Transmitir informações e opiniões que julgo relevantes para compor uma visão sobre o mundo e agir em conseqüência.
Minhas leituras não são minhas opiniões, mas me ajudam a formá-las. Luis Favre
Resgatadas das prisões e dos carrascos de Muamar Kadafi, as cinco enfermeiras búlgaras e o médico palestino estão em casa, longe do terror. O mundo inteiro saudou sua libertação - obtida no fim de julho, depois de oito anos de prisão -, graças a um longo trabalho dos diplomatas europeus e, no fim, ao ativismo fulgurante do presidente francês, Nicolas Sarkozy, e sua doce mulher, Cécilia.
“Tudo está bem quando acaba bem.” O problema é que nada acabou, pois essa brilhante operação logo se transformou num caso obscuro, inquietante. Esse “ato de amor” do Estado começou a cheirar a armas, resgate e geopolítica.
Após o triunfo da sua mediação, Sarkozy declarou ter sido conduzido somente pelas preocupações humanitárias. Certo, a França fornecerá uma central nuclear à Líbia, mas apenas para a criação de usinas de “dessalinização da água do mar”, o que é ecológico, mas cientificamente absurdo. A opinião pública não insistiu. Não quis estragar a festa.
Infelizmente, o filho de Kadafi, Saif al-Islam, pisou na bola. E declarou ao jornal Le Monde que a libertação das enfermeiras foi muito bem paga: entregas volumosas de mísseis antitanque, exercícios militares conjuntos e até um projeto para fabricar armas. Sendo assim, o ex-terrorista Kadafi vai se tornar novamente uma pessoa socialmente aceitável, mesmo num terreno perigoso, o da guerra e das armas.
As revelações do filho de Kadafi causaram estupor. Os deputados exigiram explicações do chanceler Bernard Kouchner. Que foi vago. Na verdade, não sabia de nada. Então, a pergunta foi dirigida ao próprio Sarkozy: “Houve um contrato de armas?” Sua resposta foi: “Não.” “Houve alguma contrapartida?” Ele respondeu: “Nenhuma.”
Quem é o mentiroso? Sarkozy? O filho de Kadafi? Uma pista: ontem o governo líbio anunciou a assinatura, com empresas francesas, de contratos para a compra de mísseis e equipamentos de comunicação (ler ao lado), totalizando mais de US$ 400 milhões...
O mais grave não é o fato de a França vender armas à Líbia, mas a amplitude dessa cooperação militar. E sobretudo o fato de tudo ter sido tramado em silêncio e em segredo. Somente um homem, Sarkozy, conduziu todo o processo, nas barbas de seu próprio chanceler, que não sabia de nada.
Uma outra revelação terrível: Kadafi obrigou as enfermeiras búlgaras e o médico palestino a assinarem, na presença de personalidades européias (entre elas, Cécilia Sarkozy), um documento comprometendo-se a renunciar a qualquer recurso judicial e a não contar que foram torturados. Eles foram. “O pior era a máquina de tortura elétrica”, contou o palestino. “Às vezes eu era torturado na mesma sala que as enfermeiras. Eu estava nu. Elas, metade nuas. Tenho vergonha de dizer o que fizeram com essas mulheres.”
Paulo Henrique Amorim entrevista o Presidente da OAB do Estado de Rio de Janeiro, Dr. Wadih Damous
Paulo Henrique Amorim – Eu vou conversar agora com doutor Wadih Damous ele é presidente da OAB do Rio. Doutor Wadih, o senhor vai bem?
Wadih Damous – Tudo bem Paulo.
Paulo Henrique Amorim - Doutor Wadih, os jornais de São Paulo dão, rapidamente, uma declaração sua em que o senhor considera que esse movimento “Cansei”, que nasceu aqui na OAB de São Paulo tem uma certa conotação golpista. O que o senhor quer dizer com isso?
Wadih Damous – Paulo, tudo o que eu tenho lido e ouvido a respeito desse movimento “Cansei”, o fato que em mim chegou ao conhecimento é que esse movimento já estava sendo articulado e resolveram convidar a OAB de São Paulo para que fosse uma espécie de relações públicas desse movimento, ou seja, uma entidade com uma respeitabilidade e a tradição da OAB. E de fato, assim que a OAB entrou nesse movimento, o movimento passou a ter uma visibilidade social bastante intensa. Aqui no Rio eu comecei a ser interpelado até por advogados, não só pelo cidadão fora da advocacia mas até por advogado, criticando a participação da OAB nesse momento como se nós, OAB do Rio de Janeiro estivesse nesse... Então, a partir daí isso me incomodou, nós não só não estamos participando desse movimento como nós criticamos esse movimento. Daí vim a público para dizer exatamente o que eu penso sobre esse movimento.
Paulo Henrique Amorim – E o que que o senhor pensa?
Wadih Damous - Eu penso que esse movimento é um movimento estreito. Aliás é um movimento que até agora não conseguiu se expandir além das fronteiras paulistas, é estreito pelo conteúdo, pelos componentes sociais desse movimento, entidades das classes mais abastadas de São Paulo, algumas entidades que tem uma história não muito recomendável em termos de luta pela democracia integram esse movimento.
Paulo Henrique Amorim – Por exemplo.
Wadih Damous – Fiesp por exemplo, uma das artífices do golpe de 64, algumas personalidades que também não primam muito pela defesa da democracia.
Paulo Henrique Amorim – Por exemplo.
Wadih Damous – O empresário João Dória Júnior. Aliás eu quero até aqui incorporar um dito xistoso do ex-governador Cláudio Lembo, que disse que a grande contribuição do empresário João Dória foi promover um desfile de cachorros de madame há cerca de um mês em Comandatuba. E é um movimento que está, do meu ponto de vista, instrumentalizando, porque ele surgiu a partir, ele se intensificou a partir da tragédia do vôo da TAM, está instrumentalizando a dor de famílias enlutadas com aquela tragédia para a partir daí formular uma crítica às ações governamentais no Brasil. Obviamente o resultado previsível desse movimento vai ser o “Fora Lula”, que eu considero tão golpista quanto considerava o “Fora FHC”. Presidente eleito tem que terminar o seu mandato, concordemos ou não com a gestão, enfim, com as formulações que cada governante tenha.
Paulo Henrique Amorim – O senhor considera, portanto, que o próximo passo do “Cansei” é o “Fora Lula”?
Wadih Damous – Não tenha dúvida, é a lógica do movimento é essa. A lógica interna, ínsita a esse movimento, por sua composição social em termos de entidades e de personalidades e por essa indefinição das motivações desse movimento. E eu me lembro, pelo menos por leitura de livros de história, que foi exatamente assim que se gestou o Golpe de 1964, com uma indefinição momentânea, com uma crítica muito genérica, misturando o combate à corrupção com o combate à criminalidade comum. Hoje com esse ingrediente do apagão aéreo. E vai se caminhando em linha reta depois para o golpe. Então a OAB do Rio de Janeiro não participa. A OAB do Rio de Janeiro vai recomendar às outras seccionais que não participem e vai recomendar ao Conselho Federal que não participe desse movimento.
Paulo Henrique Amorim – Muito obrigado, foi um prazer falar com o senhor.
BRASÍLIA - Familiares de vítimas do acidente com o Airbus da TAM pediram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que os responsáveis pelo pior desastre aéreo da história do país sejam punidos.
"A gente espera que não só o presidente mas a Câmara e o Senado apurem os responsáveis, punam os responsáveis, para que mais famílias não precisem sofrer o que a gente sofreu", disse a jornalistas Luiz Fernando Moyses, que perdeu a esposa no acidente.
Lula recebeu três familiares durante quase uma hora no Palácio do Planalto, após o encontro, não previsto na agenda do presidente, ter sido pedido por eles nesta quinta-feira mesmo.
"O presidente se mostrou solidário. Ficou de assumir pessoalmente essa causa de cobrar das pessoas que têm que ser cobradas", acrescentou Moyses. "Ele ficou de se manifestar quando tiver toda a documentação, toda a investigação e ele está muito solidário e triste também."
Perguntados se achavam que o governo havia sido omisso ou lento em reagir à crise aérea, Raifran de Almeida, que perdeu um irmão, a cunhada e dois sobrinhos disse: "Neste momento nós não queremos julgar ninguém e nem culpar ninguém, apenas apresentar esse manifesto único pedindo responsabilidade".
Cento e noventa e nove pessoas morreram no último dia 17 quando um Airbus A320 da TAM não conseguiu pousar com sucesso em Congonhas e explodiu ao se chocar contra prédios em frente ao aeroporto. Agencia Estado.
Revista Forum entrevista o advogado constitucionalista Pedro Estevam Serrano
Por Anselmo Massad Fórum – As agências reguladoras estão instaladas desde o processo de privatização. No caso da aviação, ela foi criada em 2005, pelo governo Lula. Por que apenas agora, com a crise aérea, o debate sobre agências surge, e concentrado na Anac? Pedro Estevam Serrano – O debate é mais amplo do que a Anac, diz respeito às agências como um todo, até a concepção delas da forma como foi criada pelo governo Fernando Henrique Cardoso e mantida pelo governo Lula. Na minha opinião, é um modelo equivocado, na medida em que se atribui dose excessiva de autonomia a esses órgãos, com fundamento em uma suposta visão de mercado, para garantir uma suposta atratividade ao investidor. Parte-se da idéia de que, oferecendo essa autonomia, haveria distância do ambiente político e maior estabilidade e isenção técnica das agências nas decisões do gerenciamento de serviços públicos objetos de concessão advindos dos processos de privatização. Essa concepção é ilusória. Não há como dissociar, na atividade estatal, práticas estatais da dimensão política. Existe uma tentativa de separar Estado e governo, quando na realidade, são indissociáveis. O objetivo, na criação das agências, era substituir a figura do parlamento e o Executivo pelas agências na definição de normas e parâmetros e em sua execução, e o Judiciário por juizados arbitrais. Como se houvesse um Estado para sociedade e outro, paralelo, para os investidores. É um grande equivoco. Um investidor que entra num mercado ingressa no universo cultural e político do país. Eles mesmos sabem disso. Não há como oferecer estabilidade para investidor, sem que haja estabilidade na sociedade. Um Estado paralelo não pode garantir isso sem que haja o mesmo para a sociedade. Garantias para investidor só podem ser dadas pela relação contratual, com estabilidade institucional como um todo.
