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quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Valter Pomar e a Articulação de esquerda do PT chamam a votar em Jilmar Tatto



A direção nacional da Articulação de Esquerda, reunida no dia 5 de dezembro de 2007, avaliou os resultados do primeiro turno da eleição das novas direções partidárias (PED) e aprovou a seguinte resolução:

1.A participação de de 326 mil filiados no primeiro turno do PED demonstra, mais uma vez, a força do Partido dos Trabalhadores, único partido brasileiro a eleger pelo voto direto suas direções e o único capaz de tamanha mobilização;

2.Os resultados finais do primeiro turno, em âmbito municipal, estadual e nacional, devem ser objeto de atenta análise. Também devem ser objeto de nossa análise e dura crítica, um conjunto de distorções constatadas no processo, entre as quais a desigualdade material entre as chapas e candidaturas concorrentes, as filiações em massa e as cotizações anti-regimentais, o exercício do voto sem conhecimento prévio das teses apresentadas pelas chapas e candidaturas concorrentes, bem como outros graves problemas que se verificaram no curso do PED, em 2001, 2005 e 2007.

3.Em caráter preliminar, algumas conclusões são possíveis:

a) o antigo "campo majoritário", hoje denominado de "Construindo um novo Brasil", fracassou no seu intento de recuperar a maioria absoluta no Diretório Nacional do PT. Isto é extremamente positivo, pois a pluralidade é uma pré-condição para o funcionamento regular e democrático da principal instância partidária;

b) nos dois turnos de 2005 houve uma polarização entre a "esquerda petista" e o "campo majoritário". Já no primeiro turno de 2007, apesar dos nossos esforços, a contraposição principal se deu entre forças de "centro" (organizadas nas chapas encabeçadas por Berzoini, Tatto e Cardozo);

c) a esquerda petista poderia ter obtido um resultado melhor, tanto política quanto eleitoralmente, se pelo menos as chapas “A esperança é vermelha” e “Militância socialista” estivessem unificadas;

d) a esquerda petista poderia estar representada no segundo turno, se a tendência "Democracia Socialista" tivesse optado por uma aliança preferencial à esquerda;

e) a chapa "A esperança é vermelha" e a candidatura à presidência nacional de Valter Pomar obtiveram em 2007 um resultado semelhante ao de 2005. Considerando as condições em que se travou a disputa, a força política e material das demais chapas e candidaturas, a cobertura tendenciosa de grande parte da mídia, bem como as expectativas negativas que alguns setores nutriam a respeito de nossas chances, podemos nos orgulhar do resultado conquistado;

f)este resultado positivo é reforçado pelo desempenho que “A esperança é vermelha”, em particular a Articulação de Esquerda, obteve em várias disputas estaduais e municipais. Os resultados obtidos na Bahia, Espírito Santo, Pernambuco e Santa Catarina, entre outros, são particularmente significativos.

4. Como em 2005, haverá segundo turno para escolher o novo presidente nacional do Partido dos Trabalhadores.

5. Ao contrário de 2005, quando a disputa foi entre um candidato do antigo “campo majoritário” e um candidato da esquerda petista, desta vez ocorrerá uma disputa entre duas candidaturas de “centro”, com posições ideológicas, programáticas, estratégicas, métodos de direção e trajetórias internas ao PT que possuem muitos pontos de coincidência.

6. Estas semelhanças não minimizam uma diferença fundamental: uma destas candidaturas simboliza, para o PT e para parcelas importantes de nossa base social, a hegemonia de um grupo (o antigo “campo majoritário”, atual “Construindo um novo Brasil”) cujos métodos de direção e cuja estratégia política, qualquer que seja a avaliação que se faça sobre sua validade no passado, estão esgotados.

7. Setores do antigo “campo majoritário” têm consciência plena desse esgotamento, havendo inclusive os que defendem que a dissolução desta fração é um passo necessário para a abertura de uma nova fase da vida partidária.

8.Outros setores do antigo “campo majoritário” tentam recuperar uma posição de força, através da tentativa (agora frustrada) de reconquistar a maioria absoluta no Diretório Nacional e da candidatura à reeleição do atual presidente.

9. Lutamos bravamente para que a disputa do segundo turno fosse travada entre uma candidatura de esquerda e a candidatura do antigo “campo majoritário”. Dissemos abertamente que isto garantiria um segundo turno com mais nitidez.

