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terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Em Madri, Marta incentiva o investimento no Brasil


Em Madri, Marta Suplicy participa de encontro com empresários e ministros de Turismo ibero-americanos, em evento para atrair investidores

Madri (29/01/08) – A ministra do Turismo, Marta Suplicy, participando, hoje (29), em Madri, da conferência ibero-americana de Ministros e Empresários de Turismo (Cimet), apresentou os resultados da economia brasileira, que indicam estabilidade e ambiente favorável a investimentos no setor turístico. Marta destacou, sobretudo, que as boas chances se ampliaram, a partir do anúncio de que o Brasil vai sediar a Copa Mundial de Futebol em 2014. “A estabilidade monetária, com a redução e o controle da inflação, resultou no crescimento do PIB por 23 trimestres consecutivos. As taxas de investimento e consumo também acumulam índices positivos e a taxa de juros básicos tem sido reduzida de forma responsável, sendo atualmente cotada em 11,25%”, assinalou a ministra.

Marta também destacou que um dos indicadores mais significativos é o Risco País, que está abaixo de 200 pontos. Observou que a Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento) qualificou o Brasil como o quinto melhor país do mundo para se investir: “Neste mesmo ano, segundo dados do Banco Mundial, o Brasil passou a ocupar o sexto lugar na economia mundial, em um ranking com 146 países, tendo como base o poder de compra”.

Os participantes do evento – que é anual e tem por objetivo apresentar ao setor privado espanhol oportunidades de investimentos nos demais países ibero-americanos – ouviram da ministra Marta Suplicy que o Brasil também conseguiu melhorar seu IDH, passando a ocupar a categoria dos países de alto desenvolvimento humano. No que se refere ao turismo no país, a ministra destacou ainda as ações previstas no Plano Nacional de Turismo para o período 2007/2010, que define 65 destinos como indutores de desenvolvimento turístico regional.

Sobre a atração de investimentos no setor turístico, Marta Suplicy explicou que o país oferece vários programas e planos de incentivos específicos. “O Brasil conta hoje com investimentos espanhóis da ordem de US$ 40 bilhões, aplicados, principalmente, nos setores financeiro, de telefonia e de turismo. O Brasil é primeiro país da América, e o segundo do mundo, a receber investimento espanhol”.

Durante a Cimet, cada país participante apresenta dados, destacando áreas ou regiões geográficas para desenvolvimento prioritário, segmentos a serem explorados pelo mercado espanhol, planos de incentivos e estimativas de investimento. O tema em destaque na edição de 2008 é "Qualidade e Normatização das Empresas Turísticas da Espanha e da América Latina". A palestra de abertura foi proferida por Miguel Mirones, presidente do Instituto para a Qualidade Turística Espanhola (ICTE), criado em 2000 para certificar sistemas de qualidade para empresas turísticas.

Brasil – Na Cimet estará em evidência a estratégia brasileira de promover o turismo regionalizado, fortalecendo a gestão descentralizada e participativa. Por meio do Programa de Regionalização do Turismo – Roteiros do Brasil, foi proposta a estruturação de roteiros turísticos intermunicipais com base em princípios da cooperação, integração e sustentabilidade ambiental, econômica, sociocultural e político-institucional.

O atual Plano Nacional do Turismo (2007-2010) propõe a qualificação de 65 destinos com padrão internacional, justamente partindo de roteiros identificados pelo Programa de Regionalização. A prioridade para esses destinos se justifica por serem chamados indutores de desenvolvimento regional, ou seja, suas atividades irradiam crescimento econômico, empregos e renda nas regiões nas quais estão inseridos.

No que se refere a segmentos e produtos priorizados, destacam-se, atualmente: turismo cultural; náutico; de estudo e intercâmbio; ecoturismo; turismo rural; de aventura; de pesca; de negócios e eventos; sol e praia. Em âmbito federal, empresas interessadas em investir no turismo do Brasil contam com programas oficiais de financiamento.

Investimento espanhol – Além dos US$ 40 bilhões já aplicados no Brasil, estima-se, para os próximos anos, que o turismo brasileiro poderá receber um volume de US$ 5 bilhões, numa nova etapa de investimentos espanhóis privados.

Também o interesse de espanhóis pelos destinos turísticos brasileiros cresce a cada ano. Em 2006, o país que mais aumentou a emissão de turistas para o Brasil foi a Espanha, em 22%, alcançando o número de 211.741 turistas espanhóis no Brasil em 2006. Os dados de 2007 não foram finalizados, mas devem seguir a mesma linha de crescimento.

Os espanhóis descobriram que o Brasil tem mais a oferecer do que sol e praia. De acordo com o perfil da Demanda Turística Internacional 2006, cresceu de 22,8%, em 2005, para 32,4%, em 2006, o total de turistas espanhóis que vêm ao Brasil por destinos de natureza, ecoturismo ou aventura. Os destinos mais visitados por eles são, nas viagens a lazer, Rio de Janeiro (com 24,9%); Salvador (22,9%); e São Paulo (15%). Os que viajam a negócios, eventos e convenções se destinam principalmente a São Paulo (42,6%); Rio de Janeiro, (16,6%); e Porto Alegre (5,9%).

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Marta fala na Alemanha para trazer investimentos para o Brasil

Na Alemanha, Ministra do Turismo destaca o crescimento econômico a estabilidade do Brasil, em discurso para atrair investidores Munique (28/01/08) – A ministra do Turismo, Marta Suplicy, destacou, hoje (28), em Munique (Alemanha), ao participar da Sportsponsorship Conference (Ispo), que o Brasil tem crescido com equilíbrio, mais crédito, empregos e distribuição de renda.

Marta proferiu palestra na abertura da conferência e das seis feiras de negócios, sobre o tema “As oportunidades no Brasil". A ministra destacou particularmente as oportunidades de investimentos que surgiram a partir do anúncio da realização, no Brasil, da Copa Mundial de Futebol de 2014.

O tema despertou grande interesse, tendo em vista que a Agência Federal de Comércio Exterior Alemã recomendou o investimento no país, segundo lembrou a ministra, citando a edição de novembro de 2007 da revista preparada pela agência, dirigida a empresários. A Ispo, realizada anualmente, é o mais importante congresso de patrocinadores esportivos da Europa. Reúne, nesta edição, 180 palestrantes em 17 painéis, além de expositores de equipamentos esportivos, moda e estilo de vida.

"A estabilidade monetária, com a redução e controle da inflação, resultou no crescimento do PIB por 23 trimestres consecutivos. Conseqüentemente, a relação Dívida Pública/PIB, que em 2003 era de 52,4%, diminuiu para 42,6% em 2007. As taxas de investimento e consumo também acumularam índices positivos nos últimos 15 e 16 meses, respectivamente. E a taxa de juros básicos, que chegou a 26,5% ao ano em 2003, tem sido reduzida de forma responsável, sendo atualmente cotada em 11,25%", afirmou a ministra.

Marta Suplicy também observou que "o risco país" tem estado bem abaixo dos 200 pontos, e as reservas internacionais cresceram de US$ 59,8 bilhões para US$ 185 bilhões, em apenas um ano. Mais um ponto relevante no discurso da ministra aos participantes da Ispo foi sobre a redução da taxa de desemprego, que caiu para 8,2%, o menor patamar desde a criação, em 2002, da série histórica. "Como conseqüência, constatou-se importante melhoria na distribuição de renda e redução de pobreza, que, segundo o relatório ‘Perspectiva Econômica Mundial’ do FMI, caiu de 28,2% em 2003 para 19,3% em 2006. A renda média dos trabalhadores aumentou 3,12% em relação a 2006."

Diante de bons resultados, como esses apresentados, em 2007, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) qualificou o Brasil como o quinto melhor país do mundo para se investir. "Nesse mesmo ano, segundo dados do Banco Mundial, o Brasil passou a ocupar o sexto lugar na economia mundial, em um ranking com 146 países, analisado o PIB quanto à paridade do poder de compra. Aqui, na Alemanha, temos a Agência Federal de Comércio Exterior Alemã também recomendando o investimento em nosso país", observou a ministra.

A ação do governo federal na redução das desigualdades sociais fez com que o país melhorasse sensivelmente seu IDH, passando a ocupar a categoria dos países de alto desenvolvimento humano. Para a ministra do Turismo, "ainda há muito o que fazer, mas o desenvolvimento econômico e social consolidou um mercado interno bastante dinâmico e uma nova presença política e econômica do Brasil no cenário mundial". A ministra citou, como exemplo, que a indústria dos cartões de crédito deverá faturar no Brasil US$ 122,5 bi em 2008, atingindo 104 milhões de usuário, frente os atuais 92 milhões. "Esses dados representam um aumento de 13%."

Perspectivas positivas – Justamente esse cenário de estabilidade econômica, associada à estabilidade político-institucional, na opinião da ministra, contribuiu para que a candidatura do Brasil fosse acatada para sediar a Copa Mundial de Futebol de 2014. E as perspectivas, a partir dessa definição, são muito positivas: "As competições esportivas do calendário mundial têm um efeito multiplicador na economia dos países que as sediam. Têm a capacidade de reestruturar a paisagem urbana dos países-sede, deixando um legado para a economia do país e a qualidade de vida da população. Além disso, a promoção do futebol, como de outros esportes, está associada à promoção de outros segmentos da economia".

Por fim, a ministra observou que, para abrigar competições esportivas internacionais com excelência, são necessários inúmeros investimentos prévios e um planejamento fortemente estruturado. Ela explicou que "o governo brasileiro se mobiliza e se organiza para identificar as demandas e os investimentos públicos e privados, nos âmbitos nacional e internacional, que serão necessários para habilitar as cidades que sediarão os jogos. Estão previstos projetos em aeroportos, transporte público, hotelaria, saneamento básico, telecomunicações, dentre outros".

