de trabalho de cada Partido, e a troca de experiências"; promover a "troca de publicações e de documentos partidários importantes"; promover "a troca de convites para que cada Partido possa participar nos Congressos e Conferências do outro, de acordo com as tradições de cada Partido"; "em buscar coordenar os pontos de vista durante a sua participação em Congressos e Fóruns regionais e internacionais"; em trabalhar "no sentido de fortalecer as relações de amizade e cooperação entre as organizações populares e as sociedades representantes da sociedade civil, objetivando o intercâmbio de experiências".

O PT mantém acordos de cooperação deste tipo, com vários partidos políticos, na Europa, na América Latina, na Ásia e na África.

Ter um acordo de cooperação com um determinado partido, não significa necessariamente que o PT esteja de acordo, total ou parcial, com a ideologia, com a história e com as ações governamentais destes partidos.

O PT defende a paz e a democracia no mundo e no Oriente Médio. Somos contra o terrorismo, inclusive o terrorismo de Estado. E somos contra a política de guerra adotada pelo governo norte-americano, que tem contribuído para desestabilizar toda a região.

Para conseguir a paz, não ajuda sair distribuindo "certificados seletivos de terrorismo", que na prática servem para alguns governos que se consideram campeões da democracia, excluírem do diálogo atores de enorme importância política, partidos políticos reconhecidos em seus países, com grande apoio popular, parlamentares e governantes eleitos.

Por tudo isto, achamos que o acordo de cooperação firmado entre o PT e o Partido Baath da Síria é um ato em favor da paz.

Nos colocamos a disposição do Centro Simon Wieshental, tanto para esclarecer algo mais, quanto como facilitar nos contatos que queiram manter com o próprio Partido Baath e/ou com o governo da Síria, para apresentar quaisquer queixas, demandas e posicionamentos.


Atenciosamente,


Ricardo Berzoini
Presidente nacional do PT

Valter Pomar
Secretário de relações internacionais do PT

Protocolo de acordo entre o Baath da Síria e o PT - maio 2007

ACORDO DE COOPERAÇÃO ENTRE O PARTIDO BAATH ÁRABE SOCIALISTA E O PARTIDO DOS TRABALHADORES PARA O PERÍODO DE 2007-2010.

Partindo da vontade comum do Partido Baath Árabe Socialista e do Partido dos Trabalhadores de constituir relações de cooperação metódica entre ambas as instituições, com o objetivo de estreitar os laços de amizade entre os povos amigos da República Árabe da Síria e da República Federativa do Brasil, e de melhor servir aos interesses comuns dos dois países e povos, assinaram o seguinte acordo de cooperação:

1. Incentivar a troca de visitas de delegações oficiais entre os Partidos em datas acordadas antecipadamente, objetivando a troca de idéias e pontos de vista a respeito das causas comuns.

2. Promover a troca de visitas entre delegações especializadas, em datas acordada antecipadamente, objetivando a troca de experiência a respeito da logística de trabalho de cada Partido, e a troca de experiências.

3. Promover a troca de publicações e de documentos partidários importantes.

4. Promover a troca de convites para que cada Partido possa participar nos Congressos e Conferências do outro, de acordo com as tradições de cada Partido.

5. Concordam ambos os Partidos em buscar coordenar os pontos de vista durante a sua participação em Congressos e Fóruns regionais e internacionais.

6. Trabalhar no sentido de fortalecer as relações de amizade e cooperação entre as organizações populares e as sociedades representante da sociedade civil, objetivando o intercâmbio de experiências.

7. Encarregar o escritório de Relações Internacionais no partido Baath Árabe Socialista e a Secretaria de Relações Internacionais no Partido dos Trabalhadores de acompanhar a execução dos Itens deste acordo.

8. Este acordo terá duas versões em árabe e em português, tendo o mesmo efeito.

Partido Baath Árabe Socialista - Partido dos Trabalhadores

O passado bate

Tereza Cruvinel


O Globo (para assinantes)

Está ameaçada a iniciativa mais ousada do governo para modernizar a administração pública e livrá-la das amarras que comprometem a eficiência dos serviços prestados pelo Estado. A ironia está na concessão de uma liminar pedida ao STF pelo PT há mais de sete anos, quando combatia a reforma administrativa de FH. É incerto agora o destino do projeto enviado por Lula ao Congresso, permitindo a prestação de serviços por fundações que poderiam contratar servidores pela CLT.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, propôs a mudança em busca de um modelo de gestão que acabe com o caos hospitalar. O governo aderiu e incluiu outros serviços na lista dos que poderão ser explorados por fundações. Contratar pela CLT é apenas uma das flexibilidades que elas terão, ganhando com isso mais agilidade e eficiência. Poderão, por exemplo, oferecer salários diferenciados para atrair especialistas.

Como contratar um grande cirurgião com os salários que o serviço público paga?, pergunta Temporão. Mas o STF diz agora que no setor público, nas três esferas federativas, as contratações têm que ser pelo Regime Jurídico Único, que, ao garantir a estabilidade no emprego e uma infinidade de regalias, dificulta a exigência de metas de desempenho. O ministro da Saúde acha que o projeto não está ameaçado, embora houvesse ontem entendimento jurídico contrário no governo e no Congresso.

