Mostrando postagens com marcador Oriente-médio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Oriente-médio. Mostrar todas as postagens

sábado, 4 de agosto de 2007

Reflexões pessoais sobre o acordo PT - Baath da Síria

O presidente do PT e o secretário de relações internacionais do partido, assinaram no mês de maio um protocolo de acordo com o partido Baath da Síria.

Como disse a carta enviada ao Centro Simon Wiesenthal pelos companheiro Ricardo Berzoini e Valter Pomar “Ter um acordo de cooperação com um determinado partido, não significa necessariamente que o PT esteja de acordo, total ou parcial, com a ideologia, com a história e com as ações governamentais destes partidos.”

Isto é verdade e não significa, é claro, que possamos ignorar a ideologia, a história e as ações dos partidos com que estabelecemos acordos de cooperação.

Considerar o partido Baath da Síria como um partido democrático ou de esquerda ou ao menos uma organização antimperialista seria um equivoco que o PT não fez e seguramente não fará. Tenho dúvidas, inclusive, se o Baath é realmente um partido ou uma simples correia de transmissão do poder ditatorial da familia Assaf que governa esse país com mão de ferro, e de pai para filho, faz quase meio século.

Uma coisa é considerar como legitima a reivindicação da Síria de restituição dos territórios ocupados por Israel (como é o caso do Golán) e outra, diferente, endossar a política reacionária, ditatorial e anti-democrática do regime do Baath. O protocolo assinado não entra nestas questões, nem em qualquer acordo ou compromisso político, o que é saudável, porem é bom evitar declaracões confusas ou simpáticas para com um regime que faz muito tempo deixo de ser “progressista”. Os dirigentes petistas devem, na minha opinião, estar atentos para que ninguém possa associar nosso partido a essa ditadura, mesmo secular e com rotulo "socialista".

Pretender que o regime sírio é adversário da “política imperialista norte-americana” é só parcialmente verdadeiro e isto não faz deles, ipso facto, nossos amigos e aliados. Este raciocínio é reducionista e infantil, além de não condizer com a tradição do PT.

Vale lembrar que foi o regime de Assad e do Baath que em 1970 colaborou com Hussein da Jordania para massacrar a OLP e o povo Palestino (40 mil mortos), fechando suas fronteiras e obrigando os partidários de Arafat a se refugiar em condições mais que precárias no Líbano.

Convém insistir também que a rejeição da ocupação por Israel do sul do Líbano nunca significou apoio a ocupação da Beeka pelas tropas da Síria, cuja retirada do Líbano, junto com as de Israel, configurou um primeiro passo importante no caminho de negociações pacificas e de restituição da soberania nacional do povo libanês.

Nossa solidariedade para com o povo palestino e sua luta pela constituição de um Estado Palestino democrático e independente, que respeite a existência e a segurança do Estado de Israel; postura oficial do PT e manifestação inequívoca de nosso engajamento em favor dos oprimidos no oriente-médio, assim como repúdio a política dos governos de Israel que com apoio dos USA pratica uma linha belicista na região, nunca podem servir para avalizar nem grupos islâmicos radicais, nem regimes ditatoriais e partidos reacionários ou grupos terroristas. Faz bem ao PT reafirmar isto permanentemente.

Não estamos discutindo das necessárias e normais relações diplomáticas, comerciais, econômicas e culturais com os diversos governos da região por parte do governo brasileiro e que devem continuar e se aprofundar.

Não estou questionando contatos políticos com forças políticas das mais diversas no mundo e no médio-oriente, em particular, o que faz parte do pluralismo e tradição democrática do PT e que não exige assinatura de nenhum protocolo especifico. Não precisamos dar atestados "democráticos" a partidos com os quais nos reunimos de vez em quando e com os quais não temos nada em comum. E menos ainda a partidos como o Baath.

Se a democracia é um valor universal como consta da posição histórica do PT, ela tem que nortear também nossos compromissos políticos no plano internacional.