"No que se refere a investimentos em infra-estrutura urbana, o planejamento da Copa de 2014 já está em parte contido no Programa de Aceleração do Crescimento, lançado pelo Governo Federal em 2007, com o objetivo de criar um ambiente favorável ao crescimento econômico e despertar o espírito empreendedor do empresariado. Até 2010, esses investimentos em infra-estrutura urbana serão da ordem de US$ 288,7 bi, dentre os quais US$ 33 bi serão destinados a investimentos em infra-estrutura turística", informou Marta Suplicy, explicando, também, que o Ministério do Turismo já iniciou seu planejamento. "Contratamos um estudo junto a uma renomada entidade brasileira – a “Fundação Getúlio Vargas” –, o qual apontará a infra-estrutura necessária para o desenvolvimento turístico no Brasil, com o objetivo de alcançar um nível internacional em 65 destinos prioritários até 2010. Esses destinos incluem as 18 cidades brasileiras que pleiteiam sediar os jogos." O objetivo é contribuir para a excelência da recepção das seleções, torcedores, imprensa e turistas que visitarão o Brasil tanto durante a Copa de 2014 quanto depois de sua realização.

Plano Nacional do Turismo – O investimento realizado para a Copa de 2014, além de atrair mais turistas estrangeiros, ajudando a posicionar o Brasil como um dos principais destinos internacionais, também contribuirá para que o turismo avance nas metas previstas no Plano Nacional do Turismo (2007-2010). Até 2010, as metas são: alcançar 217 milhões de viagens no mercado interno, criar 1,7 milhão de novos postos de trabalho, gerar US$ 7,7 bilhões em divisas e desenvolver 65 destinos turísticos com padrão de qualidade internacional.

Ass. de Comunicação do Ministério do Turismo - ASCOM

Ass. de Comunicação da Embratur - ASCOM

sábado, 26 de janeiro de 2008

Financial Times: frente a crise, Brasil é a salvação para os investidores


O Globo
BBC

Uma reportagem publicada neste sábado no diário financeiro Financial Times afirma que o Brasil oferece uma "salvação" para investidores preocupados com a crise nos mercados financeiros mundiais.

"Inflação baixa, uma situação política estável e companhias pequenas e médias interessantes estão aumentando o interesse dos investidores pelo Brasil", escreve a repórter do jornal. "O país parece estar relativamente imune dos temores em relação aos Estados Unidos, que afetam outras regiões."

A reportagem é ilustrada com uma foto do Cristo Redentor, que simboliza a "salvação", e ocupa uma página do caderno de finanças de fim de semana, publicado em formato tablóide.

Para o jornal, o Brasil é "um dos mercados emergentes mais atraentes para 2008", que oferece ações de grandes companhias, como Vale do Rio Doce, Petrobras, Bradesco e varejistas que se beneficiam da melhora da atividade econômica no país.

Comparado com outros mercados emergentes ou outros Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil "se destaca por ser barato, estável e repleto de companhias médias dinâmicas", afirma a reportagem.

The Wall Street Journal

O panorama otimista da economia brasileira em 2008 também foi destaque no diário financeiro americano The Wall Street Journal neste sábado.

Em reportagem intitulada "Podem os mercados emergentes evitar a desaceleração americana?", o WSJ afirma que, mesmo que uma recessão mundial esteja se aproximando, esse grupo de países pode evitar os danos beneficiando-se de suas grandes reservas econômicas.

A reportagem diz que as reservas totais dos mercados emergentes alcançam US$ 4,1 trilhões, incluindo US$ 1,5 trilhão da China, US$ 185 bilhões do Brasil e US$ 160 bilhões da Rússia.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

'As águas estão turbulentas, mas o PAC funciona como âncora'


Dilma Rousseff: ministra-chefe da Casa Civil

Ribamar Oliveira e Beatriz Abreu, BRASÍLIA

O Estado de São Paulo

A ministro-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, entende que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é “uma espécie de vacina” contra a turbulência internacional. Uma eventual redução da demanda global poderá, segundo ela, ser compensada pela “robustez do mercado interno” e pelos investimentos previsto no PAC. Ela não vê necessidade de o governo brasileiro adotar medidas preventivas. “Quais seriam essas medidas?”, questionou. “Por que nós haveríamos, num quadro desses, de puxar a demanda para baixo, derrubar o crescimento do PIB e provocar uma recessão?” Dilma afirmou que o Brasil será sempre “dependente de São Pedro”, pois é um país com grande dependência da energia hidrelétrica. Ela disse que usar as térmicas não deve ser visto “como um crime” e elas passarão a fazer parte do sistema. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Quando o PAC foi lançado, a economia mundial crescia mais de 5%. Agora o mundo vive um período de incertezas, com a possibilidade de recessão da economia americana. Além disso, o governo perdeu R$ 40 bilhões de receita, com o fim da CPMF. Essa mudança de cenário não deveria levar o governo a rever as metas do PAC?

As águas estão turbulentas (no mercado externo). Mas o PAC funciona como âncora. No mundo de hoje, é fundamental que o crescimento seja realimentado pelo mercado interno e pelo externo. Acho importante que o Brasil seja uma economia aberta. Agora, isso não significa desconhecer a importância da dinâmica interna, como um dos propulsores fundamentais do crescimento sustentado. As principais economias emergentes são continentais, com mercados internos de porte. Nesse sentido, o PAC funciona como uma espécie de vacina. Não é literal porque, neste mundo de economia globalizada, não se tem imunidade eterna.

Por que o PAC é uma vacina?

O aumento do investimento é que torna um crescimento sustentável, além do funcionamento dos mercados externo e interno. O interno tem de funcionar, porque senão o crescimento é pífio. Esse impulso endógeno, vamos dizer assim, que decorre do mercado interno, é algo que se obtém de várias formas. No Brasil, hoje, ele decorre do aumento da produção de bens de capital muito acima do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), o que permite dar sustentabilidade à expansão econômica, pois evita os gargalos e as pressões inflacionárias. O PAC é investimento em infra-estrutura na veia da economia. Num quadro de problemas na demanda internacional, o aumento e a maior robustez da demanda interna é um fator muito importante. Em termos de efeitos anticíclicos, o PAC é um elemento fundamental. Se ele se justificava antes, porque o governo queria acelerar o crescimento, mais ainda hoje porque queremos não só acelerar o crescimento mas dar sustentabilidade ao crescimento. O PAC é um programa com os pés no chão, pois está baseado na robustez fiscal e no controle inflacionário. Por isso, não acredito que ele tenha de ser “repensado” num quadro de desequilíbrio internacional. Nós vemos no PAC esse esforço virtuoso de dar sustentabilidade ao crescimento. O presidente Lula vai fazer um enorme esforço para evitar qualquer restrição ao PAC.

Cortar ou não o PAC não é uma decisão do Congresso?

Sem dúvida que é uma decisão do Congresso. Mas a Constituição atribui ao Executivo a gestão do seu orçamento. O Congresso decide, mas há graus de liberdade que são do Executivo. O nosso intuito é sempre uma ação cooperativa com o Congresso. Os Poderes da República têm de ter equilíbrio. A posição do Executivo é no sentido de não deixar ter corte no PAC e de compensar qualquer tentativa de fazê-lo. O cobertor ficou mais curto em R$ 20 bilhões e algumas despesas vão sobrar. Mas não necessariamente no PAC.

Mas cortar onde?

Quem vai responder é o ministro Paulo Bernardo (do Planejamento) e o ministro Guido Mantega (Fazenda). A orientação que eu tenho do presidente é: não se corta no PAC.

O documento divulgado sobre o PAC prevê crescimento da economia brasileira de 5% ao ano até 2010. Essa previsão é compatível com a nova realidade da economia internacional?

O Brasil esteve acostumado a taxas de crescimento de 2% ou até menos nos últimos anos. Por um motivo muito simples: nenhuma economia do porte da brasileira é puxada apenas por exportações. A grande novidade é que o Brasil manteve um impulso exportador significativo e agregou a ele um mercado interno muito robusto. Se esse problema do mercado internacional for mantido, e ninguém sabe qual é o tamanho dele, ele vai ser compensado por um aumento do que não existia antes (refere-se ao mercado interno). Acho que é prudente manter essa expectativa (de crescimento de 5% ao ano). Nós viemos de um impulso muito forte em 2007, que segurará 2008, e não há nenhum sinal de retração da demanda no mercado interno brasileiro. Por que nós haveríamos, num quadro desses, de puxar a demanda para baixo, derrubar o crescimento do PIB e provocar uma recessão? Por que teríamos de ser pessimistas?

O PAC depende também dos investimentos privados. A crise não pode reduzir esses investimentos?

Os sinais que nós temos da iniciativa privada é de muita agilidade e de muita agressividade, no que se refere a iniciativas de empreendimentos, de recuperar o tempo perdido. Todos os empresários estão esperando as condições e as oportunidades para investir e encontrar aqui dentro um horizonte de crescimento sustentável para os próprios negócios. Não vejo por que o setor de construção civil vá andar para trás. Não vejo por que o setor de equipamentos vá andar para trás. A crise começou no ano passado, e o crescimento do Brasil acelerou-se no último semestre de 2007. Não há razão econômica que leve o investidor a entesourar o seu dinheiro e não investir, se o entesouramento tenderá a render menos. O Brasil e os demais países emergentes são as melhores alternativas para investimento.

Não é arriscado esperar para ver o vai dar?