— Nossa proposta foi minuciosamente estudada, no aspecto jurídico. A decisão do Supremo afetará as fundações públicas, não as privadas, e são estas que estamos propondo. Se houver problema, uma base legal nova terá que ser criada para possibilitar a mudança do modelo de gestão hospitalar. O atual faliu, acabou. Agora mesmo estão ocorrendo demissões em massa de médicos, insatisfeitos com os salários e as condições de trabalho em Pernambuco, Alagoas e Espírito Santo — diz ele.

Esta não é a primeira nem será a última vez que uma iniciativa do governo é confrontada com a pregação ou a conduta do PT no passado.

Caso mais emblemático, e já tão surrado, o da política econômica. Embora ela venha beneficiando os banqueiros e todos aqueles que “nunca ganharam tanto dinheiro”, como disse o presidente esta semana, criticando os empresários do movimento “Cansei”, tem sido também fonte importante de sua popularidade, ao propiciar transferências de renda, inflação baixa, crédito abundante e consumo em alta.

Quando voltar a ser oposição, terá o PT uma chance de não semear espinhos para colher no futuro.

Mas ele não é o único a esquecer tudo quando muda de lado no balcão do poder.

Estão aí os tucanos, esquecidos de tudo o que fizeram e deixaram de fazer em São Paulo, contribuindo para a concentração de vôos em Congonhas, que hoje criticam como se inventada no atual governo — que de fato a tolerou e acentuou. O governador Mario Covas quis fazer o trem Centro-Guarulhos.

Ele morreu, Alckmin assumiu e arquivou o projeto.

Os governos tucanos atraíram para Guarulhos, com todo tipo de ofertas, a maioria dos vôos internacionais, esvaziando o Galeão e desfavorecendo o Rio. Enquanto isso, Congonhas inchava, ao gosto da classe média cansada demais para ter que ir a Guarulhos.

Leia na integra a coluna de Tereza Cruvinel no jornal O Globo (para assinantes)

59% discordam da Igreja Católica e admitem aborto em certos casos

O Estado de São Paulo

Pesquisa feita 4 dias após fim da visita do papa Bento XVI ao País revela também que 83% apóiam Estado laico

Mais dados da pesquisa

Simone Iwasso

Pesquisa feita pelo Ibope entre os dias 17 e 21 de maio mostrou que 59% dos entrevistados discordam da posição da Igreja Católica ao condenar o aborto em qualquer caso. No Código Penal, ele é permitido quando há riscos para a vida da mãe e quando a gravidez resulta de um estupro. O levantamento, divulgado com exclusividade pelo Estado, foi encomendado pela organização não-governamental Católicas pelo Direito de Decidir. Foram entrevistadas 2.002 pessoas em 141 municípios, compondo uma amostragem nacional.

A pesquisa, realizada quatro dias após o encerramento da visita do papa Bento XVI ao Brasil, indica também que para 83% dos entrevistados o presidente de um País deve governar baseado na diversidade de opiniões existentes na sociedade - e não apenas nos ensinamentos de sua religião. Essa foi a idéia, a de um país laico, que o presidente Lula tentou transmitiu a Bento XVI no encontro que tiveram no Palácio dos Bandeirantes.

A distribuição gratuita de preservativos e anticoncepcionais pelo poder público também foi apoiada pela maioria dos entrevistados - 96% para o primeiro e 93% para o segundo.

Outra pesquisa, feita entre os dias 28 e 30 de abril pelo Instituto Vox Populi, também em uma amostragem nacional e com a mesma pergunta e metodologia, mostrava que 45% dos entrevistados discordavam do posicionamento da Igreja em relação ao aborto. Em ambos os casos, a margem de erro é de três pontos porcentuais para mais ou para menos.

“O aumento de pessoas que discordam da Igreja, revelada pela comparação das duas pesquisas, o que é perfeitamente possível de ser feito devido à especificidade da pergunta, representa uma tendência da população”, explica a socióloga Fátima Pacheco Jordão, especialista em pesquisas. “Nesse período, ficou bastante claro que os católicos, principalmente os jovens, seguem valores próprios em relação à sua sexualidade.”

Dulce Xavier, das Católicas pelo Direito de Decidir, faz uma leitura semelhante dos resultados. “O que os dados mostram é que a população em geral, e os próprios católicos, não seguem o que a Igreja prega em relação à sua saúde reprodutiva”, afirma. Ela ressalta também como o tema foi bastante discutido na mídia e em várias esferas da sociedade entre as pesquisas. “Houve um debate sobre o tema, no qual várias pessoas da sociedade se pronunciaram, arejando as vozes e tocando inclusive na importância do Estado laico.”

De acordo com o secretário de Comunicação da Arquidiocese de São Paulo, padre Juarez de Castro, o aumento do porcentual de pessoas que discordam da Igreja pode ter acontecido porque o assunto foi trazido à tona no discurso do papa. “O aumento aconteceu porque as pessoas passaram a comentar mais o assunto.” Castro afirma ainda que a Igreja tem um posicionamento favorável à vida até o “último suspiro natural”.