Luis Favre

resposta ao Centro Simon Wiesenthal

São Paulo, 02 de agosto de 2007.


Ao Dr. Shimon Samuels
Diretor de relações internacionais

Ao Lic. Sergio D. Widder
Representante para a América Latina

Centro Simon Wieshental


Recebemos hoje, através de um jornalista da agência Reuters, em formato PDF enviado por correio eletrônico, a carta que vocês dirigiram ao Partido dos Trabalhadores, acerca do protocolo de cooperação firmado entre o Partido Baath da Síria e o PT do Brasil.

Posteriormente, recebemos uma ligação do jornal O Globo, solicitando nossa opinião sobre vossa carta, que chegou aos escritórios do Partido, via fax, as 11h28, horário Brasília.

Registramos com estranheza este procedimento.

Sobre o conteúdo de vossa carta, rogamos que façam novamente a leitura do acordo de cooperação assinado no dia 30 de maio de 2007.

Lá se fala em "incentivar a troca de visitas de delegações oficiais entre os Partidos em datas acordadas antecipadamente, objetivando a troca de idéias e pontos de vista a respeito das causas comuns"; promover "a troca de visitas entre delegações especializadas, em datas acordadas antecipadamente, objetivando a troca de experiência a respeito da logística de trabalho de cada Partido, e a troca de experiências"; promover a "troca de publicações e de documentos partidários importantes"; promover "a troca de convites para que cada Partido possa participar nos Congressos e Conferências do outro, de acordo com as tradições de cada Partido"; "em buscar coordenar os pontos de vista durante a sua participação em Congressos e Fóruns regionais e internacionais"; em trabalhar "no sentido de fortalecer as relações de amizade e cooperação entre as organizações populares e as sociedades representantes da sociedade civil, objetivando o intercâmbio de experiências".

O PT mantém acordos de cooperação deste tipo, com vários partidos políticos, na Europa, na América Latina, na Ásia e na África.

Ter um acordo de cooperação com um determinado partido, não significa necessariamente que o PT esteja de acordo, total ou parcial, com a ideologia, com a história e com as ações governamentais destes partidos.

O PT defende a paz e a democracia no mundo e no Oriente Médio. Somos contra o terrorismo, inclusive o terrorismo de Estado. E somos contra a política de guerra adotada pelo governo norte-americano, que tem contribuído para desestabilizar toda a região.

Para conseguir a paz, não ajuda sair distribuindo "certificados seletivos de terrorismo", que na prática servem para alguns governos que se consideram campeões da democracia, excluírem do diálogo atores de enorme importância política, partidos políticos reconhecidos em seus países, com grande apoio popular, parlamentares e governantes eleitos.

Por tudo isto, achamos que o acordo de cooperação firmado entre o PT e o Partido Baath da Síria é um ato em favor da paz.

Nos colocamos a disposição do Centro Simon Wieshental, tanto para esclarecer algo mais, quanto como facilitar nos contatos que queiram manter com o próprio Partido Baath e/ou com o governo da Síria, para apresentar quaisquer queixas, demandas e posicionamentos.


Atenciosamente,


Ricardo Berzoini
Presidente nacional do PT

Valter Pomar
Secretário de relações internacionais do PT

Protocolo de acordo entre o Baath da Síria e o PT - maio 2007

ACORDO DE COOPERAÇÃO ENTRE O PARTIDO BAATH ÁRABE SOCIALISTA E O PARTIDO DOS TRABALHADORES PARA O PERÍODO DE 2007-2010.

Partindo da vontade comum do Partido Baath Árabe Socialista e do Partido dos Trabalhadores de constituir relações de cooperação metódica entre ambas as instituições, com o objetivo de estreitar os laços de amizade entre os povos amigos da República Árabe da Síria e da República Federativa do Brasil, e de melhor servir aos interesses comuns dos dois países e povos, assinaram o seguinte acordo de cooperação:

1. Incentivar a troca de visitas de delegações oficiais entre os Partidos em datas acordadas antecipadamente, objetivando a troca de idéias e pontos de vista a respeito das causas comuns.