10. Inviabilizada esta alternativa, cabe-nos impedir que o antigo campo majoritário recupere uma posição de força. Para impedir que isto ocorra, a direção nacional da Articulação de Esquerda recomenda o voto e fará campanha para Jilmar Tatto ser eleito o novo presidente nacional do PT.

11. Esperamos que o apoio a Tatto seja, também, a posição das candidaturas e chapas que, durante o PED, defenderam mudanças nos rumos do Partido. A começar pela “Mensagem ao Partido”, que nos seus “13 pontos para renovar o PT” criticou explicitamente a concentração do “poder partidário num pequeno grupo dirigente de um campo majoritário com forte disciplina interna”.

12. A Articulação de Esquerda seguirá lutando para que o novo Diretório Nacional do Partido implemente as prioridades defendidas por nossa chapa e por nossa candidatura à presidência nacional: a vitória nas eleições de 2008, a reaproximação com os movimentos sociais e com os partidos de esquerda, a ampliação da influência do PT no governo Lula, a construção da escola nacional de formação política, o lançamento do jornal da militância, a realização do primeiro congresso da juventude petista, a construção de uma candidatura petista para disputar e vencer a eleição presidencial de 2010;

13. Qualquer que seja o resultado do segundo turno, a Articulação de Esquerda reafirma a necessidade de sintonia entre as tendências da esquerda petista, bem como um diálogo com todos os setores que reconhecem a necessidade de novos métodos de direção e de uma nova estratégia política, para que o Partido dos Trabalhadores esteja à altura das possibilidades abertas, no Brasil e na América Latina, para a luta contra o neoliberalismo e pelo socialismo.

A direção nacional da Articulação de Esquerda

Brasília, 5 de dezembro de 2007

Berzoini e Tatto farão 2º turno na eleição do PT









Nova disputa está marcada para o dia 16; participação da militância no PED, maior do que em 2005, surpreendeu até os organizadores


Clarissa Oliveira - O Estado de São Paulo

Os deputados Ricardo Berzoini (SP) e Jilmar Tatto (SP) foram confirmados como os dois nomes escolhidos por mais de 320 mil militantes do PT para disputar em um segundo turno a presidência nacional da legenda, marcado para o dia 16. Representante da chapa Construindo um Novo Brasil e atual presidente, Berzoini obteve 131.699 votos no primeiro turno, realizado no domingo em todo o País. Isso equivale a 43,42% dos 303.344 votos válidos. Tatto, que encabeça a chapa Partido é Para Lutar, contabilizou 61.440 votos, ou 20,25%.

Terceiro colocado, o deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP), representante do grupo Mensagem ao Partido, teve 57.694 votos, ou 19,02%.

Os números ainda estão sujeitos à conferência das atas encaminhadas pelos diretórios regionais à sede nacional do PT em São Paulo, mas não devem sofrer alterações significativas. O partido programou para hoje às 11 horas uma entrevista para comentar o resultado da apuração, encerrada à meia-noite de ontem.

Apesar de confirmarem a liderança de Berzoini na eleição, o resultado da apuração frustrou suas expectativas e as de seus aliados. O deputado, que voltou a Brasília no fim da tarde, enquanto a apuração ainda estava em andamento na sede do PT em São Paulo, admitiu em conversa por telefone que sua performance deixou a desejar. “Ficou aquém do que eu esperava, mas está dentro da previsão com a qual trabalhávamos”, disse Berzoini. “Voto é voto, não é? Faltou voto.”

Ainda assim, Berzoini disse que se mantém confiante na vitória no segundo turno. O resultado de ontem apontou um avanço de sua performance em relação à última eleição interna, em 2005. Naquele ano, ele obteve no primeiro turno 123.537 votos. Além disso, a chapa encabeçada pelo deputado obteve 42,58% dos votos, o que lhe garante uma participação maior que a de 42% detida hoje no Diretório Nacional petista.

Tatto, por sua vez, disse que os números condizem com as estimativas desenhadas por seu grupo de apoio nas últimas semanas antes da eleição de domingo. Dizendo-se despreocupado com as articulações de alianças para o segundo turno, ele afirmou que a tendência é que sua candidatura angarie os votos dos petistas que enxergam uma necessidade de renovar a direção partidária. “Quem quiser mudar, quiser que o PT se recicle, vai votar em mim”, afirmou, também em conversa por telefone.