“É propagada a idéia de que a mulher tem direito de decidir sobre o que vai fazer com o próprio corpo, mas acreditamos que não cabe a ela escolher sobre a vida de outra pessoa.” Ele diz ainda que a Igreja não condena ninguém ao inferno por não concordar com sua ideologia. “Nosso posicionamento reflete respeito e ética pelo ser humano, mas a sociedade tem direito de discordar, já que vivemos em uma democracia”, disse.

No primeiro semestre deste ano, o tema do aborto e do direito à vida foi bastante discutido na sociedade. Em abril, o Supremo Tribunal Federal organizou pela primeira vez uma audiência pública com especialistas para discutir o início da vida - motivada por uma ação movida pelo ex-procurador da República Cláudio Fonteles contra a Lei de Biossegurança, que permite as pesquisas com células-tronco embrionárias.

O próprio papa Bento XVI, em seus discursos no Brasil, ressaltou as posições e os dogmas da Igreja, criticando os políticos mexicanos que votaram na época a favor do aborto.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, defendeu a possibilidade de um plebiscito para discutir a descriminação do aborto. No Estado de São Paulo, o governador José Serra (PSDB) deu início a uma política de planejamento familiar, incluindo a distribuição de anticoncepcionais em estações de metrô e a ampliação da oferta de cirurgias de laqueadura e vasectomia no serviço público.

CÓDIGO PENAL

Sobre o aborto legal, nome dado ao procedimento feito nas duas situações em que a lei permite, e oferecido em hospitais cadastrados pelo Ministério da Saúde, os entrevistados se posicionaram de maneira favorável. Para 75% deles, ele deve ser oferecido por locais públicos de saúde. Já 78% disseram ser a favor do aborto em caso de risco para a mãe, já previsto. O aborto no caso de gravidez resultante de estupro, igualmente legal, tem apoio de 65% das pessoas.

Uma frente parlamentar formada por deputados e senadores incentiva as discussões mesmo sobre os casos que se enquadram na lei. Eles sugerem a proibição de tal prática.

No caso de um feto que apresenta um problema grave e não tem chances de sobrevivência fora do útero, 74% disseram apoiar a antecipação do parto - o que ocorre no caso da anencefalia. Atualmente, para esses casos, as mulheres têm de pedir autorizações à Justiça. Há ação sobre o tema esperando julgamento no Supremo Tribunal Federal.

“O primeiro semestre deste ano foi um momento importante para esse debate. O ministro falando no tema, a diversidade de pessoas com respeito, credibilidade e conhecimento acadêmico que começaram a se pronunciar, os cientistas que falaram no tema. Tudo isso trouxe mais informações para as pessoas”, analisa a socióloga Maria Teresa Citeli, professora do Departamento de Política Científica e Tecnológica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Foi um momento em que pessoas com autoridade e legitimidade apareceram dando seus pontos de vista.”

O médico Thomaz Gollop, especialista em medicina fetal da Universidade de São Paulo (USP), enxerga um denominador comum nas respostas. “A informação é muito importante e o Brasil é um país altamente desinformado. Nesse contexto, tudo depende da abordagem sobre um tema. E isso aparece com muita intensidade na saúde reprodutiva”, diz. “À medida que as pessoas recebem mais informações, elas podem começar a formar uma opinião.”

Operação Pomar da Policia expos a corrupção no CDHU do Governo Alckmin

Editorial do jornal O Estado de São Paulo: O desmonte da CDHU

O governo do Estado de São Paulo anunciou um plano de reestruturação da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), que inclui a criação do Fundo Estadual da Habitação, corte de pessoal, extinção de escritórios regionais e fiscalização das empreiteiras que constroem conjuntos habitacionais populares. Com isso, o governo pretende coibir fraudes, reduzir gastos e melhorar o atendimento à população. A medida é correta, mas tardia. Desde 1998 a CDHU é alvo de 102 processos na Justiça, nos quais o Ministério Público Estadual (MPE) pede a devolução de pelo menos R$ 1,1 bilhão aos cofres públicos por supostos contratos irregulares firmados com prefeituras e empreiteiras.

Há dois meses, o MPE e a Polícia Civil deflagraram a Operação Pomar, que revelou um esquema de superfaturamento e fraudes em licitações para a construção de casas em 23 municípios. O grupo de fraudadores atuava há sete anos e causou rombo estimado de R$ 40 milhões.

A prática criminosa foi descoberta a partir do exame do livro-caixa da empreiteira FT Construções, cujo dono, o engenheiro civil Francisco Emílio de Oliveira, é conhecido como Chiquinho da CDHU, por seu estreito relacionamento com a companhia. Ele foi preso e responde por crime de formação de quadrilha e fraudes contra a lei de licitações.