Fórum – Os setores que defendem o modelo sustentam que é preciso afastar a decisão das interferências e “vícios” da vida política do país... Serrano – Não há como colocar as agências para legislar, embora o legislativo tenha se transformado em uma verdadeira delegacia de polícia, com CPIs permanentemente. Essas agências não regulam a ação de um investidor que vem operar supermercados, por exemplo, mas sim vem prestar serviços públicos em nome do Estado. O investidor tem de estar submetido ao controle da sociedade e não ao de tecnocratas que ele ajuda a escolher nos bastidores. As formas democráticas que a sociedade tem para controlar os serviços públicos não são perfeitas, mas representam a melhor maneira que a humanidade criou. Não há como fazer uma abstração de escolher gestores sem governo. Os investidores têm de se comprometer com a democracia brasileira. O que temos visto por parte das agências são decisões autoritárias e tecnocráticas, em certos momentos contra os próprios investidores, ou, de modo servil, atenderem aos interesses das empresas. É este o caso da Anac em relação à TAM. Há um número considerável de acidentes nos últimos anos nesta empresa, e ela precisa ser investigada. A lei determina que a Anac faça isso, mas o que foi feito em relação à TAM? Li apenas que a Anac tem abaixado a cabeça para as empresas em vez de comandá-las. O exemplo da Anac é bom. Quando há muitos acidentes, a razoabilidade indica que é preciso investigar, mas a Anac nada fez, o que levanta a suspeita que o interesse econômico prevalece. Diante de uma empresa como a TAM, se apuradas irregularidades, ou se estatizaria ou transferiria as concessões para outras empresas. O fato é que tantos acidentes dão indício – que demanda investigação – de incompetência. O papel do Estado e do órgão público é o de garantir o interesse da sociedade. O investidor sabe disso. A autonomia excessiva é negativa para a sociedade e para o investidor também, porque cria a sensação de que ele tem que estabelecer relações com a agência e não com a sociedade. A crítica não é só à Anac, mas às agências, que são cópia, de certo modo, do modelo europeu e não do norte-americano. Um certo "neoliberalismo eurocêntrico" vaga entre intelectuais que influenciam os governos... No fim, nem se despolitizou as agências – é óbvio, porque são sujeitas aos ventos políticos – nem criou mecanismos de controle social.
Fórum – Como seriam esses mecanismos? Serrano – É ilusão afirmar que as decisões das agências sejam exclusivamente técnicas. Sempre há uma carga política. Quando se determina uma tarifa ou o uso de um aeroporto, a opção e política e administrativa. Nos conselhos das agências, é preciso haver espaço para maior participação social, através da representação da sociedade civil, além de outros órgãos estatais, do Poder Executivo, Legislativo e Judiciário. O presidente tem que nomear e poder demitir diretores desses órgãos à hora que quiser. Ele tem que responder pela ação das agências. Hoje, o presidente eleito pelo voto pega o mandato no meio e não pode ser cobrado, porque não tem como mudar, como trocar o comando. A sociedade não tem como interferir nos processos públicos. Politizar não significa trazer o fisiologismo. A democracia não é assim. Não resolve tentar corrigir o sintoma com mecanismos torpes, mas a origem da doença, a falta de cultura política e republicana.
Fórum – Em sua opinião, da forma como está, sem esse controle, prevalece o interesse das empresas? Serrano – Sem meios de a sociedade interferir, se substitui o poder político pelo econômico. O poder político representa um mecanismo de controle social, o poder econômico apenas representa os interesses dos titulares da atividade econômica. As agências, assim, são instrumentos dos prestadores de serviço em vez de serem os da sociedade. Substitui o interesse público pelos que têm interesse de lucro. Aproveitou-se a imagem que as pessoas têm dos políticos, com “p” minúsculo, para se excluir a Política com “P” maiúsculo, em favor dos interesses econômicos. Se não for alguém escolhido pelo voto, será alguém definido por outro critério, normalmente econômico. Isso é anti-republicano. Não podemos transformar a correta crítica que se faz ao fisiologismo na política brasileira para substituir o controle social pelo econômico. As agências precisam desse caráter republicano.
Governo do Estado de São Paulo recontou ocorrências desde 2004; administração nega que tenha havido maquiagem
14 crimes foram checados; só três -furtos em geral, furto de veículo e lesão corporal dolosa- mantêm números semelhantes
GILMAR PENTEADO ANDRÉ CARAMANTE DA REPORTAGEM LOCAL
Nos últimos três anos, o governo de São Paulo divulgou estatísticas criminais erradas. Somente em crimes patrimoniais como seqüestro, roubo a banco, de veículos e de carga, mais de 16 mil ocorrências ficaram de fora dos dados oficiais. A imprecisão das estatísticas é muito maior do que se descobriu em abril deste ano, quando a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) divulgou números de roubo a banco na capital paulista muito superiores aos publicados quatro vezes por ano pela Secretaria da Segurança Pública. No mês seguinte, o atual secretário Ronaldo Marzagão anunciou a recontagem das estatísticas desde 2004, inclusive dados de 2007 já reunidos até então, mas não divulgados. O resultado foi anunciado ontem. A maior parte do período analisado refere-se à gestão do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB). Saulo de Castro Abreu Filho era o secretário da Segurança responsável pela divulgação das estatísticas. Leia mais na Folha de São Paulo (para assinantes)
Assim como a Folha e seus jornalistas, em textos noticiosos ou de opinião, não deveriam ter avançado conclusões carentes de confirmação sobre as causas da tragédia, o jornal deveria ser mais rigoroso na publicação de artigos de convidados.
Muitos deles venderam certezas que se mostraram furadas ou que ainda hoje esperam comprovação.
Capital perde no Brasil apenas para Manaus (AM) em entraves à abertura de empresas, aponta órgão do Banco Mundial
Prefeitura diz que prepara mudanças no sistema de concessão de alvarás e licenças para reduzir tempo gasto pelos contribuintes
LEANDRA PERES DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
São Paulo é a segunda pior cidade no Brasil para obter a licença de funcionamento da prefeitura para uma nova empresa, segundo avaliação do IFC (International Finance Corporation, braço financeiro do Banco Mundial). O levantamento foi feito ao longo do ano passado em 25 municípios brasileiros e em outros 40 na América Latina. Se forem considerados todos os 65 municípios avaliados pelo Banco Mundial, São Paulo tem a 59ª colocação na concessão da licença de funcionamento. A capital conseguiu resultados melhores no ranking que mede a facilidade para a concessão do alvará de construção, embora não esteja no topo da lista: ocupa a 11ª posição no Brasil e a 29ª no ranking geral. A cidade brasileira onde é mais fácil conseguir a autorização para abrir uma empresa é Vitória (Espírito Santo). Ali, a licença sai em 18 dias e o empresário tem de ir três vezes até a prefeitura. Já a concessão do alvará de construção é mais eficiente em Curitiba (Paraná). "Há muita heterogeneidade nos municípios brasileiros, mas, como regra geral, os entraves burocráticos levam a um mau clima de negócios, e isso afeta diretamente o investimento e a formalização das empresas", disse Kristtian Rada, coordenador do trabalho. Para avaliar o desempenho de cada uma das cidades, os pesquisadores do IFC consideraram, além do tempo para obter os documentos e o número de visitas à prefeitura, critérios como as informações disponíveis para os empresários, o treinamento dos servidores públicos, a qualidade das inspeções e a infra-estrutura da prefeitura. Leia mais na Folha de São Paulo (para assinantes).
Deputado estadual afirma que o movimento "Cansei" faz oposição mascarada
Petista declara que não crê que esse movimento tenha intenções golpistas, mas que não terá apoio popular para continuar crescendo
LEANDRO BEGUOCI DA REPORTAGEM LOCAL
Deputado estadual mais votado pelo PT paulista em 2006 e homem forte da gestão Marta Suplicy (2001-2004) na prefeitura, Rui Falcão, 63, diz que não viu preocupação nem da OAB-SP nem de seu presidente, Luiz Flávio Borges D'Urso, com a cratera do Metrô na cidade. A obra e sua segurança estão a cargo de empresas contratadas pelo Estado, governado pelo PSDB desde 1995. A partir disso, ele afirma que o "Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros", o "Cansei", liderado oficialmente pela entidade dos advogados, faz oposição mascarada ao governo Lula e explora o acidente aéreo para desgastar o Palácio do Planalto. Porém, ele diz não acreditar que o grupo quer derrubar o presidente Lula.
FOLHA - O "Cansei" diz que não tem objetivos partidários. O que leva o sr. a pensar o contrário? RUI FALCÃO - Ele tem um sentido político, com bandeiras dos partidos de oposição, inclusive explorando esse episódio dramático, que é a perda de vidas humanas no acidente aéreo. Não vi nenhuma preocupação com a falta de transparência em São Paulo, com respeito à total impossibilidade de realização de CPIs. Isso diz respeito à cidadania. Não vi preocupações da OAB-SP com o episódio da cratera do Metrô de São Paulo, que não foi esclarecido. É um direito das pessoas fazer oposição, mas o que se condena é que se faça oposição mascarada, querendo aparecer como demanda do conjunto da sociedade quando é de uma parcela que tem direito, sim, de se manifestar, mas que se manifeste nessa condição, não falando em nome de todos.
FOLHA - Então o sr. não questiona o envolvimento da entidade, mas uma suposta intenção não dita? FALCÃO - Exato. Se a OAB-SP tivesse consultado os associados, e eles dissessem "vamos patrocinar essa campanha", ainda que fosse contra o governo, como é essa, teria direito. Mas não consultou os associados para tomar posição de facção.
Acidente em Congonhas: tese da "tragédia anunciada" não se sustentou com a abertura da caixa-preta
A "tragédia anunciada" revelou-se não apenas um clichê, mas um grande erro. Ao que tudo indica, o acidente com o avião da TAM não teve nada a ver com pista molhada, "grooving" ou ineficiência governamental.
Suspeito usual por conta da crise aérea - que é concreta e inegável -, o governo foi quase de imediato relacionado às 199 mortes por comentaristas, políticos e meios de comunicação, ainda que várias vozes ponderadas apontassem a necessidade de, ao menos, esperar pelos dados das caixas-pretas.
Para Clóvis de Barros Filho, professor de Ética da Comunicação, esse movimento não é surpreendente. "Já não é de hoje que a mídia em geral tem apreço por endossar versões que deslegitimam a ação do Estado", afirmou, em entrevista a Terra Magazine.