Ele já conta com o apoio de um dos candidatos eliminados no primeiro turno, Valter Pomar, da chapa A Esperança é Vermelha. Nas últimas semanas antes da votação, Pomar vinha anunciando que apoiaria qualquer candidato que chegasse a um segundo turno contra Berzoini.

ADESÃO

A adesão da militância ao Processo de Eleições Diretas (PED) do PT surpreendeu até mesmo os organizadores. Desde a votação no domingo o partido trabalhava com a expectativa de contabilizar 300 mil votos. No início da noite, a previsão foi elevada para 310 mil e terminou à meia-noite, com 326.147.

O número de participantes superou até o da eleição de 2005, na qual 314 mil filiados foram às urnas, mobilizados em parte pelo escândalo do mensalão. Desde então, o PT cita o número como exemplo de sua capacidade de manter a participação da base na atividade partidária.

FRASES

Ricardo Berzoini

Candidato da chapa Construindo um Novo Brasil

“Ficou aquém do que eu esperava, mas está dentro da previsão com a qual trabalhávamos”

Jilmar Tatto
Candidato da Partido é Para Lutar

“Quem quiser mudar, quiser que o PT se recicle, vai votar em mim”

domingo, 2 de dezembro de 2007

As urnas, cidadãos do PT !


Hoje os filiados ao PT vão as urnas para eleger seus dirigentes a todos os níveis. Todos os Diretórios do partido serão renovados nesta eleição, pelo voto dos filiados. O PT é o único partido político brasileiro a eleger pelo sufrágio universal seus dirigentes.

Independentemente das particularidade e das diferenças entre os diferentes candidatos a presidente, e isto é válido para os cargos municipais, estaduais e nacional do partido, o que será simbolicamente mais significativo será a participação dos filiados no voto.

Para o PT é muito importante uma participação massiva dos filiados no escrutino de hoje. A força e a legitimidade do principal pilar de sustentação do governo Lula depende diretamente desta mobilização das bases. Uma participação no mesmo patamar que em 2005, ou seja aproximadamente 250 mil votantes, será a prova da vitalidade do PT e do respaldo de sua militância aos dirigentes que serão eleitos para comandar a legenda.

A principal disputa, para presidente nacional, poderá ser definida hoje ou no segundo turno em 16 de dezembro caso nenhum candidato atinja 50% mais um dos votos, entre os sete que disputam o cargo.

Ricardo Berzoini aparece como favorito, com Jilmar Tatto, José Eduardo Cardoso e Valter Pomar disputando para levar a eleição para um segundo turno.

Os resultados serão conhecidos amanhã.

Luis Favre

sábado, 17 de novembro de 2007

'Reivindicação de candidatura própria não é capricho'

ENTREVISTA
Valter Pomar: secretário de Relações Internacionais do PT
Candidato à sucessão de Berzoini defende ainda reaproximação do partido com movimentos sociais e legendas de esquerda

Clarissa Oliveira - O Estado de São Paulo

Representante da corrente Articulação de Esquerda, Valter Pomar disputa a presidência do PT com base na tese de que o partido deve se reaproximar dos movimentos sociais e garantir seu espaço no governo. À frente da Secretaria de Relações Internacionais da sigla, ele aparece entre os apoiadores do governo de Hugo Chávez na Venezuela e é árduo defensor da candidatura própria do PT à Presidência em 2010.

Nesta entrevista ao Estado, ele diz que a cabeça de chapa não é “um capricho”, pelo qual o PT deve se desculpar, mas um direito adquirido. Além disso, ele avalia que a sigla tem uma postura de “freio de mão puxado” na relação com o governo.

Qual a diferença entre a sua candidatura e as outras?

A maior diferença é política. Nossa candidatura pode sustentar com convicção que, no período em que o Campo Majoritário foi hegemônico, nos opusemos não só aos métodos, mas à política desse grupo. No segundo turno, caso eu não esteja, apoiaremos qualquer outro que tente derrotar o Berzoini. Acreditamos que o plano de trabalho da nova direção é vencer a eleição do ano que vem, reaproximar o PT de movimentos sociais e partidos de esquerda, aumentar a influência no governo Lula e implementar resoluções do 3º Congresso.

Na polêmica do terceiro mandato, o sr. defendeu um “terceiro mandato do PT”. Por que a candidatura própria em 2010 é fundamental?