Mas qual é o risco? O risco hoje no mercado internacional não é por causa do subprime. É pelo efeito que o subprime provocou no mercado de crédito americano e europeu, que o Brasil não está nele. Quem está com medo é quem não sabe que banco está micado, não sabe quem está na pior situação. Essa incógnita é que cria incerteza no mercado de crédito. Todo mundo sabe que as instituições financeiras brasileiras estão numa situação bastante sóbria e robusta, de equilíbrio. Aqueles que têm investimento aqui em ativos reais não vejo por que retirarão. A menos que estejam sendo vítimas de crise de crédito, e não é isso que estamos vendo no Brasil. Não acho que estamos blindados, que nós somos uma ilha. Mas precisamos colocar as coisas em perspectiva. Os efeitos da crise internacional no Brasil serão muito menores do que alguns querem fazer crer.

Se houver uma redução da demanda internacional, o Brasil será afetado?

Aí teremos algum problema, mas teremos de nos adaptar. Vamos ver qual o efeito nas economias emergentes, pois a demanda de produtos brasileiros se diversificou bastante. Não somos mais dependentes pura e simplesmente dos Estados Unidos; temos os países da Ásia, da América Latina.

O governo não precisa, então, adotar medidas preventivas?

Se você me disser quais... Não sei qual. Neste momento, os Estados Unidos estão tentando estruturar uma política anticíclica, o que é muito bom para nós. Então, vamos saudar esse evento (redução da taxa de juros pelo Fed em 0,75 ponto porcentual). Agora, se ele vai ser eficaz ou não são outras avaliações.

Qual é a principal mensagem do governo no primeiro ano do balanço do PAC?

As obras do PAC deslancharam. Nós estamos saindo da fase de preparação (projeto básico, projeto executivo, licenciamento e licitação) para a fase de obras. Conseguimos agregar a ele um conjunto de ações muito importante. Lançamos a segunda e terceira fases das concessões e o trem de alta velocidade (que ligará o Rio de Janeiro a São Paulo e Campinas). No caso desse trem, vamos agora estudar a demanda, o traçado, e deixamos em aberto a solução tecnológica. Queremos avaliar até mesmo se este é um empreendimento para ser feito por PPP (parceria público-privada). Esse é um projeto importante para o Brasil.

Por causa da Copa de 2014?

Por causa da Copa, do aeroporto (de Congonhas, que está sobrecarregado). O projeto ajudará a diminuir a pressão sobre os dois maiores adensamentos humanos do Brasil, pois permitirá dispersar a concentração da população.

A oferta de energia pode ser um limitador do crescimento no Brasil.

Se tiver problema, será. Eu não acredito que terá.

Não é complicado, depois de tantos anos, o Brasil ficar na dependência de São Pedro?

O Brasil, enquanto for um sistema hidrotérmico, terá dependência de São Pedro. O nosso problema é acabar com o risco que essa dependência acarreta. O nosso sistema elétrico é, hoje, 80% hídrico e 20% térmico. Nós tivemos um aumento significativo da geração de energia, um aumento de 24 gigawatts (GW) de 2000 para 2007.

Mas é basicamente termoelétrica?

Não. É 13,8 GW de hídrica contra 9,1 GW de térmica. O Brasil não pode achar que usar térmica é crime. Ou seja, sinal de doença, de incompetência dos agentes públicos. Um sistema hidrotérmico é um sistema que se caracteriza por ter flexibilidade aumentada, segurança ampliada. O nosso sistema tem dominância hídrica (80%), diversidade hidrológica entre as regiões (chove em um lugar e não chove no outro) e usina distante do centro de carga. Portanto, tem de ter linha de transmissão. Esse sistema tinha parado de ampliar e de construir reservatórios. Não tinha linha de transmissão suficiente. Tivemos de expandir a capacidade hídrica e de dar conta das térmicas que estavam instaladas, mas não tinham gás nem gasoduto.

As térmicas vão funcionar desde que haja gás.

Isso. Quando nós chegamos aqui não tinha gás, não tinha gasoduto. Então qual é o nosso desafio? Correr atrás da máquina para dar conta do gás e do gasoduto que já não existia. Ao mesmo tempo, a demanda por gás cresceu 17% ao ano. Não adianta eu ter gás no Espírito Santo e não conseguir levar o gás para o Rio de Janeiro. Não adianta ter térmica em Pernambuco e não ter como levar para o Nordeste. Além de achar gás, o País precisa de gasoduto. Se o Brasil não tiver gás, precisa ter um dispositivo que permita adotar outro combustível. Tomamos a decisão de antecipar toda a produção de gás. Saímos de uma produção interna muito baixa. A nossa meta é chegar em 2010 com uma produção de 55 milhões de metros cúbicos em 2010.

Hoje, se ligar todas as térmicas não terá gás...

Quem disse isso? Eu quero que me diga quem é que sabe isso. Depende do que se quer fazer, se quisermos cortar um pedaço de refino da Petrobrás, quisermos ter uma discussão com as empresas... Ninguém opera um sistema elétrico dessa complexidade sem criar múltiplas alternativas e aumentar a flexibilidade do sistema.

Haverá aumento de preço?

Nós teremos de pagar o preço das térmicas, a não ser que o País faça grandes reservatórios, grandes Itaipu, alaguemos áreas.

Há os que afirmam que o racionamento está sendo feito via preço.

Racionamento não é isso, não. Racionamento é o que o pessoal tenta fazer com que nós façamos. Nossa estratégia não é a deles. Eles não tinham tomado nenhuma providência. É. Os que cantam em prosa e verso que nós temos de racionar. É o pessoal que fez o racionamento, que fez a operação pelo lado da demanda. Nós queremos fazer a operação pelo lado da oferta.



ENERGIA: “O Brasil, enquanto for um sistema hidrotérmico, terá dependência de São Pedro”

CORTES: “Cobertor ficou mais curto e algumas despesas vão sobrar. Mas não necessariamente no PAC”

PACOTE: “Os Estados Unidos estão tentando estruturar uma política anticíclica, o que é bom para nós”

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Investimentos em alta sustentam crescimento


Vera Saavedra Durão, do Rio Valor

O investimento continuará sendo o principal motor do crescimento da economia brasileira neste ano, segundo análise de economistas e empresários. Marcos Felipe Casarin, do Grupo de Conjuntura do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), prevê que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), equação usada para medir o comportamento do investimento, crescerá 11% em 2008. Já o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima expansão de 12%.


Se qualquer um desses resultados for confirmado, será consolidada uma trajetória ascendente do investimento, nos últimos quatro anos, a taxas superiores a 10%, bem acima do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).


Para o presidente do Ipea, Márcio Pochman, as medidas adotadas pelo governo para compensar a perda da CPMF não deverão afetar o investimento público. Em sua avaliação, os investimentos do governo poderão dobrar sua participação no PIB, de 0,5% para 1%, em razão das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que foram preservadas dos cortes no Orçamento depois da derrota do governo na renovação da CPMF. Pochman aposta em uma taxa de investimento recorde para este ano, de 19,2% do PIB, inédita desde os anos 70.


Os empresários mostram-se dispostos a investir, apesar das projeções mais conservadoras para o crescimento em 2008. Maurício Bähr, presidente do Grupo Suez, que se prepara para disputar a concorrência da hidrelétrica de Jirau - segunda usina do rio Madeira, orçada em R$ 10 bilhões -, diz que está "com a agenda cheia". Além de Jirau, o grupo toca as hidrelétricas de São Salvador (243 Megawatts) e de Estreito (1.087 MW). Ambas deverão iniciar operações em 2010. Os empreendimentos somam R$ 4 bilhões.


O presidente da Light, José Luiz Alquéres, confirmou a intenção de aumentar os investimentos. A distribuidora carioca deverá aplicar R$ 560 milhões em três projetos de geração de energia. Arnaldo Calbucci, do grupo Wilson, Sons, do setor de logística, também planeja gastar mais este ano. "Vamos investir US$ 120 milhões na área de portos, embarcações offshore e na área de rebocadores portuários", afirmou.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Infra-estrutura pode dar fôlego para país crescer entre 6% e 7%

Sergio Lamucci e Denise Neumann, de São Paulo
Valor


Marisa Cauduro / Valor
Delfim Neto: "Ninguém quer ser sacrificado hoje, como faziam os incas, para que a colheita seja boa no futuro"


Antônio Delfim Netto acredita que o Brasil pode voltar a crescer, em breve, em um ritmo de 6% a 7%. A última vez em que essa velocidade foi alcançada foi no chamado milagre econômico, nos anos 70, período durante parte do qual ele foi o comandante da área econômica. A chave para essa mudança, diz ele, está na aposta que a União e Estados importantes - entre eles São Paulo e Minas Gerais, comandados pelo PSDB e por potenciais candidatos a sua sucessão - estão fazendo na infra-estrutura. E a aposta, explica, vem junto com a convicção de que agora parte importante deste investimento cabe ao setor privado,


Para Delfim, o BC, apesar de sustentar "o último peru disponível no mundo fora do Dia de Ação de Graças e do Natal", não tem mais o poder de frear esse crescimento porque o investimento privado não "obedece" à Selic. A seguir, os principais trechos da entrevista.


Valor: Quais suas perspectivas para o crescimento da economia nos próximos anos?


Delfim Netto: Estou com uma visão otimista por muitos motivos, mas talvez o mais importante é que caiu a ficha do governo federal. Houve alguns sinais importantes dados pelo ministro que considero talvez o mais eficiente do governo Lula, que é a Dilma Rousseff. No começo, os atrasos nos leilões de concessão faziam com que ficássemos desconfiados de que eles queriam devolver para o Estado todas as tarefas. Era aquela ameaça: vai recriar a Telebrás, vai recriar a Diabobrás. Mas não foi por isso que demorou e sim pela assimetria de informação entre o poder concedente e o concessionário. Nas concessões do governo Fernando Henrique, a assimetria de informação levou o concessionário a montar um sistema em que as vantagens eram substanciais. Isso era possível, porque o concessionário sempre sabe muito mais do que o poder concedente sobre a sua tarefa. Hoje estou convencido que era esse problema e não um resíduo ideológico. O que demorou foi o governo entender que poderia transferir para o setor privado algumas tarefas e, ao mesmo tempo, proteger o consumidor.


