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terça-feira, 14 de agosto de 2007

Brasil ataca etanol dos EUA na OMC

Queixa é contra os subsídios agrícolas, mas o centro do debate é o milho, de onde se extrai o combustível

Jamil Chade

Genebra - O Brasil inicia uma disputa que poderá minar os mecanismos que permitem a produção do etanol nos Estados Unidos. Na semana que vem, o Itamaraty e a Casa Branca fazem a primeira reunião sobre a queixa do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os subsídios agrícolas dos EUA.

Um dos principais temas será o programa de subsídios à produção de milho destinada ao etanol. Nos EUA, um número cada vez maior de políticos que querem chegar à Casa Branca em 2008 se declaram a favor do etanol. Mas pesquisas alertam que o interesse desses candidatos se baseia na estratégia de agradar ao lobby dos produtores de milho, que querem novos subsídios nos próximos anos em troca de votos.

A decisão do governo brasileiro foi a de atacar todos os subsídios americanos, principalmente, diante da falta de avanços na rodada de negociações da OMC. Além do milho, a ajuda ao algodão, açúcar, soja e outros produtos serão alvo do bombardeio. O caso foi inicialmente aberto pelo Canadá contra os americanos, mas já conta com outros interessados, entre eles a Índia.

Se o centro da disputa são os subsídios agrícolas, a realidade é que a guerra acabará contestando a base da produção americana de etanol, ainda que Brasília e Washington tenham, no início do ano, estabelecido uma parceria estratégica para promover o biocombustível no mundo.

Segundo a Global Subsidies Iniciative, os americanos destinam ao etanol subsídios de até US$ 7,3 bilhões por ano, tanto na forma de recursos para a produção como em incentivos fiscais. “Parte desses subsídios é a ajuda que os produtores de milho recebem”, afirma um especialista da entidade.

“Se o Brasil contesta os subsídios ao milho, inevitavelmente está atingindo a produção de etanol nos Estados Unidos “, afirma a organização.

O Itamaraty afirmou, ao Estado, estar consciente do impacto que sua contestação terá para a produção de etanol nos Estados Unidos. O que o Brasil alega é que o volume de subsídios dado pelos americanos ao milho já ultrapassou o teto estabelecido pelas regras da OMC e nos próprios compromissos da Casa Branca assinados nos anos 90.

O questionamento ocorre em um momento importante no debate sobre o futuro dos subsídios nos próximos quatro anos nos Estados Unidos. O Congresso americano está votando o assunto e várias propostas foram apresentadas sobre o futuro do apoio aos produtores de milho. Leia mais aqui no jornal O Estado de São Paulo.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

'Cana não vai invadir florestas'

O Estado de São Paulo (para assinantes)

Há uma campanha contra o etanol brasileiro, diz Jank

Andrea Vialli

O presidente da Unica, Marcos Jank, reafirmou ontem que a cultura da cana-de-açúcar não vai invadir florestas da Amazônia e do Cerrado. Jank participou de uma mesa-redonda sobre energia na Mostra Socioambiental da Fiesp, em São Paulo.

'Não somos favoráveis à entrada da cana em áreas de preservação da Amazônia. Hoje existem duas usinas na chamada Amazônia Legal, mas elas foram instaladas em áreas já degradadas, de pastagem.'

Segundo Jank, existem hoje no Brasil 6 milhões de hectares com plantio de cana, o que representa 1% da área agrícola no Brasil. Em contrapartida, há 220 milhões de hectares de pastos, que podem comportar a expansão da cultura de cana-de-açúcar. Além disso, segundo ele, a expansão da cultura se dará mais por um aumento da eficiência e produtividade agrícola do que propriamente com ampliação das áreas plantadas.

DESCONHECIMENTO

'Há um desconhecimento agronômico terrível', afirmou Jank sobre as acusações de que o aumento da demanda pelo álcool brasileiro vai trazer mais devastação às áreas de florestas. De acordo com ele, a cana não é viável em regiões em que chove muito, caso da Amazônia brasileira.

Segundo Jank, há uma forte campanha internacional contrária ao etanol de cana brasileiro, com base em argumentos socioambientais. 'Estamos lutando com a indústria do petróleo e ONGs radicais, que não aceitam diálogo. Isso sem falar nas barreiras protecionistas da Europa e Estados Unidos.'

terça-feira, 17 de julho de 2007

"Du Sucre et des fleurs dans nos moteurs"

Rediffusion suivie d'un débat

le samedi 21 juillet à 22 heures

sur Public Sénat.


Un film de Jean Michel Rodrigo


Les réserves de pétrole s’épuisent, la consommation augmente de façon vertigineuse, le prix du baril flambe… Les accords de Kyoto contraignent à réduire les émissions de gaz à effet de serre. L’avènement des biocarburants est inéluctable.