2. Promover a troca de visitas entre delegações especializadas, em datas acordada antecipadamente, objetivando a troca de experiência a respeito da logística de trabalho de cada Partido, e a troca de experiências.

3. Promover a troca de publicações e de documentos partidários importantes.

4. Promover a troca de convites para que cada Partido possa participar nos Congressos e Conferências do outro, de acordo com as tradições de cada Partido.

5. Concordam ambos os Partidos em buscar coordenar os pontos de vista durante a sua participação em Congressos e Fóruns regionais e internacionais.

6. Trabalhar no sentido de fortalecer as relações de amizade e cooperação entre as organizações populares e as sociedades representante da sociedade civil, objetivando o intercâmbio de experiências.

7. Encarregar o escritório de Relações Internacionais no partido Baath Árabe Socialista e a Secretaria de Relações Internacionais no Partido dos Trabalhadores de acompanhar a execução dos Itens deste acordo.

8. Este acordo terá duas versões em árabe e em português, tendo o mesmo efeito.

Partido Baath Árabe Socialista - Partido dos Trabalhadores

segunda-feira, 16 de julho de 2007

"Ya es hora de salir de Auschwitz y fundar el Estado de Israel"


"Definir el Estado como judío y democrático es explosivo. Al final, prevalece la teocracia",

Avraham Burg (foto izquierda), ex presidente de la Agencia Judía y del Parlamento israelí
- AP








JUAN MIGUEL MUÑOZ
- Jerusalén - EL País

Avraham Burg (Jerusalén, 1955) luce kipá, reloj azul celeste y atuendo informal. Ex presidente de la Agencia Judía, el organismo promotor de la Aliya (emigración de judíos a Israel) y del Parlamento, este ex dirigente laborista educado en yeshivas (escuelas religiosas) ha desatado la polémica tras la publicación de Defeating Hitler (Derrotando a Hitler). A su juicio, Israel está sofocado por la ausencia de espíritu. Observa de cerca la evolución de las comunidades judías de Estados Unidos y Francia, mucho más abiertas al resto de la sociedad, y alienta a los israelíes a obtener pasaportes de otro país. Superar el trauma del Holocausto es, para el ahora hombre de negocios, imprescindible para el porvenir del Estado hebreo. "Ya es hora de salir de Auschwitz y fundar el Estado de Israel", dice, al tiempo que alerta de ciertas similitudes entre la sociedad israelí y la alemana anterior al advenimiento del nazismo: "No hay diferencia entre el 'judíos fuera' y el 'árabes fuera'. Está escrito en las paredes, y lo más preocupante es la indiferencia de la gente".

Pregunta. ¿Cuáles son los rasgos principales de la sociedad israelí hoy?

Respuesta. Confusión, trauma y esperanza. Somos una sociedad increíblemente exitosa. Estamos asombrados. Pero también conmocionados, porque todo es cada vez mucho más difícil. En 1945 se conoció la existencia de Auschwitz, tres años antes de la fundación de Israel. Sin embargo, fue un periodo muy optimista. La gente estaba llena de inspiración y energía. Hoy hablas con la gente y dice: "Todos son unos corruptos". Es una realidad confusa. Los logros son increíbles, pero no mejoramos desde el punto de vista psicológico. En los primeros años de Israel, el trauma fue suprimido por los desafíos inmediatos: el establecimiento del Estado y la guerra de independencia... La gente no tenía tiempo para curar sus heridas. Ahora volvemos a revivir el trauma.