A denúncia envolve prefeitos, vereadores, empresários, diretores da CDHU e o ex-líder do PSDB na Assembléia Legislativa Mauro Bragato, ex-secretário da Habitação do Estado no governo Geraldo Alckmin. No livro-caixa da construtora havia 30 anotações com as iniciais MBR ao lado de valores que somavam R$ 104 mil, pagos entre 2003 e 2005. Junto dos valores havia a sigla QLN que, segundo funcionários da empresa, significava “quanto levo nisso”. Na semana passada, Mauro Bragato pediu afastamento do cargo de líder do partido. A oposição protocolou um pedido de CPI para investigar o caso.

Pressionado, o governo estadual anunciou o desmonte da CDHU, uma empresa que tradicionalmente teve seus cargos negociados em troca de apoio político e os serviços prestados à população sempre seguiram o calendário eleitoral em detrimento da qualidade do atendimento.

Pelo menos 30% dos conjuntos da CDHU têm problemas fundiários. São 115 mil beneficiados que já quitaram suas dívidas com a companhia, mas não conseguem a escritura por causa de irregularidades dos lotes. Além disso, as unidades habitacionais em geral são mal projetadas e mal construídas. Em maio de 2006, um buraco de cem metros engoliu casas num conjunto habitacional construído em Ribeirão Bonito. Em Americana, casas erguidas em 2004 apresentaram, dois meses depois de entregues, problemas graves de infiltração e falhas nas instalações elétrica e hidráulica. No ano passado, em Santo André, um conjunto habitacional foi entregue tendo como único acesso uma escadaria de 210 degraus.

O primeiro passo anunciado pelo governo para pôr fim aos abusos será o envio da proposta da criação do Fundo Estadual da Habitação à Assembléia. Assim, a CDHU deixará de receber recursos do orçamento para a construção de moradias, que passariam a ser administrados pelo fundo. Segundo o secretário da Habitação, Lair Krähenbühl, a CDHU também deixará de elaborar a política habitacional, que passará a ser planejada pela Secretaria. A companhia será o braço operacional dos projetos.

Em artigo publicado no site do Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores, o deputado Simão Pedro informa que já existe projeto de lei com a mesma proposta, pronto para ser votado no Legislativo. Segundo ele, o Fundo permite que prefeituras, associações e cooperativas proponham projetos mais adequados às suas realidades.

O desmonte da CDHU seguirá com a desativação de 5 dos 11 escritórios regionais no interior, com o corte de 40% do quadro de funcionários e com a contratação de 8 empresas para fiscalizar as empreiteiras.

As medidas devem ser colocadas em prática com urgência. Tanto quanto a devida punição àqueles que por anos se beneficiaram da farra da CDHU.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Ação da justiça contra o preconceito

Juiz do caso Richarlyson é afastado após análise do processo

Justificativas sem embasamento na lei forçam a saída de Manoel Junqueira; processo segue na Justiça


SÃO PAULO - A confusão envolvendo a acusação de que o meio-campista Richarlyson, do São Paulo, seria gay, ganhou nesta sexta-feira mais um capítulo. O juiz Manoel Maximiliano Junqueira Filho, da 9.ª Vara Criminal de São Paulo, foi afastado do cargo por uma decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a pedido dos advogados do jogador, Renato Salge e Paulo César Ferreira, após tomarem conhecimento da sentença que Junqueira expediu para justificar o arquivamento do caso.

Veja também:
lista Leia a íntegra da sentença no Conjur

As justificativas do juiz se tornaram públicas e foram motivos de críticas e revoltas pelo tom homofóbico do texto, com frases como "Quem é, ou foi boleiro, sabe muito bem que estas infelizes colocações [ser homossexual] exigem réplica imediata, instantânea, mas diretamente entre o ofensor e o ofendido, num tête-à-tête" e "futebol é jogo viril, varonil, não homossexual. Há hinos que consagram esta condição."

Salge e Ferreira dizem que não contaram ao jogador o tom do despacho e que estão recorrendo da decisão de arquivar o processo. O autor da frase que gerou toda a crise, José Cyrillo Junior, será convocado para depor e se explicar sobre o problema na Justiça, mesmo tendo pedido desculpas publicamente, na televisão, dois dias após o caso.

" O cara diz que precisa comer o ovo, mas fica torcendo para a galinha não botar o ovo "

Crescimento

Lula usa expansão da indústria para criticar "pessimistas"

Reuters/Brasil Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante cerimônia de lançamento do PAC de saneamento e habitação, no Palácio do Planalto - Reuters

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a divulgação de dados sobre a indústria brasileira nesta sexta-feira para criticar os "pessimistas" com o país.

- O crescimento não é tanto como eu gostaria mas não é como os pessimistas diziam - disse Lula em discurso na cerimônia do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Saneamento Básico e Urbanização .


- O cara diz que precisa comer o ovo, mas fica torcendo para a galinha não botar o ovo - criticou Lula.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta manhã que a indústria cresceu 6,6% em relação ao mesmo período do ano passado, melhor taxa desde dezembro de 2004.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que os números da indústria mostram que o Brasil não sofre da chamada doença holandesa.