Valor: De onde vem essa mudança?


Delfim: Eles descobriram isso quando começaram a pensar no leilão de concessões rodoviárias, que poderia ser um leilão frio, comum, mas de repente aparece um animal estranho, que transformou o leilão num sucesso extraordinário. O governo sabe hoje que há mecanismos adequados que permitem transferir ao setor privado aquelas tarefas que antigamente apenas o Estado podia fazer.


Valor: E o que fica para o Estado?


Delfim: É possível reservar para o Estado apenas aquilo que ele tem que fazer. Ele tem que proporcionar uma Justiça razoável, saúde, educação e, numa palavra, precisa equalizar as oportunidades dos cidadãos. E aqui há uma idéia que vai salvar o capitalismo. O capitalismo é uma corrida, uma competição desenfreada. O que se exige numa corrida? Que os sujeitos saiam do mesmo ponto e que pelo menos tenham duas pernas. É evidente que no Brasil isso não existe. No Brasil, 60% das pessoas nascem em lares que são incapazes de dar a eles igualdade de oportunidades. O capitalismo só sobrevive quando há consciência de que essa igualdade de oportunidades está caminhando. A profecia marxista só não se realizou por causa do sufrágio universal. O sufrágio universal deu voz ao trabalhador e o está transformando em cidadão. Não adianta o economista vir e dizer: "Eu sou o portador da ciência e vocês devem seguir os meus conselhos", como se fosse um daqueles velhos sacerdotes incas, afirmando que temos que sacrificar alguém hoje para que a colheita seja boa no futuro. Ninguém quer ser sacrificado hoje para que a colheita seja boa no futuro. Você tem que convencer o sujeito, que está hoje produzindo a colheita do futuro, que o regime é razoavelmente justo. Isso vem da tentativa de melhorar as oportunidades. Eu me divirto muito porque, ao contrário do que as pessoas pensam, o Lula é o salvador do capitalismo.


Valor: Por que o sr. acha que ele é o salvador do capitalismo?


Delfim: Porque ele colocou na mesa, inconscientemente até, que a igualdade de oportunidades é a única coisa que pode salvar a boa política econômica. O Lula é o salvador do capitalismo, porque é óbvio que antes de voltar a crescer, estamos indo para uma sociedade que eu nem sei se é mais justa, mas ela se pensa mais justa, ela se percebe mais justa.


Valor: Mas por que sr. acha que o crescimento será mais forte?


Delfim: Porque vão se realizar projetos do PAC que jamais seriam realizados pelo governo. O governo não tem recursos. E no discurso do lançamento do PAC da ciência, o Lula descobriu uma coisa importante: não adianta nada fazer um programa e disponibilizar os recursos porque é no governo que o programa não se realiza. A verba não chega ao laboratório não porque nós não sabemos que a pesquisa é importante, mas porque tudo isso é bloqueado pela própria máquina, que é ineficiente para transferir os recursos. Isso é outro passo muito importante na sua compreensão do governo. Nesse cenário, os investimentos em infra-estrutura vão crescer e muito. Isso é apenas um pequeno aspecto. Eu olho para São Paulo e vejo o José Serra com um passo à frente, fazendo a mesma coisa e até melhor.


Valor: Por que melhor?


Delfim: Ele vai colocar em leilão as estradas, vai vender uma parte do patrimônio que não interessa, vai privatizar, vai fazer parcerias público-privadas. Nas estradas, ele escolheu um modelo que tem um certo interesse, que o governo federal não usou. Você fixa a outorga. O governo federal usou simplesmente minimizar a tarifa. A proposta do Serra tem uma coisa mais interessante, pois posso usar os recursos da outorga para investir onde a taxa de retorno social é maior que a privada, onde o setor privado não vai entrar. O Aécio Neves está fazendo a mesma coisa, o que prova que a competição é a única coisa que resolve. Você tem uma competição óbvia entre União, São Paulo e Minas, que são os potenciais sucessores do Lula. A União é uma interrogação, os outros dois vão disputar entre si, mas um dos dois vai ser candidato. Isso significa que você vai ter um aumento significativo do investimento em infra-estrutura.


Valor: Qual o impacto dessa alta?


Delfim: A bibliografia internacional mostra que 1% do PIB de aumento do investimento em infra-estrutura tende a aumentar a taxa de crescimento do PIB entre 0,4 e 0,5 ponto percentual. A soja, para ser trazida de Mato Grosso para Santos, metade é custo de transporte. Se arrumo as estradas, isso cai para 25%. Gasto menos pneumático, gasto menos energia. A externalidade do investimento público é enorme e eleva a produtividade do setor privado. Isso vai ser visível nos próximos dois anos.


Valor: Isso se materializa em 2008, ou é mais para 2009?


Delfim: Acho que é agora, porque está começando. São Paulo está funcionando, Minas está funcionando e a União está funcionando. Em 18, 24 meses, você vai notar esse efeito. O simples fato de que você está melhorando porto, melhorando estrada, você vai ter uma elevação do crescimento. Quais são os fatores que impedem o crescimento? Energia e conta corrente. Conta corrente, Deus resolveu para a gente. Na energia, Deus deu uma mãozinha agora, o que prova que esse tal de Lula tem alguma coisa com o divino. Há um problema de curto prazo óbvio, mas o entendimento de que há um problema de curto prazo é o primeiro passo para a solução do problema. Não adianta discutir, haverá problema de gás se não chover direito, mas ele não é suficiente para inibir ou abortar o crescimento. Hoje, estou muito mais confiante de que o único fator que poderia abortar o crescimento, que é a oferta de energia, aos trancos e barrancos será superado, infelizmente com custo marginal crescente.


Valor: O sr. acha que nós podemos sair dos 4,5% a 5% de crescimento neste ano para quanto?



O Lula é o salvador do capitalismo porque estamos em uma sociedade que se pensa mais justa"


Delfim: Acho que é perfeitamente razoável imaginar 6%, 7% nos próximos anos.


Valor: Inclusive em 2008?


Delfim: Em 2008 acho que você terá provavelmente mais do que 5%. É sempre muito arbitrário, mas o que digo é o seguinte: é óbvio que o governo colocou na mesa o problema do desenvolvimento, que tinha sido esquecido nos últimos 25 anos. Colocou na mesa, mostrou que o grosso dos diagnósticos dos cientistas estava errado. O que os cientistas diziam em 2002? Não há a menor possibilidade de superar contas correntes porque falta poupança. Um miserável fato destruiu a brilhante teoria. Subiram os preços externos, acabou. Houve movimento de capitais, uma porção de outras coisas, mas o que me interessa, o que sobrou desses pensamentos cerebrinos, é que, se você eliminar as duas restrições ao crescimento, o crescimento só depende da capacidade do governo de acordar o espírito animal do empresário.


Valor: O sr. acha que não há mais o risco de o BC inibir o crescimento?


Delfim: A taxa de juros fixada pelo BC não tem nada a ver com a taxa de juros que funciona no investimento. O investimento é controlado ou pela taxa de juros externa, para quem pode tomar, ou é controlada pelo BNDES. Aquilo na verdade é um banco de brincalhões, que nós continuamos levando a sério porque eles continuam a produzir o último peru disponível no mundo, fora do Dia de Ação de Graças e do Natal.


Valor: O BC não pode adormecer o espírito animal dos empresários? Ou não pode ter sua autonomia questionada pelo governo?


Delfim: Nunca ninguém respeitou a autonomia do BC como o Lula. Ninguém vai se meter a mudar a política do BC porque a única coisa para a qual ela tem importância hoje é a dívida pública, é disso que se trata. E mesmo assim o seu papel foi muito reduzido quando você deu o incentivo, que tem certo caráter exagerado, que foi a isenção de IR para o investidor estrangeiro. Você podia dar, mas dar para todos, não apenas para o investidor estrangeiro. O que acho é que não há mais a possibilidade de fazer o terrorismo. Isso é uma das vantagens do regime de metas inflacionárias. Há muitos problemas, mas uma das vantagens é que ele obriga o governo a explicitar a taxa de inflação que quer. A sociedade pode julgá-lo. Você acha que alguém tem condição de chegar hoje para o Brasil e dizer: eu quero uma taxa de inflação de 10%? Não tem. Ela é um instrumento de controle do próprio Executivo e cada vez está mostrando que não é o BC que é importante. O importante é a política fiscal. Se a política fiscal estiver correta, o BC pode fazer o seu trabalho sem prejudicar coisa nenhuma. Por que o Brasil precisa ter taxa de juro real de 8%? Qual é o motivo, qual é a doença, que faz que o Brasil seja o único país do mundo, além da Turquia, com juro desse tamanho? O Brasil é um país que tem que ter taxa de juro real como a do mundo inteiro, de 2,5% a 3%. Se você olhar a estrutura fiscal - e não a política fiscal -, ela é terrível. A carga tributária é a maior do mundo para um país do nosso nível de renda per capita, uma dívida pública bruta que é 65% do PIB. Esses fatos é que acabam exigindo a taxa de juros. Não é a economia brasileira. Você precisa financiar a dívida. O BC age mais na necessidade de financiamento do governo do que no processo produtivo.


Valor: O câmbio não pode abortar parte desse crescimento?