Au Brésil, 40% des carburants sortent déjà des champs de canne, les Etats-Unis bâtissent des usines d'éthanol à la chaîne et l’Europe, soucieuse de son indépendance énergétique, entre dans la course… Les derniers paysans français se prennent à rêver d’une reconvertion dans l’agro-énergie » ; La fièvre de l’or vert se heurte tout de même à un obstacle majeur. Il n’y a pas assez de terre sur la planète pour faire rouler tous les moteurs du monde. Et la menace de ces carburants du « future » pèse déjà sur les forêts et les réserves d’eau.

Sugar and Flowers

Oil reserves are becoming exhausted. Consumption worldwide is growing, oil prices soaring... Kyoto agreements are forcing to reduce the emission of greenhouse effect gases. Biofuls area has begun.

In Brazil, 40% of fuels are ever from cane sugar. United States are mass-building ethanol factories. Europe worries about its energetic independence and is now in the race. But green gold fever faces one main obstacle. Not enough soil to have all the world motors running....

Azucar y flores

Las reservas de petroleo se agotan, el consumo aumenta de manera vertiginosa, el precio del barril se incendia… Los acuerdos de Kyoto imponen una reduccion de las emanaciones de gas. La llegada de los bio-combustibles es ineluctable.

En Brasil, el 40% de los carburantes proviene de los campos de cana de azucar, los Estados Unidos edifican fabricas de etano en serie y Europa, preocupada por su independencia energetica, entra en carrera… La fiebre del oro verde enfrenta sin embargo un obstaculo mayor. No hay suficientes tierras para poner en marcha todos los motores del mundo.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Revolução à vista

Consumidores brasileiros serão atingidos em cheio pelo choque energético que está se formando

Por Raul Pilati
raul.pilati@correioweb.com.br

Duas linhas de evolução econômica do planeta conspiram a favor do Brasil. A crescente demanda por energia está ampliando um mercado já bastante aquecido. Some-se ao consumo em alta o desafio de atendê-lo reduzindo as emissões de poluentes que alimentam o efeito estufa. Os segmentos da área de biocombustíveis não poderiam estar mais entusiasmados.

Como o Brasil é o maior exportador de álcool do planeta, está em posição privilegiada. Não resta dúvida de que uma grande mudança de paradigma está a caminho. Junto com as oportunidades de negócios, porém, vem uma polêmica: os efeitos sobre os demais produtos agropecuários. Não é uma falsa discussão, como tentam apresentar alguns especialistas. Começou com os artigos de Fidel Castro, que questionou a destinação de terras e o trato aos trabalhadores. A iniciativa causou estranheza. Mas veio então a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) e fez um alerta parecido.

Pressões
A demanda por biocombustíveis, segundo o organismo, vai fazer subir os preços dos alimentos a níveis recordes ainda em 2007. A elevação deve ser de 5%, com custo adicional de US$ 400 bilhões, segundo estudo recente. Principalmente devido às cotações do milho e dos óleos vegetais, como o de soja. Os mais afetados, afirma a FAO, serão os países em desenvolvimento, que gastarão este ano 9% a mais com importação de alimentos. Em relação a 2000, a alta será de 90%.

O Brasil respondeu por 42,5% da produção mundial de etanol em 2005 e os Estados Unidos, com o uso do milho, por 44,5%. A produção de biodiesel respondeu por 3,8 bilhões de litros. Segundo artigo da Foreign Affairs, para produzir 95 litros de etanol a partir do milho são necessários 200 quilos de grãos, o suficiente para alimentar uma pessoa por um ano.

Efeitos internos
Mesmo para os consumidores brasileiros, o movimento trará múltiplos efeitos. A popularização mundial do etanol como combustível implica mais concorrentes pelo mesmo produto. A inexpugnável lei do mercado vai levar usineiros e plantadores a optar pelo melhor preço — seja interno ou externo —, o que é um risco adicional de abastecimento.

Existem muitos investimentos em novas usinas em andamento. A produção brasileira pode atingir 38 bilhões de litros em 2012, mais do que tudo que foi produzido no mundo em 2005 (36,5 bilhões de litros). Bilhões de dólares estão sendo carreados para o segmento. Só a Petrobras está colocando US$ 2,5 bilhões. Mas até as novas usinas terão conseqüências. Avançando sobre áreas ocupadas por outras culturas, estão estimulando sua conversão em canaviais. O plantio de grãos e a criação de gado estão sendo empurrados mais para o interior do país, para fronteiras ainda incipientes. Portanto, mais distantes das estruturas de transporte e dos centros consumidores, o que leva a fretes mais caros.

É inevitável que o setor sucroalcooleiro brasileiro se beneficie da onda que está apenas começando. O choque de combustível, como descrito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é real e está só no início. Há uma revolução em curso. Mas não será indolor, nem neutra. É preciso responsabilidade dos produtores e bom senso do governo para não ficarmos apenas deslumbrados com a oportunidade que se abre. Leia a integra da coluna de Raul Pilati, no Correio Braziliense (para assinantes)