Ele se referia ao fenômeno ocorrido na Holanda nos anos 60 e 70, em que os ganhos gerados com a exportação de produtos primários, fortemente valorizados no exterior, leva a uma a apreciação cambial e, conseqüentemente, ao desestímulo de investimentos produtivos que podem gerar um processo de desindustrialização.

Os acordos do PAC anunciados nesta manhã por Lula atingirão 12 Estados mais o Distrito Federal, no valor total de R$ 6,9 bilhões, sendo R$ 5,9 bilhões de recursos do governo federal.

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Autonomia de fachada

Edição 456

Carta Capital

A crise demonstrou que as agências prestam pouca satisfação ao poder político e se rendem aos setores privados

por Márcia Pinheiro e Paula Pacheco

Há um pedaço do Estado brasileiro imune a qualquer controle republicano. O presidente, eleito pelo voto da maioria, tem limitado ou nenhum poder de intervenção. Os congressistas não podem, em caso de urgência, convocar os agentes públicos responsáveis para prestar contas. No máximo, conseguem convidá-los a comparecer às comissões. Aos convidados, cabe definir dia e hora mais convenientes. Em tese, isso deveria preservar essa porção do poder público, formada pelas agências reguladoras, o Banco Central e a Comissão de Valores Imobiliários (CVM), das “ingerências políticas”. O que se vê, no entanto, é algo tão ou mais grave aos avanços democráticos: a submissão quase irrestrita dessas instituições a interesses privados.

O acidente em Congonhas, e os elementos que de certa forma o ligam à crise vivida pela aviação brasileira, expuseram de maneira exemplar os “riscos” da independência irrestrita dessas instituições e da falta de uma regra geral que permita, entre outras coisas, algum tipo de controle externo. Riscos, aliás, que haviam sido expostos em 2001, com o apagão energético. Leia mais aqui

Gol contra

É inadmissível usar a OAB para movimento camuflado

por José Luís Oliveira Lima*

Se há um valor que não pode ser negado à advocacia é o da diversidade. Não é preciso uma pesquisa acurada para concluir que o segmento profissional reflete hoje o perfil da sociedade brasileira. É por essa razão que o órgão representativo da classe, a Ordem dos Advogados do Brasil, por pressuposto, só tem delegação de seus associados para empunhar bandeiras que espelhem as aspirações do seu conjunto.

Em um cenário com tantas dificuldades e obstáculos à realização do Direito, como o que se oferece ao advogado brasileiro, não é preciso gastar muito latim para constatar que não faltam tarefas a ser enfrentadas pelos dirigentes da OAB em todo o país mas, em especial, pela seccional paulista.

O que se testemunha neste momento em São Paulo, entretanto, é uma contradição com os mais óbvios princípios que sustentam a legitimidade da OAB: o presidente da entidade embarcou, sem delegação ou aviso, em um movimento estranho.

Não é sequer um movimento partidário. Camuflado de defesa do interesse público, um grupo muito reduzido de endinheirados decidiu explorar uma tragédia — o desastre com o avião da Tam em Congonhas — para fuzilar o governo.

Um governo que, convenhamos, tem falhas enormes. Um alvo que, como se sabe, não é difícil de atingir por muitos ângulos. A liberdade de expressão e o ambiente democrático estão aí para que todos desfrutemos. Não há risco algum em criticar ou vaiar o presidente da República no Maracanã.

O que não merece elogios é o ataque dissimulado, disfarçado. Dizer que se quer algo, quando a meta é outra. Fazer de conta que se defende a sociedade, quando se quer defender interesses muito localizados. E acima de tudo: emprestar o escudo da nossa querida e respeitada Ordem dos Advogados do Brasil para esconder o objetivo inconfessável. Alugar a coragem e o destemor da instituição para quem não a tem.

Jogadas ensaiadas como essa terminam com gol contra. O grupo cansado conseguiu oferecer aos governistas incondicionais um argumento para sua defesa, quando era isso que lhes faltava. Abriu também uma brecha para o achincalhe de paulistas e, claro, dos advogados.

Nada contra criticar governos. A sociedade exerce seu controle sobre governantes com suas manifestações. O governo atual, como qualquer outro, deve atentar para os anseios da população e de seus segmentos. Vale o mesmo raciocínio para as lideranças da advocacia.

O Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros pode até ter sua legitimidade. Ficaria melhor se fosse assumido por seus verdadeiros patrocinadores e se explicitasse, com clareza, suas reais intenções, como sempre fizeram os endinheirados em defesa de seus interesses patrimoniais.

O inaceitável é escorar-se em um acidente em que muitas vidas se perderam para tentar desestabilizar um governo, tomando o brasão e a bandeira da Ordem dos Advogados do Brasil como ponta de lança para objetivos que não são os da advocacia.

Revista Consultor Jurídico, 1 de agosto de 2007

Sobre o autor*

José Luís Oliveira Lima: é advogado criminalista, membro do Instituto dos Advogados, da Comissão Teotônio Vilela de Direitos Humanos, ex-presidente da Caixa de Assistência dos Advogados – CAASP -, ex-presidente da Comissão de Direitos e Prerrogativas da OAB/SP, ex- conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil, secção de São Paulo.