O professor vê sinais de politização em uma cobertura jornalística que deveria ser técnica. "É óbvio que algumas manifestações de autoridades do governo são profundamente infelizes, inclusive do presidente da República. Entretanto continuo a acreditar que existe uma confusão propositadamente estabelecida com o intuito de fazer com que um caso gravíssimo e episódico seja inscrito numa crise - que existe, mas que não tem nada a ver com esse acidente."
Que a confusão está estabelecida, não há dúvidas. Uma busca no Google pelos termos "tragédia anunciada", "TAM" e "Congonhas" traz links para mais de 60 mil sites.
Leia a seguir a entrevista de Barros Filho, que leciona na Escola de Comunicação e Artes da USP e na Escola Superior de Propaganda e Marketing:
Terra Magazine - Depois da publicação de trechos da caixa preta pela Folha de S.Paulo, os deputados da CPI do Apagão Aéreo decidiram divulgar a transcrição dos diálogos do piloto e do co-piloto, inclusive até o momento em que são registrados gritos na cabine. O senhor acha que existe algum problema ético em divulgar essas últimas manifestações? Clóvis de Barros Filho - Acho que só não deveria se divulgar se isso atrapalhasse as investigações. Não creio que seja esse o caso, não vejo por que não divulgar. Acho que, a partir do momento que a especulação sobre as causas do acidente tem muita relevância política, a divulgação dessas informações permite um esclarecimento que talvez redirecione a opinião pública.
O senhor falou em especulações e relevância política. O senhor acha que, logo após o acidente, a cobertura jornalística deu excessivo destaque à hipótese de um problema da pista, em detrimento de uma possível falha técnica ou humana? Já não é de hoje que a mídia em geral tem apreço por endossar versões que deslegitimam a ação do Estado. É, portanto, natural que a tese da insuficiência da pista tivesse ganho o aplauso inicial. O fato de isso ter de eventualmente ser revisto é salutar. Penso que só não enxerga quem não quer. Existem aí indícios muito claros de que o episódio de Congonhas está, digamos, sendo instrumentalizado. De um lado um movimento de deslegitimização do Estado, orquestrado pelo mundo corporativo, através do discurso da ineficácia, que tem como contrapartida a responsabilidade social e outras baboseiras. Tudo o que mostra a ineficácia do Estado interessa a certas políticas, a serviço de quem a mídia costuma estar. Um segundo movimento é o da corrosão da legitimidade do atual governo, contra o qual a mídia opera como um todo, com honrosas exceções, como força de oposição. A partir do momento em que a acachapante derrota nas urnas colocou em xeque esse movimento, parece que estamos assistindo a uma venezuelização da vida política brasileira, com as classes médias e altas servindo-se dos meios de comunicação para levantar hipóteses de impedimento do presidente com base na crise do setor aéreo.
Mais do que uma precipitação da imprensa ao responsabilizar o governo, o senhor acha então que houve um movimento deliberado? Se o senhor pedir para apresentar provas, não tenho. Mas é o que eu acho. Se o senhor acompanhar a leitura de algumas revistas na época das eleições, fica fácil perceber que existe um "a priori" partidário e ideológico que orquestra todas as decisões editoriais. Decisões de capa, de política editorial como um todo. Relação quase de radical deslegitimação do governo Lula. Então por que não um avião a mais nesse processo? É claro que o governo não ajudou. Declarações como a da Marta Suplicy e gestos como o do Marco Aurélio Garcia, de alguma forma, facilitam esse tipo de articulação. É evidente que, quando se pensa na crise do setor aéreo, há um problema. O acidente do avião da TAM me parece um outro problema. A confusão desses dois problemas é do interesse político de alguns. Uma coisa é o caso da malha aérea nacional, o problema dos controladores de vôo etc., em relação aos quais o governo talvez tenha bastante responsabilidade. A outra coisa é o problema técnico que levou o avião a não parar. A meu juízo, esses problemas são bastante diferentes, mas eles são invariavelmente tratados no mesmo saco, e claro que com um efeito reforçativo de ineficácia que interessa a muitos.
Como o senhor vê o fato de ter se carimbado esse acidente, desde o início, como uma tragédia anunciada? No momento em que isso foi dito essa observação era absurda, porque não se podia saber em hipótese alguma, naquele momento, qual era a causa. Se você não sabe qual é a causa de um fenômeno, você não pode dizer que aquilo foi anunciado. Estou convencido de que existe por trás disso um movimento de desestabilização. É óbvio que o acidente do avião da TAM é de enorme gravidade. É óbvio que a dor das pessoas é incomensurável. É óbvio que algumas manifestações de autoridades do governo são profundamente infelizes, inclusive do presidente da República. Entretanto continuo a acreditar que existe uma confusão propositadamente estabelecida com o intuito de fazer com que um caso gravíssimo e episódico seja inscrito numa crise - que existe, mas que não tem nada a ver com esse acidente.
Como o senhor vê, nesse contexto, a articulação de um grupo de empresários e publicitários, dois dias depois do acidente, em torno de uma campanha chamada de movimento Cansei, depois abraçada pela OAB de São Paulo? O movimento Cansei é o retorno do recalcado. A derrota de Geraldo Alckmin, para quem estuda os meios de comunicação como eu, é um enorme mistério. Para quem ensina que a mídia produz efeitos extraordinários de condução da opinião pública, agenda os temas políticos fundamentais etc., você imaginar que um candidato ganha com enorme facilidade uma eleição na contramão de toda a mídia de massa do país é, no mínimo, estranho. Parto da premissa de que a mídia produziu sim um grande efeito - se não tivesse produzido, a derrota teria sido ainda mais acachapante. Ora, depois desse massacre eleitoral... Quando o candidato é o que interessa, aí a festa é cívica, a voz do povo é a voz de Deus e o resultado das eleições é soberano. Quando o resultado não interessa, aí o movimento Cansei é levantado como legítimo etc. A meu ver, esse movimento é um golpe. É uma tentativa de golpe daqueles que foram violentamente derrotados nas eleições.
A degravação da conversa dos dois pilotos do Airbus MBK da TAM é um momento de horror, como são todas as gravações dessa natureza - razão pela qual dificilmente são conhecidas do público. Mas também é uma fonte importante de indícios sobre o que levou à tragédia. Desde o dia do acidente, algumas pistas importantes têm reduzido o menu de fatores que concorreram para o desastre. Eliminei, por exemplo, a arremetida e, embora haja um significativo reforço na questão da aderência da pista, as gravações não revelam que tenha havido aquaplanagem.
Mais e mais, os elementos convergem para o caso similar, ocorrido com o vôo TNA536, da Transasia, no aeroporto de Taipé. Lá, como havia área de escape, o jato varou a pista mas parou no mato. Ninguém saiu ferido. A questão maior converge para uma falha mais grave de gerenciamento eletrônico no Airbus.
O problema é detectado logo que a aeronave toca o solo, quando os spoilers não se armam. A razão? Segundo um piloto e instrutor de vôo que vem me municiando de gráficos e até dos dados da caixa preta do jato da Transasia, por alguma razão a manete de potência do lado direito ficou TRAVADA acima de Idle (ponto morto), quando deveria estar nessa posição ou abaixo, como manda o manual do Airbus A320 cuja cópia possuo. Sabe-se que ela estava em regime de ganho de potência, mas de alguma forma isso poderia ser revertido com o ajuste no momento do pouso.
O problema é que a alteração não pode ser feita, provavelmente por um bloqueio determinado pelo sistema de gerenciamento eletrônico (Fadec). Com uma turbina em reversão e outra em aceleração, o sistema travou no contraditório e recolheu os spoilers, inibindo também o funcionamento dos freios das rodas e dos ground spoilers, que são acionados pela compressão nos trens de pouso.
De acordo com esse piloto, quando o peso estiver totalmente sobre as rodas, e estas giraem a alta velocidade, e pelo menos um Reversor acionado, um sinal será enviado para os spoilers se abrirem. Isso não aconteceu. Não houve, segundo esse especialista, nenhum erro dos pilotos - embora eu discorde por causa da posição da manete, que não é a recomendada pelo manual. Ele concorda que a chave desse enigma passa obrigatoriamente pelo Fadec.
Diz que o elemento que sustenta isso está na transcodificação, cuja tradução, para a imprensa, errou em um ponto crucial. Em um determinado momento, um dos pilotos fala:
"desacelera, desacelera", e o outro responde:
"Olha isso". "Ele não pode, ele não pode". Esta frase foi traduzida errôneamente pela imprensa por: " Eu não posso, eu não posso".
As frases são estas:
18:48:26.3 Som de toque na pista 18:48:26.7 Co-piloto: Reversor núemro 1 somente 18:48:29.5 Co-piloto: Spoilers nada. 18:48:30.8 Comandante: aaii [suspiro] 18:48:33.3 Comandante: olhe isto. 18:48:34.4 Co-piloto: desacelera, desaceleta 18:48:35.9 Comandante: ela não pode, ela não pode 18:48:40.0 Comandante: oh meu Deus...oh meu Deus 18:48:42.7 Co-piloto: vai, vai, vai, vira, vira, vira 18:48:44.6 Co-piloto: vira, vira para...não, vira, vira 18:48:45.5 Som de ruidos de esmagamento
Existe uma única frase na tal transcrição muito duvidosa porque foi inserida pelo investigador da Aeronautica que foi aos USA, que faz alusão ao ruido de aceleração. Nada mais, Não se sabe se a aceleração é do motor Direito ou Esquerdo, pois o motor ESQUERDO estava sendo acelerado pela manete do reversor neste instante.
A frase é: 18:48:24.5 [ som do movimento da manete de potência ] 18:48:24.9 [ som de aumento de ruido do motor ] ( não se sabe se era o ruido do Reversor do motor ESQUERDO ou do DIREITO ). Esta frase não é da transcrição do FDR e sim foi inserida pelo investigador para explicar o que ele entendeu sobre esse som.
Depois de uma conversa com o presidente Lula, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, declarou que o governo vai levar adiante o projeto de construção de um novo aeroporto em São Paulo.
“Não está absolutamente afastada a questão do terceiro aeroporto. Só uma coisa é clara: o terceiro aeroporto, neste momento, não é um tema para resolver a questão emergencial”, afirmou o ministro da Defesa, Nelson Jobim.
O ministro da Defesa disse que não vai ceder às pressões das companhias aéreas e que Congonhas vai deixar de ser um aeroporto de conexão e escala de vôos.