Delfim: Pode. Tudo isso está na direção de sustentar um câmbio artificialmente supervalorizado. A taxa de câmbio brasileira tem três componentes. Uma componente é a imagem da desvalorização do dólar. Todo mundo se valorizou. De vez em quando as pessoas pensam que a política econômica brasileira é tão virtuosa que produziu a valorização. Não. O segundo fator é que houve uma mudança estrutural fundamental. Eu gastava metade do valor das exportações para importar petróleo. Hoje somos auto-suficientes em petróleo. Mas há o que chamo de supervalorização. É triste ter visto grandes economistas, o BC, os mais sofisticados cientistas, negarem a relação entre diferença de taxa de juros e valorização do câmbio. É um momento negro da teoria econômica brasileira, a negação feita pelos financistas de que não há nenhum efeito do diferencial de juros. Agora, não sabem o que fazer com a grana toda que entrou.


Valor: Quanto é essa supervalorização causada pelo diferencial de juros?


Delfim: Não sei, mas não é nada diferente de uns 10%, 15%.


Valor: Mas um dólar na casa de R$ 1,70 não pode ofuscar os efeitos benéficos dos investimentos em infra-estrutura sobre a economia?


Delfim: Sem investimento em infra-estrutura, o dólar a R$ 1,70 produz uma desgraça de 100. Com investimentos de infra-estrutura, o dólar a R$ 1,70 produz uma desgraça de 80. Os investimentos em infra-estrutura significam aumento da produtividade do sistema econômico brasileiro, ou seja, significa a capacidade de resistir a uma valorização maior do que sem ele. É claro que tudo seria muito melhor se o Brasil acordasse para o fato de que precisa uma taxa de juro real igual à do mundo. Você eliminaria essa supervalorização e o efeito do investimento seria ainda maior. O investimento em infra-estrutura ajuda a resistir a um câmbio que está fora do seu equilíbrio.


Valor: Há muita gente que prevê déficit em conta corrente em 2008. Não há o risco de a restrição externa voltar a aparecer, talvez não em 2008, mas em 2009 ou 2010?


Delfim: A restrição externa vai aparecer se não tivermos inteligência, por um motivo simples. O Brasil vai ter, daqui a 25 anos, 250 milhões de habitantes e terá que dar emprego para 140 milhões de sujeitos entre 15 e 65 anos. É óbvio que o paradigma brasileiro não pode ser o neozelandês, que daqui a 25 anos vai ter 5 milhões de habitantes, ou seja, vai ser menor que a favela do Alemão. Também não pode ser o chileno, que daqui a 25 anos terá 20 milhões de habitantes. Estamos surfando no crescimento global. Junto com a expansão do mundo, apareceu a China, apareceu a Índia. Os preços dos produtos agrícolas e minerais cresceram muito mais do que os dos produtos industriais e estamos nos beneficiando disso. Mas sabemos que o mundo não é exponencial. A economia global flutua. O período varia, a amplitude varia, de modo que mais dia, menos dia, esses países vão caminhar para uma estabilização, vai haver uma recessão nos EUA, que terá conseqüência na China, você terá uma flutuação nesses preços. Quando os preços flutuarem, rapidamente vai aparecer um déficit comercial e em conta corrente. Por que ele não será um impedimento no curto prazo? Porque você tem reservas de US$ 170 bilhões. Você pode fazer besteira cambial por mais uns três anos. É óbvio que, para sustentar esse país é necessário ter política industrial exportadora. O Brasil não está se inserindo no mundo. O Brasil está servindo ao mundo, e na minha opinião, tem todo o motivo de servir e aproveitar ao máximo essa possibilidade, mas não acreditar que esse é o modelo que vai permitir ser um país decente daqui a 25 anos. O Brasil é o 5º país em dimensão geográfica, é o 8º ou 9º em dimensão demográfica, é o 11º em PIB. O Brasil tem que pensar o que ele é. Não é simplesmente essa cópia, essa idéia de que se deixar o mercado fazer tudo vai dar certo. O mercado é um instrumento fantástico porque não foi inventado por ninguém, foi descoberto no próprio processo de viver. Ninguém pensa em abandonar o mercado. Mas para crer que o mercado pensa 25 anos na frente, tem que acreditar muito mais do que qualquer muçulmano.


Valor: O câmbio se corrige só com o diferencial de juros?


Delfim Se os juros estivessem na posição correta, o movimento de capitais seria muito menor. A taxa de câmbio estaria no seu equilíbrio, um pouco mais, um pouco menos, pois o câmbio flutua, é assim mesmo.


Valor: O cenário externo não pode nublar essas perspectivas?


Delfim: Se nós continuarmos como está, nós vamos dar com a cabeça na parede mesmo. Do mesmo jeito que Deus deu essa alegria de eliminar a vulnerabilidade externa construída pelo Fernando Henrique, vai retirar. Essa expansão produzida pelo aumento dos preços dos produtos agrícolas e dos produtos minerais não é coisa permanente.


Valor: Além do câmbio, o que mais pode ser feito pelo governo?


Delfim: É a disposição de entender isso, que o mercado é formidável, mas não é ele que faz o crescimento. Quem faz o crescimento é o espírito animal do empresário quando é despertado pelo governo. Esse pavor estadofóbico que se apropriou de alguns economistas, que é compensado pela estadolatria que se apropriou de outros, é que perturba o crescimento. Nenhum dos dois está certo.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Copa do mundo: Brasil já pensa em como equipar cidades candidatas

Cristina Massari, do Globo Online

A ministra Marta Suplicy, o ex-jogador Carlos Alberto Torres e Jeanine Pires, presidente da Embratur, no estúdio da rádio Talk Sport, em Londres, falam da Copa de 2014 no Brasil  / Foto: Divulgação

RIO - A Copa do Mundo de 2014 foi um dos principais assuntos em torno da participação do Brasil na World Travel Market, que acontece em Londres até quinta-feira (15). Para falar de futebol para os ingleses, a ministra do Turismo, Marta Suplicy, levou Carlos Alberto Torres, capitão da seleção tricampeã de 1970 à rádio Talk Sport Radio e ao estande da Embratur no pavilhão de exposições da feira. A ministra contou com exclusividade ao Globo Online como o turismo brasileiro já está se preparando para a Copa de 2014, mas com o olho também nas Olimpíadas de 2016.

- Tínhamos encomendado à Fundação Getulio Vargas um estudo de competitividade para os 65 destinos turísticos prioritários para os investimentos. Aproveitamos então e pedimos que os trabalhos em torno das 18 cidades que concorrem à sede do campeonato de futebol sejam priorizadas e que já se tenha uma avaliação de sua competitividade em fevereiro - conta.

Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Cuiabá, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Maceió, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife/Olinda, Rio Branco, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo são candidatos a sediar os jogos da Copa do Mundo de Futebol ( vote nas cidades de sua preferência). A escolha da Fifa só será anunciada em junho de 2008. Todas estas cidades terão sua competitividade turística avaliada pela FGV, no estudo que está sendo conduzido pela FGV através de um convênio firmado com o Ministério do Turismo.

- A avaliação que vamos fazer não será falando de futebol. Mas se a infra-estrutura turística é sustentável, sob diversos aspectos, incluindo o meio-ambiente. Depois vamos aprofundar para o futebol. Sabemos que o resultado desta seleção só sai em 2008, mas temos que ir nos preparando. A capital de Goiás, por exemplo, Goiânia, tem um hotel cinco estrelas. Como vai receber uma Copa do Mundo? É preciso fazer um estudo de viabilidade de hotéis. Temos que pensar na qualificação dos jovens. Tudo isso tem que ser planejado e pensado.

Questionada, a ministra opinou que a prioridade para os investimentos em infra-estrutura no país visando a Copa do Mundo deve se voltar para a infra-estrutura de transportes.

- A reforma dos portos, aeroportos e rodovias federais é o item mais prioritário para a Copa do Mundo. E já estão recebendo investimentos, só que são obras que não ficam prontas em um ano, mas estamos prevendo que para 2014 estejam.

Mirando nas Olímpiadas de 2016

De olho ainda na escolha da sede das Olimpíadas de 2016, Marta aposta no andamento dos preparativos para a Copa para que o Brasil, que inscreveu a candidatura do Rio de Janeiro, seja mais uma vez escolhido:

- A seleção para as Olimpíadas será em 2009, temos que ter passos bastante sérios tomados para pleitear 2016. Se pudermos mostrar serviço antes, será melhor.

Nesta disputa, o Rio concorre com Chicago (EUA), nas Américas; Doha (Qatar) e Tóquio (Japão), pela Ásia; e Baku (Azerbaijão), Madri (Espanha) e Praga (República Tcheca), pelo continente europeu. A escolha da cidade que organizar os Jogos Olímpicos e 2016 será anunciada em Copenhague, na Dinamarca, em 2 de outubro de 2009, durante uma reunião do comitê executivo do Comitê Olímpico Internacional.

Marta Suplicy ressaltou ainda que a Copa do Mundo deverá trazer mais benefícios que as Olimpíadas para o país:

- Especialistas já afirmaram que uma Copa do Mundo traz mais dividendos que uma Olimpíada. Para o Brasil, serão várias cidades-sede, o que vai permitir ao brasileiro se apropriar como nunca do Brasil e o estrangeiro terá uma visão ampla deste país. Para nós será uma promoção maravilhosa. Para o turismo, é um salto de 50 anos, superacelerado, que se dá, com investimentos maciços em transportes etc.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

La locomotora brasileña no se detiene

Por primera vez, el gigante del Mercosur invierte más en el exterior que fronteras adentro.

Por: Daniel Muchnik
Clarín

COLOSO. CVRD ES UNA DE LAS 25 FIRMAS NO BANCARIAS MAS GRANDES DEL MUNDO.

«dP«Dor la compra de empresas en el exterior, Brasil pasó a ser un inversionista importante a nivel mundial y de primer orden en América latina. Colocó fuera de sus fronteras 28.000 millones de dólares en 2006.