A reivindicação de candidatura própria não é um capricho. Corresponde a uma história que construímos nos 27 anos em que encabeçamos o campo democrático no País. Não vencemos sozinhos, mas protagonizamos esse campo. O PT vai ter candidato em 2010.

Se um partido da base quiser a vaga, deve concorrer por sua conta?

Não há problema se partidos hoje no governo disputarem com candidato próprio no primeiro turno. No segundo, estaremos unidos contra o campo conservador. A base do governo não vai ter um só candidato. Terá dois, talvez mais. A polêmica que se abre contra o direito do PT de ter candidato é autoritária. Por que não podemos ter candidato?

O que se coloca é que não há um nome forte no partido.

Temos algo muito mais importante que um nome. Temos um partido. É gozado que a mesma imprensa que critica o (Hugo) Chávez não percebe que uma das grandes qualidades da esquerda brasileira é que ela tem pelo menos um grande partido.

Chávez é exemplo a ser seguido?

A esquerda mundial e latino-americana deixou para trás a idéia de modelos. Cada país tem seu povo, sua história e suas opções. O que não podemos aceitar é interferência externa nessas opções. O destino da Venezuela o povo da Venezuela decide. Nossa opinião é que, na história da Venezuela, o governo mais comprometido em melhorar a vida do povo é o de Chávez. Nunca houve tantos processos de consulta popular.

Falta isso no Brasil?

Nós defendemos na reforma política a democratização do Estado, a ampliação dos mecanismos de consulta à população. Isso é usual nos Estados Unidos, na Europa. Aqui, é visto com medo, como se consultar a população em plebiscito fosse uma ameaça à sacrossanta ordem.

O Congresso do PT apoiou um plebiscito para reestatizar a Vale do Rio Doce. Qual é a sua opinião?

A Vale tem que voltar a ser pública. O que foi feito com a Vale é um assalto aos cofres públicos. E a propaganda segundo a qual a empresa cresceu nesses últimos anos é a confissão de culpa.

Como o sr. avalia a relação entre o PT e o governo?

Ela envolve dois movimentos. O primeiro é a defesa frente aos adversários externos. O segundo é disputar os rumos do governo contra setores conservadores da coalizão. Se o partido se limita ao primeiro, ele abre mão de fazer o governo avançar para a esquerda. O Lula, em muitas campanhas, afirmou que, se pudesse fazer uma coisa, seria a reforma agrária. O governo adotou muitas medidas em favor dos assentados, mas, na reforma agrária, deixou a desejar. A quem cabe mobilizar a sociedade e pressionar o governo? Só trabalhadores rurais? Cabe também ao PT.

O PT virou a extensão do governo?

Não existe no PT uma política de subalternidade em relação ao governo, mas há um freio de mão puxado. O partido é pouco protagonista. Dou como exemplo o episódio do terceiro mandato. Foi errado o Devanir Ribeiro abrir essa polêmica sem falar com o partido. Este deveria ter imediatamente chamado o deputado à ordem.

Mesmo que o sr. não vá ao segundo turno, a disputa ajuda a firmar essas posições no PT?

Estou convencido de que serei melhor presidente que meus oponentes. Além disso, as posições que o PT tem tomado nos últimos meses significam uma inflexão à esquerda, um reconhecimento de que aquilo que eu e outros defendemos estava correto. Nosso esforço tem sido colocar temas políticos. Por exemplo, como atuar para ganhar a eleição de 2008.


Quem é:
Valter Pomar


Militante de esquerda desde os anos 70, atuou no PC do B e entrou para o PT em 1980.

Economista, formado pela USP, e jornalista especializado em artes gráficas.

Autor de A Armadilha da Dívida, lançado em 2002.

domingo, 4 de novembro de 2007

Pérolas da mídia sobre as eleições internas à presidência do PT

Está muito divertida a cobertura de alguns jornais sobre as eleições internas no PT. Não sei se os jornalistas estão sendo manipulados ou ignoram o que acontece no partido ou estão simplesmente fazendo serviço. Poucas são as informações realmente sérias sobre o assunto.

Hoje um artigo no jornal O Globo veio com esta pérola:

"Numa análise feita semana passada no Planalto, o pior dos cenários seria a vitória de Jilmar Tatto. No governo, a percepção é de que ele representa o grupo paulista que quer voltar a ter influência no Planalto e que faria de tudo para enfrentar o próprio Lula, rumo a 2010. "

Qualquer observador sabe que o "grupo paulista" que teve "influência no Planalto" sempre esteve longe dos que hoje estão apoiando Jilmar Tatto para Presidente do PT. Aliás, quase todos os candidatos são de São Paulo -com representantes na Esplanada-, e tal vez o único com pouco ou nenhum peso por lá seja o próprio Tatto.