O preconceito em ação

Juiz arquiva queixa de Richarlyson e diz que futebol "é viril"

A queixa-crime apresentada pelo volante são-paulino Richarlyson contra o diretor administrativo do Palmeiras, José Cyrillo Jr., que insinuou que o atleta é homossexual, foi arquivada pelo juiz Manoel Maximiano Junqueira Filho, segundo reportagem da Folha nesta sexta-feira (íntegra disponível só para assinantes do jornal ou do UOL).

No documento em que relaciona os motivos para o arquivamento do caso, Junqueira Filho classifica o futebol como "jogo viril, varonil, não homossexual" e sugere que um atleta gay deve abandonar a carreira ou montar um novo time e criar uma federação própria para continuar atuando.

A polêmica começou em junho, no programa "Debate Bola" da TV Record. Indagado sobre a possibilidade de haver um atleta homossexual no elenco palmeirense disposto a assumir publicamente sua opção, Cyrillo começou a responder dizendo: "O Richarlyson quase foi do Palmeiras".

A pergunta surgiu depois que a coluna Zapping, do jornal Agora São Paulo e da Folha Online, informou, sem citar nomes, que um jogador de um grande clube paulistano estava em negociação com a TV Globo para assumir a homossexualidade.

Leia a íntegra da sentença (em PDF)

Disputa interna na OAB provocada por "Cansei"

Decisão colegiada

O presidente da OAB, Cezar Britto convocou reunião extraordinária com os 81 conselheiros federais para tirar uma posição oficial da entidade sobre o movimento. Britto afirmou que, por enquanto, o Cansei é exclusivamente da seccional paulista.

Diversas entidades, como Paraná e Rondônia, já se posicionaram contra. Na avaliação de Damous, a tendência é que a entidade rejeite o apoio. O resultado deve desenhar o quadro de articulações políticas dentro da Ordem. Fonte Consultor Jurídico

PT realiza encontro estadual este fim de semana

Deputado Federal Cândido Vaccarezza


03/08/2007
PT realiza Congresso Estadual neste final de semana

Neste final de semana (3 a 5 de agosto) acontece a etapa estadual do 3º Congresso do PT. Os militantes elegeram 1500 delegados para o Congresso Estadual e cerca de 70 para o Nacional. Do encontro em São Paulo espera-se que sejam escolhidos cerca de 300 representantes, além dos 70, para o Congresso Nacional, onde os paulistas devem representar cerca de 40% do total de delegados.

Para o deputado federal Cândido Vaccarezza, esta é uma oportunidade de suma importância para que sejam discutidas as questões internas do partido e situação econômica e política do país e a participação dos filiados é fundamental.

“Temos que definir qual será a posição política do PT para os próximos 10 anos. Isso passa pelo debate aprofundado das teses que iremos apresentar no Congresso Nacional. Pensar no pós-governo Lula, o que tem muito a ver com a construção partidária. Por isso, é necessária a antecipação do PED – Processo de Eleições Diretas do PT para este ano ainda”, explica o deputado.

A programação do Congresso está disponível no www.pt-sp.org.br. Leia mais


Programas de transferência de renda
reduziram em 21% a desigualdade no país

Os programas de transferência de renda, hoje reunidos no Bolsa-Família, foram responsáveis pela redução de 21% da desigualdade de renda no Brasil, segundo estudo divulgado esta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Segundo os pesquisadores, o grande trunfo dos projetos é o foco em quem realmente precisa. Entre os aspectos mais elogiados nos programas está o fato de que, em geral, 60% dos recursos são direcionados aos 20% mais pobres da população. No caso do Bolsa Família especificamente, 80% dos recursos são destinados aos 40% mais pobres. Este ano, o programa brasileiro tem reservados R$ 8,7 bilhões para 11 milhões de famílias com renda per capita mensal de até R$120. Leia mais


Produção industrial cresce 4,8% no semestre, diz IBGE
Em junho, a alta foi de 1,2% em relação a maio. Foi o nono aumento consecutivo nesse tipo de comparação. Já estão excluídos fatores sazonais (interferências específicas de determinados períodos do ano). Diante de junho do ano passado, houve elevação de 6,6%, a mais expressiva desde dezembro de 2004 (8,3%), segundo o IBGE. Leia mais


Para saber mais sobre o trabalho do deputado e as principais notícias políticas e econômicas, acesse diariamente www.vaccarezza.com.br

Assessoria de Comunicação
Deputado Federal Cândido Vaccarezza

FHC critica uso político de fosso social

FHC critica uso político de fosso social, já o uso político dos mortos no acidente da TAM pode?

Este parece ser, porem, o credo que anima FHC e o próprio movimento Cansei. O ex-presidente esta bem longe do jovem professor de sociologia catalogado na época como marxista.

Como Marx fez com Hegel, é virando 180 grãos a pirâmide do raciocínio de FHC que a realidade aparece em pé. O uso político do acidente é abjeto e visa a confundir o debate democrático sobre os problemas aéreos e do Brasil; já as diferenças sociais, o abismo que separa ricos dos pobres em um dois países mais desiguais do planeta é a essência do debate democrático e permeia todas as questões políticas do país, inclusive a questão aérea. Ela esclarece o debate político, a questão do liberalismo, da desregulação, do lucro a custa da segurança etc.