Así, por primera vez, las inversiones hechas por empresas brasileñas en el exterior superaron a las recibidas desde el extranjero. Es lo que confirma el "Informe Mundial de Inversiones" que elaboró y autorizó la Conferencia de las Naciones Unidas sobre el Comercio y Desarrollo (UNCTAD).

El avance persistente de Brasil se debió, principalmente, a la adquisición de la minera canadiense Inco por parte del gigante Compañía Vale do Río Doce, en 17.000 millones de dólares.

Hay otros 11.000 millones de dólares más que se fueron al extranjero. Y ahí hay que computar la compra de empresas argentina por parte de sus pares brasileños, como el reciente caso de Alpargatas, Loma Negra y varios frigoríficos.

También es muy fuerte la presencia brasileña en el mercado inmobiliario argentino y en las producciones primarias en las zonas limítrofes. El calzado deportivo en nuestro país está controlado, en gran parte, por Brasil.

Brasil tiene dos empresas entre las 25 mayores no-financieras del mundo, con Petrobras en el lugar número 13 y Vale do Río Doce en el 18.

A su vez, junto a México, y con 19.000 millones de dólares, Brasil fue el destino principal de las inversiones extranjeras canalizadas hacia América latina. En esa materia hubo un incremento del 25 por ciento respecto de los volúmenes operados en 2005. En total, el sur del nuevo continente recibió 84.000 millones de dólares de flujos extranjeros, con una suba del 11 por ciento respecto de 2005. En Chile se acrecentaron un 14 por ciento siempre con relación al año anterior. En Paraguay entre un 33 y 34 por ciento más. En Uruguay hubo evidentes sorpresas: un 62 por ciento más de inversiones que en 2005.

En la Argentina, el ingreso de inversión foránea directa se mantuvo relativamente estable en 2005, con una leve baja del 4 por ciento.En 2006 llegaron activos por 5.500 millones de dólares. En otras palabras, se acrecentó la distancia de Brasil con la Argentina como receptor y exportador de inversiones directas.

Todo esto habla a las claras de la internacionalización de la economía brasileña, con un ida y vuelta muy significativos. Porque no sólo recepciona más fondos externos sino que además las empresas extranjeras reinvierten más sus utilidades dentro de Brasil. Paralelamente las compañías brasileñas se expanden por el mundo, con inversiones reales.

Quienes subestiman el crecimiento brasileño olvidan que Brasil se expande a tasas moderadas, pero en forma constante, sin espasmos, a diferencia de la Argentina, donde los períodos de alzas conviven con otros de fuertes caídas. Eso sucedió en 1995 y en el período 1998-2002.

Hay que señalar, por otra parte las características del comercial bilateral. Sigue marcando un avance de los productos manufacturados brasileños en el mercado argentino, mientras la Argentina continúa con sus ventajas primarias.

El saldo argentino es deficitario en todos los casos, con excepción de los productos primarios. Buenos Aires no evita el déficit con Brasil en materia de manufacturas, contando en ese rubro la tecnología baja, intermedia y alta, que asciende a 3.321 millones de dólares. Hay que contar entre ellos los automóviles, vehículos de pasajeros, autopartes,

domingo, 7 de outubro de 2007

Grau de investimento pode atrair mais US$ 50 bi

Com melhora na classificação feita pelas agências de risco, país receberia o dobro dos recursos de estrangeiros

Patrícia Duarte


O Globo


BRASÍLIA. A um pequeno passo de alcançar o tão esperado grau (recomendação) de investimento, o Brasil ainda está longe de colher todos os benefícios da boa nova que se avizinha. Isso significa que, quando for alçado ao topo da classificação das economias globais, haverá aumento expressivo no ingresso de recursos estrangeiros no país. A estimativa dos especialistas é de que poderão desembarcar no Brasil quase US$ 50 bilhões a mais por ano, entre aplicações financeiras e investimentos no setor produtivo.
Com isso, o país receberia cerca de US$ 100 bilhões anuais.

Hoje, o mercado financeiro brasileiro — considerando bolsa de valores, títulos públicos e fundos — atrai cerca de US$ 20 bilhões por ano. A elevação da nota pelas agências de classificação de risco poderá aumentar em US$ 10 bilhões, ou 50%, este montante a cada ano. Sob a ótica dos investimentos estrangeiros diretos (IED), o potencial é ainda maior: US$ 40 bilhões anuais extras. O Brasil receberá em 2007, estima o Banco Central, US$ 32 bilhões só em IED.

O grau de investimento é importante para um país por indicar que as chances de haver calote são mínimas, o que acaba atraindo muitos investidores.

Hoje, pelas principais agências, o Brasil está a apenas um degrau deste status. Na avaliação dos especialistas e do governo, a promoção sairá até o fim de 2008 — boa parte deles crê que a data será o fim do primeiro semestre.

Hoje, apesar do bom momento econômico, o Brasil não pode receber mais recursos porque há impedimento legal: fundos de pensão e fundos financeiros internacionais são proibidos de aplicar em países que não têm o grau de investimento. Boa parte está só esperando o sinal verde para entrar.

— O que acontece em mercados emergentes, como o brasileiro, é uma competição acirrada pelo investidor. Com o investment grade, o Brasil ganha força e tem muito investidor já de olho — avalia o diretor da Quest Investimentos, Marcelo Villela, que acredita na reclassificação já no primeiro semestre de 2008.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Brasil é o quinto melhor para investimento, diz ONU

O Brasil será o quinto destino favorito para investimentos nos próximos três anos. A avaliação faz parte de uma pesquisa mundial conduzida pela ONU, que questionou as principais multinacionais mundiais sobre os mercados preferidos para novos investimentos até 2009. No topo da lista aparece a China, seguida por Índia, Estados Unidos e Rússia.

O que mostra que os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China estão entre os cinco primeiros favoritos para investimentos de grandes companhias multinacionais. No caso do Brasil, cerca de 22% dos entrevistados, disseram que teriam planos ou algum tipo de intenção de aplicação de recursos no País.

O Brasil superou países tradicionais em recepção de investimentos como o Reino Unido, França, Alemanha e Japão, integrantes do Grupo dos 7 mais desenvolvidos (G7).

O principal motivo de atração para o Brasil é o potencial de crescimento do mercado interno, com mão de obra qualificada.(Informações do portal Estadão)

Lazer, Emprego e Renda: Grupos investem pesado no setor turistico

A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) estima que, entre 2005 e 2008, os investimentos das redes hoteleiras em resorts vão superar os R$ 3 bilhões. Até os estrangeiros descobriram o potencial turístico do País e estão aplicando dinheiro para erguer hotéis que agradem tanto brasileiros quanto turistas do além-mar.

Uma das promessas é o Eco Resort Aracaju - empreendimento do grupo CVC. Ele será construído em um terreno de 300 mil metros quadrados na Praia do Mosqueiro, em Aracaju, ao lado da foz do Rio Vaza Barris. Serão 290 apartamentos e 32 bangalôs, sendo 17 construídos em plataformas suspensas sobre a água. As atrações são as cinco piscinas, spa, kids club, quadras de tênis, restaurantes e centro de convenções. A primeira fase ficará pronta no fim de 2008.

O Aquiraz Golf & Beach Villas, na cidade de mesmo nome, a 27 quilômetros de Fortaleza (CE), já está em obras, num terreno de 3 milhões de metros quadrados. O resort terá 1.400 apartamentos, piscinas, quadras de tênis, equitação, academia e campo de golfe com 18 buracos. A operadora é a portuguesa Dom Pedro Hotels e a inauguração está prevista para 2008.

Em março de 2008 fica pronta a Praia do Cerrado, a maior piscina de ondas da América Latina no terreno do Rio Quente Resorts, em Goiás. Os hóspedes vão poder desfrutar de 210 metros de praia com areia branca e capacidade para 15 mil pessoas.

A Praia de Peró, em Cabo Frio, ganhará um complexo com a expertise do tradicional Club Med. Serão 300 apartamentos que devem ficar prontos também no ano que vem.

O mesmo deve ocorrer com o Superclubs Breezes Búzios. Localizado na Praia de Tucuns, entre Cabo Frio e Búzios, o resort deve consumir R$ 65 milhões de investimentos. O projeto é oferecer o sistema all inclusive, onde até a bebida alcoólica está incluída no valor da diária.

A rede portuguesa Vila Galé Cumbuco quer levar o sucesso do complexo instalado no norte da Bahia agora para Cumbuco, a 33 quilômetros de Fortaleza. Serão quatro hotéis, spa, salão de jogos, centro de convenção, campo de golfe. A primeira fase deve ser aberta em 2008.

A 12 quilômetros de Itacaré, o principal diferencial do resort Warapuru é a assinatura de Anouska Hempel, renomada designer inglesa. Serão 40 bangalôs com piscina privativa. Inauguração prevista para o fim do primeiro semestre de 2008.

Fonte O Estado de São Paulo

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Momento é favorável ao Brasil, aponta Deutsche Bank

Assis Moreira
Jornal Valor

As perspectivas de crescimento do mercado financeiro no Brasil são "excelentes"', estima o Deutsche Bank, um dos maiores grupos bancários do mundo, em nota divulgada ontem em Frankfurt.


O banco destaca que as emissões de ações e obrigações atingiram um nível sem precedentes, o fluxo de investimentos diretos estrangeiros (IDE) bate recorde, o real apresenta uma dos melhores desempenhos entre as moedas nos últimos dois anos, e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tem altas históricas.


Para o Deutsche, isso mostra que a estabilização econômica que se seguiu a crise de 2002 "finalmente começa a dar seus frutos". E aposta que a atual política de disciplina fiscal e monetária será mantida além de 2010, quando haverá nova eleição presidencial.


