Maria Callas canta "Una Voce Poco Fa"
da opera IL BARBIERE DI SAVIGLIA, de Rossini. Recital de Hamburgo 1959.
Transmitir informações e opiniões que julgo relevantes para compor uma visão sobre o mundo e agir em conseqüência. Minhas leituras não são minhas opiniões, mas me ajudam a formá-las. Luis Favre
da opera IL BARBIERE DI SAVIGLIA, de Rossini. Recital de Hamburgo 1959.
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Soprano americana, morta há exatamente 30 anos, levou a arte da interpretação a novo patamar, ajudou a redescobrir repertórios e ainda hoje é referência absoluta
Lauro Machado Coelho
O Estado de São Paulo (para assinantes)
O timbre, muito expressivo, não era exatamente bonito, no sentido convencional. A voz, muito extensa, tinha problemas de passagem e irregularidade de colorido; e, com o tempo, desenvolveu um insistente vibrato. E, no entanto, para a sua legião de admiradores, ela era conhecida como La Divina. Pudera! Que outra cantora, senão Maria Cecília Kalogeropoulos - cuja morte ocorreu há 30 anos, em 16 de setembro de 1977 - podia interpretar de Lucia di Lammermoor e Amina, em La Sonnambula, à Tosca e Lady Macbeth, a todas elas marcando com o ferro em brasa de sua inigualável personalidade?
Na introdução à sua biografia de Callas, o jornalista e crítico John Ardoin conta um episódio com o qual me identifico, pois coisa muito parecida me aconteceu, no processo de descoberta da arte dessa cantora singular. Ao comprar a Norma de 1952, em que Callas canta ao lado de Ebbe Stignani, desagradou-lhe tanto a irregularidade da voz, que Ardoin devolveu os discos à loja. Nos dias que se seguiram, porém, ele foi assaltado pela incômoda necessidade de ouvir de novo aquele registro. Passou pelo constrangimento de voltar à loja e comprar o álbum de novo. E descobriu o óbvio: a interpretação daquela americana de origem grega tinha uma intensidade quase suicida, que lhe reservou um nicho todo especial na história do canto lírico no século 20. E que faz com que alguns de seus maiores papéis - Norma, Tosca, Medéia - tenham ficado de tal maneira impregnados pelo seu estilo de interpretação, que ela passa a ser o padrão de referência a partir do qual outras cantoras serão avaliadas.
Passados 30 anos da morte dessa soprano ligeiro-lírico-dramática, nascida em Nova York em 2 de dezembro de 1923, podemos finalmente deixar para trás tudo o que de episódico e pitoresco cercou a sua carreira, que se estendeu de 1941 a 1965. A fama do temperamento mercurial de prima-dona, as lendas de sua rivalidade com Renata Tebaldi, as histórias referentes à dieta cruel que lhe deu uma silhueta de estrela de cinema, e o seu envolvimento apaixonado com o armador Aristóteles Onassis - são tos elementos acessórios de uma biografia cinematográfica, que não nos devem distrair do essencial de seu legado.
Como atriz e como cantora - usando de maneira surpreendente as próprias imperfeições de seu instrumento -, Maria Callas elevou a um patamar muito alto a arte da interpretação operística. São infelizmente muito reduzidos os documentos visuais que ela deixou. Mas quem a vê, com Tito Gobbi, no segundo ato da Tosca, filmado em um concerto de Paris, entende por que ela mesmerizava a platéia com sua presença no palco.
À Callas devemos a redescoberta de diversos grandes títulos do repertório de belcanto, de Bellini, Donizetti, Rossini e Cherubini, e parte apreciável do processo de resgate das técnicas de canto oitocentistas, com uma pureza estilística de que filtrou os excessos deixados pelo verismo. Com todos os problemas que a sua voz apresentava, ela era capaz de sugerir tanto a fria determinação de Lady Macbeth, ou a obsessão vingativa de Medéia, quanto a vulnerabilidade de Lucia ou de Violetta Valéry.
Se Maria Callas não tivesse sido uma fabulosa cantora de ópera, poderia ter sido uma excepcional atriz de teatro ou de cinema - como o demonstra a Medea de Pasolini, filmada com a incandescência de uma ópera falada. Dessa grande artista desaparecida 30 anos atrás, o que se pode dizer é o óbvio: que ela iluminou cada personagem que fez com a luz interior de seu gênio.
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Maria Callas morreu há 30 anos, mas o mito da diva --a mais célebre cantora lírica da segunda metade do século 20, trágica no palco e na vida-- prossegue na lembrança de todos os amantes da ópera.
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| Trinta anos da morte de Maria Callas é tema de documentário no Eurochannel, neste domingo |
A soprano, batizada Maria Kalogeropoulos, morreu em Paris no dia 16 de setembro de 1977, aos 53 anos. 'Os deuses levaram a sua voz', comentou então o costureiro Yves Saint Laurent.
Em homenagem à cantora lírica, o canal pago Eurochannel exibe no próximo domingo (16), às 17h, o documentário exclusivo "Maria Callas, 30 Anos Depois" (Callas Assoluta, 2007, França/Grécia) produzido especialmente para a data. O filme foi exibido na Sessão Horizonte do Festival de Veneza deste ano.
O especial de 90 minutos viaja no tempo e conta a trajetória de sucesso da soprano. Imortalizada como dona de uma voz de amplitude rara e habilidade cênica inigualáveis, Maria Callas atuou em óperas dos mais diversos estilos.
Ela nasceu no dia 2 de dezembro de 1923, em Nova York. Filha de pais imigrados da Grécia, Maria Kalogeropoulos transformou-se em Maria Callas em 1926.
Sua carreira teve um impulso decisivo com o diretor italiano Tullio Serafin (1947) e após seu casamento (1949) com Giovanni Battista Meneghini, que passou a ser seu empresário além de marido.
Fenômeno vocal que se expande em três oitavas e meia, a soprano destacou-se interpretando "Lucia" (Donizetti) a "Isolda" (Wagner) e ainda "Carmem" (Bizet), e sua voz encarnou como ninguém "La Traviata" de Verdi.
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| A soprano destacou-se interpretando as obras "Lucia" (Donizetti), "Isolda" (Wagner) e "Carmem" (Bizet) |
O mito Callas se nutre também de aspectos menos musicais, especialmente com sua união nos anos 1960, e a posterior ruptura, com o empresário grego Aristóteles Onassis, assunto muito comentado pela imprensa da época.
Após ensinar música na famosa Juilliard School, de Nova York, a cantora lírica voltou a se apresentar para o grande público em 1974, em uma série de shows especiais.
Ao final da temporada, a soprano se recolheu em seu apartamento de Paris, onde ficou até sua morte, decorrente de um ataque cardíaco, em 16 de setembro de 1977. Atendendo ao seu desejo, suas cinzas foram jogadas no Mar Egeu.
Com informações da agência Efe.
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Carnaval Mangueira 2008