“Congonhas será exclusivamente um aeroporto ponto a ponto. Ou seja, vôos diretos, ponto a ponto, limitados a duas horas”, disse.
As empresas não se conformam com as restrições a Congonhas. Têm pressionado a Casa Civil do governo e serão recebidas pelo ministro Nelson Jobim na semana que vem.
O economista e ex-conselheiro do governo Bill Clinton, o hoje blogueiro Nouriel Roubini, acredita que a crise do setor imobiliário americano pode levar ao chamado "hard landing" [pouso forçado] da economia dos EUA. A análise de Roubini é o assunto de entrevista exclusiva publicada na edição desta quinta-feira da Folha de S. Paulo (material exclusivo para assinantes da Folha e do UOL).
Roubini foi um dos primeiros economistas a alertar para os problemas, e consequências, dos empréstimos imobiliários de alto risco ("subprime"). Ele também alertou para um possível aumento dos juros em todo mundo, o que já está ocorrendo nos retornos dos mercados de títulos e nas decisões de bancos centrais.
Hoje, o BCE (Banco Central Europeu) decidiu manter a taxa básica de juros para a zona do euro em 4%. Analistas, no entanto, esperam que a autoridade monetária eleve a taxa em setembro para fazer frente à alta do preço do petróleo e a outros riscos inflacionários observados na zona do euro.
"O Cansei é um movimento de fundo golpista, estreito e que só conta com a participação de setores e personalidades das classes sociais mais abastadas do estado de São Paulo".
A afirmação é da OAB do Rio de Janeiro, que publicou nota declarando que não considera o Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, vulgo Cansei, como de caráter nacional. "Tanto no ponto de vista das Seccionais da OAB quanto do ponto de vista das demais entidades que estão participando. É, na verdade, um movimento estritamente paulista", diz a entidade fluminense.
O movimento tem a assinatura da OAB paulista, mas é articulado pelo apresentador João Dória Júnior, conhecido pelas boas relações com o PIB nacional, Sérgio Gordilho, presidente da agência África, e representantes da Fiesp, poderosa entidade dos barões da indústria paulista, segundo a entidade. A intenção do grupo é "sensibilizar" os brasileiros a pararem durante um minuto, às 13 horas do dia 17 de agosto, quando o acidente com o avião da TAM completará 30 dias.
Foram quase oito anos de seguidas denúncias, 102 processos na Justiça e acusações de desvio de mais de R$ 1 bilhão dos cofres públicos para o bolso de empreiteiros e políticos. E hoje, informa O Estado, o governo de São Paulo decidiu reestruturar a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). Entre as medidas está a contratação de empresas para fiscalizar o trabalho das empreiteiras. Entre os investigados pelas falcatruas está o ilustre deputado estadual tucano Mauro Bragato, suspeito de ter recebido R$ 104 mil de propina, entre 2003 e 2005. O Filtro Revista Época
Querem que a Atina Onassis participe do movimento "Cansei". Isso só pode ser coisa do Zé Dirceu, que adora se meter com os ricaços. Ouça aquia crônica do Moreno sobre essa polêmica.
As inovações tecnológicas no setor das telecomunicações têm apontado para um cenário em que provedores de serviços antes distintos, como TV por assinatura e telefonia, passarão a competir entre si oferecendo serviços muito similares. A tendência, chamada de convergência tecnológica, terá grande impacto para o consumidor. Por isso tem sido acompanhada de perto pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Um exemplo dessa grande mudança para o cidadão se observa na discussão das regras de transmissão da TV digital, cujo padrão foi recentemente escolhido pelo governo federal.
Nos próximos dias, o Comitê de Desenvolvimento do Sistema Brasileiro de TV Digital, formado por 11 ministros, definirá se a TV brasileira incorpora um sistema anticópia, com o objetivo de combater a pirataria. Se isso ocorrer, serão introduzidas restrições que inviabilizarão, por exemplo, a possibilidade de gravarmos em casa, para assistirmos depois, aqueles programas que não pudemos ver, por qualquer razão.
Um sistema anticópia é uma tecnologia aplicada a conteúdos digitais, como a programação de TV, que controla aquilo que o consumidor pode fazer com o conteúdo. Repudiado pelos Ministérios da Cultura e da Ciência e Tecnologia, entre outros, o sistema tem sido defendido abertamente pelo ministro das Comunicações.
Para entender os efeitos dessa decisão sobre os direitos do consumidor, imagine-se que um distribuidor de música inclua o sistema anticópia nos seus CDs. Se o sistema for contrário às suas expectativas (por exemplo, ao não permitir que as músicas sejam executadas em certos aparelhos), o consumidor pode decidir não adquirir aquele produto. No caso da TV digital, é diferente. Se o sistema for adotado como padrão, toda a tecnologia da televisão digital será afetada. O consumidor perderá sua liberdade de escolha, na medida em que todas as transmissões estarão condicionadas ao sistema, bem como os conversores - que deverão ser adquiridos para viabilizar a leitura do sinal digital pelos atuais aparelhos de TV.
Outro impacto ocorrerá sobre a chamada 'convergência das mídias'. Com a tecnologia digital, os limites entre os serviços de 'televisão', 'rádio' e 'internet' estarão desaparecendo. Para o consumidor, é desejável a flexibilidade dos conteúdos: que o sinal da TV digital seja recebido no computador, no celular ou em qualquer dispositivo. O sistema anticópia, entretanto, eliminará essa possibilidade, por não permitir que os sinais que saem do conversor sejam exibidos em outros aparelhos, exigindo uma espécie de 'licença' para funcionar. Isso contraria o Decreto 4901/03, do Sistema Brasileiro de TV Digital, no seu objetivo de 'contribuir para a convergência tecnológica e empresarial dos serviços de comunicações'. Além disso, se adotado como padrão, todos os conversores sairão de fábrica com essa tecnologia. Assim, prejudica-se a inovação, pois o fabricante brasileiro que quiser criar utilidades para os conversores da TV digital correrá o risco de violar os padrões técnicos impostos pelo sistema, inviabilizando a oferta de produtos que atendam melhor aos anseios dos cidadãos.
Para o consumidor, o problema mais grave está no fato de que, em nome do combate à pirataria, se desconsideram as liberdades de reprodução, criadas com o intuito de promover o acesso a conteúdos e estimular a circulação de informação, cultura e conhecimento, elementos fundamentais para a promoção do desenvolvimento. Esses direitos, existentes na lei de direitos autorais, incluem a possibilidade de copiar pequenos trechos sem intuito de lucro, bem como a reprodução de obras em domínio público. E pior: o consumidor perderá esses direitos para nada, pois esse sistema anticópia vem sendo apontado como ineficaz por estudos internacionais, como os das Universidades de Berkeley e Princeton. Será fatalmente burlado por aqueles que fazem da reprodução em grande escala uma profissão. Por isso foi rejeitado nos Estados Unidos, país que tradicionalmente defende os detentores de direitos autorais.
Se adotada, a medida defendida pelo Ministério das Comunicações seria um 'tiro no pé' para o combate da cópia ilegal, pois reduziria drasticamente o acesso à cultura e ao conhecimento sem contribuir para a redução da pirataria. Diante disso, somos contra a adoção do mecanismo em qualquer condição, pois seus efeitos colaterais serão maiores do que o problema que pretende resolver.
*Marilena Lazzarini, coordenadora executiva do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), é presidente da Consumers International; Luiz Fernando Moncau é advogado do Idec.
As viúvas, viúvos, órfãos e demais entes queridos dos mortos no acidente do vôo 3054 da TAM, que se estatelou em Congonhas após percorrer a pista principal do aeródromo, merecem nosso respeito e nossa solidariedade. Solidariedade e respeito que se manifestam na forma de silêncio, quando não concordamos com determinadas palavras ou ações vindas de quem sofre a dor por ter perdido alguém muito próximo. É por isso também que tenho procurado ao máximo permanecer aqui no limite dos aspectos técnicos da análise, ainda que no caso em questão a técnica mantenha vasos comunicantes com a política. Vasos bem abertos, aliás. Mas eu creio firmemente na verdade, o que me faz recorrer à prudência e resistir ao efeito-manada. Os fatos parecem caminhar para uma constatação: o desastre nada teve a ver com o circunstância de a pista estar eventualmente um pouco escorregadia quando o Airbus da TAM tocou o chão. Ou seja, o que aconteceu nada teve a ver com a ausência das ranhuras para escoamento de água -o grooving. Na Folha de S.Paulo de hoje, Fernando Rodrigues avança um pouco mais na revelação do que foram os últimos momentos do vôo e das causas principais da tragédia. Em linhas gerais, o texto é coerente com o que a revista Veja publicou na reportagem de capa da edição que está circulando. E o mais interessante, ao menos do meu ângulo de visão: confirma o que o Jornal Hoje, da TV Globo, informou logo no dia seguinte ao acidente de 17 de julho. Na o dia 18, o telejornal da hora do almoço colocou ao vivo o responsável pela área de risco da COPPE, a Coordenação de Programas de Pós Graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Moacir Duarte (na imagem). Vamos recordar o que disse, menos de 24 horas depois do acidente, o professor Moacir:
Jornal Hoje: Já é possível dizer o que aconteceu naqueles segundos antes da colisão? Se fala em pista molhada, se fala em erro humano, problema mecânico. É possível já ter uma previsão?
Moacir Duarte: Pela natureza da ferramenta que a gente tem para investigar acidentes já é possível dizer o que não aconteceu. Certamente uma colisão daquela magnitude não tem a ver com a ranhura nem com o processo de frenagem, porque já é a última etapa de parada do avião. O avião chegou com muita energia ao final da pista para cruzar a avenida e ter um impacto no prédio. Isso parece que exclui como causa decisiva a questão da ranhura e do atrito.
Clique aqui para acessar a íntegra da entrevista do professor Moacir Duarte ao Jornal Hoje, poucas horas depois do acidente com o vôo 3054 da TAM. Pelo visto, o professor e a COPPE tem grandes chances de ficar muito bem na foto quando a história toda se concluir. Ainda bem que temos cientistas desse gabarito. Eles são muito úteis a pessoas que gostam de recolher as informações e raciocinar sobre elas antes de emitir uma opinião. Meu obrigado à COPPE e ao professor.
A tragédia do avião da TAM e dos 200 seres humanos falecidos exige um grande recolhimento em respeito as vítimas e seus familiares. Não deveria ser hora de neófitos e palpiteiros ficarem especulando sobre o que ignoram: as causas do acidente.