As perspectivas de estabilidade econômica no longo prazo, maior expansão econômica e menor taxa de juros (com custo de capital mais baixo) tem resultado num aumento sem precedentes nas atividades dos mercados financeiros, destaca a instituição.


Apoiando avaliação normalmente feita pelo governo, o Deutsche Bank, destaca que outras fases de expansão econômica e financeira foram baseadas em deterioração fiscal e externa. Agora, estima que o "boom" está ocorrendo num cenário de queda do débito público e melhora nas contas externas. E que "até mesmo" o mercado de hipotecas está decolando.


O banco alemão reconhece que a fase de expansão da economia brasileira foi favorecida pela aceleração do crescimento da economia global, preços das commodities em alta e liquidez internacional que ajudou os mercados financeiros e a apreciação de ativos entre as economias emergentes.


Apesar de sobressaltos recentes, o banco estima que a situação internacional continuará a ser interessante para os ativos brasileiros no médio prazo. A integração da China na economia mundial continuará a beneficiar o Brasil. O país também deverá receber mais investimentos chineses. Até agora, Pequim só investiu uma pequena parte dos US$ 100 bilhões prometidos pelo presidente Hu Jintao durante sua visita em 2004 a América latina. E o Brasil, pela sua riqueza natural, é o que deve receber a maior fatia.


A instituição alemã mantém a previsão de que a economia brasileira como um todo será tornará credor externo liquido em 2009. O Deutsche mantém a aposta num crescimento econômico entre 4-5% neste e no próximo ano. Conclui que o país está longe de alcançar todo seu potencial econômico. E alerta para "riscos consideráveis" a obtenção de maior expansão econômica no médio prazo por causa de problemas de infra-estrutura e regulamentações.


Ainda assim, as perspectivas econômicas e financeiras continuarão elevadas, graças a estabilidade econômica e queda dos juros, entre outros fatores.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

FMI elogia sistema financeiro do Brasil entre emergentes

Segundo relatório do Fundo, sistema brasileiro é diversificado, bem regulado e supervisionado

Nalu Fernandes, da Agência Estado

NOVA YORK - O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirma em seu Relatório de Estabilidade Financeira Global (GFSR, na sigla em inglês), divulgado nesta segunda-feira, 24, que o sistema financeiro do Brasil é diversificado, bem regulado e supervisionado em comparação a outros emergentes.

Veja também:

link Crise das bolsas pode causar desaceleração global, diz FMI

Ao mesmo tempo, porém, o Fundo destaca os desafios que a entrada de fluxo de capital representa para o País. Os desafios às autoridades, enumera, englobam a avaliação de que apesar do crescimento do volume de exportações, a competitividade ainda pode ser afetada de forma adversa, o processo de esterilização (do excesso de liquidez no câmbio) com a venda de títulos do governo pode elevar a dívida nacional e há o risco de rápida reversão na entrada, se o apetite por risco mudar de forma acentuada.

Além da contínua forte entrada de investimento estrangeiro direto (IED), espera-se níveis recordes de entrada em portfólio, tanto em dívida quanto em ações, estima o relatório. O FMI calcula que a entrada de capital no País superou US$ 40 bilhões durante os quatro trimestres encerrados em março deste ano. Investidores estrangeiros compraram cerca de dois terços dos IPOs brasileiros em 2006, e esta tendência deve continuar.

"A entrada de capital de curto prazo aumentou à medida que a taxa de juro nominal de dois dígitos e fortes fundamentos econômicos fazem do Brasil um destino atrativo para as operações de carry trade", diz o FMI.

As regulações tanto para o câmbio quanto para conta de capital têm sido liberadas gradualmente desde a década de 1990. No entanto, este processo freqüentemente não tem sido seguido por alterações complementares na legislação como um todo, que permanece complexa e ambígua". Por exemplo, diz o Fundo, o governo ainda pode reintroduzir controles sobre o câmbio.

Mas, "comparado com outros emergentes, o sistema financeiro é diversificado e um dos maiores, com um mercado sofisticado de derivativos. É bem regulado e supervisionado e, graças à reestruturação, tem se tornado mais modernizado e eficiente", disse o FMI nos três primeiros capítulos do documento Perspectiva Econômica Mundial, cujo capítulo com as projeções econômicas será divulgado apenas no encontro Anual do Fundo, em outubro.

O setor financeiro, institucionalmente dominado por bancos, é concentrado, ressalva. Embora a atividade no mercado acionário doméstico tenha aumento, o Fundo afirma que diversas companhias de grande porte ainda preferem listar ações em Nova York.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Imprensa espanhola se derrama em elogios ao Brasil

Blog de Magno Martins

Um editorial publicado nesta terça-feira no diário espanhol ABC diz que o Brasil de hoje é um país "seguro de si e com um potencial de crescimento extraordinário".

Intitulado "Acertos de Lula da Silva", o texto elogia a gestão do presidente Luiz Lula, e afirma que seu governo "acerta" no comando do Brasil.

"Ninguém discute que o Brasil é o principal fator de estabilidade no conjunto da América Latina. O gigante sul-americano oferece neste momento o rosto de um país amigável, que leva a sério suas responsabilidades no século 21", diz o editorial.

O ABC lembra que "a sombra da corrupção pairou sobre seu primeiro mandato (de Lula) depois dos escândalos vividos no Partido dos Trabalhadores", mas observa que nenhuma denúncia chegou a implicar o presidente. Para o jornal, o governo de Lula ainda tem "muito a fazer" para melhorar os indicadores sociais do país. Ainda assim, "o balanço da gestão presidencial de Lula é notável", avalia o diário.

O diário El País disse que empresários espanhóis cobriram Lula de elogios durante um evento no qual o presidente pediu a participação do setor privado em projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que tentará impulsionar obras no setor de infra-estrutura. "O próprio presidente considerou oportuno dizer que 'poucos presidentes tiveram o privilégio de ouvir elogios como estes'", relatou o El País.

Para o catalão La Vanguardia, o Brasil é "um país em sólido crescimento, que tenta superar o fosso profundo de desigualdade social e que, ao mesmo tempo, aposta na infra-estruturas logística, energética, urbana e social".

Já o diário Cinco Dias, especializado em economias e finanças, disse que o crescimento econômico e a melhora da segurança jurídica no Brasil serviram de argumentos para Lula tentar atrair a atenção do empresariado espanhol. "Os empresários espanhóis reforçaram sua aposta de investimentos no Brasil", disse o jornal. (Informações da BBC Brasil)



Escrito por Magno Martins

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Economia se acelera e cresce 5,4% no 2º trimestre


Daniel Bramatti
Reprodução

Com aumento das importações, comércio exterior teve efeito negativo para o PIB



A economia brasileira se acelerou no segundo trimestre de 2007 e cresceu 5,4% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo divulgou há pouco o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No primeiro trimestre, o PIB havia crescido 4,3%.

Os números reforçam as chances de fechar 2007 com um crescimento do Produto Interno Bruto superior a 4,5%, índice projetado pelo governo, no início do ano, ao lançar o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Na época, a previsão foi recebida com descrença e considerada ousada demais. De lá para cá, o panorama mudou, com queda de juros, expansão do crédito e elevação do poder de compra. Além disso, uma revisão da metodologia do PIB, anunciada em março, mostrou uma economia maior e mais dinâmica do que a até então conhecida.

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Outra novidade foi o próprio PAC, mas é praticamente consensual a avaliação de que os efeitos do programa ainda não foram sentidos na economia real: o ritmo de liberação de verbas tem sido lento, assim como a execução das prometidas obras de infra-estrutura.

Os dados divulgados pelo IBGE mostram que todos os setores da economia se expandiram, com destaque para a indústria - justamente o setor mais afetado negativamente pela valorização do real. As dificuldades no mercado externo parecem ter sido compensadas pela forte expansão no consumo interno.

O destaque positivo é o forte aumento de 13,8% nos investimentos, a chamada formação bruta de capital fixo, que mede o desempenho da construção civil e a aquisição de máquinas e equipamentos. Esse dado indica que as empresas apostam num crescimento ainda maior da economia, e permite que esse crescimento ocorra sem pressões inflacionárias decorrentes de uma eventual oferta insuficiente de produtos no mercado.

O PIB é a soma de todas as riquezas geradas em um país. Uma fábrica que venda R$ 1 milhão por ano após gastar R$ 800 mil na produção, por exemplo, contribui para o PIB com R$ 200 mil. O trabalho do IBGE é coletar e organizar estatísticas dos mais variados setores econômicos para tentar somar todas essas contribuições e, com isso, traçar um quadro o mais fiel possível do tamanho da economia do país.

Esse dado estatístico ganhou importância recentemente graças ao plano do governo de atrelar o salário mínimo à variação do PIB mais a inflação anual. Ou seja, o PIB é que vai determinar o aumento real do salário mínimo.

Terra Magazine

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Crise ameniza e indústria mantém planos para fim do ano

Reuters/Brasil Online

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) - A crise dos mercados financeiros assustou empresários brasileiros, mas não chegou a frear investimentos nem a reverter a tendência de crescimento esperada para a segunda metade do ano.

Executivos e representantes de entidades da iniciativa privada ouvidos pela Reuters acreditam que a demanda interna será suficiente para sustentar o ritmo de atividades nos próximos meses, período mais importante do ano para a indústria e o setor de varejo.

"Pelas reuniões que estamos tendo, percebemos que o crescimento do setor será igual ou maior que o do primeiro semestre", afirmou Luiz Aubert, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Ele estima crescimento de 13 por cento para o setor neste ano.

Em meados de agosto, no pico das turbulências vividas pelos mercados por conta da crise no segmento de crédito imobiliário de alto risco norte-americano, algumas entidades empresariais no país notaram um clima de cautela entre os empresários.