Que pessoas que nunca cansaram de conviver com essa desigualdade social, pretendam agora imputar um acidente de avião, provocado por falhas técnicas ou humanas, ao governo Lula para sustentar uma campanha política de oposição, merece ser destacado como manifestação hipócrita e utilização revoltante da tragédia.

Isto não significa recusar manifestações políticas contra o governo, na base do respeito da constituição e da democracia, de qualquer setor ou grupo social. Isto dito, não tem nenhum viés autoritário ou de intolerância criticar o sentido deste movimento "Cansei", indicar sua composição social, por luz sobre suas reais motivações e destacar seu conteúdo anti-ético.

Volto a repetir o que tenho escrito sobre isto:

"Uma sadia reação democrática jogaria luz sobre a manobra ignóbil e exporia os artífices do movimento "Cansei", identificados como expoentes da elite paulista, respaldados em organizações de empresários e de classe média sem maior apoio popular.

Porém, seria um grave erro de julgamento e politicamente um desastre para o país se a resposta a este caminho de ódio levasse a uma exacerbação da luta de classes, de radicalismos infantis e de pregações ofensivas para aqueles setores que podem se identificar no palavrório vazio e reacionário dos "cansados".

Não devemos esconder nossas próprias carências e erros, na denuncia fácil da "elite branca”, da insensibilidade social da burguesia e do apartheid social em que sustenta seus exorbitantes privilégios.

Os desafios presentes, a começar por medidas urgentes para resolver a crise aérea e também os gargalos na infra-estrutura, enfrentar as terríveis carências na educação, na segurança pública e na saúde, além de manter o curso positivo da economia do país, exigem a união e o diálogo entre todos os setores sociais e uma postura construtiva dos atores políticos, tanto da oposição como da situação." (30-7-2007)

Luis Favre


FHC critica uso político de fosso social

Jornal Valor (para assinantes) Folhapress, de São Paulo e Belo Horizonte

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem, em São Paulo, que as "brechas entre ricos e pobres não devem ser aumentadas na política". A frase foi proferida dois dias depois do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizer que "ninguém sabe colocar mais gente na rua" do que ele e que os ricos ganharam muito dinheiro em seu governo e, por isso, os pobres é que deveriam estar zangados.

A crítica do ex-presidente não foi feita diretamente a Lula. FHC discursou para uma platéia de empresários, intelectuais e estudantes, no lançamento da revista americana "America Quartely", da qual é membro do Conselho Editorial. Falando sobre a necessidade do mundo lidar com diferenças culturais e sociais, disse ser preciso "trabalhar na aceitação do outro". "Apesar das brechas entre ricos e pobres, o que às vezes é aumentado na política. Devemos evitar isso, não usar como poder." Leia mais no jornal Valor (para assinantes)

Empresários cobram propostas do 'Cansei'

Sergio Lamucci e Caio Junqueira

A ausência de um caráter mais propositivo afasta algumas lideranças empresariais do "Cansei", o Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros. Contando com o apoio de entidades como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), o "Cansei" tem sido acusado de elitista e até de golpista por políticos próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva - o próprio Lula mostrou descontentamento com a iniciativa, ainda que sem citá-lo explicitamente.

O empresário Newton de Mello, ex-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), avalia que o movimento é legítimo. Num país com inúmeros problemas como o Brasil, é natural que haja esse tipo de iniciativa, que ele qualifica como um "desabafo". Mello, no entanto, não pretende juntar-se ao "Cansei", por preferir movimentos que tenham um caráter propositivo. "Eu prefiro aqueles que apresentam propostas e sugestões. Se não, eles tendem a cair no esquecimento." Mello afirma não ver nenhum traço golpista no movimento e tampouco acredita que haja um caráter partidário.

O empresário Oded Grajew, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos, diz considerar positivo que a sociedade se mobilize, principalmente num país em que há muita corrupção, desigualdade de renda e pobreza como o Brasil. "A democracia se fortalece quando há mobilização da sociedade." Ex-assessor especial de Lula, Grajew diz não ver nenhum elemento golpista no "Cansei".

Para ele, porém, o ideal é que movimentos de protesto sejam acompanhados de propostas. Isso ajudaria inclusive a afastar suspeitas de golpismo. Em vez de apenas dizer "cansei disso", seria importante também deixar claro o que se quer fazer, com propostas claras e detalhadas, traçando ainda uma estratégia para sua implementação. Assim como Mello, Grajew não pretende aderir ao "Cansei". Ele também é um dos participantes mais ativos do movimento "Nossa São Paulo: outra cidade".