O momento exige mais que nunca solidariedade com o luto e a dor dos parentes e amigos envolvidos diretamente na tragédia. Da mídia e dos formadores de opinião esperasse sobriedade e equilíbrio.
Seria lamentável que os mortos e a dor sejam instrumentalizados para alavancar uma campanha nojenta de divisão e rancor, quando o momento requer união e respeito.
O drama que entristece o Brasil deve encontrar as respostas a todas as interrogações. Para isto a pericia técnica e científica é uma condição previa a qualquer opinião, com alguma sustentação, sobre as causas do acidente.
O Brasil esta de luto e esse luto merece respeito.
Luis Favre
Terça-feira, 24 de Julho de 2007
Comentários de Luis Favre
Não foi só a oposição ou os governistas que "tratam de capitalizar politicamente a tragédia", a menos de considerar como parte da oposição a maioria dos veículos da mídia que rapidamente escolheram uma explicação para o acidente, a pista, para indicar um culpado, o governo.
Horas depois do acidente tenho postado aqui o artigo que reproduzo novamente embaixo.
Vale a pena sublinhar que neófitos e palpiteiros especularam e especulam sobre as causas do acidente; que faltou sobriedade e equilíbrio na mídia e formadores de opinião; que existe uma campanha nojenta de divisão e rancor e que o luto do Brasil é insultado diariamente pela vontade de usar a tragédia e o sofrimento dos familiares e amigos das vitimas, de forma revoltante e inescrupulosa.
A confirmação desta matéria da Veja não pode levar a nenhum recuo nas decisões políticas tomadas pelo governo e o CONAC para reestruturar o sistema aéreo. As propostas de reduzir os vôos em Congonhas, construir a terceira pista de Cumbica e as reformas de Viracopos continuam sendo uma prioridade urgente. Igualmente a construção do trem São Paulo - Guarulhos - Campinas.
O governador Serra e o prefeito Kassab tem que receber todo o apoio financeiro do governo federal para que estas obras iniciem logo. A longo prazo a questão de um terceiro aeroporto não deve ser descartada e desde já deveria ser incluída esta perspectiva nas questões de planejamento para o futuro.
O presidente Lula tem que agir em São Paulo como tem feito no Rio de Janeiro junto com o governador Sérgio Cabral e o prefeito da cidade, para garantir o PAN e investir pesado em segurança. O indiscutível êxito deste trabalho no Rio deve servir de inspiração para São Paulo e não deve ser objeto de politicagem oposicionista ou cálculos mesquinhos de quem quer que seja. Luis Favre
O horror da tragédia da TAM foi objeto da mais detestável campanha de ódio da qual se tenha notícias. Amigos e familiares das pessoas mortas no acidente, chocadas pela dor e as perdas irreparáveis, foram usados para uma manifestação e campanha oposicionista inescrupulosa.
Cavalgando no desespero alheio, oportunistas e aproveitadores tentam angariar apoios para conseguir algum usufruto político e futuramente eleitoral, do acidente da TAM, jogando nas costas de Lula, Marta e do PT o sangue de vítimas inocentes.
Mas é bom lembrar que este movimento foi insuflado por setores da mídia intensamente engajados na oposição ao governo federal e que procuram, a todo custo, impor uma desmoralização ao governo e às forças políticas e sociais que o sustentam, para abrir o caminho a um retorno da oposição ao poder.
Uma sadia reação democrática jogaria luz sobre a manobra ignóbil e exporia os artífices do movimento "Cansei", identificados como expoentes da elite paulista, respaldados em organizações de empresários e de classe média sem maior apoio popular.
Porém, seria um grave erro de julgamento e politicamente um desastre para o país se a resposta a este caminho de ódio levasse a uma exacerbação da luta de classes, de radicalismos infantis e de pregações ofensivas para aqueles setores que podem se identificar no palavrório vazio e reacionário dos "cansados".
Não devemos esconder nossas próprias carências e erros, na denuncia fácil da "elite branca”, da insensibilidade social da burguesia e do apartheid social em que sustenta seus exorbitantes privilégios.
Os desafios presentes, a começar por medidas urgentes para resolver a crise aérea e também os gargalos na infra-estrutura, enfrentar as terríveis carências na educação, na segurança pública e na saúde, além de manter o curso positivo da economia do país, exigem a união e o diálogo entre todos os setores sociais e uma postura construtiva dos atores políticos, tanto da oposição como da situação.
Convém registrar que a reação do presidente Lula à crise aérea, com a nomeação do novo ministro Nelson Jobim, foi acompanhada positivamente pelas forças da oposição responsáveis e por vários veículos de comunicação.
Retomar a agenda positiva para o Brasil passa hoje pela adoção imediata de medidas para reduzir o tráfico em Congonhas, ampliar Guarulhos e Viracopos, assim como a construção do trem São Paulo-Guarulhos-Campinas com o concurso financeiro do governo estadual e das prefeituras, e com a intervenção decisiva do governo federal.
O mesmo esforço financeiro e de agenda prioritária que o governo federal implementou no Rio de Janeiro, permitindo que além do PAN, tenhamos hoje um começo de resposta às questões de segurança, deve ser feito conjuntamente pelo presidente Lula, o governador José Serra e o prefeito Gilberto Kassab, para São Paulo.
Aos pregadores do ódio nossa rejeição, com argumentos.
Nossa prioridade deve ser corrigir e aprender com nossos erros. O Brasil requer a mão estendida para construir consensos que, rejeitando os populismos demagógicos e os elitismos revanchistas, consolide a democracia. Esta sim será a melhor demonstração de força de um governo respaldado pelo povo.
A CPI do Apagão da Câmara divulgou há pouco os diálogos dos pilotos gravados na caixa-preta do Airbus que se acidentou no mês passado, provocando duas centenas de mortes em São Paulo. A partir do que foi divulgado, não é possível concluir a causa do acidente, mas já há analistas afirmando "categoricamente" que a tragédia foi fruto de falha humana, na versão de uns, ou falha mecânica, na de outros.
A verdade é que só a investigação completa vai desvendar a causa, que inclusive pode ser mais de uma. A manchete da Folha de S. Paulo desta quarta-feira (Caixa-preta indica erro do piloto) é malandra, pois não está errada – não banca a causa do acidente como erro humano, porém induz o leitor a pensar desta forma –, mas também não é rigorosa como a apuração de Fernando Rodrigues. O que o repórter diz, logo no lide, é que pode ter havido falha do piloto no manejo da alavanca de aceleração (manete) ou uma pane no computador do avião, de a travar o manete...
Tudo somado, a verdade é que não há a menor condição, neste momento, de afirmar peremptoriamente a causa do desastre. Quem faz isto ou é irresponsável ou quer surfar nos quase 200 cadáveres para fazer política.
Alexssander Soares e Bruno Paes Manso, JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO
O empresário Oscar Maroni Filho, proprietário da casa de diversões masculinas Bahamas, na zona sul de São Paulo, é uma figura polêmica que fala abertamente daquilo que outros mantêm em segredo. Define-se como um "empresário do erotismo", antes de emendar que já dormiu com 1.500 mulheres. Foi processado sete vezes por facilitação à prostituição e preso em três ocasiões, mas foi absolvido em todos os casos. "Eu sou imoral, devasso, depravado, se você preferir, mas pago meus impostos e estou em situação legal", afirma.
Tanta controvérsia em uma mesma pessoa o transformou no bode expiatório ideal do acidente com o Airbus A320 da TAM, com 199 mortos. Cinco dias depois do acidente, Maroni recebeu a visita do subprefeito da Vila Mariana, Fabio Lepique, junto com uma equipe de fiscais, para fazer a medição do Oscar's Hotel, prédio vizinho ao Bahamas, que começou a ser construído em 1999. Acompanhava os fiscais da subprefeitura uma equipe de televisão.
Maroni estranhou a visita. Afinal, ele aguardava desde outubro de 2005 uma definição da Prefeitura sobre a situação do prédio. O problema não era a altura do imóvel, 50 centímetros abaixo do que o limite de 47,5 metros autorizado pela Aeronáutica.
Assim como mais da metade dos imóveis na cidade, o projeto original tinha problemas com as leis urbanísticas. A interligação da área do hotel com uma cozinha construída no prédio vizinho de três andares e o Bahamas não estava no projeto original.
O empresário procurava a anistia do imóvel apoiado em uma lei aprovada em 2003. O pedido foi apresentado à Secretaria de Habitação, que havia um ano e nove meses não tomava uma decisão a respeito da regularidade do imóvel. Tamanha lentidão levou o empresário a entrar com um pedido de tutela antecipada na Justiça - obtido em maio -, para evitar que a Prefeitura tomasse qualquer medida contra as obras.
A burocracia municipal só começou a funcionar depois do acidente da TAM. Na quinta-feira, quatro dias depois de um piloto criticar a altura do prédio na televisão, o prefeito, dois secretários e um subprefeito foram embargar as obras pessoalmente. No sábado, o prefeito Gilberto Kassab deu cinco dias para que o empresário adotasse as providências legais para demolição do hotel. O despacho acaba com a chance de o prédio ser regularizado na Prefeitura.
O prefeito alega que o prédio ultrapassou o limite máximo de aproveitamento do solo permitido na Lei de Zoneamento, além de o IV Comando Regional da Aeronáutica (IV Comar) ter autorizado a construção com base em uma atividade diferente da apresentada à Prefeitura. O IV Comar rejeitou inicialmente a construção de um flat residencial em dezembro de 1999, mas autorizou a obra em maio de 2000, após Maroni apresentar um projeto de tratamento acústico e de iluminação no topo do prédio.
"A ausência de despacho significa que ele já estava indeferido. Foi constatada a irregularidade de 2 mil metros quadrados a mais do previsto pelo projeto e quando houve a denúncia do piloto (exibida pelo "Fantástico", da TV Globo) mostrando que o prédio diminuía a área de funcionamento da pista de pouso em 130 metros, fomos identificar as razões da denúncia e constatamos que o cidadão (Maroni) cometeu fraudes. Nossa proposta é a demolição do prédio", disse Kassab, ontem.
O desembargador Venício Salles, do Tribunal de Justiça (TJ), vê a movimentação do prefeito com preocupação. Em maio deste ano, Salles concedeu a Maroni a tutela antecipada garantindo ao empresário a permanência das obras. "Pelas informações que colhemos até agora, o empresário tem o direito a ser anistiado", afirma Salles.