P. Está siempre presente.

R. Mi tesis es que, después de 60 años, ya es hora de salir de Auschwitz y fundar el Estado de Israel. Dejar atrás el trauma, que se ha convertido en el elemento principal que configura la sociedad. Cada enemigo es el enemigo máximo; cada amenaza es la amenaza final; cada antisemita es el nazi número uno. Mi argumento es que cuando te traumatizas a ti mismo, has perdido la esperanza. Se puede sospechar, dada la experiencia de los judíos. Pero sospechar siempre es una enfermedad. Si la sociedad israelí no reacciona será porque es una sociedad enferma. Debemos desafiar los pilares fundacionales de esta sociedad. La puerta de entrada a Israel para los jefes de Estado no puede ser el Yad Vashem (Museo del Holocausto). Parte de la visita, sí, porque la gente debe conocer nuestra dramática experiencia. Pero no la puerta. Algo induce al optimismo: las generaciones jóvenes están dispuestas a reexaminar los dogmas de Israel. No sé cuál será el resultado, pero esto induce al optimismo.

P. ¿Por qué dice que Hitler define la identidad israelí?

R. Cuando comencé a escribir el libro, el título era Hitler ganó. Mi punto de partida era muy melancólico y pesimista. Netanyahu, Hamás, Ahmadineyad. Cualquiera es calificado como un Hitler. Todos quieren aniquilarnos. El antisemitismo es el segundo Holocausto. Es cierto que hay enemigos que se fortalecen, pero si Israel sólo siente enemigos y cree que todo el mundo está contra nosotros, es el fin. Mi madre nació en Hebrón en 1921. En 1929, la mitad de su familia fue asesinada en una revuelta árabe. La otra mitad fue salvada, también por árabes.

P. ¿Por qué cree que la concepción del Estado como judío y democrático es la clave de su destrucción?

R. El Estado no debería tener un componente religioso en sus mecanismos de funcionamiento. Definir el Estado como judío y democrático es explosivo, porque siempre habrá una pugna entre la estructura religiosa y la democrática. Cuando se da esta lucha, especialmente en las actuales circunstancias históricas -una era muy religiosa y fundamentalista en el islam, la cristiandad y el judaísmo-, al final la teocracia prevalece sobre la democracia.

P. "Estamos perdidos. Todavía no han llegado las noticias, pero ya estamos muertos. Esto no funcionará más", ha advertido usted.

R. Lo que ha muerto es el espíritu de los fundadores de Israel. El espíritu de apertura, universalismo, libertades y democracia moderna se ha erosionado enormemente. La cuestión religiosa ha sido abandonada en manos de los ultraortodoxos. Son los guardianes del Monte del Templo. Se les ha cedido una parte de tu identidad: los rituales, las costumbres, la memoria. Y la responsabilidad sobre la relación del pueblo con la tierra se ha dejado en manos de los colonos mesiánicos. Esto es contrario a la fundación de una civilización israelí moderna. Si continuamos así, estos dos elementos nos matarán. Hay que mirar a la diáspora americana y europea. Ellos pueden ofrecer una interpretación fantástica de la relación entre nosotros y el resto del mundo, relaciones de confianza en lugar de relaciones traumatizadas.

P. ¿Por qué se siente Israel tan aislado?

R. La tradición dice, desde tiempos de la Biblia, que no se puede creer a los no judíos. Pero si analizas la situación del pueblo judío hoy y la comparas con las etapas anteriores de la historia, nunca hemos tenido una relación tan increíble como la que sostenemos ahora con el mundo. La Iglesia católica ha aceptado la legitimidad del Estado de Israel como expresión de la realidad política del pueblo judío. Jamás había sucedido. Nunca todas las superpotencias en el mundo habían ofrecido un respaldo inequívoco al Estado. Hay gente superficial que odia a los judíos por las políticas de Israel, pero decir que estamos ante el segundo Holocausto, no, por favor. No, no. El antisemitismo es hoy sólo parte del odio extendido por el mundo, como la arabofobia, la islamofobia...