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sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Quanta confusão, parece um bordel!

A jornalista Barbara Gancia, na Folha de São Paulo de hoje discorre sobre o justo combate do prefeito de São Paulo contra o prédio Oscar's do empresário Oscar Maroni Filho.

Efetivamente, se os organismos responsáveis determinarem que a construção dificulta o tráfico aéreo, deve ser exigida sua demolição. Pessoalmente não vejo na atitude do Gilberto Kassab nenhuma politicagem e tendo a concordar com a reflexão da jornalista da Folha.

Porem, ela detetou nas criticas ao suposto oportunismo do prefeito, a mão dos defensores do governo Lula. Estes estariam defendendo o empresário e seus negócios de "sexo". Ela afirma, mas não dá o nome de ninguém.

Barbara Gancia poderia comentar também o que o jornal, do qual ela é editora, escreveu sobre o empresário em questão:

"O empresário Oscar Maroni Filho, 51, idealizador do Showfight, é também proprietário do clube privê Bahamas, um dos maiores prostíbulos de luxo da cidade. "Mulher e artes de combate têm tudo a ver", disse ele no celular com número finalizado em 6969, "uma brincadeirinha".

Em oito oportunidades, nos intervalos entre as lutas, Maroni homenageou o agora ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), "sem o qual esse evento não teria sido possível". Ontem, em entrevista gravada, repetiu ter recebido "todo o apoio do governo". Segundo ele, do então secretário de Esporte e Lazer do Estado de São Paulo, Lars Grael, conseguiu prioridade na reserva do ginásio do Ibirapuera e divulgação. A locação do ginásio saiu-lhe por R$ 22 mil.


Os contatos com a Secretaria da Segurança Pública iniciaram-se há 40 dias, quando o promotor das lutas foi recebido por um assessor do secretário Saulo de Castro Abreu Filho na sede do órgão.


Na ocasião, disse Maroni, conseguiu apoio em troca de abrir "escolinhas de artes de combate" para ensinar garotos pobres a "administrar sua agressividade dentro do respeito às regras e à hierarquia". "Vamos abrir essas escolas em unidades da Febem e onde mais for possível", disse." (FSP Caderno Cotidiano sábado, 08 de abril de 2006).

Evidentemente, nada disto invalida a correção da atuação do prefeito e o fato da policia do Estado de São Paulo ter sido utilizada, segundo a Folha, para fazer segurança no evento privado do empresário, nada prova com relação ao litígio atual entre o prefeito e o dito empresário. Vamos aguardar a reflexão de Barbara Gancia sobre esta "promiscuidade" que, pelo visto, não tem uma só cor, digamos, ideológica.

Luis Favre

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Factoide do Prefeito ou irregularidade no predio? Ou ambos?

''Sou imoral, mas pago impostos''

Maroni luta para manter hotel de pé

Alexssander Soares e Bruno Paes Manso, JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO



O empresário Oscar Maroni Filho, proprietário da casa de diversões masculinas Bahamas, na zona sul de São Paulo, é uma figura polêmica que fala abertamente daquilo que outros mantêm em segredo. Define-se como um "empresário do erotismo", antes de emendar que já dormiu com 1.500 mulheres. Foi processado sete vezes por facilitação à prostituição e preso em três ocasiões, mas foi absolvido em todos os casos. "Eu sou imoral, devasso, depravado, se você preferir, mas pago meus impostos e estou em situação legal", afirma.

Tanta controvérsia em uma mesma pessoa o transformou no bode expiatório ideal do acidente com o Airbus A320 da TAM, com 199 mortos. Cinco dias depois do acidente, Maroni recebeu a visita do subprefeito da Vila Mariana, Fabio Lepique, junto com uma equipe de fiscais, para fazer a medição do Oscar's Hotel, prédio vizinho ao Bahamas, que começou a ser construído em 1999. Acompanhava os fiscais da subprefeitura uma equipe de televisão.

Maroni estranhou a visita. Afinal, ele aguardava desde outubro de 2005 uma definição da Prefeitura sobre a situação do prédio. O problema não era a altura do imóvel, 50 centímetros abaixo do que o limite de 47,5 metros autorizado pela Aeronáutica.

Assim como mais da metade dos imóveis na cidade, o projeto original tinha problemas com as leis urbanísticas. A interligação da área do hotel com uma cozinha construída no prédio vizinho de três andares e o Bahamas não estava no projeto original.

O empresário procurava a anistia do imóvel apoiado em uma lei aprovada em 2003. O pedido foi apresentado à Secretaria de Habitação, que havia um ano e nove meses não tomava uma decisão a respeito da regularidade do imóvel. Tamanha lentidão levou o empresário a entrar com um pedido de tutela antecipada na Justiça - obtido em maio -, para evitar que a Prefeitura tomasse qualquer medida contra as obras.

A burocracia municipal só começou a funcionar depois do acidente da TAM. Na quinta-feira, quatro dias depois de um piloto criticar a altura do prédio na televisão, o prefeito, dois secretários e um subprefeito foram embargar as obras pessoalmente. No sábado, o prefeito Gilberto Kassab deu cinco dias para que o empresário adotasse as providências legais para demolição do hotel. O despacho acaba com a chance de o prédio ser regularizado na Prefeitura.

O prefeito alega que o prédio ultrapassou o limite máximo de aproveitamento do solo permitido na Lei de Zoneamento, além de o IV Comando Regional da Aeronáutica (IV Comar) ter autorizado a construção com base em uma atividade diferente da apresentada à Prefeitura. O IV Comar rejeitou inicialmente a construção de um flat residencial em dezembro de 1999, mas autorizou a obra em maio de 2000, após Maroni apresentar um projeto de tratamento acústico e de iluminação no topo do prédio.

"A ausência de despacho significa que ele já estava indeferido. Foi constatada a irregularidade de 2 mil metros quadrados a mais do previsto pelo projeto e quando houve a denúncia do piloto (exibida pelo "Fantástico", da TV Globo) mostrando que o prédio diminuía a área de funcionamento da pista de pouso em 130 metros, fomos identificar as razões da denúncia e constatamos que o cidadão (Maroni) cometeu fraudes. Nossa proposta é a demolição do prédio", disse Kassab, ontem.

O desembargador Venício Salles, do Tribunal de Justiça (TJ), vê a movimentação do prefeito com preocupação. Em maio deste ano, Salles concedeu a Maroni a tutela antecipada garantindo ao empresário a permanência das obras. "Pelas informações que colhemos até agora, o empresário tem o direito a ser anistiado", afirma Salles.

Antes de tomar a decisão, Salles ligou para o comando da Aeronáutica, que garantiu que o hotel não colocava os aviões em risco. A polêmica em torno do prédio dizia respeito a questões de zoneamento, às quais a legislação da anistia previa perdão. "Atualmente, dois terços da cidade são irregulares. As leis são complicadas, incompreensíveis e dificultam a legalização", afirma Salles.

No despacho em que concedeu a tutela antecipada a Maroni, o desembargador escreveu: "Quanto ao descabido emparedamento ou colocação de pedras de concreto que seguramente recebem aplausos daqueles que apoiaram o resultado do julgamento de Jesus, o ato não encontra apoio ou fundamento na Carta Maior".

Segundo Salles, o lacre - previsto para empreendimentos que já estão funcionando, o que não é o caso do hotel - não poderia ter sido feito se a decisão tivesse sido tomada a partir do indeferimento da anistia. Justamente o argumento da Prefeitura. "Caso tenha acontecido isso, houve um descumprimento da ordem judicial por parte da Prefeitura, que deve ser acionada no Ministério Público", afirma Salles.