Antes de tomar a decisão, Salles ligou para o comando da Aeronáutica, que garantiu que o hotel não colocava os aviões em risco. A polêmica em torno do prédio dizia respeito a questões de zoneamento, às quais a legislação da anistia previa perdão. "Atualmente, dois terços da cidade são irregulares. As leis são complicadas, incompreensíveis e dificultam a legalização", afirma Salles.
No despacho em que concedeu a tutela antecipada a Maroni, o desembargador escreveu: "Quanto ao descabido emparedamento ou colocação de pedras de concreto que seguramente recebem aplausos daqueles que apoiaram o resultado do julgamento de Jesus, o ato não encontra apoio ou fundamento na Carta Maior".
Segundo Salles, o lacre - previsto para empreendimentos que já estão funcionando, o que não é o caso do hotel - não poderia ter sido feito se a decisão tivesse sido tomada a partir do indeferimento da anistia. Justamente o argumento da Prefeitura. "Caso tenha acontecido isso, houve um descumprimento da ordem judicial por parte da Prefeitura, que deve ser acionada no Ministério Público", afirma Salles.
Armados e uniformizados, policiais de elite foram deslocados para evento esportivo no Ibirapuera
Polícia anti-seqüestro faz segurança de luta
LAURA CAPRIGLIONE DA REPORTAGEM LOCAL
MARLENE BERGAMO REPÓRTER-FOTOGRÁFICA
Durante as cinco horas e 33 minutos em que o ginásio do Ibirapuera foi cenário do 4º Showfight, "o maior torneio de artes de combate da América Latina", pelo menos oito investigadores armados e com os uniformes negros da DAS (Delegacia Anti-Seqüestro) deixaram suas tarefas para "fazer a segurança de lutadores e platéia", conforme disse à Folha um dos policiais. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirma em seu site que, nos últimos três meses de 2005, ocorreram 22 casos de seqüestro só na capital. O investigador entrevistado falou diante de seus colegas (que assentiam com a cabeça) que estava no local "por gosto pelas lutas" e porque foi "oficiado" pelo delegado Antonio Assunção de Olim, da DAS. No jargão, "ser oficiado" significa "ser designado oficialmente para uma função". Segundo o mesmo agente, havia 80 policiais civis "atuando na segurança" do ginásio do Ibirapuera -15 dos quais uniformizados. Além dos investigadores da DAS, a Folha fotografou dois carros oficiais do GER (Grupo Especial de Resgate) e um do GOE (Grupo de Operações Especiais), divisões especializadas da Polícia Civil, assim como a DAS. Ao término do evento, os veículos saíram lotados de policiais do estacionamento em frente ao portão 11. O empresário Oscar Maroni Filho, 51, idealizador do Showfight, é também proprietário do clube privê Bahamas, um dos maiores prostíbulos de luxo da cidade. "Mulher e artes de combate têm tudo a ver", disse ele no celular com número finalizado em 6969, "uma brincadeirinha". Em oito oportunidades, nos intervalos entre as lutas, Maroni homenageou o agora ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), "sem o qual esse evento não teria sido possível". Ontem, em entrevista gravada, repetiu ter recebido "todo o apoio do governo". Segundo ele, do então secretário de Esporte e Lazer do Estado de São Paulo, Lars Grael, conseguiu prioridade na reserva do ginásio do Ibirapuera e divulgação. A locação do ginásio saiu-lhe por R$ 22 mil. Os contatos com a Secretaria da Segurança Pública iniciaram-se há 40 dias, quando o promotor das lutas foi recebido por um assessor do secretário Saulo de Castro Abreu Filho na sede do órgão. Na ocasião, disse Maroni, conseguiu apoio em troca de abrir "escolinhas de artes de combate" para ensinar garotos pobres a "administrar sua agressividade dentro do respeito às regras e à hierarquia". "Vamos abrir essas escolas em unidades da Febem e onde mais for possível", disse. O empresário não mencionou quantos policiais foram empregados na segurança do Showfight. Mas enfatizou que o contingente empregado restringiu-se a homens do pelotão de choque da PM, que ficaram na área externa. "Os policiais civis estavam lá apenas se divertindo. Eu mesmo distribuí convites para eles." Além dos agentes públicos, foi contratada uma empresa privada, que enviou 150 "armários" vestidos com ternos negros ao Ibirapuera. Para entender o realce do quesito "segurança", é só imaginar a cena: cerca de 8.000 pessoas na platéia (a maioria praticantes de lutas como jiu-jítsu, boxe, muay thai, caratê, submission), torcidas organizadas com até 500 fortões desses (representando as academias em que treinam) e, no ringue, superfortões se batendo. Um exemplo: a terceira luta, de muay thai -o boxe tailandês-, entre Luis Sorriso e Moisés Gibi, acabou quando Gibi soltou um pontapé forte na cabeça de Sorriso, que jazia no chão, já fora de combate. A deslealdade do lutador não ficou por isso mesmo. Aos gritos de "Gi-bi, vai tomar no c., Gi-bi, vai tomar no c.", as arquibancadas começaram a descer. Peitos inflados, como quem marcha para a guerra, os homens invadiram o ringue. Por pouco não virou uma pancadaria.
Les Français qui veulent s'abonner à des offres d'accès Internet à haut débit ont aujourd'hui l'embarras du choix. En sera-t-il de même avec le "très haut débit" que permettra de transporter la fibre optique en train d'être déployée dans les grandes villes ?
Pas sûr. C'est en tout cas la crainte de l'Arcep, le gendarme français des télécommunications. Afin de prévenir la réapparition d'un monopole, dix ans après l'ouverture du secteur à la concurrence, l'autorité multiplie les interventions. Elle a lancé, jeudi 26 juillet, deux consultations publiques sur le sujet.
La compétition pour offrir du très haut débit aux foyers hexagonaux prend forme. Ces derniers mois, quatre opérateurs privés ont déclaré vouloir se doter de réseaux optiques. Free, le premier à sortir du bois, a annoncé un investissement d'un milliard d'euros d'ici à 2012. France Telecom l'a suivi, avec 270 millions d'euros sur dix-huit mois. Numericable et Neuf Cegetel y consacreront 300 millions d'euros chacun.
Ces industriels parient sur le fait que leurs abonnés à l'ADSL ont pris goût aux applications rendues possibles par le haut débit et qu'ils sont prêts à payer pour plus de débit encore. Pour Yves Gassot, directeur général de l'Institut Idate, " la technologie ADSL a permis des débits ouvrant l'accès aux offres "triple play" (téléphonie-web-télévision). Ces usages croissants, et les usages des applications web2.0 (chargement de ses vidéos sur son blog...) font apparaître ses limites. Le développement de la télévision haute définition va aussi renforcer ces contraintes".
Mais se doter d'un réseau optique ex-nihilo est un chantier colossal. Il ne s'agit certes pas de reconstruire une "toile d'araignée" à l'échelle nationale. Une grande partie du réseau téléphonique construit dans les années 1970 par l'administration des postes et des télécommunications est déjà en fibre optique et peut être réutilisée. Mais les centaines de mètres qui séparent chacun des 12 000 répartiteurs téléphoniques des abonnés restent en cuivre. La technologie ADSL a permis de pousser ces fils de cuivre au maximum de leur capacité, mais pour transporter du très haut débit, c'est cette "boucle locale" (300 000 kilomètres), qu'il s'agit désormais de "fibrer". "C'est un chantier à plusieurs milliards d'euros, digne du TGV", glisse-t-on à l'Arcep.
"MATÉRIEL ACTIF"
Des investissements inabordables pour les opérateurs en lice. Sauf pour France Télécom, qui possède la boucle locale en cuivre et peut se contenter, pour passer au très haut débit, d'acheter la fibre et du "matériel actif" (routeurs, concentrateurs, commutateurs...). Et dans une moindre mesure pour Numericable, l'opérateur du câble en France, qui possède environ 60 000 km de fourreaux.
Du coup, pour l'instant les industriels déploient leurs réseaux là où l'investissement est minimal : surtout à Paris, au centre de Lyon et de Marseille, seules villes de France à disposer d'égouts visitables où les fibres peuvent être "tirées" facilement. France Télécom revendique 2 000 clients à son offre (44,90 euros/mois, avec 100 mégabits/s en réception et 10 en émission). Free, qui n'a pas lancé la sienne, promet du très haut débit au prix de l'ADSL (29,90 euros/mois).
Comment rendre possible la concurrence en dehors de ces îlots urbains privilégiés ? L'Arcep souhaite une "mutualisation" des infrastructures. C'est le sens de la première de ses deux consultations du 26 juillet. Il s'agit que France Télécom ouvre son réseau à ses concurrents pour les laisser tirer leurs propres fibres à un prix raisonnable. Il y a aussi un risque de constitution de "poches" de monopoles par immeubles. Pour amener la fibre jusqu'aux abonnés, les opérateurs doivent décrocher le feu vert des propriétaires. Or, il est peu probable que ces derniers acceptent de les voir tous défiler avec leurs équipes. Ils n'en laisseront probablement passer qu'un. L'Arcep souhaite que les opérateurs parviennent à s'entendre (c'est le sens de sa deuxième consultation de jeudi), pour que le premier entré dans l'immeuble ouvre son accès aux autres.
Les opérateurs savent qu'ils devront se mettre d'accord. Mais sur le terrain, la guerre a déjà commencé. Il s'agit d'installer le plus de fibre possible pour négocier en position de force. Mi-juillet, Free a été condamné par la cour d'appel de Paris pour des brochures envoyées à des syndics comportant le logo de la mairie de Paris et prétendant que le raccordement à la fibre était obligatoire...
Ces accords de mutualisation, s'ils sont signés, résoudront le problème dans les grandes villes, où les opérateurs peuvent rentabiliser plus vite leurs investissements. Mais quid du reste du pays ? La question de la fracture numérique ne devrait pas manquer de se poser. Le réseau téléphonique a été financé par l'argent public et des péréquations (les zones denses payant pour les autres). Les réseaux des opérateurs de téléphonie mobiles ont aussi été en partie financés par le surcoût des appels des téléphones fixes vers les mobiles. Faudra-t-il imaginer des mécanismes similaires pour amener le très haut débit partout ? "On n'y est pas encore, la fibre est un chantier de très longue haleine", argue-t-on à l'Arcep.