Na revista Istoé, outra pérola: uma pesquisa dá Zé Eduardo Cardoso, candidato do grupo de Tarso Genro, favorito. Só se a pesquisa foi feita em alguns locais de Rio Grande do Sul. Sem se importar com o senso do ridículo a Istoé coloca Ricardo Berzoini em terceiro lugar.

Quase todos os comentários visam opor os candidatos à presidência do PT ao Presidente Lula. Alguns até considerando que o PT estaria realizando uma prévia para escolher seu candidato à presidência do Brasil em 2010.

Podem anotar o que vou dizer: seja Berzoini, Tatto, Cardoso ou Pomar (na ordem do que penso ser o favoritismo dos militantes) o próximo Presidente do PT trabalhará de mãos dadas com Lula e em 2010 juntos escolherão o candidato que receberá o apoio do partido. O resto é balela.

Luis Favre

sábado, 4 de agosto de 2007

resposta ao Centro Simon Wiesenthal

São Paulo, 02 de agosto de 2007.


Ao Dr. Shimon Samuels
Diretor de relações internacionais

Ao Lic. Sergio D. Widder
Representante para a América Latina

Centro Simon Wieshental


Recebemos hoje, através de um jornalista da agência Reuters, em formato PDF enviado por correio eletrônico, a carta que vocês dirigiram ao Partido dos Trabalhadores, acerca do protocolo de cooperação firmado entre o Partido Baath da Síria e o PT do Brasil.

Posteriormente, recebemos uma ligação do jornal O Globo, solicitando nossa opinião sobre vossa carta, que chegou aos escritórios do Partido, via fax, as 11h28, horário Brasília.

Registramos com estranheza este procedimento.

Sobre o conteúdo de vossa carta, rogamos que façam novamente a leitura do acordo de cooperação assinado no dia 30 de maio de 2007.

Lá se fala em "incentivar a troca de visitas de delegações oficiais entre os Partidos em datas acordadas antecipadamente, objetivando a troca de idéias e pontos de vista a respeito das causas comuns"; promover "a troca de visitas entre delegações especializadas, em datas acordadas antecipadamente, objetivando a troca de experiência a respeito da logística de trabalho de cada Partido, e a troca de experiências"; promover a "troca de publicações e de documentos partidários importantes"; promover "a troca de convites para que cada Partido possa participar nos Congressos e Conferências do outro, de acordo com as tradições de cada Partido"; "em buscar coordenar os pontos de vista durante a sua participação em Congressos e Fóruns regionais e internacionais"; em trabalhar "no sentido de fortalecer as relações de amizade e cooperação entre as organizações populares e as sociedades representantes da sociedade civil, objetivando o intercâmbio de experiências".

O PT mantém acordos de cooperação deste tipo, com vários partidos políticos, na Europa, na América Latina, na Ásia e na África.

Ter um acordo de cooperação com um determinado partido, não significa necessariamente que o PT esteja de acordo, total ou parcial, com a ideologia, com a história e com as ações governamentais destes partidos.

O PT defende a paz e a democracia no mundo e no Oriente Médio. Somos contra o terrorismo, inclusive o terrorismo de Estado. E somos contra a política de guerra adotada pelo governo norte-americano, que tem contribuído para desestabilizar toda a região.

Para conseguir a paz, não ajuda sair distribuindo "certificados seletivos de terrorismo", que na prática servem para alguns governos que se consideram campeões da democracia, excluírem do diálogo atores de enorme importância política, partidos políticos reconhecidos em seus países, com grande apoio popular, parlamentares e governantes eleitos.

Por tudo isto, achamos que o acordo de cooperação firmado entre o PT e o Partido Baath da Síria é um ato em favor da paz.

Nos colocamos a disposição do Centro Simon Wieshental, tanto para esclarecer algo mais, quanto como facilitar nos contatos que queiram manter com o próprio Partido Baath e/ou com o governo da Síria, para apresentar quaisquer queixas, demandas e posicionamentos.


Atenciosamente,


Ricardo Berzoini
Presidente nacional do PT

Valter Pomar
Secretário de relações internacionais do PT