Com a situação agora mais estabilizada, esses mesmos executivos resolveram manter as apostas para o restante do ano.

"No fim, não sentimos nenhuma mudança de comportamento em relação à crise. Não houve nenhum impacto direto na economia", disse Luciana Pellegrino, diretora-executiva da Associação Brasileira de Embalagens (Abre).

Essa sensação de que o pior passou e de que a indústria segue o ritmo traçado, é compartilhada por Paulo Francini, diretor de economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

"Quando você ingressa em uma turbulência, fica sem saber quanto tempo vai durar, qual a intensidade. A dúvida é quase sempre imobilizante... Agora já estamos bem melhor", disse. "As coisas se acalmaram, os mercados estão operando normalmente, interna e externamente. Tem-se uma sensação de alívio", acrescentou.

2008 TRAZ DÚVIDAS

A preocupação que tomou conta de alguns empresários não chegou a alterar o espírito de outros. O setor automotivo é um exemplo de como a crise nos mercados internacionais passou, por enquanto, longe do Brasil.

Em agosto, as montadoras do país bateram novos recordes, tanto na produção quanto na venda de veículos -e por trás dos números mais uma vez estava o aquecido mercado doméstico.

"A crise não afetou o lado real da economia", afirmou Jackson Schneider, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), ao divulgar dados sobre o desempenho do setor.

Mas o clima de tranquilidade não se repete no cenário de longo prazo. Os empresários, como boa parte dos analistas do mercado de capitais, ainda têm dúvidas sobre a extensão da crise, e não querem se comprometer com projeções que exijam mais fôlego.

Para José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do brasil (AEB), decisões de maior fôlego ainda podem ser adiadas.

"A crise é um fato. Os reflexos ainda não apareceram. Tanto o Fed (Federal Reserve) como o BCE (Banco Central Europeu) colocaram muito recurso (nos mercados), e isso aparentemente está segurando a crise", afirmou. "A gente vê claramente que não existe uma certeza de que tudo passou."

Segundo os executivos, se uma nova onda de turbulências impactar os mercados, os efeitos no país poderão ser sentidos no ano que vem.

"Se você me perguntar como é que vai ser 2008, aí não sei", afirmou Aubert, da Abimaq.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Kirchner aseguró que Cristina va a cuidar el superávit "a rajatabla"

"Ella me reprocha que gasté mucho en estos años", bromeó ante 1.500 industriales. Hizo un repaso de su gestión y negó que la inversión en obra pública ponga en riesgo la situación fiscal. Al final, se fue ovacionado.

BIENVENIDO.
NESTOR KIRCHNER EXPUSO AYER ANTE LOS INDUSTRIALES.
FUE INTERRUMPIDO SIETE VECES CON FUERTES APLAUSOS.



Alejandra Gallo



El presidente, Néstor Kirchner, pareció elegir el almuerzo, organizado por la Unión Industrial, como el escenario para hacer su discurso de despedida. Con tono calmo, interrumpido en siete ocasiones por los aplausos de los cerca de 1.500 industriales que lo escucharon, hizo varias referencias a la candidata a sucederlo, su esposa la senadora Cristina Fernández.

"Cristina me reprocha que he gastado mucho estos años", sonrió el Presidente en una de esas referencias y aclaró que "ella admite que va a mantener el superávit a rajatabla en el 4% del PBI". En otro encuentro empresario, con IDEA, la senadora-candidata había pronosticado que en el 2008, el superávit fiscal "estaría en niveles similares a los actuales: un 3,12% del PBI".

El gasto público está siendo uno de los ejes principales de la campaña electoral. Ayer, Kirchner fue a fondo en este tema. Pidió: "No creemos ni les crean a los que dicen que una inversión pública, en especial en infraestructura, trae déficit fiscal". Fue uno de los momentos en que le arrancó uno de los siete aplausos a quienes lo escucharon. El CEO de Techint, Paolo Rocca (sin duda, el invitado más poderoso) fue quien disparó, sonriente, la ola de palmas.

Kirchner no fue al almuerzo de ayer con las manos vacías. Anunció que le cederá a la central fabril un predio de 13 hectáreas en Barracas para que haga allí exposiciones industriales a partir del 2010, tal como había adelantado ayer Clarín. "Espero que se acuerden de invitarme para entonces", bromeó Kirchner.

Otro de los aplausos lo generó el propio, Juan Carlos Lascurain (titular de la UIA), cuando el Presidente dijo, en alusión al rol de los organismos internacionales de crédito, "nos gusta la política económica propia y no la impuesta por los demás". Toda la mesa principal siguió a Lascurain con las palmas. Estaban: Ignacio de Mendiguren, Héctor Massuh, Luis Betnaza, y Juan Sacco, entre otros directivos de la UIA; Cristina, el candidato K a la gobernación bonaerense, Daniel Scioli, y el ministro de Economía, Miguel Peirano.

A Kirchner lo acompañó casi todo el gabinete, el único ausente fue el jefe de Gabinete Alberto Fernández y lo escucharon la cúpula de la CGT en pleno y su conductor, Hugo Moyano, se ocupó de generar sus propios aplausos cuando el primer mandatario señaló que "todos los argentinos debemos tener mayor participación en el crecimiento sostenido de la economía".

El embajador de Brasil, Mauro Vieira, debe haber sido el único que se abstuvo de agitar sus palmas cuando el Presidente defendió la aplicación de algunas restricciones arancelarias porque, dijo "se terminó la Argentina ingenua" y cuando destacó que "fue absurdo creer que el país iba a avanzar por el camino de la desindustrialización". El diplomático estaba junto a algunos fervientes aplaudidores: el canciller, Jorge Taiana y la secretaria de Industria, Leila Nazer.

Kirchner no desaprovechó la ocasión para pasar revista a una serie de estadísticas, que repasaron los logros de su gestión. Al final, casi como queriendo sellar un pacto de lealtad futura, los industriales lo ovacionaron de pie. Fue cuando finalizó su discurso y antes de que llegaran las copas del champán para el brindis.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Analistas nos Estados Unidos recomendam investir no Brasil

WILLIAM J. HOLSTEIN

DO "NEW YORK TIMES"


Quando se fala em investimentos, muitos americanos associam a palavra "estrangeiro" a alto risco. Consultores geralmente aconselham a não ter mais de 10% a 20% de papéis estrangeiros em sua carteira de ações. Do contrário, os investidores podem ter grandes perdas na eventualidade de uma crise externa, como a asiática, nos anos 1990.

Mas a última rodada de problemas financeiros globais começou em casa, nos EUA, como resultado da crise nas hipotecas de alto risco ("subprime"). Desta vez, os EUA exportaram volatilidade ao resto do mundo. Ao menos é esse o argumento de especialistas financeiros, para quem os investidores não devem olhar para os EUA como um refúgio seguro. Ao contrário, dizem que deveriam ter parte importante de suas carteiras em fundos de ações de empresas não-americanas.

É o que defende, por exemplo, Uri Landesman, do banco ING Americas. Ele defende que investidores individuais devem ter de 40% a 50% de sua carteira em investimentos fora dos Estados Unidos. "Compre um fundo que não tenha ações dos EUA", diz Landesman.

Ellen Rinaldi, executiva da administradora de fundos Vanguard, diz que os investidores não devem tomar decisões apressadas por causa da volatilidade no mercado interno, mas acrescenta que faz sentido para o investidor médio ter 20% de seus investimentos em fundos de ações estrangeiros. "Buscar os 20% seria uma boa diversificação", diz Rinaldi, para quem passar de 30% já seria mais arriscado.

Mercados emergentes tradicionalmente eram vistos como os de maior risco no mundo, mas ao longo de muitos anos eles vêm atraindo uma enxurrada de dinheiro e tendo forte desempenho. "Não são mais os mercados emergentes do tempo do seu pai", diz Arthur P. Steinmetz, que administra US$ 20 bilhões em ativos no Oppenheimer Funds, dos quais US$ 5 bilhões em emergentes.

Steinmetz, baseado em Nova York, diz que a maioria dos mercados emergentes está muito mais sofisticada e estável do que há dez anos, na crise asiática. Ele ressalta que o Brasil, por exemplo, tem US$ 160 bilhões em reservas internacionais e que sua dívida externa, antes motivo de preocupação, encolheu dramaticamente, e o país está muito mais preparado para enfrentar a volatilidade. "A proteção que o Brasil tem contra um contágio da crise externa é muito maior do que costumava ser", diz ele.

Embora Steinmetz diga que é uma boa hora para comprar fundos de países emergentes, Antoine van Agtmael, chefe da Emerging Markets Management, recomenda que o investidor espere mais um pouco por causa das altas recentes nos preços das ações. "Os mercados emergentes estão com preços altos", diz Van Agtmael, cuja empresa administra US$ 20 bilhões em investimentos em mercados emergentes.

Ele diz que os emergentes são uma boa aposta nos próximos cinco anos, mas não nos próximos meses.

Embora Steinmetz e Van Agtmael discordem sobre o momento de investir, eles compartilham a visão de que uma maior desvalorização do dólar e outros rearranjos macroeconômicos necessários para reduzir as dívidas dos Estados Unidos com o resto do mundo tornam o investimento em papéis no exterior cada vez mais importante. "Diria que estar exposto a papéis internacionais denominados em outras moedas que não o dólar é uma proteção útil", diz Steinmetz.

A Van Agtmael, o autor de "The Emerging Markets Century" ("O Século dos Mercados Emergentes"), é atribuída a criação do termo "mercados emergentes" no início dos anos 1980. Ele argumenta que mudanças estruturais nos mercados emergentes significam que eles estão estáveis o suficiente para o investidor norte-americano médio.

The New York Times
, reproduzido pela Folha de São Paulo.