LEXIQUE
BAS DÉBIT : jusqu'à 1 mégabit par seconde (Mbit/s). En France, il est supporté par les deux fils de cuivre du téléphone. Avec 1Mbit/s, on peut télécharger rapidement des images compressées.
HAUT DÉBIT : entre 1 et 10 Mbit/s. Il est transporté sur le réseau du câble (du cuivre coaxial) ou, grâce à la technologie ADSL, sur le réseau téléphonique existant. Avec 10 Mbit/s, il est possible de recevoir des vidéos en temps réel.
TRÈS HAUT DÉBIT : entre 10 et 100 Mbit/s. Il pourra être transporté par la fibre optique. A 100 Mbit/s, les applications actuelles connues sont utilisables simultanément. En laboratoire, il est désormais possible de transporter plusieurs térabit/s (1 000 milliards de bits/s) sur de la fibre optique.
La Ville de Paris installe l'Internet sans fil gratuit
La Mairie de Paris a lancé, depuis deux semaines, un service "Paris Wi-Fi", qui propose l'Internet sans fil gratuit dans les bibliothèques, les parcs et les musées du domaine municipal. Au total, 400 bornes devraient être en service fin septembre. Il sera ainsi possible de se connecter gratuitement à une borne Wi-Fi dans 134 sites en plein air (jardins et parcs parisiens, parvis d'édifices municipaux), ainsi que dans 128 services de la municipalité. Le service a été lancé alors que France Télécom a déposé un recours devant le tribunal administratif pour excès de pouvoir, mettant en cause la légitimité de la Ville de Paris d'intervenir sur le marché des télécommunications. Dans le cadre du réseau "Paris Wi-Fi", un appel d'offres a pourtant été lancé, auquel France Télécom a participé. Mais il a été remporté, en février, par SFR et Alcatel-Lucent. Le maire (PS) de Paris, Bertrand Delanoë, veut donner à sa ville un statut de "capitale numérique". Il souhaite assurer, d'ici à 2010, l'accès de 80 % des immeubles parisiens au très haut débit grâce à la fibre optique et permettre la couverture totale de Paris en Wi-Fi et Wi-Max (technologie par ondes radio).
Cécile Ducourtieux Article paru dans l'édition du 31.07.07. Le Monde
Uma ou duas chávenas de café e exercício regular podem ajudar a prevenir o cancro da pele, sugere uma equipa de investigadores da Universidade Rutgers (Estados Unidos), num estudo publicado esta semana pela revista "Proceedings of the National Academy of Sciences".
O estudo foi feito com uma espécie de ratinhos com pouco pêlo e, por isso, mais vulneráveis à radiação UVB. Os investigadores separaram os animais em três grupos: um dos grupos bebeu diariamente água com cafeína, outro fez exercício numa roda e o terceiro bebeu cafeína e fez exercício. Um quarto grupo foi exposto à mesma radiação e serviu posteriormente de controlo para aferir conclusões.
O objectivo do estudo era observar os danos nas células. Os investigadores verificaram o fenómeno da apoptose em todos os animais, uma destruição programada (auto-destruição) das células pré-cancerígenas que previne o desenvolvimento do cancro.
"Se a apoptose acontece numa célula danificada pelo Sol, o processo de desenvolvimento do cancro pára", explica Allan Conney, um dos investigadores. "As diferenças entre os grupos na formação de células apoptóticas — células que se desviam do caminho para o cancro da pele — eram muito acentuadas".
De acordo com o estudo, os ratinhos que beberam café tinham 95 por cento mais células apoptóticas do que os ratinhos do grupo de controlo; os que fizeram exercício tinham mais 120 por cento; e os que combinaram o consumo de cafeína com exercício mostravam um aumento de 400 por cento.
Os autores da investigação esperam agora perceber os mecanismos por trás destes resultados para avançar com o estudo dos efeitos protectores da cafeína quando associada ao exercício na prevenção do cancro da pele.
Yemen celebra su primer desfile de ropa para reavivar las visitas al país
Diário El País de España
Abayás en el backstage. Yemen celebró ayer el primer desfile de moda de su historia, en el marco del festival turístico de Saná. Una medida más para reactivar la industria turística yemení, tocada tras el atentado que el pasado 2 de julio en el que murieron ocho turistas españoles y dos yemeníes.
El desfile, celebrado en la ciudad de Saná al aire libre, mostró una colección de túnicas abayás, decoradas con joyas típicas de Yemen. Las maniquíes, 15 jóvenes, desfilaron con la cabeza destapada, sin el tradicional velo que utilizan las mujeres en este conservador y empobrecido país de la península arábiga.
Con el desfile, además, las autoridades quieren "ofrecer algo de moda, y también mostrar la realidad del pueblo de Yemen. Tolerante y amante de la belleza", ha explicado la subsecretaria de Cultura, Najiya Hadad.
El diseño yemení "requiere evitar que esté cubierto el cabello de la mujer, por lo que las participantes en el desfile no eran mayores a 18 años". Con la apertura tenemos que respetar también las tradiciones y las costumbres de nuestra sociedad".
Tanto el desfile como el festival tienen como objetivo "mejorar la imagen" de Yemen tras el atentado del principios de julio. Ese ataque suicida, que las autoridades atribuyen a la rama de Al Qaeda en Yemen, ha constituido un duro golpe a la industria del turismo yemení. Según las fuentes, más de la mitad de las reservas han sido canceladas.
Por Fernando Cibeira desde México D. F. para Página12
Después de agradecerle al pueblo mexicano por “abrirles la puerta” a los exiliados argentinos durante la dictadura, el Presidente condenó “el indigno muro” que los Estados Unidos están construyendo en la frontera con México.
El discurso del presidente Néstor Kirchner en el recinto del Senado mexicano volvía sobre los tópicos en los que insiste desde que pisó el DF: los deseos de lograr una mayor integración y destacar las coincidencias alcanzadas entre ambos países. Pero, como suele suceder, cuando se apartó de la letra escrita llegó lo más sustancioso. Entonces agradeció al pueblo mexicano por “abrirles las puertas” a los exiliados argentinos de la dictadura y, hablando de derechos humanos, condenó enérgicamente el muro que la administración de George Bush pretende levantar en la frontera con México. “Quiero dejar en claro el repudio del pueblo argentino, de quien les habla y de quienes me acompañan, a la construcción del indigno muro que se está construyendo entre la hermana nación mexicana y la nación de Estados Unidos”, sostuvo el Presidente, que no pudo terminar la frase, interrumpido por los aplausos de los legisladores.
Kirchner profundizó sobre la cuestión. Dijo que la decisión del gobierno norteamericano “no es solamente una afrenta para la hermana nación mexicana, sino que es una afrenta para todos los pueblos de Latinoamérica y todos los pueblos del mundo”.
El muro en la frontera entre México y Estados Unidos es un proyecto de los legisladores republicanos pensado como muestra extrema de su intención de frenar la inmigración ilegal. Se estima que en Estados Unidos viven unos once millones de mexicanos y que la mitad habría ingresado ilegalmente. Con esos datos, el Congreso norteamericano votó a favor de la iniciativa que prevé la construcción de un muro de 1125 kilómetros de largo, a través de los estados de Texas, Nuevo México, Arizona y California. En rigor, ese muro –en forma de gigantescas alambradas, zanjas, casetas de vigilancia y también paredes de hormigón– ya existe en varios tramos de la frontera. Lea más aqui
Mère des jeux latins et des voluptés grecques, Lesbos, où les baisers, languissants ou joyeux, Chauds comme les soleils, frais comme les pastèques, Font l'ornement des nuits et des jours glorieux Mère des jeux latins et des voluptés grecques,
Lesbos, où les baisers sont comme les cascades Qui se jettent sans peur dans les gouffres sans fonds, Et courent, sanglotant et gloussant par saccades, Orageux et secrets, fourmillants et profonds Lesbos, où les baisers sont comme les cascades !
Lesbos, où les Phrynés l'une l'autre s'attirent Où jamais un soupir ne resta sans écho, À l'égal de Paphos les étoiles t'admirent Et Vénus à bon droit peut jalouser Sapho ! Lesbos, où les Phrynés l'une l'autre s'attirent,
Lesbos, terre des nuits chaudes et langoureuses Qui font qu'à leurs miroirs, stérile volupté ! Les filles aux yeux creux, de leurs corps amoureuses, Caressent les fruits mûrs de leur nubilité ; Lesbos, terre des nuits chaudes et langoureuses,
Laisse du vieux Platon se froncer l'oeil austère, Tu tires ton pardon de l'excès des baisers, Reine du doux empire, aimable et noble terre Et des raffinements toujours inépuisés. Laisse du vieux Platon se froncer l'oeil austère.
Tu tires ton pardon de l'éternel martyre, Infligé sans relâche aux coeurs ambitieux, Qu'attire loin de nous le radieux sourire Entrevu vaguement au bord des autres cieux ! Tu tires ton pardon de l'éternel martyre !
Qui des Dieux osera, Lesbos, être ton juge Et condamner ton front pâli dans les travaux, Si ses balances d'or n'ont pesé le déluge De larmes qu'à la mer ont versé tes ruisseaux ? Qui des Dieux osera, Lesbos, être ton juge ?
Que nous veulent les lois du juste et de l'injuste ? Vierges au coeur sublime, honneur de l'archipel, Votre religion comme une autre est auguste, Et l'amour se rira de l'Enfer et du Ciel ! Que nous veulent les lois du juste et de l'injuste ?
Car Lesbos entre tous m'a choisi sur la terre Pour chanter le secret de ses vierges en fleurs, Et je fus dès l'enfance admis au noir mystère Des rires effrénés mêlés aux sombres pleurs ; Car Lesbos entre tous m'a choisi sur la terre.
Et depuis lors je veille au sommet de Leucate, Comme une sentinelle à l'oeil perçant et sûr, Qui guette nuit et jour brick, tartane ou frégate, Dont les formes au loin frissonnent dans l'azur ; Et depuis lors je veille au sommet de Leucate
Pour savoir si la mer est indulgente et bonne, Et parmi les sanglots dont le roc retentit Un soir ramènera vers Lesbos, qui pardonne, Le cadavre adoré de Sapho, qui partit Pour savoir si la mer est indulgente et bonne !
De la mâle Sapho, l'amante et le poète, Plus belle que Vénus par ses mornes pâleurs ! - L'oeil d'azur est vaincu par l'oeil noir que tachette Le cercle ténébreux tracé par les douleurs De la mâle Sapho, l'amante et le poète !