A pecha de elitista e golpista parece afastar empresários da iniciativa. Algumas associações empresariais procuradas pelo Valor informaram preferir não se manifestar sobre o "Cansei". Uma história ilustra bem as incertezas quanto à conveniência de participar do movimento. A pedido de um cliente, uma grande assessoria de imprensa de São Paulo procurava, na quarta-feira, alguns jornalistas para tentar medir as repercussões de uma eventual adesão ao "Cansei". Duvidava-se se seria ou não uma boa estratégia atrelar a imagem da empresa à iniciativa. Leia mais no jornal Valor (para assinantes)

'Cana não vai invadir florestas'

O Estado de São Paulo (para assinantes)

Há uma campanha contra o etanol brasileiro, diz Jank

Andrea Vialli

O presidente da Unica, Marcos Jank, reafirmou ontem que a cultura da cana-de-açúcar não vai invadir florestas da Amazônia e do Cerrado. Jank participou de uma mesa-redonda sobre energia na Mostra Socioambiental da Fiesp, em São Paulo.

'Não somos favoráveis à entrada da cana em áreas de preservação da Amazônia. Hoje existem duas usinas na chamada Amazônia Legal, mas elas foram instaladas em áreas já degradadas, de pastagem.'

Segundo Jank, existem hoje no Brasil 6 milhões de hectares com plantio de cana, o que representa 1% da área agrícola no Brasil. Em contrapartida, há 220 milhões de hectares de pastos, que podem comportar a expansão da cultura de cana-de-açúcar. Além disso, segundo ele, a expansão da cultura se dará mais por um aumento da eficiência e produtividade agrícola do que propriamente com ampliação das áreas plantadas.

DESCONHECIMENTO

'Há um desconhecimento agronômico terrível', afirmou Jank sobre as acusações de que o aumento da demanda pelo álcool brasileiro vai trazer mais devastação às áreas de florestas. De acordo com ele, a cana não é viável em regiões em que chove muito, caso da Amazônia brasileira.

Segundo Jank, há uma forte campanha internacional contrária ao etanol de cana brasileiro, com base em argumentos socioambientais. 'Estamos lutando com a indústria do petróleo e ONGs radicais, que não aceitam diálogo. Isso sem falar nas barreiras protecionistas da Europa e Estados Unidos.'

20% das mulheres do Norte já abortaram

O Estado de São Paulo

No Acre e no Amapá, há 40 casos para cada cem em idade fértil

Simone Iwasso

O aborto inseguro - e as complicações à saúde da mulher decorrentes dele - reflete o perfil que a desigualdade social e econômica tem no Brasil: há o dobro de casos nas regiões mais carentes e ocorre com três vezes mais freqüência entre mulheres negras e pobres. A constatação aparece no estudo “Magnitude do Aborto no Brasil”, feito pela organização não-governamental internacional Ipas e pelo Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), com apoio da área técnica da Saúde da Mulher do Ministério da Saúde.

Usando uma metodologia internacional para estimativas de aborto, dados populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e registros do Sistema Único de Saúde (SUS), o estudo indica que, em 2005, foram feitos cerca de 1 milhão de abortos ilegais no País.

Pela estimativa, nas regiões Sul e Sudeste (com exceção do Rio), as taxas ficam abaixo de 20 abortos induzidos para cada cem mulheres de até 49 anos. Nos Estados do Norte e do Nordeste (tirando Rio Grande do Norte e Paraíba), os índices ficam acima de 21 abortos por cem mulheres. No Acre e no Amapá, chegam a até 40 abortos feitos ilegalmente para cada cem mulheres em idade fértil.

Quando o estudo analisa apenas a faixa de adolescentes entre 15 e 19 anos, as proporções se repetem, sendo maiores nos Estados mais pobres. O mesmo acontece quando se analisam as mortes provocadas por complicações do aborto feito em casa ou em clínicas clandestinas. Em Salvador, por exemplo, de acordo com dados do Ministério da Saúde, há mais de dez anos o aborto provocado aparece como a principal causa de mortalidade materna - no restante do País, está em terceiro lugar.

“Os dados mostram que a ocorrência e os riscos do aborto inseguro não se distribuem de maneira homogênea na população. Afeta as mulheres pobres, as mais vulneráveis, que acabam recorrendo a métodos caseiros para tentar interromper a gravidez”, afirma o médico Mário Monteiro, professor da Uerj e um dos responsáveis pela pesquisa.

INFORMAÇÃO E MÉTODO

Dois fatores importantes, segundo ele, são o maior nível de informação das mulheres das regiões mais desenvolvidas e um maior acesso a métodos contraceptivos. “No Brasil e na América Latina, os estudos indicam um aborto para cada quatro nascidos vivos. Nos países desenvolvidos, esse índice é de aproximadamente um para cada oito”, diz.

O tema do aborto voltou ao debate público neste ano desde que o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, se pronunciou sobre o tema, falando que ele pertencia à esfera da saúde pública. Temporão chegou a mencionar a realização de um plebiscito sobre o assunto.

De acordo com o Código Penal, o aborto é permitido em casos de estupro ou de gravidez que coloque em risco a vida da mulher. “É equivocado falar em quem é a favor ou quem é contra o aborto. O enfrentamento do problema deve ser feito por meio das políticas públicas, da saúde e da prevenção”, afirma o juiz José Henrique Torres, de Campinas.