- Plus belle que Vénus se dressant sur le monde Et versant les trésors de sa sérénité Et le rayonnement de sa jeunesse blonde Sur le vieil Océan de sa fille enchanté ; Plus belle que Vénus se dressant sur le monde !
- De Sapho qui mourut le jour de son blasphème, Quand, insultant le rite et le culte inventé, Elle fit son beau corps la pâture suprême D'un brutal dont l'orgueil punit l'impiété De celle qui mourut le jour de son blasphème.
Et c'est depuis ce temps que Lesbos se lamente Et, malgré les honneurs que lui rend l'univers, S'enivre chaque nuit du cri de la tourmente Que poussent vers les cieux ses rivages déserts ! Et c'est depuis ce temps que Lesbos se lamente !
Baudelaire: les Fleurs du mal (1861) poème condamné en 1857
A ministra do Turismo, Marta Suplicy, esteve nesta terça-feira (31) na cidade de Salesópolis, no interior paulista, onde nasce o rio Tietê. Foi recebida por 11 prefeitos locais e conheceu projetos para exploração turística da região. “Saio daqui feliz por ver que os prefeitos estão pensando a região de forma integrada”, declarou a ministra.
A Associação dos Municípios do Alto Tietê (Amat), que organizou o evento, entregou para análise do Ministério do Turismo um projeto conjunto para incrementar a atividade nas cidades. A maior parte da região está protegida ambientalmente, o que torna o turismo uma saída econômica ainda mais relevante para o desenvolvimento local. Um dos pontos principais da proposta é o que visa implementar o “Circuito Caminho das Águas e Nascentes”. O roteiro já está previsto como um dos 65 principais destinos indutores, dentro da nova fase do Programa de Regionalização do Turismo, do MTur.
O circuito contemplaria os 11 municípios e teria como focos as riquezas naturais da região – plena de mananciais de água e exemplares de Mata Atlântica – e a influência da imigração japonesa. O projeto foi elaborado em parceria com o Sebrae, que nos próximos três anos deverá aplicar até R$ 1,5 milhão no desenvolvimento do roteiro. O Ministério do Turismo analisará agora o material recebido dos prefeitos paulistas.
Em reunião pela manhã, a ministra Marta recebeu também projetos individuais das cidades representadas. “Outra boa surpresa é perceber que as cidades agora estão reivindicando verbas para aplicar em nichos de turismo. O caminho é esse mesmo”, reforçou a ministra. Marta referia-se às cidades que estão apostando em projetos diferenciados. Como exemplos citou: Arujá (que está se especializando em receber os amantes do golfe), Mogi Mirim (que projeta a construção de um parque temático para homenagear a imigração japonesa), Suzano (com tradição no judô) e Biritiba Mirim (aviação). A cidade de Salesópolis apresentou também um projeto do arquiteto Ruy Othake, que está orçado em cerca de R$ 6,5 milhões, de acordo com a previsão inicial.
Apesar de impressionada com o que viu, a ministra condicionou o aval ao projeto à análise técnica do Ministério do Turismo e, depois, ao apoio dos municípios que fazem parte da região. “Um projeto desse tamanho só tem sentido se for bom para todas as cidades”, afirmou. Somente nos quatro meses de gestão da ministra Marta Suplicy, já foram direcionados R$ 3,25 milhões para a região do Alto Tietê. Fonte Ministério do Turismo.
Outro sinal de saturação. Um vôo da Delta teve de arremeter quando se aproximava do pouso no Aeroporto Fort Lauderdale-Hollywood, na quarta-feira passada, porque outro jato da United Airlines havia se posicionado na cabeceira oposta. A Federal Aviation Administration investiga como o United 1544 errou a ponto de entrar em linha de colisão com o Delta 1489. De acordo com a FAA, a ação rápida dos controladores da torre impediu que o acidente acontecesse. Segundo o organismo, arremetidas são manobras extremamente comuns, mas especificamente nesse caso o episódio foi considerado grave.
A preocupação das autoridades, no caso diz respeito ao fato de que esse episódio foi o quarto parecido desde junho de 2006 naquela pista. Dois ocorreram por erro de pilotos e um terceiro pelo erro do controlador em terra. O jato da United pousou em Washington com 133 passageiros a bordo. Já o Delta, que vinha de Atlanta com 167 pessoas, desceu em Fort Lauderdale mesmo.
O titulo original deste artigo no jornal O Globo é "Fluxo de passageiros dos vôos internacionais caiu", acrescentei a informação do próprio artigo que disse que o "Movimento doméstico e dos destinos turisticos cresceram". Destaquei também a frase do artigo que disse que os aeroportos vivem um crescimento chines no numero de passageiros. LF
Redução no semestre foi de 4,4% em todo o país e de 9,2% no Rio. Movimento doméstico cresceu 10,5%
A movimentação total nos aeroportos brasileiros viveu um “crescimento chinês”: subiu 8,6% em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a 55,071 milhões de passageiros .
A crise aérea e a desvalorização do real afetaram os vôos internacionais no primeiro semestre deste ano. Dados oficiais da Infraero mostram que, no período, 6,16 milhões de pessoas entraram ou saíram do Brasil, 4,4% menos que o total registrado nos primeiros seis meses de 2006. O Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim foi porta de entrada ou saída para 1,07 milhão de pessoas, 108 mil a menos que no mesmo período do ano anterior. A queda foi de 9,2%, mais que o dobro da redução nacional.
O esvaziamento do principal aeroporto carioca no tráfego para o exterior é bem mais acentuado que o registrado em Guarulhos (SP), que sofreu redução de 6,5%, chegando a 4,081 milhões de passageiros em vôos internacionais.
Somente os aeroportos com pequeno movimento internacional e focados no turismo tiveram aumento desse tipo de passageiro. O aeroporto de Florianópolis registrou crescimento de 26,3%, chegando a 120 mil pessoas no período. Em Porto Alegre, o crescimento foi de 21,4%, com 176 mil passageiros de vôos internacionais.
No Nordeste, apenas Salvador, com 213 mil viajantes internacionais, viveu uma expansão significativa, de 17,7%. Fortaleza viu seu movimento internacional crescer 6,5%, atingindo 130 mil viajantes.
Até junho, 55 milhões de pessoas viajaram de avião O fraco desempenho internacional contrastou com o aquecido mercado interno. Os dados oficiais, divulgados ontem no site da Infraero, mostram que os passageiros de vôos domésticos não se assustaram com o caos aéreo, que já dura dez meses. Eles chegaram a somar 48,911 milhões no período, ou 10,5% a mais que os 44,269 milhões nos seis primeiros meses de 2006.
A movimentação total nos aeroportos brasileiros viveu um “crescimento chinês”: subiu 8,6% em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a 55,071 milhões de passageiros .
Os números demonstram que o aeroporto de Congonhas (SP) — o mais movimentado do país e palco da maior tragédia da história da aviação brasileira, no último dia 17 — praticamente manteve seu número de passageiros: neste ano, houve redução residual, de 0,8%. Em quatro dos seis meses, entretanto, o aeroporto contou apenas com uma pista. Entre março e abril, sua pista auxiliar sofreu uma reforma, e, em maio e junho, foi a vez de obras na pista principal de Congonhas.
Movimentação total no Tom Jobim subiu apenas 2,2% No Rio, a situação foi bem diferente: a movimentação de passageiros do Tom Jobim subiu apenas 2,2%, bem abaixo da média nacional, de 8,6%. O Santos Dumont, que acabou de ser reinaugurado, depois de uma reforma, registrou um crescimento de 6,9%, também abaixo do mercado. Congonhas continua líder no total, com 8,914 milhões de passageiros, seguido de Guarulhos (8,789 milhões), Brasília (5,309 milhões) e Tom Jobim (4,749 milhões).
Apesar do crescimento elevado de passageiros, o número de pousos e decolagens subiu apenas 5,8%, o que mostra que as empresas estão usando cada vez mais aviões maiores e mais lotados. O número de movimentação de aeronaves nos aeroportos brasileiros beirou um milhão neste semestre: foi de 995.860.
BRASÍLIA. Prejudicado pela combinação de câmbio valorizado, crise na aviação civil e aumento dos navios de cruzeiro na costa brasileira, o setor hoteleiro será beneficiado com medidas de desoneração de impostos pelo governo. Os estudos, que ficarão prontos em duas semanas, estão a cargo dos ministérios da Fazenda e do Turismo e incluem a redução de PIS/Cofins sobre uma série de itens usados pelos hotéis, como fechadura eletrônica, ar-condicionado e máquinas para lavar carpetes.
O assunto já foi discutido em reunião pelos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Marta Suplicy (Turismo) com representantes do setor, entre eles o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Eraldo Cruz. Os estragos feitos pelo real valorizado frente ao dólar — que encarece as viagens de estrangeiros ao Brasil — foi um dos focos da pauta.
A situação, admitiram fontes dos dois ministérios, é preocupante.
No verão passado, houve queda de 30% a 40% da ocupação hoteleira no Nordeste; de 22% a 28% no Norte; de 10% a 12% no Centro-Oeste; e de 8% a 10% no Sul e Sudeste.
Na área fiscal, está sobre a mesa a redução de 30% de PIS/Cofins por um período de 36 meses. Os empresários também pedem que o prejuízo acumulado nos últimos 36 meses seja descontado da base de lucro tributável do ano corrente.
Luis Favre or Luiz Favre is the nom-de-guerre of Felipe Belisario Wermus (born 1949 Buenos Aires, Argentina). He was, as a young man, an Argentine union militant and member of Politica Obrera. Later he moved to France and became a leading member of the Internationalist Communist Organisation (OCI), a Trotskyist party in France, working especially in its international department. He moved to live in Brazil and is now a member of the PT.He is known to a broader public as the second husband of Marta Suplicy, ex-mayor of São Paulo and now a PT minister.
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15 ANOS é o prazo que o País tem para atingir a média 6 entre alunos de 1.ª a 4.ª séries.; esse é o patamar dos desenvolvidos hoje.
3,8 é a média geral para alunos de 1.ª a 4.ª séries no Brasil numa escala de 0 a 10. O ensino médio ficou com 3,46. 6,4 é a média geral obtida pela rede federal de 1.ª a 4.ª séries, o melhor desempenho; sua meta será chegar a 7,8. 53% das cidades com escolas estaduais de 1.ª a 4.ª séries ficaram com média abaixo da nota nacional.